PROCESSO DE
CONFORMAÇÃO
Marcelo Quadros
Soldagem
Objetivos de aprendizagem
Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados:
Reconhecer o processo de soldagem.
Identificar os fenômenos físico-químicos que ocorrem na soldagem.
Escolher o processo de soldagem adequado para os diferentes tipos
de materiais a serem soldados.
Introdução
Atualmente, o processo de soldagem é o método mais utilizado e um
dos mais importantes na indústria. Ele compreende um conjunto de
máquinas, equipamentos, materiais e processos físico-químicos que
formam a união permanente de materiais. Em conjunto com outros
processos de fabricação, a soldagem permite a montagem de blocos
com rapidez, segurança e economia de material.
O processo de soldagem consiste em efetuar a união de peças me-
tálicas e dar forma aos materiais por meio de calor ou de pressão, ou de
ambos, conferindo ao produto final a união permanente. Para que essa
união seja possível, alguns fatores devem ser considerados, como o tipo
de material a ser soldado, o tipo de metal de adição, a espessura do
material, as operações a serem realizadas e, principalmente, o método
de soldagem.
A soldagem pode ser efetuada por meio de processos simples, como
oxi-gás, eletrodo revestido e soldagem por resistência, ou por meio de
processos mais complexos, além de por processos de grande complexi-
dade que utilizam alta tecnologia em soldagem automatizada.
Neste capítulo, você vai aprender as variáveis e particularidades de
cada método de soldagem e vai estudar os fenômenos físico-químicos
que ocorrem no processo, como fusão, condutividade térmica, tensão
corrente, resistência e potência elétrica. Por fim, você vai verificar a aplica-
bilidade do processo de soldagem para diferentes tipos de materiais de
diversos segmentos. O profissional dessa área deve levar em consideração
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todas essas variáveis para poder determinar qual é o melhor processo a
ser desenvolvido para a união permanente de cada produto, conforme a
sua aplicabilidade, viabilidade técnica-econômica e eficiência produtiva,
atentando para fatores econômicos, técnicos, operacionais, dimensionais
e tecnológicos.
Processo de soldagem
A soldagem é empregada nos mais diversos setores da indústria, como as
indústrias automobilística, naval, ferroviária, aeroespacial, de manutenção e
de caldeiraria, e também na construção civil. Na soldagem de componentes,
podemos utilizar diversos tipos de processos, classificados pelo tipo de energia
utilizada para a união das estruturas dos materiais — fusão, fricção, impacto
ou pressão.
O primeiro processo de soldagem por fusão com aplicação prática foi patenteado
nos Estados Unidos, em 1885. Ele utilizava o calor gerado por um arco estabelecido
entre um eletrodo de carvão e a peça. O calor do arco fundia o metal no local da
junta; quando o arco era retirado, o calor fluía para as zonas adjacentes e provocava
a solidificação do banho de fusão.
A escolha do processo de soldagem dependerá de fatores diversos, como
o tipo de material a ser soldado, o tipo de metal de adição, a espessura do
material e as operações a serem realizadas, que definirão o método de sol-
dagem mais adequado. Neste capítulo, estudaremos os principais processos
de soldagem: por eletrodo revestido, MIG/MAG, TIG e por arco submerso
(Figura 1).
Soldagem 235
Figura 1. Principais ferramentas e processos de soldagem.
Fonte: a) Adaptada de Zelimir Zarkovic/[Link]; b) Adaptada de Fixe1502/[Link].
Soldagem por eletrodo revestido
A soldagem por eletrodo revestido é o processo ideal para a manutenção em
geral, além de ser o mais antigo e o mais utilizado dos métodos de soldagem,
devido à sua flexibilidade e portabilidade e, principalmente, ao seu custo
benefício. Essa soldagem, geralmente manual, é realizada por meio do calor
de um arco elétrico produzido entre o eletrodo revestido e as peças metálicas
a serem unidas (Figura 2).
Figura 2. Soldagem por eletrodo revestido.
Fonte: a) Namning/[Link]; b) branislavpudar/[Link].
