Resumo - Inspecção de Carnes
Resumo - Inspecção de Carnes
Em 2006, pela lei 5.741, foi criado o SISBI, que é o serviço de inspeção brasileiro, que diz que se
o sistema de inspeção municipal ou estadual, que for compatível com o SIF pode se juntar ao SISBI
e ser comercializado por todo o território. O estado tem que aderir ao SISBI antes do município e o
local em si, o que gera baixa adesão derivo a toda burocracia.
Em 2017 o RIISPOA foi alterado, pelo decreto 9.013, trazendo uma simplificação, com menos
tópicos, e o novo regulamento tem medidas importantes como:
● Autorização do uso de ferramentas mais atualizadas nas inspeções (sorteio automático,
ELISA, frio, etc)
● Aplicação de graus de risco para os estabelecimentos
● Emissão de registro de forma desburocratizada
● Simplificação dos modelos de carimbos e rótulos
● Maior severidade na punição de empresas infratoras
● Nível de exigência de acordo com o tamanho da empresa
● Análises sofisticadas, como biologia molecular e melhor utilização no uso de resíduos,
visando à prevenção do meio ambiente
Em agosto de 2020 foi publicado um novo RIISPOA, pelo decreto 10.468, para racionalizar
a forma que haverá a fiscalização- são muitos estabelecimentos, então não há técnicos para monitorar
tudo, por isso as leis precisam ser alteradas. Dois pontos importantes são que a inspeção pode ser
permanente ou periódica:
Diante dessa nova regulamentação de 2020, é necessário ler o de 2017 também, pois no de
2020 só tem o que foi alterado.
ORGANOGRAMA
NÍVEIS DE INSPEÇÃO
ATUAÇÃO DO SIF
No Brasil a inspeção é voltada para o controle de processos baseados no risco e inspeção do
produto final. Os princípios aplicados na inspeção baseados no risco são:
● Para assegurar a eliminação de agentes zoonóticos é necessária a aplicação de
controles ao longo da cadeia produtiva
● Os controles aplicados nas fases de produção primária devem ser factíveis, práticos e
econômicos
● O risco deve ser altamente gerenciado, em todos os estágios da produção e, a
persistência de algum risco residual deve ser comunicada ao consumidor final.
O foco de atuação do SIF é:
● Proteger os consumidores dos perigos transmitidos ou veiculados por alimentos (zoonoses,
resíduos, microrganismos emergentes e vigilância da saúde animal);
● Proteger os consumidores das práticas comerciais enganosas (correta descrição do produto-
RTIQ, rótulo, informações inerentes ao setor primário, bem-estar animal).
Então, fica muito clara a função da indústria, que é garantir a qualidade do produto que está
produzindo, então deve ter uma equipe de controle da qualidade que faça o monitoramento, com
planos e execução de manual de APPCC e BPF, para que todos os problemas sejam sanados
rapidamente; e a função do governo (SIF) é de verificar o cumprimento da legislação através de
auditorias baseadas em análise de riscos.
A inspeção é voltada para os processos utilizados pela indústria e dentro desses processos ela
analisa a matéria prima (procedência), máquinas, ambiente, mão-de-obra e métodos. A rotina de
trabalho do SIF inclui:
● Local (elementos de inspeção) e documental
● Inspeção ante e post mortem
● Certificação sanitária (quando necessário e exigido por legislação)
● Coleta de amostras (quando necessário)
● Programas especiais- PRP, PNCRC, programas de combate à fraude e redução do risco
de EEB (encefalopatia espongiforme bovina)
Discussão:
Regulamentada pelo artigo 85 a 101, ocorre antes da morte dos animais e só ocorre no
abatedouro frigorífico.
Consiste em um exame visual (obrigatoriamente realizado por um médico veterinário- auditor
fiscal federal agropecuário), visando determinar as condições sanitárias dos lotes de animais
apresentados. Sua importância é de: fornecer dados para inspeção “post mortem”; detectar animais
com doenças sépticas (alterações visíveis); promover ação de polícia sanitária.
O mesmo AFFA (auditor) que estiver realizando o exame ante mortem, é o encarregado pelo
exame post mortem, ou seja, a inspeção final na sala de matança.
