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Esfericidade da Terra e Coordenadas Celestes

Astronomia básica

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ASTRONOMIA

Prof. Gerson Tabosa


ESFERICIDADE DA TERRA
ESFERA CELESTE e ROTAÇÃO da TERRA.

A rotação da Terra define um eixo cujas interseções com a superfície terrestre são os
pólos geográficos Norte e Sul (pontos imaginários). Os círculos que unem os pólos ao
longo de sua superfície (hipoteticamente esférica) e são concêntricos a Terra são os
Meridianos Terrestres. Um plano perpendicular ao eixo de rotação, e eqüidistante de
ambos os pólos, divide o globo em dois hemisférios, Norte e Sul. A interseção deste
plano com a superfície da Terra define o Equador Terrestre. Os paralelos terrestres são
os círculos imaginários paralelos ao Equador.

COORDENADAS GEOGRÁFICAS
Para localizar uma cidade na Terra, precisamos de duas coordenadas: latitude e
longitude. A latitude de um ponto qualquer sobre a superfície da Terra é o ângulo
contado a partir do Equador até esse ponto, ao longo do Meridiano do lugar. A latitude
vai de –90° (no Pólo Sul), 0° (no Equador) até +90° (no Pólo Norte), por convenção. A
longitude é o ângulo medido sobre o Equador a partir de um meridiano de referência até
o Meridiano do lugar. O meridiano de referência do Sistema de Coordenadas
Geográficas é aquele que passa pelo Observatório de Greenwich (Inglaterra). A
longitude é medida em graus (°) ou em horas (h), indo de 0° no Meridiano de
Greenwich até +180° (ou +12 h) quando contamos para leste a partir de Greenwich, e
até -180° (ou –12 h) quando contamos para oeste (é comum nomear como longitude
leste ou oeste).
COORDENADAS CELESTES EQUATORIAIS
As coordenadas celestes equatoriais são definidas de maneira análoga às geográficas,
sendo aplicadas à localização dos astros no céu. Precisamos, novamente, de duas
coordenadas: declinação e ascensão reta. A declinação é contada a partir do Equador
Celeste, usando-se a mesma convenção: de 0° a +90° para norte e 0° a -90° para sul. A
ascensão reta é contada sobre o Equador Celeste desde o Ponto Gama ou Vernal até o
meridiano do astro no sentido de oeste para leste (o mesmo da rotação da Terra),
variando de 0 a 24 h. O Ponto Gama é uma das interseções da Eclíptica (trajetória anual
do Sol no céu) com o Equador Celeste, marcando a passagem do Sol do hemisfério
celeste sul para norte (início da Primavera Boreal).

REGRA DA MÃO DIREITA E SENTIDO DA ROTAÇÃO TERRESTRE


Com a finalidade de visualizar o movimento de rotação da Terra no espaço, basta
aplicarmos a regra da mão direita. Dispõe-se a mão direita com o dedo polegar para
cima, o qual representaria o Pólo Norte. O sentido da rotação terrestre é o mesmo
daquele usado para o fechamento da mão.

HORA SOLAR E FUSOS HORÁRIOS

O Sol culmina no céu sempre ao meio-Dia Solar. Porém, isto ocorre em tempos
diferentes para cada meridiano terrestre, conforme a Terra vai girando em torno de si
mesma. Enquanto em um determinado lugar o Sol está culminando, em outros o Sol já
culminou ou ainda vai culminar. Do mesmo modo, enquanto em alguns lugares o Sol
está surgindo no Horizonte, em outros o Sol está se pondo. Portanto, a hora solar é local
e é fornecida diretamente por um relógio solar.

Além disso, o Sol não se desloca com a mesma velocidade ao longo de sua trajetória
anual aparente (ao redor da Terra). Para corrigir esse efeito, criou-se a hora solar média,
a partir do movimento uniforme de um Sol fictício. A diferença entre a hora solar média
e a hora solar verdadeira é definida como sendo a Equação do Tempo, e pode resultar
em até 15 (quinze) minutos a mais ou a menos. A equação do tempo decorre do fato de
que a velocidade da Terra em torno do Sol não é constante (translação numa órbita
elíptica).