236 Soldagem
Esse eletrodo revestido forma o cordão de solda à medida que vai sendo
consumido pelo processo, fundindo o metal de base, a alma do eletrodo
e o revestimento, que tem a função de estabilizar o arco elétrico e gerar
gases de proteção. Por fim, após o resfriamento, o revestimento fundido
produz a escória, para evitar contaminação, que é removida no processo
de acabamento.
Esse processo é utilizado para trabalhos de aços em serralherias e para a
manutenção e recuperação de peças para caminhões, tratores, colheitadeiras e
implementos agrícolas em geral. Também é utilizado na recuperação de peças
de ferro fundido, como blocos e colunas de máquinas e motores, e em casos
específicos que utilizam ligas endurecidas para revestimento.
Soldagem a oxi-gás
Nesse processo, a fusão do metal-base e, geralmente, a do metal de adição
acontece quando ambos são soldados por meio de aquecimento, com o uso de
uma chama de gás combustível e oxigênio produzida na ponta de um maçarico.
A alta temperatura da chama concentrada funde o metal-base e o metal de
adição, unindo-os (Figura 3).
Figura 3. Soldagem a gás.
Fonte: a) Yilmaz Uslu/[Link]; b) Matee Nuserm/[Link]; c) GajokFilm/Shutterstock.
com.
Os processos de soldagem a gás têm aplicação muito restrita, mesmo
sendo um método de baixo custo em comparação a outros processos de
soldagem. Nesse processo, a velocidade de soldagem é muito baixa, e a
maior utilização se dá em pequenas oficinas mecânicas de manutenção e
de recuperação de peças.
Soldagem 237
Soldagem TIG
O processo de soldagem TIG (tungsten inert gas, ou soldagem a arco gás
tungstênio) é o mais complexo e o que mais necessita de um profissional
qualificado e com grande habilidade. Nesse processo, utiliza-se o arco elétrico
acionado por um gerador de faísca e um eletrodo não consumível à base de
tungstênio para unir as peças (Figura 4). O tungstênio tem alto ponto de fusão
e alta emissão termiônica, e a sua poça de fusão é protegida por um fluxo de
gás inerte. Ele não se consome no processo, diferentemente do que ocorre
na soldagem por eletrodo revestido, na qual é formada uma poça de resina
resultante da fusão do eletrodo no processo.
Figura 4. Soldagem TIG.
Fonte: Tawansak/[Link].
O grande diferencial do processo TIG é que pode soldar tanto peças de mate-
riais ferrosos, como aços carbono e aços inoxidáveis, quanto peças de materiais
não ferrosos, como cobre, latão e, principalmente, alumínio, utilizando dois
tipos de correntes. Em materiais como os aços é utilizada corrente contínua com
polaridade direta, aquecendo menos o eletrodo, se comparada com a polaridade
inversa; para os não ferrosos, utiliza-se a corrente alternada com polaridade
direta, com o uso de um gás de proteção, o hélio. Além disso, materiais como o
alumínio e suas ligas também podem ser soldados utilizando-se corrente contínua.
A grande vantagem desse processo é que pode ser automatizado, possibi-
litando excelente qualidade ao processo. A automatização melhora o acaba-
mento do cordão de solda e gera menor aquecimento da união soldada, sem
comprometer a microestrutura dos metais e aumentando, dessa forma, a sua
resistência. Porém, esse processo é inadequado para soldagem em chapas de
maiores bitolas, ou seja, materiais com mais de 6 mm de espessura.
238 Soldagem
A soldagem TIG é utilizada em soldas de recuperação em peças de alu-
mínio, como blocos, carters, cabeçotes e rodas de liga leve. Tem também
grande aplicação em diversas peças de aço inox, como tanques e equipamentos
industriais para as indústrias de alimentos, farmacêutica, médica e química.
