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Caetano Veloso

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FASE BOSSANOVISTA

+ "De Manhã", "No Carnaval", "Sol Negro" (com Gal Costa)


- Composições: Caetano Veloso
- Intérprete: Maria Bethânia para o álbum "Sol negro"
- 1965
- Primeiros passos de Caetano Veloso na música brasileira. Influência da bossa nova e do samba-canção,
ligação com os aspectos do regionalismo do interior baiano no cotidiano e na forma de se expressar.
Possui o acompanhamento de elementos do samba-jazz, além de ser feita sob medida para explorar as
possibilidades da entonação de Maria Bethânia. Letras evocam o cotidiano e a expressão dos sentimentos
por meio de forte veia lírica.

+ Cavaleiro/Samba em Paz
- Compacto
- 1965
- Influência da bossa nova e do samba-canção, ligação com o regionalismo religioso do interior baiano e
com o candomblé.

+ Musical "Arena canta Bahia"


- ao lado de Gal, Gil, Bethânia e Tom Zé
- dirigido por Augusto Boal e apresentado no TBC (São Paulo)

+ curta-metragem Viramundo
- dirigido por Geraldo Sarno

+ Domingo (com Gal Costa)


- Álbum
- 1967
- Bem intimista, conta com a influência total da bossa nova. Produção e arranjos de Dori Caymmi,
expressando canções de maior apelo regional, como sambas de roda e pontos de candomblé, uma
evocação da tradição baiana. São músicas mais intimistas, românticas, que lidam com questões do
cotidiano e evocam uma imagem regional.

FASE TROPICALISTA

+ Caetano Veloso
- Álbum
- Compacto: Alegria Alegria / Remelexo
- Compacto Duplo: Soy Loco Por Ti, América / Superbacana / Clarice
- 1968
- Marco da Tropicália. Foge do apego à bossa nova e se aproxima da experimentação com outros
instrumentos e recursos estilísticos (como em "Clarice", "Onde Andarás" e "Paisagem Inútil"), com forte
presença de guitarras elétricas e teclados do rock, mais órgãos e instrumentos pesados das óperas. Há
também a digressão no ritmo e na cadência das frases e estrofes ("No Dia Em que Eu Vim-me Embora",
"Superbacana" e 'Eles"). As letras contextualizam o Brasil da forte repressão causada pela Ditadura,
evocando situações do cotidiano (como o abandono, a fuga, a solidão, o sofrimento, e também a própria
modernidade). Não tem pudor em tocar em temas e expressões que evocam violência e morte através do
lirismo. "Ave-Maria" evoca aos cânticos religiosos das procissões; "Onde Andarás" e "Paisagem Inútil"
inspiram-se nas músicas românticas ao estilo Nelson Gonçalves, onde Caetano emula até mesmo a forma
empostada de cantar; enquanto "Eles" fecha o álbum com a música indiana.

+ Yes, Nós Temos Bananas / Ai de Mim, Copacabana


- Compacto
- 1968
- Mais uma aproximação da nossa tradição musical, no caso as antigas marchinhas de Carnaval,
utilizando experimentações do rock e dos musicais da Brodway, e também na métrica das frases (no caso
de "Ai de Mim, Copacabana"). É importante ressaltar o arranjo de Rogério Duprat como uma marca
registrada nesse formato de musicalidade. Uma impressão pessoal é de que o estilo físico dos
tropicalistas se aglutina com a forma de expressão musical: são músicas que tem "cor" e "calor" tanto
quanto os chapéus e roupas extravagantes.

+ É Proibido Proibir / Ambiente de Festival


- Compacto simples
- 1968
- Um dos maiores marcos da Tropicália, onde todos os elementos de experimentação e recorte em
arranjo, instrumento e letra são elevados à últiima potência. Uma forte letra de protesto que causou
desconforto nos censores, na crítica e até no público - em uma adição à música original foi incluída o
momento em que Caetano se revolta em sua apresentação no Festival da Canção. O discurso "vocês não
estão entendendo nada" chega a ser mais tropicalista que a própria canção.

