0% acharam este documento útil (0 voto)
209 visualizações28 páginas

Dor Pélvica Crônica e Dismenorreia

Enviado por

luiz cardoso
Direitos autorais
© © All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato PDF, TXT ou leia on-line no Scribd
0% acharam este documento útil (0 voto)
209 visualizações28 páginas

Dor Pélvica Crônica e Dismenorreia

Enviado por

luiz cardoso
Direitos autorais
© © All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato PDF, TXT ou leia on-line no Scribd

P R O F .

C A R L O S E D U A R D O M A R T I N S

D O R P É LV I CA C R Ô N I CA
E DISMENORRÉIA
GINECOLOGIA Prof. Carlos Eduardo Matins | Dor Pélvica Crônica e Dismenorréia 2

APRESENTAÇÃO:

PROF. CARLOS
EDUARDO MARTINS

A dor pélvica crônica e a dismenorreia aparecem em pouco


mais de 1% das questões que foram solucionadas e analisadas
em nosso processo de engenharia reversa. Ambas as causas são
motivos frequentes para o encaminhamento de pacientes para
serviços de saúde.

Estratégia MED

@estrategiamed @estrategiamed

Estratégia
MED
t.me/estrategiamed /estrategiamed
GINECOLOGIA Prof. Carlos Eduardo Matins | Dor Pélvica Crônica e Dismenorréia 3

TEMAS EM GINECOLOGIA
RASTREAMENTO DO CÂNCER DE COLO UTERINO
PLANEJAMENTO FAMILIAR
VULVOVAGINITES
AMENORREIAS
CLIMATÉRIO
RASTREAMENTO DO CÂNCER DE MAMA
ENDOMETRIOSE
DIP/ CERVICITES
SOP
SANGRAMENTO UTERINO ANORMAL
TUMORES ANEXIAIS E CÂNCER DE OVÁRIO
CÂNCER DE MAMA
CÂNCER DE ENDOMÉTRIO/ HIPERPLASIA ENDOMETRIAL
DOENÇAS BENIGNAS DAS MAMAS
INFERTILIDADE
MIOMATOSE
CÂNCER DE COLO UTERINO
INCONTINÊNCIA URINÁRIA
PROLAPSOS DE ÓRGÃOS PÉLVICOS
ÚLCERAS GENITAIS
ATENDIMENTO À VITIMA DE VIOLÊNCIA SEXUAL
CICLO MENSTRUAL
DOENÇAS DE VULVA E DA VAGINA
SÍNDROME PRÉ-MENSTRUAL
ABDOME AGUDO EM GINECOLOGIA
ADENOMIOSE
DISMENORREIA
PÓLIPOS UTERINOS
EMBRIOLOGIA DO TRATO GENITAL FEMININO
ANATOMIA DO TRATO GENITAL FEMININO
DOR PÉLVICA CRÔNICA
SEXUALIDADE
FISTULAS GENITO-URINÁRIAS
SÍNDROME DA BEXIGA DOLOROSA

0,00% 1,00% 2,00% 3,00% 4,00% 5,00% 6,00% 7,00% 8,00% 9,00% 10,00%

Quando dividimos o percentual de questões sobre cada um dos temas, podemos ver que existe uma divisão muito equilibrada.

Estratégia
MED
GINECOLOGIA Prof. Carlos Eduardo Matins | Dor Pélvica Crônica e Dismenorréia 4

DIVISÃO POR TEMAS

Dismenorreia
47% 53%
Dor pélvica crônica

Os mecanismos fisiopatológicos da dor em ambas as patologias ainda não estão completamente elucidados, sendo algo que as
provas de Residência gostam de abordar.
Além disso, diversas patologias ginecológicas podem ser a causa orgânica para essas manifestações sindrômicas, sendo um assunto
que permeia diversas questões de ginecologia. Fique ligado, porque neste livro digital traremos as informações que você precisa para
solucionar todas as questões de prova sobre esses temas.

Estratégia
MED
GINECOLOGIA Dor Pélvica crônica e Dismenorréia Estratégia
MED

SUMÁRIO

1.0 DOR PÉLVICA CRÔNICA 6


1.1 DEFINIÇÃO 6

1.2 FISIOPATOLOGIA DA DOR PÉLVICA CRÔNICA 7

1.2.1 CICLO DA DOR PÉLVICA CRÔNICA 7

1.3 ETIOLOGIA 8

1.3.1 ENDOMETRIOSE (SAIBA MAIS NO LIVRO DIGITAL ESPECÍFICO) 10

1.3.2 DOENÇA INFLAMATÓRIA PÉLVICA - DIP (SAIBA MAIS NO LIVRO DIGITAL ESPECÍFICO) 10

1.3.3 ADERÊNCIAS PÉLVICAS 10

1.3.4 CONGESTÃO PÉLVICA (VARIZES PÉLVICAS) 11

1.3.5 ADENOMIOSE (SAIBA MAIS NO LIVRO DIGITAL ESPECÍFICO) 13

1.3.6 LEIOMIOMA UTERINO (SAIBA MAIS NO LIVRO DIGITAL ESPECÍFICO) 13

1.3.7 VULVODÍNEA 13

1.3.8 CISTITE INTERSTICIAL OU SÍNDROME DA BEXIGA DOLOROSA 14

1.4 DIAGNÓSTICO 14

1.5 TRATAMENTO 15

2.0 DISMENORRÉIA 18
2.1 DEFINIÇÃO E EPIDEMIOLOGIA 18

2.2 CLASSIFICAÇÃO 19

2.3 FISIOPATOLOGIA 21

2.4 DIAGNÓSTICO E QUADRO CLÍNICO 23

2.5 TRATAMENTO 23

3.0 LISTA DE QUESTÕES 26


4.0 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 27
5.0 CONSIDERAÇÕES FINAIS 27

Prof. Carlos Eduardo Martins | Curso Extensivo | 2024 5


GINECOLOGIA Dor Pélvica crônica e Dismenorréia Estratégia
MED

CAPÍTULO

1.0 DOR PÉLVICA CRÔNICA

1.1 DEFINIÇÃO

A dor pélvica crônica é definida como uma dor em andar


inferior do abdome, acíclica, com duração igual ou superior a 6
meses, não causada pela gravidez e sem associação exclusiva com
o ato sexual. Sua intensidade é variável, porém intensa a ponto
de impactar nas atividades diárias e/ou necessitar de tratamento
médico (ACOG, 2004). Fique atento, pois alguns autores consideram
que as dores cíclicas ou desencadeadas por coito também devem
ser inseridas nessa definição, o que englobaria a dispareunia
(é abordada com detalhes no livro sobre Sexualidade) e a
Fonte: Shutterstock dismenorreia como formas de apresentação.

CAI NA PROVA

(DF - SECRETARIA DE SAÚDE DO DISTRITO FEDERAL - SES DF - 2022) Uma paciente de 26 anos de idade, G1PN1, refere dor em baixo ventre há
um ano, intensidade de 8 a 10, não aliviada com anti-inflamatório. Tem ciclos menstruais regulares, com dismenorreia leve. Nega dispareunia.
Tem constipação crônica. A respeito desse caso clínico e com base nos conhecimentos médicos correlatos, julgue o item a seguir.

Dor pélvica crônica é definida como dor acíclica, abaixo da cicatriz umbilical, com duração superior a seis meses, intensa e incapacitante, que
requer tratamento e altera a qualidade de vida da mulher.

A) Certo.
B) Errado

COMENTÁRIOS:

A questão cobra exatamente o conhecimento sobre a definição de dor pélvica crônica que foi descrita acima. Portanto, podemos
considerar que se trata de uma afirmação correta.

Correta a alternativa A.

