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História e Classificação da Fitogeografia

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1 SISTEMA FITOGEOGRAFICO

Desde os tempos do grande filósofo alemão Em­ Universal" (Veloso et alii - datilografado), de onde
manuel Kant ( 1724/1804) que o conceito de Geo­ foram retirados a nomenclatura e os conceitos liga­
grafia Física vem mudando em sintonia com a dos à geografia botânica.
evolução das ciências da Terra e do Cosmos. Naque­
la época Kant adotou o termo "sistema" como sig­ 1.1 Conceituações
nificando um conjunto de problemas ordenados
segundo alguns princípios uniformes. Neste item conceituam-se vários termos questio­
Foi, no entanto, com Alexandre F. von Humboldt náveis e discutem-se outras nomenclaturas usadas
no seu livro AnsichJen der Natur (Aspectos da Na­ no levantamento da vegetação que auxiliam sobre­
tureza), publicado em 1808, que se iniciou a história maneira a fitogeografia.
da moderna Geografia Física. Ele foi aluno de Kant, Os conceitos populares de árvore, arvoreta, arbus­
que o incentivou no pensamento político da liberda­ to, erva e cipó já indicavam e mpiricarne nte como
de individual e no estudo da Geografia, podendo ser cresciam as plantas. Foi, porém, Humbold t (1806)
assim considerado como o pai da fitogeografia, com o primeiro naturalista a ensaiar conceitos científicos
seu artigo Physiognomik der Gewachese (Fisiono­ sobre as formaS de vida das plantas, no seu trabalho
mia dos Ve getais) publicado em 1806. Foi também Physiognomik der Gewachese (Fisionomia dos Ve­
Humboldt que em 1845/48 publicou a sua monu­ getais), diferenciando 16 formas significati vas.
mental obra Kosmus, ensaio de uma descrição física Contudo foi Kemer (1863) que, baseado em Hum­
do mundo, possibilitando aos naturalistas um novo boldt, tentou demonstrar a dependência das formas
conhecimento da Geografia Física, inclusive da Bo­ d e vida das plantas ao cl ima , simplifi can do as for­
tânica. mas vegetais em 11 tipos, sem prendê-los à sistemá­
Após Huniboldt seguiram-se outros naturalistas tica que seguia caminhos diferentes.
que se destacaram no estudo da fitogeografia, tais A partir de Warrning (1875), porém, o conceito de
como: Grisebach (1872) que pela primeira vez gru­ forma dos vegetais modernizou-se e passou a refle­
pou as plantas por caráter fisionômico definido, tir uma adaptação ao ambiente, apresentando uma
como floresta, campo e outros, designando-os como estrutura fisiológica preexistente que indicava um
"fonnações"; Engler & Prantl (1877) que iniciaram fator genético da planta. Raunkiaer, baseado em.:
a moderna clas�ificação sistemática das plantas; Warrning, inicialmente eml905.edepóis em 1918,
Drude 0889) que dividiu a Terra em zonas, regiões, criou um sistema simples e muito bem ordenado de
donúnios e setores de acordo com os endemismos formas de vida, as quais denominou de "formas
que apresentavam as plantas; e finalmente Schimper biológicas". Este sistema foi aplicado em trabalhos
(1903) que no início do século tentou, pela primeira fisiológicos e estendido posteriormente para a fito­
vez, unificar as paisagens vegetais mundiais de g eografia por Kuchler (1949) e Ellemberg & Muel-
acordo com as estruturas fisionômicas. Por este 1er Dombois (1 %5/66) em face das respostas das
motivo ele deve ser considerado como o criador da plantas aos tipos de clima, desde o tropical até o
moderna fitogeografia temperado e frio.
Seguem-se a esta apresentação histórica da fito­ As formas biológicas de Raunkiaer (193 4 ) dife­
geografia outros autores mais modernos que in­ renciavam as plantas pela posição e proteção dos
fluenciaram a classificação a q u i a d o t a d a órgãos de crescimento (gemas e brotos) em relação
�o m o: Tansley & Chipp (1926), Gonzaga de Cam­ aos períodos climáticos desde o calor ao frio e do
pos (1926), Schirnper & Faber ( 1 93 5), Burtt-Davy úmido ao seco. Ele separou assim 'as plantas em
(1938), Sampaio (1940), Trochain (1955), Aubré­ c inco categorias: fanerófitos, caméfitos, hemicrip­
ville (1956), Andrade-Lima ( 19 66), V elos o t6fitos, cript6fitos e terófitos. A partir daí, muitos
(1966), Ellemberg & Mueller-Dombois (1965/6), p esquisadores modificaram ou m esmo incluíram
UNESCO (1973), Rizzini (1979), Veloso & Góes­ outras categorias de fonnas de vida à classificação
Filho (1982) e Eiten (1983). de Raunkiaer.
Assim sendo, o presente manual para estudos fito­ Para o presente caso, inclusãd de parâmetro auxi­
geográficos segue a linha da "Classificação da Ve­ liar para a classificação da vegetação, usaram-se as
ge tação Brasi leira, ad aptada a um Sistem a modificações propostas por Braun-Blanque t