+ Tropicália ou Panis et Circensis (com Gal Costa, Gilberto Gil, Nara Leão, Os Mutantes e Tom Zé)
- Álbum
- Compacto: Baby / Mamãe, Coragem
- Compacto: Coração Materno / Hino ao Senhor do Bonfim
- 1968
- O álbum que é o manifesto da Tropicália e ao mesmo tempo seu testamento. Caetano integra o
manifesto com as composição da faixa-título "Panis Et Circensis", mais "Lindoneia", "Baby", "Mamãe
Coragem" e "Bat Macumba". Notáveis são as reinterpretações tropicalistas de "Coração Materno", "Três
Caravelas" e "Hino ao Senhor do Bonfim". Impossível não associar a força da instrumentalidade e suas
letras herméticas com o contexto da Ditadura Militar: a psicodelia esconde o brutal protesto contra a
repressão e as convenções sociais do conservadorismo e a modernidade. Ocorre a incursão de recursos
narrativos, como o rompimento da quarta parede ou trechos discursivos. Além dos artistas, ressalto a
notável contribuição em letra de Capinam e Torquato Neto e os arranjos do onipresente Rogério Duprat,
mesclando "correntes artísticas de vanguarda e da cultura pop nacional e estrangeira (como o Rock e o
Concretismo)".
- O álbum que é o manifesto da Tropicália e ao mesmo tempo seu testamento. Gil contribui com "Misere
Nóbis" (com Capinam), mais "Panis Et Circensis" e "Bat Macumba" (com Caetano). Desta vez, noto que
Gil possui maior apelo à narrativa linear, utilizando da aliteração e dos recursos linguísticos com
elementos do cenário para compôr suas músicas, ao contrário de Caetano que prefere montar um
"quebra-cabeça narrativo". Possui maior apelo à regionalidade e de evocar a religiosidade, já que "Misere
Nóbis" rememora a sacralidade e "Bat Macumba" é referência ao candomblé.

- música "Divino maravilhoso" (com Gilberto Gil)


- intérprete: Gal Costa
- novembro de 1968
- Parceria com Gilberto Gil, é uma pérola a parte do tropicalismo. Composição sob medida para contexto
de protesto da época, com forte sarcasmo, provocação e incitação política, reforçado pela imagem e voz
de Gal Costa. Possui elementos sonoros próprios do estilo proposto até então, como guitarras, coral e
quebra ritmica da letra. O álbum "Gal Costa" de 1969 contém sucessos de Caetano Veloso com forte
pegada tropicalista, sendo considerado por muitos o "disco que fechou a Tropicália".

+ Ao Vivo (com Os Mutantes): A Voz do Morto / Baby / Saudosismo / Marcianita


- Compacto Duplo
- 1968
- Ao álbum ao vivo censurado pela Ditadura e enterrado na discografia do Caetano pelo público,
recuperado na coletânea "Cinema Olympia". A base continua o samba-canção, mas explode no
instrumental experimental do rock dos Mutantes, o apoio vocal herdado de "É Proibido Proibir" e a
digressão na letra própria da Tropicália. Pode ser o único registro ao vivo da música tropicalista.
+ "Cinema Olympia"
- Composições: Caetano Veloso
- Intérprete: Gal Costa para o álbum "Gal"
- 1969
- A composição mais rock and roll da Tropicália, trazendo Gal Costa como símbolo vocal desta fase mais
hardcore. Marcou a transição de Gal desde o início da carreira até esse ponto. Aqui, Caetano volta a
tornar-se pop, buscando elementos cotidianos da juventude entediante por um viés irônico atacando o
sistema e os costumes e ideologias determinista.

