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Contabilidade Geral - 2022
Capitulo I: INTRODUÇÃO AO ESTUDO DA CONTABILIDADE
A contabilidade é geralmente aplicada nas empresas. Tendo em conta que ela é aplicada nas
empresas, torna-se necessário em primeiro lugar falar de empresas.
Conceito de Empresa.
Vários são os conceitos de empresas e estes variam de autor para autor de acordo com a
percepção que cada um tem em relação aquilo que é uma empresa.
Num sentido geral, Empresa é um conjunto de meios humanos, materiais ou técnicos e
financeiros devidamente organizados para a realização de uma determinada actividade
económica.
Ciclo de Vida das Empresas
1. Institucional – é a fase em que se decide sobre a sua criação através da obtenção e
combinação dos recursos necessários para a sua entrada em funcionamento.
2. Funcionamento ou Execução – é a fase em que se desenvolve todo o processo de
transformação ou seja, da produção de bens e serviços com vista a obtenção e alcance dos
objectivos pretendidos.
3. Liquidação – esta é a fase em que se procede a extinção da empresa.
A fase de funcionamento ou de execução é a mais longa, dai que há necessidade de dividir em
intervalos de tempo designados Períodos Administrativos, no fim dos quais se apuram os
resultados, se elabora o balaço, se discute a actuação da direcção, etc.
Objectivos das Empresas.
Os objectivos das empresas podem ser agrupados em dois, nomeadamente:
Objectivo económico, que tem haver com o uso racional dos recursos para maximizar
o lucro;
Objectivo social, que tem haver com a satisfação das necessidades e interesses dos seus
colaboradores e da comunidade onde se encontram inseridas.
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Elaborado por: Formador Stélio Nhambi
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Classificação das Empresas
1. Sob o Ponto de Vista Jurídico.
Do ponto de vista jurídico as empresas classificam-se em:
Empresas singulares ou comerciante em nome individual, são aquelas empresas em
que o proprietário é uma única pessoa.
Sociedades Comerciais, são empresas em que o proprietário é mais de uma pessoa.
Tipos de Sociedades Comerciais.
Sociedades em nome colectivo;
Sociedades por quotas;
Sociedades anónimas;
2. Sob o Ponto de Vista Económico.
Do ponto de vista económico as empresas classificam-se em:
Empresas Comerciais, aquelas essencialmente vocacionadas para a compra e venda de
mercadorias.
Ex: Uma empresa que vende electrodomésticos, etc.
Empresas Industriais, aquelas que se dedicam na transformação de matérias-primas
em produtos acabados.
Ex: Uma empresa que fabrica sabão, etc.
Empresas de Prestação de Serviços, aquelas que se dedicam na prestação de serviços.
Ex: Uma empresa que concerta electrodomésticos avariados, etc
Actividade Económica
Actividade económica é todo processo ou ação realizada pelo homem com vista a obtenção de
bens ou serviços para a satisfação de necessidades mediante um custo.
Ramos da Actividade Económica
São ramos de actividade económica, as seguintes:
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Produção: é a actividade que consiste na criação de bens ou serviços com vista a
satisfação das necessidades humanas;
Distribuição: é a actividade que consiste em transportar os bens nos locais de produção
até aos de consumo;
Consumo: é a actividade que consiste na satisfação de necessidades mediante a
utilização dos bens produzidos.
As Unidades Intervenientes no Circuito Económico
A actividade económica resulta na articulação entre a produção, a distribuição e o consumo.
As unidades intervenientes neste circuito são:
As Empresas: (unidades essencialmente vocacionadas a produção e comercialização);
As famílias: (unidades essencialmente de consumo);
O Estado: (entidade responsável para regular a actividade económica e para satisfazer
as necessidades colectivas).
INTRODUÇÃO AO ESTUDO DA CONTABILIDADE
A Contabilidade.
Conceito de Contabilidade
O conceito de contabilidade tem variado de autor para autor, em função daquilo que cada um
percebe em relação aquilo que é de facto a contabilidade.
Actualmente, a maioria dos autores consideram a Contabilidade uma técnica de registo ou de
gestão que tem em vista a determinação da situação patrimonial das empresas e dos seus
resultados.
Popularmente diz-se também que a Contabilidade, é a ciência do Património.
Objecto de Estudo da Contabilidade.
A contabilidade têm como seu objecto de estudo, o Património.
Divisão da Contabilidade.
A contabilidade divide-se em dois grandes grupos, nomeadamente:
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Contabilidade Geral ou Externa ou Financeira, aquela que se ocupa no registo das
operações com terceiros, as modificações do património e apuramento de resultados.
Contabilidade Analítica ou Interna ou de Custos ou Industrial, aquela que ocupa-se
no registo das operações internas de produção e tem em vista a determinação do custo
dos produtos ou serviços.
A contabilidade geral nos dá a situação económica e financeira global da empresa e a
situação perante o exterior que tem haver com endividamentos, responsabilidades, etc.
A contabilidade interna nos dá a conhecer os custos suportados para produzir um determinado
produto ou serviço, permite um controlo mais directo e pormenorizado da empresa e é um
excelente instrumento de gestão.
