Salvar Comercial
Salvar Comercial
Atos de comércio em sentido objetivo: são todos aqueles que se acharem (ou que já
estiveram regulados e agora são regulados por legislação avulsa) especialmente
regulados neste código (2º 1ª parte C. Comercial).
Assim, para ser um ato de comércio em sentido objetivo não basta o ato estar
regulado neste código, o ato tem sim que estar especialmente regulado, isto é, com
desvio face ao regime geral. É também importante realçar que existem atos comerciais
que não estão regulados no C. Comercial (ex: são comerciais os atos regidos por
diplomas que vieram substituir normas do C. Comercial, tais como o Código das
Sociedades Comerciais).
A classificação analógica de atos como atos comerciais, apesar de doutrinariamente
muito debatida, está ausente da jurisprudência, na medida em que a proliferação de
normas, princípios e conceitos indeterminados tem permitido ao juiz encontrar
soluções para os problemas sem percorrer o caminho da determinação e da integração
de lacunas.
Segundo MC, mais importante que classificar o ato como comercial ou não é definir
que regime se aplica a este ato. Se se aplicar um regime comercial o ato é comercial
sob pena da inutilidade do próprio conceito. Assim, perante um ato que não esteja
especialmente regulado no C. Comercial, há que verificar se o seu regime é comercial e
especial sendo que se esta verificação for positiva estamos perante um ato comercial.
Para Coutinho de Abreu a classificação de atos como comerciais com recurso à
analogia legis é legítima.
MC considera assim que é teoricamente possível que um ato deva ser considerado
comercial, por força da aplicação analógica das normas de que a qualificação dependa.
É ainda relevante para esta temática o problema das empresas do 230º C. Comercial.
Este artigo gera duas grandes linhas de interpretação:
a da empresa-atividade, que entende estarem em causa as atuações ou conjuntos de
atos enunciados neste artigo; e a da empresa-organização, que julga tratar-se das
entidades singulares ou coletivas, que desenvolvam depois as referenciadas atividades.
Seguindo a interpretação da empresa-atividade o artigo em questão permitiria
enunciar novos atos como objetivamente comerciais. Seguindo a interpretação da
empresa-organização seriam referenciados comerciantes como autores de hipotéticos
atos comerciais, mas agora em sentido subjetivo. Assim, a interpretação da empresa-
atividade pende sobre “o quê?” e a interpretação da empresa-organização pende
sobre “quem?”.
a maioria da doutrina veem o 230º C. Comercial como empresa-atividade, como
enumeração de atos que a empresa pratica, sendo que se a empresa praticar continua
e reiteradamente os atos enunciados no artigo irá praticar atos objetivamente
comerciais. A assistente é contra a classificação como empresa-organização pois isto
faria com que a classificação como comerciante fosse excessivamente alargada,
porque não faz sentido o 230º definir quem é ou não comerciante quando esta
definição já é feita no artigo 13º e porque o artigo não se refere a pessoas coletivas
pois quando o artigo foi escrito ainda não existia em Portugal o conceito de pessoas
coletivas.
Discute-se ainda se o 230º C. Comercial pode ou não ser sujeito a uma interpretação
atualista, adaptado aos conceitos e às práticas atuais, bem diferentes das de 1888
(data de publicação do código). É fácil de compreender a necessidade desta
interpretação atualista e uma parte da doutrina defende ainda que este artigo não é
taxativo e que estas atividades não têm que ser cumpridas à letra, devendo estes atos
ser vistos como índices de classificação comercial das empresas.
Atos de comércio em sentido subjetivo (artigo 2º, 2ª parte C. Comercial): são todos os
contratos e obrigações dos comerciantes, que não forem de natureza exclusivamente
civil (para MC os atos de natureza exclusivamente civil são aqueles que, no momento
considerado, não sejam regulados pelo Direito Comercial), se o contrário do próprio
ato não resultar (o ato praticado pelo comerciante só será comercial se não resultar de
si próprio ou de circunstâncias que o acompanhem que não têm a ver com o mundo
comercial). Nestes atos a comercialidade deriva do sujeito.
São, segundo o 13º Código Comercial, comerciantes aqueles que têm capacidade para
praticar atos de comércio, que os praticam e que fazem destes profissão. A prática
profissional de atos de comércio é classificada com 4 vetores: uma prática reiterada ou
habitual (para ser profissional os atos não podem ser só ocasionais, tendo que ser
realizados em cadeia, articuladamente, e em grande número); uma prática lucrativa
(uma atuação só é profissional se visa angariar meios, isto é, se procura lucro;
excluem-se assim as doações e as atividades solidárias); uma prática juridicamente
autónoma (o comerciante profissional tem que atuar em nome próprio e por sua
conta; os trabalhadores subordinados são regidos pelo contrato de trabalho e não pelo
direito comercial); e uma prática tendencialmente exclusiva (o comerciante
profissional pode ter outras profissões mas há limites práticos na medida em que
ninguém consegue ter um elevado número de profissões pela impossibilidade
temporal de acumular tantas práticas reiteradas de atos de diversa natureza; tendo
ainda o comerciante que levar a cabo uma afetação total do seu património para a
atividade comercial).
São também comerciantes as sociedades comerciais (13º nº2 Código Comercial) que
são aquelas que tenham por objeto a prática de atos de comércio e adotem o tipo de
sociedade em nome coletivo, de sociedade por quotas, de sociedade anónima, de
sociedade em comandita simples ou de sociedade em comandita por ações (1º nº2 do
Código das Sociedades Comerciais). Todas as sociedades “S.A” ou “L.D.A” são
sociedades comerciais.
