3.
7 Aditivos
Os polímeros usados na prática contém aditivos, que têm como objetivos:
1. Alterar uma determinada propriedade do polímero.
Exemplo: cor
2. Auxiliar no processamento.
Exemplo: lubrificante
3. Atenuar os processos de degradação durante o processamento ou a vida
útil do polímero.
3.7 Aditivos
3.7.1 Cargas
As cargas são normalmente substancias inorgânicas usadas na forma de partículas.
As cargas têm como objetivo:
1) Alterar uma determinada propriedade.
Nesse caso são denominadas cargas ativas.
2) Ocupar volume.
Nesse caso são denominadas cargas inativas.
Cargas ativas, exemplo:
• microesferas ocas de vidro usadas para reduzir a densidade.
10 m
3.7 Aditivos
3.7.1 Cargas
Cargas ativas, exemplo:
• Carbonato de cálcio para aumentar a rigidez.
• Pó de cobre para aumentar a condutividade elétrica.
• Sílica para aumentar a rigidez.
3.7 Aditivos
3.7.1 Cargas
Cargas inativas:
Neste caso materiais baratos são usados para reduzir o custo do produto final,
ocupando volume que seria ocupado pelo polímero, por exemplo: (1) Carbonato de
cálcio [CaCO3], (2) talco, (3) sílica.
Carga ativa vs. Carga inativa: uma carga pode atuar das duas formas, mas a
classificação depende do objetivo pelo qual ela foi colocada.
3.7 Aditivos
3.7.2 Lubrificantes
Esses aditivos são usados para auxiliar no processamento dos polímeros.
▪ Lubrificante externo: para reduzir o atrito entre a massa do polímero e as paredes
internas dos equipamentos de processo. As principais caraterísticas de um
lubrificante externo são:
o Não ser solúvel no polímero
o Ser apolar
Exemplos deles são: graxas e parafinas.
3.7 Aditivos
3.7.2 Lubrificantes
▪ Lubrificante interno: para reduzir a viscosidade da massa polimérica pela
redução das forças de ligação secundárias entre as moléculas (“atrito
interno”).
As principais caraterísticas de um lubrificante interno são:
o Solúveis ou parcialmente solúvel no polímero
o Ser polar
Por exemplo: ésteres e álcoois.
3.7 Aditivos
3.7.2 Lubrificantes
▪ Lubrificante interno:
3.7 Aditivos
3.7.3 Corantes
Os corantes são aditivos orgânicos ou inorgânicos para dar cores aos polímeros.
O objetivo das cores não é unicamente estético.
Cores são usadas também para:
i) a identificação em uma escala industrial de componentes ou produtos.
3.7 Aditivos
3.7.3 Corantes
ii) roupas de segurança.
3.7 Aditivos
3.7.3 Corantes
ii) simular a textura de materiais tradicionais.
Mármore sintético
Courvin - PVC
Madeira plástica
3.7 Aditivos
3.7.3 Corantes
Os corantes são subdivididos em:
▪ Anilinas
▪ Pigmentos
As anilinas são substâncias orgânicas solúveis no polímero ou em algum dos aditivos
usados. Não são tóxicas e permitem a obtenção de transparência. Apresentam perda de
cor (esmaecimento) pelo efeito dos raios UV quando expostas à radiação solar.
3.7 Aditivos
3.7.3 Corantes
Os corantes são subdivididos em:
▪ Anilinas
▪ Pigmentos
Os pigmentos são principalmente substâncias inorgânicas, em sua maioria baseadas em
sais metálicos. São normalmente pós que dão cor ao serem dispersos no polímero. Não
permitem, portanto, transparência.
Geram cores estáveis que não esmaecem mesmo quando expostas ao sol (geram cores
intensas e permanentes).
Alguns pigmentos podem ser prejudiciais se tiverem contato com alimentos ou se forem
ingeridos. Não podem ser utilizados em produtos que entrem em contato com alimentos
e também não podem ser utilizados em brinquedos.
3.7 Aditivos
3.7.3 Corantes
▪ Pigmentos
3.7 Aditivos
3.7.4 Plastificantes
São aditivos empregados para auxiliar no processamento, reduzindo a viscosidade
do polímero, e para aumentar a flexibilidade do polímero.
A redução da viscosidade reduz a temperatura de processamento, aumentando a
faixa de temperatura entre a temperatura de processamento e a temperatura de
decomposição térmica do polímero.
A redução da rigidez, torna o produto final mais deformável.
Em ambos os casos, o efeito de plastificação está
associado à redução das forças intermoleculares
entre as cadeias poliméricas.
3.7 Aditivos
3.7.4 Plastificantes
Redução das forças intermoleculares:
Os plastificantes são substâncias polares, cujos grupos polares se ligam aos
grupos polares das cadeias, preferencialmente a outros grupos polares das
outras cadeias.
Os grupos polares dos plastificantes ficam continuamente trocando de posição
entre os grupos polares na cadeia polimérica, facilitando a mobilidade das
macromoléculas.
Além disso, os grupos apolares das moléculas dos plastificantes atuam como
espaçadores das cadeias, reduzindo o número de ligações secundárias entre
elas, o que resulta em maior mobilidade molecular.
dibutil ftalato (DBP)
3.7 Aditivos
3.7.5 Estabilizantes
A maioria dos polímeros pode sofrer diferentes tipos de deterioração física ou
química durante seu processamento ou durante seu emprego.
Os principais processos de degradação são:
- Oxidação
processamento
- Decomposição térmica
- Degradação por efeito do U.V. tempo de uso
Qualquer dos processos de degradação é iniciado pela quebra de uma ligação
química:
- ao longo da cadeia do polímero reação de degradação com cisão de cadeia
- com um radical à cadeia reação de degradação sem cisão de cadeia
há redução da massa molar
não há redução da massa molar
3.7 Aditivos
3.7.5 Estabilizantes
Geração de espécies reativas,
que serão responsáveis pela
propagação do processo de
degradação.
