Amane Carlitos
Emídio Sadique Quelimane
Métodos e estratégias para efectivação de funções didácticas no PEA de Química
Licenciatura em Ensino de Química com Habilitações em Gestão de Laboratórios
Universidade Rovuma
Instituto Superior de Ciências Naturais e Ambiente
2024
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Amane Carlitos
Emídio Sadique Quelimane
Métodos e estratégias para efectivação de funções didácticas no PEA de Química
Licenciatura em Ensino de Química com Habilitações em Gestão de Laboratórios
Msc. Chande João João Paulo
Universidade Rovuma
Instituto Superior de Ciências Naturais e Ambiente
2024
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Índice
Introdução...................................................................................................................................3
Métodos e estratégias para efectivação de funções didácticas no PEA de Química..................4
Funções didácticas......................................................................................................................4
Classificação das Funções didácticas..........................................................................................4
Classificação dos métodos de ensino da Quimica .....................................................................4
Funções didácticas e sua aplicação com métodos de ensino adequados e estrategias................8
Formas de controlo e avaliação na disciplina de Química........................................................15
Conclusão..................................................................................................................................19
Referências bibliográficas.........................................................................................................20
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Introdução
Na Química, o conhecimento é de um tipo especial, pois ela é uma Ciência da natureza,
estuda a matéria e as suas transformações. São as substâncias e as reacções químicas que
constituem o seu objecto de estudo. Assim, no ensino de Química, a produção do
conhecimento dá-se no processo de observação onde predomina a actividade dos sentidos,
analisadores sensoriais que permitem conhecer a qualidade dos objectos e dos fenómenos
como a cor, o cheiro, o tamanho.
Na aula de Química, é muito importante transmitir ideias vivas sobre a realidade e os
objectos concretos, as substâncias químicas, reacções químicas, para que os alunos possam
chegar a conhecimentos sólidos sobre os objectos e fenómenos: através da observação (com o
trabalho experimental) e através da capacidade ou actividade imaginativa (usando modelos de
átomos por, exemplo.)
Objectivos
Gerais
Conhecer os métodos e estratégias para efectivação de funções didácticas no PEA
de Química.
Específicos
Descrever as Funções didácticas do PEA;
Identificar os métodos de ensino de Química;
Apresentar as funções didácticas e sua aplicação com métodos de ensino adequados e
estratégias;
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Métodos e estratégias para efectivação de funções didácticas no PEA de Química.
Método- o significado etimológico da palavra Método é: caminho a seguir para alcançar um
fim. pode ser entendida como um conjunto de procedimentos ou passos adoptados
para se atingir um ou mais fins ou objectivos.
Para o nosso objectivo podemos conceituar método como sendo um roteiro
geral para a actividade. O método indica as grandes linhas de acção, sem
deter em operacioná-las. Podemos dizer método é um caminho que até certo
ponto, sem ser o veiculo de chegada, que é a técnica. Pillete, (2004).
Os métodos de ensino são um conjunto de procedimentos, acções, passos utilizados pelo
professor e pelos alunos para alcançar seus objectivos em relação à aprendizagem.
Estratégia- é uma palavra emprestada da terminologia militar.
Trata-se de uma descrição dos meios disponíveis pelo professor para atingir os
objectivos específicos. Pillete, (2005).
O termo estratégia de ensino designa os procedimentos e recursos didácticos a serem
utilizados para atingir os objectivos desejados e previstos.
Funções didácticas
No Processo de ensino-aprendizagem, a aula deve ser materializada, estruturada e planificada
relacionando objectivos, conteúdos, métodos e meios. Neste ponto, coloca-se a questão da
decisão sobre o tipo de aula que o professor realiza:
Uma aula na qual tem prioridade uma tarefa didáctica denominada aula especializada;
Uma aula combinada que abrange todas as etapas para aquisição relativamente
completa do conteúdo da matéria.
Classificação das Funções didácticas
As funções didácticas são classificadas em:
Introdução/motivação/ estimulação da aprendizagem (IO/M
Matéria nova (MN)
Domínio e Consolidação (D/C)
Controlo e avaliação (C/A)
Classificação dos métodos de ensino da Química.
