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Afrodite

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Afrodite

Afrodite (em grego: Αφροδίτη, transl.: Aphrodítē) é a 1 Etimologia


deusa do amor, da beleza e da sexualidade na antiga reli-
gião grega. Responsável pela perpetuação da vida, prazer
e alegria. Historicamente, seu culto na Grécia Antiga foi A pronúncia arcaica (homérica) do nome Aφροδίτη era
importado da Ásia, influenciado pelo culto de Astarte, na aproximadamente [ˌapʰroˈdiːtɛː]. No grego koiné esta
Fenícia, e de sua cognata, a deusa Ishtar dos acádios. Am- pronúncia se tornou [ˌafroˈdiːtɛː], passando posterior-
bas eram deusas do amor, e seus atributos e rituais foram mente para [ˌafroˈditi] no grego bizantino, devido ao
incorporados no culto grego a Afrodite. Na era romana, fenômeno do iotacismo (erro de escrita em manuscri-
seria a vez de Afrodite ser a influência, dando origem à tos gregos).[1] A etimologia do nome não é conhecida
sua equivalente romana, a deusa Vênus. com segurança. Hesíodo o associou a aphrós (ἀφρός),
“espuma”, interpretando-o como “erguida da espuma”.[2]
Na mitologia grega, a versão mais famosa do seu nasci- Esta origem, no entanto, foi classificada como etimologia
mento contada por Hesíodo, ela nasceu quando Cronos popular por diversos autores,[3][4] e diversas outras eti-
cortou os órgãos genitais de Urano e arremessou-os no mologias especulativas, muitas derivadas de idiomas não
mar; da espuma (aphros) surgida ergueu-se Afrodite. No gregos, foram sugeridas por outros autores. O indo-
entanto para Homero, anterior a Hesíodo, ela era filha europeísta Michael Janda considera genuína a conexão
de Zeus e Dione. Durante o período de Platão, os gre- com “espuma”, identificando o mito de Afrodite se er-
gos haviam solucionado este conflito afirmando que Afro- guendo das águas após Cronos derrotar Urano como
dite tem dois aspectos diferentes, sem individualizar o um mitema do período proto-indo-europeu.[5] De acordo
culto: a primeira Afrodite Urânia, seria a Afrodite ce- com esta interpretação, o nome seria derivado de aphrós
leste, do amor divino e homossexual. A filha de Zeus “espuma” e déatai “(ela) parece, brilha” (infinitivo não
seria a Afrodite do amor comum, do povo, denominada atestado *déasthai[6] ), significando “aquela que brilha da
Afrodite Pandemos de onde emanava o amor físico e de- espuma (do oceano)”, uma alcunha também atribuída à
sejos lascivos. Os principais mitos envolvendo a deusa deusa da alvorada (Eos).[7] K.T. Witczak também propu-
são a saga da Guerra de Troia, onde ela protegeu a cidade seram uma etimologia baseada na ligação com a deusa
de Troia e os amantes Helena e Páris; sua perseguição indo-europeia da alvorada, a partir de *abʰor- “muito”, e
a mortais que a ofenderam, como Psiquê e Hipólito; as *dʰei- “brilhar”.[8]
bênçãos dadas a fiéis como Pigmaleão para viverem com
suas amadas; e seus diversos casos amorosos, como Ares Diversas etimologias especulativas não gregas foram su-
e Adônis. geridas por acadêmicos. A ligação com a religião fe-
nícia alegada por Heródoto (I.105, 131) levou a tenta-
Afrodite recebeu vários epítetos, principalmente porque tivas inconclusivas de se derivar o Afrodite grego com
seus cultos variavam em cada cidade grega. Recebeu os um Aštoret semita,[9] através de uma hipotética transmis-
nomes de Citere ou Citereia (Cytherea) e Cípria (Cypris) são hitita.[10] Outra etimologia semita compara o assírio
por dois locais onde seu culto era célebre na Antiguidade, barīrītu, nome de um demônio feminino encontrado em
Citera e Chipre - cada um deles alegando ser o local de textos babilônicos médios e tardios.[11] O nome provavel-
nascimento da deusa. Afrodite ainda recebia muitos ou- mente significaria “aquela que (vem) no alvorecer”, o que
tros nomes locais, como Acidália e Cerigo, utilizadas em identificaria Afrodite em sua personificação como a es-
regiões específicas da Grécia. Mesmo com os cultos di- trela d'alva, um paralelo importante que ela partilha com
ferentes, os gregos reconheciam a semelhança geral entre a Ishtar mesopotâmica.[1]
todas como sendo a única Afrodite.
Outra etimologia não grega sugerida por M. Hammars-
Afrodite, juntamente com Apolo, representa o ideal de tröm, aponta para o etrusco, comparando (e)prϑni “se-
beleza dos gregos antigos. Ela foi constantemente re- nhor”, uma denominação honorífica etrusca que passou
produzida nas Artes, da Antiguidade à Idade Contem- para o grego na forma prítane (em grego: πρύτανις).[12]
porânea, dada a oportunidade dos artistas imaginarem Isto faria com que a origem do teônimo fosse uma expres-
uma beleza divina. Nos dias atuais, seu mito continua são honorífica, “a senhora”. O linguista sueco Hjalmar
exercendo influência na cultura, e muitas vertentes do Frisk, no entanto, rejeita esta etimologia, considerando-
neopaganismo voltaram a lhe prestar culto. a «implausível».[3] O Etymologicum magnum bizantino
apresenta uma pseudo-etimologia medieval que explica-
ria o nome Aphrodite como derivado do composto habro-
diaitos (ἁβροδίαιτος) “aquela que vive delicadamente”,

1
2 2 HISTÓRIA

de habrós (ἁβρός) + díaita (δίαιτα), explicando a alter- cido” no Mediterrâneo, local em que as deusas menci-
nância entre b e ph como uma característica «familiar» onadas foram adoradas. Afrodite também é bastante se-
do grego, «obviamente derivada dos macedônios».[13] melhante à deusa Hator do Egito,[17] que era vista como
Afrodite pelos gregos. Vê-se que Astarte, Ishtar, Inanna,
Hator e Afrodite eram deusas de atributos comuns, que
2 História geralmente eram vistas como uma só deusa, sendo di-
fícil determinar com precisão quem influenciou quem,
embora os historiadores concordem que o culto de Afro-
2.1 Origens - Uma deusa importada dite é de origem oriental.[15] No Império Romano, outro
sincretismo ocorreria e Afrodite seria transformada em
Vênus.[18]
Apesar dos esforços dos mitógrafos no sentido de “hele-
nizar“ Afrodite, esta sempre traiu sua procedência asiá-
tica. Já Ilíada isso é bem perceptível. Sua proteção e
predileção pelos troianos que vivem na Ásia Menor e
particularmente por Eneias, fruto de seus amores com
Anquises, denotam sua origem não grega.[19] No Hino
Homérico a Afrodite, o caráter asiático da deusa ainda
é mais claro: apaixonada pelo herói troiano Anquises,
avança em direção a Troia, com o nome Ida (que daria
nome ao monte Ida), acompanhada de ursos, leões e pan-
teras. Sua hierofania voluptuosa transforma até os ani-
mais que se recolhem à sombra dos vales, para se uni-
rem no amor que transborda de Afrodite.[20] Essa marcha
amorosa da deusa seguida por animais em direção a Ílion
(Troia) mostra nitidamente que ela é uma Grande Mãe
semelhante a Astarte, que era representada escoltada por
animais.[15]
Seu amante Adônis nos leva igualmente à Ásia, uma vez
que Adônis é mera transposição do babilônico Tamuz, o
favorito de Istar-Astarté, de que os gregos modelaram sua
Afrodite. Como se pode observar, desde suas caracterís-
ticas e mitos mais importantes, Afrodite nos aponta para
a Ásia.[16] A helenização a transformou de Grande Mãe
Um dos pares de altares dedicados a Afrodite e Adônis, feitos a um dos onze deuses submetidos a Zeus e com papel re-
em Taras, sul da Itália, 400-375 a.C.. A cena, que representa a duzido às paixões humanas. Porém, quando é esculpida
reunião anual de Afrodite e Adônis, mostra o casal se abraçando, e pintada com seus golfinhos, o bode, o ganso, o cisne e a
e conta com duas mulheres. pomba, pode-se vislumbrar claramente sua antiga linha-
gem. Desta maneira a deusa, bem como suas antepassa-
Afrodite é uma deusa tão velha quanto o tempo, perten- das, é um símbolo das forças irrefreáveis da fecundidade,
cendo a uma linhagem de deusas femininas que represen- não propriamente em seus frutos, mas em função do de-
tavam a fertilidade na Antiguidade.[14] O culto de Afro- sejo ardente que essas mesmas forças irresistíveis ateiam
dite foi provavelmente baseado no culto de Astarte da nas entranhas de todas as criaturas. Eis o motivo por que
Fenícia, que era venerada em todo o Oriente Médio como a deusa é frequentemente representada escoltada por ani-
soberana do mundo. Entretanto, como o sincretismo mais ferozes.[21]
religioso era muito forte naquela época, não se sabe
com exatidão qual a origem das deusas.[15] Por exemplo,
no Império Babilônico, Astarte foi relacionada à deusa
Ishtar. Ela também seria associada com a deusa síria
Atargatis e com a deusa do amor suméria, Inanna. Se-
gundo Pausânias, os assírios foram a primeira civiliza-
ção a fundar um culto de Afrodite, tese que faz sen-
tido, tendo em vista uma pesquisa que revela a influência
mesopotâmica sobre a sociedade e mitologia grega, antes
de 700 a.C..[15] O culto de Afrodite na Grécia provavel-
mente foi introduzido da Síria para as ilhas de Chipre,
Citera, Corinto e outras, de onde se espalhou por toda
a região grega.[16] Então, a deusa do amor teria “nas-
2.2 Atributos e epítetos 3

