Red40 2007
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PORTUGAL
Sociedade
B
tema
Editor
Instituto Nacional de Estatística
Av. António José de Almeida
1000-043 LISBOA
Portugal
Telefone: 21 842 61 00
Fax: 21 844 04 01
Presidente da Direcção
Alda de Caetano Carvalho
Composto
DDC - Departamento de Difusão e Clientes
Impressão
DFA - Dep. Financeiro e Administrativo
Tiragem
450 exemplares
ISSN 1645-5657
Depósito legal nº: 185856/02
Periodicidade Semestral
Preço
15,00 (IVA incluído)
DIRECÇÃO EDITORIAL:
Editor Chefe:
Editores Adjuntos:
Fernando Casimiro - Instituto Nacional de Estatística
Maria Filomena Mendes - Universidade de Évora
Conselho Editorial:
Alfredo Bruto da Costa - Universidade Católica, Lisboa
Ana Nunes de Almeida - Instituto de Ciências Sociais (ICS), Lisboa
António Barreto - Instituto de Ciências Sociais (ICS), Lisboa
Fernando Casimiro - Instituto Nacional de Estatística
Gilberta Rocha - Universidade dos Açores Os pontos de vista expressos nesta publicação são da
Joaquim Manuel Nazareth - Instituto Superior de Estatística e responsabilidade dos autores e não reflectem
Gestão da Informação (ISEGI), Lisboa necessariamente a opinião do Instituto Nacional de Estatística.
Por questões de arredondamento, os totais de alguns quadros
Jorge Arroteia - Universidade de Aveiro podem não corresponder à soma das parcelas.
Karin Wall - Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da
Empresa (ISCTE), Lisboa
Leston Bandeira - Instituto Superior de Ciências do Trabalho e
Emprego (ISCTE), Lisboa
Maria Filomena Mendes - Universidade de Évora Serviço de Apoio ao Cliente 808 201 808
Maria Ioannis Baganha - Universidade de Coimbra
Maria José Carrilho - Instituto Nacional de Estatística O INE na Internet
Secretária:
Os nossos agradecimentos dirigem-se aos autores dos artigos que integram este
número da revista, estendem-se aos membros do Conselho Editorial e a outros
especialistas que connosco colaboraram, dando sugestões que permitiram melhorar
os trabalhos divulgados.
Editora Chefe
Novembro 2006
4
Índice
Artigo 1º
Fecundidade e Educação 5
Fertility and Education
Artigo 2º
Artigo 3º
Notas e Documentos
Humberto Moreira
Fecundidade e
Educação1
Email: [email protected]
Resumo:
Abstract
1
Nota: Gostaria de agradecer todo o apoio e acompanhamento, deste
e de outros trabalhos, dado pela minha colega Sónia Cardoso
.
7
1. Introdução
Desde há muito que a educação, em especial a educação feminina, é considerada um factor chave para perceber
a fecundidade. A perspectiva dominante aponta para uma associação entre os maiores níveis de ensino e
menores níveis de fecundidade. É uma reflexão que traduz o percurso histórico de sociedades com elevada
fecundidade e baixos níveis de escolarização para as sociedades da actualidade, caracterizadas por baixa
fecundidade e elevadas habilitações. Constitui também uma visão coerente com as assimetrias entre as grandes
regiões do globo ao nível da fecundidade e da educação. Trata-se de uma concepção estreitamente ligada à
teoria da transição demográfica, na sua versão clássica e nas suas reformulações (Notestein, 1945; Davis,
1945; Coale e Watkins, 1986), mas também apoiada nas investigações sobre os países em desenvolvimento no
período contemporâneo (Jejeebhoy, 1995; Boongarts, 2003; Cleland, 2002) e, por outro lado, sustentada nas
teorias económicas sobre a fecundidade (em especial na perspectiva de Becker, 1981).
O argumento fundamental defende que os maiores níveis de educação estão associados a um status mais
elevado, a um maior rendimento, a uma maior orientação para a carreira versus família e consequentemente a
uma maior participação feminina no mercado de trabalho o que origina maiores custos associados aos cuidados
maternos. Nos países em desenvolvimento a educação feminina traduziria igualmente uma maior ocidentalização
de valores e atitudes. A educação feminina associa-se também à maior capacidade para utilizar eficazmente os
métodos contraceptivos e à entrada mais tardia na reprodução e no casamento1.
F ecundidade e Educação
Grande parte da bibliografia actual sobre este tema estuda relações entre a educação feminina e a fecundidade
em países em vias de desenvolvimento (Jejjebhoy, 1995; Boongarts, 2003; Cleland, 2002, Kradval, 2002). Nessas
regiões os resultados são inequívocos. Quer se trate de análises agregadas (para diferenças regionais ou com
séries temporais), ou de análises com base em dados individuais (a partir dos Demographic and Health Surveys),
inevitavelmente a maior educação está ligada a uma diminuição da fecundidade.
O efeito da educação sobre a fecundidade não pode ser considerado de forma isolada, dada a estreita relação
dos níveis de educação com o rendimento, o estatuto social, o trabalho feminino, a mobilidade social entre
gerações, etc. Neste sentido, parece importante perceber a relação entre educação e fecundidade em função de
um contexto mais alargado.
Investigações recentes, sobre a relação entre a fecundidade e o trabalho feminino, mostram uma transformação
nos países ocidentais (Brewster e Rindfuss, 2000; Sleebos, 2003; Billari e Kohler, 2004). Análises com base em
dados agregados de diferentes países, mostram uma associação negativa entre fecundidade e trabalho feminino
até aos anos 80, e uma transformação desta relação a partir dos anos 90, período a partir do qual a correlação
passa a ser positiva, ou seja, na actualidade é nos países com maior taxa de trabalho feminino que se encontram
os maiores níveis de fecundidade2.
Terá também mudado a relação entre educação e fecundidade? Em termos agregados, encontra-se apenas uma
referência pontual mostrando uma correlação positiva nos anos 90 quando era negativa anteriormente
(Sleboos,2003). Mas, existe um razoável número de investigações baseadas em dados individuais
(fundamentalmente nos Fertility and Family Surveys ou inquéritos similares) em que foram encontrados efeitos
positivos, se bem que parcelares (porque se verificam apenas em algumas ordens de nascimento Kravdal, 2001;
Koppen, 2006). Encontra-se uma relação globalmente positiva, independentemente da ordem de nascimento,
entre a educação e a fecundidade, em alguns estudos na Finlândia, e na Alemanha e Áustria (Vikat, 2004; Kelly,
2005). Outras investigações apontam para uma relação positiva da educação com a fecundidade desejada
(Heiland, Prskawezt, Sanderson, 2005) e um outro ensaio revela que o ramo da educação é uma variável influente
(Hoem, Neyer, Anderson, 2006).
1
A relação entre o adiamento da fecundidade e a educação tem sido objecto de múltiplos estudos que confirmam esta
ideia. Sobokta (2004a), aponta a educação como o factor mais importante para explicar o adiamento da fecundidade na Europa,
fundamentando-se em múltiplas investigações (nomeadamente Rindfuss, Morgan e Swicegood, 1998; Blossssfeld e Huinink,
1991; Kradval, 1994; Blossfeld, 1995; Hoem, 2000; Baizan, Aassev e Billari, 2003). Sobotka aponta, em particular, o texto de
Beets (2001) onde se conclui que 50% do adiamento da fecundidade é explicado pela educação. Vários ouros estudos mostram
também um adiamento da fecundidade em função da educação (Rindfuss, Morgan e Offutt, 1996; Martin, 2000) encontrando-se
fortes relações de interdependência entre a fecundidade e a educação ao longo do ciclo de vida dos indivíduos (Blossfeld e
Huinink, 1991 e Billari e Philipov, 2004).
2
Esta hipótese de uma associação positiva entre trabalho feminino e fecundidade foi recentemente criticada, por não
contemplar outras variáveis de controlo (Kogel, 2006). Outros estudos, baseados em dados individuais, mostram uma associação
positiva entre trabalho feminino e fecundidade nos países nórdicos (Vikat, 2004).
8
Dois estudos, com base em inquéritos, revelam algumas características da fecundidade segundo a escolaridade
das mulheres em Portugal3. Os resultados do inquérito à fecundidade e família de 1997 revelam que a idade ao
nascimento é mais tardia quando aumenta a escolaridade (INE, 2001). Numa outra investigação, Cunha (2005)
analisa a descendência das mulheres segundo o seu nível de escolaridade e encontra uma diminuição da
fecundidade à medida que aumenta a educação, até atingir um mínimo no ensino secundário, assistindo-se nos
níveis de escolaridade seguintes a uma ligeira recuperação da descendência. Nesta pesquisa foi também
encontrada uma tendência para os primeiros nascimentos serem cada vez mais tardios à medida que aumenta
a educação e, em simultâneo, um maior espaçamento entre o início da conjugalidade e o primeiro nascimento.
Ainda para Portugal, é possível encontrar um outro estudo sobre a relação entre a fecundidade e a educação.
Nesta investigação Mendes, Rego e Caleiro (2006) encontram uma relação negativa entre a educação e a
fecundidade feminina, num modelo econométrico para o índice sintético de fecundidade dos concelhos portugueses
em 2001
Todas estas investigações se baseiam em duas metodologias base: correlações de dados agregados por país,
ou análises a partir de inquéritos individuais. Em nenhum dos estudos foram calculados os indicadores
demográficos típicos, como o índice sintético de fecundidade, para os diferentes grupos educacionais. Neste
trabalho, sobre Portugal, será analisada a fecundidade dos vários grupos educacionais no sexo feminino mas,
também, no sexo masculino. Serão apresentadas as curvas de fecundidade segundo a idade e os principais
indicadores de intensidade e de calendário para a população feminina e masculina com diferentes níveis de
ensino.
Para o cálculo destes indicadores foi necessário compatibilizar os dados do recenseamento e das estatísticas
demográficas. O momento estudado reporta-se ao último recenseamento (2001) que foi analisado em função
dos acontecimentos médios dos dois anos adjacentes (2000-2001)4. Trata-se da última data para a qual é
possível calcular estes indicadores para os subgrupos segundo a qualificação académica com algum rigor. Uma
outra decisão refere-se aos níveis educacionais considerados – optou-se por considerar quatro graus: até ao 6º
ano de escolaridade, 9º ano completo, ensino secundário e ensino superior5.
Os indicadores habituais, como o índice sintético de fecundidade, mostram desde há muito um declínio da
fecundidade em Portugal, tal como em outros países europeus. No início dos anos 60, o índice sintético de
fecundidade situava-se em torno dos 3 filhos por mulher e tem diminuído de forma gradual até chegar a um
patamar em torno dos 1.5 filhos, em meados dos anos 90. Desde aí os valores têm sofrido ligeiras oscilações
anuais mas parecem manter-se sensivelmente ao mesmo nível.
Esta evolução da intensidade da fecundidade foi acompanhada por diferentes tendências de evolução na idade
média ao nascimento. Entre o início dos anos 60 e meados dos anos 80 encontra-se uma diminuição do
calendário dos nascimentos ligada à diminuição dos nascimentos de ordem superior (necessariamente mais
tardios): a idade ao nascimento desce de valores em torno dos 30 anos, para cerca de 27 anos. Desde meados
3
Outros estudos, numa perspectiva mais sociológica, não definem a comparação das mulheres com diferentes escolaridades
como objectivo central. Ainda assim, apontam para algumas diferenças entre mulheres com distintos percursos escolares:
diferentes percentagens de nascimentos nas várias idades (Nunes et al., 1995), desigualdade nos tipos de contracepção
praticada (Nunes, 2002) e diferenças a nível da sexualidade (Nunes et al., 2004).
4
Consideraram-se acontecimentos médios dos anos adjacentes ao recenseamento, para esbater as flutuações anuais e
conseguir uma imagem mais consolidada deste momento (em 2000 e 2001 verificaram-se respectivamente cerca de 120 mil e
113 mil nascimentos - valores muito diferentes entre si). Nos anos que rodeiam 2000-2001 os nascimentos rondaram os 115 mil
anuais. Parece preferível utilizar os acontecimentos médios dado que se pretende perceber a situação no início desta década
e não estudar flutuações anuais. Esta opção é tanto mais necessária quanto se estudam subgrupos populacionais.
5
Existem alguns problemas na compatibilização dos níveis de educação do recenseamento, classificados pelo INE
(Qualificação Académica), com a auto-classificação feita pelos próprios indivíduos no acto do registo do nascimento. Apesar do
quadro referente à educação dos pais ter uma pergunta clara, “Nível de Instrução Completo”, há indícios de que alguns
indivíduos optem por assinalar um grau de ensino que não completaram, em especial nos níveis mais baixos de ensino (a análise
dos resultados por ordem de nascimento apontaria para intensidades de primeira ordem superiores a 1 em alguns casos). Esta
foi a razão fundamental para agregar as categorias “sem qualificações académicas”, “ensino básico 1º ciclo” e “ensino básico
2º ciclo” – desta forma, perde-se em detalhe o que se ganha em segurança.
Uma outra questão refere-se à população com ensino médio, dado que esta opção não existe como opção no formulário
de registo do nascimento. Considerou-se que os indivíduos com ensino médio se auto-classificariam com ensino superior,
porque na actualidade a maioria destes cursos é ministrado em institutos politécnicos e é considerado superior. Por precaução,
foram ensaiadas as duas soluções (agregar o ensino médio ao secundário, além da agregação com o superior, que foi a
escolhida). Os resultados mostraram que as diferenças são mínimas: quando muito, alteram a segunda decimal da intensidade
e ou a primeira decimal do calendário.
dos anos 80 assiste-se a um adiamento constante dos nascimentos, encontrando-se actualmente a idade
média ao nascimento, novamente em cerca de dos 30 anos6. Este aumento do calendário dos nascimentos é
uma tendência nova em Portugal, mas também no resto da Europa.
Na realidade pode afirmar-se que o adiamento dos nascimentos é uma característica fundamental da fecundidade
europeia, particularmente acentuada na Europa do sul e no antigo bloco soviético (as regiões onde se encontram
índices sintéticos de fecundidade mais baixos). O adiamento é tão expressivo que é ser considerado uma das
principais características da segunda transição demográfica7. Trata-se aliás de um fenómeno que tem sido
objecto de análises comparativas em muitos países da Europa, sendo apontado o aumento da educação e da
duração dos estudos como uma das suas principais causas (Sobotka, 2004a; Kohler, Billari e Ortega, 2002;
Lesthaeghe e Willems, 1999).
Na figura seguinte podem observar-se as curvas de fecundidade da população feminina nos quatro grupos
considerados: escolaridade até ao 6º ano, 9º ano completo, ensino secundário e ensino superior.
Gráfico1
Figura 1
0,160
F ecundidade e Educação
0,140
0,120
0,100
0,080
0,060
0,040
0,020
0,000
- de 15 15-19 20-24 25-29 30-34 35-39 40-44 45-49
As curvas mostram um adiamento da fecundidade à medida que se avança na escolaridade, deixando de estar
centradas nos 20-24 anos, para se deslocarem progressivamente para os 30-34 anos quando as mulheres têm
ensino superior. Por outro lado, estas curvas parecem revelar uma área maior nas mulheres menos escolarizadas,
sugerindo maiores intensidades neste grupo.
Os indicadores de intensidade, que indicam o número médio de filhos por mulher, e os de calendário, que
apontam a idade média ao nascimento de um filho, baseiam-se na ideia de uma coorte sintética que viveria, ao
6
Em 1960 o ISF era de 3.1 e a idade média ao nascimento era 29.6 anos. Em 1995 é atingido um dos valores mais baixos
do ISF: 1.4, desde essa data verificam-se oscilações com variações em torno dos 1.4 e 1.5 filhos por mulher. Relativamente ao
calendário, o valor mais baixo é observado entre 1983 e 1986 com 27.0 anos da idade média ao nascimento dos filhos; em 2005
este valor situa-se nos 29.5 anos de idade.
7
Em conjunto com outras alterações demográficas como a diminuição do número de filhos, o adiamento do casamento, o
aumento do divórcio e da coabitação sem casamento e da importância dos filhos fora do casamento.
10
longo da sua vida fértil, os níveis de fecundidade observados num dado momento. Os valores resultantes destes
cálculos não correspondem a nenhuma geração real, mas a uma geração hipotética que seguisse estas curvas
de fecundidade durante o seu ciclo de vida.
O cálculo destes indicadores por grupos educacionais não é um procedimento standard e, por isso, levanta
algumas questões. Em rigor, seria necessário garantir a manutenção do mesmo grau de ensino durante toda a
vida fértil, para que as taxas das diferentes idade pudessem ser somadas. A ideia de constância num mesmo
grau de instrução pode ser separada em duas componentes:
1-Se um indivíduo tem um determinado nível educativo a meio da idade reprodutiva, tende a permanecer
nesse nível de ensino. Isto é geralmente verdade devido ao peso das normas sociais sobre a sequência
de fases no ciclo de vida (estudar, trabalhar, formar família e ter filhos). Na maioria das situações, o
nascimento de um filho durante os estudos leva ao abandono da escola e ao início da vida activa. Por
outro lado, se alguém tem filhos pequenos é muito difícil retomar os estudos; por isso, se um adulto
reinicia novos estudos, usualmente já terminou a sua carreira reprodutiva8.
2-Entre os 15 e os 25 anos os indivíduos são frequentemente estudantes9 e estão a mudar de nível
educacional. Nesta situação, a questão é como usar as taxas específicas de fecundidade segundo a
idade para calcular a fecundidade acumulada até ao 25º aniversário. A solução encontrada baseia-se no
conhecimento da idade média em que os indivíduos completaram os estudos, em cada um dos quatro
grupos educacionais10. Antes desta idade média considera-se que a soma das taxas específicas é zero;
depois dessa idade, somam-se as taxas pelo período correspondente à diferença entre a idade média de
completar os estudos e o final do grupo etário correspondente11e a partir daí adicionam-se as taxas
considerando a sua duração habitual de 5 anos.
Mais do que uma leitura como um valor real referente a um qualquer grupo ou geração, os indicadores resumo
mostram uma leitura sintética e conjuntural que permite perceber as diferenças, num dado momento do tempo,
da intensidade e calendário da fecundidade.
Na tabela seguinte encontram-se expressos os valores do índice sintético de fecundidade (ISF) e alguns
indicadores de calendário: a idade média ao nascimento (IMN) para a população feminina com vários níveis de
ensino.
Quadro 1
Índice sintético de fecundidade, idade média ao nascimento (todos os nascimentos e primeiro filho),
e proporção da fecundidade realizada antes e depois dos 30 anos, segundo a educação, Portugal
2000-2001
Educação ISF IMN IMN-1ºF Até aos 30 Depois dos 30
Quadro 1
O índice sintético de fecundidade mostra que a intensidade da fecundidade diminui entre os dois primeiros níveis
de ensino e aumenta do terceiro para o quarto nível. São as mulheres com menores habilitações, as únicas que
8
Na prática, o censo de 2001 mostra que só 3‰ da população com idades entre os 20 e os 50 anos estava a estudar nos
dois níveis de ensino mais baixos e 5‰ no ensino secundário, a única fracção importante encontrava-se no ensino superior,
7.7%.
9
No recenseamento de 2001 a percentagem de pessoas a frequentar algum grau de ensino era de 66,9% e 75,3% no o
sexo masculino e feminino dos 15-19 anos; no grupo etário seguinte, dos 20-24 anos, as percentagens são de 29,9% e 37,8%
também para homens e mulheres.
10
Esta informação foi calculada a partir do Inquérito a Fecundidade e Família de 1997. As idades médias foram: 13.7, 18.8,
21.0 e 24.4 anos para as mulheres destes quatro grupos educacionais, e 14.1, 18.9, 21.3 e 26.0 anos para os homens nos
mesmos níveis de instrução.
11
Por exemplo, para as mulheres com grau universitário, considera-se que não tinham fecundidade até aos 24.4 anos e
estavam durante 0.6 anos submetidas à taxa anual encontrada para este grupo.
ainda se encontram próximas do limiar de substituição de gerações. Entre o segundo e o terceiro níveis a
diminuição é tão ligeira, que faz mais sentido falar de estabilidade. A última diferença é já no sentido positivo,
isto as mulheres com ensino superior tem uma fecundidade ligeiramente superior ao grupo anterior.
Na idade das mães ao nascimento dos filhos a tendência encontrada é muito linear – quanto maior o nível de
escolaridade mais tarde as mulheres têm filhos. Considerados todos os nascimentos, independentemente da
ordem, observa-se uma diferença entre os 26.5 anos das mulheres com escolaridade até 6 anos, para 32.5 anos
quando as mulheres têm o ensino superior.
O mesmo tipo de indicador mostra que os primeiros nascimentos ocorrem em média aos 24.1 anos para as
mulheres com menos qualificações e vão sendo cada vez mais tardios à medida que as qualificações académicas
aumentam – as mulheres com ensino superior têm o seu primeiro filho em média aos 31.1 anos12.
É também possível observar que a percentagem de nascimentos que acontece antes e depois dos 30 anos13 é
muito diferente em função da educação feminina. As mulheres menos escolarizadas teriam cerca de 74% dos
nascimentos até aos 30 anos, percentagem que vai diminuindo com o aumento das qualificações, até que, no
caso das mulheres com ensino superior, cerca de 71% dos nascimentos acontece depois dos 30 anos.
A análise demográfica da fecundidade feminina baseia-se nos nascimentos das mulheres em idade fértil (dos 15
aos 49 anos, intervalo no qual ocorreram 99.9% dos nascimentos), mas para o sexo masculino os limites são
F ecundidade e Educação
menos claros. Se considerados os limites entre os 15 e os 59 anos, estão também compreendidos 99.9% dos
nascimentos para os quais se conhece a idade do pai14.
Gráfico2
Figura 2
0,160
0,140
0,120
0,100
0,080
0,060
0,040
0,020
0,000
- de 15 15-19 20-24 25-29 30-34 35-39 40-44 45-49 50-54 55-59
12
O cálculo destas idades ao nascimento baseou-se no mesmo tipo de metodologia utilizada para o ISF e a IMN (cálculos
a partir das taxas especificas por idade, consideradas a partir da idade média em que cada grupo completou os estudos). Para
cada ordem de nascimento os cálculos são idênticos, mas com base nas taxas de segunda categoria referentes a cada ordem
de nascimento. Se fossem considerados os segundos nascimentos as idades médias ao nascimento nos grupos considerados
seriam: 28.2, 30.6, 32.4, 33.7 e 30.5 anos.
13
Trata-se dos nascimentos calculados a partir das taxas específicas por idade segundo a perspectiva da coorte fictícia.
Estas percentagens seriam diferentes se fossem calculados directamente a partir das estatísticas demográficas.
14
Na prática, o número de nascimentos para os quais não se conhece a idade do pai, 3.2%, é uma questão mais relevante
do que a importância dos que ocorrem acima dos 50 anos (0.9%). Estes nascimentos sem informação sobre o pai são, na sua
grande maioria, nascimentos fora do casamento.
12
Em primeiro lugar e tal como no sexo feminino, as curvas mostram um adiamento da fecundidade masculina à
medida que aumenta a escolaridade, mas agora as curvas deslocam-se de um centro sobre os 25-29 anos para
se centrarem nos 30-34 anos.
Estas curvas da fecundidade masculina mostram uma realidade distinta da encontrada no sexo feminino. As
curvas com valores mais elevados e também com maior área verificam-se nos homens com maiores habilitações.
Os menos escolarizados têm curvas com menor área, mas como iniciam a fecundidade muito mais cedo, a sua
intensidade vai ser relativamente mais elevada do que um primeiro olhar poderia sugerir.
No cálculo dos indicadores sintéticos para o sexo masculino existem duas diferenças. Por um lado, o somatório
das taxas específicas por idade compreende o intervalo dos 15 aos 59 anos. Por outro, foi efectuada uma
correcção no índice sintético de fecundidade para compensar os 3.2% nascimentos não considerados nas
taxas específicas15 por se desconhecer a idade do pai.
