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Diversidade de Bromélias

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Diversidade de bromélias epífitas na Reserva Particular do

Patrimônio Natural Serra do Teimoso – Jussari, BA


Reis, J.R.M. & Fontoura, T.

Biota Neotrop. 2009, 9(1): 073-079.

On line version of this paper is available from:


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Data Received/ Recebido em 29/11/07 -


Revised/ Versão reformulada recebida em 15/01/09 - Accepted/ Publicado em 27/01/09

ISSN 1676-0603 (on-line)

Biota Neotropica is an electronic, peer-reviewed journal edited by the Program BIOTA/FAPESP:


The Virtual Institute of Biodiversity. This journal’s aim is to disseminate the results of original research work,
associated or not to the program, concerned with characterization, conservation and sustainable
use of biodiversity within the Neotropical region.

Biota Neotropica é uma revista do Programa BIOTA/FAPESP - O Instituto Virtual da Biodiversidade,


que publica resultados de pesquisa original, vinculada ou não ao programa, que abordem a temática
caracterização, conservação e uso sustentável da biodiversidade na região Neotropical.

Biota Neotropica is an eletronic journal which is available free at the following site
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A Biota Neotropica é uma revista eletrônica e está integral e ­gratuitamente disponível no endereço
[Link]
Biota Neotrop., vol. 9, no. 1, Jan./Mar. 2009

Diversidade de bromélias epífitas na Reserva Particular do


Patrimônio Natural Serra do Teimoso – Jussari, BA

Joice Rodrigues de Mendonça Reis1 & Talita Fontoura2,3

Programa de Pós-Graduação em Desenvolvimento Regional e Meio Ambiente,


1

Universidade Estadual de Santa Cruz – UESC,


Rod. Ilhéus-Itabuna, Km 16, CEP 45650-000, Ilhéus, BA, Brasil, e-mail: joice@[Link]
2
Departamento de Ciências Biológicas, Universidade Estadual de Santa Cruz – UESC,
Rodovia Ilhéus-Itabuna, Km 16, CEP 45650-000, Ilhéus, BA, Brasil
3
Autor para correspondência: Talita Fontoura, e-mail: talita_fontoura@[Link]

REIS, J.R. de M. & FONTOURA, T. 2009. Diversity of epiphytic bromeliads in the Reserva Particular do
Patrimônio Natural Serra do Teimoso – Jussari, BA. Biota Neotrop. 9(1): [Link]
v9n1/en/abstract?article+bn01209012009.

Abstract: Vascular epiphytes are frequent in mesic habitats and mid-elevation regions. The present study
investigated the diversity and species composition of epiphytic bromeliads in the Natural Reserve of Serra do
Teimoso (RNST) located in a transitional area between ombrophilous and semideciduous forests. Adapted from the
“Rapid and Representative Sampling of Vascular and Non-vascular epiphyte Diversity of Tropical Rain Forests”
protocol, our survey method used eight phorophytes of Cariniana legalis (Martius) Kuntze found between 284 and
573 m a.s.l.. We registered 19 morphospecies and 526 bromeliad groups. Almost one third of the species were
classified as widely distributed and 27.3% are endemic to southern Bahia. Shannon index was 2.2 [Link]–1 and
the estimated number of species in this area was 25 (SD = ± 3.5). Most C. legalis harbored a similar abundance
and species composition of epiphytes, which was dominated by Hohenbergia and Aechmea species. This study
registered the occurrence of three species that are new to the state of Bahia, and one genus was collected for the
first time in the RNST. Results are in accordance with the known pattern of lower epiphytic diversity in drier
locations. Since all new records are exclusive to the crowns of large trees, the sampling of these new records was
only possible because climbing techniques were used. Compared to other methodologies for floristic surveys,
the one employed here demanded lower sample effort and yielded similar results. Large trees play an important
role for epiphytes due to the concentration of species and individuals on them. Thus, the utilization of canopy
methodologies in other field surveys would be desirable to sample appropriately epiphytes in large trees.
Keywords: conservation, semideciduous forest, epiphytes, Atlantic Rain Forest, Bromeliaceae.

REIS, J.R. de M. & FONTOURA, T. 2009. Diversidade de bromélias epífitas na Reserva Particular do
Patrimônio Natural Serra do Teimoso – Jussari, BA. Biota Neotrop. 9(1): [Link]
v9n1/pt/abstract?article+bn01209012009.

