0% acharam este documento útil (0 voto)
48 visualizações16 páginas

Eleicoes e Sistemas Eleitorais

Enviado por

Ferrão Illion
Direitos autorais
© © All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato DOCX, PDF, TXT ou leia on-line no Scribd
0% acharam este documento útil (0 voto)
48 visualizações16 páginas

Eleicoes e Sistemas Eleitorais

Enviado por

Ferrão Illion
Direitos autorais
© © All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato DOCX, PDF, TXT ou leia on-line no Scribd

ELEIÇÕES E SISTEMAS ELEITORAIS

1.0. Introdução

Durante a elaboração do trabalho com o tema eleições e sistemas eleitorais, chegamos a


definir a eleição ou sufrágio eleitoral como sendo o sufrágio um instrumento fundamental para a
realização do princípio democrático. Daí a importância do direito de voto e a relevância do
procedimento eleitoral justo.

Na democracia representativa, é o processo que consiste na escolha de determinados


indivíduos, de forma periódica, geral, livre, igual e secreta, para exercerem o poder soberano,
concedido pelo povo através do voto, devendo estes, assim, exercerem o papel de representantes
da nação. Vide n.º 1 e 2 do art.2 conjugado com o art. 73 ambos da CRM.

Fez-se menção também aos sistemas eleitorais, que são o sistema maioritário e proporcional,
em que O escrutínio maioritário segue um método segundo o qual o candidato que obtiver maior
número de votos é proclamado eleito, ao passo que o de representação proporcional consiste em
garantir a cada partido politico um número de representante sensivelmente proporcional à sua
real importância eleitoral.

O objectivo geral deste trabalho é de dar a conhecer aos estudantes de direito como funciona
o sufrágio universal no mundo e em particular em Moçambique.

Os objectivos específicos deste trabalho são: saber a sua importância; as suas funções e a
escolha de um sistema justo.

O trabalho contém uma parte introdutória na qual encontramos a justificativa do trabalho e os


objectivos. Apresenta três capítulos que são: O da fundamentação teórica, conclusão e a
referência bibliográfica.
2
3

1. Eleições e sistemas eleitorais


1.1. Eleições
As eleições têm por finalidade básica escolher os governantes, isto é, os membros dos
principais órgãos de soberania, constituem um dos traços mais característicos de todos os
regimes democráticos-liberais.

No entanto, a sua importância e função variam segundo diversos factores: uns inerentes
ao próprio sistema eleitoral; outros exteriores a este sistema, dos quais se destacam o sistema de
partidos e o sistema político de governo.

São numerosos os elementos dos sistemas eleitorais, por razões de ordens metodológicas,
dividimos a descrição e análise global dos sistemas em três rubricas, que concernem,
respectivamente, à orgânica e mecanismos eleitorais, aos métodos e processos de escrutínio e
aos tipos de sistemas eleitorais.

1.1.1. Orgânica e Mecanismos Eleitorais

Eleger significa escolher. Mas para que a escolha seja feita em moldes democráticos e o mais
conscientemente possível é preciso por em prática um conjunto de processos, actos jurídicos e
materiais, cuja finalidade reside primordialmente na eleição dos governantes pelos governados.

A eleição, ou escolha, concretiza-se por meio de voto. Através dele, cada individuo
manifesta a decisão de influir nos destinos da sua comunidade, quer sancionando um facto, quer
aprovando ou contraindo a designação de alguém para determinada missão. Todavia, o exercício
de sufrágio implica uma predefinição jurídica dos mecanismos concernentes à operação eleitoral.
Assim, a delimitação do corpo eleitoral, a estipulação de forma de sufrágio, a definição do tipo
de eleições e a designação dos órgãos que superintendem no contencioso eleitoral, são, por
conseguinte, operações subjacentes à orgânica eleitoral, que precedem a realização de eleições.
4

1.1.2. O Corpo Eleitoral

O corpo eleitoral é formado pelo conjunto dos cidadãos a quem a lei outorga o direito e o dever
de valor. Foi-se alargando gradualmente graças aos princípios liberais que conduziram
naturalmente ao sufrágio universal.

