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Igualdade Racial no PPA 2024-2027

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Série Planejamento Nacional Agenda Transversal Igualdade Racial

3
Série Planejamento Nacional Agenda Transversal Igualdade Racial

Ficha Técnica

Ministra do Planejamento e Orçamento


Simone Nassar Tebet

Secretário-Executivo
Gustavo José de Guimarães e Souza

Secretário Executivo Adjunto


Márcio Luiz de Albuquerque Oliveira

Secretário de Orçamento Federal


Paulo Roberto Simão Bijos

Secretária de Assuntos Internacionais e Desenvolvimento


Renata Vargas Amaral

Secretário de Monitoramento e Avaliação de Políticas Públicas e Assuntos Econômicos


Sergio Pinheiro Firpo

Secretário de Articulação Institucional


João Victor Villaverde de Almeida

Secretária Nacional de Planejamento


Virgínia de Ângelis Oliveira de Paula

Chefe de Gabinete
Riane Ribeiro Carvalho

Subsecretária de Coordenação do Sistema de Planejamento


Estela Alves de Medeiros

Subsecretário de Planejamento de Longo Prazo


André Luiz Campos de Andrade

Subsecretário de Programas das Áreas Econômicas e Especiais


Hugo Torres do Val

Subsecretário de Programas Sociais, Áreas Transversais e Multissetoriais e Participação Social


Danyel Iório de Lima

Subsecretária de Programas de Infraestrutura e Planejamento Territorial


Flávia Pedrosa Pereira

Assessoria
Ariel Cecilio Garces Pares
Leonel Cerqueira Santos
Vinícius Pereira Andrade

Equipe Técnica de Planejamento Governamental


Alexandre Sergio Piovesan
Alyson Canindé Macedo de Barros
Andréa Costa Magnavita
Andrea Thalhofer Ricciardi
Antônio Paulo Barêa Coutinho

4
Série Planejamento Nacional Agenda Transversal Igualdade Racial

Carlos Tadeu Assumpção de Pinho


César Augusto Assis Mascarenhas de Oliveira
Cristiane Gonzaga Chaves de Carvalho
Cristiano Ordones Portugal
Daniel Souza Coelho
Danielle Cavagnolle Mota
Diego dos Santos Fernandes
Diego Pereira de Oliveira
Dorotea Blos
Erick Fagundes Ribeiro
Fábio Régis Sparremberger
Fabíola de Souza Anacleto
Fabíola Rocha Caires
Ismael Damasceno Pavani
João Carlos Gonçalves Barreto
Josefa de Fátima Araújo Ribeiro
Luciana Machado Teixeira Fabel
Mara Helena Sousa
Marcelo Aguiar Cerri
Márcia Ribeiro Fantuzze Dias
Márcio Gimene de Oliveira
Marco Antonio de Oliveira
Mariana Meirelles Nemrod Guimarães
Paulo França de Oliveira
Pedro Emilio Pereira Teodoro
Priscila Carvalho Soares
Rafael Henrique Cerqueira
Rafael Pereira Torino
Raquel Braga Barreto Sampaio
Ricardo Dislich
Shirley Mafra Holanda Maia
Suiá Kafure da Rocha
Suripongse Naibert Chimpliganond
Tarcísio Henke Fortes
Thomaz Fronzaglia
Valéria Cristina Passos Valentim
Welton Batista de Barros

Estagiários
Ana Caroline de Sousa Santos
Caio Antunes Costa Monteiro Chaves
Eduardo Moreira Araújo
Pamella Dayane Alencar
Sofia Castanheira Saliba

Responsáveis Técnicos
Andréa Costa Magnavita
Bernardo de Almeida Tannuri Laferté
Danielle Cavagnolle Mota
Fábio Régis Sparremberg

5
Série Planejamento Nacional Agenda Transversal Igualdade Racial

Lizandra Serafim
Mariana Meirelles Nemrod Guimarães
Valéria Valentim

Revisão - Equipe Ministério da Igualdade Racial


Ana Cláudia Loureiro
Ana Luísa Coelho Moreira
Ana Míria dos Santos Carvalho Carinhanha
Isadora de Oliveira Silva
Juliana Galindo Romão
Tatiana Dias Silva

Revisão Final, Tradução, Impressão, Diagramação, Criação de Layout e Identidade Visual


TFW Traduções, Serviços Especializados & Sonorização
Crédito das Fotos
[Link]/ Ignacio Carrera - capa
[Link]/ HRTNT Media - páginas 2 e 147
[Link]/ etonastenka - página 16
[Link]/ olga - página 23
[Link]/ StratfordProductions - página 63
[Link]/ Alfazet Chronicles - página 86
[Link]/ Ilgun - página 94
MDA/Carolina Antunes - páginas 111 e 127

Ficha catalográfica elaborada pela Biblioteca do MGI

Agenda transversal : igualdade racial : PPA 2024-2027 / Ministério do


Planejamento e Orçamento, Ministério da Igualdade Racial. – Brasília :
Secretaria Nacional de Planejamento/MPO, 2024.
148 p. : il. – (Série Planejamento Nacional)

1. Plano Plurianual – Brasil – 2024-2027. [Link] racial. 3. Políticas


públicas. 4. Direitos humanos. 5. Desenvolvimento social. 6. Quilombo –
Aspectos socioeconômicos.7. Identidade cultural. I. Brasil. Ministério do
Planejamento e Orçamento. II. Brasil. Ministério da Igualdade Racial.

CDU – 338.26”2024/2027”

6
Série Planejamento Nacional Agenda Transversal Igualdade Racial

Sumário Executivo

No Plano Plurianual (PPA) 2024-2027, o estímulo ao olhar transversal sobre as políticas públicas vem
desde o início das oficinas realizadas para a sua elaboração. Participaram delas tanto autoridades e
técnicos do Ministério da Igualdade Racial, quanto convidados de outros órgãos. As oficinas auxiliaram
na formulação de reflexões mais amplas sobre públicos e temas, assim como sobre as possibilidades
de atendimento e acompanhamento das transversalidades por meio do plano.

Os resultados da identificação e debate sobre as transversalidades na formulação dos programas do PPA


conformaram as agendas transversais, cuja definição elucida seu propósito: "conjunto de atributos que
encaminha problemas complexos de políticas públicas, podendo contemplar aquelas focalizadas em
públicos-alvo ou temas específicos, que necessitam de uma abordagem multidimensional e integrada
por parte do Estado para serem encaminhados de maneira eficaz e efetiva". São cinco as agendas
transversais definidas para o PPA 2024-2027: mulheres, crianças e adolescentes, povos indígenas,
igualdade racial e agenda ambiental. Há atributos em 46 dos 88 programas finalísticos, com 117
objetivos específicos, 239 entregas e 155 medidas institucionais e normativas, sob a responsabilidade
de 22 ministérios que assumiram compromissos relacionados com a agenda de igualdade racial.

Este relatório sistematiza os compromissos do Governo Federal, para os próximos quatro anos, no
combate ao racismo e na promoção da igualdade racial em seis dimensões tratadas aqui: 1) Garantia de
direitos e cidadania plena; 2) Educação e formação para inclusão e empregabilidade; 3) Proteção
e promoção da cultura, história, memória e saberes ancestrais; 4) Direito à terra e à produção; 5)
Políticas para quilombolas; 6) Capacidade institucional, articulação e participação.

A dimensão Garantia de direitos e cidadania plena, capítulo 2, dispõe sobre as ações e serviços
destinados à garantia dos direitos humanos e sociais basilares à cidadania plena. Estão incluídos nesta
dimensão a execução de programas e atributos voltados à promoção equitativa da saúde; educação;
proteção social; segurança alimentar e nutricional; moradia digna; segurança pública; combate ao
racismo; proteção dos direitos de crianças, adolescentes e jovens; inserção da população negra no
mercado de trabalho; geração de renda; e proteção, recuperação e preservação ambiental.

A dimensão Educação e formação para inclusão e empregabilidade, capítulo 3, envolve programas


e atributos que compreendem ações afirmativas voltadas ao aumento da inserção e permanência
da população negra na educação básica e superior, e à ampliação da participação dessa população
no mercado de trabalho. Objetiva-se garantir a inclusão da população negra nas áreas de pesquisa
e desenvolvimento, e a formação de profissionais para inserção e ocupação de postos qualificados
no mercado de trabalho. Há, ainda, políticas públicas voltadas para a redução das desigualdades
sobrepostas e potencializadas pela intersecção de raça, etnia, gênero, deficiência e idade.

A dimensão Proteção e promoção da cultura, história, memória e saberes ancestrais, capítulo 4,


reúne objetivos específicos e entregas que visam assegurar o resgate, a preservação e a valorização
da história, dos saberes e da cultura afro-brasileira, incluindo seus aspectos ancestrais, comunitários,
religiosos, socioculturais, ambientais, econômicos e políticos. Os atributos desta dimensão têm por
objetivo contribuir para a reparação histórica do apagamento da cultura afro-brasileira e promover seu
reconhecimento como estruturante na formação histórica da sociedade e da cultura brasileira.

7
Série Planejamento Nacional Agenda Transversal Igualdade Racial

A dimensão Direito à terra e à produção, capítulo 5, trata da garantia das condições para o bem viver
da população negra no que se refere à sua relação com o território. Está centrada na efetivação do
direito à terra, da proteção dos territórios, da recuperação, conservação e uso sustentável dos recursos
naturais, além da garantia das condições para o desenvolvimento de atividades produtivas no campo
pela população negra, com repartição justa e equitativa de seus resultados.

A dimensão Políticas para quilombolas, capítulo 6, reúne os atributos voltados especificamente


à garantia dos direitos dos povos quilombolas, de vida digna e cidadania, e à promoção do
desenvolvimento e da valorização das comunidades quilombolas no país. Inclui ações voltadas ao
acesso à terra, à infraestrutura e qualidade de vida, à inclusão produtiva e ao desenvolvimento local,
aos direitos e cidadania, à valorização da cultura, às tradições, aos modos de vida e aos conhecimentos
dos povos quilombolas.

A dimensão Capacidade institucional, articulação e participação, capítulo 7, inclui atributos


voltados ao fortalecimento da capacidade de intervenção do Estado na resolução de problemas
públicos enfrentados pela população negra, por meio de serviços e políticas públicas. Nesta dimensão,
estão envolvidos setores do planejamento e órgãos finalísticos que se empenham na produção de
informações, capacitação de gestores públicos, na incorporação da participação social e diversos
processos que entregam melhores resultados à sociedade. Nesta dimensão, constam os atributos
referentes às articulações necessárias para que o Ministério da Igualdade Racial possa cumprir suas
atribuições legais. São quatro os valores e diretrizes relacionados ao aprofundamento da capacidade
institucional: Participação social; Atuação colaborativa; Responsabilidade fiscal e social; e
Excelência na gestão.

8
Série Planejamento Nacional Agenda Transversal Igualdade Racial

Agradecimentos

A toda a Rede de Planejamento do Governo Federal que se empenhou na elaboração do PPA e forneceu
as informações que tornam possíveis publicações como esta.

Ao Banco Interamericano de Desenvolvimento - BID, pela parceria na elaboração e publicação deste


relatório.

Ao Ministério da Igualdade Racial - MIR, que se empenhou na construção e revisão do relatório,


contribuindo com a sua qualidade.

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Série Planejamento Nacional Agenda Transversal Igualdade Racial

Por políticas públicas que reflitam a diversidade do povo


brasileiro

Em um país em que os negros são a maior fatia da população, mas não encontram a mesma proporção
representada em espaços de poder ou mesmo no acesso a direitos básicos como saúde e educação,
ter um orçamento que não apenas incorpore, mas também destaque a questão racial é relevante
e urgente – razões pelas quais o Banco Interamericano de Desenvolvimento parabeniza o governo
brasileiro por lançar esta Agenda Transversal do Plano Plurianual 2024-2027 dedicada à Igualdade
Racial.

Relevante por reconhecer que políticas públicas não são neutras e podem agravar brechas se não forem
intencionais na hora de reconhecê-las. Ou, vendo o copo meio cheio: políticas públicas bem planejadas
e atentas são poderosos instrumentos para induzir a inclusão e a equidade, exatamente a aspiração
deste documento. Trata-se de um trabalho capitaneado pelo Ministério do Planejamento e Orçamento,
com os aportes imprescindíveis também do Ministério da Igualdade Racial, consolidando mais uma
parceria que o BID teve a honra de apoiar.

Já a urgência desta iniciativa, que visa equipar o orçamento e as ações públicas brasileiras de uma
lupa racial, é intrínseca à sua própria natureza: não a implementar equivale ao risco de perpetuar, ou
ao menos alargar, disparidades que, além de constituírem injustiças a parcela relevante da população,
alijam o país de atingir seu potencial pleno de crescimento e desenvolvimento. E quando se trata de
oportunidade de inclusão e de melhora de vidas, qualquer minuto é precioso.

Nesse contexto, unir-se ao governo brasileiro neste esforço é motivo de orgulho para o BID. E mais:
trata-se de um esforço que ecoa nossa estratégia institucional, que tem na redução da pobreza e das
inequidades um de seus objetivos centrais.

Estamos convencidos aqui no BID que este é o momento de transformar intenções em ações concretas,
trabalhando para que todos os brasileiros tenham acesso a oportunidades e recursos. E que esta Agenda
Transversal do Plano Plurianual 2024-2027 dedicada à Igualdade Racial é um instrumento adequado
para que o Brasil, e suas políticas públicas, reflitam a diversidade de seu povo.

Morgan Doyle
Representante do BID no Brasil

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Série Planejamento Nacional Agenda Transversal Igualdade Racial

Apresentação

O desenvolvimento social, definido como a grande prioridade do governo na construção de um país


socialmente mais justo e ambientalmente sustentável, se expressa, fundamentalmente, pela redução
das desigualdades sociais. A promoção da igualdade racial, o enfrentamento, de modo estruturante
e transversal, do racismo e das discriminações são compromissos expressos no PPA 2024-2027. Asse-
gurar a igualdade racial e o respeito à diversidade, garantindo que as diferenças não repercutam em
desigualdades, são desafios inadiáveis para a construção de uma sociedade brasileira justa e pacífica.
Um país que promove a igualdade e a garantia de direitos é um país mais desenvolvido. A intensa par-
ticipação da sociedade no PPA Participativo reflete a democrática construção de um espaço de diálogo
social sobre o orçamento público e o reconhecimento da importância da priorização desta ampla pauta
nas ações do governo nos próximos anos.

Superar esses desafios exige um esforço combinado de enfrentamento de todas as formas de discrimi-
nação e preconceito e de proteção integral da dignidade da população negra, quilombola, povos ciga-
nos, de matriz africana e de terreiros, especialmente no que diz respeito ao direcionamento de recursos
destinados às políticas ativas e ações afirmativas que operem transformações concretas nas trajetórias
de vida destas populações. Transformações que também elevem sua participação nos espaços de po-
der e incidam no plano simbólico, e material, em busca da garantia de dignidade, respeito às poten-
cialidades, à integridade cultural e intelectual, às tradições e à proteção de seus territórios e saberes.

A igualdade racial está explícita em um dos 35 objetivos estratégicos do PPA 2024-2027: “Combater o
racismo e promover a igualdade racial de modo estruturante e transversal”. A população quilom-
bola, central na agenda da igualdade racial, também é destaque neste objetivo específico: "Promover
os direitos dos povos indígenas, quilombolas e populações tradicionais, assegurando vida digna
e cidadania com a valorização da sua cultura, tradições, modos de vida e conhecimentos". Outros
objetivos estratégicos apontam desafios a serem enfrentados pelo governo no âmbito deste tema.

O relatório da Agenda Transversal Igualdade Racial aborda esse desafio, bem como as ações voltadas
à sua superação, a partir de seis dimensões: 1) Garantia de direitos e cidadania plena; 2) Educação e
formação para inclusão e empregabilidade; 3) Proteção e promoção da cultura, história, memória
e saberes ancestrais; 4) Direito à terra e à produção; 5) Políticas para quilombolas; 6) Capacidade
institucional, articulação e participação.

A fim de assegurar a garantia de direitos de forma equitativa na sociedade, é necessário mover estru-
turas e promover a reparação de violações de direitos e a superação de desigualdades históricas
enfrentadas pela população negra. É fundamental garantir a igualdade de acesso a bens e serviços, eli-
minando o racismo em todas as esferas da vida em sociedade. O direito à dignidade é premissa básica,
expresso no acesso à saúde, à educação; nas oportunidades de geração de emprego e renda; na garan-
tia de acesso de qualidade a serviços básicos; na efetivação do direito à posse plena e no usufruto de
terras de uso tradicional quilombola; na proteção dos territórios e na garantia do uso sustentável dos
recursos naturais; na valorização, no resgate e na integridade do patrimônio histórico afro-brasileiro;
no respeito à autonomia sociocultural da população negra; na preservação ambiental; e na valorização
da diversidade cultural dos diferentes modos de vida, organização e formas de produzir.

Lidar com as múltiplas dimensões do desafio posto em relação a essa agenda demanda compromisso
de governo e trabalho em conjunto de diversas pastas e órgãos do Poder Executivo, que elaboram
desde o levantamento de dados até a implementação, monitoramento e avaliação de ações e medidas
que atendam às necessidades dessa população e assegurem uma vida plena, em sua máxima poten-
cialidade.

11
Série Planejamento Nacional Agenda Transversal Igualdade Racial

Nesta publicação, apresenta-se um esforço de organização das informações relativas a esta agenda
transversal, com o objetivo de potencializar as sinergias, de evidenciar as complementaridades e de
promover a cooperação interinstitucional para aperfeiçoar as políticas públicas voltadas a transformar
substancialmente a realidade da população negra brasileira. Como dissemos, a Agenda Transversal
Igualdade Racial está presente em mais da metade dos programas do PPA 2024-2027, 46 do total de
88 programas, - um número que demonstra a prioridade dada pelo Governo Federal a essa pauta, de
maneira central e integrada.

Executados conjuntamente, os programas têm muito mais força para, de maneira coordenada, impac-
tar positivamente a vida dessa população e superar as barreiras que a impedem do alcance pleno dos
direitos humanos fundamentais em nosso país. A transversalidade das políticas públicas eleva a capa-
cidade de resolução de problemas sistêmicos e históricos e de efetividade e eficácia de ações.

A transversalidade se dá com decisões políticas e esforços de gestores e gestoras, sob um modelo ge-
rencial consentâneo. Em 2023, pela primeira vez em sua história, o Brasil vivenciou a criação e a estru-
turação do Ministério da Igualdade Racial, cuja missão é propor políticas de promoção da igualdade
racial, com ênfase na população negra e em outros segmentos étnico-raciais da população brasileira.
A criação do Ministério da Igualdade Racial é uma marca democrática que retoma a construção e co-
ordenação de políticas públicas para essa população, e intensifica o diálogo entre diferentes setores
e entes federativos. O MIR estabeleceu uma intensa agenda no último ano, envolvendo desde articu-
lação com os ministérios e com o Poder Legislativo para a renovação e desenvolvimento de políticas,
até a publicação de atos normativos. Nesse sentido, podemos citar o Pacote pela Igualdade Racial, a
renovação da Lei de Cotas nas universidades, o decreto que exige a presença mínima de 30% de pes-
soas negras na administração pública, o Plano Juventude Negra Viva, o Plano Aquilomba Brasil, dentre
outras políticas.

A Agenda Transversal Igualdade Racial traz o esforço e compromisso do MIR e, também, de outros 21
ministérios, para a consecução de políticas públicas promotoras de equidade. É certo que está em cur-
so uma transformação para que as instituições públicas incorporem a perspectiva de um olhar trans-
versal, que perpassa todas as agendas, por meio da construção de ações específicas e da desagregação
de metas na ação do Estado com especial atenção à população negra.

A constituição da Agenda Transversal Igualdade Racial, detalhada neste documento, com as suas res-
pectivas metas, é um instrumento que expressa como o governo pretende alcançar a equidade racial,
sobretudo considerando a melhoria das condições de vida e dignidade dos grupos minorizados, o que
representa o desenvolvimento social e econômico de todo o país. Trata-se de um instrumento impor-
tante e inédito, que contribuirá para formas específicas de monitoramento, avaliação e aprimoramento
dos serviços prestados, governamentais ou não, inclusive permitindo a percepção de lacunas, sombre-
amentos e dificuldades no desempenho das políticas públicas envolvidas.

O tempo exíguo para a elaboração do PPA foi um desafio adicional na reconstrução do planejamento
no Governo Federal. Contudo, a despeito das limitações existentes, as bases para a busca pela equi-
dade racial no país foram estruturadas ao longo desse processo. Os próximos meses e anos serão de
manutenção do compromisso e de continuidade do esforço para que este PPA conecte orçamento,
transversalidade e políticas pela igualdade, apontando para uma visão de futuro do PPA, construída
também a partir da participação social: “Um país democrático, desenvolvido e ambientalmente sus-
tentável, onde todas as pessoas vivam com qualidade, dignidade e respeito às diversidades”.

Simone Tebet Anielle Franco


Ministra do Planejamento e Orçamento Ministra da Igualdade Racial

12
Série Planejamento Nacional Agenda Transversal Igualdade Racial

SUMÁRIO

1 Introdução ............................................................................................. 16

2 Garantia de direitos e cidadania plena ..................................................... 23


2.1 Promoção da Igualdade Étnico-Racial, Combate e Superação do Racismo – Ministério
da Igualdade Racial ............................................................................................................................24
2.2 Juventude Negra Viva – Ministério da Igualdade Racial .............................................................25
2.3 Políticas para Quilombolas, Comunidades Tradicionais de Matriz Africana, Povos de
Terreiros e Povos Ciganos – Ministério da Igualdade Racial ............................................................27
2.4 Promoção do Trabalho Decente, Emprego e Renda – Ministério do Trabalho e Emprego ....... 28
2.5 Promoção do Acesso à Justiça e da Defesa dos Direitos – Ministério da Justiça e Segurança
Pública .................................................................................................................................................29
2.6 Segurança Pública com Cidadania – Ministério da Justiça e Segurança Pública ..................... 30
2.7 Bolsa Família: Proteção Social por meio da Transferência de Renda e da Articulação de
Políticas Públicas – Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate
à Fome .................................................................................................................................................32
2.8 Proteção Social pelo Sistema Único de Assistência Social (SUAS) – Ministério do
Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome .................................................36
2.9 Segurança Alimentar e Nutricional e Combate à Fome – Ministério do Desenvolvimento e
Assistência Social, Família e Combate à Fome ..................................................................................43
2.10 Estruturação da Política Nacional de Cuidados – Ministério do Desenvolvimento e
Assistência Social, Família e Combate à Fome ..................................................................................43
2.11 Mulher Viver sem Violência – Ministério das Mulheres .............................................................44
2.12 Programa Nacional de Promoção dos Direitos da População em Situação de Rua –
Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania .............................................................................46
2.13 Promoção e Proteção Integral dos Direitos Humanos de Crianças e Adolescentes com
absoluta prioridade - – Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania....................................... 50
2.14 Promoção da Cidadania, Defesa de Direitos Humanos e Reparação de Violações –
Ministério dos Direitos Humanos e Cidadania ..................................................................................53
2.15 Atenção Primária à Saúde – Ministério da Saúde .....................................................................54
2.16 Pesquisa, Desenvolvimento, Inovação, Produção e Avaliação de Tecnologias em Saúde –
Ministério da Saúde ............................................................................................................................55
2.17 Moradia Digna – Ministério das Cidades....................................................................................56
2.18 Periferia Viva – Ministério das Cidades ......................................................................................56
2.19 Esporte para a Vida – Ministério do Esporte ..............................................................................58
2.20 Proteção e Recuperação da Biodiversidade e Combate ao Desmatamento e Incêndios –
Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima ...........................................................................59
2.21 Turismo, esse é o destino – Ministério do Turismo ...................................................................60
2.22 Ciência, Tecnologia e Inovação para o Desenvolvimento Social – Ministério da Ciência,
Tecnologia e Inovação ........................................................................................................................61

13
Série Planejamento Nacional Agenda Transversal Igualdade Racial

3 Educação e formação para inclusão e empregabilidade ............................. 63


3.1 Promoção da Igualdade Étnico-Racial, Combate e Superação do Racismo – Ministério da
Igualdade Racial..................................................................................................................................64
3.2 Juventude Negra Viva – Ministério da Igualdade Racial ............................................................67
3.3 Políticas para Quilombolas, Comunidades Tradicionais de Matriz Africana, Povos de
Terreiros e Povos Ciganos – Ministério da Igualdade Racial .............................................................67
3.4 Promoção do Trabalho Decente, Emprego e Renda – Ministério do Trabalho e Emprego ....... 67
3.5 Autonomia Econômica das Mulheres – Ministério das Mulheres ...............................................72
3.6 Programa Nacional de Promoção dos Direitos da População em Situação de Rua –
Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania .............................................................................73
3.7 Economia Popular e Solidária Sustentáveis – Ministério do Trabalho e Emprego.................... 74
3.8 Educação Básica Democrática, com qualidade e equidade – Ministério da Educação ............76
3.9 Educação Profissional e Tecnológica que Transforma – Ministério da Educação .....................76
3.10 Educação Superior: Qualidade, Democracia, Equidade e Sustentabilidade – Ministério
da Educação ........................................................................................................................................77
3.11 Gestão, Trabalho, Educação e Transformação Digital na Saúde – Ministério da Saúde ......... 82
3.12 Direito à Cultura – Ministério da Cultura ...................................................................................83
3.13 Esporte para a Vida – Ministério do Esporte ..............................................................................83
3.14 Relações Internacionais e Assistência a Brasileiras e Brasileiros no Exterior – Ministério
das Relações Exteriores ......................................................................................................................83
3.15 Consolidação do Sistema Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação – SNCTI – Ministério
da Ciência, Tecnologia e Inovação .....................................................................................................84

4 Proteção e promoção da cultura, história, memória e saberes ancestrais .... 86


4.1 Promoção da Igualdade Étnico-Racial, Combate e Superação do Racismo – Ministério da
Igualdade Racial..................................................................................................................................87
4.2 Políticas para Quilombolas, Comunidades Tradicionais de Matriz Africana, Povos de
Terreiros e Povos Ciganos – Ministério da Igualdade Racial .............................................................88
4.3 Promoção da Cidadania, Defesa de Direitos Humanos e Reparação de Violações –
Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania .............................................................................89
4.4 Igualdade de Decisão e Poder para Mulheres – Ministério das Mulheres ..................................90
4.5 Transformação do Estado para a Cidadania e o Desenvolvimento – Ministério da Gestão e
da Inovação em Serviços Públicos .....................................................................................................90
4.6 Relações Internacionais e Assistência a Brasileiras e Brasileiros no Exterior – Ministério
das Relações Exteriores ......................................................................................................................91
4.7 Direito à Cultura – Ministério da Cultura......................................................................................92
4.8 Juventude: Direitos, Participação e Bem Viver – Presidência da República.............................. 92

5 Direito à terra e à produção ..................................................................... 94


5.1 Promoção da Igualdade Étnico-Racial, Combate e Superação do Racismo – Ministério da
Igualdade Racial..................................................................................................................................95
5.2 Programa Nacional de Promoção dos Direitos da População em Situação de Rua –
Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania .............................................................................96

14
Série Planejamento Nacional Agenda Transversal Igualdade Racial

5.3 Segurança Alimentar e Nutricional e Combate à Fome – Ministério do Desenvolvimento e


Assistência Social, Família e Combate à Fome ..................................................................................96
5.4 Abastecimento e Soberania Alimentar – Ministério do Desenvolvimento Agrário e
Agricultura Familiar ............................................................................................................................98
5.5 Periferia Viva – Ministério das Cidades ...................................................................................... 100
5.6 Pesca e Aquicultura Sustentáveis – Ministério da Pesca e Aquicultura ................................... 101
5.7 Bioeconomia para um Novo Ciclo de Prosperidade – Ministério do Meio Ambiente e
Mudança do Clima ............................................................................................................................101
5.8 Agricultura Familiar e Agroecologia – Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura
Familiar .............................................................................................................................................. 107
5.9 Neoindustrialização, Ambiente de Negócios e Participação Econômica Internacional –
Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços ................................................... 110

6 Políticas para quilombolas .................................................................... 111


6.1 Políticas para Quilombolas, Comunidades Tradicionais de Matriz Africana, Povos de
Terreiros e Povos Ciganos – Ministério da Igualdade Racial ........................................................... 112
6.2 Educação Básica Democrática, com qualidade e equidade – Ministério da Educação .......... 113
6.3 Governança Fundiária, Reforma Agrária e Regularização de Territórios Quilombolas e de
Povos e Comunidades Tradicionais – Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura
Familiar .............................................................................................................................................. 118
6.4 Neoindustrialização, Ambiente de Negócios e Participação Econômica Internacional –
Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços ................................................... 126

7 Capacidade institucional, articulação e participação ............................... 127


7.1 Promoção da Igualdade Étnico-Racial, Combate e Superação do Racismo – Ministério da
Igualdade Racial................................................................................................................................ 128
7.2 Juventude Negra Viva - Ministério da Igualdade Racial............................................................ 131
7.3 Políticas para Quilombolas, Comunidades Tradicionais de Matriz Africana, Povos de
Terreiros e Povos Ciganos – Ministério da Igualdade Racial ........................................................... 132
7.4 Inclusão de Famílias em Situação de Vulnerabilidade no Cadastro Único e Produção de
Informações e Conhecimento para políticas sociais – Ministério do Desenvolvimento e
Assistência Social, Família e Combate à Fome ................................................................................ 133
7.5 Proteção Social pelo Sistema Único de Assistência Social – SUAS - Ministério do
Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome ............................................... 135
7.6 Promoção do Trabalho Decente, Emprego e Renda – Ministério do Trabalho e Emprego ..... 136
7.7 Programa Nacional de Promoção dos Direitos da População em Situação de Rua –
Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania ........................................................................... 138
7.8 Gestão, Trabalho, Educação e Transformação Digital na Saúde - Ministério da Saúde .......... 139
7.9 Vigilância em Saúde e Ambiente - Ministério da Saúde............................................................ 141
7.10 Ciência, Tecnologia e Inovação para o Desenvolvimento Social – Ministério da Ciência,
Tecnologia e Inovação ...................................................................................................................... 144
7.11 Comunicações para Inclusão e Transformação – Ministério das Comunicações .................. 144
7.12 Planejamento e Orçamento para o Desenvolvimento Sustentável e Inclusivo – Ministério
do Planejamento e Orçamento ........................................................................................................ 145

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Série Planejamento Nacional Agenda Transversal Igualdade Racial

16
Série Planejamento Nacional Agenda Transversal Igualdade Racial

1 Introdução

Virgínia de Ângelis
Roberta Eugênio
Ana Míria Carinhanha

O ano de 2023 marcou a reconstrução do planejamento no Brasil. Após um período em que a tarefa
de planejar foi praticamente reduzida ao mínimo legal, com forte enfraquecimento do principal
instrumento de planejamento do país, previsto no Art. 165 da Constituição Federal, o Plano Plurianual, a
recriação do Ministério do Planejamento e Orçamento (MPO) e da Secretaria Nacional de Planejamento
(Seplan) permitiram a ampliação da criação de oportunidades para inovações, que de fato ocorreram
no PPA 2024-2027. O robustecimento e a criação em lei de uma camada estratégica, com indicadores-
chave nacionais; foco nos resultados, com métricas em todas as camadas e uso de modelo lógico;
participação social, em parceria com a Secretaria-Geral da Presidência da República; aumento da
regionalização das metas e entregas; e estabelecimento de prioridades a partir do centro de governo e
do intenso processo participativo são algumas delas.

