FACULDADE IGUAÇUANA DE TEOLOGIA
Aluno: Sebastião Ferreira Cardoso
Curso: Mestrado em Teologia
Professor: Ricardo Narciso
DIDAQUÊ: INSTRUÇÕES DOS APÓSTOLOS
“Didaquê (Διδαχὴ) é uma palavra grega que significa ensino, doutrina ou instrução. É
também chamado de “Instrução dos doze apóstolos”, do grego “Διδαχὴ κυρίου διὰ τῶν
δώδεκα ἀποστόλων τοῖς ἔθνεσιν”, ou “Doutrina dos Apóstolos”.
Introdução
Ao ler os escritos de Didaquê, percebemos as diferenças entre a igreja primitiva e a
contemporânea, por exemplo: comportamentos que deveríamos ter e não temos, atitudes que
deveríamos evitar e fazemos.
A igreja do primeiro século descrita no livro de Atos mostra estas diferenças:
”Eles se dedicavam ao ensino dos apóstolos e à comunhão, ao partir do pão e às orações. Todos
estavam cheios de temor; muitas maravilhas e sinais eram feitos pelos apóstolos. Todos os que
criam mantinham-se unidos e tinham tudo em comum, vendendo suas propriedades e bens,
distribuíam a cada um conforme a sua necessidade. Todos os dias, continuavam a reunir-se no
pátio do templo, partiam o pão em suas casas, e juntos participavam das refeições, com alegria
e sinceridade de coração, louvando a Deus e tendo a simpatia de todo o povo. E o Senhor lhes
acrescentava todos os dias os que iam sendo salvos”. Atos 2:42-47
A Didaquê foi escrita por volta do ano 60 a 90 d.C. Segundo os historiadores, por mais
que se diga “ estudo dos apóstolos”, este conteúdo não foi escrito por eles e sim por pessoas
próximas dos nossos pais na fé, porém, estes escritos tem um valor histórico riquíssimo, pois
ele corrobora com os escritos canônicos.
A leitura da Didaqué nos dá a entender que as comunidades cristãs daquele tempo ainda
não estavam completamente estruturadas. As comunidades não têm representante oficial fixo
(pastores ou bispos), os bispos e diáconos são mencionados de passagem, e não sabemos bem
quais funções exerciam. Fala-se diversas vezes em “apóstolos, profetas e mestres”, dando a
impressão de que eram propriamente pregadores que faziam a missão evangelística sem se fixar
por muito tempo em um local só. Por outro lado, nota-se que a liturgia é também muito simples e
se resume a cultos em casas de pessoas comum na comunidade. Os sacramentos mencionados
pertencem à iniciação cristã – batismo, confissão, e ceia do Senhor – e parecem ser todos
administrados pela comunidade, e não por um líder da comunidade. Outra prática que não é
comum é o costume do jejum antes do batismo. (“Mas, antes do batismo, o que batiza e o que é
batizado, e se outros puderem, observem um jejum; ao que é batizado, deverás impor um jejum de
um ou dois dias, vossos jejuns não tenham lugar (não sejam ao mesmo tempo) com os hipócritas;
com efeito, eles jejuam no segundo e no quinto dia da semana; vós, porém, jejuais na quarta-feira
e na sexta (dia de preparação”). Este costume parece ser uma regra bem definida na época, pois é
mencionado detalhadamente como se deveria fazer antes do batismo, e até o dia apropriado é
descrito.
Também o costume de agradecer após a celebração da ceia do senhor. Este agradecimento
tinha um modelo pronto para os crentes da época recitarem:
(Nós Te bendizemos (agradecemos), Pai Santo, por Teu santo nome, que Tu fizeste habitar
em nossos corações, e pelo conhecimento, pela fé e imortalidade que Tu nos revelaste por Jesus,
Teu servo; a Ti, a glória pelos séculos. Amém.
Tu, Senhor, Todo-poderoso, criaste todas as coisas para a glória de Teu Nome e, para o
gozo deste alimento e a bebida aos filhos dos homens, a fim de que eles Te bendigam; mas a nós
deste uma comida e uma bebida espiritual para a vida eterna por Jesus, Teu servo.
Por tudo Te agradecemos, pois és poderoso; a Ti, a glória pelos séculos. Amém.
Lembra-Te, Senhor, de Tua Igreja, para livrá-la de todo o mal e aperfeiçoá-la no Teu amor;
reúne esta igreja santificada dos quatro ventos no Teu reino que lhe preparaste, pois Teu é o poder
e a glória pelos séculos. Amém.
Venha Tua graça e passe este mundo! Amém. Hosana à casa de Davi [Cf. Mt 21, 15].
Venha aquele que é santo! Aquele que não é (santo) faça penitência: Maranata!)
O que podemos aprender lendo os escritos da Didaquê, é que a maioria dos ensinos
praticados na igreja primitiva, tem uma consonância com o que praticamos hoje. Em contra
partida a igreja contemporânea está muito aquém da igreja apostólica.
Tivemos avanços relevantes na teologia, avanços estes que nos ajudaram a compreender
melhor as Escrituras, a desenvolver métodos de facilitação de aprendizados, porém, a igreja de
hoje deixou de ser Cristocêntrica para se tronar egocêntrica, criando uma lacuna gigantesca entre o
salvo e o perdido; com isto, perdemos um pouco da credibilidade diante da sociedade.
O que devemos aprender com a igreja primitiva?
Simplicidade do Evangelho, cuidado com o próximo, vigilância em todo tempo etc..
Conclusão
A igreja primitiva teve muitas dificuldades em proclamar o evangelho, tais como: falsos
mestres, diversas doutrinas, porém estes obstáculos serviram apenas para acelerar o processo do
ide de Jesus (Mat. 28.19-20)
Talvez pela facilidade que temos hoje em atingir pessoas de todo o mundo, faça com que
nos esqueçamos da simplicidade do evangelho, que por si só é suficiente para a humanidade.
Não precisamos de marqueteiros, colts ou até mesmo de novas revelações. O que
precisamos mesmo é de cumprirmos o que já nos foi revelado por nosso Deus.
Ainda que alguns pontos do Didaquê não sejam 100% válidos, como informações sobre
a oração na hora da eucaristia e sobre o nome dos títulos dentro da hierarquia da Igreja, muitos
ensinamentos ainda são válidos. Por exemplo: oração, jejum, boas práticas morais e proibições
diversas ainda são atuais.