Introdução a Bilateria
Imaginem vocês que, além dos incríveis animais que já estudamos - os poríferos e os cnidários - existe
um outro grupo de animais com uma característica muito especial: eles são bilaterais, ou seja é uma forma de
simetria em que um organismo tem duas metades aproximadamente espelhadas, divididas por um único plano.
A bilateralidade também influencia a maneira como os animais se movimentam e interagem com o mundo
ao seu redor. Imagine, por exemplo, um peixe se movendo pela água. Sua simetria bilateral permite que ele nade
reto, mantendo seu corpo alinhado e equilibrado. Além de serem bilaterais, esses animais são também
triblásticos, portanto possuem uma terceira camada, chamada mesoderme, entre as outras duas. Isso significa
que esses animais têm uma maior diversidade de tecidos e órgãos, o que lhes permite realizar funções mais
complexas.
Platelmintos
Os platelmintos, ou vermes planos, são um grupo de animais invertebrados que pertencem ao filo
Platyhelminthes. Este grupo inclui organismos conhecidos como planárias,
tênias e esquistossomos.
a) Características Gerais: Os platelmintos são organismos triblásticos, o
que significa que durante seu desenvolvimento embrionário, formam-se três
camadas de tecido, chamadas de ectoderme, mesoderme e endoderme.
Essas camadas darão origem a diferentes tecidos e órgãos no animal adulto.
Isso coloca os platelmintos um passo acima dos cnidários na escala de
complexidade, pois estes últimos são diblásticos, possuindo apenas duas
camadas de tecidos.Os platelmintos são também acelomados. O termo
"acelomado" refere-se à ausência de um celoma, que é uma cavidade
corporal formada dentro do mesoderma. Essa
cavidade, encontrada em muitos outros animais, é
preenchida com fluido e contém os principais
órgãos internos. Em contraste, os platelmintos não
possuem essa cavidade interna: seus órgãos estão
embutidos diretamente no tecido mesodérmico
sólido.
Além disso, os platelmintos não possuem segmentação corporal, ou seja, seus corpos não são divididos
em segmentos repetitivos, como vemos em anelídeos e artrópodes. Eles apresentam uma forma corporal
simples e achatada, de onde vem seu nome comum, "vermes planos".
Características Fisiológicas
Pense nesses pequenos seres, os platelmintos, como uma espécie de "saco" com apenas uma abertura,
que é a boca. Ela está localizada na parte de baixo de seu corpo, e é através dela que eles se alimentam. Agora,
aqui está o curioso: eles não têm ânus. Isso significa que qualquer alimento que eles comam e não consigam
digerir terá que sair pelo mesmo caminho que entrou, ou seja, pela boca.
E acredite ou não, alguns platelmintos nem sequer têm um sistema digestivo. Eles são o que chamamos
de parasitas, vivendo em (ou em alguns casos, em cima) de outros animais, e absorvem os nutrientes de que
precisam diretamente do seu hospedeiro.
A: Sistema Digestório, B: Sistema Nervoso, C: Sistema Excretor, com as células-flama! Exemplos para uma Planária.
Mas, como os platelmintos distribuem esses alimentos pelo corpo se não possuem um sistema circulatório?
Bem, esses nutrientes viajam de célula em célula. E a respiração? É semelhante. Como eles não têm sistema
respiratório, as trocas gasosas acontecem em toda a superfície do corpo por meio da epiderme, a camada
externa da pele.
Agora, aqui está uma coisa que os platelmintos têm: um sistema excretor! Este sistema é formado por
uma rede de finos canais que chegam ao exterior do corpo e também por células especiais chamadas
células-flama. Imagine essas células como pequenas torneiras, com cílios que funcionam como se fossem os
manipuladores, abrindo e fechando, controlando o fluxo de água. Estes cílios estão constantemente se movendo,
criando uma corrente de água que conduz os resíduos para fora do corpo do animal. Essa é a maneira do
platelminto de se livrar dos materiais que não precisa!
CLASSIFICAÇÂO
Os Platelmintos são divididos em três classes: Turbellaria, Trematoda e Cestoda. E cada uma tem suas
peculiaridades, então, vamos conhecer mais sobre elas.
Começamos com os Turbelários. Esses animais não curtem muito a ideia de ser parasitas, então, eles levam
uma vida livre. A maioria deles é predatória, mas alguns são mais tranquilos e preferem se alimentar de matéria
orgânica em decomposição. Por exemplo as planárias. Podem ser encontradas em águas do mar, em água
doce, ou até em solos bem úmidos.
Agora, mudando completamente o estilo de vida, temos os Trematódeos. Este grupo é considrado
parasita. Eles gostam de viver no interior de outros animais, especialmente os vertebrados. Eles não possuem
estruturas sensoriais e um exemplo bem conhecido é o Schistosoma mansoni, aquele que causa a
esquistossomose, também conhecida como barriga-d’água.
Finalmente, temos a classe dos Cestoides. Eles também são parasitas, mas têm algumas características
bem diferentes. Primeiro, eles têm corpos super longos e finos, chegando a medir vários metros, e o corpo deles
é formado por segmentos chamados proglotes. Mas o mais impressionante é que eles não têm sistema
digestório, ou seja, absorvem os nutrientes de seus hospedeiros por difusão, direto pela superfície do corpo. A
tênia, conhecida popularmente como solitária, é um exemplo bem famoso dessa classe.
