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Identidade Cultural em Angola: 45 Anos de História

. No ano de comemoração dos 40 anos de independência de Angol, é tempo de fazermos o balanço dessa caminhada, marcada sobretudo por avanços e retrocessos. De forma a melhor compreendermos esse percurso, dividimos a nossa análise em períodos que denominamos o antes, o agora e o depois, onde pretendemos analisar os diferentes acontecimentos que marcaram cada época e de que forma estes influenciaram o período seguinte. Mediante a análise do antes e do agora fazemos uma previsão do que nos esp
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. No ano de comemoração dos 40 anos de independência de Angol, é tempo de fazermos o balanço dessa caminhada, marcada sobretudo por avanços e retrocessos. De forma a melhor compreendermos esse percurso, dividimos a nossa análise em períodos que denominamos o antes, o agora e o depois, onde pretendemos analisar os diferentes acontecimentos que marcaram cada época e de que forma estes influenciaram o período seguinte. Mediante a análise do antes e do agora fazemos uma previsão do que nos esp
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UNIVERSIDADE AGOSTINHO NETO

FACULDADE DE CIENCIAS SOCIAIS


DEPARTAMENTO DE SOCIOLOGIA

IDENTIDADE CULTURAL

Nome: Loide Bernardo Alberto


Curso: Sociologia, 3º ano, diurno.
Disciplina: Problemas Sociais Angola

Docente
________________
Me. Pedro Agustinho

LUANDA 2024
ÍNDICE
Introdução.................................................................................................................................... 3
Identidade Cultural ..................................................................................................................... 4
Acerca Dos Inventários Étnicos ................................................................................................. 6
Conclusão ..................................................................................................................................... 7
Referências Bibliográficas .......................................................................................................... 8
INTRODUÇÃO
O antes, o agora e o depois: Angola 40 anos depois. No ano de comemoração dos 40 anos
de independência de Angol, é tempo de fazermos o balanço dessa caminhada, marcada
sobretudo por avanços e retrocessos. De forma a melhor compreendermos esse percurso,
dividimos a nossa análise em períodos que denominamos o antes, o agora e o depois, onde
pretendemos analisar os diferentes acontecimentos que marcaram cada época e de que
forma estes influenciaram o período seguinte. Mediante a análise do antes e do agora
fazemos uma previsão do que nos espera no depois.
Cada um destes períodos espelha uma realidade distinta, marcada pelos acontecimentos
e principais alterações políticas e económicas e que de certa forma infl uenciaram e infl-
uenciam a caracterização da sociedade angolana. O historiador Patrício Batsîkama
realizou pesquisas sobre a cultura e memória de Angola, focando nas dinâmicas da
angolanidade. Ele identificou três fases (1961/1975; 1975/1992 e 1992/2002) que
moldaram o Estado angolano. Ou seja: Deste modo, o antes abrange um período
compreendido entre 1960 e 2002. Por se tratar de um período tão longo e com
características diferentes, dividimos a sua análise em 3períodos distintos: 1960 a 1974,
conhecida como segunda fase colonial, 1975-1991, período pós-independência, marcado
sobretudo pela construção de um Estado e uma sociedade socialista e, 1991-2002, período
de implantação do multipartidarismo e retorno à guerra civil. O agora corresponde ao
período que decorre entre 2002 e 2015 e visa sobretudo analisar o período em contexto
de paz, as principais alterações políticas, económicas e sociais. Mediante essa análise,
perspectivamos assim o que será o depois, que futuro estamosa construir. O depois
apresenta-se assim nebuloso, porém ainda é tempo de mudarmos estas previsões, de
sairmos do estado onde nos encontramos. Não temos motivos para comemorar, mas temos
todos os motivos para nos unirmos e continuarmos a luta, em prol de um mesmo lugar,
de um mesmo bem comum: Angola, o nosso país bem amado.

