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Arte e Linguagem em Rilke: Análise Crítica

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Aufklärung.

Revista de Filosofia
ISSN: 2358-8470
[email protected]
Universidade Federal da Paraíba
Brasil

Vieira da Costa, Affonso Henrique


DISCUSSÃO ACERCA DA ARTE E DA LINGUAGEM A PARTIR DE CARTAS A UM
JOVEM POETA, DE RAINER MARIA RILKE
Aufklärung. Revista de Filosofia, vol. 4, núm. 2, septiembre-septiembre, 2017, pp. 11-22
Universidade Federal da Paraíba
João Pessoa, Brasil

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Home da revista no Redalyc Projeto acadêmico sem fins lucrativos desenvolvido no âmbito da iniciativa Acesso Aberto
AUFKLÄRUNG, João Pessoa, v.4, p.11­22, setembro, 2017, Edição Especial
DOI: http://dx.doi.org/10.18012/arf.2016.35898
Recebido: 20/07/2017 | Aceito: 30/08/2017
Licença: Creative Commons 4.0 International (CC BY 4.0)

DISCUSSÃO ACERCA DA ARTE E DA LINGUAGEM A PARTIR DE CARTAS A UM


JOVEM POETA, DE RAINER MARIA RILKE

[ TITEL: ERÖRTERUNG ÜBER KUNST UND SPRACHE AUS BRIEFE AN EINEN JUNGEN DICHTER,
VON RAINER MARIA RILKE ]

Affonso Henrique Vieira da Costa *

RESUMO: O trabalho ora proposto pretende ZUSAMMENFASSUNG: Dieser Aufsatz


discutir, a partir de uma interpretação de beabsichtigt Kunst und Sprache ursprünglich zu
Cartas a um jovem poeta, de Rainer Maria besprechen. Solche Auseinandersetzung ergiebt
Rilke, e de seus comentários acerca da criação sich aus einer Auslegung von Briefe an einen
poética, o que é propriamente a arte e a jungen Dichter, von Rainer Maria Rilke und
linguagem em seu estado de nascividade. No zugleich seine Kommentaren über das
âmbito de seu desenvolvimento também se fará dichterische Schaffen. Dafür wird auch M.
uso das interpretações heideggerianas presentes Heidegger’s Unterwegs zur Sprache benutzt.
no livro A caminho da linguagem. STICHWORTEN: Kunst; Sprache; Schaffen.
PALAVRAS­CHAVE: Arte; Linguagem; Criação.

INTRODUÇÃO

A o nos depararmos com a primeira das Cartas a um jovem poeta, de


Rainer Maria Rilke, somos tomados por um sobressalto: A franqueza e
o modo como Rilke entra gradativamente na questão relativa à produção artística,
abrindo caminhos para que o jovem poeta possa com ele continuar conversando,
envolve­nos numa teia que, quando menos nos apercebemos, já estamos também
fazendo parte dos propósitos ali expostos por um franco diálogo.
Passados os anos, Kappus reconheceu a importância de tais cartas e,
justamente por isso, consentiu que as publicassem. Na breve introdução que a elas
fez, expôs sua gratidão sem um milímetro sequer de inveja e de rebeldia contra o
seu destino, que o confiou não à poesia, mas à carreira militar. Disse ele, então:
“Quando fala alguém grandioso e único, os pequenos têm de se calar”1.
Este breve introito tem por objetivo justamente expor a necessidade de
compreender o que está em questão desde essa advertência de Kappus, a saber, a
relação do homem com o seu trabalho, com a sua tarefa realizadora, embora, no
modo do senso comum, tal relação possa parecer estranha em demasia.
Trata­se, portanto, de investigar o que tornaria o poeta grandioso e único a
* Doutor em Filosofia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro. Professor do Programa de
Pós­Graduação em Filosofia da Universidade Federal do Rio de Janeiro. m@ilto:
[email protected]
Affonso Henrique Vieira da Costa

partir da interpretação das cartas de Rilke, relacionadas à criação poética, à arte


propriamente dita e à linguagem em seu estado de nascividade. Todas elas
direcionadas àquele que, naquela altura, tinha esperanças em se tornar também um
poeta, um artista, um criador.
12
I
AUFKLÄRUNG, João Pessoa, v.4, p.11­22, setenbro, 2017, Edição Especial