2.2 Atributos e epítetos estar contido na tradição no concurso de Tifão com os


deuses, onde Afrodite metamorfoseou-se em um peixe,
animal que foi considerado possuindo as maiores potên-
cias geradoras.[22] Mas de acordo com a crença popular
dos gregos e suas descrições poéticas, ela era a deusa do
amor, que colocou a paixão nos corações dos deuses e
dos homens, e por este poder reinou sobre toda a criação
viva.[23]
É de notar que por Afrodite ter sido considerada nas-
cendo do mar, ela foi venerada desde tempos remotos
como deusa do mar e da navegação. No entanto, ela não é
uma divindade marinha no sentido em que o são Posídon
e outros senhores do mar. A mesma majestade com que
ela enche toda a natureza fez do mar o local de sua apari-
ção. Seu advento aplaina as ondas e faz a superfície das
águas fulgir como uma joia. Ela é o divino encanto do
mar calmo e da feliz travessia, assim como é o encanto
da natureza florescente.[24] Ela é denominada “deusa do
mar sereno” e faz com que os navios cheguem em boa
hora ao porto; por isso ela foi chamada de “deusa da boa
viagem”, Euploia, “que assegura a navegação propícia”,
Acraia (Akraía), “deusa dos promontórios” (porque lhe
dedicavam templos em locais que são bem visíveis do
Afrodite de Cápua, cópia
mar), Pôntia (Pontía) e Equórea, isto é, “marítima”, e
romana de 310-200 a.C. no Museu Arqueológico de Nápoles
Nauarca (Nauarkhís), “senhora das naus”.[25]
Como deusa da beleza, ela representava a beleza femi-
nina ideal no imaginário grego, sendo considerada a mais
bela das mulheres – não de modo virginal, como Ártemis,
tampouco toda decoro, como as deusas casadas e da ma-
ternidade, antes plena de uma pura beleza e graça femi-
nina, rodeada pelo úmido brilho do prazer, eternamente
moça, livre e feliz, tal como nasceu do mar imenso.[26]
Desde Homero, os poetas a chamam de “dourada” e
lhe descrevem como a deusa “amiga dos sorrisos” (“fi-
lomeida"; philommeidés), ou “de doce sorriso” (“glicime-
licos"; glykymeílikhos).[27] Helena a reconhece pela en-
cantadora beleza do colo e dos seios e pelo brilho dos
olhos.[19] As cárites, assim como as horas, que repre-
sentam amáveis e benfazejos espíritos do crescimento,
são suas servidoras e companheiras. Dançam com ela,
banham-na, ungem-na e tecem-lhe as vestes. O nome das
cárites significa “graça e sedução”, que são justamente
os dons com que Afrodite brinda Pandora, a primeira
mulher.[16]
A beleza de Afrodite frequentemente inspirava os talen-
tos e gênio dos antigos artistas, que rivalizavam para pro-
duzir a beleza ideal. As obras da Antiguidade que ainda
Afrodite Inclinada cópia existem são divididas pelos arqueólogos em várias clas-
romana do original grego do século II a.C., no Museu Arqueo- ses, de acordo com a representação da deusa na posição
lógico de Nápoles de pé e nua, ou tomando banho, ou semi-nua, ou vestida
com uma túnica, como ela foi representada nos templos
[16]
A citação de Ovídio mostra que Afrodite era vista de Citera, Esparta e Corinto.
como a responsável pela perpetuação da vida, abran- A pureza dos sentimentos era muito preservada pelos gre-
gendo toda a Natureza. De acordo com os pontos de gos. O amor tinha que ser honroso, e Afrodite garantia a
vista cosmogênicos da natureza de Afrodite, ela era a nobreza dos sentimentos. Esse pensamento parece estar
personificação dos poderes generativos da natureza e mãe contido em mitos como o de Anaxarete e Narciso: vá-
de todos os seres vivos. Um traço dessa noção parece
4 2 HISTÓRIA

rias jovens se apaixonaram por Narciso mas ele as me-


nosprezava. As garotas, revoltadas, pediram vingança a
Afrodite, que o fez se apaixonar pelo próprio reflexo.[28]
Porém, com a evolução do mito, ela passou a simbolizar
não apenas o amor puro, mas o amor passional, a paixão
desenfreada e nociva, a loucura dos sentimentos. Isso fica
evidente no mito de seu adultério com Ares. A lenda traz
uma grande simbologia, o amor e a guerra juntos em um
idílio; a paixão e o ódio; a beleza e a rudeza; Afrodite e
Ares tornaram-se amantes fervorosos e inseparáveis, fa-
zendo a deusa receber o epíteto de Areia e ser feita uma
deusa da guerra em Esparta.[29]
Por outro lado, ela distingue-se muito claramente de Eros,
que o mito atribui-lhe como filho. Eros representa o espí-
rito divino do desejo de procriar e do ato amoroso. Mas
o mundo de Afrodite, como magistralmente captou Wal-
ter Otto, "é de outra ordem, muito mais amplo e rico.
Neste mundo, a ideia da essência e do poder divino não
emana, como no caso de Eros do sujeito desejante, e sim
do amado. Afrodite não é a amante, ela é a beleza e a
graça risonha, que fascina. Nesse caso, o que vem pri-
meiro não é o impulso de possuir, mas sim o encanto da
aparência que leva de forma irresistível à união. O se-
gredo da completude e unidade do mundo de Afrodite re-
side em que na atração não atua um poder demoníaco em
virtude do qual um ser insensível agarra sua presa. O atra-
ente quer entregar-se, o amável se inclina para aquele que
sensibilizou com lânguida franqueza, que o torna ainda
mais irresistível”.[24]

2.2.1 Afrodite Urânia e Afrodite Pandemos

No final do século V a.C., os filósofos passaram a consi-


derar Afrodite como duas deusas distintas, não individua- Afrodite em cima de uma tartaruga, representação comum de
lizando seu culto: Afrodite Urânia, nascida da espuma do Afrodite Urânia. Mármore do século III d.C., Louvre
mar após Cronos castrar seu pai Urano, e Afrodite Pan-
demos (ou Pandemia), a Afrodite comum “de todos os
tão diversos de moças virgens a prostitutas, muitos cultos
povos”, nascida de Zeus e Dione.[30]
diferentes e epítetos foram dados à deusa na Grécia:[25]
Entre os neoplatônicos e, eventualmente, seus intérpre-
tes cristãos, a Afrodite Urânia é vista como uma Afro-
dite celeste, representando o amor de corpo e alma, en-
quanto a Afrodite Pandemos está associada com o amor
puramente físico. A representação da Afrodite Urânia, 2.3 Epítetos de cultos locais
com um pé descansando sobre uma tartaruga, mais tarde
foi tida como a descrição emblemática do amor con-
jugal; a imagem é creditada a Fídias, em uma escul-
tura criselefantina feita para Elis, numa única citação de
Pausânias.[31] 2.4 Vênus
Assim, de acordo com o personagem Pausânias no No período helenístico, a cultura grega dominou a
Banquete de Platão, Afrodite são duas deusas, uma mais Macedônia, a Síria e o Egito. Assim, há uma predomi-
velha a outra mais jovem. A mais velha, Urânia, é a nância das artes e ciências gregas no mundo ocidental.
“celeste” e inspira o amor/Eros homossexual masculino Mais tarde, com a expansão de Roma, cada um dos rei-
(e, mais especificamente, os efebos); a jovem é chamada nos daqueles territórios foi absorvido pela nova potência
Pandemos e dela emana todo o amor às mulheres.[32] Pan-romana. Antes disso, porém, os próprios romanos adota-
demos é a Afrodite comum.[33] ram traços da cultura grega, e mais tarde do helenismo,
Representando muitas visões do amor e tendo adoradores daí a cultura grega ser depois perpetuada pelo Império
5

desejo sexual.[18]
Foram os romanos que fizeram da divindade também uma
deusa militar, além da beleza, do amor, da fertilidade e
da sedução. Na mitologia romana, ela é a mãe divina
de Eneias, o ancestral do fundador de Roma, Rômulo.[35]
Em Roma, ela era venerada em um templo no Capitólio.
Júlio César foi um dos imperadores que adotou Vênus
como sua protetora. Seu mês sagrado era abril, porque
era quando as flores abriam ou floresciam. O Venerália,
sua festa, começou no dia primeiro de abril, e murta e
rosas eram suas flores sagradas.[21]
O monte Érix, na Sicília, foi um local de importante
culto a Vênus no período romano.[21] Pompeia também
foi um importante local de culto a Vênus nesse pe-
ríodo, sendo seu nome oficial Colônia Cornélia Venéria
dos Pompeanos (Colonia Cornelia Veneria Pompeiano-
rum), indicando a importância de Vênus como guardiã
da cidade.[36]
Um culto romano a Vênus foi estabelecido em Cartago,
durante os estágios iniciais da Segunda Guerra Púnica
entre Roma e Cartago.[34] Após a derrota terrível dos
romanos na Batalha do Lago Trasimeno, o oráculo si-
bilino sugeriu que a estátua Ericina (Vênus) que estava
em Erice, ainda em território cartaginês, fosse tomada
de modo a persuadir Erice a mudar sua lealdade de Car-
tago para Roma.[15] Em 217 a.C., os romanos tomaram
Erice e com a cidade capturaram uma imagem da bela
deusa. Como vimos anteriormente no mito da fundação
de Roma, Vênus era uma protetora divina de seu filho
Eneias, por isso a chegada da estátua pode ter sido in-
terpretada uma espécie de regresso a casa. Na Eneida,
Vênus leva Eneias ao Lácio em sua forma celeste, como
a estrela da manhã mais proeminente, brilhando diante
dele no céu amanhecer.[15]
Sexta-feira, que em italiano é venerdì, é o dia da semana
consagrado a Vênus. Venerdì nos vem do latim Morre
Veneris. Vênus também passou a ser identificada com a
deusa germânica Freia (Friijo), portanto, sexta-feira (Fri-
day) em inglês.[15]

3 Mitologia

Nascimento de Vênus, 3.1 Nascimento


de William-Adolphe Bouguereau (1879), no Museu de Orsay
Afrodite, segundo algumas versões de seu mito, teria nas-
cido perto de Pafos, na ilha de Chipre, motivo pelo qual
Romano.[34] Os romanos apropriaram Afrodite para si ela é chamada de “Cípria”, especialmente nas obras poé-
durante a conquista das cidades gregas do sul da Itália ticas de Safo. Seu principal centro de culto era exata-
peninsular, como Pesto, e, em seguida, na Sicília, onde a mente em Pafos, onde haviam sido cultuadas desde o iní-
deusa foi venerada em Siracusa.[15] Vênus pode ter sido a cio da Idade do Ferro as deusas Ishtar e Astarte.[16] Outras
deusa sucessora de uma divindade etrusca em um ponto versões do mito, no entanto, afirmam que a deusa teria
muito cedo na história romana. No entanto, o conceito nascido próximo à ilha de Citera.[37] A ilha era um en-
romano de Vênus e seus mitos são baseados nas obras li- treposto comercial e cultural entre Creta e o Peloponeso,
terárias da mitologia grega em relação a Afrodite.[15] Vê- portanto estas histórias podem ter preservado traços da
nus é um substantivo latino que significa amor sexual ou migração do culto de Afrodite do Levante até a Grécia
6 3 MITOLOGIA

O Nascimento de Vênus,
de Sandro Botticelli, c. 1485, na Galleria degli Uffizi

A Petra Tou Romiou (Pedra de Afrodite), na costa de


Pafos. Local de importante peregrinação na Grécia
Antiga, porque era onde se acreditava que a deusa
nasceu.

