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Lista Modernismo

Questões de literatrura

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Super Professor

1. (Enem 2021) A volta do marido pródigo

– Bom dia, seu Marrinha! Como passou de ontem?


– Bem. Já sabe, não é? Só ganha meio dia. [...]
Lá além, Generoso cotuca Tercino:
– [...] Vai em festa, dorme que-horas, e, quando chega, ainda é todo enfeitado e salamistrão!...
– Que é que hei de fazer, seu Marrinha... Amanheci com uma nevralgia... Fiquei com cisma de
apanhar friagem...
– Hum...
– Mas o senhor vai ver como eu toco o meu serviço e ainda faço este povo trabalhar...
[...]
Pintão suou para desprender um pedrouço, e teve de pular para trás, para que a laje lhe não
esmagasse um pé.
Pragueja:
– Quem não tem brio engorda!
– É... Esse sujeito só é isso, e mais isso... – opina Sidu.
– Também, tudo p’ra ele sai bom, e no fim dá certo...
– diz Correia, suspirando e retomando o enxadão. – “P’ra uns, as vacas morrem ... p’ra outros
até boi pega a parir...”.
Seu Marra já concordou:
– Está bem, seu Laio, por hoje, como foi por doença, eu aponto o dia todo. Que é a última
vez!... E agora, deixa de conversa fiada e vai pegando a ferramenta!

ROSA, J. G. Sagarana. Rio de Janeiro: José Olympio, 1967.

Esse texto tem importância singular como patrimônio linguístico para a preservação da cultura
nacional devido
a) à menção a enfermidades que indicam falta de cuidado pessoal.
b) à referência a profissões já extintas que caracterizam a vida no campo.
c) aos nomes de personagens que acentuam aspectos de sua personalidade.
d) ao emprego de ditados populares que resgatam memórias e saberes coletivos.
e) às descrições de costumes regionais que desmistificam crenças e superstições.

2. (Enem 2019) Toca a sirene na fábrica,


e o apito como um chicote
bate na manhã nascente
e bate na tua cama
no sono da madrugada.
Ternuras da áspera lona
pelo corpo adolescente.
É o trabalho que te chama.
Às pressas tomas o banho,
tomas teu café com pão,
tomas teu lugar no bote
no cais do Capibaribe.
Deixas chorando na esteira
teu filho de mãe solteira.
Levas ao lado a marmita,
contendo a mesma ração
do meio de todo o dia,
a carne-seca e o feijão.
De tudo quanto ele pede
dás só bom-dia ao patrão,
e recomeças a luta
na engrenagem da fiação.

MOTA, M. Canto ao meio. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1964.

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Super Professor

Nesse texto, a mobilização do uso padrão das formas verbais e pronominais


a) ajuda a localizar o enredo num ambiente estático.
b) auxilia na caracterização física do personagem principal.
c) acrescenta informações modificadoras às ações dos personagens.
d) alterna os tempos da narrativa, fazendo progredir as ideias do texto.
e) está a serviço do projeto poético, auxiliando na distinção dos referentes.

3. (Enem 2019) Uma ouriça

Se o de longe esboça lhe chegar perto,


se fecha (convexo integral de esfera),
se eriça (bélica e multiespinhenta):
e, esfera e espinho, se ouriça à espera.
Mas não passiva (como ouriço na loca);
nem só defensiva (como se eriça o gato)
sim agressiva (como jamais o ouriço),
do agressivo capaz de bote, de salto
(não do salto para trás, como o gato):
daquele capaz de salto para o assalto.

Se o de longe lhe chega em (de longe),


de esfera aos espinhos, ela se desouriça.
Reconverte: o metal hermético e armado
na carne de antes (côncava e propícia),
as molas felinas (para o assalto),
nas molas em espiral (para o abraço).

MELO NETO, J. C. A educação pela pedra. Rio de Janeiro; Nova Fronteira, 1997

Com apuro formal, o poema tece um conjunto semântico que metaforiza a atitude feminina de
a) tenacidade transformada em brandura.
b) obstinação traduzida em isolamento.
c) inércia provocada pelo desejo platônico.
d) irreverência cultivada de forma cautelosa.
e) desconfiança consumada pela intolerância.

4. (Enem 2018) – Famigerado? [...]


– Famigerado é “inóxio”, é “célebre”, “notório”, “notável” ...
– Vosmecê mal não veja em minha grossaria no não entender. Mais me diga: é desaforado? É
caçoável? É de arrenegar? Farsância? Nome de ofensa?
– Vilta nenhuma, nenhum doesto. São expressões neutras, de outros usos ...
– Pois ... e o que é que é, em fala de pobre, linguagem de em dia de semana?
– Famigerado? Bem. É: “importante”, que merece louvor, respeito ...

ROSA, G. Famigerado. In: Primeiras estórias. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2001.

Nesse texto, a associação de vocábulos da língua portuguesa a determinados dias da semana


remete ao
a) local de origem dos interlocutores.
b) estado emocional dos interlocutores.
c) grau de coloquialidade da comunicação.
d) nível de intimidade entre os interlocutores.
e) conhecimento compartilhado na comunicação.

5. (Enem 2018) Certa vez minha mãe surrou-me com uma corda nodosa que me pintou as
costas de manchas sangrentas. Moído, virando a cabeça com dificuldade, eu distinguia nas
costelas grandes lanhos vermelhos. Deitaram-me, enrolaram-me em panos molhados com

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água de sal – e houve uma discussão na família. Minha avó, que nos visitava, condenou o
procedimento da filha e esta afligiu-se. Irritada, ferira-me à toa, sem querer. Não guardei ódio a
minha mãe: o culpado era o nó.

RAMOS, G. Infância. Rio de Janeiro: Record, 1998.

Num texto narrativo, a sequência dos fatos contribui para a progressão temática. No fragmento,
esse processo é indicado
a) pela a alternância das pessoas do discurso que determinam o foco narrativo.
b) utilização de formas verbais que marcam tempos narrativos variados.
c) indeterminação dos sujeitos de ações que caracterizam os eventos narrados.
d) justaposição de frases que relacionam semanticamente os acontecimentos narrados.
e) recorrência de expressões adverbiais que organizam temporalmente a narrativa.

6. (Enem 2018) O trabalho não era penoso: colar rótulos, meter vidros em caixas, etiquetá-las,
selá-las, envolvê-las em papel celofane, branco, verde, azul, conforme o produto, separá-las
em dúzias... Era fastidioso. Para passar mais rapidamente as oito horas havia o remédio:
conversar. Era proibido, mas quem ia atrás de proibições? O patrão vinha? Vinha o
encarregado do serviço? Calavam o bico, aplicavam-se ao trabalho. Mal viravam as costas,
voltavam a taramelar. As mãos não paravam, as línguas não paravam. Nessas conversas
intermináveis, de linguagem solta e assuntos crus, Leniza se completou. Isabela, Afonsina,
Idália, Jurete, Deolinda – foram mestras. O mundo acabou de se desvendar. Leniza perdeu o
tom ingênuo que ainda podia ter. Ganhou um jogar de corpo que convida, um quebrar de olhos
que promete tudo, à toa, gratuitamente. Modificou-se o timbre de sua voz. Ficou mais quente. A
própria inteligência se transformou. Tornou-se mais aguda, mais trepidamente.