Hoje, o sufrágio universal funciona quase por toda parte. « 1É- refere Duverger considerado como
base legítima do poder, mesmo fora das democracias ocidentais: as ditaduras modernas aplicam-
no, deformando-o contudo pelo processo de partido único». Mas não foi instituído sem
dificuldades. Com efeito, na maior parte dos países, o sufrágio universal não foi estabelecido
directamente: foi precedido de uma fase transitória, em muitos casos bastante longa.

Tradicionalmente, o direito de votar era privilégio de pessoas consideradas mais aptas para
escolher. Não se concedia indiscriminadamente a todos. Exerciam-no os membros de colégios
restritos que sentiam de modo particular a transcendência da escolha que iam fazer. 2«Pela idade,
pela cultura, pelo sentido de responsabilidade, pela competência profissional, pelo zelo numa
causa comum, os eleitores compenetravam-se do ofício de votar como algo de sagrado» - nota
videira Pires (1977).

3
Tudo mudou, porém, com a ideologia democrática instaurada na segunda metade do séc.
XVIII. O princípio de que todos são iguais tinha de aplicar-se também ao direito de voto. Não
tardou, por isso, a defender-se o sufrágio universal, que Rousseau afirmara já sem reservas, em
1761.4

Apesar de teoricamente quase todos o admitem, na prática rodeiam-no de múltiplas reservas.


Durante quase todo o Séc. XIX, o direito de voto só era reconhecido a pessoas que reunissem
determinadas condições, essencialmente a de possuírem um certo número de bens. Dai que o
sufrágio universal tardasse a ver-se oficializado: A Franca apenas o adoptou em 1848 e a

1
«É- refere Duverger considerado como base legítima do poder, mesmo fora das democracias ocidentais: as ditaduras modernas
aplicam-no, deformando-o contudo pelo processo de partido único».
2
«Pela idade, pela cultura, pelo sentido de responsabilidade, pela competência profissional, pelo zelo numa causa comum, os
eleitores compenetravam-se do ofício de votar como algo de sagrado» - nota videira Pires (1977).

3
Tudo mudou, porém, com a ideologia democrática instaurada na segunda metade do séc. XVIII. O princípio de que todos são
iguais tinha de aplicar-se também ao direito de voto. Não tardou, por isso, a defender-se o sufrágio universal, que Rousseau
afirmara já sem reservas, em 1761.
4
5

Alemanha em 1871, mas somente para o sexo masculino; e nas restantes nações ocidentais só se
generalizou depois da Guerra de 1914.

A primeira formula utilizada para retardar a expansão do sufrágio universal


consubstanciou-se na atribuição do direito de voto, em função das condições de fortuna.
Estabeleceu-se, assim, o sufrágio censitário, que só atribuía o direito de voto aos que tivessem
determinados meios de fortuna: Eram eleitores os que possuíam uma certa extensão de terras ou
uma dada quantidade de imoveis (Sufrágio dos proprietários), ou os que pagassem um certo
montante de contribuição directa (sufrágio dos contribuintes).

Depois instaurou-se o Sufrágio capacitário: atribui-se o direito de voto aqueles que


desfrutassem de um mínimo de instrução, que lhes permitisse pelo menos ler a constituição.

As mulheres, por seu turno, tardam em conquistar o direito de voto. Com efeito, o estado
de Wyomimg, nos EUA, foi o primeiro a reconhecer o direito de voto ao sexo feminino, em
1890. Seguiram-lhe outros federados norte-americanos, as denominações inglesas do pacífico e
vários estados nórdicos. E somente em 1920 se generalizou nos EUA, em 1928 na Gra-Bretanha,
e na Franca em 1944. Hoje, praticamente não existem restrições sexuais ao direito de voto, visto
ter sido banida do pensamento contemporâneo a concepção inigualitária do papel dos dois sexos.