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(1932), acre scid as de algumas das subformas apre­ tas apresentam-se com alturas variáveis, desde 0,25
sentadas p o r Ellemb erg & Muelle r-Domb ois até cerca de 15 m, ocorrendo freqüentemente nas
( 1965/6) m ais as aiterações inc lu ídas das subformas áreas savanícolas do Centro-Oeste br asileiro. O ter ­
mo "xeromorfo" foi introduzido pela Universidade
de fanerófit o c a adoção de mais uma categori a de
de São Paulo - USP - para designar uma forma
forma de vida visando à vegetaçã o brasileira.
vegetal da Savana ( Ce rrad o) de Emas (SP), confor­
me Rawitscher (1943/4).
1.2 Classificação das Formas de Vida
Esta classificação baseada em Raunkiaer foi adap­ 1.3 Chave de Classificação das Formas
tada às condições brasileiras como segue: de Vida
I - Fanerófitos: são plantas lenhosas com as gemas
e brotos de crescimento protegidos por catafilos, Esta chave de classificação foi baseada em Raun­
situados acima de 0,25 m do solo. Apresent am-se ki aer, modi fi cada c adaptada para o Brasil. A presen ­
com dois aspectos e coedáficos: normal climáti co e ta as formas bio l ógi cas de Raunkiaer modificadas,
raquítico o ligo trófico , subdivididos, conforme suas
acrescidas das subformas de vida de Ellemberg &
alturas médias, e m :
Mueller- D ombois e ainda com mais uma forma de
Macrofanerófitos: são plantas de alto p orte, va­
duplo modo de sobrevivência de Rawitscher, como
riando entre 30 e 50 m de altura, ocorrendo pre­
ferencialmente na Amazônia e no sul do Brasil. segue:
Mesofanerófitos: são plantas de porte médio, va­
riando entre 20 e 30 m de altura. ocorrendo pre fe­
rencialmente n as áreas extra-amazônicas.
Microfanerófitos: são plantas de baixo porte, va­ l - Plantas autotróficas com wn só
tipo de proteção do órgão de
riando entre 5 e 20m de altura, ocorrendo preferen­ crescimento..................................... 2
cialffiente nas áreás nordestinas e no Centro-Oeste.
Plantas autotróficas com dois tipos
Nanofanerófitos: são plantas anãs, raquíticas, va­
de proteção d os órgãos de
riando entre 0,25 e 5 m de altura, ocorrendo prefe­ crescimento..................................... 7
rencialmente e m todas as áreas campestres do País.
2 - Plantas perenes. ... .... ......... ... . .. ... 3
ll - Caméfitos: são plantas sublenhosas e/ou ervas
Plantas anuais, reproduzidas por
com gemas e brotos de crescimento situados acima sementes.......................................... TERÓFITOS
do solo, atingindo até 1 m de altura e protegidos
3 - Plantas lenhosas com órgãos de
durante o período desfavorável, ora p or catafilos, crescimento protegidos por
ora pelas folhas verticiladas ao nível do solo, ocor­ cat ..filos................................. ..... ... .. 4
rendo preferencialmente nas áreas campestres pan­
Plantas sublenhosas e/ou
tanosas. herbáceas com gemas periódicas,
lli - Hemicriptófitos: são plantas herbáceas com protegidas por catafilos e situadas
gemas e brotos de crescimento protegidos ao nível até 1 m do solo................................ CAMÉFITOS
do solo pelos céspedes que morrem na época desfa­ Plantas herbác eas com outros tipos
vorável, ocorrendo em todas as áreas campestres do de proteção de cresci mento............. 5
País. 4 - Plantas lenhosas erectas ..... ..... .. 6
IV- Geófitos: são plantas herbáceas com os órgãos Plantas lenhosas e/ou herbáceas
de crescimento (gema, xilopódio, rizoma ou bulbo) que neces sitam de um suporte ........ LIANAS
situados n o subsolo, estando assim protegidos du­ 5 - Plantas com gemas situadas ao
rante o período desfavorável, ocorrendo preferen­ nível do solo, protegidas pela
cialmente nas áreas campestres e,em alguns casos, folhagem morta dw-ante o período
HEMICRIPTÓFITOS
nas áreas florestais. desfavorável-················-·············· ·