Quadro 2
Quadro 2
Ao nível da intensidade da fecundidade masculina segundo a educação observamos o mesmo tipo de relação,
com os valores mais elevados do ISF nos grupos menos e mais escolarizados. Mas enquanto no sexo feminino
a intensidade das mulheres menos escolarizadas era superior à dos restantes grupos, no sexo masculino esta
diferença só ocorre face ao grupo seguinte, pois todos os outros níveis de educação têm maior fecundidade.
Aqui a curva em U desenha-se de uma forma mais nítida. Na análise da fecundidade masculina destacam-se os
homens com ensino superior, aqueles que apresentam valores mais elevados.
Relativamente à idade média ao nascimento encontra-se exactamente a mesma relação linear encontrada no
sexo feminino – quando mais elevadas as habilitações maior a média de idades ao nascimento que sobem
sucessivamente desde os 30.0 para os 35.1 anos quando se avança nas qualificações académicas.
Tal como no sexo feminino pode observar-se ainda uma diminuição da fecundidade acumulada até aos 30 anos
à medida que se avança na instrução. Apenas os indivíduos com menor escolaridade têm um pouco mais de
metade (54%) da sua fecundidade realizada até esta idade. Todos os outros níveis de ensino mostram que a
maioria dos nascimentos ocorre acima dos 30 anos. Esta tendência é de tal modo crescente com o aumento do
nível educacional, que atinge os 83% dos nascimentos quando se trata de homens com ensino universitário.
15
Sobre as taxas específicas não foi aplicado qualquer factor de correcção, dado que não se pode saber em que idades
e habilitações dos pais se concentram os dados em falta (se se aplicasse um factor igual em todas as taxas a forma das curvas
seria exactamente a mesma). Foi apenas aplicado um factor de correcção ao índice sintético de fecundidade (o ISF que foi
multiplicado por 1.032 de forma a compensar os nascimentos não considerados nas taxas).
Uma análise comparativa permite sumariar as diferenças já apontadas. Relativamente à intensidade, no caso
feminino, as diferenças entre os níveis de educação mais baixo e todos os outros níveis é sempre negativa; no
sexo masculino tal só acontece relativamente aos escalões intermédios e é positiva no último escalão. As
diferenças entre os sexos começam por ser negativas nos níveis de habilitações mais baixos (os homens têm
menor fecundidade que as mulheres), mas à medida que a escolaridade aumenta tornam-se positivas, chegando
a uma diferença em favor do sexo masculino de aproximadamente 0.4 filhos no ensino superior16.
Quadro 3
Quadro 3
No calendário, tanto nos homens como nas mulheres, a evolução da idade média ao nascimento tem uma
F ecundidade e Educação
relação linear com a escolaridade. Mas as diferenças de calendário entre os mais e menos escolarizados são
maiores no sexo feminino que no masculino (5.2 v.s. 4.2 anos). Por outro lado, as diferenças de idade entre os
dois sexos no mesmo nível de ensino tendem a diminuir (de 3.5 para 2.7 anos) quando aumenta a escolaridade.
Apesar das diferenças encontradas, em termos de calendário, à medida que aumenta a escolaridade os
comportamentos femininos e masculinos tornam-se mais comparáveis.
Nos gráficos seguintes podemos observar a intensidade e calendário da fecundidade masculina e feminina.
Tanto os homens como as mulheres apresentam esta distribuição da fecundidade em U, mas é notório que a
curva é mais acentuada à esquerda no sexo feminino e mais marcada à direita no sexo masculino.
16
Esta diferença parece revelar estruturas de comportamento totalmente distintas entre os homens e as mulheres no que
respeita à reprodução. É tanto mais surpreendente se se atender à existência de alguma homogamia (56% dos nascimentos
ocorrem em pais com idênticas habilitações literárias, em 16% dos nascimentos o pai tem mais instrução que a mãe e em 28%
dos casos é a mãe que tem um maior grau de instrução).
A explicação poderá estar ligada a dois pontos. Em primeiro lugar, a feminização da educação, que leva a que os mesmos
nascimentos sejam divididos por uma maior população feminina que masculina nos níveis mais elevados de escolaridade
(baixando as taxas sobretudo nas jovens e jovens adultas). Por outro lado, as recomposições familiares, em muitos casos com
novos filhos, são mais frequentes no sexo masculino, e serão talvez mais frequentes nos grupos mais educados.
14
Gráfico3
Figura 3
2,0
1,8
1,6
1,4
1,2
1,0
0,8
0,6
0,4
0,2
0,0
Mulheres - ISF Homens - ISF
Até ao 6º ano 9º ano Secundário Superior
No sexo masculino a curva em U é relativamente bem desenhada, com um aumento nítido da intensidade da
fecundidade à medida que se aumenta o nível educativo dos pais. Para as mulheres trata-se de um U apenas
esboçado dado que a recuperação dos níveis de fecundidade é visível, mas é de pequena dimensão (5.4%). Por
isso mesmo, valerá a pena discutir melhor esta questão.Este índice sintético de fecundidade é uma medida de
natureza transversal e, por isso, encontra-se necessariamente afectada por alterações de calendário.
Numa situação de adiamento da fecundidade, como é a actual em Portugal e na Europa, a variação da idade
média ao nascimento pode ser diferente nos vários grupos aqui comparados. O ideal seria poder comparar a
intensidade da fecundidade no final da idade reprodutiva.O Inquérito sobre Fecundidade e Família de 1997
permite a comparação da intensidade da fecundidade atingida em diversas idades nos diferentes níveis
educacionais.
Como o calendário da fecundidade depende do grupo educacional, a intensidade da fecundidade deveria calculada
numa fase tardia (depois de se manifestarem os efeitos de adiamento e de recuperação dos nascimentos). O
melhor indicador de intensidade seria a descendência final, ou seja o número médio de filhos quando as mulheres
atingiram o limite da sua vida reprodutiva. Neste caso, para se trabalhar com uma amostra de maior dimensão
e, fundamentalmente, para que os dados se refiram também a coortes mais recentes, optou-se por considerar
o número médio de filhos dos indivíduos com 40 anos ou mais.
Gráfico 4
Figura 4
2,0
1,5
1,0
0,5
0,0
F ecundidade e Educação
Mulheres - NMF Homens - NMF
O número médio de filhos, nas mulheres e nos homens com 40 ou mais anos, mostram uma primeira diminuição
seguida por uma subida da descendência, à medida que se avança no nível de escolaridade. Ou seja, os dados
do inquérito português à fecundidade apontam de forma mais nítida a referida relação em U nas mulheres e
confirmam a análise anterior para o sexo masculino.
Conclusão
Os resultados deste trabalho sobre as características da fecundidade feminina e masculina segundo a educação
são claros no que respeita ao calendário. Para o mesmo nível de ensino os homens tem filhos mais tarde do que
as mulheres; por outro lado, em ambos os sexos quanto maior é a escolaridade dos indivíduos mais elevada é
a idade média ao nascimento; por último, à medida que a escolaridade aumenta as diferenças de calendário
entre os dois sexos esbatem-se parcialmente.
Relativamente à intensidade da fecundidade parece encontrar-se uma curva em U razoavelmente bem definida
no sexo masculino, isto é, os maiores níveis de fecundidade encontram-se nos homens que ocupam as posições
extremas na escala de níveis educacionais.
Para as mulheres os resultados são menos claros. O índice sintético de fecundidade revela descidas claras nos
três primeiros níveis e sugere uma recuperação da fecundidade nas mulheres com ensino superior. Trata-se de
uma diferença relativamente pequena e por isso o U aparece apenas esboçado. Se se tentar confirmar esta
percepção a partir dos dados das mulheres que responderam ao inquérito à fecundidade, e que já se encontram
na fase final da sua vida reprodutiva, a curva sugerida anteriormente aparece de forma mais clara.
Convirá referir que este resultado é muito pouco habitual e, por isso mesmo, não é geralmente discutido nos
textos demográficos sobre a relação entre fecundidade e educação. Não é possível saber, neste momento, se
se trata de uma nova tendência ou de um resultado circunstancial. Ainda assim vale a pena discuti-lo.
A visão clássica aponta para uma relação inversa entre a fecundidade e educação, isto é quanto maior o nível de
instrução menor a fecundidade das mulheres. É uma visão profundamente enraizada na perspectiva de Becker,
sobre os maiores custos económicos da criança associados ao aumento da educação feminina, devido à maior
tendência das mulheres com maiores qualificações para trabalhar e auferir melhores rendimentos. Esta concepção
supõe a existência de um conflito entre o trabalho feminino e a maternidade. No entanto, tem-se assistido a uma
tendência crescente da participação feminina no mercado de trabalho e da inserção das crianças no ensino pré-
escolar, o que poderá levar a reequacionar esta visão tradicional.
16
Como os efeitos da educação, trabalho e rendimento estão intrinsecamente ligados, seria necessário perceber
os efeitos da educação em contextos de menor e maior prevalência do trabalho feminino e de maiores ou
menores diferenças salariais em função da educação.
É possível que as diferenças educacionais tenham um efeito negativo sobre a fecundidade, até um dado patamar
de escolaridade, porque aumentam a probabilidade das mulheres trabalharem, mas em trabalhos com poucas
diferenças salariais em função da educação. Neste caso, o aumento da educação teria um efeito sobre a
fecundidade, fundamentalmente por aumentar a probabilidade de trabalho feminino. A partir de certo nível de
escolaridade, as diferenças de nível educativo traduzem-se em aumentos do rendimento, fazendo diminuir o
custo relativo de ter um filho, tanto mais que a partir de certo nível de escolaridade a probabilidade de uma
mulher não trabalhar é reduzida. Vejamos os dados sobre trabalho feminino e salários em Portugal, em função
do nível de escolaridade17.
Quadro 4
Quadro 4
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Quadros de Pessoal , 2002, Quadro 98 - “Ganho médio mensal, por actividade económica, segundo a habilitação”. 2) Mulheres e
Homens Empregados – OCDE (2004), Education at a Glance, Table A10.1a – Employment Ratios and Educational Attainement (2002).
Nos primeiros níveis de escolaridade, o aumento da educação traduz-se em maiores probabilidades de a mulher
trabalhar, mas os ganhos salariais são muito limitados. A partir do ensino secundário o aumento da educação
repercute-se em aumentos do rendimento muito claros, enquanto a percentagem de mulheres que trabalha
aumenta muito menos que os salários. Assim, os dados relativos a salários e ao trabalho feminino, apontam
para a possibilidade das diferenças de fecundidade em função da educação passarem por um efeito educação-
trabalho nos níveis mais baixos de instrução e por um efeito educação-rendimento nos níveis mais elevados.
1
Em alguns casos o valor apresentado neste quadro não foi retirado directamente das fontes, porque estas apresentavam
uma maior discriminação que a desejada. Nestes casos, o salário médio e a percentagem de mulheres e homens empregados,
foi estimada a partir dos valores originais referidos pelas fontes, calculando-se a média ponderada de cada grupo educacional
a partir do peso relativo de cada nível de habilitação (com a discriminação usada nas fontes) no recenseamento de 2001 para
a população entre os 20 e os 50 anos. É o caso dos salário médio do primeiro e último grupo considerados e da taxa de
população empregada dos homens e mulheres com ensino superior. Embora fosse interessante explicitar os salários médios
para homens e mulheres em separado, os dados publicados não o permitem.
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F ecundidade e Educação
.
Ar tig
Artig
tigoo 2º_ página 2 1
Envelhecimento
crescente mas
espacialmente
desigual
E-mail: cristina.gonç[email protected]
E-mail: [email protected]
Resumo
Palavras-chave:
Abstract:
The ageing process continues in the Portuguese population. The low fertility
levels and the increase of longevity are the demographic factors that explain
the intensity of the phenomenon.
A society for all ages encompasses the goal of providing older persons
with the opportunity to continue contributing to society.
In, UN Madrid International Plan of Action on Ageing 2002
Introdução
O presente trabalho foi desenvolvido a partir da comunicação com o mesmo título, apresentada nas Jornadas de
Desertificação e Despovoamento que decorreram entre 20 e 21 de Novembro de 2006, na Universidade Lusófona
de Humanidades e Tecnologias, em Lisboa, e pretende actualizar o artigo “Dinâmicas Territoriais do
Envelhecimento: análise exploratória dos resultados dos Censos 91 e 2001”, editado em Notas e Documentos
da Revista de Estudos Demográficos nº 36.
Assim, procura-se não só caracterizar a situação em termos de estrutura etária, realçando a contínua perda de
efectivos populacionais jovens, que equilibrem a base da pirâmide etária, a par do progressivo aumento da
longevidade populacional, evidenciando os diferentes ritmos de crescimento da população em diferentes idades.
Simultaneamente, apresentam-se as assimetrias regionais que o fenómeno reveste, vetando certas zonas do
país a uma situação de impossibilidade de substituição de gerações populacionais, praticamente irreversível.
No trabalho anterior subjacente ao mesmo tema1, demonstrou-se que embora o fenómeno do envelhecimento
demográfico fosse transversal a todas as regiões do país, persistia ainda alguma heterogeneidade geográfica,
devido em boa parte à herança dos comportamentos demográficos de cada região ou sub-região.
O envelhecimento estender-se-á a todo o país nas próximas décadas, em momentos e com ritmos de mudança
diferenciados, tornando-se o ritmo mais lento à medida que a população idosa reforça a sua importância na
população total.
1
cf. Dinâmicas Territoriais do Envelhecimento: análise exploratória dos resultados dos Censos 91 e 2001.
24
A estrutura etária da população reage primeiro à descida dos níveis de fecundidade e quando estes forem
suficientemente baixos aos da mortalidade.
Figura 1
Figura 1
31,8%
29.2%
17,1%
15.6%
13.1%
8,0% Jovens
Idosos
1960 1965 1970 1975 1980 1985 1990 1995 2000 2005 2010 2015 2020 2025 2030 2035 2040 2045 2050
Fonte: INE, cálculos das autoras a partir dos dados de base (Censos de População, Estimativas e Projecções de População Residente)
Em Portugal, a proporção de pessoas com 65 ou mais anos duplicou nos últimos 45 anos, passando de 8% no
total da população em 1960, para 17% em 2005.
De acordo com o cenário médio das projecções demográficas mais recentes, elaboradas pelo INE 2, estima-se
que esta proporção volte a duplicar nos próximos 45 anos, representando, em 2050, 32% do total da população3.
Em paralelo, a população jovem diminui de 29% para 16% do total da população entre 1960 e 2005 e irá atingir
os 13% em 2050.
O ritmo de crescimento da população idosa e da população muito idosa é bastante superior ao da população
total, quer no período retrospectivo, quer no período de projecção.
2
Cf. Projecções da População Residente, Portugal 2000-2050.
3
Este cenário assenta em hipóteses que têm subjacente um aumento gradual da fecundidade (1,7 crianças por mulher em 2050,
nível ainda inferior ao de substituição das gerações: 2,1 crianças por mulher), numa hipótese moderada de acréscimo de
esperança de via à nascença (79,0 anos para os homens e 84,7 anos para as mulheres, em 2050), bem como num saldo
migratório positivo, decrescente e igual a 10 mil indivíduos até 2010, nível que se mantém constante até ao final do período de
projecção.
figura 2
Figura 2
3,2
2,1 2,2
1,1
0,4 0,5
1960/2005 2005/2050
Fonte: INE, cálculos das autoras a partir dos dados de base (Censos de População,
Estimativas e Projecções de População Residente)
Entre 1960 e 2005, a população total cresce em média 0,4% ao ano, um ritmo muito próximo do observado no
grupo da população em idade activa dos 15-64 anos (0,5%). No entanto, neste mesmo período destacam-se,
desde logo, grandes contrastes nas dinâmicas de evolução da população jovem, que diminui a um ritmo médio
de 1% ao ano e a população idosa que regista taxas de crescimento anual de 2,1%.
Esta evolução afirma-se ainda mais na população muito idosa, ou seja, nos indivíduos com 85 ou mais anos,
que aumentam mais de 3% ao ano. Nesta análise fica bem patente o acréscimo da longevidade da população,
ou seja, o envelhecimento da própria população idosa.
Uma análise mais detalhada permite verificar que entre 1960 e 1970 o processo de envelhecimento da população
portuguesa resultou da baixa da população em idade activa decorrente dos fortes fluxos emigratórios ocorridos.
Em contrapartida, nos anos mais recentes, a inversão do saldo migratório devido às fortes correntes imigratórias
determinou que apenas a queda da população jovem influenciasse o agravamento do fenómeno.
Nos próximos 45 anos, de acordo com o cenário médio de evolução demográfica, o panorama apresenta-se bem
diferente. Como se pode observar, a população total sofrerá um decréscimo de cerca de 0,3% ao ano, tal como
irão decrescer a população jovem e a população em idade activa, a ritmos semelhantes. A população jovem
abrandará o ritmo de decréscimo, mas em consequência dos efeitos dessa diminuição (de jovens), a população
em idade activa será afectada negativamente, diminuindo cerca de 0,7% ao ano. Se se considerar a população
entre os 25 e os 64 anos, o ritmo será ainda mais forte (v. Quadro 1).
Assim, no período de projecção (2005/2050) apenas a população idosa continuará a aumentar: 1,1% ao ano se
considerarmos os de 65 e mais anos e 2,2% considerando os de 85 e mais anos. O que se verifica também é
que os ritmos de crescimento tendem a abrandar, o que acontece naturalmente dado que a população já atingiu
um elevado grau de envelhecimento. O mesmo se verifica com o decréscimo dos jovens, cujo ritmo diminui.
As repercussões na estrutura etária da população são bem visíveis nas pirâmides etárias que se apresentam a
seguir, respectivamente em 1960, 2005, 2025 e 2050.
26
Figura 3
Figura 3
6,0 5,0 4,0 3,0 2,0 1,0 0,0 0,0 1,0 2,0 3,0 4,0 5,0 6,0 5,0 4,0 3,0 2,0 1,0 0,0 0,0 1,0 2,0 3,0 4,0 5,0
2025 2050
100+ 100+
Homens 95-99 Mulheres Homens 95-99 Mulheres
90-94 90-94
85-89 85-89
80-84 80-84
75-79 75-79
70-74 70-74
65-69 65-69
60-64 60-64
55-59 55-59
50-54 50-54
45-49 45-49
40-44 40-44
35-39 35-39
30-34 30-34
25-29 25-29
20-24 20-24
15-19 15-19
10-14 10-14
5-9 5-9
0-4 0-4
5,0 4,0 3,0 2,0 1,0 0,0 0,0 1,0 2,0 3,0 4,0 5,0 5,0 4,0 3,0 2,0 1,0 0,0 0,0 1,0 2,0 3,0 4,0 5,0
Consta-se que a forma triangular ainda visível na pirâmide que retrata a população residente em Portugal,
segundo o sexo e por idades, em 1960, desvaneceu-se e os perfis das pirâmides são totalmente diferentes no
horizonte do período da projecção. Em 2050, a base reduziu-se a mais de metade, apesar da hipótese de
fecundidade em que o cenário base se apoia ser tendencialmente crescente, reflectindo o ocorrido em alguns
países da Europa nos últimos anos do século XX. Estes países, depois de estabilizarem os níveis de fecundidade
em níveis muito baixos, assistiram a uma recuperação que, no caso da Suécia, levou mesmo à substituição das
gerações no espaço de dez anos, conhecendo posteriormente nova fase de decréscimo seguida, no presente de
novo aumento. Igualmente, Espanha, Itália e Grécia, que viraram o século com níveis de fecundidade extremamente
fracos a rondarem o valor de 1,1 - 1,2 crianças por mulher registam, no presente, ligeiros aumentos.
Sendo certo que a subida de natalidade exige medidas de política social para o seu incentivo, paralelamente a
alterações sociais e de âmbito pessoal, no que se refere à decisão de ter ou não (mais) filhos é uma hipótese
que no longo prazo se deve equacionar. Caso não se venha a concretizar, então a base de sustentação da
pirâmide da população portuguesa terá efectivos populacionais ainda mais diminutos.
As alterações demográficas profundas manifestam-se lentamente e os seus efeitos só são visíveis ao fim de
várias gerações.
Analisando a taxa média anual de crescimento da população a um nível geográfico mais fino, NUTS III 4 e 5,e
considerando o mesmo período de projecção, pode verificar-se que o decréscimo de população será uma constante
em todas as sub-regiões do país entre 2010 e 2050, com uma única excepção: a região do Algarve que apresenta
uma taxa média anual de crescimento de 0,3%. De referir ainda que a Região Autónoma dos Açores regista uma
taxa negativa embora a tender para zero. O Alentejo é a região com a perda populacional mais acentuada, com
todas as sub-regiões a diminuírem entre 1% e 1,1% em média todos os anos entre 2010 e 2050.
É possível igualmente observar que apenas a população idosa continuará a aumentar, com excepção de duas
sub-regiões do interior do país (região Centro), a saber, Beira Interior sul e Pinhal Interior Sul, que apresentam
taxas negativas em todas as idades. As sub-regiões mais envelhecidas, designadamente as pertencentes ao
Alentejo e ao Centro, registam ritmos de crescimento muito mais baixos do que as restantes, precisamente
porque atingiram um grau de envelhecimento demográfico bastante elevado. Pela mesma razão, as sub-regiões
do Norte, especialmente, Cávado e Tâmega, e as regiões autónomas observam taxas médias de crescimento
que rondam os 2% ao ano.
As projecções de população a nível de NUTS III devem ser utilizadas com um especial cuidado devido à dimensão
dos efectivos populacionais envolvidos, em alguns casos e à dificuldade em escolher as hipóteses de evolução,
Como se constata, o efeito da baixa de natalidade afectará os grupos etários dos adultos jovens e da população
em idade activa (25-64 anos) no período de projecção em análise. Este facto verifica-se em todas as sub-regiões
do país, variando apenas a sua intensidade. À semelhança do que se afirmou anteriormente, as regiões que
iniciaram há mais tempo o processo de envelhecimento, apresentam-se actualmente e no futuro próximo com
dinâmicas mais brandas. Ao contrário, o ritmo intensifica-se nas (sub) regiões que detinham uma população
mais jovem.
Quadro 1
Quadro 1
Taxa média anual de crescimento da população por grandes grupos etários, NUTS II e III, 2010/2050
NUTS II e III (1) TOTAL 0-14 anos 15-24 anos 25-64 anos 65+ anos
Fonte: INE, cálculos das autoras com base nas Projecções de População Residente NUTS II e III, 2000-2050
(1)
Nomenclatura das Unidades Territoriais para Fins Estatísticos, geografia de 2001 (NUTS 2001)
4
Cf. Projecções de População Residente, Portugal, NUTS III, 2000-2050.
5
NUTS 2001 (de acordo com a desagregação geográfica em vigor a 12/03/2001). Para informações adicionais consultar
www.metaweb.ine.pt
28
De referir, as alterações na estrutura da população revelam diferentes comportamentos a nível regional, apesar
do fenómeno do envelhecimento demográfico se generalizar em todo o território.
Em 2050, o Índice de Envelhecimento ascenderá a 243 idosos por cada 100 jovens, e a proporção de pessoas
idosas no total da população será de 32%. Contudo, quando se compara a um nível geográfico mais fino ficam
bem evidentes as assimetrias regionais, constatando-se também que o processo do envelhecimento demográfico
será uma realidade em todas as regiões e sub-regiões.
Figura 4 e 5
Figura 4 Figura 5
Fonte: INE, cálculos das autoras com base nas Projecções de População Residente NUTS II e III, 2000-2050
(1)
NUTS 2001
Ressalta, desde logo, que todas as sub-regiões terão em 2050 mais de 2 idosos por cada jovem. Com menos de
2,4 apenas as regiões autónomas, o Algarve, as sub-regiões de Lisboa e Vale do Tejo, como o Oeste, Médio
Tejo, Lezíria do Tejo e Península de Setúbal. No Alentejo todas as NUTS III terão mais de 3,7 idosos por cada
jovem.
O índice de dependência de idosos nas sub regiões do Alentejo representará mais de 78 idosos por cada 100
indivíduos em idade activa. Apenas os Açores registam um índice menor que 50. O Algarve, e as NUTS de Lisboa
e Vale do Tejo com menos de 55,5.