continental.[16] 3.2 Personalidade


Na versão mais famosa do seu nascimento narrada por
Hesíodo, ela teria surgido através de uma castração: Afrodite nunca foi criança, sendo constantemente retra-
Cronos teria cortado os órgãos genitais de seu pai Urano tada nascendo já adulta, nua e bela.[24] Nos mitos, é
e os arremessado para dentro no mar. A espuma surgida normalmente apresentada como vaidosa, sedutora, char-
da queda dos genitais na água, que alguns autores identi- mosa, uma amante fervorosa que, quando amava, o fazia
ficaram como sendo esperma, teriam fecundado Tálassa, incondicionalmente. No Hino Homérico de número 6 de-
personificação do mar, e dessa espuma originou-se Afro- dicado a Afrodite, narra que em todo lugar que a deusa
dite e outros seres como as Meliádes e Erínias.[38] Nas pisa com seus pés delicados as flores nascem.[27] Homero
palavras de Hesíodo, “o pênis (...) aí muito boiou na pla- também relata uma Afrodite bastante maternal, chegando
nície, ao redor branca espuma da imortal carne ejaculava- a se sacrificar pelo seu filho Eneias, entrando em combate
se, dela uma virgem criou-se.”[39] Esta virgem se tornou para protegê-lo.[43] Em mitos posteriores, ela passou a
Afrodite, flutuando até as margens sobre uma concha de ser retratada como temperamental e facilmente ofendida,
vieira. Esta imagem, de uma “Vênus erguendo-se das vingando-se e punindo mortais como Psiquê.[44] Embora
águas do mar” (Vênus Anadiômene[40] ), já totalmente seja casada, Afrodite é uma das poucas deusas do panteão
madura, foi uma das representações mais icônicas de que é freqüentemente infiel ao marido.[20]
Afrodite, celebrizada por uma pintura muito admirada de
Apeles, já perdida, porém descrita na História Natural de
Plínio, o Velho.[41] 3.3 Casamento com Hefesto
A versão mais antiga do nascimento de Afrodite, nar-
rada por Homero e outros autores, ela seria filha de Zeus De acordo com uma versão da história de Afrodite, por
e Dione, a deusa das ninfas cujo oráculo situava-se em causa de sua imensa beleza, Zeus teme que os outros deu-
Dodona. A própria Afrodite é por vezes referida como ses passassem a brigar uns com os outros por causa dela.
“Dione”, que parece ter sido uma forma feminina de Para evitar isso, ele a obriga a casar-se com Hefesto, o
“Dios”, o genitivo de Zeus em grego, e poderia apenas sig- deus ferreiro, sem senso de humor e feio.[16] Em outra
nificar “a deusa”, de maneira genérica. A própria Afro- versão da história, Afrodite se casa com Hefesto depois
dite seria então uma equivalente de Reia, a mãe-terra, e que sua mãe, Hera, lança-o do Olimpo, considerando-o
que Homero teria deslocado para o Olimpo. Alguns estu- muito feio e deformado para habitar com os deuses. Ele
diosos levantaram a hipótese de um panteão proto-indo- se vinga prendendo a mãe num trono mágico que cons-
europeu, no qual a principal divindade masculina (Di-) truiu. Em troca de sua libertação, ele pede para ser-lhe
representaria o céu e o trovão, e a principal divindade fe- dada a mão de Afrodite em casamento.[16]
minina (forma feminina de Di-) representaria a terra, ou o Hefesto fica feliz por ser casado com a deusa da beleza e
solo fértil.[19] Depois que o culto a Zeus tomou o lugar do forja para ela belas joias, incluindo o cestus, um cinto de
oráculo situado no bosque de carvalhos em Dodona, al- ouro que faz dela ainda mais irresistível para os homens.
guns poetas o teriam transformado em pai de Afrodite.[42] O descontentamento de Afrodite com seu casamento ar-
3.4 O Julgamento de Páris e a Guerra de Troia 7

seus descendentes presenteando-a com um colar amaldi-


çoado no dia de seu casamento. Harmonia só conseguiu
viver em paz com seu marido, Cadmos, depois que os
deuses a levaram para viver numa ilha isolada. Nas histó-
rias que relatam Afrodite como consorte de Ares, Harmo-
nia foi a única filha nascida durante o casamento de Afro-
dite e Hefesto. Os outros, Eros (ou Anteros), Deimos e
Fobos parecem ter nascido depois.[20]

3.4 O Julgamento de Páris e a Guerra de


Troia

Afrodite e Ares supreendidos por Hefesto, de Alexandre Charles


Guillemot, no Museu de Arte de Indianápolis

Julgamento de Páris ,
ranjado faz com que busque outras companhias masculi-
por Enrique Simonet, 1904, Museu de Málaga.
nas, na maioria das vezes Ares.[43] Com Afrodite no centro acompanhada de Eros. Atena e Hera ao
No conto cantado pelo bardo na sala de Alcino,[45] o deus fundo.
do sol Hélio uma vez espiou Ares e Afrodite amando um
ao outro secretamente na sala de Hefesto, e ele pronta- Ver artigos principais: Julgamento de Páris e Guerra
mente informou o incidente ao cônjuge olímpico de Afro- de Troia
dite. Hefesto conseguiu pegar o casal em flagrante e para
tanto ele fez uma rede especial, fina e resistente como
o diamante para pegar os amantes ilícitos. No momento Afrodite é um dos poucos deuses cujas ações são a maior
apropriado, esta rede foi jogada e encurralou Ares e Afro- causa da Guerra de Troia: ela oferece Helena para Páris
dite em um abraço apaixonado. Mas Hefesto ainda não e é responsável por os dois se tornarem tão apaixonados,
[19]
estava satisfeito com a sua vingança — ele convidou os de modo que Páris acaba raptando Helena. O casa-
deuses e deusas do Olimpo para ver o casal infeliz. Al- mento de Peleu e Tétis foi um grande evento e todos os
guns comentaram a beleza de Afrodite, outros opinaram deuses foram convidados, menos Éris, deusa da discór-
em trocar de lugar ansiosamente com Ares, mas todos dia. Ofendida, lançou um pomo de ouro com a inscrição
zombaram e riram dos dois. Uma vez que o casal foi para a mais bela (kallistei), entre as deusas. Hera, Atena
solto, Ares, embaraçado, fugiu para a sua pátria, Trácia, e Afrodite se consideravam
[46]
as mais belas e disputaram a
e Afrodite, envergonhada, fugiu para Chipre. [nt 1] posse do pomo.
Elas resolveram deixar a decisão com Zeus, que, não que-
rendo privilegiar nenhuma, deixou a decisão com Páris,
3.3.1 Divórcio filho de Príamo, príncipe de Troia. As três deusas se exi-
biram para Páris, mas mesmo assim ele não foi capaz de
A história de Homero na Odisseia sobre o adultério decidir e elas recorreram a subornos. No fim, Páris esco-
de Afrodite parece ter terminado com seu divórcio de lheu Afrodite e recebeu da deusa ajuda para receber sua
Hefesto. De fato, na época da Guerra de Troia, Ho- recompensa por tê-la escolhido: o amor da mais bela das
mero descreve a deusa como consorte de Ares, e a esposa mulheres, Helena, esposa do rei de Esparta, Menelau.[47]
de Hefesto sendo Aglaia.[19] Hefesto não teria aceitado a Páris em um ato imaturo raptou Helena, dando início à
traição da deusa com Ares pacificamente e alguns mitos Guerra de Troia. Na guerra, Afrodite se tornou um dos
relatam o deus perseguindo a filha de Afrodite e Ares, deuses protetores de Troia, juntamente com Ares, Apolo,
Harmonia, que teria sido gerada ainda quando Hefesto e Ártemis e Leto. Ela também se tornou protetora de He-
Afrodite eram casados. Hefesto amaldiçoou Harmonia e lena, Heitor e Páris, salvando a vida deste em um du-
8 3 MITOLOGIA

elo. Na guerra, ela também protegeu seu filho mortal, destacavam. O amor proibido de Páris e Helena garantiu
Eneias, e por causa disso acabou sendo ferida em com- a esta a simpatia da deusa até depois do fim da guerra de
bate. Mesmo com a proteção de Afrodite, depois de 10 Troia; graças a Afrodite, Menelau perdoou Helena pela
anos de guerra entre os aqueus e os troianos, Troia foi traição e eles se reconciliaram.[50] Um dos seus abenço-
vencida e destruída.[43] ados mais famosos foi Pigmaleão, um escultor e rei de
Chipre, que se apaixonou por uma estátua que esculpira
ao tentar reproduzir a mulher ideal. Ele havia decidido
3.5 Guardiã de Roma viver em celibato em Chipre por não concordar com a ati-
tude libertina das mulheres dali, que haviam dado fama
Na destruição de Troia, Afrodite falou para seu fi- à mesma como lugar de cortesãs. Afrodite, apiedando-se
lho Eneias pegar seu pai, sua esposa e ir embora de dele e atendendo a seu pedido, não encontrando na ilha
Troia. Eneas fez como sua mãe disse e viajou, orien- uma mulher que chegasse aos pés da que Pigmaleão es-
tado por Afrodite com o nome romano de Vênus, er- culpira, em beleza e pudor, transformou a estátua numa
rante pelo Mediterrâneo até chegar à península Itálica, mulher de carne e osso, com quem Pigmaleão casou-se
onde seus descendentes construíram Roma. Isto é rela- e, nove meses depois, teve uma filha chamada Pafos, que
tado no poema épico de Virgílio, Eneida, obra máxima deu nome à ilha.[51]
da literatura latina.[48] A partir deste épico romano, Vê-
Além de sua proteção aos amantes e apaixonados, a
nus passou a ser considerada a deusa guardiã de Roma.
deusa protegeu membros da sua família, mesmo os dis-
Um mito relata que, quando Juno (Hera romana) procu-
tantes como sua neta Ino, que ela salvou da ira de Hera
rou abrir as portas de Roma para um exército invasor,
transformando-a em ave. Afrodite também concedeu be-
Vênus procurou frustrar seus planos bloqueando o cami-
leza às Coronides, duas filhas de Órion, depois da morte
nho com as águas.[49]
da mãe delas. De forma semelhante, ela cuidou das fi-
lhas órfãs de Pandareus, um favorito de Deméter que foi
3.6 Protegidos da deusa transformado em pedra após tentar roubar bronze do tem-
plo de Zeus. Suas filhas, Cleodora e Mérope, que ficaram
também órfãs de mãe, foram protegidas por Afrodite, que
cuidou delas e as sustentou. Entretanto, quando Afrodite
foi falar com Zeus para garantir um casamento feliz para
as meninas, elas foram levadas pelas Erínias.[50]

