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Luto Infantil: Psicanálise e Culpa

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A elaboração do luto infantil na visão psicanalítica e a influência do

sentimento de culpa no processo de perda

Luis Arthur de Souza Peixoto, Psicologia, Centro Universitário Integrado, Brasil,


[Link]@[Link]
Rafaela de Souza Dias, Psicologia, Centro Universitário Integrado, Brasil,
rafa_elasouz@[Link]

INTRODUÇÃO

O presente resumo trata-se de uma revisão de literatura que visa explorar


a elaboração do luto na infância na visão da Psicanálise. A problemática está na
diferente interpretação da morte para a criança e para o adulto.
Pela falta de compreensão e preparação por parte da criança diante da
morte, ela observa a reação dos adultos diante desta, e posteriormente, se inicia
o medo do abandono, ela se sente sozinha com o receio da consequência de sua
relação com seus pais, de acordo com Moura e Assis (2018). Por isso, entendem
a morte como uma solidão. A criança necessita aprender a lidar com a perda.
Esta revisão bibliográfica buscará explicar como ocorre este processo,
enfatizando que o sentimento de culpa e sofrimento aparecerão como questões
simbólicas determinantes para o desligamento do objeto de amor.
Os objetivos do presente trabalho são compreender a visão psicanalítica
do luto na infância; abarcar sobre o conceito de luto na visão de Freud; entender o
impacto que o sentimento de culpa e a separação têm no processo de perda e
constituição do Eu; o quão relevante é a relação dos pais/responsáveis neste
momento.

MÉTODO

O método adotado para este resumo foi uma revisão de literatura de


artigos bibliográficos encontrados em plataformas acadêmicas científicas, como
Google Acadêmico e SciElo. Para sustentação dos temas abordados.

1
A pesquisa bibliográfica é o levantamento ou revisão de obras publicadas
sobre a teoria que irá direcionar o trabalho científico o que necessita uma
dedicação, estudo e análise. (SOUSA, OLIVEIRA; ALVES, 2021, p. 66).

REVISÃO DE LITERATURA

Freud (1917) em seu artigo metapsicológico “Luto e Melancolia”, explica o


luto não somente de perda por morte, mas também de algum ideal ou
investimento em outro objeto. Este processo não é patológico. O enlutado sabe
de sua realidade, sabe sobre seu objeto perdido e está consciente sobre. “Via de
regra, luto é a reação à perda de uma pessoa amada ou de uma abstração que
ocupa seu lugar, como pátria, liberdade, um ideal etc.” (FREUD, 1917, p. 128)
Assim, para este indivíduo, a realidade se torna vazia e desinteressante pela
retirada da libido externa, considerando um ponto de vista econômico.
No trabalho de luto há dificuldades em abandonar o objeto libidinal para
outro investimento. “A inibição e restrição do Eu exprime uma exclusiva dedicação
ao luto, em que nada mais resta para outros intuitos e interesses.” (FREUD, 1917,
p.129) As recordações são desligadas aos poucos da libido, para renunciar o
objeto, sendo estas superinvestidas e enfocadas. Com o tempo, o Eu estará livre
novamente.
No artigo luto e melancolia, Freud (1917) ainda apresenta a distinção do
sujeito melancólico para o enlutado, o primeiro culpabiliza o próprio Eu. Em uma
crítica ao objeto perdido revertida para o próprio eu, como aponta “a sombra do
objeto recai sobre o próprio Eu” (FREUD, 1917, p. 133). O autor alude que, houve
uma forte fixação ou uma resistência do investimento libidinal do objeto perdido.
Agora que o conceito de luto foi revisado em Freud (1917), este resumo
discorrerá a perda para a criança e como começa este processo, utilizando alguns
conceitos de Melanie Klein (1940). Para isso, deve-se tomar como partida a fase
oral da criança. Marcella Pereira de Oliveira (2007) afirma que para Melanie Klein
(1940) o primeiro contato com o mundo externo é através do seio materno. Para
Klein (1940), a relação criança e seio é ambivalente de amor e ódio, à medida que
o seio gratifica e também frustra, a criança pode manifestar sentimentos
agressivos e de amor a este. Nos primeiros 6 meses de vida, ela entende o não
contato com o seio/mãe como uma falta, uma parte de seu corpo perdida, e não
como uma separação. O processo da separação do seio da figura materna é
importante para a construção da relação de confiança criada entre mãe e filho, e
também, para a elaboração de todas as fases de luto que esta criança terá com
cada objeto de amor perdido. Na elaboração da dor da separação, Ana Carolina
Diaz (2019 Melanie Klein apud, 1940) alude que a posição esquizo-paranóide

