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Superando Ansiedade e Angústia

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Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
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Uma vida livre

de angústias e
ansiedades!

Série

Nosso muito bom dia!

Muita luz e paz em sua vida!


Com carinho,

Ricardo Melo

1
2
Uma vida livre
de angústias e
ansiedades!

Série

Nosso muito bom dia!

3
4
Uma vida livre
de angústias e
ansiedades!

Série

Nosso muito bom dia!

Ricardo Melo

Belo Horizonte - MG
Editora Namastê
2019

5
www.institutoricardomelo.com.br
Facebook: institutoricardomelooficial
Email: [email protected]
Central de Atendimento: (31) 3226-8010

Editoração: Kelly Purificação


Concepção de capa: Fábio Gomes
Foto: pxhere
Diagramação e arte: Andréa Esteves
Transcrição e Revisão: Voluntários das Pílulas do Evangelho
em especial Daniela Ataides, Priscilla Obes, Silvia Astone, Rosângela Baeta,
Rosana Baeta, Julia Barreto e Rachel Marotta

© 2019 - IRM Instituto Ricardo Melo


Todos os Direitos Reservados

FICHA CATALOGR ÁFICA

Melo, Ricardo
M528v Uma vida livre de angústias e ansiedades!/
Ricardo Melo . – Belo Horizonte : Gráfica O
Lutador, 2019.
176 p. (Nosso muito bom dia!)
ISBN: 978-85-92785-65-9
1.Cura pela fé. 2.Ansiedade-aspectos
religiosos. 3.Angústia I.Título.
CDU 265.8

Elaborada por Rinaldo de Moura Faria - CRB6 -nº 1006

6
Índice

Apresentação ............................................................... 9
Ansiedade.................................................................... 11
Introdução.................................................................... 13
As emoções da vida....................................................... 17
A ansiedade e o desejo de controlar o futuro.......... 25
Aprendendo a viver no presente............................... 37
Silencie seu diálogo mental....................................... 45
Dê um passo de cada vez........................................... 53
Dicas para superar a ansiedade................................. 59
Desfrute da vida e dos seus erros.............................. 67
Conclusão..................................................................... 73

Angústia....................................................................... 79
Introdução.................................................................... 81
Como você enxerga a vida?....................................... 83
O copo está meio cheio ou meio vazio?................... 93
Que tal reescrever o seu passado?............................. 103
Harmonize-se com o seu presente!.......................... 113
7
Crie seu futuro com sabedoria!................................. 125
Conclusão..................................................................... 135

Apêndice: emoções e meditações............................. 143


Conselhos e a minha grande dica para você
mudar sua vida para muito melhor.......................... 161

8
Querido(a) amigo(a),
Nosso muito bom dia!
Muito bom dia!

Eu te agradeço por ter adquirido este


livro, pois você está ajudando uma instituição
assistida pelo Instituto Namastê.
Apresento aqui, com muito carinho, a
transcrição dos áudios do CD “Como se liber-
tar da ansiedade” e um conteúdo inédito sobre
o tema “Angústia”.
Este livro foi idealizado com intuito des-
pretensioso de auxiliá-lo a lidar com a preocu-
pação excessiva com o futuro, que, por vezes,
acaba gerando transtorno de ansiedade, e com
o propósito de ajudá-lo a compreender que não
devemos internalizar a culpa que gera angústia,
quando algo esperado não acontece por motivos
diversos.

Ricardo Melo 9
10
ANSIEDADE

11
12
INTRODUÇÃO

Vamos falar sobre a ansiedade, um pro-


blema gigante que acaba prejudicando mui-
tas pessoas. E são os gigantes emocionais que,
quando mal canalizados e mal trabalhados,
prejudicam muito as pessoas. Iremos descobrir
que a ansiedade não é necessariamente uma ini-
miga. Pelo contrário, se bem utilizada, torna-se
uma importante aliada para vivermos em equi-
líbrio e harmonia. No entanto, como boa parte
de nós não sabe exatamente como fazer isso, a
ansiedade é vista como uma grande vilã e acaba
se tornando a responsável, segundo o olhar de
muitos, por uma série de problemas de saúde e
de relacionamentos, afetando a nossa qualidade
de vida e, por consequência, prejudicando tam-
bém a nossa evolução espiritual.
Na realidade, nós vamos entender que
não é a ansiedade em si o problema, mas, sim,
a forma, a escolha e o nível de maturidade que
13
temos ao lidarmos com as nossas emoções. A
partir daí, temos o ponto chave: ao amadurecer-
mos emocionalmente, ao entendermos melhor
o nosso universo interno, consequentemente
vamos conseguir diminuir as ansiedades do
nosso dia a dia. E nesse sentido o Evangelho se
destaca como valioso instrumento de auxílio,
pois, normalmente, as pessoas espiritualizadas
têm um nível de fé mais trabalhado e, com isso,
são menos sujeitas à ansiedade. A fé em Deus
nos ensina a confiar, com a certeza da presen-
ça divina ao nosso lado, sempre nos guiando, o
que nos traz uma sensação de segurança muito
grande, liberando-nos do desejo de controlar o
futuro e da necessidade de sabermos exatamen-
te o que irá acontecer amanhã.
Eu desejo que você aproveite muito este
livro e espero que seja muito útil para você.
Tome nota, caso você ache que deva ou que va-
lha a pena. É sempre gostoso aprender, compar-
tilhar e debater informações com quem está ao
nosso lado, porque assim podemos realmente
aprender em conjunto. Vamos, então, trabalhar
a consciência e a maturidade emocional que nos
14
ensinarão a lidar com a ansiedade de maneira
bastante harmoniosa e feliz?
Vale ressaltar que este é um projeto do
Instituto Namastê, uma organização sem fins
lucrativos criada com o objetivo de dar manu-
tenção e de ajudar várias instituições ao redor
do mundo a cumprirem com os seus papéis.
Com esse trabalho, nós também procuramos
difundir essa consciência de equilíbrio, de paz
e de “despertamento” espiritual entre todos os
povos. Entre em nosso site para conhecer todos
os detalhes.

www.institutonamaste.com.br

15
16
AS EMOÇÕES DA VIDA

17
18
Querido amigo, quando falamos em an-
siedade, nós estamos falando, antes de mais
nada, sobre as nossas emoções. Por isso, vamos
começar a nossa conversa refletindo sobre o
nosso “eu emocional”. Como as nossas emoções
impactam a nossa vida? Como a sua visão a res-
peito das suas emoções está impactando a sua
vida e criando o seu destino constantemente?
Além disso, obviamente, como essa ansiedade
nasce?
Primeiramente, precisamos contextuali-
zar a ansiedade, pois isso é muito importante
para termos uma relação harmoniosa com ela.
A ansiedade é uma emoção, ou seja, um estado
emocional e mental que está ligado ao desejo de
controle do futuro. Assim, uma pessoa ansiosa
vive sempre pensando em como o amanhã pode
ser e, normalmente, quando as coisas não estão
resolvidas da maneira como ela deseja, existe
uma sensação, uma expectativa de que esse fu-
turo chegue logo para que as coisas se resolvam.
19
Quando a pessoa diz “eu estou ansioso para sa-
ber o resultado do concurso” ou “eu estou ansio-
so para ver a pessoa que amo muito”, o que isso
quer dizer? Que essa pessoa não está conectada
com o seu momento presente, ou melhor, que
o seu psiquismo está totalmente voltado para o
futuro. E, se uma pessoa quer entender e domi-
nar o que vai acontecer amanhã, consequente-
mente ela foge do que acontece hoje. Portanto,
o ansioso é alguém que está desconectado emo-
cionalmente do momento presente. E não tem
como melhorarmos a nossa relação com a an-
siedade sem ancorarmos a nossa vida a esse mo-
mento presente, pois isso é fundamental para
mantermos as nossas emoções em harmonia e
em equilíbrio.
Dentro de uma visão muito mais ampla,
costuma-se dizer que a ansiedade é a emoção
das pessoas comprometidas. O que faz você
ser pontual em um compromisso? É o desejo
de chegar na hora. Concorda que é preciso ter
o mínimo de expectativa para tentar controlar
algumas coisas, senão você nunca vai chegar
na hora? Qual a motivação de você fazer o al-
20
moço todos os dias ou mesmo eventualmente,
quando você cozinha em um determinado ho-
rário? É a ansiedade de terminar, porque você
está com fome ou precisa comer naquele horá-
rio para cumprir outras atividades. Se o aluno
não tiver ansiedade nenhuma com as tarefas ou
avaliações, ele não vai estudar, porque não vai
precisar aprender, não é verdade? Da mesma
forma, se um profissional não tem a ansiedade
de cumprir bem o seu papel, para se realizar e
melhorar na carreira, ele não vai criar foco para
organizar a sua vida e, na medida do possível,
criar o futuro que deseja.
Veja que a ansiedade bem canalizada, no
seu sentido construtivo, é essencial. Sob esse
ponto de vista, quando se fala de ansiedade, no
sentido positivo, quer se dizer que é ela uma ca-
racterística que todos nós temos e precisamos
ter. Só que, normalmente, não a chamamos de
ansiedade, apesar de não deixar de ser. A ques-
tão, então, não é a ansiedade em si, mas, sim,
o excesso dela. O problema não é você olhar
adiante e pensar no que você pode fazer para
criar o futuro que deseja, mas, sim, depender
21
emocionalmente desse futuro. É a ansiedade em
seu aspecto negativo, esse desejo de controle do
futuro, essa vontade que o futuro chegue logo
para que algum tipo de anseio seja correspon-
dido ou sanado. E isso acaba levando você a um
sentimento de tensão, de angústia, sem ter paz
no momento presente.
Quando você toma consciência de que a
sua vida está passando enquanto você está pre-
ocupado com o futuro e que você está perden-
do a oportunidade de viver agora, aos poucos
você começa a amadurecer emocionalmente,
compreendendo melhor as suas emoções (se
pertencem ao presente ou estão ligadas ao futu-
ro), e desenvolvendo a sua inteligência emocio-
nal, à medida que começa a se perguntar: “Será
que eu preciso mesmo controlar esse futuro?
Será que eu tenho mesmo de saber a resposta
do concurso agora? Será que eu tenho mesmo
de ficar sem dormir, porque estou com um pro-
blema qualquer, que só pode ser resolvido na
segunda-feira e hoje é sexta-feira”? É por isso
que a maturidade emocional diminui a ansie-
dade, pois, com ela, passamos a viver mais no
22
momento presente. E a pessoa que está conecta-
da com o “aqui e agora” é muito mais tranquila
e tem uma existência infinitamente mais feliz.
Esse é o primeiro ponto que eu gostaria de tra-
balhar com vocês.
Eu gostaria de te fazer algumas pergun-
tas para reflexão: como você gostaria de se rela-
cionar com seu futuro? Você é uma pessoa que
quer controlar o futuro o tempo todo ou você
quer aprender a viver o presente, independente-
mente do que está por vir? Em outras palavras:
para fazer o que lhe cabe para ter um futuro
melhor, naturalmente você quer ser uma pes-
soa que depende do que ainda vai acontecer ou
quer ser alguém que valorize as experiências e
os aprendizados do “aqui e agora”, vivendo com
mais leveza e paz interior? Além disso, do que
você está disposto a abrir mão para ter mais paz
na sua vida e menos ansiedade?
Eu estou perguntando isso, pois, às vezes,
nós falamos assim: “Ah, eu quero comer uma
omelete bem gostosa, mas não quero quebrar os
ovos”! Ou ainda: “Ah, eu quero ganhar na lo-
23
teria”, mas a pessoa não quer jogar sequer um
cartão. Da mesma forma, há pessoas que di-
zem: “Eu quero melhorar a minha ansiedade,
mas quero que tudo saia do meu jeito”! Nada
disso será possível ou irá funcionar se eu não
estiver disposto a abrir mão de alguns compor-
tamentos ou crenças. Por exemplo, uma pessoa
ciumenta tem ansiedade em relação ao futuro,
porque se apega ao desejo de que a outra pessoa
viva a mesma vida que a dela. Se ela não estiver
disposta a abrir mão desse apego e desse ciúme,
não vai ter jeito: ela continuará sendo uma pes-
soa ansiosa.
É fundamental, então, estar atento a tudo
isso, questionando-se verdadeiramente se você
hoje está disposto a abrir mão de velhas cren-
ças e comportamentos que o levam à ansieda-
de: até que ponto vale a pena deixar de viver o
seu momento presente, deixar de desfrutar do
seu “aqui e agora” para controlar um futuro que
nem chegou ainda?

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24
A ANSIEDADE E O
DESEJO DE CONTROLAR
O FUTURO

25
26
Um dos pontos centrais para que real-
mente possamos amadurecer emocionalmente
e ter uma vida mais feliz é entendermos a rela-
ção direta entre o desejo de controlar o futuro e
a ansiedade. Qual é a origem disso?
Se levarmos em consideração que somos
seres espirituais, vivendo uma experiência ma-
terial, que temos várias encarnações e que so-
mos seres imortais a partir do momento em
que fomos criados por Deus, então temos uma
herança psicológica que vem se somando, exis-
tência após existência. Dessa forma, quando
você encarnou na Terra, o psiquismo que reen-
carnou no seu corpo enquanto jovem, que vem
tomando consciência à medida que você vai se
tornando adulto, é o somatório de todas as ex-
periências que você vivenciou até reencarnar
e a maneira como lidou com cada uma dessas
aprendizagens. Veja que o nosso “eu espiritual”
do presente é o resultado da maneira como o
nosso “eu espiritual” do passado lidou com as
27
suas experiências. Além disso, pense que o seu
“eu espiritual” do futuro, aquele que vai se lem-
brar do que você está fazendo agora, igualmente
será a média de como você está vivendo a sua
vida hoje.
Nos dias de hoje, se você se considerar
uma pessoa ansiosa é porque provavelmente
está treinando essa “mente de ansiedade” há
muito tempo. Dessa maneira, para que pos-
samos modificar esse padrão, é fundamental
termos paciência e entendermos que isso não
acontece da noite para o dia. É um processo e
uma construção emocional.
O primeiro ponto essencial que é necessá-
rio reafirmar é você perceber que esse desejo de
controlar o futuro não vai te levar a lugar algum.
Viver o momento presente não só vai melhorar
nossa vida hoje, como também amanhã, já que
amanhã você terá o reflexo do que está vivendo
agora. Portanto, essa percepção alivia um pouco
mais a nossa relação com o futuro. Realmente
não é fácil, ainda mais dependendo da vida que
tivemos, bem como das influências da nossa fa-
28
mília. Por exemplo, há pessoas que encarnam
em uma família que cobra bastante, tal como:
“O que você vai ser quando crescer? Olhe o seu
tio, o seu irmão e o seu primo”. Somos compara-
dos muitas vezes e, por isso, acabamos criando
uma tensão, como: “Meu Deus, eu tenho que
resolver esse problema”. Por outro lado, há pes-
soas também querendo simplesmente superar
a ansiedade ignorando o futuro, fingindo que
ele não existe. E há ainda as que não se preo-
cupam em se autodesenvolver, em se espiritu-
alizar. Com isso, acham que podem controlar
a vida, mas, no fundo, acabam gerando medos
e, consequentemente, ansiedade com relação a
eventuais enfermidades ou mesmo à morte, por
exemplo. Nesse sentido é que a ansiedade tam-
bém nos predispõe a sentir medo.
É importante entender que existe um fu-
turo sim, que ele é incerto sim, e que eu vou fa-
zer o máximo para que ele saia da maneira que
eu desejo sim. Mas eu preciso também aceitar
e lidar bem com o fato de que eu não controlo
tudo. Ponto final. É o que Chico Xavier falava
sobre o poder da aceitação: a pessoa que aceita
29
a vida como ela é, adequando-se às leis divinas,
vive de maneira muito mais leve e feliz. Enten-
de? Quanto mais resistimos às mudanças que
a vida nos traz, mais ansiedade nós temos. Da
mesma forma, quanto mais apegados somos ao
passado, mais ansiosos acabamos ficando, prin-
cipalmente quando o presente não se mostra
igual ao nosso passado. O nosso problema não
é a ansiedade, pois esta é apenas um reflexo de
um problema anterior de apego, medo, receio,
falta de comprometimento. Por isso eu repito
que a maturação emocional de uma pessoa a
leva a ter uma relação com a ansiedade muito
mais tranquila.
Dessa forma, acredito que o nosso foco
aqui nunca é lutar contra a escuridão, mas acen-
der a luz. Trazendo essa metáfora para o nosso
contexto, a ideia não é brigar contra a ansiedade,
mas acender a luz do equilíbrio, da harmonia
e da consciência de viver o momento presente.
Se você tiver essa consciência e se for capaz de
viver no “aqui e agora”, naturalmente essa ansie-
dade acaba sendo desconstruída e você começa
a aproveitar melhor a sua vida, com muito mais
30
paz, de maneira muito mais harmoniosa e mui-
to mais feliz.
É lógico, amigo querido, que ao trazer a
sua mente para o momento presente, ao educar
e ao reeducar sua maneira de viver para estar
no “aqui e agora”, seja por meio da oração, da
meditação ou mesmo de outras formas que
ajudem você a se manter em seu foco, natural-
mente você irá se libertar desse desejo de querer
controlar o futuro. E, consequentemente, você
poderá sublimar ou transformar aquele com-
portamento ansioso em um comportamento
muito mais equilibrado. Por isso, eu costumo
dizer que, na verdade, superar a ansiedade não
é difícil. Canalizar essa ansiedade com sabedo-
ria é que é algo fundamental e também o nosso
grande desafio.
Então, a minha pergunta é: Você tem
consciência do seu nível de ansiedade atual?
Qual a nota que você atribui hoje ao seu nível
de ansiedade, a esse desejo de prever o futuro ou
de estar apegado às coisas que precisam ser do
seu jeito para você ficar bem? Pergunta núme-
31
ro três: do que você está disposto a abrir mão?
Quais os comportamentos você pretende deixar
de lado para que possa viver de maneira muito
mais harmoniosa?
Eu gostaria de compartilhar uma história
que ajudou muito a melhorar a minha vida. Na
juventude, eu era uma pessoa muito ansiosa. Eu
brinco sempre com isso nas palestras, com os
meus alunos e amigos, dizendo que, na verdade,
para me tornar uma pessoa menos ansiosa, eu
melhorei muito. A minha ansiedade era em um
grau tão extremo, que, mesmo melhorando bas-
tante, fiquei apenas ansioso. Era um medo do
futuro, uma vontade de prever e saber de tudo,
porque a minha autoestima era baixa, eu não
confiava em mim mesmo. Sempre achava que,
se alguém fosse passar em um concurso, essa
pessoa não seria eu, bem como também tinha
o pensamento de que nunca iria encontrar uma
pessoa maravilhosa para ter uma família. Além
disso, eu falava: “Eu sabia que ia dar errado”
e essa é a mente do pessimista. Portanto, toda
pessoa pessimista é ansiosa por causa da mente
pessimista que alimenta. Sei muito bem como
32
isso funciona, porque eu agi assim por muito
tempo.
Normalmente não enxergamos, ou me-
lhor, somos cegos que não sabem que são ce-
gos. Muitos indivíduos que são pessimistas não
têm noção de que estão se envenenando e, con-
sequentemente, criando a própria ansiedade.
O indivíduo fica repetindo para a sua própria
mente: “Eu não vou dar conta”, “Eu não consi-
go”, “Imagine se isso é para mim”.