Resumo: A presença de epífitas vasculares em florestas tropicais está freqüentemente associada a ambientes
mésicos e de altitude média. Este trabalho objetivou investigar a diversidade e a composição de espécies de
bromélias epífitas na Reserva Natural da Serra do Teimoso que é uma área de transição entre as florestas
ombrófila e a semidecídua. A amostragem foi adaptada do “Protocolo para Amostragem Rápida e Representativa
da Diversidade de Epífitas Vasculares e Não-Vasculares de Florestas Tropicais” utilizando-se oito indivíduos de
Cariniana legalis localizados entre 285 m e 573 m de altitude. Foram registradas 19 morfoespécies e 526 grupos
de bromélias. Quase um terço das espécies possui distribuição ampla e 27,3% é endêmica do sul da Bahia. O
índice de Shannon foi 2,2 [Link]íduo–1 e o número de espécies estimado foi 25 (SD = ±3,5). A maioria dos
indivíduos de Jequitibá possuiu abundância e composição de bromélias semelhantes entre si com predominância
de espécies de Aechmea e Hohenbergia. Três novas ocorrências para o sul da Bahia e mais um gênero ainda não
coletado na área foram registrados. Os resultados estão de acordo com o padrão de menor diversidade de epífitas
em florestas mais secas. Somente com técnicas específicas para acessar as grandes árvores do dossel, foi possível
registrar as novas ocorrências, pois tais espécies são exclusivas das copas das grandes árvores. Comparada as
outras metodologias para levantamentos florísticos, a metodologia empregada teve um baixo esforço amostral
apresentando resultados semelhantes. As grandes árvores possuem especial importância para as epífitas devido à
concentração de espécies e de indivíduos sobre elas. Assim, seria aconselhável que outros levantamentos utilizassem
metodologias de acesso ao dossel para coletar epífitas mais apropriadamente nas grandes árvores.
Palavras-chave: conservação, floresta semi-decídua, epífitas, Floresta Atlântica, Bromeliaceae.

[Link] [Link]
74 Biota Neotrop., vol. 9, no. 1, Jan./Mar. 2009

Reis, J.R.M. & Fontoura, T.

