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Amor Patológico: Aspectos Psicológicos e Consequências

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FACULDADE VENDA NOVA DO IMIGRANTE

NOME DO CURSO
PSICOLOGIA COMPORTAMENTAL E COGNITIVA

SANDRA DE FÁTIMA MENDES MATIAS

Santa Helena
2022
AMOR PATOLÓGICO

Autor1, SANDRA DE FÁTIMA MENDES MATIAS.

Declaro que sou autor (a) ¹ deste Trabalho de Conclusão de Curso. Declaro também que o
mesmo foi por mim elaborado e integralmente redigido, não tendo sido copiado ou extraído, seja parcial
ou integralmente, de forma ilícita de nenhuma fonte além daquelas públicas consultadas e corretamente
referenciadas ao longo do trabalho ou daqueles cujos dados resultaram de investigações empíricas por
mim realizadas para fins de produção deste trabalho.
Assim, declaro, demonstrando que entendimento dos efeitos civis, penais e administrativos, e
assumindo total responsabilidade caso se configure o crime de plágio ou violação aos direitos autorais.
(Consulte a 3ª Cláusula, § 4º, do Contrato de Prestação de Serviços).

RESUMO- O sentimento de amor é a variável mais importante na vida de relacionamento de duas


pessoas. Um bom relacionamento deve se concentrar em ferramentas de sobrevivência emocional,
como respeito, confiança, desejo, compaixão e humor. Nessa perspectiva, cada um vivencia e sente o
amor de forma diferente em um relacionamento, seja ele saudável ou não. Com base nisso, este
estudo conceituou o amor mórbido como a dependência da pessoa amada, acompanhada de
sentimentos de inferioridade e TOC. Também se entende que o amor saudável é uma emoção
saudável. Concluiu-se que o amor, tanto o saudável quanto o patológico, tem consequências
neurobiológicas positivas e negativas que permeiam os aspectos físicos, comportamentais e
psicológicos decorrentes da compulsão, controle, abstinência e tolerância.

PALAVRAS-CHAVE: Amor Patológico. Amor Saudável. Psicológicos.

1 [email protected]
1 INTRODUÇÃO

Apesar das várias possibilidades de definir o que é o amor e como ele pode
mediar uma variedade de inter-relações e se aplicar a uma gama de objetos, um
possível consenso reside na ideia de que o amor, segundo Sophia (2008), é a
“tendência a unir com o outro: é o desejo de possuir o outro continuamente e/ou
formar um todo com ele” (p. 3).
Amar é uma arte e requer aprendizado, assim como qualquer outra ciência,
como a pintura e a medicina, por exemplo. A mulher, então, que tem amor patológico,
sonha com a fantasia de encontrar em um objeto (parceiro) atributos positivos como
amor e afeto, o que se torna uma busca por obstáculos que a excita. Como essa
mulher costuma abordar e buscar essas características em parceiros sem eles, ela
torna o processo trabalhoso e o afastamento emocional desse parceiro parece
inevitável.
Descreva como a ideia de Amor foi se construindo e se modificando ao longo
do tempo, considerando o contexto cultural de determinadas populações. Além disso,
destaca o fato de nossa sociedade ser potencialmente fértil para o surgimento de
novos casos relacionados a essa condição, que também está intimamente associada
a comportamentos ansiosos, impulsivos, depressivos, compulsivos e aditivos.
O amor patológico caracteriza-se por ser uma forma de estabelecer um vínculo
disfuncional, levando o sujeito a interagir de forma descontrolada, repetitiva e
excessiva com outra figura sobre a qual deposita seu afeto. Além disso, há no sujeito
com amor patológico um cuidado excessivo com o parceiro, em detrimento do cuidado
consigo mesmo e, em alguns casos, mantendo-se constantemente extremo e
impulsivo, mesmo quando o relacionamento causa sofrimento ou é fruto de conflitos e
violência por parte do outro (SOPHIA, 2008).
Em uma noção introdutória do ponto de vista da psicanálise, o amor patológico
pode ser entendido como um fenômeno cuja raiz está na formação de um ego frágil,
decorrente do fracasso no processo de afastamento do narcisismo característico na
primeira infância (LIMA, 2006).
Essas breves noções sobre o amor patológico compõem o que será visto e
discutido ao longo deste artigo, cujo objetivo principal é apresentar os resultados de
uma revisão bibliográfica sobre o tema, destacando os aspectos psicológicos de
mulheres com essa condição.
Em termos metodológicos, este trabalho foi desenvolvido com base em
conceitos de pesquisa exploratória, por meio de revisão bibliográfica e alguns
clássicos. Foram pesquisados 16 artigos científicos temáticos e utilizados 13
trabalhos, acessados nas seguintes bases de dados: Scielo, Pepsic, BVS Psicologia,
publicados entre 2005 e 2016. A coleta de dados foi realizada por meio de leitura
exploratória do material utilizado, leitura seletiva e registro das informações retirado
de fontes de pesquisa.
2 DESENVOLVIMENTO

