0% acharam este documento útil (0 voto)
34 visualizações35 páginas

ESTÁGIO

Enviado por

ricardo costa
Direitos autorais
© © All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato PDF, TXT ou leia on-line no Scribd
0% acharam este documento útil (0 voto)
34 visualizações35 páginas

ESTÁGIO

Enviado por

ricardo costa
Direitos autorais
© © All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato PDF, TXT ou leia on-line no Scribd

PARA O CONCURSO DE AFT

ESTÁGIO
TEMAS ESPECÍFICOS

RICARDO BARROS COSTA


[email protected]
HP157016818401086

THIAGO LAPORTE
APRESENTAÇÃO
Olá!

Antes de iniciar o livro, peço licença para


apresentar-me. Meu nome é Thiago Laporte,
sou natural de Aracaju/SE e tenho 43 anos.
Sou bacharel em Direito pela Universidade
Federal de Sergipe e mestre em Direito do
Trabalho e Governança Corporativa pela
Universidade de Bristol, no Reino Unido.
Também gosto de estudar outras coisas,
como Políticas Públicas, Ciência de Dados e
RICARDO BARROS COSTA
línguas estrangeiras.
[email protected]
HP157016818401086
Sou Auditor-Fiscal do Trabalho (AFT) há 18
anos. Fui aprovado em outros cargos e
convocado (Analista Judiciário da Justiça
Federal e da Justiça do Trabalho), mas nunca
tomei posse. Também fui aprovado no
concurso para Delegado da Polícia Federal,
mas desisti quando fui convocado para
iniciar a formação da Academia Nacional de
Polícia.

A minha história com o cargo de AFT é, no


mínimo, curiosa. Fui aprovado e nomeado no
concurso de 2003, tendo tomado posse no
início de 2005, em Boa Vista/RR.

/laportethiago
03
Quando já trabalhava como AFT, o Ministério
do Trabalho anunciou a realização de novo
concurso. Entretanto, na época também foi
anunciado que não haveria concurso de
remoção antes do novo certame, algo que é
praxe no serviço público.

Iniciou-se então uma batalha extrajudicial e


judicial para a realização da remoção,
considerando que muitos AFT gostariam de
retornar para os seus estados de origem - eu,
inclusive. Entretanto, eu não quis ficar à
mercê de decisões judiciais e liminares e
comecei a estudar para o novo concurso. Isso
mesmo! Já era AFT e estudei para o concurso
de AFT novamente
RICARDO BARROS paraCOSTA
voltar para Sergipe.
Então fui aprovado no concurso de 2006, e
[email protected]
dessa vez, para a cidade de Aracaju.
HP157016818401086

Só que enquanto isso a “briga” daqueles que


já eram AFT continuava e acabou que o
Ministério do Trabalho foi obrigado a fazer
uma remoção de quem já era “ da casa”, de
modo que eu fui removido para Ilhéus (BA).
Sendo assim, desisti de tomar posse pelo
concurso de 2006 (por algumas razões, entre
elas o fato de que já tinha progredido na
carreira e teria que começar tudo de novo ao
pedir exoneração e depois tomar posse
novamente como AFT). Teve uma “lambança”
da ESAF também nesse concurso que me
obrigou a entrar com uma ação judicial, mas
aí é papo pra outra conversa.

/laportethiago
04
Enfim…depois de uma nova briga judicial eu
fui removido para Aracaju ainda no ano de
2007, e depois disso consegui uma remoção
administrativa para a mesma cidade,
acabando a minha luta pra voltar pra casa
(ufa!). Depois disso assumi algumas chefias
na Superintendência Regional do Trabalho
em Sergipe e fui também Coordenador-Geral
de Fiscalização do Trabalho na Secretaria de
Inspeção do Trabalho, em Brasília.

E é com essa experiência no mundo dos


concursos, acadêmica e de trabalho que eu
quero ajudar você a passar no concurso para
Auditor-Fiscal do Trabalho.
RICARDO BARROS COSTA
Sejam bem-vindos!
[email protected]
HP157016818401086

Thiago Laporte

/laportethiago
CONSIDERAÇÕES INICIAIS
Será uma grande satisfação auxiliá-los na
preparação para o concurso de AFT. Espero
que sejamos colegas em breve.