Introdução Material e Métodos


A presença de epífitas vasculares em florestas tropicais está
1. Área de estudo
freqüentemente associada a ambientes mésicos e de altitude média.
Geralmente, a riqueza é maior nas altitudes intermediárias das O estudo foi realizado na Reserva Particular do Patrimônio ­Natural
montanhas, havendo certa variabilidade de acordo com os locais da Serra do Teimoso (RNST; 15° 08’S e 39° 31’ W), município de
inventariados. Por exemplo, trabalhos desenvolvidos em escala local ­Jussari, Bahia (Figura 1). As partes mais altas da RNST atingem
no México, Colômbia e Equador, apontam respectivamente, picos de 850 m.s.m. e a vegetação pode ser classificada como transicional entre as
riqueza de espécies a 1.430 m, 2.350-2.600 m e a 1.600 m de altitude florestas ombrófila densa e a estacional semidecidual (Veloso 1991). A
(Krömer et al. 2005). Por outro lado, plantas epífitas são infreqüentes vegetação é permanentemente úmida nos topos de morro e semidecídua
em ambientes que possuem baixa umidade ou que passem por algum somente nas altitudes mais baixas (Jardim 2003). A temperatura média
anual é de 23,5 °C, a precipitação anual varia de 1.200 a 1.600 mm
período de seca (Gentry & Dodson 1987, Benzing 1990). Segundo
anuais, havendo 2 a 3 meses mais secos entre junho e agosto. O clima
Gentry & Dodson (1987) o epifitismo é representado nestes locais, por
é Am na classificação de Köppen (Landau 2003).
espécies das famílias mais adaptadas ao epifitismo como cactáceas,
A RNST possui ca. de 200 ha e possui um dossel bastante descon-
bromeliáceas e orquidáceas. tínuo, com árvores de grande porte que podem atingir 50 m de altura
A Floresta Atlântica na região sul da Bahia possui suas áreas e até 35 cm de diâmetro. Amorim et al. (2005) assinalam que várias
variando desde locais úmidos próximos ao litoral até áreas mais espécies vegetais de grande valor econômico estão presentes nesta
secas, que são substituídas pela caatinga na região a oeste do estado. área: pau-brasil (Caesalpinia echinata Lam.); jequitibá (Cariniana
Gouvêa et al. (1976) classificaram estas formações florestais como legalis (Martius) Kuntze); oiticica (Brosimum guianense (Aubl.)
mata higrófila (na porção a leste), mata mesófila e matas de cipó Huber); sapucaia (Lecythis pisonis (Cambess.) Miers); pau-d’arco
(nas regiões a oeste). Em algumas regiões, a transição entre matas (Tabebuia bilbergii (Bureau & [Link].) Standl.), dentre outras.
higrófilas e mesófilas pode ocorrer entre 80-100 km da costa, como Dados sobre as espécies vegetais coletadas estão disponíveis em
é o caso da região de Floresta Atlântica localizada em Jussari que [Link] e os trabalhos sobre o dossel da
possui componentes florísticos de florestas mais secas (Jardim 2003, RNST estão disponíveis em [Link]
Amorim et al. 2005). Embora a composição florística da região de ne313/[Link]
Jussari seja relativamente conhecida (Amorim et al. 2005), os únicos
2. Amostragem
estudos referentes às epífitas são provenientes de Una (Alves 2005)
que se localiza em linha reta a aproximadamente 80 km à leste de A coleta de dados foi feita durante uma semana do mês de abril de
Jussari, na floresta higrófila. 2005. A metodologia de amostragem de oito árvores foi adaptada do
Nas matas higrófilas da Bahia, a maioria das bromélias epífitas “Protocolo para Amostragem Rápida e Representativa da ­Diversidade
pertence à subfamília Bromelioideae e os estudos conduzidos até de Epífitas Vasculares e Não-Vasculares de Florestas Tropicais”
o momento sugerem que amostrar espécies de bromélia com esta (­Gradstein et al. 2003). Este protocolo recomenda a amostragem em
oito árvores adultas de dossel em 1 ha de floresta, bem como arvoretas
forma de vida significa amostrar a maioria das espécies que possam
