Direito Processual Civil IV
Prof. Leonardo Aliaga Betti
Data: 12/08/2022
1ª aula
SEMESTRE 1
Teoria Geral do Processo
- Princípios (CPC – arts. 1º ao 317 / art. 5º - CF)
- Condição da ação
- Competência – Juiz Natural
- Litisconsórcio
- Partes
- Intervenção de Terceiros
- Procurador
- Competência
- Atos processuais
SEMESTRE 2
Procedimento Comum (CPC – arts. 318 ao 509)
- Petição Inicial – Citação
- Contestação
- Prévia
- Prejudicial de mérito
- Mérito
- Réplica
- Instrução (juntada de provas – produção)
Atenção para as provas ELETRÔNICA – Ex.: Geolocalização
SEMESTRE 3
Processos nos Tribunais
CPC – 926 ao 1.043
SEMESTRE 4
Cumprimento de Sentença / Execução
1 – Introdução
Aspectos conceituais e normas fundamentais
A – As diferenças entre Cumprimento de Sentença e Execução
Cumprimento de Sentença – CPC – arts. 513 ao 538 – Título Executivo Judicial
Execução – CPC – arts.771 ao 925 – Título Extrajudicial (CPC, 784)
Execução = cumprimento forçado de Obrigação
O rol do art. 784 do CPC não é taxativo apenas porque existem leis esparsas que preveem
outras espécies, o que não impede dizer que só pode ser considerado Título Executivo o
documento assim reconhecido por lei.
Título Extrajudicial
Líquida
Obrigação Certa
Exigível
O título Executivo é todo documento que estampa uma obrigação e ao qual a lei confere
eficácia executiva.
LER O ART. 784 – DEVER DE CASA
Art. 784. São títulos executivos extrajudiciais:
I - a letra de câmbio, a nota promissória, a duplicata, a debênture e o cheque;
II - a escritura pública ou outro documento público assinado pelo devedor;
III - o documento particular assinado pelo devedor e por 2 (duas) testemunhas;
IV - o instrumento de transação referendado pelo Ministério Público, pela Defensoria Pública, pela Advocacia Pública,
pelos advogados dos transatores ou por conciliador ou mediador credenciado por tribunal;
V - o contrato garantido por hipoteca, penhor, anticrese ou outro direito real de garantia e aquele garantido por
caução;
VI - o contrato de seguro de vida em caso de morte;
VII - o crédito decorrente de foro e laudêmio;
VIII - o crédito, documentalmente comprovado, decorrente de aluguel de imóvel, bem como de encargos acessórios,
tais como taxas e despesas de condomínio;
IX - a certidão de dívida ativa da Fazenda Pública da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios,
correspondente aos créditos inscritos na forma da lei;
X - o crédito referente às contribuições ordinárias ou extraordinárias de condomínio edilício, previstas na respectiva
convenção ou aprovadas em assembleia geral, desde que documentalmente comprovadas;
XI - a certidão expedida por serventia notarial ou de registro relativa a valores de emolumentos e demais despesas
devidas pelos atos por ela praticados, fixados nas tabelas estabelecidas em lei;
XII - todos os demais títulos aos quais, por disposição expressa, a lei atribuir força executiva.
§ 1º A propositura de qualquer ação relativa a débito constante de título executivo não inibe o credor de promover-lhe
a execução.
§ 2º Os títulos executivos extrajudiciais oriundos de país estrangeiro não dependem de homologação para serem
executados.
§ 3º O título estrangeiro só terá eficácia executiva quando satisfeitos os requisitos de formação exigidos pela lei do
lugar de sua celebração e quando o Brasil for indicado como o lugar de cumprimento da obrigação.
9.307/96 – Lei da Arbitragem
Art. 515-CPC
Art. 515. São títulos executivos judiciais, cujo cumprimento dar-se-á de acordo com os artigos previstos neste
Título:
I - as decisões proferidas no processo civil que reconheçam a exigibilidade de obrigação de pagar quantia, de
fazer, de não fazer ou de entregar coisa;
II - a decisão homologatória de autocomposição judicial;
III - a decisão homologatória de autocomposição extrajudicial de qualquer natureza;
IV - o formal e a certidão de partilha, exclusivamente em relação ao inventariante, aos herdeiros e aos
sucessores a título singular ou universal;
V - o crédito de auxiliar da justiça, quando as custas, emolumentos ou honorários tiverem sido aprovados por
decisão judicial;
VI - a sentença penal condenatória transitada em julgado;
VII - a sentença arbitral;
VIII - a sentença estrangeira homologada pelo Superior Tribunal de Justiça;
IX - a decisão interlocutória estrangeira, após a concessão do exequatur à carta rogatória pelo Superior Tribunal
de Justiça;
X - (VETADO).