A indução do processo de transversalidade das políticas públicas ex ante, já na Lei do PPA, e não ex post,
como ocorreu em PPAs anteriores, foi outra inovação relevante, fixada na metodologia que conduziu
todo o processo de planejamento. Nos termos da Lei nº 14.802, de 10 de janeiro de 2024, a agenda
transversal consiste em um:

Conjunto de atributos que encaminha problemas complexos de políticas públicas,


podendo contemplar aquelas focalizadas em público-alvo ou temas específicos, que
necessitam de uma abordagem multidimensional e integrada por parte do Estado para
serem encaminhadas de maneira eficaz e efetiva.

As agendas transversais estabelecidas na lei e constantes do Anexo V do PPA são: crianças e adolescentes;
mulheres; igualdade racial; povos indígenas e meio ambiente. Elas foram elaboradas nas 125 oficinas de
construção do Plano Plurianual 2024-2027, desenvolvidas em 716 horas e que envolveram um público
de mais de 4.400 servidores e funcionários dos ministérios e seus órgãos vinculados a partir desses
púbicos-alvo ou temas específicos. Um trabalho coletivo e colaborativo, cujo resultado é a marcação
dos atributos que integram, entre outras, esta agenda Igualdade Racial, descritos mais adiante.

O primeiro objetivo da marcação das entregas e resultados referentes à Agenda Transversal Igualdade
Racial é poder construir, pela primeira vez, um mapa geral dessas ações. O mapa permite pensar
em outras formas de integração de políticas, sobreposições de entregas e pontos nos quais é preciso
ter maior cobertura ou, ainda, outros tipos de políticas. Posteriormente, o mapeamento das ações
dos demais entes federativos poderá ser feito para complementação da carteira de políticas para a
promoção da igualdade racial.

O segundo objetivo do acompanhamento dos atributos dessa agenda é dar transparência ao que
o Governo Federal está construindo e entregando para a sociedade no que diz respeito à promoção
da igualdade racial, combate ao racismo e vida digna para a população negra, quilombola, de matriz
africana, de terreiros e ciganos. Os indicadores acompanhados servem para alimentar o processo de
monitoramento e avaliação das políticas, governamental ou não, para que seja possível ajustá-las da

17
Série Planejamento Nacional Agenda Transversal Igualdade Racial

melhor forma possível.

O terceiro objetivo é o de avançar na forma de governança da agenda. Isto é, definir responsáveis e


atores relevantes que, por meio de projetos e atividades, criem métodos e instrumentos que possibilitem
a transversalidade das políticas públicas que envolvam a população negra, de modo que os resultados
das ações do Governo Federal impactem todos os campos a vida dessa população.

A provocação sobre a reflexão referente às transversalidades se deu já no primeiro ciclo de oficinas


de construção do Plano Plurianual (PPA), realizado em abril de 2023, quando foram definidos
quais seriam os programas coordenados por cada ministério (primeiro ciclo). No segundo ciclo de
oficinas, ocorrido entre maio e junho de 2023, quando foram discutidos os atributos que comporiam
os programas - objetivos específicos, indicadores e metas, os demais órgãos interessados foram
convidados a participar para destacar o que era mais importante para os públicos ou os temas que
representavam. Assim, puderam enriquecer a discussão e as possibilidades de atendimento de seus
objetivos e acompanhamento de resultados específicos.

Em seguida, quando os órgãos se encontravam na etapa de alimentar o Sistema Integrado de


Planejamento e Orçamento (SIOP), preenchendo as metas dos seus objetivos específicos e as entregas
(por vezes com metas específicas para os públicos das agendas transversais), foram instigados a marcar
os atributos de seus programas que diziam respeito às cinco agendas inicialmente definidas.

Após essa etapa, considerando o tempo exíguo para cumprir as tarefas para a entrega do PPA, parte da
equipe da Secretaria Nacional de Planejamento (SEPLAN) do Ministério do Planejamento e Orçamento
(MPO) envolveu-se na revisão da marcação das agendas, utilizando-se dos seguintes critérios:

1. Inclusão de todos os atributos dos programas dos órgãos responsáveis pelo tema
da agenda: Os três programas do Ministério da Igualdade Racial foram integralmente
selecionados para compor a agenda Igualdade Racial.

2. Inclusão de objetivo específico e entregas relacionados aos públicos em questão:


crianças e adolescentes; mulheres; população negra; quilombolas; povos e comunidades
tradicionais; e povos indígenas.

3. Busca por palavras-chaves no enunciado dos objetivos específicos, entregas ou


medidas institucionais e normativas pertinentes às agendas. No caso da igualdade
racial, buscaram-se as seguintes palavras ou fragmentos de palavras: racial; raça; negr;
quilombola, povos e comunidades tradicionais, população negra, étnico-racial, ciganos,
matriz africana, entre outras.

4. Justificativa de mérito: o público-alvo é composto mais do que proporcionalmente por


um dos grupos que compõem as agendas transversais ou o atributo possui resultados
que resolvem problemas específicos do grupo. Por exemplo: o Programa Bolsa Família:
Proteção Social por meio da Transferência de Renda e da Articulação de Políticas Públicas.

Além dos atributos identificados na programação, outros aspectos do Plano, constantes da dimensão
estratégica merecem destaque pela sua aderência a esta agenda. Entre os valores e as diretrizes
dessa dimensão, consta a diretriz de diversidade e justiça social, relacionada diretamente à Agenda
Transversal aqui tratada:

18
Série Planejamento Nacional Agenda Transversal Igualdade Racial

• Fortalecer a equidade de gênero, raça e etnia, com respeito à orientação sexual e inclusão
de pessoas com deficiência; promover a redução das desigualdades sociais e regionais.

No que diz respeito aos Objetivos Estratégicos, um deles está diretamente relacionado a esta Agenda
Transversal no Eixo 1 - Desenvolvimento social e garantia de direitos:

• Combater o racismo e promover a igualdade racial de modo estruturante e transversal.

Para este objetivo estratégico foram selecionados três indicadores e estabelecidas metas, cujos gráficos
e justificativas de seleção encontram-se a seguir.

Segundo dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (Infográfico: A Violência contra Pessoas
Negras no Brasil 2022)1, 408.605 pessoas negras foram assassinadas na década entre 2012-2022, o que
representa 72% dos homicídios do país no referido período. Ainda com base nos dados mencionados,
no mesmo decênio, a taxa de homicídios de pessoas brancas caiu 26,5%, enquanto a taxa de homicídios
de pessoas negras cresceu 7,5%. A publicação ainda revela que, no ano de 2021, a cada 100 pessoas
assassinadas no Brasil, 78 eram negras, o que sinaliza uma tendência de crescimento nos dados da
violência letal contra a população negra. Diante dessa realidade, um dos indicadores-chave nacionais
definidos para o PPA 2024-2027 é a taxa de homicídios de negros.

Gráfico 1 – Taxa de homicídios de negros

Limite superior Limite inferior


50
45
40 Ano base (2022)
31,00
35
31,00
30
25 25,94
20
15
10
5
0
Fonte: Ipea. Projeções MPO, com base em estimativas do Ipea.
2012

2013

2014

2015

2016

2017

2018

2019

2020

2021

2022

2023

2024

2025

2026

2027

O gráfico seguinte apresenta a razão entre o rendimento médio do trabalho de brancos e o rendimento
médio do trabalho dos negros. Estudos do IBGE (2018)2 apontam que as pessoas de cor ou raça

1 FÓRUM Brasileiro de Segurança Pública. Infográfico: a violência contra pessoas negras no Brasil 2022. Disponível em:
[Link] .
2 INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA (IBGE). Desigualdades sociais por cor ou raça no Brasil. IBGE. Rio de

Janeiro. 2019. Disponível em [Link] .

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Série Planejamento Nacional Agenda Transversal Igualdade Racial

preta ou parda constituem a maior parte da força de trabalho, representando 25,2% a mais do que a
população branca. Apesar disso, representam 2/3 dos desocupados e dos subutilizados. No trabalho
informal, a participação de pessoas brancas é 34,6%, proporção que salta para 47,6% quando se trata
da população negra. Já nos cargos gerenciais, 68,6% são ocupados por brancos(as) em contraposição
aos 29,9% ocupados por negros(as). Diante desse cenário, o indicador chave nacional relacionado à
razão entre o rendimento médio do trabalho de brancos e o rendimento médio do trabalho de negros
também compõe a camada estratégica do PPA.

Gráfico 2 – Razão entre o rendimento médio do trabalho de brancos e o


rendimento médio do trabalho dos negros
Limite superior Limite inferior
2,0

1,8

1,63
1,6 Ano base (2021)
1,72
1,4 1,43

1,2

1,0

0
2012

2013

2014

2015

2016

2017

2018

2019

2020

2021

2022

2023

2024

2025

2026

2027
Fonte: Síntese de indicadores sociais/IBGE. Projeções MPO, com base em estimativas do Ipea.

Ainda na camada estratégica do PPA, tem-se como indicador-chave nacional a razão entre as taxas de
frequência líquida de brancos e de negros no ensino superior. Em que pesem as políticas de inclusão
da população negra no Ensino Superior, como a Lei de Cotas nas Universidades Federais e Institutos
Federais, que instituiu a reserva de vagas para estudantes de distintos grupos vulneráveis, incluindo
negros(as), apenas 38,15% do total de matriculados no ensino superior são pessoas negras3, percentual
ainda abaixo de sua representatividade no conjunto nacional.

3 Levantamento realizado pelo site Quero Bolsa, entre os anos de 2010 a 2019. Disponível em: [Link]
revista/por-que-os-estudantes-negros-sao-os-maisafetados-pela-pandemia

20
Série Planejamento Nacional Agenda Transversal Igualdade Racial

Gráfico 3 – Razão entre as taxas de frequência líquida de brancos e de


negros no ensino superior, 18 a 24 anos

Limite superior Limite inferior


3,00

2,50 Ano base (2022)


1,93
2,00 1,91

1,50 1,51

1,00

0,50

0
2012

2013

2014

2015

2016

2017

2018

2019

2020

2021

2022

2023

2024

2025

2026

2027
Fonte: Inep/MEC. Projeções MPO, com base em estimativas do Ipea.

Ao todo, a Agenda Transversal Igualdade Racial possui 117 objetivos específicos a ela vinculados,
assim como 239 entregas e 155 medidas institucionais e normativas, integrantes de 46 dos 88
programas. No âmbito dos objetivos específicos, a linha de base do seu indicador e as metas ano
a ano, regionalizadas quando possível, podem ser conferidas no Anexo V do PPA. A proposta deste
relatório é destacar aqueles objetivos específicos notadamente vinculados à agenda, visando
facilitar a compreensão do conjunto das iniciativas do Governo Federal planejadas para promover
a igualdade racial no país.

Além disso, neste relatório constam as entregas e as medidas institucionais que se encontram na
camada gerencial4, sob o guarda-chuva de algum programa ou algum objetivo específico, a partir
das quais fica mais fácil perceber a vinculação da Agenda Transversal de Igualdade Racial com o
atributo da camada legal identificado. Quando os itens com impacto mais claro na agenda são as
entregas, essas são escolhidas para serem destacadas em gráficos. A regionalização das metas, por
vezes, também é demonstrada.

O impacto proveniente do processo de participação da sociedade no PPA relativos a esta agenda


também é destacado. No processo de PPA Participativo, foram recebidas 21 propostas relacionadas
à igualdade racial. Destas, 12 são provenientes da Plataforma Brasil Participativo e 9 do Fórum
Interconselhos. Todas as 21 propostas foram incorporadas ao PPA. Dentre estas, apenas 2 tiveram
incorporação condicionada e 6 foram parcialmente incorporadas5.

As seções que se seguem foram organizadas em seis dimensões identificadas pelo Ministério da
Igualdade Racial: 1) Garantia de direitos e cidadania plena; 2) Educação e formação para inclusão
e empregabilidade; 3) Proteção e promoção da cultura, história, memória e saberes ancestrais; 4)

4 Publicada posteriormente à aprovação do PPA.


5 Mais de 300 votos ou proposta vinda do Interconselhos é o critério utilizado para marcação “PPA Participativo” para o
monitoramento das propostas vindas da sociedade.

21
Série Planejamento Nacional Agenda Transversal Igualdade Racial

Direito à terra e à produção; 5) Políticas para quilombolas; 6) Capacidade institucional, articulação


e participação.

Percebe-se elevada complementaridade no trabalho dos órgãos. Nas questões relacionadas ao


direito à terra e à produção, por exemplo, o Ministério da Igualdade Racial (MIR) trabalha junto com
o Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), o Ministério do Meio Ambiente e Mudança Climática
(MMA), entre outros. No caso da dimensão de garantia de direitos e cidadania plena, estão envolvidos,
além do MIR, o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS),
o Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC), o Ministério da Saúde (MS), o Ministério da
Educação (MEC), entre outros.

O desafio da integração das políticas públicas não é novo. O Brasil já acumulou experiências em
agendas transversais para esse público, a exemplo do PPA 2012-2015 e do PPA 2016-2019.

No PPA 2012-2015, as agendas transversais focaram em apresentar “formas alternativas de


organização das informações contidas no Plano, que permitem apreender a ação planejada para
assuntos que estão dispersos nos programas temáticos, fazendo uso da maior capacidade do PPA
2012-2015 de revelar os compromissos de governo para os públicos específicos. São, desse modo,
uma referência, outra perspectiva, para o seu monitoramento” (Brasil, 2014: 9)6.

Já no PPA 2016-2019, as agendas transversais do PPA se apresentaram como “recortes transversais


de seus atributos onde são agregados os Programas, Objetivos, Metas e Iniciativas relacionados a
um público (como povos indígenas, criança e adolescente, LGBT, entre outros) ou temática específica
(como usos múltiplos da água, economia solidária)”, que “permite a agregação de ações antes
dispersas no plano em um locus comum, permitindo entender como determinado tema transversal
é tratado no plano como um todo” (Brasil, 2018)7.

A construção da Agenda Transversal Igualdade Racial no PPA 2024-2027 retoma o olhar transversal
sobre o desafio histórico do Estado brasileiro de verdadeiramente incluir e atender as pessoas negras,
assegurando-lhes os direitos e as garantias da Constituição Cidadã de 1988. Esse relatório retrata
o início de um processo que segue se desenvolvendo e assim seguirá ao longo dos próximos anos,
materializando-se na implementação de ações concretas.

A transformação da realidade para a população negra no Brasil depende será fundamentalmente de


um novo modo de se pensar as políticas públicas e do esforço coordenado dos diversos órgãos com
iniciativas. A Agenda Transversal de Igualdade Racial constitui-se não apenas instrumento norteador
desse processo, mas também importante ferramenta para o monitoramento e a avaliação das ações ao
longo da vigência do PPA.

6 Brasil, 2014 “Plano Mais Brasil PPA 2012-2015: agendas transversais – monitoramento participativo: ano base 2013”.
Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão, Secretaria de Planejamento e Investimento Estratégico; Secretaria-Geral
da Presidência da República, Secretaria Nacional de Articulação Social - Brasília: Ministério do Planejamento, Orçamento
e Gestão/SPI, 2014. Disponível em: [Link]
secretarias/arquivo/spi-1/ppa-1/arquivos/170331_SumrioExecutivo_AnoBase2013.pdf. Acesso em 22/10/2023.
7 Brasil, 2018; “Agendas ODS no SIOP Relatório Anual de Monitoramento Ano-base 2017”. Ministério do Planejamento,
Orçamento e Gestão, Secretaria de Planejamento e Investimento Estratégico; Secretaria-Geral da Presidência da República,
Secretaria Nacional de Articulação Social - Brasília: Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão/SPI, 2018. Disponível em:
[Link]
2019/ppa-2016-2019 Acesso em 22/10/2023.

22
Série Planejamento Nacional Agenda Transversal Igualdade Racial

23
Série Planejamento Nacional Agenda Transversal Igualdade Racial

2 Garantia de direitos e cidadania plena

A dimensão Garantia de direitos e cidadania plena dispõe sobre as políticas públicas e ações do Go-
verno Federal destinados à garantia dos direitos humanos e sociais basilares à cidadania plena, incluin-
do-se o enfrentamento ao racismo e a todas as demais formas de violência, exclusão, discriminação e
preconceito.

Nesta dimensão de garantia de direitos e cidadania, o PPA 2024-2027 contempla um conjunto de po-
líticas públicas que convergem para garantia de direitos e cidadania plena. É o caso das políticas des-
tinadas ao combate à fome, à pobreza e à redução das desigualdades sociais. Esta dimensão inclui,
ainda, políticas destinadas a aumentar e a qualificar o acesso à saúde, à educação, à assistência social,
à moradia digna, ao esporte, à segurança alimentar e nutricional, e à justiça; políticas voltadas à in-
serção da população negra no mercado de trabalho e à geração de renda; ações que visam a redução
da violência, que acomete desproporcionalmente essa população e atributos voltados à proteção, à
recuperação e à preservação ambiental. Ressalte-se que mulheres, crianças, adolescentes, jovens e
população em situação de rua são os públicos prioritários das temáticas mencionadas.

2.1 Promoção da Igualdade Étnico-Racial, Combate e Superação do Racismo


– Ministério da Igualdade Racial
O programa Promoção da Igualdade Étnico-Racial, Combate e Superação do Racismo visa promo-
ver a igualdade étnico-racial e combater o racismo, por meio da formulação, execução, articulação,
monitoramento, governança interfederativa e avaliação de políticas públicas transversais, interseto-
riais e afirmativas de reconhecimento e de acesso a bens e direitos, com vistas a assegurar o bem-viver,
instituições antirracistas e uma sociedade justa, equitativa e democrática.

2.1.1 Criar ferramentas nacionais de recebimento e encaminhamento de denúncias de


racismo

A meta deste objetivo específico é instituir 3 ferramentas com amplitude nacional para recebimento,
encaminhamento e tratamentos de denúncias de racismo até o ano de 2025. As ferramentas a serem
criadas são: o ChatBot, para denúncias por meio de mensagens; o FalaBr, para denúncias de racismo
em instituições públicas; e o Disque 138, para denúncia por meio telefônico.

Adicionalmente, pretende-se instituir um protocolo com entes do Governo Federal, para encaminha-
mento de casos de racismo institucional identificados na administração pública federal e nos serviços
públicos.

2.1.2 Estabelecer programa de combate ao racismo no esporte

A entrega Formação antirracista para agentes do ecossistema dos esportes, com a meta de formar
400 agentes do ecossistema dos esportes até o final de 2027, colaborará para o combate ao racismo.

Entre as medidas institucionais vinculadas a este objetivo específico, destaca-se a elaboração do Pro-
grama Nacional de Combate ao Racismo no Esporte.

24
Série Planejamento Nacional Agenda Transversal Igualdade Racial

2.1.3 Ampliar o número de municípios com a Política Nacional de Saúde Integral da Popula-
ção Negra implantada e implementada

Este objetivo volta-se a promover a implementação da Política Nacional de Saúde Integral da Popu-
lação Negra nos municípios, por meio de oficinas formativas, campanhas e monitoramento. A meta
relativa a este objetivo específico é a implementação da Política em 40 municípios selecionados dentre
aqueles que concentram as mortes de jovens negros por agressão intencional.

2.2 Juventude Negra Viva – Ministério da Igualdade Racial

Este programa incorpora a proposta “Plano Juventude Negra Viva”, que obteve 1.783 votos
na Plataforma Brasil Participativo – o quarto mais votado da agenda de igualdade racial no
processo de PPA Participativo.

Neste programa, o objetivo é ampliar o acesso da juventude negra a direitos fundamentais, por meio
de políticas públicas multissetoriais para garantir a vida, a dignidade e as perspectivas de futuro desta
população, com ênfase no acesso à justiça e segurança pública, geração de trabalho, emprego e renda,
educação, saúde, democratização do acesso à cultura e à ciência e tecnologia e direito à cidade e valo-
rização dos territórios.

2.2.1 Promover a Saúde da Juventude Negra

Este objetivo específico visa fortalecer e ampliar a integralidade da saúde da juventude negra de ma-
neira interseccional. Por meio da realização de ações de promoção da saúde da juventude negra, prio-
ritariamente nos municípios que concentram as violências por agressões intencionais, busca-se a redu-
ção das vulnerabilidades, em especial as resultantes de violência letal.

2.2.2 Territorializar a atenção aos Direitos Humanos para a Juventude Negra em territórios
periféricos

Este objetivo específico volta-se à promoção da educação em Direitos Humanos com enfoque no en-
frentamento ao racismo, em territórios vulneráveis com alta taxa de violência contra a juventude ne-
gra. Para tanto, o Governo Federal vai monitorar a quantidade de municípios que tenham aderido ao
Programa Integrado e Multissetorial de Serviço de Atenção aos Direitos Humanos da Juventude Negra.

25
Série Planejamento Nacional Agenda Transversal Igualdade Racial

Gráfico 4 – Quantidade de municípios que tenham aderido ao Programa Integrado e


Multissetorial de Serviço de Atenção aos Direitos Humanos da Juventude Negra

44

43
43

42

41
41

40
40

39
39

38

37
2024 2025 2026 2027
Obs.: Implementação nos 163 municípios que concentram 50% das mortes por agressões intencionais, segunda o Data/Sus/
SIM 2021, tendo em vista o objetivo da redução das vulnerabilidades que afetam a juventude negra, em especial a violência
letal.
Fonte: SIOP.

Integra esse objetivo específico a entrega Formação de agentes jovens negros multiplicadores na
promoção dos Direitos Humanos e Enfrentamento ao Racismo, cuja meta é a formação de 2.000
jovens negras e negros como multiplicadores territoriais ao longo de 2024. Os agentes territoriais serão
replicadores das formações recebidas acerca da garantia de direitos para o bem viver da população
negra jovem, bem como exercerão papel de controle social para o monitoramento da implementação
local das políticas públicas para a juventude negra.

2.2.3 Ampliar os projetos de incentivo ao esporte amador destinado à juventude negra nas
periferias urbanas, periurbanas e em territórios rurais

Apoiar, ao longo do PPA, 30 projetos de esporte para a juventude negra em áreas de periferias urbanas,
periurbanas e em territórios rurais de municípios que concentram as mortes causadas por agressão é a
meta da entrega Projetos de esporte para a juventude negra.

26
Série Planejamento Nacional Agenda Transversal Igualdade Racial

Gráfico 5 – Projetos de esporte no rol de 163 municípios que concentram 50% das
mortes por agressões intencionais, segunda o Data/Sus/SIM 2021

12

10 10
10

6
5 5
4

0
2024 2025 2026 2027
Fonte: SIOP.

2.2.4 Ampliar mecanismos de letramento racial para a segurança pública com cidadania,
com foco na proteção da vida dos jovens negros vítimas de violação de direitos

Pretende-se, nesse objetivo específico, reduzir a violência letal contra juventude negra por meio da di-
fusão do letramento racial. Coerente a isso, a entrega Formações para agentes da Segurança Pública
possui como meta apoiar 500 ações de letramento racial até 2027.

2.3 Políticas para Quilombolas, Comunidades Tradicionais de Matriz Africa-


na, Povos de Terreiros e Povos Ciganos – Ministério da Igualdade Racial
O Programa Políticas para Quilombolas, Comunidades Tradicionais de Matriz Africana, Povos de
Terreiros e Povos Ciganos, de responsabilidade do Ministério de Igualdade Racial, tem por objetivo
promover o acesso a direitos para quilombolas, para comunidades tradicionais de matriz africana, para
povos de terreiro e para povos ciganos, por meio de políticas públicas que assegurem o acesso à justiça
e a recursos hídricos, energéticos, alimentares e de infraestrutura de saneamento; o reconhecimento
de seus modos de vida, de seus saberes, de sua cultura e de seus territórios; o enfrentamento à discri-
minação étnica, racial e religiosa; a reparação; o etnodesenvolvimento; e a regularização fundiária.

No âmbito deste programa, destacam-se as seguintes medidas institucionais e normativas:

• Indicar famílias e Comunidades Quilombolas e Ciganas que não têm acesso à energia para
inclusão no Programa Energia Elétrica de universalização do acesso;

• Indicar famílias das Comunidades Quilombolas e Comunidades e Acampamentos Ciganos


para implementação de energia limpa como a Energia Solar;

• Indicar as comunidades quilombolas, comunidades tradicionais de matriz africana, povos


de terreiros e povos ciganos prioritários para instalação de internet;

• Indicar comunidades quilombolas, comunidades tradicionais de matriz africana, povos de


terreiros e povos ciganos para o Programa Moradia Digna Rural.

27
Série Planejamento Nacional Agenda Transversal Igualdade Racial

2.3.1 Criar mecanismos de identificação e de enfrentamento à violência e à discriminação


contra quilombolas, povos e comunidades tradicionais de matriz africana, povos de terrei-
ros e ciganos

Por meio da entrega Insumos para reparação a povos e comunidades de terreiro vítimas de ra-
cismo religioso, o Ministério da Igualdade Racial, pretende-se entregar insumos e equipamentos,
contribuindo com os povos e comunidades de terreiro para a recuperação de danos materiais causados
por atos de racismo religioso. Espera-se conceder, anualmente, 3 insumos voltados a contribuir com
a reparação a atos de racismo religioso contra povos e comunidades de terreiro de modo a auxiliar a
restituição pelos danos físicos sofridos.

2.4 Promoção do Trabalho Decente, Emprego e Renda – Ministério do Traba-


lho e Emprego
São objetivos deste Programa “Assegurar o trabalho decente, o acesso ao emprego e renda, proteção
social e remuneração justa, garantindo segurança e saúde no trabalho, diálogo social, inclusão, aces-
sibilidade e equidade no mundo do trabalho”. Ressalta-se, especificamente, o empenho para mitigar o
problema da exploração do trabalho infantil.

2.4.1 Retirar crianças e adolescentes de situação de trabalho infantil

Trata-se de um objetivo específico dedicado às ações de mitigação da exploração do trabalho infantil,


prática que consiste em uma grave violação aos direitos fundamentais de crianças e adolescentes e é
vedada por disposição Constitucional (Art. 7°, Inciso XXXIII). Além disso, o Brasil assumiu compromissos
internacionais relacionados com a erradicação do trabalho infantil. A Inspeção do Trabalho historica-
mente tem atuado para a retirada de crianças e adolescentes de situação de trabalho infantil e apresen-
ta-se como uma das políticas públicas mais importantes para o enfrentamento desse problema.

Gráfico 6 – Crianças e adolescentes afastados da situação de trabalho infantil por


meio da fiscalização

12.000

10.000
10.000

8.000 7.350

6.000
4.800
4.000
2.350
2.000

0
2024 2025 2026 2027
Fonte: SIOP.

28
Série Planejamento Nacional Agenda Transversal Igualdade Racial

Neste objetivo, insere-se a entrega Ações fiscais efetivas para o combate ao trabalho infantil am-
pliadas, cuja meta é a realização de 8.000 ações fiscais com constatação de trabalho infantil ao longo
do PPA.

Adicionalmente, por meio da entrega Crianças e adolescentes retirados nas piores formas de traba-
lho infantil, pretende-se elevar, até 2027, para 75% a proporção de crianças e adolescentes afastadas
de atividades que colocam em risco a saúde e a integridade física em relação ao total de crianças e
adolescentes afastados do trabalho infantil8.

Por fim, por intermédio da entrega Capacitação Ensino à Distância – EAD sobre trabalho infantil
elaborada e disponibilizada na Escola Nacional da Inspeção do Trabalho – ENIT para integrantes
de organizações governamentais e não governamentais, espera-se sensibilizar e informar sobre os
aspectos gerais do trabalho infantil, contribuindo para sua prevenção e erradicação. A meta dessa en-
trega é a disponibilização de 3 capacitações EAD ao longo do PPA.

2.5 Promoção do Acesso à Justiça e da Defesa dos Direitos – Ministério da


Justiça e Segurança Pública

Este Programa incorpora a proposta “Fortalecimento da garantia de direitos”, proveniente do


Fórum Interconselhos, no processo de PPA Participativo.

O Governo Federal busca, por meio deste programa, aperfeiçoar o acesso à justiça, bem como fomen-
tar e salvaguardar os direitos das pessoas, com uma atenção especial àquelas que se encontram em
situações de vulnerabilidade. Esse esforço tem o propósito de estabelecer um ambiente mais inclusivo,
equitativo e imparcial, sublinhando a proteção dos direitos fundamentais, a promoção da igualdade
e equidade, a efetividade da justiça, a resolução pacífica dos conflitos, o combate à impunidade e o
fortalecimento da confiança na justiça.

2.5.1 Ampliar o atendimento das defensorias com foco nos grupos vulnerabilizados em es-
pecial mulheres, população negra, população LGBTQIA+, povos indígenas e comunidades
tradicionais

Este objetivo específico visa à implantação de polos para atendimento das defensorias públicas, com-
postos por núcleos ecológicos das defensorias e unidades móveis que permitirão atuação itinerante,
com o deslocamento de defensores para locais de difícil acesso.

8 Artigo 3º da Convenção 182 da Organização Internacional do Trabalho - OIT:


Para os fins da Convenção, a expressão as piores formas de trabalho infantil compreende:
a) todas as formas de escravidão ou práticas análogas à escravidão, como venda e tráfico de crianças, sujeição por dívida,
servidão, trabalho forçado ou compulsório, inclusive recrutamento forçado ou obrigatório de crianças para serem utilizadas
em conflitos armados;
b) utilização, demanda e oferta de criança para fins de prostituição, produção de pornografia ou atuações pornográficas;
c) utilização, recrutamento e oferta de criança para atividades ilícitas, particularmente para a produção e tráfico de
entorpecentes conforme definidos nos tratados internacionais pertinentes;
d) trabalhos que, por sua natureza ou pelas circunstâncias em que são executados, são suscetíveis de prejudicar a saúde, a
segurança e a moral da criança.”
Disponível em: [Link] Acesso em 04/04/2024.

29
Série Planejamento Nacional Agenda Transversal Igualdade Racial

Gráfico 7 – Quantidade de polos de atendimento implantados nas comarcas estaduais

90
80
80

70
60
60
50
40
40

30
20
20
10
0
2024 2025 2026 2027
Fonte: SIOP.

