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Gerência e Gestão de Riscos Empresariais

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GERÊNCIA DE RISCOS

1
Sumário

1 GERÊNCIA ................................................................................................. 4
2 RISCOS ...................................................................................................... 5

2.1 Categorias de riscos ............................................................................. 7


2.2 Riscos internos e externos ................................................................... 8

3 GESTÃO DE RISCOS ................................................................................ 8

3.1 Posicionamento e resposta ao risco ................................................... 11


3.2 Avaliação e identificação do risco organizacional .............................. 12
3.3 Tratamento na gestão de riscos ......................................................... 16

4 CLASSE DE RISCOS ............................................................................... 18

4.1 Risco estratégico ................................................................................ 18


4.2 Risco operacional ............................................................................... 18
4.3 Risco de Governança Corporativa ..................................................... 18
4.4 Risco de Mercado .............................................................................. 19
4.5 Risco de Imagem ............................................................................... 19
4.6 Risco de Estratégia de Mercado ........................................................ 20
4.7 Risco de Crédito ................................................................................. 20
4.8 Risco financeiro .................................................................................. 20
4.9 Risco de Evento Externo .................................................................... 21
4.10 Risco de Liquidez ............................................................................ 21

5 NORMAS REGULAMENTADORAS – SEGURANÇA E SAÚDE DO


TRABALHO ............................................................................................................... 21

5.1 Conceitos, métodos e técnicas utilizados em ergonomia ................... 24


5.2 Introdução à análise ergonômica da atividade com enfoque nos
aspectos materiais, fisiológicos, psicológicos e organizacionais ........................... 30
5.3 Abordagem do funcionamento do ser humano em situação real de
trabalho 33

6 ANÁLISE ERGONÔMICA DA DEMANDA ................................................ 39


7 ANÁLISE ERGONÔMICA DA TAREFA .................................................... 40
8 ANÁLISE DAS CONDIÇÕES FÍSICAS ..................................................... 40

2
9 ANÁLISE DAS CONDIÇÕES POSTURAIS DOS TRABALHADORES ..... 41
10 ANÁLISE DOS ASPECTOS PSICOLÓGICOS DOS TRABALHADORES
42
11 ANÁLISE ORGANIZACIONAL............................................................... 43
12 CONDIÇÕES AMBIENTAIS .................................................................. 43
13 TEMPERATURA.................................................................................... 44
14 RUÍDO ................................................................................................... 44
15 ILUMINAÇÃO ........................................................................................ 45
16 VIBRAÇÃO ............................................................................................ 45
17 ANÁLISE ERGONÔMICA DA ATIVIDADE ............................................ 45
18 DIAGNÓSTICO ERGONÔMICO ........................................................... 46
19 O CADERNO DE ENCARGOS.............................................................. 47
20 REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICAS ......................................................... 49

3
1 GERÊNCIA

encurtador.com.br/DIY68

Gerência é uma designação utilizada para especificar a função de coordenação


dos colaboradores de um empresa, órgãos governamentais e entidades do terceiro
setor, no gerenciamento das tarefas da equipe. Este é um termo diretamente
relacionado ao monitoramento e coordenação do comportamento ou efeitos das
atividades dentro das organizações.
Normalmente, o termo “gerência” também se refere a um grupo de
colaboradores que pertencem aos níveis mais altos das organizações e estes
possuem como responsabilidade a coordenação de recursos da empresa,
representação da organização perante a parceiros, controle de metas e objetivos a
alcançar, portanto, este é responsável tanto pelo sucesso como pelo fracasso da
organização.
Na interpretação de REED (1989), o papel dos gestores costuma assumir, nas
abordagens sobre gestão por ele criticadas, distintas caracterizações, a saber:

a) Na perspectiva técnica, cabe aos gerentes a busca de resultados


eficientes, obtidos pelos instrumentos e técnicas formais que, em
determinados momentos, impõem-se às suas ações;
b) Na perspectiva política, o corpo gerencial é considerado como agente
calculador que utiliza espaços de poder em ambientes de grandes
incertezas, sob os quais têm pouco controle, buscando fazer valer seus
objetivos e interesses nas “arenas” organizacionais;

4
c) Na perspectiva crítica, os gestores são portadores e defensores da
transmissão de uma ordem econômica que é dissimulada por meio de
instrumentos ideológicos.

Normalmente, a gestão comanda um departamento e pode ou não acumular


funções de gerenciamento em outros departamentos. Essas funções incluem
organizar, planejar e executar atividades para promover o trabalho dos membros da
organização. Portanto, o gestor deve cuidar dos processos e do pessoal do
departamento onde atua, planejar ações, tomar decisões e delegar tarefas.

2 RISCOS

Risco é a ameaça ou perigo de um evento específico. Correr o risco é vivenciar


eventos perigosos, ou seja, eventos imprudentes podem levar a certas
consequências. O termo risco é utilizado em muitas situações, como risco ambiental,
de epidemia, de morte, biológico, de acidente, financeiro, etc.
Padoveze (2010, p. 612) classifica o conceito de risco nas perspectivas abaixo:

a) Risco como oportunidade: Implícito no conceito de risco e retorno. Quanto


maior o risco, maior o potencial de retorno, e necessariamente, de perda. Neste
contexto, a gestão de riscos significa utilizar técnicas para maximizar as
oportunidades e minimizar os riscos.
b) Risco como perigo ou ameaça: Refere-se a eventos potencialmente negativos
como: perdas financeiras, fraudes, danos à reputação, roubo ou furto, morte ou
injúria, falhas de sistemas ou demandas judiciais. Neste cenário, a gestão de
riscos significa implementar ações administrativas para reduzir a probabilidade
de eventos negativos sem incorrer em custos excessivos ou paralisar a
organização.
c) Risco como incerteza: Relacionado à distribuição de todos os resultados
possíveis, sejam positivos ou negativos. Neste panorama, a gestão de risco
procura reduzir a variância entre os resultados planejados x reais.

Segundo WHARTON56 a palavra risq, em árabe, significa algo que lhe foi dado
(por Deus) e do qual você tirará proveito, possuindo um significado de algo inesperado
e favorável ao indivíduo. Em latin, riscum conota algo também inesperado, mas

5
desfavorável ao indivíduo. Em grego, uma derivação do árabe risq, esta palavra relata
a probabilidade de um resultado sem imposições positivas ou negativas. O francês
risque tem significado negativo, mas ocasionalmente possui conotações positivas,
enquanto que, em inglês, risk possui associações negativas bem definidas.
Portanto, de um ponto de vista mais científico, o significado do termo risco pode
ser o resultado inesperado de uma ação ou decisão, seja um resultado positivo ou
negativo, ou um resultado indesejável e a possibilidade de sua ocorrência. No entanto,
vemos o risco como a incerteza de eventos inesperados que ocorrem em sistemas
industriais. Nesse sentido, são múltiplas as definições do termo “risco” buscando um
significado mais completo.
De acordo com Sommerville, 2003, o risco é a probabilidade de que alguma
circunstância adversa realmente venha a acontecer, e pode afetar tanto o projeto de
software em desenvolvimento quanto a organização. Muitos outros autores também
definem riscos não apenas como sendo uma probabilidade, mas também como sendo
algo que já aconteceu. Normalmente, a gerência de risco não controla esse tipo de
risco, ou seja, a gerência de risco gerencia apenas os possíveis riscos antes da
ocorrência do fato possível, sendo assim uma gerência preventiva.
Sommerville, 2003, ainda defende que os riscos podem ocorrer por diversas
decorrências, como requisitos mal definidos, dificuldade de estimar prazos e recursos,
dependência de habilidades individuais, mudanças nos requisitos, entre outros.
DE CICCO e FANTAZZINI, (1994), atribuem dois significados à palavra risco.
O primeiro, influenciado pelo trabalho de BASTIAS, (1977), associa o risco a "uma ou
mais condições de uma variável com o potencial necessário para causar danos, que
podem ser entendidos como lesões a pessoas, danos a equipamentos e instalações,
danos ao meio ambiente, perda de material em processo ou redução da capacidade
de produção". Desta forma, a um risco sempre estará associada uma possibilidade de
ocorrência de efeitos adversos. No segundo significado atribuído à palavra, risco
"expressa uma probabilidade de possíveis danos dentro de um período específico de
tempo ou número de ciclos operacionais", e pode ser relacionado à probabilidade de
ocorrência de um acidente multiplicado pelo dano decorrente deste acidente, em
unidades operacionais, monetárias ou humanas.

6
A identificação dos riscos permite aos gestores estimar o custo de evitar ou
reduzir riscos, ou seja, reduzir a possibilidade de problemas. Depois de entender o
custo, pode-se escolher se deseja tomar medidas preventivas. Às vezes, esperar que
o risco ocorra é mais vantajoso do que tentar mitigar o risco para aumentar o custo do
projeto, por exemplo, quando a identificação dos riscos que requerem recursos
significativos para mitigar o risco.
Nesse ponto, duas tendências óbvias podem ser observadas na definição de
risco, uma está abordando o risco de forma objetiva e a outra está abordando o risco
de forma subjetiva. Do ponto de vista objetivo, o risco representa a possibilidade de
eventos adversos, que podem ser facilmente quantificados por meio de métodos
estatísticos. Do ponto de vista subjetivo, o risco está relacionado à possibilidade de
acidentes e depende de uma avaliação separada da situação, não podendo ser
quantificado.

2.1 Categorias de riscos

Jorion (2000), acredita que três tipos de riscos podem ser identificados, e esses
riscos estão relacionados e trazem condições negativas para a organização:

a) Risco de mercado ou sistemático, que é um risco a que todas as


empresas em um mesmo ambiente acabam por sofrer, decorrente de
aspectos conjunturais, políticos, de recessões, guerras, aumentos gerais
de commodities etc.;
b) Risco não sistemático, que afeta especificamente cada empresa, e que
pode ser diversificável em uma carteira de investimentos;
c) Risco operacional, que decorre da opção por uma determinada estrutura
de ativos, que, por sua vez, conduz a uma estrutura de custos
(proporção de custos fixos e custos variáveis). Os riscos operacionais
referem-se às perdas potenciais resultantes de sistemas inadequados,
má administração, controles defeituosos ou falha humana, a qual inclui
o risco de execução, correspondente a situações em que as operações
não são executadas, resultantes, às vezes, em atrasos onerosos ou em
penalidades.

