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Red40 2007

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População e

PORTUGAL
Sociedade

B
tema

Revista de Estudos Demográficos


nº 40

Ano de edição 2007


FICHA TÉCNICA:
Título
Revista de Estudos Demográficos

Editor
Instituto Nacional de Estatística
Av. António José de Almeida
1000-043 LISBOA
Portugal
Telefone: 21 842 61 00
Fax: 21 844 04 01

Presidente da Direcção
Alda de Caetano Carvalho

Composto
DDC - Departamento de Difusão e Clientes

Capa e Composição Gráfica


DDC - Departamento de Difusão e Clientes

Impressão
DFA - Dep. Financeiro e Administrativo

Tiragem
450 exemplares

ISSN 1645-5657
Depósito legal nº: 185856/02
Periodicidade Semestral

Preço
15,00 (IVA incluído)

DIRECÇÃO EDITORIAL:
Editor Chefe:

Maria José Carrilho - Instituto Nacional de Estatística

Editores Adjuntos:
Fernando Casimiro - Instituto Nacional de Estatística
Maria Filomena Mendes - Universidade de Évora

Conselho Editorial:
Alfredo Bruto da Costa - Universidade Católica, Lisboa
Ana Nunes de Almeida - Instituto de Ciências Sociais (ICS), Lisboa
António Barreto - Instituto de Ciências Sociais (ICS), Lisboa
Fernando Casimiro - Instituto Nacional de Estatística
Gilberta Rocha - Universidade dos Açores Os pontos de vista expressos nesta publicação são da
Joaquim Manuel Nazareth - Instituto Superior de Estatística e responsabilidade dos autores e não reflectem
Gestão da Informação (ISEGI), Lisboa necessariamente a opinião do Instituto Nacional de Estatística.
Por questões de arredondamento, os totais de alguns quadros
Jorge Arroteia - Universidade de Aveiro podem não corresponder à soma das parcelas.
Karin Wall - Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da
Empresa (ISCTE), Lisboa
Leston Bandeira - Instituto Superior de Ciências do Trabalho e
Emprego (ISCTE), Lisboa
Maria Filomena Mendes - Universidade de Évora Serviço de Apoio ao Cliente 808 201 808
Maria Ioannis Baganha - Universidade de Coimbra
Maria José Carrilho - Instituto Nacional de Estatística O INE na Internet
Secretária:

Liliana Martins - Instituto Nacional de Estatística


www.ine.pt
© INE,
 Lisboa. Portugal, 2007* Reprodução autorizada, excepto para fins comerciais, com indicação da fonte bibliográfica
3

As questões demográficas têm dominado os debates públicos contemporâneos tanto


na esfera económica como na social. A baixa da fecundidade, o aumento da
longevidade, os fluxos migratórios, o acelerar do envelhecimento demográfico, os
novos modelos familiares, a igualdade de oportunidades entre homens e mulheres,
os grupos populacionais mais vulneráveis a situações de pobreza e discriminação
integram de modo directo ou indirecto a actual agenda política nacional e internacional
devido às suas consequências e aos desafios que colocam às sociedades. Os estudos
demográficos assumem assim uma importância e uma procura crescente.

Reeditada em Junho de 2002, depois de um interregno de quase dez anos, a Revista


de Estudos Demográficos (RED) tem, desde então, dois números anuais, sendo um
número temático, o do primeiro semestre, e outro generalista.

O presente número da RED aborda um conjunto de temas tais como a fecundidade


feminina e masculina segundo o nível de educação. São analisados quatro níveis de
ensino: da escolaridade: até ao 6º ano, 9 anos de escolaridade, ensino secundário e
ensino superior bem como a relação entre a intensidade da fecundidade e a
escolaridade. Apresentam-se as grandes alterações ocorridas e as esperadas nas
próximas décadas na estrutura da população portuguesa e, recorrendo a um conjunto
de indicadores, tenta-se identificar as disparidades regionais do fenómeno do
envelhecimento demográfico. Finalmente, um artigo que se pretende como referência
sistemática da RED, no segundo semestre de cada ano, que analisa a situação
demográfica do país com base na informação mais recente e destaca as mudanças
mais relevantes e os factores que as determinam. Nas notas e documentos divulga-
se um trabalho sobre o enquadramento genérico das estatísticas oficiais, desde a
última reestruturação do Sistema Estatístico Nacional, em particular na área estatística
da Demografia e das actividades exercidas, nos últimos quinze anos, pelo respectivo
grupo de trabalho constituído para o efeito.

Os nossos agradecimentos dirigem-se aos autores dos artigos que integram este
número da revista, estendem-se aos membros do Conselho Editorial e a outros
especialistas que connosco colaboraram, dando sugestões que permitiram melhorar
os trabalhos divulgados.

Maria José Carrilho

Editora Chefe

Novembro 2006
4

Índice

Artigo 1º

Fecundidade e Educação 5
Fertility and Education

Isabel Tiago de Oliveira

Artigo 2º

Envelhecimento crescente mas espacialmente desigual 21


Ageing – An increasing phenomenon with geographical differences

Maria José Carrilho e Cristina Gonçalves

Artigo 3º

A Situação Demográfica Recente em Portugal 39


The Demographic changes in Portugal

Maria José Carrilho e Lurdes Patrício

Notas e Documentos

Estatísticas Demográficas – Acção desenvolvida no âmbito do Conselho Superior de Estatística 77


Demographic statistics – Improvement action in the context of the High Council of Statistics

Humberto Moreira

Revista de Estudos Demográficos, nº 40


Ar tig
Artig
tigoo 1º_ página 5

Fecundidade e
Educação1

Fertility and Education1


Autor: Isabel Tiago de Oliveira

Instituto Superior de Ciências do Trabalho e Empresa - Departamento


de Métodos Quantitativos

Email: [email protected]

Resumo:

Esta investigação estuda a fecundidade feminina e masculina segundo


o nível de educação. São analisados quatro níveis de ensino:
escolaridade até ao 6º ano, 9 anos de escolaridade, ensino secundário
e ensino superior.

A intensidade da fecundidade mostra uma relação em U com a


escolaridade de forma bastante clara no sexo masculino e menos
nítida no sexo feminino.

Palavras Chave: Fecundidade Feminina, Fecundidade Masculina,


Educação.

Abstract

This investigation concerns men and women’s fertility in different


educational groups. Four educational groups are compared (6 years
or less, 9 years, high school and university) in the female and male
population.

Aggregate measures of overall fertility, like the TFR, show a U


relationship between fertility and education. This type of relationship
is nevertheless clearer for men’s than for women.

Key words: Female Fertility, Male Fertility, Education.

1
Nota: Gostaria de agradecer todo o apoio e acompanhamento, deste
e de outros trabalhos, dado pela minha colega Sónia Cardoso
.
7

1. Introdução

Desde há muito que a educação, em especial a educação feminina, é considerada um factor chave para perceber
a fecundidade. A perspectiva dominante aponta para uma associação entre os maiores níveis de ensino e
menores níveis de fecundidade. É uma reflexão que traduz o percurso histórico de sociedades com elevada
fecundidade e baixos níveis de escolarização para as sociedades da actualidade, caracterizadas por baixa
fecundidade e elevadas habilitações. Constitui também uma visão coerente com as assimetrias entre as grandes
regiões do globo ao nível da fecundidade e da educação. Trata-se de uma concepção estreitamente ligada à
teoria da transição demográfica, na sua versão clássica e nas suas reformulações (Notestein, 1945; Davis,
1945; Coale e Watkins, 1986), mas também apoiada nas investigações sobre os países em desenvolvimento no
período contemporâneo (Jejeebhoy, 1995; Boongarts, 2003; Cleland, 2002) e, por outro lado, sustentada nas
teorias económicas sobre a fecundidade (em especial na perspectiva de Becker, 1981).

O argumento fundamental defende que os maiores níveis de educação estão associados a um status mais
elevado, a um maior rendimento, a uma maior orientação para a carreira versus família e consequentemente a
uma maior participação feminina no mercado de trabalho o que origina maiores custos associados aos cuidados
maternos. Nos países em desenvolvimento a educação feminina traduziria igualmente uma maior ocidentalização
de valores e atitudes. A educação feminina associa-se também à maior capacidade para utilizar eficazmente os
métodos contraceptivos e à entrada mais tardia na reprodução e no casamento1.

F ecundidade e Educação
Grande parte da bibliografia actual sobre este tema estuda relações entre a educação feminina e a fecundidade
em países em vias de desenvolvimento (Jejjebhoy, 1995; Boongarts, 2003; Cleland, 2002, Kradval, 2002). Nessas
regiões os resultados são inequívocos. Quer se trate de análises agregadas (para diferenças regionais ou com
séries temporais), ou de análises com base em dados individuais (a partir dos Demographic and Health Surveys),
inevitavelmente a maior educação está ligada a uma diminuição da fecundidade.

O efeito da educação sobre a fecundidade não pode ser considerado de forma isolada, dada a estreita relação
dos níveis de educação com o rendimento, o estatuto social, o trabalho feminino, a mobilidade social entre
gerações, etc. Neste sentido, parece importante perceber a relação entre educação e fecundidade em função de
um contexto mais alargado.

Investigações recentes, sobre a relação entre a fecundidade e o trabalho feminino, mostram uma transformação
nos países ocidentais (Brewster e Rindfuss, 2000; Sleebos, 2003; Billari e Kohler, 2004). Análises com base em
dados agregados de diferentes países, mostram uma associação negativa entre fecundidade e trabalho feminino
até aos anos 80, e uma transformação desta relação a partir dos anos 90, período a partir do qual a correlação
passa a ser positiva, ou seja, na actualidade é nos países com maior taxa de trabalho feminino que se encontram
os maiores níveis de fecundidade2.

Terá também mudado a relação entre educação e fecundidade? Em termos agregados, encontra-se apenas uma
referência pontual mostrando uma correlação positiva nos anos 90 quando era negativa anteriormente
(Sleboos,2003). Mas, existe um razoável número de investigações baseadas em dados individuais
(fundamentalmente nos Fertility and Family Surveys ou inquéritos similares) em que foram encontrados efeitos
positivos, se bem que parcelares (porque se verificam apenas em algumas ordens de nascimento Kravdal, 2001;
Koppen, 2006). Encontra-se uma relação globalmente positiva, independentemente da ordem de nascimento,
entre a educação e a fecundidade, em alguns estudos na Finlândia, e na Alemanha e Áustria (Vikat, 2004; Kelly,
2005). Outras investigações apontam para uma relação positiva da educação com a fecundidade desejada
(Heiland, Prskawezt, Sanderson, 2005) e um outro ensaio revela que o ramo da educação é uma variável influente
(Hoem, Neyer, Anderson, 2006).

1
A relação entre o adiamento da fecundidade e a educação tem sido objecto de múltiplos estudos que confirmam esta
ideia. Sobokta (2004a), aponta a educação como o factor mais importante para explicar o adiamento da fecundidade na Europa,
fundamentando-se em múltiplas investigações (nomeadamente Rindfuss, Morgan e Swicegood, 1998; Blossssfeld e Huinink,
1991; Kradval, 1994; Blossfeld, 1995; Hoem, 2000; Baizan, Aassev e Billari, 2003). Sobotka aponta, em particular, o texto de
Beets (2001) onde se conclui que 50% do adiamento da fecundidade é explicado pela educação. Vários ouros estudos mostram
também um adiamento da fecundidade em função da educação (Rindfuss, Morgan e Offutt, 1996; Martin, 2000) encontrando-se
fortes relações de interdependência entre a fecundidade e a educação ao longo do ciclo de vida dos indivíduos (Blossfeld e
Huinink, 1991 e Billari e Philipov, 2004).
2
Esta hipótese de uma associação positiva entre trabalho feminino e fecundidade foi recentemente criticada, por não
contemplar outras variáveis de controlo (Kogel, 2006). Outros estudos, baseados em dados individuais, mostram uma associação
positiva entre trabalho feminino e fecundidade nos países nórdicos (Vikat, 2004).
8

Dois estudos, com base em inquéritos, revelam algumas características da fecundidade segundo a escolaridade
das mulheres em Portugal3. Os resultados do inquérito à fecundidade e família de 1997 revelam que a idade ao
nascimento é mais tardia quando aumenta a escolaridade (INE, 2001). Numa outra investigação, Cunha (2005)
analisa a descendência das mulheres segundo o seu nível de escolaridade e encontra uma diminuição da
fecundidade à medida que aumenta a educação, até atingir um mínimo no ensino secundário, assistindo-se nos
níveis de escolaridade seguintes a uma ligeira recuperação da descendência. Nesta pesquisa foi também
encontrada uma tendência para os primeiros nascimentos serem cada vez mais tardios à medida que aumenta
a educação e, em simultâneo, um maior espaçamento entre o início da conjugalidade e o primeiro nascimento.
Ainda para Portugal, é possível encontrar um outro estudo sobre a relação entre a fecundidade e a educação.
Nesta investigação Mendes, Rego e Caleiro (2006) encontram uma relação negativa entre a educação e a
fecundidade feminina, num modelo econométrico para o índice sintético de fecundidade dos concelhos portugueses
em 2001

Todas estas investigações se baseiam em duas metodologias base: correlações de dados agregados por país,
ou análises a partir de inquéritos individuais. Em nenhum dos estudos foram calculados os indicadores
demográficos típicos, como o índice sintético de fecundidade, para os diferentes grupos educacionais. Neste
trabalho, sobre Portugal, será analisada a fecundidade dos vários grupos educacionais no sexo feminino mas,
também, no sexo masculino. Serão apresentadas as curvas de fecundidade segundo a idade e os principais
indicadores de intensidade e de calendário para a população feminina e masculina com diferentes níveis de
ensino.

Para o cálculo destes indicadores foi necessário compatibilizar os dados do recenseamento e das estatísticas
demográficas. O momento estudado reporta-se ao último recenseamento (2001) que foi analisado em função
dos acontecimentos médios dos dois anos adjacentes (2000-2001)4. Trata-se da última data para a qual é
possível calcular estes indicadores para os subgrupos segundo a qualificação académica com algum rigor. Uma
outra decisão refere-se aos níveis educacionais considerados – optou-se por considerar quatro graus: até ao 6º
ano de escolaridade, 9º ano completo, ensino secundário e ensino superior5.

Os indicadores habituais, como o índice sintético de fecundidade, mostram desde há muito um declínio da
fecundidade em Portugal, tal como em outros países europeus. No início dos anos 60, o índice sintético de
fecundidade situava-se em torno dos 3 filhos por mulher e tem diminuído de forma gradual até chegar a um
patamar em torno dos 1.5 filhos, em meados dos anos 90. Desde aí os valores têm sofrido ligeiras oscilações
anuais mas parecem manter-se sensivelmente ao mesmo nível.

Esta evolução da intensidade da fecundidade foi acompanhada por diferentes tendências de evolução na idade
média ao nascimento. Entre o início dos anos 60 e meados dos anos 80 encontra-se uma diminuição do
calendário dos nascimentos ligada à diminuição dos nascimentos de ordem superior (necessariamente mais
tardios): a idade ao nascimento desce de valores em torno dos 30 anos, para cerca de 27 anos. Desde meados

3
Outros estudos, numa perspectiva mais sociológica, não definem a comparação das mulheres com diferentes escolaridades
como objectivo central. Ainda assim, apontam para algumas diferenças entre mulheres com distintos percursos escolares:
diferentes percentagens de nascimentos nas várias idades (Nunes et al., 1995), desigualdade nos tipos de contracepção
praticada (Nunes, 2002) e diferenças a nível da sexualidade (Nunes et al., 2004).
4
Consideraram-se acontecimentos médios dos anos adjacentes ao recenseamento, para esbater as flutuações anuais e
conseguir uma imagem mais consolidada deste momento (em 2000 e 2001 verificaram-se respectivamente cerca de 120 mil e
113 mil nascimentos - valores muito diferentes entre si). Nos anos que rodeiam 2000-2001 os nascimentos rondaram os 115 mil
anuais. Parece preferível utilizar os acontecimentos médios dado que se pretende perceber a situação no início desta década
e não estudar flutuações anuais. Esta opção é tanto mais necessária quanto se estudam subgrupos populacionais.
5
Existem alguns problemas na compatibilização dos níveis de educação do recenseamento, classificados pelo INE
(Qualificação Académica), com a auto-classificação feita pelos próprios indivíduos no acto do registo do nascimento. Apesar do
quadro referente à educação dos pais ter uma pergunta clara, “Nível de Instrução Completo”, há indícios de que alguns
indivíduos optem por assinalar um grau de ensino que não completaram, em especial nos níveis mais baixos de ensino (a análise
dos resultados por ordem de nascimento apontaria para intensidades de primeira ordem superiores a 1 em alguns casos). Esta
foi a razão fundamental para agregar as categorias “sem qualificações académicas”, “ensino básico 1º ciclo” e “ensino básico
2º ciclo” – desta forma, perde-se em detalhe o que se ganha em segurança.

Uma outra questão refere-se à população com ensino médio, dado que esta opção não existe como opção no formulário
de registo do nascimento. Considerou-se que os indivíduos com ensino médio se auto-classificariam com ensino superior,
porque na actualidade a maioria destes cursos é ministrado em institutos politécnicos e é considerado superior. Por precaução,
foram ensaiadas as duas soluções (agregar o ensino médio ao secundário, além da agregação com o superior, que foi a
escolhida). Os resultados mostraram que as diferenças são mínimas: quando muito, alteram a segunda decimal da intensidade
e ou a primeira decimal do calendário.

Revista de Estudos Demográficos, nº 40


9

dos anos 80 assiste-se a um adiamento constante dos nascimentos, encontrando-se actualmente a idade
média ao nascimento, novamente em cerca de dos 30 anos6. Este aumento do calendário dos nascimentos é
uma tendência nova em Portugal, mas também no resto da Europa.

Na realidade pode afirmar-se que o adiamento dos nascimentos é uma característica fundamental da fecundidade
europeia, particularmente acentuada na Europa do sul e no antigo bloco soviético (as regiões onde se encontram
índices sintéticos de fecundidade mais baixos). O adiamento é tão expressivo que é ser considerado uma das
principais características da segunda transição demográfica7. Trata-se aliás de um fenómeno que tem sido
objecto de análises comparativas em muitos países da Europa, sendo apontado o aumento da educação e da
duração dos estudos como uma das suas principais causas (Sobotka, 2004a; Kohler, Billari e Ortega, 2002;
Lesthaeghe e Willems, 1999).

2. A fecundidade das mulheres

Na figura seguinte podem observar-se as curvas de fecundidade da população feminina nos quatro grupos
considerados: escolaridade até ao 6º ano, 9º ano completo, ensino secundário e ensino superior.
Gráfico1

Figura 1

Taxas especificas por idade para as mulheres, segundo a educação

0,160

F ecundidade e Educação
0,140

0,120

0,100

0,080

0,060

0,040

0,020

0,000
- de 15 15-19 20-24 25-29 30-34 35-39 40-44 45-49

Até ao 6º ano 9º ano Secundário Superior

As curvas mostram um adiamento da fecundidade à medida que se avança na escolaridade, deixando de estar
centradas nos 20-24 anos, para se deslocarem progressivamente para os 30-34 anos quando as mulheres têm
ensino superior. Por outro lado, estas curvas parecem revelar uma área maior nas mulheres menos escolarizadas,
sugerindo maiores intensidades neste grupo.

Os indicadores de intensidade, que indicam o número médio de filhos por mulher, e os de calendário, que
apontam a idade média ao nascimento de um filho, baseiam-se na ideia de uma coorte sintética que viveria, ao

6
Em 1960 o ISF era de 3.1 e a idade média ao nascimento era 29.6 anos. Em 1995 é atingido um dos valores mais baixos
do ISF: 1.4, desde essa data verificam-se oscilações com variações em torno dos 1.4 e 1.5 filhos por mulher. Relativamente ao
calendário, o valor mais baixo é observado entre 1983 e 1986 com 27.0 anos da idade média ao nascimento dos filhos; em 2005
este valor situa-se nos 29.5 anos de idade.
7
Em conjunto com outras alterações demográficas como a diminuição do número de filhos, o adiamento do casamento, o
aumento do divórcio e da coabitação sem casamento e da importância dos filhos fora do casamento.
10

longo da sua vida fértil, os níveis de fecundidade observados num dado momento. Os valores resultantes destes
cálculos não correspondem a nenhuma geração real, mas a uma geração hipotética que seguisse estas curvas
de fecundidade durante o seu ciclo de vida.

O cálculo destes indicadores por grupos educacionais não é um procedimento standard e, por isso, levanta
algumas questões. Em rigor, seria necessário garantir a manutenção do mesmo grau de ensino durante toda a
vida fértil, para que as taxas das diferentes idade pudessem ser somadas. A ideia de constância num mesmo
grau de instrução pode ser separada em duas componentes:

1-Se um indivíduo tem um determinado nível educativo a meio da idade reprodutiva, tende a permanecer
nesse nível de ensino. Isto é geralmente verdade devido ao peso das normas sociais sobre a sequência
de fases no ciclo de vida (estudar, trabalhar, formar família e ter filhos). Na maioria das situações, o
nascimento de um filho durante os estudos leva ao abandono da escola e ao início da vida activa. Por
outro lado, se alguém tem filhos pequenos é muito difícil retomar os estudos; por isso, se um adulto
reinicia novos estudos, usualmente já terminou a sua carreira reprodutiva8.
2-Entre os 15 e os 25 anos os indivíduos são frequentemente estudantes9 e estão a mudar de nível
educacional. Nesta situação, a questão é como usar as taxas específicas de fecundidade segundo a
idade para calcular a fecundidade acumulada até ao 25º aniversário. A solução encontrada baseia-se no
conhecimento da idade média em que os indivíduos completaram os estudos, em cada um dos quatro
grupos educacionais10. Antes desta idade média considera-se que a soma das taxas específicas é zero;
depois dessa idade, somam-se as taxas pelo período correspondente à diferença entre a idade média de
completar os estudos e o final do grupo etário correspondente11e a partir daí adicionam-se as taxas
considerando a sua duração habitual de 5 anos.

Mais do que uma leitura como um valor real referente a um qualquer grupo ou geração, os indicadores resumo
mostram uma leitura sintética e conjuntural que permite perceber as diferenças, num dado momento do tempo,
da intensidade e calendário da fecundidade.

Na tabela seguinte encontram-se expressos os valores do índice sintético de fecundidade (ISF) e alguns
indicadores de calendário: a idade média ao nascimento (IMN) para a população feminina com vários níveis de
ensino.

Quadro 1

Índice sintético de fecundidade, idade média ao nascimento (todos os nascimentos e primeiro filho),
e proporção da fecundidade realizada antes e depois dos 30 anos, segundo a educação, Portugal
2000-2001
Educação ISF IMN IMN-1ºF Até aos 30 Depois dos 30

Até ao 6º ano 1.9 26.5 24.1 0.74 0.26


9º ano 1.32 29.2 27.3 0.6 0.4
Secundário 1.29 31.0 29.5 0.44 0.56
Superior 1.36 32.5 31.2 0.29 0.71
Total 1.5 28.7 26.5 0.59 0.41

Quadro 1

O índice sintético de fecundidade mostra que a intensidade da fecundidade diminui entre os dois primeiros níveis
de ensino e aumenta do terceiro para o quarto nível. São as mulheres com menores habilitações, as únicas que

8
Na prática, o censo de 2001 mostra que só 3‰ da população com idades entre os 20 e os 50 anos estava a estudar nos
dois níveis de ensino mais baixos e 5‰ no ensino secundário, a única fracção importante encontrava-se no ensino superior,
7.7%.
9
No recenseamento de 2001 a percentagem de pessoas a frequentar algum grau de ensino era de 66,9% e 75,3% no o
sexo masculino e feminino dos 15-19 anos; no grupo etário seguinte, dos 20-24 anos, as percentagens são de 29,9% e 37,8%
também para homens e mulheres.
10
Esta informação foi calculada a partir do Inquérito a Fecundidade e Família de 1997. As idades médias foram: 13.7, 18.8,
21.0 e 24.4 anos para as mulheres destes quatro grupos educacionais, e 14.1, 18.9, 21.3 e 26.0 anos para os homens nos
mesmos níveis de instrução.
11
Por exemplo, para as mulheres com grau universitário, considera-se que não tinham fecundidade até aos 24.4 anos e
estavam durante 0.6 anos submetidas à taxa anual encontrada para este grupo.

Revista de Estudos Demográficos, nº 40


11

ainda se encontram próximas do limiar de substituição de gerações. Entre o segundo e o terceiro níveis a
diminuição é tão ligeira, que faz mais sentido falar de estabilidade. A última diferença é já no sentido positivo,
isto as mulheres com ensino superior tem uma fecundidade ligeiramente superior ao grupo anterior.

Na idade das mães ao nascimento dos filhos a tendência encontrada é muito linear – quanto maior o nível de
escolaridade mais tarde as mulheres têm filhos. Considerados todos os nascimentos, independentemente da
ordem, observa-se uma diferença entre os 26.5 anos das mulheres com escolaridade até 6 anos, para 32.5 anos
quando as mulheres têm o ensino superior.

O mesmo tipo de indicador mostra que os primeiros nascimentos ocorrem em média aos 24.1 anos para as
mulheres com menos qualificações e vão sendo cada vez mais tardios à medida que as qualificações académicas
aumentam – as mulheres com ensino superior têm o seu primeiro filho em média aos 31.1 anos12.

É também possível observar que a percentagem de nascimentos que acontece antes e depois dos 30 anos13 é
muito diferente em função da educação feminina. As mulheres menos escolarizadas teriam cerca de 74% dos
nascimentos até aos 30 anos, percentagem que vai diminuindo com o aumento das qualificações, até que, no
caso das mulheres com ensino superior, cerca de 71% dos nascimentos acontece depois dos 30 anos.

3. A fecundidade dos homens

A análise demográfica da fecundidade feminina baseia-se nos nascimentos das mulheres em idade fértil (dos 15
aos 49 anos, intervalo no qual ocorreram 99.9% dos nascimentos), mas para o sexo masculino os limites são

F ecundidade e Educação
menos claros. Se considerados os limites entre os 15 e os 59 anos, estão também compreendidos 99.9% dos
nascimentos para os quais se conhece a idade do pai14.
Gráfico2

Figura 2

Taxas especificas por idade para os homens, segundo a educação

0,160

0,140

0,120

0,100

0,080

0,060

0,040

0,020

0,000
- de 15 15-19 20-24 25-29 30-34 35-39 40-44 45-49 50-54 55-59

Até ao 6º ano 9º ano Secundário Superior

12
O cálculo destas idades ao nascimento baseou-se no mesmo tipo de metodologia utilizada para o ISF e a IMN (cálculos
a partir das taxas especificas por idade, consideradas a partir da idade média em que cada grupo completou os estudos). Para
cada ordem de nascimento os cálculos são idênticos, mas com base nas taxas de segunda categoria referentes a cada ordem
de nascimento. Se fossem considerados os segundos nascimentos as idades médias ao nascimento nos grupos considerados
seriam: 28.2, 30.6, 32.4, 33.7 e 30.5 anos.
13
Trata-se dos nascimentos calculados a partir das taxas específicas por idade segundo a perspectiva da coorte fictícia.
Estas percentagens seriam diferentes se fossem calculados directamente a partir das estatísticas demográficas.
14
Na prática, o número de nascimentos para os quais não se conhece a idade do pai, 3.2%, é uma questão mais relevante
do que a importância dos que ocorrem acima dos 50 anos (0.9%). Estes nascimentos sem informação sobre o pai são, na sua
grande maioria, nascimentos fora do casamento.
12

Em primeiro lugar e tal como no sexo feminino, as curvas mostram um adiamento da fecundidade masculina à
medida que aumenta a escolaridade, mas agora as curvas deslocam-se de um centro sobre os 25-29 anos para
se centrarem nos 30-34 anos.

Estas curvas da fecundidade masculina mostram uma realidade distinta da encontrada no sexo feminino. As
curvas com valores mais elevados e também com maior área verificam-se nos homens com maiores habilitações.
Os menos escolarizados têm curvas com menor área, mas como iniciam a fecundidade muito mais cedo, a sua
intensidade vai ser relativamente mais elevada do que um primeiro olhar poderia sugerir.

No cálculo dos indicadores sintéticos para o sexo masculino existem duas diferenças. Por um lado, o somatório
das taxas específicas por idade compreende o intervalo dos 15 aos 59 anos. Por outro, foi efectuada uma
correcção no índice sintético de fecundidade para compensar os 3.2% nascimentos não considerados nas
taxas específicas15 por se desconhecer a idade do pai.
Quadro 2

Quadro 2

Índice sintético de fecundidade, idade média ao nascimento, e proporção da fecundidade realizada


antes e depois dos 30 anos, segundo a educação, Portugal 2000-2001
Educação ISF IMN Até aos 30 Depois dos 30

Até ao 6º ano 1.58 30,0 0.54 0.46


9º ano 1.35 32.1 0.41 0.58
Secundário 1.56 33.6 0.27 0.71
Superior 1.73 35.2 0.15 0.83
Total 1.5 31.6 0.42 0.57

Ao nível da intensidade da fecundidade masculina segundo a educação observamos o mesmo tipo de relação,
com os valores mais elevados do ISF nos grupos menos e mais escolarizados. Mas enquanto no sexo feminino
a intensidade das mulheres menos escolarizadas era superior à dos restantes grupos, no sexo masculino esta
diferença só ocorre face ao grupo seguinte, pois todos os outros níveis de educação têm maior fecundidade.
Aqui a curva em U desenha-se de uma forma mais nítida. Na análise da fecundidade masculina destacam-se os
homens com ensino superior, aqueles que apresentam valores mais elevados.

Relativamente à idade média ao nascimento encontra-se exactamente a mesma relação linear encontrada no
sexo feminino – quando mais elevadas as habilitações maior a média de idades ao nascimento que sobem
sucessivamente desde os 30.0 para os 35.1 anos quando se avança nas qualificações académicas.

Tal como no sexo feminino pode observar-se ainda uma diminuição da fecundidade acumulada até aos 30 anos
à medida que se avança na instrução. Apenas os indivíduos com menor escolaridade têm um pouco mais de
metade (54%) da sua fecundidade realizada até esta idade. Todos os outros níveis de ensino mostram que a
maioria dos nascimentos ocorre acima dos 30 anos. Esta tendência é de tal modo crescente com o aumento do
nível educacional, que atinge os 83% dos nascimentos quando se trata de homens com ensino universitário.

15
Sobre as taxas específicas não foi aplicado qualquer factor de correcção, dado que não se pode saber em que idades
e habilitações dos pais se concentram os dados em falta (se se aplicasse um factor igual em todas as taxas a forma das curvas
seria exactamente a mesma). Foi apenas aplicado um factor de correcção ao índice sintético de fecundidade (o ISF que foi
multiplicado por 1.032 de forma a compensar os nascimentos não considerados nas taxas).

Revista de Estudos Demográficos, nº 40


13

4. Análise comparativa: a fecundidade feminina e masculina

Uma análise comparativa permite sumariar as diferenças já apontadas. Relativamente à intensidade, no caso
feminino, as diferenças entre os níveis de educação mais baixo e todos os outros níveis é sempre negativa; no
sexo masculino tal só acontece relativamente aos escalões intermédios e é positiva no último escalão. As
diferenças entre os sexos começam por ser negativas nos níveis de habilitações mais baixos (os homens têm
menor fecundidade que as mulheres), mas à medida que a escolaridade aumenta tornam-se positivas, chegando
a uma diferença em favor do sexo masculino de aproximadamente 0.4 filhos no ensino superior16.
Quadro 3

Quadro 3

Diferenças de intensidade e calendário entre os géneros, segundo a educação,


Portugal 2000-2001
Educação ISF-Fem. ISF-Masc. Diferença IMN-Fem. IMN-Masc. Diferença

Até ao 6º ano 1.9 1.58 -0.32 26.5 30,0 3.5


9º ano 1.32 1.35 0.02 29.2 32.1 2.9
Secundário 1.29 1.56 0.27 31.0 33.6 2.6
Superior 1.36 1.73 0.37 32.5 35.2 2.7
Total 1.5 1.5 0 28.7 31.6 2.9

No calendário, tanto nos homens como nas mulheres, a evolução da idade média ao nascimento tem uma

F ecundidade e Educação
relação linear com a escolaridade. Mas as diferenças de calendário entre os mais e menos escolarizados são
maiores no sexo feminino que no masculino (5.2 v.s. 4.2 anos). Por outro lado, as diferenças de idade entre os
dois sexos no mesmo nível de ensino tendem a diminuir (de 3.5 para 2.7 anos) quando aumenta a escolaridade.
Apesar das diferenças encontradas, em termos de calendário, à medida que aumenta a escolaridade os
comportamentos femininos e masculinos tornam-se mais comparáveis.

5. Analise comparativa: a intensidade da fecundidade nos diferentes níveis


educacionais

Nos gráficos seguintes podemos observar a intensidade e calendário da fecundidade masculina e feminina.
Tanto os homens como as mulheres apresentam esta distribuição da fecundidade em U, mas é notório que a
curva é mais acentuada à esquerda no sexo feminino e mais marcada à direita no sexo masculino.

16
Esta diferença parece revelar estruturas de comportamento totalmente distintas entre os homens e as mulheres no que
respeita à reprodução. É tanto mais surpreendente se se atender à existência de alguma homogamia (56% dos nascimentos
ocorrem em pais com idênticas habilitações literárias, em 16% dos nascimentos o pai tem mais instrução que a mãe e em 28%
dos casos é a mãe que tem um maior grau de instrução).

A explicação poderá estar ligada a dois pontos. Em primeiro lugar, a feminização da educação, que leva a que os mesmos
nascimentos sejam divididos por uma maior população feminina que masculina nos níveis mais elevados de escolaridade
(baixando as taxas sobretudo nas jovens e jovens adultas). Por outro lado, as recomposições familiares, em muitos casos com
novos filhos, são mais frequentes no sexo masculino, e serão talvez mais frequentes nos grupos mais educados.
14

Gráfico3

Figura 3

Índices sintéticos de fecundidade feminino e masculino, segundo a educação

2,0

1,8

1,6

1,4

1,2

1,0

0,8

0,6

0,4

0,2

0,0
Mulheres - ISF Homens - ISF
Até ao 6º ano 9º ano Secundário Superior

No sexo masculino a curva em U é relativamente bem desenhada, com um aumento nítido da intensidade da
fecundidade à medida que se aumenta o nível educativo dos pais. Para as mulheres trata-se de um U apenas
esboçado dado que a recuperação dos níveis de fecundidade é visível, mas é de pequena dimensão (5.4%). Por
isso mesmo, valerá a pena discutir melhor esta questão.Este índice sintético de fecundidade é uma medida de
natureza transversal e, por isso, encontra-se necessariamente afectada por alterações de calendário.

Numa situação de adiamento da fecundidade, como é a actual em Portugal e na Europa, a variação da idade
média ao nascimento pode ser diferente nos vários grupos aqui comparados. O ideal seria poder comparar a
intensidade da fecundidade no final da idade reprodutiva.O Inquérito sobre Fecundidade e Família de 1997
permite a comparação da intensidade da fecundidade atingida em diversas idades nos diferentes níveis
educacionais.

