Vírus da imunodeficiência humana
Infecção VIH
o Prevalência de portadores em Portugal
Total estimado ≈ 40 - 50 000
o Prevalência ≈ 4 - 5 000/milhão de habitantes
O VIH pode ter evoluído do Vírus de Imunodeficiência dos Símios encontrado
nos chimpanzés da África ocidental, e ter passado aos humanos dessa região e
daí para o resto do mundo, sendo esta a teoria actualmente aceite para a origem
do VIH.
O Vírus da Imunodeficiência Humana (VIH) é um lentivírus da família dos
retrovírus. É constituído por moléculas de ácido ribonucleico (ARN), com uma
única cadeia e possui um envelope formado por proteínas.
VIH-1 & VIH-2:
Existem dois tipos de vírus da imunodeficiência humana e tanto um como outro
só se reproduzem nos humanos. O VIH-1 é o mais predominante, enquanto o
VIH-2 se transmite com menos facilidade e o período entre a infecção e a
doença é mais prolongado.
FISIOPATOLOGIA
1. Após a entrada do vírus, este liga-se ao recetor dos TCD4 via a gp120.
2. Ocorre fusão do envelope viral, com libertação do vírus para dentro da célula:
para esta fusão, alem do recetor CD4, é necessário um co-recetor (CCR5
nos macrófagos ou CXCR4 nas T cells)
a contaminação via macrófagos ocorre na fase inicial, enquanto a
contaminação via Tcells ocorre numa fase mais tardia.
3. Transcrição do RNA viral para um DNAds via transcriptase reversa, com
posterior integração no DNA do hospedeiro através da integrase viral.
4. Replicação viral com consequente lise celular e perda de função à diminuição
constante dos TCD4
Infecção VIH: Transmissão da infecção Prevenção da transmissão vertical
Rastreio da grávida
Tratamento anti-retroviral
Cesariana electiva
o reduz o risco em 50%
o Cesariana + antiretroviral
Viasexual
Viasanguínea
Viaperinatal
Manifestações Clínicas
Fase aguda (sdr mononucleose-like)
o febre, mal estar, mialgias, artralgias, linfadenopatia generalizada não
dolorosa, rash generalizado, sintomas gastrointestinais e orofaríngeos
Fase latente (8 – 10 anos)
o Condições não definidoras de SIDA: candidíase oral, candidíase vaginal
de repetição, zona, herpes de repetição, leucoplaquia oral pilosa por
infeção por EBV
o Condições definidoras de SIDA ...
Manifestações Clínicas: SIDA
Temos SIDA quando a contagem de TCD4 < 200 céls ou quando temos as
seguintes patologias • INDEPENDENTEMENTE da contagem de TCD4:
o Sarcoma de Kaposi
o Linfoma de Burkitt
o Tuberculose
o Leucoencefalopatia multifocal progressiva
TCD4 <200:
o Pneumonia por Pneumocystis
TCD4 <150:
o Histoplasmose extrapulmonar ou disseminada
TCD4 <100
o Toxoplasmose cerebral ++
o Criptococcideose extrapulmonar
o Criptosporidiose
o Limfoma primário do SNC
História natural da infeção por HIV
Diagnóstico
Clínico:
o Sinais
o sintomas
Laboratorial:
o Testes serológicos (distingue tipo 1 do tipo 2)
o Teste viral (ideais se suspeita de contaminação vertical ou doentes em
situação pré-conversão)
o Hemograma
o Contagem CD4
o Contagem carga viral
o Genotipagem do vírus
Tratamento
Iniciar imediatamente após teste positivo (e >10 anos), independentemente da
presença ou não de sinais e sintomas e da contagem de CD4;
Terapia anti-retroviral com inibidores da transcriptase reversa análogos de
nucleosídeos (NRTI), inibidores da transcriptase reversa não-análogos de
nucleosídeos (NNRTI), inibidores da protease (IP), inibidores da integrase (INI).
Outros: inibidores de fusão, antagonistas CCR5.
o NRTI:abacavir,tenofovir,lamivudina,zidovudina,emtricitabina
o NNRTI: efavirenz
Esquemas possíveis:
o IP: ritonavir
2NRTI+1NNRTI 2NRTI+1IP
o INI: raltegravir, dolutegravir
2NRTI+1INI
Prevenção e Profilaxia Pré-Exposição (PrEP)
Educação e modificação de comportamento;
Promoção e distribuição de preservativos;
Tratamento de ISTs;
Intervenção na toxicodependência (ex: acesso a seringas e agulhas não
contaminadas)
Terapia anti-retroviral numa mulher gestante
PrEP: Destina-se a reduzir as hipóteses de alguém que não está infectado mas
que está sujeito a um alto risco de infecção, poder contrair o vírus em caso de
exposição ao mesmo (comportamento sexual de risco ou toxicodependentes).
Faz follow-up a cada 3 meses.
Tenofovir/emtricitabina (TDF/FTC) (200 mg + 245 mg) via oral 1 x dia;
Prevenção e Profilaxia Pré-Exposição (PrEP)
Pessoas que nos últimos seis meses tiveram relações sexuais sem uso consistente
de preservativo numa das seguintes condições:
o Parceiros sexuais com estatuto serológico para VIH desconhecido;
o Diagnóstico de infeção sexualmente transmissível
Pessoas cujo parceir@ está infetado por VIH, sem acompanhamento médico ou
sem terapêutica antirretroviral ou sem supressão virológica e que não utiliza
consistentemente preservativo
Pessoas que usam substâncias psicoativas durante as relações sexuais
Utilizadores de drogas injetadas que partilham agulhas, seringas ou material para
preparação das mesmas
Parceiros serodiscordantes em situação de preconceção ou gravidez
Profilaxia Pós-Exposição (PPE)
Antes de iniciar a PPE, o risco de transmissão de VIH deve ser avaliado:
Se a pessoa exsposta está ou não infetada à priori e se possível avaliar a suposta
fonte de infeção;
Se o fluido corporal da pessoa infetada com quem se esteve em contacto não
oferecer risco de transmissão, como saliva SEM sangue ou urina à Não iniciar
PPE!
Nos casos de contacto sexual, o risco estimado de transmissão de VIH numa
exposição por sexo oral é muito baixo, enquanto na relação sexual anal sem
preservativo o valor é de 138 em cada 10.000 atos, pelo que é necessário ter
estes dados em consideração e apresentá-los ao exposto para que este possa
escolher, de forma informada, realizar ou não PPE.
O início da profilaxia deve ocorrer nas primeiras 72 horas após o contacto,
sendo mais indicado até duas horas pós-exposição
Profilaxia Pós-Exposição (PPE)
No caso da pessoa exposta ser VIH-positiva, não está indicado fazer PPE,
devendo ser encaminhada para a consulta de seguimento e verificar se é
apropriado iniciar terapêutica ARV.
Quando tanto o exposto e a fonte de infeção são VIH-negativos, o primeiro
deixa de ser candidato. Caso não se possa avaliar a fonte, numa situação de
contacto de risco, é recomendado o inicio de PPE.
Combinação de 3 fármacos durante vários meses, com consultas de seguimento
e protecção nas relações sexuais até ao final do tratamento.