e arbustos ao redor de cada árvore, perfazendo uma área de 20 x 20 m
ocorrer em áreas de mata higrófila (Alves 2005). Estas epífitas
ao redor da árvore selecionada.
ocorrem com menos freqüência em árvores com diâmetros pequenos
Foram desenvolvidos trabalhos piloto, que mostraram a presença
(ca. de 5 cm) e mais freqüentemente em árvores que possuem diâ- de epífitas somente nas copas das árvores com circunferência à altura
metros acima de 10 cm. A maior freqüência de epífitas em árvores do peito (CAP) ≥ 100 cm e a ausência de epífitas nos troncos das ár-
com grandes diâmetros aparentemente não é uma exclusividade das vores menores ([Link] index.
bromélias das matas higrófilas sul baianas, mas ocorre de maneira html). Cariniana legalis (jequitibá) foi escolhida como espécie foco
geral em outras áreas de florestas tropicais (Migenis & Ackerman por ser uma espécie de dossel, ser dominante na área e por possuir
1993, Zotz & Vollrath 2003). Além deste padrão de ocupação das muitas epífitas. Uma vez que alguns dos indivíduos encontravam-se
árvores, levantamentos realizados nas florestas do Panamá (Nieder separados em linha reta por mais de 100 m, optou-se pela padroniza-
et al. 2001), México, ­Bolívia e Venezuela têm indicado que a área ção do número de forófitos em detrimento da área de 1 ha recomen-
necessária para amostrar a maioria das espécies epífitas a ocorrer dada por Gradstein et al. (2003). Assim, oito indivíduos de C. legalis
em uma região é relativamente pequena se comparada à área ne- foram escolhidos aleatoriamente no terreno, entre 285 e 573 m.s.m.
cessária para amostrar a maioria das espécies de plantas terrestres A altitude e localização de cada um dos forófitos foi obtida através
(Nieder et al. 1999, Gradstein et al. 2003). Estas características da de GPS. Todos os forófitos amostrados possuíam mais de 30 m de
comunidade epífita levaram Gradstein et al. (2003) a desenvolverem altura. A área de 20 x 20 m ao redor dos oito forófitos confirmou a
um protocolo rápido de levantamento da diversidade de epífitas inexistência de epífitas em outras árvores e arbustos ao seu redor.
Os oito forófitos foram escalados através de técnicas de ascensão
juntamente com a utilização de estimadores de riqueza (Colwell &
vertical (“single rope technique”, Perry 1978) que são adaptações
Codington 1994, Gotelli & Colwell 2001). Tais protocolos rápidos e
de técnicas de escalada em rocha às árvores (Padget & Smith 1989).
a utilização de estimadores representam uma ferramenta a mais para
Diferentemente da técnica empregada por Perry (1978), em todas as
auxiliar na tomada de decisões de cunho conservacionista, sendo ascensões foram utilizadas cordas de segurança.
desejáveis, por exemplo, para a região sul da Bahia que possui cerca A abundância de cada uma das espécies foi registrada a partir
de 47% de sua área ocupada por pastagens e agricultura e 14% por do centro da copa, contando-se o número de grupos em todos os
florestas em estágio inicial de regeneração (Landau 2003). ramos dos jequitibás. Os grupos foram definidos como qualquer
Assim, este trabalho objetiva determinar a diversidade de espécies agregado de rosetas de bromélias, fossem eles formados por uma
de bromélias epífitas em uma área de transição entre as matas higrófila ou por várias rosetas. Grupos distintos foram registrados no caso
e mesófila e discutir aspectos sobre a conservação e a ocupação do de haver uma separação visível entre os grupos, sem a emissão de
hábitat de epífitas. estolões entre um grupo e outro. O registro dos grupos foi feito

[Link] [Link]
Biota Neotrop., vol. 9, no. 1, Jan./Mar. 2009 75

Bromélias epífitas da Serra do Teimoso

Tropical America

30

20

10

10

20 0 500 1000 km
110 100 90 80 70 60 50 40

Figura 1. Mapa da área de estudos da região sul da Bahia.


