UC Ginecologia e Obstetrícia
Doença Inflamatória
Pélvica: Etiologia,
Clínica e Complicações
Ano letivo 2022/2023
14/12/2022
Regente: Professora Doutora Fátima Serrano
Gonçalo Macedo, 2019293
Luís Fialho, 2019276
Maria Teresa Rodrigues, 2019014
Pilar Pegas, 2018421 Turma 2
Índice
01 Definição e 05 Tratamento
Epidemiologia
02 Fatores de Risco e 06 Complicações
Etiologia
03 Sinais e Sintomas 07 Bibliografia
04 Marcha Diagnóstica
01
Definição e
Epidemiologia
Doença Inflamatória Pélvica
Inflamação polimicrobiana do trato
genital superior (útero, trompas de
Falópio e ovários) e da pélvis
adjacente, secundária a infeção por
microrganismos.
EPIDEMIOLOGIA
Doença Comum
Incidência Anual
1%-2% nas mulheres em idade
reprodutiva e de países industrializados
Raro A incidência e prevalência em
Mulheres com amenorreia ou sem Portugal são desconhecidas
atividade sexual
Incidência de 750000
casos/ano nos EUA (maior na
faixa etária 15-29 anos)
02
Fatores de Risco e
Etiologia
Fatores de Risco
Relacionados com o Fatores Iatrogénicos
Comportamento Sexual ➔ Instrumentação uterina
➔ Idade inferior a 25 anos ➔ Interrupção da gravidez
➔ Mulher sexualmente ativa ➔ Inserção de dispositivo intrauterino nas
➔ Relação sexual com um parceiro últimas 6 semanas
sintomático ➔ Curetagem
➔ Múltiplos parceiros sexuais ➔ Histerossalpingografia
➔ Parceiro sexual com múltiplas parceiras ➔ Histeroscopia
➔ Relação sexual desprotegida ➔ Cesarianas recentes
➔ Histórico de DSTs ou DIP ➔ Fertilização in vitro
Etiologia
Neisseria gonorrhoeae Chlamydia trachomatis Outros microorganismos
30%-80% dos casos 20%-40% dos casos Escherichia coli Bacteroides sp.
Streptococcus agalactiae Peptostreptococcus sp.
Gardenerella vaginallis Mycoplasma hominis
Coexistência em 25%-50%
dos casos …
Etiologia
Via Ascendente Via Linfática Via Hematopoiética
Via mais comum Via mais rara
Origem no trato Associada a: Associada a:
ginecológico inferior, no
- Uso de dispositivo - Tuberculose genital
canal endocervical,
intra-uterino
evoluindo para: - Pós-parto
- Pós-aborto
- Endometrite
- Salpingite
- Parametrite
- Ooforite
- Abcesso tubo-ovárico
- Pelvi-peritonite
03
Sinais e Sintomas
Sinais e Sintomas
Doença Inflamatória Pélvica Aguda Sintomática
Duração inferior a 2 semanas
• Dor abdominal nos quadrantes Habitualmente Bilateral
inferiores ou na região Pélvica. Agrava com o coito (dispareunia) e com a
menstruação (dismenorreia)
Sinais e Sintomas
Doença Inflamatória Pélvica Aguda Sintomática
• Hemorragias uterinas anómalas
• Corrimento vaginal
• Disúria
• Dor abdominal à palpação
• Dor à mobilização do colo do útero e/ou à palpação dos anexos
• Palpação de massas anexiais
• Febre
Sugestivos de patologia mais grave
• Sinais de defesa abdominal
Sinais e Sintomas
Doença Inflamatória Doença Inflamatória
Pélvica assintomática Pélvica Crónica
Ausência de sintomatologia, podendo, • Apresentação indolente
contudo, provocar sequelas a curto e • Febre baixa
longo prazo. • Perda ponderal
• Dor abdominal
Associado a infeção por actinomicose ou tuberculose
04
Marcha Diagnóstica
Marcha Diagnóstica
Procura dos sinais e sintomas cardinais da patologia
História clínica Procura de fatores de risco como novos parceiros sexuais e
uso irregular de preservativo
Inspeção, Exame bimanual e ao
Exame Objetivo
espéculo
Marcha Diagnóstica
Doseamento sérico de β hCG
Microscopia do corrimento vaginal
Testes para C. trachomatis e Neisseria Gonorrhoeae
Exames Laboratoriais Teste para Mycoplasma genitalium
Screening de HIV
Testes serológicos para a Sífilis
Hemograma e Urinálise
Imagiologia Ecografia
Marcha Diagnóstica
Critérios de Diagnóstico
• Presume-se Doença Inflamatória Pélvica nas mulheres jovens sexualmente ativas com dor
abdominal nos quadrantes inferiores e dor à palpação bimanual e à mobilização do colo do
útero.