Importância da Contabilidade
A contabilidade é importante, na medida em que:
Fornece informações sobre a situação económica e financeira das empresas;
Fornece informações gerais da situação patrimonial das empresas;
Fornece dados aos gestores das empresas, os quais servem de base e auxiliam na tomada
de decisões sobre o futuro de uma empresa.
Funções da Contabilidade
1. REGISTRAR / REGISTRO – têm como objectivo fazer a montagem da escrita, ou seja,
o lançamento dos fatos que ocorrem com o patrimônio de uma entidade.
A contabilidade terá que elaborar:
INVENTÁRIO = B+D+O
BALANÇO = B+D-O
DIÁRIO GERAL
2. CONTROL – têm como objectivo verificar se o grau de responsabilidade confere com
o pré-definido. Visa, também, ao acompanhamento do planejamento, pois não bastam
bons planos se, no momento da execução, abandonam-se todos os critérios científicos
empregados na sua elaboração, sendo necessário um controle rigoroso para a sua eficaz
execução
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POR EXEMPLO: PARA EMPRESAS DE DISTRIBUIÇÃO DE BENS (COCA-COLA)
O contabilista terá que avaliar as vendas da empresa atraves de criterios de vendas.
CUSTO CRONOLÓGICO DIRETO (FIFO)
CUSTO CRONOLÓGICO INVERSO (LIFO)
CMP – CUSTO MEDIO PONDERADO
3. ORIÊNTAÇÃO/ORIENTAR – Têm como objectivo verificar o custo dos bens e
serviços para conseguir adicionar a margem de lucros necessaria. Esse relatório,
utilizado adequadamente, servira de parâmetros (orientação) para um criterioso e
adequado planeamento, bem como para verificar e acompanhar se o que foi planeado
está sendo executado, e se as metas traçadas estão sendo atingidas
A Normalização Contabilística.
No período em que se iniciou o uso da contabilidade não havia um plano oficial de
contabilidade aprovado. Assim, cada empresa, cada sector organizava o seu plano de contas de
acordo com as suas necessidades e conhecimentos do responsável pela contabilidade, surgindo
assim diversos títulos para a mesma conta, havendo por vezes dificuldades em entender as
peças contabilísticas fundamentais.
A normalização contabilística pós fim a esta falta de procedimentos comuns, uniformizando
assim a contabilidade no que respeita a terminologia, conceitos e regras de movimentação de
contas.
Vantagens da Normalização Contabilística.
A normalização contabilística permite:
Fornecer informações mais uniformes e precisas;
Maior confiança nos dados contabilísticos;
Elaboração de estatísticas com menor erro;
A interpretação dos dados contabilísticos por qualquer técnico de contabilidade;
A uniformização do ensino de contabilidade.
A Informação Contabilística
Conceito de Informação contabilística
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Informação contabilística é aquela fornecida pela contabilidade, resultante de registo,
processamento e organização das escriturações contabilísticas com intuito de dar a conhecer a
situação patrimonial de uma entidade, a qual serve de base para a tomada de decisões dos
gestores empresariais.
Características Qualitativas ou requisitos das informações contabilísticas.
Estas características qualitativas ou requisitos são os atributos que fazem com que a informação
proporcionada pelas demonstrações financeira seja útil para os utilizadores.
1. A Fiabilidade
A informação possui esta característica quando está livre de erros e é elaborada em rigorosa
consonância com os Princípios Contabilísticos e as Normas de Contabilidade.
Para ser fiável, a informação deve representar fidedignamente as transacções e outros
acontecimentos que pretende representar ou que possa razoavelmente esperar-se que apresente.
Assim, por exemplo, um balanço deve representar fidedignamente as transacções e outros
acontecimentos que resultam em activos, passivos e capital próprio da entidade na data do
relato que satisfaçam o critério do reconhecimento.
2. A Relevância
Para ser útil, a informação deve ser relevante para as necessidades de tomada de decisão dos
utilizadores.
A informação tem a qualidade de relevância quando influencia as decisões económicas dos
utilizadores ajudando-os a avaliar os acontecimentos passados, presentes ou futuros, ou
confirmando ou corrigindo avaliações suas feitas no passado.
3. A compreensibilidade
Esta característica se fundamenta no objectivo de que a informação contabilistica seja exposta
na forma mais compreensível possível ao usuário a que se destina.
Uma qualidade essencial da informação proporcionada pela contabilidade é de que ela seja
rapidamente compreendida pelos utilizadores
4. A Comparabilidade
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Trata-se da característica que permite a melhor visão da evolução da empresa medida sob os
mesmos critérios e princípios ao longo do tempo, a fim de identificar tendências na sua posição
financeira e no seu desempenho.
Os utilizadores devem ser capazes de comparar as demonstrações financeiras de uma entidade
no decurso do tempo a fim de identificar tendências na posição financeira e no desempenho
dessa entidade.
Os utilizadores devem igualmente ser capazes de comparar as informações financeiras de
diferentes entidades a fim de avaliar a sua posição relativa quanto a posição financeira,
desempenho e variações na posição financeira das entidades.