Como mencionado atrás, este é o efeito resultante de uma retoma de população jovem em algumas destas
regiões e de proporções de população em idade activa mais acentuadas que nas regiões do Norte e do Centro,
sobretudo no interior, e de todo o Alentejo.
As regiões Norte e Centro, bem como as duas regiões autónomas observam os maiores decréscimos de população
jovem entre 2005 e o final do período de projecção.
Em 2050, os Açores, a Madeira e o Norte perdem a posição de regiões mais jovens, passando a observar
proporções muito próximas das esperadas para o total do país. Naquele ano, a concretizarem-se as hipóteses
subjacentes ao cálculo das projecções demográficas, pertencerá à região de Lisboa e Vale do Tejo a maior
proporção de jovens.
A população idosa, por seu lado, regista um aumento contínuo em todas as regiões, mais intenso nas menos
envelhecidas e que só muito recentemente deixaram de assegurar a substituição das gerações (Norte e regiões
autónomas).
No que se refere à população em idade activa, prevê-se que Lisboa e Vale do Tejo, Algarve, Açores e Madeira
registem as maiores proporções no final do período de projecção.Em Lisboa e Vale do Tejo e no Algarve sobretudo
A dependência demográfica em si mesma, significa apenas relações entre grupos etários. Se pretendermos
chegar a conclusões em matéria de dependência financeira, ou mensurar encargos económicos, é necessário
utilizar um conjunto de variáveis que definam a dependência desta natureza.
O futuro demográfico de Portugal pode resumir-se, de acordo com as mais recentes projecções disponíveis no
INE, da seguinte forma:
• A população residente diminuirá de 10 626 mil indivíduos em 2010, para 9 302 indivíduos em 2050.
• O país perderá cerca de 1 324 mil indivíduos em quarenta anos.
• O número de crianças com menos de quinze anos continuará a diminuir passando de 15,4%, em 2010,
para 13,1%, em 2050, o que representa uma perda de cerca de 418 mil crianças. A baixa será mais
acentuada se a hipótese de fecundidade não for tão favorável como a prevista neste cenário.
• A população em idade activa, dos 15-64 anos, manterá ao longo do período uma variação negativa
situando-se próximo de 5 124 mil indivíduos em 2050, valor que traduz uma queda de praticamente 2
milhões de indivíduos, em quarenta anos.
• O número de pessoas com 65 ou mais anos, ou seja, o número de pessoas idosas manterá a tendência
em alta e aumentará cerca de 1,1 milhão. A sua proporção no total de passará de 17,7% para 31,8%,
entre 2010 e 2050. Na eventualidade da probabilidades de sobrevivência se manifestarem mais próximas
de 1, esta proporção será ainda mais elevada.
• A população feminina em idade fértil recuará ao longo do período projectado e reduzir-se-á em cerca 900
mil efectivos, não ultrapassado os 1,7 milhões em 2050.
• O índice de dependência de idosos duplicará, passando de 26 para 58 idosos por cada 100 indivíduos
em idade activa.
• O Índice de envelhecimento subirá de 115 para 243 idosos por cada 100 jovens.
Desta mudança tão forte na estrutura etária da população portuguesa deve resultar uma nova solidariedade de
gerações, na medida em que há cada vez menos jovens e adultos e cada vez mais pessoas idosas, em particular,
muito idosas. Será fácil, no futuro próximo, e mesmo no tempo actual, encontrar famílias em que coabitem três
e quatro gerações.
30
Entre o último momento censitário, a 12 de Março de 2001 e 31 de Dezembro de 2005 a idade média da
população residente em Portugal avançou cerca de 1 ano. A idade média das mulheres atinge, em 2005, 41,9
anos (40,9 anos em 2001) e como seria expectável, supera a dos homens (39,0 em 2005 contra 38,1 anos em
2001).
O cartograma com a representação gráfica das idades médias a nível de município evidencia bem a disparidade
do envelhecimento: 214 dos 308 municípios têm, em 2005, uma idade média superior à do país: 40,6 anos,
sendo que 10 municípios têm uma idade média superior a 50 anos, situados no interior do país, e apenas 6
concelhos apresentam idade inferior a 35 anos, que se localizam quase exclusivamente nas regiões autónomas.
O Continente está dividido por linhas bem marcadas: a parte Leste, a norte do Tejo, onde a idade média é
superior a 40,5 anos, a parte ocidental, a norte do rio Tejo, com idades médias inferiores a 40,5 anos. O Alentejo
Sul e Litoral surgem como zona separadora do Alto Alentejo.
Comparativamente aos resultados dos Censos 2001, Lisboa e Porto não envelheceram tanto com seria de
esperar provavelmente devido ao efeito das migrações.
Figura 6
Figura 6
Idade média
[31.5 ; 36.0[
[36.0 ; 40.5[
[40.5 ; 45.0[
[45.0 ; 50.0[
0 40 80 Km [50.0 ; 53.3]
Fonte: INE, Serviço de Geoinformação (cálculos das autoras com base nas Estimativas de
População Residente), NUTS 2002
Envelhecimento crescente
A proporção de idosos varia entre 28,4 % nos Açores e os 40,0% no Alto Alentejo e Médio Tejo, valores muito
afastados da média nacional.
As regiões autónomas e o Norte, ainda observam níveis de natalidade significativamente elevados, quando
comparados com a média nacional, equilibrando o rácio entre a população mais jovem e a mais idosa.
Em 2005, o índice de envelhecimento da região Norte era de 91 idosos por 100 jovens, nos Açores era de 63 e
na Madeira de 72. Esta realidade contrasta com outras regiões do país, como o Alentejo, com um índice de 171
idosos e o Centro (140). Em Portugal: 110 idosos por 100 jovens.
O índice de envelhecimento oscila entre duas a quatro pessoas idosas por cada jovem.
Em 85 municípios (representando 28% do total) este indicador ainda se situava abaixo dos 100, ou seja, os
jovens superavam os idosos em número. Entre estes, destacam-se Câmara de Lobos (com 296 jovens por cada
100 idosos); Ribeira Grande, Lagoa, Vila Franca do Campo e Ponta Delgada (nos Açores) e Paços de Ferreira,
Vizela, Lousada, Paredes e Felgueiras (no Norte, sub-regiões de Tâmega e Ave), todos com mais de 2 jovens
por cada pessoa idosa.
Vila Velha de Ródão era o concelho mais envelhecido com cerca de 5 idosos por cada jovem, havendo ao todo
cerca de 12 concelhos com o índice superior a 300, i.e., com mais de 3 idosos por cada jovem.
A proporção da população com mais de 75 anos no total da população idosa, revelada através do índice de
longevidade, permite visualizar uma mancha idêntica, colorindo todo o interior de Portugal. O índice de longevidade
aumentou de 33 em 1960 para 44 em 2005 indivíduos e ultrapassará os 50% do total da população idosa em
2050 (54 indivíduos).
Em 2001, mais de metade da população idosa em 7 municípios tinham 75 ou mais anos. Esta proporção não
tinha sido atingida por qualquer concelho em 1991, facto que ajuda a confirmar o envelhecimento da própria
população idosa.
Esta realidade entra em contraste quando comparamos o mapa que representa a proporção de pessoas idosas
com a população jovem.
32
Figura 7 e 8
Figura 7 Figura 8
Índice de Envelhecimento, por Municípios, 2005 Índice de Longevidade (%), por Municípios, 2005
Índic e
Índice
[34.1 ; 100.0[ [33.7 ; 40.0[
[100.0 ; 150.0[ [40.0 ; 45.0[
[150.0 ; 200.0[ [45.0 ; 50.0[
[200.0 ; 400.0[ [50.0 ; 55.0[
0 40 80 Km [400.0 ; 551.7] 0 40 80 Km [55.0 ; 58.1]
Fonte: INE, Serviço de Geoinformação (cálculos das autoras com base nas Estimativas de População Residente), NUTS 2002
Figura 9 e 10
Figura 9 Figura 10
Proporção da população idosa (65 ou + anos) no total da Proporção da população mais idosa (85 ou + anos)
população(%), por Municípios, 2005 no total da população (%) , por Municípios, 2005
Fonte: INE, Serviço de Geoinformação (cálculos das autoras com base nas Estimativas de População Residente), NUTS 2002
34
Em 16 municípios a população em idade activa não se renovava, ou seja, o índice situa-se a abaixo do valor 100;
neste conjunto insere-se o município de Lisboa com outros 15 que se localizam nas regiões mais envelhecidas
do interior do país.
O índice de sustentabilidade potencial é bastante revelador da dicotomia litoral e interior. Em 19 municípios este
indicador registava entre 6 a 8 pessoas em idade activa por cada indivíduo idoso. Contudo em 30 municípios o
valor era inferior a 2 e em 8 destes era menor que 1,5.
Figura 11 e 12
Figura 11 Figura 12
Índice de Renovação da População em Idade Activa, Índice de Sustentabilidade Potencial, por municípios,
por municípios, 2005 2005
Índice
Índic e [1.2 ; 2.0[
[80.8 ; 100.0[
[100.0 ; 130.0[
[2.0 ; 3.0[
[130.0 ; 200.0[ [3.0 ; 4.0[
[200.0 ; 240.0[ [4.0 ; 6.0[
0 40 80 Km [240.0 ; 306.4] 0 40 80 Km [6.0 ; 8.2]
Fonte: INE, Serviço de Geoinformação (cálculos das autoras com base nas Estimativas de População Residente), NUTS 2002
No seguimento da exposição anterior, a análise do índice de dependência de jovens e idosos é bem revelador da
importância que os segundos representam em relação à população em idade activa.
O índice dependência total é utilizado para medir as necessidades potenciais de apoio. Parte do princípio que
todas que todas as pessoas com menos de 15 anos e com mais de 64 anos depende no mesmo da população
em idade activa dos 15-49 anos e assume-se que esta faixa etária apoia de modo directo ou indirecto. Este
indicador só de um modo rudimentar traduz alguma dependência na medida em que nem todos os jovens e nem
todos os idosos requerem apoio; e, por outro lado, nem todas as pessoas em idade activa dão directa ou
indirectamente apoio. Aliás, em muitas sociedades, as pessoas idosas são “chamadas” a prestar cuidados,
designadamente às suas crianças, constituindo mais um apoio para os adultos em exercício de actividades
profissionais.
Figura 13 e 14
Figura 13 Figura 14
Fonte: INE, Serviço de Geoinformação (cálculos das autoras com base nas Estimativas de População Residente), NUTS 2002
O índice de dependência total aumentou devido ao substancial acréscimo da proporção de pessoas e idosas. A
tendência para aumentar está prevista nos próximos.
As diferenças regionais nos indicadores que medem o envelhecimento são substanciais. Como as taxas de
fecundidade caíram para níveis muito baixos o declínio da mortalidade, sobretudo nas idades mais avançadas,
torna-se um importante factor no envelhecimento demográfico. Espera-se que as diferenças regionais diminuam
e a esperança de vida convirja.
36
Considerações Finais
A população envelheceu e espera-se que a população idosa com 65 ou mais anos e a mais idosa continuem a
envelhecer embora o ritmo tenda a atenuar-se. Estas faixas etárias são as únicas a evoluir positivamente no
futuro.
As diferenças entre os níveis de fecundidade, de mortalidade e o sentido das correntes migratórias determinaram
os diversos graus de envelhecimento nas várias regiões do país.
Actualmente o fenómeno do envelhecimento estende-se a todo o território nacional, mas com diferente intensidade.
As disparidades etárias futuras dependem das estruturas actuais que revelam.
Perante esta realidade, irrefutável, as recomendações internacionais apontam para encarar o envelhecimento
das sociedades como um desafio e uma oportunidade. É preciso potenciar tanto a experiência como as
capacidades das pessoas idosas de modo a dar-lhes oportunidades para intervirem na vida em sociedade.
Paralelamente, e como medidas para a inclusão social, destaca-se a importância para a integração das pessoas
idosas no seio da família, constituindo um intercâmbio de forças e potencialidades favorável a todas as partes:
em 2001, cerca de 57 mil pessoas idosas encontravam-se institucionalizados em convivências de apoio social,
saúde e religiosas, representando quase 4% da população idosa total6.
As pessoas idosas constituem um segmento de mercado em ascensão que disponibiliza produtos e serviços
específicos nos quais se incluem os prestadores de cuidados de saúde, operadores de turismo, as marcas de
cosméticos, os bancos, as empresas de telecomunicações e imobiliárias. Em Portugal, o número de empresas
e serviços a operar para um público que designam como Sénior ou Outono da Vida, tem vindo a crescer.
As ofertas de serviços a esta franja da população vão do simples cosmético às residências em condomínios
fechados que incluem todos os serviços de apoio tais como saúde, lazer, limpeza, alimentação e até cabeleireiro.
No entanto, ofertas esta natureza só estão ao alcance das pessoas idosas com uma sólida situação económica
e estes condomínios levam à concentração dos idosos em grupos fechados. Juntar idosos com idosos pode não
ser a melhor opção na medida em que o relacionamento intergeracional é muito importante.
A criação e expansão das universidades da terceira idade constitui mais um fenómeno que se pode referir e que
exemplifica muito bem o sinal dos tempos.
Também as empresas devem procurar soluções no sentido de potenciar o bem-estar das pessoas idosas,
valorizando a condição física, e oferecem programas concebidos de acordo com as capacidades das pessoas
idosas. Existem já programas preparados para serem implementados em empresas, públicas e privadas, com
o objectivo de acompanhar os trabalhadores em fase final da vida activa a planear melhor o período de reforma.
Há que referir, contudo, que as situações enumeradas referem-se a um determinado grupo de pessoas que, para
além da idade, têm em comum o acesso à informação, uma localização privilegiada para poder usufruir de
determinados bens e equipamentos, geralmente situados apenas nas grandes cidades. No entanto, uma vasta
percentagem de pessoas idosas estão longe desta realidade, quer porque constituem um grupo bastante vulnerável
à pobreza, especialmente as que residem em zonas rurais7, quer porque é nas idades mais avançadas que
surgem em maior número determinadas incapacidades, motoras ou do foro psicológico8. De facto, o isolamento
social e geográfico, provoca geralmente sentimentos de solidão e abandono, com consequências graves e
difíceis de ultrapassar por quem as sente.
6 cf. Gonçalves, Cristina (2003) “As pessoas idosas nas famílias institucionais segundo os Censos” in Revista de Estudos
Demográficos nº. 34, pp. 41-60, Instituto Nacional de Estatística, Lisboa.
7 Sobre esta matéria consultar também Gonçalves, Cristina (2004) “Pobreza e exclusão social nas famílias com idosos em
Portugal” in Revista de Estudos Demográficos nº. 35, pp. 143-169, Instituto Nacional de Estatística, Lisboa.
8 Sobre esta matéria consultar também Gonçalves, Cristina (2003) “Enquadramento familiar das pessoas com deficiência: uma
análise exploratória dos resultados dos Censos 2001” in Revista de Estudos Demográficos nº. 33, pp. 69-94, Instituto Nacional
de Estatística, Lisboa.
Referências Bibliográficas
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Estudos Demográficos nº 31, pp. 75-98, Instituto Nacional de Estatística, Lisboa.
Direcção Geral de Acção Social (2001) Actas do Seminário de Encerramento Ano Internacional das Pessoas
Idosas, Lisboa.
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Estudos e Conjuntura, Lisboa.
INE (2004) Projecções de População Residente, Portugal e NUTS II, 2000-2050, Instituto Nacional de
Estatística, Lisboa.
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INE (2006) Estimativas Provisórias de População Residente, 2005, Portugal, NUTS II, NUTS III e Municípios,
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Pestana, Nuno Nóbrega (2003) Trabalhadores Mais Velhos: Políticas Públicas e Práticas Empresariais in
Cadernos de Emprego e Relações de Trabalho, 01, Direcção Geral do Emprego e das Relações e do Trabalho,
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United Nations (2002) Madrid International Plan of Action on Ageing 2002, New York.
.
Ar tig
Artig
tigoo 3º_ página 3 9
A Situação
Demográfica
Recente em
Por tugal
The Demographic
changes in Portugal
Autoras:
Email: [email protected]
Lurdes Patrício
Email: [email protected]
Resumo:
Abstract
The pace of population growth continues to slow down and the immigration
flows remain its most important component. The low fertility, the increase
of life expectancy, more rapid among men, a sharp decrease in infant
mortality and the substantial immigratory flux are the remarkable aspects of
the demographic evolution in Portugal. The significant fall in the number of
marriages, the rise in both the number of wedlock births and the average
age at marriage and the relative decline in the number of divorces influence
the new familiar models in Portugal.
Introdução
A nova Situação Demográfica Recente em Portugal dá continuidade à análise divulgada na Revista de Estudos
Demográficos nº 38 e actualiza-a com as mudanças ocorridas em 2005, no campo da natalidade, mortalidade e
das migrações, procurando evidenciar os aspectos mais relevantes. Em termos de tendências confirma-se o
desacelerar do crescimento da população.
Escolheu-se como período central de análise os anos entre 1 de Janeiro de 2001 e 1 de Janeiro de 2006 de modo
a avaliar a situação demográfica do país nos primeiros cinco anos do século XXI. Como os efeitos dos fenómenos
demográficos se revelam no longo prazo, em alguns casos, o estudo das variáveis abrangeu um período de
tempo mais longo do que o previamente seleccionado.
No presente artigo utilizam-se as estimativas definitivas de população residente intercensitárias para o período
1991-2000 e as estimativas provisórias póscensitárias para os anos de 2001-2005 assentes nos resultados
definitivos dos Recenseamentos Gerais da População de 1991 e 2001, ajustados com as taxas de cobertura
medidas nos respectivos Inquéritos de Qualidade. As referidas estimativas de população residente reportam-se
a duas geografias. Uma, a existente à data da realização dos Censos 2001 (Decreto Lei nº 46/89) e tendo em
1. População
Quadro 1
População Residente Média (milhares) 10225,8 10293,0 10368,4 10441,1 10502,0 10549,4
População Residente em 31.XII (milhares) 10256,7 10329,3 10407,5 10474,7 10529,3 10569,6
Homens 4950,7 4988,9 5030,2 5066,3 5094,3 5115,7
Mulheres 5306,0 5340,4 5377,2 5408,4 5434,9 5453,9
Relação de Masculinidade (%) 93,3 93,4 93,5 93,7 93,7 93,8
Nados vivos 120 008 112 774 114 383 112 515 109 262 109 399
Óbitos 105 364 95 092 106 258 108 795 101 932 107 462
Saldo Natural 14 644 7 682 8 125 3 720 7 330 1 937
Saldo Migratório 47 000 65 000 70 000 63 500 47 240 38 400
Acréscimo Populacional 61 644 72 682 78 125 67 220 54 570 40 337
Taxa de Crescimento Natural (%) 0,14 0,07 0,08 0,04 0,07 0,02
Taxa de Crescimento Migratório (%) 0,46 0,63 0,68 0,61 0,45 0,36
Taxa de Crescimento Efectivo (%) 0,60 0,71 0,75 0,64 0,52 0,38
Fonte: INE, Estimativas de População Residente, 2000- 2005, aferidas com os resultados definitivos dos Censos 2001, tendo em conta os erros de cobertura dos Censos 1991 e
2001 e Estatísticas Demográficas.
42
O comportamento evolutivo das variáveis demográficas explica o acentuar do ritmo de crescimento da população
residente em Portugal, sobretudo, a partir da segunda metade dos anos noventa no século XX, e o abrandar nos
dois últimos anos observados.
De 1 de Janeiro de 2001 a 31 de Dezembro de 2005 estima-se que a população tenha aumentado cerca de 324
mil pessoas evoluindo segundo uma taxa moderada de 0,6%, média anual. O ritmo é mais acentuado nos
homens, correspondendo a maior diferença ao período mais intenso de entrada de imigrantes.
Figura 1
Figura 1
0,8
0,6
Mulheres
0,4
0,2
0,0
2000/01 2001/02 2002/03 2003/04 2004/05
As diferentes evoluções das varáveis demográficas não foram uniformes ao longo do período em análise podendo-
se dividi-lo em duas fases.
Uma, corresponde aos dois primeiros anos do século XXI e mostra saldos migratórios sempre crescentes e
saldos naturais fracos com a população a aumentar a um ritmo médio de 0,7 % ao ano.
A segunda fase coincide com os anos de 2003 a 2005 durante os quais a população evolui segundo uma taxa
média anual de 0,5%. Os saldos migratórios abrandam, embora reforcem a sua importância relativa no crescimento
da população (cerca 90%), e os saldos naturais tendem para zero.
Em 31 de Dezembro de 20051 a população residente em Portugal foi estimada em 10 569 592 indivíduos, dos
quais 5 115 742 homens e 5 453 850 mulheres. Comparativamente ao ano anterior, a população residente
aumentou 40 337 indivíduos, ou seja 0,38%, confirmando-se a desaceleração do ritmo iniciada em 2003. O
acréscimo manteve-se mais acentuado nos homens (0,42%) do que nas mulheres (0,35%).
O saldo migratório positivo (0,36%), apesar de fraco, permanece como a principal causa do crescimento da
população, à semelhança do que ocorre desde 1999 dado que o saldo natural se tornou praticamente nulo
(0,02%). De notar que o excedente dos nados vivos sobre os óbitos, durante o período em estudo, se tornou
inferior a 10 000 no começo do actual século.
Tanto o número de nados vivos (0,13%) como o de óbitos (5,43%) registam evoluções positivas face a 2004,
sendo a variável óbitos a que explica, em 2005, a diminuição do saldo natural (1 937) para quase um quarto do
observado no ano anterior. Se a variação dos nados vivos se inscreve nas oscilações normais anuais, quer no
sentido positivo quer negativo que o acontecimento observa, a dos óbitos revela, tanto em 2004 como em 2005
significativas flutuações, superiores a 5 % e de sentido contrário.
Estima-se que em 2005, o saldo migratório tenha atingido cerca de 38 400 indivíduos (49 200 entradas e 10 800
saídas), valor inferior em 8 840 ao do ano anterior, e o mais baixo de todo o período, como consequência do
atenuar dos fluxos de entrada e o aumento dos fluxos de saída.
1
INE, “ Estimativas Provisórias de População residente em 31 de Dezembro de 2005, NUTSI, NUTSII, NUTS III e Município”,
www.ine.pt, Junho 2006, Lisboa
No último ano analisado o acréscimo populacional registado reparte-se entre 5% para o saldo natural e 95 %
para o saldo migratório.
Tendo como comparação a Europa composta por 25 países, Portugal apresenta em 2005 (0,38%) um ritmo de
crescimento próximo da média estimada pelo Eurostat2 (UE25= 0,4% em 2005) e semelhante ao da Grécia,
Finlândia e Suécia. A Irlanda detém a taxa de crescimento forte e a mais elevada (2,4%), seguida do Chipre
(2,3%) e da Espanha (1,7%) enquanto a Lituânia (-0,65%), Letónia (-0,51%) Estónia e Hungria (-0,21%), bem
como a Alemanha (- 0,08%) e Polónia (-0.04) registam variações negativas.
As comparações internacionais devem ser cautelosas, pois o documento do Eurostat não clarifica se os países
membros que realizaram a última vaga de Censos 2000 concluíram a revisão da série retrospectiva das estimativas
de população e indicadores com base nos novos resultados, nem explicita os aspectos metodológicos. Por
outro lado, alguns países não divulgaram ainda a informação definitiva, sendo em alguns casos os resultados
provisórios ou previstos pelo órgão estatístico comunitário.
Norte (35%) e Lisboa e Vale do Tejo (34%) são as regiões que mais contribuem para os efectivos populacionais
do país. Mais de metade da população residente em Portugal concentrava-se, em 2005, nas NUTS Norte e
Alentejo, Algarve e as Regiões Autónomas em conjunto não atingem o milhão e meio de habitantes. Contudo,
apresentam evoluções opostas, pertencendo ao Algarve o mais forte acréscimo do período, quatro vezes superior
à média do país (1,7%). Ao contrário, o Alentejo é a região do país que perde população, (-0,2 %). Esta tendência
inverte-se se analisarmos a distribuição da população segundo o novo enquadramento geográfico e administrativo
do país. Neste caso, enquanto o Alentejo regista um crescimento nulo Lisboa perde importância ( 26,3%)
enquanto o Centro afirma a sua posição (26,3%).