Este livro eletrônico é composto por teoria e


alguma(s) questão(ões) comentadas do
último certame para AFT. Portanto, o foco
deste material não é a resolução de questões
e nesse sentido recomendo algum site
especializado ou algum livro específico.
RICARDO BARROS COSTA
O [email protected]
objetivo deste livro é apresentar, de forma
objetiva, um tema específico cobrado nos
HP157016818401086
concursos para Auditor-Fiscal do Trabalho.
Para cada um dos temas, temos um livro
diferente. Assim, teremos uma abordagem
objetiva, com foco nas disposições
normativas e na jurisprudência.

Além disso, este livro dará ao candidato uma


visão prática do tema, que é objeto do dia-a-
dia de trabalho do AFT. Isso, além de ajudar
na fixação do assunto, será o diferencial
numa prova subjetiva.

Aos estudos!

/laportethiago
06

CONCEITO
De acordo com a Lei 11.788/08, estágio é ato
educativo escolar supervisionado,
desenvolvido no ambiente de trabalho, que
visa à preparação para o trabalho produtivo
de educandos que estejam freqüentando o
ensino regular em instituições de educação
superior, de educação profissional, de ensino
médio, da educação especial e dos anos
finais do ensino fundamental, na modalidade
profissional da educação de jovens e adultos.
RICARDO BARROS COSTA
[email protected]
definição legal, extraímos que o estágio
se trata de “ato
HP157016818401086 educativo escolar
supervisionado”, que se desenvolve no
ambiente de trabalho, cujo objetivo é a
preparação dos educandos para o trabalho.

Assim, vemos que a relação de estágio é um


“agente de integração”, que visa proporcionar
ao estudante os meios que facilitem a sua
transição do ambiente escolar para o mundo
profissional. Como já exposto acima, a
finalidade primordial do estágio é direcionar
o aluno ao aprendizado de uma atividade
profissional, colocando em prática idéias e
conceitos vistos no contexto curricular.

/laportethiago
07
O estágio faz parte do projeto pedagógico
do curso, além de integrar o itinerário
formativo do educando. Visa ao
aprendizado de competências próprias da
atividade profissional e à contextualização
curricular, objetivando o desenvolvimento
do educando para a vida cidadã e para o
trabalho.

Repise-se que o objetivo principal do


estágio é de caráter educativo, visando o
desenvolvimento do estudante “para a vida
cidadã e para o trabalho”. Ressalte-se ainda
o viés social de tal instituto, que justifica
favorecimentos de ordem econômica para
RICARDO BARROS COSTA
[email protected]
tomadores de serviços, como veremos
adiante.HP157016818401086

O raciocínio é bastante simples: o


concedente do estágio permite que o
estagiário adentre em seu estabelecimento
e adquira experiência profissional e de
vida, complementando sua formação
acadêmico-profissional. Além de se
apropriar da força de trabalho do estagiário
(muito embora não seja o objetivo
primordial do estágio, como já vimos, tal
fato acaba ocorrendo por via reflexa), em
contrapartida, recebe incentivos de ordem
fiscal, como a não-incidência de FGTS e
contribuições sociais sobre a
contraprestação paga ao estagiário.

/laportethiago
08
É claro, sem mencionar que, por razões
óbvias, a bolsa paga a um estagiário
normalmente é de valor inferior à
remuneração paga a profissionais já
qualificados.

RICARDO BARROS COSTA


[email protected]
HP157016818401086

/laportethiago
09

CLASSIFICAÇÃO
O estágio, como já visto, faz parte do projeto
pedagógico do curso, e poderá ser
obrigatório ou não obrigatório. Tal
classificação dependerá da determinação das
diretrizes curriculares da etapa, modalidade e
área de ensino e do próprio projeto
pedagógico.

O estágio obrigatório é definido como tal no


projeto do curso, cuja carga horária é
requisito para aprovação e obtenção de
RICARDO BARROS COSTA
diploma.
[email protected]
HP157016818401086
Por seu turno, o estágio não obrigatório é
aquele desenvolvido por livre escolha ou
como atividade opcional, acrescentado à
carga horária regular e obrigatória.

A importância de tal distinção se mostrará


mais à frente, quando serão analisados os
direitos dos estagiários, tais como percepção
de remuneração, férias e etc.

/laportethiago
10

PARTES ENVOLVIDAS

ESTAGIÁRIO

O estagiário será estudante e deverá estar


frequentando o ensino regular em
instituições de educação superior, de
educação profissional, de ensino médio, da
educação especial e dos anos finais do
RICARDO
ensino BARROS COSTA
fundamental, na modalidade
[email protected]
profissional da educação de jovens e adultos.
HP157016818401086

Não há, como se pode observar, previsão de


estágio para alunos que estejam cursando
supletivo.