Importante: Permanente em locais com abate, então o fiscal deve ser avisado o dia, horário e número
de animais que vão ser abatidos (avisar 72h antes do abate) e se forem dias esporádicos o auditor tem
que ser avisado 5 dias antes.
ABATE
Nenhum animal pode ser abatido sem autorização do SIF (art. 102). É proibido o abate de
animais que não tenham permanecido em descanso, jejum e dieta hídrica, respeitando as
particularidades das espécies, estabelecidas pelo MAPA (art. 103)- para não ter problemas na
qualidade de carne.
Na inspeção ante mortem os animais ficam alocados em lotes separados, cada um em seu
curral, e há uma passarela no meio onde o médico veterinário observa os animais e depois eles são
conduzidos pela passarela para o abate. Importante ter curral de exame do lado para avaliar melhor
os indivíduos que não parecerem estar bem.
O curral de sequestro é um curral específico da inspeção sanitária federal, que tem uma entrada
para um abatedouro sanitário, que serve para abater animais com suspeita de doença infecto
contagiosa. Quando não tem entrada para esse abatedouro, ele é abatido por último, em um local de
abate comum.
Regulamentada pelo artigo 125 a 173. A inspeção post mortem consiste no exame
(macroscópico) da carcaça das cavidades, dos tecidos e dos linfonodos, realizado por visualização,
palpação, olfação e incisão (principalmente linfonodos), quando necessário, e demais
procedimentos definidos em normas complementares específicas para cada espécie animal.
Essa inspeção é feita por um Auditor Fiscal Federal Agropecuário, necessariamente
formado em medicina veterinária e concursado pelo MA (ministério da agricultura) e fica no
departamento de inspeção final (DIF), que fica dentro do abatedouro frigorífico, e é onde as carcaças
e órgãos dos animais abatidos passam por julgamento e destino. Quem faz as inspeções nas linhas
são os agentes de inspeção sanitária industrial e POA e auxiliares de inspeção (buscam patologias
nas linhas e desviam as carcaças, vísceras ou órgãos para o DIF).
Nessa inspeção todos os lotes de animais abatidos devem estar identificados, assim como as
peças respectivas (mocotós, cabeça, vísceras e carcaça) de cada animais. Quem faz isso é o
estabelecimento.
A MARCAÇÃO do lote ocorre com uma chapa nº 5, colocada na paleta da primeira ½ carcaça
do lote e na última ½ carcaça do lote. O número do animal, lote e data é colocado na pleura/membro
do animal. A correlação cabeça/carcaça é colocada no côndilo occipital e face articular do corpo.
A MARCAÇÃO EVENTUAL serve para identificar carcaças com peças remetidas ao DIF-
utilização da chapa nº 1 (no local da lesão ou não conformidade). Identificar o local da lesão,
identificar carcaças (ex: patas com lesão de aftosa), identificar animais destinados à matança de
emergência.
Os locais que são examinados pelos agentes (locais dos exames) são chamados de linhas de
inspeção e as técnicas de inspeção utilizadas nessas linhas tem duas fases: fase preparatória (feita
pelo estabelecimento) e exame (feita pelos auxiliares ou agentes de inspeção, que colocam a placa
vermelha na lesão e encaminham todo conjunto para o DIF). Para cada espécie animal as linhas de
inspeção são diferentes. Para bovinos:
A) Linha A: exame de pés, mocotós e lábios (em busca de lesões de febre aftosa). LINHA
FACULTATIVA, necessária apenas em unidades de exportação.
a) Fase preparatória: esfola e desarticulação das peças, que são examinadas em mesas
teladas (com chuveiros) e é observado se não tem lesão. Todos os membros estarão
numerados de acordo com a carcaça;
b) Exame: lavar as patas sob o chuveiro e fazer exame visual no espaço interdigital
(identificado problema a carcaça é NE- não exportável).