Como o calendário da fecundidade depende do grupo educacional, a intensidade da fecundidade deveria calculada
numa fase tardia (depois de se manifestarem os efeitos de adiamento e de recuperação dos nascimentos). O
melhor indicador de intensidade seria a descendência final, ou seja o número médio de filhos quando as mulheres
atingiram o limite da sua vida reprodutiva. Neste caso, para se trabalhar com uma amostra de maior dimensão
e, fundamentalmente, para que os dados se refiram também a coortes mais recentes, optou-se por considerar
o número médio de filhos dos indivíduos com 40 anos ou mais.

Revista de Estudos Demográficos, nº 40


15

Gráfico 4

Figura 4

Número de filhos nascidos, para mulheres e homens com 40 ou mais anos


no Inquérito Português à Fecundidade e Família de 1997
2,5

2,0

1,5

1,0

0,5

0,0

F ecundidade e Educação
Mulheres - NMF Homens - NMF

Até ao 6º ano 9º ano Secundário Superior

O número médio de filhos, nas mulheres e nos homens com 40 ou mais anos, mostram uma primeira diminuição
seguida por uma subida da descendência, à medida que se avança no nível de escolaridade. Ou seja, os dados
do inquérito português à fecundidade apontam de forma mais nítida a referida relação em U nas mulheres e
confirmam a análise anterior para o sexo masculino.

Conclusão

Os resultados deste trabalho sobre as características da fecundidade feminina e masculina segundo a educação
são claros no que respeita ao calendário. Para o mesmo nível de ensino os homens tem filhos mais tarde do que
as mulheres; por outro lado, em ambos os sexos quanto maior é a escolaridade dos indivíduos mais elevada é
a idade média ao nascimento; por último, à medida que a escolaridade aumenta as diferenças de calendário
entre os dois sexos esbatem-se parcialmente.

Relativamente à intensidade da fecundidade parece encontrar-se uma curva em U razoavelmente bem definida
no sexo masculino, isto é, os maiores níveis de fecundidade encontram-se nos homens que ocupam as posições
extremas na escala de níveis educacionais.

Para as mulheres os resultados são menos claros. O índice sintético de fecundidade revela descidas claras nos
três primeiros níveis e sugere uma recuperação da fecundidade nas mulheres com ensino superior. Trata-se de
uma diferença relativamente pequena e por isso o U aparece apenas esboçado. Se se tentar confirmar esta
percepção a partir dos dados das mulheres que responderam ao inquérito à fecundidade, e que já se encontram
na fase final da sua vida reprodutiva, a curva sugerida anteriormente aparece de forma mais clara.

Convirá referir que este resultado é muito pouco habitual e, por isso mesmo, não é geralmente discutido nos
textos demográficos sobre a relação entre fecundidade e educação. Não é possível saber, neste momento, se
se trata de uma nova tendência ou de um resultado circunstancial. Ainda assim vale a pena discuti-lo.

A visão clássica aponta para uma relação inversa entre a fecundidade e educação, isto é quanto maior o nível de
instrução menor a fecundidade das mulheres. É uma visão profundamente enraizada na perspectiva de Becker,
sobre os maiores custos económicos da criança associados ao aumento da educação feminina, devido à maior
tendência das mulheres com maiores qualificações para trabalhar e auferir melhores rendimentos. Esta concepção
supõe a existência de um conflito entre o trabalho feminino e a maternidade. No entanto, tem-se assistido a uma
tendência crescente da participação feminina no mercado de trabalho e da inserção das crianças no ensino pré-
escolar, o que poderá levar a reequacionar esta visão tradicional.
16

Como os efeitos da educação, trabalho e rendimento estão intrinsecamente ligados, seria necessário perceber
os efeitos da educação em contextos de menor e maior prevalência do trabalho feminino e de maiores ou
menores diferenças salariais em função da educação.

É possível que as diferenças educacionais tenham um efeito negativo sobre a fecundidade, até um dado patamar
de escolaridade, porque aumentam a probabilidade das mulheres trabalharem, mas em trabalhos com poucas
diferenças salariais em função da educação. Neste caso, o aumento da educação teria um efeito sobre a
fecundidade, fundamentalmente por aumentar a probabilidade de trabalho feminino. A partir de certo nível de
escolaridade, as diferenças de nível educativo traduzem-se em aumentos do rendimento, fazendo diminuir o
custo relativo de ter um filho, tanto mais que a partir de certo nível de escolaridade a probabilidade de uma
mulher não trabalhar é reduzida. Vejamos os dados sobre trabalho feminino e salários em Portugal, em função
do nível de escolaridade17.
Quadro 4

Quadro 4

Salários médios, emprego feminino e masculino segundo o nível educativo,


Portugal 2000-2001
Salários médios Mulheres empregadas (%) Homens empregados (%)
Educação
(euros) (dos 25 aos 64 anos) (dos 25 aos 64 anos)

Até ao 6º ano 611 60 82


9º ano 770 77 88
Secundário 947 80 85
Superior 1815 87 91

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Homens Empregados – OCDE (2004), Education at a Glance, Table A10.1a – Employment Ratios and Educational Attainement (2002).

Nos primeiros níveis de escolaridade, o aumento da educação traduz-se em maiores probabilidades de a mulher
trabalhar, mas os ganhos salariais são muito limitados. A partir do ensino secundário o aumento da educação
repercute-se em aumentos do rendimento muito claros, enquanto a percentagem de mulheres que trabalha
aumenta muito menos que os salários. Assim, os dados relativos a salários e ao trabalho feminino, apontam
para a possibilidade das diferenças de fecundidade em função da educação passarem por um efeito educação-
trabalho nos níveis mais baixos de instrução e por um efeito educação-rendimento nos níveis mais elevados.

1
Em alguns casos o valor apresentado neste quadro não foi retirado directamente das fontes, porque estas apresentavam
uma maior discriminação que a desejada. Nestes casos, o salário médio e a percentagem de mulheres e homens empregados,
foi estimada a partir dos valores originais referidos pelas fontes, calculando-se a média ponderada de cada grupo educacional
a partir do peso relativo de cada nível de habilitação (com a discriminação usada nas fontes) no recenseamento de 2001 para
a população entre os 20 e os 50 anos. É o caso dos salário médio do primeiro e último grupo considerados e da taxa de
população empregada dos homens e mulheres com ensino superior. Embora fosse interessante explicitar os salários médios
para homens e mulheres em separado, os dados publicados não o permitem.

Revista de Estudos Demográficos, nº 40


17

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F ecundidade e Educação
.
Ar tig
Artig
tigoo 2º_ página 2 1

Envelhecimento
crescente mas
espacialmente
desigual

Autoras: Ageing – An increasing


phenomenon with
Cristina Gonçalves geographical differences
Instituto Nacional de Estatística, Departamento de Estatísticas Sociais

E-mail: cristina.gonç[email protected]

Maria José Carrilho

Instituto Nacional de Estatística, Unidade de Relações Externas e Cooperação

E-mail: [email protected]

Resumo

A população portuguesa continua a envelhecer mas o ritmo é diferente nas


várias regiões. Os baixos níveis de fecundidade e o aumento da esperança
de vida são as causas da intensidade do fenómeno.

No presente artigo analisam-se as grandes alterações ocorridas e as


esperadas nas próximas décadas na estrutura da população. Com recurso
a um conjunto de indicadores habitualmente utilizados para medir o fenómeno
do envelhecimento procura-se identificar as disparidades regionais que o
mesmo regista.
22

Palavras-chave:

Envelhecimento demográfico, Fecundidade, Esperança de vida, Migrações,


Disparidades Regionais.

Abstract:

The ageing process continues in the Portuguese population. The low fertility
levels and the increase of longevity are the demographic factors that explain
the intensity of the phenomenon.

This article presents the substantial changes observed in population


structures and the expected trends for the coming decades. A set of
indicators on ageing is used to identify the regional differences of the
phenomenon.

Key words: demographic ageing, low fertility, longevity, migrations, regional


gaps.

Revista de Estudos Demográficos, nº 40


23

A society for all ages encompasses the goal of providing older persons
with the opportunity to continue contributing to society.
In, UN Madrid International Plan of Action on Ageing 2002

Introdução

O presente trabalho foi desenvolvido a partir da comunicação com o mesmo título, apresentada nas Jornadas de
Desertificação e Despovoamento que decorreram entre 20 e 21 de Novembro de 2006, na Universidade Lusófona
de Humanidades e Tecnologias, em Lisboa, e pretende actualizar o artigo “Dinâmicas Territoriais do
Envelhecimento: análise exploratória dos resultados dos Censos 91 e 2001”, editado em Notas e Documentos
da Revista de Estudos Demográficos nº 36.

Envelhecimento crescente mas espacialmente desigual


Como o título indica, o objectivo é analisar a evolução de dois fenómenos que marcaram a conjuntura demográfica
das últimas décadas do século XX e com tendência para agravar no tempo presente e no futuro próximo, a saber,
o envelhecimento demográfico e, consequentemente, o despovoamento e a desertificação de algumas regiões
do país.

Assim, procura-se não só caracterizar a situação em termos de estrutura etária, realçando a contínua perda de
efectivos populacionais jovens, que equilibrem a base da pirâmide etária, a par do progressivo aumento da
longevidade populacional, evidenciando os diferentes ritmos de crescimento da população em diferentes idades.
Simultaneamente, apresentam-se as assimetrias regionais que o fenómeno reveste, vetando certas zonas do
país a uma situação de impossibilidade de substituição de gerações populacionais, praticamente irreversível.

No trabalho anterior subjacente ao mesmo tema1, demonstrou-se que embora o fenómeno do envelhecimento
demográfico fosse transversal a todas as regiões do país, persistia ainda alguma heterogeneidade geográfica,
devido em boa parte à herança dos comportamentos demográficos de cada região ou sub-região.

O envelhecimento estender-se-á a todo o país nas próximas décadas, em momentos e com ritmos de mudança
diferenciados, tornando-se o ritmo mais lento à medida que a população idosa reforça a sua importância na
população total.

1
cf. Dinâmicas Territoriais do Envelhecimento: análise exploratória dos resultados dos Censos 91 e 2001.
24

I. Envelhecimento Demográfico: passado e futuro

O fenómeno de envelhecimento demográfico assenta na teoria da transição demográfica, ou seja, na passagem


de um modelo demográfico em que a mortalidade e fecundidade assumiam valores elevados para um modelo em
que ambos os movimentos assumem níveis baixos. Apresentando-se como um processo dinâmico, é comum
definir-se o envelhecimento demográfico a partir do momento em que a proporção de população idosa na população
total aumenta, quer como resultado da perda de importância relativa da população jovem ou da população em
idade activa, ou de ambas.

A estrutura etária da população reage primeiro à descida dos níveis de fecundidade e quando estes forem
suficientemente baixos aos da mortalidade.
Figura 1

Figura 1

Evolução da proporção da população jovem e idosa no total da população (%),


Portugal, 1960 - 2050

31,8%
29.2%

17,1%

15.6%
13.1%

8,0% Jovens

Idosos

1960 1965 1970 1975 1980 1985 1990 1995 2000 2005 2010 2015 2020 2025 2030 2035 2040 2045 2050

Fonte: INE, cálculos das autoras a partir dos dados de base (Censos de População, Estimativas e Projecções de População Residente)

Em Portugal, a proporção de pessoas com 65 ou mais anos duplicou nos últimos 45 anos, passando de 8% no
total da população em 1960, para 17% em 2005.

De acordo com o cenário médio das projecções demográficas mais recentes, elaboradas pelo INE 2, estima-se
que esta proporção volte a duplicar nos próximos 45 anos, representando, em 2050, 32% do total da população3.

Em paralelo, a população jovem diminui de 29% para 16% do total da população entre 1960 e 2005 e irá atingir
os 13% em 2050.

O ritmo de crescimento da população idosa e da população muito idosa é bastante superior ao da população
total, quer no período retrospectivo, quer no período de projecção.

2
Cf. Projecções da População Residente, Portugal 2000-2050.
3
Este cenário assenta em hipóteses que têm subjacente um aumento gradual da fecundidade (1,7 crianças por mulher em 2050,
nível ainda inferior ao de substituição das gerações: 2,1 crianças por mulher), numa hipótese moderada de acréscimo de
esperança de via à nascença (79,0 anos para os homens e 84,7 anos para as mulheres, em 2050), bem como num saldo
migratório positivo, decrescente e igual a 10 mil indivíduos até 2010, nível que se mantém constante até ao final do período de
projecção.

Revista de Estudos Demográficos, nº 40


25

figura 2

Figura 2

Taxa média anual de crescimento da população por


grandes grupos etários, Portugal 1960/2005 e 2005/2050
unidade: %

3,2

2,1 2,2

1,1

0,4 0,5

Envelhecimento crescente mas espacialmente desigual


-0,3
-0,7 -0,7
-1,0

1960/2005 2005/2050

Total 0-14 anos 15-64 anos 65 + anos 85 + anos

Fonte: INE, cálculos das autoras a partir dos dados de base (Censos de População,
Estimativas e Projecções de População Residente)

Entre 1960 e 2005, a população total cresce em média 0,4% ao ano, um ritmo muito próximo do observado no
grupo da população em idade activa dos 15-64 anos (0,5%). No entanto, neste mesmo período destacam-se,
desde logo, grandes contrastes nas dinâmicas de evolução da população jovem, que diminui a um ritmo médio
de 1% ao ano e a população idosa que regista taxas de crescimento anual de 2,1%.

Esta evolução afirma-se ainda mais na população muito idosa, ou seja, nos indivíduos com 85 ou mais anos,
que aumentam mais de 3% ao ano. Nesta análise fica bem patente o acréscimo da longevidade da população,
ou seja, o envelhecimento da própria população idosa.

Uma análise mais detalhada permite verificar que entre 1960 e 1970 o processo de envelhecimento da população
portuguesa resultou da baixa da população em idade activa decorrente dos fortes fluxos emigratórios ocorridos.
Em contrapartida, nos anos mais recentes, a inversão do saldo migratório devido às fortes correntes imigratórias
determinou que apenas a queda da população jovem influenciasse o agravamento do fenómeno.

Nos próximos 45 anos, de acordo com o cenário médio de evolução demográfica, o panorama apresenta-se bem
diferente. Como se pode observar, a população total sofrerá um decréscimo de cerca de 0,3% ao ano, tal como
irão decrescer a população jovem e a população em idade activa, a ritmos semelhantes. A população jovem
abrandará o ritmo de decréscimo, mas em consequência dos efeitos dessa diminuição (de jovens), a população
em idade activa será afectada negativamente, diminuindo cerca de 0,7% ao ano. Se se considerar a população
entre os 25 e os 64 anos, o ritmo será ainda mais forte (v. Quadro 1).

Assim, no período de projecção (2005/2050) apenas a população idosa continuará a aumentar: 1,1% ao ano se
considerarmos os de 65 e mais anos e 2,2% considerando os de 85 e mais anos. O que se verifica também é
que os ritmos de crescimento tendem a abrandar, o que acontece naturalmente dado que a população já atingiu
um elevado grau de envelhecimento. O mesmo se verifica com o decréscimo dos jovens, cujo ritmo diminui.

As repercussões na estrutura etária da população são bem visíveis nas pirâmides etárias que se apresentam a
seguir, respectivamente em 1960, 2005, 2025 e 2050.
26

Figura 3

Figura 3

Pirâmides etárias da população residente total, Portugal


1960 2005
100+ 100+
Homens 95-99 Mulheres 95-99 Mulheres
Homens
90-94 90-94
85-89 85-89
80-84 80-84
75-79 75-79
70-74 70-74
65-69 65-69
60-64 60-64
55-59 55-59
50-54 50-54
45-49 45-49
40-44 40-44
35-39 35-39
30-34 30-34
25-29 25-29
20-24 20-24
15-19 15-19
10-14 10-14
5-9 5-9
0-4 0-4

6,0 5,0 4,0 3,0 2,0 1,0 0,0 0,0 1,0 2,0 3,0 4,0 5,0 6,0 5,0 4,0 3,0 2,0 1,0 0,0 0,0 1,0 2,0 3,0 4,0 5,0

2025 2050
100+ 100+
Homens 95-99 Mulheres Homens 95-99 Mulheres
90-94 90-94
85-89 85-89
80-84 80-84
75-79 75-79
70-74 70-74
65-69 65-69
60-64 60-64
55-59 55-59
50-54 50-54
45-49 45-49
40-44 40-44
35-39 35-39
30-34 30-34
25-29 25-29
20-24 20-24
15-19 15-19
10-14 10-14
5-9 5-9
0-4 0-4

5,0 4,0 3,0 2,0 1,0 0,0 0,0 1,0 2,0 3,0 4,0 5,0 5,0 4,0 3,0 2,0 1,0 0,0 0,0 1,0 2,0 3,0 4,0 5,0

Em % do total da população residente


Fonte: INE, cálculos das autoras a partir dos dados de base (Censos de População, Estimativas e Projecções de População Residente)

Consta-se que a forma triangular ainda visível na pirâmide que retrata a população residente em Portugal,
segundo o sexo e por idades, em 1960, desvaneceu-se e os perfis das pirâmides são totalmente diferentes no
horizonte do período da projecção. Em 2050, a base reduziu-se a mais de metade, apesar da hipótese de
fecundidade em que o cenário base se apoia ser tendencialmente crescente, reflectindo o ocorrido em alguns
países da Europa nos últimos anos do século XX. Estes países, depois de estabilizarem os níveis de fecundidade
em níveis muito baixos, assistiram a uma recuperação que, no caso da Suécia, levou mesmo à substituição das
gerações no espaço de dez anos, conhecendo posteriormente nova fase de decréscimo seguida, no presente de
novo aumento. Igualmente, Espanha, Itália e Grécia, que viraram o século com níveis de fecundidade extremamente
fracos a rondarem o valor de 1,1 - 1,2 crianças por mulher registam, no presente, ligeiros aumentos.

Sendo certo que a subida de natalidade exige medidas de política social para o seu incentivo, paralelamente a
alterações sociais e de âmbito pessoal, no que se refere à decisão de ter ou não (mais) filhos é uma hipótese
que no longo prazo se deve equacionar. Caso não se venha a concretizar, então a base de sustentação da
pirâmide da população portuguesa terá efectivos populacionais ainda mais diminutos.

As diferenças entre os níveis de fecundidade, mortalidade e a capacidade de atracção ou repulsão entre as


várias regiões do país deram origem a várias estruturas etárias.

As alterações demográficas profundas manifestam-se lentamente e os seus efeitos só são visíveis ao fim de
várias gerações.

Revista de Estudos Demográficos, nº 40


27

Analisando a taxa média anual de crescimento da população a um nível geográfico mais fino, NUTS III 4 e 5,e
considerando o mesmo período de projecção, pode verificar-se que o decréscimo de população será uma constante
em todas as sub-regiões do país entre 2010 e 2050, com uma única excepção: a região do Algarve que apresenta
uma taxa média anual de crescimento de 0,3%. De referir ainda que a Região Autónoma dos Açores regista uma
taxa negativa embora a tender para zero. O Alentejo é a região com a perda populacional mais acentuada, com
todas as sub-regiões a diminuírem entre 1% e 1,1% em média todos os anos entre 2010 e 2050.

É possível igualmente observar que apenas a população idosa continuará a aumentar, com excepção de duas
sub-regiões do interior do país (região Centro), a saber, Beira Interior sul e Pinhal Interior Sul, que apresentam
taxas negativas em todas as idades. As sub-regiões mais envelhecidas, designadamente as pertencentes ao
Alentejo e ao Centro, registam ritmos de crescimento muito mais baixos do que as restantes, precisamente
porque atingiram um grau de envelhecimento demográfico bastante elevado. Pela mesma razão, as sub-regiões
do Norte, especialmente, Cávado e Tâmega, e as regiões autónomas observam taxas médias de crescimento
que rondam os 2% ao ano.

As projecções de população a nível de NUTS III devem ser utilizadas com um especial cuidado devido à dimensão
dos efectivos populacionais envolvidos, em alguns casos e à dificuldade em escolher as hipóteses de evolução,

A Situação Demográfica Recente em Portugal


e a própria metodologia adoptada que não têm em conta a especificidade demográfica de cada região. Em
projecções desta natureza é importante outro factor, as migrações internas de difícil previsão.

Como se constata, o efeito da baixa de natalidade afectará os grupos etários dos adultos jovens e da população
em idade activa (25-64 anos) no período de projecção em análise. Este facto verifica-se em todas as sub-regiões
do país, variando apenas a sua intensidade. À semelhança do que se afirmou anteriormente, as regiões que
iniciaram há mais tempo o processo de envelhecimento, apresentam-se actualmente e no futuro próximo com
dinâmicas mais brandas. Ao contrário, o ritmo intensifica-se nas (sub) regiões que detinham uma população
mais jovem.
Quadro 1

Quadro 1

Taxa média anual de crescimento da população por grandes grupos etários, NUTS II e III, 2010/2050

NUTS II e III (1) TOTAL 0-14 anos 15-24 anos 25-64 anos 65+ anos

Portugal -0,33 -0,74 -0,74 -0,83 1,14


Norte -0,38 -0,91 -0,98 -0,95 1,48
Minho Lima -0,55 -0,84 -1,00 -1,02 0,63
Cávado -0,21 -0,92 -0,98 -0,78 2,07
Ave -0,28 -0,92 -1,03 -0,88 1,96
Grande Porto -0,47 -0,97 -0,86 -1,14 1,45
Tâmega -0,16 -0,92 -1,07 -0,65 2,07
Entre Douro e Vouga -0,37 -0,93 -0,97 -0,98 1,66
Douro -0,54 -0,79 -1,13 -0,97 0,61
Alto Trás os Montes -0,73 -0,69 -1,18 -1,10 0,04
Centro -0,58 -1,01 -1,05 -1,11 0,73
Baixo Vouga -0,45 -1,06 -1,01 -1,04 1,28
Baixo Mondego -0,64 -1,04 -0,87 -1,29 0,79
Pinhal Litoral -0,48 -1,06 -1,03 -1,05 1,13
Pinhal Interior Norte -0,67 -1,03 -1,13 -1,06 0,28
Dão-Lafões -0,52 -0,94 -1,16 -0,96 0,70
Pinhal Interior Sul -0,93 -0,84 -1,30 -1,18 -0,49
Serra da Estrela -0,74 -0,84 -1,27 -1,14 0,15
Beira Interior Norte -0,73 -0,88 -1,19 -1,12 0,13
Beira Interior Sul -0,87 -0,97 -1,03 -1,31 -0,11
Cova da Beira -0,70 -0,97 -1,13 -1,22 0,46
Lisboa e Vale do Tejo -0,20 -0,46 -0,33 -0,66 1,02
Oeste -0,17 -0,42 -0,45 -0,54 0,94
Grande Lisboa -0,21 -0,47 -0,27 -0,69 1,07
Península de Setúbal -0,17 -0,47 -0,32 -0,65 1,19
Médio Tejo -0,25 -0,36 -0,51 -0,57 0,61
Lezíria do Tejo -0,28 -0,42 -0,39 -0,66 0,61
Alentejo -1,04 -1,59 -1,66 -1,63 0,23
Alentejo Litoral -1,10 -1,53 -1,69 -1,75 0,22
Alto Alentejo -1,08 -1,58 -1,68 -1,59 0,02
Alentejo Central -0,99 -1,64 -1,61 -1,59 0,39
Baixo Alentejo -1,04 -1,58 -1,71 -1,61 0,20
Algarve 0,26 -0,03 -0,01 -0,17 1,51
R. A. Açores -0,02 -0,84 -1,05 -0,31 2,01
R. A. Madeira -0,20 -0,84 -1,10 -0,64 1,77

Fonte: INE, cálculos das autoras com base nas Projecções de População Residente NUTS II e III, 2000-2050
(1)
Nomenclatura das Unidades Territoriais para Fins Estatísticos, geografia de 2001 (NUTS 2001)

4
Cf. Projecções de População Residente, Portugal, NUTS III, 2000-2050.
5
NUTS 2001 (de acordo com a desagregação geográfica em vigor a 12/03/2001). Para informações adicionais consultar
www.metaweb.ine.pt
28

De referir, as alterações na estrutura da população revelam diferentes comportamentos a nível regional, apesar
do fenómeno do envelhecimento demográfico se generalizar em todo o território.

Em 2050, o Índice de Envelhecimento ascenderá a 243 idosos por cada 100 jovens, e a proporção de pessoas
idosas no total da população será de 32%. Contudo, quando se compara a um nível geográfico mais fino ficam
bem evidentes as assimetrias regionais, constatando-se também que o processo do envelhecimento demográfico
será uma realidade em todas as regiões e sub-regiões.
Figura 4 e 5

Figura 4 Figura 5

Proporção da população com 65 ou mais anos, (1)


(1) Índice de Envelhecimento por NUTS III , 2050
por NUTS III , 2050
R.A.Açores 28,4 Médio Tejo 204
% Idosos por 100 jovens
Oeste 28,7 Oeste 205
Península de Setúbal 28,8 Península de Setúbal 208
Grande Lisboa 29,2 Lezíria do Tejo 209
Alentejo Litoral 29,3 Grande Lisboa 211
Médio Tejo 29,6 R.A.Açores 212
Algarve 29,7 Algarve 228
R.A. Madeira 30,9 R.A. Madeira 235
Tâmega 31,5 Tâmega 244
Cávado 32,2 Cávado 248
Ave 32,6 Alto Trás-os-Montes 251
Douro 32,9 Douro 253
Entre Douro e Vouga 33,0 Ave 254
Alto Trás-os-Montes 33,0 Minho-Lima 255
Minho-Lima 33,2 Entre Douro e Vouga 258
Grande Porto 33,7 Grande Porto 266
Dão-Lafões 34,2 Dão-Lafões 282
Pinhal Interior Norte 34,7 Serra da Estrela 285
Serra da Estrela 34,7 Beira Interior Norte 288
Pinhal Litoral 34,8 Pinhal Interior Norte 292
Baixo Vouga 34,9 Pinhal Litoral 293
Beira Interior Norte 34,9 Baixo Vouga 293
Pinhal Interior Sul 35,3 Pinhal Interior Sul 294
Cova da Beira 35,5 Cova da Beira 296
Beira Interior Sul 36,0 Beira Interior Sul 301
Baixo Mondego 36,3 Baixo Mondego 305
Alentejo Central 39,3 Alto Alentejo 376
Lezíria do Tejo 39,6 Baixo Alentejo 380
Baixo Alentejo 39,7 Alentejo Central 382
Alto Alentejo 40,0 Alentejo Litoral 382

Fonte: INE, cálculos das autoras com base nas Projecções de População Residente NUTS II e III, 2000-2050
(1)
NUTS 2001

Ressalta, desde logo, que todas as sub-regiões terão em 2050 mais de 2 idosos por cada jovem. Com menos de
2,4 apenas as regiões autónomas, o Algarve, as sub-regiões de Lisboa e Vale do Tejo, como o Oeste, Médio
Tejo, Lezíria do Tejo e Península de Setúbal. No Alentejo todas as NUTS III terão mais de 3,7 idosos por cada
jovem.

O índice de dependência de idosos nas sub regiões do Alentejo representará mais de 78 idosos por cada 100
indivíduos em idade activa. Apenas os Açores registam um índice menor que 50. O Algarve, e as NUTS de Lisboa
e Vale do Tejo com menos de 55,5.

Como mencionado atrás, este é o efeito resultante de uma retoma de população jovem em algumas destas
regiões e de proporções de população em idade activa mais acentuadas que nas regiões do Norte e do Centro,
sobretudo no interior, e de todo o Alentejo.

Revista de Estudos Demográficos, nº 40


29

As regiões Norte e Centro, bem como as duas regiões autónomas observam os maiores decréscimos de população
jovem entre 2005 e o final do período de projecção.

Em 2050, os Açores, a Madeira e o Norte perdem a posição de regiões mais jovens, passando a observar
proporções muito próximas das esperadas para o total do país. Naquele ano, a concretizarem-se as hipóteses
subjacentes ao cálculo das projecções demográficas, pertencerá à região de Lisboa e Vale do Tejo a maior
proporção de jovens.

A população idosa, por seu lado, regista um aumento contínuo em todas as regiões, mais intenso nas menos
envelhecidas e que só muito recentemente deixaram de assegurar a substituição das gerações (Norte e regiões
autónomas).

No que se refere à população em idade activa, prevê-se que Lisboa e Vale do Tejo, Algarve, Açores e Madeira
registem as maiores proporções no final do período de projecção.Em Lisboa e Vale do Tejo e no Algarve sobretudo

Envelhecimento crescente mas espacialmente desigual


como consequência dos fluxos migratórios (imigração) e nas regiões autónomas devido ao efeito conjugado das
correntes migratórias com a baixa de natalidade, tendência que começou mais tarde nestas regiões.

A dependência demográfica em si mesma, significa apenas relações entre grupos etários. Se pretendermos
chegar a conclusões em matéria de dependência financeira, ou mensurar encargos económicos, é necessário
utilizar um conjunto de variáveis que definam a dependência desta natureza.

O futuro demográfico de Portugal pode resumir-se, de acordo com as mais recentes projecções disponíveis no
INE, da seguinte forma:

• A população residente diminuirá de 10 626 mil indivíduos em 2010, para 9 302 indivíduos em 2050.
• O país perderá cerca de 1 324 mil indivíduos em quarenta anos.
• O número de crianças com menos de quinze anos continuará a diminuir passando de 15,4%, em 2010,
para 13,1%, em 2050, o que representa uma perda de cerca de 418 mil crianças. A baixa será mais
acentuada se a hipótese de fecundidade não for tão favorável como a prevista neste cenário.
• A população em idade activa, dos 15-64 anos, manterá ao longo do período uma variação negativa
situando-se próximo de 5 124 mil indivíduos em 2050, valor que traduz uma queda de praticamente 2
milhões de indivíduos, em quarenta anos.
• O número de pessoas com 65 ou mais anos, ou seja, o número de pessoas idosas manterá a tendência
em alta e aumentará cerca de 1,1 milhão. A sua proporção no total de passará de 17,7% para 31,8%,
entre 2010 e 2050. Na eventualidade da probabilidades de sobrevivência se manifestarem mais próximas
de 1, esta proporção será ainda mais elevada.
• A população feminina em idade fértil recuará ao longo do período projectado e reduzir-se-á em cerca 900
mil efectivos, não ultrapassado os 1,7 milhões em 2050.
• O índice de dependência de idosos duplicará, passando de 26 para 58 idosos por cada 100 indivíduos
em idade activa.
• O Índice de envelhecimento subirá de 115 para 243 idosos por cada 100 jovens.
Desta mudança tão forte na estrutura etária da população portuguesa deve resultar uma nova solidariedade de
gerações, na medida em que há cada vez menos jovens e adultos e cada vez mais pessoas idosas, em particular,
muito idosas. Será fácil, no futuro próximo, e mesmo no tempo actual, encontrar famílias em que coabitem três
e quatro gerações.
30

II. As disparidades do envelhecimento demográfico no presente

Idade média global avança

Entre o último momento censitário, a 12 de Março de 2001 e 31 de Dezembro de 2005 a idade média da
população residente em Portugal avançou cerca de 1 ano. A idade média das mulheres atinge, em 2005, 41,9
anos (40,9 anos em 2001) e como seria expectável, supera a dos homens (39,0 em 2005 contra 38,1 anos em
2001).

O cartograma com a representação gráfica das idades médias a nível de município evidencia bem a disparidade
do envelhecimento: 214 dos 308 municípios têm, em 2005, uma idade média superior à do país: 40,6 anos,
sendo que 10 municípios têm uma idade média superior a 50 anos, situados no interior do país, e apenas 6
concelhos apresentam idade inferior a 35 anos, que se localizam quase exclusivamente nas regiões autónomas.

O Continente está dividido por linhas bem marcadas: a parte Leste, a norte do Tejo, onde a idade média é
superior a 40,5 anos, a parte ocidental, a norte do rio Tejo, com idades médias inferiores a 40,5 anos. O Alentejo
Sul e Litoral surgem como zona separadora do Alto Alentejo.

Comparativamente aos resultados dos Censos 2001, Lisboa e Porto não envelheceram tanto com seria de
esperar provavelmente devido ao efeito das migrações.
Figura 6

Figura 6

Idade média da população residente, por Municípios,


2005

Idade média
[31.5 ; 36.0[
[36.0 ; 40.5[
[40.5 ; 45.0[
[45.0 ; 50.0[
0 40 80 Km [50.0 ; 53.3]

Fonte: INE, Serviço de Geoinformação (cálculos das autoras com base nas Estimativas de
População Residente), NUTS 2002

Revista de Estudos Demográficos, nº 40


31

Envelhecimento crescente

A proporção de idosos varia entre 28,4 % nos Açores e os 40,0% no Alto Alentejo e Médio Tejo, valores muito
afastados da média nacional.

As regiões autónomas e o Norte, ainda observam níveis de natalidade significativamente elevados, quando
comparados com a média nacional, equilibrando o rácio entre a população mais jovem e a mais idosa.

Em 2005, o índice de envelhecimento da região Norte era de 91 idosos por 100 jovens, nos Açores era de 63 e
na Madeira de 72. Esta realidade contrasta com outras regiões do país, como o Alentejo, com um índice de 171
idosos e o Centro (140). Em Portugal: 110 idosos por 100 jovens.

O índice de envelhecimento oscila entre duas a quatro pessoas idosas por cada jovem.

Envelhecimento crescente mas espacialmente desigual


O índice de envelhecimento ascendeu a 102 idosos por cada 100 jovens em 2001. Este rácio era de 27 em 1960
passando para 110 em 2005. Mais uma vez, as diferenças entre os sexos são bem evidentes sendo o
envelhecimento mais notório nas mulheres, sendo o rácio de 132 nas mulheres e de 90 nos homens.

Em 85 municípios (representando 28% do total) este indicador ainda se situava abaixo dos 100, ou seja, os
jovens superavam os idosos em número. Entre estes, destacam-se Câmara de Lobos (com 296 jovens por cada
100 idosos); Ribeira Grande, Lagoa, Vila Franca do Campo e Ponta Delgada (nos Açores) e Paços de Ferreira,
Vizela, Lousada, Paredes e Felgueiras (no Norte, sub-regiões de Tâmega e Ave), todos com mais de 2 jovens
por cada pessoa idosa.

Vila Velha de Ródão era o concelho mais envelhecido com cerca de 5 idosos por cada jovem, havendo ao todo
cerca de 12 concelhos com o índice superior a 300, i.e., com mais de 3 idosos por cada jovem.

A proporção da população com mais de 75 anos no total da população idosa, revelada através do índice de
longevidade, permite visualizar uma mancha idêntica, colorindo todo o interior de Portugal. O índice de longevidade
aumentou de 33 em 1960 para 44 em 2005 indivíduos e ultrapassará os 50% do total da população idosa em
2050 (54 indivíduos).