Uma das limitações do direito de sufrágio é a idade. Normalmente, a maior idade política
coincide com a maior idade Civil. Dai que, no fim do séc. XIX e durante a primeira metade do
Séc. XX, a maior idade eleitoral tenha sido fixada geralmente em 21 anos, depois de ter andado
pelos 25 e 30 anos, conforme as épocas e os países. Porém, como os jovens com idades inferiores
foram chamadas a desempenhar tarefas arriscadas – mobilização de jovens com 19, 18 e 17 anos
para a Guerra de 1939/ 1945 – começaram a reivindicar a descida do limite de idade eleitoral
para os 18 anos. Argumentando que «quem tem idade para morrer também tem idade para
votar», muitos países fixaram a maior idade eleitoral em 18 anos.

Com a descida para18 anos para a maior idade eleitoral amplia-se significativamente o
corpo eleitoral, pois passa a ser construído por todos os cidadãos de ambos sexos maiores de 18
anos, que não se encontrem privados do direito de voto, em virtude de uma sanção específica
(razão de crimes ou delitos cometidos), ou em virtude de uma qualificação de demência, isto é,
que não sejam adjectivados de indignidade eleitoral.
6

1.1.3. Espécies de sufrágio

Segundo Maurice Hauriou, diríamos que o sufrágio é a organização da aprovação. De facto, o


eleitor chamado muitas vezes a dar a sua opinião através de processos referendários. Mas o
sufrágio é também e sobretudo a escolha dos governantes pelos eleitores. Quer dizer que existem
diferentes espécies de sufrágio e que este pode revestir diversas formas.

Em primeiro lugar, os cidadãos eleitorais podem ser chamados a escolher os membros


dos órgãos de soberania e dos órgãos do poder regional e local, expressando a sua vontade
através do voto. Nestes casos, estamos perante actos eleitorais.

Mas os eleitores podem ser chamados a exprimir a seu assentimento ou a sua


discordância, com um sim ou um não a uma proposta de resolução de um órgão do poder, ou a
manifestar o apoio ou desconfiança a um regime ou a um governante.

No primeiro caso, o sufrágio, que se traduz na consulta do eleitorado sobre um texto,


denomina-se de referendo; no segundo caso, em que a aprovação é pedida por um homem,
designa-se por plebiscito.

Temos, portanto, três espécies sufrágio: eleições, referendo e plebiscito. Contudo, o


sufrágio pode ser directo, se os eleitores escolhem directa e imediatamente os seus representante
nos órgãos do poder, ou indirecto, se os cidadãos eleitores escolhem entre si delegados seus
incumbidos de escolher os governantes através de uma eleição. Quer dizer que o sufrágio é
directo, se o voto dos eleitores tem influência imediata na escolha final, e é indirecto quando se
limitam a escolher um colégio de pessoas especialmente qualificadas para proceder à eleição
definitiva.

O sufrágio pode ainda ser secreto (Por meio de listas cuidadosamente pautadas e
encerradas em sobrescritos fechados), ou publico (por aclamação ou de braço no ar), obrigatório
ou facultativo.

1.1.4. Tipos de Eleições

O poder de sufrágio reside sempre no cidadão com capacidade eleitoral, seja qual for o
tipo de eleições: Eleições politicas para escolha de Presidente da República, dos membros do
7

parlamento, ou simplesmente dos conselheiros municipais; Eleições sindicais, sociais,


universitárias ou estudantis.

É certo que toda e qualquer eleição é sempre politica. No entanto, a finalidade principal
da consulta pode ser predominante de feição sindical, social ou estudantil. Nestes casos, as
eleições revestem-se de caracter específico, pois o corpo eleitoral compreende apenas os
cidadãos de determinado grupo etário (eleições estudantis), ou de certa categoria profissional
(eleições sindicais). Por isso considera-se eleição politica todo o acto eleitoral quem chame a
globalidade dos cidadãos com capacidade eleitoral a exercer o seu direito de voto, sem
descriminação de carácter profissional, etário ou social.

As eleições políticas podem ser de âmbito nacional, regional ou local

São eleições de âmbito nacional as que se destinam a escolher os órgãos de soberania


(presidente da Republica e membros do parlamento).