Em sua primeira carta, depois de ler os poemas de Kappus, Rilke diz se afastar
de qualquer intenção crítica. Por que isso? É que a crítica, pelo menos no modo como o
poeta a toma, situa as criações artísticas, e mais precisamente o poema, como o que
pode ser transformado em objeto de pesquisa literária. Isso, para ele, é ver a obra fora
de seu próprio movimento. É vê­la de fora, apartada de seus desdobramentos que a faz
emergir, aparecer, eclodir em puro processo de realização de realidade, fazendo dela,
por isso mesmo, algo único e causador de espanto pelo fato de justamente estar aí
quando poderia não estar.
Acerca dos mal entendidos provocados pela crítica, por conta de sua
incapacidade de estar à altura da arte, escreve Rilke:
As coisas em geral não são tão fáceis de apreender e dizer como normalmente nos
querem levar a acreditar; a maioria dos acontecimentos é indizível, realiza­se em
um espaço que nunca uma palavra penetrou, e mais indizíveis do que todos os
acontecimentos são as obras de arte, existências misteriosas, cuja vida perdura ao
lado da nossa, que passa.2
Por que Rilke diz que as coisas não são tão fáceis? Isso nos faz pensar: Com que
olhar ou através de qual olhar quer o senso comum nos conduzir para a sua
compreensão do que é uma obra de arte? Por outro lado, também precisa ser
perguntado: De onde fala o poeta para poder dizer de forma categórica que “a maioria
dos acontecimentos é indizível”?
Para que possamos adentrar nessa segunda pergunta, tomamos emprestado
um fragmento do poema “O lutador”, de Carlos Drummond de Andrade:

Lutar com palavras


é a luta mais vã.
Entanto lutamos
mal rompe a manhã.
São muitas, eu pouco.
Algumas, tão fortes
como o javali.
Não me julgo louco.
Se o fosse, teria
poder de encantá­las.
Mas lúcido e frio,
apareço e tento
apanhar algumas
para meu sustento
num dia de vida.3
Discussão acerca da arte e da linguagem a partir de Cartas a um jovem poeta, de Rainer Maria Rilke

Ora, o que nos diz inicialmente o poeta? Que lutar com palavras é a luta mais vã,
isto é, inútil. Inútil porque elas são mais fortes, são muitas, e não se dão aos caprichos
dos homens. Não são eles que controlam as palavras. Elas não estão aí já postas, como
que num balcão de supermercados, de maneira que possamos pegá­las e usá­las quando
bem entendermos. Muito pelo contrário: Somente uma determinada luta é que se dispõe
na disposição do dar­se das palavras. Nesta, por sua vez, não há violência. Há sim
13
entrega, doçura e, sobretudo, no meio disso, espera. Somente um louco, escreve o

AUFKLÄRUNG, João Pessoa, v.4, p.11­22, setenbro, 2017, Edição Especial


poeta, poderia encantar as palavras. No entanto, não é ele que as encanta. Digamos que
elas já nascem encantadas, pois revelam em seu dizer o que o real é. Por isso, poder ver
um acontecimento, o extraordinário de seu realizar­se, apresentar o que se mostra desde
o seu próprio aparecer, é, como nos diz Rilke, muito difícil. Encontramo­nos no âmbito
do praticamente indizível. Mas o poeta, Rilke ou Drummond, enfim, todo poeta, para e
por ser poeta, sabe disso. Mesmo sabendo, porém, continua, como é dito no poema,
tentando apanhar algumas palavras para o seu sustento num dia de vida. Mas como é
isso? O poeta se alimenta das palavras? Precisa delas? Precisa estabelecer uma relação
de maneira que elas a ele se deem?Esta é a sua luta?
E o poema prossegue:

Deixam­se enlaçar,
tontas à carícia
e súbito fogem
e não há ameaça
e nem há sevícia
que as traga de novo
ao centro da praça.4

As palavras deixam­se enlaçar, mas súbito fogem. Não adianta forçá­las, elas
não retornam. A luta que luta o poeta é aquela de encontrar uma medida sem a qual
nada consegue dizer. Por isso

Lutar com palavras


parece sem fruto.
Não têm carne e sangue…
Entretanto, luto.5

Esse “entretanto luto”, apesar da real possibilidade de não encontrar­se com as


palavras em seu estado de nascividade, já é revelador de uma necessidade. Se ser
escritor não fosse necessário para o poeta, jamais insistiria. Segundo Rilke, ele nem
teria direito sequer a escrever. O necessário aqui se coaduna com o seu principal
alimento, aquele que dá vida e que o mantém vivo. Não há como escapar da passagem
de Rilke exposta em sua primeira carta:
...confesse a si mesmo se o senhor morreria caso fosse proibido de escrever.
Sobretudo isto: pergunte a si mesmo na hora mais silenciosa de sua madrugada:
preciso escrever?6
Esse “precisar escrever” vem de dentro, isto é, de tal necessidade que impõe ao
poeta um deixar que as coisas, o real, o poema, se dê. Este “vir de dentro” nada tem a
ver com subjetividade, com uma certa vontade do sujeito que, com isso, construiria o
Affonso Henrique Vieira da Costa

seu objeto – o poema. Tanto a vontade não é dele que ele precisa estar numa disposição
tal, numa tal medida, de modo que as palavras para ele se deem.
Acerca disso, Rilke chama a atenção de Kappus, quando afirma que este
...pergunta se os seus versos são bons. Pergunta isso a mim. Já perguntou a
14 mesma coisa a outras pessoas antes. Envia os seus versos para revistas. Faz
comparações entre eles e outros poemas e se inquieta quando um ou outro redator
recusa suas tentativas de publicação. Agora (como me deu licença de aconselhá­
AUFKLÄRUNG, João Pessoa, v.4, p.11­22, setenbro, 2017, Edição Especial