A nível regional os ritmos de variação da população diferem como consequência dos comportamentos das
variáveis demográficas e provocam as conhecidas assimetrias entre o interior e o litoral do país.3 Ao Norte, às
Regiões Autónomas e a Lisboa e Vale do Tejo pertencem as taxas de crescimento natural mais elevadas. No
caso das duas NUTS do Continente o efeito conjugado de taxas migratórias positivas, bem mais intenso em
Lisboa e Vale do Tejo, justifica o acréscimo populacional evidenciado. As Regiões Autónomas compensam a
baixa gradual dos saldos naturais com a alteração de sentido dos movimentos migratórios ocorridos no início
deste século. Em contraste, é no Alentejo e no Centro que se localizam as taxas de crescimento natural
negativas. O Algarve é a região que tem a taxa migratória mais forte e tripla da do país.
Descendo a um nível geográfico mais fino, denota-se que saldos naturais fortemente negativos associados a
saldos migratórios igualmente negativos originaram grandes perdas populacionais no período em análise, em
particular nas regiões do interior. Em algumas zonas o ritmo de diminuição da população desacelerou nos anos
mais recentes devido aos fluxos imigratórios.
2e3
Eurostat (2006) - Statistics in Focus, Population and Social conditions, 16/2006. Lisboa, Setembro 2006.
44
2. Natalidade e Fecundidade
O número de nados vivos de mães residentes em Portugal em 2005 foi de 109 399, mantendo-se praticamente
estável face a 2004. A variável inverteu a tendência em baixa retomada em 2003, sendo o ritmo de variação
positivo face ao observado no ano anterior (0,1%).
Quadro 2
Quadro 2
Nados vivos 120 008 112 774 114 383 112 515 109 298 109 399
Homens 62 222 58 365 59 303 58 210 56 212 56 643
Mulheres 57 786 54 409 55 080 54 305 53 086 49 657
Relação de masculinidade à nascença 107,7 107,3 107,7 107,2 105,9 107,2
Nados vivos fora do casamento 26 642 26 814 29 117 30 236 31 766 33 633
Nados Vivos fora do casamento (%) 22,2 23,8 25,5 26,9 29,1 30,7
Nados Vivos fora do casamento com coabitação 20 190 20 062 23 308 24 219 25 408 27 093
Nados Vivos fora do casamento com coabitação (%) 75,8 74,8 80,0 80,1 80,0 80,6
Nados Vivos fora do casamento sem coabitação 6 452 6 752 5 809 6 017 6 358 6 540
Nados Vivos fora do casamento sem coabitação(%) 24,2 25,2 20,0 19,9 20,0 19,4
Taxa Bruta de Natalidade (‰) 11,7 11,0 11,0 10,8 10,4 10,4
Índice Sintético de Fecundidade (nº médio de crianças por mulher) 1,56 1,46 1,47 1,44 1,40 1,41
Idade média ao nascimento do 1º filho 26,5 26,8 27,0 27,4 27,5 27,8
Idade média ao nascimento de um filho 28,6 28,8 29,0 29,2 29,4 29,6
Taxa de Reprodução Bruta 0,760 0,712 0,719 0,705 0,685 0,687
Taxa de Reprodução Líquida 0,743 0,697 0,704 0,695 0,676 0,680
Fonte: INE, Estimativas Definitivas de População Residente intercensitárias, 1991-2000 e Estimativas Provisórias de População Residente 2001-2005.
A taxa bruta de natalidade, que estabilizara nos últimos anos perto dos 11 nascimentos com vida por mil
habitantes, recuou para 10,4‰ em 2004 valor que manteve no ano seguinte, nível ligeiramente inferior ao estimado
pelo Eurostat4 para o conjunto dos 25 países membros (10,5‰). A taxa varia entre os 8,3‰ nados vivos por mil
habitantes na Alemanha e os 14,7‰ na Irlanda, país que só muito recentemente deixou de assegurar as gerações.
Tendo presente a limitação do indicador, que não reflecte a estrutura por idades, pode afirmar-se que a taxa bruta
de natalidade segue a evolução contrária registada na maioria outros países da Europa Comunitária. De notar
que a Espanha, Grécia e Itália, que no passado recente detinham taxas com níveis muito fracos, apresentam
uma ligeira tendência em alta nos valores do indicador, no caso dos dois primeiros países e apenas a Itália
parece ter estabilizado o nível (à volta de 9,5‰). Por outro lado, muitos dos novos países membros surgem com
taxas claramente inferiores à média comunitária.
Os nados vivos de mães com nacionalidade estrangeira e residência no país têm multiplicado de forma contínua
a sua proporção no total nos nascimentos com vida e ascenderam a 8,4%.
Apesar da tendência em baixa, os nados vivos cujas mães são nacionais dos países africanos de língua portuguesa
(PALP) continuam a deter a parte mais importante do total dos nados vivos: 3,2 % em 2000 contra 2,9% em
2005.
De ressaltar a variação positiva dos nascimentos de filhos de mães imigrantes provenientes de países da Europa
do Leste (0,1% em 2000 e 1,7% em 2005). Os filhos de mães nacionais da Ucrânia e Roménia assumem-se,
entre estes, como os mais importantes e representam quase dois terços.
A variável nacionalidade passou a ser inquirida em 1995 mas o período, embora curto, permite concluir que o
ritmo de crescimento dos nados vivos cuja mãe tem a nacionalidade estrangeira marca a variação anual recente
dos nascimentos com vida em Portugal. O ritmo de crescimento dos nados vivos cuja mãe tem a nacionalidade
estrangeira marca a variação anual recente dos nascimentos com vida em Portugal.
4
Eurostat (2006) - Statistics in Focus, Population and Social Conditions, 16/2006. Lisboa, Setembro 2006.
No período compreendido entre 2000 e 2005, a variação negativa da natalidade (-10 609) atribui-se exclusivamente
à diminuição dos nascimentos de mães portuguesas.
<hid> Quadro 3
Quadro 3
TOTAL 120 008 100 112 774 100 114 383 100 112 515 100 109 298 100 109 457 100
Europa 115 110 95,9 107 934 95,7 108 622 95,0 106 816 94,9 103 332 94,5 102 934 94,0
Portugal 114 174 95,14 106 869 94,76 106 683 93,27 104 484 92,86 100 863 92,28 100 320 91,65
Alemanha 104 0,09 101 0,09 80 0,07 110 0,10 113 0,10 97 0,09
Bélgica 19 0,02 14 0,01 21 0,02 17 0,02 18 0,02 21 0,02
Espanha 120 0,10 99 0,09 132 0,12 147 0,13 119 0,11 162 0,15
França 356 0,30 280 0,25 340 0,30 330 0,29 300 0,27 286 0,26
África 3 928 3,3 3 649 3,2 3 873 3,4 3 469 3,1 3 391 3,1 3 363 3,1
Angola 1 559 1,30 1 396 1,24 1 496 1,31 1 277 1,13 1205 1,10 1208 1,10
Cabo Verde 1 156 0,96 1 136 1,01 1 260 1,10 1 119 0,99 1092 1,00 1080 0,99
Guiné Bissau 495 0,41 495 0,44 490 0,43 483 0,43 492 0,45 480 0,44
Moçambique 250 0,21 218 0,19 185 0,16 163 0,14 146 0,13 141 0,13
S.Tomé e Príncipe 322 0,27 278 0,25 306 0,27 279 0,25 285 0,26 286 0,26
Total dos PALP 3 782 3,15 3 523 3,12 3 737 3,27 3 321 2,95 3 220 2,95 3 195 2,92
Outros Países África 146 0,12 126 0,11 136 0,12 148 0,13 171 0,16 168 0,15
América 716 0,6 920 0,8 1 567 1,4 1 856 1,6 2 178 2,0 2 605 2,4
América do Norte 93 0,08 78 0,07 109 0,10 107 0,10 86 0,08 90 0,08
América Central e do Sul 623 0,52 842 0,75 1 458 1,27 1 749 1,55 2 092 1,91 2 515 2,30
Brasil 469 0,39 711 0,63 1 309 1,14 1 568 1,39 1 909 1,75 2 367 2,16
Outros Países América 247 0,21 209 0,19 258 0,23 288 0,26 269 0,25 238 0,22
Ásia e Oceania 232 0,2 255 0,2 304 0,3 372 0,3 444 0,4 550 0,5
China 158 0,13 160 0,14 212 0,19 257 0,23 292 0,27 367 0,34
Outros Países Ásia e Oceania 74 0,06 95 0,08 92 0,08 115 0,10 152 0,14 183 0,17
Total de nados vivos de mães estrangeiras 5 894 4,9 5 905 5,2 7 700 6,7 8 031 7,1 8 493 7,8 9 137 8,3
Em Portugal é nas Regiões Autónomas dos Açores (12,5‰) e da Madeira (12,1‰) que o indicador regista, em
2005, os valores mais elevados. Em oposição, é a região do Alentejo que detém a taxa mais baixa (8,6‰) no
caso das NUTS antigas. Se considerarmos as NUTS Novas, criadas em 2002, o Alentejo continua a ser a região
com menor taxa de natalidade do país (9,0‰) apesar de incluir a Região de Lezíria do Tejo. A nova região Centro
sobe ligeiramente para 9,1‰, consequência de integrar mais 2 regiões, o Oeste e o Médio Tejo, com níveis de
natalidade superiores, enquanto a região de Lisboa ascende a 11,8‰.
46
O declínio da fecundidade deve ser avaliado quer pelo número anual dos nascimentos, com efeitos directos na
dimensão da população, quer pela ordem de nascimento que permite estudar a concentração dos nascimentos,
quer pelo indicador sintético de fecundidade que evidencia as modificações na dimensão da família e o grau de
substituição das gerações.
Desde há vinte cinco anos que o nível de fecundidade em Portugal permanece continuamente inferior ao nível de
substituição de gerações (2,1 crianças por mulher). A fecundidade em Portugal é caracterizada pelo seu
envelhecimento, com a maior frequência a passar do grupo etário dos 20-24 anos para o grupo dos 25-29 anos
e o incremento dos nascimentos entre as mães com idades superiores a trinta anos.
Em 2000, a taxa de fecundidade no grupo etário dos 20-24 anos era de 63,0‰ e no final do período em análise,
ou seja em 2005, situava-se em 47,6‰; evolução inversa sofreu o grupo etário dos 30-34 anos que subiu de
84,5‰ para 85,3‰ ao longo do mesmo período.
A análise do fenómeno segundo a ordem dos nascimentos evidencia um comportamento semelhante com os
nascimentos nas idades mais avançadas a ganharem importância. De reter que entre 2000 e 2005 as taxas de
fecundidade depois dos trinta anos praticamente duplicaram no que se refere aos primeiros nascimentos, os
quais determinam o calendário actual da fecundidade em Portugal. Em 2005, e tendo como referência o ano
anterior, a taxa de fecundidade de segunda ordem aumentou a partir da idade igual ou superior a trinta e cinco
anos.
Quadro 4
Quadro 4
Geral
1ª. ordem
2ª. ordem
Todas as regiões do país apresentam a mesma tendência para adiar a fecundidade. Desde 1992 que a Região
Autónoma dos Açores possui a taxa de fecundidade mais elevada nas adolescentes (15-19 anos), atingindo em
2005, 35,4‰, enquanto as mais baixas se conservam no Centro (15,3‰) e no Norte (16,5‰). Em Lisboa e Vale
do Tejo a taxa de fecundidade das adolescentes recuou de 23,4‰ em 2000, para 20,8‰ em 2005. Aos Açores
pertence igualmente a maior frequência de nascimentos nas camadas etárias entre os 20-24 anos, situação que
reflecte o desfasamento temporal do calendário em relação às outras regiões. Algarve é a única região com taxa
superior a 100 nados vivos por mil mulheres em idade fértil com idades iguais a 25 anos e inferiores a trinta anos.
Figura 2
Figura 2
100,0 Portugal
Algarve
80,0
R.A. Açores
60,0 Centro
40,0
20,0
0,0
15-19 20-24 25-29 30-34 35-39 40-44 45-49
O indicador é inferior ao estimado para a UE5 (1,50 crianças por mulher). De referir que o espaço comunitário
registou novamente um ténue acréscimo do indicador, comparativamente ao ano anterior, em particular na
Suécia (1,75) que mantém a tendência em alta (1,57 em 2001, 1,65 em 2002 e 1,71 em 2004) o Reino Unido,
igualmente com 1,74 (contra 1,71 em 2003 e 1,64 em 2002). O nível mais elevado permanece na Irlanda (1,99)
e os mais baixos na Polónia com 1,24 crianças por mulher, nível muito próximo dos observados na Eslováquia
(1,25) e na Eslovénia (1,26). Os níveis de fecundidade alcançados na Europa são tão fracos que a hierarquização
dos países se procede na ordem das centésimas.
Em 2005, o Centro e o Norte (1,3 crianças por mulher) permanecem como as regiões que apresentam o mais
baixo índice sintético de fecundidade. Os valores mais elevados mantém-se na Região Autónoma dos Açores, a
única que em 1991 ainda substituía as gerações, e no Algarve (1,6 e 1,7 crianças por mulher respectivamente).
Figura 3
Figura 3
2,1
2,0
1,9
1,8
Algarve
2005
1,7
R.A.Açores
1,6
Lisboa e Vale do
Tejo
1,5
R.A.Madeira
1,4
Alentejo
1,3
Centro Norte
1,2
1,2 1,3 1,4 1,5 1,6 1,7 1,8 1,9 2,0 2,1 2,2
1991
5
Eurostat (2006) - Statistics in Focus, Population and Social Conditions, 16/2006
48
As taxas de reprodução bruta e líquida traduzem bem a evolução do índice sintético de fecundidade. De facto,
em 1981 a taxa líquida de reprodução era ligeiramente superior à unidade, o que significa que a substituição de
cada geração estava assegurada ou seja, cada mãe tinha em média uma filha para a substituir. Nos anos
noventa do século passado essa substituição não era garantida e cada mãe tinha ao longo do período fecundo,
em média 0,7 crianças do sexo feminino, situação que se prolongou no início do século XXI. Acompanhando o
andamento do índice sintético de fecundidade, o número de filhas revela-se, desde há mais de vinte anos,
insuficiente para substituir as gerações de mulheres.
A evolução da idade média ao nascimento de um filho confirma o adiar do nascimento. Numa primeira fase da
baixa de natalidade, que corresponde aos anos sessenta e setenta, a idade média à maternidade seguiu a
mesma tendência decrescente. O sentido inverte-se, quando a substituição das gerações deixa de ser assegurada,
e que se localiza no início dos anos oitenta do século XX. Desde então, que a idade média ao nascimento do
primeiro filho ou de um filho, independentemente da ordem que ocupa na hierarquia dos nascimentos com vida
não cessa de elevar-se.
No período estudado as mulheres retardaram a idade média à primeira maternidade em 1,3 anos e tiveram em
2005, o primeiro filho com a idade de 27,8 anos em média.
É na Região Autónoma dos Açores que as mulheres são mães pela primeira vez mais cedo, sendo a idade
média ao 1º nascimento de 25,4 anos, e é na Região de Lisboa e Vale do Tejo que a idade média ao nascimento
do primeiro filho é mais tardia, aos 28,2 anos.
Da análise do Quadro das idades médias ao 1º nascimento e ao nascimento de um filho por NUTS Antigas e
NUTS Novas, em anexo, constata-se que o Alentejo com o enquadramento geográfico mais recente agrava a
idade média ao 1º nascimento em 0,3 anos e, em compensação, no Centro as mulheres têm o 1º filho mais
cedo, mas a diferença só é visível a nível das centésimas.
Quase 3 nados vivos em cada 10 ocorrem fora do casamento. O significativo acréscimo dos nados vivos fora do
casamento de 22,2% em 2000 para 30,7% em 2005 surge como outra característica a ressaltar na evolução da
fecundidade e permitiu que a proporção se aproximasse da estimada na UE (33,0% em 2005). Dentro dos
países com informação disponível para 2005 a Grécia ocupa a posição mais fraca (5,1%) e a Estónia a mais
elevada (58,5%), ultrapassando a Suécia (55,4%). Embora com ligeiras oscilações pode afirmar-se que quase
todos os países evidenciam uma tendência em alta dos nascimentos com vida ocorridos fora do casamento. Em
Portugal, o aumento, traduzido numa taxa de variação no período em análise, de cerca de 26%, conjugado com
a diminuição do número de casamentos celebrados indicia outras formas de conjugalidade. No mesmo sentido,
a importância relativa dos nascimentos fora do casamento com coabitação dos pais confirma a opção dos
casais por esta forma de vivência em comum.
Os nados vivos fora do casamento têm uma tendência oposta à do total dos nascimentos.
É sobretudo na região do Algarve (46,0%) e de Lisboa e Vale do Tejo (40,4%) que se encontram as maiores
proporções de nascimentos fora do casamento; em oposição, as percentagens mais baixas situam-se no Norte
(21,0 %) e na Região Autónoma dos Açores (21,6%). Estas posições mantêm-se ao longo do período em
análise, podendo avançar-se que é nas regiões de alta natalidade que o peso dos nados vivos fora do casamento
é menor.
Figura 4
Figura 4
4 3
8 9
33 34
54 54
2000 2005
Desde 1988 que metade dos nascimentos com vida se reporta ao primeiro filho, importância relativa que se
reforçou e atingiu 53,7% em 2005, contra 53,5% no ano anterior. A parte dos nascimentos de segunda ordem
acompanha o comportamento da fecundidade, diminuindo quando esta começa a ser insuficiente para assegurar
a substituição das gerações. Apesar de algumas oscilações, nota-se uma ligeira tendência em alta dos nascimentos
de segunda ordem no período em análise (34,4% em 2005 contra 33,4% em 2000), reflectindo o andamento da
curva da natalidade nos últimos anos. Desde o final dos anos oitenta do século passado que a importância
relativa dos nascimentos de terceira ordem representa menos de 10% do total dos nascimentos com vida, não
cessa de recuar para se situar em 8,6% em 2005. Os nascimentos de ordem igual ou superior a quatro assumem,
nos anos mais recentes, valores muito pouco expressivos.
3. Nupcialidade e divorcialidade
Em 2005, celebraram-se 48 671 casamentos, confirmando-se a redução observada no ano anterior e a taxa
bruta de nupcialidade desceu para 4,6‰.
Quadro 5
Quadro 5
De ressaltar que Portugal passou a ocupar uma posição intermédia, em termos de taxa de nupcialidade, no
conjunto dos 25 países que actualmente constituem a EU, cuja média foi estimada em 4,8‰, valores provisórios,
em 20056. O valor mais elevado é pertença do Chipre (7,2‰), seguido da Dinamarca (6,7‰) e o mais baixo, da
Eslovénia (2,9‰,) seguida da Bélgica (4,1‰). A Suécia regista dos níveis mais fracos (4,4‰), como seria de
esperar tendo em conta a elevada proporção de nascimentos fora do casamento. O facto da Dinamarca associar
o nível de nupcialidade mais forte com uma percentagem de nados vivos fora do casamento próxima de 46%,
nível bastante acima da média comunitária, parece indiciar a formalização da vivência em comum após o nascimento
dos filhos.
Quadro 6
Quadro 6
A parte de casamentos de solteiros no total de casamentos diminuiu, tanto para homens como para mulheres.
facto que pode indiciar uma opção de viver só ou em coabitação. Reforçando a emergência de novos modelos
familiares, nomeadamente a reconstituição de famílias, a importância relativa dos casamentos de divorciados
continuou a crescer, representando, no final do período em análise, 10,7% entre as mulheres e 12,5% entre os
homens. O recasamento de viúvos estabilizou e mantendo-se mais frequente entre os homens (1,5%), do que
entre as mulheres (0.9%.).
Em Portugal os jovens têm vindo adiar o casamento. Em 2000, os homens celebraram o primeiro casamento em
média, com 27,5 anos, idade que se elevou para os 28,9 anos em 2005. Nas mulheres o adiamento é mais forte,
com a idade a aumentar dos 25,7 para os 27,3 anos no mesmo período. A idade média ao casamento revela um
comportamento semelhante.
O indicador de primo nupcialidade inverteu o sentido a partir de 1999, tendo apenas 56% das mulheres celebrado
o primeiro casamento até aos 50 anos em 2005, valor que baixa para 52% nos homens.
Observa-se uma heterogeneidade na distribuição regional das idades médias ao primeiro casamento. É em
Lisboa e Vale do Tejo que tantos os homens como as mulheres casam pela primeira vez mais tarde. Ao contrário,
é na Região Autónoma dos Açores que os primeiros casamentos ocorrem mais cedo (27,0 anos para os homens
e 24,1 para as mulheres em 2005).
6
Eurostat (2006) - Statistics in Focus, Population and Social Conditions, 16/2006
Figura 5
Figura 5
30
25
20
15
10
0
Portugal Norte Centro Lisboa e Vale do Alentejo Algarve R.A.Açores R.A.Madeira
Tejo
H M
Portugal, tal como Espanha, regista uma taxa de divórcios que se insere na média comunitária do conjunto dos
25 países, (estimada para 2005 em 2,0 ‰) quase multiplicando por três as observadas na Irlanda e na Itália e
duplicando a verificada na Grécia. A Lituânia, Estónia, República Checa, Bélgica, Dinamarca e Alemanha, com
níveis iguais ou próximos de 3 ‰ possuem as taxas mais elevadas. Itália e Irlanda com uma taxa igual a 0, 8 ‰
apresentam as taxas mais baixas.
A idade média ao divórcio tem vindo a aumentar ao longo do período em análise, rondando, actualmente, os 41
anos para os homens e os 39 para as mulheres, reflectindo a diferença de idades ao casamento. Esta análise,
à semelhança do ocorrido com o casamento, deve ter em conta o número de divórcios.
O ratio entre divórcios e casamentos não cessa de aumentar. Enquanto em 2000 por cada 100 casamentos
celebrados havia 30 divórcios em 2005 a relação ascende a 46.
Figura 6
Figura 6
6,2
Taxa Bruta de Nupcialidade
6
4,6
4
Taxa Bruta de Divorcialidade
1,9 2,1
2
0
2000 2001 2002 2003 2004 2005
Figura 7
Taxas Brutas de Nupcialidade e Divorcialidade, (por mil habitantes), NUTS II, 2005
7,0 3,0
6,0 2,5
5,0
2,0
4,0
1,5
3,0
1,0
2,0
1,0 0,5
0,0 0,0
Portugal Norte Centro LVT Alentejo Algarve RA Açores RA Madeira
Observa-se uma ligeira diferença se analisarmos por NUTS Antigas e NUTS Novas conforme se pode ver no
quadro em anexo.
4. Mor talidade
É na diminuição da mortalidade, e sobretudo no modelo de mortalidade por idades, que se encontra a causa
explicativa do envelhecimento no topo da pirâmide por idades. De facto os ganhos alcançados tornaram possível
a sobrevivência de um número crescente de pessoas idosas.
Na UE esta situação ocorre com a designada primeira transição epidemiológica ligada ao grande recuo dos
óbitos causados por doenças infecciosas e que terminou em toda a Europa Ocidental entre 1950 e 1960. A esta
transição epidemiológica seguiu-se um novo período de baixa da mortalidade como consequência dos progressos
terapêuticos e meios de diagnóstico, na luta contra as doenças de degenerescência orgânica (cancro e doenças
cardiovasculares) e a importância da prevenção da doença.
Os últimos trinta anos do século XX foram os anos de grande progresso no campo da mortalidade para os países
da comunidade, embora com ritmos diferentes. A baixa da mortalidade implica todo um processo em que
interagem os factores genéticos, ambientais e estilos de vida. Por outro lado, muitas doenças tornaram-se
crónicas como é caso da SIDA em que os doentes vivem mais de quinze com a doença, desde que tenham um
adequado acompanhamento médico e terapêutico.