+ Barra 69: Caetano e Gil ao Vivo na Bahia


- Ao Vivo
- 1972 [gravado em 1969]
- "Em 27 de dezembro de 1968, Veloso e o parceiro Gilberto Gil foram presos, acusados de terem
desrespeitado o hino nacional e a bandeira brasileira. Ambos foram soltos em 19 de fevereiro de 1969".
Em julho de 1969, foram realizados dois shows no Teatro Castro Alves, marcando a despedida de
Caetano e Gil e iniciando o exílio em Londres imposto pela Ditadura Militar. "O show foi gravado de forma
precária em uma fita cassete pelo percussionista Djalma Corrêa, que integrava a banda de Gilberto Gil.
Posteriormente, o produtor Nelson Motta convenceu a gravadora Phillips a lançar o LP com o registro do
show, por sua importância histórica". São registros quase literais ao original, conservando o espírito de
exaltação e alegria dos cantores (ainda que fosse logo após um momento de tristeza pela prisão e o
posterior exílio). Notável regravação em formato de marchinha e rock do "Hino do Esporte Clube Bahia"
com quase apelo emocional tanto dos cantores quanto do público.

+ Atrás do Trio Elétrico / Torno a Repetir


- Compacto
- Janeiro de 1969
- Vejo como um compacto de "respiro" das transas tropicalistas, com Caetano abraçando aquele do início
de carreira com composições mais regionalistas da Bahia do interior, fortes batuques, carnavalismos e
coros como nas cantigas de Dorival Caymmi. Atrás do Trio Elétrico está no seu álbum seguinte.

FASE UNIVERSAL

+ Caetano Veloso
- Álbum
- Compacto: Irene / Marinheiro Só
- Compacto Duplo: Irene / Carolina / Os Argonautas / Chuvas de Verão
- Agosto de 1969
- "Antes de partir para o exílio, em abril e maio de 1969, Caetano gravou as bases de voz e violão [...]
que foram mandadas para São Paulo, onde o maestro Rogério Duprat faria os arranjos e dirigiria as
gravações do disco, lançado em agosto". Aqui há uma forte aproximação com o rock, provocada pelas
distorções da guitarra elétrica e metais pesados, as expressões nos vocais mais altos; por outro lado, o
regionalismo continua presente acompanhado de luxuosos instrumentos de cordas (como em "Irene"), de
coros ("Marinheiro Só") e das marchinhas de carnaval ("Atrás do Trio Elétrico"). Ressalto também o flerte
com a universalização nas composições em inglês, como "The Empty Boat" e "Lost In Paradise", o fado
português e sua literatura em "Os Argonautas" e o tango argentino (regravação da música "Cambalache",
de E. S. Discépolo). "Não Identificado" é uma universalização de temas, mostrando sua atenção com
coisas que fogem da tradição brasileira - como uma letra de amor gravitando em torno de OVNIs ou
tecnologia. "Chuvas de Verão" é um reflexo bossa-novista da sua formação (regravação de Fernando
Lobo), ao passo que "Acrilírico" (quase um monólogo teatral musicado) e "Alfômega" (composição de
Gilberto Gil) são seus últimos rasgos tropicalistas.

+ Charles, Anjo 45 (composição e participação de Jorge Ben) / Não Identificado


- Compacto
- Novembro de 1969
- Inesperado dueto com Jorge Ben em "Charles, Anjo 45", unindo o universo narrativo de Jorge com a
musicalidade plural de Caetano através de violão, percussão e metais marcantes. "Não Identificado" faz
parte do seu álbum do mesmo ano.

+ Caetano Veloso
- Álbum
- 1971
- Compacto: Maria Bethânia / London, London (em 1972)
- Disco gravado durante o exílio em Londres com composições quase que exclusivamente em inglês. A
herança da Tropicália abdica das melodias e acompanhamentos extravagantes para um experimentalismo
mais intimista, quase "erudito", com arranjos de cordas que lembram as fases experimentais dos Beatles,
a folk music e o movimento musical britânico da época. Opta por faixas de grandes durações em que há
repetição de riffs, refrões ou mesmo de melodias. A sua passagem pelo exílio é referenciada em letras
melancólicas, como "London, London", e a evocação da música tradicional brasileira, como na regravação
autoral de "Asa Branca" (que representa bem a musicalidade deste álbum) e na inserção de "Marinheiro
Só" em "If You Hold a Stone". Aqui Caetano reafirma seus laços com a música brasileira e o país distante
em si ao resgatar canções populares de seu contexto de origem, quase como uma metáfora à sua própria
situação de exilado.