Após ter conhecido a meditação, eu co-


mecei a prestar atenção em como a minha men-
te era doente, agitada e bagunçada. A partir do
momento em que iniciei a meditação, na ado-
lescência, não melhorei logo de cara. Pelo con-
trário, não tive uma boa orientação. Até tentei
evoluir na prática, na juventude, no entanto, a
minha mente era turbulenta demais e eu acabei
deixando a meditação um pouco de lado, pois
achava que nunca conseguiria meditar por cau-
sa da minha agitação mental. Porém, o tempo
passou e, graças a Deus, a vida foi generosa co-
33
migo, permitindo-me conhecer não só algumas
pessoas que me ajudaram a meditar, mas tam-
bém ter contato com experiências de meditação
em vários retiros espirituais. Graças a isso, eu
pude me aprofundar na meditação. Participei
do “Retiro Vipassana”, por exemplo, onde passei
dez dias em silêncio, meditando de nove a dez
horas por dia, sem falar com ninguém. Imagi-
ne que é um processo de mergulho profundo
no seu ser. Além disso, pude meditar também
participando de inúmeros retiros “Zen Budis-
tas” maravilhosos. Criei diversos retiros em
casa, nos quais ficava meditando durante horas
e dias, a fim de melhorar esse contato comigo
mesmo. A partir daí que eu fui percebendo
como a minha mente era agitada e como ela foi
se acalmando gradativamente.
Meu amigo, então como é possível você
reeducar sua maneira de viver? Como é possível
você se libertar desse desejo de controlar o futu-
ro? A resposta é: quando você aprender a viver
o presente. Não estou dizendo que estou perfei-
to ou que não fico mais ansioso. Mas, certamen-
te, comparando ao que eu era, melhorei muito.
34
Portanto, é isso que eu desejo para você! Pense
e tome cuidado com a ideia de querer controlar
o futuro. Isso é bobagem! Você não vai contro-
lar nada e a vida irá fluir do jeito que tem de ser.
Viva bem o seu presente no “aqui e agora” e, na-
turalmente, um futuro nobre e digno vai chegar.

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36
APRENDENDO A VIVER
NO PRESENTE

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38
Como, realmente, aprender a viver no
momento presente? A primeira coisa que pre-
cisamos entender é que o presente é onde a vida
está acontecendo. Pense em você sonhando
com o futuro, por exemplo: “Daqui a um ano
eu quero estar em tal lugar, fazendo tal coisa”. É
gostoso pensar nesse futuro, no entanto, ele não
existe, pois está somente na nossa cabeça. Con-
corda? Igualmente, quando estamos pensando:
“Poxa, dois anos atrás eu morava em tal lugar”
ou “Há três anos e meio aconteceu tal coisa”,
esse passado também não existe. Portanto, o
presente é a única alternativa lógica e sensata
que você tem. Aliás, é bem interessante que, no
português, o presente chame-se “presente” e po-
demos fazer um trocadilho com essas palavras.
Compreender que o presente é verdadeiramen-
te um presente precioso é muito importante.
Precisamos aprender a conectarmo-nos com o
”aqui e agora” nas mínimas coisas.
O primeiro passo que é fundamental é a
utilização de coisas do dia a dia para treinar-
39
mos e reeducarmos a nossa mente (normal-
mente agitada) a viver no “aqui e agora”. Uma
das principais dicas que eu já compartilhei nas
Pílulas do Evangelho é um exercício bem sim-
ples: todas as vezes em que você for beber água,
você pode contar mentalmente até cinquenta ou
sessenta. Parece uma bobagem, mas se cada vez
que você beber água e simultaneamente respirar
fundo, consequentemente, você irá se acalmar.
Faça que você vai entender! Além disso, quando
for ao banheiro, conte de um até trinta. Por quê?
São pequenos “pit stops” necessários, porque a
nossa mente está sempre muita agitada: “Tenho
de fazer isso” ou “Tenho de fazer aquilo”.
Dessa maneira, você se utiliza de práti-
cas do dia a dia, como ir ao banheiro, atender
um telefone ou beber água como marcadores,
ou melhor, lembretes de que você deve respirar,
prestando atenção na respiração e evitando as-
sim a agitação. Eu sei que muitas pessoas vão
dizer: “Ricardo, você é doido? Eu não tenho
tempo para isso” ou “A minha vida é corrida,
eu tenho mais o que fazer. Como eu vou ficar
parando para contar ao beber água”? Exatamen-
40
te por esses motivos todos que você realmente
precisa respirar. Isso é sério!
Se você não tiver dez minutos da sua vida
para cuidar de si mesmo, me desculpe, mas você
não tem uma vida, a vida é que lhe tem. Caso
não consiga ficar um minuto em silêncio para
prestar atenção a sua respiração, é bem provável
que você esteja virando um autômato, está no
piloto automático e não consegue nem perceber
a loucura em que você está vivendo. E isso não
faz sentido. Utilize momentos do seu dia a dia
para trazer a sua atenção para o momento pre-
sente. A ansiedade nos ilude muito e a pessoa
que não traz a mente para o presente acaba se
perdendo frequentemente.
Quando estamos esperando o elevador,
por exemplo, às vezes há duas pessoas. Uma já
apertou o botão do elevador, mas a outra que
chegou depois vem e aperta de novo. Conclu-
são: o que vai mudar se você apertar duas vezes?
Nada! Isso acontece por causa da ansiedade. A
pessoa não se dá conta de que o período em que
ela vai ficar esperando o elevador normalmente
41
é bem menor do que um minuto. Ainda assim a
pessoa pensa: “Nossa, que elevador demorado,
que eternidade”. Quando começamos a prestar
atenção na nossa forma de viver, percebemos a
nossa agitação e conseguimos refreá-la.
As pessoas ansiosas geralmente comem
rapidamente e não desfrutam do alimento, por-
que já pensam no que têm de fazer após a re-
feição. Caso isso seja um problema para você,
no momento de se alimentar faça uma medita-
ção. Vá prestando atenção em cada garfada que
você leva à boca e em cada alimento que está
mastigando. Além disso, saiba distinguir os sa-
bores diferentes que você está mastigando. Vai
beber água? Sinta o gole d’água “matando” a
sua sede. Dessa maneira, você vai reeducando
a sua mente agitada, que não presta atenção em
nada, para que ela se concentre na experiência
do momento presente. Sinta, ao caminhar na
rua, a palma do seu pé, em cima do seu calça-
do, pressionando naturalmente o asfalto. Sinta o
contato do seu corpo com a calça, com a camisa
ou com o short. Quando estiver dirigindo, sinta
o volante entre as suas mãos, em vez de deixar a
42
sua mente vagando, o que evitaria até riscos no
trânsito. Dessa forma, você vai trazendo a sua
consciência para o momento presente.
Viver no momento presente não é uma
coisa para espíritos divinos. Esqueça-se disso!
Viver no momento presente é um processo para
quem tem o mínimo de bom senso e de disci-
plina para treinar e viver no “aqui e agora”. Em
contrapartida, caso você não treine a sua mente
para viver no presente, obviamente ela vai viver
“devaneando”, sem uma direção específica. Co-
mer rapidamente pensando em dez coisas dife-
rentes; conversar com uma pessoa pensando em
outra; estar em casa pensando no trabalho e no
trabalho pensando em casa: como você estará
em paz? Não tem como, porque sua mente está
sempre em um lugar diferente de onde o seu
corpo está.
Entenda que é um processo, portanto, não
fique ansioso para deixar de ser ansioso. Quan-
do cozinhar, procure sentir o corte de cada ali-
mento, veja a água entrando na panela e você
acendendo o fogo. É sério! Treine, eduque e
43
reeduque-se nesse processo. Quando você ouve
isso, pode parecer algo entediante, mas não é.
Quando começamos a praticar, a sensação é
muito boa, principalmente quando consegui-
mos tirar a nossa mente do agito, trazendo-a
para o presente. Libertemo-nos do barulho, da
ansiedade e da expectativa mental do que vai
acontecer no futuro, para desfrutarmos a expe-
riência do momento presente, seja qual for esse
momento. Lembre-se de que a vida acontece
agora, enquanto você faz planos para o futuro.

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44
SILENCIE SEU
DIÁLOGO MENTAL

45
46
Meu amigo, você já deve ter percebido
que a sua mente é muito barulhenta. Quantas
vezes você quer realmente ficar no momento
presente, prestando atenção na sua respiração e
desfrutando da sua comida? Você batalha por
isso, porém a sua mente, de repente, fica agitada.
Ela aparenta ter vida própria e está sempre pen-
sando em alguma coisa diferente do que você
gostaria de estar pensando. Chamamos esse ba-
rulho mental de “diálogo interno”. É um rádio
que fica ligado, às vezes vinte e quatro horas por
dia, conversando conosco o tempo todo dentro
da nossa mente e, por consequência, tirando a
nossa paz interior.
Indiscutivelmente, uma pessoa que quer
diminuir a sua ansiedade e aproveitá-la de ma-
neira positiva precisa aprender a melhorar a
condução dessa conversa que temos dentro de
nós mesmos. Por exemplo, caso você seja uma
pessoa ansiosa, se for chamada para viver um
desafio, o diálogo interno funcionaria da se-
47
guinte forma: “Será que eu vou dar conta? Será
que isso vai dar certo? Meu Deus, isso vai me
dar um problema”. Ou seja, a situação nem se
iniciou e você já está pensando em dez coisas
diferentes ao mesmo tempo. É um diálogo in-
terno negativo. Como agiria uma pessoa equili-
brada? É oferecido um desafio a ela, no entanto,
ao se iniciarem os pensamentos negativos, ela
imediatamente questiona-se: “Por que eu não
posso dar conta? Se der errado, eu aprendo, afi-
nal, tudo na vida é aprendizado. Logo, não tem
porque eu temer”.
Você precisa ter habilidade para conver-
sar com o seu “diálogo interno”, bem como di-
recionar os seus próprios pensamentos, porque
você é dono do que pensa. Lembre-se disso!
Pode ocorrer que você não consiga evitar que o
primeiro pensamento venha à sua mente, mas
você pode determinar como desenvolverá o di-
álogo. Imagine uma discussão com a sua espo-
sa ou com o seu marido e, sendo uma pessoa
ansiosa, vem logo o diálogo interno: “Lá vem
aquele chato. Eu não deveria estar aqui. Que
vontade de ir embora”. Em contrapartida, a pes-
48
soa equilibrada, em uma discussão, quando vêm
os pensamentos negativos, ela reage da seguinte
forma: “Lá vem aquele chato, mas é ele quem
cuida de mim e é meu companheiro, portanto
eu preciso encontrar uma forma de me relacio-
nar com ele. Ah, mas ele não me ouve! Não tem
problema, pois está com raiva, então vou ficar
em silêncio e buscar a melhor forma de falar as
coisas para ele”. Isso é interessante porque é um
exercício. Cada vez que um pensamento surge,
como se algum terceiro estivesse lhe dizendo
algo, você próprio vai canalizando o seu diálogo
de uma maneira saudável, o que vai diminuir a
ansiedade.
Quando conversamos com pessoas que
venceram suas ansiedades, buscando entender
suas estratégias para viver no presente, prati-
camente todas relatam essa forma de lidar com
os pensamentos negativos que surgem em suas
mentes: “Eu não consigo evitar que apareçam,
mas, quando aparecem, eu não os deixo ficar”.
Olhe que coisa fantástica! Então, estar saudável
necessariamente não significa nunca ficar do-
ente, mas melhorar de maneira rápida quando
49
a doença aparece. Assim, não quer dizer que a
pessoa que lida bem com a ansiedade nunca fi-
que ansiosa, mas que, quando a ansiedade apa-
rece, ela sabe como lidar com ela, com sabedo-
ria, sem tornar-se escrava do primeiro impulso.
Isso faz sentido para você? Já parou para
pensar na hipótese de você direcionar seus pen-
samentos ou de como seria a sua vida se você
fizesse esse direcionamento? Uma sugestão para
te auxiliar nisso é um diário. A maioria de nós
vive no piloto automático: acordamos e só va-
mos parar na hora de dormir. Se você tiver o há-
bito de escrever em um diário o resumo do seu
dia, isso vai te forçar a refletir sobre tudo que
você viveu a cada dia. Parando para escrever,
você vai ter de organizar suas ideias, o que já é
uma vantagem, pois vai evitar que elas fiquem
soltas em sua mente. Organizando no papel
tudo aquilo que você escreveu, sua mente vai
serenar muito, porque você vai tirar a angústia
e a ansiedade das possíveis questões emocionais
que estiverem dentro de você.
Observe que as pessoas ansiosas normal-
mente têm uma necessidade grande de falar, às
50
vezes de brigar ou discutir, porque se elas não
“explodirem”, elas podem até “implodir”. As
pessoas ficam caladas para não falar nada com
ninguém, mas fica aquele barulho mental, o
que pode ocasionar até uma doença em algum
momento, que é uma espécie de “explosão”, ori-
ginada em uma “implosão” interna, que depois
vem para o corpo. Por isso que escrever é um
excelente exercício, em que você vai desabafan-
do, de certa forma, no papel. Ou seja, você vai
tirando aquela emoção que fica carregada den-
tro de si, externalizando-a na escrita. E isso vai
trazer uma sensação de alívio profundo.
Só tem uma forma de você saber se isso
tudo faz sentido ou não: praticando! Fica essa
dica muito legal de exercício. Eu tenho a certeza
de que, se você fizer a primeira vez, você vai fa-
zer sempre, porque vai te fazer um bem enorme.
Tenha um diário para registrar a sua vida e as
suas emoções cotidianas. Isso vai te ajudar a to-
mar consciência dos vários estados emocionais
que você passa constantemente e, com isso, fica-
rá mais fácil ter a maturidade para saber aquilo
que deve ser feito.
51
52
DÊ UM PASSO
DE CADA VEZ