V- Terófitos: são plantas anuais, cujo ciclo vital é Plantas com órgãos de crescimento
completado por sementes que sobrevivem à estação localizados no subsolo···-··············· GEÓFITOS
desfavorável, ocorrendo exclusivamente nas áreas 6 - Plantas cuja altw-a varia entre
campestres. 30e 50m ·······················-··············· MACROFANERómos
VI - Lianas: são plantas lenhosas e/ou herbáceas Plantas cuja altw-a varia entre20e
30m ·······························-··············· MESOFANERÓFITOS
reptantes (cipós) com as gemas e brotos de cresci­
mento situados acima do solo, protegidos por cata­ Plantas cuja altura varia entre 5 e
20m·······························-··············· MICROFANERÓFITOS
filas, ocorrendo quase que exclusivamente nas
áreas florestais. Plantas cuja altw-a varia entre 02 ,5
e 5 m ···························--················ N ANOFANERÓFITOS
VII- Xeromórfitos: são plantas lenhosas e/ou her­
báceas que apresentam duplo modo de sobrevivên­ 7 - Plantas lenhosas eloo
herbáceas com gemas protegidas
cia ao período desfavorável; um subterrâneo através por catafilos na parte aérea e com
de xilopódios e outro aéreo, com as ·gemas e brotos órgãos de crescimento
XEROMÓRFITOS
de crescimento protegidos por cataftlos. Estas plan- subterrâneo....·············-········ ..........

7fl
Manual Técnico da Vegetação Brasileira
·;·t

espécies que aí dominam são da farru1ia Euphorbia­ pouco menores), pode-se perfeitamente mapear os
I
ceae, principalmente Hieronym;; a!chorneoides. se­ pastos plantados e os naturais por todo o País,
c)�foouna (.t0 latN a 16° !at.S.
· de 600 m até 2 ()('() m: de b) Arhorizada
melhantes às da Serra dos Orgãos, �6 que situadas embora às vezes as comunidades vegetais secundá­ 16° latS I :!�0 lat. S, de: soam até
I 50:) m de 11it'ilude) I) Sem palmcir;Js
La
Am
em comunidades nas terras baixas. E uma comuni­ rias induzam a erros que não são graves, porque I) Com p almeiras 2) Com palmeiras
Las
Amp
dade denominada popularmente como "capoeirão", servem para o pastoreio do gado em criação exten­ 2) Com cipós
Lap
c) Gramínco-lcnhosa
segundo Veloso ( 1945). siva. 111 ·Floresta Ombrófila Mista (Flor
Ame Lg
esta de I) Sem palmeiras
Nas escalas regionais e exploratórias (de Araucária) Lgs
1. 7.3 Reflorestamento M VIl· Savana (C<rr:odo)
1: l 000 000 até 1 100 000), é difícil e às vezes quase a) Aluvial (ao longo dos llúvio
s) s
Ma a) Florcstada (Ccrrad"oi
impossível ser ·;a floresta secundária, do tipo Nas escalas regional e exploratória, com auxílio b) Submontana (2-1° lat.S a 32° Sd
lat. S. de 30m até
capoeirão, de u:da floresta primária onde houve de imagens de satélite, é possível separarem-se r �r­ 400m) b) Arborizada (Canlpo-Conadu)
Sa
Ms
exploração seletiva que, em geral, desfalca esta feitamente as áreas reflorestadas das florestas natu­ c) Montana ( 16 ° lat.S a 24
° Joo.S, de
c) Parque
Sp
última dos seus elementos emer2:entes. Já nas esca­ rais e secundárias, m a s é quase im possÍ'Jel I 500m: de 24° lat.S a 32" lat.S, de 500m até l) Sem tloresta-Je-galcria
4 00m até Sps
I 000m de altitude)
las de semidetalhe e de demlhe (maiores que afirmar-se qual a espécie utilizada no reflorc:;ta­ Mm 2) Com llorcsta·dc-galcria
d) Alto-monran a (as si'·:'"'ções Spf
1:50 000) é possível a separação deste tipo de co­ mento mesmo em se tratando de grupos difere'ltes, extremos das altitudes das forma
acima dos limites d) Gramíncu-Lcnhusa (Campo-de
-Cerrado) Sg
munidade secundária da floresta primária explorada como por exemplo: Eucalyptus e Pinus ou mesmo
ções montanas) Ml I) Sem floresta-de-galeria
IV. Flores ta Esladonal Semid Sgs
parcialmei.te. Coniferales em geral. Contudo, nas escalas de se­ ecidual (Flo resla