REBELO, M. A estrela sobe. Rio de Janeiro: José Olympio, 2009.

O romance, de 1939, trazer à cena tipos e situações que espelham o Rio de Janeiro daquela
década. No fragmento, o narrador delineia esse contexto centrado no
a) julgamento da mulher fora do espaço doméstico.
b) relato sobre as condições de trabalho no Estado Novo.
c) destaque a grupos populares na condição de protagonistas.
d) processo de inclusão do palavrão nos hábitos de linguagem.
e) vínculo entre as transformações urbanas e os papéis femininos.

7. (Enem 2018)

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A imagem integra uma adaptação em quadrinhos da obra Grande sertão: veredas, de


Guimarães Rosa. Na representação gráfica, a inter-relação de diferentes linguagens
caracteriza-se por
a) romper com a linearidade das ações da narrativa literária.
b) ilustrar de modo fidedigno passagens representativas da história.
c) articular a tensão do romance à desproporcionalidade das formas.
d) potencializar a dramaticidade do episódio com recursos das artes visuais.
e) desconstruir a diagramação do texto literário pelo desequilíbrio da composição.

8. (Enem 2017) Declaração de amor

Esta é uma confissão de amor: amo a língua portuguesa Ela não é fácil. Não é maleável. [...] A
língua portuguesa é um verdadeiro desafio para quem escreve. Sobretudo para quem escreve
tirando das coisas e das pessoas a primeira capa de superficialismo.

Às vezes ela reage diante de um pensamento mais complicado. Às vezes se assusta com o
imprevisível de uma frase. Eu gosto de manejá-la – como gostava de estar montada num
cavalo e guiá-lo pelas rédeas, às vezes a galope. Eu queria que a língua portuguesa chegasse

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ao máximo em minhas mãos. E este desejo todos os que escrevem têm. Um Camões e outros
iguais não bastaram para nos dar para sempre uma herança de língua já feita. Todos nós que
escrevemos estamos fazendo do túmulo do pensamento alguma coisa que lhe dê vida.

Essas dificuldades, nós as temos. Mas não falei do encantamento de lidar com uma língua que
não foi aprofundada. O que recebi de herança não me chega. Se eu fosse muda e também não
pudesse escrever, e me perguntassem a que língua eu queria pertencer, eu diria: inglês, que é
preciso e belo. Mas, como não nasci muda e pude escrever, tornou-se absolutamente claro
para mim que eu queria mesmo era escrever em português. Eu até queria não ter aprendido
outras línguas: só para que a minha abordagem do português fosse virgem e límpida.

LISPECTOR. C. A descoberta do mundo. Rio de Janeiro Rocco, 1999 (adaptado).

O trecho em que Clarice Lispector declara seu amor pela língua portuguesa, acentuando seu
caráter patrimonial e sua capacidade de renovação, é:
a) “A língua portuguesa é um verdadeiro desafio para quem escreve.”
b) “Um Camões e outros iguais não bastaram para nos dar para sempre uma herança de língua
já feita.”
c) “Todos nós que escrevemos estamos fazendo do túmulo do pensamento alguma coisa que
lhe dê vida.”
d) “Mas não falei do encantamento de lidar com uma língua que não foi aprofundada.”
e) “Eu até queria não ter aprendido outras línguas: só para que a minha abordagem do
português fosse virgem e límpida.”

9. (Enem 2017) Essas moças tinham o vezo de afirmar o contrário do que desejavam. Notei a
singularidade quando principiaram a elogiar o meu paletó cor de macaco. Examinavam-no
sérias, achavam o pano e os aviamentos de qualidade superior, o feitio admirável. Envaideci-
me: nunca havia reparado em tais vantagens. Mas os gabos se prolongaram, trouxeram-me
desconfiança. Percebi afinal que elas zombavam e não me susceptibilizei. Longe disso: achei
curiosa aquela maneira de falar pelo avesso, diferente das grosserias a que me habituara. Em
geral me diziam com franqueza que e roupa não me assentava no corpo, sobrava nos sovacos.

RAMOS, G. Infância. Rio de Janeiro: Record, 1994.

Por meio de recursos linguísticos, os textos mobilizam estratégias para introduzir e retomar
ideias, promovendo a progressão do tema. No fragmento transcrito, um novo aspecto do tema
é introduzido pela expressão
a) “a singularidade”.
b) “tais vantagens”.
c) “os gabos”.
d) “Longe disso”.
e) “Em geral”.

10. (Enem 2017) Segundo quadro

Uma sala da prefeitura. O ambiente é modesto. Durante a mutação, ouve-se um dobrado e


vivas a Odorico, “viva o prefeito” etc. Estão em cena Dorotéa, Juju, Dirceu, Dulcinéa, o vigário e
Odorico. Este último, à janela, discursa.

ODORICO – Povo sucupirano! Agoramente já investido no cargo de Prefeito, aqui estou para
receber a confirmação, a ratificação, a autenticação e por que não dizer a sagração do povo
que me elegeu.

Aplausos vêm de fora.

ODORICO – Eu prometi que o meu primeiro ato como prefeito seria ordenar a construção do
cemitério.

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Aplausos, aos quais se incorporam as personagens em cena.

ODORICO – (Continuando o discurso:) Botando de lado os entretantos e partindo pros


finalmente, é uma alegria poder anunciar que prafrentemente vocês lá poderão morrer
descansados, tranquilos e desconstrangidos, na certeza de que vão ser sepultados aqui
mesmo, nesta terra morna e cheirosa de Sucupira. E quem votou em mim, basta dizer isso ao
padre na hora da extrema-unção, que tem enterro e cova de graça, conforme o prometido.

GOMES, D. O bem amado. Rio de Janeiro: Ediouro, 2012.

O gênero peça teatral tem o entretenimento como uma de suas funções. Outra função
relevante do gênero, explícita nesse trecho de O bem amado, é a
a) criticar satiricamente o comportamento de pessoas públicas.
b) denunciar a escassez de recursos públicos nas prefeituras do interior.
c) censurar a falta de domínio da língua padrão em eventos sociais.
d) despertar a preocupação da plateia com a expectativa de vida dos Cidadãos.
e) questionar o apoio irrestrito de agentes públicos aos gestores governamentais.

11. (Enem 2017) O farrista

Quando o almirante Cabral


Pôs as patas no Brasil
O anjo da guarda dos índios
Estava passeando em Paris.
Quando ele voltou de viagem
O holandês já está aqui.
O anjo respira alegre:
“Não faz mal, isto é boa gente,
Vou arejar outra vez.”
O anjo transpôs a barra,
Diz adeus a Pernambuco,
Faz barulho, vuco-vuco,
Tal e qual o zepelim
Mas deu um vento no anjo,
Ele perdeu a memória...
E não voltou nunca mais.