Em 2001, mais de metade da população idosa em 7 municípios tinham 75 ou mais anos. Esta proporção não
tinha sido atingida por qualquer concelho em 1991, facto que ajuda a confirmar o envelhecimento da própria
população idosa.

Esta realidade entra em contraste quando comparamos o mapa que representa a proporção de pessoas idosas
com a população jovem.
32

Figura 7 e 8

Figura 7 Figura 8

Índice de Envelhecimento, por Municípios, 2005 Índice de Longevidade (%), por Municípios, 2005

Índic e
Índice
[34.1 ; 100.0[ [33.7 ; 40.0[
[100.0 ; 150.0[ [40.0 ; 45.0[
[150.0 ; 200.0[ [45.0 ; 50.0[
[200.0 ; 400.0[ [50.0 ; 55.0[
0 40 80 Km [400.0 ; 551.7] 0 40 80 Km [55.0 ; 58.1]

Fonte: INE, Serviço de Geoinformação (cálculos das autoras com base nas Estimativas de População Residente), NUTS 2002

Revista de Estudos Demográficos, nº 40


33

Figura 9 e 10

Figura 9 Figura 10

Proporção da população idosa (65 ou + anos) no total da Proporção da população mais idosa (85 ou + anos)
população(%), por Municípios, 2005 no total da população (%) , por Municípios, 2005

Envelhecimento crescente mas espacialmente desigual


Proporção Proporção
[8.3 ; 10.0[ [0.6 ; 1.0[
[10.0 ; 20.0[ [1.0 ; 2.0[
[20.0 ; 25.0[ [2.0 ; 3.0[
[25.0 ; 30.0[ [3.0 ; 4.0[
[30.0 ; 42.0] 0 40 80 Km [4.0 ; 6.8]
0 40 80 Km

Fonte: INE, Serviço de Geoinformação (cálculos das autoras com base nas Estimativas de População Residente), NUTS 2002
34

As alterações na população em Idade Activa

Em 16 municípios a população em idade activa não se renovava, ou seja, o índice situa-se a abaixo do valor 100;
neste conjunto insere-se o município de Lisboa com outros 15 que se localizam nas regiões mais envelhecidas
do interior do país.

O índice de sustentabilidade potencial é bastante revelador da dicotomia litoral e interior. Em 19 municípios este
indicador registava entre 6 a 8 pessoas em idade activa por cada indivíduo idoso. Contudo em 30 municípios o
valor era inferior a 2 e em 8 destes era menor que 1,5.
Figura 11 e 12

Figura 11 Figura 12

Índice de Renovação da População em Idade Activa, Índice de Sustentabilidade Potencial, por municípios,
por municípios, 2005 2005

Índice
Índic e [1.2 ; 2.0[
[80.8 ; 100.0[
[100.0 ; 130.0[
[2.0 ; 3.0[
[130.0 ; 200.0[ [3.0 ; 4.0[
[200.0 ; 240.0[ [4.0 ; 6.0[
0 40 80 Km [240.0 ; 306.4] 0 40 80 Km [6.0 ; 8.2]

Fonte: INE, Serviço de Geoinformação (cálculos das autoras com base nas Estimativas de População Residente), NUTS 2002

No seguimento da exposição anterior, a análise do índice de dependência de jovens e idosos é bem revelador da
importância que os segundos representam em relação à população em idade activa.

O índice dependência total é utilizado para medir as necessidades potenciais de apoio. Parte do princípio que
todas que todas as pessoas com menos de 15 anos e com mais de 64 anos depende no mesmo da população
em idade activa dos 15-49 anos e assume-se que esta faixa etária apoia de modo directo ou indirecto. Este
indicador só de um modo rudimentar traduz alguma dependência na medida em que nem todos os jovens e nem
todos os idosos requerem apoio; e, por outro lado, nem todas as pessoas em idade activa dão directa ou
indirectamente apoio. Aliás, em muitas sociedades, as pessoas idosas são “chamadas” a prestar cuidados,
designadamente às suas crianças, constituindo mais um apoio para os adultos em exercício de actividades
profissionais.

Revista de Estudos Demográficos, nº 40


35

Figura 13 e 14

Figura 13 Figura 14

Índice de Dependência de Idosos, Índice de Dependência de Jovens, por municípios,


por municípios, 2005 2005

Envelhecimento crescente mas espacialmente desigual


Índice Índice
[12.2 ; 20.0[ [13.0 ; 20.0[
[20.0 ; 30.0[ [20.0 ; 23.0[
[30.0 ; 45.0[ [23.0 ; 26.0[
[45.0 ; 60.0[ [26.0 ; 30.0[
[60.0 ; 85.0] 0 40 80 Km [30.0 ; 38.5]
0 40 80 Km

Fonte: INE, Serviço de Geoinformação (cálculos das autoras com base nas Estimativas de População Residente), NUTS 2002

O índice de dependência total aumentou devido ao substancial acréscimo da proporção de pessoas e idosas. A
tendência para aumentar está prevista nos próximos.

As actuais diferenças regionais no índice de dependência de idosos persistam no futuro esperançando um


notável acréscimo do indicador. De 2010 até 2020 o rácio de pessoas idosas por pessoas em idades activa
prevê-se que cresça de por cento.

As diferenças regionais nos indicadores que medem o envelhecimento são substanciais. Como as taxas de
fecundidade caíram para níveis muito baixos o declínio da mortalidade, sobretudo nas idades mais avançadas,
torna-se um importante factor no envelhecimento demográfico. Espera-se que as diferenças regionais diminuam
e a esperança de vida convirja.
36

Considerações Finais

A população envelheceu e espera-se que a população idosa com 65 ou mais anos e a mais idosa continuem a
envelhecer embora o ritmo tenda a atenuar-se. Estas faixas etárias são as únicas a evoluir positivamente no
futuro.

As diferenças entre os níveis de fecundidade, de mortalidade e o sentido das correntes migratórias determinaram
os diversos graus de envelhecimento nas várias regiões do país.

Actualmente o fenómeno do envelhecimento estende-se a todo o território nacional, mas com diferente intensidade.
As disparidades etárias futuras dependem das estruturas actuais que revelam.

Perante esta realidade, irrefutável, as recomendações internacionais apontam para encarar o envelhecimento
das sociedades como um desafio e uma oportunidade. É preciso potenciar tanto a experiência como as
capacidades das pessoas idosas de modo a dar-lhes oportunidades para intervirem na vida em sociedade.
Paralelamente, e como medidas para a inclusão social, destaca-se a importância para a integração das pessoas
idosas no seio da família, constituindo um intercâmbio de forças e potencialidades favorável a todas as partes:
em 2001, cerca de 57 mil pessoas idosas encontravam-se institucionalizados em convivências de apoio social,
saúde e religiosas, representando quase 4% da população idosa total6.

As pessoas idosas constituem um segmento de mercado em ascensão que disponibiliza produtos e serviços
específicos nos quais se incluem os prestadores de cuidados de saúde, operadores de turismo, as marcas de
cosméticos, os bancos, as empresas de telecomunicações e imobiliárias. Em Portugal, o número de empresas
e serviços a operar para um público que designam como Sénior ou Outono da Vida, tem vindo a crescer.

As ofertas de serviços a esta franja da população vão do simples cosmético às residências em condomínios
fechados que incluem todos os serviços de apoio tais como saúde, lazer, limpeza, alimentação e até cabeleireiro.
No entanto, ofertas esta natureza só estão ao alcance das pessoas idosas com uma sólida situação económica
e estes condomínios levam à concentração dos idosos em grupos fechados. Juntar idosos com idosos pode não
ser a melhor opção na medida em que o relacionamento intergeracional é muito importante.

A criação e expansão das universidades da terceira idade constitui mais um fenómeno que se pode referir e que
exemplifica muito bem o sinal dos tempos.

Também as empresas devem procurar soluções no sentido de potenciar o bem-estar das pessoas idosas,
valorizando a condição física, e oferecem programas concebidos de acordo com as capacidades das pessoas
idosas. Existem já programas preparados para serem implementados em empresas, públicas e privadas, com
o objectivo de acompanhar os trabalhadores em fase final da vida activa a planear melhor o período de reforma.

Há que referir, contudo, que as situações enumeradas referem-se a um determinado grupo de pessoas que, para
além da idade, têm em comum o acesso à informação, uma localização privilegiada para poder usufruir de
determinados bens e equipamentos, geralmente situados apenas nas grandes cidades. No entanto, uma vasta
percentagem de pessoas idosas estão longe desta realidade, quer porque constituem um grupo bastante vulnerável
à pobreza, especialmente as que residem em zonas rurais7, quer porque é nas idades mais avançadas que
surgem em maior número determinadas incapacidades, motoras ou do foro psicológico8. De facto, o isolamento
social e geográfico, provoca geralmente sentimentos de solidão e abandono, com consequências graves e
difíceis de ultrapassar por quem as sente.

6 cf. Gonçalves, Cristina (2003) “As pessoas idosas nas famílias institucionais segundo os Censos” in Revista de Estudos
Demográficos nº. 34, pp. 41-60, Instituto Nacional de Estatística, Lisboa.

7 Sobre esta matéria consultar também Gonçalves, Cristina (2004) “Pobreza e exclusão social nas famílias com idosos em
Portugal” in Revista de Estudos Demográficos nº. 35, pp. 143-169, Instituto Nacional de Estatística, Lisboa.

8 Sobre esta matéria consultar também Gonçalves, Cristina (2003) “Enquadramento familiar das pessoas com deficiência: uma
análise exploratória dos resultados dos Censos 2001” in Revista de Estudos Demográficos nº. 33, pp. 69-94, Instituto Nacional
de Estatística, Lisboa.

Revista de Estudos Demográficos, nº 40


37

Referências Bibliográficas

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CARRILHO, Maria José (2002) Os Imigrantes no Processo de Envelhecimento em Portugal, Jornadas


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Envelhecimento crescente mas espacialmente desigual


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United Nations (2002) Madrid International Plan of Action on Ageing 2002, New York.
.
Ar tig
Artig
tigoo 3º_ página 3 9

A Situação
Demográfica
Recente em
Por tugal

The Demographic
changes in Portugal
Autoras:

Maria José Carrilho

Instituto Nacional de Estatística / Unidade de Relações Externas e Cooperação

Email: [email protected]

Lurdes Patrício

Instituto Nacional de Estatística / Departamento de Estatísticas Sociais

Email: [email protected]

Resumo:

O ritmo de crescimento da população portuguesa continua a atenuar-se,


atingindo um nível modesto, e a imigração permanece como a componente
principal da dinâmica populacional. A manutenção da fecundidade a um nível
muito baixo, a acentuada queda da mortalidade infantil, o aumento da esperança
de vida, em particular para os homens, e o desacelerar das correntes
imigratórias são os aspectos marcantes da evolução demográfica recente. A
importante diminuição do número de casamentos e o acréscimo, tanto dos
nascimentos com coabitação dos pais como da idade média ao casamento, e
ligeira baixa dos divórcios, explicam as mudanças nos modelos familiares em
Portugal.

Analisam-se, no presente artigo os comportamentos das variáveis


demográficas responsáveis pelas grandes alterações ocorridas na estrutura
da população e que determinaram o grau de envelhecimento da população e
a dimensão que a mesma observa.

Palavras Chave: População, Fecundidade, Mortalidade Infantil, Esperança


de vida, Migrações, Envelhecimento
40

Abstract

The pace of population growth continues to slow down and the immigration
flows remain its most important component. The low fertility, the increase
of life expectancy, more rapid among men, a sharp decrease in infant
mortality and the substantial immigratory flux are the remarkable aspects of
the demographic evolution in Portugal. The significant fall in the number of
marriages, the rise in both the number of wedlock births and the average
age at marriage and the relative decline in the number of divorces influence
the new familiar models in Portugal.

This paper intends to study the patterns of demographic variables


responsible for the major changes in both population size and age structure
of the population and culminating in its significant ageing.

Key words: Population, fertility, infant mortality, expectancy of life,


migrations, ageing

Revista de Estudos Demográficos, nº 40


41

Introdução

A nova Situação Demográfica Recente em Portugal dá continuidade à análise divulgada na Revista de Estudos
Demográficos nº 38 e actualiza-a com as mudanças ocorridas em 2005, no campo da natalidade, mortalidade e
das migrações, procurando evidenciar os aspectos mais relevantes. Em termos de tendências confirma-se o
desacelerar do crescimento da população.

Escolheu-se como período central de análise os anos entre 1 de Janeiro de 2001 e 1 de Janeiro de 2006 de modo
a avaliar a situação demográfica do país nos primeiros cinco anos do século XXI. Como os efeitos dos fenómenos
demográficos se revelam no longo prazo, em alguns casos, o estudo das variáveis abrangeu um período de
tempo mais longo do que o previamente seleccionado.

No presente artigo utilizam-se as estimativas definitivas de população residente intercensitárias para o período
1991-2000 e as estimativas provisórias póscensitárias para os anos de 2001-2005 assentes nos resultados
definitivos dos Recenseamentos Gerais da População de 1991 e 2001, ajustados com as taxas de cobertura
medidas nos respectivos Inquéritos de Qualidade. As referidas estimativas de população residente reportam-se
a duas geografias. Uma, a existente à data da realização dos Censos 2001 (Decreto Lei nº 46/89) e tendo em

A Situação Demográfica Recente em Portugal


conta as mudanças entretanto observadas: a criação dos municípios de Vizela (5/09/1988), Odivelas e Trofa (14/
12/1998). Outra, a geografia posteriormente adoptada (Decreto Lei nº 244/2002 de 5 de Novembro). As principais
diferenças entre as duas geografias encontram-se a nível da NUTS II Lisboa e Vale do Tejo que dá origem a
Lisboa, perdendo as NUTS III Oeste e Médio Tejo para o Centro e a NUTS III Lezíria do Tejo para o Alentejo. A
caracterização da dinâmica regional, a nível de NUTS II, assenta, por vezes, nos dois enquadramentos geográficos
e com o objectivo de comparar os resultados em termos de indicadores.

1. População

A dinâmica do crescimento da população residente em Portugal, em 31 de Dezembro de cada ano do período


de 2000-2005, caracteriza-se pela substancial redução do saldo natural provocada pela queda da natalidade e
acréscimo da mortalidade, por fortes saldos migratórios positivos, com tendência para desacelerar e pelo
agravamento progressivo do envelhecimento demográfico isto é, pelo aumento da proporção da população idosa
(65 ou mais anos) no total da população.
Quadro 1

Quadro 1

Evolução da Situação Demográfica em Portugal, 2000- 2005


Anos
Indicadores
2000 2001 2002 2003 2004 2005

População Residente Média (milhares) 10225,8 10293,0 10368,4 10441,1 10502,0 10549,4
População Residente em 31.XII (milhares) 10256,7 10329,3 10407,5 10474,7 10529,3 10569,6
Homens 4950,7 4988,9 5030,2 5066,3 5094,3 5115,7
Mulheres 5306,0 5340,4 5377,2 5408,4 5434,9 5453,9
Relação de Masculinidade (%) 93,3 93,4 93,5 93,7 93,7 93,8
Nados vivos 120 008 112 774 114 383 112 515 109 262 109 399
Óbitos 105 364 95 092 106 258 108 795 101 932 107 462
Saldo Natural 14 644 7 682 8 125 3 720 7 330 1 937
Saldo Migratório 47 000 65 000 70 000 63 500 47 240 38 400
Acréscimo Populacional 61 644 72 682 78 125 67 220 54 570 40 337
Taxa de Crescimento Natural (%) 0,14 0,07 0,08 0,04 0,07 0,02
Taxa de Crescimento Migratório (%) 0,46 0,63 0,68 0,61 0,45 0,36
Taxa de Crescimento Efectivo (%) 0,60 0,71 0,75 0,64 0,52 0,38

Fonte: INE, Estimativas de População Residente, 2000- 2005, aferidas com os resultados definitivos dos Censos 2001, tendo em conta os erros de cobertura dos Censos 1991 e
2001 e Estatísticas Demográficas.
42

O comportamento evolutivo das variáveis demográficas explica o acentuar do ritmo de crescimento da população
residente em Portugal, sobretudo, a partir da segunda metade dos anos noventa no século XX, e o abrandar nos
dois últimos anos observados.

De 1 de Janeiro de 2001 a 31 de Dezembro de 2005 estima-se que a população tenha aumentado cerca de 324
mil pessoas evoluindo segundo uma taxa moderada de 0,6%, média anual. O ritmo é mais acentuado nos
homens, correspondendo a maior diferença ao período mais intenso de entrada de imigrantes.
Figura 1

Figura 1

Taxas de crescimento da população residente (%), Portugal 2000- 2005


1,0
Homens

0,8

0,6
Mulheres

0,4

0,2

0,0
2000/01 2001/02 2002/03 2003/04 2004/05

Fonte: INE, Estimativas de População Residente (cálculo das autoras)

As diferentes evoluções das varáveis demográficas não foram uniformes ao longo do período em análise podendo-
se dividi-lo em duas fases.

Uma, corresponde aos dois primeiros anos do século XXI e mostra saldos migratórios sempre crescentes e
saldos naturais fracos com a população a aumentar a um ritmo médio de 0,7 % ao ano.

A segunda fase coincide com os anos de 2003 a 2005 durante os quais a população evolui segundo uma taxa
média anual de 0,5%. Os saldos migratórios abrandam, embora reforcem a sua importância relativa no crescimento
da população (cerca 90%), e os saldos naturais tendem para zero.

Em 31 de Dezembro de 20051 a população residente em Portugal foi estimada em 10 569 592 indivíduos, dos
quais 5 115 742 homens e 5 453 850 mulheres. Comparativamente ao ano anterior, a população residente
aumentou 40 337 indivíduos, ou seja 0,38%, confirmando-se a desaceleração do ritmo iniciada em 2003. O
acréscimo manteve-se mais acentuado nos homens (0,42%) do que nas mulheres (0,35%).

O saldo migratório positivo (0,36%), apesar de fraco, permanece como a principal causa do crescimento da
população, à semelhança do que ocorre desde 1999 dado que o saldo natural se tornou praticamente nulo
(0,02%). De notar que o excedente dos nados vivos sobre os óbitos, durante o período em estudo, se tornou
inferior a 10 000 no começo do actual século.

Tanto o número de nados vivos (0,13%) como o de óbitos (5,43%) registam evoluções positivas face a 2004,
sendo a variável óbitos a que explica, em 2005, a diminuição do saldo natural (1 937) para quase um quarto do
observado no ano anterior. Se a variação dos nados vivos se inscreve nas oscilações normais anuais, quer no
sentido positivo quer negativo que o acontecimento observa, a dos óbitos revela, tanto em 2004 como em 2005
significativas flutuações, superiores a 5 % e de sentido contrário.

Estima-se que em 2005, o saldo migratório tenha atingido cerca de 38 400 indivíduos (49 200 entradas e 10 800
saídas), valor inferior em 8 840 ao do ano anterior, e o mais baixo de todo o período, como consequência do
atenuar dos fluxos de entrada e o aumento dos fluxos de saída.

1
INE, “ Estimativas Provisórias de População residente em 31 de Dezembro de 2005, NUTSI, NUTSII, NUTS III e Município”,
www.ine.pt, Junho 2006, Lisboa

Revista de Estudos Demográficos, nº 40


43

No último ano analisado o acréscimo populacional registado reparte-se entre 5% para o saldo natural e 95 %
para o saldo migratório.

Tendo como comparação a Europa composta por 25 países, Portugal apresenta em 2005 (0,38%) um ritmo de
crescimento próximo da média estimada pelo Eurostat2 (UE25= 0,4% em 2005) e semelhante ao da Grécia,
Finlândia e Suécia. A Irlanda detém a taxa de crescimento forte e a mais elevada (2,4%), seguida do Chipre
(2,3%) e da Espanha (1,7%) enquanto a Lituânia (-0,65%), Letónia (-0,51%) Estónia e Hungria (-0,21%), bem
como a Alemanha (- 0,08%) e Polónia (-0.04) registam variações negativas.

As comparações internacionais devem ser cautelosas, pois o documento do Eurostat não clarifica se os países
membros que realizaram a última vaga de Censos 2000 concluíram a revisão da série retrospectiva das estimativas
de população e indicadores com base nos novos resultados, nem explicita os aspectos metodológicos. Por
outro lado, alguns países não divulgaram ainda a informação definitiva, sendo em alguns casos os resultados
provisórios ou previstos pelo órgão estatístico comunitário.

Norte (35%) e Lisboa e Vale do Tejo (34%) são as regiões que mais contribuem para os efectivos populacionais
do país. Mais de metade da população residente em Portugal concentrava-se, em 2005, nas NUTS Norte e

A Situação Demográfica Recente em Portugal


Centro (52,4%). Se a estas duas NUTS se adicionar Lisboa e Vale do Tejo a concentração eleva-se a 86,9%.

Alentejo, Algarve e as Regiões Autónomas em conjunto não atingem o milhão e meio de habitantes. Contudo,
apresentam evoluções opostas, pertencendo ao Algarve o mais forte acréscimo do período, quatro vezes superior
à média do país (1,7%). Ao contrário, o Alentejo é a região do país que perde população, (-0,2 %). Esta tendência
inverte-se se analisarmos a distribuição da população segundo o novo enquadramento geográfico e administrativo
do país. Neste caso, enquanto o Alentejo regista um crescimento nulo Lisboa perde importância ( 26,3%)
enquanto o Centro afirma a sua posição (26,3%).

A nível regional os ritmos de variação da população diferem como consequência dos comportamentos das
variáveis demográficas e provocam as conhecidas assimetrias entre o interior e o litoral do país.3 Ao Norte, às
Regiões Autónomas e a Lisboa e Vale do Tejo pertencem as taxas de crescimento natural mais elevadas. No
caso das duas NUTS do Continente o efeito conjugado de taxas migratórias positivas, bem mais intenso em
Lisboa e Vale do Tejo, justifica o acréscimo populacional evidenciado. As Regiões Autónomas compensam a
baixa gradual dos saldos naturais com a alteração de sentido dos movimentos migratórios ocorridos no início
deste século. Em contraste, é no Alentejo e no Centro que se localizam as taxas de crescimento natural
negativas. O Algarve é a região que tem a taxa migratória mais forte e tripla da do país.

Descendo a um nível geográfico mais fino, denota-se que saldos naturais fortemente negativos associados a
saldos migratórios igualmente negativos originaram grandes perdas populacionais no período em análise, em
particular nas regiões do interior. Em algumas zonas o ritmo de diminuição da população desacelerou nos anos
mais recentes devido aos fluxos imigratórios.

2e3
Eurostat (2006) - Statistics in Focus, Population and Social conditions, 16/2006. Lisboa, Setembro 2006.
44

2. Natalidade e Fecundidade

O número de nados vivos de mães residentes em Portugal em 2005 foi de 109 399, mantendo-se praticamente
estável face a 2004. A variável inverteu a tendência em baixa retomada em 2003, sendo o ritmo de variação
positivo face ao observado no ano anterior (0,1%).
Quadro 2

Quadro 2

Indicadores sobre a Natalidade, Portugal, 2000-2005


Anos
Indicadores
2000 2001 2002 2003 2004 2005

Nados vivos 120 008 112 774 114 383 112 515 109 298 109 399
Homens 62 222 58 365 59 303 58 210 56 212 56 643
Mulheres 57 786 54 409 55 080 54 305 53 086 49 657
Relação de masculinidade à nascença 107,7 107,3 107,7 107,2 105,9 107,2
Nados vivos fora do casamento 26 642 26 814 29 117 30 236 31 766 33 633
Nados Vivos fora do casamento (%) 22,2 23,8 25,5 26,9 29,1 30,7
Nados Vivos fora do casamento com coabitação 20 190 20 062 23 308 24 219 25 408 27 093
Nados Vivos fora do casamento com coabitação (%) 75,8 74,8 80,0 80,1 80,0 80,6
Nados Vivos fora do casamento sem coabitação 6 452 6 752 5 809 6 017 6 358 6 540
Nados Vivos fora do casamento sem coabitação(%) 24,2 25,2 20,0 19,9 20,0 19,4
Taxa Bruta de Natalidade (‰) 11,7 11,0 11,0 10,8 10,4 10,4
Índice Sintético de Fecundidade (nº médio de crianças por mulher) 1,56 1,46 1,47 1,44 1,40 1,41
Idade média ao nascimento do 1º filho 26,5 26,8 27,0 27,4 27,5 27,8
Idade média ao nascimento de um filho 28,6 28,8 29,0 29,2 29,4 29,6
Taxa de Reprodução Bruta 0,760 0,712 0,719 0,705 0,685 0,687
Taxa de Reprodução Líquida 0,743 0,697 0,704 0,695 0,676 0,680

Fonte: INE, Estimativas Definitivas de População Residente intercensitárias, 1991-2000 e Estimativas Provisórias de População Residente 2001-2005.

A taxa bruta de natalidade, que estabilizara nos últimos anos perto dos 11 nascimentos com vida por mil
habitantes, recuou para 10,4‰ em 2004 valor que manteve no ano seguinte, nível ligeiramente inferior ao estimado
pelo Eurostat4 para o conjunto dos 25 países membros (10,5‰). A taxa varia entre os 8,3‰ nados vivos por mil
habitantes na Alemanha e os 14,7‰ na Irlanda, país que só muito recentemente deixou de assegurar as gerações.
Tendo presente a limitação do indicador, que não reflecte a estrutura por idades, pode afirmar-se que a taxa bruta
de natalidade segue a evolução contrária registada na maioria outros países da Europa Comunitária. De notar
que a Espanha, Grécia e Itália, que no passado recente detinham taxas com níveis muito fracos, apresentam
uma ligeira tendência em alta nos valores do indicador, no caso dos dois primeiros países e apenas a Itália
parece ter estabilizado o nível (à volta de 9,5‰). Por outro lado, muitos dos novos países membros surgem com
taxas claramente inferiores à média comunitária.

Os nados vivos de mães com nacionalidade estrangeira e residência no país têm multiplicado de forma contínua
a sua proporção no total nos nascimentos com vida e ascenderam a 8,4%.

Apesar da tendência em baixa, os nados vivos cujas mães são nacionais dos países africanos de língua portuguesa
(PALP) continuam a deter a parte mais importante do total dos nados vivos: 3,2 % em 2000 contra 2,9% em
2005.

De ressaltar a variação positiva dos nascimentos de filhos de mães imigrantes provenientes de países da Europa
do Leste (0,1% em 2000 e 1,7% em 2005). Os filhos de mães nacionais da Ucrânia e Roménia assumem-se,
entre estes, como os mais importantes e representam quase dois terços.

A variável nacionalidade passou a ser inquirida em 1995 mas o período, embora curto, permite concluir que o
ritmo de crescimento dos nados vivos cuja mãe tem a nacionalidade estrangeira marca a variação anual recente
dos nascimentos com vida em Portugal. O ritmo de crescimento dos nados vivos cuja mãe tem a nacionalidade
estrangeira marca a variação anual recente dos nascimentos com vida em Portugal.

4
Eurostat (2006) - Statistics in Focus, Population and Social Conditions, 16/2006. Lisboa, Setembro 2006.

Revista de Estudos Demográficos, nº 40


45

No período compreendido entre 2000 e 2005, a variação negativa da natalidade (-10 609) atribui-se exclusivamente
à diminuição dos nascimentos de mães portuguesas.
<hid> Quadro 3

Quadro 3

Nados vivos de mães residentes em Portugal, por nacionalidade, 2000-2005


2000 2001 2002 2003 2004 2005
Continente / País de Nacionalidade
nº % nº % nº % nº % nº % nº %

TOTAL 120 008 100 112 774 100 114 383 100 112 515 100 109 298 100 109 457 100

Europa 115 110 95,9 107 934 95,7 108 622 95,0 106 816 94,9 103 332 94,5 102 934 94,0
Portugal 114 174 95,14 106 869 94,76 106 683 93,27 104 484 92,86 100 863 92,28 100 320 91,65
Alemanha 104 0,09 101 0,09 80 0,07 110 0,10 113 0,10 97 0,09
Bélgica 19 0,02 14 0,01 21 0,02 17 0,02 18 0,02 21 0,02
Espanha 120 0,10 99 0,09 132 0,12 147 0,13 119 0,11 162 0,15
França 356 0,30 280 0,25 340 0,30 330 0,29 300 0,27 286 0,26

A Situação Demográfica Recente em Portugal


Itália 36 0,03 24 0,02 25 0,02 31 0,03 27 0,02 36 0,03
Países Baixos 40 0,03 44 0,04 44 0,04 44 0,04 54 0,05 28 0,03
Reino Unido 75 0,06 95 0,08 70 0,06 108 0,10 103 0,09 119 0,11
Moldava 21 0,06 63 0,06 175 0,15 223 0,20 238 0,22 302 0,28
Roménia 29 0,02 83 0,07 276 0,24 384 0,34 492 0,45 568 0,52
Ucrânia 17 0,02 120 0,11 481 0,42 590 0,52 664 0,61 661 0,60
Rússia 17 0,01 46 0,04 101 0,09 131 0,12 139 0,13 129 0,12
Outros países Europa 152 0,13 381 0,34 1 194 1,04 1 517 1,35 1 707 1,56 1 832 1,67

África 3 928 3,3 3 649 3,2 3 873 3,4 3 469 3,1 3 391 3,1 3 363 3,1
Angola 1 559 1,30 1 396 1,24 1 496 1,31 1 277 1,13 1205 1,10 1208 1,10
Cabo Verde 1 156 0,96 1 136 1,01 1 260 1,10 1 119 0,99 1092 1,00 1080 0,99
Guiné Bissau 495 0,41 495 0,44 490 0,43 483 0,43 492 0,45 480 0,44
Moçambique 250 0,21 218 0,19 185 0,16 163 0,14 146 0,13 141 0,13
S.Tomé e Príncipe 322 0,27 278 0,25 306 0,27 279 0,25 285 0,26 286 0,26
Total dos PALP 3 782 3,15 3 523 3,12 3 737 3,27 3 321 2,95 3 220 2,95 3 195 2,92
Outros Países África 146 0,12 126 0,11 136 0,12 148 0,13 171 0,16 168 0,15

América 716 0,6 920 0,8 1 567 1,4 1 856 1,6 2 178 2,0 2 605 2,4
América do Norte 93 0,08 78 0,07 109 0,10 107 0,10 86 0,08 90 0,08
América Central e do Sul 623 0,52 842 0,75 1 458 1,27 1 749 1,55 2 092 1,91 2 515 2,30
Brasil 469 0,39 711 0,63 1 309 1,14 1 568 1,39 1 909 1,75 2 367 2,16
Outros Países América 247 0,21 209 0,19 258 0,23 288 0,26 269 0,25 238 0,22

Ásia e Oceania 232 0,2 255 0,2 304 0,3 372 0,3 444 0,4 550 0,5
China 158 0,13 160 0,14 212 0,19 257 0,23 292 0,27 367 0,34
Outros Países Ásia e Oceania 74 0,06 95 0,08 92 0,08 115 0,10 152 0,14 183 0,17

Apátridas e Desconhecida 27 0,02 30 0,03 22 0,02 16 0,01 2 0,00 11 0,01

Total de nados vivos de mães estrangeiras 5 894 4,9 5 905 5,2 7 700 6,7 8 031 7,1 8 493 7,8 9 137 8,3

Fonte: INE, Estatísticas Demográficas

Em Portugal é nas Regiões Autónomas dos Açores (12,5‰) e da Madeira (12,1‰) que o indicador regista, em
2005, os valores mais elevados. Em oposição, é a região do Alentejo que detém a taxa mais baixa (8,6‰) no
caso das NUTS antigas. Se considerarmos as NUTS Novas, criadas em 2002, o Alentejo continua a ser a região
com menor taxa de natalidade do país (9,0‰) apesar de incluir a Região de Lezíria do Tejo. A nova região Centro
sobe ligeiramente para 9,1‰, consequência de integrar mais 2 regiões, o Oeste e o Médio Tejo, com níveis de
natalidade superiores, enquanto a região de Lisboa ascende a 11,8‰.
46

O declínio da fecundidade deve ser avaliado quer pelo número anual dos nascimentos, com efeitos directos na
dimensão da população, quer pela ordem de nascimento que permite estudar a concentração dos nascimentos,
quer pelo indicador sintético de fecundidade que evidencia as modificações na dimensão da família e o grau de
substituição das gerações.

Desde há vinte cinco anos que o nível de fecundidade em Portugal permanece continuamente inferior ao nível de
substituição de gerações (2,1 crianças por mulher). A fecundidade em Portugal é caracterizada pelo seu
envelhecimento, com a maior frequência a passar do grupo etário dos 20-24 anos para o grupo dos 25-29 anos
e o incremento dos nascimentos entre as mães com idades superiores a trinta anos.

Em 2000, a taxa de fecundidade no grupo etário dos 20-24 anos era de 63,0‰ e no final do período em análise,
ou seja em 2005, situava-se em 47,6‰; evolução inversa sofreu o grupo etário dos 30-34 anos que subiu de
84,5‰ para 85,3‰ ao longo do mesmo período.

A análise do fenómeno segundo a ordem dos nascimentos evidencia um comportamento semelhante com os
nascimentos nas idades mais avançadas a ganharem importância. De reter que entre 2000 e 2005 as taxas de
fecundidade depois dos trinta anos praticamente duplicaram no que se refere aos primeiros nascimentos, os
quais determinam o calendário actual da fecundidade em Portugal. Em 2005, e tendo como referência o ano
anterior, a taxa de fecundidade de segunda ordem aumentou a partir da idade igual ou superior a trinta e cinco
anos.
Quadro 4
Quadro 4

Taxas de Fecundidade Segundo a Ordem de Nascimento (‰), Portugal, 2000-2005


Idades 2000 2001 2002 2003 2004 2005

Geral

20-24 63,0 56,7 54,6 51,2 48,2 47,6


25-29 100,7 92,7 93,1 89,7 85,3 84,3
30-34 84,5 80,9 83,4 84,6 83,6 85,3
35-39 34,3 33,8 35,1 35,7 36,1 37,6
40-44 6,6 6,6 6,8 7,1 7,3 7,4

1ª. ordem

20-24 47,8 41,9 40,9 37,7 35,5 34,8


25-29 61,3 56,0 58,0 56,4 53,3 53,2
30-34 30,7 30,1 33,1 35,5 35,3 37,2
35-39 8,4 8,0 8,7 9,3 9,2 9,9
40-44 1,4 1,5 1,5 1,7 1,7 1,8

2ª. ordem

20-24 12,3 12,0 11,3 10,9 10,3 10,5


25-29 31,8 29,4 28,0 26,6 25,3 24,6
30-34 40,7 38,3 38,2 37,7 37,2 37,8
35-39 15,2 15,5 16,0 16,2 16,5 17,5
40-44 1,9 2,1 2,3 2,2 2,4 2,5

Fonte: INE, Estatísticas Demográficas 2000-2005

Todas as regiões do país apresentam a mesma tendência para adiar a fecundidade. Desde 1992 que a Região
Autónoma dos Açores possui a taxa de fecundidade mais elevada nas adolescentes (15-19 anos), atingindo em
2005, 35,4‰, enquanto as mais baixas se conservam no Centro (15,3‰) e no Norte (16,5‰). Em Lisboa e Vale
do Tejo a taxa de fecundidade das adolescentes recuou de 23,4‰ em 2000, para 20,8‰ em 2005. Aos Açores
pertence igualmente a maior frequência de nascimentos nas camadas etárias entre os 20-24 anos, situação que
reflecte o desfasamento temporal do calendário em relação às outras regiões. Algarve é a única região com taxa
superior a 100 nados vivos por mil mulheres em idade fértil com idades iguais a 25 anos e inferiores a trinta anos.