O amor patológico breve histórico

Para Lima (2006), o amor patológico é caracterizado pelo comportamento de


cuidar do outro com atenção excessiva, de forma repetitiva e descontrolada, no
âmbito de uma relação amorosa. Essa é uma situação que gera muito sofrimento e é
facilmente perceptível em nossa sociedade. De início, cabe destacar que a
psicanálise, fundamentada na teoria da paixão, compreende o fenômeno do amor, no
sentido da capacidade de amar, como algo não limitado à vida adulta, mas moldado
desde a infância e percebido diretamente como fator implicante no desenvolvimento
da sexualidade do sujeito (FREUD, 1996).
Ainda em relação à teoria de Freud, é dos instintos de vida (Eros) e de morte
(Thanatos) que nascem as paixões amorosas. As pulsões de vida (Eros)
caracterizam-se pela busca de vínculos entre o psiquismo, o corpo e outras coisas,
impulsionando a vida e a preservação do organismo por meio do sono, alimentação e
excreção, por exemplo.
Por sua vez, a pulsão de morte (Tânatos) visa ao mesmo, mas ao retorno ao
reencontro com o corpo da mãe, levando o sujeito a um estado de tensão zero,
esforçando-se por buscar a paz, o silêncio, o repouso e a morte. Eles orientam a vida
de uma pessoa através da tensão entre eles e de maneiras diferentes perseguem o
mesmo objetivo, que é o retorno a um estado agradável anterior em que ambos os
grupos de instintos funcionam de forma mista (KEHL, 1987).
Segundo Lima (2006), o narcisismo corresponde àquele período da vida
psíquica do sujeito em que o estado de união com um dos genitores é rompido
apenas pela castração, promovida pela repressão do desejo do pai ou da mãe pelo
próprio companheiro ou qualquer outra forma de proibição entre a criança e sua mãe
ou pai.
Avaliando a história de vida de uma mulher que ama de forma patológica, sob
a ótica da psicanálise, pode-se dizer que as falhas em seu processo de afastamento
do narcisismo contribuíram para a formação de um ego frágil, cujo ideal buscará
constantemente a desejo de conquistar o amor dos pais. O narcisismo funciona como
uma forma particular de se relacionar com a sexualidade e atua na identificação da
construção de um eu, bem como na intermediação entre a fase do autoerotismo e o
amor objetal (LIMA, 2006).
Pensar na ideia do ego como responsável pela distinção que o sujeito é capaz
de fazer entre seus próprios processos internos e a realidade que lhe é apresentada,
além de atuar como protetor da personalidade, justifica a manifestação de um estado
de interdependência entre mulheres que amam demais de um ego enfraquecido,
nessa situação (SOPHIA, 2008).
A baixa autoestima e os sentimentos de impotência decorrentes desse
processo de distanciamento fazem com que ele busque constantemente realizar esse
ideal de ego através do outro, seu parceiro, na relação. Recriar um ambiente infantil
hostil é uma maneira de continuar a luta para conquistar e manter o amor dos pais.
Dessa forma, ele tenta cobrir sua ferida narcísica e escapar do sentimento de solidão
e tristeza que restou de casa, que não conseguiu sustentar seu ego nascente.
A saída do estágio narcísico primário é muito importante para a constituição do
ego e estabelece as bases de como o sujeito se relacionará no futuro. A castração
marca a passagem do eu real, quando a criança está segura em relação à figura
materna, para o eu ideal. A criança, vinculada à mediação da figura paterna,
reconhece que o amor de que necessita não é incondicional, mas vinculado à vontade
dos pais (MILLER, 1997).
Ao estudar a mente, a psicologia a separa, tradicionalmente, em funções
cognitivas, afetivas e volitivas. Os sentimentos estão mais ligados às funções
afetivas, pois tais funções “[...] se referem à esfera das emoções: estado,
função ou condição de caráter genericamente emotivo, referindo-se a qualquer
emoção, afeto ou paixão” (ABBAGNANO, 2007, p. 20).