Estudantes estrangeiros também podem ser


considerados estagiários, desde que
regularmente matriculados em cursos
superiores no país, autorizados ou
reconhecidos. A realização do estágio se dará
nos termos da lei de estágio aplicável aos
brasileiros, e observará o prazo do visto
temporário de estudante, na forma da
legislação aplicável.

/laportethiago
11
Quanto ao estágio em ensino médio regular
(não profissionalizante), ressalte-se, aqui, a
dificuldade existente entre compatibilizar
as atividades desenvolvidas no estágio com
as disciplinas estudadas no curso, haja
vista que o objetivo do estágio é a
complementação deste.

Assim, em que pese haja a previsão do


estágio para estudantes de nível médio, tal
modalidade deve ser vista com bastante
parcimônia, não sendo admitidos os
trabalhos do estagiário em atividades
meramente rotineiras, executadas
normalmente por office-boys, por exemplo.
RICARDO BARROS COSTA
[email protected]
isso acontecendo, estar-se-ia
permitindo a precarização do trabalho do
HP157016818401086
adolescente, que vai de encontro inclusive
ao princípio constitucional da proteção
integral, em que o adolescente é visto
como pessoa em desenvolvimento.

Por fim, não se pode deixar de mencionar o


fato de que a Lei 11.788/08, muito embora
tenha estendido aos estagiários
(trabalhadores em sentido lato) diversos
direitos fundamentais que, em princípio,
são de empregados (trabalhadores
subordinados), foi silente acerca da idade
mínima para que o estudante trabalhe
como estagiário.

/laportethiago
12
Como é sabido, a criança e o adolescente,
por serem indivíduos em desenvolvimento,
recebem da Constituição tratamento
diferenciado, com direito à chamada
proteção especial, consubstanciada no art.
227, §3º, da CF/88, que abrange a vedação
a trabalho noturno, insalubre e perigoso, e
a idade mínima de 16 anos para o trabalho,
salvo na condição de aprendiz a partir dos
14, conforme art. 7º, inciso XXXIII da Carta
Magna.

Sendo assim, cristalina a regra de que


antes dos 16 anos o trabalho somente será
permitido na condição de aprendiz, que não
RICARDO BARROS COSTA
[email protected]
confunde, com o trabalho do estagiário,
de modo que não é possível o estágio antes
HP157016818401086
dos 16 anos. Corrobora com esse
entendimento a legislação previdenciária
que prevê a idade mínima para filiação do
segurado facultativo aos 16 anos, e inclui
expressamente "o estagiário que preste
serviços a empresa nos termos do disposto
na Lei nº 11.788, de 2008"dentre aqueles.

/laportethiago
13
INSTITUIÇÕES DE ENSINO

As instituições de ensino são aquelas que o


oferecerem nas modalidades de educação
superior, de educação profissional, de
ensino médio, da educação especial e dos
anos finais do ensino fundamental, na
modalidade profissional da educação de
jovens e adultos. Mais uma vez ressaltemos
da impossibilidade de figurarem entidades
de ensino supletivo, por falta de amparo
legal.

Elas possuem uma série de obrigações em


relação aos estágios
RICARDO BARROS de seus educandos,
COSTA
dispostas no art. 7º da Lei do Estágio, além
[email protected]
HP157016818401086
da obrigação de manter um professor
orientador que acompanhará a realização
do estágio, na forma do art. 3º, §1º.

Urge ressaltar que, embora a


responsabilidade pelo meio ambiente do
trabalho seja da parte concedente (art. 9º,
II, da Lei 11.788/08), a responsabilidade
será também da instituição de ensino que
for negligente na avaliação das instalações
da parte concedente do estágio, por força
do que dispõe o art. 7º, II, da Lei do
Estágio. No caso de dano sofrido pelo
estagiário decorrente do meio ambiente do
trabalho, a responsabildiade será solidária
(instituição de ensino e parte concedente).

/laportethiago
14
PARTE CONCEDENTE

Podem conceder estágio as pessoas


jurídicas de direito privado e os órgãos da
administração pública direta autárquica e
fundacional de qualquer dos Poderes da
União, dos estados, do Distrito Federal e
dos Municípios, bem como profissionais
liberais de nível superior registrados nos
respectivos Conselhos de Fiscalização
Profissionais (tais como CREA, OAB, CRO
etc.). Todos estão sujeitos às obrigações
elencadas no art. 9º, incisos I a VII e
parágrafo único da Lei.
RICARDO BARROS COSTA
[email protected]
AGENTE DE INTEGRAÇÃO
HP157016818401086

Por fim, destaca-se o último dos “atores” da


relação de estágio, qual seja, o agente de
integração, de participação opcional. É que
as instituições de ensino e as partes
cedentes do estágio podem, a seu critério,
recorrer a contratos ou convênios de
serviços de agentes de integração, que
podem ser públicos ou privados.

