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Relação entre História e Literatura

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1

DISCENTE: PEDRO RANGEL FERREIRA SILVA

1) Os anos 80 - sobretudo- se destacam como um ano de debate e de convergência entre os


historiadores e os literatos sobre a relação entre História e Literatura - são a mesma coisa? ou
diferentes? pode a história ser escrita na estética literária? a Literatura pode servir como fonte
histórica?-. Desse modo, alguns historiadores se debruçaram sobre essa temática e
encontraram esse ponto de convergência. O autor Durval Muniz, desnuda esse véu em relação
nessa temática e ele nos explica que o Estruturalismo e a Virada Linguística trouxeram a
narrativa e a linguagem para o debate das humanidades e dessa forma foi se criando um
debate como os historiadores escrevem, utilizam a linguagem e de que forma narram e
constroem suas narrativas temporais
Os debates acalorados, surgidos a partir dos anos
1960,em torno do “retorno da narrativa” para o
campo da história, trouxeram à baila diferentes
percepções e perspectivas de que lugar cada um
desses campos ocuparia na epistemologia.1

Desse modo, Michel de Certeau e Hyden White estão no meio desse entrave das Ciências
Sociais, que defendem que os historiadores estejam atrelados ao realismo e a veracidade dos
fatos e que deviam se separar da Literatura, pois a História tem um compromisso com a
verdade, porém, partindo dessa premissa vem questionamentos de que “ Por que os
historiadores temem a Literatura?” “ Qual o sentido de se separar da Literatura?”. Nesse
modo, Lacan diz que: “ o real é o que não é passível de simbolização, é o que escapa da rede
protetora que os sujeitos tecem com os símbolos em sua relação com o mundo.” e esse real é
justamente a vida crua e na teoria lacaniana tem três fundamentos o Imaginário, o Simbólico
e o Real - o Imaginário se baseia nas imagens e fantasias, o Simbólico no falante da
linguagem- e ambos se correspondem entre si como forma de se relacionar com o real e o
filósofo Deleuze e o psicanalista Guattari vão tratar de outros fundamentos como: desejo,
como processo de produção de universos psicossociais e o primeiro movimento se baseia na
fluxos intensivos de forças e matérias de expressão, o segundo aquela que faz a passagem do
informe ao formado e o terceiro em que as formas se estabilizam.
E esses movimentos se relacionam com o discurso historiográfico e o literário fazem parte
do Simbólico e da Linha de Simulação, ou seja, aquilo que afronta o real e dando uma forma
consistente e regularidade aos significados. Então, a História -como discurso- fica com “um

1
ALBUQUERQUE JÚNIOR, Durval Muniz de. História e literatura: uma questão de
gênero?In:______.História: a arte de inventar o passado. Ensaios de teoria da história. Bauru: EDUSC, 2007.
2

pé atrás” de enfrentar a realidade tal qual ela é, pois é turbulenta e segundo Foucault “apenas
as artes e a Literatura vieram se alojar, na modernidade” , ou seja, se ajusta ao mundo com
todas as suas deformidades A História surge como discurso no período Grécia antiga, no A
História nasce, assim, tendo a relação entre a verdade e a visão. E a História toma para si a
função de criar identidades e a Literatura como um molde de subjetividade, mas a história
pode se diferenciar no gênero discursivo no qual a História fala em nome da consciência e da
razão e a Literatura fala em nome das paixões e dos sentidos.2
Partindo desse pressuposto, Durval nos insere no início do debate sobre História e
Literatura, e a professora Teresinha Queiroz discute além dessa relação de história e literatura
de como se pode unir e utilizar ambas, pois é perceptível a vasta conjuntos de fontes que
podem ser utilizados pois uma fonte literária é uma forma de visão de uma determinada
época e, assim, por exemplo como a poesia que nos permite ter um olhar amplo sobre as
vivências, as experiências utópicas e anseios e a Literatura não se prende apenas nos livros.
mas nos monumento das cidades através das disputas intelectuais sobre projetos políticos
diferentes, e dessa forma, percebe-se que as fontes que um historiador utiliza cabe a ele
questionar, analisar e investigar os matérias que ele dispõe e saber o limite de cada fonte e
não apenas renegá lo3.
Nesse viés, corrobora com o professor Antônio Celso que o uso das fontes literárias é uma
forma de compressão do mundo cultural, dos valores da sociedade e é importante destacar
que não cabe a um historiador o juízo de valor se tal obra literária é boa ou não, mas sim
fazer uma interpretação de que porque em dada época tal obra teve uma recepção do público
e o historiador deve se atentar nas formas das obras literárias e o que levou se constituir de tal
forma - pois cada gênero literário é fruto do tempo que foi escrito- e não tentar encaixar e
enquadrar a obra literária em um gênero, mas fazer uma percepção de entender os papéis que
cumprem dada as condições de cada época 4

É importante que a investigação historiográfica de uma fonte


literária, como de qualquer outra fonte utilizada pelo
historiador, parta de um problema de pesquisa. Ou seja, o