3.6.1 Hipômenes

Atalanta e Hipómenes, por Guido Reni, no Reggia di Capodi-


monte

A corrida de Hipômenes foi vencida por este, com ajuda


de Afrodite. O mito foi narrado por Pseudo-Apolodoro,
Hesíodo e outros. Um príncipe de Onquesto, na Beócia,
Pigmaleão e Galateia, por Ernest Normand (1886), na Galeria chamado Hipômenes, se apaixonou por Atalanta. Ela era
de Arte Atkinson uma caçadora e não gostava da ideia de se casar e que-
ria ficar virgem para ser consagrada a Ártemis. Aborre-
Afrodite, como os demais deuses, apadrinhou alguns per- cido por homens que admiravam a sua beleza enquanto
sonagens na mitologia; essa proteção ocorreu com indi- ela corria pela floresta, disse que quem quisesse se ca-
víduos onde o amor e a beleza - atributos de Afrodite - se sar com ela teria que ganhar uma corrida a pé (sabendo
3.7 Ira da deusa 9

que ela era uma corredora excepcionalmente rápida), mas


com a condição de que aqueles que perdessem seriam pu-
nidos com a morte.[52]
Atalanta bateu todos os pretendentes, exceto Hipômenes,
que a derrotou pela sua astúcia, e não pela velocidade.
Hipômenes sabia que ele não poderia ganhar Atalanta
numa corrida e implorou ajuda a Afrodite, que, como
deusa do amor, não gostava da rejeição de Atalanta ao
sentimento. Então Afrodite lhe deu três maçãs de ouro
sagradas de Tâmaso, Chipre, e de acordo com Ovídio,
do jardim das Hespérides, dizendo para Hipômenes que
as deixasse cair na corrida para distrair Atalanta. De-
pois de largar as duas primeiras maçãs, Atalanta foi capaz Morte de Hipólito, estátua no Museu do Louvre
de pegá-las e continuar a corrida, mas quando a terceira
maçã caiu e Atalanta parou para pegar, ela não conseguiu
recuperar rapidamente e Hipômenes venceu a corrida e, 3.7.1 A morte de Hipólito
com isso, a mão de Atalanta.[52]
Hipólito foi um que ganhou a ira de Afrodite por rejei-
tar o amor. Filho de Teseu e de Hipólita, a rainha das
amazonas, cultuava Ártemis a quem dedicou sua vida e
fez voto de celibato. Hipólito recusou-se a honrar ou fa-
zer ritos a Afrodite, por ela ser a deusa do amor e ele des-
3.7 Ira da deusa prezava o sentimento. Afrodite, com raiva, fez Fedra, se-
gunda esposa de Teseu, apaixonar-se por seu enteado. Fe-
Embora seja considerada a deusa do amor, Afrodite não dra tentou resistir à paixão, lutou contra seu desejo ilícito
foi muito amável com seus adversários, sendo muito vin- e ficou doente. Finalmente, uma criada descobriu a causa
gativa e impiedosa nas suas vinganças. Uma das coisas de sua miséria e falou a Hipólito em favor dela. Ele ficou
comuns que irava a deusa era quando ela privilegiou mor- tão insultado e horrorizado diante da sugestão de ter um
tais e eles não a honraram, como Hipômenes, que não romance com sua madrasta que irrompeu num discurso
teria pagado a Afrodite os devidos tributos por ela tê- longo e alto, que ela pode ouvir. Rejeitada e humilhada,
lo ajudado na corrida. Afrodite teria se vingado levando Fedra suicidou-se deixando uma mensagem a Teseu onde
Hipômenes a ter relações sexuais com Atalanta no tem- acusou falsamente Hipólito de violentá-la. Teseu expul-
plo de Reia, fazendo com que essa deusa transformasse sou o rapaz e invocou a punição de Posídon, que provo-
a dupla em leões. Outro caso famoso foi o de Menelau, cou um acidente com a carruagem de Hipólito. O jovem
príncipe de Micenas e mais tarde rei da Lacedemónia, conduzia seu carro junto ao mar quando, assustados por
que como uma centena de outros pretendentes pediu a um monstro marinho, seus cavalos precipitaram-se pelas
mão de Helena em casamento. Ele prometeu sacrificar rochas causando-lhe a morte. Enquanto Hipólito morria,
a Afrodite cem cabeças de gado se ganhasse o concurso, ouviu-se a voz de Ártemis, que revelou a verdade a Teseu.
[53]
mas após o casamento não honrou sua promessa. A deusa Esta tragédia foi escrita por Eurípedes em 428 a.C.
teria se vingado fazendo Helena se apaixonar por Páris e Segundo Pseudo-Apolodoro, Ártemis matou Adônis por
fugir com ele para Troia.[53] vingança. Nos mitos posteriores, Adônis tinha sido rela-
Outra causa para suas vinganças são retaliações pessoais: cionado como um dos favoritos de Afrodite, que foi res-
para punir o deus Sol, Hélio, por ter advertido Hefesto do ponsável pela morte de Hipólito, que tinha sido um favo-
seu adultério com Ares, ela o fez se apaixonar por Leu- rito de Ártemis. Portanto, Ártemis matou Adônis para
coteia, uma princesa persa, e sem querer provocar sua vingar a morte de Hipólito.[55]
morte. Castigou da mesma maneira a musa Clio, que ha-
via criticado o seu amor por Adônis, fazendo-a apaixonar-
se pelo mortal Pieros.[54] 3.7.2 Perseguição a Psiquê
Como deusa do amor, foi justiceira dos românticos e odi-
ava quando alguém rejeitava o amor. Um caso famoso Ver artigo principal: Psiquê
é o de Narciso, um belo jovem de Fócida, que era bas- Psiquê é a mais famosa de um ciclo de três personagens
tante orgulhoso e insensível. Narciso menosprezava to- da mitologia que ganharam o ódio de Afrodite por serem
das as jovens que se apaixonavam por ele, incluindo uma vangloriados como mais bonitos do que ela. Psiquê foi
ninfa chamada Eco. Afrodite o puniu por sua arrogância, uma princesa mortal cuja enorme beleza fez os homens
fazendo-o se apaixonar pelo seu próprio reflexo. O rapaz abandonarem a adoração a Afrodite para admirá-la, irri-
acabou morrendo olhando para o seu reflexo no lago e foi tando a deusa, que não aceitava que uma simples mortal
transformado pela deusa em uma flor, narciso.[28] merecesse mais adoração do que ela.[44]
10 3 MITOLOGIA

Posteriormente, Mirra ficou grávida e foi descoberta por


Cíniras. Num acesso de raiva, ele perseguiu-a para fora
da casa com uma faca. Mirra fugiu dele, orando aos deu-
ses por misericórdia enquanto corria. Os deuses ouviram
sua súplica e a transformaram em uma árvore de mirra
para que seu pai não pudesse matá-la. Em outra versão
do mito, Afrodite, sentindo-se culpada pelo sofrimento
de Mirra, transformou-a na árvore. Posteriormente, Cí-
niras tirou a própria vida na tentativa de restaurar a honra
da família.[56]

Vênus, Psiquê e Cupido, por Alessandro Varotari, século XVII,


Museu Nacional de Belas Artes

Afrodite ordenou a seu filho Eros que fizesse Psiquê se


apaixonar por um monstro, mas o próprio deus se apai-
xonou por ela e a levou para morar com ele num palácio
em segredo. No entanto, Eros escondeu sua verdadeira
identidade e ordenou-lhe para nunca mais olhar para o
rosto dele. Psiquê acabou sendo enganada por suas irmãs
invejosas e viu o rosto do deus enquanto este dormia, e ele
a abandonou. Em seu desespero, ela procurou ajuda em
todo o mundo por seu amor perdido e acabou parando no
templo de Afrodite. A deusa, vendo que tinha sido enga-
nada pelo filho, ordenou que Psiquê realizasse uma série
de trabalhos difíceis, que culminaram em uma viagem
ao submundo. No final, Afrodite aceitou Psiquê como
nora, quando Eros clamou ajuda a Zeus, que transformou
a garota em imortal. Psiquê e Eros se casaram em uma
cerimônia com a presença dos deuses.[44] Vênus e Adônis, por François Lemoyne
Os outros dois casos de mortais que tiveram sua beleza
vangloriada, irritando Afrodite, foi Aquiles, um filho de Mirra deu à luz um menino chamado Adônis. Afrodite
Zeus e Lâmia, um menino de extraordinária beleza que passou pela árvore de mirra e, vendo-o, teve pena da cri-
desafiou Afrodite para um concurso de beleza. A deusa ança. Ela colocou Adônis em uma caixa e o levou para
foi ofendida por sua arrogância e transformou-o em um o mundo inferior, para que Hades e Perséfone cuidassem
peixe feio.[28] Cencreis, a rainha de Chipre que se gabavaele. Adônis cresceu e se transformou em um jovem extra-
que sua filha Mirra era mais bonita que Afrodite, acabou ordinariamente bonito, e Afrodite acabou se apaixonando
recebendo o ódio da deusa, que deu origem ao mito de por ele. Perséfone, no entanto, não estava disposta a abrir
Adônis.[54] mão dele e desejava que Adônis ficasse com ela no sub-
mundo. As duas deusas começaram a brigar e Zeus foi
forçado a interferir. Ele decretou que Adônis passaria
3.8 Adônis um terço do ano com Afrodite, um terço com Perséfone
e um terço com quem ele quisesse. Adônis, que amava
[56]
Afrodite era para Adônis amante e uma mãe de aluguel. Afrodite, escolheu passar o resto do ano com ela.
Cíniras, o rei de Chipre, teve uma filha muito bela cha- Adônis começou seu ano na Terra com Afrodite. Uma
mada Mirra. A mãe de Mirra, Cencreis, vivia se gabando de suas maiores paixões era a caça, e apesar de Afrodite
que sua filha era mais bonita que Afrodite. Então, Mirra não ser naturalmente uma caçadora, ela praticava o es-
foi punida por Afrodite, que a fez desejar o próprio pai. porte apenas para que pudesse ficar com ele. Eles passa-
Mirra passou a rejeitar seus pretendentes por causa da ram dia e noite juntos e Afrodite estava encantada com o
sua paixão incestuosa pelo pai. Ela confessou sua pai- jovem. No entanto, ela acabou negligenciando seus deve-
xão para sua criada, que disse a Cíniras que uma jovem res como deusa, e para reparar isso foi obrigada a deixar
prostituta desejava se deitar com ele, mas, secretamente, Adônis por um curto período de tempo. Antes de sair,
Mirra se disfarçou de prostituta e dormiu com o pai du- ela deu a Adônis o aviso de não atacar um animal que
rante a noite.[56] não demonstrasse medo. Adônis concordou com o seu
3.9 Relacionamentos e filhos 11

conselho, mas, por duvidar de sua habilidade como caça-


dora, rapidamente esqueceu o aviso.[56]
Não muito tempo depois que Afrodite saiu, Adônis se de-
parou com um enorme javali, muito maior do que qual-
quer outro que ele já havia visto. Em alguns mitos este
javali era o deus Ares, um dos amantes de Afrodite que
estava com ciúmes do amor desta com Adônis. Embora
javalis sejam perigosos quando provocados, Adônis ig-
norou o aviso de Afrodite e perseguiu a criatura gigante.
Logo, porém, Adônis era quem estava sendo perseguido;
ele não era páreo para o javali gigante.[56]
No ataque, Adônis foi castrado pelo javali e morreu de
perda de sangue. Afrodite foi avisada, em algumas ver-
sões, pelo ventos ou pelas ninfas e correu de volta para
Adônis, mas era muito tarde para salvá-lo e ela só pôde
lamentar sobre seu corpo. Onde o sangue de Adônis caiu,
Afrodite fez crescer anêmonas em sua memória. Ela ju-
rou que no aniversário de sua morte, a cada ano, haveria
um festival realizado em sua homenagem.[56]
Em sua morte, Adônis voltou ao submundo e Perséfone
teve o prazer de vê-lo novamente. Posteriormente, Afro-
dite percebeu que ele estava lá e correu para recuperá-lo.
Mais uma vez, ela e Perséfone discutiram sobre quem de-
veria ficar com Adônis e Zeus interveio. Desta vez, ele
disse que Adônis deveria passar seis meses com Afrodite
e seis meses com Perséfone, a forma como deveria ter
sido em primeiro lugar.[56] Vênus (Afrodite) e Amor (Eros), por Theodor Heinrich Bäu-
mer, 1886.
Afrodite era constantemente retratada acompanha de Eros, seu
3.8.1 Simbologia filho mais famoso.

