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Taxa de Câmbio e Crise Econômica em Angola

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INJECÇÃO DE MAIS DE 8,183 MIL MILHÕES KZ

Banco da China aumenta capital


I TRIMESTRE social e deixa o russo VTB isolado
Prodesi ‘larga’ na ‘lista vermelha’ do BNA
437,1 milhões USD BANCA. Banco da China já aumentou
com importações o capital social em mais de 80%,
e encaixa apenas enquanto o também banco de capital
maioritário estrangeiro, o russo
27,9 milhões com VTB África, continua com o futuro
incerto. Já se passaram seis meses
exportações sobre o prazo estabelecido e três meses
Pág. 9 sobre a moratória de 90 dias. Pág. 15

GOVERNO EM “CONSTANTES VIOLAÇÕES”

OAA considera situação dos direitos


humanos no país “preocupante” Págs. 16

CARLOS CAMBUTA, DIRECTOR-GERAL DA ADRA E CONSELHEIRO DO PR

“O argumento de
que há municípios
que não têm
condições
para receber
autarquias não
30 de Abril 2024
Terça-feira
Semanário - Ano 7
N.º 407

faz sentido”
Director-Geral
Evaristo Mulaza

Págs. 4 a 7

DADOS OFICIAIS CUSTO MÉDIO MAIS BAIXO DOS ÚLTIMOS 5 ANOS

Receitas Angola gastou 43 mil USD por


com a venda de cada viatura importada em 2023
gás afundam AUTOMÓVEIS. País exportou divisas avaliadas em mais
de 1,333 mil milhões de dólares para a compra de 35.054
60 por cento viaturas no ano passado. Média de gastos, por unidade, ficou
muito acima do ano de 2014 que mantém o recorde do período
Pág. 11 em que mais viaturas entraram em Angola. Pág. 8

TAXA DE CÂMBIO (Kz/Usd entre 19 e 27 de Fevereiro) 19: 828,277 20: 828,514 21: 828,514 22: 828,514 23: 828,514 26: 828,514 27: 828,514
2 Valor Económico Terça-Feira 30 de Abril 2024

Editorial
O GENEROSO E
DESPERCEBIDO ABRIL
DE MASSANO

T
odos o ouvi- que todos os dias se confrontam Habituado a gerir bancos se referia certamente aos 30 mil
mos. Pouco com preços novos nas pratelei- e não sendo propriamente um kwanzas acrescidos aos salários
depois de ras dos supermercados, nas pra- político a sério, a Massano pode da função pública e que acabam
ater ra r em ças a céu aberto e nos armazéns ter escapado a lucidez de que as engolidos pelo esperado aumento
Luanda, aca- de venda a grosso. O certo é que suas palavras não seriam recebi- generalizado dos preços, fruto da
bado de che- o Abril acabou esta terça-feira, 30, das como estatísticas para encher subida do litro do gasóleo. Não,
gar da China, e não há quem tivesse visto con- relatórios. Pelo contrário, a gene- isto não era o alívio ‘massiánico’
José de Lima cretizadas as promessas do minis- ralidade da população, incluindo de Abril esperado. O ministro de
Massano prometeu dias melho- tro que saiu às três pancadas do uma certa classe de empresários, Estado deveria, por isso, assumir
res a partir de Abril. Detalhou, Banco Nacional de Angola para poderá ter guardado as promessas a responsabilidade e explicar aos
em termos mais específicos, que coordenar a economia. José de do ministro com alguma ansie- angolanos o que aconteceu para
os angolanos passariam a sentir Lima Massano até poderá ter-se dade. Como qualquer boa nova que a prometida ‘generosidade’ de
os efeitos positivos decorrentes referido a números e a dados que que produziria alguma alteração Abril passasse despercebida. É o
da deslocação de João Lourenço ainda não são de conhecimento neste quadro de degradação que mínimo que a decência o obriga
ao país mais importante da Ásia. público. Nada disso importa, lançou para a indigência total os a fazer. Que o faça ele ou que dê
Por razoabilidade, por ingenui- entretanto, se vista a questão na que já nada tinham e que reduziu a missão à ministra das Finanças
dade ou por pura profissão de fé, perspectiva de como o ministro drasticamente a qualidade de vida que, apesar de tudo, não se com-
certamente houve angolanos que colocou a promessa e, sobretudo, dos que pouco tinham. Alguma prometeu com nada.
lhe deram o benefício da dúvida. na forma como foi percebida pelos mudança que fosse prática, tangí- É que, ainda que sejam mem-
Não faltou quem tivesse visto nas angolanos. vel e visível. Porque Massano não bros proeminentes do regime e co-
palavras do ministro de Estado -responsáveis pela devastação da
para a Coordenação Económica vida dos angolanos, os ministros
©

a ‘luz no fundo do túnel’. Mais jovens de João Lourenço deviam


concretamente no alívio do peso ter a obrigação geracional de fazer
das médias empresas às quais o diferente. Pelo menos em matéria
Estado não consegue pagar um de comunicação, demonstrando
centavo por meses incontáveis algum respeito, o mínimo que
e, por arrasto, das micro e das fosse, pelo povo que governam.
pequenas empresas. Mais parti- O exemplo de João Lourenço,
cularmente no aligeiramento do que, num ano promete a redução
mercado cambial que corrói, sem dos preços dos combustíveis e, no
apelo nem agravo, a capacidade outro, faz aumentos bruscos sem
de importação de bens essenciais se dar ao trabalho de explicar as
para vários sectores da actividade suas próprias contradições, não
económica. Mas, acima de tudo, os dignifica. Pelo contrário, faz
na suavização do sofrimento dos deles a imagem perfeita da medio-
angolanos de parcos rendimentos cridade do regime que suportam.

V
FICHA TÉCNICA
Director-Geral: Evaristo Mulaza Revisores: Evaristo Mulaza e Geralda Embaló Departamento Administrativo: Jessy Ferrão e Nelson Manuel
Directora-Geral Adjunta: Geralda Embaló Opinião: Alves da Rocha, António Vieira, Carlos Rosado de Departamento Comercial: Geovana Fernandes
Carvalho, Ernest & Young, Suely de Melo Tel.: +244 941 784 791 ; +244 941 784 792
Editor Executivo: César Silveira Propriedade e Distribuição: GEM Angola Global Media, Lda Email: assinaturas@[Link] ; comercial@[Link]
Editores Executivos Adjuntos: Guilherme Francisco e Isabel Dinis Tiragem: 00 Nº de Registo do MCS: 765/B/15 Nº de Contribuinte: 5401180721
Redacção: Emídio Fernando, Mateus Mateus e Suely de Melo Nº de registo estatístico: 92/82 de 18/10/82
Fotografia: Mário Mujetes (Editor) e Santos Samuesseca GEM ANGOLA GLOBAL MEDIA, LDA Administração:
Secretária de redacção: Rosa Ngola Geralda Embaló e Evaristo Mulaza Endereço: Avenida Hoji-Ya-Henda, 127, Marçal, Luanda-Angola
Paginação: Edvandro Malungo e João Vumbi Assistente da Administração: Geovana Fernandes E-mail: administracao@[Link]
Terça-Feira 30 de Abril 2024 Valor Económico 3

A semana
3 PERGUNTAS A...
30
TERÇA - FEIRA
Angola e a República da
Coreia assinam quatro ins-
trumentos jurídicos nas
áreas do Comércio, Saúde,
Ordem Pública e Diploma-
29
cia na sequência da visita de
dois dias de João Lourenço
à Coreia do Sul.

24 Presidente João Lourenço


desembarca em Lisboa para
QUARTA - FEIRA

participar nos actos come-


morativos do 25 de Abril,
dia da Revolução portuguesa
que derrubou o regime sala-
NELSON BONAVENA, zarista. SEGUNDA-FEIRA
académico
Embaixador chinês em Angola, Zhang Bin, considera a possibilidade de eliminação das
taxas alfandegárias sobre produtos agrícolas que forem exportados de Cabinda para a China.
Como olha para o silêncio do
Governo em relação à greve
geral?

25 26 27 28
O Governo respondeu de forma
negativa e da pior forma, fur-
tando-se ao diálogo e ensaiou TAAG anuncia acordo, Assembleia Nacional aprova, Secretário de Estado para Arranca, em Nairobi, a
QUINTA - FEIRA

um acto de demagogia com com validade de cinco anos, por unanimidade, a Proposta os Recursos Minerais, Jânio Cimeira dos chefes de Estado
SEXTA - FEIRA

anúncio dos subsídios que apro- com a Air France Industries de Lei que vai alterar o actual Correia Victor, encoraja os de África da Associação Inter-
vou para algumas categorias. KLM Engineering & Main- diploma sobre Prevenção e empresários e empreende- nacional de Desenvolvimento

DOMINGO
tenance (AFI KLM E&M) Combate ao Branqueamento dores nacionais a investirem (IDA 21), em que Angola é
SÁBADO

Mas já é um avanço, não? para suporte e componen- de Capitais, Financiamento nos vários segmentos do sec- representada pelo ministro
Desprezou totalmente o pro- tes de reparação da sua frota do Terrorismo e da Prolife- tor mineiro, tendo em conta do Planeamento, Victor Hugo
blema do salário mínimo, que é Boeing 777. ração de Armas de Destrui- as potencialidades do país. Guilherme.
o principal. Eu, como professor, ção em Massa.
preferia ter um suplemento ao
invés de 500 mil arredondando,
de 400 mil kwanzas para garan-
tir os 100 mil kwanzas que as
centrais sindicais exigem. Vi em
posts a dizerem que o Governo
apostou no conhecimento, não
é assim que se aposta no conhe-
cimento, isso é mais demagogia.
COTAÇÃO
Os professores universitários
são os mais beneficiados, de
qualquer forma?
Temos de ter o sentido de jus-
tiça social e temos que cumprir
com a Constituição. A Cons-
tituição diz que se deve fazer
diferenciação das várias cate-
gorias e discriminação positiva
dos mais pobres. O problema
deveria começar por ser resol-
vido debaixo e subir. O Governo
quis acalmar a classe média por-
que acha que a classe média é
que mobiliza as massas. Feliz- PETRÓLEO EM QUEDA… ACÇÕES EUROPEIAS CAEM...
mente, a classe média hoje é O petróleo recuou na sessão desta terça-feira, 30, com o barril As acções europeias terminaram a sessão de terça-feira em queda.
adulta, está madura e não se do brent, que serve de referência às exportações angolanas, a O índice pan-europeu STOXX 600 fechou a recuar 0,68%, a
deixa enganar por este tipo de encerrar nos 85,92 dólares, baixando 2,81%. Já o WTI negociou a 504,89 pontos, com uma perda de 4,3% no sector automotivo, a maior
manobras. 81,54 dólares, recuando 1,32%. baixa do sector desde o terceiro trimestre de 2022.
4 Valor Económico Terça-Feira 30 de Abril 2024

Entrevista
CARLOS CAMBUTA, DIRECTOR-GERAL DA ADRA E CONSELHEIRO DO PRESIDENTE DA REPÚBLICA

“Quanto mais atraso se


verificar na implementação
das autarquias, mais atrasos
vamos verificar na solução
de problemas locais”
Defensor acérrimo de que todos os organismos do Estado deveriam explicar, desde já, o que são e para que servem as
autarquias, Carlos Cambuta lamenta que os cidadãos não sejam ouvidos durante a elaboração das leis autárquicas e
haja muita falta de informação, inclusive, nas administrações públicas. Considera que o debate está muito circunscrito
nos actores políticos e que a as autarquias deveriam ser implementadas de imediato. Director-geral da Acção para o
Desenvolvimento Rural e Ambiente e conselheiro do Presidente da República para a área social e económica, sublinha
também diferença entre a execução das despesas da defesa e do sector social.

Por Guilherme Francisco as políticas de natureza social e


Mário Mujetes © VE

económica, falham, porque são

A
pensadas e executadas a partir de
ngola vive uma Luanda. Há pessoas que estão a
profunda crise desenhar projectos a pensar em
económica com municípios que não conhecem.
i mpac to no Se conhecem, é através da internet
aspecto social. que não disponibiliza informação
O modelo de sobre opiniões, sentimentos e per-
governação é cepções dos munícipes em relação a
dos factores que contribui para isso? um conjunto de situações que afli-
A crise deve servir de oportuni- gem a população. O Executivo tem
dade para podermos avaliar a nossa noção disso. É, por esta razão, que
capacidade de actuação enquanto desde 2018 tem vindo a implemen-
país e actor de desenvolvimento. tar aquilo que chama de plano de
O país tem várias potencialidades desconcentração e descentraliza-
que, devidamente utilizadas, per- triste quadro. Só a partir de 2017, sabem, a qualquer momento, que O país tem um modelo de desen- ção administrativa.
mitem que Angola seja auto-sufi- com a entrada de João Lourenço, podem ser interpeladas pelo IGAE, volvimento excessivamente concen-
ciente em diferentes matérias. As começamos a verificar algum rigor por um órgão da administração trado. Desde 1975 que continua a A diferença entre a execução das
crises que nos afectam são glo- na gestão do erário público. Não central do Estado. Hoje, percebe- ser gerido a partir da Mutamba, da despesas sociais e a da defesa é
bais. Vivemos tempos de incerte- estou a dizer que a gestão é mais mos que nenhum administrador Cidade Alta. O cidadão, do muni- substancial. Que rigor existe aqui?
zas. Os países que têm um sistema rigorosa. Pelo menos desde 2017, municipal, governador, ministro cípio dos Bundas, no Moxico, seja Hoje, nas administrações munici-
de governação mais proactivo têm começamos a verificar, na admi- ou agente público, de que nível for, em que município estiver, tem de pais, há este cuidado quando com-
tido a capacidade de gerir melhor nistração pública, algum rigor e gostaria de ver o seu nome man- depender da estrutura central para parado o período que antecede a
a crise. Angola vive, sem sombra respeito na utilização do erário. chado pela utilização indevida do decidir para onde que deve ir para 2017, porque nas administrações
de dúvidas, uma situação preo- Hoje, quando contactamos algu- erário. É este cuidado na utiliza- o seu município. Isso é absoluta- públicas, a corrupção e a sobrefac-
cupante A fome é um fenómeno mas administrações municipais, ção do erário que vai contribuir mente inaceitável. Vários estudos, turação eram praticamente visíveis
notável tanto no campo quanto conseguimos perceber que fazem para que o país possa assegurar a sobre implementação de políticas a olho nu. Hoje pode estar a acon-
na cidade. Angola apresenta este uso do erário com cautela, porque distribuição equitativa do erário. públicas, provam que, sobretudo tecer, mas de forma tímida.
Terça-Feira 30 de Abril 2024 ~ Valor Económico 5

O argumento de que há municípios que não têm


condições para receber autarquias não faz sentido, porque a finalidade das

Temos o caso de Malanje em que


autarquias é, exactamente, melhorar as condições.

prestam contas. Aliás, há dias, foi dos problemas do seu território.