B) Linha B: exame do conjunto cabeça e língua (em busca de Cisticercose e adenites que
sugerem tuberculose)
a) Fase preparatória: serragem do chifre, esfola da cabeça, oclusão do esôfago,
desarticulação da cabeça, numeração (correlação), secção dos músculos cervicais,
lavagem da cabeça e liberação da língua.
b) Exame da cabeça: visualização da cor das mucosas; procurar lesões medulares no
forame magnum; realizar dois cortes dos masseteres; realizar dois cortes dos
pterigóides; realizar cortes dos linfonodos parotídeos e glândula parótida;
c) Exame da língua: visual- língua e massas musculares adjacentes; palpação; incisar
nodos linfáticos submandibulares, sublinguais e retrofaríngeos; extirpar as amígdalas
(risco especifico); incisar a língua em corte longitudinal profundo em sua base;
C) Linha C: cronologia dentária. LINHA FACULTATIVA para exportação
a) Fase preparatória: leitura da tábua dentária para determinar a idade aproximada do
animal- auxiliar de inspeção
D) Linha D: exame do trato gastrointestinal, baço, bexiga, pâncreas e útero
a) Fase preparatória: separa o reto dos ligamentos, realizar à oclusão do reto; abertura da
cavidade pélvica e abdominal- retirada do útero grávido se for fêmea; retirar omento
maior (rendão); fazer oclusão do duodeno e oclusão do esôfago;
b) Exame: tudo é colocado em bandejas e é feito exame visual, palpação e cortes dos
linfonodos gástricos e intestinais ou mesentéricos (cortar no mínimo 10 ou pelo menos
70% da cadeia linfática);
E) Linha E: exame do fígado e vesícula biliar (em busca de fascíola hepática).
a) Fase preparatória: retirada em uma única etapa do fígado e vesícula biliar e
apresentação do fígado na bandeja específica E com a face diafragmática para cima.
b) Exame: visual, palpação e corte no ducto biliar, dos linfonodos hepáticos, examinar a
vesícula biliar.
F) Linha F: exame de pulmões, coração e traquéia (bandeja F)
a) Fase preparatória: retirada dos pulmões, traquéia e coração- através da evisceração
torácica- e na mesa é realizada a separação dos órgãos;
b) Exame dos pulmões e traquéia: visual, palpação e corte de parênquima pulmonar,
brônquios, abertura da traquéia, corte linfático (apical, esofagiano, traqueo- brônquico
esquerdo e mediastínico);
c) Exame coração (busca cisticercose): visual, palpação e abertura do saco pericárdico,
abertura do coração e incisão do músculo cardíaco para expor a maior superfície ao
exame (lavar com chuveiro);
G) Linha G: exame dos rins (feito na meia carcaça após a evisceração)
a) Fase preparatória: divisão da meia carcaça e retirada da cápsula renal
b) Exame: visual, cortar o parênquima se necessário, examinar visualmente as supra
renais e linfonodo renal
H) Linha H: exame das faces medial e lateral da parte caudal (traseiro) da meia carcaça
a) Fase preparatória: divisão da meia carcaça
b) Exame: visual- coloração, contaminação (área deve ser retirada na faca, não pode
lavar, e se estiver extensa mandar para o DIF), superfície óssea, articulações,
contusões, glândulas mamárias e testículos, peritônio, nodos linfáticos (inguinais ou
retromamários, pré-crural, ilíaco e isquiático)
I) Linha I: exame das faces medial e lateral da parte cranial (dianteiro) da meia carcaça
a) Fase preparatória: divisão da meia carcaça
b) Exame: coloração, contaminação (área deve ser retirada na faca, não pode lavar, e se
estiver extensa mandar para o DIF), superfície óssea, articulações, contusões, pleura,
parietal, ligamento cervical, diafragma, rigidez muscular e nodos linfáticos (pré-
escapulares). Se o abcesso tiver rompido e sido lavado a carcaça é descartada.
J) Linha J: carimbagem das meias carcaças
a) Fase preparatória: inspeção completa do animal, julgamento, assim como toalete,
pesagem e banho sob pressão;
b) Carimbagem: carimbar as meias carcaças liberadas para consumo com carimbo
modelo I (consumo direto) do RIISPOA no coxão, lombo, ponta de agulha e paleta. O
outro carimbo que pode vir ao lado deste é o NE se tiver alguma irregularidade.