MENDES. M. História do Brasil. Rio de Janeiro: Nova Fronteira. 1992

A obra de Murilo Mendes situa-se na fase inicial do Modernismo, cujas propostas estéticas
transparecem, no poema, por um eu lírico que
a) configura um ideal de nacionalidade pela integração regional.
b) remonta ao colonialismo assente sob um viés iconoclasta.
c) repercute as manifestações do sincretismo religioso.
d) descreve a gênese da formação do povo brasileiro.
e) promove inovações no repertório linguístico.

12. (Enem 2017) TEXTO I

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TEXTO II

Na sua produção, Goeldi buscou refletir seu caminho pessoal e político, sua melancolia e
paixão sobre os intensos aspectos mais latentes em sua obra, como: cidades, peixes, urubus,
caveiras, abandono, solidão, drama e medo.
ZULIETTI, L. F. Goeldi: da melancolia ao inevitável. Revista de Arte, Mídia e Política. Acesso
em: 24 abr. 2017 (adaptado).

O gravador Oswaldo Goeldi recebeu fortes influências de um movimento artístico europeu do


início do século XX, que apresenta as características reveladas nos traços da obra de

a)

b)

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c)

d)

e)

13. (Enem 2016) A partida de trem

Marcava seis horas da manhã. Angela Pralini pagou o táxi e pegou sua pequena valise. Dona
Maria Rita de Alvarenga Chagas Souza Melo desceu do Opala da filha e encaminharam-se
para os trilhos. A velha bem-vestida e com joias. Das rugas que a disfarçavam saía a forma
pura de um nariz perdido na idade, e de uma boca que outrora devia ter sido cheia e sensível.
Mas que importa? Chega-se a um certo ponto – e o que foi não importa. Começa uma nova
raça. Uma velha não pode comunicar-se. Recebeu o beijo gelado de sua filha que foi embora
antes do trem partir. Ajudara-a antes a subir no vagão. Sem que neste houvesse um centro, ela
se colocara do lado. Quando a locomotiva se pôs em movimento, surpreendeu-se um pouco:
não esperava que o trem seguisse nessa direção e sentara-se de costas para o caminho.
Angela Pralini percebeu-lhe o movimento e perguntou:
— A senhora deseja trocar de lugar comigo?
Dona Maria Rita se espantou com a delicadeza, disse que não, obrigada, para ela dava no
mesmo. Mas parecia ter-se perturbado. Passou a mão sobre o camafeu filigranado de ouro,
espetado no peito, passou a mão pelo broche. Seca. Ofendida? Perguntou afinal a Angela
Pralini:
— É por causa de mim que a senhorita deseja trocar de lugar?

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LISPECTOR, C. Onde estivestes de noite.


Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1980 (fragmento).

A descoberta de experiências emocionais com base no cotidiano é recorrente na obra de


Clarice Lispector. No fragmento, o narrador enfatiza o(a)
a) comportamento vaidoso de mulheres de condição social privilegiada.
b) anulação das diferenças sociais no espaço público de uma estação.
c) incompatibilidade psicológica entre mulheres de gerações diferentes.
d) constrangimento da aproximação formal de pessoas desconhecidas.
e) sentimento de solidão alimentado pelo processo de envelhecimento.

14. (Enem 2016) PINHÃO sai ao mesmo tempo que BENONA entra.
BENONA: Eurico, Eudoro Vicente está lá fora e quer falar com você.
EURICÃO: Benona, minha irmã, eu sei que ele está lá fora, mas não quero falar com ele.
BENONA: Mas Eurico, nós lhe devemos certas atenções.
EURICÃO: Você, que foi noiva dele. Eu, não!
BENONA: Isso são coisas passadas.
EURICÃO: Passadas para você, mas o prejuízo foi meu. Esperava que Eudoro, com todo
aquele dinheiro, se tornasse meu cunhado. Era uma boca a menos e um patrimônio a mais. E o
peste me traiu. Agora, parece que ouviu dizer que eu tenho um tesouro. E vem louco atrás
dele, sedento, atacado de verdadeira hidrofobia. Vive farejando ouro, como um cachorro da
molest’a, como um urubu, atrás do sangue dos outros. Mas ele está enganado. Santo Antônio
há de proteger minha pobreza e minha devoção.

SUASSUNA, A. O santo e a porca.


Rio de Janeiro: José Olympio, 2013 (fragmento).

Nesse texto teatral, o emprego das expressões “o peste” e “cachorro da molest’a” contribui
para
a) marcar a classe social das personagens.
b) caracterizar usos linguísticos de uma região.
c) enfatizar a relação familiar entre as personagens.
d) sinalizar a influência do gênero nas escolhas vocabulares.
e) demonstrar o tom autoritário da fala de uma das personagens.

15. (Enem 2016) Antiode

Poesia, não será esse


o sentido em que
ainda te escrevo:

flor! (Te escrevo:


flor! Não uma
flor, nem aquela
flor-virtude – em
disfarçados urinóis).

Flor é a palavra
flor; verso inscrito
no verso, como as
manhãs no tempo.

Flor é o salto
da ave para o voo:
o salto fora do sono
quando seu tecido
se rompe; é uma explosão

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Super Professor

posta a funcionar,
como uma máquina,
uma jarra de flores.

MELO NETO, J. C. Psicologia da composição.


Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1997 (fragmento).

A poesia é marcada pela recriação do objeto por meio da linguagem, sem necessariamente
explicá-lo. Nesse fragmento de João Cabral de Melo Neto, poeta da geração de 1945, o sujeito
lírico propõe a recriação poética de
a) uma palavra, a partir de imagens com as quais ela pode ser comparada, a fim de assumir
novos significados.
b) um urinol, em referência às artes visuais ligadas às vanguardas do início do século XX.
c) uma ave, que compõe, com seus movimentos, uma imagem historicamente ligada à palavra
poética.
d) uma máquina, levando em consideração a relevância do discurso técnico-científico pós-
Revolução Industrial.
e) um tecido, visto que sua composição depende de elementos intrínsecos ao eu lírico.

16. (Enem 2015)

As formas plásticas nas produções africanas conduziram artistas modernos do início do século
XX, como Pablo Picasso, a algumas proposições artísticas denominadas vanguardas. A
máscara remete à
a) preservação da proporção.
b) idealização do movimento.
c) estruturação assimétrica.
d) sintetização das formas.
e) valorização estética.

17. (Enem 2012) TEXTO I

Antigamente

Antigamente, os pirralhos dobravam a língua diante dos pais e se um se esquecia de arear os


dentes antes de cair nos braços de Morfeu, era capaz de entrar no couro. Não devia também
se esquecer de lavar os pés, sem tugir nem mugir. Nada de bater na cacunda do padrinho,
nem de debicar os mais velhos, pois levava tunda. Ainda cedinho, aguava as plantas, ia ao
corte e logo voltava aos penates. Não ficava mangando na rua nem escapulia do mestre,
mesmo que não entendesse patavina da instrução moral e cívica. O verdadeiro smart calçava
botina de botões para comparecer todo liró ao copo d’água, se bem que no convescote apenas

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Super Professor

lambiscasse, para evitar flatos. Os bilontras é que eram um precipício, jogando com pau de
dois bicos, pelo que carecia muita cautela e caldo de galinha. O melhor era pôr as barbas de
molho diante de um treteiro de topete, depois de fintar e engambelar os coiós, e antes que se
pudesse tudo em pratos limpos, ele abria o arco.