~
Porquê que, até agora, não temos autárquica é de interesse nacional,
o próprio governador denunciou apresentado na AN um relatório Um modelo que permita a relação autarquias? dever-se-ia alargar o debate para
actos de corrupção por parte de sobre prestação de contas e tomá- entre quem governa e quem é gover- Porque temos, por um lado, um a sociedade. É claro que o MPLA,
administradores… mos conhecimento de que a larga nado, permita dialogar, construir debate que está a ser dominado enquanto partido no poder, tem
Antes de 2017, havia governadores maioria dos governos provinciais processos conjuntos. Este modelo pelos partidos. Isso não permite responsabilidades acrescidas. O
a fazer denúncias? Pode ter havido e departamentos ministeriais não é o da adopção de uma adminis- compreendermos que as autar- Presidente da República criou uma
um caso isolado, mas hoje temos presta contas. Estamos diante da tração local autárquica. A institu- quias devem ser vistas na pers- comissão para a elaboração de um
governadores que fazem denúncias, falta de transparência orçamen- cionalização das autarquias é um pectiva de desenvolvimento, para plano conducente à institucionali-
tomando conhecimento de que o tal. Uma outra variável importante, assunto atrasado. É um assunto de melhorar o exercício de cidada- zação das autarquias. Esta comis-
administrador municipal não teve no debate do OGE, é a participa- imediata implementação. Quanto nia, do ponto de vista da riqueza são ainda não veio a público dar o
uma conduta aceitável o exonera ção pública. Além de deputados, mais atraso se verificar na imple- do debate, incluindo a selecção de ponto de situação. É importante que
na hora. Hoje, governador, direc- quem mais participa na definição mentação das autarquias, mais atra- temas que devem ser debatidos. É esta comissão promova o diálogo
tor provincial e administrador têm de prioridades? Do ponto de vista sos vamos verificar na solução de importante que as organizações com a sociedade no sentido de ter
medo de mexer no erário, até por- teórico, tem havido avanços, está problemas locais. As autarquias da sociedade civil – e outros seg- o ‘feedback’, ter um calendário de
que a consciência crítica do cidadão a ser institucionalizado o orça- não são a resolução automática mentos que não sejam partidos trabalho que possa ajudar a socie-
está elevada. É sinal de mudança mento participativo que permite dos variados problemas, mas, pela políticos – possam engajar-se no dade a perceber exactamente qual
no paradigma de governação, mas aos munícipes apresentar propos- sua essência, dão maior possibili- debate e analisar o tema na pers- é a direcção que se está a seguir e
ainda não tem efeito na vida do tas, mas ainda temos um longo dade para que os problemas locais pectiva de desenvolvimento e não quando é que poderemos ter, efec-
cidadão. É um passo importante, caminho porque os munícipes encontrem uma solução. na perspectiva político-partidá- tivamente, autarquias. Falamos
as mudanças sociais são paulatinas. apresentam as suas propostas e, no ria para que o debate tendencial- de autarquias sem ter uma ideia
O importante é que se está a veri- final do dia, não estão reflectidas mente se inclina. Quando se fala quando é que as vamos ter. É ver-
ficar esta nova postura na admi- no documento. A terceira variá- de autarquias, pensa-se no MPLA, dade que já há um passo que se deu
nistração pública, à medida que vel importante é a fiscalização. O As autarquias na manutenção do poder, e tam- com a entrada de algumas leis na
vai sendo uma cultura de governa-
ção, vai concorrer para as medidas
OGE não é fiscalizado, por causa
do acórdão do Tribunal Constitu-
não são a resolução bém os partidos na oposição que,
por via das autarquias, podem
AN, em que se destaca a de insti-
tucionalização das autarquias. Já se
terem efeito na vida do cidadão. cional que proíbe os deputados de automática dos estar mais próximos do poder, isso podia agendar o debate, porque é
fiscalizar acções governamentais. efectivamente bloqueia o próprio um assunto atrasadíssimo. Pode-se
Surtirá efeito mesmo quando a Temos uma AN que só faz leis, é variados problemas, debate na questão do gradualismo. entender porque não foi implemen-
execução das despesas favorecer importante reforçar a fiscalização mas, pela sua As autarquias não se restringem tado em 1975 e em 1992, agora com
a defesa em detrimento do sec- para que o dinheiro se reflicta na apenas ao gradualismo que é uma alcance da paz não deveria haver
tor social? vida dos munícipes. essência, dão maior forma de implementar. uma razão objectiva para impedir
Em termos de alocação de verbas,
temos chamado atenção do exe- Falta vontade política para a imple-
possibilidade para Portanto, o debate está mono-
a implementação das autarquias.

cutivo e da Assembleia Nacional, mentação das autarquias? que os problemas polizado? O gradualismo é frequentemente
da necessidade de reservar parte Angola precisa de encontrar um O partido que sustenta o Governo descrito como estratégia do par-
importante para o sector social. modelo de governação de maior
locais encontrem deve alargar o debate. O debate está tido no poder para não perder o
Temos verificado mudanças posi- proximidade com os munícipes uma solução. muito voltado para o próprio MPLA. eleitorado…
tivas neste aspecto, em que o sec- para que possam compreender que Cada partido político está a condu- Na ADRA, preferimos abordar as
tor social tem sido uma franja são partícipes da solução dos varia- zir o seu próprio debate. A questão autarquias na perspectiva de desen-
importante no peso orçamental. volvimento, não tanto na manuten-
No OGE actual, mais de 30% das ção de poder ou na oportunidade
Mário Mujetes © VE

verbas destina-se ao sector social. para chegar ao poder. É muito arris-


É positivo diferente do que acon- cado, porque não permite desen-
tecia desde de 2000 a 2012, em volver o debate. Foram aprovadas
que a defesa tinha mais verbas do algumas leis, segundo informações,
que a educação, saúde e protecção por consenso da própria AN, mas
social, todos juntos. Ainda assim, quando analisamos as leis ainda
temos um grande desafio. Hoje, a notamos deficiências.
defesa recebe um montante relati-
vamente inferior quando compa- Quais?
rado com o sector social, mas, na As que têm de ver com a atribui-
execução, o sector da defesa está ção das competências às autar-
sempre alto. Do ponto de vista de quias. Na educação, refere-se que
execução, temos de melhorar, até as autarquias terão responsabili-
porque dá ideia que é feito de pro- dade de gerir o processo de ensino
pósito. Defendemos que os níveis e aprendizagem apenas no ensino
de execução devam ser proporcio- pré-escolar e primário, da creche até
nais ao nível de alocação. à sexta classe. As autarquias deve-
riam chegar até ao ensino médio,
Como se pode falar em rigor na porque temos constatado dificul-
gestão sem prestação de contas? dades em crianças que terminam
No debate sobre o OGE, o mais o ensino primário para chegar ao
importante é analisar três variá- segundo ciclo. O único subsistema
veis: transparência na gestão do de ensino que não deveria fazer parte
orçamento, saber em que medida a das autarquias, do ponto de vista
administração municipal tem feito da gestão, é o do ensino superior.
prestação de contas aos munícipes.
Neste aspecto, não estamos bem,
as administrações municipais não Continuação na página 6
6 Valor Económico Terça-Feira 30 de Abril 2024

Entrevista
Continuação da página 5

A lei estabelece uma saudável rela-


ção entre o poder autárquico e o
poder tradicional?
Como o debate anda limitado,
não são discutidas outras ques-
tões como, por exemplo, a rela-
ção entre os poderes que formam
o poder local. Não se tem levan-
tado isso, compreender que as ins-
tituições do poder tradicional que
constituem um poder a nível local,
deverão cooperar com as autar-
quias. Há desafios que as autar-
quias irão enfrentar e que, para
a sua solução, poderão não ter
um respaldo legal. Por exemplo,
como se vão tratar as acusações
de feitiçaria? As instituições do
poder tradicional têm um papel
importante, de tal modo que as
autarquias devem complementar
o poder tradicional e vice-versa,
assim como outras modalidades
da participação. A existência de
espaços da participação pública
joga um papel importante para
dar corpo ao funcionamento das
autarquias, por exemplo, com um
fórum da sociedade civil. Pode ser
catalisador para as autarquias cap-
tarem as preocupações dos muní-
cipes em relação à situação social,
económica e cultural do seu terri-
tório. Estes três entes devem tra-
balhar com base na colaboração,
porque, sem ela, não será possível
dar resposta aos problemas. Lançá- É um sinal que o Estado não está Há uma necessidade de, além de ção, há a ideia de que as autarquias forma simultânea, e não em alguns
mos um estudo sobre percepções a cumprir com o seu dever de haver uma abordagem geral, pro- vão resolver tudo. A educação cívica municípios e outros não. Nas admi-
dos cidadãos sobre as autarquias. informar… mover-se encontros específicos com autárquica deve acontecer antes e nistrações municipais, algumas
As informações são interessantes Exactamente. Temos de compreen- grupos que terão responsabilidades ser continuada durante e depois entendem que as autarquias têm de
e, por outro lado, preocupantes, der que todo o cidadão tem direito acrescidas na implementação desta das eleições autárquicas e não como ser implementadas de forma gradual
apresentam um conjunto de infor- à informação. As autarquias corres- matéria. As autoridades tradicionais algumas administrações munici- e outras de forma simultânea em
mações que nos chamam aten- pondem a um assunto de interesse são actores de máxima relevância. pais defendem de que não temos todos municípios. Ainda há outras
ção de serem já trabalhadas sob nacional e que é, acima de tudo, a Entre as autoridades tradicionais autarquias, por isso, não desen- administrações que entendem que
pena de virem afectar o sucesso participação do cidadão. Deve haver também há pouca informação. volvem acções de educação cívica. as autarquias não constituem uma
das autarquias. esta obrigação do Estado em facul- As administrações municipais, no Têm de entender que a acção cívica prioridade. Há unanimidade de que
tar toda a informação possível ao âmbito do programa de cidada- configura um exercício da cidada- as autarquias devem ser implemen-
Quais são essas preocupações? cidadão para que esteja suficiente- nia, deveriam ter este programa, nia e exercício da cidadania é uma tadas já. Há cidadãos que. no início
A escassez de informação sobre o mente informado. De acordo com mas não têm. acção permanente. do debate, estavam ávidos de ver
ponto de situação da implemen- o estudo, muitos cidadãos não têm o poder autárquico concretizar-
tação das autarquias, o pouco acesso à informação e domínio De que forma se as próprias admi- Que tipo de autarquia se adequa -se, mas estão a perder esperança.
conhecimento que os cidadãos têm do que é autarquia. Encontramos nistrações, como refere o estudo, a Angola?
sobre a matéria, inclusive quadros comunidades em que o entendi- nem sequer têm conhecimento Circulou nas redes sociais e alguns Qual seria o tipo ideal a ser imple-
das administrações municipais. mento que têm sobre autarquias é sólido sobre a matéria? órgãos de comunicação social que mentado?
Quando estivemos no terreno a de que o colono está a voltar para As administrações municipais a ADRA defende o gradualismo. Temos uma posição clara: é de que
colher informações, houve admi- nos cobrar impostos, noutras dizem estão com esta dificuldade, sobre- Não corresponde à verdade. O o país avance com o poder autár-
nistrações municipais que se nega- que vamos ter um novo presidente, tudo nos municípios que fazem desafio da institucionalização das quico. Como isso pode avançar
ram a emitir opinião, algumas já não vamos ter nada a ver com João parte da categoria D e C que apre- autarquias não é o gradualismo, é a é outra questão, não é problema
foram honestas em dizer que não Lourenço. Estas pessoas merecem sentam características rurais, que ausência de debate sobre o assunto central. Parece filosófico ou polí-
se sentem confortáveis, porque não ser informadas para melhor parti- estão muito distantes da capital da ao alto nível e que envolve os pode- tico. A nossa visão é meramente
dominam a matéria. Tem de se ciparem neste processo. província, onde o acesso a informa- res executivo, legislativo, judiciário tecnicista, sempre a olhar para a
desenvolver programas de educa- ção é bastante difícil. Nestes muni- e a sociedade civil. É fundamental população. O argumento de que
ção cívica autárquica para permitir Nestas comunidades, o poder tra- cípios, a situação é mais crítica. Se este debate, que não tem havido. A há municípios que não têm con-
às pessoas terem acesso à informa- dicional tem um grande peso, pode esta componente não for traba- nível dos munícipes, há uma unani- dições para receber autarquias não
ção e poderem participar no pro- auxiliar no acesso à informação, lhada, as autarquias podem vir a midade em implementar as autar- faz sentido, porque a finalidade das
cesso autárquico. mas pelos vistos está afastado… ser uma decepção para a popula- quias em todos os municípios, de autarquias é, exactamente, melho-
Terça-Feira 30 de Abril 2024 ~ Valor Económico 7

Hoje, percebemos que nenhum administrador


municipal, governador, ministro ou agente público, de que nível for, gostaria de ver o seu
nome manchado pela utilização indevida do erário.