53
54
Não fique ansioso para deixar de ser an-
sioso! Acredito que um dos principais pontos
para que possamos superar uma mente ansiosa
é dar espaço suficiente para essa mudança. So-
mos seres espirituais eternos e trazemos uma
memória espiritual muito grande. E isso é mui-
to forte para alguns de nós que, durante várias
existências, vivemos de uma maneira tensa e
controladora. Só agora é que estamos desper-
tando para o crescimento espiritual, por isso há
ainda em nós uma avalanche de tendências cris-
talizadas, ou seja, ainda teremos internamente
dificuldades emocionais que nos dificultarão
viver no presente. E precisamos estar prepara-
dos para isso. O nosso ego oferecerá resistência
a partir do momento que começarmos a mu-
dar internamente nossa forma de ver e de viver.
No entanto, é fundamental entendermos que a
mudança acontecerá em um passo de cada vez.
Assim, precisamos ter paciência nas vezes que
falharmos e não dermos conta de ficar calmos e
tranquilos. E isso poderá ocorrer muitas vezes.
55
Comecei a perceber, à época da adoles-
cência, quando aprendi a meditar, que precisava
ter paciência comigo. Era muito difícil, porque
eu sempre me cobrava bastante pelos resulta-
dos que gostaria de ter. A ideia de que algumas
coisas não sairiam no momento que eu gostaria
era um exercício enorme. Quando eu tinha um
propósito, em vez de ficar pensando somente
no objetivo alcançado, eu imaginava: “Qual é
o primeiro passo que está ao meu alcance, que
é tranquilo para mim e que eu posso tomar”?
Por exemplo, necessito emagrecer dez quilos,
logo, qual o primeiro passo a se tomar? Posso
ligar para uma academia, bem como para um
nutricionista. Entende? Assim, você consegue
ter controle e isso está ao seu alcance. Parece,
aparentemente, algo bobo, mas, quando você dá
esse primeiro passo, a ansiedade diminui. Qual
o segundo passo? Vou comprar o alimento cor-
reto, vou começar a caminhar ou vou começar
a me exercitar em uma academia, por exemplo.
Qual o terceiro passo? Irei na primeira sema-
na de atividade física. Dando um passo de cada
vez, você vai muito longe, porque o que desa-
56
nima é a pessoa pensar “dez quilos, eu não vou
dar conta” ou “é muito difícil perder isso tudo”.
O problema é que você pensa na dificuldade da
meta que quer alcançar. Dessa forma, o seu foco
deve estar na solução e não no problema, pois
assim não ficará ansioso.
Eduque-se para dar um passo de cada vez
e tenha paciência consigo. Entenda que, prova-
velmente, nós vivemos, durante muito tempo,
treinando a nossa mente para ser ansiosa e con-
troladora. Porém, temos de dar um tempo para
que ela reaprenda a sentir-se em paz, bem como
a viver no momento presente. Pode ter certeza
de que as pessoas que hoje já conseguem viver
bem no momento presente treinaram muito
para chegar aqui. Ninguém alcança um objetivo
do nada. Todos têm méritos pelas suas conquis-
tas. Cristo, de maneira extraordinária, disse:
“Cada um segundo as vossas obras”. Então, caso
você esteja plantando um pé de maçã, conse-
quentemente, irá colher maçãs. Ninguém planta
maçã e colhe laranja, não é verdade?
Caso você queira melhorar a sua ansieda-
de, deve trabalhar a sua tranquilidade, prestan-
57
do atenção na sua respiração. Quando for beber
água, conte de um até trinta para diminuir a
expectativa. Você pode meditar. Organize me-
lhor a sua agenda. Enfim, organize a sua vida,
por meio de práticas cotidianas, para viver de
maneira mais organizada e feliz. Agindo assim,
obviamente, em algum momento, essa ansieda-
de vai diminuir. E não se esqueça de que, aliado
a isso, há sempre a proteção e a orientação de
Deus. O crer na bondade divina também vai au-
xiliá-lo a reduzir o desejo de controlar o futuro.
Entende que é um conjunto de fatores?
Não é uma solução mágica e isolada que vai
tirar de você essa dependência da ansiedade.
É um conjunto de pequenas mudanças que,
ao se somarem, ampliam um grande cenário
com muito mais possibilidades e esclarecimen-
to. Isso faz sentido para você? É essencial essa
compreensão para que possamos alcançar a paz
que tanto desejamos. É crucial esse entendi-
mento para termos paciência conosco mesmos,
enquanto estamos aprendendo a viver a vida de
maneira mais leve e muito mais feliz.

58
DICAS PARA SUPERAR
A ANSIEDADE

59
60
Para diminuirmos esse barulho da mente
que às vezes tanto nos atrapalha, para que pos-
samos aprender a dar um passo de cada vez e a
nos libertar desse excesso de ansiedade, existem
algumas dicas e sugestões, inclusive sugeridas
por profissionais da área da saúde, da psicologia
e também dos amigos espirituais. Eu tenho cer-
teza que elas vão te ajudar muito a ter uma vida
mais harmoniosa e feliz.
A primeira dessas sugestões é: pratique
exercícios físicos! Eu sei que é muito difícil sair
da zona de conforto, porque eu era assim tam-
bém. É difícil para muitas pessoas fazer uma ca-
minhada e trabalhar de maneira sistemática o
cuidado com o próprio corpo. O pessoal brinca
que existem pessoas que só fazem “alterogarfis-
mo”, isto é, o único exercício que elas fazem é
levantar o garfo para se alimentar. No entanto,
a prática de exercícios físicos libera endorfina
em nosso corpo, bem como melhora a circu-
lação sanguínea. Além disso, pode ter certeza
61
de que quando o nosso corpo, organicamente
falando, está mais saudável, isso interfere nas
nossas emoções. Quando você está com dor, já
percebeu que você fica mais irritado? É porque
o corpo interfere no nosso “eu emocional”. Des-
sa maneira, trazer para a sua vida um movimen-
to físico de maneira constante, trará benefícios
imediatos para o seu estado de espírito.
Conversando com pessoas que fazem
exercícios físicos, todas são unânimes em dizer:
“O dia em que faço exercício físico, eu durmo
melhor”. Nunca me deparei com pessoas que
não fazem exercícios físicos dizerem: “Minha
vida é perfeita e está muito melhor agora do
que quando eu fazia exercícios” ou “Agora que
eu como muita besteira, a minha vida está mui-
to melhor”. Não existe isso! É completamente o
oposto. Exercitar-se, na medida do possível, vai
te ajudar muito a diminuir a sua ansiedade e a
melhorar a sua qualidade de vida. Portanto, é
um processo prático, objetivo e mecânico que
tende a nos ajudar bastante.
A segunda dica é a prática da meditação.
Em inúmeros momentos, vocês irão me escutar
62
falar da importância da meditação. Eu sou um fã
incontestável dessa prática. Aprenda a meditar,
porque vai diminuir bastante a sua ansiedade. E
isso sem nenhuma dependência de remédios. A
meditação é gratuita e pode ser feita a qualquer
momento, sempre que se achar necessário.
“Meditar” basicamente consiste na ideia
de tirar um tempo e, nesse período, ficar fisi-
camente parado, com os olhos abertos ou fe-
chados, prestando atenção na sua respiração.
Durante esse período, você pode colocar uma
música suave ao fundo. E, mesmo se os pensa-
mentos vierem aos “borbotões”, não há nenhum
problema, pois, com o tempo, eles irão embora.
Assim como as nuvens no céu, os pensamentos
vêm e, da mesma forma, vão. Quanto maior for
a sua capacidade de não se envolver com os seus
pensamentos, mais livre você vai se encontrar. E
Isso é um treino! Portanto, não existe nada mais
moderno no mundo para educar a mente a vi-
ver no presente do que a meditação. Jesus Cristo
e grandes mestres praticaram meditação! Será
mesmo que eu não vou precisar?

63
Dica número três: não acumule tarefas ou
casos mal resolvidos. Se você é uma daquelas
pessoas que sempre deixa para amanhã o que
pode e deve fazer hoje, é claro que você vai ficar
ansioso. Sua mesa vai ficar cheia de pendências
e de contas atrasadas para pagar. E nem sem-
pre isso tem a ver com a falta de dinheiro, mas
com a falta de organização. Tem muita gente
que acaba ficando preso nas garras da ansiedade
porque está preso, antes de mais nada, nas gar-
ras da desorganização. E uma pessoa que não
se organiza direito, não organiza a própria vida.
Nessa perspectiva, lembre-se de que é impor-
tante se organizar, desde fisicamente, arruman-
do o seu quarto, as suas roupas, o escritório e o
carro que dirige, até emocionalmente, ordenan-
do as suas ideias, evitando tomar decisões e ati-
tudes intempestivas quando se está com raiva,
esperando sua mente se acalmar para enxergar
melhor a situação.
E repito: isso é um processo, não se resol-
ve da noite para o dia. Há momentos em que
você vai conseguir e há outros momentos que
não. O objetivo, mesmo fraquejando às vezes,
64
é não desistir de si mesmo, não desistir de re-
educar você, não desistir de estar em paz, não
desistir de viver no “aqui e agora”. Apenas dessa
maneira, você vai conseguir diminuir a ansie-
dade e aproveitar melhor a sua vida, vivendo
de verdade. E eu te desejo tudo isso! Vamos lá?
Exercite-se, pratique meditação, não acumule
tarefas e casos mal resolvidos. Coloque tudo em
dia. Uma vez por semana, você para e faz uma
checagem na sua agenda, resolve o que tem de
resolver para não acumular nada.
Por fim, cultive a prática da fé. Indepen-
dentemente da sua religião, caso você tenha al-
guma, é indiscutível que pessoas que têm fé, que
creem em Deus são mais fortes para lidar com
a ansiedade. Elas não têm mais a necessidade
de controlar o futuro, pois confiam na bonda-
de e no planejamento divino. Obviamente, essas
pessoas se entregam mais e, por consequência,
as coisas acabam fluindo de uma maneira mais
harmoniosa e feliz. Exercite e resgate a sua fé,
crie uma série de atividades e comportamentos
que poderão te trazer uma vida muito mais leve.
Por exemplo, uma pessoa que tem fé, perdoa
65
mais e não fica prisioneira da mágoa e da an-
gústia, sentimentos que normalmente trazem à
tona situações negativas que aconteceram. Des-
se modo, a fé, por si só, vai potencializar uma
série de benefícios que te ajudarão a edificar a
sua vida sobre uma estrutura verdadeira de paz,
harmonia e amor.

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66
DESFRUTE DA VIDA E
DOS SEUS ERROS

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68
Querido amigo, como já foi dito, a ansie-
dade é uma emoção como várias outras. E você
pode se libertar do seu excesso no momento em
que deixar de querer controlar o futuro, quando
deixar de se apegar ao passado, no momento em
que abrir espaço na sua vida para tirar proveito
do que o presente lhe traz. Você percebeu tam-
bém que pode serenar e acalmar o diálogo da
sua mente: na hora que surgir uma frase nega-
tiva, ao invés de deixá-la crescer, você mesmo
pode direcionar o diálogo positivo. Além disso,
nós vimos também algumas práticas que aju-
dam muito a melhorar a construção gradativa
do nosso equilíbrio, como a meditação, a ora-
ção, o não acúmulo de tarefas, os exercícios físi-
cos, enfim, todo um conjunto de forças que vai,
com certeza, trazer para você uma vida mais
harmoniosa e feliz.
Mas há uma coisa que também faz toda a
diferença na melhora do nosso cotidiano. É uma
postura, um entendimento, uma forma de ver a
69
vida, sabe qual é? Desfrutar dos próprios erros!
É isso mesmo! Existe uma coisa que é certa: nós
vamos errar em muitas circunstâncias de nossa
vida. Mesmo que você não queira, mesmo que
você estude, mesmo que você se prepare, você
não é perfeito. Naturalmente, muitas vezes na
vida, nós vamos cometer alguns erros em rela-
ção a algumas situações que não gostaríamos de
cometer. Saber assimilar esses erros como parte
do caminho é fundamental no processo de ma-
turação emocional e espiritual.
Saber transcender os nossos erros é mui-
to importante. Eu vejo muitas pessoas ansiosas
querendo controlar até mesmo os erros que co-
metem ou pessoas que não admitem cometer
erros, são “perfeccionistas de plantão”. E, nesses
casos, eu te digo: não tem jeito, você vai ser an-
sioso mesmo e cometer algum tipo de erro, isso
é líquido e certo! Por isso aprender com os nos-
sos próprios erros faz toda a diferença. Acolha
os seus erros! Perdoe-se! Comece novamente!
Quando se tem uma idade mais avançada
e se lembra da infância, você vê as suas próprias

70
fotos ou algumas filmagens da época e pensa:
“Meu Deus, como é que eu pude fazer isso na-
quela época” ou “Nossa, a cabeça que eu tinha
era tão diferente da que tenho hoje, que parece
até ser outra pessoa”. Veja que tudo isso passou,
é passado. Pode ser que, daqui a alguns anos,
você vá olhar para o passado - que seria hoje - e
também vá ter a mesma percepção. Isso quer di-
zer que compreender os próprios erros significa
que você vai se dar o direito de continuar traba-
lhando para acertar, mas sem se exigir além do
que deveria.
Você entende que, para viver sem ansie-
dade, também é necessário compreender que os
nossos erros fazem parte da nossa aprendiza-
gem e que eles merecem a nossa atenção e não o
nosso julgamento? E aí, está disposto a perdoar
seus erros? Já tem feito isso? Como é a sua ex-
periência?

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71
72
CONCLUSÃO

73
74
Meu amigo, chegamos a este momen-
to de encerramento do livro de ansiedade com
muita gratidão e com muito carinho. E por falar
em gratidão, trabalhar e desenvolver a gratidão
em nossas vidas, em todos os aspectos, é fun-
damental para diminuir a ansiedade, porque,
quando somos gratos, nós tiramos a expectativa
daquilo que não temos e começamos a viver em
conexão com o que já temos. Consequentemen-
te, deixamos de ser dependentes de uma ima-
gem do que ainda não somos para aprendermos
a valorizar o ser humano que damos conta de
ser. E uma das coisas que mais deixa as pessoas
ansiosas é a cobrança para serem melhores do
que são. Elas ficam se comparando com outras
pessoas e, por consequência, deixam de desfru-
tar de si mesmas, não conseguem desfrutar dos
próprios erros, não se permitem ser felizes. Pra-
ticar gratidão é agradecer pelo que se tem, pelo
que acontece ou não, pelas pessoas que entram e
saem de nossas vidas e pelos ciclos que se abrem
75
e que se fecham. Exercitar a gratidão nada mais
é do que reconhecer a presença de Deus na sua
vida. É uma proposta de reconhecimento do
que se é e de onde se está, ou seja, é uma cone-
xão constante com o “aqui e agora”.
Quero lhe agradecer e desejar que você
seja uma pessoa grata. Pratique gratidão! Além
disso, você pode ter a sua lista de gratidão, a
qual você pode e deve agradecer todos os dias.
Eu tenho a minha lista de gratidão e gosto muito
de lê-la, pois sempre me recordo de quantas coi-
sas lindas eu tenho na vida. E isso me traz uma
sensação de paz muito grande, porque me ajuda
a não pensar nas coisas que eu ainda não tenho
e que tendem a me fazer ficar ansioso. Com a
lista de gratidão, aquela parte da mente que está
pensando no futuro volta para o presente, mos-
trando o apego a algo que nem aconteceu ainda.
Faça a sua parte, porque o amanhã vai
acontecer! Valorize o que já tem e o que você
já é. Isso faz diferença! É o que a gratidão faz
por nós e é isso que eu desejo a você. Além do
mais, torço para que você não só aproveite mui-
76
to a sua lista de gratidão, como também medite,
ore e veja a ansiedade com uma nova visão. En-
tenda que o amadurecimento do seu “eu emo-
cional” é o primeiro passo para você viver uma
existência mais nobre e mais feliz. Saiba que du-
rante esse caminho você irá falhar, porque faz
parte do projeto e não há nada de errado nisso.
O problema não é nós cairmos, mas não querer-
mos levantar, não é verdade? O problema não
é eventualmente falharmos na estratégia de di-
minuir a ansiedade, o contratempo é você con-
tinuar ansioso sem se estruturar quando uma
queda acontecer.
Muito obrigado pelo carinho e pela aten-
ção. Gosto sempre de lembrar que não há ne-
nhuma pretensão da minha parte em dar a últi-
ma palavra sobre o tema, bem como em resolver
a situação de quem quer que seja. O objetivo é
apenas compartilhar ideias úteis com carinho e
respeito, no intuito de facilitar novas aprendiza-
gens. Dessa maneira, nada melhor do que você
colocar tudo em prática para saber se funciona
ou não. Uma coisa sou eu falando, outra coisa é,
com certeza, você vivendo! A escolha é sua.
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ANGÚSTIA

79
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INTRODUÇÃO

Todos temos problemas, mas é certo que


todo mundo quer ser feliz, ter paz e libertar-se
das suas ansiedades. Desejamo-nos sentir re-
pletos de energia, bom ânimo e aspiramos que
nossa família seja maravilhosa. A realidade é
que todos nós almejamos, no final das contas,
a mesma coisa. No entanto, questionamo-nos:
é possível conseguir tudo isso, mesmo com a
vida repleta de dificuldades? Como lidar com as
dificuldades e angústias que muitas vezes aper-
tam o nosso coração e, em casos mais extremos,
acabam sendo justificativas para que percamos
a esperança em uma vida melhor? Nosso obje-
tivo com esse livro é, de maneira muito singela,
tocar o seu coração para reflexões importantes
sobre uma nova forma de interpretar a vida.
Meu amigo, a existência é importantíssi-
ma para todos nós, é um verdadeiro presente
81
divino, e, naturalmente, devemos enxergar nela
uma grande oportunidade de crescimento. É
claro que o primeiro ponto para que possamos
modificar a nossa relação com a nossa existência,
no que diz respeito à maneira como enfrenta-
mos as nossas dificuldades, é entender melhor o
papel de cada angústia que vivenciamos. Aquele
que consegue compreender suas angústias sem
temê-las certamente se sente muito mais leve e
preparado para ser feliz. Vamos falar sobre isso
nos próximos capítulos como um convite para
que você possa abrir a sua mente e o seu coração
para revisitar o seu passado, sonhar com o seu
futuro, mas vivendo de maneira harmoniosa o
seu presente.
Então, o que eu desejo é que você apro-
veite muito esse material, preparado com muito
carinho, e possa desfrutar da sua jornada nes-
te planeta com toda a plenitude que a sua alma
merece e que, com certeza, a nossa humanidade
deseja.