§ 1º Nos casos dos incisos VI a IX, o devedor será citado no juízo cível para o cumprimento da sentença ou para
a liquidação no prazo de 15 (quinze) dias.
§ 2º A autocomposição judicial pode envolver sujeito estranho ao processo e versar sobre relação jurídica que
não tenha sido deduzida em juízo.
A fundamental diferença entre as expressões “Cumprimento de Sentença” e “Execução”
está na origem do documento (Título) que estampa a obrigação em relação à qual se pretende o
cumprimento forçado pelo Poder Judiciário.
Enquanto a primeira expressão quer designar Títulos produzidos ou ao menos previamente
reconhecidos pelo Poder Judiciário, a nomenclatura “Execução” serve justamente para designar
Títulos não oriundos do Poder Judiciário.
O rol principal dos Títulos Executivos Judiciais está no art. 515 do CPC, ao passo que os
extrajudiciais estão em regra no art. 784 do CPC.
É preciso, porém, fazer duas observações fundamentais:
A primeira, no sentido de que a Sentença Arbitral, embora produzida fora do Poder
Judiciário, foi elencada por medida política legislativa no art. 515, considerando a intenção do
legislador de fomentar a arbitragem (mecanismo privado de solução de conflitos), a ela conferindo
as garantias e o reconhecimento como se Título Judicial fosse;
A segunda observação é que, tanto num como noutro caso os documentos representativos
como Títulos ostentam obrigações certas, exigíveis e , em regra líquidas, observando-se que,
especificamente para os Títulos Judiciais, é possível que a liquidez seja obtida apenas após um
procedimento prévio disposto nos arts. 509 a 512 do CPC chamado “Liquidação de Sentença”.
O procedimento aplicável ao Cumprimento de Sentença rege-se inicialmente pelos arts.
513 a 538 do CPC. Já a execução de Título Extrajudicial é regulada nos arts. 771 a 925 do CPC,
sendo fundamental observar que, a partir de certo momento, eles se fundirão, conforme a
específica previsão do art. 771 do CPC.
Direito Processual Civil IV
Prof. Leonardo Aliaga Betti
Data: 19/08/2022
2ª aula
I – Aspectos Fundamentais da Tutela Jurisdicional Executiva
1 – Diferença entre Cumprimento de Sentença e Execução
Art. 515, CPC – Título Executivo Judicial
a)
Art. 781, CPC – Títulos Executivo Extrajudicial
b) Diferenças Procedimentais entre Cumprimento de Sentença e Título Extrajudicial
Art. 509, § 2º, CPC
Título Executivo Judicial Título Executivo Extrajudicial
(aqui a amplitude de defesa é maior)
1 – Mera Petição (art. 509, § 2º, CPC) - Petição Inicial (art. 798-CPC)
2 – Intimação (art. 269 + 523, CPC) - Citação (CPC 238 + 829 – Ler)
3 – Prazo para pagamento – 15 dias (art. 523, - Prazo p/pagamento – 3 dias (art. 829-CPC)
CPC)
4 – Honorários advocatícios (art. 85, CPC) - Honorários 10% (art. 827-CPC)
máximo 20%
Se pagar espontaneamente não será
cobrado honorários advocatícios;
Se não pagar espontaneamente,
acresce + 10%.
5 – Meio de Defesa - Embargos à Execução (arts. 914 a 917-CPC)
Menos abrangente (art. 525, § 1º, CPC)
Contratuais (pago pelo cliente ao seu advogado)
Honorários advocatícios
Sucumbenciais (quem paga é o perdedor da ação) art. 85-CPC
Obs.: Processo Sincrético – reunião de todos os tipos de procedimento em um só processo.
Declaratórias
Condenatórias (+ importante para nosso estudo)
SENTENÇAS
(citou o art. 19 Constitutivas – Positivas
do CPC)
Mandamentária e Condenatória (para o professor são a mesma coisa)
As Modalidades Executórias
a) Obrigações de Fazer ou Não Fazer
Título Executivo Judicial Título Executivo Extrajudicial
CPC, 536 e 537 CPC, 814 a 823
“Astreintes” (multa) – São multas diárias com a
finalidade de compelir o devedor a satisfazer
uma obrigação de Fazer ou Não Fazer. Não
substituiu a Obrigação
Meios atípicos:
- Conversão em dinheiro por quantia certa
(CPC-816, § único + 771) aplica-se
subsidiariamente.