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IDENTIDADE CULTURAL
Segundo Venceslau Mateus (2020), Quando se fala em balanço dos 45 anos da
independência nacional, a primeira sensação é revisitar o que marcou o país em termos
políticos, económicos e sociais, mas há um sector ful cral que jamais deverá ser
dissociado desta análise global: a Cultura. A cultura angolana, que se tornou numa
importante bandeira do país além-fronteiras, após a conquista da independência nacional,
no dia 11 de Novembro de 1975, nem sempre "mereceu" o seu verdadeiro valor,
fundamentalmente da parte do regime colonial. É sabido que Angola, detentora de uma
vasta diversidade de povos, línguas e tradições, registou, contra a vontade dos povos
autóctones, um forte processo de negação às suas origens. Face a esta realidade imposta
pelas autoridades portuguesas, que "infringiram" uma ríspida política de oposição aos
hábitos e costumes do povo, o país viveu dividido em termos de extratificação social por
largas décadas, essencialmente com dois grupos distintos: os assimilados e os gentios.
O autor ainda continua afirmando que: Foi com esta estratégia que o regime português
procurou dominar as várias comunidades angolanas, por via da imposição da cultura da
negação entre filhos da mesma Pátria, pondo assimilados da zona urbana e gentios do
musseque em extremos diametralmente opostos. Foram, verdadeiramente, anos de luta e
determinação para os angolanos conseguirem impor as suas matrizes étnicas e culturais,
diante de um regime colonial que banalizou, fundamentalmente, a questão da promoção
das línguas nacionais, levando o povo a complexos e estereótipos da sua própria cultura.
Entretanto, também foi pela mesma cultura que muitos dos melhores filhos da Pátria
(conhecidos e anónimos), tais como religiosos e políticos, criaram, de forma clandestina,
verdadeiras armas de arremesso contra os propósitos das autoridades portuguesas.
Através da música, da poesia e do cinema, bem como de actividades religiosas
clandestinas de movimentos messiânicos, que lutaram com hinos de forte intervenção
patriótica entoados em línguas nacionais, lançou-se um amplo movimento de contestação.
Quem não se lembra, a esse respeito, dos históricos escritos do "poeta maior", António
Agostinho Neto, das canções de exaltação dos Ngola Ritmos e do Grupo Nzaji, da
tenacidade de Kimpa Vita, Simão Toco, Gaspar de Almeida e Jesse Chiula Chipenda (só
para citar alguns), que recorreram à cultura, às tradições e à espiritualidade para combater
o regime português, ante um cenário de privações e cadeias? De facto, a cultura angolana
jogou papel preponderante no alcance e na materialização do sonho da liberdade e da
promoção de Angola no Mundo, depois do 11 de Novembro, através do canto, da
literatura, do cinema, da dança, das artes plásticas e outras manifestações artísticas.
Além destes dois eventos, outros acontecimentos importantes marcaram a história
cultural do país ao longo dos 45 anos de liberdade, que serão assinalados a 11 de
Novembro. Instrumento de afirmação no período colonial e factor de união, a cultura
angolana ganhou mais projecção internacional a partir dos anos 70, com o surgimento de
nomes que se tornaram incontornáveis em África e noutros cantos do Mundo. Inspirados
pelos ganhos da liberdade, figuras ligadas às letras, artes plásticas e à música
transformaram o imaginário numa luta pela afirmação dos angolanos, tornando o produto
nacional apetecível.
Considerados combatentes da linha da frente na estratégia de promoção de Angola,
figuras como Agostinho Neto, António Jacinto, José Luandino Vieira, Pepetela, Manuel