I
Thopical Subcaducifólia) 2) Com tlorcsta-Je-galcria
Sgf
midetalhe e detalhe, com auxílio de fotografias con­ F
YIII · Savana-Eslépica (Caalinga do
a) Aluvial (ao longo dos flúvios) Scrliio
1.7.2 Agropecuária vencionais, pode-se separar facilmente qualquer Fa Arido, Campos de Roraima,
I) Dosscl unifonnc Chaco Sul-1\lato­
tipo de reflorestamento e/ou florestamento.
G rosscnsc e Pa rq u e de Esp inilho da
Em qualquer escala é fácil delimitarem-se os usos Fau

l
Barra do Rio
2) Dossel emergente Quaraf)
agrícolas (agricultura ou pecuária), mas não é sim­ Fae T
ples separar culturas permanentes lenhos as, de mé­ 1.8 Legenda do Sistema Fitogeográfi­ b) Terras Baixas (4° lat.N a 16"
100m: de 16° lat.S a 24° lat.S.
.lat.S, de 5 m até a) Florcstada
Td
de 5 m até 50m: de b) Arborizada
dio porte, d;,.s áreas vegetacionais secundárias, pois co nas Escalas Exploratória e Regio­ 24° lat.S a 32" lat.S, de 5 m até
30m de altitude) Ta
as delimitações retangulares das áreas agrícolas per­ nal (1:250 000 até 1:1 000 000)
Po I) Sem floresta-de-galeria
I) Dossel uniforme Tas
manecem após o abandono dos mesmos, justamente Fbu 2) Com lloresta-de-galcria
A) REGIÕES FITOECOLÓGICAS OU TIPOS DE 2) Dossel emergente Ta f
quando se inicia a suces;;ão natural. Só após a Fbc c) Parque