As eleições nacionais podem ter lugar no quadro do estado ou no quadro das circunscrições
territoriais. Assim, a eleição do presidente da república por sufrágio universal realiza-se no
quadro nacional enquanto a eleição dos membros do parlamento se realiza normalmente no
quadro das circunscrições territoriais, ou simultaneamente no quadro nacional e no quadro das
circunscrições.

São eleições de âmbito regional e local as que tem por objecto a escolha dos membros
das assembleias e dos executivos regionais e locais.

As eleições locais podem realizar-se no quadro da região, do município ou da freguesia,


conforme os órgãos a eleger são de âmbito regional, municipal ou estritamente de freguesia.

Esquematicamente, temo os seguintes tipos de eleições:

No quadro do Estado

Nacionais

Eleições Politicas No quadro das circunscrições

No quadro da região
8

Regionais No quadro do Município

Sindicais No quadro da Freguesia

Eleições específicas Sociais

Universitárias

Estudantis

2. Processo de Escrutino

Segundo Dr. Matthias Basedau, Sistema eleitoral refere-se a um conjunto de regras formais
através das quais os eleitores expressam as suas preferências numa eleição e cujos votos são
convertidos em assentos parlamentares ou cargos executivos.

Existem duas correntes de pensamento que se tem confrontando, uma que advoga a ideia de
justiça na representação das componentes da democracia pluralista, defendendo por isso a
representação proporcional; outra que defende o escrutínio maioritário, argumentando que a
lei maioritária é uma destas ideias simples que se aceitam imediatamente.

2.1. Processo de escrutínio Maioritário

O escrutínio maioritário segue um método segundo o qual o candidato que obtiver maior
número de votos é proclamado eleito.

No que respeita ao número de candidatos a eleger, o escrutínio maioritário pode ser:


Uninominal, quando a nível de circunscrição há um único lugar a preencher; Plurinominal,
quando em cada circunscrição se pede aos eleitores que designem vários candidatos, que
normalmente se agrupam por listas.

Quanto ao número de votações, existem dois processos de escrutínio maioritário:


9

Escrutínio Maioritário de uma votação (volta) e escrutínio Maioritário de duas voltas (de
segunda votação)
Na modalidade do escritório maioritário de uma volta, o candidato eleito é o que obtiver
maior percentagem de votos, sem que se tenha considerações o facto de a maioria do eleitores
não se ter pronunciado a seu favor.

Na modalidade do escritório de duas voltas, são eleitos na primeira volta (votação) os


candidatos que tiverem obtido a maioria absoluta em cada circunscrição, quer dizer, mais de
metade dos votos expressos. E nas circunscrições em que nenhum candidato obteve maioria
absoluta, procede-se a uma segunda votação, no fim da qual é proclamado eleito o que tiver
obtido a maior percentagem de sufrágio validamente expresso. 5Como notaram Cotteret e Emiri,
«o escritório maioritário de segunda votação deixa que o leitor expresse claramente a sua escolha
numa primeira volta, permitindo aos partidos que e reagrupem na segunda; na primeira volta
escolhe-se e na segunda volta elimina-se».

Existe outra variante do escritório maioritário – o escritónio de voto alternativo ou


preferencial. É uma variante utilizada na Austrália, que combina numa só volta os resultados
das duas votações. Segundo esta modalidade, cada eleitor vota num candidato, mas indica
simultaneamente outros candidatos, por ordem decrescente das suas preferências, até esgotar o
número de candidatos em causa. No caso de um candidato obter a maioria absoluta dos votos em
primeira preferência, é proclamado eleito. Em caso contrário, elimina-se o candidato que tem
menor número de preferências indicadas nos boletins de voto, e utilizam-se as segundas
preferências em relação aos outros candidatos; se nenhum candidato tiver obtido a maioria
absoluta, passa-se às terceiras preferências, e assim por diante.