Pensando nisso, com o avanço da ciência, diversos estudos da neurociência


têm buscado entender as consequências, positivas ou negativas, dos sentimentos na
vida das pessoas. Segundo Esperidião-Antônio et al. (2008), desde o
desenvolvimento de técnicas especializadas de pesquisa neurofisiológica e
neuroimagem, ampliou-se o escopo de interesse em estudar as bases neurais dos
processos relacionados à emoção, reconhecendo a importância de um sistema
cerebral básico para o processamento emocional: o sistema límbico.
Com base na história pragmática dos seres humanos em suas relações
amorosas, ao longo do tempo, a ciência tem buscado gradativamente desvendar as
nuances do chamado “objeto de amor”. Nos tempos antigos, quando homens e
mulheres buscavam refúgio em grutas e cavernas, eles tinham uma reflexão básica
sobre o amor.
[...] é desse homem primitivo: um bípede, peludo, de feições duras, atarracado
e coberto por peles, grunhia sua felicidade e excitação ao arrastar a amada
pelos cabelos e levá-la, “romanticamente”, à sua caverna, para um encontro
amoroso ao lado de uma fogueira acolhedora [...] (FABICHAK, 2016, p. 18).

Diante de tal história, fica claro que séculos se passaram e novamente houve
mudanças na tentativa de fazer a melhor escolha entre homens e mulheres. Segundo
o antropólogo Alan Donald James Macfarlane (1990) da Universidade de Cambridge
(Estados Unidos), cerca de 1.700 homens e mulheres foram estimulados a escolher
com quem queriam se casar e com quem não queriam se casar. Isso se deveu
principalmente à ascensão da burguesia, pois a relação afetiva conduzia não apenas
a questões de procriação e status "político-religioso-social", mas também ao
individualismo e à expectativa de que o outro correspondesse à reciprocidade do
amor. Isso mudou para sempre os papéis sociais de mulheres e homens nas relações
conjugais, com reflexos profundos na forma de pensar ainda hoje.
Nesse hiato, durante o século 20, o foco científico do amor mudou da
satisfação conjugal para o amor romântico, voltando-se para questões como o
processo de escolha de um parceiro específico e as formas pelas quais a
personalidade e as experiências anteriores de relacionamento influenciam no
processo (PINTO, 2017).

“Apesar desses avanços, muito se tem discutido sobre a possibilidade de se


tratar, cientificamente, as questões relativas à emoção [...]” (ESPERIDIÃO-
ANTÔNIO et al., 2008, p. 56).
Farisco (2017) destaca que a neurociência tem dado passos importantes para
elucidar as bases neurobiológicas da cognição, emoção e comportamento. No
entanto, quando se trata de amor, a neurociência precisa se aprofundar em alguns
estudos. Do ponto de vista de Abend (2018), a neurociência do amor é um campo
crescente de pesquisa que só recentemente foi objeto de rigorosa pesquisa científica.
O Programa Internacional de Pós-Graduação em Neurociência Médica (2014)
descreve o mesmo ponto. Dessa forma, a neurociência do amor tem sido descrita
como um campo de pesquisa complexo e recente. Lino (2009, p. 3) define o amor
saudável como:
“[...] uma emoção agradável que dá acesso a um estado de tranquilidade e
estabilidade emocional, permitindo o acesso a uma relação saudável e feliz
entre duas pessoas [...]”.