7
2.2 Riscos internos e externos

O risco externo é caracterizado por mudanças no ambiente político,


macroeconômico, social e natural em que a organização atua. Embora não possa
manter um controle estrito sobre esses fatores, é preciso estar atento às variações no
ambiente onde a empresa atua. Miranda e Ramos (2010) separam os riscos externos
em dois níveis, sendo eles: Risco macro ambiente e risco de ambiente setorial. Sendo
que no primeiro encontra-se mais distante, tornando assim difícil de identificar em qual
magnitude irá atingir a empresa. Enquanto o segundo nível encontra-se mais próximo
à organização merecendo um cuidado mais especial na análise de sua estratégia.
De acordo com a AMJ (2016) os riscos internos estão associados à própria
estrutura da organização, variando entre o processo de governança, quadro pessoal,
orçamento e ambiente tecnológico. Brasiliano (2009) elenca alguns fatores como o
risco da edificação e todas as áreas físicas da empresa nas quais se faz necessário
um diagnóstico mais detalhado. Também é preciso entender a cultura dos
colaboradores, levando em consideração as mudanças ocorridas nos colaboradores
e seu verdadeiro compromisso com a organização.

3 GESTÃO DE RISCOS

Brasiliano (2009) afirma que os riscos surgem por meio de um processo ou um


conjunto de processos. Desta forma, é imprescindível estar atento a todos os fatores
que impulsionam o não cumprimento dos objetivos traçados. De acordo com COSO
(2007) este afirma que inicialmente a administração considera uma faixa de eventos
em potencial, originados de fontes internas e externas, sem levar em conta se o
impacto será favorável ou desfavorável. Desta forma, a avaliação também estabelece
as oportunidades a serem aproveitadas.
Para uma boa gestão e controle de riscos, é importante quantificar e
caracterizar os riscos. Desta forma, pode-se eliminar ou reduzir possíveis perdas
financeiras e maximizar o uso de oportunidades de lucro positivo e criar valor para
indivíduos e organizações. O foco da gestão do risco é manter um processo
sustentável de criação de valor para os acionistas, devido ao fato de qualquer negócio

8
estar sempre exposto a um conjunto de riscos (PADOVEZE e BERTOLUCCI, 2008,
p. 194).
O risco é onipresente em qualquer atividade profissional, como finanças, por
exemplo, quanto maior o grau de risco aceito, maior a expectativa em relação ao
retorno do risco. Ou seja, como nenhuma empresa tem risco zero, a melhor forma é
utilizar para gerenciá-los todos os componentes que requeiram uma gestão de riscos
qualificada e que auxiliem na tomada de decisão da empresa.
Para Lee (2012) o nível de incerteza e a velocidade das mudanças no ambiente
que rodeiam as organizações vêm aumentando, e, como consequência, a análise de
cenários torna-se um estágio crítico dentro da gestão de risco. Por meio dessa
afirmação, o autor apontou claramente que para gerenciar o risco é necessário estar
atento a todos os ambientes em que a organização está inserida, o que é necessário
compreender todas as variantes dos cenários que enfrenta.
Damodaran (2009, p. 27) afirma que, as empresas que se mantém
constantemente na defensiva diante do risco não são capazes de avaliar o cenário em
que estão e ali encontrar os riscos que são capazes de assumir. O fascínio pelo risco
é que este fornece benefícios potenciais e, por meio de maior exposição, pode-se
buscar estratégias mais ousadas e, assim, buscar retornos mais elevados.
A exposição ao risco é um dos maiores desafios à sobrevivência das
organizações. Se a adoção de estratégias corretas é o que define o futuro de uma
organização, gerenciar adequadamente os riscos a que ela se expõe significa
possibilitar o seu futuro. (BERNSTEIN, 1997, p. 1). O gestor da organização deve
estar ciente que assumir riscos pode diferenciar as empresas líderes de mercado, mas
também pode levar a falhas fatais. Por isso é necessário ter uma gestão respeitada
para auxiliar na tomada de decisões, o objetivo é detalhar os diversos riscos que a
empresa pode enfrentar na implementação de sua estratégia.
Segundo Kumamoto e Henley (1996), a gestão do risco consiste em quatro
fases, a prevenção de falhas, prevenção da propagação, a mitigação de
consequências no local e finalmente a mitigação de consequências externamente. A
primeira e a segunda são utilizadas para prevenção de acidentes e a terceira e quarta,
usadas para gerenciamento de acidentes. Outra questão a se considerar no estágio

9
de gerenciamento de risco é a atitude em relação ao risco, porque algumas pessoas
não assumem os riscos, são neutras ou sentem atração.

Comparação
Identificação Avaliação Tratamento
com risco
dos riscos de riscos de riscos
tolerado

Fonte: Adaptado de Cardella (1999)

O desenvolvimento do gerenciamento de riscos permite o monitoramento e


rastreamento durante a fase operacional do trabalho. O processo é “composto pelas
funções de identificação dos perigos, avaliação dos riscos, comparação com o risco
tolerado e o tratamento dos riscos” (Cardella, 1999).
Lee (2012), afirma que um ponto importante quando tratamos de estratégia, é
destacar que qualquer tomada de decisão exige um nível de risco, impossibilitando a
existência de um negócio com risco zero. Como o risco é um fator onipresente, a
afirmação "Não quero correr nenhum risco" que os investidores ainda usam encerra-
se neste momento, a melhor maneira é enfrentar suas próprias escolhas é distinguir
efetivamente a organização de outros concorrentes.
Como o risco é um fator onipresente, a afirmação "Não quero correr nenhum
risco" que os investidores ainda usam encerra-se neste momento, a melhor maneira
é enfrentar suas próprias escolhas é distinguir efetivamente a organização de outros
concorrentes.

A estratégia que o gestor pretende adotar deve ser consistente com a vontade
da empresa de ganhar mercado em relação ao risco traçado pela organização. No
entanto, para gerenciar riscos com sucesso, as etapas dos componentes existentes
de gerenciamento de riscos devem ser seguidas de forma coerente entre os setores
da organização. Desta forma, de acordo com, Coso, 2007, os processos envolvendo
a empresa devem estar alinhados respeitando seus oito componentes:
10
 Ambiente Interno: Compreendendo o tom da organização e fornecendo,
assim, a base pela qual o risco é identificado;
 Fixação de Objetivos: Os objetivos devem existir antes que a
organização possa identificar as ameaças com potencial para afetar sua
realização;
 Identificação de Eventos: Os eventos internos e externos que
influenciam no cumprimento dos objetivos devem ser identificados e
classificados em oportunidade ou ameaça;
 Avaliação de Risco: O impacto e probabilidade servem de análise para
determinar de qual modo eles deverão ser administrados;
 Resposta ao Risco: A administração escolhe qual resposta se deve dar
ao risco, evitando, aceitando, reduzindo entre outras medidas a serem
tomadas;
 Atividades de Controle: políticas e procedimentos são estabelecidos
com intuito de assegurar a resposta ao risco;
 Informação e Comunicação: As informações relevantes devem ser
identificadas e comunicadas em um prazo que permita com que sejam
cumpridas suas responsabilidades;
 Monitoramento: A integridade da gestão de risco é monitorada sendo
feito as modificações necessárias, este monitoramento é realizado por
meio de atividades gerenciais contínuas ou avaliações independentes
dentro da organização.

De acordo com Purdy (2010), risco não pode ser considerado um efeito
negativo que deve ser evitado; risco é simplesmente um fato que quando identificado
e avaliado com sucesso pode ser mudado para o alcance dos resultados esperados.
A correta identificação dos riscos, avaliação das causas e consequências e a
mudança para atingir os objetivos do projeto significa gerenciar os riscos (ABNT,
2009).

3.1 Posicionamento e resposta ao risco

Após a identificação e detalhamento dos riscos o gestor deverá detalhar o


posicionamento e a resposta em relação ao procedimento empresarial tomado como
11
referência na atuação sobre o risco. Padoveze e Bertolucci (2009) apresentam da
seguinte forma as categorias de resposta ao risco:

 Evitar: toma-se ação para eliminar as atividades que permitem a aparição do


risco. Pode envolver a desistência de uma linha de produtos, da expansão para
um novo mercado, ou a venda de uma divisão;
 Reduzir: toma-se ação para reduzir probabilidade e ocorrência ou impacto do
risco, ou ambos. Tipicamente este processo atinge centenas de decisões no
dia-a-dia dos negócios.
 Compartilhar: toma-se ação para reduzir a probabilidade de ocorrência ou
impacto dos riscos, por meio de transferência ou compartilhamento de uma
parte do risco. Por exemplo, adquire-se seguro de um determinado
equipamento, de modo que, o risco de manutenção do equipamento é
compartilhado com a seguradora.
 Aceitar: neste aspecto a organização não toma nenhuma medida para encarar
a probabilidade e o grau de risco estipulado.

IBGC (2007) enfatiza que a alta administração deve determinar as posições


relacionadas ao risco, são elas:

 Reter o risco: manter o risco ao nível atual de impacto ou probabilidade. Por


exemplo, a diretoria da empresa decide não investir em melhorias na área de
informática, desta forma, a empresa assume que as perdas e erros de
informações internas para o processo de decisão de risco são toleráveis.
 Explorar o risco: consiste em aumentar o grau de exposição ao risco na medida
em que isto possibilita vantagens competitivas.

Uma vez avaliados os diferentes efeitos do posicionamento e da resposta ao


risco, o gestor deverá comunicar à administração e aos funcionários da empresa.
Enfatizando o grau e a resposta que a empresa deverá tomar em relação a situação.

3.2 Avaliação e identificação do risco organizacional

A determinação dos riscos da empresa envolve sempre a análise dos


ambientes interno e externo, bem como a consideração das variáveis e entidades que
afetam os sistemas da empresa, de contrapartida a etapa de avaliação envolve a

12
comparação do nível de risco encontrado durante o processo avaliatório da análise do
limite de exposição ao risco. Desta forma este devem ser avaliados de acordo com
suas características inerentes e residuais, que são as seguintes:

 Risco inerente é o risco a que uma organização está exposta sem


considerar quaisquer ações gerenciais que possam reduzir a
probabilidade de sua ocorrência ou o seu impacto (art. 2.º, XIV, IN
Conjunta MP/CGU n. º 01/2016).
 Risco residual é o risco a que uma organização está exposta após a
implementação de ações gerenciais para o tratamento do risco (art. 2.º,
XV, IN Conjunta MP/CGU n. º 01/2016).

A Identificação dos riscos é o processo de busca, reconhecimento e descrição


de riscos, mediante a identificação das fontes, eventos, causas e consequências
potenciais. Deve-se construir uma lista abrangente de eventos que podem evitar,
atrasar, prejudicar ou impedir o cumprimento dos objetivos do processo de negócio
(CGU, 2018). Padoveze e Bertolucci (2008) apontam que procedimentos para
identificar e analisar riscos, podem ser:
 Brainstorming (técnica de discussão em grupo que se vale da
contribuição espontânea de ideias por parte de todos os participantes,
no intuito de resolver algum problema ou de conceber um trabalho
criativo.);
 Questionários;
 Mapeamento dos processos, que envolve identificação e mapeamento
da cadeia de processos e valor dos principais negócios da empresa, e a
identificação das dependências dos fatores externos (órgãos
reguladores, legislação, clientes, fornecedores de serviços etc.) e dos
recursos internos (como pessoal, tecnologia, ativos físicos etc.) que
interferem nos processos;
 Comparações com outras organizações;
 Discussão com coligadas.
Existem várias técnicas que podem ser utilizadas para identificar eventos de
risco. Entre os mais utilizados estão os diagramas de causa e efeito, bow-tie,

13
brainstorming, workshop (seminários), checklist (listas de verificação), relatórios de
auditoria e análise de fluxogramas.