2.6 Segurança Pública com Cidadania – Ministério da Justiça e Segurança


Pública
O fortalecimento da prevenção e do enfrentamento à violência e à criminalidade, com foco na promo-
ção da segurança pública cidadã, humanizada e integrada, e com atenção especial à proteção de gru-
pos sociais vulneráveis, é uma medida de extrema importância para construir um futuro mais seguro,
igualitário e justo para todos os cidadãos. Por meio da integração entre governos, colaboração com
a sociedade e foco na proteção dos mais vulneráveis, busca-se alcançar um ambiente onde todos os
cidadãos possam viver com tranquilidade e dignidade.

2.6.1 Promover a segurança cidadã e a cultura de paz, com foco na prevenção da violência
contra grupos de pessoas vulneráveis

O indicador que acompanha esse objetivo específico é o de percepção do risco de vitimização, avaliada
pela ausência ou controle de ameaças às pessoas. Os tipos de vitimização considerados nesse índice
se referem a percepção de risco de: 1. Ser assaltado(a) ou roubado(a) com violência na rua; 2. Ter seu
domicílio roubado ou furtado; 3. Ter seu carro, moto ou bicicleta assaltado ou roubado com violência;
4. Ser assaltado(a) no transporte coletivo; 5. Ser vítima de agressão sexual; e 6. Ser assassinado(a). O
último número existente sobre a percepção de risco é de 2022 e aponta que 33% da população tem
essa percepção. Espera-se que, ao final do PPA, esse indicador diminua para 28%. Para atendimento da
meta, são destacadas as ações voltadas à prevenção às violências e à visibilidade a grupos vulnerabili-
zados que, em grande medida, são as maiores vítimas da violência9.

Destaca-se, no âmbito deste objetivo específico, a entrega Estruturação de equipamentos públicos


voltados ao enfrentamento da violência contra mulheres, a qual se refere à construção e à equipa-
gem nas capitais ou nas cidades com mais de 500 mil habitantes com a presença de Organismos de

9 Fonte: SIOP - O Ministério da Justiça e Segurança Pública informa no SIOP que os dados para o cálculo do indicador
apresentado serão obtidos por meio de solicitação oficial junto ao IBGE.

30
Série Planejamento Nacional Agenda Transversal Igualdade Racial

Políticas para Mulheres (OPM), de serviço especializado no acolhimento de mulheres e meninas em


situação de violência.

Gráfico 8 – Quantidade de serviços especializados no acolhimento estruturados

45
40
40

35
30 28
25
20
16
15
10
5 3
0
2024 2025 2026 2027
Fonte: SIOP.

Adicionalmente, a entrega Construção ou apoio de Centros Comunitários pela Vida – CONVIVE pre-
tende a construção e a equipagem, nos municípios com taxas de homicídios elevadas, de Centros Co-
munitários pela Vida.

Gráfico 9 – Quantidade de Centros Comunitários pela Vida construídos ou apoiados

70
60
60

50
50

40

30
30

20
10
10

0
2024 2025 2026 2027
Fonte: SIOP.

Já a entrega Intensificação da Campanha Nacional do Desarmamento, fomentando a entrega vo-


luntária de arma procura aumentar o número de armas entregues voluntariamente por ano até o final
do PPA.

31
Série Planejamento Nacional Agenda Transversal Igualdade Racial

Gráfico 10 – Quantidade de armas entregues voluntariamente por ano

20.000
18.000 17.500
16.000 16.000
14.500
14.000 13.200
12.000
10.000
8.000
6.000
4.000
2.000
0
2024 2025 2026 2027
Fonte: SIOP.

Por fim, com a entrega Concessão de Bolsa-Formação para os profissionais de segurança pública,
espera-se ampliar o número de profissionais de segurança pública (policiais civis, militares, penais,
bombeiros militares e guardas municipais) capacitados em temáticas focadas nos 5 eixos do Programa
Nacional de Segurança Pública com Cidadania (Pronasci), entre as quais se encontra a de combate ao
racismo estrutural e aos crimes decorrentes.

Gráfico 11 – Quantidade de profissionais de segurança pública aptos que receberam


o benefício da Bolsa-Formação

108.000
106.139
106.000
104.000 103.394
102.000
100.696
100.000
98.000
96.000
94.444
94.000
92.000
90.000
88.000
2024 2025 2026 2027
Fonte: SIOP.

2.7 Bolsa Família: Proteção Social por meio da Transferência de Renda e da


Articulação de Políticas Públicas – Ministério do Desenvolvimento e Assis-
tência Social, Família e Combate à Fome
O programa Bolsa Família possui como objetivos principais: combater a fome; contribuir para a in-
terrupção do ciclo de reprodução da pobreza entre as gerações; e promover o desenvolvimento e a

32
Série Planejamento Nacional Agenda Transversal Igualdade Racial

proteção social das famílias, especialmente das crianças, dos adolescentes e dos jovens em situação
de pobreza.

2.7.1 Contribuir com a redução da pobreza de famílias em situação de vulnerabilidade por


meio de transferência direta de renda

A meta deste objetivo específico é beneficiar, mensalmente, cerca de 21 milhões de famílias com a
transferência direta de renda.

Gráfico 12 – Ampliar a quantidade média anual de famílias beneficiadas com


transferência de renda

21.050.000
21.000.000
21.000.000 21.000.000 21.000.000
20.950.000
20.900.000
20.850.000
20.800.000
20.700.000
20.750.000
20.700.000
20.650.000
20.600.000
20.550.000
2024 2025 2026 2027
Fonte: SIOP.

2.7.2 Contribuir para ampliar o acesso à educação e permanência na escola de crianças e


adolescentes de 4 a 17 anos beneficiárias do Programa Bolsa Família - PBF

Por meio do aumento da taxa de acompanhamento na educação das crianças e adolescentes bene-
ficiários, pretende-se ampliar e incentivar o acesso e a permanência na escola das crianças e adoles-
centes, rompendo assim o ciclo intergeracional da pobreza e, provendo, desse modo, melhoria nas
condições de inserção social.

33
Série Planejamento Nacional Agenda Transversal Igualdade Racial

Gráfico 13 – Aumento da taxa de acompanhamento das crianças de 4 a 5 anos para


70% até o final de 2027

80%
70%
70% 65%
60%
60% 55%
50%

40%

30%

20%

10%

0%
2024 2025 2026 2027
Fonte: SIOP.

Já a entrega Crianças e adolescentes de 6 a 17 anos beneficiárias do PBF acompanhadas nas con-


dicionalidades da educação tem como meta ampliar a cobertura de acompanhamento das crianças e
adolescentes de 6 a 17 anos para 85% até 2027.

Gráfico 14 – Aumento da taxa de acompanhamento das crianças e adolescentes de 6


a 17 anos para 85% até ao final de 2027
90% 85%
80%
80%
75%
70%
70%

60%
50%
40%
30%
20%
10%
0%
2024 2025 2026 2027
Fonte: SIOP.

2.7.3 Contribuir para ampliar o acesso à saúde de crianças de 0 a 7 anos incompletos e de


mulheres beneficiárias do Programa Bolsa Família- PBF

Conforme esse objetivo específico, a taxa de acompanhamento de saúde de crianças de 0 a 7 anos in-
completos e mulheres beneficiárias do PBF deve alcançar 79% em 2024 e chegar a 82% em 2027.

34
Série Planejamento Nacional Agenda Transversal Igualdade Racial

Nesse cenário, a entrega Crianças de 0 a 7 anos incompletos beneficiárias do PBF acompanhadas


na saúde pretende elevar a taxa de acompanhamento desse grupo etário na condicionalidade saúde
para 70% até o final de 2027.

Gráfico 15 – Aumento da taxa de acompanhamento das crianças de 0 a 7 anos


incompletos para 70% até ao final de 2027

90%
80%
70%
70% 65%
60%
60% 55%
50%
40%
30%
20%
10%
0%
2024 2025 2026 2027
Fonte: SIOP.

Para a entrega Mulheres gestantes e puérperas beneficiadas do PBF acompanhadas na saúde, a


meta é aumentar a taxa de acompanhamento para 88% até ao final do PPA.

Gráfico 16 – Aumento taxa de acompanhamento das mulheres nas condicionalidades


da saúde para 88% até ao final de 2027

88,20%
88,00%
88,00%
87,80% 87,75%

87,60% 87,50%
87,40%
87,20%
87,00%
87,00%
86,80%
86,60%
86,40%
2024 2025 2026 2027
Fonte: SIOP.

35
Série Planejamento Nacional Agenda Transversal Igualdade Racial

2.7.4 Ampliar o número de municípios brasileiros recebendo os recursos do Índice de Gestão


Descentralizada do PBF (IGDM-PBF)

Espera-se, com este objetivo específico, aumentar o desempenho dos municípios na gestão do PBF e
Cadastro Único - CadÚnico com base no IGDM-PBF, com suporte aos municípios por meio de visitas e
apoios técnicos, entre outras ações. A meta é aumentar o percentual de municípios que recebem re-
cursos do IGDM-PBF para 94% em 2024 e 96% em 2027. O IGDM busca estimular o aperfeiçoamento da
gestão e operacionalização local do Programa Bolsa Família - PBF e do Cadastro Único para Programas
Sociais do Governo Federal, via transferência de recursos aos municípios. Do total de 5.570 municípios
brasileiros, cerca de 367 (6,59%) não receberam recursos em dezembro de 2022.

Gráfico 17 – Aumento do percentual de municípios que recebem recursos


do IGDM-PBF
97%
96%
96% 95,5%
95%
95%
94%
94%

93%

92%

91%

90%
2024 2025 2026 2027
Fonte: SIOP.

2.8 Proteção Social pelo Sistema Único de Assistência Social (SUAS) – Minis-
tério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome
Este programa objetiva manter e ampliar a cobertura das famílias e indivíduos em situações de vulne-
rabilidade, riscos pessoais e sociais e violações de direitos pelas ações do Sistema Único de Assistência
Social visando à redução: da pobreza e extrema pobreza; do trabalho infantil; do abuso/exploração
sexual de crianças e adolescentes; da mortalidade infantil; da violência intrafamiliar; da fragilização e
rompimento de vínculos familiares; do número de pessoas em situação de rua; do baixo desempenho
escolar (evasão, abandono, repetência); da situações de isolamento social e violação de direitos; e da
demanda por acolhimento institucional (“abrigos”).

2.8.1 Manter, qualificar e ampliar os serviços e programas de Proteção Social Básica oferta-
dos às famílias e pessoas em situações de vulnerabilidade social.

O objetivo aqui é oferecer suporte à rede de Proteção Social Básica para que os serviços sejam ofer-
tados e que a qualidade deles seja aprimorada, buscando prover as seguranças socioassistenciais à
população em situação de vulnerabilidade social.

36
Série Planejamento Nacional Agenda Transversal Igualdade Racial

Nesse sentido, a entrega CRAS cofinanciados para a oferta dos serviços de Proteção Social Básica
nos territórios quer ampliar o percentual de famílias com renda de até 1/2 salário-mínimo inscritas
no Cadastro Único referenciadas por Centros de Referência em Assistência Social – CRAS cofinancia-
dos pelo Governo Federal. O CRAS é a porta de entrada do SUAS, sendo o equipamento mais capilar e
a referência para os serviços e programas da Proteção Social Básica. Quase todos os serviços ou são
ofertados dentro da unidade CRAS ou referenciados a ela, tornando essa unidade um bom indicador de
cobertura dos serviços e programas da Proteção Social Básica no território.

Gráfico 18 – Ampliação da cobertura de famílias com renda de até ½ salário-mínimo


inscritas no Cadastro Único por unidades CRAS cofinanciadas pelo Governo Federal

66%
65%
65%
64%
64%
63%
63%
62%
62%

61%

60%

59%

58%
2024 2025 2026 2027
Fonte: SIOP.

2.8.2 Manter, qualificar e ampliar os serviços e programas de Proteção Social Especial ofer-
tados às famílias e pessoas em situações de risco social, violência e violação de direitos

A Proteção Social Especial (PSE) do SUAS é a modalidade de atendimento assistencial destinada a fa-
mílias e indivíduos que vivenciam situações de risco social, violência e violações de direitos, incluindo a
violência intrafamiliar, violência sexual, trabalho infantil, situação de rua, afastamento/rompimento do
convívio familiar, entre outras. A Constituição Federal preconiza que a assistência social será prestada a
quem dela necessitar. Entretanto, a cobertura dos serviços de PSE ainda é um desafio, principalmente
nos municípios de pequeno porte, sendo que mais de 1.900 municípios não possuem nenhuma unida-
de de PSE10.

10 Fonte: SIOP

37
Série Planejamento Nacional Agenda Transversal Igualdade Racial

Gráfico 19 – Ampliação da oferta de serviços de Proteção Social Especial nos


municípios brasileiros

76%
75%
74%
72%
72%

70%
70%

68%
68%

66%

64%
2024 2025 2026 2027
Fonte: SIOP.

O CREAS é a unidade pública de referência da Proteção Social Especial de Média Complexidade, des-
tinada à prestação de serviços a indivíduos e famílias que se encontram em situação de risco pessoal
ou social, por violação de direitos ou contingência. A entrega Novos municípios com cobertura de
CREAS para oferta dos serviços de Proteção Social Especial visa aumentar o número de municípios
com CREAS.

Gráfico 20 – Aumento do número de municípios com cobertura de CREAS

Centro-Oeste Nordeste Norte Sudeste Sul Brasil

4.000
3.488
3.500 3.244
3.000 645
3.000 577
2.650 509
2.500 412 1.001
913
2.000 825
698
305 321
1.500 266 289

1.000 1.231
1.049 1.125 1.178
500
225 252 271 290
0
2024 2025 2026 2027
Fonte: SIOP.

A entrega Novas unidades Centro Pop disponíveis para oferta dos serviços de Proteção Social Es-
pecial procura elevar o número de Centros Pop em funcionamento de 237 para 409 até o final do PPA.
Os Centros Pop - Centros de Referência Especializados para a População em Situação de Rua - são as

38
Série Planejamento Nacional Agenda Transversal Igualdade Racial

unidades de referência do atendimento especializado no SUAS para pessoas que usam a rua como
espaço de moradia e de sustento, de forma temporária ou permanente. Atualmente, essas unidades to-
talizam uma capacidade de atendimento de cerca de 28 mil pessoas, sendo que, somente no Cadastro
Único, há cerca de 210 mil pessoas em situação de rua cadastradas, o que demonstra a necessidade da
ampliação desses serviços sociais11.

Gráfico 21 – Aumento do número de unidades Centro Pop em funcionamento

450
409
400
364
350 320
300 278
250
200
150
100
50
0
2024 2025 2026 2027
Fonte: SIOP.

Aumentar o número de municípios ofertando o Serviço de Acolhimento em Família Acolhedora para


crianças e adolescentes para 557 em 2024 e 775 em 2027 é a meta da entrega Novos municípios com
oferta do Serviço de Acolhimento em Família Acolhedora para crianças e adolescentes. Esse ser-
viço organiza o acolhimento de crianças e adolescentes, afastados da família por medida de proteção,
em residência de famílias acolhedoras cadastradas. Essa é a modalidade de acolhimento mais benéfica
para a criança ou o adolescente, pois possibilita a sua inserção em ambiente familiar, com atenção indi-
vidualizada e o estabelecimento de vínculos afetivos e de relações estáveis, essenciais para o processo
de desenvolvimento saudável.

11 Fonte: SIOP

39
Série Planejamento Nacional Agenda Transversal Igualdade Racial

Gráfico 22 – Aumento do número de municípios com Serviço de Acolhimento


em Família Acolhedora para crianças e adolescentes

900
800 775
691
700
609
600 557
500
400
300
200
100
0
2024 2025 2026 2027
Fonte: SIOP.

Os serviços de acolhimento ofertam proteção integral a indivíduos e/ou famílias afastados tempora-
riamente do núcleo familiar e/ou comunitário e atuação no resgate dos vínculos familiares e comuni-
tários, ou na construção de projetos de vida a partir de novas referências. As vagas são ofertadas nas
seguintes modalidades de serviços: Casa-Lar, Abrigo Institucional, Casa de Passagem, República, Resi-
dência Inclusiva e Família Acolhedora. Há uma entrega que visa a disponibilizar Novas vagas ofertadas
pelos Serviços de Acolhimento.

Gráfico 23 – Aumento do número de vagas ofertadas pelos serviços de acolhimento

230.000
227.599
225.000
220.135
220.000

215.000 212.671
210.000
205.207
205.000

200.000

195.000

190.000
2024 2025 2026 2027
Fonte: SIOP.

Por fim, destaca-se a entrega Municípios que recebem cofinanciamento federal para realização de
Ações Estratégicas do Programa de Erradicação do Trabalho Infantil (PETI), cuja meta é o cofinan-
ciamento de 1.032 municípios com alta incidência de trabalho infantil, sendo 426 na região Nordeste,
212 na Sudeste, 176 na Norte, 154 na Sul e 64 na Centro-Oeste. As Ações Estratégicas do PETI são estru-

40
Série Planejamento Nacional Agenda Transversal Igualdade Racial

turadas em cinco eixos para o enfrentamento do trabalho infantil: Informação e mobilização; Identifi-
cação; Proteção; Defesa e Responsabilização; e Monitoramento.

2.8.3 Promover a proteção e o desenvolvimento integral das crianças na primeira infância,


considerando sua família e seu contexto de vida

Este objetivo específico é referente ao Programa Primeira Infância no SUAS/Criança Feliz. Ele está vol-
tado à proteção e ao desenvolvimento integral das crianças na primeira infância em situação de vulne-
rabilidade e risco social, por meio do fortalecimento de vínculos familiares e comunitários, do apoio às
famílias no exercício da função protetiva e da ampliação do acesso a serviços e direitos socioassisten-
ciais. Sua meta é ampliar o número de municípios que tenham aderido ao Programa Primeira Infância
no SUAS/Criança Feliz em relação ao quantitativo total de municípios elegíveis ao Programa.

Gráfico 24 – Ampliação do número de municípios aderidos ao Programa Primeira


Infância no SUAS/Criança Feliz em relação ao quantitativo total de municípios
elegíveis ao Programa

76%
75%
75%
74%
73%
73%
72%
72%
71%
70%
70%
69%
68%
67%
2024 2025 2026 2027
Fonte: SIOP.

O objetivo específico exposto acima contempla a entrega Crianças de 0 a 3 anos atendidas pelo Pro-
grama Primeira Infância no SUAS/Criança Feliz, cuja meta é aumentar o percentual de crianças de 0
a 3 anos inscritas no Cadastro Único atendidas pelo Programa Primeira Infância no SUAS/Criança Feliz.

41
Série Planejamento Nacional Agenda Transversal Igualdade Racial

Gráfico 25 – Aumento do percentual de crianças de 0 a 3 anos inscritas no Cadastro


Único atendidas pelo Programa Primeira Infância no SUAS/Criança Feliz

18%
16%
16% 15%
14%
14% 13%
12%
10%
8%
6%
4%
2%
0
2024 2025 2026 2027
Fonte: SIOP.

2.8.4 Aprimorar a gestão do Benefício de Prestação Continuada (BPC) para reduzir o tempo
de concessão dos benefícios, agilizando o acesso dos requerentes

O objetivo é a redução do tempo médio de concessão do Benefício de Prestação Continuada (BPC) para
Pessoas com Deficiência (PcD) e para pessoas idosas para 70 dias em 2027.

Gráfico 26 – Redução do tempo de concessão dos benefícios, agilizando o acesso


dos requerentes ao BPC

140 133
120
101
100

80
70 70
60

40

20

0
2024 2025 2026 2027
Fonte: SIOP.

As entregas que fazem parte desse objetivo tratam de cada um dos públicos beneficiários especifica-
mente e são: Benefícios BPC concedidos para as Pessoas com Deficiência (PcD) em prazo igual ou
inferior a 90 dias; e Benefícios (BPC) concedidos para as Pessoas Idosas em prazo igual ou inferior
a 45 dias.

42
Série Planejamento Nacional Agenda Transversal Igualdade Racial

2.9 Segurança Alimentar e Nutricional e Combate à Fome – Ministério do De-


senvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome
O programa visa implementar, de forma articulada, um conjunto de ações voltadas a assegurar o di-
reito humano à alimentação adequada para a população brasileira, priorizando grupos populacionais
vulnerabilizados e em situação de insegurança alimentar grave, tais como povos indígenas, quilom-
bolas e comunidades tradicionais, pessoas em situação de rua, pessoas em situação de insegurança
hídrica, entre outras.

2.9.1 Fomentar o Desenvolvimento de Sistemas Alimentares Saudáveis e Sustentáveis

É importante citar a entrega Equipamentos Públicos de Segurança Alimentar e Nutricional (SAN)


(bancos de alimentos, cozinhas comunitárias e solidárias, restaurantes populares e centrais da
agricultura familiar) promovendo inclusão social. Sua meta é apoiar 40 equipamentos públicos de
segurança alimentar e nutricional ao longo da vigência do PPA para a promoção de uma abordagem
mais integrada entre acesso à alimentação e inclusão socioeconômica das famílias em insegurança
alimentar e nutricional. Serão prioridades as mulheres, a população negra, a população em situação
de rua e os catadores de materiais recicláveis.

Além disso, fornecer 500.000 cestas de alimentos anualmente é a meta da entrega Cestas de alimentos
para grupos populacionais tradicionais e específicos em situação de insegurança alimentar e nu-
tricional e/ou famílias afetadas por situações de emergência ou calamidade pública.

2.10 Estruturação da Política Nacional de Cuidados – Ministério do Desenvol-


vimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome
O cuidado é um direito e uma necessidade de todas as pessoas ao longo de suas vidas, sendo funda-
mental não apenas para aqueles/as que o recebem, mas para a reprodução da vida, das sociedades e
das economias. A despeito de sua ampla importância, a organização social dos cuidados no Brasil é
injusta e insustentável, pois é pautada por uma desigual divisão social na sua provisão que sobrecar-
rega as mulheres, e em especial, as mulheres negras. A desigualdade também se expressa no fato de
que as necessidades de cuidados de diferentes grupos sociais são atendidas de formas heterogêneas, a
depender das possibilidades e capacidades que as famílias possuem para garantir sua provisão.

Nesse sentido, o objetivo geral do programa é promover o entendimento do cuidado como direito, ga-
rantindo o acesso igualitário a todos/as que dele necessitem e fomentando a corresponsabilização por
sua provisão, por meio da distribuição do trabalho de cuidados de forma mais justa e equilibrada entre
todos os atores sociais. A implementação de políticas e programas de cuidados é imprescindível para
melhorar o bem-estar da sociedade como um todo, reduzir as desigualdades na educação, na saúde,
no emprego, nos salários e nas condições de vida.

A meta de um dos objetivos específicos do programa é implementar três iniciativas anuais que con-
tribuam para a conscientização e mudança cultural sobre o tema dos cuidados. As seguintes entre-
gas compõem esse objetivo: 1) Campanhas de conscientização sobre o tema de cuidados e sobre a
construção de uma nova cultura de corresponsabilidade na provisão dos cuidados (a meta estabe-
lecida é de uma por ano); 2) Informações, dados, pesquisas e análises sobre cuidados (18 documen-
tos divulgados ao longo de todo o PPA); 3) Cursos de formação sobre cuidados, (com a meta de formar
100 pessoas ao ano).

43
Série Planejamento Nacional Agenda Transversal Igualdade Racial

2.11 Mulher Viver sem Violência – Ministério das Mulheres


Este programa visa enfrentar todas as formas de violência contra as mulheres, baseada em gênero,
classe, raça e etnia, em toda a sua diversidade, nas esferas pública e privadas, por meio da formulação,
articulação, monitoramento, coordenação, governança interfederativa e avaliação de políticas trans-
versais, intersetoriais, visando o pleno exercício da cidadania, livres de violência e ameaças.

Gráfico 27 – Ações de prevenção de enfrentamento a todo tipo de violência


contra as mulheres

46

45 45
45

44
44

43
43

42

41

40
2024 2025 2026 2027
Fonte: SIOP.

2.11.1 Ampliar a rede de atendimento destinado às mulheres em situação de violência, pro-


movendo o atendimento humanizado e o acesso aos serviços especializados no âmbito da
saúde, da segurança pública, da justiça e da rede socioassistencial

Este objetivo específico incorpora parcialmente duas propostas provenientes do Fórum Interconselhos:
“Criação, financiamento e implantação de Centros de Convivência de Promoção e Defesa dos Direitos
Humanos e Redução de Danos” e “Acolhimento e garantia dos direitos das mulheres usuárias de drogas
em serviços e equipamentos da política para as mulheres”.

No objetivo específico Ampliar a rede de atendimento destinado às mulheres em situação de vio-


lência, promovendo o atendimento humanizado e o acesso aos serviços especializados no âmbito
da saúde, da segurança pública, da justiça e da rede socioassistencial, o Governo Federal beneficia-
rá mulheres vítimas de violência com a criação de um total de 117 unidades de atendimento ao longo
do PPA, sendo 35 na Região Norte, 35 na Região Nordeste, 25 na Região Centro-Oeste, 15 na Região
Sudeste e 7 na Região Sul.

Aumentar em 100% os atendimentos realizados pela Central Ligue 180 até o final PPA é a meta da en-
trega Atendimento Qualificado e Humanizado pelo Ligue 180.

44
Série Planejamento Nacional Agenda Transversal Igualdade Racial

Gráfico 28 – Aumento em 100% dos atendimentos realizados

100%
100%
90%
80%
70%
60%
50%
40%
30% 30%
30%
20% 15%
10%
0
2024 2025 2026 2027
Fonte: SIOP.

Destaca-se, ainda, a entrega Ampliação do número de unidades móveis de atendimento para as


mulheres do campo, floresta, águas, quilombolas, indígenas e ciganas, sendo 10 unidades móveis
entregues por ano, no período de 2024-2027.

2.11.2 Promover ações de prevenção primária, secundária e terciária para proteger as mu-
lheres, em sua diversidade e pluralidade, contra todas as formas de violência

Os modos de enfrentamento a violência contra a mulher podem ser classificados como:

1. Prevenção primária – ações para evitar a ocorrência de violências; ações para promover mu-
dança de atitudes, de crenças e de comportamentos para eliminar os estereótipos de gênero; e
ações para promover uma cultura de respeito e não tolerância às discriminações, à misoginia e
à violência com base no gênero;

2. Prevenção secundária – intervenção precoce qualificada para evitar que as violências se repi-
tam e que seus efeitos se agravem; e

3. Prevenção terciária – mitigação dos efeitos das violências e promoção da garantia de direitos.

Para que seja possível promover essas ações, pretende-se estabelecer ato normativo de criação da Po-
lítica Nacional de Prevenção à Violência Política de Gênero e Raça.

Ademais, o Ministério das Mulheres prevê as seguintes entregas:

• ações de formação e qualificação para prevenção da misoginia, discriminação e todas as


formas de violência contra às mulheres, na sua diversidade e pluralidade;

• campanhas publicitárias para enfrentamento da misoginia e discriminação de todas as for-


mas de violência contra as mulheres na sua totalidade e pluralidade; e

45
Série Planejamento Nacional Agenda Transversal Igualdade Racial

• produção de materiais informativos sobre as diretrizes, estratégias e ações de prevenção e


enfrentamento à violência.

Gráfico 29 – Produção de cartilhas e vídeos informativos sobre as diretrizes,


estratégias e ações de prevenção e enfrentamento à violência

Total População Negra

12

10
10

4
3 3 3
2
1 1 1 1
0
2024 2025 2026 2027
Fonte: SIOP.

2.12 Programa Nacional de Promoção dos Direitos da População em Situa-


ção de Rua – Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania
A população em situação de rua no Brasil cresceu 38% entre 2019 e 2022, quando atingiu 281.472 pes-
soas, segundo o estudo “Estimativa da População em Situação de Rua no Brasil" (2012-2022)12, do Ins-
tituto de Pesquisa Econômica Aplicada - IPEA.

O Programa Nacional de Promoção dos Direitos da População em Situação de Rua busca promover
o acesso à moradia e aos demais direitos humanos das pessoas em situação de rua com vistas à supe-
ração dessa condição, à redução da dependência de longa duração dessa população pelos serviços do
Estado, e com valorização da autonomia, partindo da implementação de políticas públicas interseto-
riais e transversais e das diretrizes contidas na Política Nacional para a População em Situação de Rua
(PNPSR).

São medidas institucionais deste programa:

• A inserção de temas específicos para a população em situação de rua na perspectiva do acesso


e assistência/cuidado ofertado pelas especialidades de saúde identificadas como de maiores
necessidades em saúde.

• A criação de um Centro Nacional de Defesa de Direitos Humanos da população em situação de


rua e catadores/as de material reciclável.

12 Disponível em [Link]
[Link] Acesso em 8 de abril de 2024.

46
Série Planejamento Nacional Agenda Transversal Igualdade Racial

2.12.1 Promover a dignidade e a cidadania da população em situação de rua

Neste objetivo específico, busca-se a promoção do acesso à moradia e aos demais direitos humanos
das pessoas em situação de rua com vistas à superação desta condição e valorização de sua autono-
mia. Serão implantados centros de acesso a direitos e/ou estações de acesso e de utilização gratuita
de bebedouros, banheiros com chuveiro, bagageiros e máquinas de lavar roupa para a população em
situação de rua.

Gráfico 30 – Número de estados com pontos de apoio com serviços gratuitos


para a população em situação de rua

12

10
10

8
7
6

4
4

2
1
0
2024 2025 2026 2027
Fonte: SIOP.

No âmbito deste objetivo específico, destaca-se a entrega Formação sociopolítica e em direitos hu-
manos das pessoas em situação de rua, que pretende formar 1.000 pessoas em situação de rua até
2027, incentivando a organização associativa e o fortalecimento de sua participação nas instâncias de
formulação, controle social, monitoramento e avaliação das políticas públicas.

Gráfico 31 – Número de pessoas em situação de rua formadas


1.200

1.000
1.000
800
800

600 500

400
200
200

0
2024 2025 2026 2027
Fonte: SIOP.

47
Série Planejamento Nacional Agenda Transversal Igualdade Racial

Já a entrega Criação de pontos de apoio nos municípios com serviços gratuitos para a popula-
ção em situação de rua, tais como de bagageiro para guardar pertences pessoais, documentos e
outros itens, estações de acesso e utilização gratuita de bebedouros, banheiros com chuveiro e
lavanderias tem como meta a criação de 10 pontos até 2027.

A entrega Unidades móveis para atendimento jurídico móvel e educação em direitos humanos da
população em situação de rua pretende disponibilizar, até o final do PPA, 40 dessas unidades móveis.

Gráfico 32 – Quantidade de novas unidades móveis para atendimento jurídico móvel


e educação em direitos humanos da população em situação de rua disponibilizadas

45
40
40
35
30
30
25
20
15
10
10
5
5
0
2024 2025 2026 2027
Fonte: SIOP.