O artigo 14º do Código Comercial proíbe a certas pessoas singulares ou coletivas a
profissão do comércio.
Alguns sujeitos estão inibidos da profissão do comércio, entre eles os que não
prosseguem interesses materiais, como explanado no art. 14 do CCom. De acordo com
o prof. Coutinho de Abreu o intuito desta norma não é vedar a possibilidade a estas
associações de praticar atos de comércio, mas sim vedar o estatuto de comerciante.
Um exemplo típico de associações deste tipo é a Fundação apresentada no caso
concreto, uma vez que a mesma tem apenas um fim benemérito ou altruístico de
ajudar os pobres e não um fim material.
Conclui-se por isso, que caso a loja pertencesse à fundação, a mesma não seria
considerada comerciante, aplicando-se o art. 14 conjugado com o art. 17 que dos dita
que a mesma pode praticar atos de comércio, mas sem o estatuto de comerciante.
Todos aqueles que são considerados comerciantes pelo artigo 13º do C. Comercial têm
as obrigações do 18º do C. Comercial.
O artigo 15º C. Comercial é complementado pelo 1691º CC sendo que uma dívida
comercial contraída pelo cônjuge num ato de comércio pode ser paga pelo cônjuge
não comerciante.
O estabelecimento comercial:
No C. Comercial este surge em duas aceções: como armazém ou loja, nos artigos 95º
nº2 e no parágrafo único do 263º; e como conjunto de coisas materiais ou corpóreas
(425º).
O estabelecimento traduz assim um conjunto de coisas corpóreas e incorpóreas
devidamente organizado para a prática do comércio, correspondendo a uma ideia de
empresa mas sem o elemento humano e de direção.
O estabelecimento comercial abrange elementos bastante variados que apenas têm
em comum o facto de se encontrarem interligados para a prática do comércio.
Existe o estabelecimento ativo (compreende o conjunto de direitos e outras posições
equiparáveis afetas ao exercício do comércio) e o passivo (corresponde às adstrições
ou obrigações contraídas pelo comerciante por esse mesmo exercício).
O estabelecimento ativo abrange:
- Coisas corpóreas: ficam abarcados os direitos relativamente a imóveis, como os
direitos reais de gozo e os direitos pessoais de gozo. Ficam também abarcados os
direitos relativamente a móveis, que abrangem quaisquer coisas que, estando no
comércio, sejam, pelo comerciante, afetas ao exercício do comércio (ex: mercadorias;
matérias-primas; maquinaria; computadores; livros; documentos; etc.).
- Coisas incorpóreas: distinguem-se as obras literárias ou artísticas que se incluem no
estabelecimento; os inventos (patentes); as marcas; e o direito ao nome do
estabelecimento. Aquando da negociação de um estabelecimento estes fatores podem
ser determinantes para definir o valor do mesmo. Aqui inclui-se ainda os direitos a
prestações provenientes de posições contratuais.
- Aviamento e clientela: o aviamento corresponde à mais-valia que o estabelecimento
representa em relação à soma dos elementos que o componham, isoladamente
tomados (traduz a aptidão funcional e produtiva do estabelecimento; é um valor não
físico e intangível). A clientela equivale ao conjunto, real ou potencial, de pessoas
dispostas a contratar com o estabelecimento considerado, nele adquirindo bens ou
serviços. (O professor Coutinho de Abreu defende que estes elementos não são
elementos funcionais e essenciais do estabelecimento mas sim elementos
consequenciais deste e das coisas corpóreas e incorpóreas que compõem o
estabelecimento; não existe nenhum direito subjetivo à clientela defendendo por isso
alguns autores que esta não é um elemento do estabelecimento, no entanto, a
clientela tem uma ligação intrínseca ao estabelecimento e sem clientela não há
estabelecimento que seja sustentável).
No caso de um estabelecimento ter todos os elementos que o deixam apto a realizar
um fim económico produtivo e a angariar clientela, este é, segundo a maioria da
doutrina, considerado um estabelecimento comercial, mesmo que ainda não tenha
começado a funcionar. Assim, se o estabelecimento está apto a funcionar como um
estabelecimento comercial e apto a produzir lucro e angariar clientela, é considerado
um estabelecimento comercial mesmo que não exista clientela nem funcionamento.
Podemos também estar perante um estabelecimento comercial mesmo que a este
faltem algumas coisas corpóreas que fazem parte do seu funcionamento.
O mínimo que permite qualificar algo como estabelecimento comercial é cumprir o
âmbito mínimo, mantendo a sua singularidade e demonstrando a sua capacidade de
iniciar a atividade comercial a que se propõe e de se apresentar como uma
organização aparentemente comercial. Este âmbito mínimo é definido
casuisticamente.
Este critério do que se inclui no estabelecimento assenta em 2 ordens de fatores:
- Um fator funcional: apela ao realismo exigido pela própria vida do comércio.
Devemos, pela observação, verificar como se organiza efetivamente um
estabelecimento e como ele funciona. O estabelecimento existe e é autonomizado
pelo direito precisamente por organizar as coisas corpóreas, em conjunto com as
incorpóreas, num todo coerente para conseguir angariar clientela, e daí, lucro.