2
mostra que o bebê entende o objeto como fusionado, assim indiferencia o mundo
interno e externo. Na passagem para a posição depressiva, que se dá após essas
vivências ambivalentes da posição esquizo-paranóide, seu relacionamento é de
forma integral ao objeto, separando-o de si e também enxergando a mãe como
uma figura total. Estas duas posições impactam na forma como se elabora a
perda e no sentimento de culpa, que ao decorrer de sua vida, são manifestados
pelos desejos e fantasias inconscientes e o medo da mãe se dar como morta. A
construção e a responsabilidade de lidar com a culpa nesta fase influenciará todo
o processo de perdas futuras.
Ainda segundo Klein (1940), a posição depressiva atinge seu ponto
máximo na infância, antes, durante e após o desmame, quando a criança
sente a perda das representações advindas do ato de mamar:
segurança, amor, bondade. Neste momento a criança sente que perdeu
a mãe amada como um todo, tanto a mãe real quanto a mãe boa
interiorizada. Esta perda é entendida como uma punição aos ataques
que realizou à mãe frustradora e culpa-se por ter destruído o objeto bom.
(DIAZ, 2009, p. 19-20)

As perdas são embasadas em como o indivíduo viveu seus primeiros lutos.


Na infância, estas podem ser extremamente sensíveis porque nesta fase, o
sujeito está vivendo experiências extremamente importantes. Franco e Mazorra
(2007) discorrem que, devido a criança estar em um processo de
desenvolvimento de seu psiquismo, ela tem dificuldades em compreender a perda
de um objeto amado, sobretudo, quando este objeto é sua principal fonte de
investimentos.
Como dito, para a psicanálise, a culpa também está presente no
desenvolvimento infantil. Para Franco e Mazorra (2007) quando a morte se dá em
um dos genitores da criança, o sentimento de onipotência se intensifica.
Intensifica-se também, se o luto ocorrer por volta dos 3 a 5 anos de idade, quando
a criança está passando pelo complexo de édipo, esta sentirá culpa demasiada,
por ter fantasiado tomar o lugar do seu rival e ter seu desejo realizado. Para esta
criança, seu genitor não morreu, mas se perdeu como objeto de amor ideal.
Portanto, “pode surgir culpa, por impulsos agressivos, que a criança acredita
terem tornado-se realidade, através da morte.” (MOURA; ASSIS, 2018, p. 128)
Assim, durante o processo de sua elaboração e representações, a criança
tem que lidar com a reconstrução do objeto destruído na fantasia. As frustrações
e os sentimentos de culpa estarão presentes e os pais usarão a confiança para
estabelecer uma boa relação com a criança e ajudá-la a enfrentar sua perda.
Os pais/responsáveis têm um papel crucial neste momento, pois suas
reações projetam na criança o medo do abandono, elas entendem a morte como
desamparo, e assim, se sentem sozinhas com receio da consequência de sua
relação com seus pais. A falta da compreensão pode afetar diretamente o

