1
Introdução Teórica sobre Trabalho e Energia
Para entender o movimento de corpos e a realização de tarefas físicas, é fundamental
compreender os conceitos de trabalho e energia. Esses conceitos são essenciais na física
e se aplicam a uma vasta gama de fenômenos, desde o movimento de planetas até o
funcionamento de máquinas cotidianas.
Conceito de Trabalho
O trabalho é definido como a energia transferida para ou de um objeto por meio da
aplicação de uma força que atua sobre ele. Quando uma força é aplicada a um corpo e
este se desloca, o trabalho é realizado. Matematicamente, o trabalho W é dado pela
fórmula:
𝑊= ∙𝑑
Onde representa o produto escalar entre os vetores F e d
O trabalho é uma medida da quantidade de energia transferida para o corpo sobre o
qual a força atua. Sua unidade no Sistema Internacional (SI) é o joule (J).
Energia:
Energia é a capacidade de um sistema de realizar trabalho. Existem vários tipos de
energia, incluindo energia cinética, energia potencial, energia térmica, entre outras.
Aqui, focaremos nas duas principais formas relacionadas ao trabalho:
Energia Cinética: A energia cinética Eₖ de um objeto em movimento é
dada por:
𝐸ₖ= 𝑚𝑣2
Onde m é a massa do objeto e v é sua velocidade.
Energia Potencial: A energia potencial é a energia associada à posição de um
objeto. Para um objeto a uma altura ℎ acima da superfície da Terra, a energia
potencial gravitacional 𝐸𝑝 é dada por:
𝐸𝑝 = 𝑚𝑔𝑦
Onde 𝒈 é a aceleração devida à gravidade.
Relação entre Trabalho e Energia:
De acordo com o princípio da conservação de energia, a energia total de um sistema
isolado permanece constante. Portanto, o trabalho realizado sobre um objeto altera
sua energia cinética ou potencial. A relação pode ser descrita pelo teorema do
trabalho-energia cinético:
W=Δ𝐸ₖ
Onde Δ𝐸ₖ é a variação da energia cinética do objeto devido ao trabalho W realizado
sobre ele.
2
Da mesma forma, o trabalho realizado por uma força conservativa (como a
gravitacional) sobre um objeto é igual à variação de sua energia potencial:
W = −Δ𝐸𝑝
Aplicações e Importância:
O conceito de trabalho e energia é fundamental em muitas áreas da física e
engenharia, incluindo dinâmica de movimento, mecânica dos fluidos, eletricidade e
magnetismo, e muitas outras disciplinas. Ele fornece uma maneira de quantificar
como as forças afetam o movimento e a posição dos objetos no espaço.
Nesse experimento observou-se o trabalho realizado pelo cavalete, e a energia cinética
utilizada durante a realização desse trabalho.
𝑊= ∙ 𝑑 = 𝑑𝑐𝑜𝑠𝜃
Quando a força é variável, o valor do trabalho realizado pela força num corpo que
efectua um deslocamento ∆ , escreve-se como o integral
𝑊𝑎𝑏 = ∫𝑎𝑏 ∙𝑑 = ∫𝑎𝑏 𝑐𝑜𝑠𝜃𝑑 (2)
onde 𝜃 é o ângulo entre a força = ( ) e o deslocamento 𝑑 .
1. Teorema do Trabalho-Energia
A energia é um conceito presente em todo processo físico que ocorre na natureza. A
energia de um sistema é uma medida de sua habilidade de realizar trabalho, e que pode
ser transferida ou transformada em outros tipos de energia.
O caso mais simples, o de uma força constante aplicada a um corpo, produzirá uma
aceleração constante. O trabalho realizado pela força pode ser calculado, a partir da
expressão 𝑊 = 𝑥, onde resulta
𝑊 = 𝑚𝑣2 − 12 𝑚𝑣02
A energia cinética é a energia associada ao movimento do corpo
2
1 (3)
𝐸𝑐 = 2 𝑚𝑣
Representa a capacidade de o corpo realizar trabalho devido ao seu movimento.
Enuncia-se a seguir o teorema do Trabalho-Energia,
𝑊 = ∆𝐸𝑐 (4)
O trabalho efectuado pela força resultante sobre uma partícula é igual à variação
produzida na sua energia cinética.