Prof. Carlos Eduardo Martins | Curso Extensivo | 2024 6


GINECOLOGIA Dor Pélvica crônica e Dismenorréia Estratégia
MED

1.2 FISIOPATOLOGIA DA DOR PÉLVICA CRÔNICA

Em muitos casos, a dor pélvica pode originar-se do Em alguns indivíduos, o estímulo doloroso mantido pode
acometimento de um órgão específico, porém muitas vezes pode levar à sensibilização central persistente e à perda permanente
haver um acometimento global da pelve, devido à complexa da inibição neuronal. Como resultado, há redução do limiar para
inervação da região, sem uma causa orgânica específica. Pode, estímulo da dor, criando um ciclo vicioso de dor. Nos casos em
ainda, haver associação desses quadros de dor com ansiedade e que não há uma etiologia clara para a dor, podem ser empregados
depressão, porém em geral não é possível estabelecer uma relação antidepressivos e anticonvulsivantes, que auxiliam no controle
de causa e consequência. álgico, visando interromper esse ciclo de dor.

1.2.1 CICLO DA DOR PÉLVICA CRÔNICA

Sensibilidade
Dor Pélvica Central

Redução do Perda da
limiar de inibição
dor neuronal

A dor pode ser classificada como somática ou visceral, a depender das fibras nervosas aferentes envolvidas,
e também quanto ao mecanismo que produz a resposta álgica é classificada como inflamatória ou neuropática.
A dor somática origina-se das fibras aferentes do peritônio parietal, dos músculos, da pele e dos tecidos
subcutâneos e caracteriza-se por ser aguda e localizada. Já a dor visceral tem origem em fibras aferentes do
sistema nervoso autônomo, que envia informações sobre as vísceras pélvicas e sobre o peritônio visceral. Esse
tipo de dor costuma ser generalizada e de difícil caracterização.
A dor inflamatória é aquela decorrente de um estímulo nocivo agudo, como uma queimadura. Ela promove
uma rápida resposta reflexa do organismo e dispara um processo inflamatório que aumenta o estímulo doloroso.
Já a dor neuropática ocorre por um estímulo doloroso mantido e que leva à sensibilização central persistente e à
perda de inibição neuronal. Esse último é o padrão da dor pélvica crônica que será explicada adiante.

Prof. Carlos Eduardo Martins | Curso Extensivo | 2024 7


GINECOLOGIA Dor Pélvica crônica e Dismenorréia Estratégia
MED

CAI NA PROVA
(PR - Universidade Estadual de Maringá - UEM - 2019) Preencha as lacunas abaixo e, em seguida, assinale a alternativa correta:
A dor pélvica pode ser classificada como somática ou visceral de acordo com as fibras nervosas ______. De acordo com o mecanismo que a
produz, pode ser ______ ou ______.
A) aferentes / inflamatória / neuropática
B) aferentes / aguda / inflamatória
C) nervosas / aguda / neuropática
D) neuropáticas / aguda / vascular
E) eferentes / necrótica / inflamatória

COMENTÁRIOS:

Correta a alternativa A, pois descreve adequadamente a resposta neuronal à dor.

Incorreta a alternativa B, pois os termos “aguda” e “inflamatória” fazem parte do mesmo espectro de resposta à dor.
Incorreta a alternativa C, pois os mecanismos da dor são: inflamatório e neuropático.
Incorreta a alternativa D, pois não existem fibras neuropáticas.
Incorreta a alternativa E, pois as fibras eferentes são as que conduzem os impulsos do sistema nervoso para os órgãos.

1.3 ETIOLOGIA

A origem da dor pélvica crônica pode ser dividida em causas orgânicas e não orgânicas. Dentre as causas orgânicas existem as de
origem ginecológica e as não ginecológicas. A prevalência da dor pélvica crônica é de cerca de 15% na população geral, porém a etiologia
varia de acordo com cada população. Ela é mais frequente no período reprodutivo feminino. Dentre as causas ginecológicas, as principais
são: endometriose (mais comum),tumores anexiais, adenomiose e miomas uterinos. Já as causas não ginecológicas mais prevalentes são
síndrome do intestino irritável e constipação crônica. A tabela abaixo resume as causas ginecológicas para a dor pélvica crônica:

CAUSAS GINECOLÓGICAS
Cistos anexiais
Salpingite/endometrite crônica (sequelas de DIP)
Síndrome do ovário residual
Síndrome do ovário remanescente
Síndrome de congestão pélvica
Adenomiose
Endometriose
Leiomioma
Distopias genitais

Prof. Carlos Eduardo Martins | Curso Extensivo | 2024 8


GINECOLOGIA Dor Pélvica crônica e Dismenorréia Estratégia
MED

É importante termos em mente que em, cerca de um terço dos casos de dor pélvica crônica, não se encontra uma causa orgânica para
o quadro álgico. Por esse motivo, a abordagem diagnóstica e terapêutica desses casos deve incluir um cuidado multidisciplinar.
Em algumas questões de Residência, é cobrado o conhecimento sobre etiologias não ginecológicas de dor pélvica crônica. A tabela
abaixo resume essas causas:

CAUSAS NÃO GINECOLÓGICAS

Cistite intersticial

Síndrome do intestino irritável

Doença inflamatória intestinal

Diverticulite

Constipação crônica

Fibromialgia

Dor miofascial pélvica (espasmo do assoalho pélvico)/dores osteomusculares

Transtorno de somatização

Abuso sexual

CAI NA PROVA
(SP - SANTA CASA DE MISERICÓRDIA DE SÃO PAULO - SCMSP- 2023) Assinale a alternativa que apresenta a principal causa ginecológica de
dor pélvica crônica.
A) miomatose uterina
B) tumores ovarianos
C) doença inflamatória pélvica
D) endometriose
E) varizes pélvicas

COMENTÁRIOS:
Incorreta a alternativa A, pois apesar de ser uma etiologia possível para dor pélvica crônica, não é a mais frequente. O principal sintomas
associado aos miomas é o sangramento uterino anormal.
Incorreta a alternativa B, pois apenas tumores anexiais mais volumosos estão associados à dor pélvica crônica.
Incorreta a alternativa C, pois apenas 30% das pacientes com DIP desenvolvem dor pélvica crônica.

Correta a alternativa D, pois acredita-se que a prevalência da endometriose seja de 5% a 10% das mulheres na idade reprodutiva
(menacme). A endometriose está presente em 70% das pacientes com dor pélvica e 50% das pacientes com infertilidade.
Incorreta a alternativa E, pois as varizes pélvicas não são uma causa frequente de dor pélvica crônica.

Prof. Carlos Eduardo Martins | Curso Extensivo | 2024 9


GINECOLOGIA Dor Pélvica crônica e Dismenorréia Estratégia
MED

A seguir descreveremos algumas características das causas de dor pélvica crônica. Algumas delas têm livros digitais específicos que
trazem todos os detalhes da patologia. Deixaremos assinalado nos subtítulos aqueles que possuem material específico. Nosso objetivo nesse
tópico é trazer pontos relevantes que são cobrados em questões específicas sobre a dor pélvica crônica.

1.3.1 ENDOMETRIOSE (SAIBA MAIS NO LIVRO DIGITAL ESPECÍFICO)

A endometriose caracteriza-se pela presença de tecido endometrial fora da cavidade uterina, podendo levar a diversas manifestações
clínicas. A dor pélvica nas mulheres com endometriose apresenta-se pior no período menstrual e está associada à dispareunia (dor na
penetração sexual). É a principal causa de dor pélvica crônica em mulheres no período reprodutivo.

1.3.2 DOENÇA INFLAMATÓRIA PÉLVICA - DIP (SAIBA MAIS NO LIVRO DIGITAL ESPECÍFICO)

A dor pélvica crônica é uma das complicações mais frequentes da DIP, podendo acometer até 30% das mulheres com essa doença.
Acredita-se que a dor nesses casos está associada à formação de aderências pelo processo inflamatório e pela ocorrência de lesão tubária,
que leva à hidrossalpinge. A questão abaixo demonstra essa associação entre DIP e dor pélvica crônica.