Neste segundo item do 1º capítulo de nosso semestre, estudaremos as modalidades
executórias. E veremos que o CPC poderia ter sido mais objetivo e menos repetitivo. Afinal, sob
o pretexto de estabelecer diferenças pontuais entre o cumprimento de sentença e a execução de
Título Extrajudicial nas mais variadas obrigações, o CPC acabou por repetir dispositivos. É o que
se identifica, por exemplo, nas obrigações de fazer ou não fazer: O CPC dedica dois artigos (536
e 537) para falar desse tema no cumprimento de sentença, e acaba reproduzindo esses
dispositivos no rol dos artigos 814 a 823.
Quanto às demais obrigações (entregar coisa, pagar quantia certa, prestação de alimentos
e cumprimento forçado em face da Fazenda Pública), essa repetitividade também se configura.
Mas, para execução forçada da mais comum (a de pagar quantia certa), o CPC regula o assunto,
ao menos a partir da execução forçada propriamente dita, exclusivamente no Título em que trata
da execução com base em Título Extrajudicial. Por isso, a disposição do artigo 771 é fundamental
para o direcionamento no cumprimento de sentença, pois ele determina que, sendo omisso o
capítulo que trata de cumprimento de sentença, seja utilizada a regulação prevista para a
execução de Título Extrajudicial.
Direito Processual Civil IV
Prof. Leonardo Aliaga Betti
Data: 26/08/2022
3ª aula
EXECUÇÃO/CUMPRIMENTO DE SENTENÇA
a) Diferenças
b) Diferenças
Procedimentais – art. 916 e §§, analisar não só apenas pela LITERALIDADE e, sim, com
EQUIDADE.
c) Modalidades
Executórias
* O credor pode renunciar ao excedente
Tit. Exec. Jud. (arts.) Tit. Exec. Extraj.(arts.)
1 – Obrigação de Astreintes – meios 536 + 534 814 ao 823
fazer/não fazer atípicos – 536, § 1º +
139, IV
2 – Quantia certa Penhora – casa, MAIS ATENÇAO MAIS ATENÇÃO
carro, $ - Adjudicação 523 ao 527 824 ao 925
– Alienação (Inic. Part.
/ Leilão)
3 – Entregar coisa 538 806 ao 811
4 – Execução de 1) Possibilidade de 528 ao 533 911 ao 913
Alimentos prisão / 2) Inclusão da
Dívida em folha / 3)
Possibilidade de
Const. Capital
5 – Fazenda Pública - Precatório (CF, 100)
(art. 75, CPC) não é
intimada para pagar
d) Princípios aplicáveis à Execução/Cumprimento
1) Da Patrimonialidade – salvo 5º, CF, LXVII (RE 466343) – a dívida só recairá sobre o
PATRIMÔNIO e não sobre a PESSOA.
2) “Nulla Executtio sine Título” (CPC, 515, 784 e Leis esparsas)
3) Princípio da Utilidade (CPC, 836) – “Execução não é meio de vingança”
4) Princípio Da menor onerosidade – Quando, por diversos meios a execução puder ser
promovida, o juiz deverá buscar o meio que gere o menor gravame para o devedor, ou seja, porém,
se não houver outro meio, a execução recairá sobre o único disponível (CPC, 805)
* Faltam 3 Princípios
Direito Processual Civil IV
Prof. Leonardo Aliaga Betti
Data: 02/09/2022
EMENDA DE FERIADO
Direito Processual Civil IV
Prof. Leonardo Aliaga Betti
Data: 09/09/2022
4ª aula
EXEDCUÇÃO/CUMPRIMENTO DE SENTENÇA
Por que o art. 5º, inciso LXVIII da CF, não se aplica aos casos de dívida trabalhista, em que
o crédito tem natureza alimentícia? ( pesquisar)
d) Princípios aplicáveis à Execução/Cumprimento
1) Da Patrimonialidade – salvo 5º, CF, LXVII (RE 466343) – a dívida só recairá sobre o
PATRIMÔNIO e não sobre a PESSOA.
2) “Nulla Executtio sine Título” Não há execução sem título (CPC, 515, 784 e Leis esparsas)
3) Princípio da Utilidade (CPC, 836) – “Execução não é meio de vingança”
4) Princípio Da menor onerosidade – Quando, por diversos meios a execução puder ser
promovida, o juiz deverá buscar o meio que gere o menor gravame para o devedor, ou seja, porém,
se não houver outro meio, a execução recairá sobre o único disponível (CPC, 805)
5) Da Lealdade e da Boa fé (art. 774) 792, IV + 772 – Fraude à execução (alienar bens – inciso IV
– 792) – Fraude contra credores é diferente à execução (estudar)
- Igual litigância de má-fé na fase de conhecimento (80 do CPC)
6) Do Contraditório (mitigado) – Impugnação ao cumprimento de sentença (Tít. Exec. Jud.) (525)
- Titulo Executivo Extrajudicial – aqui o rol de matéria se amplia – Ex.: Assinei um cheque
sob coação.