Revista de Estudos Demográficos, nº 40


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Figura 2

Figura 2

Diversidade regional nas Taxas de Fecundidade por idades, 2005



120,0

100,0 Portugal

Algarve
80,0
R.A. Açores

60,0 Centro

40,0

20,0

0,0
15-19 20-24 25-29 30-34 35-39 40-44 45-49

A Situação Demográfica Recente em Portugal


O índice sintético de fecundidade (ISF) que expressa o número de crianças por mulher tem descido embora não
continuamente, para atingir o nível de 1,41 em 2005.

O indicador é inferior ao estimado para a UE5 (1,50 crianças por mulher). De referir que o espaço comunitário
registou novamente um ténue acréscimo do indicador, comparativamente ao ano anterior, em particular na
Suécia (1,75) que mantém a tendência em alta (1,57 em 2001, 1,65 em 2002 e 1,71 em 2004) o Reino Unido,
igualmente com 1,74 (contra 1,71 em 2003 e 1,64 em 2002). O nível mais elevado permanece na Irlanda (1,99)
e os mais baixos na Polónia com 1,24 crianças por mulher, nível muito próximo dos observados na Eslováquia
(1,25) e na Eslovénia (1,26). Os níveis de fecundidade alcançados na Europa são tão fracos que a hierarquização
dos países se procede na ordem das centésimas.

Em 2005, o Centro e o Norte (1,3 crianças por mulher) permanecem como as regiões que apresentam o mais
baixo índice sintético de fecundidade. Os valores mais elevados mantém-se na Região Autónoma dos Açores, a
única que em 1991 ainda substituía as gerações, e no Algarve (1,6 e 1,7 crianças por mulher respectivamente).
Figura 3

Figura 3

Índice Sintético de Fecundidade (nº crianças por mulher)


NUTS II, 1991 e 2005
2,2

2,1

2,0

1,9

1,8
Algarve
2005

1,7
R.A.Açores
1,6
Lisboa e Vale do
Tejo
1,5
R.A.Madeira
1,4
Alentejo
1,3
Centro Norte

1,2
1,2 1,3 1,4 1,5 1,6 1,7 1,8 1,9 2,0 2,1 2,2
1991

5
Eurostat (2006) - Statistics in Focus, Population and Social Conditions, 16/2006
48

As taxas de reprodução bruta e líquida traduzem bem a evolução do índice sintético de fecundidade. De facto,
em 1981 a taxa líquida de reprodução era ligeiramente superior à unidade, o que significa que a substituição de
cada geração estava assegurada ou seja, cada mãe tinha em média uma filha para a substituir. Nos anos
noventa do século passado essa substituição não era garantida e cada mãe tinha ao longo do período fecundo,
em média 0,7 crianças do sexo feminino, situação que se prolongou no início do século XXI. Acompanhando o
andamento do índice sintético de fecundidade, o número de filhas revela-se, desde há mais de vinte anos,
insuficiente para substituir as gerações de mulheres.

A evolução da idade média ao nascimento de um filho confirma o adiar do nascimento. Numa primeira fase da
baixa de natalidade, que corresponde aos anos sessenta e setenta, a idade média à maternidade seguiu a
mesma tendência decrescente. O sentido inverte-se, quando a substituição das gerações deixa de ser assegurada,
e que se localiza no início dos anos oitenta do século XX. Desde então, que a idade média ao nascimento do
primeiro filho ou de um filho, independentemente da ordem que ocupa na hierarquia dos nascimentos com vida
não cessa de elevar-se.

No período estudado as mulheres retardaram a idade média à primeira maternidade em 1,3 anos e tiveram em
2005, o primeiro filho com a idade de 27,8 anos em média.

É na Região Autónoma dos Açores que as mulheres são mães pela primeira vez mais cedo, sendo a idade
média ao 1º nascimento de 25,4 anos, e é na Região de Lisboa e Vale do Tejo que a idade média ao nascimento
do primeiro filho é mais tardia, aos 28,2 anos.

Da análise do Quadro das idades médias ao 1º nascimento e ao nascimento de um filho por NUTS Antigas e
NUTS Novas, em anexo, constata-se que o Alentejo com o enquadramento geográfico mais recente agrava a
idade média ao 1º nascimento em 0,3 anos e, em compensação, no Centro as mulheres têm o 1º filho mais
cedo, mas a diferença só é visível a nível das centésimas.

Quase 3 nados vivos em cada 10 ocorrem fora do casamento. O significativo acréscimo dos nados vivos fora do
casamento de 22,2% em 2000 para 30,7% em 2005 surge como outra característica a ressaltar na evolução da
fecundidade e permitiu que a proporção se aproximasse da estimada na UE (33,0% em 2005). Dentro dos
países com informação disponível para 2005 a Grécia ocupa a posição mais fraca (5,1%) e a Estónia a mais
elevada (58,5%), ultrapassando a Suécia (55,4%). Embora com ligeiras oscilações pode afirmar-se que quase
todos os países evidenciam uma tendência em alta dos nascimentos com vida ocorridos fora do casamento. Em
Portugal, o aumento, traduzido numa taxa de variação no período em análise, de cerca de 26%, conjugado com
a diminuição do número de casamentos celebrados indicia outras formas de conjugalidade. No mesmo sentido,
a importância relativa dos nascimentos fora do casamento com coabitação dos pais confirma a opção dos
casais por esta forma de vivência em comum.

Os nados vivos fora do casamento têm uma tendência oposta à do total dos nascimentos.

É sobretudo na região do Algarve (46,0%) e de Lisboa e Vale do Tejo (40,4%) que se encontram as maiores
proporções de nascimentos fora do casamento; em oposição, as percentagens mais baixas situam-se no Norte
(21,0 %) e na Região Autónoma dos Açores (21,6%). Estas posições mantêm-se ao longo do período em
análise, podendo avançar-se que é nas regiões de alta natalidade que o peso dos nados vivos fora do casamento
é menor.

Revista de Estudos Demográficos, nº 40


49

Figura 4

Figura 4

Nados Vivos por Ordem de Nascimento (%), Portugal, 2000 e 2005

4 3
8 9

33 34

54 54

2000 2005

A Situação Demográfica Recente em Portugal


1ª 2ª 3ª 4ª ou +

Desde 1988 que metade dos nascimentos com vida se reporta ao primeiro filho, importância relativa que se
reforçou e atingiu 53,7% em 2005, contra 53,5% no ano anterior. A parte dos nascimentos de segunda ordem
acompanha o comportamento da fecundidade, diminuindo quando esta começa a ser insuficiente para assegurar
a substituição das gerações. Apesar de algumas oscilações, nota-se uma ligeira tendência em alta dos nascimentos
de segunda ordem no período em análise (34,4% em 2005 contra 33,4% em 2000), reflectindo o andamento da
curva da natalidade nos últimos anos. Desde o final dos anos oitenta do século passado que a importância
relativa dos nascimentos de terceira ordem representa menos de 10% do total dos nascimentos com vida, não
cessa de recuar para se situar em 8,6% em 2005. Os nascimentos de ordem igual ou superior a quatro assumem,
nos anos mais recentes, valores muito pouco expressivos.

3. Nupcialidade e divorcialidade

Em 2005, celebraram-se 48 671 casamentos, confirmando-se a redução observada no ano anterior e a taxa
bruta de nupcialidade desceu para 4,6‰.
Quadro 5

Quadro 5

Indicadores sobre a Conjugalidade e Divorcialidade, Portugal, 2000-2005


Anos
Indicadores
2000 2001 2002 2003 2004 2005

Casamentos 63 752 58 390 56 467 53 735 49 178 48 671


Taxa Bruta de Nupcialidade (‰) 6,2 5,7 5,4 5,1 4,7 4,6
Idade média ao 1º casamento (anos)
Homens 27,5 27,8 28,0 28,4 28,6 28,9
Mulheres 25,7 26,1 26,4 26,8 27,0 27,3
Idade média ao casamento (anos)
Homens 29,3 29,8 30,0 30,5 30,9 31,3
Mulheres 26,9 27,4 27,6 28,2 28,5 28,9
Indicador conjuntural dos 1ºs casamentos
Homens 0,72 0,65 0,64 0,63 0,53 0,52
Mulheres 0,76 0,69 0,67 0,67 0,57 0,56
Divórcios 19 104 18 851 27 708 22 818 23 614 22 576
Taxa Bruta de Divorcialidade (‰) 1,9 1,8 2,7 2,2 2,2 2,1
Idade média ao divórcio (anos)
Homens 40,9 40,8 40,3 40,5 43,0 41,0
Mulheres 38,4 38,2 37,8 39,3 40,4 38,6
Divórcios/Casamento 30,0 32,3 49,1 42,1 48,0 46,4
Taxa Bruta de Viuvez (‰)
Homens 2,7 2,7 2,7 2,7 2,5 2,6
Mulheres 6,3 6,2 6,2 6,2 5,9 6,1

Fonte: INE, Estatísticas Demográficas


50

De ressaltar que Portugal passou a ocupar uma posição intermédia, em termos de taxa de nupcialidade, no
conjunto dos 25 países que actualmente constituem a EU, cuja média foi estimada em 4,8‰, valores provisórios,
em 20056. O valor mais elevado é pertença do Chipre (7,2‰), seguido da Dinamarca (6,7‰) e o mais baixo, da
Eslovénia (2,9‰,) seguida da Bélgica (4,1‰). A Suécia regista dos níveis mais fracos (4,4‰), como seria de
esperar tendo em conta a elevada proporção de nascimentos fora do casamento. O facto da Dinamarca associar
o nível de nupcialidade mais forte com uma percentagem de nados vivos fora do casamento próxima de 46%,
nível bastante acima da média comunitária, parece indiciar a formalização da vivência em comum após o nascimento
dos filhos.
Quadro 6

Quadro 6

Casamentos segundo o estado civil anterior (%) Portugal, 2000-2005


Anos
Indicadores
2000 2001 2002 2003 2004 2005

Casamentos de mulheres solteiras 92,3 91,5 91,9 90,2 89,2 88,4


Casamentos de homens solteiros 90,0 89,1 89,2 87,7 86,9 86,0
Casamentos de mulheres viúvas 0,9 1,0 0,8 0,9 1,0 0,9
Casamentos de homens viúvos 1,6 1,7 1,4 1,4 1,5 1,5
Casamentos de mulheres divorciadas 6,7 7,5 7,3 8,9 9,8 10,7
Casamentos de homens divorciados 8,4 9,3 9,5 10,9 11,7 12,5

Fonte: INE, Estatísticas Demográficas (cálculos das autoras)

A parte de casamentos de solteiros no total de casamentos diminuiu, tanto para homens como para mulheres.
facto que pode indiciar uma opção de viver só ou em coabitação. Reforçando a emergência de novos modelos
familiares, nomeadamente a reconstituição de famílias, a importância relativa dos casamentos de divorciados
continuou a crescer, representando, no final do período em análise, 10,7% entre as mulheres e 12,5% entre os
homens. O recasamento de viúvos estabilizou e mantendo-se mais frequente entre os homens (1,5%), do que
entre as mulheres (0.9%.).

Em Portugal os jovens têm vindo adiar o casamento. Em 2000, os homens celebraram o primeiro casamento em
média, com 27,5 anos, idade que se elevou para os 28,9 anos em 2005. Nas mulheres o adiamento é mais forte,
com a idade a aumentar dos 25,7 para os 27,3 anos no mesmo período. A idade média ao casamento revela um
comportamento semelhante.

O indicador de primo nupcialidade inverteu o sentido a partir de 1999, tendo apenas 56% das mulheres celebrado
o primeiro casamento até aos 50 anos em 2005, valor que baixa para 52% nos homens.

Observa-se uma heterogeneidade na distribuição regional das idades médias ao primeiro casamento. É em
Lisboa e Vale do Tejo que tantos os homens como as mulheres casam pela primeira vez mais tarde. Ao contrário,
é na Região Autónoma dos Açores que os primeiros casamentos ocorrem mais cedo (27,0 anos para os homens
e 24,1 para as mulheres em 2005).

6
Eurostat (2006) - Statistics in Focus, Population and Social Conditions, 16/2006

Revista de Estudos Demográficos, nº 40


51

Figura 5
Figura 5

Idade média ao primeiro casamento (anos), NUTS II, 2005


Anos

30

25

20

15

10

0
Portugal Norte Centro Lisboa e Vale do Alentejo Algarve R.A.Açores R.A.Madeira
Tejo

H M

Fonte: INE, Estatísticas Demográficas

A Situação Demográfica Recente em Portugal


Os casamentos tornaram-se menos estáveis, situação bem evidenciada pelo acréscimo do número de divórcios,
sobretudo no início do século XXI e pelo quociente entre o número de divórcios e o de casamentos. O forte
aumento observado em 2002 pode reportar-se à mudança de legislação entretanto verificada que facilita a
obtenção da dissolução do casamento junto das conservatórias do registo civil. Em 2004, a variável retoma a
tendência anterior, situando-se a taxa bruta de divorcialidade em 2,2 divórcios por mil habitantes, valor que tende
a convergir com a taxa bruta de nupcialidade. Contudo, em 2005 o número de divórcios observa um decréscimo
de 4% face ao ano anterior e que se reflecte na diminuição da taxa.

Portugal, tal como Espanha, regista uma taxa de divórcios que se insere na média comunitária do conjunto dos
25 países, (estimada para 2005 em 2,0 ‰) quase multiplicando por três as observadas na Irlanda e na Itália e
duplicando a verificada na Grécia. A Lituânia, Estónia, República Checa, Bélgica, Dinamarca e Alemanha, com
níveis iguais ou próximos de 3 ‰ possuem as taxas mais elevadas. Itália e Irlanda com uma taxa igual a 0, 8 ‰
apresentam as taxas mais baixas.

A idade média ao divórcio tem vindo a aumentar ao longo do período em análise, rondando, actualmente, os 41
anos para os homens e os 39 para as mulheres, reflectindo a diferença de idades ao casamento. Esta análise,
à semelhança do ocorrido com o casamento, deve ter em conta o número de divórcios.

O ratio entre divórcios e casamentos não cessa de aumentar. Enquanto em 2000 por cada 100 casamentos
celebrados havia 30 divórcios em 2005 a relação ascende a 46.
Figura 6

Figura 6

Taxas Brutas de Nupcialidade e Divorcialidade (‰), Portugal, 2000- 2005


8

6,2
Taxa Bruta de Nupcialidade
6
4,6

4
Taxa Bruta de Divorcialidade

1,9 2,1
2

0
2000 2001 2002 2003 2004 2005

Fonte: INE, Estatísticas Demográficas e Estimartivas de População Residente


52

As disparidades regionais em termos de formação e dissolução de casamentos persistem. As Regiões Autónomas


detêm as taxas de nupcialidade mais elevadas, seguidas do Norte. No que se refere às taxas de divorcialidade
é em Lisboa e Vale do Tejo, no Algarve e nas Regiões Autónomas que se encontram os valores mais expressivos
ou seja, nas regiões em que os casamentos se celebram mais tarde. O Norte regista simultaneamente a taxa
de nupcialidade mais elevada entre as regiões do Continente (5,0‰) e a taxa de divorcialidade mais baixa do
país (1,8‰).
Figura 7

Figura 7

Taxas Brutas de Nupcialidade e Divorcialidade, (por mil habitantes), NUTS II, 2005

7,0 3,0
6,0 2,5
5,0
2,0
4,0
1,5
3,0
1,0
2,0
1,0 0,5

0,0 0,0
Portugal Norte Centro LVT Alentejo Algarve RA Açores RA Madeira

Taxa Nupcialidade Taxa Divorcialidade

Fonte: INE, Estatísticas Demográficas e Estimativas Provisórias da População

Observa-se uma ligeira diferença se analisarmos por NUTS Antigas e NUTS Novas conforme se pode ver no
quadro em anexo.

4. Mor talidade

É na diminuição da mortalidade, e sobretudo no modelo de mortalidade por idades, que se encontra a causa
explicativa do envelhecimento no topo da pirâmide por idades. De facto os ganhos alcançados tornaram possível
a sobrevivência de um número crescente de pessoas idosas.

Na UE esta situação ocorre com a designada primeira transição epidemiológica ligada ao grande recuo dos
óbitos causados por doenças infecciosas e que terminou em toda a Europa Ocidental entre 1950 e 1960. A esta
transição epidemiológica seguiu-se um novo período de baixa da mortalidade como consequência dos progressos
terapêuticos e meios de diagnóstico, na luta contra as doenças de degenerescência orgânica (cancro e doenças
cardiovasculares) e a importância da prevenção da doença.

Portugal, à semelhança da Espanha e da Grécia, na segunda metade do século XX encontrava-se longe do


padrão de outros países da UE com uma esperança média de vida à nascença, inferior em cerca de 10 anos. O
País vem a recuperar e em quarenta anos ganhou 12, 5 anos de vida nos homens e 13,7 anos nas mulheres.

Os últimos trinta anos do século XX foram os anos de grande progresso no campo da mortalidade para os países
da comunidade, embora com ritmos diferentes. A baixa da mortalidade implica todo um processo em que
interagem os factores genéticos, ambientais e estilos de vida. Por outro lado, muitas doenças tornaram-se
crónicas como é caso da SIDA em que os doentes vivem mais de quinze com a doença, desde que tenham um
adequado acompanhamento médico e terapêutico.

Em 2005, registaram-se 107 462 óbitos de residentes em Portugal, ou seja um forte acréscimo de 5,4 % face ao
ano anterior.

Revista de Estudos Demográficos, nº 40


53

Quadro 7

Quadro 7

Indicadores sobre a Mortalidade e Longevidade, Portugal, 2000-2005


Anos
Indicadores
2000 2001 2002 2003 2004 2005

Óbitos 105 364 105 092 106 258 108 795 101 932 107 462
Homens 55 023 54 838 55 687 55 966 53 201 55 484
Mulheres 50 341 50 254 51 003 52 829 48 809 51 978
Relação de masculinidade à morte ( %) 109,3 109,1 109,2 105,9 109,0 106,7
Taxa Bruta de Mortalidade (‰) 10,3 10,2 10,2 10,4 9,7 10,2
Óbitos com menos de um ano 662 567 574 464 412 386
Taxa de Mortalidade Infantil (‰) 5,5 5,0 5,0 4,1 3,8 3,5
Esperança de vida à nascença (anos)
Homens 72,9 73,4 73,68 74,00 74,53 74,9
Mulheres 79,9 80,4 80,56 80,57 80,98 81,4

A Situação Demográfica Recente em Portugal


Esperança de vida aos 45 anos ( anos)
Homens 31,4 31,8 31,91 31,94 32,26 32,52
Mulheres 36,6 37,0 37,13 37,1 37,39 37,69
Esperança de vida aos 65 anos ( anos)
Homens 15,2 15,6 15,68 15,68 15,95 16,16
Mulheres 18,6 19,0 19,15 19,07 19,30 19,55

Fonte: INE, Estimativas Definitivas de População Residente intercensitárias, 1991-2000 e Estimativas Provisórias de População Residente 2001-2004.

A taxa bruta de mortalidade estabilizou à volta dos 10 óbitos por mil habitantes, valor que se insere na média
comunitária6 (UE25= 9,6‰ em 2005). A taxa bruta de mortalidade mais elevada situa-se na região do Alentejo
(15,2‰) e a mais baixa na região do Norte (8,7‰) em 2005.

Entre os países da UE as taxas mais elevadas situavam-se na Letónia (14,2‰), na Hungria (13,5 ‰) Estónia
(12,9‰) seguidas, pela Lituânia (12,8‰). A República Checa (10,5‰), Suécia (10,2‰), Dinamarca e Alemanha
(10,1‰) posicionam-se acima da média comunitária. Ao contrário, as taxas mais baixas encontram-se na
Irlanda (6,6‰) e no Chipre (7,2‰), A Irlanda surge assim, no contexto comunitário como o país que
simultaneamente apresenta a taxa mais elevada de natalidade e a mais baixa de mortalidade, situação que
deriva de ter uma população relativamente jovem comparada com a de outros estados membros.

Com uma taxa de mortalidade infantil igual a 3,5 óbitos com menos de um ano por mil nados vivos Portugal
situa-se, em 2005, pela segunda vez consecutiva a nível inferior à média comunitária, estimada7 para o mesmo
ano (UE25 =4,5‰). A Letónia (7,8‰), Lituânia (6,8‰), Polónia (6,4‰) e a Eslováquia (6,2‰), surgem com as
taxas mais elevadas, embora provisórias, enquanto a Suécia (2,4‰), e Luxemburgo (2,6‰) observam os níveis
mais baixos. De ressaltar que a Grécia (4,1‰) e a Itália (4,7‰), ainda recentemente com níveis inferiores aos
portugueses assumem, no presente níveis mais elevados. Os valores extremamente baixos que o indicador
atingiu e o facto de o Eurostat divulgar a informação como provisória aconselham alguma prudência na sua
análise anual e podem explicar as mudanças de posicionamento dos países. Como curiosidade pode adiantar-
se que os antigos manuais de Demografia referiam que o nível de mortalidade infantil nunca poderia ser inferior
a 5 ‰, pois este era a parte atribuída à componente endógena da mortalidade infantil sobre a qual não se
conseguia actuar.

A análise das mortes segundo a nacionalidade do indivíduo revela que os valores não são muito significativos. A
variável nacionalidade só em 1996 foi introduzida no verbete de óbito e registou, nesse mesmo ano, a morte de
378 indivíduos de nacionalidade estrangeira residentes em Portugal. Aos indivíduos provenientes dos países
africanos de língua portuguesa corresponde a quase totalidade de óbitos de nacionalidade africana. Dentro dos
europeus, apesar de não representarem proporções significativas, as mais elevadas pertencem aos ingleses.
Esta constatação confirma as diferentes razões que determinam a imigração e as diferentes idades em que a
mesma ocorre.

6e7
Eurostat (2006) - Statistics in Focus, Population and Social Conditions, 16/2006
54

Quadro 8

Quadro 8

Óbtitos de nacionalidade estrangeira residentes em Portugal, por nacionalidade, 1996-2005


1996 2000 2005
Continente / País de Nacionalidade
nº % nº % nº %

TOTAL 107 259 100,0 105 813 100,0 107 839 100,0

Europa 107 155 99,9 105 631 99,8 107 755 99,9
Portugal 106 881 99,7 105 285 99,7 107 462 99,7
Alemanha 48 0,04 55 0,05 42 0,04
Espanha 32 0,03 26 0,02 29 0,03
França 42 0,04 43 0,04 24 0,02
Países Baixos 20 0,02 28 0,03 23 0,02
Reino Unido 85 0,08 103 0,10 99 0,09
Ucrânia 0,00 26 0,02 21 0,02
Outros paises Europa 47 0,04 65 0,06 55 0,05

África 22 0,02 51 0,05 51 0,05


Total dos PALP 19 86,4 45 88,2 48 94,1
Outros Países África 3 13,6 6 11,8 3 5,9

América 32 0,03 45 0,04 29 0,03


América do Norte 20 62,5 23 51,1 10 34,5
América Central e do Sul 12 37,5 22 48,9 19 65,5
Brasil 11 34,4 19 42,2 13 44,8
Outros Países América 0 0,0 0 0,0 0 0,0
Ásia e Oceania 4 0,00 5 0,00 1 0,00

País Desconhecido 44 0,04 79 0,07 2 0,00

Total de óbitos de residentes estrangeiros 378 0,35 528 0,50 377 0,35

Fonte: INE, Estatísticas Demográficas

As principais causas de morte8, registadas em 2004, último ano para o qual existe informação disponível sobre
esta variável, são as doenças do aparelho circulatório (36,3%), os tumores/neoplasias (21,8%) e os sintomas,
sinais e resultados anormais (9,6%). Entre as doenças do aparelho circulatório, as cerebro-vasculares continuam
a ser a primeira causa de morte em Portugal. Os problemas de hipertensão, níveis elevados de colesterol, os
hábitos alimentares e os estilos de vida incluindo a sedentarização, explicam a importância que estas causas
de morte assumem quando comparadas com os países da UE. As doenças cerebro-vasculares (16,4% do total
das mortes) representam o dobro das cardiopatias isquémicas (8,7%), afectam principalmente as mulheres e
têm a maior expressão nas idades avançadas, ocorrendo 42% a partir dos 65 anos. Em 2004, a importância
relativa da morte devida à referida causa continuou a progredir e assume particular relevância entre os homens
a partir dos 50 anos sendo praticamente o dobro da ocorrida nas mulheres. A situação inverte-se a partir dos 75
anos de idade, quando a sobremortalidade feminina se torna fortemente gravosa, traduzindo a maior longevidade
da mulher. Pode afirmar-se que as doenças cérebro vasculares, à semelhança das doenças isquémicas,
pneumonia, doenças endócrinas, nutricionais e metabólicas e as doenças do sistema nervoso e dos órgãos dos
sentidos estão particularmente associadas ao envelhecimento. Em 2004, os óbitos de homens com 65 ou mais
anos representavam 74, 0 % do total das mortes do sexo masculino (56,6 % em 2002). Para o mesmo ano 87, 2 %
das mulheres tinham morrido com idade igual ou superior a 65 anos (70,9 % em 2002).

8
Com base na 10ª Revisão da Classificação Internacional de Doenças (CID 10), em vigor em Portugal desde 2002.

Revista de Estudos Demográficos, nº 40


55

Quadro 9

Quadro 9

Principais causas de morte em Portugal (em percentagem do total de óbitos), 2002 e 2004
CID - 10 2002 (%) 2003 (%) 2004 (%)
Causas de Morte
Lista Europeia HM H M HM H M HM H M

Tuberculose 4 0,3 0,5 0,1 0,3 0,2 0,2 0,2 0,4 0,2
Doenças pelo vírus da imunodeficiência humana (VIH) 7 0,9 1,5 0,3 0,9 0,6 0,5 0,3 1,4 0,4
Tumores Malignos 9 20,9 23,7 17,8 20,8 24,0 17,4 21,8 24,8 18,5
Tumor maligno do esófago 10 0,5 0,8 0,2 0,5 0,8 0,2 0,6 0,9 0,2
Tumor maligno do estômago 11 2,4 2,8 1,9 2,3 2,7 1,8 2,3 2,7 2,0
Tumor maligno do colon 15 2,1 2,2 1,9 2,1 2,2 2,0 2,3 2,4 2,1
Tumor maligno da laringe, traqueia, brônquios e pulmões 17 3,2 5,0 1,2 3,3 5,3 1,1 3,4 5,4 1,2
Tumor maligno da mama feminina 21 1,5 0,0 3,0 1,4 0,0 2,9 1,4 0,0 3,0
Tumor maligno da próstata 24 1,6 3,1 0,0 1,6 3,0 0,0 1,7 3,2 0,0
Tumor maligno do tecido linfático, hematopoético e tecidos relacionados 27 1,7 1,7 1,6 1,7 1,8 1,6 1,7 1,7 1,7

A Situação Demográfica Recente em Portugal


Diabetes Mellitus 33 4,2 3,3 5,1 4,2 3,4 4,9 4,4 3,6 5,2
Doenças do Aparelho Circulatório 34 38,4 33,6 43,7 37,6 32,8 42,7 36,3 31,8 41,2
Cardiopatia Isquémica 35 8,9 9,4 8,4 8,8 9,0 8,6 8,7 9,1 8,2
Outras doenças cardíacas 36 6,6 5,3 8,0 6,4 5,2 7,7 6,5 5,3 7,8
Doenças cerebro-vasculares 39 18,3 15,2 21,8 17,5 14,6 20,6 16,4 13,7 19,4
Pneumonia 40 3,3 3,4 3,2 3,5 3,6 3,4 3,3 3,2 3,4
Doenças crónicas das vias aéreas inferiores 44 2,5 3,2 1,8 2,5 3,2 1,8 2,4 3,0 1,7
Doenças Crónicas do Fígado 1,6 2,2 0,9 1,5 2,1 0,8 1,6 2,3 0,9
Sintomas, Sinais e resultados anormais de exames clínicos e de
55 9,4 8,3 10,7 10,0 8,8 11,2 9,6 8,6 10,7
laboratoriais, classificados em outra parte
Outras Causas de Morte 18,4 20,4 16,3 18,8 20,2 17,3 19,5 21,0 17,8
TOTAL DE ÓBITOS 100 100 100 100 100 100 100 100 100

Acidentes de transporte 60 38,7 41,2 31,7 35,5 38,7 27,3 32,2 35,2 24,5
Lesões autoprovocadas intencionalmente 63 21,1 22,4 17,5 20,5 22,0 16,7 22,0 23,1 19,4
Outras Causas de Morte Externas 58 40,2 36,4 50,9 44,0 39,3 56,0 45,8 41,8 56,2
TOTAL CAUSAS EXTERNAS DE MORTALIDADE 100 100 100 100 100 100 100 100 100

Fonte: INE, Estatísticas da Saúde, 2002 -2004 (cálculo das autoras)

Entre os tumores malignos, em 2004, o da laringe, traqueia, brônquios e pulmões ocupa o primeiro lugar como
causa de morte, nos homens (21,8%) e a quase totalidade ocorre nos indivíduos com 50 ou mais anos, atingindo
a frequência máxima no grupo etário dos 70-74 anos. Segue-se o tumor da próstata (12,8%). Idêntica hierarquia
é reservada, nas mulheres, ao tumor maligno da mama (15,9%) e ao do cólon (11,3%). Nas mulheres o tumor da
mama começa, em 2004, a registar valores a partir dos 30 anos para se tornar mais frequente depois dos
cinquenta ou mais anos.

O tumor do estômago adquire um peso idêntico tanto nos homens como nas mulheres (10,8%), e detém, em
ambos os casos, a terceira posição.

As mortes atribuídas aos tumores malignos da laringe, traqueia, brônquios e pulmões, para os homens, e o da
mama, para as mulheres, não cessam de aumentar, tal como as doenças cérebro vasculares em qualquer dos
sexos, com maior incidência nas mulheres.
56

Figura 8

Figura 8

Tumores malignos por sexo (%), Portugal, 2004 (CID - 10)


Homens
Tumor maligno da traqueia, dos brônquios e dos pulmões 23,3

Tumor maligno do cólon, recto e ânus 17,2

Tumor maligno da próstata 15,8

Tumor maligno do estômago 13,3

Tumor maligno do fígado e das vias biliares intra-hepáticas 4,6

Tumor maligno da bexiga 4,6

Tumor maligno do pâncreas 4,5

Tumor maligno do lábio, cavidade oral e faringe 4,4

0,0 3,0 6,0 9,0 12,0 15,0 18,0 21,0 24,0

Mulheres
Tumor maligno da mama 21,0
Tumor maligno do cólon, recto e ânus 20,3
Tumor maligno do estômago 14,3
Tumor maligno da traqueia, dos brônquios e dos pulmões 8,5
Tumor maligno do pâncreas 7,2
Tumor maligno de outras partes e de partes não especificadas do útero 5,4
Tumor maligno do ovário 5,2
Tumor maligno do fígado e das vias biliares intra-hepáticas 3,3

0,0 3,0 6,0 9,0 12,0 15,0 18,0 21,0 24,0

Fonte: INE, Estatísticas da Saúde 2004 (cálculo das autoras)

Em 2004, registaram-se 1 760 óbitos por acidente de transporte (CID-10, Lista Europeia) concentrando-se
quase metade no grupo etário dos 15-39 anos, e em particular na faixa etária entre os 20 e os 24 anos.

Revista de Estudos Demográficos, nº 40


57

Quadro10

Quadro 10

Óbitos causados por acidentes de transporte (CID - 10), Portugal, 2002 - 2004
2002 2003 2004
Idades
Total Homens Mulheres Total Homens Mulheres Total Homens Mulheres

15-19 158 130 28 110 82 28 121 94 27


20-24 242 209 33 241 207 34 211 177 34
25-29 233 195 38 195 157 38 193 170 23
30-34 177 155 22 158 139 19 147 123 24
35-39 160 143 17 146 120 26 127 115 12

15-39 970 832 138 850 705 145 799 679 120

TOTAL 2 220 1 739 481 1 997 1 561 436 1 760 1 385 375

Em percentagem

A Situação Demográfica Recente em Portugal


15-19 100 82,3 17,7 100 74,5 25,5 100 77,7 22,3
20-24 100 86,4 13,6 100 85,9 14,1 100 83,9 16,1
25-29 100 83,7 16,3 100 80,5 19,5 100 88,1 11,9
30-34 100 87,6 12,4 100 88,0 12,0 100 83,7 16,3
35-39 100 89,4 10,6 100 82,2 17,8 100 90,6 9,4

15-39 100 85,8 14,2 100 82,9 17,1 100 85,0 15,0

TOTAL 100 78,3 21,7 100 78,2 21,8 100 78,7 21,3

Fonte: INE, Estatísticas da Saúde, 2002 -2004 (cálculo das autoras)

Não é possível, com base no registo das Estatísticas de Saúde, fonte de informação para o estudo do fenómeno
da mortalidade apurar os óbitos causados por acidentes em veículos de duas rodas e se a morte ocorre enquanto
condutores ou como passageiros.

A quase totalidade das mortes devidas às doenças do sistema nervoso e dos órgãos dos sentidos observa-se
nas pessoas idosas e, em particular nas mais idosas. As mortes provocadas pela diabetes mellitus ocorrem
essencialmente nas idades superiores a 74 anos e sobretudo nas mulheres. Situação idêntica verifica-se com a
doença de Alzeimer.
58

5. Esperança de vida

A análise de tábuas de mortalidade sucessivas permite identificar o avanço no campo da esperança de vida.
Entre 2000 e 2005 a esperança de vida à nascença aumentou em Portugal 2,0 anos para os homens e 1,5 anos
para as mulheres e situou-se em 74,9 anos e 81,4 respectivamente, valores ainda afastados da média europeia
estimada pelo Eurostat 9 (75,8 anos nos homens e 81,9 anos nas mulheres em 2005) e que o colocam num lugar
intermédio tanto para os homens como para as mulheres. Contudo, as disparidades na esperança de vida à
nascença diminuíram, comparativamente à média comunitária, passando nos homens de 1,2 anos em 2000
para 0,8 anos em 2005. Para as mulheres as diferenças desceram de 0,8 anos para 0,5 anos.