do município e ter em conta um tiva. Realizámos um estudo com o


~ feridos recursos adequados. Um
conjunto de factores. Um deles é o Observatório Social de Angola e o outro caminho é ter a coragem
de recursos humanos. Há municí- Laboratório de Ciências Sociais e de fazer um exercício sobre quais
pios em que, em certos sectores, o Humanas da Universidade Cató- são as reais prioridades, de muni-
número de técnicos é bastante dimi- lica. O nosso posicionamento é Perfil cípio a município, com base nisso
nuto. Por exemplo, no município que a divisão político-administra- desenhar políticas no nível local e
de Luchazes, no Moxico, não existe
nenhum técnico agrário. Como é
tiva vai custar caro ao Governo. Se
actualmente o Orçamento Geral do
De estagiário não central. Não podemos ter um
programa de combate à fome que
que se vai tratar questões de assis-
tência técnica aos agricultores no
Estado serve mais para pagar salá-
rios, com esta decisão de avançar
a director-geral é nacional, não funciona. Outra
via é uma aposta séria na agricul-
contexto autárquico? com divisão político-administra-
tiva, vai limitar a locação de verbas
da ADRA tura, um sector que gera resulta-
dos múltiplos, reduz o índice de
Pode recorrer a outras futuras para despesas de capital. desemprego. O sector deve mere-
autarquias… Carlos Cambuta é licenciado em cer uma atenção especial, sobre-
Pode no quadro da cooperação Não será também para adiar a Letras, Línguas e Literatura Inglesa tudo para Angola que 70% do que
inter-autárquica, até porque há implementação das autarquias? pela Universidade Agostinho Neto. É se come é importado.
já uma lei sobre isso. Precisamos Os fundamentos que sustentam a igualmente mestre, pela mesma uni-
ampliar o debate, trazer outras nova divisão político-administra- versidade, em Governação e Gestão O Executivo está a levar a cabo
visões e ajudar a implementar medi- tiva são aceitáveis. Mas as autar- Pública, Governação Local, Políticas o programa de diversificação da
das correctivas. O que se pretende quias são essenciais, importantes Públicas e Desenvolvimento. Entrou economia. Já há efeitos nas comu-
quando se avança com o gradua- e são uma prioridade. na ADRA em 2003, como estudante nidades rurais?
lismo geográfico é, exactamente, estagiário colocado no Projecto Este programa não surte efeitos.
ensaiar, avançar de forma piloto Durante a elaboração da pro- Onjila. Ascendeu a técnico de desen- A agricultura é a da resiliência, é
para assegurar que não possamos posta não participaram da aus- volvimento comunitário no ano se- importante investir, quanto maior
ter dificuldade na continuidade do cultação pública? guinte. Em 2009, chegou a gestor do for mais ganho o país poderá ter
modelo. Isso do ponto de vista téc- Houve um amplo processo de aus- Projecto de Apoio à Implementação porque vai reduzir taxas de desem-
nico é normal. Temos experiência cultação pública que contou com a da Estratégia Nacional de Segurança prego, volumes de importações.
que quando o Governo arranca participação de alguns autores não Alimentar e Nutricional, e seis anos
com um programa de uma vez estatais, entre os quais, a ADRA. depois assume o cargo de director O que as comunidades preci-
em todas as províncias a tendência Fomos ouvidos e até participamos nacional de Projectos na ADRA, e em sam mais?
é de falhar. O facto de se avançar na condução e realização de várias 2019 chega a director-geral. Precisam de serem valorizadas como
em algumas províncias não signi- secções de auscultação pública. actores do desenvolvimento, o Exe-
fica não avançar em outras provín- Entretanto, nas outras leis que che- cutivo podia olhar para as comu-
cias. Não existe um só caminho, garam à NA, não houve ausculta- nidades como principais parceiros
existem vários. Pode-se avançar ção pública, a discussão foi apenas na resolução dos vários proble-
numa província com um conjunto entre deputados. O facto de nos mas. Facilitar os factores de pro-
de soluções e noutra com um outro representarem não limita os deputa- dução por via do crédito, acesso à
conjunto de soluções, fazer avalia- dos em irem ao encontro dos cida- terra, aos insumos agrícolas para
ção e assim se vai para frente. dãos para ouvirem suas opiniões. que se possa produzir, criar condi-
rar as condições. Quando se fala do Isso terá contribuído para um con- ções para que o produtor não possa
gradualismo geográfico, a ideia é Para uma primeira fase, defende a junto de insuficiências que as leis perder a sua produção no campo,
experimentar o funcionamento das implementação do gradualismo? aprovadas apresentam. As autarquias para isso, é reparando as estradas,
autarquias, neste sentido técnico, Defendemos a necessidade de o podem vir a criar sistemas logísticos.
pode haver alguns municípios sem país ter autarquias e que sejam Como associação, a ADRA tem
condições e com condições. E não resultado de um debate nacional. possibilidade de recorrer ao Tri- ser uma decepção O senhor é conselheiro para área
bunal Constitucional para cor-
sei que município tem condições e
que não tem. Numa primeira fase,
No entanto, compreendemos as
teses que são a favor das autarquias rigir as insuficiências. O que os
para a população, há social e económica do Presidente
da República. Não o tem acon-
pode-se seleccionar, numa provín- serem implementadas na lógica do impede de avançar? a ideia de que as selhado?
cia, um certo número de municí- gradualismo geográfico, porque Exactamente. Não estamos a fazer, Faço parte do conselho Económico e
pios com características urbanas e do ponto de vista técnico é aceitá- porque pode atrasar mais a insti- autarquias vão Social, estou inserido na área social,
um certo número com caracterís- vel. Mesmo países, cujos sistemas tucionalização das autarquias. É resolver tudo. temos trabalhado muito.
ticas rurais, no sentido de se fazer políticos são descentralizados há melhor avançar e, à medida que
uma avaliação que nos consiga fazer mais de 50 anos, também adop- estiver em funcionamento, se vai E tem aconselhado?
compreender como foi o processo taram este modelo. A Alemanha procedendo à actualização. As leis Apresentamos propostas que são
de funcionamento de autarquia é um exemplo. A lição que nos dá mudam com o passar do tempo. As nas famílias. Como se pode sair sempre resultados de estudos, pres-
no contexto urbano e rural, para é que tem de haver rigor no cum- leis foram aprovadas, muitas delas deste cenário? sionamos para o que temos estado
que se possa partir para todos os primento do calendário e não fazer há dois ou quatro anos, ainda não Em primeiro lugar, mudar o para- a apresentar possa ter reflexo. Algu-
municípios. como Moçambique. estão a ser implementadas e já estão digma de governação. O país não mas propostas são colhidas e outras
a apresentar insuficiências, se dis- pode continuar a ser excessiva- não são efectivamente colhidas.
Passados estes anos todos ainda Quando se discute a implemen- cutirmos agora vai atrasar o pro- mente centralizado, deve apostar
temos de experimentar se as autar- tação das autarquias, a divisão cesso. A nossa tese é não apontar num modelo de governação com A maioria não são colhidas?
quias funcionam em Angola ou político-administrativa é uma lacunas, é aprovar as leis que estão maior proximidade aos cidadãos, a É um processo. Temos é que ser
não? prioridade? em falta e quando avançar se vai efectivação do poder local, vai dar insistentes. Temos de compreen-
Temos de fazer uma análise mais Claro que não. Entre a divisão fazendo actualização. maiores possibilidades dos muni- der que o país tem um conjunto
cuidada e analisarmos objectiva- político-administrativa e as autar- cípios ganharem vida e concretiza- de problemas, mas a capacidade
mente aquilo que pretendemos. quias, certamente a prioridade é a O país vive um momento crítico, rem a ideia segundo a qual a vida de resposta não tem sido suficiente.
O que pretendemos é que, por via autarquias porque estão mais ao com as pessoas a passar fome e a faz-se nos municípios. O que acon- Por outro lado, tudo requer tempo
das eleições autárquicas, possamos alcance de serem executadas do comer no lixo. Está instalada a tece hoje é transferir competências e o mais importante é continuar a
protagonizar o desenvolvimento que a divisão político-administra- pobreza cada vez mais extrema aos municípios, mas não são trans- debater os assuntos.
8 Valor Económico Terça-Feira 30 de Abril 2024

Economia/Política
ANGOLA INVEST

Governo
continua
sem pagar
‘kilape’aos
bancos
O Governo continua sem
pagar as bonificações de
CUSTO MÉDIO MAIS BAIXO DOS ÚLTIMOS 5 ANOS juros de crédito, concedidos

Angola gastou 43 mil


pelos bancos no âmbito do
Angola Investe, lançado em
2011 e que visava o fortaleci-
mento das micro, pequenas
e médias empresas.
A dívida do Governo que

USD por cada viatura


se arrasta desde o último tri-
mestre de 2019 é compro-
vada nos relatórios e contas
de alguns bancos. “O saldo
da rubrica ‘Bonificações

importada em 2023
PAC/ Angola Investe’ res-
peita ao valor a receber do
Estado (Ministério da Eco-
nomia), relativo à bonificação
de juros dos créditos con-
cedidos no âmbito do Pro-
jecto de Apoio ao Crédito
AUTOMÓVEIS. País exportou divisas avaliadas em mais de 1,333 mil e Angola Investe. Em 31 de
milhões de dólares para a compra de 35.054 viaturas no ano passado. Dezembro de 2023 e 2022,
encontram-se por cobrar as
bonificações de juros devidas
referentes ao último quadri-
Por Redacção em 2023, Angola importou um Custo médio do estado mestre de 2019 e aos exercí-
total de 35.054 viaturas, que justi- cios de 2020 a 2023”, lê-se, por
com a importação de uma viatura

O
ficaram a saída de cerca de 1.333,4 exemplo, no relatório do BIC.
custo médio da milhões de dólares, enquanto, em O banco liderado por Hugo
importação de 2022, chegaram ao país 32.619 Teles acrescenta que, face à
101.548 usd
25.471 usd

95.947 usd

47.024 usd

43.042 usd

38.038 usd

v iaturas, por viaturas por uma despesa total de situação, constituiu impa-
unidade, baixou 1.404,0 milhões de dólares. ridade de cerca de 1,388 mil
11,6% em 2023, Nos últimos cinco anos, o custo milhões de kwanzas. O Banco
fixando-se em médio mais alto foi registado em BIC, de resto, tem sido a ins-
cerca de 38,038 2019, ao fixar-se em 101,548 mil tituição que tem detalhado o
mil dólares, face aos 43,042 mil dólares por unidade. Nesse ano, 2014 2019 2020 2021 2022 2023 tema de forma mais transpa-
dólares de 2022. chegaram ao país 7.037 veículos, rente no seu relatório.
Os números de 2023 represen- pelos quais o Banco Nacional de tação de viaturas, mas o custo Apesar de 2023 terminar com o Já o Millennium Atlântico
tam o valor mais baixo dos últimos Angola registou a saída de cerca médio por unidade baixou con- custo médio mais baixo gasto nos sublinha que a rubrica ‘Deve-
cinco anos, mas está acima dos de 714,6 milhões de dólares. sideravelmente, passando dos já últimos cinco anos, os 43.042 dóla- dores Diversos’ “é referente a
cerca de 25,471 mil dólares gastos Já em 2020, registou-se uma referidos 95.947 para os 47.024 res ainda estão muito acima do que outros activos com risco de
em 2014, ano com o maior registo redução de 5,5% no custo médio dólares. o país gastou por cada carro impor- crédito, nomeadamente: (i)
de importações de viaturas. por viatura importada, ao fixar-se No global, em 2021, o BNA tado em 2014. O ano que conta valores a receber no âmbito
Os cálculos são do Valor Eco- em cerca de 95,947 mil dólares. Foi registou a saída de 815,5 milhões com o recorde do número de car- da iniciativa do Ministério
nómico e cruzam dados do Banco registada a entrada de 7.427 viatu- de dólares contra os 712,6 milhões ros importados, com um total de da Economia e Planeamento
Nacional de Angola e da Agên- ras e a saída para a compra dos car- de dólares do ano anterior, mas o 133.876 unidades, o país exportou ‘Programa Angola Inves’”,
cia Reguladora de Certificação de ros de 712,6 milhões de dólares. volume de viaturas que chegou ao cerca 3.410,44 milhões de dólares, sem fazer referência ao saldo
Carga e Logística de Angola (ARC- No ano seguinte, o país gas- país mais que duplicou. Saiu de fixando o custo médio por uni- em concreto.
CLA). Segundo os dados oficiais, tou mais divisas para a impor- 7.427 para 17.342 viaturas. dade nos referidos 25.471 dólares.
Terça-Feira 30 de Abril 2024 Valor Económico 9
O VALOR DA IMPORTAÇÃO de combustíveis caiu 21%
no primeiro trimestre, para 769 milhões de dólares, face
aos últimos três meses do ano passado, de acordo com dados
apresentados pelo director-geral do Instituto Regulador de
Derivados do Petróleo (IRDP), na passada segunda-feira.

Quantidades importadas/exportadas
pelo Prodesi e valores em USD
n 2023 n 2024

388.550t
349.132t

245.874t

126.119t
Importação Exportação

479.444.538

437.106.164

27.282.321

27.991.490
Importação Exportação

DADOS DO PRODESI NO I TRIMESTRE dutos vendidos fora do território


angolano, observou-se uma redu-

Estado gasta 437,1 milhões ção de 119.755 toneladas exporta-


das em relação às 245.874 toneladas
do período homólogo (ver gráfico).
Entre os produtos mais impor-

USD com importações


tados durante os primeiros três
meses do ano destaca-se o arroz,
com cerca de 96.165 toneladas que
custaram 88,081 milhões de dóla-

e encaixa apenas 27,9


res, valores que suplantam o total de
encaixe com as exportações. Outro
produto que teve peso significativo
foi a carne de frango. Foram 53.566

milhões com exportações


toneladas importadas, num mon-
tante de 61,336 milhões de dólares.
Para fechar o top quatro dos mais
importados, seguem-se o açúcar
com 75.258 toneladas, correspon-
dentes a 54,345 milhões, e o óleo
alimentar de soja com 21.793 tone-
BALANÇO. Importação de arroz exigiu três vezes mais recursos do que o montante ladas que representaram gastos de
resultante da venda de matérias-primas para o estrangeiro no âmbito do Prodesi. 46,722 milhões de dólares.
O valor das exportações, por
sua vez, registou um crescimento
Por Guilherme Francisco devido à contribuição de cinco
produtos. A maior foi da exporta-

O 2,5
ção de embalagem de vidros, com
Governo gas- com o programa, obteve apenas das importadas ficou acima, com 9.852 toneladas que ‘sugaram’ 5,082
tou 4 37,10 6 27,991 milhões (23,346 mil milhões um incremento de 10%, ao passar milhões de dólares. A seguir foram
mi l hões de de kwanzas), fruto da exportação de 349.132 toneladas para 388.550 os sumos e refrigerantes, com 6.264
dólares (364,572 de 126.119 toneladas. toneladas. toneladas por 2,906 milhões de
mil milhões Comparativamente ao trimes- No período, as matérias-pri- dólares, além das fraldas descartá-
de kwanzas) tre homólogo, verifica-se uma redu- mas exportadas, no âmbito do pro- veis com 1.261 toneladas por 2,512
a impor ta r ção de 8,8% do dinheiro gasto na grama, resultaram em um aumento milhões de dólares. O clínquer e
Por cento, é a margem de aumento
388.550 toneladas de matéria- importação de matérias-primas, ao de 2,5% do dinheiro captado, cres- do dinheiro captado com a exportação das
a cerveja terminaram o trimes-
-prima para o Prodesi, no fecho recuar de 479,444 milhões para os cendo de 27,282 milhões para 27,991 matérias-primas no âmbito do Prodesi. tre com 69.166 toneladas no valor
do primeiro trimestre do ano, 437,106 milhões de kwanzas. No milhões. Apesar do crescimento de 2,293 milhões, e 14.081 tonela-
enquanto, em encaixe financeiro entanto, a quantidade de tonela- do valor de encaixe com os pro- das por 2,025 milhões de dólares.
10 Valor Económico Terça-Feira 30 de Abril 2024

Economia/Política
TOTAL DE 270 MIL TONELADAS

Governo realiza concurso


de licenciamento
de importadores de
arroz para “travar
dispêndio de divisas”
COMÉRCIO. Secretária de Estado do tal de compras públicas dá priori-
Comércio explica que a importação dade aos produtores. A secretária
de Estado acrescenta que só serão
servirá para cobrir o défice da produção admitidas as empresas que estive-
nacional estimado em 91%, uma vez rem cadastradas ou certificadas
como fornecedoras do Estado. E
que o arroz produzido no país alertou que os interessados deve-
corresponde a apenas 9% da procura. rão provar que têm capacidade de
armazenamento, além de possuí-
rem um alvará comercial grossista
da classe alimentar.

