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Desenvolvimento de Um Novo Projeto de Caiaque: Sergio Antonio Brondani (1) Tiago Segatto Jósê

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DESENVOLVIMENTO DE UM NOVO PROJETO DE CAIAQUE

Sergio Antonio Brondani (1);


Tiago Segatto Jósê (2);
(1) Universidade Federal de Santa Maria – UFSM, Dr.
e-mail: [email protected]
(2) Universidade Federal de Santa Maria – UFSM, Acad.
e-mail: [email protected]

RESUMO

A pesquisa tem como principal objetivo o desenvolvimento de um novo projeto de caiaque K1 e seu
sistema de instalação do banco. Trata da importância da interdisciplinaridade na intervenção do
redesenho do produto, considerando destacadamente os aspectos ergonômicos e do Desenho
Universal. O novo produto foi concebido e construído especificamente para a prática da canoagem
velocidade e paracanoagem, de modo que este possa conferir ao usuário maior segurança, conforto,
desempenho e autonomia. Caracterizado como pesquisa aplicada, na metodologia adotada foram
definidos os requisitos de projeto, considerando as exigências de mercado, as análises estruturais e
funcionais. Para a validação do projeto, foi desenvolvido um protótipo para os testes de análises de
uso, resultando em um produto com qualidade e que atendeu plenamente aos objetivos propostos.
Palavras-chave: Caiaque; Ergonomia; Desenho Universal.

DEVELOPMENT OF A NEW KAYAKING PROJECT

ABSTRACT

The research aims to develop a new project of kayak K1 and its seat installation system. It represents
the importance of interdisciplinarity in the intervention of the redesign of the product, considering
ergonomic and universal design aspects. The new product is designed and built specifically for the
practice of canoeing and paracanoe, in order to give to the user greater safety, comfort, performance
and autonomy. Characterized as an applied research, requirements of the project were adopted in the
methodology, considering the market demands, the structural and functional analysis. For the
evaluation of the project, we developed a prototype to be subjected a tests of use, resulting in a good
quality product, which fully met the objectives proposed.
Key-words: Kayak; Ergonomics; Universal Design.
1 INTRODUÇÃO

Os produtos industriais têm funções diferentes, sendo essas funções aspectos essenciais
nas relações dos usuários com os produtos, as quais se tornam perceptíveis no processo de
uso, possibilitando a satisfação de algumas necessidades, podendo ser hierarquizadas pelo
grau de importância como: função prática, função estética e função simbólica, onde a função
principal está acompanhada de outra função secundaria.
Conforme Mike Baxter (2011), o Design poder ser considerado como uma “atividade que
promove mudanças em um produto”, e ressalta que “A atividade de desenvolvimento de um
novo produto não é tarefa simples. Ela requer pesquisa, planejamento cuidadoso, controle
meticuloso e, mais importante, o uso de métodos sistemáticos”. Deste modo, o Design deve
considerar alguns fatores projetuais inerentes à prática profissional. Esses fatores projetuais
podem ser classificados em nove: antropológicos, ecológicos, ergonômicos, econômicos,
mercadológicos, tecnológicos, filosóficos, geométricos e psicológicos. Nesse contexto,
iniciou-se o desenvolvimento desta pesquisa, com objetivo de aplicar os conhecimentos
adquiridos, através de análises, planejamento e produção de equipamentos para canoagem,
utilizando-se dos princípios da Ergonomia e do Design Universal, juntamente com
usuários/atletas da canoagem.

1.1 História da canoagem

As canoas e caiaques foram desenvolvidas ao longo de milhares de anos pelos povos


nativos da América do Norte. A canoa era utilizada pelos povos indígenas no interior do
continente, enquanto o caiaque era usado pelos esquimós para pesca e transporte. Os
materiais utilizados em sua fabricação artesanal eram formados por uma estrutura em
madeira e/ou ossos de baleia, revestida com pele de foca e sua impermeabilização se dava
através da gordura desses animais.
Já no século XIX, os ingleses reinventaram novos formatos e utilizaram as embarcações
para o lazer. Logo, a Alemanha e outros países europeus popularizaram seu uso. Sua
introdução na Europa se deu através do escocês John Mac Gregor em 1865, que desenhou
e fabricou seu próprio caiaque, que batizou de “ROB ROY”, com comprimento de 4,57
metros, 0,76 metros de largura e com 30 kg de peso.
O início das competições de canoagem se deu nos jogos olímpicos de Berlim em 1936 na
Alemanha, mantendo-se até os dias atuais (ICF, 2015). Já a paracanoagem se tornará um
esporte paralímpico em 2016 no Brasil (CBCa, 2015).
Diferentes das primeiras embarcações estruturadas em madeiras, revestidas em pele de
foca e impermeabilizada com gordura, atualmente essas embarcações são constituídas em
resina poliéster ou resinas epóxi reforçadas com fibras de vidro, fibra de carbono, fibra de
aramida, estrutura de núcleo, entre outros materiais para compósitos.