- Embargos a execução – 917, VI
7) Atipicidade dos meios executivos (CPC, 139. IV + 536, § 1º)
2 – A FORMAÇÃO DO TÍTULO EXECUTIVO JUDICIAL
A LIQUIDAÇÃO DE SENTENÇA (CPC, 509 a 512)
Direitos Difusos
- Ações Coletiva (CDC, 81) Coletivos em Sentido Estrito
Individuais Homogêneos
- Coisa Julgada “In Utilibus”
Ex.: SEMAE – Ação procedente – quinquênios
Prefeitura – Ação improcedente – quinquênios
Na Vara de Mogi, procedente para o SEMAE e Prefeitura, no Tribunal procedente só para o
SEMAE.
DIFUSO – de difícil individualização – Ex,: Poluição do ar. Cano de petrolífera estourado.
Aqui não se individualiza.
COLETIVOS
Ex.: Empresa insalubre (Poluição dentro da empresa) – Sindicato pedindo indenização
HOMOGÊNEOS (na liquidação de Sentença) – Esse é que vai nos interessar para o estudo
Direito Processual Civil IV
Prof. Leonardo Aliaga Betti
Data: 16/09/2022
5ª aula
Ação Civil “Ex delicto”
Continuação...
2 – A FORMAÇÃO DO TÍTULO EXECUTIVO JUDICIAL
A LIQUIDAÇÃO DE SENTENÇA (CPC, 509 a 512)
Obs.: Título Executivo Extrajudicial já vem LÍQUIDO.
Arbitramento Direitos Difusos
(509, I, CPC)
a) Espécies de Liquidação
Ações Coletivas Dir. Coletivos em
Pelo Procedimento (CDC, 81) Sentido Estrito
Comum (509, II, CPC)
Dir. Individuais
(Homogêneos)
Ação Civil
“Ex Delicto”
Art. 104 do CDC
Art. 104. As ações coletivas, previstas nos incisos I e II e do parágrafo único do art. 81, não
induzem litispendência para as ações individuais, mas os efeitos da coisa julgada erga omnes ou
ultra partes a que aludem os incisos II e III do artigo anterior não beneficiarão os autores das ações
individuais, se não for requerida sua suspensão no prazo de trinta dias, a contar da ciência nos
autos do ajuizamento da ação coletiva.
Observação minha: Quando houver duas ações, ima coletiva e outra individual, o melhor é pedir
a suspensão da individual e aguardar o resultado da Coletiva, pois, mesmo que na Ação Coletiva
a ação seja julgada improcedente, há a possibilidade de na Ação Individual obter procedência.
Direitos Difusos – São Direitos Transindividuais - São direitos que transcendem o indivíduo, que
não se restringem à relação individual, sendo designados como transindividuais. Incluem o direito
à paz, ao desenvolvimento, ao meio ambiente sadio, dentre outros.
Ex.: Dano ao meio ambiente (não tem como quantificar os indivíduos lesados)
Exemplo de Direito Homogêneo – Ação de quinquênio dos funcionários da Prefeitura de Mogi
das Cruzes, pois, os funcionários podem entrar individual ou coletivamente, pois, se refere a um
bem comum e podemos individualizar as pessoas envolvidas.
O M.P. diante de várias ações sobre o mesmo tema, tomará para si a abertura de Ação Coletiva
em nome de todos os prejudicados naquela situação.
Art. 97 CDC
Art. 97. A liquidação e a execução de sentença poderão ser promovidas pela vítima e seus
sucessores, assim como pelos legitimados de que trata o art. 82.
Art. 98 CDC
Art 98. A execução poderá ser coletiva, sendo promovida pelos legitimados de que trata o art. 81,
abrangendo as vítimas cujas indenizações já tiverem sido fixadas em sentença de liquidação, sem
prejuízo do ajuizamento de outras execuções.
Ação Civil “Ex Delicto” – Nasce de uma condenação penal.
Responsabilidade Civil – Extra Contratual “Aquiliana”
(Arts. 927 a 943 do CC)
Indenização – arts. 948, 949, 950 do CC
Liquidação – é uma preparação para a FASE DE EXECUÇÃO (não é considerada fase do
processo)
Se a Liquidação for ZERO, aí sim ela põe fim ao processo, acabando em SENTENÇA
TERMINATIVA.
