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Portaria 506

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PORTARIA Nº 506/2023 – USO DE CÂMERAS

PORTARIA Nº 506/2023.

REGULAMENTA O USO DE CÂMERAS CORPORAIS PELOS POLICIAIS PENAIS NO ÂMBITO DO SISTEMA


PENITENCIÁRIO DO ESTADO DO CEARÁ.

DISPOSIÇÕES PRELIMINARES

Art. 1.º Fica obrigatório o uso individual e intransferível de câmeras corporais pelos policiais penais do
Estado do Ceará durante o exercício de suas atividades profissionais especialmente naquelas elencadas
nesta Portaria e atividades correlatas do Sistema Penitenciário e outras determinadas por serviço.

§ 1º Após retirada da dockstation onde gera a vinculação do policial penal, a utilização da câmera
corporal passa a ser de uso individual e intransferível pelo respectivo policial.

§ 2º. A obrigação de que trata o caput deste artigo fica condicionada à disponibilidade dos
equipamentos referidos no caput deste artigo e sua distribuição deverá garantir ao menos 01 câmera
portátil por registro da execução das atividades relacionadas neste normativo.

Art. 2º As câmeras corporais deverão ser acionadas pelos policiais penais no início e desligadas na
conclusão de suas atividades, nos termos desta Portaria.

Art. 3º O registro das imagens pelas câmeras de uso individual tem como finalidades:

I - garantia de respeito aos direitos humanos;


II- transparência do serviço do profissional;
III- registro do trabalho no âmbito do Sistema Prisional;
IV- análise e refinamento das técnicas operacionais utilizadas;
V- formação de elementos para as atividades de inteligência e para eventual investigação de infrações;
VI- operar o sistema de gerenciamento, custódia e compartilhamento de evidências digitais.

Art. 4° As câmeras corporais também deverão ser utilizadas como rádio comunicador podendo ser no
agrupamento de câmeras e/ou HT’s na freqüência da própria unidade, bem como de todo o sistema
Penitenciário que possui a mesma tecnologia de comunicação.

DA CAPTAÇÃO, ARMAZENAMENTO DE IMAGENS E PROTEÇÃO DE DADOS

Art. 5º A utilização das câmeras de uso individual caracteriza gravação ambiental por um dos
interlocutores, na qual há interação ou interlocução conhecida entre as partes.

Art. 6º A gestão e o controle administrativo das imagens armazenadas serão exercidos pela Secretaria da
Administração Penitenciária e Ressocialização, que adotará as medidas cabíveis para esta finalidade.

Art. 7º O arquivamento e conservação das gravações dar-se-á da seguinte forma:

I – todas as gravações deverão ser arquivadas e conservadas por um período mínimo de 60 dias;

II – as gravações deverão ser arquivadas e conservadas por um período mínimo de 12 meses quando
envolver qualquer evidência objeto de apuração.
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Art. 8º Fica vedada qualquer divulgação das imagens a terceiros não autorizados, inclusive gravações
por meio de equipamentos eletrônicos das imagens transmitidas pelo visor do equipamento, somente
permitindo salvaguardá-las em arquivo nos equipamentos da Secretaria da Administração
Penitenciária e Ressocialização.

§1º A vedação prevista no caput aplica-se à divulgação de imagens, gravações, áudios ou quaisquer
outras formas de mídia, relacionadas às rotinas de serviços nas unidades prisionais.

§ 2º Responderão civil, penal e administrativamente aqueles que utilizarem de forma irregular as


imagens e sons armazenados pelas câmeras corporais, bem como aqueles que realizem o descarte
antes do prazo estabelecido.

§ 3º Os atos ilícitos de natureza grave, que venham a ser objeto do descarte ou perda das imagens
antes do prazo estabelecido, implicarão, caso comprovado o dolo, em responsabilização administrativa
e criminal, sendo o caso, imediatamente, remetido à Controladoria Geral de Disciplina dos Órgãos de
Segurança Pública e Sistema Penitenciário – CGD.