Já a entrega Fomento a centros de promoção de cidadania, com espaços de convivência comunitá-


ria, oficinas de arte e cultura, bem como outros serviços de acesso à informação para a população
em situação de rua tem como meta ter 10 centros em funcionamento até 2027.

Acrescente-se, ainda, a entrega “Operação Inverno Acolhedor” para prevenção do adoecimento e


de óbitos de pessoas em situação de rua em decorrência do frio intenso em cidades do Sul e Su-
deste durante o inverno, com ações de segurança alimentar, abrigo e distribuição de insumos,
com a meta de conseguir a adesão de 25 municípios à Operação até o final de 2027.

48
Série Planejamento Nacional Agenda Transversal Igualdade Racial

Gráfico 33 – Municípios que aderiram à Operação Inverno Acolhedor

30

25
25
20
20

15
10
10
6
5

0
2024 2025 2026 2027
Fonte: SIOP.

Por fim, a entrega Ampliação da oferta de moradia para a população em situação de rua, por meio
do Programa Minha Casa, Minha Vida pretende destinar 2.500 moradias a esse público até o final de
2027.

Gráfico 34 – Quantidade de unidades habitacionais do Programa "Minha Casa,


Minha Vida" disponibilizadas para a população em situação de rua

3.000

2.500
2.500
2.000
2.000

1.500

1.000
500
500
200
0
2024 2025 2026 2027
Fonte: SIOP.

2.12.2 Promover o acesso de pessoas em situação crônica de rua à moradia com apoio de
equipe multidisciplinar por meio do Programa Nacional Moradia Primeiro

Este objetivo específico pretende disponibilizar unidades habitacionais mobiliadas para pessoas em si-
tuação de rua. Além disso, a entrega Equipes de apoio multidisciplinares para atendimento aos des-
tinatários do Programa Moradia Primeiro, vinculada a este objetivo, tem como meta manter equipes
para auxiliar na adaptação e permanência dos beneficiários às suas novas moradias.

49
Série Planejamento Nacional Agenda Transversal Igualdade Racial

Gráfico 35 – Número de equipes multidisciplinares no Programa Moradia Primeiro

35
30 30
30

2.5

2.0
15 15
15

10

0
2024 2025 2026 2027
Fonte: SIOP.

2.13 Promoção e Proteção Integral dos Direitos Humanos de Crianças e Ado-


lescentes com absoluta prioridade – Ministério dos Direitos Humanos e da
Cidadania
Este programa tem o objetivo de assegurar, com absoluta prioridade, a efetividade dos direitos huma-
nos e cidadania de crianças e adolescentes referentes à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao
esporte, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência
familiar e comunitária, garantindo o pleno desenvolvimento de uma vida sem violência.

Este programa contém medidas institucionais propostas que fortalecem a proteção e a promoção dos
direitos: elaborar resolução voltada para a ampliação da participação de representantes de população
negra, PCT, PCD, LGBTQIA+, migrantes e refugiados nas eleições da sociedade civil de Conselho Muni-
cipal dos Direitos da Criança e do Adolescente; constituir Comissão Interministerial e Intersetorial para
revisar o Plano de Convivência Familiar e Comunitária; e elaborar protocolos de atendimento a crian-
ças e adolescentes vítimas de tráfico de pessoas.

2.13.1 Aprimorar o Sistema de Garantia de Direitos para promoção, proteção, defesa e con-
trole social dos direitos humanos e da cidadania de crianças e adolescentes

Destaca-se, no âmbito deste objetivo específico, a entrega Atividades formativas com povos e comu-
nidades tradicionais sobre os direitos de crianças e adolescentes em abordagem intercultural e
com posterior atuação, na qual estão previstas a realização de 54 atividades formativas até o final do
PPA.

50
Série Planejamento Nacional Agenda Transversal Igualdade Racial

Gráfico 36 – Formação de povos e comunidades tradicionais sobre os direitos de


crianças e adolescentes em abordagem intercultural e com posterior atuação

60
54
50

40
37

30
20
20

10 8

0
2024 2025 2026 2027
Fonte: SIOP.

2.13.2 Ampliar a promoção, proteção e defesa dos direitos humanos e fundamentais de


adolescentes e jovens em programas de atendimento socioeducativo e pós-atendimento
socioeducativo

A melhoria dos programas socioeducativos, da qualidade no atendimento de adolescentes e jovens em


programa de atendimento socioeducativo é o que se pretende com esse objetivo específico. Contribui
para isso a entrega Equipagem de programas socioeducativos para qualificação do atendimento
ofertado e adequação nos parâmetros legais.

2.13.3 Proteger crianças e adolescentes ameaçados de morte.

Esse objetivo específico visa ampliar a cobertura dos programas de proteção à criança e ao adolescente
ameaçados de morte no país. Uma das entregas, Implantação do Programa de Proteção a Crianças e
Adolescentes Ameaçados de Morte - PPCAAM em todo o território nacional, pretende que, em 2027,
100% dos estados estejam com o Programa em funcionamento.

51
Série Planejamento Nacional Agenda Transversal Igualdade Racial

Gráfico 37 - Percentual de estados com programa de proteção a crianças e


adolescentes ameaçadas de morte em funcionamento

120%

100%
100% 95%
90%
80%
80%

60%

40%

20%

0
2024 2025 2026 2027
Fonte: SIOP.

Já a entrega Ampliação do acolhimento em família solidária para o atendimento de crianças e ado-


lescentes sem a guarda familiar pretende aumentar o número de vagas de acolhimento no Projeto
Família Solidária ofertadas para crianças e adolescentes para 85 até o final do PPA.

Gráfico 38 – Número de vagas no Projeto Família Solidária para


crianças e adolescentes

100
90 85
80
70
60
60
50
40
40
30
20
20
10
0
2024 2025 2026 2027
Fonte: SIOP.

2.13.4 Desenvolver ações intersetoriais para fortalecer a convivência familiar e comunitária


e evitar o afastamento de crianças e adolescentes de suas famílias, principalmente na pri-
meira infância, integrando os programas de promoção de direitos

Este objetivo específico visa o desenvolvimento de ações intersetoriais para evitar o afastamento de
crianças e adolescentes de suas famílias, principalmente na primeira infância, integrando os progra-
mas de promoção de direitos. Espera-se realizar 6 ações com essa finalidade até 2027.

52
Série Planejamento Nacional Agenda Transversal Igualdade Racial

Gráfico 39 – Número de ações para evitar o afastamento de crianças


e adolescentes de suas famílias

7
6
6
5
5
4
4

3
2
2

0
2024 2025 2026 2027
Fonte: SIOP.

2.14 Promoção da Cidadania, Defesa de Direitos Humanos e Reparação de


Violações – Ministério dos Direitos Humanos e Cidadania
O programa Promoção da Cidadania, Defesa de Direitos Humanos e Reparação de Violações pauta-
-se nos direitos humanos como instrumento de inclusão social e proteção de pessoas e grupos vítimas
de injustiças e opressões.

O programa prevê iniciativas que se propõem a fortalecer valores de direitos humanos na sociedade
por meio de ações de educação e cultura; promover e ampliar o acesso ao registro civil de nascimento
e à documentação básica a pessoas de todas as origens e nacionalidades, com foco nas interseccio-
nalidades e no enfrentamento ao racismo estrutural; promover, como política de Estado, políticas de
memória, verdade, justiça (reparação) e não-repetição dos períodos da escravidão e da ditadura mili-
tar; ampliar e qualificar a proteção de pessoas, grupos, povos e comunidades, defensores de direitos
humanos; avançar na erradicação do trabalho escravo, entre outras.

2.14.1 Aprimorar os canais de denúncia da Ouvidoria Nacional de Direitos Humanos

No âmbito deste objetivo específico, busca-se aprimorar a qualidade dos canais de atendimentos (Dis-
que 100, internet, WhatsApp, ações in loco) da Ouvidoria Nacional de Direitos Humanos (ONDH), e as-
sim contribuir para ampliar e qualificar o acesso da população aos canais de denúncias, identificar as
situações de violações de direitos humanos e acionar a rede de proteção e defesa de direitos, colabo-
rando para a prevenção de novas violações aos direitos humanos.

Compõe este objetivo a entrega Ampliação do alcance da Ouvidoria Nacional de Direitos Humanos
(ONDH) por meio da oferta de ações de ouvidoria itinerante, com a meta de 48 ações realizadas até
2027, prioritariamente em territórios de maior vulnerabilidade.

53
Série Planejamento Nacional Agenda Transversal Igualdade Racial

Gráfico 40 – Número de ações da Ouvidoria Nacional de Direitos Humanos (ONDH)


realizadas nos municípios

60

50 48

40 36

30
24
20
12
10

0
2024 2025 2026 2027
Fonte: SIOP.

Há, ainda, a entrega Reestruturação e aprofundamento de rede de parcerias do Disque 100 – Dis-
que Direitos Humanos, cuja meta até o final de 2027 é a celebração de 8 acordos para atendimento,
encaminhamento e atenção às denúncias de violações de Direitos Humanos com instituições parceiras.
Esses acordos devem auxiliar para a atenção e respostas em tempo oportuno e para prevenir novas
violações de direitos.

2.15 Atenção Primária à Saúde – Ministério da Saúde


O objetivo deste programa é fortalecer a atenção primária, ampliando a cobertura da Estratégia Saúde
da Família e da Saúde Bucal, com vistas à universalização do acesso, à abrangência do cuidado integral,
à promoção da saúde, à prevenção de doenças e agravos e à redução de desigualdades de raça/etnia,
de gênero, regionais e sociais.

2.15.1 Expandir o acesso e a cobertura da Estratégia Saúde da Família, priorizando áreas de


vulnerabilidade social, inclusive ribeirinhas e quilombolas, com provimento de profissio-
nais e cuidado interprofissional

A Política Nacional de Atenção Básica (PNAB) tem na Estratégia Saúde da Família (ESF) seu modelo
prioritário e como princípios a universalidade, a equidade e a integralidade, além das diretrizes de ter-
ritorialização, cuidado centrado na pessoa, resolutividade e longitudinalidade do cuidado.

O indicador, Porcentagem da população estimada coberta por equipes Saúde da Família (eSF) e equi-
pes de Atenção Primária (eAP) em determinado espaço geográfico, procura dimensionar o número de
pessoas com acesso aos serviços de saúde de atenção primária ofertados.

54
Série Planejamento Nacional Agenda Transversal Igualdade Racial

Gráfico 41 – Cobertura populacional estimada da Atenção Primária à Saúde (APS)

100
91
90 84
80 77
70
70
60
50
40
30
20
10
0
2024 2025 2026 2027
Fonte: SIOP.

2.16 Pesquisa, Desenvolvimento, Inovação, Produção e Avaliação de Tecno-


logias em Saúde – Ministério da Saúde
Promover o desenvolvimento científico e tecnológico para produção, inovação e avaliação em saúde, a
fim de atender a população de forma equitativa, sustentável, acessível, considerando a sociobiodiver-
sidade territorial e contribuindo para a prosperidade econômica, social e redução da dependência de
insumos para a saúde constitui o objetivo deste programa.

2.16.1 Fomentar pesquisas prioritárias estratégicas em saúde, desenvolvidas em modelo


colaborativo e/ou multicêntrico, com base em uma agenda prioritária nacional, orientando
as aplicações de recursos a partir de critérios alinhados às necessidades de equidade, apli-
cabilidade e de sustentabilidade no Sistema Único de Saúde

Uma entrega deste objetivo específico visa a fomentar Pesquisas prioritárias estratégicas em saúde.
As pesquisas prioritárias fomentadas são definidas consoante os seguintes critérios13: 1) Agenda Nacio-
nal de Prioridades de Pesquisa em Saúde - ANPPS; 2) Agenda de Prioridades de Pesquisa do Ministério
da Saúde - APPMS; 3) demandas em caráter de emergência em saúde pública; 4) pesquisas cujas te-
máticas foram definidas por Oficina de Prioridades em Pesquisa, como aquelas fomentadas por meio
do Programa Pesquisa para o SUS – PPSUS; 5) pesquisas que visem promover e fortalecer o Programa
Nacional de Genômica e Saúde de Precisão – Genomas Brasil.

13 Fonte: SIOP

55
Série Planejamento Nacional Agenda Transversal Igualdade Racial

Gráfico 42 – Número de pesquisas em saúde prioritárias estratégicas


fomentadas por ano
1.600
1.468
1.400

1.200
1.018
1.000
838
800
616
600

400

200

0
2024 2025 2026 2027
Fonte: SIOP.

2.17 Moradia Digna – Ministério das Cidades


O objetivo deste programa é promover moradia digna às famílias residentes em áreas urbanas e rurais
com a garantia do direito à cidade, associado ao desenvolvimento urbano e econômico, à geração de
trabalho e de renda e à elevação dos padrões de habitabilidade e de qualidade de vida da população.

2.17.1 Desenvolver e fomentar inovações institucionais na provisão habitacional, privile-


giando populações vulneráveis

Trata-se de uma das prioridades estratégicas do Governo Federal, que é estimular arranjos institucio-
nais e mecanismos de financiamento inovadores na provisão habitacional. No escopo das iniciativas,
incluem-se: Parcerias Público-Privadas, Mercado de Capitais, Recursos de Estados e Municípios, Micro-
crédito para Reformas, Aluguel Social, entre outras.

Entre os setores vulneráveis priorizados, incluem-se as famílias que tenham a mulher como responsá-
vel, e, em sua composição, pessoas com deficiência, idosas, crianças e adolescentes, que estejam em
situação de risco e vulnerabilidade, que sejam vítimas de situações de emergência e calamidade ou de
deslocamento involuntário em razão de obras públicas federais, ou que se encontrem em situação de
rua crônica. A meta ao longo do PPA é a contratação de 5 operações por meio de arranjos institucio-
nais e mecanismos de financiamento inovadores.

2.18 Periferia Viva – Ministério das Cidades

Este Programa incorpora a proposta homônima, proveniente do processo de PPA Participa-


tivo, que contou com 3.952 votos na Plataforma Brasil Participativo – a mais votada entre as
propostas da agenda de igualdade racial.

56
Série Planejamento Nacional Agenda Transversal Igualdade Racial

Mudanças na economia brasileira influenciaram diretamente os padrões de produção das cidades,


atraindo um imenso contingente da população rural em condições precárias de vida para as áreas ur-
banas. Diante desse êxodo, a população autoconstruiu suas moradias em áreas de baixa aptidão à
ocupação e distantes dos eixos de desenvolvimento urbano, caracterizando o processo de produção
das periferias. As periferias tornam-se territórios com pouca presença de políticas sociais e de serviços
públicos fornecidos pelo Estado, quase totalmente intocados pelas políticas públicas. O programa Pe-
riferia Viva contribui para a redução da desigualdade socioterritorial por intermédio da integração de
políticas públicas, melhoria da qualidade de vida urbana, das condições de habitabilidade, da seguran-
ça da posse e do fortalecimento da participação popular.

2.18.1 Ampliar o acesso de políticas públicas integradas nas periferias urbanas

O aumento no acesso e na disponibilidade de novas políticas públicas em favelas e comunidades urba-


nas localizadas nas periferias urbanas é o anseio presente neste objetivo específico, de modo a promo-
ver iniciativas governamentais voltadas à melhoria da qualidade de vida e à redução das desigualda-
des socioterritoriais. Destaca-se a importância da entrega Mapeamento de territórios periféricos nas
concentrações urbanas para o alcance deste objetivo.

2.18.2 Melhorar a qualidade de vida urbana, condições de habitabilidade e segurança da


posse em periferias urbanas

A entrega Melhorias habitacionais em periferias urbanas visa a solucionar problemas de insalubri-


dade, insegurança, inexistência do padrão mínimo de edificação e habitabilidade, adensamento, aces-
sibilidade, ou visando reduzir gastos ou ampliar a receita de famílias de baixa renda. A meta é atender
aproximadamente 11.300 famílias ao longo da vigência do PPA.

Gráfico 43 – Atendimento de famílias com melhoria habitacional em


periferias urbanas

5.000
4.545 4.545
4.500
4.000
3.500
3.000
2.500 2.274
2.000
1.500
1.000
500
0 0
2024 2025 2026 2027
Fonte: SIOP.

57
Série Planejamento Nacional Agenda Transversal Igualdade Racial

2.19 Esporte para a Vida – Ministério do Esporte


O objetivo do programa é promover o acesso da população ao esporte e à atividade física ao longo da
vida, por meio do Sistema Nacional de Esporte, em espaços apropriados e acessíveis, que contem-
plem as dimensões de lazer, educacional, amadora e de alto desempenho, garantindo diversidade,
inclusão social e qualidade de vida, em consonância com os valores do esporte.

2.19.1 Ampliar o acesso ao esporte educacional, amador e de lazer para todas as idades, e
incluindo as pessoas com deficiência que abranjam os diferentes territórios para o enfren-
tamento das desigualdades estruturais e regionais

A entrega Eventos de esporte de lazer, diferenciado por recortes de gênero, raça, etnia e faixa
etária propõe-se a apoiar a realização de eventos de esporte e lazer, contemplando gincanas, eventos
científicos, de lazer esportivo, jogos indígenas, ribeirinhos, quilombolas, rurais, assentados e da pessoa
idosa.

Gráfico 44 – Número de eventos de esporte e lazer, diferenciado por recortes de


gênero, raça, etnia e faixa etária, apoiados pelo Ministério do Esporte

180
168
160 153
140 139
126
120
100
80
60
40
20
0
2024 2025 2026 2027
Fonte: SIOP.

2.19.2 Combater o abuso, o racismo e demais formas de preconceito e violência, e mani-


pulação de resultados ou outra forma de corrupção ou violação de direitos, fortalecendo a
integridade no ambiente esportivo

Este objetivo específico corresponde ao compromisso com a agenda da integridade do esporte, que
passa pelo combate ao racismo, à violência, às manipulações de resultados nas apostas esportivas
e pela consolidação da cultura da paz. Abarca ações educativas, criação de grupos de trabalho, for-
malização de acordos de cooperação técnica, organização de seminários, promoção da Semana de
Integridade, produção, levantamento e análise de dados, estatísticas, pesquisas, entre outros. A meta
esperada é a realização de 12 ações por ano, totalizando 48 ações durante a vigência do PPA.

58
Série Planejamento Nacional Agenda Transversal Igualdade Racial

Gráfico 45 – Ações diversas contra o racismo e todas as formas de violência, precon-


ceito, desigualdades de gênero, raça etc. no esporte brasileiro e eventos correlatos

60

50 48

40
32
30
20
20
12
10

0
2024 2025 2026 2027
Fonte: SIOP.

2.20 Proteção e Recuperação da Biodiversidade e Combate ao Desmatamen-


to e Incêndios – Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima
Objetiva-se, no âmbito deste programa, conservar, recuperar e valorizar os biomas terrestres e as zonas
costeira e marinha, para a manutenção da diversidade biológica, dos recursos naturais e dos serviços
ecossistêmicos. Ainda, combater o desmatamento, os incêndios e a exploração predatória dos recursos
naturais para mitigar o aquecimento global e as mudanças climáticas, combater a extinção de espécies
e a perda de habitat de planta e animais e proteger o solo.

2.20.1 Ampliar e consolidar a proteção, a conservação e a conectividade dos ecossistemas


terrestres, costeiros e marinhos, em especial por meio de áreas protegidas

Este objetivo específico incorpora duas propostas provenientes do PPA Participativo. A primei-
ra, “Priorizar a criação e implementação de Unidades de Conservação, em especial no Bioma
Marinho, em linha com a iniciativa 30x30”, obteve 464 votos na Plataforma Brasil Participativo.
A segunda, “Ampliar e fortalecer sistemas de unidades de conservação e áreas conservadas -
30% de todos os ecossistemas inclusive para saúde e emergência climática”, originou-se no
Fórum Interconselhos e foi parcialmente incorporada.

Para esse objetivo específico, a meta é alcançar 28% do território nacional terrestre e marinho coberto
pelas unidades de conservação cadastradas no Cadastro Nacional de Unidades de Conservação da Na-
tureza (CNUC) até o final do PPA. As Unidades de Conservação contribuem na proteção, conservação e
conectividade dos ecossistemas terrestres, costeiros e marinhos e são importantes para a garantia da
sobrevivência e qualidade de vida da população.

Integra esse objetivo específico a entrega Áreas e Ações Prioritárias para Conservação, Utilização
Sustentável e Repartição dos Benefícios da Biodiversidade Brasileira atualizadas. As Áreas e Ações
Prioritárias para a Conservação, Utilização Sustentável e Repartição dos Benefícios da Biodiversidade

59
Série Planejamento Nacional Agenda Transversal Igualdade Racial

(ou Áreas Prioritárias para a Biodiversidade - APCB) são um instrumento de política pública que visa à
tomada de decisão, de forma objetiva e participativa, sobre planejamento e implementação de medi-
das adequadas à conservação, à recuperação e ao uso sustentável de ecossistemas dos biomas Amazô-
nia, Caatinga, Cerrado, Mata Atlântica, Pampa, Pantanal e da Zona Costeira e Marinha. Inclui iniciativas
como a criação de unidades de conservação (UCs), o licenciamento de atividades potencialmente po-
luidoras, a fiscalização, o fomento ao uso sustentável e a regularização ambiental.

O instrumento abrange ainda o apoio a áreas protegidas já estruturadas, como unidades de conserva-
ção, terras indígenas e territórios quilombolas, a identificação de novas áreas prioritárias e de medidas
a serem implementadas nesses locais. Além disso, disponibiliza banco de dados com informações so-
bre as prioridades de ação em cada área, levando em conta a importância biológica e o uso econômico
e sustentável.

As regras para a identificação das APCBs foram instituídas formalmente pelo Decreto nº 5092, de 21 de
maio de 2004.

Gráfico 46 – Atualização das Áreas e Ações Prioritárias para Conservação, Utilização


Sustentável e Repartição dos Benefícios da Biodiversidade Brasileira
3,5
3 3
3,0

2,5
2 2
2,0

1,5

1,0

0,5

0
2024 2025 2026 2027
Fonte: SIOP.

2.21 Turismo, esse é o destino – Ministério do Turismo


O programa pretende posicionar o turismo como vetor de desenvolvimento sustentável e aumentar a
competitividade dos destinos e produtos turísticos brasileiros, democratizando o acesso e os benefí-
cios da atividade turística para os cidadãos brasileiros.

Ele visa à estruturação de novos produtos turísticos, melhoria de operações e infraestrutura, dos ser-
viços e do ambiente de negócios, ente outros. De forma concomitante, trabalha para que a atividade
turística seja acessível a todos e que seus benefícios se estendam para a comunidade local, micro e
pequenos empreendedores, produtores e demais agentes envolvidos na cadeia do turismo, gerando
distribuição de renda.

60
Série Planejamento Nacional Agenda Transversal Igualdade Racial

2.21.1 Promover as atividades turísticas nos destinos brasileiros de forma sustentável, in-
clusiva e com acessibilidade

O turismo é uma força econômica poderosa e transformadora, sendo a adoção de práticas sustentáveis
uma condição para a preservação de recursos naturais e culturais. Diante disso, é fundamental a pro-
moção das atividades turísticas considerando seu papel quanto à responsabilidade social, proteção
dos direitos de crianças e adolescentes no turismo, acessibilidade para pessoas com deficiência ou
mobilidade reduzida, respeito às diferenças de gênero, geração, raça e etnia, respeito ao meio ambien-
te e à manutenção e valorização das culturas locais, além de promover uma maior participação das
comunidades receptoras na definição das políticas de desenvolvimento do turismo e no acesso a esse
mercado. A meta desse objetivo específico é ampliar o turismo doméstico de 52 milhões de viagens
para 55 milhões de viagens até 2027.

Para atingir a esse objetivo, destaca-se a entrega Realização de ações para promoção do acesso de-
mocrático e inclusivo de públicos prioritários aos benefícios da atividade turística. Pretende-se
realizar, até o final do PPA, 8 ações de sensibilização, atividades de capacitação, publicações e outras
ações para a promoção da inclusão, sendo 2 a cada ano.

2.22 Ciência, Tecnologia e Inovação para o Desenvolvimento Social – Ministé-


rio da Ciência, Tecnologia e Inovação
O programa pretende impulsionar a ciência, a tecnologia e a inovação no país, bem como democratizar
o acesso aos resultados do desenvolvimento científico e tecnológico, promovendo a difusão de tecno-
logias e a popularização da ciência. Desse modo, contribuirá para a resolução de problemas sociais e
para a melhoria de vida da população.

2.22.1 Fomentar a pesquisa, a extensão e o desenvolvimento científico e tecnológico na área


de Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional (SSAN), gerando soluções inclusivas ino-
vadoras para erradicação da fome e mitigação de desigualdades

Este objetivo específico visa promover o conhecimento e a ação na área de Segurança Alimentar e Nu-
tricional. Isso inclui fortalecer redes e grupos de pesquisa, desenvolvimento tecnológico e extensão, vi-
sando a criação de ambientes alimentares saudáveis e a produção agroalimentar familiar diversificada
e sustentável. Também visa a valorização da sociobiodiversidade, cultura e patrimônio alimentar, e a
integração entre diferentes perspectivas científicas e o conhecimento tradicional.

O intuito é garantir a todos o direito ao acesso a alimentos de qualidade, em quantidade suficiente,


sem comprometer outras necessidades essenciais, e promover práticas alimentares saudáveis e sus-
tentáveis ambiental, cultural, econômica e socialmente. Aqui, o indicador é o número de pesquisas
desenvolvidas e soluções disponibilizadas para a erradicação da fome, sendo esperadas 140 pesquisas
até o final de 2027.

Destaca-se a entrega Fortalecimento e/ou estruturação de grupos e redes de ensino, pesquisa e


extensão em SSAN junto a Povos Indígenas e Povos e Comunidades Tradicionais (PCTs). As redes
regionais serão voltadas ao extrativismo e à agricultura familiar de base agroecológica e sustentável e
a iniciativas que deverão contribuir para o resgate de culturas alimentares e sementes crioulas, para a

61
Série Planejamento Nacional Agenda Transversal Igualdade Racial

valorização das Plantas Alimentícias Não Convencionais (PANCs) e para a agregação de valor aos pro-
dutos regionais. A meta é apoiar, até o final do PPA, 8 projetos de grupos e redes.

Também merece realce a entrega Pesquisa aplicada, inovação e transferência de tecnologia volta-
das ao desenvolvimento tecnológico de equipamentos agrícolas para a Agricultura Familiar e o
Extrativismo, que pretende apoiar 10 pesquisas anuais destinadas a abranger o tema tecnologias e
adaptação de máquinas, equipamentos e implementos agrícolas e agroindustriais.

A agenda conta ainda com a entrega Revitalização e ampliação dos Núcleos de Estudos em Agroe-
cologia (NEAs) e dos Centros Vocacionais de Agroecologia e Produção Orgânica.

62
Série Planejamento Nacional Agenda Transversal Igualdade Racial

63
Série Planejamento Nacional Agenda Transversal Igualdade Racial

3 Educação e formação para inclusão e empregabilidade

A dimensão Educação e formação para inclusão e empregabilidade reúne, especialmente, as ações


afirmativas elaboradas e executadas por diversas áreas governamentais, mas com um objetivo em co-
mum: preparar, qualificar e ampliar a participação da população negra no mercado de trabalho, em
diferentes postos.

As políticas públicas de educação, ciência e tecnologia, trabalho, emprego e renda, cultura, esportes,
política externa, bem como as iniciativas de articulação institucional voltadas para redução de desi-
gualdades construídas pelas pastas de Mulheres, Igualdade Racial e Direitos Humanos promovem, de
forma articulada, a ampliação do acesso da população negra à formação acadêmica e profissional e ao
mercado de trabalho. Há, ainda, ações governamentais voltadas à redução das desigualdades sobre-
postas e potencializadas pela intersecção de raça, etnia, gênero, deficiência e idade, classe e origem.

3.1 Promoção da Igualdade Étnico-Racial, Combate e Superação do Racismo


– Ministério da Igualdade Racial

3.1.1 Aperfeiçoar as políticas de educação para ampliar a participação de pessoas negras na


educação básica, no ensino superior e na pós-graduação

Com este objetivo específico, espera-se fortalecer e incentivar políticas interministeriais de acesso e
permanência de estudantes negros em todos os níveis de ensino por meio de programas de bolsas,
monitoramento e avaliação da implementação de políticas públicas com foco em educação. A meta é
reduzir a diferença entre a média de anos de estudo da população branca e da população negra com 25
ou mais anos de idade, dos atuais 1,7 ano para 1,3 ano.

Gráfico 47 – Redução da diferença entre a média de anos de estudo da população


branca e da população negra com 25 anos de idade

1,7
1,6
1,6
1,5
1,5
1,4
1,4
1,3
1,3

1,2

1,1

1,0

0
2024 2025 2026 2027
Fonte: SIOP.

64
Série Planejamento Nacional Agenda Transversal Igualdade Racial

Integra esse objetivo específico a entrega Bolsas para estudantes negros de graduação e pós-gradu-
ação, com a meta de conceder, a cada ano, 20 de bolsas de estudo e permanência voltadas à população
negra no ensino superior, entre as quais a modalidade de fomento à Iniciação Científica, no nível de
graduação e pós-graduação.

O objetivo específico contém, ainda, a entrega Apoio técnico para fomentar a aplicação da Lei no
10.639, de 9 de janeiro de 2003, que estabelece as diretrizes e bases da educação nacional, para
incluir no currículo oficial da Rede de Ensino a obrigatoriedade da temática “História e Cultura
Afro-Brasileira”, cuja meta é realizar 30 apoios técnicos até o final de 2027. Os apoios terão a forma
de diagnósticos de aplicação da lei pelos estados e municípios, promoção de troca de experiências en-
tre entes subnacionais, capacitações e formações para professores e outros atores do sistema escolar,
eventos e seminários e fomento à produção de materiais antirracistas com foco na infância e adoles-
cência.

Adicionalmente, estão previstas as seguintes medidas institucionais vinculadas a este objetivo especí-
fico: Ampliar número de ações afirmativas para estudantes negros nos programas de pós-gradu-
ação stricto sensu; e Formular políticas de ações afirmativas para inclusão dos Povos Ciganos na
educação superior, na pós-graduação e nos concursos públicos.

3.1.2 Ampliar ações afirmativas para o ingresso de pessoas negras no Serviço Público Fede-
ral e ocupação de cargos em comissão e funções de confiança

A pretensão deste objetivo específico é cumprir a taxa de 30% de ocupação de pessoas negras em car-
gos em comissão e funções de confiança no Executivo Federal. Deve contribuir para isso a entrega Bol-
sas para preparação para ingresso nos cargos efetivos do Serviço Público Federal.