1.2 Início da canoagem no Brasil

O surgimento da canoagem como prática esportiva no Brasil deu-se informalmente no ano


de 1943, através de um imigrante alemão, José Wingen, residente da cidade de Estrela, no
estado do Rio Grande do Sul, onde construir uma embarcação similar às que utilizava
quando competia pelo Clube Kanu da Alemanha. Dessa forma, surgia o primeiro caiaque na
região sul do Brasil, que foi denominado de “regata”, despertando o interesse pela atividade
na comunidade. Mas, a falta de infraestrutura, acabaram desestimulando os novos
esportistas, levando a canoagem nacional à estagnação.
A retomada da canoagem nacional somente ocorreu em meados da década de 70/80 com a
chegada de caiaques em fibra de vidro trazidos da Argentina e da Europa. Essas
embarcações foram utilizadas como moldes para os primeiros caiaques nacionais,
compostos de fibra de vidro reforçada com resina de poliéster.
A Confederação Brasileira de Canoagem (CBCa), atualmente com sede na cidade de
Curitiba no estado do Paraná, foi fundada em 1988. Embora a organização da canoagem no
Brasil seja recente, vem conquistando resultados expressivos.
Atualmente no Brasil são reconhecidas 12 categorias de competição, sendo diferenciadas
pelos meios em que são praticadas e pelos diferentes regulamentos que as orientam
(CBCa, 2015).

1.3 Canoagem como modalidade esportiva

A canoagem é uma modalidade desportiva multifacetada, engloba provas de pista,


maratona, águas bravas, rios, caiaque de mar, caiaque polo, turismo náutico e de
expedição. A Federação Internacional de Canoagem (ICF) reconhece várias modalidades
oficiais e prevê, normas específicas, ao tipo de embarcações, bem como indicadores que
norteiam a sua prática (ICF e CBCa, 2015).
Desse modo, faz-se uma revisão do estado atual da canoagem de competição, mostrando o
amplo espectro das competições existentes, realizadas ao ar livre.

1.3.1 Canoagem velocidade (Sprint)

Entre as diversas modalidades, a canoagem velocidade é considerada a mais tradicional e a


mais antiga disciplina sob o controle da Federação Internacional de Canoagem (ICF), sendo
a primeira a ser incluída nos jogos Olímpicos de Berlim em 1936. As provas são realizadas
em canais construídos artificialmente, com o percurso demarcado em 9 pistas com 9 metros
de largura, demarcadas nas distâncias de 200, 500 e 1.000 metros.
Caiaque K1: caiaque para um tripulante, com comprimento máximo de 5,2 metros e peso
mínimo de 12 kg.

Figura 1: Caiaque K1.

Fonte: Confederação Brasileira de Canoagem – CBCa (2015).


1.3.2 Paracanoagem

A paracanoagem é um esporte relativamente novo, praticado por pessoas com deficiências.


Dentro de um caiaque, independente do grau de lesão apresentado pelo esportista, haverá
condições de movimento e liberdade de locomoção, variando resultados devido ao
desempenho técnico, físico e à qualidade da embarcação que estiver usando. Os atletas
podem usar adaptações que auxiliem a sua prática, sendo elas para segurança ou para
melhora do seu rendimento. A prática da paracanoagem pode servir para lazer, recreação
e/ou competição. Nessa modalidade, as classes de embarcações são padronizadas pelas
regras da Federação Internacional de Canoagem (ICF).

1.4 Objetivos

O objetivo deste projeto, portanto, consiste no desenvolvimento uma embarcação K1 para


prática da paracanoagem e seu sistema de instalação do banco, concebido e construído
especificamente para prática da canoagem velocidade e paracanoagem em águas calmas.
Nestas condições, pretende-se promover maior segurança, conforto, desempenho,
autonomia e independência para pessoas com ou sem deficiências, baseado nos
conhecimentos da Ergonomia e Design Universal.