Art. 9º O operador poderá acessar os vídeos por ele registrados ou por outros operacionais, quando
estiver sob investigação pela sua conduta, devendo o agendamento do acesso ser requisitado à
Direção da Unidade.

Art. 10 Os áudios e imagens produzidos por equipamentos disponibilizados ao uso da SAP, captados por
servidores no exercício de suas funções, são de propriedade da instituição, não podendo ser
reproduzidos sem autorização da administração superior da Pasta.

Art. 11 É vedada a qualquer servidor a edição de imagens, cortes ou gravações intermitentes de eventos
que possam dificultar a elucidação de fatos e a perfeita compreensão da ocorrência.

Art. 12 As informações e os dados provenientes das câmeras corporais poderão ser utilizados como
fontes probatórias para os servidores referidos no art. 1º desta Portaria e para as pessoas envolvidas em
ocorrência capturada pelas imagens, em inquéritos policiais, procedimentos ou processos
administrativos e demandas judiciais em âmbito estadual, mediante solicitação da autoridade
competente para proceder às apurações ou mediante deliberação do Secretário responsável pela
Pasta.

Art. 13 As informações extraídas das gravações poderão ser objeto de análise e estudo pelos órgãos
competentes, de forma que contribuam para o aperfeiçoamento e eficácia das operações policiais.

DO PROTOCOLO

Art. 14 A câmera deverá ser acoplada na parte superior do tronco, no centro, canto direito ou
esquerdo, sobre o uniforme, suporte ou colete modular de proteção individual, de forma que seu
posicionamento permita enquadrar corretamente todas as cenas, sejam elas no exercício de suas
atividades rotineiras ou quando embarcado em viatura.

Art. 15 O policial penal deverá conservar as lentes e o microfone da câmera corporal completamente
desobstruídos durante o serviço, especialmente no decorrer das gravações intencionais, bem como
manter o equipamento voltado para o sítio dos acontecimentos, sendo vedada qualquer ação
deliberada que possa prejudicar a captação de imagens e áudio, tais como:

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I - sobreposição das mãos, de peças do EPI ou do armamento;

II - corpo do operacional voltado para local diferente daquele onde o fato de interesse policial se
desenvolve;

III - afastamento não justificado em relação ao local do fato de interesse policial, prejudicando a
captação de vídeo e áudio;

IV - acoplamento do equipamento em ponto do colete ou fardamento diverso da parte superior do


tronco do policial;

V - verificação de resíduos, manchas, tintas, etc. na lente da câmera que obstrua a captação integral do
fato de interesse policial.

Art. 16 As câmeras corporais portáteis devem ser utilizadas nas rotinas e procedimentos conforme os
normativos desta Secretaria, em especial as elencadas na Instrução Normativa nº. 03/2020 ou naquela
que venha a substituí-la, sendo obrigatório o uso nos seguintes casos:

I - conferência nominal dos presos;


II - distribuição de alimentação aos presos;
III - banho de sol durante toda a sua execução;
IV - rondas internas e externas a UP;
V - atividades de saúde, educação, capacitação e trabalhos realizados por esta Secretaria;
VI - fiscalizações atribuídas à polícia penal por competência originária ou delegadas;
VII - ambientes de visitação familiar, incluindo a Unidade Penitenciária de Segurança Máxima,
conforme preconiza a Lei Nº 18.428/2023;
VIII - escolta de pessoas presas a outros órgãos durante o período em que a custódia/responsabilidade
estiver a cargo da polícia penal;
IX - abordagem policial quando houver participação da polícia penal;
X - atendimento de ocorrência de qualquer natureza em que houver participação da polícia penal;
XI - situações em que se presuma a necessidade do uso seletivo da força;
XII - nas ocasiões em que o policial penal for acionado por qualquer pessoa em apoio a outras unidades
prisionais e/ou outros órgãos;
XIII - intervenções prisionais desde o conhecimento do fato até sua resolução;
XIV - em todas as situações de indisciplina e sublevação da ordem praticada por pessoas presas;
XV - qualquer interação que possa constituir fato de interesse da SAP;
XVI- nos controles de acesso dos Complexos e Unidades Prisionais.

