PRÉ- VESTIBULAR POPULAR MARGARIDA ALVES
UNEAFRO 2024 - BIOLOGIA II
Unidade: Ecologia
Aula 03 – Cadeias e Teias alimentares e Pirâmides ecológicas
Cadeias e teias alimentares
Cadeia alimentar é um modelo didático que tem como objetivo organizar e exemplificar o percurso
de matéria orgânica dentro de um ecossistema. Também pode ser utilizada para mostrar o fluxo de energia,
usando como componentes os organismos existentes que se relacionam dentro desse ecossistema.
Na cadeia alimentar, os organismos estabelecem uma relação de alimentação dentro do ecossistema.
Essa relação pode ser de herbivoria, quando um organismo se alimenta de componentes vegetais existentes,
ou de predatismo, quando um organismo se alimenta de outro dentro do seu mesmo reino (um animal se
alimentando de outro animal, por exemplo).
Dentro de um ecossistema, a relação de alimentação exemplificada pela cadeia alimentar busca
esquematizar o fluxo de matéria orgânica, chamada de biomassa, que passa de organismo para organismo
bem como o fluxo de energia, já que a alimentação tem como objetivo principal buscar e armazenar
compostos energéticos para serem utilizados na produção de energia necessária para os processos
metabólicos de todos os indivíduos.
As cadeias alimentares são muito utilizadas na ecologia para formular e testar hipóteses sobre os
padrões ecológicos encontrados na natureza no campo que se conhece como Modelagem Ecológica. Esses
estudos buscam compreender e analisar a estabilidade de um ecossistema com base nas relações ecológicas
alimentares estabelecidas entre seus componentes. Diferentemente de uma teia alimentar, a cadeia
apresenta um fluxo unidirecional.
• Niveis Tróficos
Dentro de uma cadeia alimentar, os organismos que a constituem e que se relacionam estão dispostos
em níveis chamados de níveis tróficos. Cada nível trófico apresenta um animal ou um conjunto de animais
que compartilham, nutricionalmente, o mesmo nicho ecológico. Conforme o nível trófico vai se elevando ao
longo da cadeia, a energia do sistema tende a diminuir, conforme um organismo se alimenta de outro, parte
dessa energia é perdida na forma de calor e outros compostos. Portanto a energia dentro de uma cadeia
alimentar tende a diminuir de nível trófico para nível trófico.
➢ Produtores
Os produtores fazem parte do primeiro nível trófico de uma cadeia. Nesse nível estão os organismos
que são capazes de produzir (por isso o nome produtores) seu próprio alimento, os chamados autótrofos.
Os organismos autótrofos são capazes de produzir a matéria orgânica necessária para seus processos
metabólicos a partir de compostos inorgânicos e minerais. Um exemplo desse processo é a fotossíntese,
que produz matéria orgânica a partir da energia solar, que é convertida em energia bioquímica, e a
quimiossíntese que produz matéria orgânica a partir de compostos inorgânicos e minerais, como ferro e
enxofre. Dentro do nível dos produtores estão as plantas, algas azuis ou cianobactérias e algumas bactérias
fotossintetizantes ou quimiossintetizantes.
➢ Consumidores
Após os produtores, os níveis tróficos subsequentes são constituídos por organismos chamados de
consumidores. São chamados assim, pois consomem a energia e a biomassa presente no nível trófico abaixo
do que se encontram. Nesse nível estão os organismos chamados de heterótrofos, aqueles organismos que
não são capazes de produzir seu próprio alimento e, portanto, se alimentam de outros organismos.
Os consumidores podem estar dispostos em níveis tróficos diferentes de acordo com o hábito
alimentar existente. Logo acima do nível dos produtores, estão os consumidores primários, aqueles
organismos que se alimentam dos produtores. Se em uma cadeia alimentar específica o produtor for um
vegetal, o consumidor primário será um organismo herbívoro ou onívoro, pois se alimenta desse vegetal.
São exemplos de consumidores primários os insetos herbívoros e animais ruminantes como vacas e cabras.
Os consumidores que se alimentam dos consumidores primários, são chamados de consumidores
secundários. Como essa alimentação ocorre através de uma relação de predatismo, esses organismos são
carnívoros ou onívoros dependendo da cadeia alimentar em que se encontram.
Ainda podem existir consumidores terciários (que se alimentam dos consumidores secundários –
carnívoro que se alimenta de outro carnívoro) e até consumidores quaternários (que se alimentam dos
consumidores terciários). A quantidade de níveis tróficos dos consumidores é dependente dos hábitos
alimentares de cada componente.