- Um fator jurídico: o direito concede, aos elementos do estabelecimento, um regime
especial. Deste regime destaca-se: o direito ao arrendamento, quando este se inclua
no estabelecimento, pode ser transmitido, em conjunto com o estabelecimento,
independentemente da autorização do senhorio (1112º CC); a transmissão de firma só
é possível em conjunto com a do estabelecimento a que esta se achar ligada (44º
RNPC); quando usados num estabelecimento, os direitos emergentes do pedido de
registo ou do registo do logótipo só podem transmitir-se, gratuita ou onerosamente,
com o estabelecimento, ou parte deste, a que estejam ligados; a transmissão do
estabelecimento implica a transferência da posição jurídica de empregador para o
novo adquirente, relativamente aos contratos de trabalho afetos ao estabelecimento.
Em suma, o sistema parece claro, O estabelecimento, para além de direitos reais
relativos a coisas corpóreas, envolve posições contratuais (ex: direito ao arrendamento
ou contrato de trabalho) e posições incorpóreas como o direito à firma e a marca e o
pedido do seu registo. Além disto o aviamento e a clientela são valorados para efeitos
de expropriação por utilidade pública, o que prova que existem e são tidos em conta
pelo direito.
Trespasse:
Consiste na transmissão da propriedade de um estabelecimento por negócio entre
vivos.
O ponto mais significativo do regime do estabelecimento é a possibilidade da sua
negociação unitária que abrange não só as coisas corpóreas articuladas (suscetíveis de
negociação conjunta através das normas próprias das universalidades de facto, 206º
CC) mas também todas as realidades envolvidas no estabelecimento, incluindo o
passivo. Assim, o trespasse do estabelecimento que tudo englobe continua a fazer-se
por um negócio único, com todas as facilidades que isso envolve.
O trespasse deve ser celebrado por escrito (tendo um exemplar do contrato que ser
remetido ao senhorio) e comunicado ao senhorio (num prazo de 15 dias; alínea g) do
1038º CC; existe outra posição doutrinária que defende que o prazo são 30 dias nos
termos do 1109º nº2 CC, doutrina essa que diz que faz mais sentido aplicar este prazo
pois está na parte especial e não na parte geral como os 15 dias) nos termos do 1112º
nº3 CC.
No trespasse do estabelecimento deve tratar-se de um estabelecimento efetivo, isto é:
que compreenda todos os elementos necessários para funcionar e que, além disso,
opere, em termos comerciais (1112º CC a contrario). O trespasse exige assim uma
transmissão do estabelecimento no seu todo ou como universalidade e que o
estabelecimento se mantenha como tal, não podendo passar a exercer-se no local um
comércio diferente.
Num trespasse de âmbito máximo existem efeitos internos (o trespassário adquirente
fica adstrito, perante o trespassante, a pagar aos terceiros o que este lhes devia) e
efeitos externos (o alienante só ficará liberto das suas obrigações se os terceiros, nos
termos aplicáveis à assunção de dívida e à cessão da posição contratual, o exonerarem
ou derem acordo bastante).
O trespasse é apenas uma transmissão definitiva do estabelecimento, a título
indefinido, que pode operar por via de qualquer contrato, típico ou atípico, que
assuma eficácia transmissiva (ex: compra e venda; sociedade; doação).
O senhorio tem direito de preferência na hipótese de trespasse por venda ou dação
em cumprimento (1112º nº4 CC; tem que adquirir todo o estabelecimento mantendo-
o em funções nas precisas condições em que o faria o trespassário interessado), e o
trespassante poderá ficar adstrito a um dever de não concorrência em relação ao
trespassário (quando não seja expressamente pactuado poderá ser uma exigência da
boa-fé segundo MC). Segundo Coutinho de Abreu esta obrigação resulta do dever do
alienante entregar a coisa alienada e assegurar o gozo pacífico dela. A concorrência
exercida pelo alienante seria diferencial e potencialmente perigosa pois este conhece
as características organizativas da empresa e potencialmente mantinha relações
pessoais com financiadores, fornecedores e clientes, que iria roubar para si, pondo em
risco a subsistência da empresa alienada, o que impediria uma efetiva entrega desta
ao cliente.
No entanto, é importante perceber que esta obrigação de não concorrência tem
limites e apenas se justifica na medida em que seja necessária para uma entrega
efetiva do estabelecimento trespassado. Existem assim limites objetivos, espaciais e
temporais a esta obrigação, pois, de outro modo, estaríamos perante uma violação do
princípio de liberdade de iniciativa económica (61º CRP) e das regras de defesa da
concorrência.
Assim, os obrigados não ficam proibidos de exercer qualquer atividade económica.
Não podem é reiniciar o exercício de uma atividade concorrente com a exercida
através da empresa trespassada, isto é, de uma atividade no todo ou em parte igual à
da empresa trespassada. Além do impedimento de adquirir para exploração
estabelecimento com objeto similar ao alienado, o obrigado não pode também passar
a desempenhar funções de administração em empresa alheia e concorrente da
trespassada; e não pode entrar em sociedade com objeto idêntico ao do
estabelecimento alienado se nela passar a exercer funções de administração ou ficar a
deter posição controladora.
Apresentados os limites objetivos restam agora os limites espaciais e temporais que
têm sempre que ser apresentados casuisticamente. Esta obrigação vale apenas nos
lugares delimitados pelo raio de ação do estabelecimento trespassado, e durante o
tempo suficiente para se consolidarem os valores de organização e de exploração da
empresa transmitida na esfera de um adquirente razoavelmente diligente.
Sendo incumprida a obrigação de não concorrência o trespassado pode (usando as
normas respeitantes ao não cumprimento das obrigações) pedir uma indemnização
pelo prejuízo que a violação desta obrigação lhe causou, sobretudo em perda de
clientes, (798º CC), pode também resolver o contrato de trespasse nos termos do 801º
nº2 CC, e pode ainda exigir que o estabelecimento que viola esta obrigação seja
encerrado por aplicação do 829º nº1 CC.