Em resumo geral, …
Piaget, a partir do olhar da Psicologia, propõe quatro classificações para os métodos de
ensino: métodos verbais tradicionais, métodos activos, métodos intuitivos ou audiovisuais e
ensino programado.
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Irene de Carvalho (apud Haydt, 2001) propõe três classificações para os métodos de ensino:
métodos individualizados, métodos socializados e métodos socioindividualizados.
Libâneo (2004), classifica os métodos de ensino em: método de exposição pelo professor,
método de trabalho independente, método de elaboração conjunta, método de trabalho em
grupo e actividades especiais.
O método de exposição pelo professor consiste na aula expositiva propriamente dita,
recurso largamente utilizado na educação escolar.
O método de trabalho independente consiste na resolução individual de tarefas
propostas pelo professor.
O método de elaboração conjunta é uma actividade que proporciona a interacção
activa entre alunos e professores.
O método de trabalho em grupo desenvolve o espírito de cooperação, o respeito aos
colegas, ensina a ouvir e aprimora a capacidade crítica.
O Método experimental
Segundo NEVES (1998) o conceito de experiência provém do latim “experientia” cujo
significado é ensinar, testar, experimentar, submeter à prova.
Na prática científica, usa-se a expressão realizar experiência no sentido de
experimentar ou verificar uma hipótese.
Ao usar o método experimental para a preparação, realização e valorização de uma
experiência concreta fala-se em actividade experimental.
As actividades experimentais são realizadas no processo de ensino-aprendizagem e
efectuam-se no laboratório ou na sala de aula ou noutro lugar seguro e visa aproximar
o aluno à realidade e ao método de trabalho científico que consiste em observar os
fenómenos naturais, compreender as regularidades e depois fazer previsões.
Passos a observar no método experimental:
A dedução das conclusões na base de uma hipótese que pode ser provada pela
experiência;
preparação teórica da experiência – este processo abrange a selecção dos materiais e a
sua organização num modelo de pensamento (desenhos, figuras, etc.);
A realização da experiência;
A interpretação dos resultados obtidos – neste passo faz-se a comparação dos
resultados obtidos com a conclusão deduzida da hipótese.
Etapas da aplicação do método experimental
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1. Preparação da experiência Aqui são colocadas questões relativas à experiência como
um problema que deve ser resolvido.
2. Realização da experiência
3. Nesta fase os alunos, com base nas questões acima colocadas, devem fazer todas as
observações, descrever o decurso da experiência e tomar as devidas anotações.
4. Interpretação dos resultados da experiência
5. Com base nas tarefas colocadas em 1 e nas anotações feitas em 2, os alunos estarão em
altura de apresentar a solução do “problema”, isto é, apresentar os resultados da
experiência, usualmente em forma de um relatório, mas também através de uma
apresentação oral.
Regras gerais para a realização da experiência
Apresentar o tema da experiência de uma forma problematizada;
Reflectir sobre o modo para a resolução do problema;
Reflectir sobre os perigos que possam advir do uso de certas substâncias para a saúde
e para o meio ambiente;
Reflectir na possibilidade de tratamento de resíduos após a realização de experiências;
Seleccionar os aparelhos mais convenientes para a realização da experiência;
Preparar os aparelhos e reagentes para a experiência;
Montar a aparelhagem e verificar possíveis falhas na montagem;
Reflectir sobre os passos parciais para a realização da experiência.
Classificação das experiências
Experiência de demonstração (professor ou aluno)
Experiências dos alunos (sozinhos ou em grupo)
Exigências para a realização das experiências de demonstração pelo professor
O professor deve utilizar aparelhos e instrumentos que possuam um tamanho aceitável
que dê o efeito de demonstração, de modo a permitir que os alunos possam observar,
desenhar, colocar dúvidas e elaborar um relatório sobre a aula, se for necessário;
O arranjo dos aparelhos e dos instrumentos deve ser distinto para permitir que todos os alunos
possam acompanhar de perto o decorrer da experiência;
O professor deve examinar cada experiência antes da aula prevista, utilizando as mesmas
quantidades das substâncias e os mesmos aparelhos que vai colocar em frente dos alunos,
para evitar situações de perigo e resultados secundários desconhecidos.