Soldagem MIG/MAG
O processo de soldagem MAG (metal active gas, soldagem a arco gás ativo)
é utilizado apenas na soldagem de materiais ferrosos, enquanto o processo
MIG (metal inert gas, soldagem a arco gás inerte) pode ser utilizado tanto na
soldagem de ferrosos quanto de não ferrosos (Figura 5). Nesses processos, o
eletrodo é substituído pelo arame de soldagem. Esse arame, de alumínio ou liga
de alumínio, é alimentado continuamente pela tocha e é soldado juntamente
com o metal-base por meio do arco elétrico gerado por corrente contínua. O
ambiente da poça de fusão é protegido pelos gases, inertes (MIG) ou ativos
(MAG), específicos para esse processo, sendo eles o CO2, o argônio ou uma
mistura deles, dependendo da aplicação.
Figura 5. Soldagem MIG/MAG.
Fonte: a) Zahovaev K/[Link]; b) Kzenon/[Link].
Esses processos podem ser automáticos ou semiautomáticos, facilitando
sua operação. Dessa forma, a distância entre a ponta do arame e a peça a
ser soldada é mantida durante todo o processo, diferentemente da soldagem
por eletrodo revestido, que depende da habilidade do soldador para que essa
distância seja mantida. Outra vantagem desses processos automatizados é que
podemos regular a velocidade do arame e a corrente de maneira proporcional,
obtendo uma excelente união permanente, com perfeita penetração e ótimo
acabamento, e com pouca ou nenhuma formação de escória.
Soldagem 239
A utilização da soldagem MIG/MAG é recomendada para trabalhos em
soldas de estruturas metálicas em geral, como bases de máquinas, treliças
e bancadas. Também é utilizada em calderarias e serralherias, assim como
na manutenção e reforma de tanques de aço inoxidável e de implementos
agrícolas.
Soldagem em arco submerso
O processo de soldagem por arco submerso (Figura 6) é o método no qual
o material é fundido por meio de calor proveniente da corrente elétrica que
é transportada entre a peça a ser unida e a ponta do arame de soldagem
sólido ou tubular, gerando o arco elétrico. O diferencial do processo é
que esses três elementos (a peça, a ponta do arame e o arco elétrico) são
completamente cobertos por uma camada de fluxo granular fundido, que
evita os respingos, as faíscas e as luminosidades prejudiciais aos processos
de soldagem.
Figura 6. Soldagem por arco submerso.
Fonte: a) noomcpk/[Link]; b) GajokFilm/[Link]; c) Grigvovan/[Link].
Esse fluxo granular é denominado fluxo para soldagem de arco submerso
e protege o metal fundido e a poça de fusão de contaminações atmosféricas,
resultando em alta penetração, com bom acabamento, e excelente concentração
de calor.
A grande vantagem desse processo é a velocidade de soldagem em com-
paração a outros métodos, além das maiores taxas de deposição e, principal-
mente, a melhoria da segurança em seu ambiente de trabalho. No entanto, esse
processo possui algumas limitações, como as posições de soldagem restritas
em sua utilização.
240 Soldagem
Soldagem por resistência elétrica
A soldagem por resistência (resistance welding [RW]), ao contrário dos outros
processos, utiliza o calor da corrente elétrica em uma resistência (efeito Joule)
para realizar a formação da solda tanto por fusão como por deformação.
Figura 7. Soldagem por resistência elétrica.
Fonte: a) Dmitry Kalinovsky/[Link]; b) Surasak_Photo/[Link].
Esse processo tem grande aplicação em uniões de chapas finas e verga-
lhões. Por ser um processo simples e rápido, vem sendo bastante utilizado
pelas empresas. Porém, como fator negativo, peças de formatos complexos e
de grande espessura não podem ser soldadas por esse método.
Podemos perceber que as principais características dos processos de sol-
dagem dizem respeito aos diferentes tipos de eletrodos, revestimentos e gases
empregados, o que torna a soldagem um processo de conformação versátil
e apropriado para aplicações nos mais variados segmentos, obtendo-se um
excelente custo-benefício.
Fenômenos físico-químicos que ocorrem
na soldagem
O processo de soldagem e as suas diversas formas e técnicas utilizam conhe-
cimentos tecnológicos de ciências como a física, a química e a eletricidade.