Reprodução
As planárias são hermafroditas, ou seja, possuem sistemas reprodutores masculinos e femininos. Mas
antes que você pense "Uau, elas podem se autofecundar então", vou te contar que não é bem assim. Elas
precisam de um parceiro para a reprodução. Então, como funciona? Duas planárias se aproximam e colocam
seus poros genitais em contato, e trocam espermatozóides. Essa é a fecundação cruzada e interna. Depois
disso, os zigotos se desenvolvem diretamente em
novos indivíduos, sem passar por um estágio
larval.
Os platelmintos parasitas têm uma história um pouco diferente. Alguns têm ciclos reprodutivos
complexos. Tomemos como exemplo o Schistosoma mansoni, que possui sexos separados e apresenta um
dimorfismo sexual muito evidente. Ou seja, o macho e a fêmea são muito diferentes um do outro.
As tênias, que são os parasitas Taenia solium e Taenia saginata, também são hermafroditas, mas elas
conseguem se autofecundar. E isso é um problema sério para as comunidades que não têm acesso a
saneamento básico e água potável, pois isso contribui para a disseminação desses parasitas. Veremos mais
sobre as tênias quando estivermos estudando as verminoses, mais a frente!
Vamos voltar para as planárias agora, porque elas têm outra habilidade surpreendente. Planárias pequenas
podem se reproduzir assexuadamente! E como isso funciona? Simples, uma planária se divide em duas partes,
e cada uma se regenera para formar uma nova planária.
Essa incrível capacidade de regeneração é possível graças a um tecido especial chamado
mesênquima, formado por células que podem se transformar em qualquer tipo de célula do corpo. É tão
incrível que, se você cortar uma planária em pedaços, cada pedaço pode crescer para formar uma nova
planária!
Para completar essa parte fascinante do ciclo de vida dos platelmintos, após o acasalamento, os ovos das
planárias são postos em casulos. De lá, saem jovens planárias, prontas para crescer e se tornar planárias
adultas.
Agora, falando um pouco mais sobre a reprodução dos Cestódeos (tênias) e dos Trematódeos, essas duas
classes de platelmintos apresentam uma série de adaptações reprodutivas que permitem uma alta taxa de
reprodução, essencial para a sua sobrevivência como parasitas.
As tênias, por exemplo, possuem muitos proglotes, que são como
segmentos do corpo que contêm tanto órgãos reprodutores masculinos
como femininos, e que se enchem de ovos. Uma vez cheios, esses
proglotes podem se soltar e serem expelidos com as fezes do
hospedeiro, espalhando assim os ovos no ambiente.
Os Trematódeos, por outro lado, como o Schistosoma mansoni, têm um
ciclo de vida complexo, com múltiplos estágios e hospedeiros.
Normalmente, os ovos são liberados nas fezes ou na urina do hospedeiro
e, depois, precisam passar por um hospedeiro intermediário (geralmente
um molusco) antes de se tornarem larvas infecciosas capazes de infectar
um novo hospedeiro humano ou animal.
Portanto, embora diferentes em muitos aspectos, todos os platelmintos compartilham estratégias de
reprodução complexas e eficientes, adaptadas à sua vida livre ou parasitária. Isso é fascinante, não é mesmo?
Importância Ecológica
Os platelmintos, apesar de simples e muitas vezes invisíveis a olho nu, desempenham papéis vitais em
nossos ecossistemas. Eles atuam como decompositores, predadores e até mesmo como parasitas.
Vamos começar pelos platelmintos de vida livre, como as planárias. Eles são essenciais em seus
ecossistemas por serem decompositores e predadores. Como decompositores, eles ajudam a quebrar matéria
orgânica morta, devolvendo nutrientes essenciais ao solo e à água. Isso contribui para a ciclagem de nutrientes,
um processo fundamental para manter a saúde do ecossistema. Além disso, ao serem predadores, eles ajudam
a controlar as populações de suas presas, contribuindo para o equilíbrio da cadeia alimentar.
E sobre os platelmintos parasitas, como as tênias e o Schistosoma mansoni? Eles podem não parecer tão
simpáticos, mas também têm seu papel ecológico. Enquanto parasitas, eles atuam como agentes de controle
natural das populações de seus hospedeiros. Os Platelmintos estão por toda parte, eles vivem em quase todos
os tipos de ambiente, de oceanos a rios, de solos úmidos a jardins suburbanos. Essa incrível diversidade e
adaptabilidade fazem dos platelmintos peças-chave em muitos ecossistemas.
Exercícios
1- Descreva as principais características morfológicas dos Platelmintos.
2- Explique como os Platelmintos obtêm sua nutrição e como isso difere de outros grupos de animais.
3- Liste e descreva os três principais grupos de Platelmintos e dê um exemplo de cada.
4- Como os Platelmintos se reproduzem? Explique os diferentes métodos de reprodução que podem ser
encontrados neste grupo.
5- Quais são os principais habitats onde os Platelmintos podem ser encontrados e por que eles são
bem-sucedidos nesses ambientes?
6- Descreva a importância dos Platelmintos no ecossistema.
7- Como os Platelmintos se adaptaram a uma vida parasitária?