3
Conservação da Energia Mecânica
As forças aplicadas no corpo classificam-se em dois tipos, forças conservativas e forças
não conservativas. A força gravítica e a força elástica são exemplo de forças
conservativas e a força de atrito é um tipo de força não conservativa. Para as forças
conservativas a capacidade de o corpo realizar trabalho conserva-se, enquanto que para
forças não conservativas essa capacidade não se mantém. Na equação (4),
𝑊 𝐶 + 𝑊 𝑛𝐶 = ∆𝐸𝑐 (5)
O trabalho realizado pela força gravítica ao longo de qualquer trajectória é
𝑊 𝑔 = 𝑚𝑔ℎ (6)
Na presença só de forças conservativas, o conceito de energia potencial 𝐸𝑝 representa
uma forma de energia armazenada, que pode ser completamente recuperada. Num
sistema isolado, a soma das energias cinética e potencial define-se como a energia
mecânica. A energia potencial identifica-se como,
𝐸𝑝 = 𝑚𝑔𝑦 (7)
A lei de conservação da energia mecânica escreve-se como,
∆𝐸𝑚𝑒𝑐 = ∆(𝐸𝑝 + 𝐸𝑐) = 0 (8)
e relaciona a energia mecânica final com a energia mecânica inicial do sistema. Quando
estão envolvidas forças não conservativas dissipativas, a força de atrito pode-se
relacionar a variação da energia mecânica com essa força de atrito,
𝑊𝑒𝑥𝑡 = ∆𝐸𝑠𝑖𝑠𝑡 = ∆𝐸𝑚𝑒𝑐 + ∆𝐸𝑡é 𝑚 (9)
A variação da energia térmica corresponde à energia dissipada pelo atrito, onde.
𝑓𝑐𝑠 = 𝜇𝑐 𝑁𝑠 (10)
Se não há trabalho externo realizado sobre o sistema, o trabalho da força de atrito é
igual à variação da energia mecânica do sistema,
−𝑓𝑐𝑠 = ∆𝐸𝑚𝑒𝑐 (11)
Para um corpo que desce ao longo de uma rampa parte da sua energia potencial é
convertida em energia cinética e parte é transformada em energia térmica, esta última é
devida à força de atrito entre as superfícies em contacto.
4
OBJETIVOS
1. Conceito de Energia e Conservação da Energia Mecânica:
o Explicar os fundamentos da energia cinética, potencial e a conservação
da energia mecânica.
2. Influência da Massa do Corpo na Energia:
o Demonstrar como a massa afeta a energia cinética e potencial de um
corpo.
3. Determinação da Velocidade de outra Posição:
o Utilizar a conservação de energia para calcular a velocidade de um corpo
em diferentes posições.
4. Influência do Atrito na Energia:
o Analisar o impacto do atrito na dissipação de energia e na redução da
energia mecânica total.
5. Determinação do Coeficiente de Atrito:
o Calcular o coeficiente de atrito entre superfícies para entender sua
contribuição no comportamento do sistema.
Com esses objetivos, busca-se uma compreensão abrangente e prática dos conceitos de
energia, suas transformações, e os fatores que influenciam seu comportamento em
sistemas físicos.
3. Material e Métodos
Material
1. Computador: Utilizado para acessar e manipular o laboratório virtual.
2. Laboratório Virtual PhET Interactive Simulations: Energia na Pista de
Skate:
o PhET Interactive Simulations: Energy Skate Park
Métodos
1. Acessar o Laboratório Virtual:
o Entre no site PhET Interactive Simulations: Energy Skate Park.
2. Configurações Iniciais:
Modo de Simulação:
5
Configure a simulação para "lento".
Figura 1 Laboratorio virtual PhET Interactive
Ajuste de Parâmetros:
Gravidade: Ajuste a gravidade conforme os dados fornecidos pelo docente.
Massa: Configure a massa da patinadora de acordo com os valores
especificados.
Atrito: Ajuste o coeficiente de atrito conforme as especificações do
experimento.