J
c) Submontana (4° lat.N • 16° lat.S,
V EGETAÇÃO de 100m até Tp
verificação terrestre das manchas separadas das 600m; de 16" lat.S a 24° lat.S, de 50m I) Sem florcsta-Jc-galeria
Tps
I -Floresta Ombrófila Densa (Floresta Pluvial até 500m;
imagens obtidas pelos sensores remotos, é possível Tropical) D
de 24° lat.S a 32° lat.S, de 30m
até 400m de 2) Com floresta-de-galeria
altitude) Tpf
estabelecerem-se, com certa garantia, quais os tipos a) Aluvial (ao longo dos flúvios) Da
'
Fs d) Gramínco-lcnhosa
Tp
de culturas existentes na área estudada. I ) Dossel uniforme Dau
I) Dossel unifonnc
Fsu I) Sem llorcsta-dc-galcria
2) Dossel emergente Tps
2) Dossel emergente Dae F se 2) Com norcsta-dc-galt:ria
1. 7.2.1 Agricultura d) Montana (4° lat.N a 16° lat.S, de 600 m a
Tpf
b) Terras Baixas (4°lat.N a 16" lat.S, de 5 m até IX- Eslepc (Campanha Gaucha e Campos
Em escala regional e exploratória, o máximo a ser 100m: de 16° lat.S a 24° lat.S, de 5 m até 50m: de 2 000 m; de 16° lat.S a 24° lat.S, de 500m até
Gcrnis l'lanálticos)
I 500m: de 24" lat. S a 32" lat.S, de 400m a E
feito resume-se em separar as culturas cíclicas das 24° lat.S a 32" lat.S, de 5 m até 30m de altitude) Db
I 000m de altitude) a) Arborizada ou Arbórea Aberta
I) Ea
permanentes, assim mesmo após boa verificação Dos sei uniforme Dbu Fm
I) Dosscl uniforme I) Sem floresta-Jc-galcria E as
terrestre para testar os padrões da imagem do sensor 2) Dossel emergente Dbe Fmu
2) Com llorcsta-dc-galcria
2) Dosscl emergente
r� moto usado.
c) Submontana (4° lat.N a 16° lat.S, de 100m até F me Eaf
600 m: de 16" lat.S a 24° lat.S, de 50m até 500m: V·Flores la Eslacional Decidual (Floresta b) Parque
Nas escalas de semidetalhe e de detalhe, a separa­ Ep
:::·: de 24° lat.S a 32° lat.S, de 30m até 400m de Thopical Cad uc i fólia) I) Sem floresta-de-galeria
ção do tipo de agricultura realizada pode e deve ser altitude) Os a) Aluvial (ao longo dos flúvios)
c Eps
2) Com llorcsta-dc-galeria
detectada, pelo menos as mais importantes, como: I) Dossel uniforme Dsu Ca Epf
I) Dossel unifonne c) Gramínco-Lcnhos<.�
agricultura cíclica de soja, trigo, arroz e cana-de­ 2) Dossel emergente Dse Cau Eg
b) Terras Baixas (4° lat.N a 16° lat.S, de 5m até I) Sem llorcsta-Jo-gakria
açúcar, sendo que algumas culturas, como, o feijão d) Monrana (4° lat.N a 16° lat.S, de 600m até 100m: de 16° lat.S a 24° lat.S, de Egs
5 m a 50m; de
da área de Irecê, na Bahia, podem ser perfeitamente 2 000m: de 16 ° lat.S a 24° lat.S, de 500m até 24° lat.S a 32° lat.S, de 5 m até 30m
de altitude)._..
2) Com lloresta-dc-galcria
Egf
I 500m: de 24° lat.S a 32° lat.S, de 4 00 m até Cb
separadas; agriculturas de café, laranja, cacau são I 000m de altitude) Dm
I) Dos sei uniforme
Cbu
facilmente detectadas após a comparação dos pa­ I) Dossel uniforme Dmu 2) Dossel emergente B) FORMAÇÕES PIONEIRAS
Cbe p
drões de imagem com a "verdade terrestre". As 2) Dossel emergente Orne c) Submontana (4° lat.N a 16° lat.S, de
l 100m a
culturas cíclicas e permanentes localizadas em áreas e) Alto-montana (as situações acima dos limites I 600m: de 16° lat.S a 24° lat.S, de
50m a1é 500m: I� Formações com influência
marinha (restinga)
menores terão de ser englobadas ou então simplifi­ extremos das altitudes das formações montanas) DI
de 24° lat.S a 32° lat.S. de 30m
até 400m de
Pm
-�: altitude) a) Arbórea (do pontal rochoso)
cadas para o devido mapeamento. I) Dossel unifo rme Dlu i Cs Pma
I) Dossel unifonne b) Arbustiva (das dunas)
11- Floresta Ombrófila Aberta (Faciações da Csu Pmb
1.7.2.2 Pecuária (Pastagem) Floresta Densa) A 2) Dossel emergente c) Herbácea (das praias)
Cse Pmh
11- Formações com innuência fluviomarinha
Nas escalas regional e exploratória, não é fácil a) Terras Baixas (4° lat.N a 16° lat.S, de 5 m até d) Montana (4° lat.N a 16° lat.S, de 600m até Pf
100m: de 16° lat.S a 24° lat. S, de 5 m até 50 m de a) Arbórea (Manguczal)
identificar pastos, separando-os da agricultura cícli­ altitude) Ab 2 000m: de 16° lat.S a 24° lat.S, de 500m até
b) Herbácea (planícies marinhas)
Pfm
ca, o mais conveniente é englobá-los no item "agro­ I) Com palmeiras Abp
I 500m: de 24° lat.S a 32° lat.S, de 4 00m até
111� Fonnações
Pfh
com inn utncia nuviaJ
pecuária". Também não é fácil separar as culturas 2) Com cipós Abc
I 000m de altitude) Cm lacustre
e/ou
Pa
permanentes de uma comunidade vegetacional se­ b) Submontana (4°lat.N a l 6 °lat.S, de 100m até
I) Dosscl unifom1e
Cmu a) Buritizal
Pab
cundária, porém com o auxílio de padrões típicos é 600 m de altitude) As 2) Dossel emergente
Cme h) Arbustiva
Paa
possível sep<.rá-los em alguns casos. I) Com palmeiras . \sp VI· Cam pin a ran a (Ca m p i nas) I) Sem palmeiras
L Paas
Nas escalas de semidetalhe e detalhe, com auxílio 2) Com cipós Asc ·-:· a) Florestad a 2) Com palmeiras
... Ld Paap
de sensores fotográficos pancromáticos e infraver­ 3) Com bambus Asb I) Sem palmeiras c) Hcrbúcea
Lds Pah
melhos em escala de até 1:50 000 (ou mesmo um 4) Com sororocas Ass
·-;: · 2) Com palmeiras I) Sem palmeiras _
Ldp Pahs
2} Com palmeiras
1: P<1hp