Figure 1. Map of study area located in southern Bahia region.

com o auxílio de binóculos, os grupos foram fotografados para ocorrentes na Floresta Atlântica, em outros biomas brasileiros e em
auxiliar na determinação das espécies ou dos morfotipos e quando outros países; iii) ocorrendo da Floresta Atlântica do sul da Bahia até
possível, houve a coleta de material botânico. Além disso, carac- as regiões ao sul deste bioma; e iv) ocorrentes na Floresta Atlântica
teres vegetativos e/ou reprodutivos foram anotados para todos os da região sudeste até a região nordeste deste bioma.
grupos para também auxiliar na determinação das espécies. Embora
Tillandsia usneoides (L.) L. ocorra sobre os forófitos, ela não foi 3. Análise de dados
incluída nas análises por necessitar de outro método para a medição A diversidade de espécies na área e em cada um dos forófitos
de sua abundância. foi calculada com o índice de Shannon: H’ = –Σ [(ni/N) ln (ni/N)]
Tanto o material botânico quanto as fotos foram utilizadas onde: ni = número de indivíduos da espécie i; N = número total de
para a elaboração da lista de espécies. Assim, indivíduos estéreis indivíduos da amostra.
morfologicamente diferentes de todas as demais espécies coletadas A estimativa do número total de espécies presente nas árvores foi
foram morfotipados. As exsicatas foram depositadas no herbário da calculada pelo estimador Chao 2, com correção para sub-amostras,
Universidade Estadual de Santa Cruz (HUESC). utilizando-se o programa EstimateS (Colwell 1997). As amostras
A distribuição geográfica das espécies foi determinada através
foram aleatorizadas 500 vezes.
da consulta à bibliografia especializada (Smith & Downs 1977,
1979, Leme 1987, 1997, 1999, Siqueira Filho & Leme 2006) e aos
Resultados
herbários do Centro de Pesquisas e Estudos do Cacau (CEPEC) e da
Universidade Estadual de Santa Cruz (HUESC). O exame das exsi- Foram registradas 19 morfoespécies e 526 grupos de bromélias
catas e a consulta à bibliografia permitiram que as espécies fossem sobre jequitibás (Tabela 1). Do total de morfoespécies, 11 (57,9%)
agrupadas em: i) ocorrentes do sul da Bahia até o Espírito Santo; ii) foram determinadas até espécie. Três das onze espécies (27,3%)

[Link] [Link]
76 Biota Neotrop., vol. 9, no. 1, Jan./Mar. 2009

Reis, J.R.M. & Fontoura, T.

Tabela 1. Espécies de bromélias epífitas, abundância sobre os forófitos e distribuição geográfica das espécies de Bromeliaceae sobre C. legalis na RPPN Serra
do Teimoso (Jussari, Bahia). Endêmica - espécie ocorrente do sul da Bahia até o Espírito Santo; Ampla - ocorrentes na Floresta Atlântica, em outros biomas
brasileiros e em outros países; FAS - espécie ocorrente da Floresta Atlântica do sul da Bahia até regiões ao sul deste bioma; FASeNe - espécie ocorrente na
Floresta Atlântica da região sudeste até a região nordeste.
Table 1. Species, abundance and geographic distribution of epiphytic bromeliads in C. legalis in RPPN Serra do Teimoso (Jussari, Bahia). Endêmica - oc-
curring from south Bahia to state of Espírito Santo; Ampla - occurring in Atlantic Rainforest, other Brazilian biomes and other countries; FAS - occurring
from Atlantic Rainforest of south Bahia to southern regions of Atlantic Rainforest; FASeNe - occurring from southeastern Atlantic Rainforest to northeastern
Atlantic Rainforest.
Espécies Abundância de grupos Distribuição geográfica
Aechmea cf. blanchetiana (Baker) L. B. Smith 4 Endêmica
Aechmea patentissima (Mart. Ex Schult. & Schult.f.) Baker 128 FASeNe
Aechmea nudicaulis (L.) Griseb. 8 Ampla
Aechmea sp1 16 -
Aechmea sp2 2 -
Bromeliaceae indet. 1 -
Edmundoa lindenii (Regel) Leme 3 FAS
Hohenbergia disjuncta L. B. Sm. 108 Endêmica
Neoregelia sp1 3 -
Neoregelia sp2 5 -
Tillandsia gardnerii Lindl. 50 Ampla
Tillandsia sp2 3 -
Tillandsia sp1 19 -
Tillandsia tenuifolia L. 20 Ampla
Vriesea dictyographa Leme 23 Endêmica
Vriesea flammea L. B. Sm. 25 FAS
Vriesea ensiformis (Vell.) Beer 14 FAS
Vriesea paratiensis [Link] 91 FAS
Vriesea sp1 3 -
Total 526 -