ANDRADE, C. D. Poesia e prosa. Rio de janeiro: nova Aguilar, 1983 (fragmento).

TEXTO II

Palavras do arco da velha

Expressão Significado
Cair nos braços de Morfeu Dormir
Debicar Zombar, ridicularizar
Tunda Surra
Mangar Escarnecer, caçoar
Tugir Murmurar
Liró Bem-vestido
Copo d’água Lanche oferecido pelos amigos
Convescote Piquenique
Bilontra Velhaco
Treteiro de topete Tratante atrevido
Abrir o arco Fugir

FLORIN, J. L. As línguas mudam. In: Revista Língua Portuguesa, n. 24, out. 2007 (adaptado).

Na leitura do fragmento do texto Antigamente constata-se, pelo emprego de palavras


obsoletas, que itens lexicais outrora produtivos não mais o são no português brasileiro atual.
Esse fenômeno revela que
a) a língua portuguesa de antigamente carecia de termos para se referir a fatos e coisas do
cotidiano.
b) o português brasileiro se constitui evitando a ampliação do léxico proveniente do português
europeu.
c) a heterogeneidade do português leva a uma estabilidade do seu léxico no eixo temporal.
d) o português brasileiro apoia-se no léxico inglês para ser reconhecido como língua
independente.
e) o léxico do português representa uma realidade linguística variável e diversificada.

18. (Enem 2011) Estrada

Esta estrada onde moro, entre duas voltas do caminho,


Interessa mais que uma avenida urbana.
Nas cidades todas as pessoas se parecem.
Todo mundo é igual. Todo mundo é toda a gente.
Aqui, não: sente-se bem que cada um traz a sua alma.
Cada criatura é única.
Até os cães.
Estes cães da roça parecem homens de negócios:
Andam sempre preocupados.
E quanta gente vem e vai!
E tudo tem aquele caráter impressivo que faz meditar:
Enterro a pé ou a carrocinha de leite puxada por um
bodezinho manhoso.
Nem falta o murmúrio da água, para sugerir, pela voz
dos símbolos,
Que a vida passa! que a vida passa!
E que a mocidade vai acabar.

BANDEIRA, M. O ritmo dissoluto. Rio de Janeiro: Aguilar 1967.

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Super Professor

A lírica de Manuel Bandeira é pautada na apreensão de significados profundos a partir de


elementos do cotidiano. No poema Estrada, o lirismo presente no contraste entre campo e
cidade aponta para
a) o desejo do eu lírico de resgatar a movimentação dos centros urbanos, o que revela sua
nostalgia com relação à cidade.
b) a percepção do caráter efêmero da vida, possibilitada pela observação da aparente inércia
da vida rural.
c) opção do eu lírico pelo espaço bucólico como possibilidade de meditação sobre a sua
juventude.
d) a visão negativa da passagem do tempo, visto que esta gera insegurança.
e) a profunda sensação de medo gerada pela reflexão acerca da morte.

19. (Enem 2010) Texto I

Logo depois transferiram para o trapiche o depósito dos objetos que o trabalho do dia
lhes proporcionava.
Estranhas coisas entraram então para o trapiche. Não mais estranhas, porém, que
aqueles meninos, moleques de todas as cores e de idades as mais variadas, desde os nove
aos dezesseis anos, que à noite se estendiam pelo assoalho e por debaixo da ponte e
dormiam, indiferentes ao vento que circundava o casarão uivando, indiferentes à chuva que
muitas vezes os lavava, mas com os olhos puxados para as luzes dos navios, com os ouvidos
presos às canções que vinham das embarcações...

AMADO, J. Capitães da Areia. São Paulo: Companhia das Letras, 2008 (fragmento).

Texto II

À margem esquerda do rio Belém, nos fundos do mercado de peixe, ergue-se o velho
ingazeiro – ali os bêbados são felizes. Curitiba os considera animais sagrados, provê as suas
necessidades de cachaça e pirão. No trivial contentavam-se com as sobras do mercado.

TREVISAN, D. 35 noites de paixão: contos escolhidos. Rio de Janeiro: BestBolso, 2009


(fragmento).

Sob diferentes perspectivas, os fragmentos citados são exemplos de uma abordagem literária
recorrente na literatura brasileira do século XX. Em ambos os textos,
a) a linguagem afetiva aproxima os narradores dos personagens marginalizados.
b) a ironia marca o distanciamento dos narradores em relação aos personagens.
c) o detalhamento do cotidiano dos personagens revela a sua origem social.
d) o espaço onde vivem os personagens é uma das marcas de sua exclusão.
e) a crítica à indiferença da sociedade pelos marginalizados é direta.

20. (Enem 2009) Confidência do Itabirano

Alguns anos vivi em Itabira.


Principalmente nasci em Itabira.
Por isso sou triste, orgulhoso: de ferro.
Noventa por cento de ferro nas calçadas.
Oitenta por cento de ferro nas almas.
E esse alheamento do que na vida é porosidade e
[comunicação.

A vontade de amar, que me paralisa o trabalho,


vem de Itabira, de suas noites brancas, sem mulheres e
[sem horizontes.

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Super Professor

E o hábito de sofrer, que tanto me diverte,


é doce herança itabirana.

De Itabira trouxe prendas diversas que ora te ofereço:


esta pedra de ferro, futuro aço do Brasil,
este São Benedito do velho santeiro Alfredo Duval;
este couro de anta, estendido no sofá da sala de visitas;
este orgulho, esta cabeça baixa...

Tive ouro, tive gado, tive fazendas.


Hoje sou funcionário público.
Itabira é apenas uma fotografia na parede.
Mas como dói!

ANDRADE, C. D. Poesia completa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 2003.

Carlos Drummond de Andrade é um dos expoentes do movimento modernista brasileiro. Com


seus poemas, penetrou fundo na alma do Brasil e trabalhou poeticamente as inquietudes e os
dilemas humanos. Sua poesia é feita de uma relação tensa entre o universal e o particular,
como se percebe claramente na construção do poema Confidência do Itabirano. Tendo em
vista os procedimentos de construção do texto literário e as concepções artísticas modernistas,
conclui-se que o poema acima
a) representa a fase heroica do modernismo, devido ao tom contestatório e à utilização de
expressões e usos linguísticos típicos da oralidade.
b) apresenta uma característica importante do gênero lírico, que é a apresentação objetiva de
fatos e dados históricos.
c) evidencia uma tensão histórica entre o “eu” e a sua comunidade, por intermédio de imagens
que representam a forma como a sociedade e o mundo colaboram para a constituição do
indivíduo.
d) critica, por meio de um discurso irônico, a posição de inutilidade do poeta e da poesia em
comparação com as prendas resgatadas de Itabira.
e) apresenta influências românticas, uma vez que trata da individualidade, da saudade da
infância e do amor pela terra natal, por meio de recursos retóricos pomposos.

TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO:


Canção do vento e da minha vida

O vento varria as folhas,


O vento varria os frutos,
O vento varria as flores...
E a minha vida ficava
Cada vez mais cheia
De frutos, de flores, de folhas.

[...]
O vento varria os sonhos
E varria as amizades...
O vento varria as mulheres...
E a minha vida ficava
Cada vez mais cheia
De afetos e de mulheres.

O vento varria os meses

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Super Professor

E varria os teus sorrisos...


O vento varria tudo!
E a minha vida ficava
Cada vez mais cheia
De tudo.

BANDEIRA, M. Poesia completa e prosa. Rio de Janeiro: José Aguilar, 1967.

21. (Enem 2009) Na estruturação do texto, destaca-se


a) a construção de oposições semânticas.
b) a apresentação de ideias de forma objetiva.
c) o emprego recorrente de figuras de linguagem, como o eufemismo.
d) a repetição de sons e de construções sintáticas semelhantes.
e) a inversão da ordem sintática das palavras.

22. (Enem 2007)

Um dia, os imigrantes aglomerados na amurada da proa chegavam à fedentina quente de um


porto, num silêncio de mato e de febre amarela. Santos. - É aqui! Buenos Aires é aqui! -
Tinham trocado o rótulo das bagagens, desciam em fila. Faziam suas necessidades nos trens
dos animais onde iam. Jogavam-nos num pavilhão comum em São Paulo. - Buenos Aires é
aqui! - Amontoados com trouxas, sanfonas e baús, num carro de bois, que pretos guiavam
através do mato por estradas esburacadas, chegavam uma tarde nas senzalas donde acabava
de sair o braço escravo. Formavam militarmente nas madrugadas do terreiro homens e
mulheres, ante feitores de espingarda ao ombro.

Oswald de Andrade. "Marco Zero II - Chão". Rio de Janeiro: Globo, 1991.

Levando-se em consideração o texto de Oswald de Andrade e a pintura de Antonio Rocco


reproduzida acima, relativos à imigração europeia para o Brasil, é correto afirmar que
a) a visão da imigração presente na pintura é trágica e, no texto, otimista.
b) a pintura confirma a visão do texto quanto à imigração de argentinos para o Brasil.
c) os dois autores retratam dificuldades dos imigrantes na chegada ao Brasil.
d) Antonio Rocco retrata de forma otimista a imigração, destacando o pioneirismo do imigrante.
e) Oswald de Andrade mostra que a condição de vida do imigrante era melhor que a dos ex-
escravos.

TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO:

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O CANTO DO GUERREIRO

Aqui na floresta
Dos ventos batida,
Façanhas de bravos
Não geram escravos,
Que estimem a vida
Sem guerra e lidar.
- Ouvi-me, Guerreiros,
- Ouvi meu cantar.

Valente na guerra,
Quem há, como eu sou?
Quem vibra o tacape
Com mais valentia?
Quem golpes daria
Fatais, como eu dou?
- Guerreiros, ouvi-me;
- Quem há, como eu sou?

Gonçalves Dias.

MACUNAÍMA
(Epílogo)

Acabou-se a história e morreu a vitória.


Não havia mais ninguém lá. Dera tangolomângolo na tribo Tapanhumas e os filhos dela
se acabaram de um em um. Não havia mais ninguém lá. Aqueles lugares, aqueles campos,
furos puxadouros arrastadouros meios-barrancos, aqueles matos misteriosos, tudo era solidão
do deserto... Um silêncio imenso dormia à beira do rio Uraricoera. Nenhum conhecido sobre a
terra não sabia nem falar da tribo nem contar aqueles casos tão pançudos. Quem podia saber
do Herói?

Mário de Andrade.

23. (Enem 2007) A leitura comparativa dos dois textos indica que
a) ambos têm como tema a figura do indígena brasileiro apresentada de forma realista e
heroica, como símbolo máximo do nacionalismo romântico.
b) a abordagem da temática adotada no texto escrito em versos é discriminatória em relação
aos povos indígenas do Brasil.
c) as perguntas "- Quem há, como eu sou?" (10. texto) e "Quem podia saber do Herói?" (20.
texto) expressam diferentes visões da realidade indígena brasileira.
d) o texto romântico, assim como o modernista, aborda o extermínio dos povos indígenas como
resultado do processo de colonização no Brasil.
e) os versos em primeira pessoa revelam que os indígenas podiam expressar-se poeticamente,
mas foram silenciados pela colonização, como demonstra a presença do narrador, no
segundo texto.

TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO:


Texto I

Agora Fabiano conseguia arranjar as ideias. O que o segurava era a família. Vivia
preso como um novilho amarrado ao mourão, suportando ferro quente. Se não fosse isso, um
soldado amarelo não lhe pisava o pé não. (...) Tinha aqueles cambões pendurados ao pescoço.
Deveria continuar a arrastá-los? Sinha Vitória dormia mal na cama de varas. Os meninos eram
uns brutos, como o pai. Quando crescessem, guardariam as reses de um patrão invisível,
seriam pisados, maltratados, machucados por um soldado amarelo.
Graciliano Ramos. Vidas Secas. São Paulo: Martins, 23ª ed., 1969, p. 75.

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Texto II

Para Graciliano, o roceiro pobre é um outro, enigmático, impermeável. Não há solução


fácil para uma tentativa de incorporação dessa figura no campo da ficção. É lidando com o
impasse, ao invés de fáceis soluções, que Graciliano vai criar Vidas Secas, elaborando uma
linguagem, uma estrutura romanesca, uma constituição de narrador em que narrador e
criaturas se tocam, mas não se identificam. Em grande medida, o debate acontece porque,
para a intelectualidade brasileira naquele momento, o pobre, a despeito de aparecer idealizado
em certos aspectos, ainda é visto como um ser humano de segunda categoria, simples demais,
incapaz de ter pensamentos demasiadamente complexos. O que "Vidas Secas" faz é, com
pretenso não envolvimento da voz que controla a narrativa, dar conta de uma riqueza humana
de que essas pessoas seriam plenamente capazes.
Luís Bueno. Guimarães, Clarice e antes. In: Teresa. São Paulo: USP, nº 2, 2001, p. 254.

24. (Enem 2007) No texto II, verifica-se que o autor utiliza


a) linguagem predominantemente formal, para problematizar, na composição de "Vidas Secas",
a relação entre o escritor e o personagem popular.
b) linguagem inovadora, visto que, sem abandonar a linguagem formal, dirige-se diretamente
ao leitor.
c) linguagem coloquial, para narrar coerentemente uma história que apresenta o roceiro pobre
de forma pitoresca.
d) linguagem formal com recursos retóricos próprios do texto literário em prosa, para analisar
determinado momento da literatura brasileira.
e) linguagem regionalista, para transmitir informações sobre literatura, valendo-se de
coloquialismo, para facilitar o entendimento do texto.

