1- Explicar a esquistossomose:
a. tipos
(Murray, 7ª edição/ Neves, 13ª edição) A Esquistossomose é a principal
infecção parasitaria das áreas tropicais (200 milhoes de infecções ao
redor do mundo). Também aceita a denominação de bilharzíase ou
febre do caramujo. Isso porque a classe trematoda é dividida em duas
subfamília: Bilharzielinae e Schistosomatinae). A primeira abarca os
vermes sem dimorfismo sexual, enquanto a segunda apresenta esse
dimorfismo.
Existem 3 principais tipos de esquistossomos mais frequentemente:
Schistosoma mansoni, Schistosoma japonicum, Schistosoma
Haematobium. (Neves coloca mais 2: Schistosoma mekongi e
Schistosoma intercalatum).
Schistosoma haematobium (1°): É encontrado em grande parte da África
(principalmente egito). Oriente próximo, médio e europa. Seus ovos são
elipsoides, com esporão terminal. São eliminados pela urina uma vez
que os vermes adultos permanecem nos ramos do sistema porta, e o HI
são moluscos do gênero Bulinus.
Schistosoma japonicium (2°): Encontrado na China, Japão, Ilhas filipinas
e sudeste asiático. Os vermes adultos não apresentam papilas e os ovos
são subesféricos, com um rudimentar espinho lateral. Os vermes adultos
vivem no sistema porta e os ovos são eliminados pelas fezes. Os HI são
moluscos do gênero Oncomelania
Schistosoma mansoni (último): Ocorre na áfrica, Antilhas e américa do
sul. Conhecida popularmente como ‘’xistose’’, ‘’barriga-d’agua’’ ou ‘’mal
do caramujo’’. Como dito, eles apresentam dimorfismo sexual, sendo o
macho menor (1cm) e a fêmea maior (1,5cm), apresentando um sulco
internamente (canal ginecóforo), decorrente das dobras laterais, onde a
fêmea se aloja e os dois copulam. Na porção anterior apresenta a
ventosa oral, ventral (acetábulo). Na posterior, há o canal ginecóforo,
não apresentando órgão copulador. A femea apresenta as mesmas
ventosas, porém não apresenta o canal ginecóforo.
b. ciclo biológico
O Schistosoma mansoni pode viver até 5 anos, porém existem casos de
30 anos. Ao atingir a fase adulta no sistema vascular do homem e de
outros mamíferos, alcança as veias mesentéricas, principalmente a veia
mesentérica inferior, migrando contra a corrente circulatória. As fêmeas
fazem a postura no nível da submucosa, sendo a idade do parasita um
fator interferente, onde até 2 anos há postura de 400 ovos pro dia.
Desses ovos 50% conseguem ir para o meio externo e 50%
permanecem na corrente sanguínea. Esses ovos quando colocados
levam cerca de 1 semana para tornarem-se maduros e da submucosa
chegam a luz intestinal, muito provavelmente fazendo essa passagem
devido a reação inflamatória, pressão dos ovos, enzimas proteolíticas
produzidas pelos miracídios, e o espinho presente nos ovos. Os ovos
que conseguirem chegar a luz intestinal vão para o exterior junto com as
fezes e tem uma vida de 2 até 5 dias dependendo da consistência das
fezes. Alcançando a água os ovos liberam miracídios, influenciados pela
temperatura mais alta, luz e oxigenação. Esses miracídios encontram os
moluscos através da percepção de substancias químicas produzidas
pelos moluscos, em um processo de quimiotaxia. O processo de
penetração selecionada 30% dos miracidios e depois disso ele passa
por modificações perdendo praticamente todas as suas estruturas e
transformando-se em espocistos dentro de 48horas. Esses esporocistos,
diferenciam-se em I , II e III, e liberam espocitos-filhos que diferenciam-
se em cercarias. Um único miracídio pode gerar até 300mil cercarias
com o sexo já definido. Essas cercarias são então liberadas e podem
viver de 36 até 48 horas sendo as 8 primeiras horas o período favorito,
não sendo atraídas por nenhum sinal químico, inclusive podendo
penetrar vários mamíferos, porém só se desenvolvendo no adequado.
Ao penetrarem no homem, elas preferem o folículo piloso e fixam ali na
região. Em seguida, por ação das glândulas de penetração que provem
ação lítica e ação mecânica (movimentos vibratórios intensos) ela
adentra o tecido e posteriormente o sangue, perdendo a cauda nessa
passagem. Após a penetração essas larvas são chamadas de
esquistossômulos, sendo levadas passivamente ara o pulmão e coração
(N FAZ O CICLO DE LOSS, pois por mais q ele passe pelo pulmão e
coração não tem modificação em sua estrutura), dos pulmões os
esquistossomulos se dirigem para o sistema porta onde se alimentam e
se desenvolvem, atingindo a maturidade em cerca de 25 a 28 dias. Daí
migram, acasalados, para o território da veia mesentérica inferior, onde
farão oviposição
c. sinais e sintomas
(NEVES,13ª edição) Os sintomas mais proeminentes da fase aguda
aparecem em torno de 50 dias e pode durar até cerca de 120 dias após
a infecção. Nessa fase pode ocorre uma disseminação muito grande de
ovos, provocando a formação de granulomas e imunocomplexos
levando posteriormente a necrose. Os sintomas acompanham febre,
sudorese, calafrio, emagrecimento, fenômenos alérgicos, diarreia,
cólicas, hepatoesplenomegalia discreta (aumento do fígado e baço),
linfadenia (aumento do tecido linfático), alterações discretas das funções
hepáticas.