As condições de intermediação do estágio


serão acordadas mediante instrumento
jurídico próprio, devendo ser observada, no
caso de contratação com recursos públicos,
a legislação acerca das normas gerais de
licitação.

/laportethiago
15
São tarefas dos agentes de integração:

a) identificar oportunidades de estágio;

b) ajustar suas condições de realização;

c) fazer o acompanhamento administrativo;

d) encaminhas negociação de seguros


contra acidentes pessoais; e,

e) cadastrar os estudantes.

Finalmente, cabe registrar que é vedado


aos agentes de integração cobrar qualquer
RICARDO BARROS COSTA
valor dos estudantes
[email protected] a título de
remuneração pelos serviços acima listados.
HP157016818401086
Os agentes também serão civilmente
responsáveis pela indicação de estagiários
para a realização de atividades
incompatíveis com a programação
curricular instituída para cada curso, como
também matriculados em cursos ou
instituições sem previsão de estágio
curricular.

/laportethiago
16

DIREITOS DO ESTAGIÁRIO

O estagiário poderá receber bolsa ou outra


forma de contraprestação que venha ser
acordada. Não obstante, em se tratando de
estágio não-obrigatório, o pagamento da
contraprestação é obrigatório. Quanto à
definição do valor, o mesmo será feito pela
parte concedente e constará do termo de
compromisso.

O fornecimento do auxílio-transporte
RICARDO BARROS COSTA
também é obrigatório na hipótese de estágio
[email protected]
não-obrigatório. Tal benefício é uma
HP157016818401086
concessão da parte concedente do estágio de
recursos financeiros para auxiliar o estagiário
nas despesas de deslocamento do estagiário
no percurso residência-estágio e vice-versa.
Pode também ser substituída pela concessão
do próprio transporte pela parte concedente
e, em ambas as hipóteses, deverá constar do
termo de compromisso.

O fornecimento de outros benefícios


relacionados a transporte, alimentação e
saúde, e ainda de outra natureza não
caracterizam vínculo empregatício, por
expressa disposição legal, cujo nítido
objetivo foi fomentar o fornecimento de tais
benesses ao estagiário.

/laportethiago
17
Estes não têm natureza obrigatória, e a
relação arrolada pelo §1º o art. 12 é
meramente exemplificativa, dada a
cláusula de abertura caracterizada pela
expressão “entre outros” utilizada na
redação do referido diploma legal.

O estagiário terá direito ainda a um seguro


contra acidentes pessoais, que será
contratado obrigatoriamente pela parte
concedente ou pela instituição de ensino,
na hipótese do estágio obrigatório.

Aplica-se ao estagiário a legislação


relacionada à saúde e segurança no
RICARDO BARROS COSTA
trabalho, sendo sua implementação de
[email protected]
responsabilidade da parte concedente do
HP157016818401086
estágio. Assim, os estagiários estão
protegidos no desenvolvimento de suas
atividades pelo Capítulo V da CLT (relativo
à Segurança e Medicina do Trabalho), e por
conseguinte, pelas Normas
Regulamentadoras estabelecidas por
portaria do Ministério do Trabalho e
Emprego. Nesse diapasão, por exemplo, o
Programa de Controle Médico e Saúde
Ocupacional e o Programa de Gestão de
Riscos das empresas deverão contemplar
além dos empregados, os estagiários.

/laportethiago
18
O estagiário tem direito um período de
licença remunerada de 30 dias, sempre que
o respectivo termo de compromisso tiver
duração igual ou superior a um ano, que
deverá ser gozado preferencialmente junto
com as férias escolares. Repise-se: esse
recesso não é férias, e não há pagamento
do terço constitucional. O mesmo, por força
do que dispõe o art. 13 será gozado
preferencialmente durante suas férias
escolares.