82
Como você enxerga a vida?

“Meus irmãos, considere motivo de grande


alegria o fato de passarem por diversas
provações, pois vocês sabem que a prova da sua fé
produz perseverança. E a perseverança de ter
ação completa, a fim de que vocês sejam maduros e
íntegros, sem que falte a vocês coisa alguma.”
Tiago 1, 2-4

83
84
Durante cinco anos tive a incrível opor-
tunidade de fazer visitas no Hospital João
XXIII, um hospital de pronto-socorro que fica
localizado na cidade de Belo Horizonte. Essa
experiência marcou muito a minha existência,
pois, durante as visitas, pude acompanhar os
dramas de vários pacientes que estavam inter-
nados em estado grave, tanto no CTI quanto na
UTI. E muitos desses pacientes não resistiram,
ao passo que vários tiveram a chance de retor-
nar para suas vidas. Nesse período, eu conver-
sava com os pacientes que estavam conscientes,
com os profissionais da área da saúde e orava
pedindo muito a Deus por aqueles que estavam
no nível inconsciente. Sem dúvida, essa vivên-
cia foi especialmente rica por me permitir ver
que, perante a dor, todos somos iguais - prin-
cipalmente quando sentimos dor física, já que,
em relação às dores morais, cada um de nós tem
a liberdade de escolher como lidar com elas.
Mas uma coisa me chamava a atenção: em meio
85
a profundas dores físicas, histórias de acidentes
graves e situações violentas que haviam vivido e
levaram aquelas pessoas a estar hospitalizadas,
sempre encontrava pacientes com estado de es-
pírito que me surpreendia.
Recordo-me bem a primeira vez em que
conversei com uma vítima de acidente automo-
bilístico: ela tinha várias fraturas pelo corpo e
falava com muita dificuldade, sendo necessário
tapar com o dedo o tubo da traqueostomia para
se comunicar. Com grande esforço, ela me con-
tou que, apesar da situação em que se encon-
trava, sentia-se muito bem e estava muito grata
a Deus. Chamou-me muito a atenção porque
ela sorria, e era a primeira vez, em mais de um
ano de visitas ao CTI, que encontrava alguém
consciente e em condições de conversar comi-
go. Em uma conversa sucinta, em decorrência
do seu estado clínico e do breve horário de vi-
sitas, a paciente narrou alguns detalhes da sua
vida pessoal até o instante em que entrou no
veículo e viu o seu acompanhante pela última
vez, já que ele foi vítima fatal do acidente que a
levou a estar naquele hospital. Diante dos acon-
86
tecimentos citados, do longo processo de recu-
peração que estava por enfrentar e da incerteza
que voltaria a andar, essa pessoa tinha todos os
motivos para se entristecer, ficar abatida e per-
der as esperanças no futuro, mas estava cheia de
esperança, entusiasmo e mantinha sempre um
grande sorriso no rosto.
Situações como essas se repetiram outras
vezes e sempre demonstravam como nós temos
uma grande interferência na maneira como en-
xergamos a vida. A verdade é que nada é bom
ou ruim em essência até o instante em que esco-
lhemos ver algo como bom ou ruim. É mais ou
menos como a beleza das cidades históricas, por
exemplo, da qual muitas pessoas falam “Nossa!
Quanta velharia!”, enquanto outras olham e di-
zem: “Nossa! Quanta história! Eu amo história!”.
No final das contas, as cidades históricas não
são belas nem feias; isso depende da relação que
cada um quer ter com elas. E o mesmo aconte-
ce com a nossa vida, ou seja, o peso que damos
aos nossos problemas, sem dúvida alguma, de-
termina a forma como lidamos com eles. Algu-
mas pessoas têm habilidades extraordinárias de
87
transformarem problemas grandes em situações
pequenas, pelo menos na maneira de lidar com
eles. Em contrapartida, há pessoas que superdi-
mensionam situações pequenas, sofrendo muito
mais que o necessário. Nesse sentido, torna-se
de suma importância que cada um de nós esteja
ciente da responsabilidade que tem pela manei-
ra como administra os problemas que cruzam o
seu caminho. Devemos compreender que somos
responsáveis pelas escolhas que fazemos, como
aceitar ou não uma pessoa que nos magoou, nos
incomodou e seguir adiante; dar o próximo pas-
so depois de passar por uma situação complexa
ou ficar simplesmente preso ao passado, reme-
morando essa velha situação, sofrendo cada vez
que isso acontece.
O primeiro ponto a ser abordado é que
a angústia nada mais é que a visão adoecida
das situações que enfrentamos. Todas as vezes
em que observamos uma situação com a sen-
sação de perda, medo ou revolta, experimenta-
mos angústia. O medo nos traz a impressão de
que não somos capazes de resolver problemas,
o que gera uma sensação de impotência que
88
muitas vezes acaba nos paralisando. É natural
que situações incômodas que nos rodeiam e
que preferimos não enxergar causem dor, mas
precisamos estar abertos a fazer esse mergulho
interior, aprender com os sinais que a vida nos
envia. Isso é importante para o nosso amadure-
cimento. Albert Einstein já dizia: “A felicidade
não se resume à ausência de problemas, mas
sim à sua capacidade de lidar com eles”. Apesar
de, muitas vezes, passarmos por altos e baixos,
perceba que podemos transformar a nossa vida
em uma existência harmoniosa e feliz, sem ter-
mos de mudar o mundo lá fora. O nosso desafio
é mudar o mundo aqui dentro.
Eu sei que não há nenhuma novidade no
que estou falando, mas lembre que saber e não
fazer é a mesma coisa que não saber, porque o
resultado é o mesmo. É muito importante que
você se comprometa de uma vez por todas em
ser feliz. A felicidade não é uma descoberta, e
sim uma percepção. Quando acredita que a feli-
cidade é uma descoberta, você parte do pressu-
posto de que tem de encontrar a felicidade em
alguém, em algum lugar ou em alguma situa-
89
ção. E isso não vai acontecer, porque, pensando
dessa maneira, toda vez que você conseguir o
objeto do seu desejo ou encontrar a pessoa que
quer, experimentará uma sensação de bem-es-
tar e, simultaneamente, o medo de perder o que
conquistou. Naturalmente não estará feliz, pois
a sensação de prazer será momentânea, dará lu-
gar ao medo da perda.
Uma pessoa verdadeiramente feliz com-
preende que felicidade é algo que aprendemos
enquanto estamos caminhando, em cada passo
que damos na vida. Felicidade é uma conexão
com cada instante que estamos vivenciando. À
medida que amadurecemos e entendemos que a
vida é um grande presente de Deus, enxergamos
em cada situação, por mais difícil ou prazerosa,
uma justificativa para sermos mais felizes. En-
tão, lembre que, se está dando um peso excessivo
aos próprios problemas, você pode mudar sua
estratégia tomando consciência de que sua men-
te está lhe direcionando para ver o lado negati-
vo das coisas e, assim, educá-la, direcionando-a
a um novo prisma, para que o lado positivo se
destaque. Sua felicidade dependerá disso.
90
Muitas pessoas dizem que, para serem
felizes, precisam de dinheiro, boa saúde e uma
família feliz. Algumas acreditam que precisam
ser famosas ou precisam de uma série de coi-
sas, mas sejamos sinceros: quantas vezes na
vida você viu pessoas que têm tudo isso que
você acredita que seja necessário para ser feliz
e, ainda assim, não o são? Não nos custa lem-
brar que os maiores índices de suicídio existem
nos países mais ricos do mundo, e não nos mais
pobres, o que mostra que muitas desilusões que
levam uma pessoa a chegar a pensar no absur-
do de tirar a própria existência nascem da nos-
sa mente, e não da realidade. Portanto, entenda
que a realidade só existe quando você a cria; que
você tem o poder de determinar que algo é bom
ou ruim; que você tem o poder de determinar
que uma experiência vai ser um ingrediente a
mais para sua felicidade ou simplesmente vai
lhe afastar dessa sensação de felicidade.
Quero lhe fazer uma pergunta: que peso
você tem dado aos problemas na sua vida? Um
peso grande ou um peso pequeno? Lembre-se
de que pessoas sábias aprendem a colocar leveza
91
em situações pesadas. Infelizmente, pessoas que
ainda não entenderam essa importantíssima li-
ção da vida costumam fazer o oposto: colocam
peso nas coisas leves. E quanto a você, qual é o
seu caso? Como você pretende enxergar e abor-
dar a sua vida?
No período de visitas ao hospital men-
cionado e em várias outras situações, realmente
aprendi que não importa o tamanho dos pro-
blemas: nós podemos ter uma visão mais saudá-
vel deles quando escolhemos o caminho certo.
Então, lembre-se: você pode trazer mais beleza
para a sua vida, mais paz para a sua caminha-
da, mais serenidade para o seu coração e mais
ânimo para a sua jornada, mesmo quando as
situações não estão da maneira como gostaria,
se a sua forma de enxergar a vida for saudável.
Entretanto, enquanto a sua vida continuar a ser
percebida de uma maneira adoecida, todas as
situações vão servir de justificativa para você vi-
ver de maneira angustiada. Tem certeza de que
é isso que você quer para a sua vida? Eu acredito
que não!

92
O copo está meio cheio
ou meio vazio?

Tua vida é resultado de tuas escolhas.


Mesmo que te assolem as intempéries do mundo
ou a injustiça do teu próximo,
você sempre pode mudar a tua realidade.
Toma para ti o esquadro e o compasso e, sobretudo,
assuma a responsabilidade de arquitetar a tua felicidade!

Augusto Branco

93
94
O copo está meio cheio ou meio vazio?
Durante vários anos eu escutei essa frase e não
entendi muito bem o seu significado. Somente
após viver uma série de experiências, percebi,
na prática, que o copo tanto pode estar meio
cheio ou meio vazio, quando está pela metade.
Isso depende puramente do modo como você
escolhe enxergar a realidade.
No capítulo anterior, falamos sobre a im-
portância de trazermos mais leveza para a ma-
neira como estamos vivenciando a nossa vida,
entretanto sei que isso não é simples. Presumo
que muitas vezes, ao entrar em contato com um
passado que lhe foi dolorido, você se sinta in-
comodado, bem como sinta que lidar com os
desafios do presente é custoso, especialmente
quando se sente injustiçado ou quando acredi-
ta que lhe falta algo que considera fundamental
para a sua felicidade. Compreendo ainda que é
mais fácil crer na felicidade como uma conquis-
ta que assimilar sua real essência e que ela pre-
95
cisa ser descoberta. É ainda mais simples conti-
nuar vivendo da forma como sempre vivemos,
em vez de mudarmos velhos hábitos. Portanto,
é fundamental decidir se você quer enxergar o
copo da sua vida mais próximo de cheio ou se
prefere identificar as coisas como sendo meio
vazias. Na realidade, tudo vai depender da sua
maturidade emocional, pois, quando aprende a
observar através de uma perspectiva positiva,
altera profundamente a maneira de lidar com
os fatos que lhe rodeiam. Mas uma coisa é certa:
você não pode controlar o seu destino.
Não temos como controlar, por exemplo,
se vai fazer frio ou calor; o que podemos é es-
colher que blusa vestir. Não podemos decidir
se vai chover, mas temos a escolha de sair com
guarda-chuva ou sem ele. Não tem jeito: alguns
dias são bons e outros são difíceis. Haverá dias
em que todas as coisas que você deseja aconte-
cerão: você vai encontrar as pessoas que gos-
taria, suas ligações telefônicas serão atendidas
e todos os e-mails serão respondidos no mo-
mento em que deseja; enfim, tudo o que você
almeja vai dar certo. Contudo, haverá dias em
96
que as coisas não sairão como planejadas; você
poderá ficar preso no trânsito, ter um compro-
misso desmarcado; e as mais diversas situações
poderão acontecer para contrariar as suas ex-
pectativas. Viver é isto: experimentar situações
inesperadas o tempo todo. As pessoas que que-
rem controlar o inesperado sofrem de angústia,
porque querem controlar algo que não podem.
É como querer nadar contra a correnteza: com
toda a certeza, você não vai conseguir, por isso
a sabedoria de aprender a nadar a favor da cor-
renteza. Quando estamos emocionalmente ma-
duros, aprendemos que cada momento nos traz
aquilo que é necessário para o nosso crescimen-
to interior. Essa é a única forma de nos libertar-
mos da necessidade de controlar o futuro.
Deixe-me dar um exemplo. Você conhece
alguém, começa a namorar e fica imaginando:
“Será que essa pessoa vai gostar de mim? Será
que ela vai me trair? Se nos casarmos, será que
vai dar certo?”. Se você começar a alimentar
todas essas perguntas dentro de si com angús-
tia, que é o que muita gente faz, não vai desfru-
tar dos momentos do namoro; certamente vai
97
sentir-se tenso cada vez que se despedir dessa
pessoa que está conhecendo, podendo tornar-
-se uma companhia muito desagradável, o que
pode diminuir a possibilidade de ter um óti-
mo relacionamento. E tudo isso se deve à sua
imaturidade emocional. Agora, veja por outro
ângulo, se você começa a namorar pensando
da seguinte forma: “Não tenho como saber se
esse namoro vai dar certo; não tenho como ter
certeza se realmente vai dar certo; futuramente
poderemos vir a nos casar, ser felizes, mas sei
que posso transformar cada dia de convivência
com essa nova pessoa em uma realidade agra-
dável; está ao meu alcance fazer a minha parte,
então vou trabalhar nisso”. E assim você perde
a necessidade de controlar o futuro, o que ime-
diatamente já lhe traz um alívio para o coração.
Percebe que o copo pode estar meio cheio ou
meio vazio? Vai depender da abordagem que
você fizer de cada situação.
Uma das coisas que mais me chama a
atenção são as histórias de pessoas bem-sucedi-
das. Trabalho com coaching há muitos anos e te-
nho a oportunidade de ajudar muitas pessoas a
98
criar seus negócios, a prosperar nos seus inves-
timentos e a se libertar de dívidas. E fico muito
feliz quando isso acontece. Mas uma das coisas
que aprendi nesses anos todos é que muitas his-
tórias de sucesso nasceram em momentos de
profunda dor. Normalmente, crises econômi-
cas, que geram muito desemprego no país, tam-
bém são responsáveis por estimular as pessoas
a seguir os seus sonhos. Imaginemos que você
é alguém que tem o sonho de abrir um negócio,
mas nunca teve a coragem de abandonar o em-
prego fixo, pela estabilidade financeira que lhe
proporciona, e, de repente, por uma situação
qualquer, você é demitido. Diante de tentativas
frustradas de recolocação no mercado, surge a
vontade de colocar em prática aquela ideia de
ter o próprio negócio. Você começa a analisar os
recursos necessários para o empreendimento,
contabiliza o quanto possui para investir, estuda
formas de financiamento e a viabilidade de um
sócio. O fato é que você se organiza, estuda e se
prepara para abrir o próprio negócio. Se isso der
certo, com certeza, em algum momento em que
você já tem muito sucesso, alguém lhe olhará e
99
lhe dirá: “Nossa! Como você teve sorte!”. E, aí,
certamente você vai se lembrar de todos os mo-
mentos difíceis por que passou; talvez até brin-
que com a situação e fale para si mesmo: “Pois
é, quanto mais eu me preparo, mais sorte tenho”.
Perceba que a vida é feita desses instantes de es-
colhas. Portanto, o copo pode estar meio cheio
quando escolhemos transformar uma situação
difícil em um estímulo para fazer algo novo, que
vá nos trazer bom ânimo; ou pode estar meio
vazio, quando seguimos o caminho mais fácil,
que é o da queixa e o da revolta, o caminho que
nos leva a nos sentirmos vítimas da existência.
Indiscutivelmente esse caminho é muito peri-
goso e nos adoece.
Hoje sabemos que pessoas pessimis-
tas naturalmente têm um sistema imunológi-
co muito mais enfraquecido, já que pensar de
maneira negativa afeta a nossa saúde. A psi-
coneuroendocrinoimunologia, que é a área da
medicina que estuda a relação mente-corpo, de-
monstrou nas últimas décadas que pessoas ne-
gativas adoecem com muito mais intensidade,
têm predisposição acentuada a depressão e, por
100
conseguinte, a suicídio. Por sua vez, pessoas po-
sitivas reagem com muito mais facilidade frente
a qualquer enfermidade, sendo capaz de supe-
rar as doenças e de ter uma perspectiva favorá-
vel em relação à vida, apesar dos problemas que
enfrentam. Nesse sentido, mesmo com saúde, a
maneira como você enxerga sua vida vai afetar,
sem dúvida alguma, o seu destino.
E aí: seu copo está meio cheio ou meio va-
zio? Talvez, este momento seja interessante para
você parar um pouco e refletir sobre todas as si-
tuações que estão lhe angustiando. É sério. Pare
um pouco e enumere o que lhe angustia, escre-
va; pense na sua vida pessoal, profissional e fa-
miliar; em relação à sua saúde, à sua vida finan-
ceira ou a qualquer outra área que você quiser;
identifique e escreva todas as coisas que efeti-
vamente estejam lhe incomodando. Ao escrever
todas essas situações, uma a uma, pergunte-se
com toda a sinceridade: que peso tenho dado a
cada um desses problemas? Como eu poderia
visualizar esse problema com mais leveza? Na
sequência, questione-se: como posso observar
se o copo está meio cheio em cada uma dessas
101
situações? Lembre que aprender a ter uma pers-
pectiva positiva em relação à vida, diminuir as
angústias que experimenta é um exercício cons-
tante. Não é algo que você vai conseguir de uma
hora para outra; é uma forma de viver baseada
na reformulação da sua maneira de enxergar a
vida. Certamente, se você iniciar esse proces-
so, talvez enfrente dificuldades, porque a nossa
tendência é permanecer na zona de conforto.
Mas, ao ter persistência, vai alcançar resultados
extraordinários. Basta que se dê essa chance, e
todos os copos poderão estar muito mais cheios
que vazios, tudo vai depender das suas escolhas.