apresentaram distribuição ampla, quatro espécies ocorrem na Floresta Tabela 2. Forófitos, altitudes, número de espécies sobre os forófitos (spp),
Atlântica da região sul do Brasil (36,4%), três espécies (27,3%) são abundância e diversidade (H’) de Bromeliaceae epífitas na RPPN Serra do
Teimoso (Jussari, Bahia).
endêmicas e uma espécie ocorre na Floresta Atlântica desde a região
sudeste até a região nordeste. Edmundoa lindenii, Vriesea flammea e Table 2. Phorophytes, altitude, species number in phorophytes (spp), abun-
dance and diversity (H’) of epiphytic bromeliads in RPPN Serra do Teimoso
V. paratiensis são novas ocorrências para a região nordeste da Floresta
(Jussari, Bahia).
Atlântica, possuindo distribuição anteriormente registrada somente
para a região sul da Floresta Atlântica. Forófito Altitude (m) Spp Abundância H’
No forófito localizado na menor altitude foram encontradas J8 573 9 83 1,8
seis espécies de bromélia e no forófito de maior altitude, nove es- J7 479 10 109 1,7
pécies, havendo cinco a dez espécies nos forófitos localizados em J6 439 7 18 1,7
altitudes intermediárias (Tabela 2). O mesmo padrão de variação foi J5 439 6 14 1,5
observado para a abundância e para a diversidade de bromélias nas J4 429 5 52 1,2
árvores das diferentes altitudes. A diversidade geral da área foi de
J3 421 9 46 2,0
2,2 [Link]íduo–1. O número total de espécies estimado para a área
foi de 25 ( SD = ± 3,5; Figura 2). J2 295 9 151 1,2
J1 285 6 53 1,5
Discussão Total - 19 526 2,2
Pouco mais da metade das espécies de Jussari foi determinada,
indicando a necessidade de levantamentos florísticos que possibilitem
a descrição e a elaboração de chaves de identificação das espécies Flora Neotropica (95 espécies, T. Fontoura & [Link], dados não
ocorrentes na região. Jussari representa uma entre outras localidades publicados) e pela alta diversidade em altitudes médias (Cardelús
do sul da Bahia que possuem matas de encosta pouco conhecidas, et al. 2006), é provável que algumas das espécies não determinadas
pois todos os trabalhos que abordam a florística das espécies do sul de Jussari sejam novas espécies a serem descritas.
da Bahia são fortemente centrados em matas de baixada (Smith & O registro de 19 espécies de bromélias sobre uma só espécie
Downs 1974, 1977, 1979, Leme 1997, 1999, Alves 2005). A julgar arbórea dominante na área (0,89 indivíduos/ha; W. Thomas et al.,
pela alta diversidade florística do sul da Bahia (Martini et al. 2007), dados não publicados) e a ausência de epífitas nas árvores de pe-
pelo número de espécies publicadas para a família Bromeliaceae na queno e médio porte indicam que os grandes jequitibás devem ter

[Link] [Link]
Biota Neotrop., vol. 9, no. 1, Jan./Mar. 2009 77

Bromélias epífitas da Serra do Teimoso

60 coletadas e uma grande diferença no esforço amostral. Enquanto o


presente trabalho registrou as 19 espécies em uma semana, Amorim
50
et al. (2005) utilizaram os dados provenientes de coletas realizadas
Nº de espécies