A morte de Adônis, deus oriental da vegetação, do ci-


clo da semente, que morre e ressuscita, daí sua catá- cipal de Afrodite. O seu primeiro amor teria sido Nérites,
base para junto de Perséfone e a consequente anábase um jovem deus do oceano que ela amou ainda quando vi-
em busca de Afrodite, era solenemente comemorada no via no mar. Quando Afrodite saiu do oceano e foi viver
Ocidente e no Oriente. Na Grécia da época helenís- no Olimpo, ela voltou ao mar para buscar Nerites para
tica, deitava-se Adônis morto num leito de prata, co- que ele vivesse com ela. Entretanto, o deus se recusou
berto de púrpura. As oferendas sagradas eram frutas, a ir com Afrodite. Ela, com raiva e traída, transformou
rosas, anêmonas, perfumes e folhagens, apresentados em Nerites em um molusco.[58]
cestas de prata. As mulheres gritavam, soluçavam e Zeus teria tentando seduzir a deusa assim que ela saiu do
descabelavam-se. No dia seguinte, atiravam-no ao mar mar no Chipre. Porém, esta, assustada com os avanços do
com todas as oferendas. Ecoavam cantos alegres, uma deus do Olimpo, saiu correndo. Mais tarde, teria se en-
vez que Adônis, com as chuvas da próxima estação, de- tregado a Zeus de livre e espontânea vontade, ganhando
veria ressuscitar.[57] o ódio eterno de Hera, sua esposa;[59] Esta, quando soube
Foi exatamente para perpetuar a memória de seu grande que Afrodite estava grávida de Zeus, maldosamente co-
amor oriental que Afrodite instituiu na Síria uma festa locou a mão em sua barriga fazendo o seu filho nascer
fúnebre, que as mulheres celebravam anualmente, na en- deformado. Esta criança viria ser o deus Priapo. Porém,
trada da primavera. Para simbolizar “o tão pouco” que outros mitos dizem que Priapo é filho de Dionísio ou de
viveu Adônis, plantavam-se mudas de roseiras em vasos Adônis.[60]
e caixotes e regavam-nas com água morna, para que cres- Outros amores divinos incluem Hefesto, que foi seu ma-
cessem mais depressa.[57] rido, Dionísio, com quem teve um curto caso e o filho
Iaco.[61] Hermes, encantado pela sua beleza apaixonou-se
por Afrodite mas ela o rejeitou. Ele ficou extremamente
3.9 Relacionamentos e filhos triste e Zeus, com pena dele, fez com que uma águia le-
vasse os chinelos de Afrodite enquanto ela banhava-se no
Os mitos mais importantes da deusa, como Ares e rio Achelous. A águia os levou até Hermes, e Afrodite,
Adônis, giram em torno do amor, que era o atributo prin- na busca pelos chinelos, chegou até ele e o amou e depois
12 4 CULTO

teve Hermafrodito. No caso de Posídon, foi ela que ficou lea Pafos referem-se a ela simplesmente como Wanassa
encantada e agradecida por ele não ter rido dela e de Ares(“a senhora”).[73] O templo de Afrodite estava em uma
quando Hefesto pegou os dois juntos e ainda o convenceu colina a cerca de dois quilômetros para o interior, com
a soltá-los. Com Posídon teve Rode e Herófile.[62][63] vista para o mar. A cidade de Palea logo surgiu ao redor
Seu principal consorte e romance mais longo foi Ares, do templo. Seus símbolos incluem a murta, o golfinho,[16]o
sendo desde a Ilíada retratada como companheira dele. pombo, o cisne, a rosa, a romã, limeira, pérolas e joias.
Tiveram sete filhos: Fobos, Deimos, Harmonia e os Seu festival principal era chamado de Afrodisia e era ce-
Erotes: Eros, Anteros, Himeros e Fotos,[64][65] embora lebrado por toda a Grécia. O festival ocorria durante o
a maioria dos mitos retratem Afrodite gerando Eros mês de Hekatombaion, que reconhecemos como a par-
sozinha.[66] tir da terceira semana de junho à terceira semana de ju-
Entre seus amores mortais, o mais famoso foi Adônis, lho no calendário gregoriano. Fontes textuais mencio-
que era tido como seu grande amor e com quem teve nam explicitamente o festival em Corinto e em Atenas,
Golgos e Béroe, que deu nome à capital do Líbano.[67] onde as muitas prostitutas que residiam na cidade co-
Anquises, príncipe de Troia, foi outro amor famoso, e al- memoram o festival [72]
como um meio de adorar a sua
gumas versões do mito dizem que Afrodite se apaixonou deusa padroeira. No templo de Afrodite no cume da
por ele como punição de Zeus por ela ter feito os deu- Acrópole de Corinto (antes da destruição romana da ci-
ses se apaixonarem por mulheres mortais. Com Anquises dade em 146 a.C.), ter relações sexuais com suas sacer-
teve Eneias e Liros, e logo depois do nascimento dos fi- dotisas foi considerado um método de adoração a Afro-
lhos, sua paixão por Anquises sumiu, embora continuasse dite. Esse ritual é conhecido como prostituição sagrada, e
a protegê-lo e aos seus filhos. [68] as sacerdotisas usavam o dinheiro arrecadado para man-
ter os templos de Afrodite.[74] O templo na Acrópole de
Entre outros amores mortais menos famosos está Corinto não foi reconstruído quando a cidade foi resta-
Faetonte, um senhor de Atenas que se tornou guarda belecida sob o domínio romano em 44 a.C., mas os ritu-
de seu templo, a quem ela amou e com quem teve ais de fertilidade provavelmente continuaram na princi-
Astínoo.[69] Butes, um dos Argonautas, foi salvo por pal cidade perto da ágora.[75] O eufemismo em grego é
Afrodite, que o levou para uma ilha isolada onde fizeram hieródula (hierodoule), “escravo sagrado”. A prática era
amor; ela teve Erix com ele.[70] Há ainda uma daimon, uma parte inerente dos rituais devidos aos antepassados
Peito, que personificava o desejo, uma companheira cons- de Afrodite no Oriente, a sumeriana Inanna e acadiana
tante de Afrodite, e que era vista em uns mitos como filha Ishtar, em cujo templo as sacerdotisas eram as “mulheres
da deusa. Entretanto, os autores desse mito não dizem de Ishtar”, ishtaritum.[57]
quem seria o pai de Peito com Afrodite.[71]
A prática foi documentada na Babilônia, Síria e Palestina,
nas cidades fenícias e nos centros de culto a Afrodite na
Grécia, em Chipre, Citera, Corinto e na Sicília;[57] a prá-
4 Culto tica, porém, não é atestada em Atenas. Por causa da pros-
tituição sagrada, Afrodite era vista em toda parte como
a deusa padroeira da cortesã. Houve um caso de um no-
bre que ganhou um jogo nas Olimpíadas e, como forma
de agradecer a Afrodite por tê-lo ajudado, doou para seu
templo mais de cem prostitutas.[76]
A poetisa Safo, uma das mais famosas da Grécia Antiga
e supostamente lésbica, geralmente se referia a Afrodite
como sua deusa protetora, o que fez alguns autores verem
que Afrodite também poderia ser vista como padroeira
das lésbicas.[77] Mas isso é algo difícil de determinar, por-
que existem poucos relatos na sociedade grega de homos-
sexualidade feminina, que era relegada à obscuridade,
diferentemente da homossexualidade masculina.[78] No
caso dos homens homossexuais, Afrodite era provavel-
mente vista como sua padroeira: seus filhos Erotes,
Ruínas do Templo de Afrodite, em Afrodisias na Turquia eram símbolos do homoerotismo e protegiam o amor
homossexual;[66] e Platão cita Afrodite Urânia como
[32]
O centro do culto de Afrodite foi Chipre. Afrodite era sendo a deusa do amor divino e do amor homossexual.
adorada na maioria das cidades de Chipre, bem como Durante os festivais de primavera dedicados a Afrodite
em Citera, Esparta, Tebas, Delos e Elis, e seu templo e Adônis, procissões separadas de homens e mulheres
mais antigo estava em Pafos.[72] Homero se refere à deusa caminhavam ao longo da Via Sacra de Nova Pafos para
como o Cípria no século VIII a.C. e ela foi chamada de o santuário de Afrodite em Velha Pafos, onde havia jo-
Páfia no século VI a.C. Inscrições no seu santuário em Pa-
4.2 Culto moderno a Afrodite 13

gos e concursos de música e poesia. Esta tradição sobre- vertido numa basílica pelos bizantinos. A cidade se recu-
vive (exceto a prostituição) no moderno festival de pri- sou inicialmente, mas cedeu e foi abandonada no século
mavera, Antistíria (Anthistiria), que é especialmente po- XIV. Hoje é um sítio arqueológico cheio de edifícios no-
pular em Ctíma Pafos. O santuário de Afrodite em Ve- táveis, incluindo o estádio de atletismo, que é dito como
lha Pafos continuou a florescer na época romana. Vários sendo provavelmente o mais bem preservado do seu tipo
imperadores romanos honraram-no, tendo sido visitado no Mediterrâneo.[79]
por Tito em 69 d.C., quando o futuro imperador estava
em seu caminho para o Egito. Ele consultou o oráculo
de Afrodite, que afirmou que ele teria um grande futuro.
O santuário foi reconstruído pelos romanos após o terre- 4.2 Culto moderno a Afrodite
moto de 76 ou 77 d.C., em um projeto que preservou a
arquitetura oriental do original. O culto de Afrodite so-
breviveu em Velha Pafos até o século IV, quando o impe- Mais informações: Dodecateísmo e neopaganismo
rador Teodósio (r. 378–395) proibiu o paganismo. Não
se sabe quando o culto de Afrodite foi suprimido ou se a Como uma das deusas do Olimpo, ela é uma deidade
população local resistiu à proibição.[73] importante, e o culto de Afrodite (ou Aphroditi) como
uma deusa viva é uma das devoções mais proeminentes
no helenismo moderno.[80] Os helenistas revivem as prá-
4.1 Afrodísias ticas religiosas da Grécia Antiga nos dias de hoje.[81]
A adoração a Afrodite, hoje, difere das práticas devo-
cionais dos gregos antigos em várias maneiras. Entre
os helênicos modernos, a visão de Afrodite como uma
deusa da fertilidade e do desejo, em grande medida deu
lugar a uma visão mais suave dela como deusa do amor e
da paixão.[82] Coisas como prostituição ritual são pensa-
dos como, na melhor das hipóteses, completamente ana-
crônicas. Em vez disso, os devotos helenistas modernos
fazem oferendas para ela e invocam o seu nome e suas
bênçãos para relacionamentos amorosos, inclusive sexu-
almente monógamos. Aqui, as convicções éticas de helê-
nicos modernos são inspirados por virtudes gregas antigas
de auto-controle e moderação.[83]
Helênicos na atualidade celebram a sua devoção religiosa
a Afrodite durante três dias principais de festa. Afro-
dísia é o seu principal dia de festa e é celebrado com
o calendário Ático no dia 4 de Hécatombéon, caindo no
calendário gregoriano entre os meses de julho e agosto,
dependendo do ano. Adônia, um festival conjunto de
Afrodite e seu parceiro Adônis, é comemorado na pri-
O tetrápilo, portal monumental da cidade. meira lua cheia após o equinócio da primavera no hemis-
fério norte, frequentemente na mesma semana em que
Ver artigo principal: Afrodísias é celebrada a Páscoa cristã. O quarto dia de cada mês
é considerado um dia sagrado para Afrodite e seu filho
Eros.[83]
Afrodísias era uma pequena cidade na Cária, agora parte
da Turquia. Localizada perto de uma pedreira de már- Oferendas para Afrodite para fins devocionais podem
more, Afrodísias tornou-se um centro de produção de es- incluir incenso, frutas (especialmente maçãs e romãs),
culturas na época helênica e romana. A escola de escul- flores, rosas perfumadas, vinho doce do deserto (par-
turas da cidade era popular, e muitas estátuas foram en- ticularmente o vinho Commandaria de Chipre) e bo-
contradas intactas na região da ágora. O ponto focal da los feitos com mel.[84] Na Wicca, Afrodite também é
cidade, como o nome sugere, era um enorme Templo de adorada como deusa do amor e personificação da deusa
Afrodite, enriquecido com muitas esculturas, sarcófagos mãe.[85][86]
e pedras que ilustravam passagens mitológicas. Entre as
esculturas notáveis, está uma estátua micênica de uma
deusa da fertilidade que foi identificada como sendo uma
antecessora de Afrodite, ou a própria Afrodite, adorada
na região.[79] Poucos aspectos do edifício original do tem- 5 Iconografia
plo sobrevivem, pois posteriormente o templo foi con-
14 5 ICONOGRAFIA