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102
Que tal reescrever o seu passado?

“Ressignificar sempre!!!

Porque ninguém nasce flor, torna-se!

Ser o que se é é questão de escolha!

Sempre foi!”

Thalita Souza

103
104
Como seria se você pudesse voltar ao
passado com a sabedoria e a experiência de
vida que tem hoje? Você faria coisas diferentes
das que fez, ao reescrever o seu passado de ou-
tra forma? Como seria se você pudesse voltar
no tempo e ter o poder de mudar uma série de
situações? Você acredita que seria muito mais
feliz? Pois bem, honestamente, eu acredito que
não. Todas as vezes em que afirmamos que, se
voltássemos ao passado faríamos diferente, es-
quecemos de um detalhe muito importante: só
sabemos que algo não foi bom porque o viven-
ciamos no passado, devido às nossas escolhas.
Se não tivéssemos seguido esse caminho, natu-
ralmente o resultado seria desconhecido. Isso
significa que você fez a melhor escolha possível
naquele momento, mediante a maturidade que
você possuía. Então, culpar-se por erros do pas-
sado é inútil e não vai jamais lhe trazer a paz
que você deseja. Entretanto, existe algo em re-
lação ao nosso passado que todos nós podemos
105
fazer: revisitá-lo com um olhar mais generoso,
sem ignorar os detalhes que foram vivenciados.
Deixe-me dar um exemplo: vamos ima-
ginar que você teve relacionamentos afetivos
muito difíceis no passado, que lhe fizeram so-
frer. Suponha que, nesses relacionamentos, você
tenha criado grandes expectativas, e, por algum
motivo, eles não deram certo e fizeram com que
você desacreditasse na possibilidade de ser feliz
no amor. Nessa perspectiva, é inevitável que, ao
pensar em relacionamentos, você sinta dor, por-
que imediatamente sua memória trará à tona a
leitura do passado de tristezas, angústias e de-
sarmonia. Entretanto, se você desejar revisitar
o passado aprendendo a trazer mais leveza e
visualizando-o como um copo mais cheio, cer-
tamente o resultado será diferente. Essa técnica
é chamada no mundo do comportamento hu-
mano de ressignificação.
Ressignificar algo é observar uma ve-
lha situação sob outra perspectiva, com um
novo olhar. É você olhar para o seu passado
compreendendo-o de uma maneira que ainda
106
não tenha feito, de uma maneira que lhe traga
paz e tranquilidade. Muitas pessoas que têm o
coração em paz e vivem de maneira serena - e
que você admira - tiveram que ressignificar si-
tuações no seu passado e, em virtude disso, vi-
vem em paz. Portanto, é fundamental que você
aprenda a fazer o mesmo.Voltando ao exemplo
anterior, ao ressignificar o passado, você deve
pensar assim: “Pois é, tive vários relacionamen-
tos que me fizeram pensar sobre como não devo
agir. Aprendi muito com esses relacionamentos.
Apesar da dor que me trouxeram, fizeram-me
também mais maduro e me permitiram estar
pronto para um relacionamento genuinamente
saudável agora. Vejo que, se não tivesse passado
por essas relações naquela época, eu não esta-
ria suficientemente maduro para aproveitar as
oportunidades que a vida pode me trazer neste
exato momento”. Essa é uma abordagem saudá-
vel do passado, em que você não ignora o que
aconteceu, mas aborda a situação com sabedo-
ria.
Outro exemplo é o que acontece com
pessoas que ficam durante muitos anos se rela-
107
cionando com alguém e dizem assim: “Fiquei
casado durante 10 anos e foi terrível, porque
perdi esses anos da minha vida”. Normalmen-
te, as pessoas generalizam o tempo e são mui-
to injustas. Certamente, durante os 10 anos de
relacionamento, muitos foram de alegria, afinal
dificilmente alguém ficaria sofrendo ao lado de
outra pessoa por 10 anos. Provavelmente, o que
a pessoa deseja dizer é que, nos últimos tempos,
sofreu bastante com o relacionamento e, talvez,
por essas marcas serem muito presentes, ocorre
uma generalização. O mais justo seria referir-se
de maneira mais exata dizendo o seguinte: “Vivi
um relacionamento durante 10 anos; por oito
anos e meio, vivi ótimos momentos, mas o úl-
timo ano e meio foi muito difícil. Ainda assim,
agradeço pela aprendizagem que esse relaciona-
mento me trouxe e pelos oito anos e meio de
alegria que experimentei”. Percebe como é di-
ferente a abordagem? Você não nega o seu pas-
sado, mas, ao ressignificá-lo, muda a maneira
como se sente no presente.
Por si só, ressignificar fatos do passado
traz uma leveza imediata, alivia a nossa alma de
108
muitas angústias. Imagine agora que uma pes-
soa que você ama muito ou um animalzinho
muito querido faleceu; todas essas perdas trou-
xeram uma profunda sensação de dor e sauda-
de. Naturalmente, quando amamos alguém ou
algum ser e ele não está mais ao nosso lado, a
saudade passa a fazer parte da nossa jornada,
se faz presente, mas a revolta é opcional. Nós
só sentimos revolta quando a nossa imaturida-
de se faz presente para analisar a nossa dor. Se
tivermos um olhar generoso pelo nosso passa-
do, aplicando a técnica de ressignificação, po-
demos pensar da seguinte maneira: “Nossa! Te-
nho muitas saudades do meu cachorrinho. Ele
me fez muito bem, sinto muita falta dele, mas
agradeço a Deus o tempo em que esteve ao meu
lado, me mostrando como é possível ter amigos
bons e fiéis. Enquanto ele segue a sua jornada,
vou seguir a minha e, quem sabe, eu tenha um
novo cachorrinho para continuar a minha ca-
minhada”. Você pode pensar da mesma forma
em relação a alguém que faleceu, talvez seu
pai ou sua mãe. Vamos supor que seu pai e sua
mãe tenham falecido, que você tivesse 23 anos e
109
pensasse: “Pobre de mim! Já não tenho mais pai
nem mãe, como sou uma pessoa sofrida! Que
saudade dos meus pais! Deus me abandonou”.
Aplicando a técnica de ressignificação, uma das
formas que você pode vir a pensar é: “Muito
obrigado, meu Deus, por ter permitido que eu
tivesse um pai e uma mãe até os 23 anos. Sinto-
-me feliz por tudo que eles representaram na
minha existência. Hoje sinto saudades e só sin-
to porque eles foram bons para mim, afinal só
sentimos saudade de coisas boas. E fico muito
alegre e honrado de tê-los tido como pais. Dê-
-me forças para que eu possa continuar vivendo
de maneira alegre, honrando a sua presença em
minha vida através dos valores que aprendi com
eles”. Percebe? É diferente!
Quando você ressignifica o passado, do-
res profundas que lhe traziam muito sofrimento
cada vez que você se recordava dele ou o conta-
va para alguém se transformam em lembranças
mais suaves. Você não tem de fingir que não teve
um passado, tentar disfarçar os seus problemas;
apenas é preciso encará-los com maturidade
emocional. Se você for capaz de fazer isso, sua
110
vida vai ser muito mais leve e feliz. Como eu
disse anteriormente, tudo é uma questão de há-
bito e de trabalho interno. Não crie a ilusão de
que você vai melhorar de uma hora para outra,
mas é indiscutível que, quando decide ser feliz e
viver de maneira mais leve, a vida se torna mui-
to mais especial.
Garanto a você que todas as pessoas que
conheci e que eram felizes tiveram vários pro-
blemas, tiveram de lidar com perdas de pessoas
queridas e com muitas situações inesperadas
que as desagradaram, mas preferiram encarar a
vida com gratidão, ver o lado positivo das coi-
sas, enxergar o copo muito mais cheio. E você,
o que prefere?

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111
112
Harmonize-se com o seu presente!

Viver o momento, o agora, o presente,


Acolher o dia com todas as emoções, sentimentos,
surpresas e oportunidades que ele nos traz!
Viver o hoje com intensidade,
o amanhã acontecerá naturalmente.
A vida não pode ser adiada,
no máximo, deixe-a em stand by.
Agradecer o momento, sempre!
Não é por acaso que se chama: P R E S E N T E.
Fundamental para nossa passagem por aqui,
porque só levaremos o que vivemos,
e o amanhã a DEUS pertence!

Vanya Moreira

113
114
Ao chegar até aqui, você certamente já
deve ter tido oportunidade de refletir sobre vá-
rias questões. Vamos lembrar de algumas delas?
Começamos falando sobre o peso que damos
aos problemas que enfrentamos. Na realidade,
não existe nada bom ou ruim até que decidamos
que algo vai ser bom ou ruim. Depois, consta-
tamos que a vida pode ser muito mais amena
e agradável do que parece, quando decidimos
enxergar o copo pela perspectiva da metade
cheia. Já no capítulo anterior, aprendemos sobre
o poder transformador da ressignificação de so-
frimentos, dificuldades e desarmonias do pas-
sado, assim como entendemos a importância da
gratidão na nossa vida. Tudo isso, quando bem
trabalhado, com o espírito aberto para se reno-
var e se harmonizar com a existência, vai fazer
com que tenhamos uma vida sem angústias,
não porque os problemas não acontecem, mas
porque vamos aprendendo a lidar com cada um
deles quando acontecem. Nada melhor para re-
115
presentar uma vida sem angústias que aprender
a viver o momento presente.
O momento presente é a única certeza
que temos. O passado é algo que já foi; podemos
apenas lembrar dele e trabalhá-lo através de res-
significações. O futuro é algo que ainda vai vir,
mas o presente é aquilo que você tem nas mãos,
é quando você pode trabalhar, é quando você
pode modificar a sua existência. Viver o mo-
mento presente significa libertar a nossa mente
do apego ao passado, o que acaba levando mui-
tas pessoas a tristezas e depressões, ou libertar
a nossa mente do medo do futuro, do desejo de
controlar o futuro, o que acaba levando muitas
pessoas a se tornar prisioneiras da ansiedade.
Buda dizia que: “O segredo da saúde mental e
corporal está em não se lamentar o passado, não
se preocupar com o futuro nem se adiantar aos
problemas, mas viver sábia e seriamente o pre-
sente”. Então, viver o presente com a mente aler-
ta em cada instante da vida é - com o perdão do
trocadilho - o maior “presente” que você pode
conceder a si mesmo. Essa técnica de trabalhar
a sua mente para viver no presente tem o nome
116
conhecido mundialmente, Mindfulness, que
quer dizer “mente alerta”. Trabalhar o Mindful-
ness significa que estamos educando a nossa
mente para viver o aqui e agora.
Não é preciso falar muito para demonstrar
que temos uma existência agitada. Já acordamos
pensando nas várias atividades que temos que
desempenhar. Muitas vezes estamos presos ao
piloto automático e não percebemos como so-
mos ansiosos e desligados. Outras vezes, além
de ansiosos e desligados, também nos perdemos
em inúmeros pensamentos referentes ao passa-
do. Assim, como vimos, se você não ressignifica
o seu passado, sofre cada vez que se recorda de
uma situação desagradável experimentada. To-
davia, quando você traz a sua mente para o mo-
mento presente e decide viver de maneira cons-
ciente o aqui e agora, educando o seu viver para
libertar-se do passado e do futuro, você aprende
a desfrutar cada instante. Ter paz a cada passo é
uma grande recompensa que a sua alma dá a si
mesmo, quando você realmente se compromete
a aprender a fazer isso.

117
Podemos e devemos começar trazendo
a nossa atenção para situações simples do dia
a dia, por exemplo, a respiração. Nada é mais
simples que respirar. Enquanto estivermos en-
carnados, neste planeta, estaremos respirando.
Portanto, preste mais atenção a sua respiração,
traga a sua atenção consciente para o ar en-
trando e saindo pelas suas narinas. Você pode
prestar atenção a sua respiração de maneira
consciente, cada vez que beber água. Imagine
que você pare durante o dia para beber água 10
vezes. A cada uma dessas 10 vezes que beber
água, se você parar para inspirar e expirar com
consciência durante um minuto, certamente vai
impedir a sua mente de ficar muito agitada e,
consequentemente, vai aprender a trazer a sua
consciência para o momento presente.
Você também pode utilizar o exercício
dos passos, que é muito comum: a cada passo
que você der enquanto caminha, coloque a sua
atenção ao contato dos seus pés com seus cal-
çados, à velocidade com que está caminhando;
aproveite e preste atenção a seus passos e tam-
bém a sua respiração. No início pode parecer
118
confuso, mas, com o passar do tempo, você vai
se acostumando a focar o momento presente,
pois, ao estimular a concentração em cada parte
do seu corpo, naturalmente você não vai estar
preocupado com o futuro nem se recordará de
situações do passado. Lembre-se de que tudo é
uma questão de prática.
Uma forma de você viver o momento pre-
sente é o exercício da gratidão. Já dissemos que
a gratidão é um exercício fundamental para ser-
mos felizes, porque, quando somos gratos, nós
nos conectamos ao momento presente. Quando
você vai se alimentar e simplesmente come, sem
prestar atenção ao seu alimento, não desfruta o
prazer mais profundo que ele pode lhe oferecer.
Se, antes de se alimentar você faz uma oração ou
simplesmente você é grato pela oportunidade de
comer, saboreia o seu alimento com muito mais
prazer e alegria. Naturalmente, a experiência de
se alimentar vai ser muito mais enriquecedora
do que seria se você simplesmente estivesse co-
mendo de maneira ansiosa, sem prestar atenção
àquilo que está realizando.