40 entre 1997 e 2004, de coletas acumuladas no Herbário do Centro de


30 Pesquisas do Cacau e de dados de um inventário fitossociológico
20 (W. Thomas et al., dados não publicados). Embora diferenças nas
metodologias impeçam comparações em relação às espécies cole-
10
tadas, a diferença no esforço amostral entre os levantamentos e a
0 semelhança no número de espécies indica que ajustes metodológicos
0 2 4 6 8 10
em estudos florísticos e de diversidade seriam altamente desejáveis.
Nº de forófitos
Assim, seria interessante que levantamentos florísticos incluíssem a
Sobs Chao 2 coleta no dossel utilizando diferentes espécies arbóreas de grande
porte para amostrar a riqueza e diversidade de bromélias ou de epífitas
Figura 2. Curva de acumulação de espécies de bromélias epífitas sobre em geral com um menor esforço amostral. A metodologia de campo
C. ­legalis na RPPN da Serra do Teimoso (Jussari) Bahia. Sobs = número de aqui adotada permitiu a coleta de um gênero não registrado na área
espécies observado; desvios referem-se aos desvios-padrão de cada valor (Neoregelia spp.) pelo levantamento de Amorim et al. (2005) e a coleta
estimado. de três novas ocorrências para a região nordeste da Floresta Atlântica
Figure 2. Species accumulation curves of epiphytic bromeliads in C. legalis, (Edmundoa lindenii, Vriesea flammea e V. paratiensis). Estas espécies
RPPN Serra do Teimoso (Jussari) Bahia. Sobs = observed species number; possuíam distribuição geográfica registrada anteriormente somente
standard deviations represented to each estimated value. para a região sul da Floresta Atlântica.
Mais de um quarto (27,3%) das bromélias de Jussari tem ocorrên-
cia restrita ao eixo sul da Bahia e Espírito Santo e uma percentagem
um importante papel para a manutenção da diversidade e riqueza de bem maior (cerca de metade das espécies) de bromélias endêmicas
espécies epífitas em outras áreas de floresta da região. para este mesmo trecho geográfico, foi encontrada nas matas úmidas
Trabalhos realizados em escala regional poderão verificar a hi- de Una (Alves 2005). Embora comparações diretas entre as localida-
pótese de C. legalis ser uma espécie também importante para epífitas des devam ser tomadas com reserva, o padrão geral de diminuição da
ao longo da Floresta Atlântica, hospedando esta forma de vida em percentagem de espécies endêmicas ocorreu com bromélias epífitas
maior abundância ou riqueza se comparada a outras espécies arbóreas. de maneira semelhante ao ocorrido com a flora em geral. Enquanto
Esta hipótese é baseada em trabalhos realizados em escala local, que as regiões de Una e Serra Grande apresentaram respectivamente
mostraram que algumas espécies arbóreas são desproporcionalmente 28,1 e 26,5% de endemismo de plantas vasculares (Amorim et al.
propícias ao epifitismo (Waechter 1980, Benzing 1990), que C. legalis 2005), a região de Jussari apresentou somente 7,3% de espécies
ocorre desde o estado de Pernambuco até o estado de São Paulo, endêmicas para a região entre Bahia e Espírito Santo.
sendo uma espécie característica do dossel, com grandes diâmetros Uma vez que plantas epífitas são caracterizadas pelo alto en-
(Sebben et al. 2000). Uma vez que a Floresta Atlântica é um bioma demismo (Koopowitz et al. 1993, Turner et al. 1994, Koopowitz
predominantemente úmido e que árvores com grandes diâmetros são, 1994a, b) e pela preponderância da família Orchidaceae nas florestas
em sua maioria, forófitos de epífitas (Migenis & Ackerman 1993, tropicais da Ásia, África (Koopowitz et al. 1993, Tuner et al. 1994,
Zotz & Vollrath 2003, Alves 2005) é provável que esta hipótese seja Koopowitz 1994a, b) e Floresta Atlântica do Brasil (Kersten & Silva
verdadeira. 2001, ­Gonçalves & Waechter 2002, Borgo & Silva 2003, Giongo
Os dados sobre a riqueza e abundância de bromélias por forófito & Waechter 2004), é provável que a percentagem de endemismo
podem ser usados para extrapolar quantas espécies e grupos de bro- presente para as Bromeliaceae seja uma estimativa otimista do
mélias epífitas seriam eliminados do terreno no caso da eliminação endemismo presente na família mais rica em espécies epífitas, no
de áreas florestais nesta região. Jussari é uma amostra da condição da caso, Orchidaceae.
paisagem a oeste da Floresta Atlântica no sul da Bahia, onde as áreas O número estimado de bromélias epífitas na RNST (25 ± 3,5) foi
florestais são reduzidas a manchas de floresta (neste caso, 200 ha de menor do que o número de bromélias epífitas estimado para a região
floresta) rodeadas por áreas de pasto (Landau 2003). Deste modo, de Una (33 ± 3,74; Alves 2005) confirmando a afirmação de Gentry &
aproximando a densidade de C. legalis encontrada por W. Thomas Dodson (1987) e Benzing (1990) de que áreas com baixa umidade ou
et al. (dados não publicados) para um indivíduo por hectare, a retirada com períodos de seca tendem a possuir um menor número de epífitas.
seletiva de jequitibás em outras matas de encosta de baixa altitude, Para a área investigada, o período de seca que ocorre nos meses de
implicaria na perda de seis a dez espécies e de 46 a 151 grupos de junho e julho deve ser um fator determinante para a diminuição do
bromélias por hectare. Embora outros levantamentos em fragmentos número de espécies epífitas. Hohenbergia disjuncta e H. blanchetiana
de mata na região de Jussari sejam necessários, é provável que esta são exemplos de espécies presentes na área e que ocorrem também
estimativa não esteja longe dos valores reais. Trabalhos desenvolvidos em outras regiões do sul da Bahia com algum grau de perturbação e,
em outras florestas tropicais têm indicado que plantas epífitas possuem portanto, sujeitas a algum grau de dessecação no dossel.
uma rápida estabilização da curva de acumulação de espécies devido Várias características das Bromeliaceae e de epífitas indicam
à acumulação de muitas epífitas em alguns forófitos (Nieder et al. que o estabelecimento desta forma de vida nas árvores da RNST
1999, 2001, Gradstein et al. 2003). Esta característica da comunidade seja dificultado pela baixa retenção de umidade entre as árvores da
epífita faz com que o número de epífitas a ocorrer em uma região seja floresta ocasionada pelas numerosas rochas no chão que distanciam as
rapidamente alcançado utilizando-se uma área amostral relativamente árvores umas das outras (Fontoura, obs. pess.). Embora as Bromelia-
pequena, se comparada à área necessária para amostrar espécies ceae sejam capazes de ocupar locais extremamente xéricos (Benzing
arbóreas (Nieder et al. 1999, 2001). 2000) a presença de alguma fonte de umidade é necessária para que
Comparando-se o número de espécies coletadas e o esforço maiores densidades destas plantas possam ocorrer. Este é o caso de
amostral deste trabalho com o levantamento realizado por Amorim Nidularium procerum Lindman, N. innocentii Lemaire e de Aechmea
et al. (2005) pode-se notar uma semelhança no número de espécies bromeliifolia (Rudge) Baker que, embora terrestres, ocorrem em altas