Em 2005, registaram-se 107 462 óbitos de residentes em Portugal, ou seja um forte acréscimo de 5,4 % face ao
ano anterior.
Quadro 7
Quadro 7
Óbitos 105 364 105 092 106 258 108 795 101 932 107 462
Homens 55 023 54 838 55 687 55 966 53 201 55 484
Mulheres 50 341 50 254 51 003 52 829 48 809 51 978
Relação de masculinidade à morte ( %) 109,3 109,1 109,2 105,9 109,0 106,7
Taxa Bruta de Mortalidade (‰) 10,3 10,2 10,2 10,4 9,7 10,2
Óbitos com menos de um ano 662 567 574 464 412 386
Taxa de Mortalidade Infantil (‰) 5,5 5,0 5,0 4,1 3,8 3,5
Esperança de vida à nascença (anos)
Homens 72,9 73,4 73,68 74,00 74,53 74,9
Mulheres 79,9 80,4 80,56 80,57 80,98 81,4
Fonte: INE, Estimativas Definitivas de População Residente intercensitárias, 1991-2000 e Estimativas Provisórias de População Residente 2001-2004.
A taxa bruta de mortalidade estabilizou à volta dos 10 óbitos por mil habitantes, valor que se insere na média
comunitária6 (UE25= 9,6‰ em 2005). A taxa bruta de mortalidade mais elevada situa-se na região do Alentejo
(15,2‰) e a mais baixa na região do Norte (8,7‰) em 2005.
Entre os países da UE as taxas mais elevadas situavam-se na Letónia (14,2‰), na Hungria (13,5 ‰) Estónia
(12,9‰) seguidas, pela Lituânia (12,8‰). A República Checa (10,5‰), Suécia (10,2‰), Dinamarca e Alemanha
(10,1‰) posicionam-se acima da média comunitária. Ao contrário, as taxas mais baixas encontram-se na
Irlanda (6,6‰) e no Chipre (7,2‰), A Irlanda surge assim, no contexto comunitário como o país que
simultaneamente apresenta a taxa mais elevada de natalidade e a mais baixa de mortalidade, situação que
deriva de ter uma população relativamente jovem comparada com a de outros estados membros.
Com uma taxa de mortalidade infantil igual a 3,5 óbitos com menos de um ano por mil nados vivos Portugal
situa-se, em 2005, pela segunda vez consecutiva a nível inferior à média comunitária, estimada7 para o mesmo
ano (UE25 =4,5‰). A Letónia (7,8‰), Lituânia (6,8‰), Polónia (6,4‰) e a Eslováquia (6,2‰), surgem com as
taxas mais elevadas, embora provisórias, enquanto a Suécia (2,4‰), e Luxemburgo (2,6‰) observam os níveis
mais baixos. De ressaltar que a Grécia (4,1‰) e a Itália (4,7‰), ainda recentemente com níveis inferiores aos
portugueses assumem, no presente níveis mais elevados. Os valores extremamente baixos que o indicador
atingiu e o facto de o Eurostat divulgar a informação como provisória aconselham alguma prudência na sua
análise anual e podem explicar as mudanças de posicionamento dos países. Como curiosidade pode adiantar-
se que os antigos manuais de Demografia referiam que o nível de mortalidade infantil nunca poderia ser inferior
a 5 ‰, pois este era a parte atribuída à componente endógena da mortalidade infantil sobre a qual não se
conseguia actuar.
A análise das mortes segundo a nacionalidade do indivíduo revela que os valores não são muito significativos. A
variável nacionalidade só em 1996 foi introduzida no verbete de óbito e registou, nesse mesmo ano, a morte de
378 indivíduos de nacionalidade estrangeira residentes em Portugal. Aos indivíduos provenientes dos países
africanos de língua portuguesa corresponde a quase totalidade de óbitos de nacionalidade africana. Dentro dos
europeus, apesar de não representarem proporções significativas, as mais elevadas pertencem aos ingleses.
Esta constatação confirma as diferentes razões que determinam a imigração e as diferentes idades em que a
mesma ocorre.
6e7
Eurostat (2006) - Statistics in Focus, Population and Social Conditions, 16/2006
54
Quadro 8
Quadro 8
TOTAL 107 259 100,0 105 813 100,0 107 839 100,0
Europa 107 155 99,9 105 631 99,8 107 755 99,9
Portugal 106 881 99,7 105 285 99,7 107 462 99,7
Alemanha 48 0,04 55 0,05 42 0,04
Espanha 32 0,03 26 0,02 29 0,03
França 42 0,04 43 0,04 24 0,02
Países Baixos 20 0,02 28 0,03 23 0,02
Reino Unido 85 0,08 103 0,10 99 0,09
Ucrânia 0,00 26 0,02 21 0,02
Outros paises Europa 47 0,04 65 0,06 55 0,05
Total de óbitos de residentes estrangeiros 378 0,35 528 0,50 377 0,35
As principais causas de morte8, registadas em 2004, último ano para o qual existe informação disponível sobre
esta variável, são as doenças do aparelho circulatório (36,3%), os tumores/neoplasias (21,8%) e os sintomas,
sinais e resultados anormais (9,6%). Entre as doenças do aparelho circulatório, as cerebro-vasculares continuam
a ser a primeira causa de morte em Portugal. Os problemas de hipertensão, níveis elevados de colesterol, os
hábitos alimentares e os estilos de vida incluindo a sedentarização, explicam a importância que estas causas
de morte assumem quando comparadas com os países da UE. As doenças cerebro-vasculares (16,4% do total
das mortes) representam o dobro das cardiopatias isquémicas (8,7%), afectam principalmente as mulheres e
têm a maior expressão nas idades avançadas, ocorrendo 42% a partir dos 65 anos. Em 2004, a importância
relativa da morte devida à referida causa continuou a progredir e assume particular relevância entre os homens
a partir dos 50 anos sendo praticamente o dobro da ocorrida nas mulheres. A situação inverte-se a partir dos 75
anos de idade, quando a sobremortalidade feminina se torna fortemente gravosa, traduzindo a maior longevidade
da mulher. Pode afirmar-se que as doenças cérebro vasculares, à semelhança das doenças isquémicas,
pneumonia, doenças endócrinas, nutricionais e metabólicas e as doenças do sistema nervoso e dos órgãos dos
sentidos estão particularmente associadas ao envelhecimento. Em 2004, os óbitos de homens com 65 ou mais
anos representavam 74, 0 % do total das mortes do sexo masculino (56,6 % em 2002). Para o mesmo ano 87, 2 %
das mulheres tinham morrido com idade igual ou superior a 65 anos (70,9 % em 2002).
8
Com base na 10ª Revisão da Classificação Internacional de Doenças (CID 10), em vigor em Portugal desde 2002.
Quadro 9
Quadro 9
Principais causas de morte em Portugal (em percentagem do total de óbitos), 2002 e 2004
CID - 10 2002 (%) 2003 (%) 2004 (%)
Causas de Morte
Lista Europeia HM H M HM H M HM H M
Tuberculose 4 0,3 0,5 0,1 0,3 0,2 0,2 0,2 0,4 0,2
Doenças pelo vírus da imunodeficiência humana (VIH) 7 0,9 1,5 0,3 0,9 0,6 0,5 0,3 1,4 0,4
Tumores Malignos 9 20,9 23,7 17,8 20,8 24,0 17,4 21,8 24,8 18,5
Tumor maligno do esófago 10 0,5 0,8 0,2 0,5 0,8 0,2 0,6 0,9 0,2
Tumor maligno do estômago 11 2,4 2,8 1,9 2,3 2,7 1,8 2,3 2,7 2,0
Tumor maligno do colon 15 2,1 2,2 1,9 2,1 2,2 2,0 2,3 2,4 2,1
Tumor maligno da laringe, traqueia, brônquios e pulmões 17 3,2 5,0 1,2 3,3 5,3 1,1 3,4 5,4 1,2
Tumor maligno da mama feminina 21 1,5 0,0 3,0 1,4 0,0 2,9 1,4 0,0 3,0
Tumor maligno da próstata 24 1,6 3,1 0,0 1,6 3,0 0,0 1,7 3,2 0,0
Tumor maligno do tecido linfático, hematopoético e tecidos relacionados 27 1,7 1,7 1,6 1,7 1,8 1,6 1,7 1,7 1,7
Acidentes de transporte 60 38,7 41,2 31,7 35,5 38,7 27,3 32,2 35,2 24,5
Lesões autoprovocadas intencionalmente 63 21,1 22,4 17,5 20,5 22,0 16,7 22,0 23,1 19,4
Outras Causas de Morte Externas 58 40,2 36,4 50,9 44,0 39,3 56,0 45,8 41,8 56,2
TOTAL CAUSAS EXTERNAS DE MORTALIDADE 100 100 100 100 100 100 100 100 100
Entre os tumores malignos, em 2004, o da laringe, traqueia, brônquios e pulmões ocupa o primeiro lugar como
causa de morte, nos homens (21,8%) e a quase totalidade ocorre nos indivíduos com 50 ou mais anos, atingindo
a frequência máxima no grupo etário dos 70-74 anos. Segue-se o tumor da próstata (12,8%). Idêntica hierarquia
é reservada, nas mulheres, ao tumor maligno da mama (15,9%) e ao do cólon (11,3%). Nas mulheres o tumor da
mama começa, em 2004, a registar valores a partir dos 30 anos para se tornar mais frequente depois dos
cinquenta ou mais anos.
O tumor do estômago adquire um peso idêntico tanto nos homens como nas mulheres (10,8%), e detém, em
ambos os casos, a terceira posição.
As mortes atribuídas aos tumores malignos da laringe, traqueia, brônquios e pulmões, para os homens, e o da
mama, para as mulheres, não cessam de aumentar, tal como as doenças cérebro vasculares em qualquer dos
sexos, com maior incidência nas mulheres.
56
Figura 8
Figura 8
Mulheres
Tumor maligno da mama 21,0
Tumor maligno do cólon, recto e ânus 20,3
Tumor maligno do estômago 14,3
Tumor maligno da traqueia, dos brônquios e dos pulmões 8,5
Tumor maligno do pâncreas 7,2
Tumor maligno de outras partes e de partes não especificadas do útero 5,4
Tumor maligno do ovário 5,2
Tumor maligno do fígado e das vias biliares intra-hepáticas 3,3
Em 2004, registaram-se 1 760 óbitos por acidente de transporte (CID-10, Lista Europeia) concentrando-se
quase metade no grupo etário dos 15-39 anos, e em particular na faixa etária entre os 20 e os 24 anos.
Quadro10
Quadro 10
Óbitos causados por acidentes de transporte (CID - 10), Portugal, 2002 - 2004
2002 2003 2004
Idades
Total Homens Mulheres Total Homens Mulheres Total Homens Mulheres
15-39 970 832 138 850 705 145 799 679 120
TOTAL 2 220 1 739 481 1 997 1 561 436 1 760 1 385 375
Em percentagem
15-39 100 85,8 14,2 100 82,9 17,1 100 85,0 15,0
TOTAL 100 78,3 21,7 100 78,2 21,8 100 78,7 21,3
Não é possível, com base no registo das Estatísticas de Saúde, fonte de informação para o estudo do fenómeno
da mortalidade apurar os óbitos causados por acidentes em veículos de duas rodas e se a morte ocorre enquanto
condutores ou como passageiros.
A quase totalidade das mortes devidas às doenças do sistema nervoso e dos órgãos dos sentidos observa-se
nas pessoas idosas e, em particular nas mais idosas. As mortes provocadas pela diabetes mellitus ocorrem
essencialmente nas idades superiores a 74 anos e sobretudo nas mulheres. Situação idêntica verifica-se com a
doença de Alzeimer.
58
5. Esperança de vida
A análise de tábuas de mortalidade sucessivas permite identificar o avanço no campo da esperança de vida.
Entre 2000 e 2005 a esperança de vida à nascença aumentou em Portugal 2,0 anos para os homens e 1,5 anos
para as mulheres e situou-se em 74,9 anos e 81,4 respectivamente, valores ainda afastados da média europeia
estimada pelo Eurostat 9 (75,8 anos nos homens e 81,9 anos nas mulheres em 2005) e que o colocam num lugar
intermédio tanto para os homens como para as mulheres. Contudo, as disparidades na esperança de vida à
nascença diminuíram, comparativamente à média comunitária, passando nos homens de 1,2 anos em 2000
para 0,8 anos em 2005. Para as mulheres as diferenças desceram de 0,8 anos para 0,5 anos.
O ritmo de crescimento da longevidade em Portugal, no período em análise, foi mais rápido entre os homens
(2,8%) do que entre as mulheres (1,9%), provocando o atenuar do fenómeno da sobremortalidade masculina, à
semelhança do verificado em outros países. O aumento de longevidade tende a abrandar à medida que os
ganhos de vida progridem. As mulheres desde o inicio deste século que apresentam um esperança média de
vida superior a oitenta anos.
Os valores analisados são deduzidos de tábuas de mortalidade abreviadas assentes em uma média de óbitos
para minimizar os efeitos das oscilações anuais dos óbitos.
Figura 9
Figura 9
85
Mulheres
80
6,5 anos
6,9 anos
75 7,0 anos
70 Homens
65
60
2000 2001 2002 2003 2004 2005
Fonte: INE, Estatísticas Demográficas e Estimativas de População Residente (cálculo das autoras)
O progresso em termos de esperança média de à nascença, entre 2000 e 2005, é transversal a todas as regiões
NUTS II do país, embora com diferente intensidade. É no Centro que tanto homens como mulheres vivem em
média, o maior número de anos (75,7 anos e 81,9 anos, respectivamente em 2004/2005,). Ao contrário, é na
Regiões Autónoma que em média se vive menos, não tendo os homens (69,3) conseguido ultrapassar os setenta
anos enquanto as mulheres alcançam os 78, 2 anos de vida média.
No período 2000-2005, é em Lisboa e Vale do Tejo que se regista o maior aumento de esperança de vida à
nascença, quantificado em 2,4, anos para os homens e 1,6 anos para as mulheres. Em oposição, os menores
ganhos ocorreram na Região Autónoma da Madeira no que refere aos homens (1,3 anos) e no Algarve no que se
reporta às mulheres (0,6 anos). Na Região Autónoma dos Açores o indicador observou um aumento de 1,3 anos,
nos homens, facto que lhes permitiu ultrapassar os 70 anos de vida média (70,8 anos em 2005).
9
Sobre esta temática ver Carrilho, Maria e Patrício, Lurdes in “Situação Demográfica Recente”pp132 na RED 38
Figura 10
Figura 10
2,5 2,4
2,1
2,0 1,5
2,0 1,8
1,6 1,6
1,5 1,3
1,6
1,5 1,5 1,5 1,5
1,0
1,3 0,8
0,5
0,6
0,0
Portugal Norte Centro Lisboa Vale Tejo Alentejo Algarve RA Açores RA Madeira
Fonte: INE, Estatísticas Demográficas e Estimativas de População Residente (cálculo das autoras)
Os ganhos alcançados no campo da mortalidade não variam de modo uniforme em cada idade. Em Portugal, os
acréscimos de esperança de vida ocorreram em todas as idades estimando-se que os valores sejam superiores
nos homens até aos 65 anos, facto que explica a sua evolução positiva no período analisado.
Actualmente, estima-se que os homens que atinjam os 65 anos de idade vivam ainda mais 16 anos, enquanto
as mulheres que alcancem a mesma idade podem esperar viver, em média, mais 20 anos. Enquanto que os
homens que celebram os 80 anos podem esperar viver mais sete anos as mulheres podem sobreviver mais 8,3
anos.
No período 2000-2005, e a partir dos 70 anos de idade os acréscimos em termos de esperança média de vida
foram muito próximos, tanto para homens como para mulheres, e mais modestos, inferiores a um ano. É em
Lisboa e Vale do Tejo que se regista o maior aumento de esperança de vida à nascença, quantificado em 2,1,
anos para os homens e 1,6 anos para as mulheres. Em oposição, os menores ganhos ocorreram na Região
Autónoma da Madeira no que refere aos homens (1,3 anos) e no Algarve no que se reporta às mulheres (0,6
anos). Na Região Autónoma dos Açores o indicador observou um aumento de 1,3 anos, nos homens, facto que
lhes permitiu ultrapassar os 70 anos de vida média (70,8 anos em 2005 Lisboa e Vale do Tejo é a região que mais
contribui para o aumento da esperança de vida, em todas as vidas, tanto para homens como para mulheres.
A sobremortalidade masculina está bem visível na análise do fenómeno da mortalidade para cada sexo e idades.
O excesso de mortalidade masculina face á mortalidade feminina, expresso através da relação da sobremortalidade,
cresce desde a nascença e atinge o valor máximo no ano de 2005 na idade exacta dos 20 anos, idade em que
o risco de morte é ligeiramente superior a três homens por cada mulher. O rácio desce gradualmente com o
avanço da idade, permanecendo triplo até à idade dos 45 anos. Aos 75 anos o risco de morte dos homens é
praticamente duplo da mulher.
As causas desta longevidade encontram-se na maior protecção hormonal que a mulher possui até atingir a
menopausa. Os avanços na medicina e a adopção de tratamentos hormonais de substituição, eventualmente
podem conferir uma posição favorável às mulheres que contrabalança todas as situações de stress, provocadas
pela sua maior participação no mercado de trabalho, envolvimento em acidentes de veículos a motor e a adopção
de comportamentos de risco semelhantes aos dos homens, no que se refere ao consumo de álcool e tabaco.
Espera-se que em 2005, de 100 000 nados vivos, só 92 359 homens alcancem a idade exacta dos 50 anos,
número substancialmente inferior ao das mulheres que sobrevivem à mesma idade (96 755).
De ressaltar que o número estimado de homens sobreviventes aos 80 anos (45 216), em 2005, é inferior ao
número de mulheres sobreviventes à mesma idade em 1991/92 (56 270).
60
Quadro11
Quadro 11
l l l l l l
0 anos 20 50 60 70 80
Anos
H M H M H M H M H M H M
Fonte: INE, Estimativas Definitivas de População Residente intercensitárias, 1991-2000 e Estimativas Provisórias de População Residente 2001-2005
O contributo das migrações na dinâmica do crescimento da população depende do sentido, das características
que revelam e da sua duração. Desde 1993, que o saldo migratório é a principal componente do acréscimo
populacional em Portugal.
Podem distinguir-se dois tipos de impacte dos migrantes na população de acolhimento. Um, que actua nos
comportamentos demográficos de fenómenos como a fecundidade, modelos familiares e mortalidade, para o
qual contribuem os imigrantes que permanecem há mais tempo no país. Outro, e este mais imediato incide
sobre a estrutura da população ou seja na repartição por sexo e idades e são obra dos imigrantes recentes.
Estas diferenças explicam-se pelos motivos que determinam a saída dos países de origem e que 10se prendem
maioritariamente a motivos de natureza económica.
A população estrangeira de acordo com os Censos de 2001 é mais jovem do que a população nacional, e
concentra-se na faixa da população em idade activa, Ora, esta é precisamente a população mais afectada pela
emigração portuguesa, o que pode atenuar o efeito sobre a estrutura da população em idade activa.
A repartição por sexos da população estrangeira difere da população nacional na qual as mulheres são
supranumerárias, como resultado da sua maior longevidade. Ao contrário, os homens predominam na população
de nacionalidade estrangeiras, em particular no caso das populações não comunitárias, como resultado provável
da sua maior representatividade no processo migratório. De facto, no início, as migrações por natureza económica
são sobretudo masculinas. Em fase posterior, ocorre o reagrupamento familiar e os fluxos migratórios tendem
para um maior equilíbrio na repartição por sexo. No entanto, nos anos mais recentes a relação de feminilidade
desta população tem aumentado.
10
As recomendações ONU/Eurostat para a ronda dos Censos 2010, recentemente aprovadas, relevam a recolha do fenómeno.
As migrações afectam a estrutura por sexo e por idades de uma população, quer de um modo directo, pela
repercussão nos efectivos da população de origem e na de acolhimento, quer de um modo indirecto, pela
transferência de nascimentos que podem ter associadas.
A avaliação das migrações internacionais e internas em Portugal apresenta dificuldades particulares, na medida
em que não existe um registo directo e exaustivo dos respectivos acontecimentos.
As migrações são no presente o principal factor a influenciar a variação das populações dos países desenvolvidos,
devido aos diminutos saldos naturais alcançados, e Portugal como se mostrou não é excepção. A quantificação
do fenómeno torna-se, assim, cada vez mais premente11.
As entradas provenientes do estrangeiro têm duas componentes, uma a de indivíduos com nacionalidade
estrangeira e outra de indivíduos com nacionalidade portuguesa, normalmente designados como regresso de
emigrantes. Segundo os Censos 2001, confirma-se que esta última componente continua a ser relevante e
atinge cerca de 60% do total dos indivíduos recenseados em Portugal e que declararam residir no estrangeiro
em 1995, perde peso e corresponde a 51 % das entradas ocorridas posteriormente a 1999. Estas duas populações,
de nacionalidade portuguesa e estrangeira apresentam estruturas por sexo e idades diferentes e
A população estrangeira com autorização de residência em Portugal no final do ano de 2005 ascendia, segundo
o Serviço de Estrangeiros e Fronteiras do Ministério da Administração Interna (SEF/MAI), a 275 906 indivíduos,
(números provisórios), ou seja uma variação positiva de 4,7% comparativamente ao ano anterior, e inferior à
registada de 2003 para 2004 (5,3%). Esta população situava-se, sobretudo, na faixa etária correspondente à
população em idade activa.
11
Sobre esta temática ver MAGALHÃES, Maria da Graça ”Migrações Inter NUTS II e Projecções Regionais de População
Residente” no número 34 da Revista de Estudos Demográficos (RED).
12
Sobre esta temática ver Maria I. Baganha, José Carlos Marques e Pedro Góis” Imigrantes de Leste em Portugal” no número 38
da RED
62
Quadro12
Quadro 12
Total 207 587 223 997 238 929 249 995 263 353 275 906
Homens 118 271 125 958 132 663 137 607 143 369 148 700
Mulheres 89 316 98 039 106 266 112 388 119 984 127 206
Europa 61 678 67 127 72 229 77 124 83 656 88 560
Alemanha 10 385 11 167 11 878 12 539 13 098 13 571
Bélgica 2 115 2 278 2 434 2 552 2 656 2 742
Espanha 12 229 13 645 14 599 15 281 15 874 16 383
França 7 193 7 817 8 377 8 841 9 249 9 602
Itália 3 030 3 380 3 771 4 185 4 569 4 816
Moldávia 15 45 97 270 1 047 1 374
Países Baixos 4 075 4 460 4 812 5 102 5 349 5 640
Reino Unido 14 096 14 953 15 903 16 860 17 977 18 966
Roménia 369 508 615 764 1 212 1 556
Rússia 519 596 699 858 1 151 1 335
Suécia 1 235 1 317 1 371 1 405 1 457 1 496
Suiça 1 363 1 407 1 472 1 555 1 616 1 662
Ucrânia 163 203 299 525 1 523 2 070
Outros Países Europa 4 891 5 351 5 902 6 387 6 878 7 347
África 98 769 107 309 114 399 117 954 121 638 125 934
Angola 20 416 22 751 24 782 25 616 26 520 27 697
Cabo Verde 47 093 49 845 52 223 53 434 54 806 56 433
Guiné Bissau 15 941 17 791 19 227 20 041 20 583 21 258
Moçambique 4 619 4 725 4 864 4 916 4 955 5 074
S. Tomé e Príncipe 5 437 6 304 6 968 7 279 7 829 8 274
Total dos Palp 93 506 101 416 108 064 111 332 114 693 118 736
Outros Países África 5 263 5 893 6 335 6 668 6 945 7 198
No que se refere às regiões de origem, constata-se que a grande maioria dos estrangeiros continua a ser de
origem africana e de língua portuguesa (PALP), proporção que aumentou sempre nos anos noventa para se
situar em 45,6%, em 2005. A população cabo-verdiana (20,5%) constitui a parte mais significativa da população
estrangeira com residência legalizada em Portugal, tendo, no entanto, perdido importância relativa, face a 1990
(menos 8 pontos percentuais), à semelhança da moçambicana (menos um ponto percentual). Ao contrário, os
imigrantes com nacionalidade angolana cresceram de 4,9% para 10,0% e os guineenses de 3,7% para 7,7%.