DIF
É onde o auditor decide os critérios de julgamento de inspeção sanitária e o destino que será
dado a essas carcaças- dentro do frigorífico e privativo da equipe de inspeção. Os trilhos do DIF têm
que dar acesso a câmara de sequestro, que é onde fica a carcaça que não volta para a linha, ficam a
poder do serviço de inspeção para elas serem destinadas. Caso o estabelecimento não tenha essa
câmara de sequestro, tudo que entra no DIF é condenado (não pode ir para consumo humano).
Os possíveis destinos para essas carcaças são:
No capítulo II, seção I do RIISPOA, de 2020, que tem a legislação a respeito das matérias
primas, no Art. 276, carnes são massas musculares e demais tecidos que as acompanham, incluída
ou não a base óssea. Já no ART. 277, carcaças são as massas musculares e ossos do animal abatidos,
tecnicamente preparado (sem cabeça, órgãos e vísceras), respeitando a particularidade de cada espécie
(suínos e aves podem ser comercializados com cabeça e pele). Há ainda um parágrafo único, onde
diz “é obrigatória a remoção da carne que fica ao redor do local da sangria, considerada
imprópria para o consumo”, pois na área de sangria pode acumular grande quantidade de sangue e
mais condições de multiplicação bacteriana.
Segundo o artigo 278, os miúdos são órgãos e as partes de animais de abate julgados aptos
para o consumo humano. Para ruminantes, os miúdos são encéfalo, língua, coração, fígado, rins,
rúmen, retículo, omaso, rabo e mocotó. No parágrafo único, podem ser aproveitados para consumo
direto, de acordo com os hábitos regionais, tradicionais ou de países importadores, pulmões, baço,
medula, glândula mamária, testículos, lábios, bochechas, cartilagens e outros a serem definidos em
normas complementares, desde que não se constituam em MER (material especificado de risco).
Segundo o artigo 279, triparia são as vísceras abdominais utilizadas como envoltórios
naturais, tais como intestinos e bexiga, após receberem tratamentos tecnológicos específicos. Já,
segundo o artigo 281, é proibido o uso de intestinos, tonsilas, glândulas salivares e mamárias,
ovários, baço, testículos, linfonodos, nódulos hemolinfáticos e outras glândulas como matéria-prima
na composição de produtos cárneos. Eles (os intestinos) só podem ser utilizados como
ENVOLTÓRIOS, não compor produto cárneo.
Segundo o Artigo 283, produtos cárneos são aqueles obtidos de carnes, de miúdos e de partes
comestíveis das diferentes espécies animais, com as propriedades originais das matérias-primas
modificadas por meio de tratamento físico, químico ou biológico, ou ainda pela combinação destes
métodos em processos que podem envolver a adição de ingredientes, aditivos ou coadjuvantes de
tecnologia.
CLASSIFICAÇÃO GERAL
Segundo o artigo 16, do novo RIISPOA DE 2020, os estabelecimentos de produtos de origem
animal são classificados:
I- de carnes e derivados;
II- de pescado e derivados;
III- de ovos e derivados;
IV- de leite e derivados;
V- de produtos de abelhas e derivados;
VI- de armazenagem.
Nesse novo RIISPOA os produtos não comestíveis, como resíduos da produção industrial e as
partes animais não consumíveis obtidas no processo de abate ou processamento de carnes foram
RETIRADOS do escopo de obrigações previstas. Isso significa que o RIISPOA não inspeciona
mais estabelecimentos que só produzem esses produtos não comestíveis, ou seja, estes não devem
mais ser fiscalizados por eles.
No artigo 322, um produto não comestível são resíduos da produção industrial e os demais
produtos não aptos ao consumo humano:
I- oriundos da condenação de produtos de origem animal; ou;
II- cuja obtenção é indissociável do processo de abate, incluídos cascos, chifres, pelos,
peles, penas, plumas, bicos, sangue, sangue fetal, carapaças, ossos, cartilagens,
mucosa intestinal, bile, cálculos biliares, glândulas, resíduos animais e quaisquer
outras partes animais.
Os MER são todos os órgãos, partes ou tecidos animais considerados de risco para
encefalopatias espongiformes (EE ou BSE) transmissíveis de todos os ruminantes (bovinos,
caprinos e ovinos) destinados ao abate.