[Link] [Link]
78 Biota Neotrop., vol. 9, no. 1, Jan./Mar. 2009

Reis, J.R.M. & Fontoura, T.

densidades (436/0,01 ha, 1364/0,03 ha e 150/0,015 ha respectivamen- Referências Bibliográficas


te) somente em locais inundados da Floresta Atlântica (Freitas et al.
ALVES, T.F. 2005. Distribuição geográfica, forófitos e espécies de bromélias
1998, Scarano et al. 2002). Estes trabalhos indicam que esta prefe-
epífitas nas matas e plantações de cacau da região de Una, Bahia. Tese de
rência pelos microhábitats inundados em comparação com os secos, doutorado, Universidade Estadual de Campinas, Campinas.
ocorre como forma de aumentar a umidade do ar local, contribuindo
AMORIM, A.M., FIASCHI, P., JARDIM, J.G., THOMAS, W.W., CLIFTON,
para a melhor retenção de água nos tanques das bromélias (Scarano B.C. & CARVALHO, A.M. 2005. The vascular plants of a forest fragment
et al. 2002). A umidade retida nas cascas das árvores também é o in southern Bahia, Brazil. Sida, 21(3):1727-1752.
principal fator para aumentar a abundância de Tillandsia usneoides BENZING, D.H. 1990. Vascular epiphytes: general biology and related biota.
(L.) L. nos troncos das árvores em florestas subtropicais dos Estados Cambridge University Press, Cambridge.
Unidos (Callaway et al. 2002). Uma vez que a região Jussari possui BENZING, D.H. 2000. Bromeliaceae. Profile of an adaptive radiation.
um período de seca de dois a três meses, é uma floresta semidecídua Cambridge University Press, Cambridge.
e os potenciais forófitos estão afastados entre si, parece improvável BORGO, M. & SILVA, S.M. 2003. Epífitos vasculares em fragmentos de
que a umidade existente na área seja suficiente para manter a riqueza Floresta Ombrófila Mista, Curitiba, Paraná, Brasil. Revta. Bras. Bot.
e a abundância de epífitas em profusão. 26(3):391-401.
A estabilização da curva de acumulação de espécies indica que CALLAWAY, R.M., REINHART, K.O. & MOORE, G.W. 2002. Epiphyte host
a modificação na composição de espécies de bromélias é relativa- preferences and host traits: mechanisms for species-specific interactions.
mente baixa dentro da faixa altitudinal analisada. Embora o primeiro Oecologia 132:221-230.
jequitibá esteja a 285 m altitude e o último jequitibá se localize em CARDELÚS, C.L., COLWELL, R.K. & WATKINS Jr., J.E. 2006. Vascular
uma altitude duas vezes maior (573 m), a abundância e o número epiphyte distribution patterns: explaining the mid-elevation richness
de espécies epífitas é semelhante entre a maioria das árvores inves- peak. J. Ecol. 94:144-156.
tigadas, entretanto, o único jequitibá com composição de espécies COLWELL, R.K. & CODINGTON, J.A. 1994. Estimating terrestrial
diferenciada, se localiza na maior altitude. Esta baixa modificação na biodiversity through extrapolation. Phil. Trans. R. Soc. Lond. B
composição de epífitas já foi assinalada por outros autores em loca- 345:101‑118.
lidades da América Central e em florestas de planície da Amazônia COLWELL, R.K. 1997. Estimates: statistical estimation of species richness
(Nieder et al. 1999, 2001), ocorrendo também na região de Una que and shared species from samples. Version 7.5. User’s guide and
possui altitude máxima de 100 m.s.m. (Alves 2005). application published at: [Link] (último
acesso em 10/01/2007)
Conclusão FREITAS, C.A., SCARANO, F. R. & WENDT, T. 1998. Habitat choice
in two facultative epiphytes of the genus Nidularium (Bromeliaceae).
O registro de 19 morfoespécies e a estimativa de 25 espécies Selbyana 19 (2): 236-239.
de bromélias epífitas a ocorrerem na RNST estão de acordo com GENTRY, A. & DODSON, C.H. 1987. Diversity and biogeography of
o padrão de menor diversidade de epífitas em florestas mais secas. Neotropical vascular epiphytes. Ann. Missouri Bot. Gard. 74:205-233.
Embora haja baixa diversidade, a metodologia de acesso ao dossel GIONGO, C. & WAECHTER, J. 2004. Composição florística e estrutura
foi fundamental para coletar epífitas que são exclusivas das copas comunitária de epífitos vasculares em uma floresta de galeria na Depressão
das grandes árvores. Isto permitiu o registro de três espécies que não Central do Rio Grande do Sul. Revta. Bras. Bot. 27(3):563-572.
possuíam registro para a região nordeste da Floresta Atlântica e de um GONÇALVES, C.N. & WAECHTER, J.L. 2002. Epífitos vasculares sobre
gênero ainda não coletado na área. Comparada a outras metodologias espécimes de Ficus organensis isolados no norte da planície costeira
utilizadas para levantamentos florísticos, a metodologia empregada do Rio Grande do Sul: padrões de abundância e distribuição. Acta Bot.
teve um baixo esforço amostral apresentando resultados semelhantes. Bras. 16(4):429-441.
As grandes árvores possuem especial importância para as epífitas GOTELLI, N. & COLWELL, R.K. 2001. Quantifying biodiversity: procedures
devido à concentração de espécies e de indivíduos sobre as copas and pitfalls in the measurement and comparison of species richness.
das árvores. Assim, seria aconselhável que outros levantamentos Ecol. Let. 4:379-391.
utilizassem metodologias de acesso ao dossel para coletar epífitas GOUVÊA, J.B.S., SILVA, L.A.M. & HORI, M. 1976. Fitogeografia. In
mais apropriadamente nas grandes árvores. Diagnóstico sócio econômico da região cacaueira, (Comissão Executiva
do Plano da Lavoura Cacaueira e Instituto Interamericano de Ciências
Agrícolas, eds.). CEPLAC; IICA, Ilhéus, p.1-10.
Agradecimentos
GRADSTEIN, S.R., NADKARNI, N.M., KRÖMERT, T., HOLZ, I. &
Este trabalho foi desenvolvido durante o III Curso de Campo de NÖSKE, N. 2003. A protocol for rapid and representative sampling of
Ecologia de Dossel. As autoras são gratas aos proprietários da Reserva vascular and non-vascular epiphyte diversity of tropical rain forests.
Particular do Patrimônio Natural da Serra do Teimoso, Henrique e Selbyana, 24(1):105-111.
Lucélia Berbert; à equipe de escaladores Iván Soler, Marcial Cotes, JARDIM, J.G. 2003. Uma caracterização parcial da vegetação na região sul
Sean Kerrigan, Márcia Rocca, Wesley da Duarte da Costa, Luiz da Bahia, Brasil. In Corredor de Biodiversidade da Mata Atlântica do
Eduardo Azevedo Rocha, Tilson Nascimento; aos co-organizadores Sul da Bahia (P.I. Prado, E.C. Landau, R.T. Moura, L.P.S. Pinto, G.A.B.
Fonseca & [Link], orgs.). IESB; CI; CABS; UFMG; UNICAMP, Ilhéus.
do curso Marcelo Mielke e Sérvio Ribeiro; aos financiadores e apoia-
Publicação em CD-Rom.
dores do III Curso de Ecologia de Dossel: Universidade Estadual
KERSTEN, R.A. & SILVA, S.M. 2001. Composição florística e estrutura do
de Santa Cruz, Universidade Federal de Ouro Preto, Universidade
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Ambientais do Sul da Bahia (IESB). Por fim, as autoras são gratas African orchids: implications for conservation. In Proceedings of the
ao curador do Herbário Cepec (A. Amorim) pelo exame da coleção Fourteenth World Orchid Conference (A. Pridgeon, ed.). Her Majesty’s
de Bromeliaceae. Stationery Office, London, p. 120-124.

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