O mesmo autor conceituou o amor mórbido como a dependência da pessoa


amada, acompanhada de sentimentos de inferioridade e obsessão. Pode-se entender
a partir disso que o amor saudável é uma emoção saudável, enquanto o amor doentio
é um sentimento de dependência característico de um relacionamento binário. Nesse
contexto, Riso (2014) levanta a questão, argumentando que a sociedade é cúmplice
do “mal do amor”, uma comunidade tipicamente vivenciando experiências amorosas
patológicas.
Segundo o pensamento de Sinay (2012, p. 13), “[...] o mal do amor tornou-se
uma descrição fascinante da dor emocional [...]”. Esse tipo de dor emocional, citado
por Sinay (2012) e considerado por Sophia, Tavares e Ziberman (2007), tende a fazer
a pessoa manifestar o amor em sua fase patológica porque adota algumas das
características do amor patológico ao se tornar um parceiro está aí para aliviar a dor,
quem vai dar sentido a sua vida, você precisa se cuidar.
Desta forma, as pessoas terão dependência emocional. Nessa perspectiva,
cada um vive e sente de maneira diferente em um relacionamento, seja ele saudável
ou não. Pinto (2017) observa que Sigmund Freud (1856-1939) foi o pioneiro da
neurociência do amor na primeira metade do século XX, mas foi somente na década
de 1960 que a psicologia começou a se concentrar nos tipos de amor.
Desta forma, as pessoas podem desenvolver dependência emocional. Martins-
Silva, Trindade e Silva Junior (2013), Sophia (2008) e Sternberg (1988) apontam que
existem diferentes tipos e estilos de amor. Como exemplos de tipos, temos o amor
materno, o amor paterno, o amor romântico, o amor emocional, o amor de parceria, o
amor irrelevante, o amor perfeito, o amor vazio e assim por diante. Exemplos de
estilos são eros, ludus, storge, agape, pragma e mania.
Dadas as várias formas de amor existentes, um tipo de amor merece um
contributo de especial valor para o desenvolvimento deste estudo: o amor afetivo
entre duas pessoas. Dentro da esfera infinita de elementos com os quais o ser
humano se relaciona a todo momento, a relação com outro ser humano,
principalmente o afetivo, é o mais relevante catalisador ou ativador da verdade, pois é
através do relacionamento que o ser humano amadurece e evolui (BABA, 2017).
Nota-se também que a percepção humana em relação às experiências
amorosas já satisfaz a necessidade de um amplo colóquio sobre um tema específico
nas descobertas científicas.
Assim, os estudos que sustentam este trabalho, pensando na compreensão
oferecida por ambas as abordagens psicanalíticas, apresentam em sua composição
elementos que complementam ou divergem da compreensão de alguns dos processos
e fenômenos que perpassam o amor patológico. Referindo-se especificamente ao
processo de formação do amor patológico, a psicanálise atribui o surgimento desse
fenômeno principalmente às dificuldades do sujeito em romper com o período
narcísico.
Na teoria psicanalítica, a relação mãe-filho é o ponto de partida fundamental
para a compreensão do fenômeno do amor mórbido, baseado na ideia de fusão
psíquica, na qual não há distinção entre o sujeito e o objeto de seu meio externo
(Freud , 1929).
Quando se trata do processo geral de amar demais a mulher, ou seja, dos
principais aspectos psicológicos desde a infância até a idade adulta, há um consenso
entre as teorias que apontam para questões como insegurança, ansiedade e/ou
depressão, sentimento de inferioridade, desejo de unir-se aos outros e agir como um
Cuidar dos outros de uma forma ambígua que não conduz à autopreservação.
Esse fato indica que essa situação é definitivamente prejudicial, pois introduz o
sujeito em um estado de extrema interdependência, o que também pode levar à
despersonalização, impedindo-o de atender plenamente às suas necessidades.