2
ALBUQUERQUE JÚNIOR, Durval Muniz de. História e literatura: uma questão de
gênero?In:______.História: a arte de inventar o passado. Ensaios de teoria da história. Bauru: EDUSC, 2007.
3
QUEIROZ, Teresinha de Jesus Mesquita. História e literatura. In: ______. Do singular ao plural. Recife:
Bagaço, 2006.
4
FERREIRA, Antônio Celso. Literatura: a fonte fecunda. In: PINKY, Carla Bassanezi; LUCA, Tânia Regina de
(Org.). O historiador e suas fontes. São Paulo: Contexto, 2009.
3

estabelecimento de perguntas uma época que a literatura, os


literatos e os circuitos intelectuais podem ajudar a responder.5

2)O texto "O texto histórico como artefatos literários" de Hayden White discute a natureza da
escrita histórica, explorando como os historiadores constroem narrativas e interpretam
eventos passados. White argumenta que a historiografia não é meramente uma apresentação
objetiva de fatos, mas sim uma construção influenciada por elementos literários, como
estruturas narrativas, metáforas e linguagem. Ele enfatiza que os historiadores selecionam e
organizam os eventos de maneira semelhante aos escritores de ficção, o que implica que a
história é uma forma de representação interpretativa e não apenas uma reprodução objetiva
do passado.6
Nesse sentido, fazendo um paralelo Lloyd Kramer,, aborda em seu texto "Literatura,
Crítica e Imaginação Histórica" ​a interseção entre a literatura e a construção da narrativa
histórica. Kramer explora como a literatura desafia e complementa a disciplina histórica ao
oferecer uma visão imaginativa e interpretativa dos acontecimentos do passado. O autor
destaca a importância da literatura como uma fonte valiosa para entender não apenas os fatos
históricos, mas também os sentimentos, valores e mentalidades das pessoas em diferentes
períodos. Ele analisa como os escritores usam a imaginação histórica para reconstruir e
reinterpretar o passado, fornecendo insights e perspectivas que podem ser tão relevantes
quanto às análises históricas tradicionais. Kramer examina o papel da crítica literária na
compreensão dessa imaginação histórica, explorando como diferentes abordagens críticas
influenciam a interpretação das obras literárias que se baseiam em eventos históricos. Ele
ressalta a importância de considerar não apenas os fatos históricos registrados, mas também
as representações fictícias e suas relações complexas com a verdade histórica.
Ao longo do seu trabalho, Kramer ilustra seu argumento com exemplos de obras literárias
que utilizam a imaginação histórica para recriar contextos passados ​e oferece reflexões sobre
como os escritores constroem narrativas que dialogam com o passado de maneira criativa,
por vezes desafiando concepções pré-estabelecidas. Em suma o autor destaca a relevância
dessa interação entre literatura crítica e imaginação para uma compreensão mais profunda e
multidimensional do passado incentivando uma abordagem complementar e enriquecedora à

5
FERREIRA, Antônio Celso. Literatura: a fonte fecunda. In: PINKY, Carla Bassanezi; LUCA, Tânia Regina de
(Org.). O historiador e suas fontes. São Paulo: Contexto, 2009.
6
WHITE, Hayden. O texto histórico como artefato literário. In: ______. Trópicos do discurso:ensaios sobre a
crítica da cultura. São Paulo: EDUSP, 2014.
4

disciplina histórica que vai além da mera exposição factual para abraçar as nuances emoções
e interpretações que a literatura pode oferecer.7
Nesse sentido, o texto "A História entre a Narrativa e o Conhecimento" , de Roger
Chartier, investiga a relação entre narrativa e conhecimento na prática histórica. Chartier
discute a importância da narrativa na construção do conhecimento histórico, argumentando
que a narrativa não é apenas uma forma de apresentar fatos, mas também uma ferramenta
fundamental na produção de significados históricos. Ele explora como os historiadores
constroem narrativas a partir de evidências e interpretações, criando uma representação coesa
do passado. O autor analisa a complexidade da narrativa histórica, destacando que ela não se
limita a uma simples descrição cronológica de eventos, mas sim incorpora escolhas
interpretativas, estruturas narrativas e linguagem específica para criar um relato histórico
consistente e persuasivo. Além disso, Chartier discute a relação entre narrativa e verdade na
história, questionando a ideia de uma verdade objetiva e imparcial. Ele explora como
diferentes narrativas históricas podem coexistir e como a interpretação dos eventos passados
​pode variar conforme o contexto cultural, social e individual.
No cerne do texto, o autor busca evidenciar que a narrativa histórica é uma construção
complexa e dinâmica, influenciada por múltiplos fatores, incluindo a subjetividade do
historiador, as fontes disponíveis e as expectativas do público. Ele defende a importância da
natureza narrativa da história e sua capacidade de oferecer interpretações significativas do
passado, desafiando a noção de uma história puramente objetiva e factual.8
Fazendo a amarração daquilo que foi debatido nos textos trago o texto de Edwar de
Alencar Castelo Branco e Fábio Leonardo Brito em Por uma escrita bailarina da história é de
suma importância entender esse desfecho pois é necessário termos em mente que o trabalho
de historiador perpassa o conceito dos oitocentistas positivistas - como uma disciplina
formal- mas, poder enxergar a História como uma ótica interdisciplinar, assim, enxergando
pela visão da correlação e da confluência de saberes - em especial a Literatura-
compreendermos que o ofício do historiador supera a falésia atravessa uma fronteira que
pareça ser um “fim”. Já que entendemos uma articulação entre -História, Cultura e
Linguagem- que cria essa viagem de interconexões e de debates dos historiadores que abrem
margem e horizontes para os fenômenos históricos, porque, unir a linguagem e a cultura a