Para que se ampliem essas ações afirmativas, é preciso detalhar o Decreto nº 11.443, de 21 de março
de 2023, que dispõe sobre o percentual mínimo de preenchimento por pessoas negras em cargos em
comissão e funções de confiança no âmbito da administração pública federal; e criar o Sistema para o
monitoramento e avaliação da reserva de vagas em concursos públicos, cargos em comissão e funções
de confiança – nos níveis hierárquicos de direção, chefia e assessoramento 1 a 12 e 13 a 1814 – e estágios
na Administração Pública Federal.

Prevê-se ainda fazer formação continuada para lideranças negras no serviço público federal para
que mais servidores negros estejam capacitados a assumir postos mais altos na Administração Pública
Federal.

14 O Decreto nº 11.443, de 21 de março de 2023, faz menção expressa para ocupação de 30% dos cargos de nível hierárquico
1 a 12 e de 30% de ocupação dos cargos de nível hierárquico 13 a 17, consoante seu Art. 3º, Incisos I e II. O objetivo do referido
normativo era evitar que a concentração de 30% fosse prevalente nos níveis hierárquicos inferiores. Os níveis hierárquicos
estão detalhados nos Anexos da Lei nº 14.204, de 16 de setembro de 2021, sendo que o nível 1 é o mais baixo e o nível 17 é o
mais alto. Os cargos de níveis 13 a 17 são considerados cargos de direção, chefia e assessoramento superiores, com maiores
complexidades.

65
Série Planejamento Nacional Agenda Transversal Igualdade Racial

Gráfico 48 – Ampliação do número de servidores negros qualificados


para ocupação de cargos de liderança

70
60
60

50
50

40
40

30
30

20

10

0
2024 2025 2026 2027
Fonte: SIOP.

3.1.3 Fomentar o ingresso de pessoas negras na iniciativa privada

Neste objetivo específico, a pretensão é aumentar a empregabilidade e o empreendedorismo, aumen-


tando o nível de ocupação das pessoas negras no mercado de trabalho formal de 54,8% para 55,2% até
2027.

Este objetivo específico contempla a entrega Mecanismos de incentivo à presença de pessoas negras
no mercado de trabalho do setor privado, cuja meta é firmar 22 parcerias ao longo do PPA para a
criação de programas de inclusão e diversidade racial e de gênero pelas empresas voltados à emprega-
bilidade de pessoas negras.

Também colabora a entrega Parcerias com instituições privadas para a formação de pessoas ne-
gras, visando a ascensão na ocupação de cargos de gestão, coordenação, gerência e alta adminis-
tração, cuja meta são 22 parcerias ao longo da vigência do PPA.

Há ainda a entrega Parcerias firmadas para a promoção de empreendimentos de pessoas negras,


que prevê a meta de firmar 22 parcerias até o final de 2027 para desenvolver programas de capacitação
empreendedora para pessoas negras e políticas de financiamento de projetos empreendedores geren-
ciados por pessoas negras.

3.1.4 Promover a gestão das políticas de promoção de igualdade racial no âmbito do Siste-
ma Nacional de Promoção da Igualdade Racial, com vistas à sua institucionalização

A intenção é incentivar estratégias de aperfeiçoamento de políticas públicas com vistas à promoção


da igualdade racial, por meio da transversalidade, capacitação, desenvolvimento de instrumentos de
política pública, avaliação e monitoramento. No âmbito deste objetivo específico, inclui-se a entrega
Formação de gestores públicos para promoção da igualdade racial, com a meta de capacitar 1.250
gestores públicos por ano em ações de formação antirracistas.

66
Série Planejamento Nacional Agenda Transversal Igualdade Racial

3.2 Juventude Negra Viva – Ministério da Igualdade Racial

3.2.1 Ampliar a presença de jovens negros, em condição de vulnerabilidade econômica e


social, no mercado de trabalho por meio da Economia Popular e Solidária em territórios
vulneráveis, periféricos e favelas

Este objetivo específico tem a meta de realizar ações relacionadas à promoção da Economia Popular e
Solidária para jovens negros em situação de vulnerabilidade social em 20 municípios por ano. Essas
ações envolvem a formação profissional e o fomento a projetos que apoiem à produção, distribuição,
consumo, poupança e crédito organizados sob a forma de autogestão.

Entre as entregas, enfatiza-se Qualificação profissional em Economia Popular e Solidária para jo-
vens negros, com a meta de formar 2.000 jovens negros, em especial nas áreas de ciência e tecnologia,
cooperativismo de plataforma, informatização da produção e áreas afins, bem como Apoio a projetos
de Economia Popular e Solidária para jovens negros, com a meta de apoiar 10 projetos de Economia
Popular e Solidária para jovens negros em cada um dos anos.

3.3 Políticas para Quilombolas, Comunidades Tradicionais de Matriz Africa-


na, Povos de Terreiros e Povos Ciganos – Ministério da Igualdade Racial

3.3.1 Fomentar ações que fortaleçam as práticas agroecológicas, o fornecimento energéti-


co, o saneamento, a soberania alimentar, a valorização cultural, social, os saberes e fazeres
dos quilombolas, povos e comunidades tradicionais de matriz africana, povos de terreiros
e ciganos

Neste objetivo específico, espera-se contribuir para a preservação do meio ambiente a partir dos sabe-
res e modos de vida dos povos e comunidades tradicionais. Integra este objetivo a entrega Oficinas de
capacitação para desenvolvimento de ferramentas de aplicação de tratamento de água, esgoto e
efluentes, gestão de energia descentralizada e práticas agroecológicas, cuja meta é a realização de
2 oficinas por ano com a finalidade de capacitar populações tradicionais no uso de tecnologias neces-
sárias para acessos a recursos de saneamento e infraestrutura para autossustentação.

3.4 Promoção do Trabalho Decente, Emprego e Renda – Ministério do Traba-


lho e Emprego
O objetivo geral deste programa contempla assegurar o trabalho decente, o acesso ao emprego e ren-
da, proteção social e remuneração justa, garantindo segurança e saúde no trabalho, diálogo social,
inclusão, acessibilidade e equidade no mundo do trabalho. Várias iniciativas serão empreendidas com
a finalidade de ampliar o debate acerca das assimetrias experimentadas pela população negra ao con-
correr a uma vaga de trabalho.

3.4.1 Promover a qualificação social e profissional

Neste objetivo específico, é possível acompanhar a absorção de mão de obra qualificada pelo mercado
de trabalho, a partir de indicadores que evidenciam os beneficiários de políticas de qualificação social

67
Série Planejamento Nacional Agenda Transversal Igualdade Racial

e profissional, e se tornam mais evidentes quando há o recorte de raça. A entrega Fomento à qualifi-
cação em Tecnologia da Informação por meio de estratégia de empregabilidade para egressos do
sistema de cotas das Instituições de Ensino Técnico e Superior projeta 10 parcerias a serem firmadas
até o final de 2027.

3.4.2 Combater a exploração do trabalho análogo ao escravo e do tráfico de pessoas

Neste objetivo específico, pretende-se ampliar e fortalecer a política pública de combate ao trabalho
análogo ao de escravo e ao tráfico de pessoas por meio da fiscalização das relações de trabalho. Busca,
em última instância, extinguir a ocorrência de qualquer caso de trabalho análogo ao de escravo e de
tráfico de pessoas no Brasil. Em função da gravidade dessas violações de direitos, entende-se que o
Estado deve maximizar sua capacidade de atuação e presença repressiva. A meta é realizar 2.300 ações
fiscais de combate ao trabalho análogo ao de escravo e ao tráfico de pessoas até o final de 2027.

Gráfico 49 – Número de ações fiscais de combate ao trabalho análogo ao de


escravo e ao tráfico de pessoas

2.500 2.300

2.000 1.650

1.500

1.050
1.000

500
500

0
2024 2025 2026 2027
Fonte: SIOP.

A repressão deve ocorrer tanto de forma direta, por intermédio de ações de fiscalização específicas de
combate ao trabalho análogo ao de escravo, como por meio da presença da Inspeção do Trabalho de
forma extensiva no país, em especial nas áreas de maior vulnerabilidade social. Ambas as situações es-
tão previstas na entrega Presença fiscal na repressão ao trabalho análogo ao de escravo e ao tráfico
de pessoas ampliada, que tem a meta de realizar 425 ações até o final de 2027.

68
Série Planejamento Nacional Agenda Transversal Igualdade Racial

Gráfico 50 – Aumento da presença fiscal na repressão do trabalho análogo ao


de escravo e do tráfico de pessoas

450 425
400
350 315
300
250
205
200
150
100
100
50
0
2024 2025 2026 2027
Fonte: SIOP.

As entregas Atendimento de denúncias de trabalho análogo ao de escravo e de tráfico de pessoas


ampliado e Recebimento, análise e tratamento das denúncias de trabalho análogo ao de escravo
e de tráfico de pessoas têm a mesma expectativa, qual seja, de que 100% das denúncias sejam atendi-
das e tratadas até o final da vigência do PPA 2024-2027.

3.4.3 Assegurar a igualdade de oportunidades e de tratamento nos ambientes de trabalho


das organizações por meio da exigência do cumprimento de medidas legais de prevenção
da discriminação, assédio e violência no trabalho

Para contribuir com o alcance deste objetivo, foram propostas as seguintes medidas institucionais:

• Criar grupos especiais nacionais de combate à discriminação, assédio e violência no traba-


lho;

• Realizar rodas de conversas sobre discriminação, assédio e violência no trabalho; e

• Ratificar15 a Convenção nº 190 da OIT, que trata de aprimorar os instrumentos jurídicos e


normativos para a proteção integral dos trabalhadores no que se refere ao assédio e violên-
cia no trabalho.

Além disso, este objetivo específico busca unir esforços para a realização de 11.034 ações fiscais com
vistas ao combate à discriminação, assédio e violência até o final de 2027.

15 Registre-se que o Brasil deu início ao processo de ratificação da Convenção nº 190 da OIT, por envio da Mensagem
Presidencial nº 86, de 8 de março de 2023, encaminhada ao Congresso Nacional. O tratado só entra em vigor no Brasil após
aprovação pelas duas Casas do Congresso Nacional (Câmara e Senado).

69
Série Planejamento Nacional Agenda Transversal Igualdade Racial

Gráfico 51 – Realização de ações fiscais com vistas ao combate à discriminação,


assédio e violência – Número de ambientes de trabalho fiscalizados

12.000
11.034
10.000
8.070
8.000

6.000 5.248

4.000
2.560
2.000

0
2024 2025 2026 2027
Fonte: SIOP.

A entrega Presença fiscal no combate à discriminação, assédio e violência no trabalho intensi-


ficada tem a meta de ampliar a presença fiscal no combate à discriminação, assédio e violência no
trabalho, a partir do aumento do número de empresas inspecionadas e da eficiência nas fiscalizações
desenvolvidas, chegando a 14.223 fiscalizações em 2027.

Gráfico 52 – Ampliação da presença fiscal no combate à discriminação, assédio


e violência no trabalho – Número de fiscalizações

16.000
14.223
14.000

12.000 10.403
10.000

8.000 6.765
6.000

4.000 3.300

2.000

0
2024 2025 2026 2027
Fonte: SIOP.

Já a entrega Seminários nacionais sobre discriminação, assédio e violência no trabalho prevê a re-
alização de 24 seminários no período do PPA 2024-2027 com a finalidade de informar acerca da legisla-
ção aplicável ao combate à discriminação, violência e assédio moral e sexual no ambiente de trabalho
e da importância de seu cumprimento, bem como orientar quanto às consequências das práticas da

70
Série Planejamento Nacional Agenda Transversal Igualdade Racial

discriminação e assédio moral e sexual para os trabalhadores, organizações e sociedade em geral, e


estimular as denúncias de descumprimentos trabalhistas.

3.4.4 Assegurar a dignidade no trabalho das trabalhadoras domésticas

Há mais de cinquenta anos regulamentado no Brasil, o trabalho doméstico sofreu alterações em sua
realidade normativa e prática. Ainda se observa um elevado índice de informalidade, bem como com
cerca de 5,8 milhões de trabalhadores domésticos, em sua maioria mulheres16. Ainda, após a aprovação
da Emenda à Constituição nº 72, de 2 de abril de 2013 (conhecida como “PEC das Domésticas”), houve
uma troca no quantitativo de trabalhadoras registradas e informais, como se depreende das pesquisas
do IBGE sobre o tema.

Diante das circunstâncias apontadas, cabe priorizar o atendimento às cerca de seis milhões de traba-
lhadoras domésticas, grupo majoritariamente composto por mulheres negras, com baixa escolaridade.

Esse objetivo específico almeja aumentar para 15% até 2027 o percentual de regularização das infra-
ções mais recorrentes no trabalho doméstico.

Com a entrega Atendimento de denúncias de trabalho doméstico análogo ao de escravo e do tráfi-


co de pessoas ampliado, espera-se atingir 100% de atendimentos até o final do PPA 2024-2027.

A entrega Campanha Nacional pelo Trabalho Doméstico Decente (CNTD) projeta a promoção de 32
eventos divulgadores da Campanha Nacional pelo Trabalho Doméstico Decente até o final de 2027.

Já a entrega Ampliação do combate à informalidade das trabalhadoras domésticas tem como meta,
até 2027, 45% de acerto na identificação de empregadores que mantém empregadas domésticas infor-
mais.

3.4.5 Ampliar a inclusão de jovens na aprendizagem profissional de qualidade

Com intuito de promover uma inclusão profissional segura, protegida e qualificada, o objetivo espe-
cífico em questão proporcionará mais e melhores trabalhos decentes para os jovens de 14 a 24 anos,
inclusos na legislação específica da aprendizagem profissional.

A entrega Fomento à ampliação da contratação de aprendizes na Administração Pública (direta,


autárquica e fundacional) Federal, Estadual, no Distrito Federal e Municípios conta com um recorte
da meta desagregada por raça.

16 Dados do 4º trimestre de 2022 da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua - Pnad Contínua, do IBGE, revelam
que o Brasil contava com 5,8 milhões de pessoas ocupadas no trabalho doméstico, equivalente a 5,9% da força de trabalho,
das quais 91,4% eram mulheres.

71
Série Planejamento Nacional Agenda Transversal Igualdade Racial

Gráfico 53 – Ampliação da contratação de aprendizes na Administração Pública

Total População Negra

3.000
2.500 2.500
2.500
2.000
2.000
1.500
1.500

1.000 750 750


600
500 450

0
2024 2025 2026 2027
Fonte: SIOP.

3.5 Autonomia Econômica das Mulheres – Ministério das Mulheres


O objetivo deste programa é promover políticas públicas que tenham as mulheres como beneficiárias
visando a promoção da igualdade e da autonomia econômica das mulheres e a desnaturalização da
divisão sexual e racial do trabalho.

3.5.1 Ampliar as oportunidades de acesso e proteção das mulheres aos direitos do trabalho

Neste objetivo específico, pretende-se ampliar as oportunidades de acesso e proteção aos direitos do
trabalho para as mulheres, por meio das políticas afirmativas e ações de formação e qualificação pro-
fissional às mulheres. Integra este objetivo específico a entrega Cursos de Qualificação Profissional
para Mulheres, cuja meta é preparar para o mundo do trabalho, possibilitando a geração de renda,
30.000 mulheres por ano, das quais 16.500 mulheres negras/ano.

Já a entrega Ações de formação e qualificação para as trabalhadoras domésticas pretende qualifi-


car para o trabalho 14.210 mulheres ao longo do PPA, sendo 60% mulheres negras.

72
Série Planejamento Nacional Agenda Transversal Igualdade Racial

Gráfico 54 - Mulheres qualificadas para o mundo do trabalho, possibilitando a gera-


ção de renda, trabalho ou emprego
Total População Negra

16.000
14.210
14.000
12.500
12.000

10.000
7.700 8.526
8.000 7.500

6.000
3.700
4.000
4.620
2.000
2.200
0
2024 2025 2026 2027
Fonte: SIOP.

3.5.2 Promover a autonomia econômica, por meio de ações de estímulo à socialização do


cuidado e de geração de renda

Com a meta de incrementar o rendimento real do trabalho das mulheres em 0,70% ao ano durante a vi-
gência do PPA, o presente objetivo específico programa a realização de ações transversais de estímulo
à geração de trabalho e renda para as mulheres em situação de pobreza, qualificação para a produção e
a gestão coletiva de empreendimentos. Também serão executadas iniciativas de divulgação da Política
Nacional de Cuidados e de medidas de promoção da socialização do trabalho doméstico e de cuidados.

São entregas deste objetivo específico: Qualificação Profissional de Mulheres na Área de Cuidados,
com a meta de qualificar 3.200 mulheres na área de cuidados até do final de 2027, sendo 60% delas
negras; e Bolsa qualificação para jovens mulheres em situação de pobreza, que pretende oferecer
condições financeiras para que, até 2027, mais de 10 mil jovens mulheres em situação de pobreza
possam se qualificar profissionalmente e ter acesso ao mundo do trabalho.

3.6 Programa Nacional de Promoção dos Direitos da População em Situação


de Rua – Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania

3.6.1 Promover a dignidade e a cidadania da população em situação de rua

Entre as entregas relacionadas a este objetivo, destaca-se: Cursos educacionais em arte, leitura, in-
clusão digital e outros temas para a população em situação de rua, cuja meta é oferecer 25 cursos
ao longo do PPA.

Por seu turno, a entrega Planos de comercialização de produtos e serviços dos empreendimentos
econômicos populares e solidários constituídos com população em situação de rua implementa-
dos tem por meta a implementação de 20 planos de comercialização até o final de 2027.

73
Série Planejamento Nacional Agenda Transversal Igualdade Racial

Ademais, a entrega Realização de capacitações para incubação de empreendimentos econômicos


populares e solidários prevê a realização de 200 ações de capacitação ao longo do PPA, fundamentais
para incubação de empreendimentos.

Gráfico 55 – Capacitações de incubação para os empreendimentos populares e


solidários visando gerar trabalho e renda apara a população em situação de rua

250

200
200

150
110
100 95

50
50

0
2024 2025 2026 2027
Fonte: SIOP.

Outras entregas previstas são: Cursos de capacitação para agentes públicos que atuam na saúde, na
assistência social e na segurança pública e Capacitação de Profissionais do SAMU 192 em atenção
às urgências e emergências da população em situação de rua.

3.7 Economia Popular e Solidária Sustentáveis – Ministério do Trabalho e


Emprego
O objetivo geral deste programa é fortalecer as iniciativas de economia popular e solidária e a constru-
ção de redes produtivas, fundamentadas nos princípios da autogestão, cooperação, sustentabilidade
ambiental, participação popular e na valorização das dinâmicas territoriais.

3.7.1 Promover a educação popular, a qualificação técnica e a formação cidadã em Econo-


mia Popular e Solidária

O contexto deste objetivo específico destaca-se no combate à desigualdade racial. A expectativa é que
sejam oferecidos cursos de qualificação profissional para desenvolvimento de competências técnicas,
humanas, políticas, sociais e ambientais dos integrantes dos empreendimentos de economia popular
e solidária. Os cursos têm como principais diretrizes: formação humanista, antirracista, feminista e an-
ticapacitista; o bem viver e os saberes dos povos e comunidades tradicionais e indígenas; a educação
popular e interdisciplinar, da metodologia pedagógica da alternância garantindo o diálogo entre teoria
e prática, na relação da autogestão com a comunidade e o território; os princípios da Economia Soli-
dária e diretrizes da política nacional; e o alinhamento de competências técnicas, humanas, políticas,
sociocultural e ambientais. A meta é que até 2027 tenham sido beneficiados com os cursos 1.260 repre-
sentantes de povos e comunidades tradicionais, 2.100 quilombolas, e 21.000 pessoas negras.

74
Série Planejamento Nacional Agenda Transversal Igualdade Racial

Gráfico 56 – Qualificação em Economia Popular e Solidária

Brasil População Negra Povos e Comunidades Tradicionais Quilombolas

45.000
42.000
40.000
35.000
30.000
25.000
19.500 21.000
20.000
15.000 13.000
9.750
10.000
6.300 6.500
5.000 3.150 2.100
650 390 975 585
0 315 390 1.260
2024 2025 2026 2027
Fonte: SIOP.

Outro exemplo de iniciativa com recorte racial é a entrega Agentes formadores qualificados para so-
cialização do conhecimento da Economia Popular e Solidária e da educação socioambiental, na
qual há a previsão de 500 agentes negros estarem qualificados em 2027.

Gráfico 57 – Qualificação de agentes formadores para socialização do conhecimento


da Economia Popular e Solidária e da educação socioambiental
Total População Negra

1.200

1.000
1.000

800 750

600
500 500
400 375
250
200 150
75
0
2024 2025 2026 2027
Fonte: SIOP.

75
Série Planejamento Nacional Agenda Transversal Igualdade Racial

3.8 Educação Básica Democrática, com qualidade e equidade – Ministério da


Educação
O Programa Educação Básica Democrática, com qualidade e equidade tem por objetivo elevar a qua-
lidade e promover a equidade em todas as etapas e modalidades da Educação Básica, em regime de
colaboração com os sistemas de ensino, valorizando os profissionais da Educação Básica, promovendo
o acesso, a permanência, a conclusão de suas etapas, a trajetória regular e a aprendizagem em níveis
adequados, com vistas à superação das desigualdades e à valorização da diversidade, na perspectiva
do desenvolvimento integral, da inclusão, da sustentabilidade e da justiça social, em consonância com
o Plano Nacional de Educação.

3.8.1 Promover ações para o reconhecimento e valorização da diversidade a partir do apoio


à formação em educação para as relações étnico-raciais, em educação em direitos humanos
e em educação ambiental na escola

Este objetivo específico incorpora a proposta “Ensino de História e Cultura Afro-brasileira, Afri-
cana e Indígena nas escolas e estruturação escolar quilombola”, proveniente do Fórum Inter-
conselhos no processo de PPA Participativo.

Este objetivo específico será acompanhado por meio do indicador formação em educação para as re-
lações étnico-raciais com linhas de formação permanentes na educação básica. A meta é disponibilizar
até 7.300 vagas em cursos de formação continuada em educação para as relações étnico-raciais, em
educação em direitos humanos e em educação ambiental, promover a formação de capacitadores para
transformar a realidade local e o conhecimento sobre a realidade étnico-racial no Brasil.

3.9 Educação Profissional e Tecnológica que Transforma – Ministério da


Educação
O Programa Educação Profissional e Tecnológica que Transforma objetiva ampliar a qualidade dos
ensinos médio, técnico e superior, preparando cidadãos e cidadãs para lidar com os desafios profissio-
nais e éticos em um mundo em intensa transformação tecnológica. O programa tem como pressuposto
e problema o acesso e a permanência desiguais e insuficientes na Educação Profissional e Tecnológica
(EPT), especialmente entre as populações de maior vulnerabilidade social como as populações negras,
indígenas, quilombolas, pessoas surdas, pessoas com deficiência, povos do campo, das águas e das
florestas.

Apesar de esse programa não ser voltado exclusivamente para ampliar o acesso e oportunidade da
população negra, possui ações concretas que podem contribuir diretamente para a melhoria da quali-
dade da educação profissional e técnica desse público.

76
Série Planejamento Nacional Agenda Transversal Igualdade Racial

3.9.1 Expandir a oferta da Educação Profissional e Tecnológica, levando-se em conta as desi-


gualdades raciais, de nível socioeconômico, bem como as especificidades sociais, culturais,
territoriais e ambientais, de sustentabilidade, inclusão e acessibilidade

Este objetivo específico tem como meta aumentar o número de matrículas em cursos técnicos de nível
médio e em cursos de qualificação profissional no ano.

A entrega Ampliação do número de matrículas de Jovens e Adultos integradas à Educação Profis-


sional e Tecnológica informa o desejo de alcançar mais de 1,2 milhão de vagas com essa finalidade.

Entre as medidas institucionais e normativas previstas para o período do PPA 2024 – 2027, estão:

• a ampliação das políticas afirmativas com impacto na oferta de EPT é uma medida ins-
titucional em que o Governo Federal está trabalhando;

• o investimento em ações educacionais com vistas a fortalecer os programas de ações


afirmativas por meio da Lei de cotas e outras institucionalizadas pelas Instituições; e

• a produção de indicadores de resultados; ampliação da assistência estudantil, bem


como o cumprimento da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional no que concer-
ne à educação das relações étnico-raciais, diversidades e inclusão

Espera-se gerar impactos positivos no acesso, permanência e êxito, com qualidade, de grupos que pa-
decem de injustiças históricas, como a população negra

3.10 Educação Superior: Qualidade, Democracia, Equidade e Sustentabilida-


de – Ministério da Educação
O programa Educação Superior: Qualidade, Democracia, Equidade e Sustentabilidade considera
o dever do poder de público de garantir educação de qualidade com equidade a todos os cidadãos
brasileiros.

Considerando a dimensão histórica que a questão racial tem no país, as ações transversais desenvolvi-
das entre as pastas de Igualdade Racial e Educação buscam promover, por meio de políticas de ações
afirmativas no âmbito da educação, o enfrentamento às desigualdades raciais e sociais, oportunizando
às pessoas negras o acesso e a permanência em espaços formais de educação historicamente negados
a elas.

As ações afirmativas implementadas a partir do início dos anos 2000 destinadas ao acesso aos cursos
de graduação e ensino médio técnico, bem como as políticas criadas em razão da Lei n° 12.711, de 29 de
agosto de 2012, geraram uma transformação do ensino superior brasileiro. Mas ainda são necessários
avanços, especialmente no que diz respeito ao fortalecimento das políticas de permanência e assistên-
cia estudantil que beneficiem os estudantes cotistas.

Ademais, na última década, os programas de pós-graduação começaram a implementar ações afirma-


tivas em diferentes modalidades para ampliar o acesso de estudantes pretos, pardos, indígenas, com
deficiência e mulheres aos cursos de mestrado, doutorado e mestrado profissional.

77
Série Planejamento Nacional Agenda Transversal Igualdade Racial

São medidas institucionais deste Programa:

• Atualização dos normativos que regem o Programa Estudantes-Convênio de Graduação


(PEC-G), incluindo o Projeto Milton Santos de Acesso à Educação Superior (Promisaes);

• Acompanhamento de egressos das instituições de educação superior, inclusive os egressos


das formações específicas do campo, indígena e quilombola; e

• Fortalecimento da promoção da equidade na Educação Superior, inclusive na pós-gradua-


ção, por meio do aperfeiçoamento dos normativos para instituir ações afirmativas para in-
gresso e permanência nas atividades de ensino, pesquisa e extensão desse nível de ensino.

3.10.1 Promover o acesso de estudantes à graduação, em instituições públicas e privadas,


buscando a equidade e valorizando a diversidade

Este objetivo específico apresenta metas anuais a serem alcançadas até 2027. Projeta-se ampliar em
42,6% a taxa bruta de matrículas na graduação, sendo que a expectativa é que 36,9% desse total de
matrículas sejam exclusivamente preenchidos pela população negra.

Gráfico 58 – Ampliação da taxa bruta de matrículas na graduação

Total População Negra

45% 41,5% 42,6%


39,5% 40,5%
40% 36,9%
35,1%
35% 31,8% 33,4%
30%
25%
20%
15%
10%
5%
0
2024 2025 2026 2027
Nota: O indicador representa a razão (expressa como um percentual) entre o quantitativo de pessoas de qualquer idade que
frequentam o ensino superior e o total geral de pessoas entre 18 e 24 anos de idade, faixa etária prevista para se frequentar
esse nível de ensino. O indicador se refere exclusivamente às matrículas dos cursos de graduação em relação à população de
referência, deixando de lado as matrículas na pós-graduação.
Fonte: SIOP.

A entrega Otimização da ocupação das vagas ofertadas pelas Instituições públicas de ensino supe-
rior por meio do sistema de seleção unificada (SISU) prevê para o final do PPA, em 2027, uma taxa
de ocupação das vagas de 88%.

78
Série Planejamento Nacional Agenda Transversal Igualdade Racial

Gráfico 59 – Ampliação da taxa de ocupação das vagas ofertadas pelas Instituições


públicas de ensino superior por meio do Sistema de Seleção Unificada (SISU)

90%
88%
88%
86%
84%
84%
82% 81%
80%
78%
78%
76%
74%
72%
2024 2025 2026 2027
Fonte: SIOP.

Já a entrega Aumento do número de contratos de Financiamento Estudantil (FIES) estipula que


82.004 contratos sejam firmados em 2027.

Gráfico 60 – Aumento do número de contratos firmados

90.000
82.004
80.000 74.549
70.000 67.772
61.611
60.000
50.000
40.000
30.000
20.000
10.000
0
2024 2025 2026 2027
Fonte: SIOP.

3.10.2 Ampliar a taxa de conclusão dos estudantes da graduação, em instituições públicas e


privadas, promovendo a permanência, a equidade e valorizando a diversidade

Este objetivo específico incorpora a proposta “Garantir financiamento para assistência estu-
dantil e para projetos de fortalecimento das universidades públicas, federais, estaduais e mu-
nicipais”, oriunda da Plataforma Brasil Participativo, tendo recebido 1.387 votos.

79
Série Planejamento Nacional Agenda Transversal Igualdade Racial

A meta para esse objetivo específico é que 50% a mais de estudantes concluam a graduação em 2027.
Uma das entregas prevê a Ampliação do número de bolsas para permanência de estudantes indí-
genas, quilombolas e em situação de vulnerabilidade econômica. Nesse caso, as bolsas serão ofe-
recidas, anualmente, na seguinte distribuição: em 2024 serão disponibilizadas 22 mil bolsas para os
grupos mencionados; em 2025, 2026, e 2027, há a expectativa de ofertar 24 mil bolsas em cada ano
mencionado.

3.10.3 Incentivar o aumento de vagas e a criação de novos cursos médicos nas Universi-
dades Federais, com ênfase em regiões com maior carência de profissionais, otimizando a
capacitação dos profissionais em área da saúde em nível de pós-graduação

Estima-se que em 2024 sejam oferecidas 7.858 vagas em graduação em Medicina nas Instituições Fede-
rais de Ensino Superior; 8.358 vagas em 2025; 8.858 em 2026; finalizando o PPA em 2027 com a oferta
de 9.358 vagas.

Existe um recorte neste objetivo para o futuro próximo, a entrega Aumento da participação de estu-
dantes hipossuficientes, estudantes pretos, pardos ou indígenas (PPI), estudantes com deficiên-
cia (PCD) e estudantes provenientes de escolas públicas em contratos de financiamento estudan-
til (FIES) de cursos de medicina. A previsão é que, em 2027, 52% das vagas disponibilizadas alcancem
esses públicos.

Gráfico 61 – Taxa de participação do público-alvo no número total de contratos


do FIES de Cursos de Medicina

53%
52%
52%
51%
50%
50%
49%
48%
48%
47%
47%
46%
45%
44%
2024 2025 2026 2027
Fonte: SIOP.