O 1112º nº5 CC diz que após a transmissão do prédio não pode ser dado a este outro
destino (destino diferente do objeto contratado entre as partes; se a alteração for
pouco relevante, ex: de cabeleireiro para barbeiro, não existe incumprimento pois não
é um destino efetivamente diferente) ou não se pode deixar de exercer a profissão
liberal a que aquele estabelecimento se destina sob pena do senhorio poder resolver o
contrato.
MATÉRIA
A doutrina é unanime sobre aplicar o art. 424 nestas situações? A maior entende que
sim. Mas existe uma parte (Januário costa gomes) que defende que não devíamos
aplicar este artigo e que no âmbito de transmissão do estabelecimento este artigo n
devia ser aplicado, o art. 1112 é um artigo especial ao 424, e por isso devia ser aplicado
o 1112 e não o 424. O estabelecimento deve ser transmitido como um só.
Art. 80 al. c) da CRP. Tbm admitem estes autores que no âmbito dos contratos de
trabalho e por virtude da tutela dos direitos dos trabalhadores a posição dos mesmos
não pode ser desconsidera – art. 285 do CT.
424- Há quem defenda que não se deve aplicar este artigo mas sim uma solução mais
facilitadora do comércio e da negociação do estabelecimento, 3º C. Comercial, sendo
que se a alínea a) do 1112º nº1 CC permite o trespasse sem autorização do senhorio
também faz sentido permitir a cessão de posição contratual sem o consentimento do
outro contraente, não se aplicando o 424º CC, e transmitindo-se automática e
universalmente as posições contratuais envolvidas no trespasse).
Contratos de distribuição:
Os códigos comerciais não têm autonomizado os diversos contratos de distribuição,
regulando-os, o que leva ao aparecimento de lacunas que são colmatadas ou por
recurso à analogia, a partir das normas existentes que normalmente são dedicadas ao
contrato paradigmático de agência (é o contrato mais parecido a estes tendo um
núcleo substancial e material muito parecido a estes, sendo assim este o contrato mais
apropriado a resolver os problemas não regulados que são levantados pelos outros
contratos, sendo assim aplicável a estes analogicamente); ou com base em cláusulas
contratuais gerais, devidamente sindicadas pela prática.
A distribuição dos bens na sociedade pode ser feita de forma direta e indireta. A
distribuição é direta quando o bem passa diretamente do produtor ao consumidor,
ainda que através de representantes, de comissários ou de mediadores. E é indireta
quando o bem atravessa ainda várias fases, passando do produtor ao grossista, do
grossista ao retalhista, e do retalhista ao consumidor final. A distribuição indireta pode
ser integrada (existe uma coordenação entre a produção e a comercialização, de tal
modo que o distribuidor é integrado em circuitos próprios do produtor, sujeitando-se,
eventualmente, às suas diretrizes) ou não-integrada (não existe coordenação, atuando
os distribuidores sem concertação com os produtores).
Interessa, para esta matéria, atentar na distribuição indireta integrada, que pressupõe,
em regra, a celebração entre os interessados (designadamente o produtor e os
distribuidores) um de três adequados instrumentos contratuais: a agência; a
concessão; e a franquia.
O contrato de agência é regido pelo DL nº1178/86 de 3 de julho e define-se como o
contrato de concessão é um contrato atípico e inominado e que tem sido definido
como aquele no qual uma pessoa (o concedente) reserva a outra (o concessionário) a
venda de um seu produto, para revenda, numa determinada circunscrição.
O contrato de franquia é aquele em que uma pessoa (o franqueador) concede a outra
(o franqueado) a utilização, dentro de certa área, cumulativamente ou não, de marcas,
nomes, insígnias comerciais, processos de fabrico e técnicas empresariais e comerciais,
mediante contrapartidas.
Nada impede as partes de confecionar contratos atípicos de distribuição. No entanto,
havendo distribuição encontrar-se-á sempre um núcleo contratual bastante próximo
da agência (figura matriz dos contratos de distribuição).
Contrato de agência:
A Diretriz nº 86/653/CEE do Conselho Europeu procura uma certa uniformização dos
regimes nacionais da agência.
Esta diretriz no seu artigo 1º nº2 apresenta o agente comercial como a pessoa que,
como intermediário independente, é encarregada a título permanente, quer de
negociar a venda ou a compra de mercadorias para uma outra pessoa (comitente),
quer de negociar e concluir tais operações em nome e por conta do comitente.
Nos seus artigos 3º nº1 e 4º n1º a diretriz subordina as partes à lealdade e à boa-fé.
Em Portugal este contrato é regido pelo DL 178/86 de 3 de julho com as alterações
introduzidas pelo DL nº118/93 de 13 de abril.
A noção de agência do 1º nº1 do DL tem como elementos fundamentais: o dever de
promover, por conta de outrem (relação que se pretende duradoura, sendo o agente
obrigado a agir no interesse do principal, respeitando os termos do 6º DL que
preceitua um dever geral de boa-fé do agente), a celebração de contratos (angariar
clientes para o principal, explicando o produto e densificando as características deste
de maneira a levar o cliente a celebrar contratos com o principal; estes contratos
podem também ser celebrados ou cobrados pelo agente se para isso houver acordo
escrito nos termos do 2º e 3º DL); de modo autónomo (na organização, na angariação
de clientes, na conduta do agente; ainda assim, esta autonomia é limitada, devendo o
agente acatar as instruções concretizadoras do principal) e estável (existe um conjunto
de preceitos que protege o agente comercial quanto à cessação do contrato); e
mediante retribuição (contrato necessariamente oneroso). A agência é assim em rigor
uma prestação de serviço, uma modalidade de mandato.