Problemas:
i) reação de degradação com cisão de cadeia: há redução da massa molar
3.7 Aditivos
3.7.5 Estabilizantes
Problemas:
ii) reação de degradação sem cisão de cadeia: não há redução da massa molar
sequência típica de reação:
- rompimento da ligação do carbono com um radical; 109.5°
- quebra, a seguir, de uma ligação C-H;
- formação de uma ligação dupla C=C
Formação de ligações duplas aumenta a fragilidade do polímero por restrição dos
movimentos de conformação dos átomos de carbono.
3.7 Aditivos
3.7.5 Estabilizantes
Os estabilizantes são os aditivos empregados para reduzir e/ou evitar a deterioração.
I) Decomposição térmica
Os principais estabilizantes usados para impedir a deterioração devido à temperatura
durante o processamento são sais metálicos (Pb, Ba, Ca, Cd, Zn). São produtos eficientes
mas tóxicos.
+ 𝑃𝑉𝐶
𝐶𝑙
Estearato de cádmio
- Formação de HCl: altamente agressivo para os equipamentos de processo
- Formação de ligações duplas: gera regiões quebradiças e acarreta alteração de cor.
𝑃𝑉𝐶 CdCl2
+
𝑂 − 𝐶𝑂 − 𝑅
3.7 Aditivos
3.7.5 Estabilizantes
II) Oxidação
Esse processo pode ser altamente prejudicial para os polímeros pois é auto-catalítico.
Compostos fenólicos de alta massa molar são usados como aditivos.
3.7 Aditivos
3.7.5 Estabilizantes
II) Oxidação: Processo auto-catalítico
Peróxido
Hidroperóxido
PE, PP, ABS
3.7 Aditivos
3.7.5 Estabilizantes
III) Degradação por UV
A degradação por UV ocorre devido a exposição do polímero a luz solar.
Pigmentos que absorvem no comprimento de onde do UV (4 a 400 nm).
3.7 Aditivos
3.7.5 Estabilizantes
III) Degradação por UV
Parte da energia da radiação é convertida
em calor pela vibração do composto.
Negro de fumo (carbono coloidal): C
3.7 Aditivos
3.7.6 Aditivos de expansão
São empregados para fabricar espumas.
As propriedades das espumas são:
1) Baixa densidade;
2) Bom isolamento térmico
3) Bom isolamento acústico.
3.7 Aditivos
3.7.6 Aditivos de expansão
Os agentes de expansão atuam produzindo grande quantidade de
gases, que transformam a estrutura do polímero de sólida para
celular.
3.7 Aditivos
3.7.6 Aditivos de expansão
Em função do controle do processo, é possível obter células abertas ou fechadas e, por
tanto, controlar a densidade da espuma.
Maior rigidez
Células abertas Células fechadas
Maior flexibilidade
Principais espumas: PU e PS
3.7 Aditivos
3.7.6 Aditivos de expansão
Aditivos com ação física, ou seja, não reagem quimicamente com o polímero:
• Hidrocarbonetos (pentano, isopentano e ciclopentano)
• CO2 líquido
Aditivos com ação química incluem:
• Isocianato e água – poliuretano
• azodicarbonamida – vinílicos
• Hidrazina (N2H4 ) e outros compostos à base de nitrogênio para
termoplásticos e borrachas
3.7 Aditivos
3.7.6 Aditivos de expansão
Exemplos de aplicações
3.7 Aditivos
3.7.7 Aditivos anti-chama
Os polímeros são, em geral, pouco resistentes ao fogo. O uso de
aditivos anti-chama tem como objetivo:
1) Aumentar a resistência à combustão;
2) Aumentar a resistência à propagação;
3) Reduzir a emissão de gases tóxicos;
4) Levar à extinção do fogo.
Alguns polímeros como o PVC e o Teflon são denominados
intrinsecamente auto-extinguíveis.
3.7 Aditivos
3.7.7 Aditivos anti-chama
Efeito do aditivo na combustão de um polímero:
3.7 Aditivos
3.7.7 Aditivos anti-chama
Uso industrial dos aditivos anti-chama:
Eletroeletrônicos
Construção civil
Transportes
31% Outros
5%
14%
50%
3.7 Aditivos
3.7.7 Aditivos anti-chama
Eletroeletrônicos:
Gabinetes de TV
3.7 Aditivos
3.7.7 Aditivos anti-chama
Construção Civil:
Isolamento de fios e cabos
3.7 Aditivos
3.7.7 Aditivos anti-chama
Transportes:
Interior de aeronaves e automóveis
3.7 Aditivos
3.7.7 Aditivos anti-chama
Tipos de aditivos anti-chama:
Inorgânicos
Orgânicos não-reativos Compostos fosforados,
Orgânicos Reativos
33.3%
halogenados
16.7%
50%
Principais aditivos inorgânicos: alumina trihidratada; hidróxido
de magnésio; trióxido de antimônio.
3.7 Aditivos
3.7.7 Aditivos anti-chama
Os aditivos anti-chama podem atuar durante o processo de
combustão por um ou mais dos seguintes mecanismos:
1) Interferindo quimicamente com o mecanismo de propagação;
2) Produzindo grandes quantidades de gases incombustíveis que
dificultam o contato do ar com a chama;
3) Apresentando reações endotérmicas.
Ex: THA (Alumina trihidratada)
T: 250-300oC 2Al2(OH)3 Al2O3 + 3H2O
Reação endotérmica: -1,17J/kg