Os nacionais de São Tomé e Príncipe revelem uma tendência em alta, de 1,9 % para 3,0%, no mesmo período,
mas em número substancialmente inferior às nacionalidades mais relevantes.
Da Europa tiveram origem 32,1% dos indivíduos estrangeiros a residir legalmente em Portugal em 2005,
representando uma variação positiva de 6% face ao ano anterior. Este acréscimo resulta do aumento dos fluxos
provenientes dos países do leste europeu, em especial; da Ucrânia; Moldávia; Rússia e Roménia13.
Do conjunto dos países da UE, o Reino Unido (6,9%), Espanha (5,9%) e Alemanha (4,9%) assumem as posições
mais importantes, mantendo os mesmos valores nos últimos anos. Os nacionais do Brasil subiram 30 % entre
1990 e 2005 e são responsáveis pela maioria dos residentes estrangeiros provenientes da América Central e do
Sul. A Ásia ganha importância no conjunto da população estrangeira legalizada e atinge os 4,7% em 2005,
Do total da população estrangeira com residência legalizada em Portugal, em 2005, 53,9% eram indivíduos do
sexo masculino e 46,1% do sexo feminino contra 54,4% e 45,69% no ano anterior continuando o atenuar da
sobre representatividade masculina. A relação de masculinidade é particularmente elevada entre a população de
nacionalidade africana, na qual por cada 100 mulheres residentes em Portugal existem 131 homens. O rácio é
mais equilibrado entre a população europeia (110 homens por 100 mulheres). Dentro dos países da UE o número
de mulheres excedia o de homens nas nacionalidades espanhola (103), a que se juntam as mulheres com
nacionalidade brasileira (114) e outros países da América Central e do Sul, embora não muito expressivos em
termos de efectivos. A relação de feminilidade tem vindo a subir, facto que indicia ou o intensificar da entrada de
mulheres na situação de imigrantes ou por motivo de reagrupamento familiar.
Devido à intensidade do fenómeno imigratório em situação irregular realizaram-se duas operações de legalização
extraordinária, em 1992 e em 1996, que originaram a legalização de 39 166 e 35 082 cidadãos estrangeiros,
respectivamente. Em ambas as operações a maioria dos pedidos, cerca de 70% pertenceu aos nacionais dos
países de língua portuguesa (PALP) e dentro desta predominou a nacionalidade angolana, embora tenham
perdido peso entre uma e outra.
Ainda, e de acordo, com a informação do SEF, em 2005, foram prorrogadas 93 391 autorizações de permanência
e 46 637 vistos de longa duração nos quais se incluem as categoria de trabalho, estada temporária e estudo.
No que se refere à emigração, os problemas em quantificar os fluxos agravaram-se em 1988 quando foi extinto
o Passaporte de Emigrante14 e com a adesão à União Europeia, devido à livre circulação de pessoas nas
fronteiras e com o acordo de Shengen celebrado em 1999.
Na emigração portuguesa destacam-se algumas fases de evolução. Uma, que regista o primeiro grande surto
emigratório da história contemporânea portuguesa, sobretudo para o Brasil, e que se localiza entre 1911 e 1920
atingindo o valor máximo em 1912; outra, de maior intensidade e que corresponde ao grande ciclo de emigração
portuguesa para a Europa, ocorre durante a guerra colonial, situa-se entre 1962 a 1973, e origina a diminuição da
população portuguesa durante este período. Ambas as fases têm subjacentes saídas de carácter permanente
ou seja, por períodos iguais ou superiores a um ano. A partir do final dos anos oitenta, a emigração portuguesa,
assume alguma expressão, mas prevalecem os fluxos de carácter temporário, ou seja por período inferior a um
ano, situação que, segundo se estima, tenha tido continuidade no início do presente século15.
13
Decreto-lei 438/88
14
Sobre esta temática ver Moreira, Humberto “Emigração Portuguesa (Estatísticas retrospectivas e reflexões temáticas)” no
número 38 da RED
15
A informação para 2004 e 2005 não está disponível.
64
Adoptando uma média das correntes emigratórias permanentes e temporárias deduzida do Inquérito ao Movimento
Migratório de Saídas (IMMS) realizado pelo INE, pode apontar-se para um total de 118 080 saídas no período de
1994-200316, valores muito afastados dos verificados nos anos sessenta e início dos setenta do século vinte,
quando só num ano se atingiu aquele quantitativo.
Quantificar os fenómenos migratórios é uma tarefa difícil, tendo em conta a livre circulação no âmbito da
comunidade europeia. Alguns especialistas na matéria defendem que os fluxos de entrada e saída no espaço
comunitário não devem ser considerados como fluxos migratórios. Este foi também o entendimento dos franceses17
com a lei de 26 de Novembro deixaram de conseguir captar o número de estrangeiros residentes em França, na
medida em que a referida lei não obriga os indivíduos provenientes do espaço económico e da Suiça a terem um
título de residência. No momento em que o saldo migratório assume uma relevância enorme no crescimento da
população devido à tendência para zero do saldo natural torna-se mais premente ainda a sua quantificação.
A pirâmide de Portugal evidencia a forte queda de fecundidade, com reflexo nas idades jovens, e o significativo
aumento da esperança de vida, bem visível no alargamento das idades avançadas.
Figura 11
Figura 11
Idade Média 90
Idade Média
2001 = 38,1 anos 85
2001 = 40,9 anos
2005 = 39,0 anos 80
2005 = 41,9 anos
75
70
65
60
55
50
45
40
35
30
25
20
15
10
5
0
1,2 1,0 0,8 0,6 0,4 0,2 0,0 0,0 0,2 0,4 0,6 0,8 1,0 1,2
16
Population, Numéro 4, 2006; “L´évolution démographique Récente en France” P.P.395, INED ; Paris´
17
INE (2003) Projecções de População Residente, 2000-2050, Lisboa.
Os ganhos alcançados em termos de esperança de vida induziram o aumento da idade média da população em
cerca de 3,3 anos, que passou de 35,5 anos em 1991, para 39,0 anos, em 2005, nos homens, e de 38,2 anos
para 41,9 anos nas mulheres. O cálculo da idade mediana permite eliminar os efeitos das idades extremas e
estima-se, em 2005, em 37 anos para os homens e 40 anos para as mulheres.
Os desequilíbrios entre os efectivos masculinos e femininos nas idades avançadas, consequência da desigualdade
perante a morte, anteriormente analisada, estão bem marcados no desenho da pirâmide.
O aumento conjuntural da natalidade verificado nos útimos cinco anos do século passado é notório nas gerações
mais novas mas revelou-se insuficiente para compensar o declínio da percentagem de jovens na população. Na
realidade, os efeitos da queda da fecundidade são bastante duradouros e difíceis de recuperar e estão bem
expressos na redução da população jovem, que em 1995 tinha um peso relativo na população total de 17,5%,
em 2000 de 16,0 % e em 2005 apenas de 15,6 %.
A população em idade activa dos 15-64 anos, que cresceu ligeiramente de 1995 para 2000, como efeito da
imigração masculina ocorrida no período, inverteu a tendência entre 2000 e 2005 e perdeu importância relativa,
passando de 67,6% e 67,3 % respectivamente. Dentro da população em idade activa ou adulta, ressaltam duas
A população idosa, ou seja, igual ou superior a 65 anos, representava em 1995, cerca de 15,0 %, (16,4% em
2000) reforçou essa posição aumentando continuamente até atingir os 17,1% em 2005. Esta faixa etária em
2004, último ano para o qual se conhece a informação do Eurostat, ultrapassa a média estimada para UE25
(16,5%,). Dentro da população idosa, o crescimento é mais forte nos idosos mais velhos.
O envelhecimento está bem evidenciado na evolução do peso relativo da população com 75 ou mais anos que
subiu 6,8 % em 2000 para 7,5%.em 2005. A tendência é mais acentuada entre as mulheres (8,1 % em 2000 e
9,0 % em 2005). A população desta faixa etária representa quase metade da população idosa.
A proporção dos mais idosos (80 ou mais anos) na população idosa em 2005 eleva-se a 22,9 % sendo 19,5%
nos homens e 25,4 % nas mulheres expressando o fenómeno da sobremortalidade masculina, contra 19,4% e
25,2%, respectivamente para homens e mulheres, no ano anterior.
A estrutura etária da população portuguesa resulta das diferentes evoluções dos movimentos natural e migratório
ao longo do período em observação, traduzida em uma nova distribuição dos grupos etários, com um número de
pessoas idosas superior ao número de jovens, e está bem reflectida nos indicadores demográficos normalmente
apresentados para medir o envelhecimento. Em 2000 por cada 100 jovens com menos de quinze anos havia
cerca de 102 idosos, em 2004 o rácio eleva-se para 110 idosos.
66
Quadro13
Quadro 13
Estrutura por idades da populaçäo residente(%) e índices resumo, por sexo, Portugal, 1995-2005
População com 0 - 14 anos 17,5 16,0 15,9 15,8 15,7 15,6 15,6
Homens 18,6 17,0 16,8 16,8 16,7 16,6 16,5
Mulheres 16,5 15,1 15,0 14,9 14,9 14,8 14,7
População com 15 - 64 anos 67,5 67,6 67,6 67,5 67,4 67,3 67,3
Homens 68,5 68,9 68,9 68,8 68,8 68,7 68,7
Mulheres 66,6 66,5 66,4 66,3 66,2 66,1 66,0
População com 65 ou mais anos 15,0 16,4 16,5 16,7 16,8 17,0 17,1
Homens 12,9 14,2 14,3 14,4 14,5 14,7 14,8
Mulheres 16,9 18,4 18,6 18,8 18,9 19,2 19,3
População com 75 ou mais anos 5,9 6,8 6,9 7,0 7,2 7,3 7,5
Homens 4,5 5,3 5,5 5,6 5,6 5,8 5,9
Mulheres 7,1 8,1 8,3 8,4 8,6 8,8 9,0
População com 80 ou mais anos 3,1 3,4 3,5 3,6 3,7 3,8 3,9
Homens 2,2 2,5 2,6 2,6 2,7 2,8 2,9
Mulheres 3,9 4,3 4,4 4,5 4,6 4,7 4,9
Índice de dependência total 48,2 47,9 47,8 47,7 47,6 47,8 48,0
Homens 46,1 102,2 104,2 105,5 106,8 108,7 110,1
Mulheres 50,2 83,6 85,1 86,1 87,2 88,7 89,7
Índice de dependência jovens 25,9 23,7 23,5 23,4 23,3 23,2 23,1
Homens 27,2 24,6 24,4 24,4 24,3 24,1 24,0
Mulheres 24,7 22,7 22,6 22,5 22,5 22,4 22,2
Índice de dependência idosos 22,3 24,2 24,5 24,7 24,9 25,3 25,4
Homens 18,9 20,6 20,8 21,0 21,1 21,4 21,5
Mulheres 25,5 27,7 28,0 28,3 28,6 29,0 29,3
Índice de envelhecimento 85,8 102,2 104,2 105,5 106,8 108,7 110,1
Homens 69,6 83,6 85,1 86,1 87,2 88,7 89,7
Mulheres 102,9 121,8 124,2 125,8 127,5 129,8 131,5
Índice de longevidade 39,0 42,0 42,3 42,6 43,1 43,85 25,4
Homens 35,1 38,2 38,5 38,8 39,2 39,94 21,5
Mulheres 41,8 44,6 45,0 45,4 45,9 46,67 29,3
Fonte: Estimativas de População Residente aferidas com os resultados definitivos dos Censos 2001, tendo em conta os erros de cobertura dos Censos
1991 e 2001 e Estatísticas Demográficas.
A proporção é mais elevada no caso das mulheres devido à maior longevidade que possuem e anteriormente
referida. O indicador subiu de 122 idosas por cada 100 jovens em 2000, para 132 em 2005. Desde 1995 que
as mulheres idosas ultrapassam em número as mulheres jovens.
Figura 12
Figura 13
Figura 12
Figura 13
Taxa
[-2.09 ; -0.23[
[-0.23 ; 0.00[
0 40 80 Km [0.00 ; 1.46[
[1.46 ; 3.37]
A relação entre a população em idade activa (15-64 anos) e a população dependente (com menos de quinze
anos e com 65 ou mais anos) está expressa no índice de dependência total que se manteve nos 48
dependentes em 1995 e em 2005. Este indicador contém duas evoluções opostas; uma descendente, a do
índice de dependência de jovens que passou de 26 jovens a cargo para 23, no período e reflecte a baixa
natalidade, e outra ascendente que se traduz num aumento do índice de dependência de idosos de 24 para
25, resultante do aumento da esperança de vida em idêntico período. O índice de dependência de idosos
não cessa de aumentar e resulta sobretudo da acentuada queda de fecundidade, pois os ganhos no campo
da mortalidade observam-se em todas as idades e em especial na mortalidade infantil.
O índice de envelhecimento, que compara a população com 65 e mais anos com a população de idade
inferior a 15 anos, assume diferentes evoluções demográficas a nível regional e é na Região Autónoma dos
Açores que se encontra o valor mais baixo, consequência do facto de esta região só muito recentemente
ter deixado de assegurar a substituição das gerações. O índice varia assim, em 2005 de 63 idosos por cada
100 jovens na Região Autónoma dos Açores a 184 idosos por cada 100 jovens no Alentejo. São as zonas
onde a natalidade é mais elevada que têm os menores rácios.
O nível de envelhecimento de uma região reflecte a evolução das taxas de crescimento natural e migratório,
na sua componente interna e externa. Da análise das figuras 12 e 13 facilmente ressalta que as manchas
correspondentes às taxas de crescimento natural mais negativas e às taxas de crescimento migratório
mais fraco, coincidem com os níveis de envelhecimento mais fortes.
As projecções de população residente assentes nos resultados definitivos dos Censos 2001 e nas tendências
das variáveis demográficas apontam para um decréscimo da população residente, qualquer que seja o
cenário escolhido18.
O cenário base conjuga subidas graduais dos níveis actuais de fecundidade e de esperança de vida com
saldos migratórios sempre positivos com tendência para se reduzirem e tornarem constantes e iguais a 10 000
indivíduos por ano, a partir de 2009.
Figura 14
Figura 14
11000
2034 - ISF =1,6
10500
10000
Fonte: INE, Estimativas Definitivas de População Residente Intercensitárias, 1991-2000 e Projecções da População Residente, 2000-2050
Prevê-se que a população residente em 2045 diminua para 9 585,5 milhares de indivíduos, número bastante
inferior ao de 1995. A proporção de população jovem reduzir-se-á a 13,0% e a população idosa aumentará para
30,7% agravando-se assim o processo de envelhecimento da população portuguesa bem expresso no índice de
envelhecimento de 236 idosos por cada 100 jovens.
Mesmo num cenário de fecundidade alta, com um índice de fecundidade a atingir 1,92 criança por mulher a
população situar-se-á em 10 208,8 milhares de indivíduos, a população idosa aumentará mais moderadamente
(29,1%) e o índice fixar-se-á em 189 idosos por cada 100 jovens.
Esta evolução demonstra que a imigração pode retardar o envelhecimento demográfico, dada a maior juventude
da sua população, mas não o resolve.
18
INE (2003) Projecções de População Residente, 2000-2050, Lisboa.
70
Conclusões
Confirma-se o atenuar do crescimento contínuo da população residente observado desde o final do século XX.
A dinâmica do crescimento da população residente em Portugal no período 2000-2005 caracteriza-se pela forte
redução do saldo natural, que se tornou praticamente nulo, provocada pela queda da natalidade e pelo acréscimo
importante da mortalidade, em particular no último ano. Paralelamente, assiste-se ao atenuar dos fortes saldos
migratórios positivos, consequência do declínio das correntes migratórias de entrada e do aumento das de
saída.
A fecundidade permanece muito fraca, com um nível bastante inferior ao exigido para substituir as presentes
gerações de pais, ou seja, cerca de 2,1 crianças por mulher. Neste campo, dois países da Europa do Sul a
Espanha e a Grécia revelam níveis inferiores ao de Portugal.
A esperança de vida conhece ganhos significativos, sobretudo entre os homens, diminuindo a diferença da vida
média entre homens e mulheres. No entanto, o indicador continua a não ser favorável tanto para homens como
para mulheres no contexto da média comunitária.
O declínio da mortalidade infantil, a maior acessibilidade a métodos contraceptivos seguros, a entrada da mulher
na vida activa, a dificuldade em conciliar vida familiar, profissional e pessoal, são factores decisivos para ter
filhos, e no seu espaçamento. O ingresso tardio dos jovens no mercado de trabalho, devido à maior escolarização,
e consequente dependência das gerações mais novas às mais idosas, a dificuldade no acesso à habitação são
eventualmente condicionantes importantes na escolha do número de filhos a ter. Por outro lado, a criação do
sistema de segurança social e os esquemas de pensões de reforma separaram a função de procriar da de
sustentar os pais na velhice.
Nascem cada vez menos crianças, os filhos dos imigrantes ganham peso no número anual de nascimentos, o
filho único é a opção predominante, a proporção de nascimentos com coabitação dos pais eleva-se, os pais são
mais velhos e escolhem com maior frequência a união de facto como forma de conjugalidade, e divorciam-se
mais. A maternidade depois dos trinta é mais frequente e a das adolescentes mantém-se elevada, apesar de se
ter reduzido substancialmente. No que se refere ao padrão da fecundidade,
O sentido que os fluxos migratórios apresentarem no futuro determina a variação positiva ou negativa da população
e o maior ou menor grau de envelhecimento demográfico, pois a permanência da fecundidade a níveis inferiores
ao da substituição das gerações parece irreversível.
A entrada de imigrantes pode atenuar o envelhecimento devido à sua estrutura etária se concentrar nas idades
activas. No entanto, deve ter-se presente que o efeito imigratório sobre a composição de idades da população é
mais modesto do que a baixa da fecundidade, pois os imigrantes tendem a adoptar os padrões de fecundidade
e mortalidade das sociedades de acolhimento, e eles próprios envelhecem. A predominância masculina nos
fluxos de entrada tem enfraquecido recentemente.
As projecções disponíveis no INE apontam para a diminuição da população e para a progressão do fenómeno do
envelhecimento, mesmo na hipótese de os níveis de fecundidade aumentarem e os saldos migratórios continuarem
positivos.
O envelhecimento demográfico e a imigração permanecem como os grandes desafios que a sociedade portuguesa
enfrenta e para os quais tem que encontrar respostas de modo a promover a igualdade de oportunidades para
todos.
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SAUVY, Alfred (1984), La Population, Que sais-je ? , 14ª edição, Presses Universitaires de France, Paris.
72
Anexo 1
População
NUTS II - Decreto Lei nº 244/2002
2000 2005
* Estas NUTS incluem as seguintes alterações posteriores: a criação dos municípios de Vizela( 15/09/1988),Odivelas e Trofa( 14/12/1998)
bem como a passagem da NUTS IIIMédia Tejo para o Alto Alentejo( 08/091999)
Fonte: INE, Estatísticas Demográficas e Estimativas Provisórias da População, 2005,
Anexo 2
15-49 41,75 41,54 38,30 37,36 46,42 39,26 51,01 47,67 43,93
Fecundidade Total 1,41 1,40 1,30 1,27 1,54 1,37 1,75 1,59 1,47
15-19 18,96 18,22 16,50 14,95 22,17 21,57 24,77 35,39 25,29
20-24 47,61 46,91 44,55 40,96 52,92 47,74 67,06 65,41 53,57
25-29 84,27 84,11 80,32 82,00 88,19 82,94 105,78 94,24 80,59
30-34 85,27 85,46 78,60 80,38 96,51 85,24 99,87 81,00 82,09
35-39 37,62 37,55 33,13 34,99 46,36 32,68 42,76 34,31 42,93
40-44 7,41 7,35 6,60 6,31 9,46 6,21 8,56 7,75 9,40
45-49 0,45 0,45 0,41 0,32 0,56 0,43 0,84 0,39 0,48
15-49 41,75 41,54 38,30 38,25 47,90 40,29 51,01 47,67 43,93
Fecundidade Total 1,41 1,40 1,30 1,30 1,58 1,38 1,75 1,59 1,47
* Estas NUTS incluem as seguintes alterações posteriores: a criação dos municípios de Vizela( 15/09/1988),Odivelas e Trofa( 14/12/1998)
bem como a passagem da NUTS IIIMédia Tejo para o Alto Alentejo( 08/091999)
Fonte: INE, Estatísticas Demográficas e Estimativas Provisórias da População, 2005, (cálculo das autoras).
Anexo 3
Indicadores
NUTS II - Decreto Lei nº 244/2002
Nascimento de um Filho Nascimento do 1º Filho
Fonte: INE, Estatísticas Demográficas e Estimativas Provisórias da População, 2005, (cálculo das autoras).
* Estas NUTS incluem as seguintes alterações posteriores: a criação dos municípios de Vizela( 15/09/1988),Odivelas e Trofa( 14/12/1998)
bem como a passagem da NUTS IIIMédia Tejo para o Alto Alentejo( 08/091999)
Anexo 4
Indicadores
NUTS II - Decreto Lei nº 244/2002 Idade média ao casamento Idade Média ao 1º casamento
Homens Mulheres Homens Mulheres
Fonte:INE, Estatísticas Demográficas e Estimativas Provisórias da População, 2005, ( cálculo das autoras).
74
Anexo 5
Taxas Brutas de Nupcialidade e divorcialidade ( por mil habitantes), NUTS II, 2005
Indicadores
NUTS II - Decreto Lei nº46/89 *
Taxa bruta de Nupcialidade Taxa bruta de Divorcialidade
Indicadores
NUTS II - Decreto Lei nº 244/2002
Taxa bruta de Nupcialidade Taxa bruta de Divorcialidade
Fonte:INE, Estatísticas Demográficas e Estimativas Provisórias da População, 2005, (cálculo das autoras).