Uma característica comum aos processos de escritonio maioritário é que estes apenas
permitem a representação parlamentar de uma parte do eleitorado de cada circunscrição, muitas
vezes minoritária. Ao ser eleito em cada circunscrição exclusivamente o candidato que obtiver a
maior percentagem de votos, exclui-se a representação dos que saíram vencidos das eleições. Por
outro lado, pode acontecer que um partido, que globalmente obteve menor percentagem de votos,
se encontre maioritariamente representando no parlamento.
5
Como notaram Cotteret e Emiri, «o escritório maioritário de segunda votação deixa que o leitor expresse claramente a sua
escolha numa primeira volta, permitindo aos partidos que e reagrupem na segunda; na primeira volta escolhe-se e na segunda
volta elimina-se».
10

2.1.1. Processo de Escrutínio de Representação Proporcional

O princípio básico da representação proporcional consiste em garantir a cada partido


politico um número de representante sensivelmente proporcional à sua real importância eleitoral.
Aliá, como refere Duverger, 6«o princípio básico de escritonio de representação proporcional é
que este processo assegura uma representação das minorias em cada circunscrição numa
proporção aproximada dos votos dos votos obtidos». Por isso, e ao contrário do que acontece
com o escritonio maioritário, a representação proporcional pressupõe sempre listas que permitem
atribuir os lugares a preencher proporcionalmente à maioria e à minoria.

Relativamente à distribuição dos lugares nas listas, distingue-se o escritonio de


representação proporcional no quadro nacional, em que existe uma circunscrição única as listas
apresentadas são listas nacionais, do escritonio de representação proporcional no quadro das
circunscrições, em que as listas de candidatos são apresentadas a nível de circunscrição.

No que concerne à distribuição dos assentos parlamentares (lugares a preencher), podem


ser utilizados vários processos.

Normalmente, atribui-se a cada lista os lugares que lhe cabem, dividindo os sufrágios
obtidos pelo «quociente eleitoral». Mas acontece muitas vezes que algumas listas não obtém
sequer um número de voto igual ao quociente eleitoral, e os votos obtidos pelas outras na
exactamente divisíveis por este. É necessário, por isso, por isso, proceder a representação de
alguns lugares em função dos restos. O problema da utilização dos restos é o mais difícil de
resolver de todos os que se colocam à representação proporcional. E foi para resolver este
problema que foram adoptados processos de escritonio de representação proporcional, tais como:
a representação proporcional com atribuição dos lugares restantes ao resto maior; a representação
proporcional com repartição dos lugares restantes pelas médias maiores; a representação
proporcional com atribuição dos lugares segundo o método de Hondt; a representação
proporcional com a distribuição dos lugares segundo o método de Saint-Lague; a representação
proporcional com a repartição dos lugares segundo o método dinamarquês; a representação
proporcional com a repartição dos lugares pelo quociente rectificado.

6
«o princípio básico de escritonio de representação proporcional é que este processo assegura uma representação
das minorias em cada circunscrição numa proporção aproximada dos votos dos votos obtidos».
11

A representação proporcional com atribuição dos lugares restantes aos restos


maiores – consiste em dividir, numa primeira fase, o número de sufrágios expressos em cada
circunscrição pelo número de lugares a preencher, obtendo-se o quociente eleitoral, e dividindo-
se de seguida o número de votos obtidos por cada partido pelo respectivo quociente. Esta
operação permite atribuir alguns lugares aos partidos que alcançaram um número de votos igual
ou superior ao quociente eleitoral. Depois, os partidos que tiverem os restos maiores ficarão com
os restantes lugares.

A representação proporcional com repartição dos lugares restantes pelas médias


maiores – segue, numa primeira fase, um mecanismo idêntico ao anterior. Mas o processo para
atribuição dos lugares restantes é diferente. Adiciona-se ficticiamente a cada lista um lugar aos
que couberam em virtude da divisão dos votos obtidos pelo quociente eleitoral – se ainda lhe não
foi atribuído nenhum lugar, faz-se a divisão por 1- e divide-se o número de sufrágios que a lista
recolheu pelo número assim obtido, encontrando-se uma média para cada lista. O partido que
tiver a média mais elevada fica com o lugar restante ou um dos lugares restantes. Recomeça-se a
operação até serem atribuídos todos os lugares.