Vantagens das experiências de demonstração
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Todos os alunos percebem ao mesmo tempo os mesmos efeitos;
O professor pode dirigir facilmente a atenção dos alunos;
O professor pode realizar experiências que possuem um carácter perigoso.
Exigências gerais para a realização das experiências dos alunos
As experiências devem ser fáceis de realizar;
Os alunos devem aprender a manusear rapidamente os aparelhos;
Os alunos não podem realizar experiências com substâncias venenosas e perigosas ou
ainda que podem explodir;
A montagem dos aparelhos não deve levar muito tempo.
Para além do método experimental, o método de projectos está a ganhar espaço na área de
ensino por permitir a realização de actividades que possibilitam o desenvolvimento de
pensamento autónomo.
Método de trabalho em projectos
O objectivo principal do método de projecto no ensino é educar e incentivar a autonomia e
desenvolvimento de competências dos alunos. A prática deste método de ensino data nos
princípios do século XX, concebido e praticado pelos pedagogos reformistas da Alemanha e
os pragmatistas nos Estados Unidos da América.
O projecto como conceito educativo
O termo "projecto" surge como designação possível de um conceito que procura unificar
vários aspectos importantes do processo de aprendizagem: a acção realizada com
empenhamento pessoal; a intencionalidade dessa acção; e a sua inserção num contexto
social.
Projecto é uma série de actividades concebidas de modo a alcançar um objectivo específico
dentro de um determinado espaço de tempo e, por vezes, requer um certo orçamento para o
efeito.
para verificar se compreendeu as características do método de trabalho em projectos deve
identificar nos programas de ensino de 8 a e 10a classe os conteúdos que podem ser abordados
na base deste método.
Por exemplo, na 8a classe, na 4a unidade temática pode-se identificar temas como: fontes e
formas de abastecimento de água para consumo humano, combustíveis renováveis e não
renováveis, entre outos. Os alunos poderão desenvolver pequenos projectos dependendo do
contexto em que estiverem inseridos.
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Funções didácticas e sua aplicação com métodos de ensino adequados e suas estratégias
Introdução/motivação/ estimulação da aprendizagem
A preparação e introdução da matéria constituem momentos importantes do processo
de ensino por corresponderem às actividades de motivação dos alunos. O professor prepara a
aula, assegura o tempo de realização das actividades dos alunos, produz e organiza meios e
materiais didácticos auxiliares que vão ser utilizados, em concordância com os métodos de
ensino.
A preparação das condições da aprendizagem dos alunos tem como objectivo mobilizar a sua
atenção, criar interesses cognitivos para a matéria de estudo, suscitar curiosidade,
considerando as suas preconcepções, relacionar a matéria com as aprendizagens anteriores,
entre outras.
Assim, a motivação deve ser feita em todos os momentos, como:
a) No início da aula;
b) Durante a aula;
c) No início de uma unidade temática;
d) No início do ensino de qualquer disciplina.
Algumas formas de motivação:
Novidades dentro da matéria escolar que causam admiração e curiosidade nos alunos;
Factos, fenómenos da realidade quotidiana;
Informações actuais sobre as Ciências
Explicações de significados de conceitos novos;
Informações sobre cientistas e descobertas importantes;
Anedotas;
Reconhecimentos actuais (combustíveis alternativos, factores ambientais, emprego de
substâncias).
Depois de ter estudado algumas formas de motivação no ensino de Química, você está em
condições de identificar no programa de ensino da 9a classe as formas que os professores de
Química podem usar para estimular os alunos na aprendizagem dos conteúdos propostos em
cada unidade temática.
Para responder à sugestão colocada, releia novamente o texto apresentado e na base do
programa, procure identificar as formas de motivação propostas. Por exemplo, na 9a classe
quando se fala do VII-grupo principal o Cloro é um dos representantes do grupo. A questão
seria, das diferentes formas de motivação que estudou quais as que podem ser usadas para a
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abordagem do Cloro? Pode partilhar as suas respostas com um dos seus colegas e você sabe
que em caso de dúvida não pode hesitar em procurar o seu tutor geral ou de especialidade.