Afrodite, em afresco de Pompeia, c. ano 1 d.C.

5.1 Antiguidade

"[...] Quando a arte, no ciclo de Afrodite, deixou para trás • Afrodite de Cnido, de
as pedras grosseiras e os ídolos informes do culto primitivo, Praxíteles, cópia do século IV a.C.
a ideia de uma deusa cujo poder se estende por toda parte
e à qual ninguém pode resistir, animou as suas criações;
gostava-se de a representar sentada num trono, segurando
nas mãos os sinais simbólicos de uma natureza repleta de
mocidade e esplendor, de uma luxuriante abundância; a
deusa estava inteiramente envolta nas dobras das suas ves-
tes (a túnica mal lhe deixava à mostra uma parte do seio
esquerdo) que se distinguiam pela elegância, pois precisa-
mente nas imagens de Vênus, a graça rebuscada das vestes
e dos movimentos parecia pertencer ao caráter da deusa.
Nas obras saídas da escola de Fídias, ou produzidas sob
a influência dessa escola, a arte representa em Afrodite o
princípio feminino e a união dos sexos em toda a sua san-
tidade e grandeza. Vê-se ali, antes, uma união durável
formada com o fito do bem geral, e não uma aproxima-
ção efêmera que deve terminar com os prazeres sensuais
que ele proporciona. A nova arte ática foi a primeira que
tratou do tema de Afrodite com um entusiasmo puramente
sensual, e que divinizou, nas representações figuradas da
deusa, já não mais apenas um poder ao qual o mundo
inteiro obedecia, mas antes a individualidade da beleza
feminina.
Como Vênus ou Afrodite, a deusa do amor foi frequen-
temente interpretada por artistas diferentes em épocas
distintas. Poucas pinturas da Grécia e Roma Antiga so-
breviveram. Nas existentes atualmente que retratam a
deusa, ela está representada deitada sobre uma simples
concha como o retrato acima, de Pompeia.[15] Nas mo-
edas, ela foi retratada normalmente em carruagens pu-
xadas pelos tritões e pelas tritônidas, enquanto numero-
sos baixos-relevos de esculturas a apresentam seguida de
hipocampos ou centauros marinhos.[87]

• Vênus de
Milo, no Museu do Louvre
• Estátuas
5.2 Renascimento e Idade Contemporânea 15

Afrodite de Milo, foi a maior representação feminina da


Antiguidade.[90]
Uma cidade conhecida pelo retrato da deusa foi Pompeia.
Quando Pompeia foi anexada por Sula ao Império Ro-
mano, no ano de 80 a.C., ela passou a chamar-se Colonia
Cornelia Veneria Pompeianorum, indicando a importân-
cia de Vênus como protetora da cidade. Tal fato explica a
enorme quantidade de pinturas, esculturas e grafites espa-
lhados pela região. Um dos mais famosos desses retratos
é da deusa acompanhada de Marte (Ares), como Namoro
de Marte e Vênus, datado do primeiro quarto do século I
d.C.[36]
A Vênus Genetrix mostra Afrodite em seu aspecto mãe:
vestida, trazendo um dos seios descobertos, por ser a nu-
triz universal. A estátua romana de aproximadamente 48
a.C. foi uma homenagem da dinastia júlio-claudiana para
a deusa, uma vez que seu ancestral Júlio César dizia ser
• Vênus de Médici, século I descendente de Vênus.[91]
Mas em termos de fama, nenhuma supera a
Vênus/Afrodite de Milo, descoberta no século XIX
em Milos, e que causou controvérsias e fascínio. A
A Afrodite de Cnido feita por Praxíteles, que representa
fortuna da estátua entre o grande público e os estudiosos
a deusa depois do nascimento, é uma das esculturas mais
tem sido excepcionalmente favorável, comparável à da
famosas da Antiguidade, e sua fama já era grande na-
Mona Lisa,[92] e a ausência dos seus braços continua
quela época, dizia Plínio: “De todas as partes da terra,
sendo apontada como um dos fatores principais do
navega-se em direção a Cnido, para contemplar a estátua
fascínio que exerce.[93] Segundo a Oxford Companion to
de Afrodite.”[76] A estátua causou fascínio e assombro.
the Body, é possivelmente a estátua mais celebrada na
Nos períodos arcaico e clássico da história grega, não se
história do nu artístico[94] e a estátua mais conhecida da
tinha o hábito de representar Afrodite no instante em que
deusa.
sai da espuma do mar, ou seja, inteiramente nua. Assim,
a obra de Praxíteles foi considerada novidade, e a pró-
pria deusa testemunha, pela boca de um antigo autor, o
espanto por se ver assim desprovida de vestes. “Mostrei-
me a Páris, Anquises e Adônis, é verdade; mas onde foi
que Praxíteles me viu?".[76] O rei Nicomedes ofereceu
5.2 Renascimento e Idade Contemporânea
aos cnidianos, em troca da estátua, a totalidade das dí-
vidas deles, que eram importantes. Recusaram a oferta
e com razão, dizia Plínio, pois a obra-prima constituía o
esplendor da cidade. Uma multidão de escritores da an-
tiguidade legou sinais da admiração que lhes inspirava a
obra-prima para a qual se fizera a seguinte inscrição: “Ao
verem a Afrodite de Cnido, Atenas e Hera disseram uma
à outra: Não acusemos mais Páris.”[88]
Se tão amplamente nos estendemos sobre a Afrodite de
Cnido é porque essa obra-prima que tanto assombrou a
antiguidade, e que não mais existe, serviu de modelo à
maior parte das Afrodites nuas das quais tantas repro-
duções nos deparamos nos museus. A partir do fim do
período clássico, após a Afrodite de Cnido, a deusa pas-
sou a ser mostrada com formas voluptuosas, nua ou su-
mariamente vestida, em poses nitidamente provocantes.
Nas pinturas de vasos, no entanto, quase sempre aparecia A Primavera, de Sandro Botticelli, 1482, na Galleria degli Uffizi
vestida.[21]
Outra famosa é a Vênus de Médici, uma cópia de
mármore do século I, feita de uma estátua de bronze mais Com o fim da Idade Média e redescobrimento da mitolo-
antiga no estilo da Afrodite de Cnido, executada por um gia grega no Renascimento, Afrodite voltou a ser comu-
escultor da tradição praxiteliana.[89] Até o surgimento da mente representada em pinturas.[76]
16 5 ICONOGRAFIA

suplica e sujeita-se à humilhação por um beijo de Adônis.


O clima de sensualidade criado pela bela vista da Vênus
vista da parte traseira (inspirada por uma escultura ro-
mana) mal distrai o espectador a partir do fim trágico do
conto.[95] Ticiano voltou ao estúdio para a composição,
variando-o muitas vezes de meados da década de 1540
até o final de sua vida. Esta versão foi pintada no final de
sua carreira e mostra o talento do artista.[96]
Vênus e Adônis, Ticiano
(1560) Outro pintor da Renascença que retratou a deusa foi
Paolo Veronese, com seus ciclos narrativos elaborados,
executados em um estilo dramático e colorido, cheio de
majestosos cenários arquitetônicos e brilhante pompa.
Como Ticiano, em Vênus, Marte e o Amor com o ca-
valo, ele representa a deusa com o cabelo majestoso, e
como é comum nas pinturas, nua, e acompanhada de Eros
(Amor/Cupido).[76]
Nos séculos seguintes, os pintores franceses, e notada-
mente François Boucher, viram no nascimento de Vênus
um tema infinitamente gracioso e útil à decoração. O nas-
cimento de Vênus, na escola francesa, era sempre repre-
Vênus, Marte e Amor com o sentado com uma multidão de pequenos cupidos pairando
cavalo, Paolo Veronese (1575) nos ares ou escoltando a deusa. Aliás, os pintores france-
ses seguiram, nesse ponto, as tradições bebidas da Itália.
Boucher retratou Afrodite muitas vezes, sendo seus qua-
dros mais famosos: A Visita de Vênus a Vulcano, Triunfo
de Vênus e Vênus Consolando Amor.[76]
Peter Paul Rubens, pintor barroco que também represen-
tou Vênus, notadamente, pintou uma festa da deusa em
Citera. Ninfas, sátiros e faunos dançam em torno da sua
estátua, enquanto os Erotes entrelaçam guirlandas de flo-
res e enchem os ares de alegres cadências. Ao fundo,
mostrou o pintor o templo da deusa.[76]
Uma representação comum de Afrodite pelos pintores foi
Vênus Consolando Amor, com ela olhando ao espelho, já que o espelho é tido como
François Boucher (1751) o símbolo da deusa. Diego Velázquez, pintor do barroco,
fez um quadro notável desse tipo, intitulado Vênus ao es-
Sandro Botticelli, um famoso pintor italiano da época do pelho (1647-51), que faz um retrato mundano da deusa.
Renascimento, resolveu ressaltar a presença de Afrodite Não a retrata loura, como era comum, e sim morena; e a
em suas telas. Seus quadros mais famosos são O Nasci- figura não é tratada como uma deusa, mas simplesmente
mento de Vênus, A Primavera e Vênus e Marte, todos eles como uma mulher comum.[97] Peter Paul Rubens, em seu
tendo a deusa como tema central. No Renascimento, o Vênus do espelho (1614-15), mostra a deusa com o seu
principal foco dos pintores eram temáticas relacionadas à cabelo tradicionalmente louro. Em contraste com a bela
Bíblia. No entanto, Botticelli resolveu quebrar um pouco e arredondada forma ideal de Rubens, Velázquez pintou
esse enfoque cristão, pintando quadros cheios de símbo- uma figura feminina mais delgada.[98]
los pagãos. É claro que, como todos os outros artistas re- Outra notável pintura da deusa ao espelho é a de Ticiano:
nascentistas, Botticelli também pintou telas com alguns Vênus com um espelho (1555), uma das mais antigas re-
temas bíblicos; mas foram os seus quadros de Afrodite presentações da deusa no banho, acompanhada de seu
que deram a ele a fama de ser considerado um dos me- filho Eros (Cupido).Giorgione foi um pintor renascen-
lhores pintores do Renascimento. No centro do quadro A tista que, séculos antes de Velászquez, fugiu do comum
Primavera, vemos Afrodite com a mão direita levemente e retratou Vênus morena em Vênus Adormecida (1510),
erguida, como se estivesse abençoando a chegada da pri- que por sua vez inspirou a Vênus de Urbino (1538) de
mavera. Ela está ali para avivar os campos e iniciar uma Ticiano.[76]
nova estação do ano ao semear flores e beleza.[76]
No Renascimento, outro pintor famoso que retratou a
deusa foi Ticiano, sendo o quadro mais famoso Vênus e
Adônis, de 1560, que mostra Afrodite desesperada. Ela
5.2 Renascimento e Idade Contemporânea 17