A representação proporcional com a atribuição dos lugares segundo o método de


Hondt – foi adoptada pela lei belga de 1899. Este processo tem a vantagem de permitir
encontrar, mediante uma só operação o número total de lugares que cabem a cada lista.

O método de Hondt proporciona resultados próximos dos obtidos pela aplicação do


mecanismo da média maior, mas segue um caminho diferente. Dividem-se os votos obtidos por
cada lista por 1,2,3,4,5,n, representando n o número de lugares a preencher.

Os resultados alcançados por esta operação são ordenados de seguida, por ordem
decrescente, até ao número de deputados a eleger. O último número da lista assim ordenada
chama-se «repartidor», e é diferente do quociente eleitoral dos exemplos anteriores, porque
dividindo os votos anteriores por cada lista por este número repartidor obtém-se directamente o
número de lugares que cabe a cada partido.

A representação proporcional com a distribuição dos lugares segundo o método de


Saint-Lague pu sistema do número Udda – segue um mecanismo idêntico ao do método de
Hondt, procurando corrigir este sentido de uma proporcionalidade mais aproximada entre o
12

número de eleitos e a quantidade de votos obtida por cada partido. Para tanto, introduz-se um
pequeno pormenor, que consiste em dividir os votos obtidos por cada lista algarismos impares,
começando-se por 1,4, esto é, dividem-se aquele resultados por 1,4, 3, 5,7, n, e não por 1,2,3,4,
n, como sucede pelo método de Hondt. Este mecanismo faz baixar o número repartidor,
permitindo deste modo uma representatividade mais equilibrada e, por conseguinte, mais justa.
Este processo de escrutínio tem sido utilizado, desde 1952, na Noruega e Suécia.

A representação proporcional com a distribuição dos lugares segundo o método


dinamarquês, que é uma correcção do método de Saint-Lague e o qual consiste em dividir os
resultados por 1,4,7,10,13, n. Este método é o mais justo de todos, pois garante uma
representatividade quase equitativa; e é utilizado apenas na Dinamarca.

A representação proporcional com a repartição dos lugares pelo quociente


rectificado – seguindo o método de Hagenbach-Bischaf, é utilizada na Suíça. O processo de
quociente rectificado consiste em acrescentar uma unidade, ou mais, ao número de lugares a
preencher, a fim de fazer baixar o quociente eleitoral de forma que todos os lugares sejam
atribuídos ao dividirem-se os votos obtidos por cada lista pelo respectivo quociente.

2.1.2. Processo de Escrutínio Misto

No sistema misto, encontramos o escrutínio misto de predominância maioritária,


escrutínio misto de predominância proporcional e o escrutínio misto equilibrado.

O escrutínio misto de predominância maioritária – é utilizado no japão desde o


princípio do Séc. XX. Inspirando-se no processo inglês de escrutínio maioritário de uma votação,
o regime nipónico consiste em eleger vários deputados em cada circunscrição por sufrágio
uninominal; isto é, cada eleitor vota apenas num candidato, sendo eleitos os candidatos que
figurarem a cabeça das listas. Os partidos não são obrigados a apresentar todos candidatos
quanto os lugares a preencher, o que os coloca numa situação delicada: No caso de um partido
apresentar demasiados candidatos pode haver uma repartição de votos entre eles e não ser um
único eleito; no caso de um partido não apresentar um número suficiente de candidatos, os que
são eleitos arriscam-se a disporem de um excesso de votos que talvez permitissem a eleição de
mais um – acrescentam Cotteret e Emeri. O escrutínio misto de predominância maioritária foi
13

instituído em Itália, em 1993, onde 75% dos deputados são eleitos por escrutínio maioritário
uninominal, e os restantes pelo método da representação proporcional.