15
Fazem ainda parte das exigên-
cias o alvará industrial da classe
Por Mateus Mateus específica alimentação e bebidas,
demonstrações financeiras dos
últimos três anos, certidão con-

D
tributiva da segurança social de
ecorre até 06 não devedor, certidão de confor-
de Maio o con- midade tributária e documento
curso de licen- da constituição da sociedade. E
ciamento de os vencedores do concurso terão
importação de de pagar uma caução de 5% do
Mil toneladas é a quantidade
cerca 270 mil mínima de importação de arroz que o
valor dos lotes que lhes forem
toneladas de Governo fixou por cada importador. atribuídos.
arroz, uma medida que, de acordo Numa declaração de Março
com a secretária de Estado Do deste ano, o director nacional das
Comércio e Serviços, Augusta For- Florestas, Domingos Veloso, refe-
tes, serve para travar o dispêndio riu que o país necessitava de 500
de divisas com a importação. Justificando o concurso com a na Nova Pauta Aduaneira em vigor para a cobertura de três meses. O mil toneladas de arroz, sendo que
Num encontro de esclareci- necessidade de “travar o dispên- desde finais de Março, há vozes primeiro lote servirá para cobrir o concurso dirigido pelo Minis-
mento aos empresários candida- dio de divisas com a importação”, que suspeitam que a decisão do Maio, Junho e Julho; o segundo será tério do Comércio e Indústria
tos a importadores de arroz, na a secretária de Estado especificou Governo de licenciar a importa- para Agosto, Setembro e Outubro, está em cerca de 46% abaixo das
última sexta-feira, 26, Augusta que licenças se destinam à aqui- ção do arroz pode ser “uma mano- ao passo que o terceiro lote deverá necessidades.
Fortes referiu que a importação sição do ‘arroz tailandês’, de cor bra para potenciar o monopólio cobrir Novembro e Dezembro. As 270 mil toneladas repre-
servirá para cobrir o défice da branco, de 25 a 50 kg. de um determinado grupo, pró- O Governo fixou uma quan- sentam também uma queda de
produção nacional estimado em Numa altura em que o Governo ximo do poder”. tidade mínima de importação 20% se comparadas às 339 tonela-
91%, uma vez que o arroz produ- retirou o arroz dos produtos isen- Segundo as contas oficiais, a por cada importador, no caso 15 das de arroz importadas em 2023,
zido no país corresponde a ape- tos de taxas de importação, apli- importação será dividida em três mil toneladas, e o procedimento que exigiram uma despesa de 223,1
nas 9% da procura. cando uma tarifa de 20%, fixada lotes de 90 mil toneladas cada um, do concurso que decorre no por- milhões de dólares.
Terça-Feira 30 de Abril 2024 Valor Económico 11
REALIZOU-SE, esta terça-feira, a 5.ª Reu-
nião Operacional do Subsector das Águas
com objectivo de analisar o estado e funcio-
namento das infra-estruturas de produção,
transporte e distribuição de água no país.

SECTOR COM RESULTADOS MISTOS

Receitas com a venda de


gás afundam 60%, enquanto
petróleo bruto sobe 11,93%
BALANÇO. Aumento das receitas provenientes do petróleo salvaram o sector de os resultados da indústria con-
resultados negativos, com os produtores privados a assegurar uma quota de 54,91%. trolada pelo Mirempet. Foram
exportados adicionalmente 6,196
China e Índia foram os principais destinos do petróleo e gás produzidos em Angola. milhões de barris, totalizando
94,406 milhões de barris vendi-
dos até ao fim do trimestre. Uma
Por Mateus Mateus taram uma quebra de 15,78% na quantidade que animou o cresci-
quantidade exportada, ao recua-
rem das 1,147 mil milhões de
Exportação de Exportação mento das receitas que atingiram
os 7,769 mil milhões de dólares,
Petróleo Bruto de gás

O
toneladas métricas para 966,394 com o incremento de 11,93% face
sector do petró- milhões de toneladas métricas. O aos 6,940 mil milhões anteriores.
leo e gás fechou que implicou também uma queda 100 1200
O preço médio do brent,
os primeiros três de 59,43% nos valores adquiridos durante o trimestre, foi de 83,161
meses do ano com as vendas, ao decresceram 1000
dólares, contra os 81,170 dólares
com resultados cerca de 576,669 milhões, caindo 80
do período homólogo.
mistos, assina- dos 970,269 milhões para 393,600 Do volume de petróleo bruto
lando um ligeiro milhões de dólares. exportado, as empresas privadas,
800

60
crescimento de 3,17% ao gerar No período, o gás foi comercia- esmagadora maioria estrangeiras,
QUANT. BBLS – 88.209.866

QUANT. BBLS – 94.406.082

QTD T.M – 1.147.500,22

por intermédio das vendas (de lizado ao preço de 407,288, redu- 600
são as responsáveis por 54,91%. A
QTD T.M – 966.394,10

gás e petróleo) um valor de 8,162 zindo abaixo da metade do preço 40 Total Energies comanda com uma
mil milhões de dólares, mais praticado no trimestre homólogo. 400
quota de 11,68%, a SSI 7,01%, e a
251,463 milhões comparativa- Quanto aos principais desti- Esso 6,99%. Por sua vez, o Estado
mente aos 7,911 mil milhões do nos das exportações angolanas, teve uma quota de 42,44% com a
20
200

período homólogo, indicam cál- no caso do gás natural liquefeito, exportação da ANPG (26,66%) e
culos do Valor Económico com foram a Índica, com 54,65%, Itá- 0 0 a Sonangol (15,78%).
base nos resultados apresentados lia com 18,06%, Tailândia com Iº Trim. Iº Trim. Iº Trim. Iº Trim. Os principais destinos das
na última semana no Ministério 9,04%, Holanda com 9,04% e 2023 2024 2023 2024 exportações petrolíferas angola-
dos Recursos Minerais, Petróleo Reino Unido com 8,88%. Já os nas foram a habitual China (com
e Gás (Mirempet). destinos das exportações de pro- 49,65% ) e a Índia (13,12%). A Espa-
O Gás Natural Liquefeito pano, segundo apuração preli- tugal 5,05%, ao passo que o gás sados ainda não estão disponíveis. nha (8,76%), a Indonésia (6,93%),
(LNG), Gás Liquefeito de Petró- minar, foram os Estados Unidos butano foi exportado apenas para Em sentido inverso, a expor- a França (4,33%) e os Estados Uni-
leo (LPG) e condensados regis- com 11,40%, China 11,23% e Por- a Namíbia. Os dados dos conden- tação de petróleo bruto salvou dos (4,11%) seguem-se na lista.
12 Valor Económico Terça-Feira 30 de Abril 2024

Mercados & Negócios


JORGE SANTOS, CEO DO OUTLETS SHOPPING

“Vamos conseguir abrir


o projecto na melhor
altura em termos económicos
e vai ter resultados muito
melhores para todos”
ENTREVISTA. Com Com estas alterações, o orça-

Mário Mujetes © VE
a abertura do mento inicialmente previsto de
30 milhões de dólares, também
‘shopping’ prevista terá sofrido alterações ou nem
para Outubro, Jorge por isso?
Foi um bocadinho mais do que isso,
Santos garante que, mas está dentro daquilo que eram
desta vez, é para valer as nossas previsões em termos de
e justifica o atraso com custos e investimentos
dificuldades externas. A subida de preço dos materiais
Líder do complexo de construção, por exemplo, não
teve qualquer influência?
de comércio e Não. A dificuldade que tivemos aqui,
habitacional confia no se calhar, foi a influência em atra-
sucesso da empresa sos, que tem que ver com a impor-
tação de muitos equipamentos.
e no futuro das lojas Grande parte deles são importados
‘gigantes’ em Angola. e o tempo que, às vezes, demoram
todos esses processos desde que as
divisas conseguem chegar lá fora
para se pagar os produtos, até o
produto chegar aqui, tudo isso, se
Por Cêsar Silveira truir o edifício de terminar e nos o Outlet Shopping, que tem 148 o piso de cima com ‘food court’ e calhar em algumas situações, pro-
entregar o edifício pronto. Não tem mil metros quadrados de área moda. No final do ano passado, vocou alguns atrasos. Mas foi mais

H
propriamente que ver com a data e é composto por condomínio foi decidido avançar com um ter- por aí, ou seja, em termos daquilo
á cerca de de abertura. Existem também as de apartamentos para habita- ceiro piso para um espaço só para que é a organização e logística e
du a s s em a- obras dos lojistas e há situações em ção, com 106 apartamentos; um crianças, que não estava previsto não tanto pelo custo que sentimos
nas, aconteceu que para os lojistas que têm de ter- edifício de escritórios, um hotel, no projecto inicial. Vamos ter ou que provocou atrasos na obra.
uma espécie de minar. Foi muito importante con- que não estava previsto na fase uma área com cerca de cinco mil Não teve nada que ver com questões
relançamento seguirmos ter um compromisso inicial; uma zona de ‘retail park’ metros quadrados, com um con- financeiras, mas sim com questões
do Shopping deles da finalização dos trabalhos. e o ‘shopping’. Ao longo deste ceito mais conhecido por Kidzone operacionais e de logística.
Outlets, onde Hoje, já entraram lojistas em obras, período, houve algumas altera- que existe em vários países da
deixou o compromisso de con- mas ainda com trabalhos a decor- ções. O hotel, por exemplo, não Europa e mesmo em África, como É um investimento que se vai
cluir o projecto em 100 dias. A rer em simultâneo com os traba- estava previsto. Houve uma alte- Marrocos, por exemplo. Vamos recuperar dentro dos ‘timings’
meta, desta vez, vai ser cum- lhos da construtora. ração para criar os escritórios e o ter este conceito também, não se previstos ou estimam grandes
prida, visto que no lançamento, hotel. A construção de um posto vai chamar Kidzone, terá outro dificuldades?
em 2022, a conclusão estava pre- O atraso esteve mais relacio- policial também não estava pre- nome. É uma cidade da brinca- Para já, estamos a considerar que
vista para 2023? nado com o empreiteiro ou com vista. O projecto inicial tinha ape- deira, onde os miúdos podem, vamos conseguir recuperar os
Desta vez é para ser cumprida, mas o investidor? nas dois pisos, o de baixo mais de uma forma educativa, passar investimentos dentro dos prazos
a meta dos cem dias é a do emprei- Este projecto não é só o ‘shop- dedicado a serviços, electrónica, três ou quatro horas a brincar e que estavam previstos, entre cinco
teiro, da empresa que está a cons- ping’. Estamos num complexo, lojas de maior dimensão e, depois, ter as suas festas de aniversários. e seis anos.
Terça-Feira 30 de Abril 2024 ~ Valor Económico 13

Os ‘shoppings’ quer em Angola, quer em mercados mais


evoluídos, continuam a ser um investimento muito rentável, seja para quem aposta e faz i

Existe um certo preconceito ou


nvestimento em si, na construção e desenvolvimento do projecto.
~ também com preços reduzidos.

Mário Mujetes © VE
desconfiança dos projectos de Nós, em alguns momentos, pode-
‘shopping’ de investidores chine- remos alterar algumas das marcas
ses. porque a realidade tem mos- que não tenham o produto ou que
trado que acabam por ficar abaixo o produto não esteja na estação. As
do perfil dos ‘shoppings’ que já pessoas vão sempre encontrar uma
existem como é o caso, por exem- diversidade de marcas, não há espa-
plo, do Belas Shopping. Uns aca- ços fixos onde terão sempre aque-
bam por ser nada mais do que um las 20 marcas que estavam desde
conjunto de armazéns … o início. Pode haver alterações ao
A dona deste projecto é efectiva- longo do ano, dentro do espaço, de
mente uma empresa chinesa, o acordo com a época. Assim, con-
capital é chinês, mas é um pro- seguiremos sempre manter uma
jecto que se pretende que seja um oferta interessante. Esse é o objec-
‘shopping’ para concorrer directa- tivo, quando as pessoas forem aos
mente com outros que já existem, espaços, que tenham sempre uma
com conceito mais de comércio oferta, quer para mulheres, quer
integrado, mais profissional. Este para homens, de acessórios e cal-
espaço vai ter, em termos de oferta çados, haverá um pouco de tudo,
diária comercial, cerca de 56 mil mas com alguma rotatividade.
metros quadrados. Será o que se
pode considerar comércio de reta- Já têm quantas marcas interna-
lho integrado e organizado a maior cionais com contrato firmado e
área em Luanda. Tem duas verten- quais são expectativas?
tes que mais nenhum outro ‘sho- O ‘shopping’ vai ter um pouco de
pping’, o que lhe permite ter um tudo, terá marcas internacionais e
tipo de oferta melhorada ou, pelo nacionais. Estamos já com uma taxa
menos, mais oferta e mais atrac- de comercialização muito interes-
tiva. Vamos ter um ‘retail’ conju- sante. Já está formalizada, acima dos
gado com o ‘shopping’. Na parte 60% e acreditamos que até Outu-
do ‘retail’, as pessoas têm lojas de bro, com todas as negociações em
maior dimensão, onde encontram curso, vamos abrir com uma taxa
as chamadas lojas mais de destino. de ocupação talvez acima dos 90%,
Depois, vai ser complementado com que é muito interessante, mesmo
o edifício principal, onde, aí sim, para estes tempos. Tem existido
as pessoas vão encontrar serviços interesse por parte das marcas,
que habitualmente encontra: tele- dos operadores que estão no país, e
comunicações, electrónica, ban- curiosamente, por parte de marcas
cos e seguros. Vão ter uma oferta internacionais que querem entrar
de moda com algumas diferen- no país e encontraram aqui a pos-
ças com aquilo que existe no mer- sibilidade de entrarem em Angola.
cado. O ‘shopping’ é um ‘outlet’, o
que implica ser um conceito um Disse acreditar no crescimento
pouco diferente daquilo que é um da economia, está a dizer que o
‘shopping’ normal em termos de Outlet vai ser aberto em um bom
oferta. Não em termos de conforto. momento económico?
As pessoas vão encontrar no edifí- O mercado tem sofrido bastante
cio o mesmo tipo de conforto e o desde a altura que cheguei para
mesmo tipo de valências que têm abertura do Xyami, em 2015. Está-
quando vão a outros ‘shoppings’ vamos a entrar numa fase deca-
da concorrência. O que vai ter é conceito. Todas as lojas que têm no o conceito ‘outlet’ nos momen- dente em termos de economia
uma oferta em termos de lojas e mercado são normais. tos mais difíceis em termos eco- e uma fase difícil em termos de
um espaço próprio com cerca de A grande dificuldade nómicos? mercado. Vamos entrar com esse
1500 metros quadrados, onde vão
encontrar marcas de modas, algu-
O cinema estava inicialmente pre-
visto, mas parece que está des-
tem que ver com a Acho que, sim. Para já, espera-
-se que esses dois próximos anos
projecto numa fase contrária à do
Xyami. Estive lá entre 2015 até 2017,
mas delas pela primeira vez em cartado. manutenção, em venham a ser de alguma retoma da anos que foram ainda bons, depois
Angola, marcas internacionais de Pelo menos, numa fase inicial não economia em todo o país. A econo- começou a haver dificuldades. Esta-
topo, consideradas da alta gama com vai ter cinema até porque existem conseguir, em tempo mia tem ciclos e tivemos em ciclo mos a entrar numa fase completa-
preços de ‘outlet’, que andam entre já os cinemas aqui relativamente útil, todos os a decrescer e acredito que, a par- mente contrária à daquela altura,
os 50% e 70% mais baratos do que próximo, vamos sim ter o espaço tir deste ano, se irá sentir alguma ou seja, é uma fase em que a eco-
aquilo que são os preços normais. de crianças e o espaço da cultura. materiais e retoma. O conceito que vamos nomia está mais em baixo e que vai
É algo que vamos ter de diferen-
ciador da concorrência. Algumas
São as duas áreas que vamos ter
para dinamização e lazer.
equipamentos ter aqui é diferente em termos de
posicionamento e de produto. Por
começar a sentir a retoma. Vamos
conseguir abrir esse projecto na
das marcas que vão estar presen- necessários para a exemplo, nesta área de 1.300 metros melhor altura em termos económi-
tes dentro do shopping também Conhecendo a realidade econó- quadrados, teremos várias marcas, cos e que vai ter resultados muito
vão seguir este conceito, estou a mica de Angola, muito instável, às
manutenção do num espaço grande onde vai exis- melhores para todos.
pensar, por exemplo, na Adidas, vezes requer muitos desafios aos edifício. tir ‘corners’ das diferentes marcas.
que vai ser uma Adidas Outlet, vai investidores. Acredita na possibi- Por ser ‘outlet’, as colecções são dos
ser a primeira em Angola com este lidade e ou capacidade de manter anos anteriores, por isso, é que vêm Continuação na página 14
14 Valor Económico Terça-Feira 30 de Abril 2024