 Diagrama de causa e efeito

O diagrama de Ishikawa, também chamado de diagrama de causa e efeito ou


diagrama em espinha de peixe, é um diagrama cujo propósito é organizar o raciocínio
ao discutir questões prioritárias em diferentes processos, especialmente na produção
industrial. O objetivo do diagrama de causa e efeito é descobrir os fatores que causam
situações inesperadas na organização. Por ser uma representação visual, pode ajudar
a equipe a encontrar a causa raiz da redução da produtividade organizacional.

 Método bow-tie

Fonte:youtube

A análise bow-tie (gravata borboleta) é uma maneira esquemática e simples de


descrever e analisar o caminho do risco, desde suas causas até suas consequências.
O foco do BowTie está nas barreiras entre causa e risco e entre risco e consequência.
A singularidade do método BowTie é que ele pode analisar e avaliar riscos
complexos por meio de métodos de visualização e gerenciamento simples e convertê-
los em alternativas gráficas aos métodos tradicionais de análise de risco. Dentre eles,
o evento a ser estudado está localizado no centro do gráfico, a causa à esquerda e

14
seu impacto à direita, para que seja visualizada a relação entre os elementos do
sistema de modelagem.

 Workshop

Workshop é executado pela Área de Auditoria e Controles Internos e faz parte


de um plano de ação para promover a internalização da cultura de risco. O treinamento
é inicialmente voltado para líderes, mas aos poucos irá abranger todos os
colaboradores da organização.

 Brainstorming

Brainstorming é uma técnica usada para propor soluções para problemas


específicos. Consiste também em sessões, nas quais os participantes devem ser
livres para fazer suas próprias sugestões e discutir as contribuições dos colegas.

 Checklist

O checklist da avaliação de risco consiste nas medidas de controle


implementadas, é uma forma de avaliar os riscos ocupacionais e implementar
medidas. A lista de verificação passa na avaliação qualitativa e quantitativa do ruído
ocupacional, radiação, agentes químicos, poeira mineral.

 Relatórios de auditoria

As auditorias de gestão de riscos representam um novo paradigma para o


controle do desempenho organizacional, onde o foco passa a ser o risco de não
cumprir a missão da organização.
De acordo com as Normas de Auditoria do TCU, auditoria é:

O processo sistemático, documentado e independente de se avaliar


objetivamente uma situação ou condição para determinar a extensão na qual
critérios são atendidos, obter evidências quanto a esse atendimento e relatar
os resultados dessa avaliação a um destinatário predeterminado (TCU,
2011a, p.13).

Desta forma o TCU (2011b) define as principais atividades propostas nas fases
da auditoria, que são elas:

 Planejamento - atividades básicas: obtenção da visão geral do objeto de


auditoria; identificação e avaliação de objetivos, riscos e controles;

15
elaboração do programa ou projeto de auditoria; elaboração preliminar
de papéis de trabalho;
 Execução: o programa ou projeto de auditoria é executado mediante a
aplicação dos procedimentos e técnicas estabelecidos na fase de
planejamento. O auditor realiza testes, coleta evidências, desenvolve os
achados ou constatações e documenta o trabalho realizado, observando
as normas, o método ou os padrões de auditoria;
 Relatório - atividades: elaboração, revisão e distribuição do relatório
(TCU, 2011b, p.49).
 Análise de fluxogramas

Fonte: consultoriaengenharia.com.br

A análise e gestão de riscos inclui uma série de medidas que devem ser
tomadas para prevenir ou mesmo eliminar esses riscos. Essa gestão nada mais é do
que uma série de processos específicos e definidos para realizar todas as operações
de forma que certos riscos não ocorram. Além de ajudar a visualizar e entender as
atividades diárias, o fluxograma também auxilia na organização dos processos. Além
disso, é possível determinar quais dessas etapas produziram bons resultados e quais
precisam de melhorias.

3.3 Tratamento na gestão de riscos

16
O tratamento de risco é uma etapa do processo de gerenciamento de risco após
a avaliação de risco, todos estes precisam ser identificados e os riscos inaceitáveis
devem ser selecionados. A principal tarefa da etapa de tratamento de risco é
selecionar uma ou mais opções para resolver cada risco inaceitável e decidir como
mitigar todos eles. São formas de tratamento: evitar o risco, eliminar o risco, reduzir o
risco, aceitar o risco, compartilhar o risco, aumentar o risco.
São aspectos gerais que devem ser considerados no tratamento do risco,
conforme a ISO/IEC (2007):

A. As opções devem ser selecionadas baseadas em três aspectos: (i) nos


resultados da apreciação do risco; (ii) no custo esperado para implementar as
opções; e (iii) nos benefícios esperados com as opções;
B. Quando largas reduções de risco podem ser obtidas com poucas despesas,
essas opções devem ser implementadas. Outras opções de tratamento
dependem de julgamento melhor exercitado;
C. As consequências adversas de riscos devem ser reduzidas a níveis mínimos,
até quando isso for prático;
D. Os riscos raros e severos devem ser cuidadosamente considerados pelos
gestores. Nesses casos, podem ser necessários controles custosos, que não
são economicamente justificados (ex: relativos à continuidade de negócios);
E. As opções para tratamento não são mutuamente exclusivas. Uma combinação
de opções pode ser praticável; f. alguns tratamentos reduzem mais de um risco
(ex: treinamentos).

A decisão que o gestor tomou na avaliação de risco, no tratamento, sem dúvida,


se torna a hora de agir. Este processo utilizado para modificar os riscos, considera
probabilidades, consequências, que são ligados com estratégias.

17
4 CLASSE DE RISCOS

Não há um tipo de classificação de riscos que seja consensual, exaustivo e


aplicável a todas as organizações; a classificação deve ser desenvolvida de acordo
com as características de cada organização, contemplando as particularidades da sua
indústria, mercado e setor de atuação. (BRASILIANO, 2012, p. 59).

4.1 Risco estratégico

Risco estratégico é o risco que afeta a estratégia empresariais ou objetivos


estratégicos da organização. Esses riscos podem ser caracterizados como incertezas
ou oportunidades sendo para a alta gestão uma de suas principais preocupações no
âmbito de mercado.
Na visão de Marshall (2002, p. 436), o risco estratégico consiste no “risco de
implementar uma estratégia malsucedida ou ineficaz que fracasse em alcançar os
retornos pretendidos”. Além disso, Marshall (2002, p. 20) afirma que “a gestão do risco
estratégico é inerentemente mais aberta e se baseia nas ferramentas e estruturas
utilizadas por planejadores estratégicos”.

4.2 Risco operacional

O risco operacional pode ser definido como o risco de perda devido a


processos internos falhos, pessoas e sistemas insuficientes ou defeituosos, ou
eventos do ambiente externos.
De acordo, Crouhy, Galai e Mark, o risco operacional “se refere às perdas
potenciais resultantes de sistemas inadequados, falhas de gestão, controles viciosos,
fraude e erro humano” (CROUHY, GALAI e MARK, 2008, p. 26).

4.3 Risco de Governança Corporativa

Quando qualquer um dos pilares da organização tem um problema, isso


significa que a governança corporativa está sobe ameaça. Imagine que falta alguma
informação importante no momento da prestação de contas, divulgação de
informações incoerentes em torno do desempenho econômico-financeiro da empresa.

18
Essas situações citadas acima podem ser caracterizadas como risco de governança
corporativa, onde a organização está sujeita a perda de mercado e possível falência.
“Governança Corporativa é o sistema pelo qual as organizações são dirigidas,
monitoradas e incentivadas, envolvendo os relacionamentos entre proprietários,
Conselho de Administração, Diretoria e órgãos de controle” (IBGC, 2009, p. 19).
Portanto, é correto afirmar as melhores práticas de governança “convertem princípios
em recomendações objetivas, alinhando interesses com a finalidade de preservar e
otimizar o valor da organização, facilitando seu acesso a recursos e contribuindo para
sua longevidade” (IBGC, 2009, p. 19).

4.4 Risco de Mercado

O risco de mercado é definido como a possibilidade de resultados negativos


devido a alterações nos preços ou parâmetros de mercado. São os preços das ações,
curva de taxas de juros, taxa de câmbio, volatilidade e correlação. O risco de mercado
reflete a maior parte do investimento, e para os investidores, é o mais perceptível.
De acordo com Assi (2012, p. 44) o risco de mercado é “uma medida numérica
da incerteza relacionada aos retornos esperados de um investimento, em decorrência
de variações em fatores como taxa de juros, taxa de câmbio, preços de ações e
commodities”.
Gastineau e Kritzman (1999, p. 259) define o risco de mercado da seguinte
forma:

“Exposição a uma variação desfavorável de custos ou retornos, resultante


de mudança nos preços ou taxas de mercado”.

4.5 Risco de Imagem

Considera-se risco de imagem a possibilidade de uma empresa sofrer perdas


financeiras devido a algumas práticas internas, eventos de risco e fatores externos
que impactam negativamente a imagem no mercado.
O risco da imagem indica a possibilidade de perda financeira devido ao declínio
da reputação de uma organização nas agências reguladoras ou no mercado. O risco
de imagem se relaciona com as “perdas decorrentes do impacto negativo na marca

19
da organização, por falha de controle interno, de procedimentos, de atendimento e de
qualidade” (ASSI, 2012, p. 42).

4.6 Risco de Estratégia de Mercado

A estratégia de mercado possui relação com o mercado competitivo em que a


organização atua, possuindo a responsabilidade de entender o ambiente e apontar a
melhor linha de atuação nas diversas situações organizacionais. Segundo o Manual
de Supervisão do Banco Central do Brasil (2009, p. 37), o risco de estratégia de
mercado possui relação com, “auferir perdas de receitas ou deterioração do capital,
decorrentes de decisões empresariais adversas, implantação inadequada de decisões
ou falta de reação a mudanças no ambiente empresarial”.
De acordo com Crouhy, Galai e Mark, os riscos de estratégia de mercado ou
de modelo de negócios referem-se “aos clássicos riscos do mundo dos negócios, tais
como incerteza sobre a demanda por produtos, o preço que pode ser cobrado por
esses produtos ou o custo de produzir e fornecer produtos” (CROUHY, GALAI e
MARK, 2008, p. 27).