Art. 935 do CC – Independência entre Criminal e Civil
Art. 935. A responsabilidade civil é independente da criminal, não se podendo questionar mais sobre a existência
do fato, ou sobre quem seja o seu autor, quando estas questões se acharem decididas no juízo criminal.
RESUMO DA AULA DITADA PELO PROFESSOR
LIQUIDAÇÃO D SENTENÇA
O CPC elenca dois tipos de liquidação, ou seja, o procedimento preparatório ara
estabelecer o “Quantum Debeatur”, que nada mais é que a quantificação da condenação,
tornando-a certa, exigível e líquida.
Esses procedimentos são: por Arbitramento e pelo Procedimento Comum, sendo o
primeiro fixado sempre que presente qualquer das hipóteses do art. 509, inciso I do CPC, e o
segundo quando houver necessidade de alegar e provar fato novo. Ao lado desses procedimentos,
o legislador também trata do que seria uma “Liquidação por Cálculos”, mas, pela simplicidade
desta hipótese, o legislador sequer a considera procedimento próprio.
Os casos mais comuns que demandam a necessidade da utilização do Procedimento
Comum na Liquidação de Sentença são aqueles em que a Fase de Conhecimento envolver ações
coletivas ou chamada Ação Civil “Ex Delicto”.
As primeiras são mais complexas: envolvem examinar especialmente o CDC, que, em
seu art. 81, traz às espécies de Direitos Coletivos, quais sejam, os Difusos, os Coletivos em
Sentido Estrito e os Individuais Homogêneos. Quando uma Ação Coletiva é ajuizada, normalmente
a sentença é genérica, exigindo um peculiar procedimento de liquidação em que os indivíduos
outrora substituídos por uma entidade coletiva na Fase de Conhecimento iniciam procedimento
individualizado de quantificação de seus Direitos lesados.
Já na Liquidação por Arbitramento, o procedimento envolve um ato judicial que quantifica
(arbitra) o valor a ser executado.
Faltou falar do outro exemplo de Liquidação pelo Procedimento Comum, que é a Ação
Civil “Ex Delicto”: Nesse caso, o que ocorre é que a vítima ou (os sucessores dela em caso de
morte) dirige-se da esfera criminal para a civil e busca, à luz do disposto nos artigos 927 a 954 do
CC (que tratam de Responsabilidade Civil) a quantificação do dano, que tanto pode envolver
danos emergentes (os que eclodem/emergem do próprio evento danoso, como o que dispõe o art.
948, inciso I, CC) como os Lucros Cessantes, ou seja, aquilo que o lesado deixará de receber em
função da conduta lesiva (CC, 948, inciso II, por exemplo).
PRÓXIMA AULA – PENHORA
Direito Processual Civil IV
Prof. Leonardo Aliaga Betti
Data: 23/09/2022
6ª aula
3 – Execução / Cumprimento de Sentença nas Obrigações de Pagar Quantia Certa
Obs.: O Poder Judiciário subrroga-se na figura do Devedor para impor a sua vontade.
PENHORA – É um ato de constrição
a) Penhora é o ato jurisdicional por meio do qual o patrimônio do devedor é afetado em razão do
cumprimento de uma Obrigação Judicial. Pode afetar todo o patrimônio ou apenas uma parcela
dele, de acordo como valor da obrigação que se pretende satisfazer.
PENHORA – pressupõe CITAÇÃO (Art. 238, CPC) e INTIMAÇÃO (Art. 269, CPC)
Em se tratando de Intimação em Título Executivo Judicial, será ela feia, em regra, na pessoa do
Advogado constituído (Arts. 523 e 525 do CPC)
ARRESTO (Art. 830 do CPC) – Maneira acautelatória para satisfazer uma obrigação. Aqui não há
CITAÇÃO.
ORDEM DA PENHORA (Art. 835 do CPC)
Dinheiro (SISBAJUD) + 854, CPC + “Teimosinha” (30 dias mandando ordem de bloqueio na conta)
Bloqueio de Licenciamento INTIMAÇÃO
Veículos (RENAJUD)
a) Penhora (CPC, 835) Bloqueio para Transferência AVALIAÇÃO
Imóveis (ARISP) = Indisponibilidade NOMEAÇÃO
DEPOSITÁRIO
(CPC, 159 e ss
IRPF (Decl. IR) (CPC, 840)
Móveis / Semoventes = INFOJUD
(Rec. Federal) DOI (Decl. Oper. Imobiliárias)
RE 466343 STF – Sobre Depositário Infiel (possível questão de M1)
EMENTA: PRISÃO CIVIL. Depósito. Depositário infiel. Alienação fiduciária. Decretação da medida
coercitiva. Inadmissibilidade absoluta. Insubsistência da previsão constitucional e das normas
subalternas. Interpretação do art. 5º, inc. LXVII e §§ 1º, 2º e 3º, da CF, à luz do art. 7º, § 7, da
Convenção Americana de Direitos Humanos (Pacto de San José da Costa Rica). Recurso
improvido. Julgamento conjunto do RE nº 349.703 e dos HCs nº 87.585 e nº 92.566. É ilícita a
prisão civil de depositário infiel, qualquer que seja a modalidade do depósito.