1.5 Justificativa

O escasso mercado de fornecedores de equipamentos desportivos para prática de


canoagem e um dos fatores motivadores para execução desse projeto, pois no mundo
possui vários usuários/atletas, com ou sem deficiências, destacando-se nacional e
internacionalmente na canoagem e paracanoagem, porém o mercado atende parcialmente
as necessidades básicas desses praticantes. Como regra geral, podemos constatar que,
tanto no Brasil como no exterior, o produto utilizado configura-se para que o usuário/atleta
se adapte a ele. Isso fere o princípio básico da ergonomia, em que é o produto que tem que
estar adaptado ao usuário. Além disso, o elevado valor de alguns equipamentos
encontrados no mercado, principalmente importados e com tecnologia e materiais
diferenciados, se encontram fora da realidade financeira da maioria dos usuários/atletas.
Destaca-se ainda que o desenvolvimento de componentes necessários à prática do esporte,
o tornaria mais atraente e acessível, facilitando o atendimento das necessidades individuais
de cada canoísta e paracanoísta. Por outro lado, há de se considerar o constante projeto
mundial de inclusão e igualdade.

2 REVISÃO BIBLIOGRÁFICA

2.1 Esporte Adaptado

O esporte adaptado foi idealizado no ano de 1944, pelo médico inglês Ludwing Guttmann,
que desenvolveu um programa de recuperação para seus pacientes envolvendo uma série
de modalidades desportivas.
Outro marco importante do processo de implantação e evolução dos esportes adaptados
ocorreu após a Segunda Guerra Mundial, através de um grupo com lesões medulares,
amputações e mutilações, com o objetivo de restabelecer emocionalmente esses indivíduos
e enfrentar as consequências da vida pós-guerra. Transformou-se em algo além de
exercícios fisioterápicos, tornando-se uma razão de viver, descoberta de novos horizontes,
perspectivas e oportunidades para os deficientes físicos.
No Brasil, a prática de modalidades esportivas adaptadas teve início após o ano de 1950,
através do Clube do Otimismo e do Clube dos Paraplégicos, com o objetivo de auxiliar a
recuperação de deficientes. Desde então, o movimento do esporte adaptado para
deficientes tem ganhado campo, através de caminho estabelecido pelos órgãos
internacionais.
A prática de exercícios físicos por pessoas com deficiência está em constante expansão e
desenvolvimento e o número de praticantes cresce a cada dia. Porém, para que o processo
de adaptação e inserção em programas de exercícios físicos tenha êxito, são necessários
alguns cuidados específicos. Devem-se considerar alguns aspectos como o tipo e grau de
deficiência, histórico motor, educabilidade, nível de interesse, metas e objetivos que
determinaram as modificações e as adaptações necessárias.

2.2 Ergonomia

Itirio Iida (2005) afirma que, do ponto de vista ergonômico, as características desejáveis dos
produtos, “sejam eles grandes ou pequenos, simples ou complexos, destinam-se a
satisfazer a certas necessidades humanas e, dessa forma, direta ou indiretamente, entram
em contato com o homem”. Desse modo, para que as interações desses produtos
funcionem com os usuários, o Design deve atender as seguintes características básicas:
Qualidade técnica; Qualidade ergonômica; Qualidade estética.
Considerando que a prática da canoagem exige maior número de atos operacionais, maior
frequência, maior velocidade e menor tempo, podemos defini-la como sendo uma ação
complexa. Portanto, a utilização das habilidades, sensibilidade, força, precisão,
compatibilidade, sincronismo, treinamento e experiências são considerados os principais
atributos do usuário.
O manuseio da embarcação e seu assento, quando projetados inadequadamente, causam
sérios problemas ergonômicos. Estão relacionados a esses problemas a configuração
anatômica, que resulta em quantidade de energia para compensação, isto é, para promover
o equilíbrio em função dos ajustes comportamentais do usuário durante o tempo de ação.