25. (Enem 2006) ERRO DE PORTUGUÊS


Quando o português chegou
Debaixo de uma bruta chuva
Vestiu o índio
Que pena!
Fosse uma manhã de Sol
O índio tinha despido
O português.

Oswald de Andrade. Poesias reunidas. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1978.

O primitivismo observável no poema anterior, de Oswald de Andrade, caracteriza de forma


marcante
a) o regionalismo do Nordeste.
b) o concretismo paulista.
c) a poesia Pau-Brasil.
d) o simbolismo pré-modernista.
e) o tropicalismo baiano.

TEXTO PARA AS PRÓXIMAS 2 QUESTÕES:


Leia estes poemas.

Texto 1 - AUTO-RETRATO

Provinciano que nunca soube


Escolher bem uma gravata;
Pernambucano a quem repugna
A faca do pernambucano;
Poeta ruim que na arte da prosa
Envelheceu na infância da arte,
E até mesmo escrevendo crônicas

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Ficou cronista de província;


Arquiteto falhado, músico
Falhado (engoliu um dia
Um piano, mas o teclado
Ficou de fora); sem família,
Religião ou filosofia;
Mal tendo a inquietação de espírito
Que vem do sobrenatural,
E em matéria de profissão
Um tísico* profissional.
(Manuel Bandeira. Poesia completa e prosa. Rio de Janeiro: Aguilar, 1983. p. 395.)

(*) tísico = tuberculoso

Texto 2 - POEMA DE SETE FACES

Quando eu nasci, um anjo torto


desses que vivem na sombra
disse: Vai, Carlos! ser gauche na vida.

As casas espiam os homens


que correm atrás de mulheres.
A tarde talvez fosse azul,
não houvesse tantos desejos.
(....)
Meu Deus, por que me abandonaste
se sabias que eu não era Deus
se sabias que eu era fraco.
Mundo mundo vasto mundo,
se eu me chamasse Raimundo
seria uma rima, não seria uma solução.
Mundo mundo vasto mundo
mais vasto é o meu coração.
(Carlos Drummond de Andrade. Obra completa. Rio de Janeiro: Aguilar, 1964. p. 53.)

26. (Enem 2005) Esses poemas têm em comum o fato de


a) descreverem aspectos físicos dos próprios autores.
b) refletirem um sentimento pessimista.
c) terem a doença como tema.
d) narrarem a vida dos autores desde o nascimento.
e) defenderem crenças religiosas.

27. (Enem 2005) No verso "Meu Deus, por que me abandonaste" do texto 2, Drummond
retoma as palavras de Cristo, na cruz, pouco antes de morrer. Esse recurso de repetir palavras
de outrem equivale a
a) emprego de termos moralizantes.
b) uso de vício de linguagem pouco tolerado.
c) repetição desnecessária de ideias.
d) emprego estilístico da fala de outra pessoa.
e) uso de uma pergunta sem resposta.

28. (Enem 2004)

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Da minha aldeia vejo quanto da terra se pode ver no Universo...


Por isso minha aldeia é grande como outra qualquer
Porque sou do tamanho do que vejo
E não do tamanho da minha altura...
(Alberto Caeiro)

A tira "Hagar" e o poema de Alberto Caeiro (um dos heterônimos de Fernando Pessoa)
expressam, com linguagens diferentes, uma mesma ideia: a de que a compreensão que temos
do mundo é condicionada, essencialmente,
a) pelo alcance de cada cultura.
b) pela capacidade visual do observador.
c) pelo senso de humor de cada um.
d) pela idade do observador.
e) pela altura do ponto de observação.

29. (Enem 2003) Eu começaria dizendo que poesia é uma questão de linguagem. A
importância do poeta é que ele torna mais viva a linguagem. Carlos Drummond de Andrade
escreveu um dos mais belos versos da língua portuguesa com duas palavras comuns: cão e
cheirando.

Um cão cheirando o futuro


(Entrevista com Mário Carvalho. Folha de SP, 24/05/1988. adaptação)

O que deu ao verso de Drummond o caráter de inovador da língua foi:


a) o modo raro como foi tratado o "futuro".
b) a referência ao cão como "animal de estimação".
c) a flexão pouco comum do verbo "cheirar" (gerúndio).
d) a aproximação não-usual do agente citado e a ação de "cheirar".
e) o emprego do artigo indefinido "um" e do artigo definido "o" na mesma frase.

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Gabarito:

Resposta da questão 1:
[D]

Expressões como “Quem não tem brio engorda” e “P’ra uns, as vacas morrem... p’ra outros até
boi pega a parir...” fazem parte do acervo cultural de provérbios, ditos sucintos e ricos em
imagens que traduzem suposta sabedoria popular, permitem que o texto seja fortemente
representativo não só da cultura local, mas também importante patrimônio linguístico da cultura
nacional. Assim, é correta a opção [D].

Resposta da questão 2:
[E]

As formas verbais e pronominais apontam para dois referentes. Enquanto que os verbos na
segunda pessoa do singular (“tomas”, “deixas”, “devas”, “dás”) e os pronomes (“tua”, “te”, “teu”)
se referem à operária, a 3ª pessoa identifica o patrão (“ele pede”). Assim, a utilização desses
elementos permite distinguir os referentes, ao mesmo tempo que auxilia na arquitetura do
poema, como transcrito em [E].

Resposta da questão 3:
[A]

O título do poema contém um vocábulo criado por João Cabral, aproximando a mulher de um
animal, em explícita analogia. Da mesma forma que o ouriço, ao sentir-se ameaçada, a mulher
se fecha para se proteger, assumindo até uma atitude agressiva, “capaz de bote, de salto”. Mas
“Se o de longe lhe chega em”, “de esfera aos espinhos, ela se desouriça”, ou seja, se o
desconhecido se aproxima de modo não ofensivo, ela se desarma, acabando por transformar
sua aparência “multiespinhenta” “na carne de antes”, pronta para oferecer-lhe seu “abraço”. O
poema metaforiza, assim, a atitude feminina de tenacidade transformada em brandura, como
se afirma em [A].

Resposta da questão 4:
[C]

É correta a opção [C], pois a linguagem do “em dia-de-semana”, nas palavras do jagunço,
remete ao grau de coloquialidade da comunicação, ou seja, à fala comum segundo contextos
de comunicação e da necessidade humana no cotidiano do sertão brasileiro.

Resposta da questão 5:
[B]

No excerto de “Infância”, observa-se que o autor executa um processo memorialístico que


oscila entre o passado e o presente, num jogo entre um narrador que lembra e analisa o
recordado e a personagem-menino que se localiza no enunciado. O relato com termos verbais
no pretérito perfeito do indicativo (“surrou-me”, “me pintou”, “Deitaram-me”, “enrolaram-me”) é
interrompido por digressões com verbos no gerúndio e pretérito imperfeito do indicativo
(“virando”, “distinguia”) que transmitem ideia de continuidade e duração no momento em que
estão sendo enunciados. Assim, é correta a opção [B].