lo) lhe peço para desistir de tudo isso. O senhor olha para fora, e é isso,
sobretudo, que não devia fazer agora. Ninguém pode aconselhá­lo e ajudá­lo,
ninguém. Há apenas um meio. Volte­se para si mesmo. Investigue o motivo que o
impele a escrever; comprove se ele estende as raízes até o ponto mais profundo
do seu coração...7
“O senhor olha para fora”, diz Rilke. Mas, o que é isso? “Olhar para fora” quer
dizer: apartado do movimento necessário para o aparecimento da obra, isto é, está fora
do elemento a partir do qual a palavra pode vir em toda a sua plenitude para poder dizer
o que o real é. “Voltar­se para si mesmo”, por sua vez, não é nenhum solipsismo, mas,
antes, uma entrega ao que há por fazer. Esse é o único meio: Descobrir o que precisa ser
feito e, aí, voltar­se com todo o esforço para essa tarefa realizadora. Por isso, enviar
versos para revistas, perguntar se são bons, compará­los com os de outros escritores, de
nada vai adiantar. Nada é comprobatório de que o que se faz é bom ou não. Pois a prova
que ele desejaria vem também de fora, é externa à criação. Por isso que Rilke o adverte
para o fato de que ninguém pode ajudá­lo. Apenas na sua solidão mais profunda, no
âmbito da necessidade de escrever, é que as palavras podem emergir, eclodir em suas
formas mais próprias. Enquanto isso não acontece, pode Rilke dizer a Kappus que “seus
versos não possuem uma forma própria”, isto é, que ele ainda não se apropriou de sua
atividade desde sua necessidade mais profunda. Seus poemas “ainda não são
independentes, não têm autonomia”. Eles não nascem desde si mesmos, não estão
expostos a uma lei própria.
Mas o que significa isso? Ouçamos Rilke mais uma vez:
...pergunte a si mesmo na hora mais silenciosa de sua madrugada: preciso
escrever? Desenterre de si mesmo uma resposta profunda. E, se ela for afirmativa,
se o senhor for capaz de enfrentar essa pergunta grave com um forte e simples
"Preciso", então construa sua vida de acordo com tal necessidade; sua vida tem de
se tornar, até na hora mais indiferente e irrelevante, um sinal e um testemunho
desse impulso. Então se aproxime da natureza. Procure, como o primeiro homem,
dizer o que vê e vivencia e ama e perde.8
Entregar­se a uma tarefa realizadora significa construir toda uma vida de acordo
com essa necessidade. Todo o fazer ou deixar de fazer, daquele que assim se lança no
desafio de busca de um próprio, deve ser “o testemunho desse impulso”. O que se põe
em questão para o homem – e, por isso, é desafiador – é o fato de que ele não é nada,
não é coisa nenhuma, nem sujeito, nem objeto, nem corpo, nem alma, nem espírito etc.
etc. O homem é um por fazer; é “alguma coisa – ou melhor, coisa nenhuma”, por assim
dizer, que precisa ser feita, perfeita, ao longo de sua vida.
No entanto, para que possa ser feito, perfeito, precisa ele se abrir para aquilo
que o chama na sua solidão mais íntima, no mais profundo de seu ser – sua
vocação. Somente aí pode ele ser chamado a apropriar­se de si mesmo. Nessa
apropriação cria ele as suas próprias leis, aquelas que são necessárias para a
realização do que pede para ser feito.
Discussão acerca da arte e da linguagem a partir de Cartas a um jovem poeta, de Rainer Maria Rilke

Mas o que é isso que pede para ser feito? Como isso dispõe do criador?
O que pede para ser feito se dá num salto para dentro do por fazer, em seu
movimento próprio, onde homem e criação já estão desde sempre entrelaçados,
envolvidos, colocando em obra a própria arte. Este olhar do criador é aquele olhar
inaugural, originário, que atravessa tudo e todos com a intensidade de ver o real
como se fosse pela primeira vez. Através dele, percebe o criador as entranhas da
15
criação, a sua disponibilidade ao que dá a criar, sabendo­se entregue a ela e

AUFKLÄRUNG, João Pessoa, v.4, p.11­22, setenbro, 2017, Edição Especial


disponível para a realização da obra. Essa disponibilidade, porém, da mesma
maneira em que é pressentida, doando­se ao criador como o que precisa ser feito,
retrai­se no instante seguinte. Isso também é sentido por Drummond:

Iludo­me às vezes,
pressinto que a entrega
se consumará.
Já vejo palavras
em coro submisso,
esta me ofertando
seu velho calor,
aquela sua glória
feita de mistério,
outra seu desdém,
outra seu ciúme,
e um sapiente amor
me ensina a fruir
de cada palavra
a essência captada,
o sutil queixume.
Mas ai! é o instante
de entreabrir os olhos:
entre beijo e boca,
tudo se evapora.9

O evaporar­se de tudo revela a impotência do poeta diante daquilo que pode ou


não vir à fala, que se dá e se retira. Ele encontra­se jogado no espaço em que todo dizer
essencial tem a possibilidade de se consumar. Mas o que é isso, agora: Dizer essencial?