4.7 Risco de Crédito

Refere-se à perda causada pelo mutuário ou falha da contraparte em cumprir


suas respectivas obrigações financeiras de acordo com os termos acordados, a
desvalorização do contrato de crédito devido à deterioração da categoria de risco do
mutuário e a redução da receita.
De modo geral, o risco de crédito deveria ser definido como perdas potenciais
em valores marcados a mercado, que seriam incorridos caso houvesse um evento de
crédito. Esse evento ocorre quando há mudança na capacidade da contraparte de
honrar suas obrigações (JORION, 2003, p. 15).

4.8 Risco financeiro

Qualquer risco relacionado ao financiamento, especialmente nas operações de


empréstimos financeiros onde existe o risco de inadimplência. Também representa
perdas financeiras potenciais e incerteza do negócio.

20
Cada organização enfrenta certos tipos de riscos financeiros. Estes estão
relacionados às operações financeiras da organização e, além das questões de
gestão do fluxo de caixa, envolvem retornos e negociações de investimentos abaixo
do esperado.

4.9 Risco de Evento Externo

São riscos causados por fatores fora do escopo da organização, como


mudanças inesperadas nas condições de tráfego nas proximidades, mudanças nas
propriedades meteorológicas e outras possibilidades que podem afetar o andamento
do planejamento.
Entre os maiores riscos de eventos externos, está o risco de desastres. Assi,
2012, ainda diz que o risco de evento externo inclui, “perdas por desastres naturais,
que possam dificultar as operações diárias, ou destruição por desastres como
incêndios, colisões, explosões, terremotos, tsunamis, furacões etc.” (ASSI, 2012, p.
42).

4.10 Risco de Liquidez

Definida pela possibilidade de perda de capital e pela impossibilidade de


liquidar um ativo em um prazo razoável sem perda de valor. A razão para esse risco
é que é difícil encontrar compradores potenciais de ativos em tempo hábil sem dar
grandes abatimentos no valor.
Jorion (1998, p. 15), define que “podem ser divididos em risco de liquidez de
mercado/produto e risco de liquidez de fluxo de caixa/obtenção de recursos”.

5 NORMAS REGULAMENTADORAS – SEGURANÇA E SAÚDE DO


TRABALHO

As normas regulamentares relativas à segurança e medicina do trabalho – NR,


são aplicadas por empresas privadas e abertas, órgãos públicos dos departamentos
da administração direta e indireta, e autoridades legislativas e judiciais, cujos
empregados estão vinculados a Consolidação das Leis do Trabalho - CLT.

21
O não cumprimento das leis e regulamentos relevantes sobre segurança e
medicina ocupacional resultará na adoção de penalidades pelos empregadores
prescritas pelas leis pertinentes. É errado que os funcionários se recusem
injustificadamente a desempenhar suas funções com segurança no trabalho. Os
padrões regulatórios atuais são os seguintes:
As Normas Regulamentadoras vigentes estão listadas abaixo:

 NR 01 - Disposições Gerais
 NR 02 - Inspeção Prévia
 NR 03 - Embargo ou Interdição
 NR 04 - Serviços Especializados em Eng. de Segurança e em Medicina
do Trabalho
 NR 05 - Comissão Interna de Prevenção de Acidentes
 NR 06 - Equipamentos de Proteção Individual - EPI
 NR 07 - Programas de Controle Médico de Saúde Ocupacional
 NR 08 - Edificações
 NR 09 - Programas de Prevenção de Riscos Ambientais
 NR 10 - Segurança em Instalações e Serviços em Eletricidade
 NR 11 - Transporte, Movimentação, Armazenagem e Manuseio de
Materiais
 NR 12 - Máquinas e Equipamentos
 NR 13 - Caldeiras, Vasos de Pressão e Tabulações e Tanques Metálicos
de Armazenamento
 NR 14 - Fornos
 NR 15 - Atividades e Operações Insalubres
 NR 16 - Atividades e Operações Perigosas
 NR 17 - Ergonomia
 NR 18 - Condições e Meio Ambiente de Trabalho na Indústria da
Construção
 NR 19 - Explosivos
 NR 20 - Segurança e Saúde no Trabalho com Inflamáveis e
Combustíveis
 NR 21 - Trabalhos a Céu Aberto

22
 NR 22 - Segurança e Saúde Ocupacional na Mineração
 NR 23 - Proteção Contra Incêndios
 NR 24 - Condições Sanitárias e de Conforto nos Locais de Trabalho
 NR 25 - Resíduos Industriais
 NR 26 - Sinalização de Segurança
 NR 27 - Registro Profissional do Técnico de Segurança do Trabalho no
MTB (Revogada pela Portaria GM n.º 262/2008)
 NR 28 - Fiscalização e Penalidades
 NR 29 - Segurança e Saúde no Trabalho Portuário
 NR 30 - Segurança e Saúde no Trabalho Aquaviário.
 NR 31 - Segurança e Saúde no Trabalho na Agricultura, Pecuária
Silvicultura, Exploração Florestal e Aquicultura
 NR 32 - Segurança e Saúde no Trabalho em Estabelecimentos de
Saúde
 NR 33 - Segurança e Saúde no Trabalho em Espaços Confinados
 NR 34 - Condições e Meio Ambiente de Trabalho na Indústria da
Construção, Reparação e Desmonte Naval
 NR 35 - Trabalho em Altura
 NR 36 - Segurança e Saúde no Trabalho em Empresas de Abate e
Processamento de Carnes e Derivados
 NR 37 - Segurança e Saúde em Plataformas de Petróleo
 NRR 1 - Disposições Gerais (Revogada pela Portaria MTE 191/2008)
 NRR 2 - Serviço Especializado em Prevenção de Acidentes do Trabalho
Rural (Revogada pela Portaria MTE 191/2008)
 NRR 3 - Comissão Interna De Prevenção De Acidentes Do Trabalho
Rural (Revogada pela Portaria MTE 191/2008)
 NRR 4 - Equipamento De Proteção Individual - EPI(Revogada
pela Portaria MTE 191/2008)
 NRR 5 - Produtos Químicos (Revogada pela Portaria MTE 191/2008).

Observação: vale a pena uma leitura completa da portaria nº 3.214, de 08 de junho de


1978 dou de 06/07/78, referente as normas regulamentadoras - segurança e saúde
do trabalho.

23
1.1 Conceitos, métodos e técnicas utilizados em ergonomia

O conceito mais atual da ergonomia envolve a adaptação da máquina ao


homem, em um sistema de interação entre as partes. Contudo, essa preocupação vai
além da eficácia produtiva, uma vez que abrange todo o processo, desde o projeto do
produto até a verificação de formas de trabalho existentes, não considerando a
produção máxima que o trabalhador pode executar sem compreender as
consequências do impacto disso em sua saúde (WEBER, 2018).
A ergonomia engloba técnicas e métodos científicos na análise do trabalho
humano, podendo ser classificada de três formas quanto a sua contribuição (WEBER,
2018):

 Ergonomia de concepção: quando ocorre na fase de projeto de


produtos, da máquina ou do ambiente.
 Ergonomia de correção: aplicada em situações reais existentes, como
problemas de fadiga e doenças ocupacionais.
 Ergonomia de conscientização: ocorre quando os problemas não são
resolvidos nas fases de concepção e correção, tornando-se necessário conscientizar
o operador a trabalhar de forma segura e fornecer treinamentos para a execução das
atividades.

Quanto aos seus domínios de especialização, a ergonomia divide-se


conforme a ocasião em que e efetuada (SOUZA et al.,2019):

 Ergonomia física: relacionada a anatomia humana, antropometria,


fisiologia e biomecânica.
 Ergonomia cognitiva: relacionada aos processos mentais, como
percepção, memoria e raciocínio.
 Ergonomia organizacional: relacionada as otimizações de sistemas
sócio técnicos

24
A importância dessas formas de ergonomia consiste em suas aplicações,
conforme o seu objetivo nos diferentes ambientes laborais. A análise ergonômica do
trabalho (AET), desenvolvida por franceses, e um exemplo de ergonomia de correção,
pois visa a aplicar os conhecimentos da ergonomia para analisar, diagnosticar e
corrigir uma situação real do trabalho (IIDA, 2005).
A elaboração de uma AET e um passo importante para se alcançar essa
adaptação da máquina ao homem, pois ela funciona como um mecanismo de auxílio
para a compreensão dos problemas existentes no processo produtivo (CORREA;
BOLETTI, 2015).
Por meio do conhecimento prévio da demanda, da tarefa ou da atividade, e
possível aumentar a qualidade de vida do trabalhador em seus aspectos físicos,
sensoriais, cognitivos, sociais e organizacionais (WEBER, 2018).
O fisioterapeuta do trabalho e um dos profissionais habilitados para a
elaboração da AET, pois tem conhecimento técnico-cientifico sobre a anatomia
fisiologia humana e a biomecânica corporal, itens importantes na avaliação e em todo
o processo que resulta na AET (CONSELHO FEDERAL DE FISIOTERAPIA E
TERAPIA OCUPACIONAL [Coffito], 2016).
Outros profissionais com conhecimento em anatomia, fisiologia, biomecânica
corporal, organização do trabalho e com curso de pós-graduação lato sensu de, no
mínimo, 360 horas em ergonomia em instituição pública ou privada credenciada pelo
Ministério da Educação também podem elaborar e assinar uma AET (BRASIL, 2016).
A Norma Regulamentadora de Ergonomia 17 (NR 17), publicada pelo
Ministério do Trabalho e Emprego (atual Secretaria de Trabalho), estabelece os
parâmetros ergonômicos norteadores que permitem a avaliação da adaptação das
condições de trabalho as características psicofisiologicas dos trabalhadores.
(CORREA; BOLETTI, 2015).
O objetivo dessas alterações e fornecer o máximo de conforto, segurança e
desempenho eficiente ao trabalhador, e isso deve ser a base da AET, pois é uma
forma de avaliar a adaptação das condições de trabalho as características
psicofisiologicas do trabalhador (BRASIL, 1990).
Por esse motivo, são avaliados o levantamento, o transporte e a descarga
individual de materiais, bem como os equipamentos, o mobiliário, as condições

25
ambientais e a organização do trabalho. Entre as premissas da AET, destacam-se a
compreensão da situação do trabalho e suas implicações, a elaboração de um
diagnóstico para investigar as situações mais preocupantes, a emissão de pareceres
e a busca por soluções para melhorias (CORREA; BOLETTI, 2015).
Além disso, essa e uma importante ferramenta utilizada para a gestão da
saúde e segurança ocupacional. Cabe ao empregador realizar as analises
ergonômicas por meio de um profissional da ergonomia, tornando-se importante que
ele entenda as três etapas da AET. (CORREA; BOLETTI, 2015).
A elaboração de um relatório de AET engloba uma extensa teoria, bem como
o conhecimento das ferramentas ergonômicas que são recursos auxiliares nas
avaliações posturais, as quais se diferenciam pelos fatores analisados e os dados de
entrada (SOUZA et al., 2019). Essas ferramentas fornecem recursos de cálculo para
estabelecer o limite de peso recomendável em determinadas atividades de trabalho e
consistem em registros importantes de análises sobre queixas álgicas e de agravos à
saúde. Além disso, elas reúnem informações sobre satisfação no ambiente de
trabalho e são ótimos fundamentos para propostas futuras relacionadas com a
atuação empresarial, como nos casos de expansão empresarial, além de serem um
ótimo indicativo de saúde e segurança ocupacional. Dessa forma, o melhor método a
ser utilizado é aquele que se enquadra à necessidade da sua avaliação (SOUZA et
al., 2019).
Método OWAS
O método OWAS é utilizado na análise das posturas das costas, dos braços,
das pernas e do esforço do trabalhador (Figura 6), fornecendo uma categoria de ação
em que se pode analisar a frequência e o tempo em que o trabalhador fica em cada
postura em sua tarefa. Assim, é possível avaliar cada postura, fornecendo pontos,
bem como o nível de esforço avaliado por carga. A porcentagem de tempo em
determinada postura apresenta categorias de ação, mensurando também a força
empregada e as propostas de categorias de ação conforme a pontuação. De acordo
com Souza et al. (2019), existem quatro classes de posturas, conforme descrito a
seguir.