A agência é um contrato oneroso. Parece não estar, à partida, sujeito a qualquer
forma. No entanto, o 1º nº2 do DL atribui a cada parte o direito de exigir, da outra, um
documento assinado com o conteúdo do contrato, visando-se assim a proteção do
agente que nunca poderá ser confrontado com a nulidade do contrato por falta de
forma.
O contrato de agência pode ser celebrado com ou sem representação (2º nº1 DL).
Segundo o 6º DL, no cumprimento da obrigação de promover a celebração de
contratos, e em todas as demais, o agente deve proceder de boa-fé, competindo-lhe
zelar pelos interesses da outra parte e desenvolver as atividades adequadas à
realização plena do fim contratual.
O artigo 7º enumera, a título de exemplo algumas das obrigações do agente: respeitar
as instruções do principal que não ponham em causa a sua autonomia (alínea a); o
legislador pretende que estas instruções não tenham densidade ao ponto de colocar o
agente na posição de empregado do principal); prestar as informações pedidas e as
necessárias, esclarecendo ainda o principal sobre a situação de mercado e as suas
perspetivas (alíneas b) e c); obrigações de conteúdo muito variável que podem ir desde
meras referências ao ambiente geral até pequenos estudos de política económica);
prestar contas (alínea d); as contas deverão ser prestadas no fim do contrato ou
sempre que o principal o exija; alínea c) do 1161º CC). O agente tem ainda uma
obrigação de segredo nos termos do 8º; uma obrigação de não concorrência nos
termos do 9º; a obrigação de garantir (junto do principal), havendo acordo escrito, o
cumprimento das obrigações de terceiro, desde que respeitantes a contrato por si
negociado ou concluído (convenção del credere que deve especificar o contrato ou
individualizar as pessoas garantidas nos termos do 10º; esta convenção assume a
função de garantia do principal e aumenta o risco do agente, levando a que este
aplique uma maior diligência na escolha dos clientes que angaria, procurando garantir
que estes cumpram as suas obrigações sob pena de, cumpridos os requisitos do 10º
DL, ter que ser o agente a cumprir as obrigações destes terceiros, adquirindo por isso o
direito a uma comissão especial nos termos da alínea f) do 13º, comissão essa que nos
termos do 18º nº4 pode ser exigida uma vez celebrado o contrato); e a obrigação de
avisar de imediato o principal de qualquer impossibilidade temporária sua de cumprir
o contrato (artigo 11º).
No que toca a direitos tem o agente, nos termos do artigo 12º, o direito de exigir da
outra parte um comportamento segundo a boa-fé, em ordem à realização plena do fim
contratual. Tem ainda os direitos enumerados no artigo 13º. Um destes direitos é o
direito à retribuição (alínea e) do 13º), retribuição essa que é fixada por acordo das
partes ou, na falta deste e sucessivamente, pelos usos e pela equidade (15º DL). Tem
também direito à comissão, nos termos da alínea f) do artigo 13º, regulado nos artigos
16º a 19º do DL. O agente tem também o direito de ser avisado de qualquer
diminuição da atividade do principal, seja perante o convencionado ou perante o que
seria de esperar (artigo 14º).
Nos termos do artigo 20º do DL o agente não tem, salvo convenção em contrário,
direito ao reembolso das despesas efetuadas pelo exercício normal da sua atividade.
Os artigos 21º a 23º estabelecem mecanismos de proteção de terceiros (aqueles que
contratam com o agente, com o intermediário). O agente deve informar os
interessados dos poderes que possui, esclarecendo se tem ou não poder de
representação e se pode ou não efetuar a cobrança de créditos (21º DL).
Em casos de representação sem poderes aplica-se o 268º nº1 CC nos termos do 22º
nº1 DL. O 22º nº2 preceitua que o negócio se considera ratificado se a outra parte (o
principal), logo que tenha conhecimento da sua celebração e do conteúdo essencial do
mesmo, não manifestar ao terceiro de boa-fé (no prazo de 5 dias a contar daquele
conhecimento) a sua oposição ao negócio.
Segundo o 23º nº1, nos casos de representação aparente, o negócio celebrado por um
agente sem poderes de representação é eficaz perante o principal se tiverem existido
razões ponderosas, objetivamente apreciadas, tendo em conta as circunstâncias do
caso, que justifiquem a confiança do terceiro de boa-fé na legitimidade do agente,
desde que o principal tenha contribuído para fundar a confiança do terceiro.
O artigo 24º enumera as formas de cessação do contrato de agência: o acordo das
partes (o mútuo acordo é sempre possível e exige forma escrita; 25º DL).; a caducidade
(26º; pode acontecer: por termo do prazo; verificando-se a condição ou tornando-se
certo que esta não se pode verificar; a morte ou extinção do agente); a denúncia (é o
ato unilateral, discricionário e recipiendo, que se destina a fazer cessar um contrato de
duração indeterminada; esta deve ser comunicada à outra parte com a antecedência
referida no 28º nº1; estes prazos são supletivos e mínimos, isto é, funcionam sempre
que as partes nada digam e não podem ser diminuídos por estas, apenas aumentados,
a denúncia sem pré-aviso é eficaz mas obriga o denunciante a indemnizar a outra parte
pelos danos causados nos termos do 29º nº1); e a resolução (implica um ato
recipiendo, justificado e que faça cessar imediatamente o contrato; as razões de
resolução do contrato de agência são as do 30º DL; deve ser comunicada por escrito,
com indicação das razões e no prazo de um mês após o conhecimento destas, nos
termos do 31º DL). Independentemente do direito de resolver o contrato, qualquer
das partes tem o direito de ser indemnizada, nos termos gerais, pelos danos
resultantes do não cumprimento das obrigações da outra, por aplicação do 32º nº1.