Realização da Experiência:
o Manipule o laboratório virtual para observar o trabalho realizado e a
energia cinética envolvida.
o Controle as medições e visualize os valores da Energia Cinética (𝐸𝑐),
Energia Potencial (𝐸𝑃), Energia Térmica (Eₜ), e Energia Total (𝐸𝑚).
o Utilize os controles para visualizar gráficos setoriais, rapidez, e a opção de
"Manter na Pista".
o Selecione diferentes tipos de pistas para a patinadora.
o Ajuste os controles de atrito, gravidade, e massa.
o Use o cronômetro e a fita métrica para medições precisas.
o Utilize os controles de play, pause, e modos de movimento (normal e
lento).
Ferramentas de Medição:
o Use o cronômetro para medir tempos de descida e outros eventos
relevantes.
6
o Utilize a fita métrica disponível na simulação para medições precisas de
altura e deslocamento.
Registro de Dados:
Registre os valores obtidos para energia potencial, cinética, térmica e total para
cada configuração de massa e atrito.
Anote as velocidades calculadas e observadas para cada configuração.
RESULTADOS E DISCUSSÃO
Resultados
Tabela 1. Influência da massa no valor da energia.
𝑀𝑎𝑠𝑠𝑎 𝑃𝑜𝑛𝑡𝑜 𝐴𝑙𝑡𝑢 𝑎 𝐸𝑃(𝐽) 𝑣𝑚𝑒𝑑 ⁄𝑠) 𝐸𝑐𝑖𝑛(𝐽) 𝐸𝑚(𝐽) 𝑣𝑐𝑎𝑙𝑐(𝑚⁄𝑠)
𝑚(𝑘𝑔) 𝑦(𝑚)) (𝑚
40
A 6 2,352 0,0 0 2,352 2.352
B 4 1,568 5,8 116 117,568
117.568
C 2 784 8,6 172 216 216
D 0 0 10,1 216 216 216
E 6 2,352 0,1 2 9,352 9.352
60
A 6 3,528 0,0 0 3,528 3.528
B 4 2,352 5,8 174 176,352
176.352
C 2 1,276 8,5 255 256,176
256.176
D 0 0 10,7 321 321 321
E 6 3,528 0,3 9 12,528 12.528
80
A 6 4,704 0,0 0 4,704 4.704
B 4 3,136 5,9 236 239,136
239.136
C 2 1,568 8,7 348 349,568 349.568
D 0 0 10,7 428 428 428
E 6 4,704 0,2 8 12,704 1270
Discussão:
1. Influência da Massa:
o Conforme a massa da patinadora aumenta, a energia potencial (𝐸𝑃)
também aumenta, pois a 𝐸𝑃 é diretamente proporcional à massa (𝐸𝑝 =
𝑚𝑔𝑦).
7
o A energia cinética (𝐸𝑐), por sua vez, aumenta com a velocidade média
(𝑣𝑚𝑒𝑑), indicando que quanto maior a massa, maior a velocidade e,
consequentemente, a energia cinética.
o A energia mecânica (Em) se mantém constante em um sistema ideal,
como observado nos casos onde não há dissipação de energia (casos A, B
e C para 40, 60 e 80 kg, respectivamente).
o A velocidade final (vcalf) aumenta com a massa, demonstrando a
influência direta da massa na velocidade final do movimento.
2. Variação da Energia:
o Observa-se que a variação da energia cinética (Δ𝐸𝑐) é diretamente
proporcional à variação da energia potencial (Δ𝐸𝑃) para cada caso, o que
é consistente com o teorema da conservação da energia.
Tabela 2. Influência do atrito no valor da energia.
𝑚𝑎𝑠𝑠𝑎 𝐴𝑙𝑡𝑢 𝑎 𝐸𝑃(𝐽) 𝑣𝑚𝑒𝑑(𝑚⁄𝑠) 𝐸𝑐𝑖𝑛(𝐽) 𝐸𝑚(𝐽) 𝑊𝑓𝑐(𝐽) 𝑓𝑐(𝑁)
𝑦(𝑚)
60 kg
𝜇𝑐 6 3,528 0 0 3,528 0 0
= 𝑁𝑒𝑛ℎ𝑢𝑚 0 0 10,8 324 324 0 0
𝜇𝑐 6 3,528 0 0 3,528 0 0
= 𝑀é𝑑𝑖𝑜 0 0 9,7 291 291 33 -
𝜇𝑐 = 6 3,528 0 0 3,528 0 0
𝐺 𝑎𝑛𝑑𝑒 0 0 8,9 267 267 57 -
Discussão:
1. Influência do Atrito:
o Com o aumento do coeficiente de atrito, a energia cinética (E𝑐) diminui,
enquanto a energia mecânica (𝐸𝑚) permanece constante.