1. Postura normal: sem necessidade de medida corretiva.

26
2. Postura levemente prejudicial: pode ser necessária uma medida

corretiva.
3. Postura prejudicial: é necessário corrigir a postura o mais rápido
possível.
4. Postura extremamente prejudicial: são necessárias medidas
imediatas de correção.

27
Método RULA
O método RULA é uma adaptação do OWAS, utilizando esquemas de postura
do corpo com tabelas de risco de exposição a fatores de cargas externos. Assim, a
demonstração do risco de desenvolver doenças ocupacionais é mais simples. Esse
método é muito utilizado para a análise das sobrecargas concentradas no pescoço e
nos membros inferiores durante execução das atividades laborais (SOUZA et al.,
2019).
Para o método RULA, o corpo é dividido em duas partes: A e B, que são os
membros superiores e os inferiores (pescoço, tronco, pernas e pés). A análise é feita
de acordo com as angulações do corpo e dos membros, com pontuação de 1 a 7,
sendo 1 o menor risco e 7 o maior risco de lesão.

Método NIOSH
O NIOSH é um órgão do governo norte-americano que desenvolveu uma
equação que permite calcular o limite de peso recomendável, levando-se em
consideração fatores como a manipulação assimétrica de cargas, a duração da tarefa,
a frequência dos levantamentos e a qualidade da pega. Essa equação considera os
critérios a seguir para estabelecer os limites de carga, de acordo com o Manual de
aplicação da Norma Regulamentadora nº 17 (BRASIL, 2002).

28
 Biomecânico: limita o estresse na região lombossacral.
 Fisiológico: limita o estresse metabólico e a fadiga associada a tarefas
repetitivas.
 Psicofísico: limita a carga conforme a percepção da capacidade do
trabalhador.

O NIOSH é uma ótima ferramenta para estimar os limites de carga, o que é


essencial em empresas cujos serviços envolvem a descarga de materiais. No entanto,
essa ferramenta não é aplicável às tarefas em que a frequência de levantamento é
elevada (mais de seis levantamentos por minuto). Além disso, deve-se estar atento
ao termo localização-padrão de levantamento que é empregado na definição dos
fatores da equação, sendo uma referência no espaço tridimensional para avaliar a
postura de levantamento. (BRASIL, 2002).

29
1.2 Introdução à análise ergonômica da atividade com enfoque nos aspectos
materiais, fisiológicos, psicológicos e organizacionais

Conforme a NR 17, para avaliar a adaptação das condições de trabalho às


características psicofisiológicas dos trabalhadores, cabe ao empregador realizar a
análise ergonômica do trabalho, devendo a mesma abordar, no mínimo, as condições
de trabalho (BRASIL, ABNT, 1990).
As condições de trabalho incluem aspectos relacionados ao levantamento,
transporte e descarga de materiais, ao mobiliário, aos equipamentos, às condições
ambientais do posto de trabalho e à própria organização do trabalho. A AET visa
aplicar os conhecimentos da ergonomia para analisar, diagnosticar e corrigir uma
situação real de trabalho. O método desdobra-se em 5 etapas (IIDA, 2005):

a. Análise da demanda: consiste na descrição de um problema ou situação


problemática, que justifica a necessidade de uma ação ergonômica. Pode ser
solicitado pela direção da empresa; pelos trabalhadores e suas organizações
sindicais;
b. Análise da tarefa: trata-se de um conjunto de objetivos prescritos, que os
trabalhadores devem cumprir. A AET analisa a discrepância entre a tarefa que é
prescrita (descrição de cargos) e a que é executada;
c. Análise da atividade: refere-se ao comportamento do trabalhador na
realização de uma tarefa. A atividade é influenciada por fatores internos e externos.
Os fatores internos estão relacionados ao próprio trabalhador, caracterizado pelas
suas experiências, idade, sexo, motivação, sono e fadiga. Já os fatores externos
referemse às condições em que a atividade é executada: i) conteúdo do trabalho
(objetivos, regras e normas); ii) organização do trabalho (constituição de equipes,
horários, turnos); iii) meios técnicos (máquinas, equipamentos, posto de trabalho,
iluminação, ambiente térmico);
d. Diagnóstico: o diagnóstico procura descobrir as causas que provocaram
o problema descrito na demanda. Podendo ser vários fatores: absenteísmo (faltas ou
atrasos); rotatividade (pode ser devido ao treinamento insuficiente ou elevada carga
de estresse no ambiente); acidentes (pode ocorrer por falta de manutenção nas
máquinas, sinalização mal interpretada, pisos molhados, entre outros); baixa

30
qualidade: pode ser por consequências de erros de dimensionamento do posto de
trabalho, ou pela sequência inadequada de tarefas;
e. Recomendações ergonômicas: as recomendações ergonômicas
referem-se as providências que deverão ser tomadas para resolver o problema
diagnosticado. Devem-se prescrever todas as etapas necessárias para resolver o
problema. Estas podem vir acompanhadas de figuras com detalhamento das
modificações a serem feitas em máquinas ou postos de trabalho, e indicar as
respectivas responsabilidades (pessoa e seção do departamento encarregado, com
indicação do respectivo prazo).

A Ergonomia apresenta-se sobre diversos tipos, dentre eles encontra-se a


Ergonomia de campo que, constitui na pesquisa realizada a partir de uma situação
real, ou seja, é o estudo do homem no trabalho e em quais condições ele o realiza.
Para isto, pode-se utilizar como parâmetro de avaliação dos riscos prospectivos, a
análise ergonômica do trabalho (AET), que estuda cada posto pertencente a um
sistema de produção, analisando todos os pontos desfavoráveis ao desenvolvimento
da atividade, agrega as diferentes partes num todo para, posteriormente, fazer uma
recomposição da situação de trabalho. Contudo, sua aplicação pode ser realizada nos
mais diversos setores da atividade humana como na indústria, na agricultura e
mineração, nos setores de serviço e nas atividades domésticas ou atividades de vida
diária. (BRASIL, 2002).
Neste aspecto, SANTOS (1997), relata a existência de diferentes técnicas que
podem ser empregadas para uma intervenção ergonômica, quais sejam, observação
direta, observação clínica, registro de diversas variáveis fisiológicas do indivíduo,
medidas do ambiente físico (ruído, iluminação, vibração, poeira, temperatura, gases).
Para FREITAS (2000), a preocupação com o homem, seu trabalho e o
ambiente no qual este é desenvolvido, tem despontado em diversos segmentos
produtivos como fator relevante nos programas de aumento da produtividade, nos
projetos de implantação da qualidade total, na busca de maior segurança no trabalho
e no aumento da qualidade de vida, tanto profissional como pessoal do trabalhador.
Devido a esta realidade, POZZOBON et al (2001), apontam para a
necessidade de assegurar um ambiente de trabalho ergonomicamente correto e
adequado à biomecânica corporal e a uma conscientização de hábitos posturais que

31
levem a adequada realização das tarefas laborativas, evitando dores e possíveis
desenvolvimento de doenças.
Com a industrialização acelerada em todos os países do mundo, somada às
necessidades econômicas imediatas, são geradas agressões constantes ao homem
e ao meio ambiente, que para VIEIRA (2000), deixa os trabalhadores à mercê da sorte
no que se refere à segurança e à saúde ocupacional. Para o autor, a ocorrência de tal
fato se dá não somente pela inexistência de legislação, mas principalmente pela falta
de conscientização da responsabilidade que engloba tanto os trabalhadores, como
empresários e profissionais da área no aspecto da prevenção, dos acidentes de
trabalho e das doenças ocupacionais.
De acordo com COUTO (1998), a ergonomia apresenta cinco áreas aplicadas
ao trabalho:

 Ergonomia na organização do trabalho pesado: visa adequar as


atividades com alto despêndio energético para que os trabalhadores não atinjam a
fadiga, que nesta situação se apresenta como um acúmulo de ácido láctico no sangue.
Nesta área, estuda-se os ambientes de trabalho à temperaturas extremas;
 Biomecânica aplicada ao trabalho: a biomecânica trata do estudo dos
movimentos humanos sob o ponto de vista da mecânica. Nesta área estuda-se as
diversas posturas de trabalho, a coluna vertebral, os membros superiores, com o
intuito de entender os mecanismos de formação da fadiga, lombalgias, lesões por
trauma cumulativo, entre outras. Também se observa o que acontece com o
trabalhador que cumpre sua jornada de trabalho na posição sentada;
 Adequação ergonômica geral do posto de trabalho: utilizando os
conceitos e tabulações principalmente da antropometria, as medidas humanas e as
posições de desconforto e conforto são levadas em consideração para o planejamento
de postos de trabalho adequados. Estas observações são válidas para o planejamento
das diversas situações de trabalho (leve ou pesado, sentado ou em pé). A ergonomia
tenta planejar o posto de trabalho para que atenda 90% da população trabalhadora,
sendo assim, é necessário o conhecimento do padrão antropométrico desta
população;

32
 Prevenção da fadiga no trabalho: a ergonomia procura identificar os
fatores que predispõem à fadiga, tanto física quanto psíquica, objetivando propor
soluções capazes de diminuir esta sobrecarga;
 Prevenção do erro humano: adequa os postos de trabalho de tal forma
que diminua o risco de erro humano. Sabe-se que nem todo o erro acontece por
condições ergonômicas desfavoráveis, mas em muitos casos estas condições podem
desencadear tal erro.