O escrutínio misto de predominância proporcional – foi adoptado em França, entre


1951 e 1958; e é utilizado na Republica da Irlanda sob a modalidade de voto único transferível
(também conhecida por sistema de Hare). Esta modalidade de escrutínio misto traduz-se numa
combinação da representação proporcional com o escrutínio maioritário, concedendo grande
liberdade ao eleitor, com efeito, o princípio do sistema de Hare consiste no seguinte: é
proclamado o eleito todo o candidato cujo número de votos obtidos ultrapassam o quociente
eleitoral rectificado (este é obtido dividindo) os sufrágios expressos pelo número de lugares a
preencher mais um, acrescentando-lhe depois uma unidade, sendo os votos excedentes
transferíveis para outro ou outros candidatos, conforme as preferências manifestadas. Quer dizer:
em cada circunscrição pode haver um número variável de lugares a preencher e cada eleitor
dispõe apenas de um voto. Contudo este voto é transferível em função das preferências indicadas
no boletim, se o seu candidato obtiver mais votos do que os necessários para ser eleito, ou se o
seu candidato se encontrar entre os que obtiverem menor numero de votos.

O escrutínio misto equilibrado – atribuiu uma importância igual a representação


proporcional e ao escrutínio maioritário.

Este processo de escrutínio é adoptado na república Federal da Alemanha, onde metade


do bundestag (Camara Baixa) é eleito por escrutínio uninominal maioritário de uma votação no
quadro das circunscrições, e a outra metade é eleita segundo o método de Hondit por escrutínio
de lista no quadro de cada Land (região correspondente a um Estado federado). Cada eleitor
dispõe de dois boletins de voto; um para expressar a sua escolha a favor de um candidato na
circunscrição, outro para manifestar a sua preferência por uma lista de candidatos apresentada
por um partido a nível de Land.

Este processo de escrutínio, frequentemente denominado como representação


proporcional personalizado, pode conduzir uma multiplicação de partidos representados no
parlamento. Para evitar este risco, foi adoptado, em 1956, um princípio segundo o qual um
partido só pode beneficiar da representação proporcional se tiver obtido 5% dos sufrágios a
escala nacional ou três mandatos directos.
14

3. Tipos de Sistemas Eleitorais

Um sistema eleitoral compreende um conjunto de elementos inerentes as eleições políticas


de cada país. Com efeito, o modo como está estruturado o corpo eleitoral, as espécies e formas
de sufrágio legalmente previstas, o contencioso eleitoral, o processo de escrutínio são
elementos integrantes do sistema eleitoral. Mas o que tipifica um sistema eleitoral é, sem
dúvida, o processo de escrutínio adoptado. Dai que a existência de três tipos distintos de sistemas
eleitorais: sistemas eleitorais de escrutínio maioritário, sistemas eleitorais de representação
proporcional e sistemas eleitorais de escrutínio misto.

Cada um destes tipos de sistemas eleitorais comporta um número variável de subtipos, ou


variantes dos respectivos sistemas, como, alias, atras ficou descrito e a seguir esquematicamente
se indica.
15

4. Conclusão
Chegados ao final da elaboração do trabalho académico, conclui-se que o sufrágio é um
processo pelo qual um grupo de pessoas com direito a voto, elege uma ou mas pessoas de um de
seus integrantes para um determinado cargo ou função por meio de votação.

A eleição, ou escolha, concretiza-se por meio de voto. Através dele, cada individuo
manifesta a decisão de influir nos destinos da sua comunidade, quer sancionando um facto, quer
aprovando ou contraindo a designação de alguém para determinada missão. Todavia, o exercício
de sufrágio implica uma predefinição jurídica dos mecanismos concernentes à operação eleitoral.
Assim, a delimitação do corpo eleitoral, a estipulação de forma de sufrágio, a definição do tipo
de eleições e a designação dos órgãos que superintendem no contencioso eleitoral, são, por
conseguinte, operações subjacentes à orgânica eleitoral, que precedem a realização de eleições.

O sistema eleitoral classifica-se em maioritários e de representação proporcional, e em


Moçambique adopta-se o sistema maioritário.
16

4.1. Referencias Bibliográficas

FERNANDES,Antonio Jose. Introducao a ciencia Politica-Terorias,metodos e tematicas.


3ªEdicao Portugal, 2010.

ADÉRITO. Correia. Sistemas e processos eleitorais – funções, implicações e experiências -2021

Você também pode gostar