Identidade e cultura: conceitos e relações sociais
Conteúdos
Este plano de aula discorre sobre o conceito de identidade, tendo por objetivo trazer uma reflexão sobre a
origem e a definição desse conceito, bem como acerca de sua importância em nossa sociedade. Possibilita,
ainda, compreender e problematizar o conceito de cultura e sua relação com o conceito de identidade, assim
como a relevância que tais questões têm nos dias atuais. Apresenta-nos também a sugestão de uma roda de
conversa sobre o tema “Qual a minha identidade?”, facilitando o diálogo e a compreensão dos alunos sobre a
aplicabilidade do conceito em seu cotidiano. Na finalização deste plano de aula, sugere-se: a) a sistematização
das principais reflexões, por meio da análise da música “Metamorfose ambulante” de Raul Seixas; b) a leitura
e a interpretação da poesia EU ETIQUETA, de Carlos Drummond de Andrade; c) a elaboração de uma
redação dissertativa sobre o tema “’Deixa que eu seja eu’: desafios da formação e da valorização da
identidade”; e d) a realização dos exercícios de fixação (questões de múltipla escolha).
● Sensibilização e problematização;
● A origem do conceito de identidade;
● Definição: identidade;
● Roda de conversa “Qual a minha identidade?”;
● Análise da música “Metamorfose ambulante”;
● Sistematização das reflexões: poema Eu, Etiqueta;
Objetivos
● Sensibilizar e problematizar o conceito de cultura e a sua relação com o conceito de identidade;
● Entender a origem do conceito de identidade;
● Compreender a definição do conceito de identidade;
● Realizar uma roda de conversa sobre o tema “Qual a minha identidade?”, facilitando a compreensão dos
alunos sobre a aplicabilidade do conceito em seu cotidiano;
● Refletir sobre o conceito de identidade, por meio da análise da música “Metamorfose ambulante” de Raul
Seixas; e
● Sistematizar as principais reflexões, por meio da leitura e da interpretação da poesia EU ETIQUETA, de
Carlos Drummond de Andrade.
1ª Etapa: Sensibilização e problematização
O(A) professor(a) deverá iniciar a aula explorando junto aos alunos os conhecimentos prévios sobre o assunto
“Identidade”. Com o intuito de estimular a participação e facilitar esse levantamento inicial, o(a) professor(a)
deverá projetar a tirinha abaixo, pedindo que os alunos a leiam com atenção.
- Em seguida, o(a) professor(a) deverá realizar a leitura e a interpretação da tirinha com a turma. O(A)
professor(a) deverá direcionar os alunos a refletirem e a responderem coletivamente às seguintes questões:
• Qual identidade o personagem achava que tinha perdido?
• O segundo quadrinho faz referência a essa mesma identidade?
• Você conhece outro significado para identidade?
• Nossa identidade pode ser definida por um documento?
• Nossa identidade está relacionada à cultura?
2ª Etapa: Origem do conceito de “Identidade”
- Após essa introdução, será o momento do(a) professor(a) ajudar os alunos a compreenderem de forma mais
clara a temática que será desenvolvida nas aulas, devendo explicar que “Identidade” é um conceito muito
utilizado para pensar a diferença.
- Para esse percurso o(a) professor(a) deverá iniciar sua explicação enfatizando que, desde o século XX, o
tema tem sido trabalhado. A princípio, a identidade era pensada em fragmentos, tais como, identidade social,
identidade étnica, identidade racial, ou seja, era relacionada à autoimagem de um grupo.
- Dando sequência à explicação, o(a) professor(a) deverá explicar que, a partir da década de 1970, o termo
identidade ganhou outra conotação, porque foi relacionado à intensa fragmentação social produzida pelos
avanços do capitalismo na sociedade. Para exemplificar tal acontecimento, o(a) professor(a) poderá citar: a) as
migrações internacionais, que aumentaram drasticamente, refletindo na presença de diferentes etnicidades em
um mesmo território; b) a presença das religiões transnacionais; c) o surgimento de vários movimentos
políticos ligados a questões étnicos-raciais; e d) o surgimento de movimentos políticos com base na identidade
de gênero e na orientação sexual.
- O(A) professor(a) poderá, ainda, citar aos alunos que, a partir da década de 1990, as discussões e as críticas
sobre o conceito de cultura foram retomados, com os antropólogos classificados como pós-coloniais, que
afirmavam que o conceito de cultura, principalmente aquele empregado nas teorias antropológicas norte-
americana e europeia, desencadearam uma discussão estereotipada das sociedades e dos grupos. Nesse
cenário, o conceito de identidade ganhou força na disputa conceitual e, pouco a pouco, foi ficando mais
interessante para pensar as diferenças em um mundo globalizado, pois traz a identidade enquanto transitória,
fluida, nunca pronta ou acabada, dando conta da complexidade dos dias atuais.