7
KRAMER, Lloyd. Literatura, crítica e imaginação histórica: o desafio literário de Hayden White e Dominick
LaCapra. In: HUNT, Lynn (Org.). A nova história cultural. São Paulo: Martins Fontes, 1992.
8
CHARTIER, Roger. A história entre a narrativa e o conhecimento. In: ______. À beira da falésia: a história
entre incertezas e inquietude. Porto Alegre: Ed. Universidade/UFRGS, 2002.
5

valorizar a cultura visual e ressurgir um discurso imagético que é de suma importância para
os historiadores.9

3)Gilles Deleuze e Félix Guattari, exploram em seu texto "O que é literatura menor?" a ideia
de literatura menor como uma forma de expressão literária que desafia as convenções
condicionais e reflete a condição marginalizada de certos grupos sociais e culturais. Eles
destacam que a literatura menor não é definida pelo seu tamanho físico, mas sim por ser uma
expressão literária produzida por grupos subalternos ou minoritários, frequentemente em
situações de opressão cultural, política ou linguística. Esse tipo de literatura é caracterizado
por sua resistência e pela busca por uma voz própria, muitas vezes utilizando línguas
minoritárias ou dialetos, subvertendo as normas estilísticas e desafiando os padrões estéticos
estabelecidos.
Os autores defendem que a literatura menor possui uma natureza revolucionária, pois sua
escrita representa uma forma de resistência contra as estruturas dominantes e a
homogeneização cultural. Ao invés de se submeter aos modelos literários preestabelecidos, a
literatura menor busca criar novas formas de expressão que reflitam as experiências e
identidades dos grupos marginalizados.Deleuze e Guattari também discutem como a
literatura menor pode ser um instrumento de liberação e de construção de identidade para
esses grupos, permitindo a expressão de suas realidades únicas e oferecendo uma maneira de
se opor às imposições culturais dominantes.
Em resumo, o texto propõe uma reflexão sobre a importância da literatura menor como
uma forma de resistência, subversão e afirmação identitária para grupos subalternos,
evidenciando sua capacidade de desafiar as normas e criar narrativas que reflitam suas
próprias realidades.10
Partindo desse ponto do Deleuze e Guattari, no texto No labirinto da palavra: a literatura
menor de Clarice Lispector A "literatura menor" é um conceito elaborado por Deleuze e
Guattari que não se refere ao físico da obra, mas sim a uma forma de expressão literária
produzida por grupos subalternos ou marginalizados. Geralmente, essa literatura é escrita em
condições de opressão política, cultural ou linguística e busca resistir às normas condicionais,
desafiando padrões estilísticos e linguísticos.

9
CASTELO BRANCO, Edwar; BRITO, Fábio Leonardo Castelo Branco. Por uma escrita bailarina da história.
In: PATRIOTA, Rosângela; RAMOS, Alcides Freire (Org.). História cultural: produção e circulação do
conhecimento. São Paulo: Hucitec, 2017.
10
DELEUZE, Gilles; GUATTARI, Félix. O que é uma literatura menor? In: ______. Kafka: por uma literatura
menor. Belo Horizonte: Autêntica, 2017.
6

No caso do texto dos historiadores Fábio e Jaislan a literatura menor de Clarice Lispector,
explora como a obra da autora se encaixa nessa ideia. Lispector, com sua escrita singular e
profunda, frequentemente aborda temas existenciais, identidade, subjetividade e introspecção,
indo além das estruturas narrativas tradicionais.Sua linguagem inovadora e uso não
convencional da gramática muitas vezes desafia as normas literárias condicionais, refletindo
uma busca por expressão singular e uma voz própria, características comuns à literatura
menor. Portanto, analisa como a obra de Clarice Lispector se alinha com os conceitos de
"literatura menor", destacando suas características literárias e explorando como ela representa
uma forma de resistência cultural, desafiando as normas estéticas e oferecendo uma voz
literária única e autêntica.11

11
MONTEIRO, Jaislan Honório; BRITO, Fábio Leonardo Castelo Branco. No labirinto das palavras: a literatura
menor de Clarice Lispector. In: CASTELO BRANCO, Edwar de Alencar; MONTEIRO, Jaislan Honório;
NERY, Ana Karoline de Freitas (Org.). Acontecimento, linguagem e narrativa: a perspectiva dos estudos
culturais na História. Teresina: Cancioneiro, 2023.

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