O ritmo de crescimento da longevidade em Portugal, no período em análise, foi mais rápido entre os homens
(2,8%) do que entre as mulheres (1,9%), provocando o atenuar do fenómeno da sobremortalidade masculina, à
semelhança do verificado em outros países. O aumento de longevidade tende a abrandar à medida que os
ganhos de vida progridem. As mulheres desde o inicio deste século que apresentam um esperança média de
vida superior a oitenta anos.

Os valores analisados são deduzidos de tábuas de mortalidade abreviadas assentes em uma média de óbitos
para minimizar os efeitos das oscilações anuais dos óbitos.
Figura 9

Figura 9

Esperança média de vida à nascença (anos), Portugal, 2000-2005


90

85
Mulheres
80
6,5 anos
6,9 anos
75 7,0 anos

70 Homens

65

60
2000 2001 2002 2003 2004 2005

Fonte: INE, Estatísticas Demográficas e Estimativas de População Residente (cálculo das autoras)

Com o alargamento da Europa Comunitária aumentou a amplitude da esperança de vida observando-se os


valores mais elevados, para os homens, na Suécia (78,4 anos) e para as mulheres em Espanha (83,9 anos) e
França (83,8 anos). Os níveis mais baixos são pertença da Lituânia (65,4 anos), Letónia (65,6 anos), Estónia
(67,3 anos), e Hungria (68,6 anos), no caso dos homens e Lituânia e Letónia para as mulheres ambos com 77,4
anos.

O progresso em termos de esperança média de à nascença, entre 2000 e 2005, é transversal a todas as regiões
NUTS II do país, embora com diferente intensidade. É no Centro que tanto homens como mulheres vivem em
média, o maior número de anos (75,7 anos e 81,9 anos, respectivamente em 2004/2005,). Ao contrário, é na
Regiões Autónoma que em média se vive menos, não tendo os homens (69,3) conseguido ultrapassar os setenta
anos enquanto as mulheres alcançam os 78, 2 anos de vida média.

No período 2000-2005, é em Lisboa e Vale do Tejo que se regista o maior aumento de esperança de vida à
nascença, quantificado em 2,4, anos para os homens e 1,6 anos para as mulheres. Em oposição, os menores
ganhos ocorreram na Região Autónoma da Madeira no que refere aos homens (1,3 anos) e no Algarve no que se
reporta às mulheres (0,6 anos). Na Região Autónoma dos Açores o indicador observou um aumento de 1,3 anos,
nos homens, facto que lhes permitiu ultrapassar os 70 anos de vida média (70,8 anos em 2005).

9
Sobre esta temática ver Carrilho, Maria e Patrício, Lurdes in “Situação Demográfica Recente”pp132 na RED 38

Revista de Estudos Demográficos, nº 40


59

Figura 10

Figura 10

Ganhos em esperança de vida à nascença (anos), NUTS II, 2000- 2005


3,0

2,5 2,4
2,1
2,0 1,5
2,0 1,8
1,6 1,6
1,5 1,3
1,6
1,5 1,5 1,5 1,5
1,0

1,3 0,8
0,5
0,6
0,0
Portugal Norte Centro Lisboa Vale Tejo Alentejo Algarve RA Açores RA Madeira

A Situação Demográfica Recente em Portugal


Homens Mulheres

Fonte: INE, Estatísticas Demográficas e Estimativas de População Residente (cálculo das autoras)

Os ganhos alcançados no campo da mortalidade não variam de modo uniforme em cada idade. Em Portugal, os
acréscimos de esperança de vida ocorreram em todas as idades estimando-se que os valores sejam superiores
nos homens até aos 65 anos, facto que explica a sua evolução positiva no período analisado.

Actualmente, estima-se que os homens que atinjam os 65 anos de idade vivam ainda mais 16 anos, enquanto
as mulheres que alcancem a mesma idade podem esperar viver, em média, mais 20 anos. Enquanto que os
homens que celebram os 80 anos podem esperar viver mais sete anos as mulheres podem sobreviver mais 8,3
anos.

No período 2000-2005, e a partir dos 70 anos de idade os acréscimos em termos de esperança média de vida
foram muito próximos, tanto para homens como para mulheres, e mais modestos, inferiores a um ano. É em
Lisboa e Vale do Tejo que se regista o maior aumento de esperança de vida à nascença, quantificado em 2,1,
anos para os homens e 1,6 anos para as mulheres. Em oposição, os menores ganhos ocorreram na Região
Autónoma da Madeira no que refere aos homens (1,3 anos) e no Algarve no que se reporta às mulheres (0,6
anos). Na Região Autónoma dos Açores o indicador observou um aumento de 1,3 anos, nos homens, facto que
lhes permitiu ultrapassar os 70 anos de vida média (70,8 anos em 2005 Lisboa e Vale do Tejo é a região que mais
contribui para o aumento da esperança de vida, em todas as vidas, tanto para homens como para mulheres.

A sobremortalidade masculina está bem visível na análise do fenómeno da mortalidade para cada sexo e idades.
O excesso de mortalidade masculina face á mortalidade feminina, expresso através da relação da sobremortalidade,
cresce desde a nascença e atinge o valor máximo no ano de 2005 na idade exacta dos 20 anos, idade em que
o risco de morte é ligeiramente superior a três homens por cada mulher. O rácio desce gradualmente com o
avanço da idade, permanecendo triplo até à idade dos 45 anos. Aos 75 anos o risco de morte dos homens é
praticamente duplo da mulher.

As causas desta longevidade encontram-se na maior protecção hormonal que a mulher possui até atingir a
menopausa. Os avanços na medicina e a adopção de tratamentos hormonais de substituição, eventualmente
podem conferir uma posição favorável às mulheres que contrabalança todas as situações de stress, provocadas
pela sua maior participação no mercado de trabalho, envolvimento em acidentes de veículos a motor e a adopção
de comportamentos de risco semelhantes aos dos homens, no que se refere ao consumo de álcool e tabaco.

Espera-se que em 2005, de 100 000 nados vivos, só 92 359 homens alcancem a idade exacta dos 50 anos,
número substancialmente inferior ao das mulheres que sobrevivem à mesma idade (96 755).

De ressaltar que o número estimado de homens sobreviventes aos 80 anos (45 216), em 2005, é inferior ao
número de mulheres sobreviventes à mesma idade em 1991/92 (56 270).
60

Quadro11

Quadro 11

Esperança de vida e níveis de sobrevivência às diversas idades, Portugal, 2000-2005


e e e e e e
0 anos 20 50 60 70 80
Anos
H M H M H M H M H M H M

Esperança de vida (ex)


1999/00 72,89 79,90 53,91 60,67 27,08 31,95 18,90 22,94 11,81 14,57 6,47 7,81
2000/01 73,39 80,37 54,38 61,08 27,49 32,35 19,29 23,32 12,15 14,92 6,81 8,17
2001/02 73,68 80,56 54,61 61,25 27,63 32,50 19,43 23,45 12,27 15,03 6,86 8,18
2002/03 74,00 80,57 54,81 61,24 27,67 32,45 19,46 23,40 12,26 14,94 6,75 8,01
2003/04 74,53 80,98 55,26 61,58 27,97 32,73 19,75 23,66 12,46 15,16 6,86 8,14
2004/05 74,90 81,39 55,61 61,92 28,20 33,02 19,99 23,93 12,63 15,40 6,98 8,31

l l l l l l
0 anos 20 50 60 70 80
Anos
H M H M H M H M H M H M

Número de sobreviventes (lx)


1999/00 100 000 100 000 98 459 98 974 90 492 95 971 83 472 92 529 68 590 84 567 40 008 62 120
2000/01 100 000 100 000 98 518 99 056 90 712 96 082 83 887 92 750 69 484 85 110 41 301 63 051
2001/02 100 000 100 000 98 609 99 092 90 976 96 173 84 174 92 898 69 948 85 413 42 063 63 939
2002/03 100 000 100 000 98 789 99 112 91 478 96 307 84 648 93 035 70 539 85 661 42 642 64 334
2003/04 100 000 100 000 98 921 99 206 92 010 96 563 85 328 93 384 71 707 86 224 44 177 65 637
2004/05 100 000 100 000 98 959 99 297 92 359 96 755 85 653 93 672 72 470 86 699 45 216 66 767

Fonte: INE, Estimativas Definitivas de População Residente intercensitárias, 1991-2000 e Estimativas Provisórias de População Residente 2001-2005

6. As migrações e a população estrangeira

O contributo das migrações na dinâmica do crescimento da população depende do sentido, das características
que revelam e da sua duração. Desde 1993, que o saldo migratório é a principal componente do acréscimo
populacional em Portugal.

Podem distinguir-se dois tipos de impacte dos migrantes na população de acolhimento. Um, que actua nos
comportamentos demográficos de fenómenos como a fecundidade, modelos familiares e mortalidade, para o
qual contribuem os imigrantes que permanecem há mais tempo no país. Outro, e este mais imediato incide
sobre a estrutura da população ou seja na repartição por sexo e idades e são obra dos imigrantes recentes.
Estas diferenças explicam-se pelos motivos que determinam a saída dos países de origem e que 10se prendem
maioritariamente a motivos de natureza económica.

A população estrangeira de acordo com os Censos de 2001 é mais jovem do que a população nacional, e
concentra-se na faixa da população em idade activa, Ora, esta é precisamente a população mais afectada pela
emigração portuguesa, o que pode atenuar o efeito sobre a estrutura da população em idade activa.

A repartição por sexos da população estrangeira difere da população nacional na qual as mulheres são
supranumerárias, como resultado da sua maior longevidade. Ao contrário, os homens predominam na população
de nacionalidade estrangeiras, em particular no caso das populações não comunitárias, como resultado provável
da sua maior representatividade no processo migratório. De facto, no início, as migrações por natureza económica
são sobretudo masculinas. Em fase posterior, ocorre o reagrupamento familiar e os fluxos migratórios tendem
para um maior equilíbrio na repartição por sexo. No entanto, nos anos mais recentes a relação de feminilidade
desta população tem aumentado.

10
As recomendações ONU/Eurostat para a ronda dos Censos 2010, recentemente aprovadas, relevam a recolha do fenómeno.

Revista de Estudos Demográficos, nº 40


61

As migrações afectam a estrutura por sexo e por idades de uma população, quer de um modo directo, pela
repercussão nos efectivos da população de origem e na de acolhimento, quer de um modo indirecto, pela
transferência de nascimentos que podem ter associadas.

A avaliação das migrações internacionais e internas em Portugal apresenta dificuldades particulares, na medida
em que não existe um registo directo e exaustivo dos respectivos acontecimentos.

As migrações são no presente o principal factor a influenciar a variação das populações dos países desenvolvidos,
devido aos diminutos saldos naturais alcançados, e Portugal como se mostrou não é excepção. A quantificação
do fenómeno torna-se, assim, cada vez mais premente11.

As entradas provenientes do estrangeiro têm duas componentes, uma a de indivíduos com nacionalidade
estrangeira e outra de indivíduos com nacionalidade portuguesa, normalmente designados como regresso de
emigrantes. Segundo os Censos 2001, confirma-se que esta última componente continua a ser relevante e
atinge cerca de 60% do total dos indivíduos recenseados em Portugal e que declararam residir no estrangeiro
em 1995, perde peso e corresponde a 51 % das entradas ocorridas posteriormente a 1999. Estas duas populações,
de nacionalidade portuguesa e estrangeira apresentam estruturas por sexo e idades diferentes e

A Situação Demográfica Recente em Portugal


consequentemente provocam efeitos também diferentes, pois os motivos que as conduzem são igualmente
diversos12.

A população estrangeira com autorização de residência em Portugal no final do ano de 2005 ascendia, segundo
o Serviço de Estrangeiros e Fronteiras do Ministério da Administração Interna (SEF/MAI), a 275 906 indivíduos,
(números provisórios), ou seja uma variação positiva de 4,7% comparativamente ao ano anterior, e inferior à
registada de 2003 para 2004 (5,3%). Esta população situava-se, sobretudo, na faixa etária correspondente à
população em idade activa.

11
Sobre esta temática ver MAGALHÃES, Maria da Graça ”Migrações Inter NUTS II e Projecções Regionais de População
Residente” no número 34 da Revista de Estudos Demográficos (RED).
12
Sobre esta temática ver Maria I. Baganha, José Carlos Marques e Pedro Góis” Imigrantes de Leste em Portugal” no número 38
da RED
62

Quadro12

Quadro 12

População estrangeira com residência legalizada em Portugal, 2000-2005

Continente / País de Nacionalidade 2000 2001 2002 2003* 2004* 2005*

Total 207 587 223 997 238 929 249 995 263 353 275 906
Homens 118 271 125 958 132 663 137 607 143 369 148 700
Mulheres 89 316 98 039 106 266 112 388 119 984 127 206
Europa 61 678 67 127 72 229 77 124 83 656 88 560
Alemanha 10 385 11 167 11 878 12 539 13 098 13 571
Bélgica 2 115 2 278 2 434 2 552 2 656 2 742
Espanha 12 229 13 645 14 599 15 281 15 874 16 383
França 7 193 7 817 8 377 8 841 9 249 9 602
Itália 3 030 3 380 3 771 4 185 4 569 4 816
Moldávia 15 45 97 270 1 047 1 374
Países Baixos 4 075 4 460 4 812 5 102 5 349 5 640
Reino Unido 14 096 14 953 15 903 16 860 17 977 18 966
Roménia 369 508 615 764 1 212 1 556
Rússia 519 596 699 858 1 151 1 335
Suécia 1 235 1 317 1 371 1 405 1 457 1 496
Suiça 1 363 1 407 1 472 1 555 1 616 1 662
Ucrânia 163 203 299 525 1 523 2 070
Outros Países Europa 4 891 5 351 5 902 6 387 6 878 7 347

África 98 769 107 309 114 399 117 954 121 638 125 934
Angola 20 416 22 751 24 782 25 616 26 520 27 697
Cabo Verde 47 093 49 845 52 223 53 434 54 806 56 433
Guiné Bissau 15 941 17 791 19 227 20 041 20 583 21 258
Moçambique 4 619 4 725 4 864 4 916 4 955 5 074
S. Tomé e Príncipe 5 437 6 304 6 968 7 279 7 829 8 274
Total dos Palp 93 506 101 416 108 064 111 332 114 693 118 736
Outros Países África 5 263 5 893 6 335 6 668 6 945 7 198

América 37 590 39 018 40 535 42 509 44 892 47 725


América Norte 10 195 10 183 10 138 10 116 10 114 10 108
EUA 8 022 8 023 8 000 7 998 7 992 8 003
América Central e do Sul 27 395 28 835 30 397 32 393 34 778 37 617
Brasil 22 202 23 422 24 762 26 508 28 732 31 546
Venezuela 3 494 3 508 3 520 3 517 3 459 3 330

Ásia 8 746 9 724 10 938 11 565 12 331 12 847


China 3 282 3 953 4 529 4 810 5 273 5 530
Índia 1 290 1 360 1 525 1 612 1 687 1 770
Japão 789 800 818 838 851 864
Paquistão 956 1 034 1 194 1 279 1 345 1 382

Oceânia 526 537 545 557 554 556


Austrália 470 476 483 489 486 488
Outros Países Ásia e Oceânia 2 429 2 577 2 872 3 026 3 175 3 301

Apátridas e Desconhecida 278 282 283 286 282 284

Fonte: Ministério da Administração Interna / Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (MAI/SEF)


Nota: A informação a desde 2000 foi revista pelo MAI/SEF em Setembro de 2006.
Este facto explica eventuais diferença com a informação reportada na RED nº 38.
* Valores Provisórios

Revista de Estudos Demográficos, nº 40


63

No que se refere às regiões de origem, constata-se que a grande maioria dos estrangeiros continua a ser de
origem africana e de língua portuguesa (PALP), proporção que aumentou sempre nos anos noventa para se
situar em 45,6%, em 2005. A população cabo-verdiana (20,5%) constitui a parte mais significativa da população
estrangeira com residência legalizada em Portugal, tendo, no entanto, perdido importância relativa, face a 1990
(menos 8 pontos percentuais), à semelhança da moçambicana (menos um ponto percentual). Ao contrário, os
imigrantes com nacionalidade angolana cresceram de 4,9% para 10,0% e os guineenses de 3,7% para 7,7%.
Os nacionais de São Tomé e Príncipe revelem uma tendência em alta, de 1,9 % para 3,0%, no mesmo período,
mas em número substancialmente inferior às nacionalidades mais relevantes.

Da Europa tiveram origem 32,1% dos indivíduos estrangeiros a residir legalmente em Portugal em 2005,
representando uma variação positiva de 6% face ao ano anterior. Este acréscimo resulta do aumento dos fluxos
provenientes dos países do leste europeu, em especial; da Ucrânia; Moldávia; Rússia e Roménia13.

Do conjunto dos países da UE, o Reino Unido (6,9%), Espanha (5,9%) e Alemanha (4,9%) assumem as posições
mais importantes, mantendo os mesmos valores nos últimos anos. Os nacionais do Brasil subiram 30 % entre
1990 e 2005 e são responsáveis pela maioria dos residentes estrangeiros provenientes da América Central e do
Sul. A Ásia ganha importância no conjunto da população estrangeira legalizada e atinge os 4,7% em 2005,

A Situação Demográfica Recente em Portugal


contribuindo, essencialmente, os nacionais da China para o acréscimo.

Do total da população estrangeira com residência legalizada em Portugal, em 2005, 53,9% eram indivíduos do
sexo masculino e 46,1% do sexo feminino contra 54,4% e 45,69% no ano anterior continuando o atenuar da
sobre representatividade masculina. A relação de masculinidade é particularmente elevada entre a população de
nacionalidade africana, na qual por cada 100 mulheres residentes em Portugal existem 131 homens. O rácio é
mais equilibrado entre a população europeia (110 homens por 100 mulheres). Dentro dos países da UE o número
de mulheres excedia o de homens nas nacionalidades espanhola (103), a que se juntam as mulheres com
nacionalidade brasileira (114) e outros países da América Central e do Sul, embora não muito expressivos em
termos de efectivos. A relação de feminilidade tem vindo a subir, facto que indicia ou o intensificar da entrada de
mulheres na situação de imigrantes ou por motivo de reagrupamento familiar.

Devido à intensidade do fenómeno imigratório em situação irregular realizaram-se duas operações de legalização
extraordinária, em 1992 e em 1996, que originaram a legalização de 39 166 e 35 082 cidadãos estrangeiros,
respectivamente. Em ambas as operações a maioria dos pedidos, cerca de 70% pertenceu aos nacionais dos
países de língua portuguesa (PALP) e dentro desta predominou a nacionalidade angolana, embora tenham
perdido peso entre uma e outra.

Ainda, e de acordo, com a informação do SEF, em 2005, foram prorrogadas 93 391 autorizações de permanência
e 46 637 vistos de longa duração nos quais se incluem as categoria de trabalho, estada temporária e estudo.

No que se refere à emigração, os problemas em quantificar os fluxos agravaram-se em 1988 quando foi extinto
o Passaporte de Emigrante14 e com a adesão à União Europeia, devido à livre circulação de pessoas nas
fronteiras e com o acordo de Shengen celebrado em 1999.

Na emigração portuguesa destacam-se algumas fases de evolução. Uma, que regista o primeiro grande surto
emigratório da história contemporânea portuguesa, sobretudo para o Brasil, e que se localiza entre 1911 e 1920
atingindo o valor máximo em 1912; outra, de maior intensidade e que corresponde ao grande ciclo de emigração
portuguesa para a Europa, ocorre durante a guerra colonial, situa-se entre 1962 a 1973, e origina a diminuição da
população portuguesa durante este período. Ambas as fases têm subjacentes saídas de carácter permanente
ou seja, por períodos iguais ou superiores a um ano. A partir do final dos anos oitenta, a emigração portuguesa,
assume alguma expressão, mas prevalecem os fluxos de carácter temporário, ou seja por período inferior a um
ano, situação que, segundo se estima, tenha tido continuidade no início do presente século15.

13
Decreto-lei 438/88
14
Sobre esta temática ver Moreira, Humberto “Emigração Portuguesa (Estatísticas retrospectivas e reflexões temáticas)” no
número 38 da RED
15
A informação para 2004 e 2005 não está disponível.
64

Adoptando uma média das correntes emigratórias permanentes e temporárias deduzida do Inquérito ao Movimento
Migratório de Saídas (IMMS) realizado pelo INE, pode apontar-se para um total de 118 080 saídas no período de
1994-200316, valores muito afastados dos verificados nos anos sessenta e início dos setenta do século vinte,
quando só num ano se atingiu aquele quantitativo.

Quantificar os fenómenos migratórios é uma tarefa difícil, tendo em conta a livre circulação no âmbito da
comunidade europeia. Alguns especialistas na matéria defendem que os fluxos de entrada e saída no espaço
comunitário não devem ser considerados como fluxos migratórios. Este foi também o entendimento dos franceses17
com a lei de 26 de Novembro deixaram de conseguir captar o número de estrangeiros residentes em França, na
medida em que a referida lei não obriga os indivíduos provenientes do espaço económico e da Suiça a terem um
título de residência. No momento em que o saldo migratório assume uma relevância enorme no crescimento da
população devido à tendência para zero do saldo natural torna-se mais premente ainda a sua quantificação.

7. Estruturas etárias e Envelhecimento

A pirâmide de Portugal evidencia a forte queda de fecundidade, com reflexo nas idades jovens, e o significativo
aumento da esperança de vida, bem visível no alargamento das idades avançadas.
Figura 11

Figura 11

Pirâmides Etárias da população residente ,Portugal, 2001 e 2005


Idades
100
Homens Mulheres
95

Idade Média 90
Idade Média
2001 = 38,1 anos 85
2001 = 40,9 anos
2005 = 39,0 anos 80
2005 = 41,9 anos
75
70
65
60
55
50
45
40
35
30
25
20
15
10
5
0
1,2 1,0 0,8 0,6 0,4 0,2 0,0 0,0 0,2 0,4 0,6 0,8 1,0 1,2

Em percentagem do total da população 2001 2005

16
Population, Numéro 4, 2006; “L´évolution démographique Récente en France” P.P.395, INED ; Paris´
17
INE (2003) Projecções de População Residente, 2000-2050, Lisboa.

Revista de Estudos Demográficos, nº 40


65

Os ganhos alcançados em termos de esperança de vida induziram o aumento da idade média da população em
cerca de 3,3 anos, que passou de 35,5 anos em 1991, para 39,0 anos, em 2005, nos homens, e de 38,2 anos
para 41,9 anos nas mulheres. O cálculo da idade mediana permite eliminar os efeitos das idades extremas e
estima-se, em 2005, em 37 anos para os homens e 40 anos para as mulheres.

Os desequilíbrios entre os efectivos masculinos e femininos nas idades avançadas, consequência da desigualdade
perante a morte, anteriormente analisada, estão bem marcados no desenho da pirâmide.

O aumento conjuntural da natalidade verificado nos útimos cinco anos do século passado é notório nas gerações
mais novas mas revelou-se insuficiente para compensar o declínio da percentagem de jovens na população. Na
realidade, os efeitos da queda da fecundidade são bastante duradouros e difíceis de recuperar e estão bem
expressos na redução da população jovem, que em 1995 tinha um peso relativo na população total de 17,5%,
em 2000 de 16,0 % e em 2005 apenas de 15,6 %.

A população em idade activa dos 15-64 anos, que cresceu ligeiramente de 1995 para 2000, como efeito da
imigração masculina ocorrida no período, inverteu a tendência entre 2000 e 2005 e perdeu importância relativa,
passando de 67,6% e 67,3 % respectivamente. Dentro da população em idade activa ou adulta, ressaltam duas

A Situação Demográfica Recente em Portugal


dinâmicas de evolução opostas, com a população mais nova a baixar e a população mais velha a aumentar. De
facto, a população em idade activa mais jovem (15-24 anos) desceu para 12,2% em 2005 (14,3% em 2000 e
15,9% em 1995) enquanto a população com idades compreendidas entre os 25 e os 64 anos não cessa de
crescer para atingir 55,1% em 2005 (53,4% em 2000 e 51,6% em 1995). Uma outra decomposição da população
em idade activa mostra idêntica tendência: a população dos 15-44 anos desce 42,6 % em 2005 (44,0% em 2000
e 44,5% em 1995) Ao contrário, a população dos 45-64 anos, ou seja a população em idade activa mais velha,
eleva-se de 23,0% 1995, para 23,7% e em 2000 para atingir 24,7% em 2005. Este comportamento evidencia o
envelhecimento da população em idade activa.

A população idosa, ou seja, igual ou superior a 65 anos, representava em 1995, cerca de 15,0 %, (16,4% em
2000) reforçou essa posição aumentando continuamente até atingir os 17,1% em 2005. Esta faixa etária em
2004, último ano para o qual se conhece a informação do Eurostat, ultrapassa a média estimada para UE25
(16,5%,). Dentro da população idosa, o crescimento é mais forte nos idosos mais velhos.

O envelhecimento está bem evidenciado na evolução do peso relativo da população com 75 ou mais anos que
subiu 6,8 % em 2000 para 7,5%.em 2005. A tendência é mais acentuada entre as mulheres (8,1 % em 2000 e
9,0 % em 2005). A população desta faixa etária representa quase metade da população idosa.

A proporção dos mais idosos (80 ou mais anos) na população idosa em 2005 eleva-se a 22,9 % sendo 19,5%
nos homens e 25,4 % nas mulheres expressando o fenómeno da sobremortalidade masculina, contra 19,4% e
25,2%, respectivamente para homens e mulheres, no ano anterior.

A estrutura etária da população portuguesa resulta das diferentes evoluções dos movimentos natural e migratório
ao longo do período em observação, traduzida em uma nova distribuição dos grupos etários, com um número de
pessoas idosas superior ao número de jovens, e está bem reflectida nos indicadores demográficos normalmente
apresentados para medir o envelhecimento. Em 2000 por cada 100 jovens com menos de quinze anos havia
cerca de 102 idosos, em 2004 o rácio eleva-se para 110 idosos.
66

Quadro13

Quadro 13

Estrutura por idades da populaçäo residente(%) e índices resumo, por sexo, Portugal, 1995-2005

Indicadores 1995 2000 2001 2002 2003 2004 2005

População com 0 - 14 anos 17,5 16,0 15,9 15,8 15,7 15,6 15,6
Homens 18,6 17,0 16,8 16,8 16,7 16,6 16,5
Mulheres 16,5 15,1 15,0 14,9 14,9 14,8 14,7
População com 15 - 64 anos 67,5 67,6 67,6 67,5 67,4 67,3 67,3
Homens 68,5 68,9 68,9 68,8 68,8 68,7 68,7
Mulheres 66,6 66,5 66,4 66,3 66,2 66,1 66,0
População com 65 ou mais anos 15,0 16,4 16,5 16,7 16,8 17,0 17,1
Homens 12,9 14,2 14,3 14,4 14,5 14,7 14,8
Mulheres 16,9 18,4 18,6 18,8 18,9 19,2 19,3
População com 75 ou mais anos 5,9 6,8 6,9 7,0 7,2 7,3 7,5
Homens 4,5 5,3 5,5 5,6 5,6 5,8 5,9
Mulheres 7,1 8,1 8,3 8,4 8,6 8,8 9,0
População com 80 ou mais anos 3,1 3,4 3,5 3,6 3,7 3,8 3,9
Homens 2,2 2,5 2,6 2,6 2,7 2,8 2,9
Mulheres 3,9 4,3 4,4 4,5 4,6 4,7 4,9
Índice de dependência total 48,2 47,9 47,8 47,7 47,6 47,8 48,0
Homens 46,1 102,2 104,2 105,5 106,8 108,7 110,1
Mulheres 50,2 83,6 85,1 86,1 87,2 88,7 89,7
Índice de dependência jovens 25,9 23,7 23,5 23,4 23,3 23,2 23,1
Homens 27,2 24,6 24,4 24,4 24,3 24,1 24,0
Mulheres 24,7 22,7 22,6 22,5 22,5 22,4 22,2
Índice de dependência idosos 22,3 24,2 24,5 24,7 24,9 25,3 25,4
Homens 18,9 20,6 20,8 21,0 21,1 21,4 21,5
Mulheres 25,5 27,7 28,0 28,3 28,6 29,0 29,3
Índice de envelhecimento 85,8 102,2 104,2 105,5 106,8 108,7 110,1
Homens 69,6 83,6 85,1 86,1 87,2 88,7 89,7
Mulheres 102,9 121,8 124,2 125,8 127,5 129,8 131,5
Índice de longevidade 39,0 42,0 42,3 42,6 43,1 43,85 25,4
Homens 35,1 38,2 38,5 38,8 39,2 39,94 21,5
Mulheres 41,8 44,6 45,0 45,4 45,9 46,67 29,3

Fonte: Estimativas de População Residente aferidas com os resultados definitivos dos Censos 2001, tendo em conta os erros de cobertura dos Censos
1991 e 2001 e Estatísticas Demográficas.

A proporção é mais elevada no caso das mulheres devido à maior longevidade que possuem e anteriormente
referida. O indicador subiu de 122 idosas por cada 100 jovens em 2000, para 132 em 2005. Desde 1995 que
as mulheres idosas ultrapassam em número as mulheres jovens.

Revista de Estudos Demográficos, nº 40


67

Figura 12
Figura 13

Figura 12

Taxa de crescimento natural (por mil habitantes) Portugal, 2005

A Situação Demográfica Recente em Portugal


Taxa
[-3.03 ; -1.27[
[-1.27 ; 0.00[
0 40 80 Km [0.00 ; 0.05[
[0.05 ; 0.83]
68

Figura 13

Taxa de crescimento migratório (por mil habitantes), Portugal, 2004

Taxa
[-2.09 ; -0.23[
[-0.23 ; 0.00[
0 40 80 Km [0.00 ; 1.46[
[1.46 ; 3.37]

A relação entre a população em idade activa (15-64 anos) e a população dependente (com menos de quinze
anos e com 65 ou mais anos) está expressa no índice de dependência total que se manteve nos 48
dependentes em 1995 e em 2005. Este indicador contém duas evoluções opostas; uma descendente, a do
índice de dependência de jovens que passou de 26 jovens a cargo para 23, no período e reflecte a baixa
natalidade, e outra ascendente que se traduz num aumento do índice de dependência de idosos de 24 para
25, resultante do aumento da esperança de vida em idêntico período. O índice de dependência de idosos
não cessa de aumentar e resulta sobretudo da acentuada queda de fecundidade, pois os ganhos no campo
da mortalidade observam-se em todas as idades e em especial na mortalidade infantil.
O índice de envelhecimento, que compara a população com 65 e mais anos com a população de idade
inferior a 15 anos, assume diferentes evoluções demográficas a nível regional e é na Região Autónoma dos
Açores que se encontra o valor mais baixo, consequência do facto de esta região só muito recentemente
ter deixado de assegurar a substituição das gerações. O índice varia assim, em 2005 de 63 idosos por cada
100 jovens na Região Autónoma dos Açores a 184 idosos por cada 100 jovens no Alentejo. São as zonas
onde a natalidade é mais elevada que têm os menores rácios.
O nível de envelhecimento de uma região reflecte a evolução das taxas de crescimento natural e migratório,
na sua componente interna e externa. Da análise das figuras 12 e 13 facilmente ressalta que as manchas
correspondentes às taxas de crescimento natural mais negativas e às taxas de crescimento migratório
mais fraco, coincidem com os níveis de envelhecimento mais fortes.

Revista de Estudos Demográficos, nº 40


69

As projecções de população residente assentes nos resultados definitivos dos Censos 2001 e nas tendências
das variáveis demográficas apontam para um decréscimo da população residente, qualquer que seja o
cenário escolhido18.
O cenário base conjuga subidas graduais dos níveis actuais de fecundidade e de esperança de vida com
saldos migratórios sempre positivos com tendência para se reduzirem e tornarem constantes e iguais a 10 000
indivíduos por ano, a partir de 2009.
Figura 14

Figura 14

População residente em Portugal, 1995-2045 (Cenário Base)

milhares 2005 - Saldo natural torna-se negativo

11000
2034 - ISF =1,6

10500

10000

A Situação Demográfica Recente em Portugal


2009 - Os saldos migratórios
tornaram-se inferiores a 25 000
9500
2045 = 9,6 milhões
de habitantes
9000

2009 -2045 Saldos migratórios =10 000/ano


8500
1995 2000 2005 2010 2015 2020 2025 2030 2035 2040 2045

Fonte: INE, Estimativas Definitivas de População Residente Intercensitárias, 1991-2000 e Projecções da População Residente, 2000-2050

Prevê-se que a população residente em 2045 diminua para 9 585,5 milhares de indivíduos, número bastante
inferior ao de 1995. A proporção de população jovem reduzir-se-á a 13,0% e a população idosa aumentará para
30,7% agravando-se assim o processo de envelhecimento da população portuguesa bem expresso no índice de
envelhecimento de 236 idosos por cada 100 jovens.

Mesmo num cenário de fecundidade alta, com um índice de fecundidade a atingir 1,92 criança por mulher a
população situar-se-á em 10 208,8 milhares de indivíduos, a população idosa aumentará mais moderadamente
(29,1%) e o índice fixar-se-á em 189 idosos por cada 100 jovens.

Esta evolução demonstra que a imigração pode retardar o envelhecimento demográfico, dada a maior juventude
da sua população, mas não o resolve.

18
INE (2003) Projecções de População Residente, 2000-2050, Lisboa.
70

Conclusões

Confirma-se o atenuar do crescimento contínuo da população residente observado desde o final do século XX.

A dinâmica do crescimento da população residente em Portugal no período 2000-2005 caracteriza-se pela forte
redução do saldo natural, que se tornou praticamente nulo, provocada pela queda da natalidade e pelo acréscimo
importante da mortalidade, em particular no último ano. Paralelamente, assiste-se ao atenuar dos fortes saldos
migratórios positivos, consequência do declínio das correntes migratórias de entrada e do aumento das de
saída.

A fecundidade permanece muito fraca, com um nível bastante inferior ao exigido para substituir as presentes
gerações de pais, ou seja, cerca de 2,1 crianças por mulher. Neste campo, dois países da Europa do Sul a
Espanha e a Grécia revelam níveis inferiores ao de Portugal.

A esperança de vida conhece ganhos significativos, sobretudo entre os homens, diminuindo a diferença da vida
média entre homens e mulheres. No entanto, o indicador continua a não ser favorável tanto para homens como
para mulheres no contexto da média comunitária.

As grandes mudanças na fecundidade e na mortalidade determinaram o processo de envelhecimento da população


residente em Portugal. Desde 2000,que a proporção de pessoas idosas excede a de população jovem. Dentro
da população idosa, maioritariamente feminina, o ritmo de crescimento é mais forte na mais idosa.

O declínio da mortalidade infantil, a maior acessibilidade a métodos contraceptivos seguros, a entrada da mulher
na vida activa, a dificuldade em conciliar vida familiar, profissional e pessoal, são factores decisivos para ter
filhos, e no seu espaçamento. O ingresso tardio dos jovens no mercado de trabalho, devido à maior escolarização,
e consequente dependência das gerações mais novas às mais idosas, a dificuldade no acesso à habitação são
eventualmente condicionantes importantes na escolha do número de filhos a ter. Por outro lado, a criação do
sistema de segurança social e os esquemas de pensões de reforma separaram a função de procriar da de
sustentar os pais na velhice.