Anexo 6
Esperança média de vida (anos), por sexo, NUTS II, 2004- 2005
Lisboa e Vale
Portugal Continente Norte Centro Alentejo Algarve R. A. Açores R. A. Madeira
Idades do Tejo
H M H M H M H M H M H M H M H M H M
0 74,9 81,4 75,1 81,5 75,3 81,6 75,5 81,8 74,9 81,5 74,5 81,3 74,1 80,9 70,8 78,4 69,3 78,2
1 74,2 80,7 74,4 80,8 74,6 80,9 74,7 81,0 74,2 80,8 73,9 80,4 73,4 80,3 70,3 77,8 68,4 77,6
5 70,3 76,7 70,5 76,9 70,7 76,9 70,8 77,1 70,3 76,8 70,0 76,5 69,5 76,3 66,4 74,0 64,5 73,7
10 65,4 71,8 65,6 71,9 65,8 72,0 65,9 72,1 65,3 71,9 65,1 71,5 64,6 71,4 61,5 69,1 59,6 68,8
15 60,4 66,8 60,6 67,0 60,9 67,0 61,0 67,2 60,4 66,9 60,1 66,6 59,7 66,4 56,6 64,2 54,7 63,9
20 55,6 61,9 55,8 62,0 56,0 62,1 56,2 62,3 55,5 62,0 55,3 61,7 55,0 61,5 51,9 59,2 49,9 59,1
25 50,9 57,0 51,1 57,1 51,3 57,2 51,5 57,4 50,7 57,1 50,6 56,8 50,4 56,6 47,1 54,3 45,1 54,1
30 46,1 52,1 46,4 52,2 46,5 52,2 46,8 52,5 46,0 52,3 46,0 51,8 45,8 51,8 42,4 49,4 40,4 49,2
35 41,5 47,3 41,7 47,4 41,9 47,4 42,1 47,6 41,4 47,4 41,3 47,0 41,2 47,0 37,7 44,7 35,9 44,4
40 37,0 42,4 37,2 42,6 37,3 42,6 37,5 42,8 36,9 42,6 36,8 42,1 36,7 42,2 33,3 39,9 31,5 39,5
45 32,5 37,7 32,7 37,8 32,8 37,8 33,0 38,0 32,5 37,9 32,4 37,3 32,4 37,5 28,8 35,1 27,3 34,8
50 28,2 33,0 28,4 33,1 28,5 33,1 28,6 33,3 28,2 33,2 28,0 32,6 28,1 32,9 24,7 30,4 23,3 30,3
55 24,0 28,4 24,2 28,5 24,3 28,5 24,4 28,8 24,1 28,7 23,8 28,0 24,0 28,3 20,6 26,0 19,6 25,8
60 20,0 23,9 20,1 24,0 20,2 24,0 20,3 24,2 20,1 24,2 19,8 23,5 20,0 23,9 17,0 21,7 16,1 21,5
65 16,2 19,5 16,3 19,6 16,3 19,6 16,4 19,8 16,2 19,8 16,0 19,1 16,3 19,4 13,4 17,5 13,1 17,4
70 12,6 15,4 12,7 15,5 12,8 15,5 12,8 15,6 12,7 15,7 12,5 15,0 12,6 15,3 10,4 13,6 10,2 13,5
75 9,5 11,6 9,6 11,6 9,6 11,6 9,6 11,7 9,6 11,9 9,4 11,2 9,4 11,3 7,7 10,3 7,8 10,1
80 7,0 8,3 7,0 8,3 7,1 8,4 7,0 8,3 7,1 8,6 6,8 8,0 6,9 8,0 5,8 7,1 6,0 7,4
85 + 5,0 5,7 5,0 5,7 5,2 5,8 4,9 5,6 5,2 6,0 4,8 5,4 4,6 5,3 3,9 4,9 4,7 5,1
Fonte: INE, Estatísticas Demográficas e Estimativas Provisórias da População, 2005, (cálculo das autoras).
NUTS II - Decreto Lei nº 244/2002
Estas NUTS incluem as seguintes alterações posteriores: a criação dos municípios de Vizela( 15/09/1988),Odivelas e Trofa( 14/12/1998)
bem como a passagem da NUTS IIIMédia Tejo para o Alto Alentejo( 08/091999)
Anexo 7
Esperança média de vida (anos), por sexo, NUTS II, 2004- 2005
Portugal Continente Norte Centro Lisboa Alentejo Algarve R. A. Açores R. A. Madeira
Idades
H M H M H M H M H M H M H M H M H M
0 74,9 81,4 75,1 81,5 75,3 81,6 75,5 81,8 74,9 81,5 74,5 81,3 74,1 80,9 70,8 78,4 69,3 78,2
1 74,2 80,7 74,4 80,8 74,6 80,9 74,7 81,0 74,2 80,8 73,9 80,4 73,4 80,3 70,3 77,8 68,4 77,6
5 70,3 76,7 70,5 76,9 70,7 76,9 70,8 77,1 70,3 76,8 70,0 76,5 69,5 76,3 66,4 74,0 64,5 73,7
10 65,4 71,8 65,6 71,9 65,8 72,0 65,9 72,1 65,3 71,9 65,1 71,5 64,6 71,4 61,5 69,1 59,6 68,8
15 60,4 66,8 60,6 67,0 60,9 67,0 61,0 67,2 60,4 66,9 60,1 66,6 59,7 66,4 56,6 64,2 54,7 63,9
20 55,6 61,9 55,8 62,0 56,0 62,1 56,2 62,3 55,5 62,0 55,3 61,7 55,0 61,5 51,9 59,2 49,9 59,1
25 50,9 57,0 51,1 57,1 51,3 57,2 51,5 57,4 50,7 57,1 50,6 56,8 50,4 56,6 47,1 54,3 45,1 54,1
30 46,1 52,1 46,4 52,2 46,5 52,2 46,8 52,5 46,0 52,3 46,0 51,8 45,8 51,8 42,4 49,4 40,4 49,2
35 41,5 47,3 41,7 47,4 41,9 47,4 42,1 47,6 41,4 47,4 41,3 47,0 41,2 47,0 37,7 44,7 35,9 44,4
40 37,0 42,4 37,2 42,6 37,3 42,6 37,5 42,8 36,9 42,6 36,8 42,1 36,7 42,2 33,3 39,9 31,5 39,5
45 32,5 37,7 32,7 37,8 32,8 37,8 33,0 38,0 32,5 37,9 32,4 37,3 32,4 37,5 28,8 35,1 27,3 34,8
Fonte: INE, Estatísticas Demográficas e Estimativas Provisórias da População, 2005, (cálculo das autoras).
NUTS II - Decreto Lei nº 244/2002
* Estas NUTS incluem as seguintes alterações posteriores: a criação dos municípios de Vizela( 15/09/1988),Odivelas e Trofa( 14/12/1998)
bem como a passagem da NUTS IIIMédia Tejo para o Alto Alentejo( 08/091999)
.
Notas e Documentos 7 7
Estatísticas
Demográficas –
Acção desenvolvida
no âmbito do
Conselho Superior de
Estatística
E-mail: [email protected]
Resumo:
Palavras-chave:
Abstract:
The first chapter refers to the general framework of official statistics, since
the last restructuring of the National Statistical System. The second chapter
is concerned specifically with Demography statistics and the activities which
were developed during the last fifteen years, by the respective working
group. Finally, the third chapter expresses some observations about works
and expectations of individual and institutional attitude and co-operation, in
order to obtain better statistics regarding Portuguese population, structure
and movements.
Key words:
• Instituto Nacional de Estatística (INE) – Artigo 3.º – Funções exclusivas do Instituto Nacional de Estatística:
O exercício de funções de notação, apuramento, coordenação e difusão de dados estatísticos cabe
exclusivamente ao Instituto Nacional de Estatística).
• Conselho Superior de Estatística (CSE) – Artigo 8.º – Natureza: O Conselho Superior de Estatística é o
órgão do Estado que superiormente, orienta e coordena o Sistema Estatístico Nacional.
1
Dr. José da Silva Peneda.
2
Presidente do Conselho de Direcção do Instituto Nacional de Estatística, entre 1986 e 1992.
3
Estabelecimento do ensino superior público orientado para a formação de quadros técnicos superiores de estatística, incluindo
a cooperação internacional, particularmente com os países africanos de língua oficial portuguesa.
80
Esta nova Lei incentivou a produção de dados estatísticos na perspectiva dos respectivos utilizadores, quer se
tratem de entidades da administração pública central, regional ou local, quer se trate de empresas ou empresários
individuais, de instituições particulares sem fins lucrativos, de universidades, investigadores e estudantes, de
meios de comunicação social, e de tantos outros que se poderiam referenciar. Na altura, utilizou-se o lema
“saber para desenvolver”, com particular ênfase para a informação estatística como factor importante na aquisição
de conhecimento. Os princípios básicos e orientadores do Sistema Estatístico Nacional circunscrevem-se, de
um modo geral aos seguintes:
A delegação de competências encontra-se claramente expressa no Artigo 16.º da Lei n.º 6/89, de 15 de Abril.
Ao interpretar-se de forma sucinta este artigo, observa-se que o INE pode delegar funções de notação, apuramento
e coordenação de dados estatísticos noutros serviços púbicos (órgãos delegados), com o parecer favorável de
CSE, por despacho conjunto dos ministros responsáveis pelos respectivos serviços e do ministro que tutela o
INE.
CSE
SEN
Órgãos Delegados e
Outras Entidades
INE Intervenientes na
Produção Estatística
Nacional
4
Atribuições referidas no Decreto-Lei n.º 124/80, de 17 de Maio.
5
Organismos públicos que realizam operações ou outras actividades estatísticas oficiais, de forma contínua e regular, com a
respectiva aprovação técnica e o registo dos instrumentos de notação pelo INE.
82
Segundo o Plano de Actividades 2006 do INE e de Outras Entidades Intervenientes na Produção Estatística
Nacional, das 291 operações estatísticas programadas para 2006, 115 são da responsabilidade de Outras
Entidades SEN e 9 desenvolvidas conjuntamente entre o INE e Outras Entidades produtoras de estatísticas
oficiais. No contexto geral, as áreas estatísticas, onde a participação das entidades extra INE se faz mais
sentir, são a Justiça, a Educação e Formação e a Saúde e Incapacidades.
Glossário:
O Instituto Nacional de Estatística é um instituto público, dotado de personalidade jurídica, património próprio e
No âmbito das atribuições de coordenação, cabe ao Instituto Nacional de Estatística exercer as funções de
coordenação técnica das actividades estatísticas realizadas pelos os órgãos delegados ou por outras entidades
estatísticas intervenientes na produção estatística nacional. Em termos estrutura organizacional, em vigor (2006),
o INE dispõe de algumas unidades orgânicas vocacionadas para o exercício da respectiva coordenação técnica,
das quais se destacam as seguintes:
• Unidade de Relações Externas e Cooperação, no descritivo funcional desta unidade constam, entre
outras, as seguintes: “coordenação das relações com as entidades com delegação de competências e
com outras entidades intervenientes na produção estatística oficial”; “coordenação de acções de
cooperação entre o INE e outras instituições das Administrações Públicas, designadamente no que se
refere à execução de operações estatísticas especiais, assegurando a articulação interna das actividades
que lhes estão associadas”; “promoção de acções de melhoria das relações de cooperação, decorrentes
de processos de avaliação do grau de satisfação das instituições da Administração Pública”.
• Unidade de Planeamento e Controlo, relativamente às funções de coordenação extra INE: “gere o
planeamento estratégico e operacional, preparando os respectivos planos, e elabora os relatórios
referentes às actividades realizadas pelo INE e pelas outras entidades públicas intervenientes na produção
estatística oficial”.
• Departamento de Metodologia Estatística, unidade orgânica com um papel relevante na coordenação
estatística, que sucinta e seguidamente se transcrevem: “coordenar a actividade de desenvolvimento
técnico e científico no domínio das metodologias estatísticas e apoiar horizontalmente as unidades
orgânicas do INE, bem como as restantes entidades do SEN responsáveis pela produção, difusão e
análise de dados estatísticos oficiais”; “assegurar a gestão permanente do Sistema de Metainformação
do SEN, nomeadamente no que se refere a Conceitos, Nomenclaturas, Fontes Estatísticas, Variáveis e
Metodologias com vista à respectiva harmonização e integração no plano técnico”; “certificar os aspectos
técnicos das operações estatísticas do SEN, submetidas pelo INE ou outras entidades intervenientes
na produção estatística nacional”; assegurar a gestão e análise das classificações para uso do SEN,
desenvolvendo as acções necessárias a sua aprovação pelo CSE”.
• Departamento de Recolha da Informação, na esfera específica da coordenação técnica e externa, este
departamento do INE dispõe da seguinte competência: “promover a adopção, nas regiões autónomas e
órgãos delegados do INE, de normas, procedimentos e práticas de recolha harmonizados”.
O Conselho Superior de Estatística (CSE), criado pela Lei n.º 6/89, de 15 de Abril, é o órgão responsável pela
orientação do Sistema Estatístico Nacional, substituindo o anterior Conselho Nacional de Estatística (CNE). As
atribuições e competências do CSE ficam mais reforçadas, bem como se verifica uma significativa alteração na
sua composição. Além das entidades da administração pública central, o CSE passou também a integrar
entidades dos governos regionais, das associações autárquicas, de defesa do consumidor, das confederações
sindicais e patronais, das universidades e do banco central.
• Serviços Públicos
° Instituto Nacional de Estatística
° Ministério da Justiça
° Ministério da Educação
° Ministério da Saúde
° Ministério da Cultura
De acordo com esta nova dinâmica, foram constituídas no âmbito do CSE, em 1990, várias secções permanentes
ou eventuais e secções regionais. Em 20 de Novembro de 1990, pela 17ª deliberação do Conselho Superior de
Estatística, é criada a Secção Permanente de Estatísticas Demográficas e Sociais8. Em 28 de Novembro de
1997, atendendo a um conjunto de novas circunstâncias realizaram-se alguns reajustamentos na estrutura e
funcionamento do CSE. Assim, entre outras mais alterações, a 140ª deliberação do CSE, extinguiu a Secção
Permanente de Estatísticas Demográficas e Sociais e criou a Secção Permanente de Estatísticas Demográficas
e Sociais, das Famílias e do Ambiente, composta pelos seguintes representantes (composição):
° Ministério da Justiça
° Ministério da Educação
° Ministério da Saúde
° Ministério da Cultura
8
Dr. Arnaldo de Matos Lopes (já falecido), primeiro Presidente da Secção. Vogal do Conselho de Administração do INE (1989 –
1998).
86
No âmbito da reestruturação e das novas responsabilidades do Conselho Superior de Estatística, como órgão
orientador do Sistema Estatístico Nacional, resultaram novas práticas de funcionamento e uma nova estrutura
na sua composição, como já foi mencionado anteriormente. Estas novas linhas gerais de organização e das
respectivas actividades tiveram repercussões em cascata nos vários níveis de gestão e de intervenção do CSE,
tanto ao nível das secções (permanentes, eventuais ou regionais), como ao nível dos grupos de trabalho, unidades
de base no funcionamento do CSE9, constituídos para áreas estatísticas específicas, ou para outras
especializações de índole transversal, como, por exemplo, a questão do segredo estatístico.
Neste contexto, em 7 de Julho de 1993, a então Secção Permanente de Estatísticas Demográficas e Sociais
decidiu criar os seguintes grupos de trabalho (12), correspondentes às respectivas áreas estatísticas consideradas
na altura: Grupo de Trabalho sobre as Estatísticas «Formação Profissional»; «Trabalho»; «Ambiente»;
«Educação»; «Cultura»; «Saúde»; «Demografia10»; «Desporto e Recreio»; «Protecção Social»; «Ciência e
Tecnologia»; «Justiça»; «Famílias».
Actualmente, no que se refere à Secção Permanente de Estatísticas Demográficas e Sociais, das Famílias e do
Ambiente, os grupos de trabalho criados são os seguintes:
9
Os grupos de trabalho podem constituir, informalmente, subgrupos para tarefas parcelares, inerentes ao cumprimento do seu
mandato.
10
Etimologia, do grego demos (povo) + graphein (descrever). A demografia é a ciência que tem por objecto o estudo estatístico
das populações humanas, que incide sobretudo na avaliação do respectivo volume, composição, distribuição e evolução.
Como já foi anteriormente mencionado, com a implementação da nova lei de bases do SEN e a reestruturação
do INE e do CSE, iniciaram-se novas práticas de interacção institucional, no sentido de se procurar disponibilizar
informação estatística de qualidade, actualizada, voltada para as necessidades reais dos utilizadores nacionais
ou internacionais, particularmente no âmbito comunitário. Nesta perspectiva de acção conjunta e consertada
entre as entidades do Sistema Estatístico Nacional, ou seja o INE, conjuntamente com os órgãos delegados ou
outras potenciais entidades aderentes, estabeleceram como acção prioritária, na metodologia da recolha de
dados, o aproveitamento dos actos administrativos para fins estatísticos. Um dos objectivos desta medida seria,
obviamente, minimizar os custos inerentes à recolha da informação, em alternativa à realização de operações
estatísticas exclusivas para o efeito e, por outro lado, evitar a excessiva carga de inquéritos junto dos informadores.
Apesar dos avanços entretanto já realizados, quanto à integração de fontes administrativas para a produção de
estatísticas oficiais, continua ainda a existir alguma falta de sensibilidade, às vezes inclusivamente de certa
resistência, para que a função estatística seja incorporada nos procedimentos e nas metodologias de recolha
inerentes à recolha da informação dos actos administrativos.
No entanto, tendo em conta o presente enquadramento, no âmbito do CSE, nos inícios da década de 90 (século
XX), foram criados grupos de trabalho, em função das várias áreas estatísticas, que na generalidade dos casos
prestaram serviços úteis ao SEN. Por vezes, de modo excepcional, havia GT que apenas cumpriam parcialmente
os seus mandatos, mas mesmo assim não deixaram de prestar serviços úteis às estatísticas oficiais. Além
disso, é de referir também a experiência muito positiva relacionada com a generalidade dos membros dos
grupos de trabalho, na sua maior parte, adquiriram o hábito de trabalharem em conjunto e de contribuírem para
a transversalidade da função estatística por várias instituições da administração pública e entidades pertencentes
ao sector privado.
Os representantes das várias entidades nos grupos de trabalho do CSE, com particular destaque para o presidente
do grupo, têm uma notória influência na condução dos trabalhos e na concretização dos objectivos. A selecção
de cada representante, certamente que, deverá ter em conta o manifesto interesse do próprio e a sua disponibilidade
em participar, os conhecimentos profissionais adequados às respectivas áreas de intervenção, a capacidade de
desenvolver trabalho de equipa e o empenhamento de cumprir cabalmente o mandato do grupo de trabalho,
dentro do prazo estabelecido.
As origens da estatística relacionam-se com as necessidades dos estados conhecerem a dimensão das suas
populações e da respectiva evolução: crescimento, situação estacionária ou declínio. Por outro lado a demografia
procura observar, avaliar e explicar a dimensão, a estrutura e a distribuição de uma população, as mudanças que
ocorrem ao longo do tempo, e quais os factores determinantes e as consequências dessas mudanças. Estes
objectivos são indissociáveis da respectiva informação estatística.
88
Em Portugal, à semelhança do que ocorreu em outros países da Europa, a publicação de dados estatísticos
iniciou-se, igualmente, com as questões demográficas: recenseamentos da população e estatísticas referentes
aos actos do registo civil, anteriormente registos paroquiais. O Instituto Nacional de Estatística, desde a sua
fundação, em 1935, edita, com periodicidade anual, a publicação Estatísticas Demográficas11. Em Outubro de
1935, o INE publica o volume referente ao ano civil de 1933, em Maio e em Julho de 1936 são publicados os
volumes para os anos de referência de 1934 e 1935, respectivamente. É de reconhecer, não obstante os 70 anos
já passados, o esforço desenvolvido pelo INE, personificado nos seus trabalhadores, para que os dados estatísticos
referentes aos principais fenómenos demográficos fossem aceleradamente disponibilizados, tendo em conta os
primeiros passos da instituição.
Esquemas_2
Dinâmica Populacional
Natalidade
(+)
Crescimento
Natural
(+/-)
Mortalidade
(-) Dimensão,
Estrutura e
Distribuição da
Emigração População
(-)
Crescimento
Imigração
Migratório
(+)
(+/-)
Migrações
Internas
(+/-)
Tal como sucedeu com a produção de dados estatísticos sobre a Demografia, o INE desempenhou, de igual
modo, um papel de destaque nos estudos demográficos. Por portaria governamental12, Ministério das Finanças
(na altura, órgão tutelar do INE), é criado o Centro de Estudos Demográficos (CED), órgão anexo, sem quadro
próprio, ao Instituto Nacional de Estatística, que desempenhava a sua missão de forma autónoma, com
colaboradores internos e externos, estes últimos relacionados com a investigação demográfica em vários sectores
institucionais, designadamente nos círculos universitários. As matérias então propostas para estudo no CED
foram agrupadas da seguinte maneira, conforme o referido na respectiva apresentação:
11
Anuário Demográfico, título utilizado até 1966, tanto pelo INE, como pela anterior Direcção-Geral de Estatística (extinta em
1935).
12
Portaria n.º 10619, de 11 de Março de 1944.
A integração do Centro de Estudos Demográficos no INE, ao longo do tempo e nos seus vários formatos e
enquadramentos orgânicos sucessivos, desempenhou um papel de grande relevo e referência em prol da
demografia em Portugal. Ao conjugar-se a produção das estatísticas demográficas, de forma próxima e integrada,
com a análise especializada e criativa dos respectivos dados disponibilizados, fez com que houvesse resultados
muito positivos no desenvolvimento da área estatística da Demografia. No entanto, a última reestruturação do
INE, que se encontra em vigor desde 1 de Outubro de 2004, interrompeu, em termos de unidade orgânica
explícita, as actividades exercidas pelo Centro de Estudos Demográficos ou pelas unidades congéneres que
entretanto lhe sucederam.
Desde a sua fundação, uma das incumbências deste Centro relacionava-se com a elaboração de uma revista
que tornasse público e, simultaneamente, estimulasse a produção de estudos e trabalhos da parte dos seus
colaboradores. Assim, em 15 de Junho de 1945 (60º aniversário em 2005), é publicado o primeiro volume da
Revista de Estudos Demográficos (RED), cuja coordenação e apresentação coube ao Prof. Doutor António
Almeida Garrett, responsável na altura pela direcção do Centro de Estudos Demográficos. Entre os vários
redactores deste primeiro número, conta-se o Dr. Joaquim José Pais Morais13, na época um jovem quadro do
INE, com o artigo intitulado «Sobre o acerto da logística à população portuguesa», ainda hoje bastante pedagógico
em termos metodológicos.
Neste primeiro volume da RED, e em outros que lhe seguiram, há uma curiosidade que convém salientar e que
demonstra a transversalidade da revista e do seu sentido de publicitação aos trabalhos realizados sobre demografia.
Trata-se de um capítulo designado por “Bibliografia”, onde figura uma súmula de títulos editados em Portugal,
referentes em exclusivo à demografia, ou de artigos sobre este mesmo tema incluídos em outras publicações.
Segue a sugestão para que se retome esta perspectiva de conteúdo editorial em próximos números da RED.
2. 3 Actividades no período 1992 – 1993 (concertação entre produtores e utilizadores da informação estatística sobre a
Demografia)
Na nova perspectiva, resultante da actual Lei de Bases do SEN, de se desenvolver as actividades estatísticas
oficiais, orientadas para a satisfação das necessidades manifestadas pelos utilizadores e realizadas na óptica
da cooperação institucional, foi criado um grupo de trabalho14 que abrangia as várias áreas das estatísticas
demográficas e sociais. Entretanto, posteriormente, tendo em conta a grande dimensão e especificidade das
matérias e tarefas inerentes a este grupo, a Secção Permanente de Estatísticas Demográficas e Sociais optou
pela sua desagregação e a criação de vários grupos especializados, segundo as respectivas áreas estatísticas,
como mais adiante será mencionado,
13
Posteriormente exerceu as funções de Subdiretor-Geral do INE e de Director do Centro de Estudos Demográficos. Apesar de
se encontrar aposentado, há já alguns anos, continua a ser um assíduo e atento utilizador das estatísticas demográficas.
14
1ª Decisão da Secção Permanente de Estatísticas Demográficas e Sociais (DOCT/193/CSE/DS), 15 de Outubro de 1991.
90
Em termos gerais, tanto para a área da Demografia como para outras áreas relacionadas com estatísticas
demográficas e sociais, não obstante as particularidades e as adaptações de cada área, o mandato atribuído15
aos grupos de trabalho mencionados determinava, em síntese, o seguinte: “orientar e desenvolver as actividades
estatísticas no sentido da satisfação dos utilizadores nacionais e internacionais, incluindo a integração
no sistema estatístico comunitário”; “avaliar as metodologias adoptadas e os resultados obtidos que
permitam uma adequada utilização”; “proceder ao levantamento das estatísticas demográficas e sociais
no âmbito do SEN”; “propor a manutenção/reconversão/extinção das estatísticas demográficas e sociais
ou iniciar a produção de novas estatísticas”; “definir prioridades e a avaliação ou reavaliação dos recursos
necessários”.
No que se refere ao Grupo de Trabalho sobre as Estatísticas da Demografia (GTED), de acordo com o mandato
atribuído (1º), as entidades e seus representantes que constituíram este Grupo eram as seguintes:
° Instituto Nacional de Estatística (INE)16 – Fernando Casimiro, Maria José Carrilho, Humberto Moreira.
° União Geral dos Trabalhadores (UGT) – António de Dornelas Cysneiros, Paula Bernardo.
° Secretariado Técnico dos Assuntos para o Processo Eleitoral (STAPE) – Domingos Lourenço Magalhães.