➢ Decompositores
O último nível trófico é composto pelos organismos que se alimentam de matéria morta e em
decomposição (por isso o nome decompositores). São organismos que se alimentam dos restos mortais ou
alimentares dos demais níveis tróficos. Dentro desse nível estão os fungos, algumas bactérias e alguns
protozoários.
Os decompositores apresentam um importante papel ecológico no ecossistema, pois é a partir deles
que a matéria orgânica morta é transformada em substâncias minerais que serão reabsorvidas pelos
produtores para a produção de sua matéria orgânica. Dessa forma, os decompositores finalizam o ciclo da
energia e biomassa presente em uma cadeia e torna essa energia e biomassa reutilizáveis para as plantas
e demais organismos produtores.
• Teias Alimentares
Em um ecossistema real, a quantidade de relações de alimentação entre os indivíduos é dinâmica.
Um mesmo organismo pode ser consumidor secundário e terciário, por exemplo. Os onívoros podem ser
consumidores primários e secundários. Dessa forma, as cadeias alimentares se sobrepõem conforme
aumenta a complexidade de um ecossistema. Essa união de várias cadeias alimentares sobrepostas é
conhecida como teia alimentar e permite analisar de forma mais fiel e real as dinâmicas existentes em um
ecossistema povoado.
• Níveis tróficos da cadeia alimentar
Nas cadeias alimentares, observamos a relação de alimentação existente entre os diferentes seres
vivos de um ecossistema. A posição que cada ser vivo ocupa nessa cadeia recebe o nome de nível trófico.
Produtores, consumidores e decompositores são os diferentes níveis tróficos observados nesse esquema.
Vídeo complementar
Mapa mental
Pirâmide ecológica
As pirâmides ecológicas são gráficos que representam as interações existentes entre os seres vivos na
cadeia alimentar. Além de apontar o fluxo de energia e matéria entre os níveis tróficos no decorrer da cadeia
alimentar.
Na base da pirâmide estão os produtores, seguidos dos herbívoros e carnívoros. No nível mais alto da
pirâmide estão os seres que ocupam o topo da cadeia alimentar.
A pirâmide possui andares. Na base, ou o primeiro andar, estão os produtores, em seguida os herbívoros
e, após, os carnívoros. A espécie que ocupa o último andar, o mais alto, é considerada o topo da cadeia
alimentar.
As pirâmides ecológicas podem ser de três tipos: número, biomassa e energia.
➢ Fluxo de energia
A energia presente em um ecossistema caminha entre os diversos níveis tróficos com base na
alimentação dos organismos, que tem como objetivo principal adquirir energia para ser armazenada e
utilizada nos diversos processos metabólicos. Dessa forma, o fluxo de energia em um ecossistema inicia-se
com os produtores, que conseguem converter a energia luminosa, através da fotossíntese, ou inorgânica,
através da quimiossíntese, em energia bioquímica, que o organismo utilizará para o seu desenvolvimento e
sobrevivência.
Conforme o nível trófico vai se elevando ao longo da cadeia, a energia do sistema tende a diminuir, ao
passo que um organismo se alimenta de outro. Parte dessa energia é perdida na forma de calor ou utilizada
para os seus próprios processos metabólicos. Portanto, a energia dentro de uma cadeia alimentar tende a
diminuir de um nível trófico para outro.
A pirâmide ecológica de energia, dessa forma, apresentará um único arranjo, com a base sempre maior
que os demais níveis, sempre expressa em cal/m².ano (calorias por metro quadrado ao ano) ou ainda
kcal/m².ano (quilocalorias por metro quadrado ao ano).
Figura 1: Pirâmide de energia
Os decompositores geralmente não são considerados nas pirâmides ecológicas, pois isto dificultaria
o entendimento didático do esquema, uma vez que todos os organismos estão submetidos a ação dos
decompositores. Ainda assim, em algumas pirâmides, os decompositores são representados como um bloco
à parte, o qual está presente em todos os níveis tróficos.
Figura 2: Pirâmide de energia considerando os decompositores
➢ Fluxo de matéria ou biomassa
O fluxo de matéria, ou biomassa, está diretamente relacionado com o fluxo de energia em um
ecossistema, isso porque ao se alimentar para adquirir energia e outros compostos, o organismo ingere uma
quantidade de biomassa pertencente ao organismo que ele consumiu.