No artigo 124, do RIISPOA, fica claro que é obrigatória a remoção, a segregação e a
inutilização dos materiais especificados de risco- MER para encefalopatias espongiformes
transmissíveis de todos os ruminantes destinados ao abate e este procedimento deve ser realizado
no estabelecimento (condenar a carcaça no estabelecimento em que o animal for abatido, então eles
precisam ter uma equipe e local apenas para isso, que é auditado pelo serviço de inspeção).
**É vedado o uso dos MER para alimentação humana ou animal, sob qualquer forma.
*** O peso de MER bovino é de 930g geralmente.
As atribuições e responsabilidade exclusivas da AFFA-MV é: avaliar os casos suspeitos
segregados na inspeção ante-mortem (verificar animais com sinais ou suspeita de sinais
neurológicos); autorizar o abate em estabelecimentos registrados pelo SIF; verificar os procedimentos
de remoção, segregação e inutilização dos MER; coletar material dos animais destinados ao abate de
emergência que apresentem sinais clínicos (coleta e envio para análise do tronco encefálico).
Segundo a circular 2 de 30 de março de 2010, é OBRIGATÓRIA a coleta de tronco
encefálico (TE) de todos os ruminantes destinados à matança de emergência e dos que chegam
mortos ou morreram no curral. Esse material é enviado para um laboratório credenciado pelo MAPA
para analisar a amostra.
De acordo com o OFÍCIO-CIRCULAR nº29/2020/GCI/DIPOA/SDA/MAPA: o
estabelecimento deve possuir um PAC para MER; o MER não pode ser removido antes da realização
da inspeção post mortem dos animais e de suas partes; a verificação oficial de que trata da
identificação, remoção, segregação e da inutilização do MER está estabelecida em elemento de
controle específico para esse fim, na norma interna DIPOA/SDA nº 01, de 08 de março de 2017.
As orientações gerais para o MER é que o estabelecimento deve incluir dos programas de
autocontrole os procedimentos relacionados aos MERs, contemplando:
● Remoção e segregação durante o abate;
● Registro da quantidade retirada (correlação volume/número de animais) para saber se o
estabelecimento está retirando todo o MER;
● Destino: incineração, digestão, fornalha ou aterro licenciado;
● Além disso, o estabelecimento deve estabelecer medidas preventivas e corretivas (desvios).
**A inspeção verifica a implementação (registros) e aplica as penalidades.
Sempre os locais, equipamentos e materiais utilizados para MER devem ser identificados,
com cor geralmente. Pode ser azul, verde, etc. As caixas vermelhas geralmente são de produtos
condenados, então o MER não pode ser vermelho.
O procedimento para retirada de MER dita que na insensibilização, quando o
estabelecimento faz a insensibilização com pistola de dardo penetrante, fazendo o abate humanitário,
devem ser removidos todos os tecidos daquele local na cabeça.
Na linha de inspeção B, onde ocorre a remoção da cabeça, língua, linfonodos e estruturas
anexas, também devem ser retiradas as amídalas MER, em recipiente identificado (peso médio das
amídalas é de 100g).
Após a inspeção da Linha B ou na sala da cabeça são removidos os olhos (peso médio 150g);
na sala da cabeça ocorre a remoção do encéfalo, com abridor de cabeça (peso 300g); a remoção da
medula espinhal é feita de forma manual com espátula específica, ou extrator pneumático após a
serragem da carcaça em ½ carcaças e lembrar de retirar os restos de medula, juntamente com o pó da
serragem da cabeça (peso médio de 230g e mede de 165 a 170 cm); a remoção da porção distal do
íleo pode ser feita com uso de gabarito, na sala de triparia (gabarito 70 cm), colocado em recipiente
próprio (peso de 150g).