II

No breve introito a este trabalho, citamos a fala do jovem relativa ao poeta


Rilke:“Quando fala alguém grandioso e único, os pequenos têm de se calar”. Mas o
que é falar? O que quer dizer aí “se calar”? Falar e dizer são a mesma coisa? E onde
entra aí um escutar?
Na citação de Kappus, falar é sinônimo de dizer, posto que o poeta não
simplesmente fala, sempre tem algo a dizer. Diferentemente dele, pode­se também
afirmar que demasiadas pessoas falam muito e não dizem nada. Dizer relaciona­se
Affonso Henrique Vieira da Costa

aqui a uma fala que não é uma mera emissão de sons, como também não se refere a
uma espécie de conversa fiada. Dizer é, de certa maneira, um mostrar. Em “O
caminho para a linguagem”, Heidegger escreve:
O que é porém dizer? Para fazer essa experiência, devemos nos ater ao que nossa
16 própria língua nos convida a pensar nessa palavra. Sagan, a saga do dizer
significa: mostrar, deixar aparecer, deixar ver e ouvir.10
Saga, portanto, não é “a verbalização articulada do pensamento por meio dos
AUFKLÄRUNG, João Pessoa, v.4, p.11­22, setenbro, 2017, Edição Especial

órgãos da fala”11, conforme costumamos entender. Em toda Saga faz­se presente um


deixar ver e ouvir. É o que Kappus quer indicar a partir do que se refere à grandeza de
Rilke. Rilke tem algo a dizer. Precisamos ouvi­lo. Ouvir Rilke é prestar atenção ao
lugar desde onde ele pode falar o que fala. Mas será que é Rilke quem fala o que fala?
Qual a proveniência de seu dizer? Se é um dizer essencial, sua proveniência se faz
desde a essência mesma da linguagem. É a linguagem quem fala. “Escutamos a fala da
linguagem”.12
Mas, e agora? O que quer dizer isso?
Rilke escuta a fala da linguagem. E porque a escuta, fala. Seu dito é um dito
poético. “Falar é por si mesmo escutar. Falar é escutar a linguagem que falamos. O falar
não é ao mesmo tempo, mas antes uma escuta”13. O ditar poeticamente só é o que é
porque já se encontra na dimensão da escuta. É nessa dimensão que Heidegger pode
dizer ainda que “Não falamos simplesmente a linguagem. Falamos a partir da
linguagem. Isso só nos é possível porque já sempre pertencemos à linguagem”14.
Mas o que é a saga do dizer?
Na saga do dizer já estamos em um caminho apropriante, isto é, um em que
nos encaminhamos na feitura (no por fazer) deste mesmo caminho. Não há um
caminho previamente dado, de maneira que aí ele já esteja disponível a qualquer
um e, desde ele, tenhamos a linguagem à nossa disposição. Não é isso. O caminho é
o que ainda precisa ser feito, de modo que pressintamos que somos o caminho que
percorremos.
O caminho para a linguagem é o que se deixa apropriar no próprio
acontecimento de seu dar­se. Heidegger o nomeia de Ereignis – Acontecimento
apropriador. Ele não é nenhuma lei que paira em algum lugar ditando as normas
reguladoras de um processo no interior do qual se encontram os homens. Antes, ele “é a
lei porque reúne e mantém os mortais no apropriar de sua essência”15.
É neste sentido, portanto que, em Sobre o humanismo, Heidegger pode falar que
“a linguagem é a casa do Ser”16. O homem, por ser o que é – homem –, mora aí. Aí é
sua habitação. Os poetas e pensadores aí se veem e, em seu fazer próprio – pensar e
poetar –, produzindo o que é necessário, essencial, que é proveniente dessa habitação,
tornam­se vigias. “Sua vigília é con­sumar a manifestação do Ser, porquanto, por seu
dizer, a tornam linguagem e a conservam na linguagem”17.
Mas como compreender isso? De fato, tal compreensão se dá apenas por um
simples olhar que se encontra com o Ser em sua manifestação. Trata­se de um olhar
primitivo, primevo; um olhar que olha para as coisas como se as visse pela primeira
vez; um olhar que se espanta com o fato de as coisas serem e não antes não serem; um
olhar que se basta por si e que é anterior a qualquer busca de conhecimento que vê as
coisas fora das coisas. Trata­se de uma visão que abarca o tempo imemorial. Esse se
encontrar com a manifestação do ente em seu ser, com o dar­se de sentido do real em
seu processo de realização, é a possibilidade de nomeação de tudo o que há e é. É um
Discussão acerca da arte e da linguagem a partir de Cartas a um jovem poeta, de Rainer Maria Rilke

dizer que diz não só o que aparece como o mais familiar, como também o mais
estranho, desconhecido e misterioso. Na saga do dizer não há o vício do perder­se no já
visto; não há também o acomodado com o que já se sabe; há sim o imprevisível de um
ver ingênuo, que apenas vê o que se mostra e com ele se contenta: o olhar inocente,
inaugural da criança que se espanta com tudo que a ela se apresenta. Diz­nos
Heidegger:
17
Precisamos apenas do olhar súbito, simples, inesquecível, do olhar que olha como