1.3 Abordagem do funcionamento do ser humano em situação real de


trabalho

Os riscos ergonômicos são responsáveis por grande parte das queixas, dores,
distúrbios e doenças osteomusculares relacionadas às atividades laborais. Esses
riscos são referentes à ergonomia física, sendo eles: posturas inadequadas,
levantamento manual de carga, repetitividade, esforço físico e condições ambientais
(ruído, iluminação e temperatura). (WEBER, 2018).
Em seu cotidiano, o profissional de ergonomia se depara com situações em
que, após o mapeamento de um ambiente de trabalho, percebe que, em algumas
atividades laborais, ocorre a associação de dois ou mais riscos ergonômicos. Isso
pode ser fundamental para o aumento de dores e de lesões osteomusculares,
promovendo um crescimento do índice de absenteísmo na empresa e,
consequentemente, a redução da produtividade e o crescimento do custo com
afastamento relacionado a acidentes de trabalho.
Para Weber (2018, p. 114):

[…] os fatores ergonômicos propriamente ditos muitas vezes encontram-se


nas situações comuns do ambiente de trabalho, o que pode ocasionar a falsa
impressão de normalidade quando, na verdade, eles apresentam riscos.
Nesse sentido, a repetitividade excessiva das tarefas, por exemplo, pode
provocar fadiga e desgaste. Fisicamente, pode motivar o surgimento de
lesões, como tendinite e lombalgia. A postura inadequada dos colaboradores
é outro problema comum nos locais de trabalho e origina lesões. Logo, a
combinação entre a repetitividade de uma tarefa e a postura inadequada é
ainda mais prejudicial para o trabalhador, pois associa duas variáveis
negativas, responsáveis por problema físicos, na mesma atividade.

33
Transporte manual de cargas
Atualmente, na grande maioria das atividades dos setores operacionais,
ocorre algum tipo de transporte manual de cargas, sendo este um dos riscos
ergonômicos mais comuns de se identificar no ambiente de trabalho. O transporte
manual de cargas refere-se à quando um trabalhador, de forma individual ou em dupla,
realiza o levantamento, a sustentação, o transporte ou o deslocamento (puxar ou
empurrar) de cargas de qualquer peso. (WEBER, 2018).
Pode-se identificar facilmente os principais erros durante a execução da
atividade de levantamento manual de carga. De forma descritiva, a grande maioria
dos trabalhadores executa essa atividade realizando uma flexão da coluna vertebral
e mantendo os joelhos estendidos. Como essa atividade é repetida várias vezes
durante o dia com essa postura errada, com o decorrer do tempo, ocorrerá fadiga na
musculatura da coluna lombar, sendo essa patologia uma das mais decorrentes nos
casos de afastamento do trabalho. (WEBER, 2018).
Segundo Iida (2005), o número de lesões e traumas musculares relacionados
à atividade de transporte manual de cargas é de 60% do total, sendo, ainda, 20% da
atividade de puxar e empurrar. Kroemer e Grandjean (2005, p. 103) reforçam o alto
índice de distúrbios relacionados ao transporte manual de cargas:

[…] O British Health and Safety Executive (Health and Safety Executive,
1992) informou que no Reino Unido mais de um quarto dos distúrbios
registrados na indústria, entre 1990 e 1991, estavam associados com o
manuseio de cargas — o transporte ou manutenção de cargas pela força
manual ou corporal. Destes distúrbios, 45% ocorreram nas costas, 22 nas
mãos e 13 nos braços. Dados similares são reportados nos Estados Unidos
(Marras et al., 1995). De acordo com Krämer (1973), na Alemanha, os
problemas discais são a causa de 20% de absenteísmo e 50% de
aposentadorias prematuras. Os problemas de coluna estão entre as causas
mais comuns de distúrbios e invalidez em muitas populações industriais.

Para fins de mapeamento ergonômico, lembre-se de que a análise do risco


de levantamento de carga é feita de forma qualitativa (identificação da existência do
risco), não sendo necessário o uso de ferramentas ergonômicas para mensurar
quantitativamente o risco de lombalgia durante a atividade de levantamento de cargas.
(WEBER, 2018).

34
Condições ambientais
A Norma Regulamentadora do Trabalho 17 (NR-17), em seu item 17.5, cita as
normativas que se deve seguir quanto aos riscos ergonômicos causados pelas
condições ambientais. A NR descreve como riscos ambientais: ruído, temperatura,
iluminação, velocidade e umidade relativa do ar. (BRASIL, 2017).
É importante ressaltar que o mapeamento ergonômico é uma “apreciação”
dos riscos existentes no ambiente de trabalho, sendo assim, é uma análise qualitativa,
ou seja, o profissional realizará uma investigação do ambiente, dos mobiliários e das
atividades executadas pelo trabalhador. (BRASIL, 2017).
Dessa forma, quando se trata da análise qualitativa de riscos ambientais,
deve-se atentar para três riscos visíveis durante a apreciação ergonômica, são eles:
ruído, temperatura e iluminação. Contudo, todos os riscos ambientais deverão ser
mensurados em uma etapa futura (durante a elaboração da análise ergonômica do
trabalho). (BRASIL, 2017).
O ruído é o primeiro risco que deve ser observado em um mapeamento
ergonômico. Ao investigar a atividade laboral e seu ambiente, o profissional deve se
atentar a ruídos externos e a ruídos provocados por ferramentas de impacto ou
maquinários. (BRASIL, 2017).
A temperatura, por sua vez, deve ser classificada na análise qualitativa de
forma bem simples: local com temperatura ambiente (sem influência de ar-
condicionado e ventiladores) ou local com temperatura controlada (ambiente fechado
com uso de ar-condicionado). É importante destacar que as mensurações
quantitativas desses riscos serão realizadas na análise ergonômica do trabalho.
(BRASIL, 2017).
Quanto à iluminação, deve-se observar os tipos de iluminação existentes no
posto de trabalho, sendo eles: natural (ambiente aberto ou semifechado que tenha
como iluminação somente a luz solar), artificial (ambiente fechado com luz gerada por
lâmpadas) ou uma associação entre eles. Além disso, deve-se ficar atento quanto ao
ofuscamento da luz natural ou da luz artificial nas telas e nos monitores dos postos
informatizados. (BRASIL, 2017).
Durante o mapeamento ou análise ergonômica, o profissional deve embasar
os seus resultados na NR-17 de ergonomia, que rege a legislação a respeito desse

35
assunto. Assim, ele deve ter total conhecimento dos itens existentes, sendo o
levantamento de cargas um item citado em especial. (BRASIL, 2017).
Confira, a seguir, os itens da NR-17 referentes ao levantamento e ao
transporte manual de cargas (BRASIL, 1978).
17.2 Levantamento, transporte e descarga individual de materiais.
17.2.1. Para efeito desta Norma Regulamentadora:
17.2.1.1 Transporte manual de cargas designa todo transporte no qual o peso
da carga é suportado inteiramente por um só trabalhador, compreendendo o
levantamento e a deposição da carga.
17.2.1.2 Transporte manual regular de cargas designa toda atividade
realizada de
Maneira contínua ou que inclua, mesmo que de forma descontínua, o
transporte manual de cargas.
17.2.1.3 Trabalhador jovem designa todo trabalhador com idade inferior a
dezoito anos e maior de quatorze anos.
17.2.2. Não deverá ser exigido nem admitido o transporte manual de cargas
por um trabalhador cujo peso seja suscetível de comprometer sua saúde ou sua
segurança.
17.2.3. Todo trabalhador designado para o transporte manual regular de
cargas, que não as leves, deve receber treinamento ou instruções satisfatórias quanto
aos métodos de trabalho que deverá utilizar, com vistas a salvaguardar sua saúde e
prevenir acidentes.
17.2.4. Com vistas a limitar ou facilitar o transporte manual de cargas, deverão
ser usados meios técnicos apropriados.
17.2.5. Quando mulheres e trabalhadores jovens forem designados para o
transporte manual de cargas, o peso máximo destas cargas deverá ser nitidamente
inferior àquele admitido para os homens, para não comprometer a sua saúde ou a sua
segurança.
17.2.6 O transporte e a descarga de materiais feitos por impulsão ou tração
de vagonetes sobre trilhos, carros de mão ou qualquer outro aparelho mecânico
deverão ser executados de forma que o esforço físico realizado pelo trabalhador seja

36
compatível com sua capacidade de força e não comprometa a sua saúde ou a sua
segurança.
17.2.7 O trabalho de levantamento de material feito com equipamento
mecânico de ação manual deverá ser executado de forma que o esforço físico
realizado pelo trabalhador seja compatível com sua capacidade de força e não
comprometa a sua saúde ou a sua segurança.

Posturas no trabalho
As posturas no ambiente de trabalho podem variar durante a jornada laboral.
Na maioria das situações, elas são determinadas pelo ambiente ou pela atividade que
está sendo executada pelo trabalhador. Por esse motivo, deve-se atentar para a
importância da ação da ergonomia nas empresas, a fim de corrigir as inadequações
físicas do ambiente, reduzir os riscos posturais e promover a qualidade de vida do
trabalhador. (BRASIL, 2017).
É considerada uma boa postura no ambiente de trabalho quando o sistema
musculoesquelético do trabalhador se encontra fisiologicamente adequado e
equilibrado enquanto este realiza as atividades laborais. Segundo o Comitê sobre
Postura, da Academia Americana de Cirurgiões Ortopédicos, referida por Hall e Brody
(2001, p. 130):

[…] A postura é o arranjo relativo das partes do corpo. Boa postura é o estado
de equilíbrio muscular e esquelético que protege as estruturas de sustentação
do corpo contra as lesões ou as deformidades progressivas,
independentemente da atitude (p. ex., ereta, deitada, agachada, inclinada) na
qual essas estruturas estão trabalhando ou repousando. Nessas condições,
os músculos funcionam mais eficientemente e as posições ótimas são
proporcionadas para os órgãos torácicos e abdominais.

Assim, é correto afirmar que o principal e mais comum risco ergonômico


encontrado em todos os ambientes e setores do trabalho é a postura inadequada ou
incorreta. (BRASIL, 2017).
A postura inadequada tem como principal causa dois fatores, listados a seguir,
que podem ser observados em um mapeamento ergonômico. (BRASIL, 2017).

 Ambiente de trabalho lesivo: quando um ambiente de trabalho


apresenta uma ou mais inadequações físicas (de mobiliários, maquinários ou
ferramentas) que exigem do trabalhador posturas e movimentos que causam

37
sobrecarga no sistema musculoesquelético e, consequentemente, o aumento do risco
de dores e distúrbios relacionados ao trabalho. (BRASIL, 2017).
 Ausência de conscientização ergonômica: quando o ambiente ou
posto de trabalho se encontra adequado ergonomicamente, porém, devido à falta de
conhecimento (treinamentos) dos conceitos de ergonomia, o trabalhador assume
vícios posturais inadequados. (BRASIL, 2017).

