Lab Morfo 3.
BEXIGA:
A bexiga urinária é um órgão muscular oco e distensível, situado na cavidade pélvica
posteriormente à sínfise púbica. Nos homens, é diretamente anterior ao reto. Pregas do
peritônio mantêm a bexiga urinária em sua posição. Quando ligeiramente distendida devido ao
acúmulo de urina, a bexiga urinária é esférica. Quando vazia, ela colapsa. À medida que o
volume de urina aumenta, a bexiga urinária torna-se piriforme e eleva-se para a cavidade
abdominal inferior. A capacidade média da bexiga urinária é de 700 a 800 mℓ. É menor nas
mulheres, pois o útero ocupa o espaço imediatamente superior à bexiga urinária
Na bexiga, a urina é armazenada até que seja excretada no processo conhecido como
micção. A micção é um reflexo espinal simples que está sujeito aos
controles consciente e inconsciente pelos centros superiores do encéfalo. À medida que a bexiga
urinária se enche com urina e as suas paredes se expandem, receptores de estiramento enviam
sinais através de neurônios sensoriais para a medula espinal . Lá, a informação é integrada e
transferida a dois conjuntos de neurônios. O estímulo da bexiga urinária cheia estimula os
neurônios parassimpáticos, que inervam o músculo liso da parede da bexiga urinária. O músculo
liso contrai, aumentando a pressão no conteúdo da bexiga urinária. Simultaneamente, os
neurônios motores somáticos que inervam o esfíncter externo da uretra são inibidos.
A contração da bexiga urinária ocorre em uma onda, a qual empurra a urina para baixo,
em direção à uretra. A pressão exercida pela urina força o esfíncter interno da uretra* a abrir
enquanto o esfíncter externo relaxa. A urina passa para a uretra e para fora do corpo, auxiliada
pela gravidade. Uma pessoa que foi treinada para o controle esfincteriano adquire um reflexo
aprendido, que mantém o reflexo da micção inibido até que ele ou ela deseje conscientemente
urinar. O reflexo aprendido envolve fibras sensoriais adicionais à bexiga urinária, que sinalizam o
grau de enchimento. Centros no tronco encefálico e no córtex cerebral recebem essa informação
e superam o reflexo de micção básico, inibindo diretamente as fibras parassimpáticas e
reforçando a contração do esfíncter externo da uretra. Quando chega o momento apropriado
para urinar, esses mesmos centros removem a inibição e facilitam o reflexo, inibindo a contração
do esfíncter externo da uretra. Além do controle consciente da micção, vários fatores
inconscientes podem afetar esse reflexo.
URETRA:
PRÓSTATA:
A próstata é a maior glândula sexual acessória do sistema genital masculino. Seu
tamanho e formato são comumente comparados com os de uma noz. A principal função da
próstata consiste em secretar um líquido claro e ligeiramente alcalino (pH de 7,29), que
contribui para a formação do líquido seminal. A glândula está localizada na pelve, inferiormente
à bexiga, onde circunda a parte prostática da uretra. É constituída por 30 a 50 glândulas
tubuloalveolares dispostas em três camadas concêntricas: uma camada mucosa interna, uma
camada submucosa intermediária e uma camada periférica contendo as glândulas prostáticas
principais. As glândulas da camada mucosa secretam diretamente na uretra; as outras duas
camadas contêm ductos que se abrem nos seios prostáticos, localizados em cada lado da crista
uretral, na parede posterior da uretra.
Figura 22.26 Fotomicrografia da glândula seminal humana. A. Esta fotomicrografia em pequeno aumento mostra
parte de um corte de glândula seminal humana corada por hematoxilina e eosina (H-E). Esta glândula é uma
estrutura tubular tortuosa que, em corte, exibe o que parecem ser vários lumens isolados. Na realidade, há apenas
um lúmen. A mucosa caracteriza-se por pregas extensas (setas). Ela repousa sobre um revestimento de músculo liso
(ML) espesso, organizado em duas camadas: uma camada circular interna e uma camada longitudinal externa. 20×.
B. Este maior aumento mostra as pregas da mucosa revestidas por um epitélio pseudoestratificado. As setas indicam
as células basais.
O parênquima prostático adulto é dividido em quatro zonas anatômica e clinicamente distintas:
● Zona central = circunda os ductos ejaculatórios que atravessam a próstata. Essa zona
representa aproximadamente 25% do tecido glandular da próstata e é resistente tanto ao
carcinoma quanto à inflamação. Em comparação com as outras zonas, as células da zona
central exibem características morfológicas distintas (um citoplasma mais proeminente e
ligeiramente basófilo e núcleos maiores, deslocados em diferentes níveis nas células
adjacentes).
● Zona periférica = representa 70% do tecido glandular da próstata. Esta circunda a zona
central e ocupa as partes posterior e lateral da glândula. A maioria dos carcinomas de
próstata origina-se da zona periférica da próstata. Tal zona é palpável durante o exame de
toque retal, e também é mais suscetível à inflamação
● Zona de transição = circunda a parte prostática da uretra; compreende cerca de 5% do
tecido glandular prostático e contém as glândulas mucosas. Nos indivíduos idosos, as
células parenquimatosas dessa zona frequentemente sofrem divisão extensa (hiperplasia)
e formam massas nodulares de células epiteliais. Como a zona de transição está perto da
parte prostática da uretra, esses nódulos podem comprimir essa parte da próstata,
causando dificuldade na micção. Essa condição é conhecida como hiperplasia prostática
benigna (HPB)
● Zona periuretral = contém glândulas mucosas e submucosas. Nos estágios mais
avançados da HPB, essa zona pode sofrer crescimento anormal, principalmente dos
componentes do estroma. Juntamente com os nódulos glandulares da zona de transição,
esse crescimento provoca compressão uretral e maior retenção de urina na bexiga.