Aula 4- Inspeção de Bovinos- Exemplos de Achados
A) Achados no coração
B) Achados no pulmão
D) Achados em Intestinos
E) Achados em rins
F) Achados em Linfonodos
A) Inspeção de Suídeos
Embasada na legislação vigente para suídeos, formulada pelo RIISPOA- 2020. A portaria 711,
de 1995 tem o intuito de aprovar as normas técnicas de instalações e equipamentos para abate e
industrialização de suídeos- ensina como criar um abate e linhas de inspeção para suídeos. Em 2018
apenas a portaria 1304 foi alterada. A diferença dessa portaria é que, ao contrário de bovinos, a
carcaça que for para o DIF pode ser exportada, desde que o país que recebe não veja problema nisso,
no caso dos suínos, já bovinos pode ir para mercado interno.
INSPEÇÃO ANTE MORTEM
Deve ser realizada pelo AFFA, apresentar os documentos exigidos, boletim sanitário, que
precisam ser assinados por um médico veterinário (informações importantes na tomada de decisão
caso alguma patologia que estava no plantel apareça), e GTA, para transportar os animais.
É feita 2 vezes, no momento do desembarque e momentos antes do abate. O veterinário precisa
estar presente nesse momento para ver se não morreram animais no caminhão, que precisam ser
necropsiados, e depois para ver se os lotes estão ok, se não tem lesão, sintomatologia nervosa,
claudicação, patologias que caracterizam abate de emergência.
Deve-se observar, na pocilga de espera: número, sexo, raça; fêmeas- se tivera, parto recente
ou aborto; verificar lesões e sinais de doenças; verificar sintomatologia nervosa (encefalopatias).
Animais que não apresentarem conformidades ou precisar ser melhor examinados vão para a pocilga
de sequestro, e ser marcado- se tiver alterações é abatido antes de todos, ou depois de todos, são
separados no abate.
Marcação com tinta no dorso do animal para mostrar que tem problema.
MATANÇA DE EMERGÊNCIA
- Nesse caso não há legislação mas condena a carcaça. Leva em consideração o bom senso e a
legislação dos bovinos.
Tira o abscesso, condena ele e o resto pode ser consumido. Se contaminar, descarta o que ta
contaminado pelo abscesso.
Tudo para o DIF, pois pode ter repercussão na carcaça.
- Alterações que podem ser encontradas: no caso da cisticercose pode tratar se for uma
pequena infecção, mas se for intensa condena carcaça.
- Alterações que podem ocorrer: glossite purulenta e contaminação de língua (ambos
condena-se a língua)
- Alterações que podem ser encontradas: contaminações (tecido fica preto, com
manchas, etc- leva a condenação de carcaça ou da área contaminada pois os cortes são
desconfigurados. Pode ocorrer escaldagem excessiva também- aposenta carcaça;
G) LINHA F- Técnica de inspeção dos rins: retirar os rins da carcaça
**Após todas as linhas de inspeção as carcaças estão liberadas para serem comercializadas.
B) Inspeção de Aves
Regularizada pelo RIISPOA, 2020, pela portaria 210/19998/MAPA (alterada pela portaria
74/2019/MAPA), que traz equipamentos e processamento, mas sem destino das carcaças após a
alteração, em 2019, que fica a critério do RIISPOA.
Inicia-se 24h antes do abate com recebimento de 4 documentos, visando facilitar o exame
ante mortem propriamente dita na plataforma de recepção das aves. O Modelo 1 é o aviso do abate;
modelo 2 é a programação de abate (feita pelo serviço de inspeção); modelo 3 é boletim sanitário e
modelo 4 é a 2º via da GTA.
1. Escaldagem e depenagem: a juízo, a água da inspeção poderá ser totalmente removida dos
intervalos de trabalho, se necessário (pelo Art. 210, agora é obrigatório trocar a água de
escaldagem no pré-operacional). E quando forem removidos pés e cabeça nesta seção, será
obrigatória a instalação de um ponto de inspeção.
2. Evisceração (ocorre na área limpa): as operações que compõem a evisceração e a
inspeção da linha deverão ser executadas ao longo desta calha, de modo que haja um
cumprimento mínimo de 1 m de calha por operário.
A inspeção post mortem é efetuada rotineiramente e individualmente nas aves durante o abate,
através de exame visual macroscópico de carcaças e vísceras e, conforme o caso, palpação e cortes.