Possível questão de M1 – Há a necessidade de ciência ao Devedor quando a sua conta for
bloqueada (sofrer PENHORA)? NÃO.
Legislação utilizada nesta aula:
CPC, 159 e ss (Nomeação de Depositário)
Art. 159. A guarda e a conservação de bens penhorados, arrestados, sequestrados ou arrecadados serão confiadas a depositário
ou a administrador, não dispondo a lei de outro modo.
Art. 160. Por seu trabalho o depositário ou o administrador perceberá remuneração que o juiz fixará levando em conta a situação
dos bens, ao tempo do serviço e às dificuldades de sua execução.
Parágrafo único. O juiz poderá nomear um ou mais prepostos por indicação do depositário ou do administrador.
Art. 161. O depositário ou o administrador responde pelos prejuízos que, por dolo ou culpa, causar à parte, perdendo a
remuneração que lhe foi arbitrada, mas tem o direito a haver o que legitimamente despendeu no exercício do encargo.
Parágrafo único. O depositário infiel responde civilmente pelos prejuízos causados, sem prejuízo de sua responsabilidade penal
e da imposição de sanção por ato atentatório à dignidade da justiça.
CITAÇÃO (Art. 238, CPC)
Art. 238. Citação é o ato pelo qual são convocados o réu, o executado ou o interessado para integrar a relação processual.
Parágrafo único. A citação será efetivada em até 45 (quarenta e cinco) dias a partir da propositura da ação. (Incluído pela Lei nº
14.195, de 2021)
INTIMAÇÃO (Art. 269, CPC)
Art. 269. Intimação é o ato pelo qual se dá ciência a alguém dos atos e dos termos do processo.
§ 1º É facultado aos advogados promover a intimação do advogado da outra parte por meio do correio, juntando aos autos, a
seguir, cópia do ofício de intimação e do aviso de recebimento.
§ 2º O ofício de intimação deverá ser instruído com cópia do despacho, da decisão ou da sentença. Ver tópico (3467 documentos)
§ 3º A intimação da União, dos Estados, do Distrito Federal, dos Municípios e de suas respectivas autarquias e fundações de
direito público será realizada perante o órgão de Advocacia Pública responsável por sua representação judicial.
Intimação em Título Executivo Judicial (Arts. 523 e 525 do CPC)
Art. 523. No caso de condenação em quantia certa, ou já fixada em liquidação, e no caso de decisão sobre parcela incontroversa,
o cumprimento definitivo da sentença far-se-á a requerimento do exequente, sendo o executado intimado para pagar o débito, no
prazo de 15 (quinze) dias, acrescido de custas, se houver.
§ 1º Não ocorrendo pagamento voluntário no prazo do caput , o débito será acrescido de multa de dez por cento e, também, de
honorários de advogado de dez por cento.
§ 2º Efetuado o pagamento parcial no prazo previsto no caput, a multa e os honorários previstos no § 1º incidirão sobre o restante.
§ 3º Não efetuado tempestivamente o pagamento voluntário, será expedido, desde logo, mandado de penhora e avaliação,
seguindo-se os atos de expropriação.
Art. 525. Transcorrido o prazo previsto no art. 523 sem o pagamento voluntário, inicia-se o prazo de 15 (quinze) dias para que o
executado, independentemente de penhora ou nova intimação, apresente, nos próprios autos, sua impugnação.
§ 1º Na impugnação, o executado poderá alegar:
I - falta ou nulidade da citação se, na fase de conhecimento, o processo correu à revelia;
II - ilegitimidade de parte;
III - inexequibilidade do título ou inexigibilidade da obrigação;
IV - penhora incorreta ou avaliação errônea;
V - excesso de execução ou cumulação indevida de execuções;
VI - incompetência absoluta ou relativa do juízo da execução;
VII - qualquer causa modificativa ou extintiva da obrigação, como pagamento, novação, compensação, transação ou prescrição,
desde que supervenientes à sentença.
§ 2º A alegação de impedimento ou suspeição observará o disposto nos arts. 146 e 148.
§ 3º Aplica-se à impugnação o disposto no art. 229.