Não podemos deixar de registrar que o


estagiário aqui saiu perdendo duplamente
em relação ao empregado menor estudante.
RICARDO BARROS COSTA
É que o estagiário, além de não gozar férias
[email protected]
(sendo HP157016818401086
assim, o valor pecuniário não é
acrescido de 1/3), mas de mera licença
remunerada, não tem o direito que a
mesma coincida com suas férias escolares,
posto que a legislação mencionou a mera
preferência. Já no caso do trabalhador
menor e estudante, a CLT é expressa em
seu art. 136, §2º, quanto à obrigatoriedade
da referida coincidência.

O estagiário não é segurado obrigatório do


Regime Geral de Previdência Social, mas
pode inscrever-se na qualidade se segurado
facultativo (art. 12, §2º, da Lei 11.788/08).

/laportethiago
19

DURAÇÃO E JORNADA
Quanto à duração do contrato de estágio, o
mesmo não poderá exceder dois anos na
mesma parte concedente, exceto quando se
tratar de estagiário com deficiência.

Já a jornada de atividade realizada em


estágio será definida de comum acordo entre
a instituição de ensino, a parte concedente e
o aluno estagiário ou o seu representante
legal. Deve ainda constar do termo de
RICARDO BARROS
compromisso, ser COSTA
compatível com as
[email protected]
atividades escolares e não ultrapassar:
HP157016818401086

a) 4 (quatro) horas diárias e 20 (vinte) horas


semanais, no caso de estudantes de educação
especial e dos anos finais do ensino
fundamental, na modalidade profissional de
educação de jovens e adultos;

b) 6 (seis) horas diárias e 30 (trinta) horas


semanais, no caso de estudantes do ensino
superior, da educação profissional de nível
médio e do ensino médio regular.

/laportethiago
20
Quanto aos estágios relativos a cursos que
alternem teoria e prática, nos períodos em
que na estiverem programadas aulas
presenciais, eles poderão ter jornada de até
40 (quarenta) horas semanais, desde que
previsto no projeto pedagógico do curso.

A carga horária do estágio também poderá


ser reduzida pelo menos á metade, nos
períodos de avaliação, ser a instituição de
ensino adotar verificações de aprendizagem
periódicas ou finais, segundo estipulado no
termo de compromisso. O objetivo aqui é
garantir o bom desempenho do estudante.
RICARDO BARROS COSTA
A [email protected]
lei não determinou quais seriam os
períodos de intervalo intrajornada para o
HP157016818401086
estagiário. Entretanto, como tal descanso
visa a resguardar a higidez física e mental
do educando, recomenda-se o respeito aos
padrões de horário para alimentação, cujo
período não será computado na jornada,
por falta de amparo legal.

/laportethiago
21

EMPREGO X ESTÁGIO
Como já apontado ao longo do presente
trabalho, a relação jurídica que se dá entre a
parte concedente do estágio e o estagiário é
de verdadeira relação de trabalho, tomada
por seu sentido lato, uma vez que existe a
prestação de serviços realizada por pessoa
natural.

No estágio em que há contraprestação


remuneratória, temos, assim, caracterizados
RICARDO
todos BARROS COSTA
os elementos configuradores da
[email protected]
relação de emprego: pessoalidade, trabalho
HP157016818401086
prestado por pessoa física, não-
eventualidade, onerosidade e subordinação.
Não obstante, por expressa disposição
legislativa, não temos caracterizado o
vínculo empregatício. O objetivo foi fomentar
tal modalidade de relação de trabalho, que,
como já apontamos, possui função social
bastante relevante, com objetivos
educacionais.

Entretanto, se não houver no estágio um


verdadeiro ganho educacional para o
estagiário, temos que foi desviada a sua
verdadeira finalidade (e também razão de sua
existência) de modo que o estágio se
transforma em mera contratação menos
onerosa de força produtiva.

/laportethiago
22
Nessa hipótese, deve ser afastado o
tratamento especial que lhe foi conferido
pela lei, e reconhecido o vínculo
empregatício.

Assim, o estágio não caracteriza vínculo de


emprego de qualquer natureza desde que
observados os requisitos legais (de ordem
formal e material), de modo que não são
devidos os encargos sociais, trabalhistas e
previdenciários, conforme já exposto.

Os requisitos para a regularidade do


estágio (quer seja o obrigatório ou o não
obrigatório), por seu turno, são aqueles
RICARDO BARROS COSTA
apontados no art. 3º:
[email protected]
HP157016818401086
a) matrícula e freqüência regular do
educando;

b) celebração de termo de compromisso


entre o educando, a parte concedente do
estágio e a instituição de ensino; e

c) compatibilidade entre as atividades


desenvolvidas no estágio e as previstas no
termo de compromisso.