Possibilidades de estimulação de interesses cognitivos no ensino de Química
Estímulos determinados pelo conteúdo das aulas
São as novidades dentro da matéria escolar que causam admiração e curiosidade no que
concerne as seguintes:
Factos, fenómenos da realidade quotidiana como motivação prática na base racional;
Preposições, depoimentos e informações actuais sobre a Química;
Leis, regularidades, regras (p.e. ensaio de leitura);
Explicações dos significados dos conceitos, dos símbolos químicos, das fórmulas
Químicas;
Busca de integrações do conhecimento científico com o conhecimento quotidiano da
Química.
Estímulo “histórico”
Exemplos da história das Ciências Naturais;
Cientistas e descobertas importantes e significantes na história da pesquisa da
Ciência;
Anedotas;
Reconhecimentos actuais
Hidrogénio como fonte de energia;
Metanol como combustível;
Factores ambientais: efeitos do uso e abuso de compostos químicos como o Cloro,
herbicidas, pesticidas, gases poluentes doar atmosfera como Monóxido de carbono,
Dióxido de enxofre, monóxido de nitrogénio etc.;
Importância e emprego das substâncias e produtos químicos na indústria e nas
tecnologias.
Alguns exemplos de motivações na base do programa de ensino de Química:
Substâncias e reconhecimentos das substâncias;
Importância dos elementos químicos (motivar a unidade didáctica usando exemplos da
aplicação dos elementos do 7º grupo da Tabela Periódica)
Importância, aplicação dos Fenóis (motivar uma parte da aula: propriedades físicas e
Químicas dos fenóis).
Portanto, no processo de ensino-aprendizagem de Química os alunos deve ser participativos
de forma a garantir o desenvolvimento de competências para a vida. Para que este propósito
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seja alcançado, é importante que o professor faça uma boa articulação entre as funções
didácticas e os métodos de ensino.
Assim, o professor deve dominar as características dos diferentes métodos de
ensino e as funções didácticas de forma a garantir que este saiba aplicar
estratégias adequadas a partir de um conteúdo identificado no programa de
ensino. Lembre-se que este conteúdo foi estudado na Didáctica Geral e agora
pretende-se que seja aprofundado o conhecimento na base de exemplos
concretos da disciplina de Química. Camuendo, (2006).
1.1. A aplicação da função didáctica matéria nova ao método apresentativo
/expositivo
A mediação dos conteúdos da matéria nova requer uma opção metodológica adequada e
conveniente para o confronto directo com os factos e fenómenos por meio da demonstração,
observação da realidade estudada, a explicação da matéria pelo professor (a exposição
verbal), o trabalho independente dos alunos, o diálogo permanente, a exemplificação e
ilustração do objecto de estudo. O método apresentativo e as suas formas de realização
parecem ser o método mais adequado para realizar esta função didáctica considerando-se os
seguintes aspectos:
O nível de exigência do professor deve ser alto (concentração da matéria, garantir que
os alunos tomem nota dos apontamentos, garantir os níveis da atenção e concentração
dos alunos, etc.);
O efeito da apresentação não deve ser monótono e seco; deve considerar os objectivos
no âmbito dos conhecimentos, das habilidades /capacidades, das atitudes e convicções;
A exposição verbal é um procedimento didáctico valioso para a assimilação dos
conhecimentos: envolve maior número de alunos, poupa tempo levando o aluno mais
directamente ao objecto de estudo de uma maneira rápida e objectiva.
Na disciplina de Química o conteúdo da aula tornar-se-á mais significativo para canalizar o
interesse dos alunos para a matéria de estudo ao ser complementada com elementos
ilustrativos, demonstrativos, exercitação, actividade experimental, mudando a ideia de que a
exposição verbal seja um “depósito” de informações.