AUFKLÄRUNG, João Pessoa, v.4, p.11­22, setenbro, 2017, Edição Especial


uma primeira vez o que nos é familiar e que, não obstante, nunca buscamos
conhecer e nem tampouco reconhecer de forma adequada. Esse familiar e
desconhecido, ou seja, todo mostrar do dizer, no movimento da movimentação de
sua saga, é a vigência e a ausência do cedo da manhã, somente com a qual a
alternância de dia e noite se torna possível: a manhã, quando o mais cedo é ao
mesmo tempo o mais antigo18.
Toda a inocência da criança, entregue à manifestação primeira do próprio
real, é anterior a qualquer conhecimento prévio, pois este apenas atrapalharia a
visão, interpondo­se entre ela (a criança) e o que se mostra, enfim, separando­os em
seu processo de manifestação mútua. É um olhar que pega as coisas de supetão, de
maneira simples, isto é, sem planejamento, de modo que o que se mostra torna­se
inesquecível, pois aparece inteiro (no seu todo) em seu próprio modo de ser, sem
nenhuma mediação ou obstáculo qualquer. A visão é límpida, não intermediada. É
imediata.
Mas falar em familiar e ao mesmo tempo em desconhecido não é algo
paradoxal? É. O familiar nos é apresentado diariamente como o mais conhecido, posto
que já desgastado pelo uso e abuso no modo como com ele lidamos. No entanto, o que
nos é ainda mais familiar no âmbito de todo familiar, e que ultrapassa todos os tempos e
lugares, sendo para nós o mais próximo e que, por isso, não temos olhos para vê­lo,
revela­se como o mais distante, a saber, o que chamamos ainda de o próprio, a partir do
qual o real se revela em seu processo de realização. É no próprio que o homem se
apropria da linguagem como a casa do ser. Aí pode ele con­sumar (conduzir ao sumo) a
manifestação do Ser. Ouçamos mais uma vez o dito de Heidegger:

...a manhã, quando o mais cedo é ao mesmo tempo o mais antigo.

Essa fala nos causa estranheza! É um dizer poético simplesmente porque diz a
manhã de todos os tempos: É o amanhecer inaugural que o pensador/poeta é capaz de
captar com o seu olhar primitivo/primordial. Em captando, ele vem à fala num dizer
essencial. E ele é essencial e, justamente por isso, “Nomeá­lo é só o que podemos,
porque aqui não há o que se discutir. Pois esse é o lugar de todos os lugares e jogos de
tempo­espaço”19. “O mais cedo é, ao mesmo tempo20, o mais antigo”. Trata­se “da
vigência e da ausência do cedo da manhã”. Esse tempo imemorial se dá num lusco­
fusco. Em se dando, ele mesmo se retira. É se entregando ao seu retirar­se que o poeta
dita poeticamente, poematiza, produz no sentido de poíesis.
Ouçamos agora também a primeira estrofe do poema “A chuva”, de Jorge
Luis Borges:

Bruscamente la tarde se há aclarado


Porque ya cae la lluvia minuciosa.
Affonso Henrique Vieira da Costa

Cae y cayô. La lluvia es una cosa


Que sin duda sucede em el passado21.

Como assim? A chuva é uma coisa que sucede no passado? Sem dúvida? Como
o presente é capaz de revelar aquilo que é o primordial, o originário: O tempo dos
18 tempos? Não se trata aqui de uma simples chuva que, em ocorrendo, faz com que se
chegue à conclusão de que, enquanto chuva, sempre ocorre e sempre ocorreu. Não é
AUFKLÄRUNG, João Pessoa, v.4, p.11­22, setenbro, 2017, Edição Especial

isso. Mas, simplesmente, o que se percebe é o fenômeno do sempre já estar aí do real


em seu processo de realização que é captado pelos sentidos do poeta, como se aí fosse o
lugar desde o qual mundo se faz mundo, desde o qual a vida eclode como vida. É.
Em Morte e vida Severina, João Cabral nos aponta para essa eclosão, que se dá
até mesmo naqueles lugares onde nunca se poderia imaginar que ela se desse, pois são
insalubres, impróprios para a vida do homem. Lugares, como se diz, onde reina a
miséria, onde a vida teima em viver. Tal eclosão nos é apresentada por Carpina na
última passagem do livro, em que responde à pergunta de Severino acerca do fato de se
não valeria mais, diante de tanta dificuldade encontrada na vida Severina, saltar para
fora da vida:

— Severino, retirante,
deixe agora que lhe diga:
eu não sei bem a resposta
da pergunta que fazia,
se não vale mais saltar
fora da ponte e da vida;
nem conheço essa resposta,
se quer mesmo que lhe diga;
é difícil defender,
só com palavras, a vida,
ainda mais quando ela é
esta que vê, severina;
mas se responder não pude
à pergunta que fazia,
ela, a vida, a respondeu
com sua presença viva.
E não há melhor resposta
que o espetáculo da vida:
vê­la desfiar seu fio,
que também se chama vida,
ver a fábrica que ela mesma,
teimosamente, se fabrica,
vê­la brotar como há pouco
em nova vida explodida;
mesmo quando é assim pequena
a explosão, como a ocorrida;
como a de há pouco, franzina;
mesmo quando é a explosão
Discussão acerca da arte e da linguagem a partir de Cartas a um jovem poeta, de Rainer Maria Rilke

de uma vida severina22.