1.3.3 ADERÊNCIAS PÉLVICAS

As aderências são formações fibrosas que conectam os órgãos à parede pélvica, causadas por traumas, infecções, inflamações,
sangramentos ou cirurgia prévia; a endometriose também é uma causa importante. A dor tem origem na distorção da anatomia ou no
estiramento do peritônio ou da serosa do órgão. A videolaparoscopia é uma ferramenta diagnóstica e terapêutica, pois permite a realização
da lise das aderências.

Prof. Carlos Eduardo Martins | Curso Extensivo | 2024 10


GINECOLOGIA Dor Pélvica crônica e Dismenorréia Estratégia
MED

1.3.4 CONGESTÃO PÉLVICA (VARIZES PÉLVICAS)

A síndrome de congestão pélvica ocorre pela formação


de veias ovarianas e pélvicas tortuosas, dilatadas e congestas,
associadas à diminuição do retorno venoso. O refluxo venoso
e a congestão causados por esses defeitos são a provável causa
para a dor nessas mulheres. A característica mais comum desse
quadro é a piora da dor após a permanência em pé ou sentada
por longos períodos. Pode haver associação com dispareunia de
profundidade e dor após o ato sexual.
A investigação do quadro deve ser feita com anamnese e
exame físico adequados. O exame complementar de escolha é a
venografia pélvica e, durante sua realização, pode ser realizada
a embolização para o tratamento. Em alternativa a esse exame,
pode-se utilizar tomografia computadorizada, ressonância
magnética ou ultrassonografia com doppler. Porém, como esses
exames são realizados com a paciente deitada, as alterações
podem não aparecer.
A imagem ao lado demonstra o trajeto das veias ovarianas
e o processo de embolização realizado por venografia; à direita da
imagem, os vasos ovarianos já se encontram esclerosados.
O tratamento também pode ser feito com uso contínuo de
progestagênios ou de agonista de GnRH.

CAI NA PROVA

(PA- Universidade Estadual do Pará (Belém) - 2020) Mulher de 35 anos referindo dor em andar, inferior do abdome, acíclica, com duração
de aproximadamente 8 meses. A dor é intensa a ponto de impossibilitar atividades diárias e comumente associada a dispareunia de
profundidade e dor após coito, levando a importante prejuízo da vida sexual. Além disto há exacerbação da dor após longa permanência em
posição ortostática. Nega febre ou outros sintomas. Ao exame físico ginecológico: útero está discretamente aumentado de volume e pouco
amolecido, sendo indolor a mobilização, muco cervical cristalino e conteúdo vaginal fisiológico. Com base no quadro clínico, dentre as opções
abaixo, a principal hipótese diagnóstica e exame complementar que podem auxiliar no diagnóstico são:
A) varizes pélvicas e cintilografia
B) varizes pélvicas e ultrassonografia endovaginal com doppler
C) doença inflamatória pélvica e hemograma
D) doença inflamatória pélvica e ultrassonografia endovaginal
E) endometriose e videolaparoscopia

Prof. Carlos Eduardo Martins | Curso Extensivo | 2024 11


GINECOLOGIA Dor Pélvica crônica e Dismenorréia Estratégia
MED

COMENTÁRIOS:

Conforme já foi explicitado ao longo da teoria, a informação chave para a definição da etiologia da dor é o fato de ela piorar após longos
períodos em pé. Sempre que essa informação aparecer, o provável diagnóstico da questão é de congestão pélvica ou varizes pélvicas.
Incorreta a alternativa A, pois, apesar de a paciente apresentar varizes pélvicas, a cintilografia é um exame de medicina nuclear com
injeção de radiofármaco que não tem papel na avaliação dessa patologia. O examinador quis confundi-lo com o exame de venografia, que
pode ser empregado nesse caso.
pois as varizes pélvicas podem ser diagnosticadas através de exames de imagem com avaliação dos vasos,
Correta a alternativa B,
como o ultrassom com doppler, que pode evidenciar congestão dos vasos pélvicos e presença de varizes.

Incorreta a alternativa C, pois a doença inflamatória pélvica caracteriza-se pela dor à palpação anexial e à mobilização do colo uterino no
exame físico, o que a paciente em questão não apresenta.
Incorreta a alternativa D, pois, como já foi dito, o quadro clínico não é compatível com doença inflamatória pélvica e, além disso, o
diagnóstico nesses casos é clínico, sendo a ultrassonografia empregada para descartar complicações, como abscesso.
Incorreta a alternativa E, pois, apesar de a endometriose ser uma importante causa de dor pélvica crônica, não apresenta relação com a
posição da paciente, geralmente estando associada à piora com a menstruação.

(PA - UNIVERSIDADE DO ESTADO DO PARÁ - UEPA BELÉM 2023) Mulher de 37 anos de idade, multípara, queixa- se de dor pélvica tipo
peso com a mesma intensidade há 3 anos, acíclica, com piora após o coito. Nega febre, alterações no fluxo menstrual, sintomas urinários e
gastrointestinais. Toque bimanual: útero indolor a mobilização, com volume, contorno, superfície e mobilidade normais. Especular: colo e
vagina sem lesões, conteúdo vaginal fisiológico, muco cervical cristalino. O diagnóstico mais provável, neste caso, é:
A) endometriose.
B) varizes pélvicas.
C) síndrome da bexiga dolorosa.
D) doença inflamatória pélvica.
E) síndrome do cólon irritável.

COMENTÁRIOS:
Trata-se de um quadro de dor pélvica crônica sem muitos detalhes trazidos pela questão, exceto pelo tipo de dor que é em peso e pela
presença de piora após o coito. Vamos analisar as alternativas.
Incorreta a alternativa A, pois na endometriose há exacerbação da dor no período menstrual.
Correta a alternativa B, pois apesar de não termos muitos dados de história, o quadro pode ser compatível com as varizes.
Incorreta a alternativa C, pois a paciente não apresenta dor relacionada a sintomas urinários.
Incorreta a alternativa D, pois não há alterações no exame especular e nem dor à mobilização do colo.
Incorreta a alternativa E, pois a paciente não tem sintomas gastrintestinais.

Prof. Carlos Eduardo Martins | Curso Extensivo | 2024 12


GINECOLOGIA Dor Pélvica crônica e Dismenorréia Estratégia
MED

1.3.5 ADENOMIOSE (SAIBA MAIS NO LIVRO DIGITAL ESPECÍFICO)

Apesar da adenomiose ser uma causa de dor pélvica cíclica, a maioria dos materiais traz essa condição como uma causa de dor pélvica
crônica. A presença de tecido endometrial no miométrio manifesta-se por dismenorreia e sangramento uterino anormal.

1.3.6 LEIOMIOMA UTERINO (SAIBA MAIS NO LIVRO DIGITAL ESPECÍFICO)

Os miomas uterinos podem associar-se à dor pélvica crônica por compressão das estruturas adjacentes ao útero e pelo próprio
crescimento uterino. A dor em geral não é cíclica e as medicações utilizadas para controle dos sangramentos associados aos miomas, como
os anticoncepcionais, não costumam ser efetivas para o controle da dor.

1.3.7 VULVODÍNEA

Apesar de ser uma afecção pouco prevalente, fique atento, A fisiopatologia parece estar associada a uma sensibilização
pois as provas de Residência gostam de cobrar esse quadro, porque periférica e central, levando a uma dor neuropática. O tratamento
ele apresenta características bem típicas na manifestação da necessita de uma abordagem multidisciplinar, envolvendo
dor. A vulvodínea caracteriza-se por dor crônica ou desconforto ginecologistas, psicoterapeutas e fisioterapeutas. ELE pode ser
envolvendo a vulva por mais de três meses, em que não é possível realizado com a injeção de anestésicos locais ou com o uso de
encontrar uma etiologia clara, causada pelo ato sexual ou toque medicações que encerram esse ciclo de sensibilização dolorosa,
direto. como antidepressivos tricíclicos.