Chama-se particular atenção para os cuidados que o professor deve observar
durante a exposição verbal nomeadamente, evitar conduzir os alunos a uma
aprendizagem mecânica fazendo-os memorizar e decorar factos, regras,
definições, usar linguagem e termos inadequados aos seus reais interesses,
apresentar factos, noções e assuntos sem ligação com a matéria anterior.
Camuendo & Bata, (2013).
1.2. A aplicação da função didáctica domínio e consolidação ao método
apresentativo
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A consolidação é possível e realizar-se com as formas do método apresentativo, por exemplo:
Na exposição do professor, é possível uma concentração dos factos essenciais;
A exposição do aluno pode ser uma explicação e realização das experiências em
combinação com outros meios didácticos, a demonstração de filmes, slides,
transparências, é possível mas não é típica.
A consolidação é uma forma de aprimoramento de conhecimentos e habilidades fixados na
mente dos alunos para que estejam disponíveis nas situações concretas do estudo e para a sua
aplicação na vida dos alunos.
A consolidação pode acontecer em qualquer fase da aula ou conjunto da aula (antes do início
da matéria nova, com sistematização, realização de exercícios da matéria anterior, durante a
exposição da matéria nova paralelamente com a mediação).
A consolidação permanente significa mediação da matéria nova e
consolidação paralelamente. A consolidação directa ou concreta significa a
aplicação de conhecimentos para situações novas, após a sua sistematização;
implica a integração dos conhecimentos de forma que os alunos estabeleçam
relações de similaridade, de analogias entre conceitos, fenómenos e liguem
os conhecimentos com situações novas e factos da prática social. Camuendo,
Bata & (2013).
As formas de consolidação são: sistematização, aplicação, repetição.
a) A sistematização é uma forma de consolidação que consiste no registo e classificação
onde se acentuam os pontos essenciais dos conteúdos mediados e as suas relações,
possibilitando aos alunos separar o essencial do acessório.
b) Aplicação é uma forma de consolidação, onde os alunos actualizam e enriquecem os
seus conhecimentos, capacidades e habilidades em situações novas, unindo a teoria e a
prática. Não é uma repetição, procura estabelecer vínculos do conhecimento com a
vida de modo a suscitar autonomia de pensamento e atitudes críticas nos alunos.
c) Na repetição há um aspecto memorativo e pode ser realizado através de resumos das
partes da aula ou repetição total da aula.
Esta pode ocorrer no início duma aula (serve para introdução e reactivação dos
conhecimentos); durante a aula (tem função de resumo); no fim de uma aula (tem carácter de
uma sistematização) e como trabalho de casa. A exercitação é uma forma de repetição,
aperfeiçoamento e complemento das actividades e capacidades dos alunos.
As tarefas da repetição são:
Garantir a fixação dos conhecimentos essenciais na memória;
Reactivar o nível inicial;
Treinar a memória para aumentar a capacidade mental.
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Consolidar os novos conhecimentos e refrescar os já adquiridos.
1.3. Aplicação da função didáctica domínio e consolidação ao método de
elaboração conjunta
A elaboração conjunta é uma forma de interactividade entre o professor e os alunos para
cumprir os objectivos e para a consolidação dos conhecimentos adquiridos. Aplica-se em
vários momentos (início, decorrer e final) da aula ou conjunto de aulas.
Sendo a forma típica da sua aplicação o diálogo, através de perguntas adequadas e dirigidas
(em muitas variantes).
Conversa didáctica supõe-se uma contribuição conjunta de alunos e
professor: os alunos dialogam de forma aberta trazendo contribuições e
experiências novas e o professor traz conhecimentos, experiências mais
elaborados e sistematizados. A combinação deste método com o recurso aos
meios didácticos pode melhorar o efeito educativo. Haydt, (1995).
Nas aulas de Química a elaboração conjunta é o melhor método para uma consolidação em
forma de repetição e sistematização. O professor pode controlar bem quais são as lacunas no
saber. A consolidação deve ser combinada com os problemas e tarefas que correspondem ao
nível inicial dos alunos; os alunos podem participar na aula activamente, por exemplo. quanto
a:
Classificação das substâncias (o professor mostra uma colecção de substâncias
diferentes e os alunos devem determinar a sua classe);
Relação entre a estrutura atómica e ligação química (os alunos devem explicar as
propriedades de determinadas substâncias);
O professor escreve no quadro a fórmula de uma substância e os alunos conhecem as
partículas e os métodos da sua obtenção.