Ingres, pintor neoclassicista, inspirado pela Vênus de Mé-


dici, pintou um dos seus mais famosos quadros, Vênus
Anadiômene de 1848, que retrata o nascimento da deusa.
A pintura está na galeria abaixo, juntamente com dois ou-
tros quadros famosos do neoclassicismo e do romantismo,
que retratam o nascimento de Vênus.[99]

• Vênus ao espe- • Vênus no neoclassicismo


lho, de Velázquez, 1647-51

• Vênus do espelho, de Rubens,


1614-15

• Vênus Anadiômene, por


Dominique Ingres, 1848

• Vênus com um espelho de


Ticiano, c. 1555


O Nascimento de Venus, por Alexandre Cabanel, 1863

• A Vênus
Adormecida, de Giorgione, 1510

• Vênus de Urbino,
de Ticiano, 1538 • O Nascimento de Venus,
por William-Adolphe Bouguereau, 1879

No neoclassicismo, acreditava-se em um modelo ideal de


beleza, herdado da antiguidade clássica - a Beleza era um Afrodite foi continuamente retratada por artistas de todo
dom da Grécia e da humanidade. Nesse contexto, Apolo o mundo, sendo um dos mitos mais representados. Se-
e Afrodite representavam esta beleza ideal. Dominique gundo alguns autores,[100] o motivo das muitas represen-
18 6 LEGADO DO MITO

tações de Afrodite/Vênus é “porque nas pinturas de Afro- família Veneridae


dite sentimos a força de uma deusa fascinante, certamente
porque é a senhora do amor, e em nosso imaginário, não
há nada mais belo. Mas antes de tudo, ela é a deusa da Afrodite, assim como os outros deuses da mitologia
beleza, e não há nada mais apaixonante do que a imagem grega, exerceu influência permanente na cultura:
do belo”.
• Ao segundo planeta do sistema solar foi dado o nome
de Vênus pelos romanos, que identificavam a estrela
6 Legado do mito como sendo a deusa.[15]

• O Símbolo de Vênus é usado na biologia, astronomia


e alquimia: um círculo com uma pequena cruz em
baixo.[101] Suas origens remontam a espelhos usa-
dos desde a antiguidade para representar o espelho
da deusa. É o símbolo do cobre na alquimia, do
sexo feminino na biologia, do planeta Vênus e da
feminilidade.[101]
• O planeta Vênus • Houve muitos selos estampados com imagens de
Afrodite. Notavelmente, ela apareceu num selo
francês durante três décadas. No selo, ela está acom-
panhada dos filhos Erotes, e o desenho foi feito pelo
pintor francês Paul-Joseph Blanc, para ser usado na
França entre 1900-1930.[102]

• Operação Afrodite foi um codinome para um sé-


rie de experimentos secretos com drones feitos
pela Força Aérea do Exército dos EUA durante a
• O símbolo de Vênus
Segunda Guerra Mundial.[103]

• Vênus é um gênero de amêijoas pequenas ou gran-


des que vivem em água salgada, pertencem à família
Veneridae e à ordem Veneroida, todos os nomes em
homenagem à deusa dados pelos biólogos H. Adams
e A. Adams em 1856.[104]

• O 1388 Aphrodite é um asteroide da cintura prin-


cipal descoberto em 24 de setembro de 1935 por
• Selo de Blanc, com Afrodite e os Eugène Delporte, que o batizou com o nome da
Erotes deusa.[105]

• Aphrodite Glacier é uma geleira de 15 milhas náuti-


cas (28 km) localizada na Antártica; seu nome foi
dado pelo comitê UK Antarctic Place-Names para
homenagear a deusa.[106]

• Aphrodite Fritillary ou Speyeria aphrodite é uma es-


pécie de borboleta da América do Norte nomeada
a partir da deusa por Johan Christian Fabricius em
• Drone da Operação 1787.[107]
Afrodite
• Os Lusíadas, obra poética do escritor Luís Vaz de
Camões que conta a história de Portugal, apresenta
Vênus como deusa padroeira dos portugueses.[108]

6.1 Cultura popular


• Há uma participação da deusa na série de livros
Percy Jackson e os Olimpianos do autor Rick Rior-
• Venus declivis da dan, Afrodite aparece em algumas passagens e tem
19

como filhas Drew Tanaka e Piper McLean, a qual é [10] Hubert Grimme, «Hethitisches im griechischen Worts-
fruto de um romance com Tristan McLean.[109] chatze» (em alemão), Glotta: Zeitschrift für griechische
und lateinische Sprache, n.º 14, 1925, p. 18.
• Em Xena: Warrior Princess, ela foi uma persona-
gem recorrente interpretada por Alexandra Tydings, [11] Martha T. Roth, org., Chicago Assyrian Dictionary (em
que servia de alivio cômico e aliada inusitada de inglês), vol. 2, Oriental Institute of the University of Chi-
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chungen», Glotta: Zeitschrift für griechische und lateinis-
of War, aparecendo no primeiro e terceiro título da che Sprache, n.º 11, 1921, p. 215-6.
série. No primeiro jogo ela dá a Kratos, o protago-
nista, uma das tarefas que ele tem que passar, derro- [13] «Ἀφροδίτη», Etymologicum magnum “Grande Enciclo-
tar Medusa.[111] No terceiro jogo ela oferece conse- pédia”, Constantinopla, cerca de 1150 DC.
lhos a ele sobre o arquiteto de Dédalo, e após seduzi-
[14] Dicionário de Mitologia Grega e Romana, Mário da Gama
lo volta ao seu ex-marido (Hefesto). Ela é o único
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125. 0-8018-5642-6
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10 Fontes dos textos e imagens, contribuidores e licenças


10.1 Texto
• Afrodite Fonte: [Link] Contribuidores: Robbot, Plataformista, Manuel Anastácio, Rui
Malheiro, Juntas, LeonardoRob0t, Sr X, Pedrassani, Ligia, PortugalSuperGay, Nuno Tavares, Get It, NTBot, RobotQuistnix, Rei-artur,
Loge, João Carvalho, André Koehne, Brunoaugusto, OS2Warp, Lampiao, Adailton, Zwobot, Lijealso, YurikBot, Chronos Phaenon, Poran-
tim, Gpvos, Bonás, FlaBot, Luís Felipe Braga, Mosca, MalafayaBot, Chlewbot, Dantadd, DIEGO RICARDO PEREIRA, MarioM, Xandi,
LijeBot, NMaia, Jo Lorib, João Sousa, Psycrow, Thijs!bot, Rei-bot, GRS73, Escarbot, Jordan Hansel, Daimore, JAnDbot, Delemon, Bis-
bis, Albmont, Barão de Itararé, CommonsDelinker, Brandizzi, Khayte Profeta, Stego, Der kenner, TXiKiBoT, Gunnex, Rodrigo Tetsuo
Argenton, Jesielt, SieBot, Francisco Leandro, Dcoetzee, Synthebot, Lechatjaune, Rautopia, Bluedenim, Mossipedrarrosada, Cléééston, Te-
les, Vini 175, BotMultichill, Papel, Zdtrlik, GOE, Tetraktys, Gerakibot, Leandro Drudo, Feh Matos, Pedrofly, Kim richard, RafaAzevedo,
Arley, RadiX, Pedro Noronha e Costa, SilvonenBot, !Silent, Vitor Mazuco, Renandeontem, Ricshark, Numbo3-bot, Luckas-bot, Bush do
bem, Eamaral, Luiz F. Fritz, Leosls, Vanthorn, Salebot, Kcnp, Jackiestud, RamissesBot, NobelBot, Xqbot, GhalyBot, JotaCartas, Almabot,
César Aquino Bezerra, Darwinius, RibotBOT, BenzolBot, Angelinacausse, Mi ra la, RedBot, [Link], Tuga1143, TobeBot, Stegop, Mar-
cos Elias de Oliveira Júnior, Claudio Pistilli, HVL, Alonso de Mendoza, Sergueidias, TjBot, Viniciusmc, Dbastro, Aleph Bot, EmausBot,
ZéroBot, Claudio M Souza, Renato de carvalho ferreira, ChuispastonBot, Stuckkey, WikitanvirBot, Marukusu7777, CocuBot, Victor do
Carmo, MerlIwBot, L'editeur, Matheus20112011, Antero de Quintal, Épico, AvocatoBot, J. A. S. Ferreira, Shgür Datsügen, Zoldyick,
Gabriel bacci, Bya97, Aladin 98, Laczkowski, Torvalu4, FrancisAkio, Leon saudanha, Pedrohoneto, Hume42, Steinsplitter, DanielTom,
Önni, Legobot, Hafspajen, Jack oliveira, [Link], Izahias, Vicwriter31, Athena in Wonderland, DeepThor, Rodrigolopesbot, Mary
Eleanor de Normandy, Tiitanium, Bau098, Nakinn, O revolucionário aliado, 99339141f, Mbassis, Luanatrambaioli, Livia Merets, Vitor
Manoel9134, WVSHInfinitus, Mr. Fulano, Adonicus, JuliapossamaideB, NanaGod, Akenhotari e Anónimo: 288