O estroma fibromuscular também ocupa a superfície anterior da próstata,
anteriormente à uretra, e é composto de tecido conjuntivo denso não modelado, com grandes
quantidades de fibras musculares lisas.
Em cada zona da próstata, o epitélio glandular geralmente é simples colunar, mas podem
ser observadas placas constituídas por epitélio simples cuboide, pavimentoso ou, em certas
ocasiões, pseudoestratificado . Os alvéolos das glândulas prostáticas, particularmente em homens
idosos, contêm frequentemente concreções prostáticas (corpos amiláceos) de formato e tamanho
variados, muitas vezes com até 2 mm de diâmetro .Nos cortes, aparecem como corpos lamelados
concêntricos, e acredita-se que sejam formados pela precipitação de secreção ao redor de
fragmentos celulares. Podem tornar-se parcialmente calcificados.
O epitélio glandular é influenciado pelos hormônios sexuais, como a testosterona e os
andrógenos suprarrenais. Esses hormônios entram nas células secretoras do epitélio glandular e
são convertidos em di-hidrotestosterona (DHT) pela enzima 5α-redutase. A DHT é
aproximadamente 30 vezes mais potente que a testosterona. A ligação da DHT ao receptor de
andrógeno (AR; do inglês, androgen receptor) resulta em mudança na conformação do receptor
e sua relocação do citosol para o núcleo da célula. Nesse local, os dímeros fosforilados do
complexo AR ligam-se a uma sequência específica do DNA, conhecida como elemento de
resposta a hormônios, que reside nas regiões promotoras dos genes-alvo. A principal função do
AR consiste em direcionar a suprarregulação ou a infrarregulação dos genes específicos. A
estimulação por DHT é um fator na proliferação e no crescimento da HPB e do câncer de
próstata dependente de andrógeno.
Figura 22.28 Fotomicrografia da próstata humana. A. Esta amostra corada com Mallory-Azan mostra as glândulas
(Gl) tubuloalveolares e o tecido fibromuscular que forma os septos entre o tecido glandular. No lúmen, podem ser
observadas concreções prostáticas de vários tamanhos. A coloração usada para esta amostra distingue facilmente o
músculo liso (corado em vermelho) do tecido conjuntivo denso (corado em azul) do estroma. 60×. B. Este maior
aumento mostra uma área em que o epitélio glandular é pseudoestratificado. Os núcleos redondos adjacentes ao
tecido conjuntivo (pontas de seta) pertencem às células basais. Os núcleos mais alongados e mais distantes da base
do epitélio pertencem às células secretoras. Observe as barras terminais (setas) que são evidentes na região apical
dessas células. Os locais corados em vermelho no tecido conjuntivo denso representam células musculares lisas.
635×.
Na próstata, as células epiteliais produzem diversas enzimas, particularmente o antígeno
prostático específico (PSA), a fosfatase ácida prostática (PAP; do inglês, prostatic acid
phosphatase), a fibrinolisina e o ácido cítrico:
•O antígeno prostático específico (PSA), uma serina protease de 33 kDa, constitui um dos
marcadores tumorais de maior importância clínica. Em condições normais, o PSA é secretado
nos alvéolos da próstata e, por fim, é incorporado ao líquido seminal. A secreção alveolar da
próstata é bombeada para a parte prostática da uretra durante a ejaculação, por meio da
contração do tecido fibromuscular da próstata. Como o PSA é predominantemente liberado na
secreção prostática, apenas uma quantidade muito pequena de PSA (em geral inferior a 4 ng/mℓ)
normalmente circula no sangue de um indivíduo saudável. No entanto, no câncer de próstata, a
concentração sérica de PSA aumenta; são produzidas grandes quantidades de PSA, que são
inadequadamente direcionadas para a circulação pelo epitélio prostático transformado. O nível
sérico aumentado de PSA é usado como marcador clínico da progressão da doença. Já é
amplamente aceito que muitos tecidos não prostáticos também podem apresentar pequenas
quantidades de PSA, incluindo as mamas, os ovários, as glândulas salivares e o tecido hepático,
bem como vários tumores. Além disso, os níveis circulantes elevados de PSA também podem
estar associados a condições benignas (não cancerosas), como prostatite (infecção da próstata),
fluxo sanguíneo interrompido para a próstata ou HPB (ver Boxe 22.4 para mais detalhes sobre a
triagem com PSA)
•A fosfatase ácida prostática (PAP) (100 kDa) regula o crescimento e o metabolismo
celulares do epitélio glandular da próstata. Como são encontrados níveis séricos elevados de PAP
em pacientes com câncer de próstata metastático, essa enzima é rotineiramente usada como
marcador alternativo do PSA para tumores de próstata. As determinações da PAP e do PSA são
úteis na avaliação do prognóstico do câncer de próstata
•A fibrinolisina, que é secretada pela próstata, liquefaz o sêmen.