3
funcionamento emocional da criança, seu contexto e grupo social, sua
autoestima, personalidade, perspectivas, e principalmente sua confiança.
(MOURA; ASSIS, 2018).
Para a elaboração do luto com a criança, é importante a utilização de uma
linguagem que a mesma entenda, mas que esteja ciente da realidade em que
vive. Os pais precisam do
esclarecimento dos fatos, apesar de doloroso é necessário, pois quando
se engana a criança e esta descobre por si mesma a morte dos pais, a
relação de confiança com os adultos é quebrada, o que resulta em
sentimentos de raiva e frustração. (MOURA; ASSIS, 2018, p. 128)
Diaz (2009) pontua que seus amigos terão um papel fundamental para o
desenvolvimento cognitivo e emocional, visto que podem compreender no mesmo
sentido o conceito de perdas. A aceitação do que está sentindo ajuda no
entendimento e nas fases e etapas que a criança estiver vivendo.
Andrade (2013) salienta que a cultura também implica nas relações
transferenciais e diferenças das manifestações de gênero. Por exemplo, a menina
pode ter mais facilidade em expressar suas angústias e o que sente, mas o
menino pode se conter e se mostrar neutro diante do ocorrido. A proximidade e a
relação que esta tinha com a pessoa falecida também influenciará na sua forma
de manifestar sua raiva, tristeza e falas. A autora traz uma fala de Winnicott
(1952/2012) em que o não compartilhamento da verdade para com a criança
impede a elaboração do seu luto, prejudicando a assimilação de sua realidade.
Para saber lidar com a perda, a criança tem que aprender a lidar com
outras perdas e expressar como está se sentindo. Assim, estas não afetarão seu
desenvolvimento cognitivo e não acarretará em problemas sintomáticos, contribui
Andrade (2013).

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Percebe-se que no trabalho de luto há oposição do indivíduo em


abandonar o seu objeto de amor e, por conseguinte, renunciá-lo. Assim, este se
afasta de sua realidade. É importante ressaltar que as significações e simbologias
das palavras e pensamentos das crianças se diferem dos adultos. E que, pela
dificuldade em compreender a perda, a criança sente medo por não saber lidar
com a reação dos pais e se culpabiliza por achar ser responsável por suas ações
e desejos inconscientes, segundo Moura e Assis (2018).
Como visto, as fases de desenvolvimento e a relação com os pais,
acarretam em como será a percepção da criança diante do luto, e que
consequentemente, adquire o sentimento de culpa, pois ela entende que a morte

4
foi fruto de sua vontade, podem entender inconscientemente, como por exemplo,
em função do complexo de édipo, como explicado anteriormente, impactante de
maneira mais dolorosa quando esta morte se dá de forma inesperada, sem uma
preparação de seu consciente.
Portanto, é essencial a explicação do conceito de morte, até mesmo para a
criança saber interpretar as reações dos adultos e o impacto vivido. Por mais que
ela não compreenda algo em específico, ela saberá distinguir o que é cada
sentimento que um adulto expõe, de acordo com a autora Diaz (2013).

PALAVRAS-CHAVE: Elaboração do luto infantil. Sentimento de culpa. Processo.

REFERÊNCIAS

ANDRADE, M. L. Depois do temporal: um estudo psicodinâmico sobre


a criança enlutada e seus pais. 2013. Dissertação (Mestrado em Psicologia) -
Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto, Universidade de São
Paulo, Ribeirão Preto, 2013.
DE MOURA, J. G.; ASSIS, M. F. P. Psicanálise e contos de fadas no
processo de elaboração do luto infantil. Universidade Federal de Goiás -
Regional Jataí, v. 22, n. 1, p.121-137, 2018.
DE SOUSA, A. S.; DE OLIVEIRA, G. S.; ALVES, L. H. A pesquisa
bibliográfica: princípios e fundamentos. Cadernos da FUCAMP, v. 20, n. 43,
2021.
DIAZ, A. C. A psicanálise e o luto: contribuições da teoria psicanalítica
para a compreensão do luto infantil. 2009. Trabalho de Conclusão de Curso
(Graduação em Psicologia) - Faculdade de Ciências Humanas e da Saúde da
Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, São Paulo, 2009.
FRANCO, M. H. P.; MAZORRA, L. Criança e luto: vivências fantasmáticas
diante da morte do genitor. Estudos de Psicologia (Campinas), v. 24, p. 503-
511, 2007.
FREUD, S. Luto e melancolia, 1917 [1915]. In: ______. Introdução ao
narcisismo, ensaios de metapsicologia e outros textos. São Paulo:
Companhia das Letrinhas, 2010. p. 193-212. (Edição standard brasileira das
obras psicológicas completas de Sigmund Freud, 12).
OLIVEIRA, M. P. Melanie Klein e as fantasias inconscientes. Winnicott e-
prints, São Paulo, v. 2, n. 2, p. 1-19, 2007. Disponível em

5
<[Link]
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