CAI NA PROVA
(SC - Universidade Federal de Santa Catarina - UFSC - 2020) Uma paciente de 34 anos, nuligesta, comparece ao ambulatório de ginecologia
referindo que há quatro meses iniciou com sensação de fisgadas e queimor vulvar, intermitente, e que determina angústia (distress), pois é
desconfortável e está afetando sua vida sexual. Não foi possível identificar um fator etiológico ou alteração ao exame físico e vem piorando,
apesar do uso de vários tipos de cremes vaginais tópicos. Qual o diagnóstico?

A) Vaginose
B) Vaginismo
C) Vulvodínea
D) Dispareunia
E) Disfunção sexual

COMENTÁRIOS:

Incorreta a alternativa A, pois a vaginose bacteriana caracteriza-se por um corrimento acinzentado, profuso e com odor desagradável.
Pelos critérios de Amsel, devem estar presentes 3 de 4 características: pH maior que 4.5; teste das aminas ou teste de Whiff positivo, ou
seja, desprendimento de odor fétido, após a adição de KOH 10%; presença de clue cells, que são células recobertas por cocobacilos GRAM-

Prof. Carlos Eduardo Martins | Curso Extensivo | 2024 13


GINECOLOGIA Dor Pélvica crônica e Dismenorréia Estratégia
MED

variáveis na bacterioscopia; corrimento branco- acinzentado homogêneo e aderente à parede vaginal.


Incorreta a alternativa B, pois, segundo a definição do DSM-IV, o vaginismo consiste no espasmo involuntário, recorrente ou persistente
da musculatura do terço inferior da vagina, que causa dificuldade persistente e recorrente em permitir a penetração do pênis, dedo ou
objeto na vagina, apesar de a mulher ter desejo de fazê-lo.

Correta a alternativa C, pois o quadro clínico da paciente é compatível com a definição de vulvodínea.

Incorreta alternativa D, pois a dispareunia é a dor genital durante o coito, que pode aparecer antes, durante ou depois do ato sexual.
Incorreta alternativa E, pois a disfunção sexual é um conceito mais amplo que abrange todas as alterações nas fases da resposta sexual
feminina: desejo, excitação e orgasmo.

1.3.8 CISTITE INTERSTICIAL OU SÍNDROME DA BEXIGA DOLOROSA


Trata-se de uma doença extragenital, ela é abordada em nosso livro digital sobre incontinência urinária. É uma doença inflamatória
crônica da bexiga, que leva à urgência miccional, aumento de frequência urinária e dor pélvica crônica, que piora principalmente com o
enchimento vesical. Ela pode aparecer associada a outras patologias ligadas à dor crônica ou a doenças psiquiátricas.

1.4 DIAGNÓSTICO

O diagnóstico da etiologia da dor pélvica é o passo mais traumas ou de abuso de substâncias.


desafiador na condução desses casos. A variedade de órgãos O grau da dor pode ser avaliado por escalas específicas,
e estruturas que podem ser acometidos e a possibilidade de sendo a escala visual analógica uma das mais empregadas.
alterações não orgânicas que podem levar aos sintomas dificultam, O uso de exames subsidiários, como ultrassonografia
de maneira importante, a investigação do quadro. Por ser algo e ressonância magnética, tem papel limitado quando não há
tão complexo, as provas de Residência não costumam abordar disfunção orgânica. Eles devem ser empregados quando há uma
a propedêutica diagnóstica da dor pélvica crônica, excetuando- suspeita importante de doença estrutural. Como já foi citado
se quando há uma patologia específica, como endometriose, anteriormente, em cerca de um terço dos casos, não há causa
miomatose ou adenomiose, sendo a principal hipótese diagnóstica orgânica estabelecida.
para o caso. A abordagem dessas doenças específicas será realizada Um detalhe que pode aparecer nas provas é o uso da
em outros livros digitais. videolaparoscopia para diagnóstico de dor pélvica crônica. Ela tem
O que você deve ter em mente nas questões de dor pélvica um papel limitado atualmente devido à evolução dos métodos de
crônica é que a anamnese, o exame físico e a avaliação psicológica diagnóstico por imagem, devendo ser reservada para os casos de
da paciente são as etapas mais importantes para o diagnóstico. dúvida diagnóstica.
Devem ser investigadas patologias psiquiátricas, antecedente de

Prof. Carlos Eduardo Martins | Curso Extensivo | 2024 14


GINECOLOGIA Dor Pélvica crônica e Dismenorréia Estratégia
MED

1.5 TRATAMENTO

O tratamento da dor pélvica crônica deve primordialmente não há uma causa orgânica para a dor. O tratamento deve envolver
ser focado no tratamento da causa do quadro. Porém, em muitos uma equipe multidisciplinar.
casos, há uma somatória de fatores que levam aos sintomas e não Quando não é possível, o uso de um tratamento específico
há uma causa orgânica para ser tratada objetivamente. para uma causa, devem ser empregados medicamentos mais
A abordagem terapêutica deve contemplar as expectativas genéricos que visam o tratamento da dor e não de uma doença
da paciente e as ferramentas disponíveis para o tratamento. Uma específica. O uso de analgésicos através de um escalonamento das
grande dificuldade nesses casos é que muitas pacientes sofrem medicações é uma das primeiras etapas. O esquema abaixo resume
com o fato de haver uma descrença em seus sintomas, uma vez que como devem ser empregadas essas medicações.

Escalonamento de analgésicos pela OMS:

Analgésicos simples: dipirona e paracetamol.

AINEs: cetoprofeno, diclofenaco, ibuprofeno.

Opioides fracos: codeína e tramadol.

Opioides fortes: morfina, oxicodona, fentanil, metadona.

Drogas adjuvantes: antidepressivos e anticonvulsivantes.

Dentre os procedimentos intervencionistas que podem ser haver melhora do quadro de dor.
empregados temos as cirurgias neuroablativas. A neurectomia pré- Como drogas adjuvantes no tratamento, podemos empregar
sacral e a ablação do ligamento uterossacro são os procedimentos antidepressivos e anticonvulsivantes, que têm papel no controle da
mais comuns, porém não demonstraram eficácia na melhora dos dor neuropática. Elas parecem diminuir de alguma forma o ciclo de
sintomas. Citamos essas abordagens porque encontramos questões dor estabelecido nessas pacientes. As drogas mais empregadas são
que traziam os procedimentos em suas alternativas. A histerectomia a amitriptilina (antidepressivo tricíclico), fluoxetina e paroxetina
pode ser empregada em paciente com determinadas condições, (inibidores seletivos da recaptação de serotonina), e a gabapentina
como leiomiomas e adenomiose, refratárias ao tratamento clínico. e a carbamazepina (anticonvulsivantes).
Porém, mesmo nesses casos, até 40 % das mulheres referem não

Prof. Carlos Eduardo Martins | Curso Extensivo | 2024 15


GINECOLOGIA Dor Pélvica crônica e Dismenorréia Estratégia
MED

CAI NA PROVA

(SC - Universidade Federal de Santa Catarina - UFSC - 2016) Paciente com dor pélvica crônica apresenta toda investigação normal. Assinale a
alternativa CORRETA, que apresenta a opção terapêutica indicada.
A) Doxaciclina.
B) Progesterona.
C) Análogo GnRH.
D) Corticoterapia.
E) Gabapentina.