Desse modo, fica evidente a importância da identificação desse risco


ergonômico e a implantação de ações que possam reduzi-lo, promovendo a melhoria
da qualidade de vida do trabalhador e o aumento da produtividade. (BRASIL, 2017).

Movimentos repetitivos

Antigamente, era comum encontrar, em diversas literaturas, a nomenclatura


lesão por esforço repetitivo (LER). Contudo, o uso demasiado dessa nomenclatura,
associado a repetitividade a todas as queixas de dores e distúrbios osteomusculares,
mostrou-se um erro, pois, em muitas ocasiões após a análise quantitativa da
repetitividade com o uso de metodologias específicas, ficou evidenciado que o risco
encontrado era de grau ausente ou baixo, o que não seria a causa primária de tais
distúrbios musculoesqueléticos. (BRASIL, 2017).
Atualmente, encontra-se com mais frequência nas literaturas a nomenclatura
doenças osteomusculares relacionadas ao trabalho (DORT), que permite a
associação de causas posturais, repetitivas e traumas em doenças e distúrbios
relacionados às atividades laborais. (BRASIL, 2017).
É importante enfatizar que os movimentos repetitivos fazem parte de nossas
vidas, como, por exemplo, o ato de caminhar. Muitas vezes, trabalhamos em
atividades que exigem uma deambulação constante, mas nem por isso ocorre o
desenvolvimento de lesões ou doenças relacionadas ao trabalho. O movimento
repetitivo pode ser lesivo, porém sempre estará associado a outros fatores de risco,
como postura, esforço físico e o próprio excesso da repetitividade na execução da
atividade laboral. (BRASIL, 2017).

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Sendo assim, é importante realizar o mapeamento ergonômico para identificar
esse risco, bem como uma análise quantitativa futura, a fim de, por meio de ações
ergonômicas, reduzir o risco de doenças relacionas à repetitividade. (BRASIL, 2017).

2 ANÁLISE ERGONÔMICA DA DEMANDA

Esta etapa compreende a definição do problema a ser analisado, a partir do


envolvimento dos diversos atores sociais. De acordo com Guérin et al. (2001, apud
VILLAS-BÔAS, 2003), a demanda corresponde ao ponto de partida para a ação
ergonômica, através da intervenção sobre diversos profissionais e organizações.
Desta forma, é possível compreender a origem e a dimensão dos problemas
apresentados, delimitando-se a abrangência desta ação.
Uma empresa do ramo de perfumaria e cosméticos localizada na cidade de
Belém, estado do Pará, foi objeto de estudo da análise ergonômica do trabalho no
intuito de averiguar possíveis riscos provenientes da manipulação de materiais
inflamáveis e das condições em que os trabalhadores executam suas atividades. Com
o consentimento da administração da empresa foi permitida a formulação de medidas
de intervenção ergonômica, analisando o setor produtivo, para coletar dados
necessários com a finalidade de melhorar a situação existente e subsidiar o caderno
de encargos do espaço físico da empresa.
Em relação à demanda central da pesquisa, estão os problemas relacionados
à temperatura do ambiente, nível sonoro, presença de vibrações, dimensão do local
de trabalho e condições posturais dos empregados. A possibilidade desses problemas
estarem presentes no local é de grande importância, ao nível das atividades
executadas.
O levantamento das informações necessárias foi feito com base na NR 17 do
Ministério do Trabalho. O prazo de levantamento de dados não foi pré-determinado.
Por conseguinte, as medições realizadas durante o período de trabalho foram
suficientes para adquirir a quantidade de pontos e resultados necessários para a
aplicação da análise e diagnóstico ergonômico. A análise da demanda permitiu a
verificação das condições do ambiente de trabalho, possibilitando uma reformulação

39
no local analisado, ampliando de forma significativa às perspectivas do estudo
realizado.

3 ANÁLISE ERGONÔMICA DA TAREFA

Trata-se daquilo que deve ser realizado pelo colaborador, considerando as


condicionantes tecnológicas, ambientais e organizacionais. De acordo com Santos e
Fialho (1997), a tarefa é um objetivo a ser atingido. Neste sentido, sua análise coincide
com a análise das condições dentro das quais o trabalhador desenvolve suas
atividades de trabalho.
Nos meses de agosto e setembro de 2005 foram realizadas as etapas de coleta
de dados na empresa de perfumaria e cosméticos através de visitas no local. Com
isso, foi possível a realização de técnicas de observação direta, entrevistas dirigidas
e informais com os empregados, além de aplicação de questionários para entender
suas atividades realizadas no local.
Acrescido a isso, foi também necessário o uso de aparelhos específicos para
coletar informações a respeito do ambiente físico, como termômetro, luxímetro e
decibelímetro. Essas técnicas foram aplicadas na área de produção da empresa, que
consiste nos setores de pesagem, mistura, envase, rotulagem e produção de saches.
No setor de pesagem são feitas as medições da quantidade de produtos necessários
para a produção de determinado artigo (água, álcool, essências, etc.).
No setor de mistura é feita, através de maquinário especializado, a mistura dos
componentes dos produtos. No setor de envase, são despejadas as fórmulas nas suas
respectivas embalagens. No setor de rotulagem, o produto final é especificado através
de rótulo de identificação. No setor de produção de saches, são confeccionadas
essências em forma de pó de raízes regionais e embaladas em recipientes plásticos.

4 ANÁLISE DAS CONDIÇÕES FÍSICAS

Para efetuar a análise das condições físicas, foram aplicados questionários


para 84 % dos empregados pertencentes ao setor produtivo. Todos concordaram que
não existiam dificuldades para execução de suas tarefas, pois havia espaço suficiente
no local para a circulação de produtos e dos empregados.

40
O leiaute é disposto em “U”, onde existe apenas uma entrada para os materiais
e uma saída para os mesmos. Esse impasse foi solucionado aplicando horários
específicos para entrada e saída dos materiais. O ambiente interno da área produtiva
apresenta boa higienização, além da ausência de umidade, o que reduz os riscos de
enfermidades respiratórias, entre outras.
Para os materiais foram dispostos locais específicos de armazenagem, onde o
ambiente também se encontra sob condições boas de acondicionamento, sem sofrer
variações provocadas por intempéries externas como iluminação extrema,
temperaturas elevadas, entre outros. Embora haja a manipulação de agentes
químicos de caráter inflamável, não existem registros de acidentes de trabalho
relacionados com manipulação dos componentes.

5 ANÁLISE DAS CONDIÇÕES POSTURAIS DOS TRABALHADORES

Ao ser realizada a entrevista com os funcionários, foi constatado que cerca de


70 % possuem queixas com relação às posturas aplicadas durante a execução de
suas tarefas. No setor de saches, as atividades são realizadas em sua maioria na
posição em pé, sendo que nos outros setores há uma alternância entre posições em
pé e sentadas, o que, segundo Grandjean (1998), é altamente recomendável do ponto
de vista ortopédico e fisiológico, pois a postura prolongada pode provocar riscos sérios
de saúde.
Para a postura sentada, as condições das cadeiras para aplicação das
atividades são inadequadas para os trabalhadores, pois elas não possuem ajuste para
altura e nem todas apresentam encosto para o apoio lombar, o que provoca dores e
desconfortos aos trabalhadores, sendo esse fato constatado em 60 % dos
entrevistados, que afirmam sentir dores na coluna lombar, dorsal e cervical.
Certas dores lombares e dorsais foram também causadas pelo excessivo
carregamento de peso dos recipientes de água usadas na mistura com componentes;
pois não possuem um carrinho de locomoção com rodas para o transporte dessa
carga. Cerca de 30 % dos trabalhadores afirmaram que já tiveram de pedir licença por
causa desse problema.
Todas elas eram mulheres. Segundo Lida (2000), as mulheres apresentam
aproximadamente metade da força dos homens para o levantamento de peso. Todos

41
os entrevistados relataram que seus desconfortos causados pelas más posturas
adotadas no local de trabalho são amenizados com o repouso. Nenhum dos
trabalhadores afirmou praticar a ginástica laboral ou qualquer outro tipo de
alongamento e aquecimento, que é importante para a preparação dos músculos
envolvidos nas atividades exercidas.

6 ANÁLISE DOS ASPECTOS PSICOLÓGICOS DOS TRABALHADORES

Para a realização da coleta de dados para efetuar essa análise foi necessário
além de aplicação da entrevista, a utilização de um checklist, para definir as
características dos esforços de trabalho em cada setor da área produtiva. Os
empregados não encontram dificuldades em executarem suas atividades, e possuem
um bom relacionamento no local de trabalho, apesar da pressão da chefia para o
alcance da meta de produção pela empresa.
Devido ao grau de pequena complexidade e repetitividade das tarefas, o risco
de sensação de monotonia é visível entre os trabalhadores. Aproximadamente 80 %
dos trabalhadores afirmam que suas atividades são completamente monótonas; pois
apresentam pouca exigência de capacidade intelectual. Nos setores de sache,
envase, rotulagem, laboratório, e pesagem existem todos os riscos de monotonia, e
inclusive de fadiga.
A má postura na realização das atividades traz ao trabalhador uma sensação
forte de fadiga muscular, principalmente nas regiões das pernas, ombros e
antebraços. Os entrevistados afirmam que o ambiente com alta temperatura contribui
para o aumento da irritabilidade, uma sensação de cansaço geral, onde também há,
em alguns casos, a fadiga psicológica, com a queda da capacidade de concentração.
Segundo Grandjean (1998), o grau de satisfação com relação a trabalhos repetitivos
e monótonos é menor do que em tarefas com amplo espaço de atividades.
O aspecto motivacional dos trabalhadores também foi objeto de estudo para se
determinar até que limite o trabalho poderia desenvolver comportamento de stress no
ambiente de trabalho. Todos os trabalhadores afirmaram estarem satisfeitos com o
seu trabalho, exceto pelo aspecto de condições de temperatura do ambiente. O fato
de maior preocupação dos trabalhadores (segundo 90 % dos entrevistados) é a
pressão para manter metas produtivas, que se tornam grandes quando existe uma

42
demanda em maior grau. Isso provoca, segundo eles, um stress caracterizado
principalmente pela fadiga mental, desmotivação e estafa.