Mercados & Negócios


Continuação da página 13 mesma hora. Se não houver pes- os concorrentes. Qual é a opinião tido mais dentro dos ‘shoppings’ e Não temos muitos. Aqui, em
soas a fazerem trabalhos durante o que tem, no geral, sobre o estado não só, no comércio em geral. Diria Luanda, há dois projectos de refe-
momento que o espaço está aberto actual dos ‘shoppings’ no país? que Angola já tem projectos muito rência pelos quais também nos
Olhando para a concorrência, ao público, que toda a gente con- De uma forma geral, temos pro- interessantes, bem geridos, com valorizamos, é o Belas e o Forta-
aqui na Via Expressa, onde vão siga, de alguma forma, harmoni- jectos a funcionar muito bem, boa oferta em termos de marcas, leza. Estamos há 30 quilómetros
surgindo outros projectos. Não zar, oferecendo o seu produto com com uma boa oferta comercial, a quer nacionais, quer internacio- de Talatona e de Luanda e a cerca
sei se o conceito é semelhante ao conforto, segurança e lazer. Apesar conseguir manter a sua evolução nais. Já existem operadores nacio- de 15 minutos do novo aeroporto,
vosso, mas como olha para esta de tudo, conseguiu-se desde o iní- e continuando a ter uma oferta nais com ofertas de produtos com numa das principais vias de acesso
concorrência? cio e é uma realidade que encon- muito interessante para o cliente muita qualidade, poderiam estar que ligam esses dois pontos, Luanda
Na Via Expressa, existem vários tramos em todos os ‘shoppings’ final. Temos outros projectos que, aqui ou em qualquer outra cidade, e Talatona. Esses são os nossos dois
projectos que estão a abrir, mas que já existem. É um conceito dife- se calhar, sofreram um pouqui- na Europa, inclusive. São marcas e pontos de referência, ou seja, o nosso
nenhum tem o nosso conceito. rente, de comércio organizado que nho mais, talvez pela localização, produtos com imensa qualidade. É conceito é um pouco diferente do
Alguns são muito específicos, diri- não existia. O Belas foi o primeiro, fora de Luanda. Houve uma maior um mercado que tem estado a cres- deles. O público, que queremos que
gidos a uma determinada activi- hoje já existe uma maior oferta. O dificuldade em termos de poder de cer e tem tudo para evoluir. seja nosso cliente, é de igual modo
dade ou tipo de comércio. Outros próprio consumidor tem vindo a compra e talvez isso se tenha sen- o cliente deles. Poderá ser em rela-
são ‘shoppings’ mais normais ou habituar-se a esse tipo de conceito O Outlet vê-se ou perspectiva de ção a eles o cliente de muito mais
mais parecidos com aquilo que que, acaba por oferecer uma maior liderar o mercado dos ‘shoppings’ proximidade. Moram mais pró-
são os ‘shoppings’ e as formas de segurança, com o estacionamento Para já, espera-se em Angola? ximos e que continuam a ser os
comércio utilizada pelos chine- para as viaturas onde a pessoa para É nosso objectivo fazer história ‘shoppings’ de proximidade. No
ses. O nosso conceito se diferen- o carro já dentro do espaço e acaba
que esses dois dentro daquilo que são os ‘sho- nosso caso, sejamos pela dimen-
cia daquilo que vai também existir por se sentir um pouco mais seguro. próximos anos ppings’ de referência de Angola. são que temos e pela oferta diver-
no futuro ou pelo menos naquilo A experiência do ‘shopping’ começa Não só pela oferta que vai ter, pela sificada, onde as pessoas possam
que está previsto acontecer aqui. quando se entra no parque, se tem venham a ser de dimensão, em que temos cerca de vir à procura de oferta de lazer,
Vamos continuar a ser diferentes um lugar para estacionar, se está alguma retoma da 150.000 metros quadrados de oferta. quer de comércio, que esses dois
dos projectos que vão surgindo aqui limpo, arrumado, com boa ilumi- É a maior oferta de comércio orga- projectos nesse momento não têm,
na Via Expressa e podermos con- nação, se, ao abrir a porta do carro, economia em todo o nizado e estruturado em Luanda, se calhar a dimensão, para poder
seguir ter o nosso espaço, concor-
rendo até talvez com projectos que
se sente bem nos metros que tem
de percorrer até estar dentro do
país. A economia diria em Angola. Queremos que o
Outlet Shopping venha a ser tam-
oferecer. São as duas referências
que nos valorizamos em termos
estão um pouquinho mais longe da ‘shopping’. Toda essa experiência tem ciclos e tivemos bém uma referência em termos de posicionamento, conceito e
nossa região. Alias, o objectivo do tem vindo a evoluir ao longo dos daquilo que são os ‘shoppings’ e daquilo que vai ser o edifício em
nosso shopping, pela dimensão e anos. Hoje em dia, já temos uma em ciclo a decrescer e que esteja presente nas cabeças das si, em oferta de segurança, lazer e
oferta que vai ter, é que seja regio- boa oferta no mercado e as pessoas acredito que, a partir pessoas quando pensam em fazer conforto que queremos transmi-
nal, não um ‘shopping’ criado para começaram a aderir cada vez mais compras ou passar algum tempo tir nas pessoas.
o Zango, mas para a grande região a este conceito de ‘shopping’ e de deste ano, se irá de lazer fora das suas casas.
de Luanda. Terá algumas atracti-
vidades, quer em termos de lojas,
galerias comerciais. sentir alguma Quais são os shoppings que con-
Como é que olha para o actual
Xyami?
quer em termos de conceito de lazer, Certamente tem estado a visitar, retoma. sidera concorrentes directos para O Xyami é, enquanto marca, líder
espaço para as crianças e tudo isso, por causa da posição que ocupa, o Outlet? de mercado, quer em Luanda,
que permita que haja pessoas de quer nas províncias. Mas em ter-
Luanda, de Talatona, ou seja, que mos de posicionamento, a nossa
Mário Mujetes © VE

moram a uma distância maior do referência serão esses dois. Ou


‘shopping, mas que possam vir aqui seja, também queremos ter um
de propósito. É este o nosso objec- posicionamento um pouco acima
tivo, que isto seja um ‘shopping’ daquilo que é o do Xyami.
regional, não local apenas para a
população dos arredores. Os ‘shoppings’ são negócios ren-
táveis, muito rentáveis ou nem
Já esteve na gestão do Xyami, por isso?
agora está na do Outlet. Para um Os ‘shoppings’ quer em Angola,
mercado como Angola, com inú- quer em mercados mais evoluídos,
meras dificuldades, quais são os continuam a ser um investimento
maiores desafios na gestão de um muito rentável, seja para quem
‘shopping’? aposta e faz investimento em si,
A grande dificuldade tem que ver na construção e desenvolvimento
com a manutenção, em conseguir, do projecto, seja para quem aposta
em tempo útil, todos os materiais no nestes espaços para o desenvol-
e equipamentos necessários para a vimento da sua actividade. Pois
manutenção do edifício. Na orga- são espaços mais organizados, que
nização com os lojistas, não posso permitem tempo diferente em con-
dizer que tem sido muito difí- seguir bons resultados para toda
cil. A maior parte dos lojistas, até a gente. É forma de termos tam-
mesmo os nacionais que entraram bém uma oferta diferenciadora
para os ‘shoppings’, já sabia como em entrar em marcas diferentes,
é que esses conceitos funcionam. em conceitos diferentes, que não
Um ‘shopping’, efectivamente, só existiam no comércio tradicional.
funciona se a toda gente cumprir Tudo isso acaba por ser bom para
algumas regras, os mesmos horá- o desenvolvimento económico e
rios, se as lojas abrirem todas na das pessoas em termos culturais
mesma hora, se fecharem todas na e económicos.
Terça-Feira 30 de Abril 2024 Valor Económico 15
A MULTINACIONAL Huawei e Academia
do Empreendedor de Luanda, assinaram,
esta terça-feira, um memorando de entendi-
mento no âmbito da formalização da parce-
ria estratégica entre as duas instituições.

INJECÇÃO DE MAIS DE 8,183 IL MILHÕES KZ

Banco da China aumenta


capital social e deixa o
russo VTB África isolado
na ‘lista vermelha’ do BNA
BANCA. Banco da China saiu da lista

Mário Mujetes © VE
vermelha do BNA. Aumentou o seu
capital social em mais de 80%, enquanto
o também banco de capital maioritário
estrangeiro, o russo VTB África, permaneceu
com o futuro incerto. Já se passam seis
meses sobre o prazo estabelecido e três
meses da moratória de 90 dias.

10
Por Mateus Mateus

P
assados seis
meses do
período limite
Milhões, é o valor que o banco da China
estabelecido aumentou no seu capital social.
pelo Ba nco
Naciona l de
Angola (BNA) MEMORIZE O banco de origem russa conti- banco perdeu a possibilidade de dinheiro no banco por estarem
para os bancos comerciais se con- nua a ser o único incumpridor do trabalhar com euro e com dólar e impedidos de realizar transacções
formarem à lei que exige a dupli- l O banco de origem russa instrutivo que obriga ao aumento só sei que a parte angolana tam- financeiras internacionais, depois
cação do capital social mínimo, o continua a ser o único incum- do capital social para mínimos de bém não está a exigir a destruição da retirada do Sistema de Mensa-
Banco da China deixa a lista dos pridor do instrutivo que 15 mil milhões de kwanzas, pelo da parceria”, referiu, acrescentando gens Financeiras Interbancárias
incumpridores com um aumento obriga ao aumento do capi- menos, considerando as últimas que se tratava de “situações comer- Mundiais, denominado SWIFT
de mais de 8,183 mil milhões de tal social para mínimos de 15 informações disponíveis referen- ciais” e que não tinha que ver com (Society for Worldwide Interbank
kwanzas. mil milhões de kwanzas. tes ao terceiro trimestre de 2023. O a cooperação entre Estados. “São Financial Telecommunication), em
A capitalização em 82,1% da capital social do VTB África ainda dificuldades de cooperação entre Fevereiro de 2022.
sucursal do banco chinês só foi está fixado em 7,5 mil milhões de os agentes económicos privados”, Nos primeiros anos do pri-
aprovada a 5 de Fevereiro de 2024, Com este aumento, o Banco da kwanzas. alegou, na altura. meiro mandato de João Lourenço,
pelo Bank of China, Limited em China conta um excedente sobre o Em entrevista ao Valor Eco- Enquanto isso, o VTB África o incumprimento do instrutivo do
Beijing, de acordo com o relató- limite mínimo exigido de mais de nómico em Fevereiro deste ano, o continua com o futuro incerto por Banco Central sobre o aumento
rio e contas de 2023, “e aos 06 de 3,143 mil milhões de kwanzas, visto embaixador russo em Angola afir- conta das sanções impostas à Rús- do capital social serviu de justi-
Fevereiro de 2024, procedeu ao que precisava de 5,4 mil milhões mou que o banco foi criado para sia pela União Europeia e pelos ficação para retirada da licença
aumento do capital com um aporte de kwanzas para se conformar à suportar o trabalho da Sociedade Estados Unidos, desde que iniciou dos Bancos Mais e Postal, em
de 10 milhões de dólares, equiva- exigência do Aviso nº. 17/2022, Mineira de Catoca. “Quando foram a “operação especial” na Ucrânia, 2019, além da licença do Banco
lente em kwanzas, a [Link]”, enquanto o russo VTB África pre- congeladas as contas de transfe- uma vez que os accionistas maio- Angolano de Negócios e Comér-
lê-se no relatório. cisa de um aumento de 100%. rências nos EUA e na Europa, o ritários não teriam como injectar cio (BANC) e do Kwanza Invest.
16 Valor Económico Terça-Feira 30 de Abril 2024

DE JURE
ENCONTRO JUNTA ORGANIZAÇÕES NÃO GOVERNAMENTAIS

Direitos humanos com


“constantes violações”
CONCERTAÇÃO SOCIAL. Ordem dos Advogados de Angola e organizações da sociedade apontam o dedo a
várias violações, desde o impedimento do acesso a saúde e educação a detenções arbitárias.

Por Mateus Mateus OAA, o bastonário defendeu que, se oferecem às vidas de milhões Neves, presidente da organização públicas”. Por outro lado, o padre
do ponto de vista normativo, de angolanos. “Muitos são mise- não-governamental. católico chamou a atenção sobre
Angola tem “um quadro satisfa- ráveis em terras ricas e isto passa O líder associativo ainda a situação da seca, afirmando

A
tório” para os direitos humanos, por criarmos instituições que este- denunciou a situação em Cabinda, que o país “tem condições para
Ordem dos Advo- mas que “não se reflecte” na prá- jam acima de todos angolanos”. onde, explicou ele, “desde 2017 contornar a situação e garantir
gados de Angola tica. “Estamos ainda distantes do A Associação Mãos Livres que não acontece nenhuma mani- condições dignas às famílias afec-
(OAA) e represen- nível aceitável desejável, é notó- apresentou o quadro da região festação sem que os promotores tadas que continuam a deambu-
tantes de diversas rio que, muitos desses direitos, norte, nas províncias de Luanda, sejam detidos”. Por isso, considera lar” entre o Cunene e a Namíbia.
organizações da formalmente acolhidos, conti- Cuanza-Norte, Malanje, Zaire e a situação dos activistas de “preo- “Tenho estado a ouvir sobre pro-
sociedade con- nuam a ser negados à generali- Cabinda, ressaltando uma sequên- cupante”, porque, “continuam a gramas de combate à seca, a seca
sideram a situa- dade dos angolanos”, defendeu cia de violações de direitos funda- ser ameaçados com mensagens de naquela região nunca vai acabar
ção dos direitos humanos no José Luís Domingos, salientando mentais. “Temos vários problemas vigilância, tortura verbal e física então não se deve combater a seca,
país “preocupante”, acusando os que a situação deve “envergo- de violação dos direitos fundamen- e infiltram gente nas organiza- mas sim aprender a viver com a
órgãos do Governo de “constante nhar todos”. tais, um deles é o direito à edu- ções para as destruir”. seca e o país tem condições para
violação”. A apreciação foi feita no José Luís Domingos apelou cação, que se tornou um grande Já Pio Wakussanga pediu ao fazer isso”.
primeiro encontro de concerta- ainda para a necessidade de se negócio para os que têm dinheiro Governo que dê “maior aten- Participaram no encontro
ção social decorrido, esta terça- unirem forças na busca de solu- e têm facilidades e para o cidadão ção aos grupos minoritários que várias organizações não gover-
-feira, em Luanda. ções que reduzam as disparida- é um problema sério, a saúde é a são marginalizados e que nunca namentais angolanas que se dedi-
No encontro, organizado pela des nos níveis de dignidade que mesma coisa”, afirma Guilherme estão contemplados nas políticas cam aos direitos humanos.
Terça-Feira 30 de Abril 2024 Valor Económico 17

Gestão

AUTOMÓVEIS CHEVROLET

Um projecto de irmãos
que conquistou o mundo
SUCESSO. Três irmãos dedicaram-se ao arranjo de carros. O pai, relojoeiro, deu um ‘empurrão’. Emigração para os
EUA fez o resto, apoiando ideias. Nascia assim um dos fabricantes de automóveis de sucesso mundial.