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Rui Monteiro, Vitex, Liceu Vieira Dias, Elias Dyakimuezu, Bonga, Alberto Teta Lando,
entre outras, elevam, desde os primórdios da independência, a bandeira nacional a
patamares internacionais. Muitas destas referências motivaram a criação de cátedras em
universidades europeias de renome.
No domínio da literatura, o nome de Agostinho Neto é tradicionalmente citado como a
principal referência, embora Angola tenha produzido outros importantes escritores, que
também se bateram pela liberdade e mostraram a Angola independente com escritos de
elevada qualidade. Um dos mais notáveis marcos deste domínio foi a criação da União
dos Escritores Angolanos, na senda de um importante movimento de artistas, entre os
anos 70 e 80, embora a literatura de Angola tenha começado a afirmar-se ainda antes da
independência nacional.
Usada durante a luta contra o colonialismo português, como meio de transmissão de
mensagens, a música angolana continua a ser das principais referências culturais do país,
fruto da projecção alcançada pelos seus executores ao longo dos 45 anos de
independência. Com vários nomes que marcaram as diversas décadas e gerações do
cancioneiro nacional, o país teve em agrupamentos como os Ngola Ritmos (liderado por
Liceu Vieira Dias), Duo Outro Negro, Kissanguela, Jovens do Prenda, Kiezos e África
Ritmo, bem como os artistas individuais Bonga, Teta Lando e Waldemar Bastos, alguns
dos pilares para mostrar a sua cultura no [Link] miscelânea entre a nova e antiga
geração, a música angolana é actualmente o porta-estandarte da imagem do país,
suplantando em alguns aspectos o vector político, fruto da forte aposta dos seus agentes
na internacionalização do produto [Link] Bonga como uma das principais figuras,
a música angolana ganhou espaço no Mundo, nas últimas três décadas, mercê do talento
de vários artistas da velha e nova geração, entre os quais Paulo Flores, Eduardo Paim,
Yuri da Cunha, Anselmo Ralph e Matias Damásio e outras referê[Link] do trabalho
destes e de outros artistas, a kizomba, semba e o kuduro, por exemplo, ultrapassaram
barreiras e deixaram, hoje, de ser somente de consumo interno. (Mateus,2020)
A língua é um fator central de identidade nacional, segundo as teorias dos nacionalismos.
Seu papel tornase recorrente em especial a partir da segunda metade do século XIX
(Hobsbawm, 1998). O destaque para o papel das línguas na construção das identidades
nacionais também é reafirmado por meio da sua associação com o conceito de cultura.
Nesse sentido, a língua nacional seria instrumento essencial para se pensar a cultura do
país e, consequentemente, sua identidade, como afirma Stuart Hall: As culturas nacionais
são uma forma distintivamente moderna. A lealdade e a identificação que, numa era
prémoderna ou em sociedades mais tradicionais dadas à tribo, ao povo, à religião e à
região, foram transferidas, gradualmente, nas sociedades ocidentais, à cultura nacional.
As diferenças regionais e étnicas foram gradualmente sendo colocadas, de forma
transformação do que vem de fora e pela autofagia a transformação dessa identidade
nacional a partir de sua constante destruição e refazimento. O passado é, assim, atropelado
e esquecido. Nesse sentido, a Angola de Ondjaki (2012), configura-se como terreno fértil
para se refletir sobre as mudanças e transformações vivenciadas um pouco por todo o lado
nisso que chamamos de pós-modernidade, globalização e multiculturalidade: um mundo
de encontros e desencontros, rico em oportunidades de aprendizagem, mas também em
conflitos e violência.

5
Acerca dos inventários étnicos
Os estudos classificativos sobre os povos de Angola devem-se sobretudo aos contributos
dos missionários e administradores coloniais. Assim, no inventário que denominou
divisão etnográfica da população nativa da província de Angola, o missionário metodista
Héli Chatelain (1894, 1964) explica que os limites dos distritos coincidem em grande
parte com os das nações que constituem a população nativa da província (1964: 75). Em
seu entender, a «nação do Congo ocupa a maior parte do distrito do Congo, mas cobre
também a parte norte do distrito de Luanda. Este último é ocupado pela nação de Angola
(A-mbundu) cujo nome se estendeu a toda a província. Por sua vez, o distrito de Benguela
é todo ocupado pela nação Ovi-mbundu e tribos aliadas, enquanto que as populações do
distrito de Moçamedes não parecem formar uma unidade étnica, mas diferem pouco dos
Ovi-mbundu, embora muitos tenham mais afinidades com os grupos parentes Ova-Herero
e Ova-Ndonga das possessões alemães . Ademais, antes de indicar quais as tribos que
compõem as referidas nações, este autor conclui enunciando que os povos para além do
Cuango e os da bacia do Zambeze não são ainda administrados pelas autoridades
portuguesas nem compreendidos em qualquer dos distritos acima mencionados» (1894;
1964: 76).
Segundo Ferreira Diniz, no seu principal trabalho onde denomina-se Populações
indígenas de Angola, foi portanto, entanto, na primeira parte dessa obra «descrevemos
os usos e costumes das tribus de raça negra, fazendoo para algumas separadamente e para
outras em conjunto atendendo a que as suas afinidades, pela origem, quási completa
unidade filológica e a inteira semelhança de usos e costumes só nos levaria, separando-
as, a fastidiosas repetições. Na segunda parte apresentamos o estudo das tribus da raça
Boschjman. Na terceira parte fazemos o estudo etnológico ou de comparação das
populações indígenas, procurando deduzir ao mesmo tempo os princípios de legislação e
administração que, mais adequadamente, deveremos estabelecer para as mesmas
populações (DINIZ 1918:4-7). Os povos que habitam em Angola (exceptuando os
Boximanes, que fazem parte, ao sul da Colónia, da população da Província da Huíla),
pertencem ao grande grupo geográfico e linguístico Bantu (1940a: 107) e ainda: «Os
pequenos grupos dos bacancala, ba-cuisso, ba-curocas, ba-cuandos e ba-cassequéres, são
povos Boximenes que os etnógrafos dizem ser os primitivos habitantes da África
Equatorial e Austral» (1940b: 27). A firmam ainda que existem 66 tribus dos Bantu, que
vivem em Angola, formam dez grupos lingüísticos, a saber: «Kikongo, Kimbundo,
Lunda-Kioko, Umbundu, Ganguela, Lunyaneka, Lunkhumbi, Xikuanyama, Xindonga e
Tyerero» (1940a: 108-112; 1940b: 23-27), devendo acrescentar-se os «Boximanes», que
são «[...] considerados os primitivos habitantes da África Equatorial e Austral. Vagueiam
em pequenos núcleos, no planalto da Huíla, margens do rio Cunene e do Cubango. São
de pequena estatura e a sua vida é miserável (1940a: 112), e repelente (1940b: 27).
A. A. Mendes Corrêa, que se refere aos povos de «Angola e Congo» (pp. 403-485) e na
qual apresenta uma curiosa carta étnica de Angola em que se destacam os povos que falam
as línguas seguintes: «Quicongo, Quimbundo, Lunda-Quioco, Ganguela, Umbundo
Nhaneca, Humbe, Ovambo, Herrero, Vátua e Bochimane», sem contudo ser indicada a
fonte utilizada. ( Coelho, 2015, p. 1-5)