119
A mesma coisa se dá com as conversas.
Imagine que você vai passar um tempo precio-
so com seus filhos, sua esposa, seu marido, seus
amigos, ou seus pais. Se você é uma pessoa an-
siosa, certamente conversa com o outro inter-
rompendo-o a todo momento ou sem prestar
atenção ao que ele está dizendo. Além de ser fal-
ta de educação e um ato de insensibilidade, esse
comportamento demonstra que você realmente
está com problemas em não se conectar com o
momento presente; você está desperdiçando a
chance de se conectar com pessoas que querem
se conectar com você e, consequentemente, dei-
xa de desfrutar essa oportunidade que a vida
está lhe oferecendo. Mas, quando você treina a
atenção consciente, na hora em que as pessoas
começam a conversar com você, em vez de de-
vanear e perder seus pensamentos, você conse-
gue prestar atenção a cada fala das pessoas. Se
achar que é mais fácil, fixe sua atenção em uma
parte do corpo de quem conversa, talvez nos
olhos ou na boca, de maneira que você não se
distrai. O importante é estar presente enquanto
estiver conversando com alguém, não importa
em que contexto seja.
120
Lembre-se de que praticar Mindfulness
é um exercício contínuo que vamos realizando
no decorrer da nossa vida. Em alguns dias, será
mais fácil; em outros, um pouco mais compli-
cado, mas o importante é você jamais desistir.
Recomece sua prática Mindfulness quantas ve-
zes forem necessárias. Mesmo que, por algum
motivo, você passe um período sem praticá-la,
o quanto antes voltar com agilidade, mostrará
a sua mente que deseja viver mais consciente e,
consequentemente, sem angústias habituais. Vi-
ver o momento presente é uma grande recom-
pensa que você pode se oferecer. Já lhe disse
isto, mas repito mais uma vez: não perca essa
oportunidade maravilhosa; faça de cada ins-
tante uma chance de crescimento, em que sua
mente e seu coração podem estar conectados no
aqui e agora.
Outro ponto adicional que acho funda-
mental acrescentar e que muitas pessoas me per-
guntam é o seguinte: como é viver o momento
presente se temos que planejar o futuro? Muito
embora vá falar do futuro no próximo capítu-
lo, eu gostaria de enfatizar que pensar o futuro
121
no intuito de organizar atividades ou projetos é
algo natural e saudável, mas, emocionalmente,
devemos, ainda assim, viver o presente. Pode-
mos planejar uma viagem sem ficar ansiosos;
podemos ter expectativa saudável por ela, mas
vivendo o momento presente. Entretanto, uma
pessoa que não tem a mente alerta vai planejar
a viagem e ficar dias sem dormir, e a sua ansie-
dade talvez tire a sua concentração dos estudos,
do trabalho e, consequentemente, lhe prejudi-
cará. Veja que, mesmo que a viagem seja algo
muito bom, se você é uma pessoa ansiosa, que
não vive com a mente no momento presente, ela
vai lhe trazer efeitos negativos. Imagine se, em
vez de uma viagem, você tiver de enfrentar um
problema: certamente o resultado vai ser ainda
pior. Portanto, trabalhe a sua mente no momen-
to presente, faça aquilo que está ao seu alcance,
planeje aquilo que deve ser planejado, projete
aquilo que tem que ser projetado, mas dê um
passo de cada vez. Eu sei que você já deve ter
ouvido essa expressão várias vezes, mas, a cada
passo, certamente você vai chegar muito mais
longe do que possa supor. Por incrível que pare-
122
ça, andando passo a passo, você vai chegar uma
distância maior do que se simplesmente corres-
se.
E, então, o que você pretende fazer para
trazer mais Mindfulness para a sua vida? Que
tal parar agora e responder às seguintes ques-
tões: que hábitos de vida eu posso melhorar
para ter mais consciência; em que momentos da
minha existência eu poderia estar mais tranqui-
lo e sereno?
No próximo capítulo, vamos falar sobre
o futuro e, na sequência, temos um apêndice
sobre meditação, que é uma técnica que vai lhe
ajudar a trabalhar a mente alerta e, consequen-
temente, melhorar todas as demais áreas da sua
vida.

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123
124
Crie seu futuro com sabedoria!

Não vos inquieteis, pois,


pelo dia de amanhã,
porque o dia de amanhã cuidará de si mesmo.

Mateus 6:34

125
126
Já imaginou como seria se você fosse o
senhor do próprio destino? Se você determi-
nasse as experiências que deseja viver? Pessoas
que você gostaria de conhecer ou culturas que
gostaria de trazer para a sua realidade? Já ima-
ginou como seria se você se sentisse uma pessoa
muito mais aberta a novas possibilidades sem
ter medo do novo, sem apegar-se aos ciclos an-
tigos que, muitas vezes, precisam ser fechados?
Essa, sem dúvida, é a melhor forma de pensar o
nosso futuro. Como vimos anteriormente, não
nos é possível ter o domínio completo do que
vai nos acontecer; o máximo que podemos fa-
zer é direcionar alguns acontecimentos usando
bem o nosso livre-arbítrio. Funciona mais ou
menos assim: você não tem como determinar
se o seu relacionamento vai dar certo, mas pode
direcionar o seu livre-arbítrio para ser uma
pessoa amorosa e generosa, além de fazer tudo
que lhe cabe para que essa relação funcione. Se
vai dar certo ou não, só o tempo vai dizer, mas
127
certamente, quando você direciona atitudes no
presente pensando no futuro, você aumenta a
probabilidade de que seu desejo se concretize.
A mesma coisa acontece com o estudante que
se prepara e se organiza para estudar para uma
prova que quer passar: se ele vai passar ou não,
não tem como saber. Entretanto, à medida que
esse estudo tem mais qualidade, que ele se orga-
niza da maneira adequada, desenvolve sua me-
mória, cuida das próprias emoções e desenvolve
seus programas de estudo, aumentam muito as
chances de ser aprovado nesse teste.
A melhor forma de abordar o seu futuro é
sonhar com ele, é se dar o direito de, realmente,
acreditar que a vida vai lhe trazer experiências
maravilhosas, mas sem se apegar a detalhes. O
futuro pode mudar e trazer situações inespera-
das, com grandes momentos de felicidade, en-
tretanto, se você estiver apegado a uma ideia de
como ele deve ser, certamente não vai conseguir
aproveitar esses bons momentos. Um exemplo
que acho interessante compartilhar é o de um
viajante que resolve descansar nas férias, sair
com a família e seguir um determinado sentido.
128
Ao fazer uma parada para o almoço, a família
ouve algumas pessoas comentando sobre um
vilarejo perto dali, que é muito agradável e pra-
zeroso. Como eles não têm necessariamente de
chegar a um lugar, em um determinado horário,
podem optar por conhecer o vilarejo, se forem
pessoas abertas a novas possibilidades, embora
não tivessem planejado ficar nesse lugar. Pode
ser que, no momento presente - quando o fu-
turo chega e se torna real, este é o momento
presente -, seja a melhor escolha a ser feita. En-
tão, veja que situação curiosa: não se planejou
passar um tempo das férias nessa pequena cida-
de; foi algo que aconteceu no momento em que
pararam, de maneira aleatória, para almoçar.
Contudo, ao estarem abertos para tudo o que
a vida pode lhes oferecer, o futuro passou a ser
um grande presente.
É disso que estamos falando! Se você se
abrir para o futuro, direcionar suas ações em re-
lação ao que deseja, tenha certeza de que não
importa o que o futuro venha a trazer: você vai
aprender a tirar proveito das situações. Se, algu-
mas vezes, o futuro lhe trouxer limões, com cer-
129
teza, em vez de achar que eles são azedos, você
vai fazer uma limonada. Se, em alguns momen-
tos, o futuro trouxer para você esterco, em vez
de reclamar, você vai utilizá-lo para cultivar um
lindo jardim. É o que alguém que desenvolveu
a inteligência emocional e alcançou um nível de
sabedoria superior faz no seu cotidiano. Apren-
da a viver com o que a vida lhe oferece, faça a
sua parte para direcionar o futuro tanto quan-
to lhe seja possível, mas sem jamais apegar-se
aos resultados. Uma pessoa sábia tem a plena
consciência de que não pode ir contra o fluxo
do inesperado que pode lhe acontecer a qual-
quer momento; ela sabe que tem condições de
estar aberta para adaptar-se a qualquer situação
nova que aconteça. Portanto, não tenha medo
do futuro, não se assuste com o que está por vir.
Certamente, se você cuidar do seu momento
presente com carinho, libertando-se de memó-
rias negativas em relação ao seu passado, a sua
ligação com o futuro será imensamente harmo-
niosa e feliz.
Exatamente disto que é feita a vida de
uma pessoa consciente: escolhas felizes fei-
130
tas no agora. Mais uma vez, se você deseja vi-
ver bem o seu futuro, aprenda a viver bem no
agora. Se você é alguém que desfruta de cada
passo da sua jornada, que nos dias difíceis ri de
si mesmo e, nos dias alegres, continua sorrin-
do de si mesmo e da vida, não importa o que
aconteça no amanhã, você vai tirar proveito da
mesma forma. Isso é escolha! Isso é ser feliz! Ser
feliz não é dominar o destino nem criar coisas
ou ficar dependente de que elas ocorram para
que você se sinta bem. Ser feliz é sentir-se uma
pessoa conectada com a própria dança da vida,
que aprende a dançar o ritmo que a vida traz em
cada momento.
Quando você se conecta com esse estado
de espírito, você já não se preocupa mais com o
que vai acontecer no amanhã; você apenas está
conectado com viver bem o momento atual, e
isso faz toda a diferença. Você se torna uma pes-
soa mais leve, mais bem-humorada e muito mais
agradável. Você começa a atrair muitas pessoas
que estão tensas e ansiosas para ficar perto de
você, porque você é luz e inspiração para elas.
Você vai atrair pessoas que estão apegadas ao
131
passado, depressivas e angustiadas, porque não
conseguem se libertar dos acontecimentos que
já se foram. Você vai ser uma fonte de incentivo
para que elas, assim como você, ressignifiquem
o passado e, com o passar do tempo, aprendam
a viver o presente cultivando direcionamentos
saudáveis para um excelente futuro. Em vista
disso, comece agora a mudar a sua existência.
Trazer serenidade para a sua vida é diminuir
as angústias que cria com as próprias escolhas.
Lembre-se de que você pode não impedir que o
frio venha até você nem o calor, mas pode es-
colher as roupas que usará. Isso é livre-arbítrio.
Ao fazer isso com consciência, sem dúvi-
da alguma, você vai ajudar Deus a lhe ajudar.
Que tal começar agora? Que tal aprender a
olhar para o futuro como um grande aliado, e
não como um rolo compressor que vai lhe trazer
uma série de situações que você não tem como
dominar? Não se preocupe com isso! A cada
momento, disse Jesus, basta seu mal. Veja que a
fala de Jesus, que nos convida a não nos preocu-
parmos com o amanhã, é muito clara: devemos
viver um dia de cada vez, porque, naturalmente,
132
se prepara para aproveitar a sua vida em toda a
plenitude.
Pense nisso! Independentemente das pes-
soas que lhe rodeiam, se são ansiosas ou não;
independentemente de o seu chefe ser alguém
que lhe cobra muito ou não; independentemen-
te de a sua família estar lhe dando apoio para
que tenha uma vida calma ou não, ser feliz é
uma questão de escolha. Assuma o controle do
seu destino; isso pertence a você. Não queira
que as pessoas mudem para que você comece
a mudar. Não queira que o mundo mude para
que você comece a mudar. É preciso você mu-
dar primeiro para que, depois, o mundo mude
com você. Seja você a mudança que deseja ver
refletido no mundo, disse, certa vez, Mahatma
Gandhi. É dessa maneira que precisamos apren-
der a viver.
Quando desfrutamos dessa consciência
de que temos o poder de escolher como vamos
viver cada momento da nossa vida, indiscuti-
velmente, sentimo-nos mais livres e felizes e,
naturalmente, passamos a compartilhar essa luz
133
interior com quem nos rodeia. Portanto, o que
eu desejo a você é uma vida rica, abundante e
feliz, sendo vivenciada em cada passo da sua
jornada. Desfrute tudo aquilo que você pode ter
e que está ao seu alcance. Liberte-se de crenças
que não lhe fazem bem. Liberte-se de pensa-
mentos que não lhe ajudam a ter paz. Liberte-se
de pensamentos que não estão agregando ne-
nhum valor à sua existência. Liberte-se de tudo
aquilo que está pesando na sua alma. Que você
fique mais leve e, consequentemente, possa vi-
venciar sua vida de uma maneira mais suave,
afinal você merece e a humanidade, com toda a
certeza, precisa que você seja assim.

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134
Conclusão

“Não acredite em algo simplesmente porque ouviu.


Não acredite em algo simplesmente porque todos falam a
respeito. Não acredite em algo simplesmente porque está
escrito em seus livros religiosos. Não acredite em algo só
porque seus professores e mestres dizem que é verdade.
Não acredite em tradições só porque foram passadas
de geração em geração. Mas depois de muita análise e
observação, se você vê que algo concorda com a razão e
que conduz ao bem e benefício de todos, aceite-o e viva-o.”

Siddhartha Gautama, “Buda”

135
136
Fico feliz que você tenha chegado até
aqui; é sinal de que realmente deseja viver uma
vida sem angústias. Mas, para tal, é de suma
importância que tome consciência da vida que
pode ter aqui e agora. Gostaria de recordar que
o mundo não tem de mudar para que você seja
feliz, mas que você pode fazer adaptações ne-
cessárias com o intuito de se sentir mais feliz
no mundo em que se encontra. Tudo é possí-
vel quando a nossa alma está aberta a essas no-
vas realidades. E você se considera uma pessoa
aberta?
Lembre-se de que o passado é muito im-
portante, mas não pode ser um cemitério. Olhe
para o passado com carinho e deixe-o onde está.
O futuro, sem dúvida, é fundamental, porque va-
mos vivê-lo quando chegar, mas, até ele chegar,
é o presente que realmente importa. A chave de
toda a paz que você procura está no momento
atual. Aprenda a viver o momento presente, a se
conectar com o aqui e agora e a ser uma pessoa
137
grata por tudo que lhe acontece. Mesmo os mo-
mentos que, a princípio, são de dor e de angústia
podem transformar-se em profundos instantes
de aprendizagem, se você assim o desejar. Pro-
cure agradecer a Deus por sua vida e por cada
instante que vive, pois, a gratidão nos prote-
ge das queixas, das angústias e de todo tipo de
sentimento que nos faz mal. Quanto mais grato
você for, certamente mais feliz você será. Talvez
esse seja um lembrete importante que diz respei-
to às pessoas ao seu redor.
Muita gente deixa de viver uma vida mais
leve e feliz e coloca a desculpa nas pessoas que
lhe rodeiam, como se elas tivessem o poder de
determinar como vão escolher viver a própria
vida. Recorde-se de que, assim como o frio,
inúmeras vezes você pode não ter interferência
alguma nas pessoas negativas que vão cruzar
o seu caminho. Talvez essas pessoas até façam
parte da sua família, mas não importa: você
tem o poder de escolher fazer o que é certo para
você. Você pode optar por trabalhar Mindful-
ness, por aprender a meditar, por escolher a ser
uma pessoa mais grata e mais feliz, por decidir
138
não se misturar a essas dificuldades a que os ou-
tros ainda se misturam; tudo depende das esco-
lhas que vai fazer. Não quero negligenciar que
o meio em que estamos vivendo nos influencia,
mas seguramente o que determina quem vamos
nos tornar são as nossas escolhas. Afinal, você
acha mais fácil forrar um terreno todo de brita
ou calçar suas sandálias para não machucar os
seus pés? A nossa visão do mundo é que precisa
ser mudada, e não o mundo em si.
Desejo que essas rápidas reflexões façam
grande sentido para a sua existência. Que você
coloque todos os exercícios propostos em práti-
ca e se torne uma pessoa mais leve, harmoniosa
e feliz. Que a sua transformação possa inspirar
as pessoas ao seu redor a também seguirem o
mesmo caminho e, consequentemente, em uma
cadeia virtuosa, possamos contagiar a humani-
dade toda ao nosso redor. Atente-se para o fato
de que estamos no comando das nossas existên-
cias. Não terceirize a sua responsabilidade de
ter paz e ser mais feliz; você é o único responsá-
vel pelos resultados que vai ter em cada dia do
seu cotidiano. Plante as sementes certas para
139
colher os frutos certos, porque quem planta
um pé de maçã não pode esperar colher bana-
na; vai colher aquilo que planta. Se você é uma
pessoa negativa, pensa, fala e sente coisas nega-
tivas, anda com pessoas negativas, certamente
uma existência negativa vai ser o fruto que vai
colher da semente que plantou. No entanto, se
você se tornar uma pessoa positiva, escolher
ter pensamentos bons, falar de maneira positi-
va, se sentir de maneira positiva, andar e atrair
pessoas positivas, certamente a chance de agir
de maneira positiva e atrair situações positivas
torna-se muito maior. Nesse sentido, você deve
ficar sempre atento aos frutos que estão sendo
plantados, já que é herdeiro de si mesmo.
Muita luz e paz ao seu coração e que você
viva uma vida sem angústias, exatamente por
descobrir que, por mais que situações difíceis
lhe visitem a alma, você não precisa temê-las,
basta aprender a lidar com elas. Então, mãos à
obra! É hora de praticar.
Como a leitura desse livro é rápida - e ele
foi feito com essa finalidade -, sugiro carinhosa-

140
mente que você o releia pelo menos mais duas
vezes. Tenho certeza de que, se fizer isso, forta-
lecerá os conhecimentos adquiridos dentro de
você, o que auxiliará a sua prática. Se você ain-
da não fez os exercícios propostos, é uma ótima
hora para fazê-los. Não desperdice a oportuni-
dade de ser mais feliz. Essa é a sua chance de
poder fazer aquilo que lhe cabe para melhorar a
maneira como vive a sua existência.
Luz e paz para o seu coração. E até breve,
até muito breve!