§ 4º Quando o executado alegar que o exequente, em excesso de execução, pleiteia quantia superior à resultante da sentença,
cumprir-lhe-á declarar de imediato o valor que entende correto, apresentando demonstrativo discriminado e atualizado de seu
cálculo.
§ 5º Na hipótese do § 4º, não apontado o valor correto ou não apresentado o demonstrativo, a impugnação será liminarmente
rejeitada, se o excesso de execução for o seu único fundamento, ou, se houver outro, a impugnação será processada, mas o juiz
não examinará a alegação de excesso de execução.
§ 6º A apresentação de impugnação não impede a prática dos atos executivos, inclusive os de expropriação, podendo o juiz, a
requerimento do executado e desde que garantido o juízo com penhora, caução ou depósito suficientes, atribuir-lhe efeito
suspensivo, se seus fundamentos forem relevantes e se o prosseguimento da execução for manifestamente suscetível de causar
ao executado grave dano de difícil ou incerta reparação.
§ 7º A concessão de efeito suspensivo a que se refere o § 6º não impedirá a efetivação dos atos de substituição, de reforço ou de
redução da penhora e de avaliação dos bens.
§ 8º Quando o efeito suspensivo atribuído à impugnação disser respeito apenas a parte do objeto da execução, esta prosseguirá
quanto à parte restante.
§ 9º A concessão de efeito suspensivo à impugnação deduzida por um dos executados não suspenderá a execução contra os que
não impugnaram, quando o respectivo fundamento disser respeito exclusivamente ao impugnante.
§ 10. Ainda que atribuído efeito suspensivo à impugnação, é lícito ao exequente requerer o prosseguimento da execução,
oferecendo e prestando, nos próprios autos, caução suficiente e idônea a ser arbitrada pelo juiz.
§ 11. As questões relativas a fato superveniente ao término do prazo para apresentação da impugnação, assim como aquelas
relativas à validade e à adequação da penhora, da avaliação e dos atos executivos subsequentes, podem ser arguidas por simples
petição, tendo o executado, em qualquer dos casos, o prazo de 15 (quinze) dias para formular esta arguição, contado da
comprovada ciência do fato ou da intimação do ato.
§ 12. Para efeito do disposto no inciso III do § 1º deste artigo, considera-se também inexigível a obrigação reconhecida em título
executivo judicial fundado em lei ou ato normativo considerado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, ou fundado em
aplicação ou interpretação da lei ou do ato normativo tido pelo Supremo Tribunal Federal como incompatível com a Constituição
Federal , em controle de constitucionalidade concentrado ou difuso.
§ 13. No caso do § 12, os efeitos da decisão do Supremo Tribunal Federal poderão ser modulados no tempo, em atenção à
segurança jurídica.
§ 14. A decisão do Supremo Tribunal Federal referida no § 12 deve ser anterior ao trânsito em julgado da decisão exequenda.
§ 15. Se a decisão referida no § 12 for proferida após o trânsito em julgado da decisão exequenda, caberá ação rescisória, cujo
prazo será contado do trânsito em julgado da decisão proferida pelo Supremo Tribunal Federal.
ARRESTO (Art. 830 do CPC)
Art. 830. Se o oficial de justiça não encontrar o executado, arrestar-lhe-á tantos bens quantos bastem para garantir a execução.
§ 1º Nos 10 (dez) dias seguintes à efetivação do arresto, o oficial de justiça procurará o executado 2 (duas) vezes em dias distintos
e, havendo suspeita de ocultação, realizará a citação com hora certa, certificando pormenorizadamente o ocorrido.
§ 2º Incumbe ao exequente requerer a citação por edital, uma vez frustradas a pessoal e a com hora certa.
§ 3º Aperfeiçoada a citação e transcorrido o prazo de pagamento, o arresto converter-se-á em penhora, independentemente de
termo.
CPC, 840
Art. 840. Serão preferencialmente depositados:
I - as quantias em dinheiro, os papéis de crédito e as pedras e os metais preciosos, no Banco do Brasil, na Caixa Econômica
Federal ou em banco do qual o Estado ou o Distrito Federal possua mais da metade do capital social integralizado, ou, na falta
desses estabelecimentos, em qualquer instituição de crédito designada pelo juiz;
II - os móveis, os semoventes, os imóveis urbanos e os direitos aquisitivos sobre imóveis urbanos, em poder do depositário judicial;
III - os imóveis rurais, os direitos aquisitivos sobre imóveis rurais, as máquinas, os utensílios e os instrumentos necessários ou
úteis à atividade agrícola, mediante caução idônea, em poder do executado.
§ 1º No caso do inciso II do caput, se não houver depositário judicial, os bens ficarão em poder do exequente.