i;·
1.7.1 Sucessão Natural caméfitas herbáceas e muitas lenhosas e/ou su ble­
onei ra já 'oi 1.6.4 Classificação dos Refúgios Vegetacionais
Essa sucessão natural da vegetação pi nhosas, sendo denominada corno "capoeira rab"
(Comunidades Relíquias) Uma área agrícola, ap.Ss ser abandonada pelo mau
s do Brasil , piincipal­
estudada em várias regiõe uso do solo ou por exaustão da fertilidade, apresenta
por Ve!oso (1945).
maiores áreas Este estágio apresenta um cobrimcnto do tene r.o
rnente na Amazônia, onde existem as Toda e qualquer vegetação floristicamente dife­ inicialmente um processo pioneiro de colonização
com plantas de médio po11e, os nanofanerófitos, que
de várzeas do País. rente e logicamente fisionômico-ecológica também do solo por plantas bem primitivas, capazes de
atingem excepcionalmente altur as de até 3m, mas
diferente do contexto geral da flora dominante foi viverem da água e da "r�ha viva" ou dos horizontes
bastante espaçados en:re si, onde algumas espécies
considerada como um "refúgio ecológico". O refú- mineralizados do solo. E o caso do Pteridium aqui­
1.6.3 Classiliçação das Áreas de Tensão
·
do gênero Vernonit, começam a substituir as do
linum (Pteridófita) que coloniza os solos degrada­
gio muitas vezes constitui uma vegetação relíquia gênero Baccharis.
Ecológica (Vegetação de Transição) dos das áreas se rranas altas (submontanas e
que persiste em situações especialíssimas, como é Observa-se que até esta fase sucessional a vegeta­
ou tipos de montanas) das serras costeiras (do Mar, Bocaina,
Entre duas ou mais regiões ecológicas o caso de comunidades localizadas em altitudes ção natural só pode ser individualizada em ma­
na maio­ dos Órgãos e da Mantiqueira) e da Imperata brasi­
vegetação, existem sempre, ou pelo menos acima de I 800 m. peamentos detalh ad o s nas escalas m a io res que
as liensis que coloniza os solos degradados das áreas
ria das vezes, comunidades indiferenciada,s onde 1:25 000, por meio de fotografias aéreas p<�ncro má­
ão baixas costeiras, desde os Latossolos, originados de
floras se interpenetram constituindo as transiç
ões O refúgio ecológico fazend o parte da vegetaç ticas ou infravermelhas.
o caso se tros ambien tais terrenos arqueanos, nos estados do Sudeste, até os
floristicas ou contatos edáficos. O primeir regional é determ inado por parâme
Podzólicos, de origem arenítica do Pliopleistoceno,
refere ao "mosaico específico" ou ao próprio ecóto­ mais ou menos constantes, contudo, quand
o Ul'1 ou 1.7.1.4 Quarta Fase
ao nos Estados do Espírito Santo e Rio de Janeiro.
no de Clements (1949). O segundo caso se refere mais destes fatores físicos forem alterad os prova­
Esta fase, com vegetação bastante complexa, do­
encrave Estas duas áreas, tomadas como exemplo, apre­
"mosaico de áreas edáficas", onde cada velmente ocorrerão modificações na estrutu
ra e
sentam um progresso vegetacional de acordo com a minada por microfanerófitos com até 5 m, foi deno­
misturar
guarda sua identidade ecológica, sem se mesmo na florística da vegetação clímax
. A�'im,
sucessão de inúmeros terófitos, geófitos, caméfitos, m i n a d a p o r Velo,so ( 1945) de "c a p o e i r a
(Veloso et alii, 1973). ismo am­
qualquer fator que destoe deste sincron nanofanerófitos, m icrofllilerófitos e mesofanerófi­ propriamente di ta " . E u m estágio su ce ssi onal que
A cartografia da "tensão ecológica" é urna questão diferentes pode ser detectado por sensoriamcnto remoto na
e de biental terá como resposta fisionomias tos, todos originados de plantas providas de frutos
de escala, pois nas escalas de semidetalhe exempl o: os cu­ escala I: I 00 000 por nuança da cor cinza, talvez a
nos ambien tes menore s, como por e/ou sementes leves emplumadas ou aladas.
detalhe tanto o ecótono como o encrave são perfei­ cÍ<!l:l mais clara de todas com cobertura lenhosa. Contu­
tamente detectados e por este motivo devem
ser mes litóllcos das serras, as altitudes que influen
e mes­ 1.7.1.1 Primeira Fase do, nas imagens de satélite, o presente estágio pode
separa dos e mapea dos corno entidad es
inde­ no microclima, as áreas turfosas planálticas
idade ser confundido com culturas lenhosas, necessitando
pendentes. mo das de baixa altura e, assim, toda comun Esta fase inicial sugere uma "regressão ecológica",
assim ser testado com várias observações de campo.
vrgeta­
refugiada dissonante do reflexo normal da em face de ser colonizada por hemicriptófitos pio­
Já em fotografias pancrom;íticas ou infravermelhas
de ção clímax regional. neiros de famílias basta.nte primitivas, como é o
1.6.3.1 Ecótono (Mistura Florística entre Tipos caso da Pteridófita Pteridium aquilinum, de distri­
nas escalas !:60 000 ou maiores, pode-se identificar
Vegetaçãu) razoavelmente esta fase da sucessão natural. sepa­
buição mundial, e da Gramineae lmperata brasi­
1.7 Sistema Secundário rando-a de culturas arbóreas como café, laranja,
liensis, de d i s t r i b u ição n e o t r o pi c a l , q u e
reflorestamento e outras mais.
O contato entre tipos de vegetação com estruturas praticamente reiniciam o processo de formação oo
s No caso da comunidade pioneira das áreas monta­
fisionômicas semelhantes fica muitas vezes imper­ No sistema secundário (antrópico) estão incluída horizonte orgânico do solo. Não se conhece o tempo
idades secund árias brasilei ras. São nhosas costeiras do Sudeste c do Sul do País, dentro
ceptível, e o mapeamento por simples fotointerpre­ todas as comun que leva esta colonização (anos ou talvez mesmo
para das formações 5ecundárias submontana e montana
tação é impossível. Toma-se necessário então o aquelas áreas onde houve intervenção humana décadas), contudo é durante esta fase que começa o
ora, das Serras dos Orgãos e da Mantiqueira, a Tibouclzi­
levantamento floristico de cada Região Ecológica uso da terra. seja com a finalidade minerad aparecimento das pr:mei ras terófitas e caméfitas,
ão na estrelensis nas serras e a 7ibouchina c/aussen nos
para se poder delimitar as áreas do ecótono, cor.1o agrícola ou pecuária, descaracterizando a vegetaç li como por exemplo: Leguminosae reptantes, Verbe­
contrafortes dos morrotes dominam, constituindo
abando­ naceae e Labiatae an•· �s (terófitas), Portulacaceae
primária. Assim sendo essas áreas, quando