Dor à movimentação do colo do útero
Critérios de Diagnóstico Mínimos
Dor uterina e/ou anexial na palpação
bimanual
Tº oral > 38,3ºC
Corrimento Vaginal
↑ PCR e VS
Critérios de Diagnóstico Adicionais
Leucocitose
Evidencia laboratorial de N. Gonorrhoaea ou
Chlamydia Trachomatis
Diagnóstico Diferencial
Gravidez Patologia
Ectópica Ovárica
● Rutura de cisto
ovárico
● Torção ovárica
Patologia Patologia
Endometriose
Urinária intestinal
● Cistite aguda ● Apendicite
● Pielonefrite ● Diverticulite
● Síndrome do
cólon irritável
05
Tratamento
Tratamento
Tratamento do
parceiro
Antibioterapia Para a prevenção da re-infeção.
Tratamento de Neisseria e
Chlamydia:
Dose intramuscular de Abstinência Sexual
Ceftriaxone + Dose única
oral de Azitromicina A abstinência temporária até
finalização de tratamento e
M. genitalium: Moxifloxacina apresentação de sintomas.
Trichomonas: Metronidazole
Cirurgia
Na presença de abcessos para a
sua drenagem.
Critérios de Internamento
Doentes Doentes que não Doentes que não
Grávidas respondem à seguem / toleram a
terapêutica oral terapêutica
Doentes com Abcesso Diagnóstico
doenças graves tubo-ovárico incerto
06
Complicações
Complicações
Prevalência
17% 8,5% 18%
Gravidez Dor pélvica
Infertilidade
ectópica crónica
Park ST, Lee SW, Kim MJ, Kang YM, Moon HM, Rhim CC. Clinical characteristics of genital chlamydia infection in pelvic
inflammatory disease. BMC Womens Health. 2017 Jan 13;17(1):5.
Gravidez ectópica
Fisiopatologia
Inflamação Lesão Tubária Disrupção da
Migração do
Ovo
Implantação Ectópica
Gravidez ectópica
Prevalência Sintomas
Risco aumentado 7 a ● Amenorreia
10 vezes. ● Hemorragia
vaginal
● Dor abdominal
unilateral
Infertilidade
Fisiopatologia
Perda do epitélio
ciliado tubário
Inflamação Infertilidade
Oclusão tubária
Infertilidade
Prevalência Fatores de gravidade
Risco aumentado 5 ● Clamídia
vezes. ● Atraso no tratamento
● Episódios recorrentes
● Severidade
Conclusão
● A incidência de Doença Inflamatória Pélvica é difícil de determinar, contudo, é uma doença grave e
frequente com consequências na mulher em idade reprodutiva.
● A sintomatologia cardinal inclui dor abdominal nos quadrantes inferiores e/ou na região pélvica,
hemorragias uterinas anómalas e corrimento vaginal. Apesar de não haver critérios de diagnóstico
definitivos, a presença dos previamente mencionados permite presumir o diagnóstico e começar
terapia empírica.
● O tratamento consiste em antibioterapia, tratamento do parceiro, abstinência sexual e eventual
cirurgia.
● A lesão inflamatória associada a alteração estrutural e perda do epitélio ciliado das tubas uterinas
resulta no transporte alterado do ovo e no aumento do risco de infertilidade e gravidez ectópica.
Referências Bibliográficas
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Portuguesa. 2015;27(106):41-49. Doi:2183-1351
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● Caeiro A, Ramilo I, Veríssimo C, Diniz-Costa T, Pereira J. Pelvic inflammatory disease: an unexpected outcome. Acta
Obstetrica e Ginecologica Portuguesa. 2015;9(1):83-86. doi:1646-5830
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● Lépori, LR (2013). Doença Inflamatória Pélvica Miniatlas. Letbar Asociados, S.A. ISBN: 978-987-148105-7
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