Dessa forma, os profissionais que a praticam ou que a desenvolvem devem
sempre buscar técnicas e materiais atualizados. Para entender de que forma
a ciência está relacionada com a soldagem, precisamos explorar os fenôme-
Soldagem 241
nos físico-químicos que ocorrem durante o processo, como tensão elétrica,
corrente elétrica, condutividade térmica, fusão, solidificação, mudanças de
microestruturas, entre outros.
Fusão na soldagem
O processo de fusão ocorre por meio da potência e da intensidade de uma fonte
de elevada energia, gerando enorme rendimento térmico em uma pequena área
de contato (Figura 8). Em vários processos de soldagem é preciso calcular os
parâmetros de fusão.
Figura 8. Cordão de solda.
Fonte: a) Photo Love/[Link]; b) [Link]/[Link].
Arco elétrico
O arco elétrico é a fonte térmica mais empregada nas indústrias que realizam a
união permanente por meio da soldagem. É empregado também na recuperação
e manutenção de inúmeras peças danificadas ou desgastadas. Por meio do
arco elétrico soldamos diversos materiais, como o aço carbono, os aços-liga,
os aços inoxidáveis e os ferros fundidos, além de metais não ferrosos, como
o alumínio, o cobre, o níquel, o titânio e suas ligas.
Mas o que vem a ser o fenômeno do arco elétrico, ou arco voltaico? O
arco é formado pela passagem de uma corrente elétrica através de um gás,
transformando energia elétrica em calor, ou ainda pelo contínuo suprimento
de energia elétrica concentrada, adequada para a fusão dos metais a serem
soldados (Figura 9). Essa energia é controlada por máquinas e equipamentos,
conforme o processo a ser executado, e depende de vários fatores físicos,
como tensão, corrente, potência, rendimento térmico, condição operacional,
aplicação e material a ser soldado, conforme veremos a seguir.
242 Soldagem
Figura 9. Fenômeno do arco elétrico.
Fonte: Photocare/[Link].
Circuito elétrico
Circuito elétrico é o conjunto de dispositivos formado por condutores, resis-
tores, capacitores, microcontroladores ou indutores, ligados eletricamente
entre si, e que possui pelo menos um caminho ao longo das ligações e
componentes por onde possa circular a corrente elétrica. Os chamados
elétrons livres assumem um movimento ordenado quando energizados por
um determinado valor de tensão. Para ativar os circuitos elétricos, deverão
ocorrer no mínimo três fenômenos: a tensão, a corrente e a resistência
(ALEXANDER; SADIKU, 2013).
Tensão elétrica
Também conhecida como diferença de potencial (ddp), é o trabalho necessário
para levar de um ponto a outro, no espaço ou num circuito elétrico, uma uni-
dade de carga elétrica. É a força que impulsiona os elétrons em determinados
sistemas, procurando expeli-los ou absorvê-los, buscando o equilíbrio das
cargas elétricas na matéria ou a geração de trabalho (movimento, calor, luz,
etc.). Esse processo pode ser de origem física ou química. A Figura 10 mostra
os reguladores de tensão e corrente de uma máquina de soldagem.
Símbolo da tensão elétrica: U ou E.
Unidade de medida: Volt (V).
Soldagem 243
Figura 10. Reguladores de tensão e corrente de uma máquina de soldagem.
Fonte: Hamiza Bakirci/[Link].
Corrente elétrica
É a intensidade do fluxo ordenado de partículas de carga elétrica por meio
de um condutor. Para isso acontecer, deve haver uma diferença de potencial.
Portanto, a corrente elétrica consiste no movimento ordenado dos elétrons em
um condutor elétrico por meio da tensão.