p 1r exemplo: Floresta Ombrófila Densa/Floresta consorciações, como se fossem reflorestamentos.
reagem e muitas outras caméfitas com exigências rudimen­
Estacionai. Já em outros ecótonos, principalmente nadas, logo depois do seu uso antrópico, Nos Estados do Paraná e Santa Catarina, nas áreas
uso. tares pioneiras.
quando os tipos de vegetação que se contatam apre­ diferentemente de acordo com o tempo e o montanhosas, dominam nas encosta s ora Tibouchi­
, e de
sentam estruturas fisionômicas diferentes, a delimi­ Porém, a vegetação que surge reflete sempre 1.7.1.2 Segunda Fase
na pulclzra (enquanto nas áreas brejeiras sobressai
ecológi­
maneira bastante uniforme, os parâmetros
4---
tação desse mosaico floristico se torna fácil e a Tibouchina multiceps) ora a 1'vficonia cinnamomi­
e a um Esta fase, que não necessita passar pela primeira, folia. Existem outras associações mais complexas
praticável, podendo ser efetuado por simples fotoin­ cos do ambiente. A sucessão vegetal obedec
ado pela ação preda­ pois depende do estado em que foÍabandonado o dependentes de cada tipo de solo e das situações
terpretação, como por exemplo: Floresta Ornbrófi­ ritmo, ao refazer o solo degrad
a orgânica terreno após o cultivo agrícola, refere-se ao que o geográficas que apresentam condições de serem
Ia/Savana (Cerrado). tória do homem. As perdas da matéri povo denomina de "capoeirinha". Este estágio su­
os do mapeadas por Sensoriamento remoto na escala
pelas queimadas e a dos elementos químic

1.6.3.2 Encrave (Áreas Disjuntas que se Contata


m)
solo, pela lixivia ção provoc ada pelas
chuvas, empobrecem rapidamente os solos
águas das
tropi­
·�:�� cessional secundário já apresenta hemicriptófitos
graminóides, caméfitos rosulados e nanofanerófitos
1:100 000 e que ficam uniformizadas dentro do
mesmo padrão de imagem das "capoeiras)".

A
�� ��. ..
de baixo porte, como por exemplo: Gramineae do
cais, que custam a se recuperar naturalmente.
.-;<-�
gênero Paspalum, Solanaceae do gênero Solanum, 1.7.1.5 Quinta Fase
No caso de mosaicos de áreas encravadas situadas adição de calcário dolo mítico aos solos degrad
ados ;· Compositae dos gêneros J1.1ilwnia e Vemonia e mui­
entre duas regiões ecológicas, sua delimitação
tor­
de­
reativa as trocas dos cátions imobilizados
pelo ex­ fi�- tas outras. Aí aparecem plantas lenhosas dominadas Esta fase é dominada por , rncsofancrófito s que
na-se exclusivamente cartográfica e sempre to dos ultrapassam 15m de altura. E um est<\gio eminen­