+ O Carnaval de Caetano:
- Compacto duplo: "Chuva, Suor e Cerveja (Rain, Sweat And Beer)" / "Barão Beleza" / "Qual É A Baiana?"
/ "Pula, Pula (Salto De Sapato)" / "La Barca"
- Dezembro de 1971
- Caetano iniciou seus primeiros passos em uma fase carnavalesca, que iria culminar na coletânea
"Muitos Carnavais" (de 1977). Influenciado pelas marchinhas clássicas do Carnaval de Salvador e de
ícones como Lamartine Babo, pode ser uma outra expressão para reafirmar seus laços com o nosso país,
já que ainda fora gravado em Londres durante o seu exílio. Percebe-se um distanciamento das noções
estéticas, reproduzindo instrumentos clássicos do gênero, mas com uma qualidade técnica inferior ao
algum seguinte. Suas composições autorais são "Chuva, Suor e Cerveja" e "La Barca (em parceria com
Moarcie de Albuquerque).

+ Deixa Sangrar
- Composição: Caetano Veloso
- Intérprete: Gal Costa para o álbum "Legal"
- 1971
- Seguindo a ritmica de Caetano do compacto anterior, serviu para abrilhantar o conjunto selecionado
para o álbum de Gal Costa. É mais uma adição das músicas carnavalescas, que abordam sob o viés
irônico o cotidiano e as conflituosas relações amorosas.

FASE EXPERIMENTAL

+ Transa
- Álbum
- Janeiro de 1972
- Impossível não associar Transa ao grupo que compõe a produção do disco, como Jards Macalé, Tutti
Moreno, Moacyr Albuquerque e Áureo de Sousa. É o mergulho profundo no rock experimental com ritmos
e percussões da brasilidade musical. Caetano rompeu as convenções de melodia e letra do gênero,
unindo aspectos do regionalismo brasileiro em "You Don't Know Me". Aplicou excertos de reggae (até
mesmo mencionando o nome do gênero) em "Nine Out Of Ten" montando um quebra-cabeça
experimental com a métrica da música (considerado por muitos vanguardista em relação ao rock mundial
dos Beatles e Rolling Stones). Adaptou também o poema "Triste Bahia" de Gregório de Matos e
reinventou o samba "Mora na Filosofia" dentro do espectro musical do álbum. Embora fosse gravado em
Londres, seu lançamento marca a volta definitiva de Caetano ao Brasil, após haver visitado o país
brevemente em agosto de 1971.

+ peça "O percevejo"


- autor: Vladimir Maiakóvski (com a participação de Dedé Veloso como atriz)
- alguns poemas musicados por Caetano Veloso
- 1972
- Destaque para a canção "O Amor", gravada posteriormente por Gal Costa, em 1981, utilizando bem os
recursos técnicos da época para embalar a poesia romântica.

+ Caetano e Chico Juntos e Ao Vivo


- Álbum ao vivo
- Novembro de 1972
- "Gravado em um show no Teatro Castro Alves, Salvador, nos dias 10 e 11 de novembro de 1972".
Primeiro registro ao vivo de Caetano após a sua volta do exílio." Aqui, ele reafirma seu compromisso com
o rompimento de estruturas clássicas - até mesmo as suas -, tendo em vista a repaginada em clássicos
como "Tropicália" (evocada de forma irônica, debochada e com o viés subversivo do seu estilo andrógino
perpetuado nesta década). Notável também o registro das músicas "Os Argonautas", "Esse Cara" e "Você
Não Entende Nada", além de "Janelas Abertas Nº2" (gravado originalmente por Maria Bethânia no álbum
"A tua presença...") e "Esse Cara" (na voz de Chico Buarque) e das versões pessoais das músicas de
Chico, como "Partido Alto", "Morena dos Olhos d'Água", "A Rita" e "Bárbara". É digno de nota que Chico,
em entrevista, declarou os cortes feitos pelos censores em trechos das músicas; além disso, documentos
da Censura Federal já mostravam descontentamento com o estilo andrógino de Caetano.