1.4. A aplicação das funções matéria nova, domínio e consolidação ao método
de trabalho relativamente independente
De modo geral, o método de trabalho independente do aluno consiste de tarefas dirigidas e
orientadas pelo professor para que os alunos resolvam de modo relativamente independente e
de forma criativa.
Nas aulas de Química, Podem ser tarefas simples (fazer um desenho, esquema de
aparelhagem de experiências químicas, avaliação de um relatório e/ou protocolo sobre
experiências científicas) ou complexas (preenchendo fichas de trabalho ou realizando
independentemente experiências químicas individuais ou em grupo).
Este método é útil para uma aplicação dos conhecimentos e para exercícios; há
também uma combinação do trabalho colectivo e trabalho independente dos alunos. O aspecto
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mais importante deste método é a actividade mental dos alunos, podendo ser adoptado em
qualquer momento da aula, como tarefa inicial ou preparatória da aula (para verificar as
condições prévias dos alunos, colocar problemas, despertar interesse, incitar atitudes
interrogativas.); como tarefa de assimilação da matéria nova (exercícios e tarefas seguidas à
explicação do professor, estudo dirigido, solução de problemas, pesquisa com base num
problema novo, leitura de textos) ou como tarefa de elaboração pessoal (exercícios nos quais
os alunos produzem respostas surgidas do seu próprio pensamento, relatos de observações).
Para que essa actividade seja realizada, o professor deve ser bastante exigente planeando-a em
correspondência com os objectivos, conteúdos e procedimentos metodológicos adequados:
Indicando tarefas claras, compreensíveis e adequadas, à altura e capacidade de
raciocínio dos alunos;
Assegurando as condições de trabalho na sala de aula (como meios didácticos
adequados, acessíveis e disponíveis) ou no laboratório (com materiais, reagentes e
aparelhagens);
Acompanhando de perto o trabalho dos alunos;
Aproveitando o resultado das tarefas para toda a turma.
Por seu lado, os alunos devem:
Saber precisamente o que fazer e como trabalhar;
Dominar as técnicas de trabalho recomendado pelo professor;
Desenvolver atitudes de solidariedade com os colegas.
Exemplo de matéria nova escolhida na base do programa de ensino:
Os alunos sabem que os metais reagem com ácidos diluídos formando Sais;
Os alunos realizam experiências em grupos (3 a 4 alunos) com os mesmos ácidos e
metais ou com ácidos e metais diferentes;
Os alunos tiram conclusões da experiência: alguns metais reagem e outros não
reagem;
A função didáctica matéria nova serve para mediação e assimilação estruturada dos
conhecimentos e é determinada pela mediação de novos conhecimentos, ligação da matéria
nova com a já conhecida, compreensão e generalização dos conhecimentos, aprofundamento e
construção de novos saberes.
Nesta etapa, realiza-se a percepção dos objectos e fenómenos ligados ao tema da aula, a
formação e explicação dos conceitos, desenvolvimento das capacidades de observação,
imaginação e de raciocínio dos alunos. Camuendo, (2013).
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No entanto, é necessário relembrar que para o cumprimento integral dos objectivos
específicos da aula, deve existir uma articulação entre o processo de mediação e assimilação
activa da matéria nova.
1.5. A aplicação da função didáctica controlo e avaliação ao método de
trabalho relativamente independente
O método de trabalho relativamente independente é o melhor método para controlo e
avaliação através de tarefas dirigidas e orientadas pelo professor para que os alunos resolvam
de modo relativamente independente e de forma criativa.
Assim, a verificação e o controlo do rendimento escolar para efeito de avaliação é uma função
didáctica de extrema importância e ocorre em todas as etapas do ensino, abrangendo a
consideração dos vários tipos de actividades do professor e dos alunos no PEA.