Resposta da questão 6:
[E]

A descrição permite perceber a transformação do mundo feminino no mundo laboral no início


do século XX no Rio de Janeiro. Assim, é correta a opção [E].

Resposta da questão 7:
[D]

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O romance gráfico “Grande sertão: veredas”, baseado na obra homônima de Guimarães Rosa,
preserva a linguagem do autor mineiro no relato das cenas a que agrega desenhos ilustrativos
das emoções vivenciadas pelos personagens. O olhar esgazeado do cachorro, o estampido da
arma de fogo presente na onomatopeia “Pam!” e o corpo abatido do animal no canto direito e
inferior da página revelam que os recursos usados potencializaram a dramaticidade do
episódio, como se afirma em [D].

Resposta da questão 8:
[B]

Ao afirmar que “Camões e outros iguais não bastaram para nos dar uma herança de língua já
feita”, a autora confere à língua portuguesa um estatuto patrimonial, ou seja, considera-a parte
integrante do conjunto dos bens materiais e imateriais que constituem herança coletiva e são
transmitidos de geração a geração. Ao mesmo tempo, afirma que esse legado seria insuficiente
não fosse a renovação constante a que está sujeito pelos usuários da língua. Assim, é correta
a opção [B].

Resposta da questão 9:
[D]

A expressão “Longe disso”, transcrita em [D], inicia o período em que o narrador expressa a
sensação agradável que lhe provocava aquela “fala pelo avesso” das moças que, de forma
irônica, faziam comentários elogiosos à sua indumentária.

Resposta da questão 10:


[A]

A última fala de Odorico, concedendo o direito de ser sepultado no novo cemitério a quem
votasse nele e o confessasse ao padre na hora da extrema unção, revela os procedimentos
típicos do exercício do poder por estruturas oligárquicas e personalizadas que usam os
cidadãos para atenderem aos seus próprios interesses. Assim, a peça O bem-amado, de Dias
Gomes, além da função de entretenimento, pretende criticar satiricamente o comportamento de
pessoas públicas, como se afirma em [A].

Resposta da questão 11:


[B]

O poema “O farrista”, de Murilo Mendes, relata, em linguagem coloquial, a chegada de Cabral


ao Brasil, desconstruindo a visão ufanista dos colonizadores. O tom cômico transparece na
figura de um anjo que gosta de farras, displicente com a tarefa de proteger os nativos e que, na
volta de uma viagem a Paris, encontra o Brasil ocupado por portugueses e holandeses, o que
não o impediu de ir embora para sempre, despreocupado com o que viesse a acontecer.
Assim, é correta a opção [B].

Resposta da questão 12:


[A]

A imagem que reproduz uma gravura de Oswald Goeldi constante no texto I, assim como o
artigo publicado na Revista de Arte, Mídia e Política sobre o mesmo autor revelam
características da sua obra carregada de alusões aos dramas existenciais em que a morte,
solidão e medo são presença constante. Desta forma, deduz-se que foi fortemente influenciado
pelo movimento estético do Expressionismo, vanguarda europeia do início do séc. XX a que
está vinculado Alfred Kubin. Assim, é correta a opção [A].

Resposta da questão 13:


[E]

Expressões como “Uma velha não pode comunicar-se” ou “Recebeu o beijo gelado de sua filha
que foi embora”, assim como a última fala de Dona Maria Rita ao expressar surpresa perante o

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fato de alguém se interessar pelo seu conforto, sugere que o narrador pretende enfatizar o
sentimento de solidão alimentado pelo processo de envelhecimento. Assim, é correta a opção
[E].

Resposta da questão 14:


[B]

A peça teatral O santo e a porca é da autoria de Ariano Suassuna, escritor paraibano que
sempre dedicou atenção especial ao conhecimento das formas de expressão populares
tradicionais da região. Assim, é correta a opção [B], pois o emprego das expressões “o peste” e
“cachorro da molest’a”, termos linguísticos típicos da cultura nordestina, contribui para
caracterizar o falar dessa região.

Resposta da questão 15:


[A]

No poema metalinguístico de João Cabral de Melo Neto, transparece a intenção de associar o


fazer poético à arte de ressignificar as palavras, atribuindo-lhes novos sentidos. O termo “flor”,
associado a “salto / da ave para o voo” e a “jarra de flores” distancia-se do valor denotativo que
lhe é atribuído normalmente. Assim, é correta a opção [A].

Resposta da questão 16:


[D]

A imagem de uma máscara senufo, proveniente das manifestações artísticas das sociedades
tradicionais da África, é associada às proposições artísticas das vanguardas europeias,
nomeadamente às obras de Pablo Picasso, grande expoente do Cubismo. Este movimento
tinha como principal característica a reprodução dos objetos por meio de figuras geométricas,
representando as partes de todos os ângulos no mesmo instante. Assim, é correta a opção [D]
que aponta a sintetização das formas como sinônimo da renúncia à perspectiva e à
representação do volume sobre superfícies planas.

Resposta da questão 17:


[E]

O escritor usa o bom humor para enumerar comportamentos do passado através de


expressões também notoriamente ultrapassadas. Tal recurso coloca em evidência que o léxico
do português é suscetível de mudanças relativamente a tempo e espaço, refletindo a
diversidade dos enunciantes. Assim, é correta a opção [E].

Resposta da questão 18:


[B]

Os dois últimos versos do poema (“Que a vida passa! que a vida passa! /E que a mocidade vai
acabar“) enfatizam a efemeridade da vida, o caráter transitório do momento percebido na
paisagem bucólica e propícia à meditação em que o eu lírico está imerso (“E tudo tem aquele
caráter impressivo que faz meditar: /Enterro a pé ou a carrocinha de leite puxada por um
/bodezinho manhoso”).

Resposta da questão 19:


[D]

As descrições de ambiente predominam nos textos I e II, permitindo ao leitor perceber a


exclusão social de que são vítimas os personagens. No texto I, os meninos de “Capitães da
Areia”, que “à noite se estendiam pelo assoalho e por debaixo da ponte”. No texto II, os
bêbados, que dormem “nos fundos do mercado de peixe”, à margem do rio Belém.

Resposta da questão 20:


[C]

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Carlos Drummond, no texto, prioriza a temática conflituosa entre o ser em relação com o
mundo que o cerca.

Resposta da questão 21:


[D]

No texto, há a predominância de aliteração, que, foneticamente é representada pela consoante


“v”. Caracterizada por meio dos versos: “O vento varria os sonhos, e varria as amizades, o
vento varria as mulheres... [...].
No que se refere às construções sintáticas, estas apresentam semelhança nos três grupos de
versos, ou seja, todos são dotados dos termos essenciais que compõem a oração: sujeito,
predicado e complemento.

Resposta da questão 22:


[C]

Tanto o pintor Antonio Rocco, ligado à vertente acadêmica do Realismo, quanto Oswald de
Andrade, autor representativo do radicalismo da Fase Heroica no 1º Tempo do Modernismo
brasileiro, retratam as dificuldades dos imigrantes na chegada ao Brasil.

