FACULDADE CATÓLICA DE BELÉM
CURSO DE FILOSOFIA
ALAN VINICIUS MORAES
ELSON MARTINS SOUZA
MATEUS CABRAL GOMES PEREIRA
HEGEL
Ananindeua - PA
2024
ALAN VINICIUS MORAES
ELSON MARTINS SOUZA
MATEUS CABRAL GOMES PEREIRA
HEGEL
Texto argumentativo apresentado à
Faculdade Católica de Belém, para a
obtenção de nota parcial na disciplina de
História da Filosofia Contemporânea.
Ananindeua - PA
2024
No que se refere ao pensamento hegeliano, fortemente influenciado pelas
ideias iluministas, a saber, liberdade, igualdade e fraternidade, Hegel faz uma crítica
aos inatistas, aos empiristas e ao sistema kantiano. Em relação à crítica ao
inatismo, o filósofo afirma que não há possibilidade da existência de ideias inatas,
pois a razão é histórica, tal como pode ser lido na introdução de suas obras
Fenomenologia do Espírito: “não concebe a diversidade dos sistema filosóficos
como desenvolvimento porgressivo da verdade” (HEGEL, 2014, p.24). Ou seja, o
legado deixado por seus antecessores, mesmo que constituído de erros, carregam
em si um legado aqueles que continuarão tal processo. Se houvesse tais ideias, tal
processo não seria necessário.
Com relação aos empiristas, critica sua atitude de pôr a experiência, as
coisas, como crivo do verdadeiro, o que limitaria a razão livre do homem que seria
capaz de transformar a hostilidade, de acordo com Andery (1996, p.365). O que
deve ficar claro nessas duas primeiras críticas é o fato de Hegel defende um sujeito
autônomo, capaz de desenvolver-se e de superar limitações. A crítica a Kant surge
no quesito das coisas-em-si, que não pode ser acessada pois o homem no sistema
kantiano, pode apenas receber fenômenos, aquilo que o objeto revela a nós, aquilo
que se adequa às estruturas a priori do sujeito.
Fica claro, portanto, que aqui se manifesta um limite à razão, e é nesse ponto
que Hegel tece suas críticas aceitar tal pressuposto kantiano seria impor barreiras à
razão algo vai contra todo o sistema hegeliano. Por isso, Vaz afirma que, para
Hegel, o sistema Kantiano:
é apenas momento de um processo ou de uma gênese que começa
com a ‘aparição’ do sujeito a si mesmo no simples ‘aqui’ e ‘agora’ da
certeza sensível, aparição que mostra a dissolução da verdade do
objeto na certeza com que o sujeito procura fixá-la (HEGEL, 2014,
p.13).
O sistema kantiano ainda se encontra no momento do espírito subjetivo, um
momento que tentamos “absorver ou suprimir o objeto de nossos impulsos”
(NUNES, 2004, p.29), colocando o ser-outro como algo nosso. Visto dessa forma, o
sistema kantiano dissolve o objeto no próprio sujeito.
No primeiro parágrafo, algo que salta à vista é a concepção legitima sobre a
verdade. Para Hegel, a razão é uma faculdade crítica que o permite compreender a
realidade e nela atuar. Além disso, a razão é histórica, pois ela se desenvolve até
atingir uma compreensão do todo. Contudo, “o todo é somente a essência que se
implementa através de seu desenvolvimento” (HEGEL, 2014, 33). Como se dá esse
movimento?
Esse movimento é dialético, se dá por uma série de contradições a serem
superadas. Essa é a principal forma de Hegel, suas dialéticas. Esta dialética nada
mais que um processo que leva à verdade total, onde “encadenado conceito a
conceito, afasta-se esta vez mais do imediato, e, através de inúmeras mediações,
abrange aspectos cada vez mais numerosos e mais concretos da realidade”
(NUNES, 2004, p.30). No fim, pela didática chega-se a esse saber absoluto, que é
“essencialmente resultado” (NUNES, 2004, p.33), característica principal do espírito
absoluto, que tem total consciência do universo. O que deve ficar claro é que o
mesmo movimento se dá nas coisas, esse movimento dialético. Por isso que, em
Hegel, o racional é real.