Nascem cada vez menos crianças, os filhos dos imigrantes ganham peso no número anual de nascimentos, o
filho único é a opção predominante, a proporção de nascimentos com coabitação dos pais eleva-se, os pais são
mais velhos e escolhem com maior frequência a união de facto como forma de conjugalidade, e divorciam-se
mais. A maternidade depois dos trinta é mais frequente e a das adolescentes mantém-se elevada, apesar de se
ter reduzido substancialmente. No que se refere ao padrão da fecundidade,

O sentido que os fluxos migratórios apresentarem no futuro determina a variação positiva ou negativa da população
e o maior ou menor grau de envelhecimento demográfico, pois a permanência da fecundidade a níveis inferiores
ao da substituição das gerações parece irreversível.

A entrada de imigrantes pode atenuar o envelhecimento devido à sua estrutura etária se concentrar nas idades
activas. No entanto, deve ter-se presente que o efeito imigratório sobre a composição de idades da população é
mais modesto do que a baixa da fecundidade, pois os imigrantes tendem a adoptar os padrões de fecundidade
e mortalidade das sociedades de acolhimento, e eles próprios envelhecem. A predominância masculina nos
fluxos de entrada tem enfraquecido recentemente.

As projecções disponíveis no INE apontam para a diminuição da população e para a progressão do fenómeno do
envelhecimento, mesmo na hipótese de os níveis de fecundidade aumentarem e os saldos migratórios continuarem
positivos.

O envelhecimento demográfico e a imigração permanecem como os grandes desafios que a sociedade portuguesa
enfrenta e para os quais tem que encontrar respostas de modo a promover a igualdade de oportunidades para
todos.

Revista de Estudos Demográficos, nº 40


71

Referências Bibliográficas

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Desafio Demográfico e o Espaço de Liberdade, Segurança e Justiça, actas do Debate no Centro Cultural de
Belém, Parlamento Europeu, Lisboa.

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CARRILHO, Maria José e PATRÍCIO, Lurdes (2002) “A Situação Demográfica Recente em Portugal ”, Revista
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INE (2003), Estimativas Provisórias de População Residente, 2001-2002, Portugal, NUTS II; NUTSIII e
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INE (2003), Estimativas Definitivas de População Residente Intercensitárias, 1991-2000, Portugal, NUTS II;
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INE (2003), Projecções da População Residente 2000-2050, Portugal, Instituto Nacional de Estatística –
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SAUVY, Alfred (1984), La Population, Que sais-je ? , 14ª edição, Presses Universitaires de France, Paris.
72

Anexo 1

População residente em Portugal, 2000 e 2005, NUTS II ( duas geografias)


População
NUTS II - Decreto Lei nº46/89 *
2000 2005

Portugal 10 256 658 10 569 592


Continente 9 779 845 10 082 154
Norte 3 643 795 3 737 791
Centro 2 325 161 2 382 448
Lisboa e Vale do Tejo 2 661 748 2 779 097
Alentejo 765 742 765 971
Algarve 383 399 416 847
Região Autónoma dos Açores 237 028 242 241
Região Autónoma da Madeira 239 785 245 197

População
NUTS II - Decreto Lei nº 244/2002
2000 2005

Portugal 10 256 658 10 569 492


Continente 9 779 845 10 082 154
Norte 3 643 795 3 737 791
Centro 1 759 891 1 793 474
Lisboa 3 468 116 3 615 773
Alentejo 524 644 518 169
Algarve 383 399 416 847
Região Autónoma dos Açores 237 028 242 241
Região Autónoma da Madeira 239 785 245 197

* Estas NUTS incluem as seguintes alterações posteriores: a criação dos municípios de Vizela( 15/09/1988),Odivelas e Trofa( 14/12/1998)
bem como a passagem da NUTS IIIMédia Tejo para o Alto Alentejo( 08/091999)
Fonte: INE, Estatísticas Demográficas e Estimativas Provisórias da População, 2005,
Anexo 2

Taxas de fecundidade (por mil mulheres), NUTS II, 2005


Nuts II, Decreto Lei 46/89*
Idades Lisboa e
Portugal Continente Norte Centro Vale Alentejo Algarve R. A. Açores R. A. Madeira
do Tejo
15-19 18,96 18,22 16,50 14,79 20,81 22,61 24,77 35,39 25,29
20-24 47,61 46,91 44,55 39,49 51,25 48,06 67,06 65,41 53,57
25-29 84,27 84,11 80,32 79,75 88,30 80,10 105,78 94,24 80,59
30-34 85,27 85,46 78,60 79,83 93,78 83,57 99,87 81,00 82,09
35-39 37,62 37,55 33,13 34,54 43,89 32,66 42,76 34,31 42,93
40-44 7,41 7,35 6,60 6,05 8,88 6,03 8,56 7,75 9,40
45-49 0,45 0,45 0,41 0,29 0,53 0,41 0,84 0,39 0,48

15-49 41,75 41,54 38,30 37,36 46,42 39,26 51,01 47,67 43,93
Fecundidade Total 1,41 1,40 1,30 1,27 1,54 1,37 1,75 1,59 1,47

Taxas de fecundidade (por mil mulheres), NUTS II, 2005


Nuts II, Decreto Lei 244/2002
Idades
Portugal Continente Norte Centro Lisboa Alentejo Algarve R. A. Açores R. A. Madeira

15-19 18,96 18,22 16,50 14,95 22,17 21,57 24,77 35,39 25,29
20-24 47,61 46,91 44,55 40,96 52,92 47,74 67,06 65,41 53,57
25-29 84,27 84,11 80,32 82,00 88,19 82,94 105,78 94,24 80,59
30-34 85,27 85,46 78,60 80,38 96,51 85,24 99,87 81,00 82,09
35-39 37,62 37,55 33,13 34,99 46,36 32,68 42,76 34,31 42,93
40-44 7,41 7,35 6,60 6,31 9,46 6,21 8,56 7,75 9,40
45-49 0,45 0,45 0,41 0,32 0,56 0,43 0,84 0,39 0,48

15-49 41,75 41,54 38,30 38,25 47,90 40,29 51,01 47,67 43,93

Fecundidade Total 1,41 1,40 1,30 1,30 1,58 1,38 1,75 1,59 1,47

* Estas NUTS incluem as seguintes alterações posteriores: a criação dos municípios de Vizela( 15/09/1988),Odivelas e Trofa( 14/12/1998)
bem como a passagem da NUTS IIIMédia Tejo para o Alto Alentejo( 08/091999)
Fonte: INE, Estatísticas Demográficas e Estimativas Provisórias da População, 2005, (cálculo das autoras).

Revista de Estudos Demográficos, nº 40


73

Anexo 3

Idade Média à Maternidade (anos), NUTS II, 2005


Indicadores
NUTS II - Decreto Lei nº46/89 *
Nascimento de um Filho Nascimento do 1º Filho

Portugal 29,6 27,8


Continente 29,7 27,8
Norte 29,5 27,6
Centro 29,7 27,8
Lisboa e Vale do Tejo 29,9 28,2
Alentejo 29,1 27,0
Algarve 29,4 27,6
Região Autónoma dos Açores 27,9 25,4
Região Autónoma da Madeira 29,3 27,4

Indicadores
NUTS II - Decreto Lei nº 244/2002
Nascimento de um Filho Nascimento do 1º Filho

A Situação Demográfica Recente em Portugal


Portugal 29,6 27,8
Continente 29,7 27,8
Norte 29,5 27,6
Centro 29,7 27,8
Lisboa 30,0 28,4
Alentejo 29,2 27,3
Algarve 29,4 27,6
Região Autónoma dos Açores 27,9 25,4
Região Autónoma da Madeira 29,3 27,4

Fonte: INE, Estatísticas Demográficas e Estimativas Provisórias da População, 2005, (cálculo das autoras).

* Estas NUTS incluem as seguintes alterações posteriores: a criação dos municípios de Vizela( 15/09/1988),Odivelas e Trofa( 14/12/1998)

bem como a passagem da NUTS IIIMédia Tejo para o Alto Alentejo( 08/091999)

Anexo 4

Idade Média ao Casamento (anos), NUTS II, 2005


Indicadores
NUTS II - Decreto Lei nº46/89 * Idade média ao casamento Idade Média ao 1º casamento
Homens Mulheres Homens Mulheres

Portugal 31,3 28,9 28,9 27,3


Continente 31,4 29,0 29,0 27,4
Norte 29,8 27,5 28,1 26,5
Centro 30,7 28,3 28,6 27,0
Lisboa e Vale do Tejo 33,3 30,9 30,1 28,7
Alentejo 32,4 29,8 30,1 28,3
Algarve 33,6 30,9 30,4 28,1
Região Autónoma dos Açores 29,0 25,7 27,0 24,1
Região Autónoma da Madeira 30,9 28,1 28,5 26,9

Indicadores
NUTS II - Decreto Lei nº 244/2002 Idade média ao casamento Idade Média ao 1º casamento
Homens Mulheres Homens Mulheres

Portugal 31,3 28,9 28,9 27,3


Continente 31,4 29,0 29,0 27,4
Norte 29,8 27,5 28,1 26,5
Centro 31,0 28,6 28,7 27,1
Lisboa 33,8 31,3 30,4 29,0
Alentejo 32,2 29,7 29,9 28,1
Algarve 33,6 30,9 30,4 28,1
Região Autónoma dos Açores 29,0 25,7 27,0 24,1
Região Autónoma da Madeira 30,9 28,1 28,5 26,9

Fonte:INE, Estatísticas Demográficas e Estimativas Provisórias da População, 2005, ( cálculo das autoras).
74

Anexo 5

Taxas Brutas de Nupcialidade e divorcialidade ( por mil habitantes), NUTS II, 2005
Indicadores
NUTS II - Decreto Lei nº46/89 *
Taxa bruta de Nupcialidade Taxa bruta de Divorcialidade

Portugal 4,61 2,14


Continente 4,55 2,13
Norte 5,00 1,85
Centro 4,45 1,90
Lisboa e Vale do Tejo 4,31 2,58
Alentejo 3,73 1,77
Algarve 3,97 2,10
Região Autónoma dos Açores 6,20 2,54
Região Autónoma da Madeira 5,64 2,24

Indicadores
NUTS II - Decreto Lei nº 244/2002
Taxa bruta de Nupcialidade Taxa bruta de Divorcialidade

Portugal 4,61 2,14


Continente 4,55 2,13
Norte 5,00 1,85
Centro 4,43 1,95
Lisboa 4,28 2,69
Alentejo 3,98 1,99
Algarve 3,97 2,10
Região Autónoma dos Açores 6,20 2,54
Região Autónoma da Madeira 5,64 2,24

Fonte:INE, Estatísticas Demográficas e Estimativas Provisórias da População, 2005, (cálculo das autoras).

Anexo 6

Esperança média de vida (anos), por sexo, NUTS II, 2004- 2005
Lisboa e Vale
Portugal Continente Norte Centro Alentejo Algarve R. A. Açores R. A. Madeira
Idades do Tejo
H M H M H M H M H M H M H M H M H M

0 74,9 81,4 75,1 81,5 75,3 81,6 75,5 81,8 74,9 81,5 74,5 81,3 74,1 80,9 70,8 78,4 69,3 78,2
1 74,2 80,7 74,4 80,8 74,6 80,9 74,7 81,0 74,2 80,8 73,9 80,4 73,4 80,3 70,3 77,8 68,4 77,6
5 70,3 76,7 70,5 76,9 70,7 76,9 70,8 77,1 70,3 76,8 70,0 76,5 69,5 76,3 66,4 74,0 64,5 73,7
10 65,4 71,8 65,6 71,9 65,8 72,0 65,9 72,1 65,3 71,9 65,1 71,5 64,6 71,4 61,5 69,1 59,6 68,8
15 60,4 66,8 60,6 67,0 60,9 67,0 61,0 67,2 60,4 66,9 60,1 66,6 59,7 66,4 56,6 64,2 54,7 63,9
20 55,6 61,9 55,8 62,0 56,0 62,1 56,2 62,3 55,5 62,0 55,3 61,7 55,0 61,5 51,9 59,2 49,9 59,1
25 50,9 57,0 51,1 57,1 51,3 57,2 51,5 57,4 50,7 57,1 50,6 56,8 50,4 56,6 47,1 54,3 45,1 54,1
30 46,1 52,1 46,4 52,2 46,5 52,2 46,8 52,5 46,0 52,3 46,0 51,8 45,8 51,8 42,4 49,4 40,4 49,2
35 41,5 47,3 41,7 47,4 41,9 47,4 42,1 47,6 41,4 47,4 41,3 47,0 41,2 47,0 37,7 44,7 35,9 44,4
40 37,0 42,4 37,2 42,6 37,3 42,6 37,5 42,8 36,9 42,6 36,8 42,1 36,7 42,2 33,3 39,9 31,5 39,5
45 32,5 37,7 32,7 37,8 32,8 37,8 33,0 38,0 32,5 37,9 32,4 37,3 32,4 37,5 28,8 35,1 27,3 34,8
50 28,2 33,0 28,4 33,1 28,5 33,1 28,6 33,3 28,2 33,2 28,0 32,6 28,1 32,9 24,7 30,4 23,3 30,3
55 24,0 28,4 24,2 28,5 24,3 28,5 24,4 28,8 24,1 28,7 23,8 28,0 24,0 28,3 20,6 26,0 19,6 25,8
60 20,0 23,9 20,1 24,0 20,2 24,0 20,3 24,2 20,1 24,2 19,8 23,5 20,0 23,9 17,0 21,7 16,1 21,5
65 16,2 19,5 16,3 19,6 16,3 19,6 16,4 19,8 16,2 19,8 16,0 19,1 16,3 19,4 13,4 17,5 13,1 17,4
70 12,6 15,4 12,7 15,5 12,8 15,5 12,8 15,6 12,7 15,7 12,5 15,0 12,6 15,3 10,4 13,6 10,2 13,5
75 9,5 11,6 9,6 11,6 9,6 11,6 9,6 11,7 9,6 11,9 9,4 11,2 9,4 11,3 7,7 10,3 7,8 10,1
80 7,0 8,3 7,0 8,3 7,1 8,4 7,0 8,3 7,1 8,6 6,8 8,0 6,9 8,0 5,8 7,1 6,0 7,4
85 + 5,0 5,7 5,0 5,7 5,2 5,8 4,9 5,6 5,2 6,0 4,8 5,4 4,6 5,3 3,9 4,9 4,7 5,1

Fonte: INE, Estatísticas Demográficas e Estimativas Provisórias da População, 2005, (cálculo das autoras).
NUTS II - Decreto Lei nº 244/2002
Estas NUTS incluem as seguintes alterações posteriores: a criação dos municípios de Vizela( 15/09/1988),Odivelas e Trofa( 14/12/1998)
bem como a passagem da NUTS IIIMédia Tejo para o Alto Alentejo( 08/091999)

Revista de Estudos Demográficos, nº 40


75

Anexo 7

Esperança média de vida (anos), por sexo, NUTS II, 2004- 2005
Portugal Continente Norte Centro Lisboa Alentejo Algarve R. A. Açores R. A. Madeira
Idades
H M H M H M H M H M H M H M H M H M

0 74,9 81,4 75,1 81,5 75,3 81,6 75,5 81,8 74,9 81,5 74,5 81,3 74,1 80,9 70,8 78,4 69,3 78,2
1 74,2 80,7 74,4 80,8 74,6 80,9 74,7 81,0 74,2 80,8 73,9 80,4 73,4 80,3 70,3 77,8 68,4 77,6
5 70,3 76,7 70,5 76,9 70,7 76,9 70,8 77,1 70,3 76,8 70,0 76,5 69,5 76,3 66,4 74,0 64,5 73,7
10 65,4 71,8 65,6 71,9 65,8 72,0 65,9 72,1 65,3 71,9 65,1 71,5 64,6 71,4 61,5 69,1 59,6 68,8
15 60,4 66,8 60,6 67,0 60,9 67,0 61,0 67,2 60,4 66,9 60,1 66,6 59,7 66,4 56,6 64,2 54,7 63,9
20 55,6 61,9 55,8 62,0 56,0 62,1 56,2 62,3 55,5 62,0 55,3 61,7 55,0 61,5 51,9 59,2 49,9 59,1
25 50,9 57,0 51,1 57,1 51,3 57,2 51,5 57,4 50,7 57,1 50,6 56,8 50,4 56,6 47,1 54,3 45,1 54,1
30 46,1 52,1 46,4 52,2 46,5 52,2 46,8 52,5 46,0 52,3 46,0 51,8 45,8 51,8 42,4 49,4 40,4 49,2
35 41,5 47,3 41,7 47,4 41,9 47,4 42,1 47,6 41,4 47,4 41,3 47,0 41,2 47,0 37,7 44,7 35,9 44,4
40 37,0 42,4 37,2 42,6 37,3 42,6 37,5 42,8 36,9 42,6 36,8 42,1 36,7 42,2 33,3 39,9 31,5 39,5
45 32,5 37,7 32,7 37,8 32,8 37,8 33,0 38,0 32,5 37,9 32,4 37,3 32,4 37,5 28,8 35,1 27,3 34,8

A Situação Demográfica Recente em Portugal


50 28,2 33,0 28,4 33,1 28,5 33,1 28,6 33,3 28,2 33,2 28,0 32,6 28,1 32,9 24,7 30,4 23,3 30,3
55 24,0 28,4 24,2 28,5 24,3 28,5 24,4 28,8 24,1 28,7 23,8 28,0 24,0 28,3 20,6 26,0 19,6 25,8
60 20,0 23,9 20,1 24,0 20,2 24,0 20,3 24,2 20,1 24,2 19,8 23,5 20,0 23,9 17,0 21,7 16,1 21,5
65 16,2 19,5 16,3 19,6 16,3 19,6 16,4 19,8 16,2 19,8 16,0 19,1 16,3 19,4 13,4 17,5 13,1 17,4
70 12,6 15,4 12,7 15,5 12,8 15,5 12,8 15,6 12,7 15,7 12,5 15,0 12,6 15,3 10,4 13,6 10,2 13,5
75 9,5 11,6 9,6 11,6 9,6 11,6 9,6 11,7 9,6 11,9 9,4 11,2 9,4 11,3 7,7 10,3 7,8 10,1
80 7,0 8,3 7,0 8,3 7,1 8,4 7,0 8,3 7,1 8,6 6,8 8,0 6,9 8,0 5,8 7,1 6,0 7,4
85 + 5,0 5,7 5,0 5,7 5,2 5,8 4,9 5,6 5,2 6,0 4,8 5,4 4,6 5,3 3,9 4,9 4,7 5,1

Fonte: INE, Estatísticas Demográficas e Estimativas Provisórias da População, 2005, (cálculo das autoras).
NUTS II - Decreto Lei nº 244/2002
* Estas NUTS incluem as seguintes alterações posteriores: a criação dos municípios de Vizela( 15/09/1988),Odivelas e Trofa( 14/12/1998)
bem como a passagem da NUTS IIIMédia Tejo para o Alto Alentejo( 08/091999)
.
Notas e Documentos 7 7

Estatísticas
Demográficas –
Acção desenvolvida
no âmbito do
Conselho Superior de
Estatística

Autor: Demographic statistics –


Humberto Moreira Improvement action in the
context of the High
Instituto Nacional de Estatística / Departamento de Estatísticas Sociais – Council of Statistics
Técnico Superior de Estatística.

E-mail: [email protected]

Resumo:

A anotação e o conhecimento de determinados acontecimentos que


contribuíram para a evolução da área estatística da Demografia, ou de
qualquer outra área, são factores muito importantes na ponderação e no
saber fazer no que diz respeito a acções e projectos futuros. Neste sentido,
o presente artigo pretende descrever um resumo histórico das actividades
realizadas, no âmbito do Conselho Superior de Estatística, com vista ao
desenvolvimento das estatísticas demográficas.

O primeiro capítulo refere-se ao enquadramento genérico das estatísticas


oficiais, desde a última reestruturação do Sistema Estatístico Nacional. O
segundo capítulo trata especificamente da área estatística da Demografia e
das actividades exercidas, nos últimos quinze anos, pelo respectivo grupo
de trabalho. Finalmente, o terceiro capítulo expressa algumas observações
sobre o trabalho realizado e algumas expectativas sobre a atitude e a
colaboração em termos individuais e institucionais, de modo a dispormos de
melhores estatísticas sobre a população portuguesa, sua estrutura e
movimentos.
78

Palavras-chave:

Estatísticas oficiais, grupos de trabalho do Conselho Superior de Estatística,


área estatística da Demografia, decisões e recomendações, fontes
estatísticas, integração da informação estatística.

Abstract:

The description and knowledge of certain events that contribute to the


evolution of the Demography statistics area, or any other area, are very
important factors in the reflection and the know-how, concerning future
actions and projects. In this way, the present article contributes for the
historic summary of the activities that were accomplished within the compass
of High Council of Statistics to the development of demographic statistics.

The first chapter refers to the general framework of official statistics, since
the last restructuring of the National Statistical System. The second chapter
is concerned specifically with Demography statistics and the activities which
were developed during the last fifteen years, by the respective working
group. Finally, the third chapter expresses some observations about works
and expectations of individual and institutional attitude and co-operation, in
order to obtain better statistics regarding Portuguese population, structure
and movements.

Key words:

Official statistics, working groups of High Council of Statistics, Demography


statistic area, resolutions and recommendations, statistical sources,
integration of statistical information.

Revista de Estudos Demográficos, nº 40


79

1. Enquadramento genérico do passado recente das estatísticas oficiais


(reestruturação)

1. 1 Comissão de Reestruturação do Sistema Estatístico Nacional (os primeiros passos 1986/87)

E statísticas Demográficas – Acção desenvolvida no âmbito do Conselho Superior de Estatística


Em 12 de Julho de 1986, o Conselho de Ministros tomou a resolução de criar a Comissão de Reestruturação
do Sistema Estatístico Nacional (SEN), na dependência do então Secretário de Estado do Planeamento e
Desenvolvimento Regional1, publicada no Diário da República n.º 143, de 25 de Junho de 1986. Em traços
gerais, os objectivos definidos para esta Comissão, presidida pelo Prof. Doutor Manuel José Vilares2, enquadravam-
se no seguinte:

• Levantamento das situações que configuravam o sistema estatístico nacional;


• Programação de um conjunto de acções e decisões na perspectiva integradora das várias instituições
responsáveis pela função estatística;
• Adequação dos produtos estatísticos à óptica do utilizador;
• Formação permanente e elevada qualificação dos técnicos, tendo em conta as condições de trabalho e
as carreiras profissionais;
• Desenvolvimento no domínio das tecnologias de produção e difusão estatística; adoptar um conjunto de
regras e procedimentos inerentes à prática comunitária (Comunidade Europeia).

Na conformidade da mencionada resolução governamental, esta Comissão adoptou na sua metodologia de


trabalho a realização de um grande número de contactos com os órgãos delegados e outras entidades ligadas
ao SEN, bem como de individualidades também relacionadas com o sistema, para que, detalhadamente, se
detectassem os problemas e as dificuldades existentes e simultaneamente pudessem contribuir na formulação
de propostas de soluções e recomendações a adoptar no futuro. Tanto da parte das entidades, como das
individualidades contactadas, designadamente responsáveis e quadros do INE, houve a maior adesão e
empenhamento na colaboração prestada, de modo que a reestruturação do Sistema Estatístico Nacional, em
termos globais, e do Instituto Nacional de Estatística, em termos específicos, fosse bem sucedida.

No cumprimento do prazo calendarizado, em 2 de Fevereiro de 1987, a Comissão submeteu à apreciação o


Relatório Final, em que se apresentavam, de forma pormenorizada, a análise descritiva do SEN, suas deficiências
e insuficiências e obviamente as propostas de reestruturação. Este Relatório foi um pilar determinante para a
consequente elaboração da Lei de Bases do Sistema Estatístico Nacional, dos Estatutos do Instituto Nacional
de Estatística e do Instituto Superior de Estatística e Gestão da Informação3.

1. 2 Bases gerais do Sistema Estatístico Nacional (Lei n.º 6/89, de 15 de Abril)

Na sequência do processo iniciado pela Comissão já mencionada, com a programação de um conjunto de


acções e decisões, particularmente de ordem legal e estrutural, que induziam a uma profunda reestruturação do
SEN, em 9 de Fevereiro de 1989, é aprovada na Assembleia da República a Lei de Bases do Sistema Estatístico
Nacional, publicada no Diário da República n.º 88, de 15 de Abril de 1989. De acordo com esta nova Lei, o
Sistema Estatístico Nacional é constituído pelos seguintes órgãos:

• Instituto Nacional de Estatística (INE) – Artigo 3.º – Funções exclusivas do Instituto Nacional de Estatística:
O exercício de funções de notação, apuramento, coordenação e difusão de dados estatísticos cabe
exclusivamente ao Instituto Nacional de Estatística).
• Conselho Superior de Estatística (CSE) – Artigo 8.º – Natureza: O Conselho Superior de Estatística é o
órgão do Estado que superiormente, orienta e coordena o Sistema Estatístico Nacional.

1
Dr. José da Silva Peneda.
2
Presidente do Conselho de Direcção do Instituto Nacional de Estatística, entre 1986 e 1992.
3
Estabelecimento do ensino superior público orientado para a formação de quadros técnicos superiores de estatística, incluindo
a cooperação internacional, particularmente com os países africanos de língua oficial portuguesa.
80

Esta nova Lei incentivou a produção de dados estatísticos na perspectiva dos respectivos utilizadores, quer se
tratem de entidades da administração pública central, regional ou local, quer se trate de empresas ou empresários
individuais, de instituições particulares sem fins lucrativos, de universidades, investigadores e estudantes, de
meios de comunicação social, e de tantos outros que se poderiam referenciar. Na altura, utilizou-se o lema
“saber para desenvolver”, com particular ênfase para a informação estatística como factor importante na aquisição
de conhecimento. Os princípios básicos e orientadores do Sistema Estatístico Nacional circunscrevem-se, de
um modo geral aos seguintes:

• Segredo estatístico (direito à privacidade individual e à defesa da concorrência);


• Centralização (tendência para a descentralização geográfica e flexibilidade da descentralização funcional);
• Coordenação (adopção das normas harmonizadas no desempenho da função estatística, nomeadamente
conceitos, definições e nomenclaturas);
• Autoridade estatística (punição das transgressões estatísticas e permissão do acesso às fontes
administrativas).

A delegação de competências encontra-se claramente expressa no Artigo 16.º da Lei n.º 6/89, de 15 de Abril.
Ao interpretar-se de forma sucinta este artigo, observa-se que o INE pode delegar funções de notação, apuramento
e coordenação de dados estatísticos noutros serviços púbicos (órgãos delegados), com o parecer favorável de
CSE, por despacho conjunto dos ministros responsáveis pelos respectivos serviços e do ministro que tutela o
INE.

Esquema da organização estatística por entidades públicas, ministérios e áreas delegadas:


Esquemas_1

CSE

SEN

Órgãos Delegados e
Outras Entidades
INE Intervenientes na
Produção Estatística
Nacional

Entidades com Delegação de Competências do INE (Órgãos Delegados)

• Direcção-Geral de Estudos, Estatística e Planeamento (DGEEP) – Ministério do Trabalho e da


Solidariedade Social.
Áreas estatísticas: Trabalho (34); Educação e Formação (36); Empresas (52); Ficheiro de Unidades
Estatísticas (21); Metodologias de Normalização (23).
• Direcção-Geral das Pescas e Aquicultura (DGPA) – Ministério da Agricultura, Desenvolvimento Rural
e Pescas.
Área estatística: Pescas (61).
• Direcções Regionais de Agricultura (DRA’s) – Ministério da Agricultura, Desenvolvimento Rural e
Pescas. Gabinete de Planeamento e Política Agro-Alimentar (GPPAA) – Serviço central de
coordenação da informação estatística no âmbito do MADRP e das relações com as estruturas nacionais

Revista de Estudos Demográficos, nº 40


81

e comunitárias de estatística (Lei Orgânica); entidade representante do MADRP no Conselho Superior


de Estatística (CSE).
Área estatística: Agricultura e Florestas (60).

E statísticas Demográficas – Acção desenvolvida no âmbito do Conselho Superior de Estatística


• Gabinete de Informação e Avaliação do Sistema Educativo (GIASE) – Ministério da Educação.
Área estatística: Educação e Formação (36).
• Gabinete de Política Legislativa e Planeamento (GPLP) – Ministério da Justiça.
Área estatística: Justiça (40).
• Observatório da Ciência e do Ensino Superior (OCES) – Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino
Superior.
Áreas estatísticas: Educação e Formação (36); Ciência e Tecnologia (80).
• Secretariado Nacional para a Reabilitação e Integração de Pessoas com Deficiência (SNRIPD)
– Ministério do Trabalho e da Solidariedade Social.
Área estatística: Saúde e Incapacidades (38).
• Direcção Regional de Estatística da Madeira (DREM)4 – Governo Regional – Região Autónoma da
Madeira.
Áreas estatísticas: Todas as áreas estatísticas relativas às operações estatísticas de âmbito nacional
delegadas pelo INE e das operações estatísticas relativas à Região Autónoma da Madeira, na qualidade
de órgão central desta Região.
• Serviço Regional de Estatística dos Açores (SREA)4 – Governo Regional – Região Autónoma dos
Açores.
Áreas estatísticas: Todas as áreas estatísticas relativas às operações estatísticas de âmbito nacional
delegadas pelo INE e das operações estatísticas relativas à Região Autónoma dos Açores, na qualidade
de órgão central desta Região.

Outras Entidades Intervenientes na Produção Estatística Nacional5

• Direcção-Geral de Geologia e Energia (DGGE) – Ministério da Economia e Inovação.


Área estatística: Indústria e Energia (65).
Direcção-Geral da Saúde (DGS) – Ministério da Saúde.
Área estatística: Saúde e Incapacidades (38).
• Direcção-Geral do Turismo (DGT) – Ministério da Economia e Inovação.
Área estatística: Turismo (73).
• Instituto de Informática e Estatística da Solidariedade (IIES) – Ministério do Trabalho e da
Solidariedade Social.
Área estatística: Protecção Social (39).
• Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge (INSA) – Ministério da Saúde.
Área estatística: Saúde e Incapacidades (38).
• Agência para a Sociedade do Conhecimento, IP (UMIC) – Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino
Superior.
Área estatística: Sociedade de Informação (81).
• Banco de Portugal (BP) – Ministério das Finanças.
Área estatística: Turismo (73); Ficheiro de Unidades Estatísticas (21).

4
Atribuições referidas no Decreto-Lei n.º 124/80, de 17 de Maio.
5
Organismos públicos que realizam operações ou outras actividades estatísticas oficiais, de forma contínua e regular, com a
respectiva aprovação técnica e o registo dos instrumentos de notação pelo INE.
82

Segundo o Plano de Actividades 2006 do INE e de Outras Entidades Intervenientes na Produção Estatística
Nacional, das 291 operações estatísticas programadas para 2006, 115 são da responsabilidade de Outras
Entidades SEN e 9 desenvolvidas conjuntamente entre o INE e Outras Entidades produtoras de estatísticas
oficiais. No contexto geral, as áreas estatísticas, onde a participação das entidades extra INE se faz mais
sentir, são a Justiça, a Educação e Formação e a Saúde e Incapacidades.

Glossário:

• ÁREA DE ACTIVIDADE: Subconjunto de um domínio estatístico ou de acção onde se desenvolve uma


actividade. Fonte: INE.
• ÁREA ESTATÍSTICA: Área de interesse para a investigação estatística. Fonte: Structures for Metadata,
Wilfried Grossmann.
tabelas_1

Classificação das Áreas Estatísticas


Código Designação Código Designação
29 Estatísticas Multitemáticas 52 Empresas
31 População 53 Sector Monetário e Financeiro
32 Famílias 54 Administrações Públicas
33 Instituições Sem Fins Lucrativos 57 Comércio Internacional de Bens
34 Trabalho 58 Comércio Internacional de Serviços
35 Rendimento e Condições de Vida 60 Agricultura e Floresta
36 Educação e Formação 61 Pescas
37 Cultura, Desporto e Lazer 65 Indústria e Energia
38 Saúde e Incapacidades 66 Construção e Habitação
39 Protecção Social 70 Comércio Interno
40 Justiça 71 Transportes
41 Protecção Civil e Segurança do Consumidor 72 Comunicações
42 Sistema de Indicadores Sociais 73 Turismo
45 Território 74 Serviços Especializados
46 Ambiente 80 Ciência e Tecnologia
50 Contas Nacionais
81 Sociedade da Informação
51 Conjuntura Económica e Preços

• ESTATÍSTICAS OFICIAIS: Informações quantitativas, agrupadas e representativas, extraídas da recolha


e do tratamento sistemático de dados, produzidos pelas autoridades nacionais no âmbito do Sistema
Estatístico Nacional e pela autoridade comunitária no âmbito da execução dos programas nacionais e
comunitários. Fonte: INE (Manual da Qualidade).
• OPERAÇÃO ESTATÍSTICA: Actividade estatística, enquadrada numa metodologia estatística pré-definida,
englobando os processos de recolha, tratamento, análise e difusão de dados respeitantes a características
de uma população. São considerados quatro tipos de operações estatísticas: inquérito amostral,
recenseamento, estudo estatístico, estudo analítico. Fonte: INE.
• OUTRA ACTIVIDADE ESTATÍSTICA: Actividade estatística que não é operação estatística. Fonte: INE.
• PRODUÇÃO ESTATÍSTICA: Processo que abrange todas as actividades necessárias à recolha,
armazenamento, processamento, compilação, análise de difusão da informação estatística oficial. Fonte:
INE (Manual da Qualidade).

Revista de Estudos Demográficos, nº 40


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1. 3 Estatutos do Instituto Nacional de Estatística (Decreto-Lei n.º 280/89, de 23 de Agosto)

O Instituto Nacional de Estatística é um instituto público, dotado de personalidade jurídica, património próprio e

E statísticas Demográficas – Acção desenvolvida no âmbito do Conselho Superior de Estatística


autonomia administrativa e financeira6. Os novos estatutos no INE visam uma filosofia de gestão, de tipo
empresarial, uma maior mobilidade dos meios e a flexibilidade no funcionamento, em que a produção da informação
estatística se desenvolve na perspectiva das necessidades dos utilizadores. A estes objectivos, junta-se também
o reforço da capacidade institucional do INE, necessária às exigências acrescidas da coordenação estatística.