Resposta da questão 23:


[C]

Embora ambos desenvolvam temática relacionada ao indígena brasileiro, este não é


apresentado de forma realista nem discriminatória, o que invalida as opções A e B. Também
não existe denúncia do extermínio dos povos indígenas, nem referência ao silenciamento de
seus dotes poéticos, como se afirma em D e C. Assim, a única válida é a C, pois as
interrogações revelam perspectivas diferentes do enunciador sobre a realidade indígena
brasileira. “Quem há, como eu sou?” expressa a visão idealizada do herói na concepção do
Romantismo indianista e “Quem podia saber do Herói” traduz a visão inovadora e irreverente
da 1ª Fase do Modernismo do “ herói da nossa gente” na obra “ Macunaíma”, de Mário de
Andrade.

Resposta da questão 24:


[A]

A linguagem do texto II é predominantemente formal, pois visa à análise do estilo de Graciliano


Ramos enfatizando a sua técnica narrativa que distancia narrador e personagem, o que permite
separar o intelectual do povo rústico que retrata nos seus relatos.

Resposta da questão 25:


[C]

O poema transcrito explora o primitivismo, característica marcante do 1º Tempo do


Modernismo brasileiro e que teve em Oswald de Andrade, através do Manifesto da Poesia Pau-
Brasil, o seu representante mais radical. Valorizava a inocência dionisíaca dos primitivos, a
liberação dos instintos (“ O Carnaval. O Sertão e a Favela. Pau-Brasil. Bárbaro e nosso”).

Resposta da questão 26:


[B]

No primeiro poema, o eu lírico desenvolve uma autocrítica pessimista (“poeta ruim,”arquiteto


falhado”, “músico falhado”, “tísico profissional”). Também em “Poemas das Sete Faces”
predomina uma visão desencantada de mundo, com o próprio emissor a confessar o seu
estranhamento, a sua condição de “gauche” (desajeitado) perante a realidade que o cerca.
Assim, é correta a opção B.

Resposta da questão 27:

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[D]

O eu lírico expressa o seu desalento invocando as palavras de Cristo na cruz, como se afirma
em D.

Resposta da questão 28:


[A]

Na tirinha, confronta-se o saber empírico de Hagar e o que resulta do estudo teórico, expresso
pelo filho no primeiro quadrinho. Hagar restringe a sua compreensão de mundo àquilo que
pode observar, assim como Alberto Caeiro no seu poema: “Da minha aldeia vejo quanto da
terra se pode ver no Universo”. Se tomarmos o significado da palavra “cultura” como a soma
das informações e conhecimentos de uma pessoa, ou de um grupo social, está correta a opção
A.

Resposta da questão 29:


[A]

O caráter inovador reside no uso da analogia, elemento estruturador da comparação e da


metáfora, aproximando imagens tão diferentes entre si como “cão” e “futuro”.

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Resumo das questões selecionadas nesta atividade

Data de elaboração: 12/09/2023 às 08:29


Nome do arquivo: Lista Modernismo

Legenda:
Q/Prova = número da questão na prova
Q/DB = número da questão no banco de dados do SuperPro®

Q/prova Q/DB Grau/Dif. Matéria Fonte Tipo

1.............204111.....Elevada.........Português......Enem/2021...........................Múltipla escolha

2.............189425.....Elevada.........Português......Enem/2019...........................Múltipla escolha

3.............189415.....Elevada.........Português......Enem/2019...........................Múltipla escolha

4.............181767.....Média.............Português......Enem/2018...........................Múltipla escolha

5.............181751.....Elevada.........Português......Enem/2018...........................Múltipla escolha

6.............181749.....Baixa.............Português......Enem/2018...........................Múltipla escolha

7.............181759.....Elevada.........Português......Enem/2018...........................Múltipla escolha

8.............174862.....Elevada.........Português......Enem/2017...........................Múltipla escolha

9.............174852.....Média.............Português......Enem/2017...........................Múltipla escolha

10...........174874.....Baixa.............Português......Enem/2017...........................Múltipla escolha

11...........174855.....Elevada.........Português......Enem/2017...........................Múltipla escolha

12...........174863.....Elevada.........Português......Enem/2017...........................Múltipla escolha

13...........165292.....Elevada.........Português......Enem/2016...........................Múltipla escolha

14...........165280.....Baixa.............Português......Enem/2016...........................Múltipla escolha

15...........165282.....Elevada.........Português......Enem/2016...........................Múltipla escolha

16...........149431.....Elevada.........Português......Enem/2015...........................Múltipla escolha

17...........122129.....Baixa.............Português......Enem/2012...........................Múltipla escolha

18...........108652.....Média.............Português......Enem/2011...........................Múltipla escolha

19...........100259.....Média.............Português......Enem/2010...........................Múltipla escolha

20...........90793.......Média.............Português......Enem/2009...........................Múltipla escolha

21...........90767.......Média.............Português......Enem/2009...........................Múltipla escolha

22...........75531.......Média.............Português......Enem/2007...........................Múltipla escolha

23...........75534.......Elevada.........Português......Enem/2007...........................Múltipla escolha

Página 24 de 27
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24...........75529.......Média.............Português......Enem/2007...........................Múltipla escolha

25...........68279.......Média.............Português......Enem/2006...........................Múltipla escolha

26...........61788.......Média.............Português......Enem/2005...........................Múltipla escolha

27...........61789.......Baixa.............Português......Enem/2005...........................Múltipla escolha

28...........57299.......Elevada.........Português......Enem/2004...........................Múltipla escolha

29...........51655.......Média.............Português......Enem/2003...........................Múltipla escolha

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Estatísticas - Questões do Enem

Q/prova Q/DB Cor/prova Ano Acerto

1..............................204111..........azul.................................2021...................53%

2..............................189425..........azul.................................2019...................15%

3..............................189415..........azul.................................2019...................31%

4..............................181767..........azul.................................2018...................40%

5..............................181751..........azul.................................2018...................21%

6..............................181749..........azul.................................2018...................40%

7..............................181759..........azul.................................2018...................56%

8..............................174862..........azul.................................2017...................16%

9..............................174852..........azul.................................2017...................29%

10............................174874..........azul.................................2017...................45%

11............................174855..........azul.................................2017...................22%

12............................174863..........azul.................................2017...................67%

13............................165292..........azul.................................2016...................22%

14............................165280..........azul.................................2016...................66%

15............................165282..........azul.................................2016...................64%

16............................149431..........azul.................................2015...................29%

17............................122129..........azul.................................2012...................50%

Página 26 de 27
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18............................108652..........azul.................................2011...................36%

19............................100259..........azul.................................2010...................26%

20............................90793............azul.................................2009...................24%

21............................90767............azul.................................2009...................52%

22............................75531............amarela...........................2007...................71%

23............................75534............amarela...........................2007...................25%

24............................75529............amarela...........................2007...................26%

25............................68279............amarela...........................2006...................35%

26............................61788............amarela...........................2005...................49%

27............................61789............amarela...........................2005...................40%

28............................57299............amarela...........................2004...................35%

29............................51655............amarela...........................2003...................44%

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