O contrato de agência pode, pelo seu funcionamento, acarretar clientes para o
principal, clientes esses que se manterão após o termo deste contrato. O legislador
entendeu assim que, cessando a agência, deve o agente ser compensado pelo
enriquecimento proporcionado à outra parte por os clientes por si angariados. Esta
indemnização (não é uma verdadeira indemnização pois não tem natureza
sancionatória, tem sim função de conceder ao agente uma justa retribuição pelo seu
trabalho) está prevista no 33º e exige o cumprimento cumulativo dos requisitos do 33º
nº1. Esta indemnização é calculada equitativamente nos termos do 34º DL, não
podendo exceder uma retribuição anual calculada nos termos médios referidos no
artigo (procura-se assim não esmagar o principal, ainda que à custa de alguma injustiça
para o agente).
importância de pré aviso que constitui uma oportunidade de escoamento dos
produtos em inventario, este tem que ser dado num prazo razoável. Podemos aplicar
então o art. 28.º? quanto maior a relação contratual maior o prazo de pré aviso.
PRÉ-AVISO NA DENUNCIA:
O prof. Pinto Monteiro critica este enquadramento legal, considera manifestamente
diminuto aplicar apenas um pré-aviso de 3 meses a um contrato que já dura há mt
tempo – o pre aviso é mt importante. O autor defende que nos casos em que se revele
manifestamente abusivo o pré-aviso, podemos aplicar o abuso de direito.
CONCORRÊNCIA DO PRINCIPAL:
concorrência a Miguel é feita não por outro agente mas sim pelo próprio principal que,
segundo Pinto Monteiro, pode esporádica e ocasionalmente celebrar contratos nesta
zona de exclusividade, não deixando Miguel de ter direito à comissão já referida nestes
casos. Se o principal violasse um dos dois deveres referidos (só pode celebrar
contratos esporádica e ocasionalmente e tem que pagar à mesma comissão a Miguel)
poderia Miguel exigir do principal um comportamento segundo a boa-fé nos termos do
12º DL.
A indemnização de clientela pode ser devida seja qual for a forma de cessação do
contrato (acordo das partes, caducidade, denúncia ou resolução), e não está
dependente da verificação de qualquer dano, sendo seu desiderato permitir a
compensação do agente pelos benefícios que o principal, ou um novo distribuidor que
venha ocupar a posição do cessante, vai continuar a auferir em resultado do seu
esforço, mesmo após o termo do contrato, importando, assim, conceber a figura em
causa como um direito a uma compensação a pagar pelo principal ao distribuidor, após
a extinção do negócio jurídico. A atribuição desta compensação depende da
verificação cumulativa dos requisitos do 33º DL.
Ao legitimarmos a aplicação analógica do regime do contrato de agência a figuras
contratuais distintas da agência mas que se compreendem dentro das realidades
negociais que se convencionou apelidar de contratos de distribuição, concretamente o
contrato de concessão, há que analisar em que condições a enunciada figura da
indemnização de clientela prevenida para o contrato de agência se conforma com o
contrato de concessão comercial, enquanto contrato de distribuição comercial.
Pese embora as particulares características que autonomizam tipologicamente o
contrato de agência e o contrato de concessão comercial, desde logo, o agente atua
em nome e no interesse do principal, ao invés do concessionário que atua em nome
próprio, não poderemos desvalorizar a existência de significativas semelhanças entre
si, decorrentes, desde logo, da circunstância de se enquadrarem na função jurídico-
económica dos contratos de distribuição, integrados que estão na rede de distribuição
do principal, sendo por este utilizados para o escoamento dos seus produtos, donde,
ao colaborar na colocação dos produtos do principal no mercado, é, inegavelmente,
reconhecido ao concessionário um desempenho essencial na angariação de clientela, a
qual se vai fidelizando aos produtos e marcas do principal, aumentando dessa forma os
respetivos mercados.
O contrato vincula-o, inclusivamente, não só a desenvolver uma atividade
promocional, como a prospetar clientela para o concedente. Um dos pontos de
diligência do concessionário, no cumprimento do contrato, reside, pois, em cativar os
seus conhecimentos, os seus clientes e rendê-los à compra dos produtos. O
concessionário procede, assim, a favor do concedente, na criação ou desenvolvimento
da clientela.
Os argumentos contra o paralelismo agente-concessionário resumem-se, basicamente,
a dois. O primeiro é este: o concessionário, ao contrário do agente, atua em seu nome
e por sua conta, desenvolvendo um comércio próprio. O segundo assenta na negação
da relevância do papel do comerciante na revenda: a decisão de compra de um
produto é o resultado da ponderação de fatores estranhos ao concessionário. A
compra de um automóvel, por exemplo, atende às características do veículo, preço,
prestígio de marca, etc. Os clientes são-no da marca, não do comerciante. No entanto,
o valor desta argumentação é relativo. Certamente que a arte negocial do vendedor
tem uma palavra a dizer. As ofertas de condições especiais de pagamento, o preço da
assistência, a qualidade dos serviços prestados, etc., são elementos importantes na
formação da convicção do comprador. Há outros fatores para além das qualidades do
produto, ou o prestígio da marca.