+ Disco de Bolso do Pasquim, nº 2:


- Compacto: A Volta da Asa Branca (Caetano) / Mucuripe (Fagner e Ivan Lins)
- 1972
- Convidado como intérprete deste inusitado encontro, Caetano retoma seus laços com as composições
de Luiz Gonzaga e participa desta iniciativa da extinta Revista O Pasquim. Gravação ao vivo que mostra
um domínio da regionalidade e uma mão limpa no violão, não dispensando a sua personalidade vocal.

+ Drama - Anjo Exterminado (de Maria Bethânia)


- Produção musical de Caetano Veloso
- Intérprete: Maria Bethânia
- 1972
- Composições: "Esse Cara" (medley com "Bodas de Prata", de Roberto Martins / Mário Rossi), "Iansã"
(com Gilberto Gil), "Trampolim" (com Bethânia), "Negror dos Tempos" e "Drama".
+ "Um Frevo Novo" / "É Coisa do Destino"
- Compacto
- Janeiro de 1973
- Um compacto simples voltado para o Carnaval de 1973. Caetano compõe a primeira faixa, enquanto a
seguinte é uma regravação de Moacyr Albuquerque e Tuzé de Abreu. Seguindo a tradição do último
compacto, Caetano volta com mais dois trabalhos dentro do Carnaval, aproximando-se do chamado
"frevo elétrico", uma amplificação do estilo tradicional com a adição de guitarras elétricas e baterias.

+ Araçá Azul
- Álbum
- Janeiro de 1973
- Segundo trabalho voltado para o experimentalismo após "Transa", esse possui um perfil anticomercial,
"tendo por isso grande número de devoluções, foi retirado de catálogo e relançado somente em 1987",
"influenciado, em parte, pela poética de invenção dos poetas concretistas paulistanos". Caetano não teve
pudores em utilizar recursos "antimusicais", como excertos de conversas, montagens sonoras, vinhetas e
vocalizações para expressar sua arte, como em "De Conversa / Cravo e Canela", "Gilberto Misterioso",
"De Palavra em Palavra", "Julia / Moreno". O seu flerte com a música mundial continua, com a regravação
do bolero "Tu Me Acostumbraste", enquanto o medley "De Cara / Eu Quero Essa Mulher" é uma
declaração de amor (ou posse?) embalada em um rock gutural; "Sugar Cane Fields Forever" é uma
referência direta aos Beatles, mas evoca a regionalidade das cirandas baianas com toda
instrumentalidade e quebra de ritmo do espólio tropicalista (variando entre caixas, guitarras, metais e
cordas, além de excertos de um violão bossanovista). Dessa pegada surge também "Épico", que faz jus
ao próprio nome ao evocar esse tipo de poema e um hermetismo contundente na letra que sintetiza a
ousadia do álbum.

+ "Deus e o Diabo" / "Frevo do Trio Elétrico"


- Compacto
- Dezembro de 1973
- Último trabalho voltado para o Carnaval, seguindo a tradição dos anos anteriores. Caetano é autor de
"Deus e o Diabo", imprimindo uma marca mais autoral na composição, ressaltando o amor e o respeito
pelo Carnaval, e fornecendo uma roupagem moderna para o clássico "Frevo do Trio Elétrico", de Dodô e
Osmar.