2.3 Design Universal

O Design Universal, ou inclusivo, não significa simplesmente criar para pessoas com
deficiências, envolve uma filosofia que visa atender às necessidades do maior público
possível, utilizando-se de princípios que incluem simplicidade, flexibilidade, igualdade, uso
acessível e intuitivo, baixo esforço e tamanho e peso adequados (Morris, 2010). Ainda
segundo o autor, o design universal incorpora várias áreas da prática do Design, como a
estética e a ergonomia.
Atender a esse propósito não é tarefa simples, pois requer pleno conhecimento das
necessidades humanas, bem como de suas dificuldades, para que as soluções de projeto
sejam eficientes.
Para que o Design atue de forma universal é fundamental seguir alguns parâmetros,
definidos para avaliação técnica e informação referencial de produtos existentes e para
projetos de novos produtos. Foram então propostos sete princípios básicos como ABNT
NBR 9050 (2015), Cambiaghi (2007), Iida (2005) e Morris (2007) propõem: Uso equitativo;
Flexibilidade no uso; Uso simples e intuitivo; Informação perceptível; Tolerância ao erro;
Redução do gasto energético; Espaço apropriado.

3 METODOLOGIA

As diretrizes projetuais selecionadas para esse trabalho estão baseadas em uma


compilação de metodologias aplicadas ao Desenho Industrial - Projeto de Produto, de modo
que estas conduzam ao desenvolvimento de recursos baseados no princípios da Ergonomia
e do Desenho Universal.
O processo projetual utilizado para este trabalho é composto por 4 fases distintas,
entrelaçadas, com avanços e retrocessos. Destas metodologias foram extraídos os fatores
considerados relevantes e foram utilizados de forma a orientar e facilitar a estruturação do
presente trabalho. A figura a seguir apresenta a metodologia a ser descrita:

Figura 2: Fases do processo de Design.

Fonte: Adaptado de Löbach (2001).

Figura 3: Estrutura das etapas do processo de Design.

Fonte: Adaptado de Bonsiepe (1984), Baxter (2011) e Löbach (2001).

3.1 Configuração no mercado atual

Indiferente do fabricante Nelo, Plastex ou Vajda, podemos notar mudanças nos desenhos
dos caiaques conforme a evolução dos modelos, mudanças no formato da proa e popa,
posicionamento do cockpit, desenho de casco e decks.
Os formatos muito acentuados e arredondados da proa e popa podem comprometer a
velocidade final da embarcação assim como seu comportamento direcional.
As dimensão e posicionamento do cockpit estão ligadas diretamente ao equilíbrio e à
capacidade de peso suportados pelas embarcações. Assim, para suportar atletas de pesos
diferentes são necessários modelos com tamanhos diversos.
O formato do casco de uma embarcação pode ser classificado de forma simples em três
tipos, baseado no tipo de comportamento desejado: deslocamento, planeio e híbrido
(deslocamento/planeio). Indiferente do fabricante, fica evidente a utilização de cascos
híbridos em todas as embarcações.
3.2 Análise da Necessidade

A identificação da necessidade para o desenvolvimento de um caiaque K1 e seus sistemas


para prática desportiva da canoagem velocidade e paracanoagem ocorreu a partir de
diálogo e aplicação de questionário direcionado aos usuários/atletas com ou sem
deficiências.
Com base nos dados fornecidos pela pesquisa com o público alvo em uma amostragem de
44 usuários e a utilização do método de Mudge, foi possível hierarquizar o grau de
importância dos principais requisitos na escolha de um caiaque K1:

Figura 4: Lista de Requisitos.

Fonte: Autor (2015).

Iniciou-se o processo de geração de alternativas com a idealização das estruturas que


compõem um caiaque k1, buscando atingir uma configuração que satisfaça pessoas com ou
sem deficiências, de modo a sentirem-se confortáveis executando as tarefas.
As alternativas selecionadas para este projeto buscam atender as normas da Federação
Internacional de Canoagem (ICF) e os princípios da Ergonomia e do Desenho Universal.
Para o desenvolvimento das alternativas selecionadas, foram utilizadas as dimensões de
encaixe do fabricante Nelo, já que este atende grande parte do mercado.
Definidas as alternativas selecionadas, optou-se primeiramente pela utilização de um
caiaque K1 para produção do protótipo funcional.
Decidiu-se pela utilização da largura mínima de 50 cm a 10 cm da parte inferior do casco e
uma largura máxima de 56 cm na linha do deck, posicionada a 10 cm da parte posterior do
anel do cockpit, a fim de proporcionar uma melhor estabilidade ao usuário, conforme figura
abaixo.
Figura 5: Protótipo – Largura do protótipo.

Fonte: Autor (2015).