Um fuso horário corresponde a uma faixa de longitude terrestre com 15q (ou 1 h) de
largura, na qual se adota a hora solar média do seu meridiano central como sendo sua
única hora: a hora civil ou legal. O meridiano de origem (longitude = 0 h) dos fusos
horários é aquele que passa pelo Observatório de Greenwich, adotado por questões
históricas. A Figura 1.3 mostra os fusos horários adotados no mundo. O Brasil possui
quatro fusos horários: o fuso de -2 horas para Fernando de Noronha e Ilhas Oceânicas, -
3 horas para Brasília e a maioria dos estados, -4 horas para os estados de RO, RR, MS,
MT, parte oeste do Pará e a parte leste do Amazonas e -5 horas para o Acre e o extremo
oeste do Amazonas. O horário de Brasília está em atraso com relação aos europeus, e
adiantado em relação aos dos EUA.
MOVIMENTO ANUAL DO SOL E ECLÍPTICA

Os primeiros astrônomos começaram a perceber que o Sol se movia lentamente contra o


fundo do céu, definido pelas estrelas e constelações. Faziam isso observando as
constelações que são vistas, na direção do poente, logo após o pôr do Sol (antes de se
“porem”) e aquelas que são ofuscadas pelo brilho solar um pouco antes do nascer do Sol
na direção do nascente. Notaram que, gradualmente, as constelações situadas a leste do
Sol deixam de ser vistas devido ao ofuscamento pela claridade solar e que as
constelações a oeste do Sol passam a ser visualizadas. Como as estrelas eram
consideradas fixas na esfera celeste (o que só é válido em primeira aproximação), eles
concluíram que era o Sol que se movimentava. Esse movimento, denominado
movimento anual aparente do Sol, faz com que este se desloque cerca de 1 grau por dia
(de oeste para leste). Daí a origem do círculo geométrico de 360q (provavelmente no
Egito Antigo).

O movimento anual do Sol define no céu uma trajetória circular, a qual foi denominada
Eclíptica, porque é onde a Lua se situa na ocasião de um eclipse (veja a Figura 1.10). O
plano dessa trajetória circular anual do Sol é inclinado em relação ao plano do Equador
Celeste, em cerca de 23q,5 (veja a Figura 1.7). O plano da Eclíptica define o plano da
órbita da Terra em torno do Sol. O círculo da Eclíptica é, simplesmente, a projeção de
seu respectivo plano na esfera celeste. Ao longo da direção da Eclíptica no céu foram
concebidas, pelos povos antigos da Mesopotâmia, as constelações do Zodíaco,
associadas a lendas e mitos desses povos (leia também ANO SOLAR E LUNAÇÃO, na
seção PERCEPÇÃO E CONTAGEM DO TEMPO).

SOLSTÍCIOS E EQUINÓCIOS
O movimento anual aparente do Sol na esfera celeste pode ser entendido através da
translação da Terra em torno do Sol (visão heliocêntrica em conjunto com a visão
geocêntrica), ou da observação do pôr do Sol (visão topocêntrica).
A Figura 1.7 mostra a Terra em quatro ocasiões especiais de sua órbita ao redor do Sol.
São os dias em que ocorrem os Solstícios e Equinócios. Tomemos como referência o
hemisfério sul da Terra. Na posição 1, fixando nossa visão a partir da Terra, o Sol está
na distância angular máxima ao norte do plano do Equador Celeste, parecendo parar na
esfera celeste para depois retroceder, para o sul, em seu movimento anual aparente. Os
raios solares, nessa época do ano, incidem mais obliquamente sobre a superfície do
hemisfério sul da Terra, de forma que a incidência de calor é menor. Esse dia é
denominado Solstício do Inverno Austral (Solstício significa Sol parado; em latim:
solstitium), o qual ocorre por volta de 22 de junho. A noite do Solstício do Inverno
Austral é a mais longa do ano. A partir do Solstício de Inverno, tanto os “dias claros”
como os Dias Civis e Astronômicos voltam a aumentar de duração, lentamente.
De modo análogo, na posição 3 da Figura 1.7, quando ocorre o “dia claro” mais longo
do ano para o hemisfério sul, o Sol atinge a posição angular mais ao sul do Equador
Celeste. É o dia do Solstício do Verão Austral, que ocorre por volta de 21 de dezembro.

No Verão, a incidência dos raios solares acontece de forma menos oblíqua à superfície.
Em lugares próximos ao Trópico de Capricórnio, a incidência é quase perpendicular.
Portanto, a insolação é maior. Após o Solstício de Verão, os “dias claros” se tornam
cada vez mais curtos novamente.
Em duas ocasiões especiais intermediárias (posições 2 e 4 da Figura 1.7), o “dia claro” e
a noite têm a mesma duração (isso ocorre para todo o globo terrestre). São os dias dos
Equinócios de Primavera e Outono, que ocorrem, respectivamente, em torno de 22 de
setembro e 21 de março no hemisfério sul. A palavra Equinócio, de origem latina,
significa noites de iguais duração. Os Equinócios ocorrem quando o Sol está sobre o
círculo do Equador Celeste, deslocando-se do hemisfério celeste norte para o sul, no
caso do Equinócio da Primavera Austral, e fazendo o caminho inverso, no Equinócio do
Outono Austral. Nesses dias, ambos os hemisférios terrestres recebem a mesma
quantidade de insolação. Entre o início do Outono Austral e o fim do Inverno, os “dias
claros” são mais curtos do que as noites (a noite mais longa ocorre no início do
Inverno), e entre o início da Primavera e o fim do Verão, a situação se inverte (o dia
mais longo ocorre no início do Verão).