Os Interessados na Informação Contabilística e Seus Objectivos.
Existem vários interessados na informação contabilística, cada um deles com seus objectivos e
destes interessados podem ser classificados em:
Interessados ou usuários internos; e
Interessados ou usuários externos.
1. Interessados ou Usuários Internos da Informação Contabilística.
Os interessados ou usuários internos são:
Sócios e Accionistas: estes se interessam da informação contabilística para avaliar se a
actividade da empresa garante o retorno do capital investido e os futuros investimentos
da empresa.
Administradores ou Gestores e Proprietários: precisam da informação contabilística
com objectivo de esta lhes permitir a tomada de decisões, avaliar as decisões tomadas
e projectar o futuro da empresa.
Trabalhadores: estes tem o objectivo de avaliar as perspectivas com relação ao futuro
da empresa no que concerne a segurança nos seus salários e no seu emprego.
2. Interessados ou Usuários Externos da Informação Contabilística.
São interessados ou usuários externos da informação contabilística, os seguintes:
Governo / Estado: este tem o objectivo de determinar o imposto sobre o rendimento e
possuir dados da contabilidade nacional.
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Financiadores: estes precisam da informação contabilística para determinar se os
empréstimos concedidos e os respectivos juros serão pagos na data de vencimento.
Fornecedores e Outros credores: estes precisam da informação contabilística com o
objectivo de avaliar se os montantes que lhes são devidos serão pagos na data de
vencimento.
Clientes: precisam da informação para saber se a empresa tem e terá capacidade de
fornecer os bens e serviços.
Público: se interessam da informação contabilística para avaliar a capacidade de apoio
por parte da empresa á comunidade em termos de satisfação das necessidades de
fornecimento de bens e serviços.
Os Princípios Contabilísticos.
Estes princípios são um conjunto de normas e convenções que guiam ou orientam aos
responsáveis na preparação das demonstrações financeiras.
1. Princípio da Continuidade.
Este princípio diz que a empresa é uma entidade que opera num âmbito temporal indefinido.
Entendendo-se desta forma que a empresa não tenciona nem necessita entrar em liquidação ou
reduzir significativamente o volume das suas operações.
2. Princípio da Consistência.
Este princípio considera que a empresa não altera as suas políticas contabilísticas de um
exercício económico para o outro. Se o fizer e a alteração tiver efeitos materialmente relevantes,
deve indicar no anexo das demonstrações financeiras.
3. Princípio da Especialização dos Exercícios.
Este principio diz que a empresa deve reconhecer os proveitos e os custos a medida que eles
ocorrem, tenham ou não sido recebidos ou pagos, devendo inclui-los nas demonstrações
financeiras do exercício a que dizem respeito.
4. Princípio do Custo Histórico.
Diz-nos que os registos contabilísticos devem basear-se em custos de aquisição ou de produção.
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O custo de aquisição envolve o valor pago no local de aquisição do bem mais todas as despesas
adicionais até o bem chegar ao estabelecimento do comprador. Os custos de produção
envolvem os custos com a matéria-prima, a Mão-de- obra directa e os gastos gerais de fabrico.
5. Princípio da Prudência.
Este princípio enuncia que a empresa deve integrar nas suas contas um grau de precaução ao
fazer as estimativas exigidas em condições de incerteza sem contudo, permitir a criação de
reservas ocultas ou provisões excessivas ou a deliberada quantificação de activos e proveitos
por defeito ou passivos e custos por excesso.
A prudência deve ser observada quando existindo um activo ou um passivo já escriturado por
determinados valores, surgem duvidas sobre a sua correcção. Havendo formas alternativas de
se calcularem novos valores, deve-se optar sempre pelo que for menor do que o inicial (no caso
de activos), e maior no caso de elementos patrimoniais do passivo.
Objectivos dos Princípios de Contabilidade Geralmente Aceites
Orientar de forma técnica a condução do exercício profissional em todos os aspectos
que envolvem de forma directa ou indirecta a doutrina contábil;
Padronizar os critérios a serem seguidos pelas entidades no registo dos factos por elas
produzidas, de forma a permitir um razoável padrão de uniformidade ente os vários
tipos de entidades existentes;
Garantir que as contas anuais, formuladas com clareza, expressem a imagem fiel do
património, da situação financeira e dos resultados da empresa.
Os Técnicos de Contas
Técnicos de Contas são indivíduos que pelos seus conhecimentos teóricos e práticos se
encontram habilitados para organizar, executar e fiscalizar serviços de contabilidade.
A sua maior ou menor competência depende não só da sua preparação e domínio na matéria de
contabilidade, mas também dos conhecimentos da Legislação fiscal, do Direito comercial, da
Matemática financeira, da organização e administração de empresas, etc.
Tarefas dos Técnicos de Contas.
Várias são as tarefas executadas pelos técnicos de contas, de entre elas as seguintes:
Elaboração de planos financeiros e de instalação de empresas;
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Elaboração de planos de organização da contabilidade das empresas;
Elaboração de orçamentos e a sua fiscalização;
Apuramento de custos e proveitos da empresa para determinar o resultado; etc.
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