Mulheres que amam demais: tratamento

Como já enfatizado em capítulos anteriores, as experiências afetivas com a


família na infância, e principalmente com a mãe, afetam diretamente a constituição
psicológica do sujeito, manifestando suas consequências também nas relações
amorosas da vida adulta, capazes de desenvolver uma estrutura psicológica
adequada ou não amar de forma saudável, o que varia de acordo com o nível de
segurança psicológica e emocional proporcionada pela família e adquirida nesse
contexto.
Nessa perspectiva, Norwood (2011, p. 35) confirma que as famílias
consideradas disfuncionais, embora sejam de diferentes tipos, comumente ferem seus
filhos em termos de sentimentos e relacionamentos com as pessoas.
Norwood (2011, p. 38) também aponta que "todas as mulheres que amam
demais já experimentaram pelo menos um abandono emocional profundo, com todo o
medo e vazio a ele associado", descrevendo as quinze características retratadas no
mapa do amor patológico, com alguns dos quais podem ser distinguidos, tais como:
Proveniência de um ambiente familiar desajustado que não supriu as necessidades
emocionais;
 Devido aos fracassos em suas tentativas de transformar seus pais nos
personagens amorosos e afetuosos que ela desejava, ela reage intensamente
a um tipo de homem emocionalmente indisponível em uma nova tentativa de
transformação;
 Agirá de forma a tentar evitar que o relacionamento termine devido a um forte
medo de abandono;
 Autoestima muito baixa, a crença de que não se merece a felicidade; • A
insegurança vivida na infância gera uma forte necessidade de controlar os
próprios parceiros e relacionamentos sob o pretexto de “ser útil”; Situações e
sentimentos provenientes do Amor Patológico, já descritos anteriormente como:
dependência emocional do parceiro apresentando alterações psicológicas e
fisiológicas (dos tipos: insônia, taquicardia, tensão muscular, ansiedade) na
ausência do objeto amado; o gasto exacerbado e frequente de tempo e energia
para manter o parceiro sob controle; a desvalorização dos próprios interesses
prejudicando a realização e desenvolvimento pessoal e profissional; o
sentimento de impotência para tomada de atitudes que visem tratar o problema,
baixa autoestima; sentimento de menos valia, todas essas citadas, dentre outras,
são fontes de sofrimento e perda de qualidade de vida para quem é refém dessa
realidade, necessitando assim de ajuda especializada.
Para Norwood (2011), a realidade das “mulheres que amam demais” (como são
chamadas as mulheres que sofrem de Amor Patológico) é semelhante à das
toxicodependentes que as utilizam como fuga, necessitando fazer uso constante da
sua droga de escolha em suas vidas em busca de alívio e conforto.
Porém, segundo Norwoord (2011, p.226), uma mulher que ama demais usa a
dinâmica do relacionamento como uma droga, e como afirma a autora, essa mulher
irá "negar esse fato tanto quanto qualquer químico" e apresentará a mesma
resistência e medo de deixar de lado seu pensamento obsessivo e sua maneira
altamente emocional de interagir com os homens." Diante disso, Norwood (2011)
confirma que, nesse contexto, as emoções e o corpo dessa mulher que ela tanto ama
precisam ser curados.
E como sugere a autora:

“O primeiro passo tratar uma mulher com esse problema, é ajudá-la a


perceber que, como qualquer viciado, sofre de um processo de doença que é
identificável, progressivo se não tratado e responde bem a tratamento
específico. Ela precisa saber que é viciada na dor e na familiaridade de um
relacionamento insatisfatório, e que isso é uma doença que aflige muitas
mulheres e tem suas raízes em relacionamentos doentios na infância”
(NORWOOD, 2011, p.227).

No caso do Transtorno do Amor Patológico, o tratamento mais adequado, como


no caso de dependentes de álcool e outras drogas, é a terapia de grupo, devido a
características como: mais útil quando compartilhado com pares, tornando-se muito
essencial no tratamento (NORWOOD, 2011, p. 227).
Em Psicanálise, a transferência, que corresponde à dinâmica inconsciente
estabelecida entre o paciente e o analista, sendo de fundamental importância no
processo de cura, também pode ocorrer em grupo sob condição de manejo adequado,
pois esse ambiente propicia uma troca de intensas emoções experiências entre os
participantes pela semelhança da natureza de seus conflitos, suas angústias, seus
sofrimentos. (BECHELLI; SANTOS, 2006).
Ressalta ainda Bechelli e Santos (2006), que na terapia em grupo se faz
necessário que o participante assuma uma co-responsabilidade na dinâmica
terapêutica sendo essencial que os mesmos exponham suas observações. Nesse
sentido, o terapeuta no papel de facilitador e através de uma conduta discreta, trabalha
no sentido de promover o autoconhecimento dos indivíduos em tratamento, para que os
mesmos desenvolvam condições de lidar e gerenciar seus conflitos.
Norwood (2011) descreve os passos cronológicos que mulheres que amam
demais devem seguir para se recuperar. O primeiro passo é buscar ajuda, o segundo
passo é fazer da recuperação uma prioridade em sua vida, o terceiro passo é
encontrar um grupo de apoio que entenda seu crescimento e o quarto passo é praticar
sua espiritualidade diariamente. Então, o quinto: pare de regular e controlar as
pessoas, e o sexto passo é evitar o jogo. Sétimo: chega uma fase de enfrentar
corajosamente seus defeitos e problemas, oitavo, você precisa cultivar fatores que
precisam ser desenvolvidos em você. O nono passo para se tornar um "egoísta" no
sentido de se libertar de ser uma vítima e, finalmente, compartilhar experiências e
lições com os outros.
Após a recuperação durante a terapia de grupo, o paciente apresenta as
seguintes características: aceitação total e autocuidado em várias áreas (caráter,
aparência, crenças, valores, interesses); relutância em mudar as pessoas para
atender às suas necessidades; desenvolvimento da autoestima, auto espeito,
autovalorização, não superestimar o sofrimento passado, desenvolver laços saudáveis
de amizade, valorizar a paz e proteger-se (NORWOOD, 2011, pp. 295-296).
Ainda com relação à recuperação, Norwood (2011, p. 295) afirma que é “um
processo ao longo da vida e algo pelo qual lutamos, não algo que eventualmente
alcançamos”, que a cura de mulheres adultas afetadas pelo amor mórbido vai além da
terapia.
Consiste em um processo contínuo de cuidar de si em vários aspectos,
fortalecendo cada vez mais, dia a dia, seu auto aceitação, autoconfiança, autoestima.
Um processo de compromisso ao longo da vida com o seu próprio bem-estar.
3 CONCLUSÃO