FIGURA 1.7 - OS INÍCIOS DAS ESTAÇÕES DO ANO ATRAVÉS DAS PERSPECTIVAS


HELIOCÊNTRICA E GEOCÊNTRICA (A ILUSTRAÇÃO ESTÁ FORA DE ESCALA)

Seqüencialmente, para o hemisfério sul da Terra, tem-se: o Equinócio de Outono em 20


ou 21 de março, o Solstício de Inverno entre 21 e 23 de junho, o Equinócio de
Primavera em 22 ou 23 de setembro e o Solstício de Verão entre 21 e 23 de dezembro.
As estações do ano acontecem de forma inversa em cada um dos hemisférios terrestres.
Enquanto é Verão no hemisfério sul, é Inverno no hemisfério norte.
GEOCENTRISMO, HELIOCENTRISMO E TRANSLAÇÃO

Do ponto de vista terrestre (visão geocêntrica), o Sol parece completar uma volta em
torno da Terra em um ano. O mesmo ocorre com a Lua e os planetas, só que em
períodos distintos. Todos esses astros possuem movimentos anuais aparentes com
trajetórias próximas à trajetória do Sol, no mesmo sentido do movimento solar (de oeste
para leste). Daí a origem do modelo geocêntrico, que tentou explicar os movimentos
desses astros errantes por entre as constelações zodiacais; todos deslocando-se em torno
da Terra imóvel. O geocentrismo perdurou até surgir o heliocentrismo, que explicava de
forma mais simples alguns movimentos “estranhos” que os planetas realizavam no céu.

Esses movimentos peculiares dos planetas faziam os mesmos retrocederem na sua


trajetória padrão oeste-leste, alguns deles traçando até mesmo pequenas trajetórias em
forma de laços. Além do mais, o heliocentrismo de Copérnico foi sustentado pela Teoria
da Gravitação Universal elaborada por Newton (leia mais no Capítulo 3).

O modelo heliocêntrico associado à Gravitação Universal explicou como a Terra e os


demais planetas orbitam em torno do Sol. Esse movimento é denominado translação (ao
redor do Sol). O movimento de translação da Terra acontece num plano, aquele da
Eclíptica. A órbita da Terra não é um círculo perfeito, mas sim uma elipse pouco
excêntrica (quase circular). Em primeira aproximação, o Sol ocupa um dos focos da
elipse, como representado na Figura 1.9. Na verdade, a Terra translada em torno do
centro de massa do Sistema Solar (leia o Capítulo 3 e a caixa de texto O QUE É CENTRO
DE MASSA? da seção seguinte).

A translação da Terra pode ser chamada de movimento orbital. A velocidade média de


translação é de cerca de 107.000 km/h (ou 30 km/s). Definitivamente, nós não estamos
imóveis no Universo.
O movimento de translação da Terra ocorre no mesmo sentido da sua rotação (de oeste
para leste). Aplica-se a regra da mão direita a fim de visualizá-lo.
A velocidade da translação terrestre foi obtida por medida direta astronômica em 1729
com os trabalhos do físico inglês James Bradley, o qual visava medir distâncias de
estrelas. Bradley observou algo inesperado: a direção das estrelas sofria um desvio
sistemático e cíclico. A razão é dada pela combinação da velocidade orbital da Terra
com a da luz (|300.000 km/s), nomeada de aberração da luz.

Alguém poderia afirmar que as estações do ano decorrem da variação da distância


Terra-Sol, contudo esta pessoa deve lembrar que as estações ocorrem alternadamente
em ambos os hemisférios terrestres. Mesmo que a variação na distância acarrete
pequenas alterações no fluxo de luz solar recebido pela Terra, 6,5% no máximo, não há
consequências maiores para as estações do ano. Quando é Verão no hemisfério sul, a
Terra encontra-se mais próxima do Sol do que quando é Verão no hemisfério norte
(Figura 1.9), mas nem por isso o Verão é mais intenso no hemisfério Sul.

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