t
cesso de alumínio e acelera o reaprov eitamen por Compositae do gênero Baccharis e Melastoma­
s é
pendente da escala, pois em escalas menore solos ditos cansados para a agricultura e
principal­ taceae dos gêneros Leandra, Miconia e Tibouchina, temente lenhoso, sem plantas emergentes, mas bas­
vegeta­ :. tante un if o rme quanto à J!tura dos elementos
sempre possível separá-Ias. Esta ocorrência mente para as pastagens plantadas. ·iS '"'<'
sendo que este último dom ina na maioria das comu­
ade nidades submontanas das serras costeiras. dom i nant es. Aí podem ser observados muitc;s indi­
t: ·
cional de transição edáfica não oferece dificuld
ões Para o presente caso, o que interessa é a chamada víduos do clímax circundante: na SeiTa dos Orgãos,
em ser delimitada, seja para os tipos de vegetaç
com estruturas fisionômicas semelhantes ou
para vegetação secuml1ria, que surge com o abandono da
terra, após o uso pela agricultura, pela pecuária e
}::li' 1.7.1.3 Terceira Fase as espécies do gê ne ro Vochnia. nas comunidades
alto-montanas, e os gêneros Cariniana. Viro/a, Xi­
aqueles com estruturas diferentes, como por exem­ ':!r ·
en­ finalmente pelo reflorestamento e/ou florestamento Esta fase com vegetação mais desenvolvida, ainda lopia e mu itas outra; na comunidade montana; nas
plo: Floresta Ombrófila!Floresta Estacionai ou dominada pelo gênero B accharis. apresenta poucas encosta s da Serra do Mar. em Santa Catarina, as
de áreas campestres naturais.
tão Floresta Ombrófila/Savana (Cerrado).
,;

��:
.
GEOSSISTEMA - EMBORA OS GEOSSISTEMAS SEJAM FENÔMENOS
NATURAIS, TODOS OS FATORES ECONÔMICOS E SOCIAIS,
INfLUENCIANDO SUA EST �UTURA E PECULIARIDADES ESPACIAIS, SÃO
TOMADAS EM CONSIDERAÇAO DURANTE SEU ESTUDO (SOTCHAVA, 1977).

O CONCEITO DE GEOSSISTEMA VISA FACILITAR O ENTROSAMENTO DOS


FATOS "SOCIAIS" OU "HUMANOS" COM AS DIFERENTES ESFERAS DO
"NATURAL".

O GEOSSISTEMA COMPREEENDE UM ESPAÇO QUE SE CARACTERIZA


PELA HOMOGENIDADE DE SEUS COMPONENTES, SUAS ESTRUTURAS,
FLUXOS E RELAÇÕES QUE, INTEGRADAS, FORMAM O SISTEMA DO
AMBIENTE FÍSICO E ONDE HÁ EXPLORAÇÃO BIOLÓGICA (TROPPMAIR,
1989, P. 125).

ASPECTOS QUE CARACTERIZAM O GEOSSISTEMA:

o MORFOLOGIA

o DINÂMICA

o EXPLORAÇÃO BIOLÓGICA

A PAISAGEM NÃO É A SIMLES ADIÇÃO DE ELEMENTOS GEOGRÁFICOS


-

DISPARATADOS. E UMA DATERMINADA PORÇÃO DO ESPAÇO, RESULTADO


DA COMBINAÇÃO DINÂMICA, PORTANTO INSTÁVEL, DE ELEMENTOS
FÍSICOS, BIOLÓGICOS E ANTRÓPICOS QUE, REAGINDO DIALÉTICAMENTE
UNS SOBRE OS OUTROS, FAZEM DA PAISAGEM UM CONJUNTO ÚNICO, EM
PERPÉTUA EVOLUÇÃO (BERTRAND, 1972).

A PAISAGEM SE DEFINE, ISTO É, SE DESCREVE E SE EXPLICA PARTINDO


DAS FORMAS, DE SUA MORFOLOGIA. AS FORMAS RESULTAM DE DADOS
DO MEIO AMBIENTE NATURAL OU SÃO CONCEQÜÊNCIAS DA
INTERVENÇÃO HUMANA IMPRIMINDO SUA MARCA SOBRE O ESPAÇO
(DOLLFUS, 1971).

A PAISAGEM PODE SER ENTENDIDA COMO UM GEOSSISTEMA QUANDO É


CONSIDERADA COMO UM ESPAÇO VISTO E DESCRITO ATRAVÉS DE SUAS
CARACTERÍSTICAS FORMAIS, ESTRUTURAIS E FUNCIONAIS E QUE SE
ALTERA DE ACORDO COM A VARIAÇÃO DESSAS CARACTERÍSTICAS E DO
IMPACTO HISTÓRICO SOBRE ELA.

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