O que nos diz Carpina? Que “é difícil defender,/só com palavras, a vida”. No
entanto, o que nos soa estranho é que, embora não pudesse responder à pergunta de
Severino, a vida, ela mesma, respondeu “com sua presença viva”. Isso é enigmático,
posto que, na perspectiva do senso comum, como entender que a fala de Carpina não é
19
de Carpina, mas da vida? Mais ainda: O que é isso da vida falar para ele?

AUFKLÄRUNG, João Pessoa, v.4, p.11­22, setenbro, 2017, Edição Especial


É preciso aqui que afirmemos: Vida é linguagem. “A linguagem fala”. É em
ouvindo a fala de linguagem/vida que Carpina diz o que diz. E ele diz a vida:

E não há melhor resposta


que o espetáculo da vida:
vê­la desfiar seu fio,
que também se chama vida,
ver a fábrica que ela mesma,
teimosamente, se fabrica,
vê­la brotar como há pouco
em nova vida explodida;

A linguagem fala. Tal frase, no âmbito do senso comum, é incompreensível. Pois


o que é a linguagem senão uma expressão dos sentimentos do homem? Enquanto
tomarmos a linguagem como expressão, ficaremos sempre perdidos e apartados de
qualquer dito poético. Para ir ao encontro deste, no entanto, é necessário um longo
aprendizado, uma experiência que nos abra para o sentido mais próprio da palavra
poética. É necessário renunciar a tudo aquilo que se interpõe como o que já, de
antemão, se sabe. É preciso deixar que a linguagem se faça linguagem, que ela seja
linguagem. Diz­nos Heidegger, numa referência a um poema de Stefan Georg:
O poeta aprendeu a renunciar. Aprender significa: tornar­se quem sabe. Quem
sabe é em latim quividit, quem viu e entreviu alguma coisa, de modo a não mais
perder de vista o que viu. Aprender significa: alcançar essa visão. Para isso é
preciso alcançar, estando a caminho, numa travessia. Fazer uma travessia,
atravessar na ex­periência significa: aprender23.
Carpina aprendeu. Ele encontra­se no âmbito da Saga, isto é, do dizer que diz o
essencial – a vida se fazendo vida: vida explodida. O que aí se mostra no âmbito do
dizer que é exclusivamente necessário não é nenhuma representação. Linguagem não é
símbolo, signo. Nada disso. Linguagem é linguagem. Também não se trata aí de uma
tautologia, de uma mera repetição vazia ou de uma retórica plena de pretensões.
“Linguagem é linguagem” significa: Não há nenhum fundo, nenhum fundamento
anterior ao dar­se de linguagem. Penetrar em seu âmbito é lançar­se no abismo da
manifestação do dizer em que as coisas enquanto coisas podem ser nomeadas. Daí o
porquê do poeta “renunciar”. Ele renuncia a um querer dizer. Ele, portanto, deixa que as
coisas se mostrem como as coisas que elas mesmas são, de maneira que, a partir daí, as
palavras se deem de forma que possa, nesse seu dar­se, nomear o que vê. Para tanto, ele
precisa habitar essa região que exige a renúncia. Habitar, neste sentido, é velar. Velar a
manifestação de mundo, de vida, que vem à tona quando as próprias coisas se revelam
naquilo que elas mesmas são.
Mas o que é propriamente “nomear”? Como é isso de dar nome a algo?
Affonso Henrique Vieira da Costa

Ouçamos mais uma vez o filósofo alemão:


A palavra mostra um modo distinto e mais elevado de predomínio. Não se trata
mais simplesmente de agarrar com o nome o que já está vigorando nem de ser
instrumento para a apresentação do que é dado. Ao contrário. A palavra confere
20 vigência, ou seja, ser, em que algo como ente acontece24.
A palavra não é instrumento. A palavra poética, neste sentido, confere
exemplaridade a essa afirmação. Pois o poeta só pode dizer o que diz em sua vigência,
AUFKLÄRUNG, João Pessoa, v.4, p.11­22, setenbro, 2017, Edição Especial