Quanto ao primeiro argumento, rebate-se, facilmente, se usarmos um raciocínio de
maioria de razão. Porquê reconhecer ao agente uma indemnização de clientela,
quando desempenha, unicamente, uma função de promoção negocial e não a atribuir,
igualmente, ao concessionário, cujo papel na comercialização é muito mais vasto? O
concessionário é titular de uma empresa. Ao revender os produtos do concedente ele
fá-lo debaixo de uma imagem comercial, a imagem da empresa.
E não é apenas este dado de participação na celebração dos negócios que o
concessionário tem a mais para gerar uma clientela própria.
Ele presta, também, uma variada gama de serviços, desde o mero aconselhamento
técnico, à efetivação de reparações e substituições dos produtos. Normalmente, o
concessionário não esgota a sua função no ato da venda. O contacto com o cliente
perdurará no período de uso do produto; presumindo-se, claro está, o carácter não
consumível dos bens vendidos, como acontece na generalidade das concessões
comerciais. O que se pretende pôr em relevo é, tão-somente, um dado da maior
evidência: existe um laço de clientela muito mais nítido na concessão comercial da que
na agência. Ora, demonstrado que uma perda de clientela também ocorre na
concessão comercial a favor do concedente, a extensão do art. 33.º do Decreto-Lei
178/86 é plenamente justificada. Não se tratando de uma norma excecional, nem tão
pouco especial, dado regular uma situação sem paralelo nos restantes sectores da
ordem jurídica, nenhum obstáculo se sobrepõe à analogia. A identidade material da
situação a regular legitima o procedimento.
Assim, por aplicação analógica do disposto no artigo 33º DL, em caso de cessação do
contrato e verificando-se os requisitos positivos e ausência dos requisitos negativos,
consignados no normativo citado, o concessionário tem também o direito a receber
uma indemnização de clientela, competindo-lhe provar, na medida em que se trata de
elemento constitutivo do alegado direito de indemnização os factos das alíneas a) (não
é qualquer acréscimo de clientela ou qualquer benefício que daí resulte para o
principal que justificará a atribuição ao agente de uma indemnização de clientela; terá
de se tratar de um acréscimo e de um benefício de proporções minimamente
relevantes para o efeito: um acréscimo substancial do volume de negócios do principal
donde resulte para este um benefício considerável), b) (importa considerar por
benefício toda e qualquer vantagem com relevo económico, todo e qualquer ganho
que o aumento de procura suscitado pela atuação do agente seja apto a proporcionar
ao principal, de entre os quais se destaca a possibilidade de o principal continuar a
auferir réditos provenientes das futuras transações com os clientes que o agente
angariou ou a obtenção de condições mais favoráveis na distribuição ou
comercialização dos seus produtos) e c) (a retribuição prevista na alínea c) do n.º 1 do
artigo 33º não pode ocorrer no contrato de concessão comercial, visto que o
concessionário compra ao concedente produtos para revenda, por sua conta e risco,
ou seja, à margem de qualquer tipo de remuneração a cargo deste último e a favor do
primeiro, o que importaria, numa abordagem menos cuidadosa, concluir pela
inexistência de fundamento para a aplicação analógica do disposto nesta alínea; no
entanto o STJ não concorda com esta visão, dizendo que será de atribuir nos casos de
concessão comercial ao termo retribuição o sentido de compensação, sendo, pois,
pressuposto que o distribuidor deixe de receber qualquer compensação pelos
contratos concluídos após a cessação dos contratos).
A indemnização de clientela/compensação, no caso de concessão, só tem fundamento,
para além da verificação dos restantes requisitos, quando o ex-concessionário deixa de
auferir quaisquer proventos da sua anterior atividade, afirmando-se, sem reserva, que
as razões que no contrato de agência justificam o preceituado na alínea c) do n.º 1 do
artigo 33º (evitar a duplicação de compensações) valem igualmente para o contrato de
concessão.
Contrato de franquia:
Contrato no qual o franqueador concede ao franqueado, dentro de certa área,
cumulativamente ou não: a utilização de marcas, nomes ou insígnias comerciais; a
utilização de patentes, técnicas empresariais ou processos de fabrico; assistência,
acompanhamento e determinados serviços; mercadorias e outros bens, para
distribuição.
O franqueador permite assim ao franqueado o acesso a áreas que em princípio lhe
estariam legalmente bloqueadas.
A franquia partilha assim elementos próprios da agência e da concessão como a
angariação de clientes e a distribuição de bens e serviços, funcionando numa base
hierarquizada.
A franquia pode ser: franquia de serviços (o franqueado oferece um serviço sob a
insígnia, o nome comercial ou mesmo a marca do franqueador conformando-se com as
diretrizes deste; ex: Avis, no domínio da locação de automóveis, que permite a
pequenas empresas em todo o mundo locar automóveis em termos uniformes, a um
público essencialmente móvel, aproveitando as insígnias, a publicidade, a promoção, e
a clientela do franqueador); franquia de produção (o franqueado fabrica, segundo as
indicações do franqueador, produtos que vende sob a marca deste; ex: a Coca-Cola,
que faculta a confeção das suas bebidas a produtores dispersos por todo o mundo,
sempre sob a mesma designação e em conformidade com certas especificações
técnicas dadas pelo franqueador, de modo a aproveitar as insígnias, a publicidade, a
implantação e a clientela por estas promovidas ou alcançadas); franquia de
distribuição (o franqueado limita-se a vender certos produtos num armazém que usa a
insígnia do franqueador; ex: a Pronuptia, pela qual estabelecimentos pela Europa
vendem ao público vestidos de noiva numa apresentação uniforme e tirando o
prestígio derivado da venda daqueles produtos).