Por Emidio Fernando Era um sucesso na altura. Uma gaulesas, e foi assim que mudou a Ao grupo, viria a juntar-se outro marca. Até quase aos nossos dias.
invenção de fazer inveja. vida. Louis-Joseph Chevrolet rece- fabricante de automóveis, mas com Começou com a falência da

M
Em pouco tempo, aproveitando beu um convite para trabalhar sede no Canadá, McLaughlin Car Chevrolair, uma das fábricas do
esmo nascido a imaginação, Louis-Joseph Che- numa oficina no Canadá. Levou Company, de Samuel McLaughlin. grupo, que se dedicava à monta-
num país rico, vrolet atirou-se para outros voos, o irmão Arthur e os dois, juntos, Estava formada a equipa que, por gem de aviões. Foi, conta-nos a
a Suíça, Louis- mas fora do seu cantão suíço, de La resolveram criar um automóvel que iniciativa de Louis-Joseph Chevro- história, vítima da crise econó-
-Joseph Che- Chaux-de-Fonds. Deu um pequeno viria a fazer as delícias dos norte- let quis competir com a Ford, na mica nos EUA, que desaguou na
vrolet não se salto de emigrante, até França, em -americanos. construção de carros “para todos Grande Depressão.
contentava com busca de se juntar ao que fervilhava Já instalados nos EUA, com o os bolsos”. Decorria o ano 1911 e Para se sustentarem, os irmãos
o emprego que de invenções em Paris. Em França, Canadá a fazer parte do passado, a empresa era formalmente cons- dedicaram-se às corridas de auto-
tinha, em que se dividia, ora numa acompanhado pelo pai, mergulhou os irmãos Chevrolet começam a tituída, mas várias divergências móveis, conseguindo até vitórias
oficina de automóveis, ora no ate- nas corridas de bicicleta, mas ape- entrar nas corridas de automóveis. entre os sócios fizeram-na cair. sucessivas na pista que se tornou
lier de relojoaria do pai. Com os nas como mecânico. E chamam, pouco tempo depois, o Durou quatro anos. No entanto, mítica de Indianapolis, onde aliás
relógios, cumpria uma tradição Foi precisamente na capital terceiro Chevrolet. Antes a dupla os irmãos Chevrolet já estavam o ‘pai’ dos automóveis Chevrolet
centenária que deu sucesso à Suíça francesa que se inspirou para criar já tinha fundado uma pequena lançados e competiam, nas pistas foi enterrado.
sobre a sua precisão na construção o símbolo da Chevrolet, ainda hoje empresa, a qual deram o nome e nos negócios, com a Ford. Mas, Hoje a Chevrolet pertence ao
de máquinas. Pequenas ou gran- inalterado. Reza a história que o Chevrolet Motor Car Company. curiosamente, a primeira grande grupo General Motors, tem sede
des. E o jovem Louis-Joseph tratou jovem quis homenagear, com o O ‘golpe’ decisivo da vida dos competição ganha pelos irmãos em Detroit, nos EUA, terra que
de aplicar os seus conhecimentos. logótipo, o seu país natal, a Suíça, irmãos acontece quando se cruzam, foi a conduzir um Fiat, de fabrico acolheu os três irmãos e faz parte
Ainda jovem, perante os olhares de invertendo a cruz. Mas há quem no mundo automóvel, com William italiano. Uma heresia para quem do grupo que emprega mais de
dois irmãos, inventou uma bomba diga que ele terá ‘roubado’ o dese- Little, criador da marca de carros já idolatrava os carros norte-ame- 161 mil pessoas. A General Motors
de extrair vinho, construída a partir nho de um quadro, que estava pen- Little. Pouco depois, os três juntam- ricanos. Entretanto, a McLaughlin fabrica automóveis, ligeiros, comer-
de um motor monocilíndrico. Para durado no humilde quarto de hotel, -se ao investidor William C. Durant, fundiu-se na empresa dos irmãos ciais, militares e de luxo, tractores e
isso, pegou no motor já estragado onde esteve hospedado. que já detentor de uma modesta e a Chevrolet foi crescendo sem peças de automóveis. No portfolio,
e criou o pequeno engenho, mon- Apaixonou-se pelas corridas (na altura) fábrica de componen- nunca largar problemas internos e ao lado da Chevrolet, tem as mar-
tado numa bicicleta de três rodas. de bicicletas, já famosas nas terras tes para carros, a General Motors. lutas ambiciosas pelo controlo da cas Buick, Cadillac e GMC.
18 Valor Económico Terça-Feira 30 de Abril 2024

(In)formalizando
NA ZONA DO ZANGO

Preço da água em
cisternas aumenta 48%
VENDA DE ÁGUA. Por causa do aumento do preço do gasóleo, comerciantes sentiram-se obrigados a encarecer
também a água. Mas há quem opte por não carregar tanto as cisternas. Epal “não é solução”, queixam-se moradores.

Mário Mujetes © VE
20
Por Redacção de 135 para 200 kwanzas. Estimam Limpa, Zango IV, que não vê a água kwanzas. Mas os vendedores dizem
que gastam, em média, 60 litros de a jorrar há mais de 10 anos. não se justificar, alegando que “a

E
gasóleo/dia, implicando despesas de Vanilson Domingos, outro mora- máquina que bombeia a água não
m bairros como 12 mil kwanzas quando antes gasta- dor do Zango II, nas imediações trabalha a gasóleo, então, não tem
Luanda Limpa, vam cerca de 8.100 kwanzas. “Até há da esquadra do Mindef, enaltece o porquê subirem os preços aqui”,
no Zango IV, e bem pouco tempo, 20 mil litros de trabalho dos operadores, mas não revolta-se José Dias, vendedor há
em certas zonas água, vendíamos a um preço mínimo concorda com o aumento do preço. mais de seis anos.
Mil litros que anteriormente custava cinco
do Zango II, o de 26.000 ou 30.000 kwanzas, mas mil kwanzas está agora oito mil.
“Onde vamos parar? Eu sei que o No entanto, a ‘girafa’ da Epal
jorrar de água agora está nos 38.000 kwanzas, por gasóleo agora tem um custo mais comercializa 20 mil litros de água a
nas torneiras, conta da subida do preço gasóleo, e alto, mas deve-se arranjar um meio 5.000 kwanzas. “A água da Epal, ape-
há muitos anos, é uma autêntica isso tem deixado insatisfeitos os nos- Após esse ajuste no preço do termo, se não estaremos perdidos”. sar de barata, é bruta. Às vezes, são
miragem. A solução é comprar água sos clientes”, explica Carlos Kuvango, abastecimento, muitos clientes A maior parte dos vendedores encontradas folhas e outras impu-
potável em camiões-cisternas. vendedor há três anos têm tido dificuldade em aceitar o tem a ‘girafa’ de água da comuna rezas, os clientes criticam-nos sem-
Os vendedores, que fazem o abas- Considerados indispensá- aumento. Mas não têm alternativas. do Calumbo, gerida por chineses, pre quando levamos essa água, então
tecimento de água em algumas áreas veis pelos moradores das zonas do Ou têm optando por comprar água como preferência, em detrimento da evitamos”, acrescenta José Dias.
do distrito do Zango, aumentaram Luanda Limpa, no Zango IV e em em quantidades mais reduzidas. Por estatal, gerida pela Empresa Pública Os operadores ‘agarram’ na
o preço na sequência do aumento certas áreas do Zango II, todas pri- exemplo, quem tem um tanque com de Angola (Epal). No entanto, pesa estrada às 5 horas da manhã para
do preço do gasóleo. Passaram a vadas do fornecimento de água da a capacidade de 20 mil litros, pre- nesta opção dos operadores, a qua- evitarem longas filas nas ‘girafas’
cobrar, por exemplo, 38 mil kwan- rede púbica, esses comerciantes che- fere abastecê-lo pela metade. “Essa lidade da água, que segundo eles, e trabalham durante seis dias da
zas por 20 mil litros em vez dos ante- gam a facturar, actualmente, cerca situação é extremamente compli- não encontram na Epal. semana. Além de atenderem algu-
riores 26 mil, ou seja, um aumento de 300 mil kwanzas semanais, com cada, estamos a colocar apenas 10 mas zonas do Zango, também fazem
de mais de 46,1%. o comprometimento contratual de mil litros de água no nosso reserva- AUMENTO DO PREÇO fornecem água, em pequenas quan-
Os motoristas justificam o apresentarem 250 mil kwanzas à tório, a 18.000 kwanzas, sendo que DE ÁGUA NAS GIRAFAS tidades, em famílias dos casebres da
aumento com o suposto aumento dos entidade patronal. Auferem 5.000 anteriormente colocávamos 20 mil Na ‘girafa’ privada, a preferida dos região do Calumbo, em recipientes
custos operacionais, E fazem con- kwanzas/dia e têm o direito de fica- litros. Agora está mais caro e não operadores, o preço de 20 mil litros de pequeno porte, como banheiras
tas. Houve um aumento de mais de rem com os lucros obtidos durante temos opções”, contesta Waldimira de água, que anteriormente custava e bidões de 20 litros, com um preço
48% do preço do gasóleo que passou um dia da semana. Kapuca, residente no bairro Luanda 5.000 kwanzas, está agora nos 8.000 que varia de 100 a 200 kwanzas.
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IBAN BIC: Endereço: Avenida Hoji-ya-Henda,
AO06 0051 0000 7172 9933 1532 1 127 Marçal, Luanda - Angola
20 Valor Económico Terça-Feira 30 de Abril 2024

Internacional
©

MOÇAMBIQUE

Especialistas receiam
que retirada das
forças da SADC
incentive terrorismo
SEGURANÇA. Tropa moçambicada conta com o apoio das forças da Missão Militar da
Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SAMIM), desde 2021, na luta contra a
insurgência em Cabo Delgado. Limitações financeiras estão na base da sua retirada.

Por Redacção Maria da Costa entende que MEMORIZE dos problemas que já registamos tra moçambicana dos Negócios
haverá menos uma força de ameaça aí”, defende. Estrangeiros e Cooperação, Verô-

A
para os terroristas em Cabo Del- l O especialista afirma não O especialista afirma não ver na nica Macamo, justificando-a com a
retirada gra- gado, que conhecem as fragilida- ver na composição mili- composição militar moçambicana falta de financiamento por parte dos
dual da Mis- des do Estado moçambicano e vêem tar moçambicana qualquer qualquer demonstração, clara, de países membros da SADC.
são Militar da nesta retirada da missão da SAMIM demonstração, clara, de capa- capacidade combativa para fazer face Cabo Delgado enfrenta há seis
Comunidade uma queda na luta contra terrorismo cidade combativa para fazer aos rebeldes na região naquela região. anos uma insurgência armada com
de Desenvol- em Cabo Delgado. “Era previsível, face aos rebeldes na região Maria da Costa dá conta de que ataques reclamados pelo grupo extre-
v i mento da desde o início, que essa missão não naquela região. se a SADC se retirar “vai ter que mista Estado Islâmico. A insurgên-
África Aus- iria permaneceria eternamente. Só partilhar informações, porque caso cia, que desde Dezembro de 2023
tral (SAMIM) de Moçambique não tínhamos a confirmação de que Moçambique fracasse isso vai afec- voltou a recrudescer com vários ata-
pode revelar-se uma oportunidade seria tão cedo”. de os combater”.“Os insurgen- tar também os países da região”. ques às populações e forças armadas,
para os terroristas demonstrarem Osvaldo Mboco, outro analista tes poderão interpretar essa reti- A retirada das forças da SAMIM, levou a uma resposta militar desde
que têm campo aberto para pro- explica que, a dimensão da expan- rada das tropas da SADC como que desde 2021 ajudam as tro- Julho de 2021, com apoio primeiro
mover acções terroristas, alertam são terrorista faz-lhes entender a um período de fragilidade, como pas moçambicanas na luta contra do Ruanda, com mais de dois mil
diversos especialistas de Relações saída da SAMIM como “retirada uma derrota da SADC e vai pro- a insurgência em Cabo Delgado, militares e da SADC, libertando
Internacionais. de qualquer tipo de força capaz vocar o aumento das tensões e foi anunciada, há dias, pela minis- distritos junto aos projectos de gás.
Terça-Feira 30 de Abril 2024 Valor Económico 21
O ALTO CONSELHO para a Comu-
nicação (CSC) do Burkina Faso decidiu
suspender a transmissão dos programas
da televisão internacional TV5 Monde,
por um período de duas semanas.

GUINÉ-EQUATORIAL E CONGO

Téodoro Obiang e
Sassou-Nguesso,
premiados pelas
obras em estradas TOGO

O Oposição acusa
s c h e fe s d e das autoestradas Malabo-Sipopo car Ndiaye para os construtores de
Estado Téo- e Bata-Mongomo, bem como a estradas em África e é atribuído
doro Obiang, repavimentação de estradas em pela Acturoutes, uma plataforma de
da Guiné- várias outras regiões do país. No informação sobre as infra-estrutu-
-Equatorial, e
Denis Sassou-
-Nguesso, do
Congo, foi a estrada Brazzaville-
-Ponta Negra que chamou a aten-
ção do comité.
ras rodoviárias e a rede rodoviária
em África, e pela organização Media
for Infrastructure and Finance in
Presidente
Faure Gnassingbé
Congo, foram distinguidos com O prémio foi criado em honra Africa (MIFA), uma rede de jor-
o prémio ‘Babacar Ndiaye’ pelo de Babacar Ndiaye, presidente do nalistas africanos especializados.
contributo na construção de redes Grupo Banco Africano de Desen- Os governantes recebem o pré-
rodoviárias em África. volvimento de 1985 a 1995. Todos mio a 30 de Maio, numa cerimónia
Os dois presidentes foram esco-
lhidos pelo comité de selecção do
África Road Builders, reunido a 18
de Abril no Dubai, Emirados Ára-
os anos, o comité avalia projectos
ambiciosos e concretos que tenham
um impacto real na mobilidade das
pessoas em África.
em Nairobi, no Quénia, na Confe-
rência Final que terá lugar à mar-
gem dos encontros anuais do BAD.
Desde a sua criação, em 2016,
de "golpe"