isto é, quando o seu dito disser o ente em seu acontecer, em seu aparecer. Ele, enquanto
poeta, não tem o poder sobre as palavras. Somente no âmbito do aparecer das coisas
podem as palavras vir à tona e nomear o que assim aparece. Essa é toda a renúncia do
poeta: Renunciar a um querer que pretendesse não só aprisionar as coisas em seu
revelar­se, como também deter o poder de nomeá­las a seu bel­prazer. “O poeta deve
assim renunciar a ter sob o seu poder a palavra enquanto nome capaz de apresentar o
ente por ele mesmo posicionado”25.
Contrariamente ao que comumente se pensa, é o poeta que está sob o jugo das
palavras. É ele quem depende delas, conforme já havíamos visto em Drummond,
no poema “O lutador”. O que precisamos pensar agora é em que medida essa
renúncia é, não uma recusa ao dito, mas, sobretudo, um dizer.
III
O dito do poeta Stefan Georg nos diz: “Nenhuma coisa que seja onde a palavra
faltar”26. Trata­se do último verso do poema “A palavra”. Ele é ainda precedido do
seguinte verso: “Triste assim eu aprendi a renunciar:” Não é porque eu não consiga
dizer o que uma coisa é, que essa mesma coisa nada vai ser. As coisas e a nomeação
dessas mesmas coisas estão para além de minha vontade, estão em uma outra dimensão
que é preciso ser conquistada. Quando os versos acima se deram ao poeta Stefan Georg,
juntamente com ele se deu toda uma transformação em seu poetar. Na verdade, a
renúncia anteriormente mencionada é uma renúncia em favor da palavra, do dito
poético, da espera de seu manifestar. Tomado por esta mesma inquietação, Rilke, em
sua terceira Carta, escreve a Kappus:
...como todo avanço, precisa vir de dentro e não pode ser forçado nem apressado
por nada. Tudo está em deixar amadurecer e então dar à luz. Deixar cada
impressão, cada semente de um sentimento germinar por completo dentro de si,
na escuridão do indizível e do inconsciente, em um ponto inalcançável para o
próprio entendimento, e esperar com profunda humildade e paciência a hora do
nascimento de uma nova clareza: só isso se chama viver artisticamente, tanto na
compreensão quanto na criação27.
Renúncia, diante do dito de Rilke, significa: Dar­se de todo para a criação.
Crescer desde dentro dela. Ser todo para ela. Isso também quer dizer: Esperar
amadurecer na “escuridão do indizível”. Tudo “em um ponto inalcançável para o
próprio entendimento”. Por isso, repetindo o que Heidegger disse e que foi citado
anteriormente: “Nomeá­lo é só o que podemos, porque aqui não há o que se discutir”28.
Viver artisticamente é, segundo Rilke, “esperar com profunda humildade e paciência a
hora do nascimento”. Trata­se do instante em que mundo se dá, em que a palavra
poética, enquanto palavra originária, se dá e, em se dando, nomeia o que assim aparece
em seu processo de realização. “Tudo está em deixar amadurecer e então dar à luz”. O
poeta não renuncia ao dizer. Ele renuncia para dizer o que ele renuncia em nome da
palavra, do dito poético. Ele renuncia em nome da própria linguagem em se fazendo
Discussão acerca da arte e da linguagem a partir de Cartas a um jovem poeta, de Rainer Maria Rilke

linguagem, habitando isso que é a essência mesma do humano. Ouçamos mais uma vez
Rilke:
Não há nenhuma medida de tempo nesse caso, um ano de nada vale, e mesmo dez
anos não são nada. Ser artista significa: não calcular nem contar; amadurecer
como uma árvore que não apressa a sua seiva e permanece confiante durante as 21
tempestades de primavera, sem o temor de que o verão não possa vir depois. Ele
vem apesar de tudo. Mas só chega para os pacientes, para os que estão ali como

AUFKLÄRUNG, João Pessoa, v.4, p.11­22, setenbro, 2017, Edição Especial


se a eternidade se encontrasse diante deles, com toda a amplidão e a serenidade,
sem preocupação alguma. Aprendo isto diariamente, aprendo em meio a dores às
quais sou grato: a paciência é tudo!29
Renunciar, esperar, amadurecer – ser no tempo certo em que as coisas se
apresentam enquanto coisas que são. Nada disso é calculado, contado. Tudo obedece ao
tempo do amadurecimento, que não é contado por relógio nenhum. Trata­se de um
aprendizado diário, todo voltado para o que pede para vir à tona. Nisso a paciência é
tudo. “Em jogo está aprender a morar na fala da linguagem”30.
Diz Rilke ainda que aprende em meio a dores às quais é grato. Mas o que diz
aí “dor”? Deixemos Heidegger falar:
Contudo, quanto mais alegre a alegria, mais pura é a tristeza nela adormecida.
Quanto mais profunda a tristeza, mais a alegria que nela repousa nos convoca.
Tristeza e alegria tocam e jogam uma com a outra. O jogo que afina tristeza e
alegria entre si, aproximando a distância e distanciando a proximidade, é a dor31.
“Dor” é um jogo que afina, dispondo tristeza e alegria no caminho apropriante,
na experiência da própria renúncia. Por isso, de acordo com Heidegger, “tanto a alegria
mais intensa como a tristeza mais profunda são, cada uma a seu modo, dolorosas”32.
Rilke nos diz que aprende em meio a dores e é grato por isso. Ele sabe que daí vem a
gravidade da vida, o impulso para a criação. Lançado no jogo de distanciamento e
proximidade, o poeta entrega­se ao porvir. Ele espera. Nessa espera há todo um
aprendizado ao qual está aberto, disposto, exposto. E, como nos ensina mais uma vez
Heidegger,
A dor encoraja, no entanto, o ânimo dos mortais de tal modo que é da dor que eles
recebem a sua gravidade. A gravidade sustenta os mortais em todas as suas
oscilações no repouso de sua essência, de seu vigor33.
É diante dessa gravidade, sustentando­a na dor, grato por tudo isso, que
Rilke entrega­se ao seu afazer. E somente a partir dessa experiência de entrega,
pode ele corresponder­se com Kappus que, embora não tenha se tornado poeta,
pressentiu, por tudo o que lhe foi dito, a grandeza daquele que habita uma região
elevada e solitária, própria daqueles que têm algo a dizer.