Este contrato é atípico e totalmente dependente da autonomia privada (apenas pela
interpretação de cada contrato se poderá verificar qual o seu alcance e quais os
deveres que dele resultam para as partes), podendo apresentar elementos próprios da
agência ou da concessão e surgindo como o mais variável e complexo dos contratos de
distribuição. É ainda um contrato intuitu personae
Apesar do referido costumam surgir, na franquia, os seguintes deveres para o
franqueador: facultar ao franqueado o uso de uma marca, insígnia ou designação
comercial na comercialização de serviços ou produtos por este adquiridos ou
fabricados; auxiliar o franqueado no lançamento e na manutenção de certa atividade
empresarial, munindo dos conhecimentos técnicos e produtos necessários; facultar ao
franqueado técnicas ou processos produtivos de que o franqueador tenha o exclusivo;
fornecer bens ou serviços que, porventura, o franqueador deva distribuir.
O franqueador poderá também ter os seguintes direitos: uma certa retribuição
calculada como percentagem do produto de vendas ou correspondente ao produto de
certas aquisições que o franqueado se poderá obrigar a fazer; ter poderes de
fiscalização quanto às especificações e qualidades do produto vendido sob as suas
marcas, insígnias ou designações comerciais; ter poderes de aprovação ou fiscalização
no tocante a pontos de venda, a sua configuração e demais circunstancialismos; ter
poderes no domínio da cessão da posição contratual e da renovação do contrato; ter o
direito de receber a contrapartida dos bens ou serviços que forneça.
Do lado do franqueado este terá como direitos: o uso de marcas, insígnias ou nomes
comerciais do franqueador; a utilização de conhecimentos, técnicas empresariais ou
modos de fabrico pertencentes ao franqueador; o auxilio do franqueador no
lançamento, manutenção e desenvolvimento da sua atividade; e os fornecimentos
acordados. Como deveres terá: o pagamento de certas retribuições ou a aquisição de
certos produtos ao franqueador; o lançamento e desenvolvimento da sua atividade
dentro de certa zona territorial; a manutenção da qualidade dos serviços ou produtos
franqueados; o sigilo no tocante aos conhecimentos recebidos do franqueador; a
comparticipação em despesas de publicidade; e a aceitação e cumprimento de certas
cláusulas de não concorrência.
Este contrato duradouro pode cessar por resolução (unilateral e justificada) ou por
denúncia (unilateral e discricionária), sendo aplicável o modelo de cessação da agência
(24º a 36º DL da agência) com as necessárias adaptações. Esta aplicação, direta ou por
analogia, tem por objetivo tutelar a posição do franqueado que é economicamente
subordinado ao franqueador, podendo ser-lhe exigido investimentos avultados em
nome de um contrato que o franqueador pode fazer cessar de um dia para o outro se
o contrato permitir (aplica-se os prazos de pré-aviso e a indemnização de clientela do
contrato de agência; na franquia muitas vezes a clientela é angariada pelo franqueador
dado o peso da marca e a publicidade, havendo poucos casos em que é devida
indemnização de clientela), sendo assim necessário tutelar a posição do franqueado.
Quando o contrato for ilicitamente interrompido pelo franqueador, todos os danos
ilícitos causados ao franqueado devem ser indemnizados, tais como, investimentos
perdidos, maiores despesas e danos morais.
STOCKS:
. Existe uma forte corrente jurisprudencial que diz que o concessionário adquiriu os
bens por sua conta e risco e não pode por isso o concedente ser obrigado a readquirir
os bens ao concessionário, a menos que as partes isso convencionem no contrato.
Segundo MC (melhor doutrina) o concedente deve ser obrigado a readquirir os stocks
apenas quando tiver agido com culpa na cessação do contrato, devendo nestes casos
não só readquirir os stocks como indemnizar todos os prejuízos causados ao
concessionário. Assim, a Melhor Editora, seguindo a corrente jurisprudencial referida,
não tem que readquirir a Miguel os stocks por este adquiridos.
ART.º 33º
Não é uma verdadeira indemnização: não está sujeita aprova feita pelo agente de
danos. O que conta são os benefícios proporcionados pelo agente à outra parte.
Os benefícios eram de proveito comum até à cessação do contrato, mas deixam de ser
e passa a ser apenas o principal a beneficiar dos mesmos.
Mesmo que não haja danos, vai haver um enriquecimento do principal que justifica
uma compensação.
A perspetiva seguida pela nossa lei é a alemã, ao invés da francesa. Medida mais
próxima do enriquecimento sem causa do que da r civil.
Al. B) basta que, de acordo com um juízo de prognose, seja bastante provável que se
venha a verificar. O que interessa é que o principal fique em condições de continuar a
usufruir da atividade do seu ex agente, ainda que indiretamente (Ac STJ 3 maio, 2000;
Ac Relacao de Lisboa 7 maio 2009)
- exceção: se se provar que deixa em absoluto de poder aproveitar-se de tal
clientela, por ter cessado a sua atividade (Ac Relacao Porto 12 maio 2009)
Al. C) aqui a lei pretende evitar acumulações, deixando de se justificar a compensação,
caso o principal haja acordado continuar a pagar-lhe (e.g.), após o termo do contrato,
uma certa quantia pelas operações negociais que leve a efeito com os clientes por ele
angariados. (Prof Mónica Duque articula este preceito c o art.º 16º).
art.º 33/1/c +art.º 16- requisitos para usar este art.º na concessão.
INDEMNIZACAO DE CLIENTELA EM CASOS IMPUTADOS AO AGENTE: