UNIVERSIDADE DA AMAZÔNIA
CENTRO DE CIÊNCIAS BIOLÓGICAS E DA SAÚDE
CURSO DE BACHARELADO EM PSICOLOGIA
Agatha Giovanna Oliveira de Carvalho - 04063924
Leandro Vitor Ribeiro - 26065663
Luana Corrêa da Silva - 26145009
Maria Alice Dias Silva - 26091882
Mary Luci Costa da Silva - 04059226
Thyaskia Nikita Sfalsin – 040058600
BELÉM – PARÁ
2024
MANIFESTAÇÕES PSICOSSOMÁTICAS NA ADOLESCÊNCIA: ANSIEDADE E
ESTRESSE NO CONTEXTO DO VESTIBULAR
Agatha Giovanna Oliveira de Carvalho - 04063924
Leandro Vitor Ribeiro - 26065663
Luana Corrêa da Silva - 26145009
Maria Alice Dias Silva - 26091882
Mary Luci Costa da Silva - 04059226
Thyaskia Nikita Sfalsin – 040058600
RESUMO
Introdução: O vestibular, além de ser um processo seletivo para ingresso no ensino
superior, é percebido como um ritual de passagem significativo na sociedade moderna.
Para os jovens, representa não apenas o ingresso em uma instituição de ensino superior,
mas também a transição para o mundo adulto e profissional. No contexto dessa transição,
o momento da escolha profissional se destaca como um dos aspectos mais estressantes
e desafiadores enfrentados pelos adolescentes. A pressão para tomar decisões sobre o
futuro profissional, aliada às expectativas da família, da sociedade e até mesmo das
próprias aspirações, contribui para a intensificação do estresse durante a adolescência,
especialmente durante o período que antecede o vestibular. Nesta fase crucial da vida, os
jovens enfrentam uma série de desafios emocionais, cognitivos e sociais, enquanto lidam
com as pressões e as incertezas associadas à escolha de uma carreira. A situação do
vestibular pode ser vista como um estímulo do meio, o qual por si só é capaz de gerar
ansiedade em vestibulandos e até mesmo em pais de vestibulandos (Machado, 1999;
Trintinaglia, 1996; Levenfus, 1997). Para Freud (1995, p. 152), a ansiedade é "uma
reação a uma situação de perigo". É um estado frequente nos indivíduos e que ocorre
diante da percepção de perigo real. A reação a este perigo seria o reflexo de fuga e se
enquadra dentro das pulsões de autoconservação. A ansiedade, portanto, desempenha
um papel significativo no contexto do vestibular, influenciando não apenas o desempenho
dos candidatos, mas também sua saúde psicológica e física. Além disso, a ansiedade
associada ao vestibular pode desencadear questões psicossomáticas, nas quais os
sintomas físicos são manifestações de problemas psicológicos subjacentes. Estudos
sugerem que os vestibulandos podem experimentar uma variedade de sintomas
psicossomáticos, como dores de cabeça, distúrbios gastrointestinais e insônia, como
resultado do estresse e da ansiedade relacionados ao processo de seleção universitária
(Almeida & Pinho, 2008; Gabriel, 2005). Objetivo: Investigar a relação entre a ansiedade,
o estresse vivenciado durante o período do vestibular e as manifestações
psicossomáticas em adolescentes, buscando compreender como esses fatores estão
interligados e como impactam a saúde física e mental dos jovens durante essa fase de
transição. Metodologia: Esta pesquisa consistiu em uma revisão bibliográfica de artigos
científicos previamente publicados sobre o tema. A busca por artigos foi realizada em
bases de dados acadêmicas, como PubMed, Scopus e Google Scholar, utilizando
palavras-chave relevantes, tais como "vestibular", "adolescência", "estresse", "ansiedade",
"saúde mental" e "psicossomática". Foram selecionados artigos que abordavam a relação
entre estresse, ansiedade e manifestações psicossomáticas em adolescentes durante o
período de preparação para o vestibular. Os critérios de inclusão dos artigos foram:
relevância para o tema proposto, data de publicação (últimos 10 anos) e disponibilidade
do texto completo. A partir da leitura dos artigos selecionados, foram identificados os
principais achados, tendências e lacunas na literatura existente sobre o assunto. Os
resultados da revisão foram apresentados de forma descritiva e interpretativa, destacando
as contribuições de cada estudo para o entendimento da relação entre estresse,
ansiedade e manifestações psicossomáticas durante o período pré-vestibular.
Resultados: Os resultados desta pesquisa revelaram uma complexa interação entre o
fenômeno do estresse e os eventos estressores enfrentados pelos vestibulandos durante
o período de preparação para o vestibular. Quando se analisam dados e narrativas, é
comum observar que muitos estudantes relatam sentir uma sobrecarga emocional devido
à pressão acadêmica, como prazos apertados para entrega de trabalhos, a competição
desenfreada para determinados cursos, a disputa entre as escolas e os cursos pré-
vestibulares, sem contar a necessidade de alcançar altas pontuações nas provas de
simulado. No entanto, há de se considerar que tudo isso nunca foi o ideal estipulado por
diretrizes educacionais, pois, desde sua instituição na década de 1950 e suas posteriores
adaptações nos anos 60, o propósito essencial do vestibular tem sido, entre outros
aspectos, avaliar a preparação dos candidatos e sua aptidão intelectual para os estudos
universitários, conforme estabelecido no Artigo 21 da Lei nº 5.540/68 (1968), o que vai de
encontro com o que é prescrito na teoria pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação
(LDB Lei nº 9.394, 1996). Isso se deve ao fato de que, enquanto a lei preconiza que o
ensino médio deve proporcionar uma educação integral, capacitando o indivíduo para
exercer sua cidadania de maneira crítica e consciente, na prática, o ensino tem se
concentrado cada vez mais na preparação dos alunos exclusivamente para o ingresso no
vestibular. Nesse sentido, é possível dimensionar o quanto afeta o adolescente e pode ser
identificado de várias formas, seja pela prevalência significativa de sintomas físicos, seja
pelos sintomas emocionais relacionados ao estresse, corroborando com o modelo
trifásico de desenvolvimento do estresse proposto por Selye (1959). Consequentemente,
por ser um indíviduo um corpo biopsicossocial, a interação entre estresse e sintomas
psicossomáticos é inegável. Esses sintomas, que incluem desde dores de cabeça
persistentes até problemas gastrointestinais e distúrbios do sono, são manifestações
físicas de um estado emocional tenso e sobrecarregado. Por exemplo, alguns
participantes relataram experimentar fadiga crônica, dores musculares e irritabilidade,
sintomas típicos da fase da exaustão do estresse. Eventos estressantes, tanto normais
quanto especiais e extraordinários, foram apontados como desencadeadores de tensões
adicionais durante a adolescência, fase já marcada por intensas mudanças
biopsicossociais. Por exemplo, a saída da escola secundária e a entrada na vida
universitária foram eventos estressantes especiais para muitos participantes, exigindo
uma adaptação significativa e causando ansiedade em relação ao futuro. Além disso,
observou-se uma relação entre o estresse e a escolha profissional, destacando-se a
influência dos eventos estressantes na definição das preferências de curso dos
participantes. Segundo Peruzzo et.al (2008, 322), quanto maior a busca por uma
profissão de grande prestígio e hierarquia, maiores as chances de aspectos emocionais
tornarem-se disfuncionais. Alguns jovens mencionaram que o medo do fracasso no
vestibular influenciou diretamente suas escolhas de carreira, levando-os a optar por
cursos considerados menos desafiadores, mas mais seguros em termos de mercado de
trabalho. As manifestações somáticas foram frequentemente apontadas como sintomas
de sofrimento emocional, evidenciando a estreita ligação entre estresse e psicossomática.
Por exemplo, muitos participantes relataram experimentar dores de cabeça recorrentes,
problemas digestivos e insônia, que foram atribuídos ao estresse e à ansiedade
associados ao vestibular. O perfil dos participantes revelou uma diversidade de
expectativas, sentimentos e atividades de lazer durante o período de vestibular, indicando
a importância de uma abordagem qualitativa para compreender as experiências
individuais e coletivas dos jovens durante esse período desafiador. Esses resultados
destacam a necessidade de intervenções direcionadas à promoção da saúde mental e ao
manejo eficaz do estresse entre os adolescentes, visando garantir um processo de
escolha profissional mais consciente e saudável. Conclusão: A partir das produções
trabalhadas nesta revisão integrativa, ficou claro que que o período de preparação para o
vestibular é um momento crucial na vida dos jovens, marcado por uma série de desafios
emocionais, cognitivos e sociais. Os resultados obtidos destacaram a complexa interação
entre o estresse, a ansiedade e as manifestações psicossomáticas durante esse período.
A pressão acadêmica, os eventos estressantes especiais e a influência na escolha
profissional foram identificados como fatores significantes que contribuem para o aumento
do estresse entre os vestibulandos. A prevalência de sintomas físicos e emocionais
relacionados ao estresse corroborou com o modelo trifásico proposto por Selye (1959),
evidenciando a fase de exaustão do estresse em muitos participantes. Além disso, a
estreita ligação entre estresse e psicossomática foi claramente observada, com muitos
participantes relatando dores de cabeça, problemas digestivos e insônia como sintomas
de sofrimento emocional associado ao vestibular. Os resultados também ressaltaram a
importância de uma abordagem qualitativa para compreender as experiências individuais
e coletivas dos jovens durante esse período desafiador. A diversidade de expectativas,
sentimentos e atividades de lazer durante o vestibular destaca a necessidade de
intervenções direcionadas à promoção da saúde mental e ao manejo eficaz do estresse
entre os adolescentes. Diante disso, é fundamental que sejam desenvolvidas estratégias
e programas de apoio psicológico e emocional específicos para os vestibulandos, visando
garantir um processo de escolha profissional mais consciente e saudável. A atenção
precoce e o suporte adequado podem ajudar a mitigar os efeitos negativos do estresse e
da ansiedade durante esse período crucial de transição para a vida adult
Descritores: “Vestibular”, “Adolescência”, “Estresse”, “Ansiedade”, “Saúde Mental”,
“Psicossomática”, “Escolha profissional”, “Educação”, “Manifestações Psicossomáticas”.
Referências:
FAGUNDES, P. R.; AQUINO, M. G.; PAULA, A. V. Pré-vestibulandos: percepção do
estresse em jovens formandos do ensino médio. Akrópolis Umuarama, v. 18, n. 1, p. 57-
69, jan./mar. 2010.
D'AVILA, G. T.; SOARES, D. H. P. Vestibular: Fatores Geradores de Ansiedade na "Cena
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LAMÔNICA, L. C. Prevalência de indicadores de ansiedade, estresse e depressão entre
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Universidade Federal Fluminense, Instituto de Ciências da Sociedade e Desenvolvimento
Regional, Departamento de Psicologia, 2019.
Lei nº 5.540, de 28 de novembro de 1968. Artigo 21. Brasília, DF: Diário Oficial da União,
1968.
PERUZZO, A. S. et al. Estresse e vestibular como desencadeadores de somatizações em
adolescentes e adultos jovens. Psicologia: Reflexão e Crítica, v. 26, n. 55, p. 319-327,
2008.
SELYE, Hans, 1959. Stress- A Tensão da Vida. Editora Ibrasa , São Paulo.