3.10.4 Apoiar a formação em nível de mestrado para a melhoria e o fortalecimento da ciên-


cia, das artes, da cultura, da tecnologia e da inovação e suas estruturas, incluindo ações in-
dutoras para o enfrentamento das desigualdades regionais e vulnerabilidades sociais para
o desenvolvimento sustentável do país

Este objetivo específico busca ampliar o número de titulados em mestrado. Entre outras iniciativas,
este objetivo será materializado com a entrega Apoio a editais que contemplem a incorporação de
políticas de ações afirmativas que gerem impacto positivo na redução das desigualdades sociais.

80
Série Planejamento Nacional Agenda Transversal Igualdade Racial

As ações contemplam o fortalecimento, aperfeiçoamento e desenvolvimento de ações governamentais


que promovem a equidade de oportunidades para a população negra, quilombola, indígena, com de-
ficiência e mulheres, considerando a interseccionalidade, intersetorialidade e a transversalidade entre
as diferentes áreas do governo. A expectativa é contemplar o público-alvo mencionado acima com o
oferecimento de 50, 100, 200 e 400 bolsas de mestrado nos editais publicados em 2024, 2025, 2026 e
2027, respectivamente.

Gráfico 62 – Aumento do quantitativo de bolsas de mestrado concedidas pela CAPES,


no País, por meio de editais que contemplem a incorporação de políticas de
ações afirmativas
500
450
400
400
350
300
250
200
20 200
150
100
100 50
0
2024 2025 2026 2027
Fonte: SIOP.

3.10.5 Apoiar a formação em nível de doutorado para a melhoria e fortalecimento da ciên-


cia, das artes, da cultura, da tecnologia e da inovação e suas estruturas, incluindo ações in-
dutoras para o enfrentamento das desigualdades regionais e vulnerabilidades sociais para
o desenvolvimento sustentável do país

A entrega Apoio a editais que contemplem a incorporação de políticas de ações afirmativas tem
como meta a concessão de bolsas de doutorado a 75, 150, 300 e 600 pessoas nos anos do PPA, respec-
tivamente.

81
Série Planejamento Nacional Agenda Transversal Igualdade Racial

Gráfico 63 – Aumento do quantitativo de bolsas de doutorado concedidas pela


CAPES, no País, por meio de editais que contemplem a incorporação de
políticas de ações afirmativas

700
600
600

500

400
300
300

200
150
100 75

0
2024 2025 2026 2027
Fonte: SIOP.

3.11 Gestão, Trabalho, Educação e Transformação Digital na Saúde – Minis-


tério da Saúde
O objetivo deste programa é o cuidado integral à saúde da população, por meio da incorporação da
inovação e da saúde digital centrada no cidadão; da melhoria da qualidade e das condições de trabalho
no âmbito do SUS; da qualificação de pessoal para o desenvolvimento dos processos de gestão e de
planejamento; da transparência pública; da qualificação dos meios de escuta e resposta ao cidadão;
do fortalecimento das relações de trabalho e da formação em saúde; do enfrentamento das discrimi-
nações e desigualdades de raça/etnia, de gênero, regionais e sociais; bem como do fortalecimento da
gestão estratégica, participativa e interfederativa do SUS.

3.11.1 Implementar ofertas formativas em rede e EAD como contribuição para a redução das
desigualdades regionais e sociais em saúde

O sentido deste objetivo específico está atrelado à busca pela melhoria da qualidade do serviço de
saúde oferecido à população, por meio da incorporação de novas estratégias, dentre elas o aperfeiçoa-
mento e qualificação dos profissionais na área de saúde. O enfrentamento de qualquer tipo de discrimi-
nação e das desigualdades de raça/etnia, de gênero, regionais e sociais se faz necessário para fortalecer
a gestão do SUS.

Das medidas a serem tomadas, destaca-se a entrega Cursos de qualificação em EAD no formato au-
toinstrucional com ênfase nas temáticas para o enfrentamento das desigualdades sociais (gêne-
ro, raça/etnia, orientação sexual, população em situação de vulnerabilidade) e doenças infeccio-
sas e negligenciadas. A expectativa é ampliar o número de alunos concluintes em cursos em EAD no
formato autoinstrucional em 15 mil até o final do PPA 2024-2027.

Já a entrega Curso de iniciação científica no formato híbrido para jovens pesquisadoras nas áreas
das engenharias, ciências exatas e computação para a saúde (STEM na Saúde), voltado para o

82
Série Planejamento Nacional Agenda Transversal Igualdade Racial

enfrentamento das desigualdades regionais, de raça/etnia, gênero e orientação sexual, em áreas


vulnerabilizadas almeja que 2 mil alunas finalizem o Programa Mulheres e Meninas na Ciência, em 10
estados e no Distrito Federal até 2027.

3.12 Direito à Cultura – Ministério da Cultura

Este programa incorpora parcialmente a proposta “Política Nacional Cultura Viva/PNCV - Pon-
tos de Cultura – META 23 do Plano Nacional de Cultura”, que obteve 1.087 votos na Plataforma
Brasil Participativo.

A cultura, de modo geral, desempenha um papel fundamental na agenda transversal por meio do ma-
peamento de projetos culturais que promovam o protagonismo e o acesso à cultura de grupos prioritá-
rios, dentre eles a população negra.

Diversas iniciativas para a redução das desigualdades e inserção da população negra no mercado de
trabalho da cultura já foram tomadas, entre elas o projeto “Ativação Federativa do Ecossistema de So-
luções Digitais para o Fomento à Cultura” e o lançamento de editais e chamadas públicas que estabe-
lecem cotas e prioridades para pessoas negras.

No âmbito do programa Direito à Cultura, destaca-se a medida institucional Elaboração do Programa


Nacional de Ações Afirmativas na Cultura.

3.12.1 Fortalecer os meios de produção, fruição e consumo das cadeias e redes produtivas
da economia criativa

A entrega Apoio a projetos audiovisuais por meio de editais, levando em conta a diversidade de
gênero e raça, pensada especificamente para redução das desigualdades de gênero e raça, tem como
meta apoiar 30 projetos audiovisuais anualmente, sendo a distribuição regionalizada estipulada em 3
na Região Norte, 8 na Região Nordeste, 2 na Região Centro-Oeste, 13 na Região Sudeste e 4 na Região
Sul.

3.13 Esporte para a Vida – Ministério do Esporte

3.13.1 Promover o esporte de excelência, desde a especialização até a transição de carreira,


para projetar o país como uma potência esportiva mundial

O objetivo específico acima conta com a entrega Implantação do programa de transição de carreira
em todas as fases de excelência esportiva no atendimento físico, psicossocial e econômico dos
atletas, que pretende beneficiar 800 atletas de alto rendimento negros até 2027.

3.14 Relações Internacionais e Assistência a Brasileiras e Brasileiros no Exte-


rior – Ministério das Relações Exteriores
O objetivo geral do programa é promover a inserção internacional soberana, os valores e os interesses
do Brasil, renovando o compromisso com o diálogo e a cooperação internacionais em prol do desen-

83
Série Planejamento Nacional Agenda Transversal Igualdade Racial

volvimento sustentável, dos direitos humanos e da paz, e prestar assistência a brasileiras e brasileiros
no exterior.

3.14.1 Transversalizar na política externa as perspectivas de igualdade de gênero e igualda-


de racial

O contexto deste objetivo específico deixa claro a intenção de ampliar a participação de todos os bra-
sileiros na representação diplomática. A entrega Aumento do número de bolsas concedidas a candi-
datos pretos no âmbito do Programa de Ação Afirmativa – Bolsa-Prêmio de Vocação para a Diplo-
macia tem como meta a concessão de 60 bolsas anualmente durante a vigência o do PPA 2024-2027.

Além disso, o Governo Federal ampliará, em suas publicações, a diversidade de gênero e a diversida-
de étnico-racial na produção de pesquisa e conhecimento em relações internacionais.

3.14.2 Atuar internacionalmente em prol dos Direitos Humanos, do desenvolvimento social


e do combate à fome

No contexto deste objetivo específico, prevê-se a apresentação e a negociação de projeto de resolução


no Conselho de Direitos Humanos sobre a Declaração da ONU para a Promoção e Pleno Respeito
dos Direitos Humanos dos Afrodescendentes.

3.15 Consolidação do Sistema Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação –


SNCTI – Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação
O objetivo geral deste programa é recuperar, expandir, modernizar, consolidar e integrar o Sistema Na-
cional de Ciência, Tecnologia e Inovação, promovendo a articulação com a sociedade civil e os gover-
nos estaduais e municipais, a difusão de capacidades e a redução de assimetrias.

Merece registro a medida institucional Desenvolver medidas que influenciem o aumento real da
participação (e permanência) de mulheres, negros e indígenas no acesso às bolsas do CNPq, por
exemplo: licença maternidade, compensação de jornadas duplas e triplas, realidade dos negros
e indígenas, e aumento no 'estoque' de pesquisadores para a indicação/recepção das bolsas de
pesquisa (PQ e DT).

3.15.1 Promover a formação, capacitação, atração e fixação de recursos humanos em pro-


jetos de CT&I com atenção à correção de assimetrias

Esse objetivo específico volta-se à redução da desigualdade de oportunidades nas carreiras científicas
para a população negra.

De maneira concreta, uma ação é a entrega Ampliação da participação de mulheres, negros e indí-
genas na concessão de bolsas de Produtividade em Pesquisa - PQ e Desenvolvimento Tecnológico
- DT. O indicador dessa entrega é o percentual de beneficiários/ano de bolsas de Produtividade em
Pesquisa e de Desenvolvimento Tecnológico para mulheres, negros e indígenas em relação ao total de
beneficiários/ano de bolsas PQ e DT.

84
Série Planejamento Nacional Agenda Transversal Igualdade Racial

Gráfico 64 – Percentual de beneficiários/ano de bolsas de Produtividade em Pesquisa


(PQ) e de Desenvolvimento Tecnológico (DT) para mulheres, negros e indígenas em
relação ao total de beneficiários/ano de bolsas PQ e DT

51%
50%
50%
49%
48%
48%
47%
46%
46%
45%
44%
44%
43%
42%
41%
2024 2025 2026 2027
Fonte: SIOP.

85
Série Planejamento Nacional Agenda Transversal Igualdade Racial

86
Série Planejamento Nacional Agenda Transversal Igualdade Racial

4 Proteção e promoção da cultura, história, memória e


saberes ancestrais

Esta dimensão reúne objetivos específicos e entregas que visam a assegurar o resgate, a preservação
e a valorização da história, dos saberes e da cultura afro-brasileira, incluindo seus aspectos ancestrais,
comunitários, religiosos, socioculturais, ambientais, econômicos e políticos. Os atributos desta dimen-
são têm por objetivo contribuir para a reparação histórica do apagamento da cultura afro-brasileira e
promover o seu reconhecimento como estruturante na formação histórica da sociedade e da cultura
brasileira.

A Constituição Federal, em seu artigo 215, determina que o Estado garantirá a todos o pleno exercício
dos direitos culturais e o acesso às fontes da cultura nacional. Ademais, a Constituição assinala, no
parágrafo 1º do artigo citado, que “O Estado protegerá as manifestações das culturas populares, indíge-
nas e afro-brasileiras, e das de outros grupos participantes do processo civilizatório nacional”.

Vale lembrar a Lei nº 10.639, de 9 de janeiro de 2003, que incluiu no currículo oficial da Rede de Ensino
a obrigatoriedade da temática "História e Cultura Afro-Brasileira". A lei trata inclusive do conteúdo
programático, que incluirá o estudo da História da África e dos Africanos, a luta dos negros no Brasil,
a cultura negra brasileira e o negro na formação da sociedade nacional, resgatando a contribuição do
povo negro nas áreas social, econômica e política pertinentes à História do Brasil. A lei determina ainda
que os conteúdos referentes à História e Cultura Afro-Brasileira serão ministrados no âmbito de todo
o currículo escolar, em especial nas áreas de Educação Artística e de Literatura e História Brasileiras.

4.1 Promoção da Igualdade Étnico-Racial, Combate e Superação do Racismo


– Ministério da Igualdade Racial

4.1.1 Promover o combate ao racismo por meio da preservação e salvaguarda dos patrimô-
nios afrodiaspóricos, garantindo a reparação e valorização da memória e do território das
comunidades relacionadas aos bens culturais

Com este objetivo específico, visa-se utilizar o patrimônio material e imaterial para potencializar so-
cialmente e economicamente as comunidades negras relacionadas aos bens culturais, como meio de
promoção da memória e do legado afro-brasileiro.

Prevê-se a instituição do Programa de Memória, Reparação e Preservação da Cultura e do Patrimônio


Afrodiaspórico, por meio de instrução normativa entre Ministério de Igualdade Racial e Sistema MinC,
para estabelecer políticas públicas permanentes voltadas às comunidades relacionadas aos bens cul-
turais negros brasileiros reconhecidos, com destinação de linhas de financiamento e fomento para as
comunidades.

Também está previsto realizar projetos em comunidades relacionadas a bens culturais afrodiaspó-
ricos e a projetos de memória e reparação em equipamentos culturais relacionados ao patrimônio
cultural afrodiaspórico.

87
Série Planejamento Nacional Agenda Transversal Igualdade Racial

Gráfico 65 – Fomento de projetos em comunidades relacionadas a bens culturais


afrodiaspóricos e de projetos de memória e reparação em equipamentos culturais
relacionados ao patrimônio cultural afrodiaspórico

10

8 8
8
7 7

0
2024 2025 2026 2027
Fonte: SIOP.

4.1.2 Fortalecer a participação do Brasil nos diálogos multilaterais e bilaterais, a partir da


perspectiva da justiça racial

Este objetivo específico busca a inserção do Combate ao Racismo como uma das centralidades do de-
bate internacional protagonizado pelo Brasil, em alinhamento com as diretrizes da Política Externa
Brasileira sobre a promoção da cooperação Sul-Sul como parte de uma atuação internacional ativa,
bem como forma de reparação pelo Brasil ter sido a última localidade do mundo a abolir a escravatura.
Este objetivo também está mencionado na dimensão de Capacidade Institucional, Articulação e Parti-
cipação.

Para a consecução deste objetivo, estão previstos Intercâmbios de conhecimento e boas práticas de
políticas públicas voltadas à promoção da igualdade racial e justiça racial internacional, realiza-
dos com países africanos latino-americanos e caribenhos.

4.2 Políticas para Quilombolas, Comunidades Tradicionais de Matriz Africa-


na, Povos de Terreiros e Povos Ciganos – Ministério da Igualdade Racial

4.2.1 Criar mecanismos de identificação e de enfrentamento à violência e à discriminação


contra quilombolas, povos e comunidades tradicionais de matriz africana, povos de terrei-
ros e ciganos

Um dos passos para que se enfrente a violência e a discriminação contra quilombolas, povos e comuni-
dades tradicionais de matriz africana, povos de terreiros e ciganos é o conhecimento sobre sua história,
suas culturas e seus costumes e sobre seus direitos e seus modos de viver. Este objetivo específico tem
diversas entregas que buscam dar conta dessa necessidade de divulgação e conhecimento a respeito
dessas populações. As entregas previstas são:

88
Série Planejamento Nacional Agenda Transversal Igualdade Racial

Campanha nacional de promoção dos direitos, informação e valorização da ancestralidade africa-


na no Brasil. Esta entrega prevê a realização de campanhas que incluem, entre outras medidas, reali-
zação de oficinas, divulgações de mídia audiovisual, material gráfico impresso, idas aos povos e comu-
nidades tradicionais de matriz africana para conscientização acerca dos seus direitos.

Campanha nacional de promoção dos direitos, informação e valorização das histórias e das cul-
turas dos Povos Ciganos no Brasil. Nesta entrega, visa-se a realização de campanhas que preveem,
entre outras medidas, divulgações de mídia audiovisual, material gráfico impresso, idas às comunida-
des para conscientização acerca dos seus direitos e desenvolvimento e divulgação de painel de moni-
toramento da situação do racismo e violências correlatas sofridas por essa população a ser divulgado
para informação e sensibilização.

Prêmio Nacional para Mestras e Mestres quilombolas, povos e comunidades tradicionais de ma-
triz africana, povos de terreiros e ciganos. Esta entrega abarca a criação de prêmio para os povos e
comunidades tradicionais atendidos pelos Ministério da Igualdade Racial com a finalidade de reconhe-
cer seus saberes e fazeres tradicionais.

Prêmio Nacional para publicações de Literatura Infanto-juvenil produzidas pelos povos e comuni-
dades tradicionais de matriz africana, povos de terreiros e ciganos. Esta entrega consiste na criação
de prêmio literário como forma de reconhecimento das potências literárias existentes nos povos e co-
munidades tradicionais atendidos pelo Ministério da Igualdade Racial.

Catálogos de divulgação dos saberes, fazeres e patrimônio material e imaterial dos quilombolas,
povos e comunidades tradicionais de matriz africana, povos de terreiros e ciganos. A entrega prevê
a criação de catálogos para divulgação das produções dos povos e comunidades tradicionais atendidos
pelo Ministério da Igualdade Racial com a finalidade de levar conhecimento sobre esses povos – suas
produções, práticas, métodos produtivos e conhecimentos, patrimônio e demais elementos culturais
– no âmbito nacional e, assim, contribuir para a valorização de suas respectivas culturas. Os catálogos
podem contribuir para dar visibilidade aos referidos itens e aos segmentos populacionais que os pro-
duzem.

4.3 Promoção da Cidadania, Defesa de Direitos Humanos e Reparação de Vio-


lações – Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania

4.3.1 Promover, como política de Estado, políticas de memória, verdade, justiça (reparação)
e não-repetição dos períodos da escravidão e da ditadura militar

Para consecução deste objetivo específico, prevê-se o Mapeamento e reconhecimento institucional


de marcos de memória, com perspectiva de abrangência e distribuição regional.

89
Série Planejamento Nacional Agenda Transversal Igualdade Racial

Gráfico 66 – Marcos de memória mapeados e sinalizados, com perspectiva de


abrangência e distribuição regional
250

200
200

150
150

100
100

50
50

0
2024 2025 2026 2027
Fonte: SIOP.

4.4 Igualdade de Decisão e Poder para Mulheres – Ministério das Mulheres


Este programa tem por objetivo fortalecer a participação das mulheres, em toda a sua diversidade e
pluralidade, nos espaços de poder e decisão, visando a igualdade, a paridade e a representatividade,
por meio das políticas públicas para mulheres.

4.4.1 Promover ações que favoreçam a ampliação da participação efetiva das mulheres, em
toda a sua diversidade e pluralidade, a fim de que possam atuar em igualdade de condi-
ções nos pleitos eleitorais e em todos os espaços de poder e decisão, nas esferas públicas e
privadas

Dentro deste objetivo específico, o Governo Federal prevê, como medida institucional, fomentar a pro-
dução cultural afirmativa, que valorize as expressões das mulheres e sua contribuição para a diversida-
de cultural brasileira, por meio de prêmios, editais e cursos de formação. A intenção é oferecer cursos,
oficinas de formação e fóruns de discussão para tratar do tema das mulheres na Cultura, considerando
também a perspectiva da economia criativa.

4.5 Transformação do Estado para a Cidadania e o Desenvolvimento – Minis-


tério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos
Este programa almeja ampliar a capacidade de atuação do Estado, de forma a torná-lo mais efetivo na
prestação de serviços públicos com foco na gestão, governança, transparência e participação social,
por meio do fortalecimento das instituições e dos agentes que formulam e implementam políticas pú-
blicas, o aprimoramento de órgãos públicos e de atores-chave relacionados às políticas econômicas,
a oferta de serviços públicos digitais e a consolidação dos recursos estratégicos do estado, como as
empresas estatais e o patrimônio público.

90
Série Planejamento Nacional Agenda Transversal Igualdade Racial

4.5.1 Ampliar o acesso aos documentos, por meio do fortalecimento da gestão de documen-
tos e arquivos, sob coordenação do Arquivo Nacional, assegurando o direito à informação e
à memória do País

Este objetivo específico visa a ampliar o acesso de usuárias e usuários aos resultados da gestão de
documentos e arquivos dos órgãos da administração pública federal, mediante a qualificação do pro-
cessamento técnico, preservação, custódia, acesso e difusão dos acervos, assegurando o direito à in-
formação e à memória do país. Uma das primeiras etapas para a proteção e a promoção da memória é
a ampliação do acesso a documentos, conforme estabelece este objetivo específico.

Para tanto, prevê-se o desenvolvimento de um novo sistema de informação do Arquivo Nacional, com
modernização da forma de indexação de informações e interface mais amigável e focada no usuário,
dentro do Programa de Democratização do Direito à Memória e à História, com foco em gênero e
raça.

Gráfico 67 – Ampliação do número de fundos documentais indexados por


marcadores de gênero e raça acessíveis a consulta

80

70
75
60
75
50

40
50
30

20 25
50

0
2024 2025 2026 2027
Fonte: SIOP.

4.6 Relações Internacionais e Assistência a Brasileiras e Brasileiros no Exte-


rior – Ministério das Relações Exteriores

4.6.1 Transversalizar na política externa as perspectivas de igualdade de gênero e igualdade


racial

Para a promoção da cultura, história, memória e saberes ancestrais, está previsto o lançamento de pla-
no de ação com o intuito de fortalecer a integração do Brasil na diáspora africana nas Américas. Essa
entrega se configura como um meio de transversalizar a política externa na perspectiva de igualdade
racial.

91
Série Planejamento Nacional Agenda Transversal Igualdade Racial

4.7 Direito à Cultura – Ministério da Cultura

4.7.1 Preservar e difundir a diversidade de memórias e patrimônios culturais brasileiros

Para a consecução deste objetivo específico de preservação e difusão da diversidade de memórias e de


patrimônios culturais brasileiros, duas entregas se destacam: Modernização de biblioteca afro-bra-
sileira com o intuito de ampliar o acesso de seus acervos à população e Apoio a projetos de difusão e
proteção da cultura negra, com o objetivo de valorizar a cultura negra por meio de editais voltados ao
fomento, difusão e proteção das expressões culturais de matriz africana, com priorização à juventude
negra. Essa entrega abrange: 2 editais que contemplem as expressões culturais de matriz africana (Blo-
cos Afro e de Afoxé em nível nacional, e secretarias de culturas) e 1 selo criado, intitulado "Selo Palma-
res," que certifica que a iniciativa dialoga com as manifestações da cultura afro-brasileira.

4.7.2 Promover e preservar a diversidade cultural, as expressões e os saberes artísticos e


culturais, a democratização de bens e serviços culturais, com acessibilidade e atenção a
recortes por territórios

Este objetivo específico é voltado a temáticas relativas à democratização, à difusão cultural e ao acesso
à cultura.

Por meio da entrega Fomento às expressões das culturas populares e de povos e comunidades tra-
dicionais, busca-se oferecer editais e programas de financiamento para a produção artística de indiví-
duos, grupos, coletivos e entidades culturais envolvidos nas culturas populares e para povos e comu-
nidades tradicionais.

Já a entrega Encontros, intitulados "Diálogos Palmarinos", de interação com as comunidades cul-


turais afro-brasileiras tem a intenção de promover encontros abertos ao público para reflexões e de-
bates sobre expressões e saberes artísticos e culturais promovidos por indivíduos, grupos e territórios
invisibilizados.

4.8 Juventude: Direitos, Participação e Bem Viver – Presidência da República


O objetivo geral do programa é reconstruir e fortalecer o campo de políticas públicas para as juventu-
des brasileiras, de forma a assegurar, fortalecer e ampliar o exercício de direitos pelos jovens mediante
a implementação e a execução da política nacional da juventude e do aperfeiçoamento de normas
legais e da ampliação de acesso a serviços e equipamentos públicos, atuação no território, apoio à
qualificação e ao bem-estar social e valorizar os jovens como sujeitos de direito, em especial os
segmentos mais vulnerabilizados da população. Pretende-se priorizar e focalizar recortes de gênero,
raça, etnia e território.

4.8.1 Promover a emancipação, qualificação, autonomia, cultura de paz e cultura democrá-


tica entre os jovens

A entrega Implantação do Programa Estação Juventude em territórios étnicos ou municípios com


grande demografia de povos e comunidades tradicionais trata do Estação Juventude, que é um progra-
ma que envolve a Presidência da República, Ministérios, estados, municípios e organizações da socie-

92
Série Planejamento Nacional Agenda Transversal Igualdade Racial

dade civil. O seu objetivo é fomentar a implantação de equipamentos públicos para que os jovens pos-
sam acessar programas, ações e serviços por meio das políticas transversais. O programa visa também
contribuir no avanço das políticas e programas de juventude nos territórios; garantir às juventudes
seus direitos; e contribuir para o desenvolvimento de seus percursos de inclusão, autonomia e partici-
pação social.

Gráfico 68 – Equipamentos de referência da juventude implantados em


territórios étnicos e comunidades tradicionais

12

10
10

8
8

6
4
4
2
2

0
2024 2025 2026 2027
Fonte: SIOP.

93
Série Planejamento Nacional Agenda Transversal Igualdade Racial

94
Série Planejamento Nacional Agenda Transversal Igualdade Racial

5 Direito à terra e à produção

O Estatuto da Igualdade Racial, instituído pela Lei nº 12.288, de 20 de julho de 2010, em seu Capítulo
IV (Artigos 27, 28 e 29), impõe ao poder público o dever de elaborar e implementar políticas públicas
capazes de promover o acesso da população negra à terra e às atividades produtivas no campo.

Nesse sentido, a referida lei dispõe sobre a viabilização e ampliação do acesso ao financiamento agrí-
cola, bem como da assistência técnica rural e do fortalecimento da infraestrutura de logística para a
comercialização da produção. Também determina ao poder público que promova a educação e a orien-
tação profissional agrícola para os trabalhadores negros e as comunidades negras rurais.

5.1 Promoção da Igualdade Étnico-Racial, Combate e Superação do Racismo


– Ministério da Igualdade Racial

5.1.1 Estabelecer política de combate ao racismo ambiental

De acordo com a pensadora brasileira Tania Pacheco17, o Racismo Ambiental é constituído por injus-
tiças sociais e ambientais que recaem de forma implacável sobre as etnias e as populações mais vul-
neráveis. O Racismo Ambiental não se configura apenas por meio de ações que tenham uma intenção
racista, mas, igualmente, por meio de ações que tenham impacto “racial”, não obstante a intenção que
lhes tenha dado origem18.

O racismo ambiental impacta as populações negras em diferentes dimensões nos territórios urbanos,
no campo, nas florestas e nas águas. No contexto urbano, devido às políticas de expulsão da população
negra dos centros urbanos para regiões de morros e encostas, o racismo ambiental resultou em habi-
tações criadas sem as mínimas condições de infraestrutura e saneamento básico, locais totalmente
propícios a desenvolver acidentes, desmoronamentos e desenvolvimento de doenças infecciosas. Os
efeitos do racismo ambiental também se aplicam às populações negras de comunidades tradicionais e
do campo, que possuem sua cultura alimentar e fonte de renda ameaçadas pelo impactado da explora-
ção de minério, garimpo, desmatamento das florestas nativas, agrotóxicos, monoculturas e expansão
das fronteiras agrícolas.

No objetivo específico em tela, destaca-se a entrega Edital de fomento destinado às organizações


sociais que atuam em territórios impactados pelo racismo ambiental. No período de vigência do
PPA, serão fomentados 5 projetos em territórios impactados pelo racismo ambiental por ano.

O Governo Federal pretende também:

• Criar Fórum de Organizações contra o Racismo Ambiental para acompanhar a política pú-
blica de combate ao racismo ambiental; e

17 Tania Pacheco coordenou o Projeto Mapa de Conflitos – Injustiça Ambiental e Saúde no Brasil, disponível em: [Link]
[Link]/
18 Conceito citado em [Link]
tal-e-de-que-forma-impacta-populacoes-mais-vulneraveis – Acesso em 22 de março de 2024.

95
Série Planejamento Nacional Agenda Transversal Igualdade Racial

• Estruturar um Sistema de Indicadores de Racismo Ambiental, coordenado pelo Ministério


da Igualdade Racial, com a participação de Órgãos Parceiros (IBGE, MCID, MMA, MIDR, MPI e
MDA) a fim de identificar cor/raça do público e territórios afetados pelo racismo ambiental.

5.1.2 Apoiar a regularização fundiária para população negra em situação de vulnerabilidade


social, com fins na garantia do bem viver e valorização do território

O objetivo específico Apoiar a regularização fundiária para população negra em situação de vulne-
rabilidade social, com fins na garantia do bem viver e valorização do território busca promover o
acesso à moradia digna e o direito à terra da população negra, por meio da regularização das ocupa-
ções realizadas informalmente, a fim de se destinar as devidas políticas públicas para esses territórios
e populações.

Destaca-se a entrega Formação sobre regularização fundiária destinada a lideranças comunitárias


negras, que tem por meta formar, no período do PPA 2024-2027, 130 lideranças negras por ano.

5.2 Programa Nacional de Promoção dos Direitos da População em Situação


de Rua – Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania

5.2.1 Promover a dignidade e a cidadania da população em situação de rua

No presente objetivo específico, destaca-se a entrega Constituição de espaços e estruturas de pro-


dução e comercialização dos produtos de Economia Popular e Solidária para a população em si-
tuação de rua.

Trata-se da criação de oportunidades de inclusão socioprodutiva e de autonomia socioeconômica com


a oferta de equipamentos, serviços públicos, espaços de comercialização, entre outros. As estruturas
de produção e comercialização visam tornar mais eficazes as iniciativas de inclusão socioeconômica
da população em situação de rua por meio de empreendimentos econômicos populares e solidários,
gerando trabalho e renda com vistas à superação da pobreza extrema.

Durante a vigência do PPA, serão apoiados ou constituídos 20 empreendimentos de Economia Popular


e Solidária para atender a população em situação de rua, sendo 6 na Região Sudeste, 5 na Região Nor-
deste, 5 na Região Sul, 2 na Região Norte e 2 na Região Centro-Oeste.

5.3 Segurança Alimentar e Nutricional e Combate à Fome – Ministério do De-


senvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome

5.3.1 Apoiar a inclusão produtiva de famílias rurais do Cadastro Único por meio do desenvol-
vimento de um projeto produtivo com assistência técnica e a transferência de um recurso
não reembolsável

A este objetivo específico está vinculada a entrega Inclusão produtiva de famílias rurais inscritas no
Cadastro Único por meio do acompanhamento social e produtivo e a transferência direta de re-
cursos financeiros não-reembolsáveis às famílias, que visa atender com ações de inclusão produtiva
131.000 famílias rurais inscritas no Cadastro Único até 2027 em todo território nacional.

96
Série Planejamento Nacional Agenda Transversal Igualdade Racial

Gráfico 69 – Atendimento com ações de inclusão produtiva 131 mil famílias rurais
inscritas no Cadastro Único até 2027

140.000 131.000
120.000

100.000 89.810

80.000

60.000 49.910

40.000
19.700
20.000

0
2024 2025 2026 2027
Fonte: SIOP.