Os dois primeiros são requisitos formais, e


o último de caráter material.

/laportethiago
23
O primeiro deles, qual seja, a “matrícula e
freqüência regular do educando”,
pressupõe a existência dos entes
participantes a que já nos referimos no
presente estudo (parte concedente do
estágio, o estagiário - estudante – e a
instituição de ensino) e visa a resguardar a
natureza de “ato educativo escolar
supervisionado” do estágio.

O segundo requisito é a celebração do


termo do compromisso. Este se trata de um
acordo que envolve três partes (educando,
parte concedente e instituição de ensino)
ou quatro, se houver a participação do
RICARDO BARROS COSTA
agente de integração, que, como já vimos,
[email protected]
não é obrigatória. Nele estão previstas as
HP157016818401086
condições de adequação do estágio à
proposta pedagógica do curso, à etapa e
modalidade da formação escolar do
estudante e ao horário e calendário
escolares.

Demais cláusulas que regularão a relação


de estágio também deverão estar nele
contidas, tais como: jornada de atividades
do estagiário, valor da bolsa e do auxílio-
transporte, concessão de quaisquer outros
benefícios, duração do estágio e etc.

/laportethiago
24
Há ainda um requisito “híbrido”, que
ostenta formalidade, mas em verdade se
traduz na conformação material do estágio,
que é a existência de efetivo
acompanhamento por professor orientador
da instituição de ensino e por supervisor da
parte concedente do estágio, comprovado
por vistos em relatórios de atividades do
estagiário – apresentados em prazos não
superiores a seis meses – e por menção de
aprovação final (art. 3º, §1º e art. 7º, IV, Li
11.788/08).

O terceiro requisito, de índole material, se


traduz na “compatibilidade entre as
RICARDO BARROS COSTA
atividades desenvolvidas no estágio e as
[email protected]
previstas no termo de compromisso”. O
HP157016818401086
objetivo de tal requisito é a comprovação
de que o estágio está sendo utilizado para
a consecução dos seus fins sociais, e não
como mera precarização de mão-de-obra.

Assim, as atividades a serem desenvolvidas


pelo estagiário têm que visar sempre o
caráter pedagógico do instituto, que se
traduz em um ato escolar supervisionado,
mas desenvolvido no ambiente de trabalho.

É necessário que haja plena harmonia entre


as atribuições do estagiário e a sua
formação educativa e profissional, tendo
como base o currículo escolar.

/laportethiago
25
Como já mencionamos, tal compatibilidade
será avaliada mediante acompanhamento
supervisionado conjugado da parte
concedente e da instituição de ensino.

Nessa linha de raciocínio, é obrigação da


parte concedente ofertar instalações que
tenham condições de proporcionar ao
educando atividades de aprendizagem
social, profissional e cultural (art. 9º, II).

Em relação ao acompanhamento do
estudante-estagiário, é obrigação também
da parte concedente indicar um funcionário
do seu quadro de pessoal, para orientar e
RICARDO BARROS
supervisionar até COSTA
dez estagiários
[email protected]
simultaneamente (art. 9º, III).
HP157016818401086

Como já bastante demonstrado, o objetivo


da lei é que o estágio propicie ao
estudante efetiva complementação do
ensino, em harmonia e compatibilidade
com o programa pedagógico do curso.

Caso não venham a ser atendidos os


requisitos, tanto de índole formal como de
índole material, teremos descaracterizada a
relação jurídica de estágio, e se houver
contraprestação (pagamento de bolsa ao
estagiário), restará caracterizada a relação
jurídica de emprego. Os requisitos são
cumulativos, e é necessária a presença de
todos eles de forma simultânea para a
legalidade do estágio.

/laportethiago
26
Embora essa afirmação resulte da
interpretação sistemática da Lei do Estágio,
da CLT e da Constituição Federal, a própria
Lei 11.788/08, em seu art. 15 é expressa, e
não deixa margem à dúvida, ao prever que
a manutenção de estagiários em
desconformidade com ela caracteriza
vínculo de emprego do educando com a
parte concedente do estágio para todos os
fins da legislação trabalhista e
previdenciária.

RICARDO BARROS COSTA


[email protected]
HP157016818401086

/laportethiago
27

FISCALIZAÇÃO
Como já exposto, a permanência de
estagiários em desconformidade com o que
está disposto na Lei do Estágio caracteriza o
vínculo empregatício do educando com a
parte concedente do estágio para todos os
fins da legislação trabalhista.