+ Temporada de Verão: Ao Vivo na Bahia


- Ao Vivo
- Fevereiro de 1974
- Segundo registro ao vivo, desta vez compartilhado com Caetano Veloso, Gal Costa e Gilberto Gil,
"gravado ao vivo no Teatro Vila Velha, em Salvador". Mostra a maturidade e segurança dos intérpretes
em seus trabalhos atuais. Destaque para suas composições inéditas: "De Noite na Cama" (...), "O
Conteúdo" (...) e a regravação de "Felicidade", de Lupicínio Rodrigues (reaproveitada no compacto
"Lupicínio Rodrigues na Interpretação de", do mesmo ano).

+ Cara a Cara / Hora da Razão


- Compacto
- Novembro de 1974
- Último compacto voltado para o lançamento do Carnaval. Composições mais elaboradas em questão de
melodia e letra, refletindo o aspecto do sentimento e trazendo à tona elementos da festa, com trios
elétricos, máscaras e a própria alegria suburbana. Essas e todas as músicas anteiores foram reunidas na
antologia "Muitas Carnavais", de 1977.

+ Jóia
- Álbum
- Compacto "Qualquer coisa/Joia", "A Filha da Chiquita Bacana"/ "Escapulário"
- Julho de 1975
- Lançamento simultâneo com o álbum "Qualquer Coisa", originalmente pensado para ser um álbum
duplo. Definido pelo próprio autor como uma "joia" lapidada, parece um microcosmo de Caetano dentro
do nosso mundo, envolto pela regionalidade e a cultura tradicional. O disco remete ao interior, aos
tradicional, principalmente em letras que evocam uma simplicidade estilística, mas com enorme poder
lexical, de sentido e pela instrumentalidade (cercada de sopros e percussões).

+ Qualquer Coisa
- Álbum
- Compacto "Qualquer coisa/Joia"
- Compacto duplo: Qualquer Coisa / Jóia
- Julho de 1975
- Lançamento simultâneo com o álbum "Joia", originalmente pensado para ser um álbum duplo. Definido
pelo próprio autor como uma mistura de ritmos e estilo sem um propósito definido, tem um poder maior
de Caetano sobre o violão e em letras inspiradas em sua capacidade de conexão com temas universais,
como o amor e a representação de figuras. Interessante também o desprendimento de Caetano em
relação a várias regravações, como "Samba e Amor" (de Chico Buarque), Jorge da Capadócia (de Jorge
Ben) e "For No One", "Eleanor Rigby" e "Lady Madonna" (dos Beatles), marcados pelo violão e a
descontrução das melodias originais. Aqui Caetano rompe com o experimentalismo psicodélico ou fora do
mercado e se sente mais confortável com a sua arte, sem deixar a inquietação de lado.

+ "Dias, Dias, Dias / Volta" / "Pulsar"


- Compacto
- Dezembro de 1975
-?

FASE HIPPIE ("BÁRBARA")

+ Doces Bárbaros
- Álbum ao vivo
- Compacto "Doces Bárbaros": "Chuckberry Fields Forever" / "São João, Xangô Menino" "Esotérico" / "O
Seu Amor" (raras gravações em estúdio)
- 1976
- Projeto idealizado por Maria Bethânia ao lado de Caetano, Gil e Gal. Nitadamente inspirado no
movimento hippie dos anos 70, incorpora a tradição baiana com os elementos tradicionais da música
brasileira e também flerta com o experimentalismo do rock e da música mundial. Gravado ao vivo por
ideia também de Bethânia, ele tem mesmo o espírito dos hippies, tanto na postura quanto nas ideias,
com vocais e músicos com desprendimento técnico. Seria o último suspiro de um ar experimental
tropicalista para Caetano, que encontraria a sobriedade logo no final da década. Destaque para as
composições de Caetano: "Os Mais Doces Bárbaros" (canção-manifesto do grupo repleta de figuras de
linguagem, simbolismos e jogos de palavras), "Pássaro Proibido" [?], "Gênesis" [?], "Eu Te Amo" [?],
"Quando" [?], "Peixe" [?], "Um Índio" [?] e "São João, Xangô Menino" [?].

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