É utilizado um sistema de controle e registros das lesões que são encontradas nas linhas de inspeção
das aves. No sistema de controle e registro eles identificam as carcaças ou órgãos que serão
descartados e controlam a velocidade da nórea na linha de evisceração, através da inspeção sanitária
(DIF)- se no boletim sanitário ou ante-mortem acharem não conformidades a linha de inspeção flui
de maneira mais devagar, para se atentar aos detalhes.
Para aves pode ter outros pontos de inspeção fora da calha de evisceração e linha de inspeção,
ou seja, uma linha de pré- inspeção (subsidiar para diminuir a velocidade da nora) e reinspeção (caso
passou algum detalhe há a possibilidade de analisar novamente a carcaça).
1. PRÉ- INSPEÇÃO: exame visual da carcaça fechada (podem ser feitas palpação e cortes se
necessário); fica antes do corte dos pés e evisceração;
- Objetivo: descartar pés que seriam condenados pela inspeção (com calo, fraturas,
atrofia); evitar carcaças que contenham doenças ou lesões (contaminaram os
equipamentos, então retirar papos repletos); evitar que sejam aproveitadas carcaças e
vísceras com lesões aparentes, que depois de passarem pela evisceradora venham a
mascarar possíveis lesões.
- Ex: retirar abcessos, pés com calor, condenar carcaça com ascite, desidratação, má
sangria. caquexia, dermatose, bouba.
Segundo o Art. 175A, dos casos de fraturas, contusões e sinais de má sangria ocorridos
no abate, por falha operacional ou tecnológica, as carcaças de aves devem ser segregadas pelo
estabelecimento para destinação industrial (não vai para consumo). Segundo o parágrafo único, o
disposto no caput não se aplica a contusões extensas ou generalizadas e aos casos de área
sanguinolenta ou hemorrágica difusa, hipótese em que a destinação será realizada pelo SIF nas linhas
de inspeção.
Condena-se: escaldagem excessiva (lesões extensas pela carcaça); micoplasmose;
colibacilose; salmoneloses.
Aula 6- Inspeção de Pescados
O Art. 205 dita que: entende-se por pescado os peixes, crustáceos, moluscos, anfíbios,
répteis, equinodermos e outros animais aquáticos que são usados na alimentação humana. Grupo
extremamente variável e a inspeção depende de cada particularidade do animal.
O Art. 209 dita que os controles do pescado e de seus produtos realizados pelo estabelecimento
abrangem: análise sensorial; indicadores de frescor; controle de histamina (nas espécies formadoras
de histamina- deterioração por microorganismos**); controle de biotoxinas ou de outras toxinas
perigosas para saúde humana; controle de parasitas. O estabelecimento tem que cumprir com essas
etapas da inspeção
BENEFICIAMENTO:
1. Lavagem primária: transporte da área suja para a área limpa (através do túnel de rosca sem
fim), ocorre a eliminação dos microrganismos residuais da pele; essa água deve ser clorada a
5 ppm.
2. Desossa: cortes sequenciais separando a musculatura dos ossos; descabeçamento;
3. Identificação das espécies: identificação das espécies garante a identidade até a etapa da
rotulagem;
4. Retirada da pele: extração mecânica da pele em máquinas apropriadas
5. Acondicionamento intermediário: em bandejas brancas com gelo em escamas e ambiente
climatizado
6. Linha de Filetagem
7. Beneficiamento: diversos tipos de cortes- comuns, alternativos ou nobres
** Não conformidades:
- Animais domésticos no mesmo local que ficam os peixes
- Deixar apenas um lado do peixe refrigerado (mercados)
- Manipular os peixes sem luvas
- Equipamento em condições inadequadas
- Deixar pescados sub estrados de madeira
- Mistura de muitas espécies
- Colocar o pé no peixe
- Carrinho de transporte em péssimas condições
- Ralos sem telas por baixo
- Pessoas sem uniforme dentro da indústria
- Animais com lesões hemorrágicas ou em deterioração/ oxidação (manchas)
- Ausência de refrigeração
- Reutilização de embalagens
- Caixa vermelha com produtos comestíveis é péssima!!! era para não comestíveis.
- Resíduos em locais inapropriados- deveriam cair no óculo