No âmbito das atribuições de coordenação, cabe ao Instituto Nacional de Estatística exercer as funções de
coordenação técnica das actividades estatísticas realizadas pelos os órgãos delegados ou por outras entidades
estatísticas intervenientes na produção estatística nacional. Em termos estrutura organizacional, em vigor (2006),
o INE dispõe de algumas unidades orgânicas vocacionadas para o exercício da respectiva coordenação técnica,
das quais se destacam as seguintes:

• Unidade de Relações Externas e Cooperação, no descritivo funcional desta unidade constam, entre
outras, as seguintes: “coordenação das relações com as entidades com delegação de competências e
com outras entidades intervenientes na produção estatística oficial”; “coordenação de acções de
cooperação entre o INE e outras instituições das Administrações Públicas, designadamente no que se
refere à execução de operações estatísticas especiais, assegurando a articulação interna das actividades
que lhes estão associadas”; “promoção de acções de melhoria das relações de cooperação, decorrentes
de processos de avaliação do grau de satisfação das instituições da Administração Pública”.
• Unidade de Planeamento e Controlo, relativamente às funções de coordenação extra INE: “gere o
planeamento estratégico e operacional, preparando os respectivos planos, e elabora os relatórios
referentes às actividades realizadas pelo INE e pelas outras entidades públicas intervenientes na produção
estatística oficial”.
• Departamento de Metodologia Estatística, unidade orgânica com um papel relevante na coordenação
estatística, que sucinta e seguidamente se transcrevem: “coordenar a actividade de desenvolvimento
técnico e científico no domínio das metodologias estatísticas e apoiar horizontalmente as unidades
orgânicas do INE, bem como as restantes entidades do SEN responsáveis pela produção, difusão e
análise de dados estatísticos oficiais”; “assegurar a gestão permanente do Sistema de Metainformação
do SEN, nomeadamente no que se refere a Conceitos, Nomenclaturas, Fontes Estatísticas, Variáveis e
Metodologias com vista à respectiva harmonização e integração no plano técnico”; “certificar os aspectos
técnicos das operações estatísticas do SEN, submetidas pelo INE ou outras entidades intervenientes
na produção estatística nacional”; assegurar a gestão e análise das classificações para uso do SEN,
desenvolvendo as acções necessárias a sua aprovação pelo CSE”.
• Departamento de Recolha da Informação, na esfera específica da coordenação técnica e externa, este
departamento do INE dispõe da seguinte competência: “promover a adopção, nas regiões autónomas e
órgãos delegados do INE, de normas, procedimentos e práticas de recolha harmonizados”.

1. 4 Conselho Superior de Estatística (órgão orientador e coordenador do SEN)

O Conselho Superior de Estatística (CSE), criado pela Lei n.º 6/89, de 15 de Abril, é o órgão responsável pela
orientação do Sistema Estatístico Nacional, substituindo o anterior Conselho Nacional de Estatística (CNE). As
atribuições e competências do CSE ficam mais reforçadas, bem como se verifica uma significativa alteração na
sua composição. Além das entidades da administração pública central, o CSE passou também a integrar
entidades dos governos regionais, das associações autárquicas, de defesa do consumidor, das confederações
sindicais e patronais, das universidades e do banco central.

As modificações introduzidas, relativamente ao anterior CNE, realçam a maior representatividade, intervenção e


concertação dos produtores e utilizadores da informação estatística, de forma a se tornar mais adequada às
necessidades da sociedade portuguesa. O CSE elabora propostas e recomendações sobre as necessidades
estatísticas e anualmente prepara e aprova o Plano de Actividades do INE e das Outras Entidades Intervenientes
na Produção Estatística Nacional. O Conselho Superior de Estatística é presidido pelo Ministro7 que tutela o
Instituto Nacional de Estatística, presentemente a Presidência do Conselho de Ministros (PCM), e tem como
Vice-Presidente o Presidente do INE.
6
Perda da autonomia financeira, a partir de 1 de Janeiro de 2003. Lei n.º 32-B/2002, de 30 de Dezembro.
7
Ministro da Presidência, Dr. Pedro Silva Pereira, XVII Governo Constitucional (12.III.2005).
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1. 4. 1 Composição do Conselho Superior de Estatística (representantes nomeados)

• Serviços Públicos
° Instituto Nacional de Estatística

° Instituto Superior de Estatística e Gestão da Informação

° Presidência do Conselho de Ministros

° Ministério das Finanças

° Ministério da Justiça

° Ministério da Agricultura, do Desenvolvimento Rural e das Pescas

° Ministério da Economia e Inovação

° Ministério do Trabalho e da Solidariedade Social

° Ministério da Educação

° Ministério da Saúde

° Ministério das Obras Públicas, Transportes e Comunicações

° Ministério do Ambiente, do Ordenamento do Território e do Desenvolvimento Regional

° Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior

° Ministério da Defesa Nacional

° Ministério da Cultura

° Ministério dos Negócios Estrangeiros


• Governos Regionais
° Governo Regional dos Açores
° Governo Regional da Madeira
• Associações de Municípios
° Associação Nacional dos Municípios Portugueses
• Banco Central
° Banco de Portugal
• Confederações Sindicais
° Confederação Nacional dos Trabalhadores Portugueses
° União Geral de Trabalhadores
• Confederações Patronais
° Confederação da Indústria Portuguesa

° Confederação dos Agricultores de Portugal

° Confederação do Comércio e Serviços de Portugal

° Confederação do Turismo Português


• Universidades
° Conselho de Reitores das Universidades Portuguesas.
Nos termos do regulamento interno, o Conselho Superior de Estatística reúne em plenário, em sessões restritas,
em Secções Permanentes ou Eventuais e em Secções Regionais. As sessões restritas têm como objectivo
deliberar sobre matérias, cuja natureza e âmbito, manifestamente respeitam apenas uma parte das representações
que integram o plenário ou contribuam para uma melhor fundamentação das decisões. Em algumas das secções
previstas foram criados grupos de trabalho, constituídos por representantes de entidades públicas ou privadas,
com ou sem assento no CSE.

Revista de Estudos Demográficos, nº 40


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1. 4. 2 Secções Permanentes (1º nível de distribuição funcional de carácter temático)

E statísticas Demográficas – Acção desenvolvida no âmbito do Conselho Superior de Estatística


• Secção Permanente do Segredo Estatístico – [sumário do mandato/composição]: “analisar e decidir
sobre os pedidos de libertação do segredo estatístico”, “zelar pela observância das regras do segredo
estatístico”, “acompanhar os desenvolvimentos de ordem normativa no âmbito do segredo estatístico e
protecção de dados, nomeadamente as decorrentes da actividade do «Comité do Segredo Estatístico»
que funciona no âmbito da Comunidade Europeia, bem como os desenvolvimentos em curso no Conselho
da Europa”.

° Instituto Nacional de Estatística


° Ministério da Justiça
° Outras entidades designadas de acordo com as áreas de actividade onde se integra a solicitação para
a libertação de dados individuais sujeitos a segredo estatístico.
• Secção Permanente de Estatísticas Económicas Sectoriais
• Secção Permanente de Planeamento, Coordenação e Difusão
• Secção Permanente de Estatísticas Macroeconómicas
• Secção Permanente de Cooperação Estatística
• Secção Permanente de Estatísticas de Base Territorial
• Secção Permanente de Estatísticas Demográficas e Sociais, das Famílias e do Ambiente –
[Retrospectiva, composição, sumário do mandato e grupos de trabalho]:

Retrospectiva – Após a reestruturação do Sistema Estatística Nacional (1989), verificou-se na estrutura e


funcionamento do Conselho Superior de Estatística um maior desenvolvimento nas respectivas actividades e
composição. As funções de coordenação e de cooperação institucional passaram a exercer-se com maior
abrangência e intervenção. A interacção institucional, no sentido de se produzir informação estatística de melhor
qualidade, com maior celeridade e com menores custos, fez com que o CSE adoptasse novas regras e meios
de gestão e articulação interna.

De acordo com esta nova dinâmica, foram constituídas no âmbito do CSE, em 1990, várias secções permanentes
ou eventuais e secções regionais. Em 20 de Novembro de 1990, pela 17ª deliberação do Conselho Superior de
Estatística, é criada a Secção Permanente de Estatísticas Demográficas e Sociais8. Em 28 de Novembro de
1997, atendendo a um conjunto de novas circunstâncias realizaram-se alguns reajustamentos na estrutura e
funcionamento do CSE. Assim, entre outras mais alterações, a 140ª deliberação do CSE, extinguiu a Secção
Permanente de Estatísticas Demográficas e Sociais e criou a Secção Permanente de Estatísticas Demográficas
e Sociais, das Famílias e do Ambiente, composta pelos seguintes representantes (composição):

° Instituto Nacional de Estatística

° Ministério das Finanças

° Ministério da Justiça
° Ministério da Educação
° Ministério da Saúde

° Ministério do Trabalho e da Solidariedade Social

° Ministério do Ambiente, do Ordenamento do Território e do Desenvolvimento Regional

° Ministério da Cultura

8
Dr. Arnaldo de Matos Lopes (já falecido), primeiro Presidente da Secção. Vogal do Conselho de Administração do INE (1989 –
1998).
86

° Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior

° Confederação Nacional dos Trabalhadores Portugueses

° União Geral de Trabalhadores

° Confederação dos Agricultores de Portugal

° Confederação do Comércio e Serviços de Portugal

° Conselho de Reitores das Universidades Portuguesas.

° Associação Nacional para a Defesa do Consumidor (DECO)


Sumário do Mandato – “pronunciar-se sobre os instrumentos técnicos de coordenação às necessidades das
áreas relacionadas com os temas «População e Sociedade», «Território e Ambiente» e «Inovação e
Conhecimento»; «colaborar na avaliação da relação custo/eficácia na elaboração de estatísticas», «acompanhar
a qualidade e a adequação das actividades estatísticas relativas aos temas mencionados, com publicação de
um relatório bienal», «colaborar na definição das linha gerais, planos e relatórios de actividades», «avaliar
eventuais insuficiências estatísticas produzidas nas respectivas áreas, propor acções conducentes à respectiva
melhoria e fomentar o aproveitamento dos actos administrativos para fins estatísticos», «acompanhar os trabalhos
dos comités ou grupos de trabalho que funcionam no âmbito do Eurostat nas suas áreas de intervenção».

1. 4. 3 Grupos de Trabalho (nível de base e mais especificado de intervenção do CSE)

No âmbito da reestruturação e das novas responsabilidades do Conselho Superior de Estatística, como órgão
orientador do Sistema Estatístico Nacional, resultaram novas práticas de funcionamento e uma nova estrutura
na sua composição, como já foi mencionado anteriormente. Estas novas linhas gerais de organização e das
respectivas actividades tiveram repercussões em cascata nos vários níveis de gestão e de intervenção do CSE,
tanto ao nível das secções (permanentes, eventuais ou regionais), como ao nível dos grupos de trabalho, unidades
de base no funcionamento do CSE9, constituídos para áreas estatísticas específicas, ou para outras
especializações de índole transversal, como, por exemplo, a questão do segredo estatístico.

Neste contexto, em 7 de Julho de 1993, a então Secção Permanente de Estatísticas Demográficas e Sociais
decidiu criar os seguintes grupos de trabalho (12), correspondentes às respectivas áreas estatísticas consideradas
na altura: Grupo de Trabalho sobre as Estatísticas «Formação Profissional»; «Trabalho»; «Ambiente»;
«Educação»; «Cultura»; «Saúde»; «Demografia10»; «Desporto e Recreio»; «Protecção Social»; «Ciência e
Tecnologia»; «Justiça»; «Famílias».

Actualmente, no que se refere à Secção Permanente de Estatísticas Demográficas e Sociais, das Famílias e do
Ambiente, os grupos de trabalho criados são os seguintes:

° Grupo de Trabalho sobre as Estatísticas do Ambiente

° Grupo de Trabalho sobre as Estatísticas do Trabalho, Acidentes de Trabalho e Doenças Profissionais

° Grupo de Trabalho sobre as Estatísticas da Educação e Formação

° Grupo de Trabalho sobre as Estatísticas da Demografia

° Grupo de Trabalho sobre as Estatísticas da Justiça

9
Os grupos de trabalho podem constituir, informalmente, subgrupos para tarefas parcelares, inerentes ao cumprimento do seu
mandato.
10
Etimologia, do grego demos (povo) + graphein (descrever). A demografia é a ciência que tem por objecto o estudo estatístico
das populações humanas, que incide sobretudo na avaliação do respectivo volume, composição, distribuição e evolução.

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° Grupo de Trabalho sobre as Estatísticas da Cultura


° Grupo de Trabalho sobre as Estatísticas da Deficiência e Reabilitação
° Grupo de Trabalho sobre Acompanhamento do Inquérito ao Emprego/Série 98

E statísticas Demográficas – Acção desenvolvida no âmbito do Conselho Superior de Estatística


2. Grupo de Trabalho sobre Estatísticas da Demografia (desenvolv
(desenv er as esta
olver tísticas
estatísticas
oficiais e sua análise na área da Demografia)

2. 1 Formas e meios de cooperação (abordagens e projectos estatísticos conjuntos)

Como já foi anteriormente mencionado, com a implementação da nova lei de bases do SEN e a reestruturação
do INE e do CSE, iniciaram-se novas práticas de interacção institucional, no sentido de se procurar disponibilizar
informação estatística de qualidade, actualizada, voltada para as necessidades reais dos utilizadores nacionais
ou internacionais, particularmente no âmbito comunitário. Nesta perspectiva de acção conjunta e consertada
entre as entidades do Sistema Estatístico Nacional, ou seja o INE, conjuntamente com os órgãos delegados ou
outras potenciais entidades aderentes, estabeleceram como acção prioritária, na metodologia da recolha de
dados, o aproveitamento dos actos administrativos para fins estatísticos. Um dos objectivos desta medida seria,
obviamente, minimizar os custos inerentes à recolha da informação, em alternativa à realização de operações
estatísticas exclusivas para o efeito e, por outro lado, evitar a excessiva carga de inquéritos junto dos informadores.
Apesar dos avanços entretanto já realizados, quanto à integração de fontes administrativas para a produção de
estatísticas oficiais, continua ainda a existir alguma falta de sensibilidade, às vezes inclusivamente de certa
resistência, para que a função estatística seja incorporada nos procedimentos e nas metodologias de recolha
inerentes à recolha da informação dos actos administrativos.

No entanto, tendo em conta o presente enquadramento, no âmbito do CSE, nos inícios da década de 90 (século
XX), foram criados grupos de trabalho, em função das várias áreas estatísticas, que na generalidade dos casos
prestaram serviços úteis ao SEN. Por vezes, de modo excepcional, havia GT que apenas cumpriam parcialmente
os seus mandatos, mas mesmo assim não deixaram de prestar serviços úteis às estatísticas oficiais. Além
disso, é de referir também a experiência muito positiva relacionada com a generalidade dos membros dos
grupos de trabalho, na sua maior parte, adquiriram o hábito de trabalharem em conjunto e de contribuírem para
a transversalidade da função estatística por várias instituições da administração pública e entidades pertencentes
ao sector privado.

Os representantes das várias entidades nos grupos de trabalho do CSE, com particular destaque para o presidente
do grupo, têm uma notória influência na condução dos trabalhos e na concretização dos objectivos. A selecção
de cada representante, certamente que, deverá ter em conta o manifesto interesse do próprio e a sua disponibilidade
em participar, os conhecimentos profissionais adequados às respectivas áreas de intervenção, a capacidade de
desenvolver trabalho de equipa e o empenhamento de cumprir cabalmente o mandato do grupo de trabalho,
dentro do prazo estabelecido.

2. 2 Demografia e Estatística (reciprocidade de uma longa relação)

As origens da estatística relacionam-se com as necessidades dos estados conhecerem a dimensão das suas
populações e da respectiva evolução: crescimento, situação estacionária ou declínio. Por outro lado a demografia
procura observar, avaliar e explicar a dimensão, a estrutura e a distribuição de uma população, as mudanças que
ocorrem ao longo do tempo, e quais os factores determinantes e as consequências dessas mudanças. Estes
objectivos são indissociáveis da respectiva informação estatística.
88

Em Portugal, à semelhança do que ocorreu em outros países da Europa, a publicação de dados estatísticos
iniciou-se, igualmente, com as questões demográficas: recenseamentos da população e estatísticas referentes
aos actos do registo civil, anteriormente registos paroquiais. O Instituto Nacional de Estatística, desde a sua
fundação, em 1935, edita, com periodicidade anual, a publicação Estatísticas Demográficas11. Em Outubro de
1935, o INE publica o volume referente ao ano civil de 1933, em Maio e em Julho de 1936 são publicados os
volumes para os anos de referência de 1934 e 1935, respectivamente. É de reconhecer, não obstante os 70 anos
já passados, o esforço desenvolvido pelo INE, personificado nos seus trabalhadores, para que os dados estatísticos
referentes aos principais fenómenos demográficos fossem aceleradamente disponibilizados, tendo em conta os
primeiros passos da instituição.
Esquemas_2

Dinâmica Populacional

Natalidade
(+)

Crescimento
Natural
(+/-)

Mortalidade
(-) Dimensão,
Estrutura e
Distribuição da
Emigração População
(-)

Crescimento
Imigração
Migratório
(+)
(+/-)

Migrações
Internas
(+/-)

2. 2. 1 Ex-Centro de Estudos Demográficos (exemplo de inclusão e cooperação na área estatística da Demografia)

Tal como sucedeu com a produção de dados estatísticos sobre a Demografia, o INE desempenhou, de igual
modo, um papel de destaque nos estudos demográficos. Por portaria governamental12, Ministério das Finanças
(na altura, órgão tutelar do INE), é criado o Centro de Estudos Demográficos (CED), órgão anexo, sem quadro
próprio, ao Instituto Nacional de Estatística, que desempenhava a sua missão de forma autónoma, com
colaboradores internos e externos, estes últimos relacionados com a investigação demográfica em vários sectores
institucionais, designadamente nos círculos universitários. As matérias então propostas para estudo no CED
foram agrupadas da seguinte maneira, conforme o referido na respectiva apresentação:

11
Anuário Demográfico, título utilizado até 1966, tanto pelo INE, como pela anterior Direcção-Geral de Estatística (extinta em
1935).
12
Portaria n.º 10619, de 11 de Março de 1944.

Revista de Estudos Demográficos, nº 40


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I. Problemas qualitativos da população.


II. Geo-demografia, Migrações, Urbanismo.
III. Movimento fisiológico da população.

E statísticas Demográficas – Acção desenvolvida no âmbito do Conselho Superior de Estatística


IV. Demografia sanitária.
V. Problemas demógrafo-sociais.
VI. Metodologia da estatística demográfica.

A integração do Centro de Estudos Demográficos no INE, ao longo do tempo e nos seus vários formatos e
enquadramentos orgânicos sucessivos, desempenhou um papel de grande relevo e referência em prol da
demografia em Portugal. Ao conjugar-se a produção das estatísticas demográficas, de forma próxima e integrada,
com a análise especializada e criativa dos respectivos dados disponibilizados, fez com que houvesse resultados
muito positivos no desenvolvimento da área estatística da Demografia. No entanto, a última reestruturação do
INE, que se encontra em vigor desde 1 de Outubro de 2004, interrompeu, em termos de unidade orgânica
explícita, as actividades exercidas pelo Centro de Estudos Demográficos ou pelas unidades congéneres que
entretanto lhe sucederam.

Desde a sua fundação, uma das incumbências deste Centro relacionava-se com a elaboração de uma revista
que tornasse público e, simultaneamente, estimulasse a produção de estudos e trabalhos da parte dos seus
colaboradores. Assim, em 15 de Junho de 1945 (60º aniversário em 2005), é publicado o primeiro volume da
Revista de Estudos Demográficos (RED), cuja coordenação e apresentação coube ao Prof. Doutor António
Almeida Garrett, responsável na altura pela direcção do Centro de Estudos Demográficos. Entre os vários
redactores deste primeiro número, conta-se o Dr. Joaquim José Pais Morais13, na época um jovem quadro do
INE, com o artigo intitulado «Sobre o acerto da logística à população portuguesa», ainda hoje bastante pedagógico
em termos metodológicos.

Neste primeiro volume da RED, e em outros que lhe seguiram, há uma curiosidade que convém salientar e que
demonstra a transversalidade da revista e do seu sentido de publicitação aos trabalhos realizados sobre demografia.
Trata-se de um capítulo designado por “Bibliografia”, onde figura uma súmula de títulos editados em Portugal,
referentes em exclusivo à demografia, ou de artigos sobre este mesmo tema incluídos em outras publicações.
Segue a sugestão para que se retome esta perspectiva de conteúdo editorial em próximos números da RED.

A longevidade da Revista de Estudos Demográficos é já considerável, 61 anos. Não obstante a descontinuidade


do Centro de Estudos Demográficos ou das unidades orgânicas no INE que lhe sucederam, tais como o Gabinete
de Estudos Demográficos, o Instituto continua a preservar a elaboração desta prestigiada publicação. Ultimamente,
a chefia da direcção editorial tem estado a cargo da Dra. Maria José Carrilho, se bem que a sua colaboração e
dedicação à RED já possua um longo historial (mais de 3 décadas).

2. 3 Actividades no período 1992 – 1993 (concertação entre produtores e utilizadores da informação estatística sobre a
Demografia)

Na nova perspectiva, resultante da actual Lei de Bases do SEN, de se desenvolver as actividades estatísticas
oficiais, orientadas para a satisfação das necessidades manifestadas pelos utilizadores e realizadas na óptica
da cooperação institucional, foi criado um grupo de trabalho14 que abrangia as várias áreas das estatísticas
demográficas e sociais. Entretanto, posteriormente, tendo em conta a grande dimensão e especificidade das
matérias e tarefas inerentes a este grupo, a Secção Permanente de Estatísticas Demográficas e Sociais optou
pela sua desagregação e a criação de vários grupos especializados, segundo as respectivas áreas estatísticas,
como mais adiante será mencionado,

13
Posteriormente exerceu as funções de Subdiretor-Geral do INE e de Director do Centro de Estudos Demográficos. Apesar de
se encontrar aposentado, há já alguns anos, continua a ser um assíduo e atento utilizador das estatísticas demográficas.
14
1ª Decisão da Secção Permanente de Estatísticas Demográficas e Sociais (DOCT/193/CSE/DS), 15 de Outubro de 1991.
90

Em termos gerais, tanto para a área da Demografia como para outras áreas relacionadas com estatísticas
demográficas e sociais, não obstante as particularidades e as adaptações de cada área, o mandato atribuído15
aos grupos de trabalho mencionados determinava, em síntese, o seguinte: “orientar e desenvolver as actividades
estatísticas no sentido da satisfação dos utilizadores nacionais e internacionais, incluindo a integração
no sistema estatístico comunitário”; “avaliar as metodologias adoptadas e os resultados obtidos que
permitam uma adequada utilização”; “proceder ao levantamento das estatísticas demográficas e sociais
no âmbito do SEN”; “propor a manutenção/reconversão/extinção das estatísticas demográficas e sociais
ou iniciar a produção de novas estatísticas”; “definir prioridades e a avaliação ou reavaliação dos recursos
necessários”.

No que se refere ao Grupo de Trabalho sobre as Estatísticas da Demografia (GTED), de acordo com o mandato
atribuído (1º), as entidades e seus representantes que constituíram este Grupo eram as seguintes:

° Instituto Nacional de Estatística (INE)16 – Fernando Casimiro, Maria José Carrilho, Humberto Moreira.

° Confederação dos Agricultores de Portugal (CAP) – Paulo Pleno Gouveia.

° União Geral dos Trabalhadores (UGT) – António de Dornelas Cysneiros, Paula Bernardo.

° Secretariado Técnico dos Assuntos para o Processo Eleitoral (STAPE) – Domingos Lourenço Magalhães.

° Conselho de Reitores das Universidades Portuguesas (CRUP) – Maria João Valente Rosa.

° Comissões de Coordenação Regional (CCR):


Comissão de Coordenação da Região Norte – Fernanda Neves.
Comissão de Coordenação da Região Centro – Fernanda Costa, António Oliveira.
Comissão de Coordenação da Região de Lisboa e Vale do Tejo – Maria de Fátima Malheiro, Maria Ester
Fernandes.
Comissão de Coordenação da Região do Alentejo – Amável Candeias.
Comissão de Coordenação da Região do Algarve – Ana Paula Rodrigues; Lúcia Barros Silveira.

As reuniões do Grupo de Trabalho sobre as Estatísticas da Demografia17 decorreram em quatro sessões de


trabalho, entre 12 de Novembro de 1992 e 29 de Abril de 1993. Os trabalhos iniciaram-se com a análise de um
documento, apresentado pelos representantes do INE, onde se efectuava um levantamento sobre a produção
estatística na área da Demografia18, incluindo os respectivos instrumentos de notação para a respectiva recolha.
A partir da análise e discussão deste documento, foram apresentados outros contributos, por escrito ou
verbalmente, dos representantes das restantes entidades participantes neste GT e do Gabinete de Estudos
Demográficos (INE).

Na sequência da consolidação e da síntese dos vários contributos e propostas apresentadas, foi elaborado um
relatório final, aprovado por todas as entidades representadas em que constavam as recomendações para o
desenvolvimento das estatísticas demográficas, ventiladas segundo os fenómenos demográficos específicos.
Inclui-se também a definição das respectivas prioridades, face às recomendações feitas, bem como uma
perspectiva de conteúdos e de apresentação quanto à informação publicada nas «Estatísticas Demográficas».
No seguinte quadro enumeram-se, sintetizadamente, as recomendações do Grupo de Trabalho.

15
3ª Decisão da Secção Permanente de Estatísticas Demográficas e Sociais (DOCT/566/CSE/DS), 7 de Julho de 1993.
16
O INE encontrava-se representado por duas unidades orgânicas distintas: o Departamento de Estatísticas Demográficas e
Sociais (na óptica do produtor) e o Gabinete de Estudos Demográficos (na óptica do utilizador).
17
Presididas pelo Dr. Fernando Casimiro, director do então Departamento de Estatísticas Demográficas e Sociais do INE.
18
Excepto nos que se refere aos Censos, nomeadamente de 1991 e 2001, relativamente aos quais foram criadas pelo CSE as
respectivas secções eventuais de acompanhamento.

Revista de Estudos Demográficos, nº 40


91

Tabelas_2 a 9 Seguidas

Projecto estatístico Recomendações

E statísticas Demográficas – Acção desenvolvida no âmbito do Conselho Superior de Estatística


Ɣ Introduzir as seguintes questões:
ż Coabitação dos pais.
ż Nacionalidade dos pais.
Nados-vivos ż Residência do pai.
(Nascimentos) Ɣ Alterar as seguintes questões:
ż Local do parto , desagregar Estabelecimento hospitalar em: hospital ; centro de saúde .
ż N.º de filhos anteriores do mesmo casamento , passa a: N.º de filhos anteriores comuns (nados-
vivos ; fetos-mortos ); N.º de filhos anteriores não comuns (do pai do nado-vivo ; da mãe do nado-
vivo ).

Projecto estatístico Recomendações


Ɣ Introduzir as seguintes questões (óbitos infantis):
ż Dados relativos à mãe (condição perante o trabalho, profissão, situação na profissão, ramo de
actividade económica ).
Óbitos ż Dados relativos ao pai (nível de instrução ).
(Sete ou mais dias)
Ɣ Alterar as seguintes questões:
ż Nacionalidade , indicar o país de nacionalidade.
ż N.º de filhos do casamento dissolvido , passa a: N.º de fetos-mortos ; N.º de nados-vivos ; N.º de
filhos ainda vivos: (0 – 4; 5 – 9; 10 – 17; 18 ou mais anos ).

Projecto estatístico Recomendações


Ɣ Introduzir as seguintes questões:
ż Coabitação dos pais.
ż Nacionalidade dos pais.
ż Dados relativos à mãe (condição perante o trabalho, situação na profissão ).
Óbitos Perinatais
ż Dados relativos ao pai (nível de instrução, residência ).
(Fetos-Mortos e Óbitos com menos de sete
dias de idade) ż Nacionalidade da criança nascida viva.
Ɣ Alterar as seguintes questões:
ż N.º de filhos do casamento dissolvido , passa a:
ż N.º de filhos anteriores comuns (n.º de fetos-mortos ; n.º de nados-vivos) .
ż N.º de filhos vivos não comuns: (do pai da criança morta; da mãe da criança morta ).

Projecto estatístico Recomendações


Ɣ Introduzir as seguintes questões:
ż Formas de celebração não católicas.
ż Coabitação anterior.
Casamentos
ż Filhos não comuns anteriores ao casamento: Sim (quantos do marido, quantos da mulher); Não .
Ɣ Alterar as seguintes questões:
ż N.º de casamentos anteriores , incluir: dissolvidos por viuvez ; dissolvidos por divórcio .
92

Projecto estatístico Recomendações


Ɣ Introduzir a seguinte questão:
ż Nacionalidade dos ex-cônjuges.
ż Coabitação anterior.

ż Filhos não comuns anteriores ao casamento: Sim (quantos do marido, quantos da mulher); Não .
Ɣ Anular as seguintes questões:
Divórcios e Separações
ż Estado civil anterior do cônjuge masculino.
ż Estado civil anterior do cônjuge feminino.
Ɣ Alterar as seguintes questões:
ż N.º de casamentos anteriores do cônjuge masculino , acrescentar: dissolvidos por viuvez ;
dissolvidos por divórcio .
ż N.º de casamentos anteriores do cônjuge feminino , acrescentar: dissolvidos por viuvez ; dissolvidos
por divórcio .

Projecto estatístico Recomendações


Ɣ Introduzir as seguintes questões:
Imigração ż Imigrante permanente (com residência igual ou superior a um ano).
ż Imigrante temporário (com residência inferior a um ano).

Projecto estatístico Recomendações


Ɣ Introduzir as seguintes questões:
ż Caracterização sócio-económica do emigrante: nível de instrução; condição perante o trabalho (no
país de origem), profissão (no país de origem/destino), situação na profissão (no país de destino), ramo
Emigração de actividade económica (no país de origem/destino) .

ż Relacionamento familiar do emigrante: existência de familiares no país de destino; grau de


parentesco.
ż Imigrante temporário (com residência inferior a um ano)

Projecto estatístico Recomendações/Novas Estatísticas


Ɣ Aproveitamento de fontes administrativas alternativas (p. ex. Recenseamento Eleitoral e Cartão de
Contribuinte). Dados passíveis de obter pelo Inquérito ao Emprego, com representatividade NUTS II,
desagregação considerada insuficiente pelo G. T.
Migrações Internas
Ɣ Disponibilidade dos dados estatísticos: desagregaç ão até ao nível de NUTS III, pelo menos.

Ɣ Variáveis. Residência (concelho de origem/destino); idade; sexo; estado civil; situação na profissão;
ramo de actividade; profissão; nível de instrução; migração individual ou familiar.

2. 4 Actividades no período 2002 – 2003 [integração específica: estatísticas sobre óbitos (entre as áreas da Demografia e
da Saúde) e integração mais geral: meta-informação/conceitos estatísticos da Demografia]

Como já foi anteriormente mencionado neste texto (ponto 1. 4. 2 – Secções Permanentes), verificaram-se
alguns ajustamentos na estrutura orgânica do Conselho Superior de Estatística, nomeadamente a criação da
Secção Permanente de Estatísticas Demográficas e Sociais, das Famílias e do Ambiente e consequentemente
a extinção da Secção Permanente de Estatísticas Demográficas e Sociais. Estas medidas tiveram,
necessariamente, repercussões ao nível da estrutura dos grupos de trabalho, tornando-os mais flexíveis no
modo de funcionamento e na respectiva composição, designadamente a desagregação entre representantes
fixos e não fixos que deixou de existir.

A 4ª Decisão da Secção Permanente de Estatísticas Demográficas e Sociais, das Famílias e do Ambiente19, em


25 de Janeiro de 2000, considerou e destacou a necessidade de se dar continuidade ao levantamento, análise
e acompanhamento das estatísticas produzidas nas áreas temáticas que lhe respeitam, no âmbito do Sistema
Estatístico Nacional, tendo para o efeito criado vários grupos de trabalho destinados a prosseguirem esses
objectivos. Um desses grupos foi o Grupo de Trabalho sobre as Estatísticas da Demografia, com a atribuição do
seguinte mandato:

19
Presidida pela Dra. Alda Caetano de Carvalho, actualmente Presidente da Direcção do Instituto Nacional de Estatística.

Revista de Estudos Demográficos, nº 40


93

a)Analisar os “Conceitos Estatísticos” da área temática – Demografia;


b)Colaborar com o Instituto Nacional de Estatística na elaboração de um novo verbete para a
caracterização dos óbitos, visando a melhoria das estatísticas sobre óbitos e uma adequada codificação

E statísticas Demográficas – Acção desenvolvida no âmbito do Conselho Superior de Estatística


das causas de morte.

Tendo em conta as mencionadas alíneas do mandato, as entidades e respectivos representantes neste Grupo
foram as seguintes:

A. Composição para a análise da alínea a) do mandato:

° Instituto Nacional de Estatística: Fernando Casimiro (Presidente do Grupo de Trabalho), Humberto Moreira,
Rita Figueiredo, Alexandra Abreu.

° Conselho de Reitores das Universidades Portuguesas: Gilberta Rocha.


° Secretariado Técnico dos Assuntos para o Processo Eleitoral: Carlos Nunes da Ponte, Amélia André.
° Departamento de Prospectiva e Planeamento (Ministério do Planeamento): Filomena Carvalho, Maria
João Sequeira.

° Serviço de Estrangeiros e Fronteiras: Ana Bela Nobre, Luiz Pestana Ferreira.


° Direcção-Geral dos Registos e do Notariado: Eugénia Pimpão, Paula Marina Lopes.

B. Composição para a análise da alínea b) do mandato:

° Instituto Nacional de Estatística: Fernando Casimiro (Presidente do Grupo de Trabalho), Humberto Moreira.

° Direcção-Geral da Saúde: Amélia Leitão, Judite Morgado.

° Direcção-Geral dos Registos e do Notariado: Eugénia Pimpão, Paula Marina Lopes.

° Instituto de Medicina Legal: Francisco Corte-Real, Teresa Magalhães.

A primeira reunião do Grupo de Trabalho realizou-se em 4 de Abril de 2002, com os representantes de todas as
entidades que compõem as alíneas a) e b) do mandato. Nesta reunião, o Dr. Fernando Casimiro, na altura
Director do Departamento de Estatísticas Censitárias e da População do INE, foi eleito para Presidente.
Relativamente à alínea a) realizaram-se mais 6 reuniões, entre 18 de Abril e 27 de Junho de 2002; quanto à
alínea b) ocorreram mais 2 reuniões. Tendo em conta que algumas das entidades estavam simultaneamente
representadas em ambas as alíneas, no sentido de se facilitar a participação e as deslocações dos seus
representantes, realizou-se uma reunião conjunta em 11 de Julho de 2002. A reunião final, relativa às duas
alíneas do mandato, realizou-se em 10 de Setembro de 2002, para a aprovação, na generalidade, do relatório
dos trabalhos desenvolvidos pelo Grupo de Trabalho sobre as Estatísticas da Demografia.