NOTAS
1 RILKE, Rainer Maria. Cartas a um jovem poeta.Tradução de Pedro Süssekind. Rio de Janeiro:
Livro de bolso, 2006, p. 5.
2 RILKE, Rainer Maria. Cartas a um jovem poeta.Tradução de Pedro Süssekind. Rio de Janeiro:
Livro de bolso, 2006, p. 6.
3 ANDRADE, Carlos Drummond. Poesia completa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, p.99.
4 Idem, pp. 99­100.
5 Idem. P. 100.
6 RILKE, Rainer Maria. Cartas a um jovem poeta.Tradução de Pedro Süssekind. Rio de Janeiro:
Affonso Henrique Vieira da Costa

Livro de bolso, 2006, p. 6.


7 Idem.
8 RILKE, Rainer Maria. Cartas a um jovem poeta.Tradução de Pedro Süssekind. Rio de Janeiro:
Livro de bolso, 2006, pp. 6­7.
9 ANDRADE, Carlos Drummond. Poesia completa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, p.101.
10 HEIDEGGER, Martin. O caminho para a linguagem. In: A caminho da linguagem. Tradução
22 de Marcia Sá Cavalcante Schuback. Petrópolis: Vozes/Editora Universitária São
Francisco, 2003, pp. 201­202.
11 Idem, p. 203.
AUFKLÄRUNG, João Pessoa, v.4, p.11­22, setenbro, 2017, Edição Especial

12 Idem.
13 Idem.
14 Idem.
15 Idem, p. 208.
16 HEIDEGGER, Martin. Sobre o humanismo. Tradução de Emmanuel Carneiro Leão. Rio de
Janeiro: Tempo brasileiro, 1967, p. 24.
17 HEIDEGGER, Martin. Sobre o humanismo. Tradução de Emmanuel Carneiro Leão. Rio de
Janeiro: Tempo brasileiro, 1967, p. 25.
18 HEIDEGGER, Martin. O caminho para a linguagem. In:A caminho da linguagem. Tradução
de Márcia Schuback. Petrópolis: Vozes/Editora Universitária São Francisco, 2003, p. 206.
19 Idem, p. 206.
20 Grifo nosso.
21 BORGES, Jorge Luis. O fazedor. São Paulo: Companhia das Letras, 2008, pp. 92­93.
22 NETO, João Cabral. Morte e vida Severina. In: Obras completas. Rio de Janeiro: Nova
Aguilar, pp. 201­202.
23 HEIDEGGER, Martin. A palavra. In: A caminho da linguagem. Tradução de Márcia
Schuback. Petrópolis: Vozes/Editora Universitária São Francisco, 2003, pp. 176­177.
24 HEIDEGGER, Martin. A palavra. In: A caminho da linguagem. Tradução de Márcia
Schuback. Petrópolis: Vozes/Editora Universitária São Francisco, 2003, pp. 179­180.
25 Idem, p. 180.
26 HEIDEGGER, Martin. A palavra. In: A caminho da linguagem. Tradução de Márcia
Schuback. Petrópolis: Vozes/Editora Universitária São Francisco, 2003, p. 174.
27 RILKE, Rainer Maria. Cartas a um jovem poeta. Tradução de Pedro Süssekind. Rio de
Janeiro: Livro de bolso, 2006, p. 12.
28 Ver nota 19.
29 RILKE, Rainer Maria. Cartas a um jovem poeta. Tradução de Pedro Süssekind. Rio de
Janeiro: Livro de bolso, 2006, p. 12.
30 HEIDEGGER, Martin. A linguagem. In: A caminho da linguagem. Tradução de Márcia
Schuback. Petrópolis: Vozes/Editora Universitária São Francisco, 2003, p. 26.
31 HEIDEGGER, Martin. A palavra. In: A caminho da linguagem. Tradução de Márcia
Schuback. Petrópolis: Vozes/Editora Universitária São Francisco, 2003, p. 186.
32 Idem.
33 HEIDEGGER, Martin. A palavra. In: A caminho da linguagem. Tradução de Márcia
Schuback. Petrópolis: Vozes/Editora Universitária São Francisco, 2003, pp. 186­187.

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