Determinadas as dimensões do protótipo, foram executadas as alterações através da


utilização de fibra de vidro, resina e, para correções, massa plástica.
Após a conclusão, foi executado o lixamento e a aplicação de fundo para preparação da
pintura do caiaque. Terminado o tempo de secagem do fundo, foi executado seu lixamento
para posteriormente aplicar-se a tinta e o verniz ao caiaque. Ao término da secagem desses
materiais, foi feito seu lixamento e polimentos, a fim de alcançar uma superfície lisa. Após
essa etapa, ocorreu a aplicação dos adesivos.

Figura 6: Protótipo finalizado.

Fonte: Autor (2015).

Com o protótipo finalizado, iniciou-se o teste de uso do produto na barragem em Santa


Maria – RS. Os testes foram realizados com usuários/atletas com e sem deficiências. A
Figura abaixo apresenta o primeiro teste realizado.

Figura 7: Protótipo – Teste funcional nº 1.

Fonte: Autor (2015).


O primeiro teste mostrou que os sistemas funcionaram com algumas limitações:

1º - A largura máxima de 56 cm na linha do casco não possibilita o deslocamento e


velocidade satisfatória comparado com o K1 olímpico - réplica Nelo K1 Quattro;
2º - O assento é considerado desconfortável para usuários com deficiências, patologia
ocasionada em decorrência de lesão medular;
3º - O peso do protótipo deve ser reduzido para facilitar seu uso.
Durante os testes, foram destacadas a eficiência e a importância do produto. Este protótipo
testado apresentou bons resultados.
O segundo teste mostrou que os sistemas corrigidos em função do teste anterior
funcionaram satisfatoriamente. A redução da largura resultou num melhor deslocamento e
numa maior velocidade.
Porém o excesso de peso só poderá ser resolvido através da fabricação das formas para
retirada de uma cópia final para novos testes.
Durante o segundo teste, o protótipo apresentou melhores resultados, num comparativo com
2 caiaques de empresas no mercado.
Apesar de apresentar melhores resultados no segundo teste, ainda é necessário executar a
fabricação das formas para retirada de uma cópia, buscando eliminar o excesso de peso.
Com as formas finalizadas, iniciou-se o processo de fabricação do protótipo produzido em
gelcoat, fibra de vidro, tecido de núcleo de poliéster e resina epoxi.

Figura 8: Finalização da cópia do protótipo.

Fonte: Autor (2015).

O terceiro teste mostrou que os sistemas corrigidos em função do teste anterior funcionaram
satisfatoriamente, e a redução do peso resultou num melhor deslocamento e numa maior
velocidade.
Porém a largura e comprimento interno do anel do cockpit é considerado inadequado,
gerando desconforto por parte do usuários com deficiências, patologia ocasionada em
decorrência de lesão.
Quanto à observação feita nos testes relativa ao desconforto do banco, o ideal, no caso de
atletas com deficiência, é a avaliação caso a caso, levando em conta o tipo de deficiência de
cada um, a fim de se realizar a confecção de bancos personalizados. Desse modo, pode-se
adequá-los às dimensões antropométricas do usuário, permitindo variações de postura,
pontos de resistência e estabilidade.
Após o término do terceiro teste, o protótipo foi cedido a um atleta para uso no Campeonato
Brasileiro de Canoagem Velocidade e Paracanoagem 2015, realizado na cidade de Curitiba
- PR.

Figura 9: Atleta Cleomar Amaral Cortes.

Fonte: Autor (2015).

4 PRODUTO FINAL

A 4º fase (fase final) desta pesquisa caracteriza-se pelas definições técnicas, ilustrativas e
de materialização do produto escolhido na fase anterior. Através do uso de software CAD foi
possível gerar modelos tridimensionais, ilustrações e suas referências de desenho técnico
para fabricação.
A figura a seguir apresenta o produto final do caiaque K1 projetado para a prática da
paracanoagem em águas calmas, com 5,2 m de comprimento, 51 cm de largura e peso
máximo de 12kg.

Figura 10: Caiaque K1 - Paracanoagem.

Fonte: Autor (2015).


A nova proposta da estrutura do assento, a figura 11, foi configurada agregando maior
flexibilidade de ajuste do posicionamento. Destaca-se as seguintes características:
1º - A proposta apresenta um produto redimensionado, com diversas opções de
configurações (ajustes) para atender a diferentes biótipos de praticantes, bem como auxiliar
na distribuição do peso;
2º - Apresenta arrestas arredondadas e sem quinas, no sentido de evitar acidentes que
possam comprometer a integridade física do usuário.