10.2 Imagens
• Ficheiro:15e44_Venus,[Link] Fonte: [Link] Li-
cença: CC-BY-SA-3.0 Contribuidores: Teleskop C8, 80fach +Nikon f=10, 5ms Artista original: Geof
• Ficheiro:1848_Jean-Auguste-Dominique_Ingres_-_Venus_Anadyomè[Link] Fonte: [Link]
commons/e/e3/1848_Jean-Auguste-Dominique_Ingres_-_Venus_Anadyom%C3%[Link] Licença: Public domain Contribuidores:
Desconhecido Artista original: Jean-Auguste Dominique Ingres
• Ficheiro:1863_Alexandre_Cabanel_-_The_Birth_of_Venus.jpg Fonte: [Link]
1863_Alexandre_Cabanel_-_The_Birth_of_Venus.jpg Licença: Public domain Contribuidores: [Link]
[Link]?aid=5 Artista original: Alexandre Cabanel
• Ficheiro:[Link] Fonte: [Link] Licença: Public domain Contribuidores: ? Ar-
tista original: ?
• Ficheiro:Afrodisias_408.jpg Fonte: [Link] Licença: CC BY-SA
3.0 Contribuidores: Obra do próprio Artista original: Viault
• Ficheiro:Afrodite_appoggiata,_copia_del_II_sec_da_orig._greco_del_V_ac._6396.JPG Fonte: [Link]
wikipedia/commons/b/b6/Afrodite_appoggiata%2C_copia_del_II_sec_da_orig._greco_del_V_ac._6396.JPG Licença: CC BY 3.0
Contribuidores: Obra do próprio Artista original: Sailko
• Ficheiro:Afrodite_di_capua,_copia_romana_da_orig._greco_ellenistico_della_310-200_ac_ca.,_6017,_03.JPG Fonte:
[Link]
310-200_ac_ca.%2C_6017%2C_03.JPG Licença: CC BY 3.0 Contribuidores: Obra do próprio Artista original: Sailko
• Ficheiro:Alessandro_Varotari_-_Vênus,_Psiquê_e_Cupido.jpg Fonte: [Link]
Alessandro_Varotari_-_V%C3%AAnus%2C_Psiqu%C3%AA_e_Cupido.jpg Licença: Public domain Contribuidores: Acervo de Obras
de Arte Europeia em Coleções Brasileiras (Plus Ultra): info; image Artista original: Alessandro Varotari
• Ficheiro:Aphrodite_a_la_tortue.JPG Fonte: [Link] Li-
cença: CC BY-SA 3.0 Contribuidores: Obra do próprio Artista original: Chatsam
• Ficheiro:Aphrodite_und_Adonis_-_Altar_2.jpg Fonte: [Link]
und_Adonis_-_Altar_2.jpg Licença: CC BY-SA 3.0 Contribuidores: own work by Wolfgang Sauber Artista original: Des-
conhecido<a href='[Link] title='wikidata:Q4233718'><img alt='wikidata:Q4233718'
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height='11' srcset='[Link] 1.5x,
[Link] 2x' data-file-width='1050'
data-file-height='590' /></a>
• Ficheiro:[Link] Fonte: [Link] Licença:
Public domain Contribuidores: United States Army Air Force Artista original: USAAF Via [Link]
membersonly/nov03/features/lookma/[Link]
• Ficheiro:[Link] Fonte: [Link] Licença: Pu-
blic domain Contribuidores: [Link]
331460/ Artista original: Sandro Botticelli
• Ficheiro:Bouguereau_venus_detail.jpg Fonte: [Link]
Licença: Public domain Contribuidores: Art Renewal Center – description Artista original: William-Adolphe Bouguereau
• Ficheiro:Cnidus_Aphrodite_Altemps_01.JPG Fonte: [Link]
Altemps_01.JPG Licença: CC BY-SA 3.0 Contribuidores: ? Artista original: ?
10.2 Imagens 23

• Ficheiro:[Link] Fonte: [Link] Licença: Public domain


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slightly warped.) Artista original: SVG version was created by User:Grunt and cleaned up by 3247, based on the earlier PNG version,
created by Reidab.
• Ficheiro:Death_Hippolytus_Lemoyne_Louvre_MR2026.jpg Fonte: [Link]
Hippolytus_Lemoyne_Louvre_MR2026.jpg Licença: Public domain Contribuidores: Marie-Lan Nguyen (2011) Artista original: Jean-
Baptiste Lemoyne the Elder
• Ficheiro:[Link] Fonte: [Link] Licença:
CC-BY-SA-3.0 Contribuidores: Obra do próprio Artista original: User:Kolossos
• Ficheiro:Enrique_Simonet_-_El_Juicio_de_Paris_-_1904.jpg Fonte: [Link]
Enrique_Simonet_-_El_Juicio_de_Paris_-_1904.jpg Licença: Public domain Contribuidores: Webpage Image Artista original: Enrique
Simonet
• Ficheiro:Giorgione_-_Sleeping_Venus_-_Google_Art_Project_2.jpg Fonte: [Link]
86/Giorgione_-_Sleeping_Venus_-_Google_Art_Project_2.jpg Licença: Public domain Contribuidores: Google Art Project: Home – pic
Maximum resolution. Artista original: Giorgione
• Ficheiro:Guido_Reni_-_Atalanta_e_Ippomene_(Napoli).jpg Fonte: [Link]
Reni_-_Atalanta_e_Ippomene_%28Napoli%[Link] Licença: Public domain Contribuidores: The Yorck Project: 10.000 Meisterwerke der
Malerei. DVD-ROM, 2002. ISBN 3936122202. Distributed by DIRECTMEDIA Publishing GmbH. Artista original: Guido Reni
• Ficheiro:Guillemot,_Alexandre_Charles_-_Mars_and_Venus_Surprised_by_Vulcan_-_Google_Art_Project.jpg Fonte:
[Link]
Vulcan_-_Google_Art_Project.jpg Licença: Public domain Contribuidores: NgFVL6Vteg3K6Q at Google Cultural Institute maximum
zoom level Artista original: Guillemot, Alexandre Charles (1786 - 1831) – Artist (French)
Details of artist on Google Art Project
• Ficheiro:MG-Paris-Aphrodite_of_Milos.jpg Fonte: [Link]
of_Milos.jpg Licença: CC BY-SA 3.0 Contribuidores: Obra do próprio Artista original: Mattgirling
• Ficheiro:Magnifying_glass_01.svg Fonte: [Link] Licença:
CC0 Contribuidores: ? Artista original: ?
• Ficheiro:NAMA_Aphrodite_Syracuse.jpg Fonte: [Link]
[Link] Licença: CC BY 2.5 Contribuidores: Marsyas (2006) Artista original: English: Copy after Praxiteles
• Ficheiro:Paolo_Veronese_011.jpg Fonte: [Link] Licença:
Public domain Contribuidores: The Yorck Project: 10.000 Meisterwerke der Malerei. DVD-ROM, 2002. ISBN 3936122202. Distributed
by DIRECTMEDIA Publishing GmbH. Artista original: Paolo Veronese
• Ficheiro:Peter_Paul_Rubens_-_The_toilet_of_Venus.jpg Fonte: [Link]
Paul_Rubens_-_The_toilet_of_Venus.jpg Licença: Public domain Contribuidores: The Yorck Project: 10.000 Meisterwerke der Malerei.
DVD-ROM, 2002. ISBN 3936122202. Distributed by DIRECTMEDIA Publishing GmbH. Artista original: Peter Paul Rubens
• Ficheiro:Petra_Tou_Romiou_00669.jpg Fonte: [Link]
jpg Licença: CC BY-SA 3.0 Contribuidores: Obra do próprio Artista original: Anna Anichkova
• Ficheiro:Pink_venus_symbol.svg Fonte: [Link] Licença: Pu-
blic domain Contribuidores: File:Venus_symbol.svg Artista original: ?
• Ficheiro:Pygmalion_and_Galatea_(Normand).jpg Fonte: [Link]
Galatea_%28Normand%[Link] Licença: Public domain Contribuidores: [Link] Artista ori-
ginal: Ernest Normand
• Ficheiro:Roaring_Pegasus.jpg Fonte: [Link] Licença: CC BY-
SA 3.0 Contribuidores: Obra do próprio
• Dessiné à la tablette numérique en juin 2008 avec le logiciel the GIMP à Paris, France
• Made with the GIMP in Paris, France.
Artista original: Tsaag Valren
• Ficheiro:Sandro_Botticelli_-_La_nascita_di_Venere_-_Google_Art_Project_-_edited.jpg Fonte: [Link]
wikipedia/commons/0/0b/Sandro_Botticelli_-_La_nascita_di_Venere_-_Google_Art_Project_-_edited.jpg Licença: Public domain Con-
tribuidores: Adjusted levels from File:Sandro Botticelli - La nascita di Venere - Google Art [Link], originally from Google Art Project.
Compression Photoshop level 9. Artista original: Sandro Botticelli
• Ficheiro:Tetrapilón_-_Afrodisias_-_02.jpg Fonte: [Link]
Afrodisias_-_02.jpg Licença: CC BY-SA 3.0 Contribuidores: Obra do próprio Artista original: Carlos Delgado
• Ficheiro:The_Birth_of_Venus_by_William-Adolphe_Bouguereau_(1879).jpg Fonte: [Link]
commons/f/f9/The_Birth_of_Venus_by_William-Adolphe_Bouguereau_%281879%[Link] Licença: Public domain Contribuidores:
musee-orsay Artista original: William-Adolphe Bouguereau
• Ficheiro:Titian_Venus_Mirror_(furs).jpg Fonte: [Link]
%28furs%[Link] Licença: Public domain Contribuidores: Desconhecido Artista original: Ticiano
• Ficheiro:Tizian_102.jpg Fonte: [Link] Licença: Public domain Contri-
buidores: The Yorck Project: 10.000 Meisterwerke der Malerei. DVD-ROM, 2002. ISBN 3936122202. Distributed by DIRECTMEDIA
Publishing GmbH. Artista original: Ticiano
• Ficheiro:Type_blanc.jpg Fonte: [Link] Licença: Public domain Con-
tribuidores: Obra do próprio Artista original: Paul-Joseph Blanc (1846-1904), scanné par Yann
24 10 FONTES DOS TEXTOS E IMAGENS, CONTRIBUIDORES E LICENÇAS

• Ficheiro:[Link] Fonte: [Link] Licença: Public


domain Contribuidores: [Link] Artista original: Diego Velázquez
• Ficheiro:Venus_Consoling_Love,_François_Boucher,_1751.jpg Fonte: [Link]
Venus_Consoling_Love%2C_Fran%C3%A7ois_Boucher%2C_1751.jpg Licença: Public domain Contribuidores: National Gallery of Art
Artista original: François Boucher
• Ficheiro:Venus_and_Adonis._Francois_Lemoyne.jpg Fonte: [Link]
and_Adonis._Francois_Lemoyne.jpg Licença: Public domain Contribuidores: [Link]
[Link] Artista original: François Lemoyne
• Ficheiro:Venus_and_Adonis_by_Titian.jpg Fonte: [Link]
[Link] Licença: Public domain Contribuidores: [2] Artista original: Ticiano
• Ficheiro:Venus_de_Medici.png Fonte: [Link] Licença: CC
BY-SA 3.0 Contribuidores: Obra do próprio Artista original: Wai Laam Lo
• Ficheiro:Venus_declivis_003.jpg Fonte: [Link] Licença: Pu-
blic domain Contribuidores: [Link] Artista original: Jan Delsing

10.3 Licença
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