Existem dois tipos de corrente: a contínua e a alternada. A corrente
contínua (DC) é uma corrente elétrica que flui sempre no mesmo sentido e,
normalmente, com a mesma força. Ela é muito importante para a soldagem,
já que para determinados processos de soldagem a arco elétrico, somente
a corrente contínua pode ser utilizada. Por sua vez, a corrente alternada
(AC) é uma corrente elétrica que alterna permanentemente a sua direção e
força: a sua direção muda 120 vezes por segundo, o que significa 60 perí-
odos (ou ciclos) por segundo, chamados tecnicamente de 60 Hz (Hertz). A
Figura 11 mostra uma máquina de soldagem de corrente alternada (AC) e
corrente contínua (DC).
Símbolo da corrente elétrica: I.
Unidade de medida: ampere (A).
244 Soldagem
Figura 11. Máquina de soldagem de corrente alternada
(AC) e corrente contínua (DC).
Fonte: Sergey Ryzhov/[Link].
Os termos “voltagem” e “amperagem” são erroneamente empregados por profissionais
da área de soldagem, pois se tratam de termos coloquiais. O emprego desses termos se
deve à tradução errônea de voltage e amperage, de origem inglesa. Os termos corretos
em português são tensão e corrente. Embora tanto no Brasil quanto em Portugal tais
palavras estejam incorporadas aos dicionários, na área técnica não devemos utilizar
termos coloquiais, mas termos técnicos. Assim, regulamos a corrente de uma máquina
de soldagem, não a sua amperagem.
Resistência elétrica
É a propriedade de todas as substâncias, exceto os supercondutores, de se opor
à passagem de corrente elétrica, mesmo havendo diferença de potencial. Em
outras palavras, a resistência elétrica é a dificuldade que os materiais oferecem
ao deslocamento de elétrons num condutor ou circuito elétrico. A resistência
elétrica de um condutor depende principalmente da natureza de seu material,
bem como da sua seção transversal, seu comprimento e sua temperatura em
relação ao meio ambiente.
Símbolo da resistência elétrica: R.
Unidade de medida: Ohm (Ω).
Soldagem 245
Potência elétrica
É a energia necessária para se produzir trabalho em forma de calor, luz,
radiação ou movimento; ou seja, é a capacidade de um circuito elétrico, ou
de um componente elétrico, de produzir trabalho.
Símbolo de potência elétrica: P.
Unidade de medida: Watt (W).
Fonte de alimentação
É o circuito capaz de fornecer energia elétrica, em condições controladas, a
outro circuito. Como exemplo temos as pilhas, as baterias e as redes elétricas
de distribuição. O processo de soldagem necessita dessa fonte de energia para
fornecer tensão e corrente adequadas à formação do fenômeno físico-químico
de soldagem (Figura 12).
Figura 12. Fenômeno físico-químico de soldagem.
Fonte: Adaptada de Fouad A. Saad/[Link].
As fontes de alimentação das máquinas de soldagem devem transformar
a energia de alta tensão da rede, que é de baixa intensidade de corrente, em
energia de soldagem, caracterizada por baixa tensão e alta intensidade de cor-
246 Soldagem
rente. Devem também oferecer uma corrente de soldagem estável, possibilitar
a regulagem da tensão e da corrente e permitir a fusão de todos os diâmetros
de eletrodos compatíveis com o equipamento usado.
As fontes de energia das máquinas de soldagem se enquadram em três
tipos conforme suas características, sendo eles: o transformador, que fornece
corrente alternada; o transformador-retificador, que retifica a corrente; e os
geradores, que fornecem corrente contínua direta. Quando utilizamos corrente
contínua na soldagem a arco, podemos ter a polaridade direta, na qual a peça
é o polo positivo e o eletrodo é o polo negativo, ou a polaridade inversa,
quando a peça é o polo negativo e o eletrodo é o polo positivo. A escolha da
polaridade se dá em função do tipo de revestimento do eletrodo. A maioria
das soldagens a arco é feita com corrente contínua.
Para conhecer melhor os fenômenos físico-químicos relacionados à eletricidade e à
energia, leia o livro Fundamentos de Circuitos Elétricos, de Alexander e Sadiku (2013).
Para conhecer melhor os fenômenos físico-químicos relacionados à termodinâmica,
leia o livro: Termodinâmica, de Yunus e Boles (2013).