Figura 11: Estrutura de banco.

Fonte: Autor (2015).

5 CONCLUSÃO

Atender aos objetivos propostos no projeto, inicialmente a ideia representava ser simples,
porém mostrou-se complexa.
Através do trabalho de uma equipe interdisciplinar, e com a intervenção junto aos usuários
com e sem deficiências para abordagem de uso e testes funcionais, foi possível observar os
níveis e interações para a prática da modalidade. Além disso, constatou-se a escassez de
recursos projetados para prática de canoagem, sendo que a maioria dos produtos de alta
qualidade são importados e com elevado valor, além de que os produtos disponíveis
configura-se para que o usuário se adapte a ele, ferindo assim o princípio básico da
ergonomia.
Assim, verificou-se que desenvolver um recurso baseado nos conhecimentos da Ergonomia
e Design Universal exige uma equipe interdisciplinar. Além disso, a participação dos
usuários possibilitou que os objetivos traçados no início do projeto fossem alcançados.
Os resultados do produto final apresentado neste trabalho foram satisfatórios, uma vez que
os objetivos e requisitos do projeto foram alcançados, proporcionando maior segurança,
conforto, desempenho, autonomia e independência para pessoas com ou sem deficiências.
O produto atende os princípios da Ergonomia e Design Universal, podendo ser utilizado por
pessoas com ou sem déficits funcionais.
Através da pesquisa de mercado, constatou-se que os produtos disponíveis no mercado
atendem parcialmente as necessidades básicas desses praticantes. Além disso, o elevado
valor desses equipamentos encontra-se fora da realidade financeira da maioria dos
usuários, o que eleva o potencial de comercialização dos recursos desenvolvidos neste
projeto, preenchendo uma lacuna mercadológica existente, até o presente momento pouco
explorada pela indústria.
Em resumo, percebe-se através desse projeto a importância do trabalho interdisciplinar e o
modo como o Design pode contribuir no desenvolvimento de recursos baseados nos
conhecimentos do Design Universal. O resultado da soma dessa interdisciplinaridade foi um
produto com alta qualidade técnica, funcional e estética, influenciando diretamente na
prática do esporte das pessoas com ou sem deficiências.
Acredita-se que a pesquisa sobre o desenvolvimento de um caiaque K1 e seus sistemas
para prática desportiva da canoagem velocidade e paracanoagem pode ser aprofundado.
Pode-se se sugerir, para uma continuidade do projeto, a redução do volume da embarcação,
das estruturas internas e também o estudo aprofundado do banco, a fim de realizar a sua
confecção e, desse modo, poder adequá-los às dimensões antropométricas do usuário,
permitindo variações de postura, pontos de resistência e estabilidade.
Também as estruturas do leme e finca pés deverão ser pesquisadas e redimensionadas
para que o conjunto apresente uma performance ideal. Apresentando essas recomendações
para futuras pesquisas, podemos perceber que o universo de produtos a serem aprimorados
no campo do Design Universal é amplo. Almeja-se assim, que este projeto sirva de fonte de
inspiração para o desenvolvimento de novos produtos.

6 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS – ABNT. NBR 9050/2015: Norma


Brasileira de Acessibilidade a edificações, mobiliário, espaço e equipamentos urbanos. Rio
de Janeiro: ABNT, 2015.
BAXTER, Mike. Projeto de produto: guia prático para o design de novos produtos. 3ª ed.
São Paulo: Blucher, 2011.
BONSIEPE, Gui. Metodologia experimental: desenho industrial. Brasília: CNPq, 1984.
CAMBIAGHI, Silvana. Desenho Universal: métodos e técnicas para arquitetos e urbanistas.
São Paulo: Editora Senac, 2007.
CBCA. CONFEDERAÇÃO BRASILEIRA DE CANOAGEM. Disponível em:
<http://www.canoagem.org.br/>. Acesso em: 2015.
ICF. INTERNATIONAL CANOE FEDERATION. Disponível em:
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IIDA, Itiro. Ergonomia: projeto e produção. 2ª ed. São Paulo: Edgard Blücher, 2005.
LÖBACH, Bernd. Design Industrial – Bases para a configuração dos produtos industriais.
São Paulo: Blücher, 2001.
MORRIS, Richard. Fundamentos de Design de Produto. Porto Alegre: Bokkman, 2010.

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