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141
142
Apêndice:
Emoções e Meditação

143
144
Esse capítulo especial do nosso livro é
para falarmos não só de meditação, mas tam-
bém para refletirmos sobre algo muito impor-
tante: as emoções e o que você está fazendo de
sua vida! Todas as vezes em que falamos das
nossas emoções, que pensamos em nosso ser
emocional, que pensamos em “quem sou eu?”
e “para onde vou?”, que pensamos em nos me-
lhorar como seres humanos, falamos de como
aperfeiçoar nossa relação com nosso ego. Você
sabe o que é ego? Já parou para pensar na im-
portância que seu ego tem na sua vida? Já parou
para pensar em como transcender o ego, em
como ele nos aprisiona, em como ele nos atra-
palha?
Quando falamos no nosso eu emocional,
todos sabemos o que nos atrapalha. Tem gente
que é ciumenta, tem gente que é insegura, tem
gente que tem dificuldades financeiras porque
não consegue manter o foco no seu trabalho,
tem gente que tem dificuldades em se manter
145
motivada. Todos nós temos nossos desafios. En-
tão, a pergunta que se faz é: como transcender
nosso ego? Como vamos conseguir vencer nos-
so ego, nossos medos, nossos anseios? Esse é o
ponto!
A ansiedade é um terror para muita gen-
te. Na programação neurolinguística, uma das
principais coisas que aprendemos é que a ansie-
dade, de maneira positiva, é um sinal excelente,
porque é a emoção das pessoas comprometidas.
Essa ansiedade é natural, é saudável. Por quê?
Porque ela nos impede de ficar desligados da-
quilo que nos cabe fazer. Só que a ansiedade no
sentido pejorativo, que é medo, apego ao futuro,
receio do que pode acontecer, angústia quanto
à incerteza de saber se as coisas vão dar certo
ou não, que é começar a fantasiar um diálogo
interno terrível, nos faz muito mal.
As pessoas confiantes não fazem para os
outros, fazem para si. Se seu ego depende dos
outros para se sentir aceito, com certeza você
vai ter problemas. Se você só faz as coisas pen-
sando no apoio das outras pessoas, claro que
146
não vai agradar ninguém. E ninguém agrada
todo mundo, entende? Se você quer agradar
todo mundo, acaba não agradando ninguém
nem a si mesmo.
O nosso ego nos engana. Porque o ego, na
fala freudiana, nada mais é do que uma ponte
para ajudar nosso eu interior a lidar com a reali-
dade aqui fora. Só que muitas pessoas ficam pa-
radas nessa ponte. Concorda? Olha que loucura
isso! Imagine-se fazendo uma viagem para uma
cidade qualquer. Você pega seu carro e sai diri-
gindo. De repente você para em cima de uma
ponte, a ponte Rio-Niterói, grande, com 13 qui-
lômetros. Você fala: “Nossa, que ponte linda!” E
fica lá parado sem fazer nada. Olha que loucura!
Ninguém viaja para ficar em uma ponte. Mas
nós fazemos isso.
Muitas pessoas vivem em uma ponte hoje
em dia. Elas não vivem a vida que querem, não
fazem as coisas que querem ou, pelo menos,
emocionalmente não vivem como desejam.
Tem muita gente no mundo que é dependente
dos seus medos, das suas inseguranças e incer-
147
tezas. Muita gente vive do passado, lembrando-
o arrependido, com remorso, se comparando:
“quando eu era...”, “dez anos atrás, eu devia ter
feito isso e não fiz”, “eu deveria ter ido por esse
caminho e não fui”, “eu deveria ter me transfor-
mado e não me transformei”. A pessoa se cul-
pa: é a pior coisa a fazer! Ter consciência de que
nosso ego nos atrapalha é o primeiro passo que
temos que dar para realmente nos libertarmos.
Mas só ter consciência não basta. Precisamos
ir além. Precisamos transcender o ego. Preci-
samos entender como nossa mente funciona.
Precisamos entender a linguagem do nosso in-
consciente.
A estrutura para você ficar mal emocio-
nalmente é essa: você liga seu rádio interno e
começa a contar para si, dentro da sua cabeça,
histórias sobre seu futuro. Quer dizer, conta
uma coisa que não existe porque é futuro. Con-
corda? Ou então você começa a contar para si
histórias sobre seu passado, que já passou. Des-
sa forma fica: futuro, passado, futuro, passado.
Quem vai para o futuro fica ansioso, angustiado
e com medo. Aquele que lembra do passado fica
148
depressivo, angustiado, se sentindo culpado e
com remorso. Então, veja que a mente no futuro
ou a mente no passado lhe aprisiona. Esses pen-
samentos que vão para o futuro ou para o pas-
sado quebram a inteligência emocional. É isso
que faz com que você não tenha paz. Porque só
existe paz no momento presente, em como você
vive aqui e agora, na hora em que está sereno e
tranquilo.
Uma mente e um coração calmos sig-
nificam vida feliz! Quem nunca acordou an-
sioso? Ou preocupado com coisas que nunca
vão acontecer? E mesmo que aconteçam, não
adianta se preocupar, pois não irá resolver o
problema. Quem não carrega sentimentos que
são destoantes da paz que quer para si? Medos,
anseios, receios? Muitas vezes julgamento sobre
o futuro ou sobre as pessoas? Algumas pessoas
ficam com seus corações carregados de mágoa
por situações que já aconteceram, consequen-
temente ficam rememorando-as. E aquilo vem
à mente e vai embora. Passa um tempo, volta e
elas se lembram de novo. É o passado tentando
se fazer presente de todas as formas. Há mentes
149
que estão ansiosas o tempo todo. Há mentes que
criam um futuro. A mente iludida leva você ao
futuro e depois volta.
Meu amigo, tudo isso é ilusão! O exces-
so de pensamentos, principalmente os ligados
a questões negativas, é lixo tóxico que produzi-
mos todos os dias. E pode estar ligado ao pas-
sado ou ao futuro. Se você não jogar esse lixo
fora, ele se acumula. Por isso, muitos de nós não
conseguem dormir bem. Por isso, não conse-
guem ficar em paz. Quando a pessoa quer ler,
sua cabeça está no mundo da lua. A pessoa quer
fazer alguma coisa gostosa e em paz, mas está
sempre preocupada com algo. E fala: “Eu não
aguento minha mente. Ela está sempre agitada”.
Algumas pessoas são ansiosas e irrequietas.
E há o falso calmo também. Não sei se é
o seu caso. Eu gosto dessa expressão “falso cal-
mo”. O que é o falso calmo? Aquela pessoa que
é calada e pacata. Você fala: “Meu Deus, que
serenidade!” Mentira, não é serena nada. Ela
tem uma bagunça generalizada dentro de si.
Ela é um barulho mental. Ela somente não fala
150
mas, dentro de si, há aquela ebulição. Parece até
água fervendo antes de ser tirada do fogo para
fazer café. Contra todo esse processo, nós temos
a prática da meditação. Em vez de falar lutar
contra a agitação, é melhor falar lutar a favor
da paz. A meditação vai lhe fazer uma pessoa
muito mais plena, muito mais ciente de quem
você é. Quando paramos e meditamos, estamos
mandando uma mensagem para a mente de que
não queremos mais que ela viva de forma agita-
da, de que queremos serenar nosso eu interior.
Nunca é demais lembrar que corpo e mente são
uma só coisa. Se não conseguimos acalmar nos-
sa mente, pelo menos começamos a acalmar o
corpo.
Se você tiver paciência, verá como é incrí-
vel a transformação da alma e do corpo depois
que a mente serena. Estamos tão acostumados
a viver com a mente agitada que não sabemos
como é viver com a mente serena. Então, procu-
re meditar uma ou duas vezes por dia. Se dê esse
presente. Se dê essa oportunidade de reeducar o
seu padrão mental para diminuir o volume de
pensamentos. Não tem jeito. Não adianta você
151
se obrigar a parar de pensar. Não! Se você fizer
isso, vai pensar mais. Funciona você entrar em
meditação e simplesmente prestar atenção em
sua respiração. Deixe que sua mente faça o res-
to.
Antes de dar algumas dicas práticas, eu
queria te fazer uma pergunta. Se você estives-
se em consulta com um médico e ele falasse
“desculpe-me por lhe dar essa notícia desse jei-
to, mas você só tem mais seis meses de vida”, o
que você faria? O que faria se tivesse de fato só
mais seis meses para viver sua vida, realizar seus
sonhos e deixar sua mensagem nesse mundo
quando não estiver mais aqui? Eu sei que é uma
pergunta estranha, que causa uma sensação es-
quisita, um mal-estar e que ninguém gosta de
pensar. A ideia de perda ao imaginar que po-
demos não estar aqui de uma hora para outra é
assustadora. Eu ainda estou lhe dando seis me-
ses, pois a morte não é tão generosa assim, ela
simplesmente vem, e você que se vire com seus
casos mal resolvidos que eventualmente deixou
para trás.

152
Falar da vida é falar exatamente de esco-
lhas. Nós não sabemos exatamente quando o fim
do ciclo existencial vai chegar. Você concorda
que, em vez de ficarmos preocupados em saber
quando a morte vai chegar, é muito mais sábio
valorizarmos a vida e vivê-la em uma plenitude
tal que, independentemente de quando esse fim
de ciclo chegar, estejamos inteiros, felizes e co-
nectados? Imagine você sendo uma pessoa mais
realizada na sua vida profissional, levantando
todos os dias com uma energia enorme para
tocar seus projetos, porque vive uma vida em
que acredita, ama sua família e exerce seus há-
bitos com prazer. Tudo isso em decorrência do
aprendizado que lhe permitiu viver uma vida
com sentido. Ao contrário do que pareça, uma
vida desse nível está mais perto do que pode-
mos imaginar.
Durante todo esse tempo em que traba-
lho com coaching, pude perceber que as pessoas
possuem muitos mitos na mente sobre o que é
ou não possível fazer para ter uma vida alinha-
da. Um desses mitos é que precisamos ser per-
feitos o tempo todo ou que uma vida só é perfei-
153
ta quando não temos problemas e dificuldades.
No entanto, nós podemos nos alinhar à medida
que vivemos cada experiência da melhor forma.
Então, independentemente do relacionamen-
to em que você se encontre, seja lá o que for
acontecer, você pode estar inteiro, independen-
temente da experiência profissional que tenha,
você pode estar inteiro, ou seja, você pode estar
completamente conectado consigo mesmo. Isso
é possível quando aprendemos a alinhar nossos
pensamentos mais profundos e nossos senti-
mentos mais sinceros a emoções equilibradas e
a um propósito de vida que valha a pena. É aí
que entra a meditação!
A meditação é um exercício milenar. Exis-
tem relatos, desde os primórdios, dessa técnica
que tem o intuito de conectar a mente com o
corpo, o espírito de vida com um propósito de
viver. Meditar, por incrível que pareça, é mais
fácil do que você imagina. Existem muitas téc-
nicas e possibilidades para meditar, mas eu gos-
taria de lhe dar dicas simples, um passo a passo
para você começar sua caminhada interior de
maneira bastante serena. O nosso intuito é que
154
você possa compreender que já tem tudo ao seu
alcance para viver a vida dos seus sonhos agora
e não daqui a cinco anos ou quando ouvir de al-
guém que só tem seis meses de vida para come-
çar a viver com sentido. Então, vamos começar
a meditar?
A primeira dica que eu quero lhe dar é:
busque um lugar adequado que lhe faça sentir-
-se bem e em paz, principalmente se você nunca
meditou. Depois que se aprende a meditar, a ver-
dade é que é muito mais simples. Hoje eu con-
sigo meditar se houver barulho, mas para quem
está começando é sempre importante ter um lu-
gar tranquilo. O importante é que seja, de prefe-
rência, um lugar silencioso ou um lugar em que
ninguém vá lhe atrapalhar durante o processo.
O segundo passo é você escolher uma po-
sição simples com as pernas. A grande questão
do posicionamento não é em relação às pernas
mas, sim, quanto à coluna, pois ela tem de ficar
reta para que sua mente esteja constantemente
em alerta e, assim, possa conectar-se com sua
essência.
155
O terceiro passo é você escolher a posição
das mãos, localizando os dois dedos polegares
abaixo do umbigo. Você vai inspirar profunda-
mente e soltar profundamente pelo nariz. Você
deve prestar atenção no ar entrando e saindo.
As pessoas, então, falam: “Mas, Ricardo,
coloco música ou não”? Você escolhe! Se você
estiver em um lugar bastante silencioso, você
pode prestar atenção no barulhinho suave da
respiração, no ar que entra e sai das narinas.
Agora, se você achar mais conveniente, não há
nenhum problema em meditar com uma me-
lodia suave, com som bem baixinho, de prefe-
rência sons da natureza, para que possa relaxar
mais. Faça o teste: esta é a melhor forma de você
saber o que prefere.
Durante a meditação, enquanto estiver
de olhos fechados, o importante é você prestar
atenção no ar entrando pela pontinha do seu
nariz e no ar saindo. A nossa mente é muito agi-
tada, então, à medida que você presta atenção
em sua respiração, você evita que pensamentos
fiquem divagando, fiquem voando por aí. Não
156
importa o que você faça, eles vão voar. É aí que
está o grande brilho da meditação. Não im-
porta quantas vezes seu pensamento devaneie,
traga-o de volta para sua respiração de maneira
gentil, suave e sábia. «Ah, eu estou meditando e
pensando na conta para pagar», volte para a res-
piração. «Ah, fechei o olho e comecei a pensar
em problemas que eu tenho de resolver daqui
a pouco», volte sua mente para sua respiração.
E assim por diante. Se você precisar trazer sua
mente de volta para a respiração 50 vezes du-
rante o processo, traga-a 50 vezes sem perder a
serenidade, mantendo sua paz de espírito e seu
equilíbrio interior.
Eu garanto que, nos primeiros momentos,
normalmente para quem não tem esse hábito,
a mente fica mais agitada mesmo. Com o pas-
sar do tempo, com 5, 10 ou 15 minutos em uma
postura serena em silêncio, automaticamen-
te sua mente vai diminuindo o ritmo. É uma
frenagem mesmo. Sabe quando o carro está a
120km/h e você freia? Ele não para de uma hora
para outra, ele vai freando devagar até a hora
em que ele para. A mente humana é a mesma
157
coisa. Nós estamos sempre cheios de problemas,
preocupações e ansiedades e, na hora em que
serenamos, nossos pensamentos diminuem de
velocidade e conseguimos entrar em um estado
emocional de bem-estar, serenidade interior e
de paz de espírito. Se puder, o ideal é que você
fique pelo menos de 20 a 30 minutos fazendo
esse exercício. Para lhe ajudar, você pode colo-
car 30 minutos no despertador do celular que,
quando der 30 minutos, ele vai tocar e você vai
saber que acabou o tempo e gradativamente vai
retornar.
Medite quantas vezes forem possíveis, de
preferência pelo menos uma vez por dia. Você
vai ver o resultado imediato. O ideal, como os
orientais que são os mestres dessa arte ensinam,
é meditar pela manhã, por meia hora quando
acorda, e à noite, antes de dormir, por meia hora
também. Como eu conheço bem os ocidentais e
por saber das dificuldades, eu sei que isso fun-
ciona muito bem. A maioria das pessoas não
tem hábito nem disciplina, mas também a vida
é corrida e tem um ritmo diferente. Há mais de
20 anos dirigindo grupos de meditação, eu cos-
158
tumo falar para os meus alunos: «Se você conse-
guir meditar três vezes na semana, já está muito
bom para quem está começando». Eu sei que,
se você começar a meditar de verdade, nunca
mais vai parar. Porque os benefícios físicos e
emocionais que você vai sentir com sua mente
mais tranquila são incalculáveis. Eu garanto que
meditar vai lhe fazer bem em todas áreas.
A meditação é uma técnica universal, faz
parte da linguagem universal e está disponível
sem usar remédio, sem precisar de nenhum su-
porte religioso para nos conectarmos. Para vi-
ver a essência de dentro para fora, é preciso você
se conhecer sem medo, sem receio. Não tenha
medo de descobrir o real propósito da sua vida
mergulhando em você. Eu sei que parece meio
fantasioso a princípio: «Como eu vou descobrir
o propósito da minha vida, Ricardo, fechando
os olhos e prestando atenção só em minha res-
piração?» Acredite, você vai! É muito mais do
que parece à primeira vista. Acredite nisso!
Quando se planta uma semente, é quase
impossível acreditar que essa semente pequeni-
159
ninha gerará uma árvore enorme. Acredite que
a semente da meditação potencialmente trará
para dentro de você seu equilíbrio, sua sere-
nidade, seu bem-estar, uma vida feliz e abun-
dante, um equilíbrio espiritual extraordinário,
alegria, generosidade! Afinal, existem mais ou
menos 5 a 6 mil anos de história conhecida na
Terra e, desde essa época, o ser humano medita.
Até hoje fala-se de meditação e pratica-se medi-
tação, de maneira que não temos como questio-
nar sua importância. Hoje, a ciência tem várias
pesquisas mostrando a eficácia dela.
Então, medite! Aproveite a possibilidade
que a vida lhe traz e faça seu mergulho interior.
As pessoas felizes são naturalmente mais gene-
rosas. As pessoas felizes naturalmente compar-
tilham sua abundância com mais facilidade por
onde quer que passem. Este é o mundo extraor-
dinário que está lhe esperando.
E aí? Você vai esperar alguém lhe falar que
só tem seis meses de vida para começar a perce-
ber a grande quantidade de coisas que poderia
ter feito e infelizmente não fez? Espero que sua
escolha seja outra!
160
Conselhos e a minha grande
dica para você mudar sua vida
para muito melhor