§ 2º Os bens poderão ser depositados em poder do executado nos casos de difícil remoção ou quando anuir o exequente.
§ 3º As joias, as pedras e os objetos preciosos deverão ser depositados com registro do valor estimado de resgate.
ORDEM DA PENHORA (Art. 835 do CPC)
Art. 835. A penhora observará, preferencialmente, a seguinte ordem:
I - dinheiro, em espécie ou em depósito ou aplicação em instituição financeira;
II - títulos da dívida pública da União, dos Estados e do Distrito Federal com cotação em mercado;
III - títulos e valores mobiliários com cotação em mercado;
IV - veículos de via terrestre;
V - bens imóveis;
VI - bens móveis em geral;
VII - semoventes;
VIII - navios e aeronaves;
IX - ações e quotas de sociedades simples e empresárias;
X - percentual do faturamento de empresa devedora;
XI - pedras e metais preciosos;
XII - direitos aquisitivos derivados de promessa de compra e venda e de alienação fiduciária em garantia;
XIII - outros direitos.
§ 1º É prioritária a penhora em dinheiro, podendo o juiz, nas demais hipóteses, alterar a ordem prevista no caput de acordo com
as circunstâncias do caso concreto.
§ 2º Para fins de substituição da penhora, equiparam-se a dinheiro a fiança bancária e o seguro garantia judicial, desde que em
valor não inferior ao do débito constante da inicial, acrescido de trinta por cento.
§ 3º Na execução de crédito com garantia real, a penhora recairá sobre a coisa dada em garantia, e, se a coisa pertencer a terceiro
garantidor, este também será intimado da penhora.
854, CPC
Art. 854. Para possibilitar a penhora de dinheiro em depósito ou em aplicação financeira, o juiz, a requerimento do exequente, sem
dar ciência prévia do ato ao executado, determinará às instituições financeiras, por meio de sistema eletrônico gerido pela
autoridade supervisora do sistema financeiro nacional, que torne indisponíveis ativos financeiros existentes em nome do
executado, limitando-se a indisponibilidade ao valor indicado na execução.
§ 1º No prazo de 24 (vinte e quatro) horas a contar da resposta, de ofício, o juiz determinará o cancelamento de eventual
indisponibilidade excessiva, o que deverá ser cumprido pela instituição financeira em igual prazo.
§ 2º Tornados indisponíveis os ativos financeiros do executado, este será intimado na pessoa de seu advogado ou, não o tendo,
pessoalmente.
§ 3º Incumbe ao executado, no prazo de 5 (cinco) dias, comprovar que:
I - as quantias tornadas indisponíveis são impenhoráveis;
II - ainda remanesce indisponibilidade excessiva de ativos financeiros.
§ 4º Acolhida qualquer das arguições dos incisos I e II do § 3º, o juiz determinará o cancelamento de eventual indisponibilidade
irregular ou excessiva, a ser cumprido pela instituição financeira em 24 (vinte e quatro) horas.
§ 5º Rejeitada ou não apresentada a manifestação do executado, converter-se-á a indisponibilidade em penhora, sem necessidade
de lavratura de termo, devendo o juiz da execução determinar à instituição financeira depositária que, no prazo de 24 (vinte e
quatro) horas, transfira o montante indisponível para conta vinculada ao juízo da execução.
§ 6º Realizado o pagamento da dívida por outro meio, o juiz determinará, imediatamente, por sistema eletrônico gerido pela
autoridade supervisora do sistema financeiro nacional, a notificação da instituição financeira para que, em até 24 (vinte e quatro)
horas, cancele a indisponibilidade.
§ 7º As transmissões das ordens de indisponibilidade, de seu cancelamento e de determinação de penhora previstas neste artigo
far-se-ão por meio de sistema eletrônico gerido pela autoridade supervisora do sistema financeiro nacional.
§ 8º A instituição financeira será responsável pelos prejuízos causados ao executado em decorrência da indisponibilidade de ativos
financeiros em valor superior ao indicado na execução ou pelo juiz, bem como na hipótese de não cancelamento da
indisponibilidade no prazo de 24 (vinte e quatro) horas, quando assim determinar o juiz.
§ 9º Quando se tratar de execução contra partido político, o juiz, a requerimento do exequente, determinará às instituições
financeiras, por meio de sistema eletrônico gerido por autoridade supervisora do sistema bancário, que tornem indisponíveis ativos
financeiros somente em nome do órgão partidário que tenha contraído a dívida executada ou que tenha dado causa à violação de
direito ou ao dano, ao qual cabe exclusivamente a responsabilidade pelos atos praticados, na forma da lei.