COMENTÁRIOS:

O tratamento deve basear-se em tratar a causa específica da dor, caso seja encontrada, e, se não for possível, devem ser tratadas
as causas mais prevalentes ou empregado um tratamento inespecífico, com foco no controle da dor e não da causa específica. No caso da
paciente em questão, deve ser considerado que nenhuma causa específica foi encontrada para a dor.
Alternativa A incorreta, pois a doxiciclina seria empregada para tratar a dor pélvica decorrente de doença inflamatória pélvica, o que não
foi descrito pelo caso.
Alternativa B incorreta, pois a progesterona poderia ser empregada para tratar algumas causas ginecológicas de dor pélvica, como
miomatose, adenomiose e endometriose. Considerando que essas causas foram afastadas, esse não é um tratamento adequado.
Alternativa C incorreta, pois o análogo de GnRH é uma medicação que induz uma menopausa química, por bloqueio do eixo hipotálamo-
hipófise-ovariano. Essa medicação só pode ser utilizada por um curto período, a fim de preparar a mulher para um tratamento definitivo.
Nesse caso, como não há etiologia definida, essa medicação não é uma possibilidade.
Alternativa D incorreta, pois os corticoides podem ser utilizados esporadicamente como analgésicos. Seu uso crônico acarreta uma série
de eventos adversos, não justificando o benefício.
pois, em alguns indivíduos, o estímulo nocivo mantido pode levar à sensibilização central persistente e à
Alternativa E correta,
perda permanente da inibição neuronal. Como resultado, há redução do limiar para estímulo da dor. Nos
casos em que não há uma etiologia clara para a dor, podem ser empregados antidepressivos e anticonvulsivantes que auxiliam no controle
álgico, visando interromper esse ciclo de dor. A gapapentina é um anticonvulsivante de segunda geração que pode ser empregado com
essa finalidade, apresentando boa resposta.

Prof. Carlos Eduardo Martins | Curso Extensivo | 2024 16


GINECOLOGIA Dor Pélvica crônica e Dismenorréia Estratégia
MED

(PB- Universidade Federal da Paraíba - UFPB - 2021) Sandra, 37 anos, procura atendimento na Unidade Básica de Saúde devido à dor pélvica
há cerca de 18 meses. Refere que já fez diversos exames, mas, por achar que a última ultrassonografia transvaginal, realizada há seis meses,
não tem mais utilidade, quer realizar novo exame. Ela tem quatro filhos em idades de 3 a 15 anos e está separada do pai deles há um ano. Na
abordagem de dor pélvica, espera-se que o médico que a atenda:

A) Diga que possivelmente não será necessário realizar uma laparoscopia, considerando que, em 10% a 20% desses procedimentos, não
são encontrados achados cirúrgicos.
B) Faça questionários de rastreamento para depressão, somatização e abuso sexual, além de qualificar a dor e verificar história prévia de
dependência química.
C) Encaminhe a paciente para a psicóloga e só volte a realizar a investigação caso seja descartado um problema de origem psicológica ou
abuso sexual prévio.
D) Prescreva de forma empírica a antibioticoterapia para doença inflamatória pélvica crônica, associando levofloxacina, azitromicina e
metronidazol por catorze dias.
E) EInicie um inibidor seletivo da recaptação de serotonina, considerando a associação com sintomas psicológicos, mesmo que não apresente
ansiedade ou depressão.

COMENTÁRIOS:

Incorreta a alternativa A, pois em cerca de 1/3 dos casos de dor pélvica não existe condição orgânica que justifique a dor. Além disso, a
videolaparoscopia tem papel na endometriose e, mesmo assim, cada vez mais limitado, devido ao avanço do diagnóstico por imagem.
Apenas em casos que demandem tratamento cirúrgico ou em casos de dúvida diagnóstica ela terá papel.

pois a anamnese, o exame físico e a avaliação psicológica da paciente são as etapas mais importantes para
Correta a alternativa B,
o diagnóstico. O uso de exames subsidiários, como ultrassonografia e ressonância magnética, tem papel
limitado quando não há disfunção orgânica.

Incorreta a alternativa C, pois a paciente deve ter uma abordagem multidisciplinar e devem ser investigadas adequadamente causas
orgânicas e psicológicas.
Incorreta a alternativa D, pois a paciente não tem história de doença inflamatória pélvica aguda (DIP) prévia e nem fatores de risco. A
terapêutica para DPC deve ser baseada em tratar a causa da dor. Além disso, a terapêutica para DIP deve ser realizada com Ceftriaxona,
Doxiciclina e Metronidazol.
Incorreta a alternativa E, pois os antidepressivos podem ser empregados após a exclusão de causas orgânicas a fim de interromper o ciclo
de estímulo doloroso neuropático da DPC. Inicialmente, o melhor tratamento é direcionado para a causa. Em caso de não haver uma causa
orgânica definida, podemos lançar mão do uso de antidepressivos e anticonvulsivantes.

Prof. Carlos Eduardo Martins | Curso Extensivo | 2024 17


GINECOLOGIA Dor Pélvica crônica e Dismenorréia Estratégia
MED

(RJ - UNIVERSIDADE FEDERAL FLUMINENSE - UFF - 2020) Na condução do caso de uma mulher que apresenta dor pélvica crônica, é correto
afirmar que:
A) A histerectomia total com anexectomia bilateral consiste em uma opção terapêutica definitiva da dor pélvica crônica.
B) A ultrassonografia transvaginal ou pélvica diagnostica as causas mais frequentes de dor pélvica crônica, incluindo aparelhos genitourinário
e intestinal, além do músculo esquelético e neurológico.
C) A dor neuropática está relacionada a causas de dor cujos estímulos foram resolvidos rapidamente.
D) As aderências pélvicas devem ser manejadas por vídeo-histeroscopia para solução da dor.
E) A cistite intersticial deve ser suspeitada quando a mulher apresenta sintomas de urgência, frequência, redução da capacidade vesical e
dor pélvica, podendo estar associada a síndromes dolorosas, fibromialgia, depressão e síndrome do intestino irritável.

COMENTÁRIOS:

Incorreta a alternativa A, pois, em um terço dos casos de dor pélvica crônica, não se encontra causa orgânica para ele, além disso, o
tratamento cirúrgico não se aplica para esses casos.
Incorreta a alternativa B, pois a ultrassonografia transvaginal pode ajudar no diagnóstico da patologia do trato genital, não do sistema
músculo-esquelético ou urinário.
Incorreta a alternativa C, pois é o estímulo doloroso persistente que causa um ciclo vicioso de resposta exacerbada à dor.
Incorreta a alternativa D, pois a videolaparoscopia é a ferramenta diagnóstica e terapêutica, pois permite a realização da lise das aderências.
A histeroscopia não avalia a cavidade abdominal, apenas a cavidade uterina.

pois a síndrome da bexiga dolorosa (SBD) ou cistite intersticial é uma doença inflamatória crônica da bexiga
Correta a alternativa E,
que leva à urgência miccional, aumento de frequência urinária e dor pélvica, configurando um diagnóstico
diferencial das incontinências urinárias. Essa doença está associada a outras síndromes dolorosas de etiologia incerta.

CAPÍTULO

2.0 DISMENORRÉIA

2.1 DEFINIÇÃO E EPIDEMIOLOGIA

A dismenorreia é a dor que ocorre antes ou durante a das mulheres terão alguma queixa relacionada à dor no período
menstruação. Por seu caráter cíclico, não é considerada uma causa menstrual durante a idade reprodutiva. Entre as pacientes mais
de dor pélvica crônica por alguns autores. Porém, as questões de jovens, a prevalência é ainda maior.
Residência acabam por misturar bastante os assuntos e por isso Apesar da dor apresentar-se com graus variáveis, em 10% das
optamos por colocar esses assuntos no mesmo livro digital. pacientes acometidas há uma impossibilidade de desempenhar
As questões sobre dismenorreia são mais frequentes do que as atividades habituais, sendo uma importante causa de falta
as sobre dor pélvica crônica. Esse fato se deve à elevada prevalência nas atividades escolares e laborais, prejudicando, de maneira
dessa queixa entre as mulheres; estudos estimam que 50% a 90% importante, a qualidade de vida das mulheres acometidas.