Por fim, cabe discutir a respeito desse movimento dialético. Ele possui tais
fases: a tese, a antítese e a síntese. Cada um dos dois primeiros, tese ou antítese,
leva ao outro, que será sua negação. A partir dessa oposição, surge a síntese, que
supera essa contradição e permite a continuação do processo: “a coisa mesma não
se esgota em seu fim, mas em sua atualização” (HEGEL, 2014, p.25). Com o que foi
dito, esse é um processo inevitável, no sentido de ser necessário para avançar o
conhecimento.
Diante do todo que foi exposto, cabe como antítese a respeito do que foi
apresentado. O primeiro ponto diz respeito a suas ideias de que a razão é histórica,
de que a verdade, desenvolve-se, no sentido de que cada sistema filosófico anterior
apenas contribui para esse desvelamento da verdade. Tal asserção pode ser
considerada como verdadeira. Contudo, não deve-se sair no erro de pensar em um
saber progressivo, que sempre avança. Nas palavras de Voegelin, “a amnésia em
relação a conquistas passadas é um dos fenômenos sociais mais importantes”
(2014, p.6). Esse próprio atras do progresso pode deixar para trás diversas
verdades, coisa que ocorreu com a metafísica com os neo-positivistas.
No que diz respeito à dialética, esse movimento de superação de
contradições, é algo notável em seu pensamento e na base dele. Contudo, Hegel
não há explicações lógicas de um porque as coisas ocorrem dessa forma e porque
uma tese conduz necessariamente a uma antítese. Além disso, se a única
realidade, ou melhor, se o motor de tudo é o movimento, o devir, como pode haver
verdade? se não há uma verdade que se impõe, se ela é histórica, então qual a
veracidade da própria dialética?
Além disso, no que se refere ao ser, o filósofo comete um erro ao afirmar que
a superação do ser e do nada é o devir. Ora, o nada é impossível de ser pensado,
pois só há o ser, este que se impõe e, por isso, não admite contradição. Ademais, o
último posto a ser analisado é o espírito absoluto, esse conhecimento em que tudo
está concentrado dentro de um sistema, de tal forma que se possa ter um vislumbre
da totalidade.
Tal propósito é impossível pois o homem possui os seus limites no quesito do
conhecer. A própria física e a teologia vem mostrar: ninguém conhece plenamente
o que seria a trindade cristã e nem ir além do limite do princípio das ideias proposto
por Heisenberg. Há sempre um limite para aquilo que o homem pode conhecer e
sempre alguma verdade é por nós desprezada ou não chega até nós.
hegel nasceu em 1770 e morreu em 1831 na Alemanha. Sua história de vida
perpassa pela teologia e pelo protestantismo. O filósofo dedicou-se aos estudos do
grego, latim, história e outros conhecimentos. Foi professor e reitor universitário.
Por ser um pensador inovador, o filósofo conquistou adeptos e
questionadores, como a Igreja Luterana e a corte. Buscava afirmar que a filosofia
teria cumprido o seu papel por meio do seu pensamento.
A Alemanha recebeu os ideais da Revolução Francesa, com a busca da
liberdade, igualdade e fraternidade. No entanto, com as limitações da Alemanha,
Hegel buscou formular uma nova filosofia, que libertaria o homem, que provocasse
o seu desenvolvimento.
O empirismo inglês se contrapõe ao idealismo Alemão. o primeiro são
elaborações humanas, não representando o real. Enquanto o idealismo alemão
defendia as leis universais e que pela razão se alcançaria conceitos necessários e
universais.
Ademais, o empirismo inglês buscava permanecer na experiência, o que
restringia os sujeitos à ordem existente das coisas, com destaque na razão, o
homem poderia libertar-se constantemente e transformar a história.
Hegel também criticou Kant, à medida que o kantismo afirmar não ser
possível conhecer a coisas-em-si (noumeno) o que traz a restrição da razão. Logo,
Hegel buscava a totalidade, devendo a razão abarcar as coisas-em-si.
Em relação a crítica ao inatismo, deve-se afirmar que não existem ideias
permanentes e fora da história, ou seja, verdades imutáveis, logo a razão é
histórica, uma construção.
Para Hegel a razão não é apenas algo que leva a compreender o mundo,
mas é uma faculdade crítica que faz parte da consciência humana, o que leva o
homem a conhecer a si mesmo e a transformar-se. A razão permite o homem
compreender os seus próprios processos e nele atuar.
caminho final que a razão deve percorrer é a apreensão total do mundo.
Para tanto, é necessário extinguir a dualidade sujeito e objeto, de igual modo
pensamento e mundo exterior por meio da autoconsciência.