Desse modo, findo o vínculo de estágio


irregular, o “estagiário”, que em verdade
tratava-se de empregado, poderá ingressar
em RICARDO BARROS oCOSTA
juízo pleiteando reconhecimento do
[email protected]
vínculo empregatício, de modo que a ele
HP157016818401086
serão assegurados todos os direitos
trabalhistas inerentes aos empregados, tais
como FGTS, férias, 13º salário, anotação do
vínculo em CTPS e etc.

Entretanto, faz-se mister ressaltar que em se


tratando de parte concedente integrante da
Administração Pública direta ou indireta,
diante da exigibilidade constitucional do
concurso público (art. 37, II), é inviável o
reconhecimento do vínculo empregatício com
ente da Administração Pública, sendo ao
estagiário em situação irregular deferidos
somente os salários do período acrescidos do
FGTS, nos termos da Súmula 363 do C. TST.

/laportethiago
28
É o que diz a Orientação Jurisprudencial nº
366 do TST:

ESTAGIÁRIO. DESVIRTUAMENTO DO
CONTRATO DE ESTÁGIO. RECONHECIMENTO
DO VÍNCULO EMPREGATÍCIO COM A
ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA DIRETA ou
INDIRETA. PERÍODO POSTERIOR À
CONSTITUIÇÃO FEDERAL DE 1988.
IMPOSSIBILIDADE.
Ainda que desvirtuada a finalidade do
contrato de estágio celebrado na vigência da
Constituição Federal de 1988, é inviável o
reconhecimento do vínculo empregatício com
ente da Administração Pública direta ou
RICARDO
indireta, BARROS
por força COSTA
do art. 37, II, da CF/1988,
[email protected]
bem como o deferimento de indenização
HP157016818401086
pecuniária, exceto em relação às parcelas
previstas na Súmula nº 363 do TST, se
requeridas.
Observação: DJ 20, 21 e 23/5/2008.

Além disso, se durante uma auditoria, o


Auditor-Fiscal do Trabalho verificar a
irregularidade no contrato de estágio,
poderá (poder-dever) lavrar Auto de
Infração por falta de registro de
empregado, nos termos do art. 41 da CLT.

/laportethiago
29
Esse já era o entendimento disposto no
Precedente Administrativo nº 61 da SIT,
quando ainda vigorava a legislação anterior
aplicável ao estágio, mas que vai no
sentido do disposto cima, senão vejamos:

PRECEDENTE ADMINISTRATIVO Nº 61
ESTÁGIO. REQUISITOS LEGAIS.
DESCUMPRIMENTO.
I – A existência de termo de compromisso e a
compatibilidade da jornada de estágio com o
horário escolar do aluno não são elementos
suficientes para a configuração da
regularidade do contrato de estágio, uma vez
que devem ser atendidos todos os requisitos
RICARDO
legais, BARROS
em especial a COSTA
complementação do
[email protected]
ensino e da aprendizagem.
HP157016818401086
II – Os estágios devem ser planejados,
executados, acompanhados e avaliados em
conformidade com os currículos, programas e
calendários escolares.
III – Presentes os elementos da relação de
emprego sob a roupagem do contrato de
estágio, procede a descaracterização dessa
contratação especial.
REFERÊNCIA NORMATIVA: Lei nº 6.494/77 e
Decreto nº 87.497/82

/laportethiago
30
É que à inspeção do Trabalho incumbe a
verificação o cumprimento das disposições
legais e regulamentares, inclusive as
relacionadas à segurança e à saúde no
trabalho, no âmbito das relações de
trabalho e de emprego, nos termos do art.
18, I, do Decreto 4.552/02 (Regulamento da
Inspeção do Trabalho) e do art. 11 da Lei
10.593/02.

Observe-se que na hipótese acima, o


Auditor-Fiscal não está decidindo um
litígio trabalhista entre empregador e
empregado, mas apenas constatando a
dissimulação de uma verdadeira relação de
RICARDO BARROS
emprego, e COSTA penalidade
impondo
[email protected]
administrativa à parte concedente do
HP157016818401086
estágio. É irrelevante, no caso, a existência
de termo de compromisso formalizado,
posto que o vínculo de emprego surge da
constatação, no caso concreto, da
existência dos elementos fático-jurídicos
caracterizadores da relação de emprego,
quais sejam, trabalho prestado por pessoa
física, não-eventual, oneroso, subordinado
e realizado de forma personalíssima pelo
empregado.