Parágrafo único. Todas as atividades realizadas com uso das câmeras corporais deverão constar no
livro de ocorrência diária, informando a identificação do equipamento e do policial que utilizou.

Art. 17 São condutas proibidas:

I - utilizar as câmeras para gravação de imagens e áudios que não tenham relação com a atribuição do
policial;

II - alterar, editar, copiar, duplicar ou apagar qualquer gravação de áudio, vídeo ou foto realizado por
meio das câmeras, sem autorização legal;

III - interromper ou finalizar a gravação antes da conclusão das atividades descritas no art. 16;
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IV – utilizar as câmeras para captação de imagens nos alojamentos e banheiros em qualquer tempo.

Art. 18 Em caso de inoperância da câmera, o policial em posse do equipamento deve:

I - registrar em Livro de Ocorrências o fato e o horário que ocorreu;


II - reportar o fato imediatamente à chefia imediata, que comunicará o problema a Coordenadoria
Especial de Administração Prisional – COEAP;
III- substituir a câmera corporal de imediato.

Art. 19 O sistema de captação e retenção de imagens (CFTV), de competência da Célula de Segurança


Tecnológica Prisional, subordinado a Coordenadoria de Inteligência - COINT/SAP, será responsável por:

I - acompanhar operações em tempo real;


II - examinar as gravações realizadas; e
III - analisar a conveniência e oportunidade de divulgação dos conteúdos audiovisuais gravados pelas
câmeras, por interesse institucional e atender à solicitação de órgãos externos.

Art. 20 O policial penal deve ser treinado na operação das câmeras e respeitar as regras de uso.

Parágrafo único O treinamento primário será ministrado à Direção das Unidades Prisionais,
Supervisores de Núcleos de Segurança e Vigilância e Chefes de Plantão os quais posteriormente
poderão treinar os demais servidores para utilização do equipamento, com a supervisão da Escola de
Gestão Penitenciária e Ressocialização – EGPR.

Art. 21 Caberá à Direção das Unidades Prisionais, Supervisores de Núcleos de Segurança e Vigilância e
Chefes de Plantão:

I - zelar pelo correto emprego do equipamento;


II - inspecionar se em todas as atividades estão sendo empregadas às câmeras corporais;
III – fiscalizar o cumprimento das regras de uso da câmera e a montagem no uniforme;
IV - classificar as evidências digitais coletadas.

DA PERDA, EXTRAVIO, FURTO, ROUBO E/OU MAU USO DO EQUIPAMENTO

Art. 22 Ocorrendo a perda, extravio, mau uso, furto e/ou roubo de câmera corporal, o policial penal
responsável pelo equipamento deverá comunicar o fato imediatamente a chefia imediata, mediante a
apresentação de boletim de ocorrência policial, no qual deve conter a identificação da câmera.

Art. 23 A chefia imediata, após tomar conhecimento e mediante o recebimento de cópia do boletim de
ocorrência, deverá realizar, concomitantemente, os seguintes procedimentos:

I - comunicar o fato ao gestor do contrato e requerer a substituição do equipamento, no prazo de até


72h;
II - cientificar à Coordenadoria Especial de Administração Prisional – COEAP sobre o fato;

III - noticiar o fato à Controladoria Geral de Disciplina dos Órgãos de Segurança Pública e Sistema
Penitenciário – CGD, para abertura de procedimentos disciplinares, visando a apuração da ocorrência
de falta funcional e a eventual necessidade de reembolso ao erário, conforme o caso.

Parágrafo único. As ocorrências previstas no caput deste artigo deverão ser legalmente apuradas a fim
de evitar uso indevido e geração de provas espúrias.
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DISPOSIÇÕES FINAIS

Art. 24 Os casos omissos ou excepcionais que não estão elencados nesta Portaria serão resolvidos pelo
Secretário da Administração Penitenciária e Ressocialização ou por ele encaminhados às pessoas
competentes para que, se necessário, seja alterado o presente documento ou elaborado instrumento
específico.

Art. 25 A não observância do disposto neste normativo, poderá ensejar sanções disciplinares em
desfavor do servidor, conforme legislação pertinente.

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