7 ANÁLISE ORGANIZACIONAL

A empresa se caracteriza por apresentar jornada de trabalho de segunda-feira


à quinta-feira, nos horários de 07h30min as 17h30min; e na sexta-feira, de 07h30min
às 16h30min, ambos com pausas entre 12:00h e 13:00h. A política de hora extra é
adotada pela empresa onde durante certo período do ano os trabalhadores precisam
passar do expediente normal para cumprir metas produtivas, sendo que essas horas
acumuladas podem ser acumuladas no processo de banco de horas, onde o
funcionário, ao acumular seus períodos extras de trabalho, pode pedir licença.
Segundo Lida (2000), a política de horas extras é um fator prejudicial para a
saúde do trabalhador, além de trazer um mau aproveitamento produtivo, e o risco
maior de incidências de acidentes de trabalho e doenças ocupacionais. No entanto,
grande parte dos funcionários aprova essa política e acredita ser de grande benefício
pela adoção do sistema de banco de horas.
De acordo com os dados coletados no questionário existe um equilíbrio entre o
número de funcionários do sexo masculino e feminino, com cerca de 50 % de cada. A
faixa etária varia entre 20 e 50 anos, e a altura entre 1,48 m e 1,74 m. Sobre o fator
de pausas de trabalho, os funcionários entrevistados afirmam fazerem pausas
regulares, além daquela destinada para a refeição. Segundo Grandjean (1998), as
pausas regulares são importantes para a manutenção da produtividade, pois provê ao
organismo um descanso necessário para se reabilitar do excessivo exercício contínuo
exigido pela atividade realizada no ambiente de trabalho.

8 CONDIÇÕES AMBIENTAIS

Em relação aos aspectos da ambiência, verificou-se uma grande interferência


das condições existentes sobre o desenvolvimento do trabalho. Sabe-se que quando
os fatores ambientais são desfavoráveis, estes constituem uma grande fonte de tensão
durante as atividades. Considerando as limitações existentes, foram analisadas
diversas variáveis ambientais que podem representar focos de risco, causando danos

43
ao desempenho e à saúde dos empregados. Dentre estas variáveis, foram destacadas
as condições de temperatura, iluminação, ruído e vibrações.

9 TEMPERATURA

A partir de medições diárias durante os meses de setembro e outubro, através


de termômetro, foi verificada a temperatura média de 31ºC, apresentando picos de
até 38ºC. De acordo com Grandjean (1998), nas estações mais quentes a temperatura
do ar é agradável até 24ºC.
Para o controle da temperatura, o condicionamento do ar foi realizado na área
produtiva através da instalação de exaustores sobre o teto e ventiladores nas paredes
de cada setor produtivo, com a finalidade de amenizar a temperatura do ar no local;
exceto no laboratório de manipulação de componentes, no qual foi instalado ar-
condicionado devido à necessidade de cuidados especiais de temperatura para
armazenagem dos agentes químicos envolvidos na confecção das essências. Cerca
de 80 % dos entrevistados afirmam encontrarem desconforto na execução de sua
atividade devido à elevada temperatura, principalmente ocorrida durante o período da
tarde, mesmo após serem tomadas providencias para aquisição de aparato para
reduzir esse problema.

10 RUÍDO

Além da temperatura, também foram analisados aspectos relativos ao


ambiente sonoro, por meio de um decibelímetro. Este equipamento foi utilizado para
medir o nível sonoro (slow) nos diversos setores da área de produção (rotulagem,
envase, pesagem, mistura e sache). Na análise, foi verificado que os níveis sonoros
estão dentro da faixa aceitável, não constituindo, portanto, fonte prejudicial ao
desenvolvimento das atividades. Com exceção do setor de rotulagem, em que os
ruídos são causados principalmente pela máquina de rotular, todos os demais ruídos
são causados normalmente por circunstâncias inerentes às operações, tais como
comunicação entre os empregados ou movimentação dentro dos setores.

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11 ILUMINAÇÃO

Também foram analisados pontos referentes às condições de iluminação na


área de produção da empresa, através de um luxímetro. Assim, mediu-se os níveis de
iluminação em cada setor, de forma a obter dados relacionados à segurança do
trabalho, à circulação e ao conforto visual. Entre todos os setores da área de produção,
apenas a unidade de envase está dentro do limite mínimo de iluminação para locais
de trabalho (200 lux), de acordo com Iida (2000). Isto requer uma reformulação no
planejamento da iluminação, de forma a contribuir para a produtividade e reduzir, por
conseguinte, a fadiga e o risco de acidentes.

12 VIBRAÇÃO

Na empresa analisada, não se verificou focos de vibração. Isto se deve ao fato


das atividades realizadas representarem operações de natureza fundamentalmente
artesanal, em que as máquinas e equipamentos utilizados apresentam características
de utilização essencialmente manual. Assim, não foi discutida a necessidade de
aparelhos para analisar a frequência e a intensidade de vibrações na área em estudo,
já que se trata de uma condição ambiental não explicitada na produção da empresa.

13 ANÁLISE ERGONÔMICA DA ATIVIDADE

Corresponde à análise do comportamento humano na realização das tarefas


no trabalho. Ao realizar determinada tarefa o homem coloca em funcionamento
mecanismos de adaptação e regulação que permitirão a sua realização. Ao realizar o
levantamento dos comportamentos do indivíduo no trabalho são consideradas
principalmente as atividades que podem ser levantadas por métodos aplicáveis na
situação de trabalho.
Com o objetivo de verificar as condicionantes que influenciam o
desenvolvimento do trabalho, efetuou-se o acompanhamento das operações
realizadas pelos empregados. Assim, buscou-se descrever e analisar as principais
exigências das tarefas e as condições de sua realização. Logo, foram realizadas
observações livres e regulares na empresa, além de diálogos com os operadores, em
que a questão da relação saúde/ trabalho e os aspectos organizacionais foram os
45
mais explorados. Durante a execução da tarefa, verificou-se que os trabalhadores
costumam valer-se de suas características pessoais na realização das operações.
Normalmente, diferenciam-se quanto à postura adotada (trabalho sentado ou em pé),
frequência de deslocamentos no setor, frequência de comunicação com os demais
trabalhadores, etc.

14 DIAGNÓSTICO ERGONÔMICO

Essa análise é uma síntese da análise ergonômica do trabalho, onde as


diversas hipóteses levantadas e os dados coletados são de extrema importância para
uma formulação eficaz de um diagnóstico ergonômico da situação de trabalho
analisada. Por fim, quando são levantados todos os dados necessários para a análise
ergonômica, então é conduzida o diagnóstico ergonômico da situação em questão,
permitindo a elaboração do caderno de encargos que é o modelo de implantação
pratica da ergonomia (SANTOS e FIALHO, 1997).
Dentre as condições ambientais importantes na análise ergonômica
observadas, foram identificados aspectos que influenciam negativamente na saúde
ocupacional dos trabalhadores, além de provocarem insatisfações no local de trabalho
na área produtiva da empresa pesquisada:
Alguns setores da área produtiva deveriam ter suas atividades executadas
utilizando alternadamente as posições em pé e sentado, pois evitariam os riscos de
fadiga e stress no local.
Dentro dos aspectos organizacionais, foi detectado o risco de sobrecarga física
e psicológica causada pelas horas extras praticadas durante grande parte do ano,
mesmo com a aplicação de pausas programadas para descanso e rotatividade das
atividades ou banco de horas.
Um importante fator de risco à saúde dos trabalhadores quanto às condições
físicas na área produtiva da empresa é a presença de algumas cadeiras em condições
inapropriadas de uso, como a falta de estofamento na região do encosto lombar e do
assento, ausência de rodinhas para melhor mobilidade, a falta de encosto regulável
para melhor acomodação da região lombar, e a falta de regulagem de altura.

46
As condições ambientais detectaram a presença de aspectos desfavoráveis
com relação aos aspectos de temperatura do ambiente, que deve ter uma intervenção
imediata; pois o nível de desconforto térmico é relevante.
Os ruídos, apesar de estarem dentro dos limites recomendáveis, no setor de
rotulagem, a máquina rotuladora apresenta um ruído irritante para a maior parte dos
responsáveis por manuseá-las.
Os frascos de vidro causam riscos físicos através de cortes e ferimentos que,
apesar de não provocarem até a atualidade, nenhum incidente de proporções graves
com os trabalhadores, não se pode deixar de dar atenção a esse fator observado.
Quanto aos aspectos de iluminação, apenas o setor de envase apresentou os
níveis de iluminação dentro dos limites recomendáveis por Iida (2000) para as
atividades realizadas nos outros setores da área produtiva da empresa. Essa condição
desfavorável ao trabalhador pode causar desconfortos físicos, como prejuízo a visão,
cansaço mental, e indisposição na capacidade de concentração.
Os vasilhames de água não apresentam um carrinho de locomoção que
diminuam o esforço do trabalhador. As dores lombares em alguns dos entrevistados
foram identificadas como resultante do carregamento em posições desconfortáveis
desses recipientes.

15 O CADERNO DE ENCARGOS

Através do caderno de encargos, é realizada a intervenção ergonômica,


colocando o trabalhador em condições de exercer a sua função de maneira apropriada
e segura para a sua saúde. Todas essas transformações e recomendações também
objetivam o aumento da produtividade, através da melhoria da eficácia do sistema de
produção (SANTOS e FIALHO, 1997). Dentro dos métodos de avaliação e elaboração
da proposta contidas no caderno de encargos, foram feitas recomendações para a
empresa estudada, que foram observados no setor produtivo. Todas as
recomendações elaboradas, há a possibilidades de a administração verificar a relação
entre os custos para tomar as medidas corretivas encontradas e mencionadas no
diagnóstico ergonômico.
As recomendações são:

47
A empresa deveria apresentar um sistema organizado em que os trabalhadores
pudessem sempre alternar suas posições em pé e sentado, evitando o desgaste
produtivo provocado pela fadiga.
A empresa deveria estipular uma escala de horas extras que não
comprometessem a qualidade de vida dos trabalhadores com o desgaste físico e
psicológico mencionados no diagnóstico realizado no local.
Nos aspectos físicos, a empresa deveria substituir as cadeiras
ergonomicamente irregulares por outras com assentos e encostos estofados e
reguláveis, além de estarem dentro das medidas recomendadas por Iida (2000) e
Grandjean (1998).
Manter a cultura da prática da ginástica laboral, pois ajuda na amenização dos
riscos de doenças ocupacionais, além de prepará-los fisicamente melhor, motivando-
os no início do período de trabalho.
Adotar um carrinho de transporte para o carregamento dos recipientes de água
a ser utilizada na mistura.
Melhorar as condições térmicas no setor produtivo através de um melhor
sistema de refrigeração, a fim de diminuir o índice de desconforto sofrido pelos
trabalhadores.
Alterar as condições de iluminação dos setores citados no diagnóstico
ergonômico, para que haja melhor aproveitamento do trabalhador na execução de sua
atividade.
Verificar os motivos pelos quais a máquina de rotulagem apresenta o ruído que
incomoda os trabalhadores, corrigindo esse problema.
Análise dos frascos utilizados na embalagem dos produtos fornecidos pela
empresa para diminuir os riscos de ferimentos nos trabalhadores.

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