5.3.2 Adquirir alimentos da agricultura familiar, ampliando a participação, com equidade


de gênero, dos grupos prioritários definidos na legislação do PAA, como fornecedores dos
alimentos que abastecem as ações e equipamentos de Segurança Alimentar e Nutricional

No âmbito deste objetivo específico, almeja-se garantir uma distribuição equitativa e igualitária das
oportunidades, envolvendo a sociedade civil e seus movimentos organizados.

Na entrega Povos indígenas, comunidades quilombolas, povos e comunidades tradicionais como


fornecedores de alimentos do PAA, planeja-se atingir 8% dos agricultores familiares pertencentes a
povos indígenas, comunidades quilombolas, povos e comunidades tradicionais como fornecedores de
alimentos do PAA até o final de 2027.

Já com a entrega População negra no PAA, pretende-se ampliar a participação dos agricultores(as)
familiares da população negra, atingindo o índice de 40% até o final do PPA 2024-2027.

97
Série Planejamento Nacional Agenda Transversal Igualdade Racial

Gráfico 70 – Ampliação da participação dos agricultores (as)


familiares da população negra

45%
40%
40%
36%
35% 33%
30%
30%
25%
20%
15%
10%
5%
0%
2024 2025 2026 2027
Fonte: SIOP.

Gráfico 71 – Ampliação da participação dos agricultores (as) familiares pertencentes


a povos indígenas, comunidades quilombolas, povos e comunidades tradicionais
como fornecedores de alimentos do Programa de Aquisição de Alimentos – PAA

45%
40%
40%
36%
35% 33%
30%
30%
25%
20%
15%
10%
5%
0%
2024 2025 2026 2027
Fonte: SIOP.

5.4 Abastecimento e Soberania Alimentar – Ministério do Desenvolvimento


Agrário e Agricultura Familiar
O programa Abastecimento e Soberania Alimentar tem como objetivo ampliar a disponibi-
lidade e o abastecimento de alimentos diversificados com base em sistemas alimentares sau-
dáveis e sustentáveis, para promoção da soberania alimentar.

98
Série Planejamento Nacional Agenda Transversal Igualdade Racial

5.4.1 Promover a comercialização e as compras públicas da agricultura familiar, asseguran-


do a participação de povos e comunidades tradicionais, povos indígenas, juventude rural e
mulheres rurais

No âmbito do objetivo específico Promover a comercialização e as compras públicas da agricultu-


ra familiar, assegurando a participação de povos e comunidades tradicionais, povos indígenas,
juventude rural e mulheres rurais, destaca-se a entrega Aumentar a quantidade de famílias bene-
ficiárias nos mercados de compras públicas, com o intuito de promover a aquisição de alimentos pro-
duzidos pela agricultura familiar e uma alimentação mais saudável, permitindo que os produtos sejam
frescos, diversificados, de qualidade e adequados ao hábito alimentar local, respeitando também as
tradições culturais da população da região.

A meta é atingir, até 2027, o número de 25.500 famílias que venderam para o mercado institucional
(PAA), sendo 1.275 famílias de povos e comunidades tradicionais.

Gráfico 72 – Quantidade de famílias beneficiárias nos mercados de compras públicas

30.000
25.500
25.000
20.000
20.000 18.500
15.000
15.000

10.000

5.000

0%
2024 2025 2026 2027
Fonte: SIOP.

5.4.2 Fortalecer a capacidade produtiva da Agricultura Familiar para o abastecimento, por


meio da promoção de empreendimentos familiares, associativismo e cooperativismo soli-
dários, agroindustrialização e inclusão sanitária, assegurando a participação de povos

Este objetivo específico refere-se ao apoio para a estruturação da produção das organizações da agri-
cultura familiar, por meio da promoção da agroindustrialização da produção da Agricultura Familiar.
Destaca-se a entrega Empreendimentos, associações e cooperativas solidárias da agricultura fami-
liar estruturadas para produção, agroindustrialização e comercialização, com a meta de apoiar 400
projetos de estruturação de organizações produtivas nos quatro anos de PPA 2024 - 2027, sendo 100
por ano e 20 em cada macrorregião do país.

99
Série Planejamento Nacional Agenda Transversal Igualdade Racial

5.5 Periferia Viva – Ministério das Cidades

5.5.1 Melhorar a qualidade de vida urbana, condições de habitabilidade e segurança da pos-


se em periferias urbanas

Este objetivo específico, também citado no capítulo 2, busca melhorar a qualidade de vida urbana,
condições de habitabilidade e segurança da posse em periferias urbanas por intermédio de ações de
urbanização de assentamentos precários, regularização fundiária urbana de interesse social, melhoria
habitacional e intervenções urbanas para adaptação climática nas periferias.

O conceito de domicílios inadequados refere-se ao déficit habitacional qualitativo. Tem o papel de re-
velar as múltiplas e diversas deficiências que tornam um imóvel incapaz de fornecer uma boa qualida-
de de vida para seus moradores. A solução dessas carências passa pela adoção de diferentes políticas
públicas, que vão desde a regularização fundiária (titulação) de domicílios localizados em núcleos ur-
banos informais, até melhorias habitacionais e a provisão de serviços básicos de infraestrutura (água,
esgotamento sanitário, luz e coleta de lixo), entre outros.

A entrega Regularização fundiária urbana de interesse social destina-se à implementação de me-


didas jurídicas, urbanísticas, ambientais e sociais para promover a regularização fundiária de núcleos
urbanos informais ocupados por população de baixa renda. Essa entrega refere-se ao Programa de Re-
gularização Fundiária e Melhoria Habitacional, os Termos de Execução Descentralizada (TEDs) firmados
para promover a regularização fundiária urbana, o Programa Papel Passado e possíveis novas seleções
no âmbito do novo PAC.

Em 2027, por exemplo, serão atendidas 40.554 famílias com a regularização fundiária urbana de inte-
resse social, sendo 22.191 na Região Nordeste, 8.950 na Região Sudeste, 6.405 na Região Sul, 1.683 na
Região Centro-Oeste e 1.325 na Região Norte.

Gráfico 73 – Atendimento a famílias com a regularização fundiária urbana


de interesse social

45.000
40.554
40.000
35.000
30.000
25.000 23.168
20.000
15.464
15.000
10.000 7.390
5.000
0
2024 2025 2026 2027
Fonte: SIOP.

100
Série Planejamento Nacional Agenda Transversal Igualdade Racial

5.6 Pesca e Aquicultura Sustentáveis – Ministério da Pesca e Aquicultura


O programa Pesca e Aquicultura Sustentáveis tem como objetivo desenvolver a pesca e a aquicultura
de forma sustentável, por meio do fortalecimento das cadeias produtivas e considerando as dimensões
ecológica, econômica, social e cultural dessas atividades, para gerar trabalho e renda, contribuir para a
segurança alimentar e melhorar a produtividade e competitividade do setor.

5.6.1 Promover a valorização do pescado nacional e aumento de produção da aquicultura

Este objetivo específico incorpora proposta proveniente do Fórum Interconselhos no âmbito


do PPA participativo.

Este objetivo específico busca promover o aumento da produção sustentável da aquicultura e aumen-
tar a valorização do produto oriundo da pesca, agregando valor à cadeia produtiva. Espera-se atingir o
crescimento de 10% da produção de pescado, com 1.530.000 toneladas por ano ao final do PPA.

5.7 Bioeconomia para um Novo Ciclo de Prosperidade – Ministério do Meio


Ambiente e Mudança do Clima
Este programa procura promover o desenvolvimento de uma economia que estimule as cadeias de va-
lor da biodiversidade, aplicando conhecimento científico e tradicional para seu uso sustentável, e que
reconheça o valor e o modo de vida e os conhecimentos dos povos e comunidades tradicionais com
repartição justa e equitativa de seus resultados.

5.7.1 Promover o desenvolvimento do ecossistema de negócios e inovação da bioeconomia


com ênfase no uso sustentável da biodiversidade

O objetivo específico Promover o desenvolvimento do ecossistema de negócios e inovação da bio-


economia com ênfase no uso sustentável da biodiversidade envolve incentivos à inovação tecnoló-
gica aplicada, apoio ao desenvolvimento de negócios multiescaláveis, estratégias de diferenciação de
produtos, disseminação de conhecimento e formação profissional, além do financiamento adequado
às singularidades dessas cadeias. A aplicação das salvaguardas e a repartição justa e equitativa de be-
nefícios para povos e comunidades tradicionais e agricultores familiares devem ser promovidas de for-
ma a desenvolver a bioeconomia sustentável e socialmente justa. Até 2027, no âmbito do PPA, planeja-
-se apoiar, incubar e acelerar 1.000 negócios de bioeconomia de associações, cooperativas e empresas.

101
Série Planejamento Nacional Agenda Transversal Igualdade Racial

Gráfico 74 – Ampliação do número de negócios de bioeconomia de associações,


cooperativas e empresas apoiadas

1.200
1.000
1.000
800
800

600
400
400
200
200

0%
2024 2025 2026 2027
Observação: inclui empresas, start-ups, associações, cooperativas e empreendimentos de agricultores familiares e Povos e
Comunidades Tradicionais; academia e instituições de pesquisa; Famílias beneficiárias de Unidades de Conservação e comu-
nidades de pescadores artesanais.
Fonte: SIOP.

A entrega Fomento para empreendimentos atuarem em cadeias de valor florestal trata da promo-
ção de cadeias de valor de produtos e serviços ambientais, por meio de apoio a acesso a financiamento
e a mercados; fornecimento de assistência técnica e gerencial; financiamento de infraestruturas bási-
cas e capacitação para produção; e estímulo a parcerias intersetoriais para a realização de negócios da
bioeconomia. A meta é fomentar 40 empreendimentos (associações, cooperativas, redes de comercia-
lização e empresas), que atuam em cadeias de valor florestal até o final de 2027, sendo 30 no Bioma
Amazônia, 6 no Bioma Caatinga e 4 no Bioma Cerrado.

Gráfico 75 – Fomento de empreendimentos atuarem em cadeias de valor florestal

Brasil Bioma Amazônia Bioma Caatinga Bioma Cerrado

45 40
40
35
30 30
30
25
20 20
20
15
15
10
10 8 6 6
5 3
2 4
0 2 4
0
2024 2025 2026 2027
Fonte: SIOP.

102
Série Planejamento Nacional Agenda Transversal Igualdade Racial

5.7.2 Promover a gestão ambiental em territórios rurais com iniciativas de base agroecoló-
gica, da sociobiodiversidade e da agroindústria, com conservação ambiental e recuperação
de áreas degradadas

Este objetivo específico incorpora a proposta “Projeto de reflorestamento das áreas de pro-
teção ambiental reservadas nos assentamentos (20-25% do total da área total)”, oriunda do
Fórum Interconselhos no processo de PPA Participativo.

Com este objetivo específico, pretende-se promover a gestão ambiental rural por meio da inclusão
socioprodutiva de base agroecológica e da sociobiodiversidade. Para isso, ocorrerá a elaboração e o
fortalecimento de instrumentos de gestão e assessoria técnica e extensão rural socioambiental em co-
munidades rurais da agricultura familiar, povos e comunidades tradicionais. Assim, contribui-se para
a conservação ambiental, a recuperação de áreas degradadas, a mitigação dos efeitos da mudança do
clima, a segurança alimentar, a justiça socioambiental, econômica, racial, geracional e de gênero.

Ao final do PPA, espera-se que 8.000 famílias tenham sido atendidas com iniciativas de inclusão pro-
dutiva, assessoria técnica e extensão rural de base agroecológica, da sociobiodiversidade e da agroin-
dústria. Dessas famílias, a meta é 3.200 famílias na região norte, 2.400 na Centro-Oeste, e 800 em cada
uma das demais regiões.

Gráfico 76 – Elaboração e fortalecimento de instrumentos de gestão e assessoria


técnica e extensão rural socioambiental em comunidades rurais da agricultura
familiar, povos e comunidades tradicionais
Centro-Oeste Nordeste / Sudeste / Sul Norte

3.500
3.200
3.000
2.400
2.500 2.400

2.000
1.600 1.800

1.500 1.200
1.000 800
800
600
500 600 400
200
0
2024 2025 2026 2027
Fonte: SIOP.

5.7.3 Melhorar a situação socioeconômica dos povos e comunidades tradicionais e promo-


ver a gestão sustentável dos seus territórios

O objetivo deste atributo é promover a gestão territorial e ambiental dos territórios de povos e comuni-
dades tradicionais, assim como dos recursos naturais ali presentes, por meio de valoração e de incen-

103
Série Planejamento Nacional Agenda Transversal Igualdade Racial

tivos às cadeias produtivas da sociobiodiversidade, pagamentos de benefícios financeiros às popula-


ções elegíveis, assistência técnica e fomento às atividades produtivas rurais. A meta é atender 120.000
famílias até o final de 2027.

Com a medida institucional Novo Decreto do Programa Bolsa Verde, busca-se ampliar a abrangência
do Programa Bolsa Verde, assim como ajustá-lo à realidade atual (social, econômica, territorial). A in-
tenção é aumentar em 25% o número de famílias atendidas, assim como, ampliar em 100% o valor dos
benefícios pagos, visando a melhoria da conservação ambiental.

A medida institucional Minuta de portaria para regulamentar a identificação da situação de vul-


nerabilidade de populações não tradicionais ocupantes de unidades de conservação de posse e
domínio públicos e qualificar as providências decorrentes refere-se à regulamentação de procedi-
mento para identificação da situação de vulnerabilidade de populações não tradicionais ocupantes de
unidades de conservação de posse e domínio públicos, com o levantamento socioeconômico de cada
família e o estabelecimento de critérios precisos para qualificar as providências decorrentes (indeniza-
ção justa etc.).

A entrega Benefícios financeiros pagos para famílias em situação de extrema pobreza que exerçam
atividades de conservação e uso sustentável dos recursos naturais no meio rural, por meio do Pro-
grama de Apoio à Conservação Ambiental - Bolsa Verde refere-se ao pagamento trimestral da bolsa,
no âmbito do Programa Bolsa Verde, criado pela Lei nº 12.512/2011, para as famílias pelos serviços
prestados na área rural pela conservação dos recursos naturais nos territórios. A meta é beneficiar, até
o final de 2027, 120.000 famílias que atendam aos requisitos de elegibilidade do Programa Bolsa Verde.

Gráfico 77 – Atendimentos de famílias que atendam aos requisitos de


elegibilidade do Programa Bolsa Verde

140.000

120.000 120.000
100.000
100.000

80.000 70.000
50.000
60.000

40.000

20.000

0
2024 2025 2026 2027
Fonte: SIOP.

A entrega Assistência Técnica e Extensão Rural - ATER voltada à conservação dos ecossistemas e
ao fortalecimento das organizações socioprodutivas ofertada para famílias do Bolsa Verde, por
meio do Programa de Fomento às Atividades Produtivas Rurais refere-se ao acesso a assistência
técnica e inclusão socioprodutiva, para aprimorar a sua produção e comercialização dos produtos da
sociobiodiversidade de forma mais organizada e estruturada. Planeja-se beneficiar 60.000 famílias até
o final de 2027 com Assistência Técnica e Extensão Rural - ATER.

104
Série Planejamento Nacional Agenda Transversal Igualdade Racial

Gráfico 78 – Atendimento de famílias com Assistência Técnica e


Extensão Rural – ATER

70.000
60.000
60.000
50.000
50.000
40.000
40.000
30.000
30.000

20.000

10.000

0
2024 2025 2026 2027
Fonte: SIOP.

Com a entrega Apoio às organizações socioprodutivas de povos e comunidades tradicionais para


o fortalecimento das cadeias de produtos da sociobiodiversidade, busca-se fortalecer as cadeias
produtivas da sociobiodiversidade, promovendo a valorização e a sustentabilidade das comunidades
tradicionais e a conservação da biodiversidade, bem como impulsionar o desenvolvimento econômico
regional, alinhando-se com os princípios do desenvolvimento sustentável. A intenção é apoiar 200 or-
ganizações socioprodutivas de povos e comunidades tradicionais até o final do PPA 2024-2027.

A entrega Gestão ambiental e territorial de povos e comunidades tradicionais estabelecidas trata


do apoio aos Povos Indígenas e Povos e Comunidades Tradicionais na construção/estabelecimento de
instrumentos de gestão territorial e ambiental em territórios tradicionais e áreas protegidas (Territórios
Indígenas, Unidades de Conservação e Territórios Quilombolas): Planos de Gestão Territorial e Ambien-
tal (PGTAs); Plano de Manejo (PM); Plano de Vida; Etnomapeamento; Etnozoneamento; diagnósticos
socioecológicos; entre outros instrumentos. A meta é contemplar 40 territórios com instrumentos de
gestão ambiental e territorial de Povos Indígenas, Povos e Comunidades Tradicionais e Agricultor Fa-
miliar até o final de 2027.

A entrega Reconhecimento de famílias beneficiárias das Unidades de Conservação para a garantia


de direitos territoriais e a promoção ao acesso às políticas públicas de inclusão social e produtiva
ampliado trata da ampliação do reconhecimento das famílias beneficiárias de unidades de conserva-
ção a partir da atualização ou realização de novos cadastros de famílias, utilizando-se como instrumen-
tos para esses reconhecimentos o levantamento de famílias, o perfil delas e o Contrato de Concessão
de Direito Real de Uso. Planeja-se atualizar os instrumentos para o reconhecimento de famílias benefi-
ciárias em 80% das Unidades de Conservação (Reservas Extrativistas - RESEX, Reservas de Desenvolvi-
mento Sustentável - RDS e Florestas Nacionais - FLONA) com populações tradicionais.

105
Série Planejamento Nacional Agenda Transversal Igualdade Racial

Gráfico 79 - Atualização de instrumentos para o reconhecimento de famílias


beneficiárias em 80% das Unidades de Conservação (Resex, Flonas e RDS) com
populações tradicionais (%)

90
80
80
70
60
60
50
40
40
30
20
20
10
0
2024 2025 2026 2027
Fonte: SIOP.

Com a entrega Direitos compatibilizados em áreas de sobreposição entre unidades de conservação


federais e territórios de povos indígenas ou comunidades tradicionais, pretende-se atingir a meta
de 35 instrumentos de compatibilização de direitos elaborados ou tornados permanentes, ou com tra-
balhos de negociação e elaboração iniciados, até o final do PPA. Ressalta-se que a criação de unidades
de conservação e o reconhecimento de territórios de povos indígenas ou tradicionais atendem a po-
líticas públicas diferenciadas, ainda que possam ser complementares. Os casos de sobreposição en-
tre esses territórios requerem instrumentos de gestão conjuntos e específicos que propiciem a devida
compatibilização dos direitos e interesses legítimos de ambas as partes envolvidas.

5.7.4 Promover a gestão ambiental em territórios rurais com iniciativas de base agroecoló-
gica, da sociobiodiversidade e da agroindústria, com conservação ambiental e recuperação
de áreas degradadas

O objetivo específico em questão trata da promoção da gestão ambiental rural por meio da inclusão
socioprodutiva de base agroecológica e da sociobiodiversidade, com a elaboração e fortalecimento de
instrumentos de gestão e assessoria técnica e extensão rural socioambiental em comunidades rurais
da agricultura familiar, povos e comunidades tradicionais. Dessa forma, contribui-se para a conserva-
ção ambiental; a recuperação de áreas degradadas; a mitigação dos efeitos da mudança do clima; a
segurança alimentar; e a justiça socioambiental, econômica, racial, geracional e de gênero.

Compõe este objetivo específico a entrega Famílias da agricultura familiar, povos e comunidades
tradicionais, jovens, mulheres atendidas com iniciativas de inclusão socioprodutiva sustentáveis
de base agroecológica, agrícolas e não agrícolas. Até o final do PPA, serão 8 mil famílias atendidas,
sendo 3.200 na Região Norte, 2.400 na Região Centro-Oeste, 800 na Região Nordeste, 800 na Região
Sudeste e 800 na Região Sul.

Há ainda a entrega Famílias da agricultura familiar, povos e comunidades tradicionais, jovens, mu-
lheres atendidas com assessoria técnica e extensão rural, com foco em atividades de base agroe-

106
Série Planejamento Nacional Agenda Transversal Igualdade Racial

cológica, elaboração e fortalecimento de instrumentos de gestão ambiental rural. A meta prevista


é de atender, até o final de 2027, 8 mil famílias, sendo 3.200 na Região Norte, 2.400 na Região Centro-O-
este, 800 na Região Nordeste, 800 na Região Sudeste e 800 na Região Sul.

Gráfico 80 – Atendimento com assessoria técnica e extensão rural, com foco em


atividades de base agroecológica, elaboração e fortalecimento de instrumentos
de gestão ambiental rural famílias da agricultura familiar, povos e comunidades
tradicionais, jovens e mulheres

Centro-Oeste Nordeste / Sudeste / Sul Norte

3.500
3.200
3.000
2.400
2.500 2.400

2.000
1.600 1.800

1.500 1.200
1.000 800
800
600
500 600 400
200
0
2024 2025 2026 2027
Fonte: SIOP.

Já com a entrega Comunidades atendidas com iniciativas de turismo de base comunitária, preten-
de-se atender 80 comunidades na Região Norte, até o final de 2027.

5.8 Agricultura Familiar e Agroecologia – Ministério do Desenvolvimento


Agrário e Agricultura Familiar
O programa Agricultura Familiar e Agroecologia tem como objetivo fortalecer a agricultura familiar
em sua diversidade e a agroecologia, promovendo a produção de alimentos, a inclusão socioeconô-
mica, a redução das desigualdades, a segurança alimentar e nutricional e a mitigação e adaptação às
mudanças climáticas, sendo a população negra um dos públicos-alvo do programa.

Uma das finalidades do programa é contribuir para o aperfeiçoamento e adequação do crédito rural do
Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (PRONAF) para suprir as necessidades e
anseios dos Agricultores Familiares contemplados pela Lei nº 11.326, de 24 de julho de 2006.

A medida institucional Política de Desenvolvimento Territorial Sustentável visa estruturar ações,


projetos e programas que objetivem a superação de desigualdades econômicas, ambientais e sociais
(inclusive as de gênero, etnia, raça e etária) no meio rural e promover o desenvolvimento sustentável,
responsável e inclusivo de comunidades e territórios da agricultura familiar. Com a sua instituição, bus-

107
Série Planejamento Nacional Agenda Transversal Igualdade Racial

ca-se a integração de políticas públicas com base no planejamento territorial, a ampliação dos meca-
nismos de participação social na gestão das políticas públicas de interesse do desenvolvimento dos
territórios, a ampliação da oferta dos programas básicos de cidadania, a inclusão e integração produ-
tiva das populações pobres e dos segmentos sociais mais vulneráveis, tais como trabalhadoras rurais,
quilombolas, indígenas e populações tradicionais, e a valorização da diversidade social, cultural, eco-
nômica, política, institucional e ambiental das regiões e das populações.

5.8.1 Promover a bioeconomia na agricultura familiar de forma inclusiva, com ênfase no uso
sustentável dos recursos da sociobiodiversidade

Este objetivo específico tem como foco a promoção de um modelo econômico sustentável, a partir do
apoio à estruturação de arranjos produtivos baseados no uso da sociobiodiversidade, de plantas me-
dicinais, aromáticas e condimentares, a partir de processos transformadores e inovadores que visam o
acesso aos mercados, a geração de renda e a melhoria da qualidade para agricultores familiares, povo
e comunidades tradicionais.

No âmbito desse objetivo específico, serão beneficiados até o final do Plano Plurianual 27.372 agricul-
tores(as) familiares, dentre eles, 19.160 são povos originários e tradicionais. Em termos de regionali-
zação, serão 6.843 famílias na Região Norte, 6.843 na Região Nordeste, 4.928 na Região Centro-Oeste,
4.379 na Região Sudeste e 4.379 na Região Sul.

Com projetos de estruturação socioprodutiva no âmbito da bioeconomia e da sociobiodiversidade, na


entrega Ações e projetos de estruturação socioprodutiva realizadas junto a agricultores e agricul-
toras familiares, povos e comunidades tradicionais que atuam nas cadeias da sociobiodiversida-
de, serão beneficiados 3.042 agricultores e agricultoras familiares, povos e comunidades tradicionais,
sendo 1.521 na Região Norte, 381 na Região Nordeste, 380 na Região Centro-Oeste, 380 na Região Su-
deste e 380 na Região Sul.

Na entrega Ações e projetos de inclusão e qualificação produtiva realizadas junto a agricultores e


agricultoras familiares, povos e comunidades tradicionais que atuam nos arranjos produtivos de
plantas medicinais aromáticas, condimentares e fitoterápicos, serão beneficiados, por projetos de
apoio à inclusão e qualificação produtiva para os arranjos produtivos de plantas medicinais, aromáti-
cas, condimentares e fitoterápicos, 2.653 agricultores familiares, sendo 795 entre povos originários e
tradicionais. Os projetos serão distribuídos em todo território nacional, sendo 530 por macrorregião.

108
Série Planejamento Nacional Agenda Transversal Igualdade Racial

Gráfico 81 - Ampliação do número de agricultores e agricultoras familiares, povos


e comunidades tradicionais beneficiados por projetos de apoio à inclusão e
qualificação produtiva para os arranjos produtivos de plantas medicinais,
aromáticas, condimentares e fitoterápicos

Total População Negra

3.000 2.653
1.843
2.500
2.211
2.000
1.536
1.500

1.000 795
663
460 552
500

0
2024 2025 2026 2027
Fonte: SIOP.

Por fim, a entrega Assistência técnica e extensão rural realizada junto a agricultores e agricultoras
familiares, povos e comunidades tradicionais que atuam nas cadeias da sociobiodiversidade pre-
tende promover a realização de chamadas de ATER específicas para as cadeias da sociobiodiversidade,
qualificando o público que atua nessas cadeias.

5.8.2 Ampliar o acesso dos agricultores e agricultoras familiares a máquinas, equipamentos


e implementos agrícolas e agroindustriais

O objetivo específico em tela trata das ações para apoiar o público da agricultura familiar a acessar ou
fazer uso de máquinas, equipamentos e implementos agrícolas e agroindustriais.

A entrega Mecanização e modernização de áreas da reforma agrária, comunidades quilombolas e


povos e comunidades tradicionais, integradas à realidade local refere-se ao incentivo e ao fomen-
to à produção agropecuária dos beneficiários do Programa Nacional de Reforma Agrária (PNRA), por
meio do investimento em manutenção e recuperação de infraestrutura produtiva, bem como ações
destinadas a garantir o abastecimento e escoamento de produtos agropecuários e de incentivo ao co-
operativismo rural. Serão 400 projetos de assentamento, comunidades quilombolas e comunidades
tradicionais beneficiados com mecanização e modernização de suas áreas até 2027, sendo 80 em cada
macrorregião do país.

109
Série Planejamento Nacional Agenda Transversal Igualdade Racial

Gráfico 82 – Aumento do número de projetos de assentamento, comunidades


quilombolas e comunidades tradicionais beneficiados com mecanização e
modernização de suas áreas

450
400 400
400
350
300
250
200
200
150
100
100
50
0
2024 2025 2026 2027
Fonte: SIOP.

5.9 Neoindustrialização, Ambiente de Negócios e Participação Econômica In-


ternacional – Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços
A neoindustrialização consiste em uma escolha estratégica proposta no âmbito do PPA 2024-2027 para
solução dos problemas apontados quanto à desindustrialização precoce e baixa produtividade e com-
petitividade dos produtos brasileiros, em alinhamento também às tendências verificadas no âmbito
internacional de retomada das políticas industriais para fortalecimento das economias pós-pandemia.

O programa tem por objetivo ampliar a inovação, a produtividade e a competitividade em direção a


uma economia verde, diversificada, complexa e adensada, com melhoria do ambiente de negócios e
aumento da participação econômica internacional qualificada do país, com vistas ao desenvolvimento
econômico e social, a promoção de trabalho, a distribuição de renda e a redução das desigualdades
sociais e regionais.

5.9.1 Promover o desenvolvimento da economia verde ampliando a sua participação na in-


dústria brasileira

No âmbito deste objetivo específico, destaca-se a entrega Povos e comunidades tradicionais e povos
indígenas beneficiados no âmbito do Programa de Cadeias Produtivas da Sociobiodiversidade
dos Biomas. Planeja-se beneficiar 30 povos e comunidades tradicionais e povos indígenas até o final
do PPA, com ações que visam melhorar a qualidade, a capacidade produtiva, a produtividade e a cone-
xão das unidades produtivas que forem inseridas ou que já fazem parte de cadeias de valor, nacionais
e internacionais, de produtos da sociobiodiversidade e devem estar relacionadas com as vocações dos
biomas onde estiverem inseridas, com objetivos de aumento de renda dos beneficiários de forma sus-
tentável, social, ambiental e culturalmente.

110
Série Planejamento Nacional Agenda Transversal Igualdade Racial

111
Série Planejamento Nacional Agenda Transversal Igualdade Racial

6 Políticas para quilombolas

As comunidades quilombolas são grupos étnico-raciais, segundo critérios de autoatribuição, com tra-
jetória histórica própria, dotados de relações territoriais específicas, com presunção de ancestralidade
negra relacionada com a resistência à opressão histórica sofrida19. Caracterizam-se pela manutenção
de um contínuo civilizatório africano no Brasil, constituindo territórios próprios marcados pela vivência
comunitária, pelo acolhimento e pela prestação de serviços sociais.

O Decreto no 11.447, de 21 de março de 2023, instituiu o Programa Aquilomba Brasil, no âmbito da ad-
ministração pública federal, com a finalidade de promover medidas intersetoriais para a garantia dos
direitos da população quilombola no País. O programa é uma ampliação do Brasil Quilombola (Decreto
no 6.261, de 20 de novembro de 2007), visando o desenvolvimento e a valorização das comunidades
quilombolas no país, com foco em 4 eixos: de acesso à terra, infraestrutura e qualidade de vida, inclu-
são produtiva e desenvolvimento local, direitos e cidadania.

Uma das mais importantes demandas para os quilombolas é a questão da regularização fundiária. Para
dar conta desse desafio, detalha-se a seguir um pouco mais das entregas previstas pelo Governo Fede-
ral para os quilombolas.

6.1 Políticas para Quilombolas, Comunidades Tradicionais de Matriz Africa-


na, Povos de Terreiros e Povos Ciganos – Ministério da Igualdade Racial
Este programa, já mencionado antes, apresenta outras medidas institucionais importantes para a
Agenda de Igualdade Racial.

Com a medida institucional Formações para docentes da educação básica, nos entes subnacionais
no âmbito do SINAPIR onde há territórios quilombolas, para conscientização e conhecimentos
acerca das particularidades das populações quilombolas, busca-se valorizar, na educação escolar
quilombola e cigana, a identidade e as especificidades étnicas dessas populações, suas visões de mun-
do, memórias e heranças sociais e culturais.

A medida institucional Ampliar o Programa de Proteção aos Defensores de Direitos Humanos, com
ênfase na proteção de lideranças Quilombolas será implementada no período de vigência do PPA,
para combater as inúmeras violências sofridas pelas comunidades quilombolas na defesa de seus ter-
ritórios, ampliando o número de lideranças quilombolas protegidas pelo Programa.