Quais são os conselhos básicos para você


ser feliz? Amor e autoamor, perdão e autoper-
dão; acima de tudo, se conectar com Deus, me-
ditando, orando. Mas me responda uma coisa:
você tem facilidade em se perdoar? Tem facili-
dade em compreender que tem limites? Tem fa-
cilidade de enxergar Deus em você, mesmo nos
momentos em que erra, em que se equivoca?
Como anda sua capacidade de se autoamar e de
se autorrespeitar? Tem se amado de verdade ul-
timamente? Você é uma pessoa que valoriza sua
alma e si mesmo? É uma pessoa que compreen-
de as próprias dificuldades, que não se compa-
ra com os outros? É uma pessoa que reconhece
Deus em si? Essa é uma questão muito séria.
161
O autoperdão está na base dos grandes re-
médios da alma que nós mesmos podemos pro-
duzir. Perdoar-nos significa compreender que
estamos evoluindo a cada dia que passa e que
erramos sim, mas temos direito de evoluir e me-
lhorar apesar desses erros. Por mais óbvia que
pareça a descrição acima, muitas pessoas não
seguem adiante porque não se perdoam. Ficam
prisioneiras do passado pelos erros que comete-
ram. Ficam se autocomiserando, se chicoteando
emocionalmente, se perguntando “por que eu fiz
essa escolha?”, “por que eu fiz isso?”, “Meu Deus,
não deveria ter feito aquilo”. E normalmente
pessoas que agem assim acabam transpondo o
excesso de julgamento para outras pessoas tam-
bém. É quase irremediável. Vou tratar você como
eu me trato, e você me trata da forma como se
trata. Porque cada um só pode dar aquilo que
tem. Então, para construirmos uma humanida-
de mais justa, que julgue cada vez menos e ame
cada vez mais, para termos um mundo melhor,
precisamos construir essa base dentro de nós.
Muitas enfermidades psicofísicas têm ori-
gem no nosso psiquismo adoecido exatamente
162
pela falta de autoperdão. Muitas pessoas não se
libertam do passado, de relacionamentos con-
flituosos. Algumas pessoas se culpam por de-
terminadas escolhas que julgam ter sido ruins
em sua vida financeira ou material e mesmo na
espiritual. Só que aquele era o momento, agora
é outro. Nós temos de viver daqui por diante, e
o Evangelho nos ensina exatamente isto: viver
o presente mesmo sentindo compaixão por nós
em relação ao passado. Devemos seguir firmes,
nos cobrando positivamente o melhor futuro.
Espero que você possa não só se perdo-
ar, mas também dar o direito a quem lhe rodeia
de fazer o mesmo. Cuidado! Dependendo da
sua maneira de agir ou de falar, você acaba im-
putando culpa em outra pessoa, manipulando
quem lhe rodeia, para que ela se sinta culpada
por alguma coisa que nos fez. Pense: uma pes-
soa culpada não é um ser humano melhor. Uma
pessoa culpada do nosso lado não vai nos fazer
mais feliz. Isso não existe. Quem nos ajuda a
construir uma vida mais linda, serena e em paz
são pessoas livres, que se amam, não são pes-
soas que se sentem culpadas. Permita-se seguir
163
adiante, independentemente dos erros come-
tidos no passado. Lembro que o Evangelho de
Jesus nos convida a um reinício todos os dias da
nossa vida.
É importante falar também sobre a va-
lorização da vida e a prevenção do suicídio.
Com certeza, infelizmente alguns irmãos e ir-
mãs buscam o caminho do suicídio direta ou
indiretamente porque não se perdoam: não se
perdoam por não conseguir vencer os desafios
na vida, não se perdoam por terem cometido
determinados erros, não se perdoam por se dei-
xarem levar pela manipulação externa ou pela
depressão que vem de fora. Só que esse é um
processo inconsciente. A maioria dos nossos
irmãos nem tem consciência disso. Chegam
ao mundo espiritual, passam por todo um tra-
tamento de autoconhecimento para se libertar
desse psiquismo doentio. Porque, até então, in-
felizmente estavam enfermos para começar sua
caminhada, para recomeçar. Então, vamos fazer
isso agora! Nada de depressão. Nada de triste-
za. Nada de desânimo. Nada de angústia. Nada
de ansiedade. Liste a quantidade de coisas boas
164
que você pode fazer a partir de agora! Comece
trazendo Deus para sua vida com ânimo e ale-
gria. Apesar de todos os desafios, verá que sua
vida vai sorrir para você. Vamos fortalecer essa
cadeia positiva de amor, de autoperdão e, aci-
ma de tudo, de difusão do amor ao nosso re-
dor. Liberte-se de pensamentos negativos para
que possa realmente valorizar esse presente que
é viver! Porque viver é um presente, estar aqui
na Terra, ainda que momentaneamente, é uma
dádiva divina para sua alma. Você precisa valo-
rizar cada vez mais isso!
No dia a dia, nas lutas cotidianas, é mui-
to comum o ser humano na Terra esquecer-se
de quem é. No nosso cotidiano, nós acabamos
nos misturando com os problemas que enfren-
tamos. Dessa forma, não é tão incomum encon-
trarmos, por exemplo, uma pessoa que está com
problemas de autoestima. A pessoa está chatea-
da: “Quem sou eu? Não dou conta de resolver
esses problemas de trabalho. Por mais que eu
faça, não consigo um novo emprego. O proble-
ma deve ser comigo!”. Ou então, a pessoa diz:
“Meu Deus, quem sou eu? Não consigo ser fe-
165
liz no amor. Por mais que eu tente, não consigo
atrair uma pessoa bacana. Só entro em rouba-
da, meu Deus!”. E outra: “Meu Deus, quem sou
eu? Por que sofro tanto com filhos difíceis? Faço
tudo certinho, tento fazer tudo da melhor ma-
neira, mas meus filhos são tão complicados!”. E
por aí vai. Muitas vezes, nós nos julgamos não
merecedores da felicidade ou acreditamos que
não somos capazes de vencer determinadas
provas por que estamos passando: “Quem sou
eu para vencer um problema de saúde”; “quem
sou eu para seguir em frente e romper com as
minhas dúvidas”.
É nesse contexto, meu amigo, que o Evan-
gelho de Jesus é extraordinário! O Evangelho do
Cristo é fundamental. Nenhum de nós é capaz
de superar os próprios desafios internos se não
tiver fé em Deus. Não dá! Não funciona! A fé no
nosso Pai Celestial faz com que nos sintamos li-
gados a Ele. O espírito de Emmanuel utiliza uma
expressão que acho fantástica no livro “Fonte
Viva”, que diz que somos galhos da Árvore Divi-
na. Se um galho dessa árvore cai, fica seco. Mas
o galho que continua ligado a essa árvore cres-
166
ce forte, viçoso, bonito, e faz toda a diferença.
É a mesma coisa conosco: se estamos ligados a
Deus, alimentando-nos dessa seiva da fé, tudo é
diferente. Não estou dizendo que o fato de ter-
mos fé vai fazer com que não passemos por pro-
vas, até porque sabemos que, pela lei de causa e
efeito, provas se fazem necessárias: elas servem
para amadurecer nosso espírito. Feliz de quem
entende isso porque não se revolta. Ao invés de
se revoltar, a pessoa pensa «meu Deus, o que
posso aprender com essa experiência». Ela abre
a alma, abre o coração sem revolta e se conecta
com a intuição divina, conecta-se com seu espí-
rito protetor. E muda tudo, é diferente. A pessoa
revoltada se conecta com tristeza, com angústia,
com vícios. A pessoa revoltada se conecta com
doenças, cria uma armadura ao seu redor e vira
prisioneira do próprio ego. Isso não é bom para
ninguém. Estamos reencarnando exatamente
para nos libertarmos de tudo isso.
A fé pressupõe que nos liguemos a Deus
pela nossa linguagem. Sempre gosto de enfati-
zar que não estamos falando de religião. Pode-
mos nos ligar a Deus por uma linguagem espiri-
167
tualizada, que não se refere a nenhuma religião.
Também podemos nos ligar a Deus cuidando
da floresta, dos animais, da natureza. Mas não
vou negar que acho muito bom nos ligarmos a
Deus com outros irmãos, com companheiros
com quem nos sintamos à vontade. Você pode
utilizar a linguagem religiosa do espiritismo, do
catolicismo, das múltiplas denominações pro-
testantes que existem. Você pode comunicar-
-se com Deus pela linguagem judaica, muçul-
mana, hinduísta. Não importa! Você pode ser
praticante de meditação, pode ser adepto da
Seicho-no-ie, da igreja messiânica, do Shumei,
do que desejar. Você pode comunicar-se com
Deus através do outro. Na Índia, na região do
Nepal, as pessoas se cumprimentam dizendo:
“Namastê”. Alguns respondem: «Namastê» ou
«Namaskar». Namastê e namaskar são palavras
sânscritas que significam meu deus interno re-
conhece, respeita e saúda seu deus interno. E é
assim que deve ser. O que não pode é não se
sentir conectado com Deus. Porque, quando o
galho está desconectado da árvore, sente que
alguma coisa falta. Muitas pessoas se queixam
168
da vida, mas, na verdade, ainda não perceberam
que estão sem a seiva divina. Por isso a oração é
tão importante. Ore, converse com Deus, traga
o Evangelho para dentro do lar. É um momen-
to seu, com sua família, com Deus. Isso é tão
importante! Pratique a meditação. Meu Deus,
como a meditação ajuda a acalmar a mente agi-
tada, a serená-la! E, acima de tudo, faça o bem.
Nunca perca uma oportunidade de servir com
amor, carinho e gratidão, seja na sua família,
com algum parente difícil, seja na sua rua, no
seu bairro, na sua ONG, na sua religião. Pro-
cure uma maneira de doar esse amor gigan-
tesco que você tem dentro do coração. Amor é
assim: quanto mais se doa, mais cresce. Então,
quem tem autoestima baixa certamente está se
amando pouco porque, se estivesse se amando
muito, se doando, sua autoestima estaria mui-
to mais elevada. Por isso o amor também nos
cura. Quanto mais úteis somos, quanto mais
amamos e servimos, mais amor volta para nós
e cuida do nosso coração. Portanto, ame a si
mesmo, cuide do seu corpo com carinho, sem
excessos, porque ele é um templo sagrado. Cui-
169
de da sua alma trazendo pensamentos bons, po-
sitivos, libertando-se de mágoas, de rancores e
siga adiante, conectado com a Árvore Divina,
afinal você merece ser mais feliz. E lembre-se:
sua felicidade inspira outras pessoas a serem fe-
lizes também. Isso, com certeza, vai fazer uma
grande diferença.
Se eu pudesse lhe dar uma grande dica,
apenas uma, além dos conselhos básicos, pois
já foram muitos até aqui, para ajudar a melho-
rar bastante sua vida, eu diria: crie o hábito da
leitura. Algumas pessoas podem pensar: “Não
é melhor o hábito da caridade? Não é melhor o
hábito da oração?”. Crie todos os hábitos pos-
síveis, não estou dizendo que um é melhor que
o outro. Mas, como tenho que tomar uma de-
cisão, eu queria sugerir um hábito prático, que
realmente tem tudo para poder lhe ajudar: crie
o hábito da boa leitura. A leitura, principalmen-
te a rica, saudável, ligada ao desenvolvimento
espiritual, tem tudo para alimentar sua alma
nos momentos mais difíceis, na hora da soli-
dão, na hora das dificuldades, enfim, em qual-
quer circunstância. Veja, por exemplo, a pessoa
170
que está em uma prisão, literalmente falando:
é prisioneira por algum crime cometido ou, às
vezes, por uma injustiça cometida contra ela,
e a leitura faz com que não se sinta só. Muitas
pessoas estão presas num corpo enfermo, têm
dificuldades grandes, nem sempre podem via-
jar ou fazer outras coisas, mas, ainda assim, a
leitura alivia a alma delas. Não é verdade? Nem
sempre vamos ter alguém querido e amoroso
ao nosso lado para nos consolar em momen-
to de dor, de transição, mas sempre podemos
ter um bom livro se nos permitirmos isso. Você
sempre terá uma prece pronta para fazer em
um dia em que não conseguir orar com seu co-
ração, a qual pode ler em um livro. Você pode
ler a bíblia, pode ler “O Evangelho Segundo o
Espiritismo”, pode ler um sutra que acha im-
portante do budismo, pode ler um romance. Às
vezes você não é feliz no seu romance pesso-
al, mas os romances lindos que lê muitas vezes
lhe elevam a páramos superiores, ainda mais os
romances espíritas, que têm um conhecimen-
to gigante das leis divinas, das leis universais.
Você pode ler o que quiser.
171
Meu amigo, fico muito triste quando en-
contro pessoas que falam que não têm tempo
para ler. Na verdade, entendo, nas entrelinhas,
que essas pessoas me dizem: “Tenho preguiça
de ler”. Se você não é uma pessoa analfabeta,
certamente tempo é uma questão de escolha,
de preferência, não acha? Pense comigo: se hoje
passamos tanto tempo na frente da internet, da
televisão, conversando em celulares, falando bo-
bagens da vida dos outros, será que não temos
10 minutos pela manhã, à tarde ou à noite para
fazer uma boa leitura? Tem certeza? Cuidado
com os “desculpismos”! A leitura potencializa a
alma. Muitas vezes não temos dinheiro para fa-
zer um curso maravilhoso, mas a leitura de um
bom livro pode mudar a nossa vida. Talvez você
não tenha estudado em uma universidade, mas
uma sequência fantástica de bons livros vale
mais que um bom período universitário, princi-
palmente se você não aproveitar bem esse tem-
po com professores e alunos. Quando realmente
lê de corpo e alma, você mergulha em um nível
de conhecimento maravilhoso. Todo autor de
um livro coloca a essência do seu conhecimen-
172
to nele, que talvez venha da leitura de dezenas
e dezenas de outros livros. Falo por mim, que
já publiquei nove livros. Tenho nove livros edi-
tados, e cada um naturalmente representa uma
quantidade gigante de outros que já li. Cada li-
vro representa um filtro de tudo que já li - e olha
que não leio tanto assim! Tem pessoas que leem
muito mais que eu, estudam muito mais que eu
e também entregam muito mais que eu um co-
nhecimento estruturado para todos seguirmos
em frente.
Então, a minha grande dica para você
mudar sua vida para muito melhor é a leitura.
Leitura é tão importante que Chico Xavier teve
como principal missão na Terra a psicografia de
livros espíritas. Lembre-se sempre disto: embo-
ra tivesse todas as mediunidades conhecidas,
Chico nunca deixou margem para dúvida de
que seu compromisso número um firmado com
o mundo espiritual era a psicografia de livros
espíritas. Chico já desencarnou, mas lemos os
livros dele até hoje. As próximas gerações lerão
os livros dele e do mundo espiritual, e seus ensi-
namentos continuarão. Então, pare de reclamar,
173
se organize um pouco mais e verá que tem um
excelente amigo no seu bolso, ao seu lado, na
hora do intervalo do trabalho, na hora do almo-
ço, antes de começar a faculdade ou a escola, em
uma hora de folga, enquanto prepara seu almo-
ço ou cuida dos seus filhos. Sempre que se tem
um pouco de boa vontade, pode-se sim fazer
uma boa leitura.
Fica a dica! Fique com Deus! Luz e paz!

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@Inst.ricardomelo

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Você já sabe: até breve,
meu querido(a) amigo(a)!
Até muito, muito breve!

Ricardo Melo

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