o O trabalho realizado pela força de atrito (𝑊𝑓𝑐t) é igual à variação da
energia mecânica do sistema, mostrando como a energia é dissipada na
forma de calor devido ao atrito.
o A energia térmica (Eₜ) gerada pelo atrito é diretamente proporcional ao
trabalho realizado pela força de atrito, conforme a relação 𝑊𝑓𝑐t = Δ𝐸𝑚.
2. Conservação de Energia:
o Em sistemas ideais (sem atrito), a energia mecânica (𝐸𝑚) se mantém
constante.
8
o Com a presença de atrito, parte da energia mecânica é convertida em
energia térmica (Eₜ), conforme demonstrado pelos valores de 𝑊𝑓𝑐 t e 𝑓𝑐t.
9
CONCLUSÃO
Este experimento utilizou o laboratório virtual PhET Energy Skate Park para investigar
a influência da massa e do atrito na energia mecânica de um sistema físico simulado. Os
resultados obtidos foram consistentes com os princípios teóricos da conservação de
energia, proporcionando uma compreensão clara das relações entre as variáveis
estudadas.
Influência da Massa na Energia Mecânica
A partir dos resultados da Tabela 1, foi observado que:
Energia Potencial e Cinética: A energia potencial aumenta com a altura e a
massa da patinadora, enquanto a energia cinética aumenta com a velocidade
média do movimento.
Conservação da Energia Mecânica: A energia mecânica total (Em) se manteve
constante em um sistema ideal, onde não há dissipação de energia (casos A, B e
C). Isso confirma o princípio da conservação de energia mecânica.
Influência do Atrito na Energia Mecânica
A partir dos resultados da Tabela 2, foi observado que:
Dissipação de Energia: Com o aumento do coeficiente de atrito, a energia
mecânica foi dissipada na forma de calor (energia térmica), resultando em uma
redução da energia cinética.
Trabalho do Atrito: O trabalho realizado pela força de atrito foi igual à
variação da energia mecânica do sistema, demonstrando como a energia é
convertida em calor devido ao atrito.
Considerações Finais
Este experimento proporcionou uma visão clara sobre a aplicação dos princípios
teóricos de energia mecânica e conservação de energia em um contexto prático. Os
resultados obtidos são consistentes com as expectativas teóricas e ajudam a reforçar a
compreensão sobre como diferentes variáveis afetam o movimento e a energia de um
sistema físico.
Sugestões para Experimentos Futuros
Para estudos futuros, sugere-se:
Investigar a influência de diferentes configurações de pista e tipos de atrito na
dissipação de energia.
Explorar como outras variáveis como a inclinação da pista, podem afetar a
energia mecânica do sistema.
Comparar os resultados teóricos com os experimentais para validar os princípios
de conservação de energia.
10
REFERENCIAS BIBLIGRAFICAS
Serway, R. A., & Jewett, J. W. (2014). Principles of Physics: A Calculus-
Based Text (5th ed.). Cengage Learning.
Halliday, D., Resnick, R., & Walker, J. (2014). Fundamentals of Physics
(10th ed.). Wiley.
PhET Interactive Simulations. (s.d.). Energy Skate Park. Retrieved from
[Link]
Young, H. D., & Freedman, R. A. (2012). University Physics with Modern
Physics (13th ed.). Addison-Wesley.
Knight, R. D. (2016). Physics for Scientists and Engineers: A Strategic
Approach (4th ed.). Pearson.
Tipler, P. A., & Mosca, G. (2008). Physics for Scientists and Engineers with
Modern Physics (6th ed.). W. H. Freeman.
Giancoli, D. C. (2008). Physics: Principles with Applications (6th ed.).
Pearson Education.
Thornton, S. T., & Marion, J. B. (2004). Classical Dynamics of Particles and
Systems (5th ed.). Thomson Brooks/Cole.