° Conselho de Reitores das Universidades Portuguesas (CRUP) – Maria João Valente Rosa.
Na sequência da consolidação e da síntese dos vários contributos e propostas apresentadas, foi elaborado um
relatório final, aprovado por todas as entidades representadas em que constavam as recomendações para o
desenvolvimento das estatísticas demográficas, ventiladas segundo os fenómenos demográficos específicos.
Inclui-se também a definição das respectivas prioridades, face às recomendações feitas, bem como uma
perspectiva de conteúdos e de apresentação quanto à informação publicada nas «Estatísticas Demográficas».
No seguinte quadro enumeram-se, sintetizadamente, as recomendações do Grupo de Trabalho.
15
3ª Decisão da Secção Permanente de Estatísticas Demográficas e Sociais (DOCT/566/CSE/DS), 7 de Julho de 1993.
16
O INE encontrava-se representado por duas unidades orgânicas distintas: o Departamento de Estatísticas Demográficas e
Sociais (na óptica do produtor) e o Gabinete de Estudos Demográficos (na óptica do utilizador).
17
Presididas pelo Dr. Fernando Casimiro, director do então Departamento de Estatísticas Demográficas e Sociais do INE.
18
Excepto nos que se refere aos Censos, nomeadamente de 1991 e 2001, relativamente aos quais foram criadas pelo CSE as
respectivas secções eventuais de acompanhamento.
Tabelas_2 a 9 Seguidas
ż Filhos não comuns anteriores ao casamento: Sim (quantos do marido, quantos da mulher); Não .
Ɣ Anular as seguintes questões:
Divórcios e Separações
ż Estado civil anterior do cônjuge masculino.
ż Estado civil anterior do cônjuge feminino.
Ɣ Alterar as seguintes questões:
ż N.º de casamentos anteriores do cônjuge masculino , acrescentar: dissolvidos por viuvez ;
dissolvidos por divórcio .
ż N.º de casamentos anteriores do cônjuge feminino , acrescentar: dissolvidos por viuvez ; dissolvidos
por divórcio .
Ɣ Variáveis. Residência (concelho de origem/destino); idade; sexo; estado civil; situação na profissão;
ramo de actividade; profissão; nível de instrução; migração individual ou familiar.
2. 4 Actividades no período 2002 – 2003 [integração específica: estatísticas sobre óbitos (entre as áreas da Demografia e
da Saúde) e integração mais geral: meta-informação/conceitos estatísticos da Demografia]
Como já foi anteriormente mencionado neste texto (ponto 1. 4. 2 – Secções Permanentes), verificaram-se
alguns ajustamentos na estrutura orgânica do Conselho Superior de Estatística, nomeadamente a criação da
Secção Permanente de Estatísticas Demográficas e Sociais, das Famílias e do Ambiente e consequentemente
a extinção da Secção Permanente de Estatísticas Demográficas e Sociais. Estas medidas tiveram,
necessariamente, repercussões ao nível da estrutura dos grupos de trabalho, tornando-os mais flexíveis no
modo de funcionamento e na respectiva composição, designadamente a desagregação entre representantes
fixos e não fixos que deixou de existir.
19
Presidida pela Dra. Alda Caetano de Carvalho, actualmente Presidente da Direcção do Instituto Nacional de Estatística.
Tendo em conta as mencionadas alíneas do mandato, as entidades e respectivos representantes neste Grupo
foram as seguintes:
° Instituto Nacional de Estatística: Fernando Casimiro (Presidente do Grupo de Trabalho), Humberto Moreira,
Rita Figueiredo, Alexandra Abreu.
° Instituto Nacional de Estatística: Fernando Casimiro (Presidente do Grupo de Trabalho), Humberto Moreira.
A primeira reunião do Grupo de Trabalho realizou-se em 4 de Abril de 2002, com os representantes de todas as
entidades que compõem as alíneas a) e b) do mandato. Nesta reunião, o Dr. Fernando Casimiro, na altura
Director do Departamento de Estatísticas Censitárias e da População do INE, foi eleito para Presidente.
Relativamente à alínea a) realizaram-se mais 6 reuniões, entre 18 de Abril e 27 de Junho de 2002; quanto à
alínea b) ocorreram mais 2 reuniões. Tendo em conta que algumas das entidades estavam simultaneamente
representadas em ambas as alíneas, no sentido de se facilitar a participação e as deslocações dos seus
representantes, realizou-se uma reunião conjunta em 11 de Julho de 2002. A reunião final, relativa às duas
alíneas do mandato, realizou-se em 10 de Setembro de 2002, para a aprovação, na generalidade, do relatório
dos trabalhos desenvolvidos pelo Grupo de Trabalho sobre as Estatísticas da Demografia.
Relativamente à base de dados já existente no Instituto Nacional de Estatística, sobre os conceitos estatísticos
da área da Demografia, o GTED realizou-se uma detalhada análise e reformulação. A nova base de conceitos,
resultante do trabalho efectuado, contem os termos e as definições dos conceitos demográficos utilizados nas
operações estatísticas realizadas no âmbito do Sistema Estatístico Nacional.
No que se refere à alínea b) do mandato, como consequência da análise técnica efectuada nas reuniões do
GTED ao verbete para óbito de 28 ou mais dias e ao verbete para óbito fetal ou neonatal (crianças
nascidas vivas que faleceram com menos de 28 dias de idade) procederam-se a algumas alterações (vide
tabelas de correspondência). Na generalidade, estas alterações correspondem a uma melhor articulação entre
os certificados de óbito20 e os respectivos verbetes para óbito.
20
Certificado, da responsabilidade do médico, para confirmar, junto do Registo Civil, a declaração de um óbito, feito em impresso
de modelo fornecido pelos competentes serviços de saúde.
· Autópsia · Autópsia
· Auto lavrado pela autoridade administrativa · Auto lavrado pela autoridade administrativa
*
Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados com à Saúde – Décima Revisão, Organização Mundial de Saúde (OMS) – Centro Colaborador da OMS para a
Classificação de Doenças em Português – Universidade de São Paulo, Brasil.
Q4 – ** quando a data do falecimento é desconhecida deverá indicar a data de verificação do falecimento.
Q5 – ***os óbitos ocorridos em lares para idosos deverão ser anotados “Num domicílio”.
Q20 – ****preenchimento de todos os quesitos relativos aos pais, mesmo que eles tenham entretanto falecido.
96
Q11 e Q13 – *indique o(s) número(s) de registo(s) dos restantes gémeos. Se um ou mais gémeos foram registados noutra conservatória, indique a(s) conservatória(s).
Q19 e seguintes – **preencha todos os quesitos relativos aos pais do feto ou da criança, mesmo que estes tenham entretanto falecido.
A Secção Permanente de Planeamento, Coordenação e Difusão21 decidiu, na sua reunião de 11 de Abril de 2003,
aprovar os conceitos para fins estatísticos da área temática da Demografia, sem prejuízo da introdução de
eventuais alterações decorrentes da análise final e global com vista à harmonização, integração e exaustividade
dos conceitos definidos, nos termos da legislação do Sistema Estatístico Nacional.
2. 5 Actividades no período 2004 – 2006 (evolução das estatísticas migratórias com a exploração de dados
administrativos da população)
Análise de uma proposta de acção na área estatística das “Migrações”, com base num documento de trabalho
a apresentar pelo Instituto Nacional de Estatística.
A nova composição do GTED, de acordo com mandato atribuído, era formada pelas seguintes entidades e
respectivos representantes:
° Direcção-Geral dos Assuntos Consulares e Comunidades Portuguesas: Isabel Corado, Lubélia Gomes.
° Alto Comissariado para a Imigração e Minorias Étnicas: André Corrêa d’Almeida (substituído por Catarina
Oliveira, a partir de 29 de Setembro de 2005), Ana Braga.
As reuniões do Grupo de Trabalho sobre as Estatísticas da Demografia, relativas ao presente mandato ocorreram
entre 18 de Fevereiro de 2004 e 17 de Março de 2006, tendo-se realizado, ao todo 18 reuniões. Como se
encontra mencionado no próprio mandato do GTED, o arranque dos trabalhos iniciou-se com a análise do
documento base, apresentado pelo Instituto Nacional de Estatística, onde se descreviam as fontes, as variáveis
observadas, os métodos de recolha, bem como os dados disponíveis sobre as estatísticas migratórias. Em
simultâneo, para cada fenómeno migratório, eram dados os esclarecimentos às dúvidas colocadas pelos
participantes e, no âmbito da discussão técnica, efectuadas propostas metodológicas, como também procedendo-
se à avaliação dos dados disponíveis face às necessidades estatísticas nessas matérias. Por outro lado, competia
também ao Grupo de Trabalho delinear uma estratégia de acção no sentido de propor novas fontes com o
objectivo de melhorar e alargar a cobertura estatística aos mais variados tipos de movimentos migratórios e
stocks, ainda a descoberto.
21
253ª Deliberação do Concelho Superior de Estatística (DOCT/1122/CSE/PDC).
22
9ª Decisão da Secção Permanente de Estatísticas Demográficas e Sociais, das Famílias e do Ambiente (DOCT/1200/CSE/
DSFA).
23
Substituído na presidência do GTED, por motivo de comissão de serviço no estrangeiro, pela Prof. Dra. Gilberta Rocha, eleita
por unanimidade na reunião de 18 de Fevereiro de 2004.
98
Este desígnio encontrava-se também incluído nas Linhas Gerais da Actividade Estatística Nacional e respectivas
prioridades para o período de 2003-2007, aprovadas pelo Conselho Superior de Estatística. Neste plano das
actividades estatísticas nacionais, no domínio da População e Sociedade, uma das primeiras prioridades seria
“Desenvolver um novo modelo de estimação dos fluxos migratórios”. Tal como anteriormente mencionado, este
objectivo perspectiva a exploração de dados administrativos e o intercâmbio da informação administrativa.
24
15ª Decisão da Secção Permanente de Estatísticas Demográficas e Sociais, das Famílias e do Ambiente (DOCT/1825/CSE/
DSFA).
Migrações Internacionais
Imigração e População Estrangeira
Cooperação inter-institucional
Potenciar a informação do Sistema Integrado de Informação (SII) do SEF para fins estatísticos,
tendo em conta os seguintes procedimentos:
Direcção-Geral dos Assuntos Consulares e Comunidades Contabilizar e divulgar os dados sobre os vistos para estadas de longa duração; o registo
Portuguesas (DGACCP) e Instituto Nacional de estatístico da prorrogação dos vistos pelo SEF complementa a informação sobre os
Estatística (INE) estrangeiros, detentores deste tipo de entrada e permanência em Portugal.
Avaliar a possibilidade de utilização para fins estatísticos dos dados administrativos existentes
no ficheiro informatizado da Conservatória dos Registos Centrais, nomeadamente no que
Direcção-Geral dos Registos e do Notariado (DGRN) e
respeita à atribuição, aquisição e perda da nacionalidade portuguesa. No desenvolvimento deste
Instituto Nacional de Estatística (INE)
projecto deve também participar o Instituto das Tecnologias de Informação da Justiça (ITIJ),
entidade que assegura a gestão informática do ficheiro.
Utilização para fins estatísticos dos dados administrativos sobre contratos de trabalho de
Inspecção-Geral do Trabalho (IGT) e Instituto Nacional de cidadãos estrangeiros. Recomendação ao INE, por intermédio dos serviços regionais de
Estatística (INE) estatística dos Açores e da Madeira, de contactar com as respectivas Inspecções Regionais de
Trabalho.
Observatório da Ciência e do Ensino Superior (OCES) e Disponibilização de dados estatísticos sobre os alunos do ensino superior matriculados,
Instituto Nacional de Estatística (INE) inscritos e diplomados estrangeiros, pelo respectivo país de nacionalidade.
Recomendações ao INE
Proceder a estudos metodológicos que permitam uma utilização sistemática da informação do Inquérito ao Emprego para caracterizar a população
estrangeira face ao mercado de trabalho. Neste sentido recomenda-se ainda que proceda às diligências necessárias à implementação em 2008 do módulo
ad hoc do Inquérito ao Emprego – Migrantes e seus Descendentes, de acordo com as orientações comunitárias. O objectivo deste módulo é observar
e caracterizar de forma aprofundada, nos vários países da União Europeia, as populações migrantes, utilizando conceitos e metodologias harmonizadas.
Reforçar contactos com os seguintes organismos no sentido de se proceder à avaliação da disponibilidade e acessibilidade dos dados estatísticos por eles
produzidos ou à exploração efectiva da informação já disponibilizada:
Instituto do Emprego e da Formação Profissional/Direcção de Serviços de Estudos do Mercado de Emprego (registos de emprego e desemprego);
Ministério da Educação/Gabinete de Informação e Avaliação do Sistema Educativo (estudantes por nacionalidade);
Instituto de Gestão Financeira da Segurança Social/Divisão de Estatística (registos de segurança social);
Ministério das Finanças – Direcção-Geral de Contribuições e Impostos (registos de contribuição fiscal);
Ministério do Trabalho e da Solidariedade Social – Direcção-Geral de Estudos, Estatística e Planeamento (Quadros de Pessoal).
Estudar a viabilidade de, no próximo recenseamento da população a realizar em 2011, alargar o universo de observação aos estrangeiros residentes no
país há menos de um ano e incluir um módulo que permita conhecer outras dimensões da realidade imigratória, como por exemplo as “ segundas gerações
de migrantes” .
25
Apresentadas no relatório do Grupo de Trabalho sobre Estatísticas da Demografia e aprovadas pela Secção Permanente de
Estatísticas Demográficas e Sociais, das Famílias e do Ambiente (SPEDSFA).
100
Migrações Internacionais
Emigração
Cooperação inter-institucional
Migrações Internacionais
Integração da Informação
Recomendar ao INE que avalie a possibilidade da concepção de uma base de dados de indicadores estatísticos, que centralize a informação produzida
pelo INE e pelas entidades representadas no GTED. Esta base de dados constituir-se-á como uma fonte coerente e harmonizada de informação estatística
acessível a todos os utilizadores. Neste âmbito, e tendo como objectivo a identificação dos indicadores a integrar a base de dados, recomendar ao INE
que em articulação com:
Ɣ O Alto Comissariado para a Imigração e Minorias Étnicas (ACIME) – enquanto entidade pública com competências na área da integração dos
imigrantes e minorias étnicas na sociedade portuguesa* – proceda à identificação das dimensões associadas ao fenómeno imigratório e respectivos
indicadores, com vista ao aprofundamento do conhecimento e avaliação desta realidade.
Ɣ O Conselho de Reitores das Universidades Portuguesas CRUP – enquanto entidade agregadora da produção científica universitária – proceda à
identificação das dimensões associadas ao fenómeno migratório, nas suas vertentes emigração e imigração, e respectivos indicadores, no sentido de
melhor responder às necessidades dos utilizadores, designadamente nos domínios económico, demográfico, social e cultural.
Ɣ As entidades produtoras de dados e representadas no GTED, designadamente Serviço de Estrangeiros e Fronteiras, Direcção-Geral dos Assuntos
Consulares e Comunidades Portuguesas, Direcção-Geral dos Registos e Notariado/Conservatória dos Registos Centrais, Secretariado Técnico dos
Assuntos para o Processo Eleitoral, Observatório da Ciência e Ensino Superior e Inspecção-Geral do Trabalho, analisem e validem as dimensões
associadas ao fenómeno migratório, nomeadamente através da avaliação da possibilidade de construção dos indicadores nas áreas da respectiva
competência.
Migrações Internas
A actuação mais importante centra-se no alargamento das fontes disponíveis, particularmente aquelas que possam colmatar a desactualização da
informação no período inter-censitário.
Cooperação inter-institucional
Secretariado Técnico dos Assuntos para o Processo Procederem à análise conjunta da informação relativa ao recenseamento eleitoral no que
Eleitoral (STAPE) e Instituto Nacional de Estatística (INE) respeita às transferências (cartão de eleitor) em território nacional.
Recomendações ao INE
Proceda a estudos metodológicos que permitam uma utilização sistemática da informação do Inquérito ao Emprego para quantificar e caracterizar os
movimentos migratórios internos, nomeadamente para níveis de desagregação geográfica mais finos que a NUTS II.
Explore exaustivamente as potencialidades da informação pertinente para a medição dos fluxos internos contida nos ficheiros relativos ao registo de
Contribuição Fiscal e ao registo da Segurança Social.
Recomendar ainda um contacto mais estreito entre o INE com as Universidades Portuguesas e o Observatório da Imigração, representados no GT, com
vista a um melhor conhecimento destes fenómenos e, consequentemente, das dificuldades encontradas para a prossecução dos objectivos traçados nos
respectivos planos de investigação. Este contacto deve possibilitar a identificação, regularmente actualizada, das unidades de investigação, dos estudos
realizados e dos autores que trabalham nas várias vertentes migratórias.
A SPEDSFA recomenda ainda que, no futuro, a análise das estatísticas e indicadores sobre Migrações Internacionais, se realize tendo como
enquadramento um cenário de comparabilidade e de boas práticas internacionais.
Durante o 4º trimestre de 2006, o Instituto Nacional de Estatística apresentará à SPEDSFA um documento de avaliação do grau de exequibilidade das
recomendações constantes do Relatório apresentado pelo Grupo de Trabalho sobre as Estatísticas da Demografia.
*Conforme Decreto-Lei n.º 27/2005, o ACIME é uma estrutura interdepartamental de apoio e consulta do Governo em matéria de imigração e minorias étnicas, que tem como
missão promover a integração dessas populações em Portugal, e cooperar e coordenar acções conjuntas com os diversos serviços da Administração Pública competentes em
razão da matéria relativa à entrada, saída e permanência de cidadãos estrangeiros.
Apesar da já razoável dimensão deste artigo e do tempo já dedicado à sua elaboração, incluindo a esquematização
e o desenvolvimento do texto, a sequência cronológica dos factos mais relevantes, a pesquisa documental26, as
Um outro facto relevante e encorajador, para a elaboração deste artigo, diz respeito ao acolhimento dado a esta
iniciativa pela Dra. Leonor Pereira, Directora do Departamento de Estatísticas Sociais27, e que desde a primeira
hora me tem sido transmitido, face ao compromisso assumido com a Direcção Editorial da Revista de Estudos
Demográficos. A área estatística da Demografia, como já foi, por várias vezes, deliberadamente mencionado,
caracteriza-se como um espaço aberto, dinâmico e convergente de muitas opiniões e vontades. A RED, editada
pelo INE, desde Junho de 1945, é um bom exemplo desse tipo de procedimentos.
Em temos pessoais, dado que, uma vez mais, me foi concedido o benefício de colaborar com esta revista,
coube-me a motivada tarefa de redigir o presente artigo com base nos conhecimentos e na experiência adquirida
na minha vida profissional relacionada com as estatísticas demográficas. Estas referências tanto se enquadram
ao nível do INE, com os colegas de trabalho que compartilharam as mesmas actividades, nomeadamente os
afectos aos sistemas de informação e às metodologias, como ao nível mais geral do SEN, com os representantes
de órgãos delegados ou de outras entidades, que também partilharam com grande empenho no desenvolvimento
das estatísticas demográficas e na gradual utilização de dados administrativos para produção de estatísticas
sobre a população.
O ponto de partida para a concepção do presente artigo relaciona-se com a importância atribuída, pelo autor e
largamente corroborada por outros colegas de trabalho, quanto ao papel dos grupos de trabalho, criados no
âmbito do Conselho Superior de Estatística, na dinamização das actividades inseridas no Sistema Estatístico
Nacional. A actividade dos GT deverá, o mais possível, desenrolar-se com regularidade, em função dos mandatos
que lhes são atribuídos e na perspectiva do desenvolvimento a realizar em cada área estatística, a da Demografia
enquadra-se perfeitamente nesta perspectiva.
A regularidade das reuniões dos grupos de trabalho do CSE será, certamente, um bom contributo para melhorar
a coordenação e o desempenho, tanto das actividades da responsabilidade directa do INE, como das actividades
exercidas por outros organismos públicos na produção estatística28. A ocorrência de, pelo menos, uma reunião
anual para apresentação do plano de acções para o ano seguinte, do relatório de actividades do ano anterior e
para ponto de situação dos trabalhos em curso, ou a iniciar, contribuirá para a dinamização e a co-
responsabilização das respectivas áreas estatísticas.
As reuniões dos grupos de trabalho, bem como as das secções permanentes ou eventuais e os plenários do
Conselho Superior de Estatística definem-se como espaços privilegiados de debate, entre utilizadores e produtores,
e marcadamente contributivos para a evolução e desenvolvimento do Sistema Estatístico Nacional.
Complementarmente, as decisões e as recomendações, e respectivas prioridades de execução, devem circular
em cascata, em função da estrutura orgânica e hierárquica do CSE, mas também, obviamente do sentido
inverso, da base ao topo, este circuito da informação deve ser praticado do mesmo modo.
Uma outra questão, também relevante das actividades no âmbito do CSE, relaciona-se com o perfil profissional
dos presidentes dos grupos de trabalho, não só pelos conhecimentos relativamente à área estatística em
causa, mas também sobre a sua capacidade de liderança, dinamismo e concretização dos objectivos definidos.
A participação activa dos Presidentes e membros das Secções Permanentes ou Eventuais e dos Grupos de
Trabalho e das próprias entidades públicas e privadas que representam é fundamental para o sucesso dos
trabalhos a realizar. Não pode também deixar de ser salientado o papel do INE no desenvolvimento das actividades
estatísticas, enquanto órgão central do Sistema Estatístico Nacional e principal destinatário das recomendações
formuladas pelas Secções Permanentes ou Eventuais e pelos Grupos de Trabalho do Conselho Superior de
Estatística.
26
Referência especial aos documentos facultados pelo Secretariado do Conselho Superior de Estatística.
27
Unidade da actual Macroestrutura orgânica do INE (Ordem de Serviço n.º O/15/04, de 24 de Setembro de 2004), onde
actualmente me encontro vinculado, em termos profissionais.
28
Órgãos delegados e outras entidades intervenientes na produção estatística nacional.
102
Por último e para definitivamente encerrar o presente artigo, não quero deixar de voltar a expressar as minhas
homenagens aos trabalhadores do INE, que ao longo dos seus 71 anos de existência desta nossa instituição,
independentemente da sua categoria profissional, vivos ou já falecidos, conhecidos ou desconhecidos29, que
contribuíram ou que, presentemente, contribuem para a produção, análise e difusão das estatísticas demográficas
dentro dos parâmetros de qualidade e de actualidade dos dados disponibilizados.
Bibliografia:
Vilares, Manuel José; Manuel de Oliveira Marques; Aníbal Durães dos Santos: Sistema Estatístico Nacional –
Situação Actual e Propostas de Reestruturação. Julho de 1989. Relatório da Comissão de Reestruturação do
Sistema Estatística Nacional, nomeada pela Resolução do Conselho de Ministros n.º 48-B/86, de 25 de Junho.
Cunha, Adrião Simões Ferreira da: O Sistema Estatístico Nacional – Algumas notas sobre a evolução dos seus
princípios orientadores: de 1935 ao presente. INE/Lisboa, 1995 (ano do 60º aniversário do INE).
Decreto-lei n.º 124/80, de 17 de Maio: Criação dos Serviços Regionais de Estatística das Regiões Autónomas
dos Açores e da Madeira.
Plano de Actividades 2006 – INE e Outras Entidades intervenientes na produção estatística nacional (DOCT/
1736/CSE-2), INE, 14 de Fevereiro de 2006.
Nazareth, J. Manuel, Princípios e Métodos de Análise da Demografia Portuguesa, Editorial Presença (1ª Edição,
Lisboa, 1988).
Sousa, Fernando de, História da Estatística em Portugal – Lisboa, Instituto Nacional de Estatística, 1995.
INE, Setenta anos 1935 – 2005: O Instituto Nacional de Estatística ao Serviço da Sociedade Portuguesa. INE/
Lisboa, Maio de 2006.
29
Em analogia ao soldado desconhecido, homenageado em qualquer parte do mundo, seja em que país for.