A avaliação do ensino- aprendizagem deve ser vista como um processo
sistemático e contínuo, no decurso do qual vão sendo obtidas informações e
manifestações acerca do desenvolvimento das actividades docentes e
discentes. Os seus resultados dizem respeito ao grau em que se alcançam os
objectivos e em que se cumprem as exigências do domínio dos conteúdos, a
partir dos parâmetros de desempenho escolar. CED, (SA).
Para tal, são empregues procedimentos e instrumentos de mensuração (observação, testes,
exercícios teóricos e práticos) que proporcionam dados quantitativos e qualitativos.
A avaliação na escola tem a função de controlo e é expressa através de notas
ou conceitos (na escala numérica de zero a vinte ou de menção mau,
insuficiente, suficiente a muito bom ou excelente) que comprovam, em
quantidade e qualidade o grau de assimilação dos conhecimentos adquiridos
em função dos objectivos. No caso da escola moçambicana a prática comum
situa o registo da avaliação através de notas. Camuendo & Bata, (20013).
Depois de ter aprofundado o conhecimento sobre as funções didácticas e métodos de ensino
com exemplos, você está em condições de identificar as funções didácticas e os métodos de
ensino adequados para leccionar o conteúdo sobre “obtenção de Hidrogénio no laboratório e
na indústria” e justifique a sua escolha.
Para responder a esta questão reveja o texto apresentado nesta lição, pois ficou explícito que
numa aula pode ser usado mais de um método e função didáctica. Neste caso, a partir do
conteúdo proposto, mencione os métodos e as funções didácticas adequadas e explique a
razão da escolha desse método e da função didáctica.
A seguir, procurou-se descrever com mais detalhe a função didáctica
controlo e avaliação por reconhecer que o sucesso de implementação do
novo currículo também depende das formas que os professores usam para
avaliar a aprendizagem dos alunos. No caso da disciplina de Química, pela
sua natureza experimental, é importante reflectir sobre o que tem acontecido
na prática. Isto é, se os professores implementam as formas de avaliação
previstas nos documentos orientadores como o regulamento de avaliação, os
programas de ensino e o PCESG. Camuendo e Bata, (2013).
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Formas de controlo e avaliação na disciplina de Química
Formas de controlo
Interrogação oral, pelo professor;
Interrogação escrita, como mini-teste, autocontrolo, fichas de trabalho;
Provas com a duração de 1 ou 2 horas;
Comparação das soluções e tarefas, como autocontrolo; resultados no quadro.
Formas de avaliação
Acções gesticuladas e mímicas do professor para avaliar as respostas ou
comportamentos dos alunos: com gestos de mão para interromper ou provocar
respostas; provocar atenção; ou ainda para indicar erros;
Dar razões sobre actividades, resultados do trabalho, resultados das tarefas: oralmente;
de forma escrita (avaliação pelas palavras, ou seja, verbalmente;
Atribuição de notas.
O controlo e avaliação devem consciencializar o aluno de modo a saber o que é que os alunos
dominam e quais são as suas lacunas no saber e saber-fazer mas com o objectivo de superar
as suas deficiências.
A avaliação deve apreciar os bons trabalhos e resultados ou estimular para mais e intensiva
aprendizagem.
A avaliação, como um acto pedagógico, deve ter uma acção educativa tanto sobre o aluno que
recebe a nota como para a turma:
As notas devem ser justas, devem corresponder ao valor do aluno; elas não devem ser
demasiado generosas nem demasiado rigorosas; o professor deve ter convicções éticas,
pedagógicas e sociais de modo a superar situações de aparente ambiguidade entre o
carácter objectivo e subjectivo da avaliação;
Nunca se deve usar as notas como forma de exclusão evitando a avaliação arrogante, a
humilhação moral dos alunos;
O professor deve ser imparcial no processo de avaliação;
O professor deve obter permanentemente informações sobre o processo de aquisição
dos conhecimentos;
Cada aluno deve reflectir sobre as exigências da tarefa de controlo e deve dispor de
tempo suficiente para resolver as tarefas.