Diante do problema do amor patológico levantado ao longo do artigo, focando


principalmente nas mulheres que amam demais, enfatiza-se o tratamento com
referência ao modelo de psicoterapia de grupo, sugerindo ajudar os participantes a se
engajarem em uma intensa troca de experiências com outras pessoas que sofrem de
problemas semelhantes.
Portanto, reitera-se aqui que a sociedade precisa estar atenta para a gravidade
dos transtornos mórbidos amorosos na vida das mulheres vítimas desse transtorno,
na esperança de que a divulgação das informações por meio deste estudo possa
contribuir para o esclarecimento dos aspectos psicológicos e tratamento de
transtornos.
Enfatize a terapia de grupo porque oferece aos participantes uma seleção rica
e útil de intervenções psicológicas que podem fornecer a essas mulheres a ajuda de
que precisam para finalmente se libertarem das correntes emocionais que as
impedem de permanecer em um relacionamento saudáveis e romântico saudável.
Dessa forma, pode-se concluir que o amor, seja ele saudável ou patológico, tem
consequências neurobiológicas positivas e negativas que permeiam os aspectos
fisiológicos, comportamentais e psicológicos decorrentes da compulsão, controle,
temperança e tolerância.
Graças ao mecanismo literário, foi possível comparar teoricamente as principais
características do amor saudável e do amor patológico. Este estudo considera a ação
afetiva, caracterizando o amor em uma perspectiva desenvolvimentista, atentando
para o resultado afetivo no início do processo amoroso, a importância da empatia,
aspectos como o desenvolvimento psicossexual humano, as categorias do amor, a
natureza saudável do amor saudável para a sintomatologia das relações de
dependência e do amor patológico para descrever o processo que transforma pessoas
cheias de oportunidades e recursos em simples despojos até a alienação de si e a
submissão ao outro, perdendo as próprias limitações, habilidades, julgamentos,
liberdade, moralidade, saúde , e muitas vezes a vida.
Deve-se notar que existem muitas lacunas a serem preenchidas sobre o tema
"a neurobiologia do amor saudável e do amor patológico". Nas consultas bibliográficas
realizadas para o desenvolvimento de teoria plausível para este estudo, observou-se
que grande parte da literatura trata do amor tanto em termos saudáveis quanto
patológicos. Outro detalhe importante é que muitos artigos científicos sobre o amor
saudável e o amor patológico no Brasil não visam aprofundar as pesquisas sobre o
amor saudável, mas apenas discuti-lo conceitualmente, e dar mais atenção às
pesquisas sobre o amor patológico.
No entanto, o entendimento aqui é que o amor não deve ser transformado em
algo puramente racional ou em um fenômeno biológico absoluto. Mas ela precisa ser
revelada a partir de diferentes dimensões, subsidiada, para que as pessoas tenham
maior controle comportamental e psicológico nos relacionamentos afetivos e
amorosos.
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