Escolha do processo de soldagem a partir
dos materiais utilizados
Alguns materiais não podem ser soldados; outros, como aços em geral, ferro
fundido, alumínio, cobre, titânio e as suas ligas, podem ser soldados, mas não
por todo tipo de processo. Os materiais das peças a serem soldadas deverão ter a
mesma composição química ou ainda ser semelhantes conforme a sua estrutura.
Além disso, as peças soldadas deverão utilizar um produto de adição igual
em termos de características, pois todos os materiais se fundem em conjunto
na região da solda. O material de adição deverá ter uma temperatura de fusão
próxima àquela do material da peça a ser soldada, ou um pouco abaixo dela;
caso contrário, ocorrerá uma deformação plástica.
As partir das características e da aplicação dos materiais a serem soldados
e do material de adição, é definido qual é o melhor processo a ser utilizado.
Soldagem 247
Por exemplo, a soldagem por resistência é muito utilizada na indústria branca
(refrigeradores, fogões, micro-ondas, etc.), e o processo MIG/MAG, na indústria
automotiva robotizada; já o processo TIG é utilizado em aeronaves e seus deriva-
dos; o arco submerso, por sua vez, é utilizado principalmente na indústria naval,
e o eletrodo revestido é empregado para diversos tipos de soldagem em geral.
É importante conhecer as características de cada processo, além do seu material-base
e material de adição, para encontrar as vantagens e eliminar as desvantagens de cada
um dos processos de soldagem.
Aços em geral
O aço é um dos materiais mais empregados na soldagem e pode ser utilizado
na maioria dos processos, dependendo de sua espessura (Figura 13). Os aços
de baixo carbono, baixa liga, média liga, alta liga e aço inoxidável de pouca
espessura podem ser soldados pelos processos de oxi-gás, eletrodo revestido,
MIG/MAG, TIG, arco submerso e soldagem por resistência elétrica. Já os
aços de maiores espessuras podem ser soldados pelos processos de oxi-gás,
eletrodo revestido, MIG/MAG e soldagem por arco submerso.
Figura 13. Aços soldados para fabricação de tanques, automóveis e vergalhões.
Fonte: a) YAKISTUDIO/[Link]; b) xieyuliang/[Link]; c) Dmitry Kalinovsky/Shut-
[Link].
248 Soldagem
Ferro fundido
Assim como o aço, o ferro fundido é muito utilizado nos processos de solda-
gem, principalmente em reformas e manutenções de máquinas, equipamen-
tos, blocos, colunas, carcaças e peças fundidas em geral (Figura 14). Ferros
fundidos cinzentos, nodulares e vermiculares de pouca espessura somente
são soldados pelos processos de eletrodo revestido. Já os ferros fundidos em
geral, de maiores espessuras, podem ser soldados pelos processos de oxi-gás,
eletrodo revestido, MIG/MAG e soldagem por arco submerso.
Figura 14. Peças de ferro fundido em processo de soldagem.
Fonte: GajokFilm/[Link]; Tawansak/[Link].
Alumínio e suas ligas
Esse é o material não ferroso mais utilizado em soldagens, principalmente
em processos em que é exigido melhor acabamento, menor peso e maior
resistência à corrosão (Figura 15). As soldagens que envolvem estruturas de
alumínio são realizadas em máquinas, dispositivos industriais, tubulações,
perfilados e peças da indústria automotiva, soldadas pelos processos de oxi-
-gás, TIG, MIG/MAG e soldagem por resistência elétrica. Já os alumínios
e as suas ligas em geral, de maiores espessuras, podem ser soldados pelo
processo TIG e MIG/MAG.
Soldagem 249
Figura 15. Soldagem em alumínio.
Fonte: Diamondsfish/[Link]; baranq/[Link].