O
bes Unidos. O prémio é patrocinado pelo o troféu Babacar Ndiaye foi atri-
De acordo com o África Road BAD com a entrega do troféu Baba- buído ao rei Mohamed VI (Mar- s partidos que o que ocorreu "é um golpe
Builders, em comunicado publicado rocos), Edgar Lungu (Zâmbia), políticos constitucional contra o qual
pelo Banco Africano de Desenvol- MEMORIZE Alassane Ouattara (Costa do Mar- da oposi- todo o povo togolês se está a
vimento (BAD), Obiang Nguema fim), Ali Bongo Ondimba (Gabão), ção togolesa insurgir", ameançando que
foi escolhido “pelas suas notáveis l O prémio foi criado em em 2016, Macky Sall (Senegal) e acusaram "isto não vai acontecer assim”.
realizações no domínio das infra- honra de Babacar Ndiaye, Paul Kagame (Ruanda), em 2017, o presi- Já Nathael Olympio, do
-estruturas rodoviárias no seu país”. presidente do BAD de 1985 a Uhuru Kenyatta (Quénia), em 2018, dente Faure Partido dos Togoleses, ques-
Já Denis Sassou-Nguesso foi 1995. Todos os anos, o comité Adama Barrow (Gâmbia), em 2019, Gnassingbé de tomada do tiona o timing das alterações a
escolhido pelo “reconhecimento do avalia projectos ambiciosos Abdel Fattah-al Sissi (Egipto), em poder e descrevem a nova poucos dias das eleições legis-
seu empenho no desenvolvimento e concretos que tenham um 2020, Muhammadu Buhari (Nigé- Constituição como uma tác- lativas. "As pessoas regista-
das infra-estruturas rodoviárias”. impacto real na mobilidade ria), em 2021, Samia Suhulu (Tan- tica para solidificar o seu con- ram-se com a Constituição de
Na Guiné Equatorial, o Africa das pessoas em África. zânia), em 2022, e Andry Rajoelina trolo sobre o Governo. 1992", diz o líder da terceira
Road Builders cita a conclusão (Madagáscar), em 2023. O Togo realiza, nesta maior força política.
segunda-feira, eleições legis- Entretanto, os parlamen-
lativas e regionais, em clima tares do partido no poder
de grande tensão política, têm defendido persisten-
depois de, no passado dia 25 temente as reformas cons-
de Março, o parlamento ter titucionais, sublinhando o
aprovado uma nova Cons- impacto positivo que estas
tituição que altera o actual podem ter na governação e
regime presidencial em no desenvolvimento. O Togo
regime parlamentar, dando é governado pela mesma
agora ao parlamento o poder família há 57 anos, inicial-
de eleger o Presidente da mente por Gnassingbé Eya-
República, o que, para oposi- déma e posteriormente pelo
ção, se trata de um golpe que seu filho. Faure Gnassingbé
visa "manipulações". está no cargo desde 2005,
Brigitte Kafui, do par- depois de vencer as eleições
tido Dinâmica para a Maioria que a oposição descreveu
do Povo, não tem dúvidas de como "uma farsa".
©
22 Valor Económico Terça-Feira 30 de Abril 2024

Opiniões
E agora pergunto eu...
sabemos que tem na sua equipa,
para evitar as misérias com que
somos brindados quando fala o
que lhe vai na cabeça.
Se até presidentes com déca-
das de especialização em comu-
nicação como o anfitrião do casal
presidencial em Portugal, Marcelo
Geralda Embaló Rebelo de Sousa, conseguem ‘pisar
Directora-Geral na jaca’ e esquecer que ‘quem muito
Adjunta fala muito erra’ ou que ‘em boca
fechada não entra mosca’ como
diríamos entre nós - o tio Celito
que disse na semana que passou
que o líder do actual do governo
português tem “comportamen-
tos rurais” e que o antecessor “era
lento por ser oriental”- comentá-
rios que encorporam simultanea-
mente a arrogância senhorial e um
racismo latente – que fará um ‘mili-

S
tar da África provinciana’ (como
eja bem-vindo o mesmo tipo de soberba em que
querido leitor a escorregou o tio Celito, provavel-
este seu espaço mente descreveria)?
onde pergun- No entanto, algumas referên-
tar não ofende, cias do discurso do Chefe não dei-
depois de uma xam de ser irónicas. “A revolução
semana em que o aniversário do de Abril resgatou os direitos cívi-
25 de Abril, a revolução portuguesa cos e políticos que estiveram proi-
que teve raíz em África e que pôs bidos e anulados pela ditadura por
fim à ditadura e ao colonialismo quase meio século e possibilitou
português, proporcionou uma rara a implementação de um Estado
- muito rara mesmo - oportuni- democrático de direito, onde os
dade de o Chefe de Estado falar em direitos liberdades e garantias dos
público sem nos envergonhar com- cidadãos portugueses estão consti-
pletamente a todos... Aqui vai um tucionalmente assegurados” disse
obrigada - que só não é maior por- João Lourenço em Portugal, mas
©
que se trata de uma função remu- e agora pergunto eu, com muita
nerada – mas, ainda assim um pena de que a nossa revolução, no
singelo obrigada a quem escreveu vras do PR. Falou bem - e porque dos estudantes universitários con- O relatório menciona mesmo meio século, não tenha
o discurso que o Chefe leu sem os é raro - vale dizê-lo... Esta semana tra o fornecimento americano de produzido os mesmos efeitos em
desvios e devaneios que são roti- morreu uma bebé que foi retirada armas e apoio ao governo israe- também as prisões e Angola, pessoa que compreende
neiramente embaraçosos.
É verdade que talvez a motiva-
do corpo inerte da mãe com vida.
A mãe morreu num ataque aéreo
lita é outra prova de que o apoio
ao partido democrata se está a
detenções arbitrárias, a importância de ‘assegurar liber-
dades e garantias dos cidadãos’ é
ção para a leitura sem derivações e israelita com a irmã de três anos esvair. No entanto, o presidente excesso de força e a mesma, que, posta no cadeirão
desaprumos tenham sido as múl- e o pai, e a cinco dias depois vivi- americano aceitou na semana que máximo, deixa prender pessoas
tiplas e desnecessárias referências dos dentro de uma incubadora a passou debater com o seu oposi- violência pelas em nome da sua ofensa, contri-
belicistas ao passado. Referências pequena, que era prematura e não tor Donald Trump, num exercício autoridades bem bui ativamente para a perversão
a que, como lembrou o jornalista pesava dois kilos, não resistiu a que o nosso presidente evita como e podridão do sistema de justiça
catedrático Graça Campos, faltou dificuldades respiratórias... Nas a peste desde que assumiu a cadeira como as condições de modo a favorecer a sua agenda
decoro histórico pela referência ao
MPLA e à Frelimo e pela omis-
casas adjacentes outras 15 crianças
e cinco mulheres foram mortas por
em 2017 e que é tão importante em
democracia.
sub-humanas nas política, põe a comunicação social
no cafrique e permite que as for-
são desonesta dos outros movi- ataques israelistas, segundo a ONU A propósito de democracia e cadeias angolanas. O ças castrenses sob o seu mandato
mentos de libertação que foram a cada 10 minutos em Gaza uma voltando ao discurso do Chefe em executem e restrinjam a liberdade
mais temidos pelo sistema colo- criança é ferida ou morta. Aquilo Lisboa, que foi lido tão diligen-
relatório menciona dos cidadãos? Quem assinalou
nial. No entanto, essas faltas foram não é uma guerra, é um massacre temente, notou-se a tal ausência assassinatos esses atropelos aos direitos huma-
algo relativizadas pela referência e estamos todos a assistir... daqueles improvisos pavorosos de nos foi a respeitadíssima Amnistia
mais uma vez pertinente e actual O estrago que apoio americano que ninguém nos salva quando o extrajudiciais. Internacional, bem como o Depar-
à tragédia em Gaza. “O mundo a Israel está a fazer à campanha de à vontade descamba – o que é fre- tamento de Estado Americano
não pode permitir que com o reeleição de Biden continua a mar- quente - para conversas da quinta Apesar das críticas que já li no seu Relatório sobre os Direi-
argumento da necessidade da eli- car a actualidade a nível interna- dos animais, que metem marim- por aí online de que o discurso tos Humanos, publicado também
minação do Hamas, o povo pales- cional, esse apoio está a afastar o bondos e outros insectos, gaze- foi lido, e de comparações com na semana que passou.
tino seja exterminado não só pela seu eleitorado dos democratas de las (que insistem em não saltar), e outros líderes donos de mais fina O relatório é claro a afirmar que
acção de bombas, como também tal ordem que nas intenções de outras pérolas como “fizemos mais oratória, teria sido de bom senso o governo limitou a as liberdades
pela negação imposta pela força voto Biden e Donald Trump estão do que o colono”, “a oposição são que o Presidente falasse mais vezes de associação e demonstração pre-
ao mais elementar direito huma- quase empatadas com alguns esta- um bando de malandros” entre com recurso a discurso escritos, vistas na Constituição angolana.
nitário, o do acesso a alimentos dos chave a dar vantagem a Trump outras demonstrações crassas de elaborados e verificados por espe- É claro a afirmar que é do conhe-
água, assistência médica” - pala- de 48% contra 45%... Os protestos falta de polimento. cialistas em comunicação, que cimento dos americanos que para
Terça-Feira 30 de Abril 2024 Valor Económico 23

Se, por um lado, a culpa tem sido dos pacientes que se guardam
em casa, por outro, não se pode acusar o Governo de estar com os olhos
vendados e deixar passar testes falsos de detecção da malária.

“Pensamentos de paz
além de usar desculpas desprovi-
das de sentido para desautorizar
manifestações, Angola aprovou
leis, como a lei das Organizações
Não Governamentais que são proi-

em tempos de fome”
bitivas dessa liberdade de associa-
ção que é um direito humano. O
relatório dos americanos afirma
claramente que o governo ango-
lano não respeitou as liberda-
des de expressão que usou leis de
insulto para prender quem expres-
sou a sua opinião, activistas como
Tanaice Neutro, que está ainda Suely de Melo, pria boda à bela moda angolana. internacional deu alguma “pilha”, ensaísta e editora britânica Virgí-
preso e segundo alguns reportes chefe de Com direito à presença de várias noticiando o protesto. nia Woolf escreveu o micro livro
em condições de saúde precárias redacção da personalidades que se dizem con- Finalmente, nestes dias, fica- “Pensamentos de paz durante um
depois de uma greve de fome em Rádio Essencial* tra a governação de João Lourenço. mos a saber que os angolanos só ataque aéreo”, em que conduz o lei-
protesto pela prisão injusta a que Mas se por cá os jovens são morrem por malária porque andam tor na busca pela serenidade per-
ele e outros são sujeitos. impedidos com rebuçados e cho- a guardar-se e a fazer tratamento dida. Questiona-se em como ter um
Não passaram despercebidos colates de manifestarem qual- em casa, o que não se entende, pensamento de paz, enquanto se
aos americanos os casos de difama- quer tipo de descontentamento, porque afinal “todos os angola- ouvem e vêm bombas a cair e como
ção e perseguição judicial a jorna- lá fora o cenário é diferente. Para nos têm um hospital perto de si”. lutar valendo-se apenas da mente.
listas como reportado pelo Comité o seu azar, lá onde o 333 não tem A constatação é do secretário Intertextualizando com a nossa
de Protecção dos Jornalistas. efeito, João Lourenço foi rece- de Estado para a Saúde Pública, realidade, apesar de estarmos
O sistema judicial que o PR bido por um grupo pequeno, mas numa altura em que, só no pri- em paz há mais de duas décadas,
descreve como “cada vez mais suficientemente ruidoso e politi- meiro trimestre do ano, Luanda como se pode ter pensamentos de

N
dinâmico e actuante” é descrito camente constrangedor, que mon- registou mais de três milhões de paz com os bolsos vazios? Como
pelos americanos como sendo o habitual exer- tou a denominada “operação caça casos da doença. ter pensamentos de paz vendo os
“afectado por fraquezas institu- cício de “toma marimbondo”. Se, por um lado, a culpa tem filhos subnutridos por falta do que
cionais incluindo a interferência lá, dá cá”, depois Com cartazes em que se liam sido dos pacientes que se guardam comer? Como ter pensamentos
da esfera política nos processos de ter aberto “ditadores não são bem-vindos em casa, por outro, não se pode de paz tendo de recorrer aos con-
de decisão”... e como! temos rela- os cordões à à festa da democracia”, os revús, acusar o Governo de estar com os tentores de lixo? Como ter pen-
tos de juízes a saírem da sala de bolsa para sacar muitos deles fugidos de Angola por olhos vendados e deixar passar tes- samentos de paz se se prefere dar
audiências em pleno julgamento míseros 30 mil conta da repressão, passaram de tes falsos de detecção da malária, altas bodas na diáspora, em vez
para receberem ordens superio- kwanzas para os funcionários do ponto em ponto para levar a men- facto que o próprio Governo tam- de se combater, de facto, a malá-
res ao telefone que implementam regime geral da função pública, sagem ao destinatário. bém denunciou por estes dias, por- ria? Como ter pensamentos de
cegamente. O relatório menciona eis que três dias depois o preço do O número reduzido não foi que afinal a culpa nunca é deles… paz sem que as pessoas possam
também as prisões e detenções gasóleo sobe quase 50%. motivo para os desanimar já que, Em 1940, em plena Segunda desfrutar da liberdade efectiva-
arbitrárias, excesso de força e Uma subida que até o director segundo afirmam, a imprensa Guerra Mundial, a escritora, mente? Como ter pensamento de
violência pelas autoridades bem do Centro de Estudos e Investi- paz quando se é obrigado a sair
como as condições sub-humanas gação Científica da Universidade do país, para procurar melhores
nas cadeias angolanas. O relatório Lusíada de Angola, adepto confesso condições em outras latitudes?...
©

menciona assassinatos extrajudi- da retirada da subvenção aos com- No livro, Woolf escreve ainda
ciais. E no capítulo socioeconó- bustíveis, considerou “violenta”. que “existem outras mesas de nego-
mico em notas como o emprego, Se o aumento do preço da gaso- ciações além das mesas de oficiais
que o Chefe de Estado voltou a lina pouco impacto teve no sector e das conferências de guerra e (…)
colocar esta semana como desafio produtivo, o mesmo não se pode existem outras armas”.
(como se ainda estivesse no início esperar do aumento do preço do Transpondo, uma vez mais, à
do seu primeiro mandato que leva gasóleo, que naturalmente vai sig- nossa realidade, num país onde se
a questionar o que andou a fazer nificar aumento da inflação e con- tomam medidas unilaterais, vale
até agora), o relatório dos ameri- sequentemente o agravamento da lembrar que existem outras mesas
canos diz que aproximadamente perda do poder de compra dos de negociação. Existem outras
nove milhões de pessoas cerca de angolanos… vozes a serem ouvidas. Existem
80 por cento da força de trabalho Isto porque essa decisão não outras sensibilidades.
angolana está no sector informal, veio acompanhada de medidas de Aquele charme político do
um sector que ainda providencia mitigação que pelo menos mini- começo, consubstanciado em cha-
básicos que o Estado devia garantir mizem os seus impactos. mar tudo e todos para uma sentada,
como água ou transportes. Várias Portanto, mais uma facada para ficou mesmo no passado e hoje não
referências que nos distanciam o Zé povinho que deverá continuar se dá ouvidos a ninguém. Com os
das qualidades de um Estado de a “virar-se nos 30”, numa altura em sindicatos o Governo já mostrou
direito consolidado que o Chefe que as Nações Unidas avisam que, que não quer nada. Os empresá-
de Estado elogiou no país alheio... este ano, pelo menos um milhão e rios chamados são os das ‘coboia-
E agora pergunto eu, e não imple- 500 mil pessoas deverão enfren- das’. Os jovens são pra esquecer,
menta entre nós o que elogia nos tar níveis elevados de insegurança a menos, claro, que pertençam ao
outros, porquê? alimentar aguda. maioritário. E assim vai o país…
Mas é com esperança teimosa Nestes dias que andaram, o PR
querido leitor que marcamos aqui foi a Portugal para a boda dos 50 *Crónica do programa
encontro e até à próxima na sua anos do 25 de Abril, mas, sentindo- ‘Dias Andados’, de
Rádio Essencial. -se pouco satisfeito, deu a sua pró- 26 de Abril de 2024
24 Valor Económico Terça-Feira 30 de Abril 2024