De igual modo, a parte concedente poderá


receber multa administrativa caso
mantenha estagiário trabalhando em
condições contrárias às normas de
segurança e medicina do trabalho.

/laportethiago
31

Outra penalidade administrativa que


poderá ser imposta à parte concedente do
estágio, prevista pela legislação em estudo,
diz respeito à impossibilidade de a
instituição privada ou pública que reincidir
em estágio irregular em receber estagiários
pelo período de dois anos, ficando
limitada, entretanto, a penalidade à
agência ou filial em que for constatada a
irregularidade, nos termos dos §§ 1º e 2º
da Lei 11.788/08.

Quanto ao número máximo de estagiários,


a legislação fixou um percentual máximo
RICARDO BARROS COSTA
em relação ao quadro de empregados
[email protected]
efetivos, conforme veremos a seguir:
HP157016818401086

a) de 1 (um) a 5 (cinco) empregados: 1 (um)


estagiário;

b) de 6 (seis) a 10 (dez) empregados: até 2


(dois) estagiários;

c) de 11 (onze) a 25 (vinte e cinco)


empregados: até 5 (cinco) estagiários;

d) acima de 25 (vinte e cinco) empregados:


até 20% (vinte por cento) de estagiários.

/laportethiago
32
No cálculo, a empresa deverá considerar a
totalidade dos empregados existentes em
cada estabelecimento ou filiais e deverá
ser arredondado para o primeiro número
inteiro subseqüente caso a aplicação do
percentual de 20% resulte em fração.

Uma ressalva importante é a de que esses


números não se aplicam aos estágios de
nível superior e de nível médio
profissional.

Vê-se, ainda, que fica assegurado às


pessoas com deficiência o percentual de
10% das vagas oferecidas pela parte
concedente
RICARDO doBARROS
estágio. COSTA
[email protected]
HP157016818401086

/laportethiago
33

QUADRO SINÓPTICO
APRENDIZAGEM X ESTÁGIO
Aprendizagem Estágio

Idade mínima 14 anos 16 anos

Estagiário, instituição
Aprendiz,
de ensino, parte
Partes envolvidas empregador e
RICARDO BARROS COSTA concedente e agente
entidade formadora
[email protected] de integração*
HP157016818401086

Vínculo empregatício Sim Não

Contraprestação Salário Bolsa opcional**

Vale-transporte Obrigatório Opcional**

Inscrição na Obrigatória
Facultativa
Previdência Social (empregado)

Seguro contra
--- Sim
acidentes pessoais
*a presença do agente de integração é facultativa
**obrigatório no caso de estágio não obrigatório (a lei do
estágio chama de "auxílio-transporte")

/laportethiago
34

QUADRO SINÓPTICO
APRENDIZAGEM X ESTÁGIO
Aprendizagem Estágio *****

Legislação de SST Sim Sim

Férias* Sim Não


Licença
Não Sim
Remunerada**
13º salário RICARDO Sim
BARROS COSTA --
[email protected]
FGTS Sim (2%)
HP157016818401086 Não

Duração do contrato Até 2 anos*** Até 2 anos***

Obrigatoriedade legal
Sim (salvo ME e EPP) Não
de contratação

1-5 empregados: 1
5% a 15% das 6-10 empregados: 2
Limites****
funções com CBO 11-25 empregados: 5
>25 empregados: até 20%
*férias com 1/3 adicional
**de 30 dias se o contrato durar mais de um ano (não tem 1/3
adicional) e houver pagamento de bolsa
***salvo para o aprendiz e estagiário com deficiência
****por estabelecimento (filial)
*****os limites de estagiários não se aplicam aos estágios de nível
médio e superior

/laportethiago
35

QUADRO SINÓPTICO
APRENDIZAGEM X ESTÁGIO
Jornada Aprendizagem Estágio

estudantes de educação
especial e dos anos finais
4h diárias/20h do ensino fundamental,
---
semanais na modalidade
profissional de educação
de jovens e adultos
RICARDO BARROS COSTA
estudantes do ensino
[email protected]
superior, da educação
6h diárias/30h HP157016818401086
Regra geral (limite) profissional de nível
semanais
médio e do ensino médio
regular
cursos que alternam
teoria e prática, nos
40h semanais --- períodos em que não
estão programadas aulas
presenciais*

Para os aprendizes
que já tenham
concluído o ensino
8h diárias fundamental, ---
computadas as horas
destinadas à
aprendizagem teórica
*desde que isso esteja previsto no projeto pedagógico do curso e da
instituição de ensino

/laportethiago

Você também pode gostar