Sobre os conceitos estatísticos da área da Demografia, como fontes de fundamentação e actualização,


foram utilizados para o trabalho desenvolvido vários diplomas legais, bem como documentação e publicações
diversas, relacionadas com as estatísticas demográficas. Na consulta dos diplomas legais, a título exemplificativo,
faz-se referência ao Código Civil, ao Código do Registo Civil, à Lei da Nacionalidade, tendo em conta os respectivos
decretos regulamentares posteriores. Entre as outras fontes utilizadas, faz-se referência ao Programa Global do
Recenseamento Geral da População e da Habitação/Censos 2001, às recomendações das Nações Unidas para
o Sistema das Estatísticas Vitais e para as Estatísticas das Migrações Internacionais, ao Glossário do Eurostat
(New Cronos), às Recomendações da Organização Mundial de Saúde (OMS); à Classificação Internacional de
Doenças (CID – 10) – Volume 2, Organização Mundial de Saúde.
94

Relativamente à base de dados já existente no Instituto Nacional de Estatística, sobre os conceitos estatísticos
da área da Demografia, o GTED realizou-se uma detalhada análise e reformulação. A nova base de conceitos,
resultante do trabalho efectuado, contem os termos e as definições dos conceitos demográficos utilizados nas
operações estatísticas realizadas no âmbito do Sistema Estatístico Nacional.

No que se refere à alínea b) do mandato, como consequência da análise técnica efectuada nas reuniões do
GTED ao verbete para óbito de 28 ou mais dias e ao verbete para óbito fetal ou neonatal (crianças
nascidas vivas que faleceram com menos de 28 dias de idade) procederam-se a algumas alterações (vide
tabelas de correspondência). Na generalidade, estas alterações correspondem a uma melhor articulação entre
os certificados de óbito20 e os respectivos verbetes para óbito.

20
Certificado, da responsabilidade do médico, para confirmar, junto do Registo Civil, a declaração de um óbito, feito em impresso
de modelo fornecido pelos competentes serviços de saúde.

Revista de Estudos Demográficos, nº 40


95

Reformulação do verbete para óbito 28 ou mais dias

Tabela de correspondência entre as anteriores e as novas variáveis

E statísticas Demográficas – Acção desenvolvida no âmbito do Conselho Superior de Estatística


Tabelas_10

Ano de referência - 2002 Ano de referência - 2003 Observações


Identificação do verbete Alteração da designação e
N.º de certificado de óbito (7 dígitos: 6 dígitos + check-digit)
(7 dígitos) do código

Distrito/Região Autónoma Distrito/Região Autónoma (ilha)


Concelho Concelho
Conservatória Conservatória
Registo n.º Registo n.º
Data do registo Data do registo
Q1 Causa da morte: Q1 Causa da morte:
- Causa básica (código CID-10) *
- Causa básica (código CID-10)
- Causa externa (código CID-10) - Causa externa (código CID-10)
Q1 Declaração obrigatória Supressão
Q1 Intervalo aproximado entre o começo da Q1 Tempo aproximado entre o início da doença e a morte Alteração da designação
doença e a morte
Q2 Tipo de óbito: Nova variável
Natural Preenchimento exclusivo
Não Natural
Sob investigação médica (aguarda exames complementares ou outros)

Q3 Tipo de óbito não natural: Nova variável


Acidente de transito Preenchimento exclusivo
Acidente de trabalho
Eventual suicídio
Eventual homicídio
Outro acidente, qual?
Ignorado
Q2 Data Q4 **
Data do falecimento
Q3 Local Q5 ***
Local
Num domicílio Num domicílio
Num hospital/clínica No hospital/clínica Alteração da designação
Noutro local Noutro local
Q4 A causa da morte foi indicada com base em: Q6 A causa da morte foi indicada com base em:
· Apenas em elementos de ordem clínica · Apenas em elementos de ordem clínica

· Autópsia · Autópsia
· Auto lavrado pela autoridade administrativa · Auto lavrado pela autoridade administrativa

· Outros documentos oficiais · Outros documentos oficiais


Q5 Nacionalidade Q11 Nacionalidade
Q6 Naturalidade Q10 Naturalidade
Q7 Residência habitual Q12 Residência habitual
Q8 Sexo Q7 Sexo
Q9 Data de nascimento Q8 Data de nascimento
Q10 Condição perante o trabalho Q13 Condição perante o trabalho
Q11 Profissão Q14 Profissão
Q12 Situação na profissão Q15 Situação na profissão
Q13 Ramo de actividade Q16 Ramo de actividade
Q14 Estado civil Q9 Estado civil
Solteiro Solteiro
Casado Casado
Viúvo Viúvo
Divorciado Divorciado
Separado Supressão
Ignorado Ignorado
Q15 Data do último casamento Q17 Data do último casamento
Q16 Idade do cônjuge sobrevivo Q18 Idade do cônjuge sobrevivo
Q17 Número de filhos do casamento dissolvido Supressão

Q18 Filiação Q19 Filiação


Q19 Dados relativos aos pais Q20 ****
Dados relativos aos pais
Q19.1 Data do nascimento Q20.1 Data do nascimento
Q19.2 Grau de instrução completo Q20.2 Nível de instrução completo
Q19.3 Condição perante o trabalho Q20.3 Condição perante o trabalho
Q19.4 Profissão Q20.4 Profissão
Q19.5 Situação na profissão Q20.5 Situação na profissão
Q19.6 Ramo de actividade Q20.6 Ramo de actividade

*
Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados com à Saúde – Décima Revisão, Organização Mundial de Saúde (OMS) – Centro Colaborador da OMS para a
Classificação de Doenças em Português – Universidade de São Paulo, Brasil.
Q4 – ** quando a data do falecimento é desconhecida deverá indicar a data de verificação do falecimento.
Q5 – ***os óbitos ocorridos em lares para idosos deverão ser anotados “Num domicílio”.
Q20 – ****preenchimento de todos os quesitos relativos aos pais, mesmo que eles tenham entretanto falecido.
96

Reformulação do verbete para óbito fetal e neonatal

Tabela de correspondência entre as anteriores e as novas variáveis


Tabelas_11

Ano de referência - 2002 Ano de referência - 2003 Observações


Identificação do verbete (7 dígitos) N.º de certificado de óbito (7 dígitos: 6 dígitos + check-digit) Alteração da designação
e do código
Distrito/Região Autónoma. Distrito/Região Autónoma (ilha).
Concelho Concelho
Conservatória Conservatória
Registo n.º Registo n.º
Data do registo Data do registo
Q1 Causa da morte: Q1 Causa da morte:
- Alíneas a) e b): causa básica e causa externa. - Alíneas a) e b): causa básica e causa externa.
- Alíneas c) e d): causa básica e causa externa. - Alíneas c) e d): causa básica e causa externa.
Q1 Declaração obrigatória Supressão
Q1 Tempo aproximado entre o início da doença e a morte Nova variável
Q2 Tipo de óbito não natural: Nova variável
Acidente de transporte Preenchimento exclusivo
Eventual homicídio
Outro acidente, qual?
Q2 A criança nasceu viva: Q3 A criança nasceu viva:
- Data do nascimento - Data do nascimento
- Data do falecimento - Data do falecimento
Q3 A criança nasceu morta (data do parto) Q4 A criança nasceu morta (data do parto)
Q3 E morreu (antes do parto) Q4 E morreu (antes do parto)
Q3 E morreu (depois do parto) Q4 E morreu (durante o parto) Correcção ao texto
Q3 E morreu (ignorado) Q4 E morreu (ignorado)
Q4 Sexo Q5 Sexo
Q5 Peso à nascença Q6 Peso à nascença
Q6 Filiação Q7 Filiação
Q7 Nacionalidade (criança nascida viva) Q8 Nacionalidade (criança nascida viva)
Q8 Local do falecimento Q9 Local do falecimento
Q8 Local do falecimento (domicílio) Q9 Local do falecimento (Num domicílio) Alteração da designação
Q8 Local do falecimento (hospital/clínica) Q9 Local do falecimento (No hospital/clínica) Alteração da designação
Q8 Local do falecimento (outro) Q9 Local do falecimento (Noutro local) Alteração da designação
Q9 A causa da morte foi indicada com base em: Q10 A causa da morte foi indicada com base em:
· Apenas em elementos de ordem clínica. · Apenas em elementos de ordem clínica.
· Autópsia. · Autópsia.
· Auto lavrado por autoridade administrativa. · Auto lavrado pela autoridade administrativa.
· Outros documentos oficiais. · Outros documentos oficiais.
Q10 Se resultante de parto gemelar, indique: Q11 Se resultante de parto gemelar, indique *:
· 1º gémeo · 1º gémeo
· 2º gémeo · 2º gémeo
· 3º gémeo · 3º gémeo
· Outro múltiplo. · Outro múltiplo.
Q11 Local Q12 Local
Q11 Local (domicílio) Q12 Local (domicílio)
Q11 Local (hospital/clínica) Q12 Local (hospital/clínica)
Q11 Local (outro) Q12 Local (outro)
Q12 Natureza Q13 Natureza*:
· Simples · Simples
· Gemelar · Gemelar
Q13 Se gemelar, indique Q14 Se gemelar, indique:
· N.º de gémeos (N.º de nados vivos; N.º de fetos mortos) · N.º de gémeos (N.º de nados vivos; N.º de fetos mortos)

Q14 O parto foi Q15 O parto foi:


· Normal; Espontâneo de apresentação de vértice · Normal; Espontâneo de apresentação de vértice
· Outro (especifique) · Outro (especifique)
· Ignorado · Ignorado
Q15 Assistência Q16 Assistência:
· Médico · Médico
· Enfermeira obstétrica · Enfermeira obstétrica
· Enfermeira · Enfermeira
· Sem assistência · Sem assistência
· Ignorada · Ignorada
Q16 Duração da gravidez Q17 Duração da gravidez:
· N.º de semanas de gestação · N.º de semanas de gestação
· Ignorada · Ignorada
Q17 Vigilância antenatal: Houve três ou mais consultas médicas: Q18 Vigilância antenatal: Houve três ou mais consultas médicas:
Sim, Não Ignorada. Sim, Não Ignorada.
Q18 Data de nascimento Q19 Data de nascimento **
Q19 Residência habitual Q20 Residência habitual **
Q20 Nacionalidade Q21 Nacionalidade**
Q21 Grau de ensino completo Q22 Nível de instrução completo **
Q22 Condição perante o trabalho Q23 Condição perante o trabalho **
Q23 Profissão Q24 Profissão**
Q24 Situação na profissão Q25 Situação na profissão **
Q25 Ramo de actividade Q26 Ramo de actividade **
Q26 Número de partos anteriores Q27 Número de partos anteriores **
Q27 Termo** Nova variável
Q27 Pré-termo** Nova variável
Q27 Data do parto imediatamente anterior Q28 Data do parto imediatamente anterior **
Q28 Número de abortos e gravidezes ectópicas Q29 Número de abortos e gravidezes ectópicas **
Q29 Número de filhos vivos Q30 Número de filhos vivos**

Q11 e Q13 – *indique o(s) número(s) de registo(s) dos restantes gémeos. Se um ou mais gémeos foram registados noutra conservatória, indique a(s) conservatória(s).
Q19 e seguintes – **preencha todos os quesitos relativos aos pais do feto ou da criança, mesmo que estes tenham entretanto falecido.

Revista de Estudos Demográficos, nº 40


97

A Secção Permanente de Planeamento, Coordenação e Difusão21 decidiu, na sua reunião de 11 de Abril de 2003,
aprovar os conceitos para fins estatísticos da área temática da Demografia, sem prejuízo da introdução de
eventuais alterações decorrentes da análise final e global com vista à harmonização, integração e exaustividade
dos conceitos definidos, nos termos da legislação do Sistema Estatístico Nacional.

E statísticas Demográficas – Acção desenvolvida no âmbito do Conselho Superior de Estatística


A Secção Permanente de Estatísticas Demográficas e Sociais, das Famílias e do Ambiente22, reunida em 4 de
Junho de 2003, decidiu emitir parecer favorável ao relatório apresentado pelo Grupo de Trabalho sobre as
Estatísticas da Demografia, recomendando ao Instituto Nacional de Estatística a implementação dos novos
modelos de verbetes para a caracterização dos óbitos com vista à melhoria das estatísticas sobre óbitos e a
uma adequada codificação das causas de morte.

2. 5 Actividades no período 2004 – 2006 (evolução das estatísticas migratórias com a exploração de dados
administrativos da população)

Em 18 de Fevereiro de 2004, iniciaram-se as reuniões do Grupo de Trabalho sobre as Estatísticas da Demografia,


relacionadas com o cumprimento ao novo mandato, atribuído pela Secção Permanente de Estatísticas
Demográficas e Sociais, das Famílias e do Ambiente (SPEDSFA) e expresso nos seguintes termos:

Análise de uma proposta de acção na área estatística das “Migrações”, com base num documento de trabalho
a apresentar pelo Instituto Nacional de Estatística.

A nova composição do GTED, de acordo com mandato atribuído, era formada pelas seguintes entidades e
respectivos representantes:

° Instituto Nacional de Estatística: Fernando Casimiro (participante apenas na 1ª reunião), Humberto


23

Moreira, Paula Paulino, Cláudia Pina (a partir de 26 de Outubro de 2004).

° Conselho de Reitores das Universidades Portuguesas: Gilberta Rocha (Presidente do GTED).


° Secretariado Técnico dos Assuntos para o Processo Eleitoral: Carlos Nunes da Ponte, Amélia André.
° Serviço de Estrangeiros e Fronteiras: Ana Bela Nobre (substituída por João Ataíde, a partir de 19 de
Maio de 2005), Maria José Torres.

° Direcção-Geral dos Registos e do Notariado: Eugénia Pimpão, Regina Fontainhas.

° Inspecção-Geral do Trabalho: Maria José Cardoso, Patrício Costa.

° Direcção-Geral dos Assuntos Consulares e Comunidades Portuguesas: Isabel Corado, Lubélia Gomes.

° Alto Comissariado para a Imigração e Minorias Étnicas: André Corrêa d’Almeida (substituído por Catarina
Oliveira, a partir de 29 de Setembro de 2005), Ana Braga.

° Observatório da Ciência e do Ensino Superior (em substituição da Direcção-Geral do Ensino Superior):


Teresa Almeida (a partir de 5 de Maio de 2005) .

As reuniões do Grupo de Trabalho sobre as Estatísticas da Demografia, relativas ao presente mandato ocorreram
entre 18 de Fevereiro de 2004 e 17 de Março de 2006, tendo-se realizado, ao todo 18 reuniões. Como se
encontra mencionado no próprio mandato do GTED, o arranque dos trabalhos iniciou-se com a análise do
documento base, apresentado pelo Instituto Nacional de Estatística, onde se descreviam as fontes, as variáveis
observadas, os métodos de recolha, bem como os dados disponíveis sobre as estatísticas migratórias. Em
simultâneo, para cada fenómeno migratório, eram dados os esclarecimentos às dúvidas colocadas pelos
participantes e, no âmbito da discussão técnica, efectuadas propostas metodológicas, como também procedendo-
se à avaliação dos dados disponíveis face às necessidades estatísticas nessas matérias. Por outro lado, competia
também ao Grupo de Trabalho delinear uma estratégia de acção no sentido de propor novas fontes com o
objectivo de melhorar e alargar a cobertura estatística aos mais variados tipos de movimentos migratórios e
stocks, ainda a descoberto.

21
253ª Deliberação do Concelho Superior de Estatística (DOCT/1122/CSE/PDC).
22
9ª Decisão da Secção Permanente de Estatísticas Demográficas e Sociais, das Famílias e do Ambiente (DOCT/1200/CSE/
DSFA).
23
Substituído na presidência do GTED, por motivo de comissão de serviço no estrangeiro, pela Prof. Dra. Gilberta Rocha, eleita
por unanimidade na reunião de 18 de Fevereiro de 2004.
98

Este desígnio encontrava-se também incluído nas Linhas Gerais da Actividade Estatística Nacional e respectivas
prioridades para o período de 2003-2007, aprovadas pelo Conselho Superior de Estatística. Neste plano das
actividades estatísticas nacionais, no domínio da População e Sociedade, uma das primeiras prioridades seria
“Desenvolver um novo modelo de estimação dos fluxos migratórios”. Tal como anteriormente mencionado, este
objectivo perspectiva a exploração de dados administrativos e o intercâmbio da informação administrativa.

A Secção Permanente de Estatísticas Demográficas e Sociais, das Famílias e do Ambiente24, reunida em 4 de


Maio de 2006, decidiu emitir parecer favorável ao relatório apresentado pelo Grupo de Trabalho sobre as Estatísticas
da Demografia e aprovar as respectivas deliberações. Sublinhou também a relevância e a qualidade do trabalho
desenvolvido pelo Grupo de Trabalho sobre as Estatísticas da Demografia.

24
15ª Decisão da Secção Permanente de Estatísticas Demográficas e Sociais, das Famílias e do Ambiente (DOCT/1825/CSE/
DSFA).

Revista de Estudos Demográficos, nº 40


99

Quadros síntese sobre as recomendações25 às entidades envolvidas, com o objectivo de melhorar a


informação das componentes das migrações internacionais (Imigração, População Estrangeira e
Emigração) e Migrações Internas.

E statísticas Demográficas – Acção desenvolvida no âmbito do Conselho Superior de Estatística


Tabelas_12e12cont

Migrações Internacionais
Imigração e População Estrangeira

Cooperação inter-institucional
Potenciar a informação do Sistema Integrado de Informação (SII) do SEF para fins estatísticos,
tendo em conta os seguintes procedimentos:

Dar continuidade ao processo de avaliação da qualidade do stock de população estrangeira, na


Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF) e Instituto sequência do inquérito piloto de 2004;
Nacional de Estatística (INE)
Utilizar a renovação dos títulos de residência para proceder ao “refrescamento” da informação
estatística;

Proceder ao tratamento das prorrogações de permanência (autorização de permanência e vistos


de longa duração) e promover a divulgação dos respectivos dados.

Direcção-Geral dos Assuntos Consulares e Comunidades Contabilizar e divulgar os dados sobre os vistos para estadas de longa duração; o registo
Portuguesas (DGACCP) e Instituto Nacional de estatístico da prorrogação dos vistos pelo SEF complementa a informação sobre os
Estatística (INE) estrangeiros, detentores deste tipo de entrada e permanência em Portugal.

Avaliar a possibilidade de utilização para fins estatísticos dos dados administrativos existentes
no ficheiro informatizado da Conservatória dos Registos Centrais, nomeadamente no que
Direcção-Geral dos Registos e do Notariado (DGRN) e
respeita à atribuição, aquisição e perda da nacionalidade portuguesa. No desenvolvimento deste
Instituto Nacional de Estatística (INE)
projecto deve também participar o Instituto das Tecnologias de Informação da Justiça (ITIJ),
entidade que assegura a gestão informática do ficheiro.

Utilização para fins estatísticos dos dados administrativos sobre contratos de trabalho de
Inspecção-Geral do Trabalho (IGT) e Instituto Nacional de cidadãos estrangeiros. Recomendação ao INE, por intermédio dos serviços regionais de
Estatística (INE) estatística dos Açores e da Madeira, de contactar com as respectivas Inspecções Regionais de
Trabalho.

Observatório da Ciência e do Ensino Superior (OCES) e Disponibilização de dados estatísticos sobre os alunos do ensino superior matriculados,
Instituto Nacional de Estatística (INE) inscritos e diplomados estrangeiros, pelo respectivo país de nacionalidade.

Recomendações ao INE

Proceder a estudos metodológicos que permitam uma utilização sistemática da informação do Inquérito ao Emprego para caracterizar a população
estrangeira face ao mercado de trabalho. Neste sentido recomenda-se ainda que proceda às diligências necessárias à implementação em 2008 do módulo
ad hoc do Inquérito ao Emprego – Migrantes e seus Descendentes, de acordo com as orientações comunitárias. O objectivo deste módulo é observar
e caracterizar de forma aprofundada, nos vários países da União Europeia, as populações migrantes, utilizando conceitos e metodologias harmonizadas.
Reforçar contactos com os seguintes organismos no sentido de se proceder à avaliação da disponibilidade e acessibilidade dos dados estatísticos por eles
produzidos ou à exploração efectiva da informação já disponibilizada:

Instituto do Emprego e da Formação Profissional/Direcção de Serviços de Estudos do Mercado de Emprego (registos de emprego e desemprego);
Ministério da Educação/Gabinete de Informação e Avaliação do Sistema Educativo (estudantes por nacionalidade);
Instituto de Gestão Financeira da Segurança Social/Divisão de Estatística (registos de segurança social);
Ministério das Finanças – Direcção-Geral de Contribuições e Impostos (registos de contribuição fiscal);
Ministério do Trabalho e da Solidariedade Social – Direcção-Geral de Estudos, Estatística e Planeamento (Quadros de Pessoal).
Estudar a viabilidade de, no próximo recenseamento da população a realizar em 2011, alargar o universo de observação aos estrangeiros residentes no
país há menos de um ano e incluir um módulo que permita conhecer outras dimensões da realidade imigratória, como por exemplo as “ segundas gerações
de migrantes” .

25
Apresentadas no relatório do Grupo de Trabalho sobre Estatísticas da Demografia e aprovadas pela Secção Permanente de
Estatísticas Demográficas e Sociais, das Famílias e do Ambiente (SPEDSFA).
100

Migrações Internacionais
Emigração

Cooperação inter-institucional

Promover a colaboração da Direcção-Geral dos Assuntos Consulares e das Comunidades


Direcção-Geral dos Assuntos Consulares e Comunidades
Portuguesas com o INE relativamente ao tratamento estatístico da informação fornecida pelas
Portuguesas (DGACCP) e Instituto Nacional de
embaixadas e consulados, nomeadamente: “stock” de inscrições, novas inscrições e
Estatística (INE)
transferências de residência dos portugueses que vivem no estrangeiro.

Promover a colaboração do Secretariado Técnico dos Assuntos para o Processo Eleitoral


Secretariado Técnico dos Assuntos para o Processo com o INE no sentido de procederem à análise conjunta da informação relativa ao
Eleitoral (STAPE) e Instituto Nacional de Estatística (INE) recenseamento eleitoral, nomeadamente: primeiras inscrições em postos consulares e
transferências de cidadãos nacionais residentes em Portugal para outros países.

Recomendações ao INE / Cooperação inter-institucional


Considerar a possibilidade de proceder a alterações metodológicas ao Inquérito aos Movimentos Migratórios de Saída (IMMS), módulo do Inquérito ao
Emprego, no sentido de aumentar a fiabilidade das estimativas obtidas e alargar o número de variáveis em observação, com relevo para a vertente socio-
económica (condição perante o trabalho, profissão e situação na profissão); ou, em alternativa, estudar a viabilidade de implementação de um inquérito
autónomo, com metodologia ajustada à observação do fenómeno emigratório.
Explorar de forma mais aprofundada as estatísticas dos principais países de destino da emigração portuguesa, com particular relevo para as estruturas por
sexo e idades e características socio-económicas dos emigrantes. Ainda neste âmbito, sublinha-se a pertinência da elaboração de um exercício, entre
Portugal e alguns dos principais países de destino, que avalie o nível de simetria dos processos estatísticos utilizados (fontes, metodologias, conceitos) e
da respectiva informação estatística.
Explorar as potencialidades da informação contida nos ficheiros relativos ao registo de Contribuição Fiscal e ao registo da Segurança Social, no âmbito do
acesso a dados administrativos para fins estatísticos.

Migrações Internacionais
Integração da Informação
Recomendar ao INE que avalie a possibilidade da concepção de uma base de dados de indicadores estatísticos, que centralize a informação produzida
pelo INE e pelas entidades representadas no GTED. Esta base de dados constituir-se-á como uma fonte coerente e harmonizada de informação estatística
acessível a todos os utilizadores. Neste âmbito, e tendo como objectivo a identificação dos indicadores a integrar a base de dados, recomendar ao INE
que em articulação com:
Ɣ O Alto Comissariado para a Imigração e Minorias Étnicas (ACIME) – enquanto entidade pública com competências na área da integração dos
imigrantes e minorias étnicas na sociedade portuguesa* – proceda à identificação das dimensões associadas ao fenómeno imigratório e respectivos
indicadores, com vista ao aprofundamento do conhecimento e avaliação desta realidade.
Ɣ O Conselho de Reitores das Universidades Portuguesas CRUP – enquanto entidade agregadora da produção científica universitária – proceda à
identificação das dimensões associadas ao fenómeno migratório, nas suas vertentes emigração e imigração, e respectivos indicadores, no sentido de
melhor responder às necessidades dos utilizadores, designadamente nos domínios económico, demográfico, social e cultural.
Ɣ As entidades produtoras de dados e representadas no GTED, designadamente Serviço de Estrangeiros e Fronteiras, Direcção-Geral dos Assuntos
Consulares e Comunidades Portuguesas, Direcção-Geral dos Registos e Notariado/Conservatória dos Registos Centrais, Secretariado Técnico dos
Assuntos para o Processo Eleitoral, Observatório da Ciência e Ensino Superior e Inspecção-Geral do Trabalho, analisem e validem as dimensões
associadas ao fenómeno migratório, nomeadamente através da avaliação da possibilidade de construção dos indicadores nas áreas da respectiva
competência.

Migrações Internas
A actuação mais importante centra-se no alargamento das fontes disponíveis, particularmente aquelas que possam colmatar a desactualização da
informação no período inter-censitário.
Cooperação inter-institucional

Secretariado Técnico dos Assuntos para o Processo Procederem à análise conjunta da informação relativa ao recenseamento eleitoral no que
Eleitoral (STAPE) e Instituto Nacional de Estatística (INE) respeita às transferências (cartão de eleitor) em território nacional.

Recomendações ao INE
Proceda a estudos metodológicos que permitam uma utilização sistemática da informação do Inquérito ao Emprego para quantificar e caracterizar os
movimentos migratórios internos, nomeadamente para níveis de desagregação geográfica mais finos que a NUTS II.
Explore exaustivamente as potencialidades da informação pertinente para a medição dos fluxos internos contida nos ficheiros relativos ao registo de
Contribuição Fiscal e ao registo da Segurança Social.

Migrações (âmbito geral)

Recomendar ainda um contacto mais estreito entre o INE com as Universidades Portuguesas e o Observatório da Imigração, representados no GT, com
vista a um melhor conhecimento destes fenómenos e, consequentemente, das dificuldades encontradas para a prossecução dos objectivos traçados nos
respectivos planos de investigação. Este contacto deve possibilitar a identificação, regularmente actualizada, das unidades de investigação, dos estudos
realizados e dos autores que trabalham nas várias vertentes migratórias.

A SPEDSFA recomenda ainda que, no futuro, a análise das estatísticas e indicadores sobre Migrações Internacionais, se realize tendo como
enquadramento um cenário de comparabilidade e de boas práticas internacionais.
Durante o 4º trimestre de 2006, o Instituto Nacional de Estatística apresentará à SPEDSFA um documento de avaliação do grau de exequibilidade das
recomendações constantes do Relatório apresentado pelo Grupo de Trabalho sobre as Estatísticas da Demografia.

*Conforme Decreto-Lei n.º 27/2005, o ACIME é uma estrutura interdepartamental de apoio e consulta do Governo em matéria de imigração e minorias étnicas, que tem como
missão promover a integração dessas populações em Portugal, e cooperar e coordenar acções conjuntas com os diversos serviços da Administração Pública competentes em
razão da matéria relativa à entrada, saída e permanência de cidadãos estrangeiros.

Revista de Estudos Demográficos, nº 40


101

3. Notas finais (expressar algumas reflexões pessoais e expectativas)

Apesar da já razoável dimensão deste artigo e do tempo já dedicado à sua elaboração, incluindo a esquematização
e o desenvolvimento do texto, a sequência cronológica dos factos mais relevantes, a pesquisa documental26, as

E statísticas Demográficas – Acção desenvolvida no âmbito do Conselho Superior de Estatística


sucessivas revisões, correcções e alterações ao que já foi escrito, em boa hora me envolvi nesta estimulante
tarefa, não obstante algumas ansiedades sentidas. Ao longo deste exercício, vieram-me à memória factos e
momentos gratificantes, experiências profissionais compartilhadas com outras pessoas, algumas delas
irremediavelmente pertencentes ao passado, mas que em muito me ajudaram e com quem muito aprendi.

Um outro facto relevante e encorajador, para a elaboração deste artigo, diz respeito ao acolhimento dado a esta
iniciativa pela Dra. Leonor Pereira, Directora do Departamento de Estatísticas Sociais27, e que desde a primeira
hora me tem sido transmitido, face ao compromisso assumido com a Direcção Editorial da Revista de Estudos
Demográficos. A área estatística da Demografia, como já foi, por várias vezes, deliberadamente mencionado,
caracteriza-se como um espaço aberto, dinâmico e convergente de muitas opiniões e vontades. A RED, editada
pelo INE, desde Junho de 1945, é um bom exemplo desse tipo de procedimentos.

Em temos pessoais, dado que, uma vez mais, me foi concedido o benefício de colaborar com esta revista,
coube-me a motivada tarefa de redigir o presente artigo com base nos conhecimentos e na experiência adquirida
na minha vida profissional relacionada com as estatísticas demográficas. Estas referências tanto se enquadram
ao nível do INE, com os colegas de trabalho que compartilharam as mesmas actividades, nomeadamente os
afectos aos sistemas de informação e às metodologias, como ao nível mais geral do SEN, com os representantes
de órgãos delegados ou de outras entidades, que também partilharam com grande empenho no desenvolvimento
das estatísticas demográficas e na gradual utilização de dados administrativos para produção de estatísticas
sobre a população.

O ponto de partida para a concepção do presente artigo relaciona-se com a importância atribuída, pelo autor e
largamente corroborada por outros colegas de trabalho, quanto ao papel dos grupos de trabalho, criados no
âmbito do Conselho Superior de Estatística, na dinamização das actividades inseridas no Sistema Estatístico
Nacional. A actividade dos GT deverá, o mais possível, desenrolar-se com regularidade, em função dos mandatos
que lhes são atribuídos e na perspectiva do desenvolvimento a realizar em cada área estatística, a da Demografia
enquadra-se perfeitamente nesta perspectiva.

A regularidade das reuniões dos grupos de trabalho do CSE será, certamente, um bom contributo para melhorar
a coordenação e o desempenho, tanto das actividades da responsabilidade directa do INE, como das actividades
exercidas por outros organismos públicos na produção estatística28. A ocorrência de, pelo menos, uma reunião
anual para apresentação do plano de acções para o ano seguinte, do relatório de actividades do ano anterior e
para ponto de situação dos trabalhos em curso, ou a iniciar, contribuirá para a dinamização e a co-
responsabilização das respectivas áreas estatísticas.

As reuniões dos grupos de trabalho, bem como as das secções permanentes ou eventuais e os plenários do
Conselho Superior de Estatística definem-se como espaços privilegiados de debate, entre utilizadores e produtores,
e marcadamente contributivos para a evolução e desenvolvimento do Sistema Estatístico Nacional.
Complementarmente, as decisões e as recomendações, e respectivas prioridades de execução, devem circular
em cascata, em função da estrutura orgânica e hierárquica do CSE, mas também, obviamente do sentido
inverso, da base ao topo, este circuito da informação deve ser praticado do mesmo modo.

Uma outra questão, também relevante das actividades no âmbito do CSE, relaciona-se com o perfil profissional
dos presidentes dos grupos de trabalho, não só pelos conhecimentos relativamente à área estatística em
causa, mas também sobre a sua capacidade de liderança, dinamismo e concretização dos objectivos definidos.
A participação activa dos Presidentes e membros das Secções Permanentes ou Eventuais e dos Grupos de
Trabalho e das próprias entidades públicas e privadas que representam é fundamental para o sucesso dos
trabalhos a realizar. Não pode também deixar de ser salientado o papel do INE no desenvolvimento das actividades
estatísticas, enquanto órgão central do Sistema Estatístico Nacional e principal destinatário das recomendações
formuladas pelas Secções Permanentes ou Eventuais e pelos Grupos de Trabalho do Conselho Superior de
Estatística.

26
Referência especial aos documentos facultados pelo Secretariado do Conselho Superior de Estatística.
27
Unidade da actual Macroestrutura orgânica do INE (Ordem de Serviço n.º O/15/04, de 24 de Setembro de 2004), onde
actualmente me encontro vinculado, em termos profissionais.
28
Órgãos delegados e outras entidades intervenientes na produção estatística nacional.
102

Por último e para definitivamente encerrar o presente artigo, não quero deixar de voltar a expressar as minhas
homenagens aos trabalhadores do INE, que ao longo dos seus 71 anos de existência desta nossa instituição,
independentemente da sua categoria profissional, vivos ou já falecidos, conhecidos ou desconhecidos29, que
contribuíram ou que, presentemente, contribuem para a produção, análise e difusão das estatísticas demográficas
dentro dos parâmetros de qualidade e de actualidade dos dados disponibilizados.

Bibliografia:

Vilares, Manuel José; Manuel de Oliveira Marques; Aníbal Durães dos Santos: Sistema Estatístico Nacional –
Situação Actual e Propostas de Reestruturação. Julho de 1989. Relatório da Comissão de Reestruturação do
Sistema Estatística Nacional, nomeada pela Resolução do Conselho de Ministros n.º 48-B/86, de 25 de Junho.

Cunha, Adrião Simões Ferreira da: O Sistema Estatístico Nacional – Algumas notas sobre a evolução dos seus
princípios orientadores: de 1935 ao presente. INE/Lisboa, 1995 (ano do 60º aniversário do INE).

Lei n.º 6/89, de 15 de Abril: Lei de Bases do Sistema Estatístico Nacional.

Decreto-lei n.º 280/89, de 23 de Agosto: Estatutos do INE.

Decreto-lei n.º 124/80, de 17 de Maio: Criação dos Serviços Regionais de Estatística das Regiões Autónomas
dos Açores e da Madeira.

Plano de Actividades 2006 – INE e Outras Entidades intervenientes na produção estatística nacional (DOCT/
1736/CSE-2), INE, 14 de Fevereiro de 2006.

Classificação Geral de Actividades do INE – 2006 – (CGA), INE, 24 de Janeiro de 2006.

Marcoestrutura Orgânica do INE (Ordem de Serviço n.º O/15/04), de 24 de Setembro de 2004.

Manual da Qualidade do INE (Ordem de Serviço n.º O/15/98), de 15 de Setembro de 1998.

Nazareth, J. Manuel, Princípios e Métodos de Análise da Demografia Portuguesa, Editorial Presença (1ª Edição,
Lisboa, 1988).

Sousa, Fernando de, História da Estatística em Portugal – Lisboa, Instituto Nacional de Estatística, 1995.

INE, Setenta anos 1935 – 2005: O Instituto Nacional de Estatística ao Serviço da Sociedade Portuguesa. INE/
Lisboa, Maio de 2006.

Revista de Estudos Demográficos – Número 1. INE/Centro de Estudos Demográficos, 15 de Junho de 1945.

29
Em analogia ao soldado desconhecido, homenageado em qualquer parte do mundo, seja em que país for.

Revista de Estudos Demográficos, nº 40


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