Prof. Carlos Eduardo Martins | Curso Extensivo | 2024 18


GINECOLOGIA Dor Pélvica crônica e Dismenorréia Estratégia
MED

2.2 CLASSIFICAÇÃO

As provas de Residência gostam muito de utilizar a avançar da idade. A fisiopatologia está associada à produção de
classificação das dismenorreias. Apesar de poderem ser classificadas prostaglandinas infamatórias que levam à contração miometrial,
por sua intensidade (em leve, moderada ou grave), a classificação hipóxia e necrose, conforme será explicado mais adiante.
mais cobrada nas provas é aquela baseada na etiologia da dor. Já a secundária ou orgânica aparece em qualquer idade do
A dismenorreia primária ou funcional tende a iniciar-se período reprodutivo e está associada a uma alteração do sistema
nos primeiros anos após a menarca, quando se iniciam os ciclos reprodutor. O quadro abaixo faz uma comparação entre cada uma
ovulatórios, e não está associada a nenhuma doença ou alteração delas para facilitar seu estudo e sua memorização.
estrutural, costumando melhorar espontaneamente com o

Dismenorreia Primária Secundária

em geral 2 anos após a menarca (início de


Início qualquer fase do menacme
ciclos ovulatórios)

imediatamente antes ou no início do fluxo antes e durante todo o fluxo, com


Manifestação
menstrual, com melhora progressiva exacerbação progressiva

dor em hipogástrio, associado a náuseas, dor pélvica crônica e dispareunia associadas


Quadro clínico
vômitos, cefaleia, dor lombar e membros à dismenorreia

Exame clínico sem achados característicos alterações associadas à patologia de base

exames de imagem, CA-125, hemograma


Exames subsidiários normais
completo

CAI NA PROVA
(RN - UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO NORTE - UFRN - 2022) Uma das frequentes queixas das adolescentes nos consultórios é
a dismenorreia, o que, muitas vezes, atrapalha sua convivência social e até mesmo suas atividades escolares e de lazer. Sobre essa patologia,
analise as afirmações abaixo.

Das afirmações, estão corretas:


A) I, II e III.
B) I, III e IV.
C) I, II e IV.
D) II, III e IV.

Prof. Carlos Eduardo Martins | Curso Extensivo | 2024 19


GINECOLOGIA Dor Pélvica crônica e Dismenorréia Estratégia
MED

COMENTÁRIOS:
Afirmativa I Incorreta, pois a dismenorreia primária se caracteriza por dor que se inicia imediatamente antes ou no início do fluxo menstrual.
Afirmativa II Correta, pois a dismenorreia é a dor que ocorre antes ou durante a menstruação. A dor menstrual é habitualmente do
tipo cólica, localizada na região pélvica, podendo irradiar-se para as coxas e para a região lombar. Geralmente inicia-se dois dias antes
do início do sangramento menstrual, quando costuma ser mais intensa. Em grande parte dos casos, pode haver sintomas associados,
como: náuseas, vômitos, palidez, cefaleia, diarreia, vertigem e desmaio. Esses sintomas são secundários à ação das prostaglandinas e
leucotrienos sintetizados no útero.
Afirmativa III Correta, pois a dismenorreia primária não tem relação com patologia ou alteração estrutural e costuma se iniciar quando os
ciclos menstruais se regularizam e se tornam ovulatórios.
Afirmativa IV Correta, pois o tratamento deve visar o tratamento agudo das crises e a profilaxia de novos episódios. A base do tratamento
é a inibição da enzima cicloxigenase e a diminuição dos níveis de prostaglandinas e leucotrienos que estão envolvidos na gênese do
quadro, conforme já foi explicado previamente.

Diante do exposto, a alternativa correta é a letra “D”

As causas associadas à dismenorreia secundária podem estar associadas a afecções intrauterinas, extrauterinas e até não ginecológicas.
Na tabela abaixo, resumimos as possíveis causas:

Intrauterinas Extrauterinas Não ginecológicas

Adenomiose
Psicossomáticas
Menorragia
Depressão
Leiomioma Endometriose
Síndrome do intestino irritável
Dispositivo intrauterino Doença pélvica inflamatória
Constipação crônica
Aborto Aderências
Dor miofascial
Anomalias mullerianas
Litíase renal
Estenose cervical

CAI NA PROVA
(RN - UNIVERSIDADE DO ESTADO DO RIO GRANDE DO NORTE - UERN - 2021) Dismenorreia é uma das queixas ginecológicas mais comuns na
menacme e cursa com prejuízo na qualidade de vida das mulheres. De acordo com os conhecimentos atuais NÃO podemos afirmar:
A) Dismenorreia primária está relacionada à presença de ciclos ovulatórios que cursam com a produção de prostaciclinas, provocando
contração miometrial, causando isquemia, diminuição do limiar de dor e dor.
B) Dismenorreia presente desde a menarca chama a atenção para a possibilidade das malformações müllerianas.
C) Sangramento uterino anormal e dispareunia direcionam o diagnóstico para dismenorreia primária.
D) Exames de imagem normais não descartam a presença de causas secundárias de dismenorreia.

Prof. Carlos Eduardo Martins | Curso Extensivo | 2024 20


GINECOLOGIA Dor Pélvica crônica e Dismenorréia Estratégia
MED

COMENTÁRIOS:
Correta a alternativa A, pois a dismenorreia primária não tem uma causa subjacente e ocorre por aumento das prostaglandinas
endometriais.
Correta a alternativa B, pois a presença de dismenorreia desde a menarca não costuma ser primária, pois esta somente se manifesta após
alguns meses ou anos da menarca.

Incorreta a alternativa C, pois a dismenorreia primária não tem sintomas asssociados. Nesse caso devemos pensar em dismenorreia
secundária.
Correta a alternativa D, pois pode haver alteração estrutural que não foi evidenciada na ultrassonografia simples. Por exemplo, na
endometriose, o ultrassom simples não costuma estar alterado.

2.3 FISIOPATOLOGIA

O mecanismo da dor na dismenorreia tem como base a liberação de grande quantidade de prostaglandinas durante a descamação
endometrial na menstruação. A ação dessas substâncias promove aumento da atividade do músculo liso uterino, aumentando a frequência
e a intensidade das contrações do miométrio, levando à redução do fluxo sanguíneo no útero e à hipóxia tecidual. A hipóxia tecidual estimula
terminações nervosas, induzindo a dor. O esquema abaixo demonstra a fisiopatologia nos casos de dismenorreia primária e secundária. Na
dismenorreia secundária, a dor está associada a mecanismos específicos de cada doença de base:

Aumento de Aumento de
Primária prostagladinas e a�vidade do
icosanoides músculo úterino

Dismenorreia
Endometriose
Adenomiose
Miomatose Hipóxia e necrose
Secundária Aderências
Doença inflamatoria pélvica
Causas rão ginecológica

Há uma influência dos ácidos graxos no controle dos cicloxigenase. Essas substâncias agem como substrato para
processos inflamatórios. O equilíbrio entre o ácido linolénico (anti- síntese de prostaglandinas, principalmente a F2 alfa e a COX. Por
inflamatório) e o ácido linoleico (inflamatório) é importante para esse motivo, o uso de medicamentos que inibam a síntese de
manter uma resposta inflamatória adequada. Nas mulheres com prostaglandinas têm efeito no tratamento da dismenorreia.
dismenorreia há um desequilíbrio para um estado pró-infamatório, Uma outra teoria associa uma produção aumentada
havendo aumento da síntese de prostaglandinas, tromboxanos de vasopressina em mulheres com dismenorreia que levaria a
e leucotrienos, que são substâncias envolvidas em processos contrações frequentes e dolorosas, desencadeando a dor. Esse
inflamatórios do organismo (icosanoides). efeito parece ser potencializado pela progesterona, por isso os
Esses icosanoides têm como maior precursor o ácido sintomas se iniciam após a ocorrência de ciclos ovulatórios.
araquidônico e são sintetizados por ação de enzimas como a