Opiniões
Seguro contra todos os riscos vs.
Seguro contra terceiros
Paulo de Carvalho, do termo ‘contra todos os riscos’ não poderá excluir os membros da todos as coberturas obrigatórias e/ seguradoras costumam facilitar a
Consultor de passa, de forma ténue e inconscien- família do tomador de seguro, do ou facultativas numa mesma apó- previsão, com grande precisão, des-
Seguros, Pedagogo, temente, pelos riscos que o veículo condutor ou de qualquer outra pes- lice automóvel? ses mesmos riscos, mas nunca exac-
Jurista e Escritor esteja exposto e pelas coberturas que soa ou entidade, cuja responsabili- Se fizesse a combinação das tamente. Além disso, existem, em
podem ser contratualizadas das para dade civil decorrente de um sinistro coberturas obrigatórias às faculta- quase todos os produtos, as exclu-
protecção desses mesmos riscos. automóvel se encontre garantida por tivas, na mesma apólice automó- sões, precisamente para dizer que
A outra expressão, também bas- esse seguro. vel, no âmbito das facultativas se o seguro não cobre tudo. A exclu-
tante comum, é a de ‘seguro contra Para prevenir situações de ter- destacam as seguintes coberturas, são trata-se de uma cláusula de
terceiros’. Na verdade, essa é mais ceiros lesados por veículos para os às quais, por economia de espaço, um contrato de seguro que reduz
fácil de esclarecer, pois deriva do quais não tenha sido subscrito o não as vamos conceituar exausti- a extensão de uma garantia, pese
facto de este seguro cobrir indemni- seguro de responsabilidade civil, vamente: embora existam exclusões em deter-
zações por danos corporais e mate- cada país deverá ainda prever a exis- •Danos Acidentais Sofridos pelo minadas coberturas, garantidas em
riais, causados a terceiros e às pessoas tência de um Fundo de Garantia. E Veículo, também denominados outras, por exemplo, na cobertura

E
transportadas (excepto o condutor Angola não foge à regra. por Danos Próprios (choque, coli- de Danos Acidentais Sofridos pelo
m Angola, do veículo). Ou seja, nem o condu- Vê-se, claramente, que a con- são, capotamento, perda total); veículo. Isto garante, quando con-
e mesmo em tor, nem o seu carro estão seguros. tratação das coberturas de natureza •Furto ou Roubo do Veículo tratada, os danos sofridos pelo veí-
outras geogra- É um seguro obrigatório para qual- obrigatória não dá a titularidade de Seguro; culo seguro em consequência de
fias, é comum a quer pessoa que tenha um veículo seguro ‘contra todos os riscos’, por •Incêndio, Raio ou Explosão; um acidente devido a uma causa
seguinte expres- - seguro automóvel de responsabi- exemplo, nem ficam garantidas as •Assistência em Viagem; súbita, fortuita e violenta, alheia à
são: “fiz um lidade civil - de contrário poderá indemnizações aos danos sofridos •Quebra Acidental de Vidros, vontade do tomador, do segurado
seguro do meu sofrer consequências legais e finan- pelo veículo seguro no âmbito das que podem estar incluídas na e do condutor, cobrindo, entre
carro contra todos os riscos”; ou ceiras (vide decreto 35/09, de 11 de coberturas do seguro obrigatório… cobertura de Danos Acidentais outros, danos resultantes de cho-
ainda, “gostaria de fazer um seguro Agosto, relativo ao seguro automó- (…) todavia, numa mesma apó- Sofridos pelo Veículo, quando que, colisão ou capotamento e/ou
contra todos os riscos”. Mas o que vel de responsabilidade civil). lice automóvel, podem ficar defini- contratadas. de quebra isolada de vidros., Nesta
é que as pessoas querem, efectiva- Contratando as coberturas de das as coberturas relativas ao seguro •Acidentes Pessoais (morte, inva- cobertura, aplicam-se as exclusões
mente, dizer quando usam a frase natureza obrigatória para corres- obrigatório e as coberturas que dizem lidez, despesa de tratamento). de furto ou roubo que, no entanto,
“contra todos os riscos”? ponder à necessidade de protecção respeito ao seguro facultativo, pre- podem ser também subscritas a par
É uma pergunta bastante com- dos interesses de terceiros lesados, o vistas na lei, no entanto, não é per- Além dessas coberturas, podem daquela cobertura…
plexa, cuja resposta e intenção do interessado estaria apenas a garan- mitida a cobertura de qualquer dos ainda ficar seguras, desde que men- (…) todavia existem situações
cliente também são difíceis de com- tir a protecção dos danos materiais riscos de natureza facultativa sem cionadas nas condições particulares 100% excluídas do seguro automó-
preender, dada a dimensão das mais e as lesões corporais até um deter- que, pela mesma apólice, fique tam- do contrato, outras coberturas adi- vel comuns em Angola como, por
diversas coberturas (garantias) que minado montante, seja qual for o bém seguro o risco de responsabili- cionais, como serviços a clientes, pre- exemplo, a reparação do veículo
um veículo pode conter num deter- número de vítimas ou a natureza dade civil mínima obrigatória. juízos adicionais, privação de uso, por avaria mecânica e/ou eléctrica
minado contrato de seguro. Assim dos danos. Mas uma questão impõe-se: protecção jurídica, riscos sociais e do veículo seguro, danos que resul-
como os vários riscos que podem O seguro de responsabilidade será que a expressão ‘contra todos políticos, etc. Tudo dependerá, em tam de tempestades e inundações,
estar adstritos. A compreensão civil, na sua componente mínima, os riscos’ se refere à combinação de cada momento, dos produtos que a entre outras.
seguradora estará na disposição de Mesmo que as exclusões variem
contratar, tendo em conta a evolução de realidade e de seguradora, exis-
e a dinâmica comercial, sempre, no tem riscos excluídos muito comuns
âmbito permissivo do seguro facul- como, por exemplo, actos de animais
tativo e tendo em conta o tipo de de propriedade do segurado, princi-
risco que se esteja a segurar. pal condutor ou de seus ascenden-
Talvez se pense pelo facto de se tes, descendentes, cônjuge ou irmão
contratar coberturas obrigatórias que danifiquem o veículo seguro;
e todas facultativas, o carro tenha tumultos, motins, protestos, mani-
‘seguro contra todos os riscos’. Pensa- festações de qualquer natureza, per-
mos que não! Mesmo que, por exem- turbações da ordem pública, greve
plo, fosse possível prever todos riscos de empregados e paralisação de acti-
que um veículo possa ser atingido, o vidade provocadas pelo empregador
que humanamente é bastante difí- (lockout); actos de vandalismo, dis-
cil, ainda assim não se podia falar cussões e agressões físicas; condu-
em ‘seguro contra todos os riscos’. zir embriagado, ou sob o efeito de
Além de humanamente ser drogas, etc.
muito difícil prever, com exactidão, Podemos concluir que a desig-
todos os riscos que possam afectar nação ‘seguro contra todos os ris-
determinado veículo, o tempo, a cos’ é incorrecta, porque nenhum
experiência e a cientificidade das seguro cobre todos os riscos.
Terça-Feira 30 de Abril 2024 Valor Económico 25

Jornal Valor Económico Regista-te


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Facebook/Comentários
Paulo Paulo Baca
Este senhor é um verdadeiro patriota.

Luis Vassoura
Força! Força! Força nosso Guerreiro é assim mesmo vamos triunfar.
O MPLA deixa de ser Povo e o Povo também deixa de ser o MPLA. Agora é a vez das
três Centrais Sindicatos que as centrais são o povo e o Povo é as centrais sindicais.
VIVA! VIVA e vivam as três Centrais sindicais
Não se deixem por favor.

Afonso Carlitos Victor Afonso


Façam sentir.
Eles brincam com povo, mostrem-lhes que e o povo é quem manda!!!!!

Manüel De Sousa Hg
Muita força centrais sindicais, estamos juntos nesta luta.

Ntumbu Tualemuá Onyenga


Teixeira Cândido, Não entendo porquê que os sindicatos não mudam de estratégia.
porta-voz das Centrais Já vimos o que aconteceu com a greve dos professores do ensino superior, e não
aprendemos.
Sindicais acusa as
autoridades de Breno Miguel Miguel
serem arrogantes Ntumbu Tualemuá Onyenga e qual é sugestão?
e intimidarem
funcionários públicos Ntumbu Tualemuá Onyenga
Breno Miguel Miguel há muitos especialistas, tecnocratas que poderiam ajudar.
que aderem à greve Já vi que o governo nunca vai aceitar negociar com todos ao mesmo tempo, porque
geral e explica que seria exigir a mudança do sistema.
há falta vontade do Não sei como, mas várias cabeças pensam melhor do que uma
Governo em atender às Breno Miguel Miguel
exigências do caderno Ntumbu Tualemuá Onyenga Neste momento há necessidade de negociar, vê o
custo de vida, inflação com subidas desenfreadas e nem diminui? Porque acabar na
reivindicativo. Por totalidade é impossível. Epá, enfim.
isso, as centrais não
pretendem recuar até Ntumbu Tualemuá Onyenga
Breno Miguel Miguel os professores do ensino superior fizeram uma greve
Para que as exigências sejam ininterrupta, que o governo não aceitou negociar, e a greve durou até os professores
receber o atendidas. Esta foi uma se cansarem e voltaram a lecionar.
Nós precisamos de saber quando há ou não interesse da outra parte em negociar.
das publicações mais
VALOR todas as comentadas da semana
Seria mais eficaz uma greve de um ou mais anos de trabalho a meio gás.
Tipo, já que pagam pouco, também trabalhamos pouco.
semanas, basta na página do VE no
enviar Facebook que alcançou
Breno Miguel Miguel
Ntumbu Tualemuá Onyenga concordo plenamente contigo,
o seu e-mail para cerca de 40 mil até a filha do SG Sr- Perez sofreu um atentado,
lembro-me, durou muito
941784791 / 2 internautas e cinco
mil interacções. Alberto Conde
Defender o povo angolano, é extremamente complicado. É um povo fácil de ser
manipulado. Não importa se estudou ou não.

Paulo Adriano Kikola Jr.


Estamos juntos! GREVE GERAL JÁ

Contribua Ideias Conservadoras, AO ·


para manter Os comentários são Os grevistas deveriam ser despedidos para se fazer um novo concurso público, assim
o jornalismo de selecionados segundo
vamos descobrir se os salários são "realmente de fome".
qualidade. critérios que visam reflectir a Paulo Fernando
diversidade e qualidade de Ideias Conservadoras, AO O regime gosta de pessoas que pensam do jeito que você
GEM Angola Global opiniões sobre os temas do pensa.
Media, Lda Valor Económico. Gralhas e
discussões pessoalizadas são Fábio Mercedes
Temos um governo diabólico que não atende a pobreza dos seus cidadãos
Iban: editadas para publicação.
0051 0000 7172
9933 1512 7 Leia na íntegra em Pedro Kudimuene Antonio
[Link] Ditadura Salazarista
Valor Económico Terça-Feira 30 de Abril 2024

NÚMEROS DA SEMANA
DADOS DE MARÇO DE 2023

Crédito bruto ao
sector não financeiro
60%
Participação do banco Standard Chartered
cresce 29%

O
Bank Angola que o Access Bank Angola
(ex-Finibanco) pretende adquirir.
crédito bruto de kwanzas (68,96%).
ao sector não Já o endividamento do sec-
f i na ncei ro tor privado (empresas priva-
at i n g iu o s das e particulares) registou um
6,22 biliões aumento de 1,09 biliões de kwan-
de kwanzas, zas (24,53%), ao passar de 4,44

342
um aumento biliões de kwanzas em Março de
de cerca de 1,4 biliões de kwanzas 2023 para 5,53 biliões em Março
(28,30%), em Março, comparati- de 2024. O endividamento das
vamente ao período homólogo. empresas privadas não financei-
De acordo com a nota de ras correspondeu a 4,30 biliões,
Informação Estatística sobre com um aumento de 780,47 mil
o Crédito disponibilizada pelo milhões de kwanzas (22,18%),
Empresas, estimativa de participação
na 13ª edição da Feira Internacional
Banco Nacional de Angola ao passo que e o endividamento
de Benguela (FIB)/2024. (BNA), 88,81% representava o dos particulares correspondeu a
endividamento do sector pri- 1,23 biliões de kwanzas, com um
DADOS OFICIAIS DE 2023 vado, empresas privadas e aumento de 307,90 mil milhões
particulares, e 11,19% o endi- (33,49%).

BPC, Económico e Sol vidamento do sector público,


administração pública e empre-
sas públicas.
No período, o crédito bruto
direccionado ao sector real da
economia totalizou 1,24 biliões

pedem empréstimo de
Segundo a nota, o stock de de kwanzas, um acréscimo de
crédito à economia, em moeda 189,01 mil milhões (18,01%), face
nacional, atingiu 4,69 biliões de a igual período do ano anterior,

70%
kwanzas em Março, tendo regis- impulsionado principalmente

24 horas ao BNA, mas tado um aumento de 131,93 mil pelo significativo reforço no
milhões de kwanzas nos primei- subsector da ‘indústria transfor-
ros três meses do corrente ano. madora’, que registou um incre-
Estimativa da queda da captura do pesca-
O documento nota ainda mento de recursos de cerca de

aida não devolveram


do no Iº trimestre do ano, face ao período
homólogo no município de Cambambe, que o endividamento do sector 104,64 mil milhões de kwan-
Cuanza-Norte. público não financeiro totalizou zas (20,11%).
696,54 mil milhões de kwan- Apesar do aumento, a quota
zas, dos quais 54,35% referen- do crédito ao sector real na car-
tes à administração pública e teira total do crédito bancário

O
45,65%, às empresas públicas. decresceu 0,65 pontos percen-
s bancos BPC, Nacional de Angola que escla- Comparativamente ao período tuais em relação ao ano ante-
Económico e rece que “as operações de over- homólogo, registou-se um cres- rior, situando-se em 20,86% em
Sol termina- night visam ceder liquidez por cimento de 284,29 mil milhões Março de 2024.

250
ram 2023 com prazo de um dia às instituições
um incumpri- financeiras bancárias”, mediante
mento acumu- solicitação formal da instituição
lado de mais financeira. No entanto, as insti-
de 309,78 mil milhões de kwan- tuições não honram o período de
zas com o Banco Nacional de reembolso. “Considerando que
Média diária de tentativas de ataques
cibernéticos contra o Banco Nacional de
Angola, resultante de ‘operações até à presente data, volvidos 180
Angola. de overnight’. dias, algumas destas operações
O BPC é a instituição que encontram-se por reembolsar,
beneficiou do maior ‘bolo’ ao foi constituída uma imparidade
receber 274,329 mil milhões de de 83,10 mil milhões de kwan-
kwanzas, pelo que deveria um zas”, lê-se no relatório parecer
juro de 7,792 mil milhões de do comité de auditoria do BNA,
kwanzas. Já ao Banco Sol, o BNA salientando que tomou conhe-
cedeu 20,004, enquanto o Banco cimento que o comité execu-
Económico recebeu 15,451mil tivo elaborou uma estratégia de
milhões de kwanzas do Banco recuperação até Maio deste ano.
Central que esperava receber em O comité, por outro lado, consi-
juros cerca de 1,205 mil milhões dera que as referidas operações
de kwanzas. Os dados constam devem ser reclassificadas como
do relatório e contas do Banco operações de redesconto.

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