O controlo e a avaliação devem ser preparados objectivamente no momento da realização da
avaliação
Passos da realização de controlo dos conhecimentos
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Controle oral
1º Passo – o professor coloca a tarefa de controlo a toda a turma e depois indica um
aluno para dar a resposta;
2º Passo – na realização do controlo, a turma ouve e o professor compara os resultados
com os critérios já fixados na sua preparação;
3º Passo – o professor coloca perguntas complementares;
4º Passo – classificação pelo professor qualitativa ou quantitativa.
Controlo escrito
1º Passo – preparação e introdução: informações sobre a maneira de controlo;
organização ou indicações quanto à forma (margem da folha, data, nome, régua e
outros meios auxiliares); indicação para a realização (tempo, a forma de dar as
respostas, condições para o trabalho correcto e leal; colocação das tarefas (ditar,
escrever no quadro ou na transparência, ficha de trabalho, etc.);
2º Passo – realização: controlo e obediência das normas; respostas às perguntas dos
alunos; comentários sobre erros observados; indicação de releitura do teste escrito
antes da entrega ao professor;
3º Passo – valorização e correcção: avaliação e validação dos resultados; análise dos
erros qualitativa e quantitativa; devolução e apreciação.
Conceito e função de avaliação
A avaliação não deve ser vista como uma caça aos incompetentes, mas como uma busca de
excelência pela organização escolar como um todo.
A avaliação necessária é aquela que consegue analisar como o aluno está a desenvolver as
suas competências e estimulá-lo, através de uma reflexão sobre o que ele realizou, a encontrar
caminhos para o seu próprio desenvolvimento.
Segundo HADJI (2001:34),..
…“Avaliação é uma interacção, uma troca, uma negociação entre o
avaliador e o avaliado sobre o objecto particular em ambiente social. Neste
contexto, todos os avaliadores deveriam ter compreendido que a noção de
“nota verdadeira” quase não tem sentido. Um tratamento apenas quantitativo
em nada muda o fundo do problema. Nesta perspectiva, deve-se questionar a
natureza e o sentido da actividade de avaliação no processo de ensino-
aprendizagem.”
a) Função da avaliação
A avaliação auxilia o professor a obter informações sobre o que foi aprendido pelo aluno. O
professor deve avaliar para acompanhar o processo de construção de conhecimentos do seu
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aluno. E sempre que constatar que alguns alunos apresentam dificuldades deverá propor uma
acção pedagógica (alternativas diversificadas).
O objectivo principal da avaliação é ajudar o aluno a autoavaliar-se, a perceber as suas falhas
e os seus pontos fortes, através de uma reflexão conjunta, aprender a buscar novos caminhos
para a sua realização.
18
Conclusão
Chegado a esse ponto, concluímos que, no Processo de ensino-aprendizagem, a aula deve ser
materializada, estruturada e planificada relacionando objectivos, conteúdos, métodos e meios.
Assim sendo, não significa que a condução das aulas deve seguir um esquema rígido e fixo. É
importante que o professor faça as opções pelas etapas didácticas adequadas dependendo dos
objectivos, os conteúdos, métodos, recursos e meios didácticos, características dos alunos e as
condições da escola. Esse procedimento exige do professor criatividade e flexibilidade.
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Referências bibliográficas
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de Química. Dissertação de mestrado. PUC/São Paulo, 2006.
LIBÂNIO, J. C. 1994. Didáctica. São Paulo: Cortez.
Camuendo, A. P. & Bata, A. E. 2013, Manual de Didáctica de Química I, UP. Maputo.
INDE.
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Sousa, J. R. T. 2015, Praticas Pedagógicas de Química, 1ª ed. Belém-Pa.
Haydt, R. 2001, Didáctica Geral, 1ª.ed. S.P.
INSTITUTO NACIONAL DE DESENVOLVIMENTO DE EDUCAÇÃO-MINED.2010.
Programa de ensino de Química da 8a classe. MEC-INDE. Maputo. Moçambique,
-------------------.Programa de ensino de Química da 9ªclasse. MEC-INDE. Maputo.
Moçambique, 2010
--------------------. Programa de ensino de Química da 10ª classe. MEC-INDE. Maputo.
Moçambique, 2010