Prof. Carlos Eduardo Martins | Curso Extensivo | 2024 21


GINECOLOGIA Dor Pélvica crônica e Dismenorréia Estratégia
MED

Esse é um conhecimento bastante específico e que pode parecer até desnecessário para as provas de R1, mas algumas questões
abordam essa temática, como pode ser visto nas questões abaixo:

CAI NA PROVA
(RJ - FACULDADE DE MEDICINA DE PETRÓPOLIS - FMP - UNIFASE - 2021) Dismenorreia é a dor pélvica que ocorre antes ou durante o fluxo
menstrual. Qual é a fisiopatologia da dismenorreia primária?
A) Hiperestímulo dos nervos sacrais desencadeados pela queda da progesterona.
B) Liberação de prostaglandinas promovendo contrações miometriais e hipóxia tecidual.
C) Necrose do tecido endometrial levando ao descolamento do mesmo e hipóxia tecidual.
D) Refluxo sanguíneo retrógrado pelas trompas caindo na cavidade abdominal.

COMENTÁRIOS:
Como foi explicado na teoria acima, a dismeorreia primária ocorre por elevação de prostaglandinas inflamatórias que causam hipóxia e
necrose tecidual.

Portanto, a alternativa correta é a letra “B”

(RJ - Universidade Federal do Rio de Janeiro - UFRJ - 2017) Paciente de 13 anos apresenta fluxo menstrual aumentado e dor menstrual cíclica
desde a menarca aos 12 anos. Refere que a dor vem associada a naúseas e cefaleia. Exame ginecológico: hímen integro. Toque retal normal.
A fisiopatologia da dor está associada a:
A) Produção de prostaglandina F2 pelo endométrio secretor.
B) Diminuição da produção de ácido araquidônico .
C) Irritação peritoneal por refluxo menstrual tubário.
D) Inibição da enzima cicloxigenase na 2ª fase do ciclo.

COMENTÁRIOS:

Correta a alternativa A, pois há aumento das prostaglandinas nos quadros de dismenorreia, principalmente a F2-alfa e a COX.

Incorreta a alternativa B, pois o ácido araquidônico é precursor das prostaglandinas, que levam ao quadro álgico, estando aumentado na
dismenorreia.
Incorreta a alternativa C, pois o refluxo peritoneal tubáreo está associado à fisiopatologia da endometriose, promovendo a ocorrência de
implantes peritoneais de endométrio fora da cavidade uterina. Porém, a dor não ocorre por irritação peritoneal.
Incorreta a alternativa D, pois a inibição da ciclooxigenase é uma das formas de tratamento da dismenorreia, pois ela está envolvida na
síntese de prostaglandinas, que levam ao quadro de dor pélvica.

Prof. Carlos Eduardo Martins | Curso Extensivo | 2024 22


GINECOLOGIA Dor Pélvica crônica e Dismenorréia Estratégia
MED

2.4 DIAGNÓSTICO E QUADRO CLÍNICO

A dor menstrual é habitualmente do tipo cólica, localizada A suspeição quanto a um quadro secundário deve ser
na região pélvica, podendo irradiar-se para as coxas e para a feita quando algumas condições estão associadas: início da
região lombar. Geralmente inicia-se dois dias antes do início do dismenorreia após os 25 anos, achados no exame pélvico,
sangramento menstrual, quando costuma ser mais intensa. Em infertilidade, sangramento uterino anormal, dispareunia ou falha
grande parte dos casos, pode haver sintomas associados, como: no tratamento clínico com analgésicos e anti-inflamatórios.
náuseas, vômitos, palidez, cefaleia, diarreia, vertigem e desmaio. Quando houver suspeição da presença de causa orgânica
Esses sintomas são secundários à ação das prostaglandinas e para a dismenorreia, podem ser empregados exames subsidiários
leucotrienos sintetizados no útero. na investigação. A propedêutica complementar deve ser
A história e o exame físico costumam ser suficientes para direcionada à principal hipótese diagnóstica, porém genericamente
o diagnóstico da dismenorreia. A presença de um quadro clínico, a ultrassonografia pélvica (USG) é empregada na busca por
conforme foi descrito acima, associado a uma ausência de alterações estruturais que possam explicar os sintomas. No quadro
alterações que indiquem a presença de uma doença pélvica, acaba abaixo resumimos os exames complementares mais utilizados para
sugerindo o diagnóstico de dismenorreia primária. a investigação das patologias mais comuns:

Exame Objetivo

USG transvaginal massas pélvicas miomas, pólipos, abscessos, adenomiose

Laparoscopia diagnóstico e tratamento para endometriose

Histeroscopia doenças da cavidade endometrial

Hemograma anemia

CA-125 tumores ovarianos e endometriose


Swab vaginal/endocervical doença inflamatória pélvica
Urina tipo I/urocultura doenças do trato urinário
beta HCG excluir gestação
Ressonância magnética e tomografia excluir massas pélvicas, cálculos renais, obstrução intestinal

2.5 TRATAMENTO

Traremos aqui a abordagem sindrômica da dismenorreia. O tratamento específico das causas de dismenorreia secundária serão
abordados em livros digitais específicos. O tratamento deve visar o tratamento agudo das crises e a profilaxia de novos episódios. A base
do tratamento é a inibição da enzima cicloxigenase e a diminuição dos níveis de prostaglandinas e leucotrienos que estão envolvidos na
gênese do quadro, conforme já foi explicado previamente. Por esse motivo, os anti-inflamatórios não esteroidais são a primeitra escolha de
tratamento. O quadro abaixo resume as principais terapêuticas disponíveis e os mecanismos associados ao tratamento:

Prof. Carlos Eduardo Martins | Curso Extensivo | 2024 23


GINECOLOGIA Dor Pélvica crônica e Dismenorréia Estratégia
MED

Tratamento Mecanismo
Analgésicos simples Ação analgésica, porém com eficácia inferior aos AINEs
Primeira escolha no tratamento da dismenorreia, pois leva à inibição da
AINEs
cicloxigenase com redução de sintoma em 70% das mulheres que utilizam
Reduzem a espessura endometrial, diminuindo o sangramento e os níveis de
Anticoncepcionais orais
prostaglandina sérico e endometrial
Leva à amenorreia, reduzindo os sintomas, podendo ser usado nos casos de
SIU levonorgestrel (DIU)
dismenorreia primária e secundária
Podem ser usados, porém por períodos curtos devido ao hipoestrogenismo a que
Análogos de GnRH
induzem
Mudanças de estilo de vida, atividade física, acupuntura, estimulação elétrica
Terapias alternativas
transcutânea
A neurectomia pré-sacral e a ablação de ligamento uterossacro podem ser usadas,
Cirurgia
mas não têm eficácia comprovada

CAI NA PROVA
(TÍTULO DE ESPECIALISTA EM GINECOLOGIA E OBSTETRÍCIA - TEGO - 2021) Adolescente de 16 anos de idade comparece referindo dor
pélvica, de forte intensidade, no primeiro dia da menstruação, que a impede de ir à academia. DUM há 8 dias. Menarca aos 13 anos de idade,
os ciclos eram irregulares até um ano atrás, quando a dor iniciou. Atualmente tem ciclos regulares, 29/4 dias. Nega relações sexuais.
Ao exame físico, mamas e abdome são normais, sem dor à palpação.
Nesse caso, qual conduta inicial NÃO seria adequada?
A) Anti-inflamatório não esteroide.
B) Danazol.
C) Anticoncepcional hormonal combinado.
D) Calor local.