- Deve-se explicar também que o avanço tecnológico das formas de comunicação tornou o mundo muito mais
conectado, aproximando as relações, e que, graças à globalização, as ideias produzidas em um lugar se
espalham pelo mundo, sendo esse processo também responsável por essa sensação de fragmentação.
- Para finalizar esta etapa, o(a) professor(a) poderá ressaltar que essa nova realidade fragmentada possibilitou
o surgimento de um novo conceito, que pensava as diferenças além dos conceitos de cultura e etnicidade, já
que o conceito de etnicidade tem por referência algum tipo de ancestralidade comum, imigrantes, populações
indígenas, negras etc., de forma que outras diferenças não tinham mais essa conotação e não estavam
respaldadas. O(A) professor(a) poderá questionar os alunos: “Por meio de qual conceito poderíamos pensar as
diferenças não atreladas às ancestralidades comuns?”, respondendo que o caminho para analisar essa nova
realidade fragmentada e complexa se findou com o conceito de identidade.
3ª Etapa: Definição de “Identidade”
- Para iniciar esta etapa, o(a) professor(a) deverá destacar que o conceito de identidade não pressupõe uma
ancestralidade comum, mas uma prática social, ou seja, uma experiência de vida é suficiente para produzir
identidade entre grupos e pessoas. O(A) professor(a) deverá explicar para os alunos que a identidade sempre
deve ser entendida como algo transitório, nunca como algo acabado, é sempre um processo em construção.
- O(A) professor(a) deverá continuar a explicação, dizendo que esse conceito é indispensável para pensar a
diferença nas sociedades atuais, em que a fragmentação dos modos de vida foi ampliada, criando múltiplas
possibilidades aos indivíduos.
- Diante disso, o(a) professor(a) deverá explicar que no conceito de identidade não existe a preocupação com
estabilidade, nem com a ideia de completude. Dessa forma, os sujeitos podem moldar sua identidade pessoal a
partir de várias identidades, combinando e compartilhando várias experiências identitárias.
- O(A) professor(a) deverá, então, apresentar alguns exemplos para os alunos, facilitando a compreensão, tais
como: a) um grupo de homossexuais, em busca de direitos familiares e na luta contra o preconceito; e b) um
grupo de religiosos budistas, que desenvolvem uma identidade a partir da prática do budismo. O(A)
professor(a) poderá utilizar também como exemplos “um punk negro”, deixando claro ao aluno que ele possui
uma identidade baseada no estilo de vida punk e também na experiência de ser negro numa sociedade racista.
Tal exemplo é mais complexo e demonstra como a identidade é passível de construção.
4ª Etapa: Roda de conversa “Qual a minha identidade?”
- Nesta etapa, o(a) professor(a) deverá fazer o exercício de aproximação entre os conceitos trabalhados na aula
e as realidades dos alunos, por meio de uma roda de conversa. Abaixo selecionamos alguns questionamentos
que o(a) professor(a) poderá utilizar para facilitar o diálogo e a compreensão dos alunos sobre a aplicabilidade
dos conceitos no seu cotidiano:
Você já pensou sobre a sua identidade?
Experimente pensar sua própria vida pelo conceito de identidade.
Qual seria a sua identidade? Ou quais seriam as suas identidades?
Que tipo de experiência social define seu estilo de vida?
E suas crenças, elas definem sua identidade?
Você combina experiências distintas e as experimenta de um jeito individual?
- De acordo com os resultados dessa partilha entre os alunos, o(a) professor(a) pode perguntar à turma:
Tivemos muitas variações das respostas?
Muitos colegas da classe se parecem com você?
Vocês compartilham as mesmas identidades? Ou é justamente o contrário?
Por que o conceito de identidade é importante para pensar as diversidades?
5ª Etapa: Análise da música “Metamorfose ambulante”
- Nesta atividade, sugerimos que o(a) professor(a) projete a letra da música abaixo e reproduza o áudio. Após,
solicite que os alunos realizem uma análise coletiva, levantando uma discussão crítica sobre a relação da
música em relação aos conteúdos abordados na aula. Em seguida, baseando-se na análise e nos elementos
trabalhados nas aulas, o(a) professor(a) deverá orientá-los na escrita de uma síntese que contenha as
informações mais importantes destacadas por eles.
Metamorfose Ambulante – Raul Seixas.