Cobre e suas ligas
Outro material que pode ser soldado, porém com processos específicos de solda-
gem, é o cobre e suas ligas (Figura 16). É empregado principalmente o processo
TIG para a soldagem de materiais de cobre de pouca espessura, como tubulações
para ar-condicionado e refrigeradores; em espessuras maiores que 6 mm, é
empregado somente o processo MIG/MAG. Essa soldagem é utilizada princi-
palmente em tubulações de cobre e suas ligas para a indústria de refrigeração.
Figura 16. Soldagem de tubulações de cobre.
Fonte: Thanyasit Rattanaittinan/[Link]; Climber 1959/[Link]; Stopped_clock/
[Link].
Titânio e suas ligas
Assim como o cobre, outro material que pode ser soldado apenas por processos
específicos de soldagem é o titânio e suas ligas (Figura 17). Esse material
pode ser soldado pelos processos de oxi-gás, MIG/MAG e TIG, para pequenas
e médias espessuras, de até 19 mm; no caso de espessuras finas, utiliza-se
250 Soldagem
também a soldagem por resistência elétrica. Sua aplicação é em reparos de
peças de liga de titânio e tubulações de alta resistência mecânica e térmica.
Figura 17. Soldagem e recuperação de ligas de titânio.
Fonte: a) aon168/[Link]; b) Sergey 77700/[Link].
Os Quadros 1 e 2 apresentam de forma resumida cada material e seu
respectivo processo de soldagem.
Quadro 1. Processos de soldagem empregados em chapas finas
Materiais Processo de soldagem
Espessura
até 6 mm — Eletrodo MIG/ Arco Oxi-
chapas finas revestido TIG MAG submerso Resistência -gás
Aço carbono Sim Sim Sim Sim Sim Sim
Aço inoxidável Sim Sim Sim Sim Sim Não
Ferro fundido Sim Não Não Não Não Sim
Alumínio e Não Sim Sim Não Sim Sim
suas ligas
Cobre e Não Sim Sim Não Não Não
suas ligas
Níquel e Sim Sim Sim Não Sim Sim
suas ligas
Titânio e Não Sim Sim Não Não Sim
suas ligas
Soldagem 251
Quadro 2. Processos de soldagem empregados em chapas grossas
Materiais Processo de soldagem
Espessura
acima de 6
mm — cha- Eletrodo MIG/ Arco Oxi-
pas grossas revestido TIG MAG submerso Resistência -gás
Aço carbono Sim Não Sim Sim Sim Sim
Aço Sim Não Sim Sim Sim Não
inoxidável
Ferro fundido Sim Não Sim Sim Não Sim
Alumínio e Não Sim Sim Não Sim Não
suas ligas
Cobre e Não Não Sim Não Não Não
suas ligas
Níquel e Sim Não Sim Sim Sim Não
suas ligas
Titânio e Não Sim Sim Não Não Não
suas ligas
Soldagem 253
Referência
ALEXANDER, C. K.; SADIKU, M. N. O. Fundamentos de circuitos elétricos. 5. ed. Porto
Alegre: AMGH, 2013.
Leituras recomendadas
CENTRO DE INFORMAÇÃO METAL MECÂNICA. 2018. Disponível em: <[Link]
[Link]>. Acesso em: 5 jun. 2018.
CHIAVERINI, V. Tecnologia mecânica: processos de fabricação e tratamento. São Paulo:
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ÇENGEL, Y. A.; BOLES, M. A. Termodinâmica. 7. ed. Porto Alegre: AMGH, 2013.
ESAB. 2018. Disponível em: <[Link]>. Acesso em: 5 jun. 2018.
SECCO, A. R. et al. Processos de fabricação: Telecurso 2000. São Paulo: Telecurso 2000,
2006. Disponível em: <[Link]
-%20Processos%20de%20Fabricacao%[Link]>. Acesso em: 5 jun. 2018.
SMITH, W. F.; HASHEMI, J. Ciências dos materiais: fundamentos da engenharia e ciência
dos materiais. 5. ed. Porto Alegre: AMGH, 2015.
Encerra aqui o trecho do livro disponibilizado para
esta Unidade de Aprendizagem. Na Biblioteca Virtual
da Instituição, você encontra a obra na íntegra.