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Conclusão
Com tudo , dou por concluir que: A identidade cultural de Angola tem sido um tópico
fascinante e em constante evolução desde o início dos anos 2000. Após uma longa luta
pela independência e um período de guerra civil, Angola passou por um processo de
reconstrução nacional e redescoberta de sua riqueza cultural. De 2002 a 2010, vimos um
esforço concertado para valorizar e preservar o patrimônio cultural angolano. Houve uma
redescoberta das tradições, artes, línguas e costumes das diversas etnias que compõem o
tecido social do país. Neste período, iniciativas governamentais e comunitárias buscaram
resgatar e promover manifestações culturais, como a música, a dança, a literatura e as
artesanias típicas de cada regiã[Link] década seguinte, de 2010 a 2020, observamos uma
aceleração desse processo de afirmação da identidade cultural angolana. Com o
desenvolvimento econômico e a estabilidade política, Angola conseguiu projetar sua
cultura para o mundo, participando de eventos internacionais e atraindo a atenção global
para sua riqueza cultural. Houve um fortalecimento do orgulho nacional e da valorização
das raízes africanas do paí[Link] últimos anos, de 2020 até o presente, a identidade cultural
de Angola tem se adaptado aos desafios e transformações da modernidade. Embora haja
um esforço contínuo para preservar tradições, Angola também tem buscado integrar
elementos contemporâneos e globais à sua cultura. Isso se reflete na música, na moda, na
gastronomia e em outros aspectos da vida cultural do país.
Um ponto importante é que a diversidade étnica e linguística de Angola tem sido cada
vez mais celebrada e valorizada como parte integrante da identidade nacional. Há uma
conscientização crescente de que a riqueza cultural de Angola reside justamente na
pluralidade de suas manifestações. Portanto, a trajetória da identidade cultural angolana
nos últimos 22 anos tem sido marcada por um processo de resgate, afirmação, projeção e
adaptação às transformações do mundo moderno. Angola tem conseguido preservar suas
raízes, ao mesmo tempo em que abre espaço para inovações e diálogos culturais,
fortalecendo sua posição como uma nação com uma identidade única e vibrante. A pesar
de que a globalizaçaão tem sido um factor que tem trazido muita a culturação ao povo
angolano e quase tem levado a perda de identidade para a sociedade. A Identidade cultural
em Angola é uma abordagem que busca valorizar, respeitar,e promover a diversidade
étnica e cultural no país, reconhecer e celebrar as diferenças culturais e fundamental para
a construção de uma sociedade inclusiva, harmoniosa e respeitosa, onde todos os grupos
possam contribuir e prosperar.

7
Referências bibliográficas
FROTA,Silvia Valencich; Os transparentes: identidades nacionais em exibição na Angola
de Ondjaki,Letras de Hoje, Porto Aegre, v. 51, n. 4, p. 543-554, 2016.
COELHO, Virgílio ;A classificação etnográfica dos povos de Angola (1.ª parte),
Mulemba [Online], 5 (9) | 2015, 2016. consultado o 28 juin 2022. URL: http://
[Link]/mulemba/473 ; DOI: [Link]

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