COMENTÁRIOS:
Incorreta a alternativa A, pois os anti-inflamatórios reduzem a ação da cicloxigenase, reduzindo a produção de prostaglandinas e aliviando
a dor.

Correta a alternativa B , pois o danazol é um medicamento derivado da testosterona, que age inibindo a liberação de hormônio
luteinizante (LH) e a esteroidogênese ovariana, aumentando a testosterona livre. Com isso, ocorre o bloqueio do eixo hipotalâmico-
hipofisário-ovariano e da ovulação, juntamente com o hipoestrogenismo. É uma medicação em desuso, que é empregada no tratamento
de endometriose, o que não é o caso da paciente.
Incorreta a alternativa C, pois os anticoncepcionais promovem atrofia endometrial e reduzem a produção de prostaglandinas envolvidas
com a dor.
Incorreta a alternativa D, pois apesar de não ser considerada como uma terapêutica efetiva isoladamento, o uso de calor local tem eficácia
no controle da dismenorreia.

Prof. Carlos Eduardo Martins | Curso Extensivo | 2024 24


GINECOLOGIA Dor Pélvica crônica e Dismenorréia Estratégia
MED

(MG - SANTA CASA DE MISERICÓRDIA DE BELO HORIZONTE - SCMBH - 2023) As cólicas menstruais estão entre as queixas de várias mulheres,
causando diminuição da qualidade de vida e até absenteísmo escolar e no trabalho. Sobre essas dores pélvicas durante o período menstrual,
ou dismenorreias, é CORRETO afirmar que:
A) O tratamento da dismenorreia primária só deve ser iniciado após o diagnóstico etiológico.
B) A dismenorreia secundária tem poucos sintomas associados, ao contrário das primárias, pois estas sim se associam com frequência a
dispareunia e sangramento anormal.
C) As causas mais comuns de dismenorreia secundária são: endometriose, leiomiomatose, doença inflamatória pélvica, adenomiose,
pólipos endometriais obstrução do fluxo menstrual.
D) O tratamento da dismenorreia primária engloba antiespasmódico e anticoncepcional, devendo-se evitar anti-inflamatório não esteroides
pela baixa resposta.

COMENTÁRIOS:
Incorreta a alternativa A, pois a dismenorreia primária é aquela em que não existe uma causa subjacente para a dor.
Incorreta a alternativa B, pois na dismenorreia secundária existem diversos sintomas associados a depender da patologia associada.

Correta a alternativa C, pois essas são as principais causas de dismenorreia secundária. A tabela abaixo resume as principais
etiologias.
Incorreta a alternativa D, pois os anti-inflamatórios são a primeira linha de tratamento para dismenorreia primária, pois diminuem a
produção de prostaglandinas inflamatórias associadas à dismenorreia.

1. A dor pélvica crônica é definida como dor pélvica acíclica, com duração de pelo menos 6 meses.
2. Em um terço dos casos pode não haver causa orgânica diagnosticada.
3. Existem diversas causas ginecológicas e não ginecológicas para o quadro. Uma delas é a congestão pélvica, em
que, por uma insuficiência das válvulas do plexo venoso ovariano, há acúmulo de sangue na pelve, ocasionando
dor, principalmente após longos períodos em pé ou sentado.
4. O diagnóstico baseia-se em história e exame físico, devendo ser empregados exames subsidiários no caso de
suspeita clínica de causa orgânica.
5. O tratamento baseia-se em tratar a causa orgânica ou quando não for possível devem sem empregados analgésicos,
seguindo o escalonamento da OMS. O uso de antidepressivos e anticonvulsivantes parece ser útil por tratar o componente
neuropático da dor e quebrar o ciclo de estimulação neural.
6. A dismenorreia é a dor que ocorre antes ou após a menstruação. Devido ao componente cíclico, muitos autores não
consideram uma causa de dor pélvica crônica.
7. A classificação da dismenorreia cobrada pelas provas é aquela que a divide em primária e secundária. A primária inicia-se
com a presença de ciclos ovulatórios e não tem doença pélvica associada. Já a secundária pode se iniciar em qualquer
momento do período reprodutivo e está associada à presença de doença pélvica.
8. A fisiopatologia da dismenorreia é cobrada pelas provas de Residência e está associada a uma produção aumenada de
prostaglandinas pelo endométrio, promovendo aumento da contração uterina, isquemia e dor local.
9. O diagnóstico é clínico e baseia-se na história e no exame físico. Os exames subsidiários devem ser empregados na
investigação de causas secundárias.
10. O tratamento baseia-se em reduzir a produção de prostaglandinas. Os tratamentos mais utilizados são analgésicos simples,
anti-inflamatórios, anticoncepcionais orais contínuos e o SIU de levonorgestrel. Porém os AINEs são a primeira opção.

Prof. Carlos Eduardo Martins | Curso Extensivo | 2024 25


GINECOLOGIA Dor Pélvica crônica e Dismenorréia Estratégia
MED

Preparei uma lista exclusiva de questões com os temas dessa aula!


Acesse nosso banco de questões e resolva uma lista elaborada por mim, pensada para a sua aprovação.
Lembrando que você pode estudar online ou imprimir as listas sempre que quiser.

Resolva questões pelo computador


Copie o link abaixo e cole no seu navegador
para acessar o site

https://estr.at/BqBB

Resolva questões pelo app


Aponte a câmera do seu celular para
o QR Code abaixo e acesse o app

Baixe na Google Play Baixe na App Store

Baixe o app Estratégia MED


Aponte a câmera do seu celular para o
QR Code ou busque na sua loja de apps.

Prof. Carlos Eduardo Martins | Curso Extensivo | 2024 26


GINECOLOGIA Dor Pélvica crônica e Dismenorréia Estratégia
MED

CAPÍTULO

4.0 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS


1. Tratado de ginecologia Febrasgo / editores Cesar Eduardo Fernandes, Marcos Felipe Silva de Sá; coordenação Agnaldo Lopes da Silva Filho
[et al.]. 1. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2019.
2. HOFFMAN, Barbara L. et al. Ginecologia de Williams. Artmed Editora, 2014.
3. Berek, Jonathan S. Berek & Novak's gynecology. Lippincott Williams & Wilkins, 2019.
4. Smith, Roger P., and Andrew M. Kaunitz. "Dysmenorrhea in adult women: Clinical features and diagnosis."
5. Howard, F. "Evaluation of chronic pelvic pain in women." UpToDate, Rose, BD (Ed), Waltham, MA: UpToDate

CAPÍTULO

5.0 CONSIDERAÇÕES FINAIS


Já está sabendo tudo sobre dor pélvica crônica e dismenorreia ? Espero que sim, mas, se ainda está inseguro quanto ao tema, fique
tranquilo, o conteúdo é bem extenso e abrange tudo o que cai nas provas de Residência, por isso é difícil guardar tanta informação em uma
única leitura. Aproveite que você tem acesso ilimitado ao livro digital e volte a ele sempre que precisar, seja para ajudar na resolução de
exercícios ou para revisar a matéria.
Se surgirem mais dúvidas sobre o tema deste livro ou sobre algo referente a outros conteúdos, não hesite em entrar no nosso Fórum
de Dúvidas e enviar sua questão. Estamos atentos e responderemos brevemente.
Mantenha seu foco nos estudos, pois o objetivo está próximo. Vejo você nas vídeoaulas ou no próximo livro digital.
Um abraço!!!

Prof. Carlos Eduardo Martins | Curso Extensivo | 2024 27


GINECOLOGIA Dor Pélvica crônica e Dismenorréia Estratégia
MED

Prof. Carlos Eduardo Martins | Curso Extensivo | 2024 28

Você também pode gostar