(MURRAY, 7ª edição) S.Mansoni produz dermatite com reação alérgica,
prurido e edema quando a cercaria adentra o corpo. Pode haver tosse
com a migração dos vermes para o pulmão e pode aparecer hepatite a
medida que atinge o fígado.
Esquistossomose crônica: Pode levar a fibrose da alça retossigmoide,
levando a diminuição do peristaltismo e constipação constante. Diarreia
mucossanguinolenta
(MURRAY,7ª EDIÇÃO) O diagnóstico é feito por exame de fezes e
identificação de ovos presentes ali, utilizando métodos de sedimentação
ou centrifugação em éter sulfúrico, que acaba sendo barato e pode ser
verificado em locais em maior precariedade, como algumas regiões da
áfrica. Em cargas parasitárias pequenas são utilizadas outras
metodologias para avaliação
O principal fármaco usado é o praziquantel e a oxamniquina. Essa
terapia pode interromper a oviposição, porém não afeta as lesões já
casadas pelos ovos. A dermatite pode ser tratada com administração de
anti0histaminicos e corticosteroides.
2- Relacionar a forma evolutiva com a patogenia. (fatores que interferem)
(NEVES,13ª edição) Está ligada a fatores como tipo do parasita, carga
parasitária, idade, estado nutricional e resposta imunitária da pessoa.
3- Construir uma tríade epidemiológica abordando os aspectos sociais,
econômicos e culturais.
- Focos peridomiciliares, valas de irrigação de hortas, açudes;
- Profilaxia: educação acerca desse verme e o controle da população de
moluscos
4- Descrever a resposta imune frente ao Schistosoma mansoni.
(imunocomplexos).
(NEVES, 13ª edição) A resposta imune frente ao Schistosoma mansoni é
decorrente da reação inflamatória em virtude dos ovos nos tecidos, Os
antígenos são secretados principalmente pela membrana interna, denominada
“envelope de Von Lichtenberg”, levando ao reconhecimento e formação de
granulomas (decorrente da dificuldade do hospedeiro em eliminar um
microrganismo, assim há um acúmulo de macrófagos nesse lugar que liberam
fatores angiogênicos e fibrogênicos que estimulam a formação de tecido de
granulação e fibrose. Esses macrófagos ativados principalmente por IL-4
transformam-se em células epitelioides, fundem-se entre si e formam células
gigantes, numa tentativa do corpo isolar um local de infecção persistente) , oq
pode apresentar efeito acumulativo de lesões resultando, ao longo do tempo,
em formas graves da doença. Em cargas parasitárias pequenas, os ovos
podem atingir a medula espinhal levando a paraplegia ou levar a formação de
imunocomplexos na membrana basal glomerular gerando reações
inflamatórias.
(ABBAS, 2019) As doenças mediadas por imunocomplexos tendem a ser
sistêmicas e afetam múltiplos órgãos e tecidos, embora alguns sejam
particularmente suscetíveis, como os rins e as articulações.
5- Relacionar a formação dos imunocomplexos com a ativação do sistema
complemento.
Provocam opsonização e fagocitose (uma vez que os anticorpos solúveis
se ligam ao antígeno, secretados principalmente pela membrana interna,
denominada “envelope de Von Lichtenberg no caso os ovos dos parasita, e
se deposita na membrana basal dos vasos, a partir disso é iniciado a
ativação do sistema complemento pra proteólise e os produtos de sua
degradação (C5a e C3a) levam a inflamação e recrutamento dos
neutrófilos e macrófagos que se ligam a região FC do anticorpo.
6- Definir a síndrome nefrótica e relacionar com o caso.
(NEVES,13ª edição) A síndrome nefrótica é causada pela formação de
imunocomplexos nos glomérulos dos rins, levando a uma glomerulonefrite que
com o passar do tempo pode evoluir para uma síndrome nefrótica.
(Gonçalves e colaboradores, 2016) O prognóstico da lesão renal causada pela
esquistossomose ocorre em cerca de 10 a 15% dos casos e não se modifica
com esquistossomicidas assoiados a imunossupressores). O dano renal
mostra-se progressivo e a doença evolui para a doença renal crônica terminar
DRCT. Causadas por 85% dos ccasos com depositivos de IgG, 50% IgM e
38% com IgA.