Dessa forma, a quantidade de matéria consumida em um determinado nível trófico pode ser
esquematizada em uma pirâmide de biomassa, geralmente expressa em g/m² (gramas por metro
quadrado).
De forma mais comum, em um ecossistema, a quantidade de biomassa ou matéria pertencente ao nível
trófico dos produtores é maior e, à medida que se avança para os níveis tróficos posteriores, a quantidade
de matéria tende a diminuir.
Por exemplo, a quantidade de vegetais em um determinado bioma é maior em biomassa que a
quantidade de gafanhotos que se alimentam desses vegetais. A quantidade de gafanhotos, por sua vez, é
maior que a quantidade de pássaros que se alimentam deles. Com isso, a pirâmide de matéria é comumente
representada com a base maior que o topo.
Figura 3: Pirâmide de matéria ou biomassa
Em alguns casos, entretanto, a pirâmide de biomassa terá a base menor que os níveis subsequentes.
Isso ocorre quando os produtores, embora ocupem uma área extensa, possuem biomassa bem pequena,
como nos biomas marinhos, em que os produtores podem ser espécies de fitoplânctons que possuem massa
(em gramas) pequena, muito embora ocupem uma extensa área (m²) do território.
Figura 4: Exemplo de uma pirâmide de biomassa de uma cadeia alimentar de ambientes marinhos com o fitoplâncton ocupando a posição de
produtor, zooplâncton ocupando a posição de consumidor primário e peixes ocupando a posição de consumidores secundários e terciár
Uma desvantagem da pirâmide de biomassa é que ela não considera o tempo de produção dessa
biomassa e, dessa forma, não mostra a velocidade com que a matéria é produzida.
No exemplo da cadeia alimentar que tem fitoplânctons como produtores, à primeira vista, parece que o
ecossistema não está em equilíbrio, já que a quantidade de matéria pertencente aos produtores é menor
que a quantidade de matéria dos demais níveis tróficos, porém, o fitoplâncton tem uma taxa de reprodução
elevada, se dividindo rapidamente e aumentando a biomassa em um curto período de tempo e com uma
velocidade elevada, por isso, conseguem ser os produtores da maioria das cadeias alimentares de ambientes
aquáticos.
➢ Pirâmide de número
Na pirâmide ecológica de número, cada nível trófico visa representar a quantidade de organismos
pertencentes àquela posição. Portanto, esse tipo de pirâmide pode apresentar diversos arranjos,
principalmente quando se analisa pequenos ecossistemas.
Normalmente, a pirâmide de número apresenta bases maiores que o topo, mostrando, geralmente, que
a quantidade de produtores em um ecossistema é maior que a quantidade de consumidores primários, que,
por sua vez, é maior que a quantidade de consumidores secundários - formando, assim, o arranjo normal
de um pirâmide com a base maior que o topo.
Figura 5: Pirâmide ecológica de número
Em alguns casos, como em pequenos ecossistemas, o arranjo da pirâmide pode mudar. Por exemplo:
uma cadeia alimentar composta por uma única árvore produtora, que serve de alimento para vários insetos,
que, por sua vez, servem de alimento para pássaros: a base da pirâmide será menor que os demais níveis.
Figura 6: Pirâmide ecológica de número em um ecossistema composto por uma árvore, insetos como consumidores primários, pássaros
menores como consumidores secundários e pássaros maiores como consumidores secundários
No caso de uma cadeia alimentar contendo espécies de parasitas, a pirâmide terá outra conformação,
esta chamada de pirâmide invertida. Considerando o exemplo de uma árvore produtora, da qual se
alimentam uma maior quantidade de insetos: se, nesses insetos, houver a incidência de parasitas, como
algumas bactérias, a quantidade desses parasitas será maior que a população de insetos presentes na
cadeia. Dessa forma, a pirâmide, nesse caso específico, terá a base menor que o topo.
Figura 7: Pirâmide ecológica de número invertida em um ecossistema composto por uma árvore, insetos como consumidores primários e
parasitas como consumidores secundários
A desvantagem da pirâmide ecológica de número é a sua simplicidade. Ela desconsidera o tamanho do
indivíduo presente em cada nível trófico, bem como não apresenta a quantidade de biomassa ou matéria
orgânica que é deslocada de um nível para outro. Todas essas informações precisam ser fornecidas e não
estão incluídas no desenho esquemático da pirâmide de número.
Vídeo complementar
Mapa mental