Face ao passivo existente sobre titulação de comunidades quilombolas, prevê-se a medida institucio-
nal Monitorar a regularização fundiária dos territórios quilombolas, para o acompanhamento junto
ao INCRA do andamento dos processos de regularização fundiária parados.

19 Decreto no 4.887, de 20 de novembro de 2003

112
Série Planejamento Nacional Agenda Transversal Igualdade Racial

6.1.1 Criar mecanismos de identificação e de enfrentamento à violência e à discriminação


contra quilombolas, povos e comunidades tradicionais de matriz africana, povos de terrei-
ros e ciganos

Tendo em vista a violência, a discriminação e o racismo pelas quais quilombolas, povos e comunidades
tradicionais de matriz africana, povos de terreiros e ciganos passam, serão criados seis mecanismos de
enfrentamento por ano, no âmbito deste objetivo específico, no prazo de vigência do PPA.

6.1.2 Fomentar ações que fortaleçam as práticas agroecológicas, o fornecimento energéti-


co, o saneamento, a soberania alimentar, a valorização cultural, social, os saberes e fazeres
dos quilombolas, povos e comunidades tradicionais de matriz africana, povos de terreiros
e ciganos

A Gestão Ambiental e Territorial em comunidades quilombolas tem por objetivos a elaboração partici-
pativa e a implementação de planos locais de etnodesenvolvimento, baseados na relação das comuni-
dades com seus territórios, tendo em vista os modos de vida comunitários e o uso sustentável dos bens
naturais. Assim, com a entrega Planos locais de Gestão Territorial e Ambiental Quilombola, serão
elaborados 8 planos no prazo de vigência do PPA.

Esta entrega incorpora a proposta “II Plano de Desenvolvimento Sustentável dos Povos e Co-
munidades Tradicionais de Matriz Africana e Povos de Terreiro”, oriunda do processo de parti-
cipação no PPA, a qual obteve 642 votos na Plataforma Brasil Participativo.

6.2 Educação Básica Democrática, com qualidade e equidade – Ministério da


Educação
No âmbito do programa Educação Básica Democrática, com qualidade e equidade, o Governo Fede-
ral prevê ações intersetoriais para o fortalecimento e o aprimoramento da alimentação escolar indígena
e quilombola. Trata-se da implementação de medidas de gestão para contribuir com o fortalecimento
e o aprimoramento da oferta da alimentação escolar indígena e quilombola. Essas medidas de gestão
serão de responsabilidade do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), circunscritas
às funções constitucionais da União no que se refere à educação e à missão do FNDE de prestar assis-
tência técnica e financeira aos entes para uma educação de qualidade.

6.2.1 Promover, em colaboração com os sistemas de ensino, políticas para a Educação esco-
lar quilombola

As Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Escolar Quilombola na Educação Básica definem
que a Educação Escolar Quilombola requer pedagogia própria, respeito à especificidade étnico-racial
e cultural de cada comunidade, formação específica de seu quadro docente, materiais didáticos e pa-
radidáticos específicos, devem observar os princípios constitucionais, a base nacional comum e os
princípios que orientam a Educação Básica Brasileira, e deve ser oferecida nas escolas quilombolas e
naquelas escolas que recebem alunos quilombolas fora de suas comunidades de origem20.

20 Mais informações em [Link]


82187207/18693-educacao-quilombola

113
Série Planejamento Nacional Agenda Transversal Igualdade Racial

O objetivo específico de promover, em colaboração com os sistemas de ensino, políticas para a edu-
cação escolar quilombola e tem como meta ampliar, anualmente, o número de matrículas em escolas
quilombolas da educação básica, atingindo em 2027 o número de 350.000 alunos matriculados, sendo
241.629 na Região Nordeste, 41.860 na Região Norte, 36.442,00 na Região Sudeste, 20.391 na Região
Centro-Oeste e 9.678 na Região Sul.

Gráfico 83 – Ampliação do número de matrículas de estudantes em escolas


quilombolas da educação básica

360.000
350.000
350.000
340.000
330.000
330.000
320.000
320.000
310.000
300.000
300.000
290.000
280.000
270.000
2024 2025 2026 2027
Fonte: SIOP.

A entrega Apoio à profissionalização e formação continuada de professores e profissionais da edu-


cação básica no âmbito da Educação escolar quilombola visa oferecer formação continuada em edu-
cação escolar quilombola. Planeja-se ofertar 1.150 vagas em 2024 e 1.500 vagas nos demais anos do
PPA.

Com a entrega Apoio à melhoria da infraestrutura física, tecnológica e pedagógica das escolas qui-
lombolas, busca-se atender, em 2027, por exemplo, 600 escolas quilombolas empenhadas para rece-
ber recursos por meio do Programa Dinheiro Direto na Escola - PDDE Campo e/ou PDDE Água.

114
Série Planejamento Nacional Agenda Transversal Igualdade Racial

Gráfico 84 – Apoio a escolas quilombolas por meio do PDDE Campo e/ou PDDE Água

700
600 600
600
500
500

400
300
300

200

100

0
2024 2025 2026 2027
Fonte: SIOP.

O Programa Dinheiro Direto na Escola - PDDE Campo tem por objetivo destinar recursos financeiros
de custeio e de capital às escolas públicas municipais, estaduais e distritais, localizadas na zona rural
(campo, indígenas e quilombolas), que tenham estudantes matriculados na educação básica a fim de
propiciar adequação e benfeitoria na infraestrutura física dessas unidades, necessárias à realização de
atividades educativas e pedagógicas voltadas à melhoria da qualidade do ensino21.

Já o Programa Dinheiro Direto na Escola - PDDE Água e Esgoto Sanitário destina recursos financeiros
de custeio e de capital às escolas do campo e quilombolas, garantindo as adequações necessárias ao
abastecimento de água em condições apropriadas para consumo e o esgotamento sanitário nas unida-
des escolares que tenham declarado no Censo a inexistência de abastecimento de água ou de esgota-
mento sanitário22 e ainda não tenham sido beneficiadas com essa assistência pecuniária.

6.2.2 Prover acesso à internet banda larga, e a equipamentos para a utilização pedagógica
nas escolas da rede pública de educação básica, inclusive em escolas do campo, indígenas
e quilombolas

A Política de Inovação Educação Conectada, instituída pela Lei no 14.180, de 1º de julho de 2021, tem
por objetivo apoiar a universalização do acesso à internet em alta velocidade e fomentar o uso pedagó-
gico de tecnologias digitais na educação básica.

No contexto da referida Política, o objetivo específico de prover acesso à internet banda larga e a equi-
pamentos para a utilização pedagógica nas escolas da rede pública de educação básica, inclusive em
escolas do campo, indígenas e quilombolas, busca ampliar o número de escolas que declaram ter aces-
so à Internet para uso nos processos de ensino e aprendizagem, atingindo 100% em todas as macror-
regiões do País.

21 [Link]

22 [Link]
programa-dinheiro-direto-na-escola

115
Série Planejamento Nacional Agenda Transversal Igualdade Racial

Gráfico 85 – Aumento do percentual de escolas conectadas à internet banda larga

120%

100,00%
100% 94,02%
88,04%
82,05
80%

60%

40%

20%

0
2024 2025 2026 2027
Fonte: SIOP.

Na entrega Monitoramento da qualidade da conexão de internet utilizada pelas escolas da educa-


ção básica, pretende-se ampliar para 138.355 escolas com o Medidor Educação Conectada instalado
até o ano de 2027.

Gráfico 86 – Aumento do número de escolas com o


Medidor Educação Conectada instalado

Centro-Oeste Nordeste Norte Sudeste Sul Brasil

160.000
138.355
140.000 131.005
19.826
120.000 113.857 19.160

100.000 90.990 17.609


40.365
38.430
80.000 15.540
33.917
18.950 20.366
60.000 27.899
15.640
40.000 11.226
46.871 49.953
39.680
20.000 30.092

0 6.233 7.011 7.594 7.845


2024 2025 2026 2027
Fonte: SIOP.

Com a entrega Apoio à aquisição de equipamentos tecnológicos/dispositivos de acesso, planeja-se


ampliar o percentual de escolas com computadores de mesa, portáteis e tablets para uso dos estudan-
tes, atingindo 100% em todas as macrorregiões até 2027.

116
Série Planejamento Nacional Agenda Transversal Igualdade Racial

Gráfico 87 – Apoio à aquisição de equipamentos tecnológicos/dispositivos de acesso

120%

100,0% 100,00%
100% 89,1%
78,2%
80%

60%

40%

20%

0
2024 2025 2026 2027
Fonte: SIOP.

Os equipamentos considerados devem estar em condições de uso, sendo que os equipamentos que
estão temporariamente desligados, sem utilização momentânea, aguardando instalação, em condi-
ções de conserto ou encaixotados, são devidamente discriminados. Também são informados os equi-
pamentos alugados pela escola ou pela rede de ensino.

6.2.3 Apoiar técnica, pedagógica e financeiramente a rede física escolar da educação bási-
ca pública para construção, reforma, ampliação e aquisição de equipamentos e mobiliário,
garantindo condições adequadas de funcionamento, acessibilidade e sustentabilidade so-
cioambiental e atendendo às demandas e especificidades das etapas e modalidades da edu-
cação básica, considerando, inclusive, as populações do campo, quilombolas, indígenas,
pessoas com deficiência, pessoas surdas, a educação de jovens e adultos

Com este objetivo específico, planeja-se ampliar para 45% dos entes federados apoiados no Plano de
Ações Articuladas (PAR) para infraestrutura em relação ao total de entes federados. O PAR é uma estra-
tégia de assistência técnica e financeira iniciada pelo Plano de Metas Compromisso Todos pela Educa-
ção, instituído pelo Decreto nº 6.094, de 24 de abril de 2007. Fundamenta-se no Plano de Desenvolvi-
mento da Educação (PDE), e consiste em oferecer aos entes federados um instrumento de diagnóstico e
planejamento de política educacional, concebido para estruturar e gerenciar metas definidas de forma
estratégica, contribuindo para a construção de um sistema nacional de ensino.

No âmbito deste objetivo específico, a entrega Apoio à retomada de obras contempladas pela Lei
nº 14.719, de 01 de novembro de 2023, que instituiu o Pacto Nacional pela Retomada de Obras
e de Serviços de Engenharia Destinados à Educação Básica faz parte do conjunto de empreendi-
mentos beneficiados com o novo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) para o subeixo edu-
cação básica, vinculada à modalidade: “Infraestrutura para Educação Básica - Retomada e conclusão
de obras - creche, escola, quadra e cobertura de quadras”. A meta é repactuar 404 obras paralisadas e
inacabadas no ano de 2024 e 473 no ano de 2027, por exemplo.

Com a entrega Apoio à aquisição de mobiliários e equipamentos para educação básica, serão bene-
ficiados, até 2027, 436 entes federados com o recurso orçamentário para a aquisição de mobiliários e
equipamentos para educação básica, no âmbito do PAR.

117
Série Planejamento Nacional Agenda Transversal Igualdade Racial

Gráfico 88 – Apoio aos entes na aquisição de mobiliários e equipamentos


para educação básica

450 436
400
394
352
350
310
300
250
200
150
100
50
0
2024 2025 2026 2027
Fonte: SIOP.

6.3 Governança Fundiária, Reforma Agrária e Regularização de Territórios


Quilombolas e de Povos e Comunidades Tradicionais – Ministério do Desen-
volvimento Agrário e Agricultura Familiar

Este Programa incorpora a proposta “Promover a governança fundiária, a reforma agrária, a


regularização fundiária, o acesso à terra para agricultoras e agricultores familiares, assentadas
e assentados da reforma agrária, indígenas, quilombolas e povos e comunidades tradicionais,
assegurando a função social da terra, a inclusão produtiva e o bem viver dessas populações”,
proveniente do processo de PPA Participativo, que contou com 2.042 votos na Plataforma Bra-
sil Participativo – a segunda mais votada entre as propostas da agenda de igualdade racial.

Este programa tem por objetivo promover a governança fundiária, a reforma agrária, a regularização
fundiária e o acesso à terra para agricultoras e agricultores familiares, assentadas e assentados da re-
forma agrária, quilombolas, indígenas e povos e comunidades tradicionais, assegurando a função so-
cial da terra, a inclusão produtiva e o bem viver dessas populações. Vale destacar que são consideradas
terras ocupadas por remanescentes das comunidades dos quilombos, segundo o parágrafo 2º do artigo
2º do Decreto no 4.887, de 20 de novembro de 2003, aquelas utilizadas para a garantia de sua reprodu-
ção física, social, econômica e cultural.

6.3.1 Promover acesso a territórios e sistemas produtivos para quilombolas

Este objetivo específico busca garantir o direito à terra, ao respeito ao vínculo com a cultura e ances-
tralidade, por meio da titulação de áreas para comunidades quilombolas. A regularização fundiária dos
territórios quilombolas envolve as etapas de elaboração e publicação de Relatório Técnico de Identi-
ficação e Delimitação (RTID), de emissão de portaria de reconhecimento do território quilombola, de
decretação do território como de interesse social, de avaliação e indenização das terras dos ocupantes
não-quilombolas, de desintrusão dos ocupantes não-quilombolas (com reassentamento desses quan-
do forem público da reforma agrária) e de titulação.

118
Série Planejamento Nacional Agenda Transversal Igualdade Racial

Gráfico 89 – Titulação de Territórios de Comunidades Quilombolas (hectares)

50.000 42.000
45.000
40.000
35.000 30.000
30.000
25.000
20.000 16.000
15.000 12.000
10.000
5.000
0
2024 2025 2026 2027
Fonte: SIOP.

Com a entrega Territórios quilombolas identificados e delimitados, serão publicados 130 Relatórios
Técnicos de Identificação e Delimitação (RTID) de áreas quilombolas publicados até o ano de 2027,
sendo 32 na Região Nordeste, 27 na Região Centro-Oeste, 25 na Região Sudeste, 23 na Região Norte e
23 na Região Sul.

Gráfico 90 – Identificação e delimitação dos territórios quilombolas

140 130
120

100

80 70
60
40
40

20 10
0
2024 2025 2026 2027
Fonte: SIOP.

Por meio da entrega Territórios quilombolas reconhecidos para regularização fundiária, serão pu-
blicadas pelo INCRA até 2027, 60 Portarias de Reconhecimento de Territórios Quilombolas, sendo 26 na
Região Nordeste, 10 na Região Sudeste, 8 na Região Norte, 8 na Região Centro-Oeste e 8 na Região Sul.

119
Série Planejamento Nacional Agenda Transversal Igualdade Racial

Gráfico 91 – Reconhecimento de territórios quilombolas para regularização fundiária

70
60
60
50 50
50
40
40

30

20

10

0
2024 2025 2026 2027
Fonte: SIOP.

Também serão publicados 60 decretos declaratórios de Interesse Social para Territórios Quilombolas
até o final de 2027 por meio da entrega Decretos declaratórios de Interesse Social para Territórios
Quilombolas publicados, sendo 26 na Região Nordeste, 10 na Região Sudeste, 8 na Região Norte, 8 na
Região Centro-Oeste e 8 na Região Sul.

Gráfico 92 – Publicação de decretos declaratórios de Interesse Social


para Territórios Quilombolas

70
60
60
50 50
50
40
40

30

20

10

0
2024 2025 2026 2027
Fonte: SIOP.

Por fim, com a entrega Áreas tituladas para comunidades quilombolas, serão titulados 42.000 hec-
tares de áreas para comunidades quilombolas, sendo 20.000 hectares na Região Nordeste, 10.000 hec-
tares na Região Norte, 8.000 hectares na Região Sul, 2.000 hectares na Região Sudeste e 2.000 hectares
na Região Centro-Oeste.

120
Série Planejamento Nacional Agenda Transversal Igualdade Racial

Gráfico 93 – Titulação das áreas das comunidades quilombolas (em hectares)

45.000 42.000
40.000
35.000
30.000
30.000
25.000
20.000 16.000
15.000 12.000
10.000
5.000
0
2024 2025 2026 2027
Fonte: SIOP.

Em termos de promoção do acesso aos sistemas produtivos, a entrega Participação de quilombo-


las, indígenas e povos e comunidades tradicionais na venda para mercados institucionais trata da
ampliação da participação de cooperativas e associações de quilombolas, indígenas e povos e comu-
nidades tradicionais nos mercados institucionais, em especial do Programa de Aquisição de Alimentos
(PAA) e o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE). A meta é ampliar o fornecimento de co-
operativas/associações quilombolas, indígenas e de povos e comunidades tradicionais aos mercados
institucionais (PAA e PNAE), atingindo o número de 14 cooperativas fornecedoras em 2027, sendo 5 na
Região Nordeste, 3 na Região Norte, 2 na Região Sudeste, 2 na Região Sul e 2 na Região Centro-Oeste.

Aumentar o número de Famílias Quilombolas, Indígenas e de Povos e Comunidades Tradicionais aten-


didas por Assistência Técnica e Extensão Rural, conforme suas especificidades, contribui sobremaneira
para o objetivo específico em questão. Nesse sentido, com a entrega Famílias Quilombolas, Indígenas
e de Povos e Comunidades Tradicionais atendidos por Assistência Técnica e Extensão Rural (ATER),
planeja-se atender 15.200 famílias quilombolas, indígenas e de povos e comunidades tradicionais com
Assistência Técnica e Extensão Rural, conforme suas especificidades, sendo 4.000 na Região Nordeste,
3.500 na Região Norte, 3.500 na Região Sudeste, 2.200 na Região Centro-Oeste e 2.000 na Região Sul.

121
Série Planejamento Nacional Agenda Transversal Igualdade Racial

Gráfico 94 – Ampliação do número de famílias quilombolas, indígenas e de povos


e comunidades tradicionais atendidas com Assistência Técnica e Extensão Rural,
conforme suas especificidades

16.000 15.000 15.200


14.000

12.000
10.000
9.800
10.000

8.000

6.000

4.000

2.000

0
2024 2025 2026 2027
Fonte: SIOP.

O Cadastro da Agricultura Familiar é o instrumento da Política Nacional da Agricultura Familiar e Em-


preendimentos Familiares Rurais, instituída pela Lei nº 11.326, de 24 de julho de 2006, destinado à iden-
tificação e qualificação das Unidades Familiares de Produção Agrária (UFPA), dos Empreendimentos
Familiares Rurais e das formas associativas de organização da agricultura familiar. Este instrumento é
requisito para o acesso de agricultores familiares e demais beneficiários da Lei às políticas públicas de
apoio e incentivo à produção agrícola familiar.

Nesse sentido, com a entrega Cadastro da Agricultura Familiar - CAF para quilombolas, indígenas e
povos e comunidades tradicionais, planeja-se ampliar para 235.363 o número de famílias cadastra-
das até o final de 2027, sendo 52.900 na Região Nordeste, 17.930 na Região Norte, 11.356 na Região Sul,
7.599 na Região Sudeste e na 5.527 Região Centro-Oeste.

Gráfico 95 – Ampliação do número de famílias quilombolas, indígenas que


possuem CAF/DAP específica para os públicos

250.000 235.363
213.966
194.515
200.000
176.832

150.000

100.000

50.000

0
2024 2025 2026 2027
Fonte: SIOP.

122
Série Planejamento Nacional Agenda Transversal Igualdade Racial

No âmbito da entrega Produção de quilombolas, de indígenas e de povos e comunidades tradicio-


nais registrada com selo de origem, foi criado o Selo Quilombos do Brasil para identificação de pro-
dutos da agricultura familiar de origem étnica e territorial das comunidades quilombolas. A iniciativa
faz parte do programa Aquilomba Brasil, conjunto de medidas voltadas para a promoção dos direitos
dessa população. A meta é emitir 20 selos de origem para produção de quilombolas, de indígenas e de
povos e comunidades tradicionais, sendo 9 na Região Nordeste, 3 na Região Norte, 3 na Região Sudes-
te, 3 na Região Sul e 2 na Região Centro-Oeste.

Gráfico 96 – Ampliação do número de selos de origem emitidos para produção de


quilombolas, de indígenas e de povos e comunidades tradicionais
25

20
20

15
15

10
10

5
5

0
2024 2025 2026 2027
Fonte: SIOP.

6.3.2 Promover o acesso à Educação do Campo para o público da Reforma Agrária, Quilom-
bolas e Povos e Comunidades Tradicionais

Este objetivo específico trata da formação, escolarização e capacitação de jovens e adultos, desde a
alfabetização e ensino básico até cursos de nível médio, superior, pós-graduação e treinamento de
qualificação técnica, promovendo o diálogo e a pesquisa científica entre as comunidades assentadas
e as instituições de ensino ofertantes dos cursos, inclusive nas áreas de Reforma Agrária e do Crédito
Fundiário, além da articulação para apoio à melhoria de infraestrutura das escolas dos assentamentos
e da formação de educadores e técnicos.

Para tanto, o Governo Federal conta com o Programa Nacional de Educação na Reforma Agrária (Prone-
ra), instituído por meio do Decreto nº 7.352, de 4 de novembro de 2010, que tem por objetivos oferecer
educação formal aos jovens e adultos beneficiários do Plano Nacional de Reforma Agrária (PNRA), em
todos os níveis de ensino; melhorar as condições do acesso à educação do público do PNRA; e propor-
cionar melhorias no desenvolvimento dos assentamentos rurais por meio da qualificação do público
do PNRA e dos profissionais que desenvolvem atividades educacionais e técnicas nos assentamentos.
Serão 16.250 beneficiários atendidos por ano, no período de 2024-2027, com ações do Pronera, sendo
7.375 na Região Nordeste, 3.375 na Região Norte, 2.000 na Região Sul, 1.875 na Região Sudeste e 1.625
na Região Centro-Oeste.

123
Série Planejamento Nacional Agenda Transversal Igualdade Racial

Por meio da entrega Beneficiários do Programa Nacional de Educação na Reforma Agrária (Prone-
ra) formados em nível técnico-profissionalizante e superior, serão 2.500 alunos formados por ano
durante o período do PPA, sendo 750 na Região Nordeste, 625 na Região Norte, 500 na Região Sul, 375
na Região Sudeste e 250 na Região Centro-Oeste.

Já com a entrega Beneficiários do Programa Nacional de Educação na Reforma Agrária (Pronera)


atendidos em capacitações no âmbito da Educação do Campo e formação de pós-graduação (Re-
sidência Agrária), o Governo Federal ofertará, por ano, formação e capacitação profissional no âmbito
da educação do campo e formação de pós-graduação (Residência Agrária) para 1.250 beneficiários por
ano, sendo 375 na Região Nordeste, 250 na Região Norte, 250 na Região Sul, 250 na Região Sudeste e
125 na Região Centro-Oeste.

Por último, na entrega Beneficiários do Programa Nacional de Educação na Reforma Agrária (Pro-
nera) ingressos na Educação de Jovens e Adultos (EJA) serão 12.500 novos ingressantes por ano
em cursos de alfabetização e escolarização para jovens e adultos das áreas de Reforma Agrária, sendo
6.250 na Região Nordeste, 2.500 na Região Norte, 1.250 na Região Sul, 1.250 na Região Sudeste e 1.250
na Região Centro-Oeste.

6.3.3 Promover o acesso democratizado à terra

Este objetivo específico volta-se à ampliação do acesso democratizado à terra e territórios para qui-
lombolas, povos e comunidades tradicionais e ocupantes de terras públicas, visando garantir direitos
e fomentar o desenvolvimento socioeconômico dessas populações. Esse processo envolve ações do
Programa Nacional de Crédito Fundiário (PNCF), a regularização fundiária e a emissão de títulos de-
finitivos, bem como projetos de investimentos comunitários. Até o final do PPA, serão 20.000 famílias
beneficiadas com acesso à terra, sendo 11.850 na Região Norte, 6.150 na Região Nordeste, 1.034 na
Região Sul, 483 na Região Sudeste e 483 na Região Centro-Oeste.

No objetivo em questão, destaca-se a entrega Famílias beneficiadas com documentos de regulariza-


ção fundiária emitidos em áreas sob domínio dos estados, com a promoção de acesso à terra, com
segurança jurídica, para 2.000 famílias ocupantes de terras públicas estaduais em 2027, sendo 800 na
Região Norte, 800 na Região Nordeste, 134 na Região Sul, 133 na Região Sudeste e 133 na Região Cen-
tro-Oeste.

124
Série Planejamento Nacional Agenda Transversal Igualdade Racial

Gráfico 97 – Famílias ocupantes de terras públicas estaduais com acesso


à terra e segurança jurídica garantidos

2.500

2.000 2.000 2.000


2.000

1.500
1.500

1.000

500

0
2024 2025 2026 2027
Fonte: SIOP.

6.3.4 Aprimorar o gerenciamento da malha fundiária

Este objetivo específico trata da promoção e manutenção de ações de governança fundiária, tais como
o georreferenciamento de imóveis rurais, a certificação de áreas públicas, o cadastro de imóveis ru-
rais, a verificação dos imóveis rurais adquiridos por estrangeiros, a arrecadação de terras devolutas da
União e a destinação de terras públicas.

Destaca-se a entrega Terras públicas com destinação definida pela Câmara Técnica de Destinação e
Regularização Fundiária de Terras Públicas Federais Rurais (CTD) e/ou pelas câmaras estaduais de
destinação de terras, que trata de áreas públicas com definição para serem destinadas para Unidades
de Conservação, Territórios Quilombolas, Projetos de Assentamentos, Terras Indígenas, Territórios de
Povos e Comunidades Tradicionais, regularização fundiária, concessão florestal e afins. As metas, medi-
das em hectares, de áreas públicas definidas, analisadas no âmbito da Câmara Técnica de Destinação e
Regularização Fundiária de Terras Públicas Federais Rurais e/ou das câmaras estaduais de destinação
de terra são apresentadas no gráfico a seguir.

125
Série Planejamento Nacional Agenda Transversal Igualdade Racial

Gráfico 98 – Definição da destinação das terras públicas analisadas no âmbito da


Câmara Técnica de Destinação e Regularização Fundiária de Terras Públicas Federais
Rurais e/ou das câmaras estaduais de destinação de terras, em hectares – ha

2.500.000

2.000.000
2.000.000

1.500.000
1.500.000
1.200.000
1.000.000
1.000.000

500.000

0
2024 2025 2026 2027
Fonte: SIOP.

6.4 Neoindustrialização, Ambiente de Negócios e Participação Econômica In-


ternacional – Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços

6.4.1 Promover a simplificação e a desburocratização do ambiente de negócios e o acesso


a redes de apoio, a crédito e garantias, com enfoque em micro, pequenas e médias empre-
sas (MPEs), microempreendedores e artesãos

Este objetivo específico volta-se para garantir a elaboração, a promoção e a implementação de estu-
dos, iniciativas e ações que possibilitem e efetivem a simplificação e a desburocratização do ambiente
de negócios; e o acesso a redes de apoio, a crédito e a garantias, especialmente para micro, pequenas
e médias empresas, microempreendedores e artesãos, sem prejuízo para promoção das medidas aos
empreendedores em geral, beneficiando a formalização e pleno funcionamento dos negócios, a atra-
ção de investimento e o aumento de emprego e renda.

A entrega Ampliação do acesso a serviços e equipamentos públicos destinados aos artesãos para
povos indígenas e quilombolas (Carteira Nacional do Artesão) diz respeito ao incremento do nú-
mero de indígenas e quilombolas com Carteira Nacional do Artesão para poderem acessar as demais
políticas do Programa do Artesanato Brasileiro (PAB). A meta é ampliar, até 2027, para 20% o número
de indígenas e quilombolas com Carteira Nacional do Artesão.

126
Série Planejamento Nacional Agenda Transversal Igualdade Racial

127
Série Planejamento Nacional Agenda Transversal Igualdade Racial

7 Capacidade institucional, articulação e participação

Na dimensão estratégica do PPA 2024 – 2027, há quatro valores e diretrizes relacionados ao fortale-
cimento da capacidade institucional. São eles: 1) Participação social, envolvendo a promoção da
transparência e da gestão participativa na elaboração e na implementação do orçamento e das políti-
cas públicas; 2) Atuação colaborativa, que envolve a articulação com movimentos sociais e agentes
públicos, privados e do terceiro setor visando mobilizar recursos para ampliar a capacidade de atuação
do Estado, a promoção da cooperação internacional para o desenvolvimento sustentável e a potencia-
lização da cooperação federativa; 3) Responsabilidade Fiscal e Social, que tem por diretriz assegurar
que os recursos públicos sejam utilizados de forma eficiente, fiscal e socialmente responsável; e 4)
Excelência na Gestão, que envolve a promoção da gestão pública inovadora e efetiva, fomentando a
transformação digital.

O PPA contém três eixos que agrupam os objetivos estratégicos, assentados na implementação dos
programas e dos seus resultados. Os três eixos são: 1) Desenvolvimento social e garantia de direitos; 2)
Desenvolvimento econômico e sustentabilidade socioambiental e climática; e 3) Defesa da democracia
e reconstrução do Estado e da soberania. Esse terceiro eixo busca, entre outras coisas, recuperar a ca-
pacidade de coordenação, de planejamento e de execução do Estado brasileiro.

Nesta dimensão de capacidade institucional, são apresentados os atributos da Agenda Transversal


contidos nos diversos programas de PPA que visam a fortalecer a capacidade de atuação dos órgãos
especificamente no que se refere à busca da igualdade racial.

7.1 Promoção da Igualdade Étnico-Racial, Combate e Superação do Racismo


– Ministério da Igualdade Racial

7.1.1 Promover a gestão das políticas de promoção de igualdade racial no âmbito do Siste-
ma Nacional de Promoção da Igualdade Racial, com vistas à sua institucionalização

O Sistema Nacional de Promoção da Igualdade Racial (SINAPIR)23 foi instituído pela Lei nº 12.288, de 20
de julho de 2010, lei conhecida como Estatuto da Igualdade Racial, e foi regulamentado pelo Decreto nº
8.136, de 5 de novembro de 2013.

O SINAPIR atua como forma de organização e articulação voltadas à implementação do conjunto de


políticas e serviços destinados a superar as desigualdades étnicas existentes no país, prestados pelo
poder público federal, conforme art. 47 da Lei 12.288, de 2010. Estados, Distrito Federal e municípios
podem participar do SINAPIR mediante adesão.

Entre os benefícios de se aderir ao SINAPIR, estão:

• Tornar-se parte fundamental de uma teia de articulações políticas de programas e projetos


do Ministério da Igualdade Racial e do quadro do Poder Executivo Federal;

23 Mais informações podem ser obtidas acessando [Link]

128
Série Planejamento Nacional Agenda Transversal Igualdade Racial

• Institucionalizar o compromisso do município com ações antirracistas aliadas às políticas


públicas de promoção da igualdade racial;

• Ligar os entes federados com o Ministério da Igualdade Racial, favorecendo tanto as articu-
lações quanto a execução dos programas; e

• Obter acesso preferencial às transferências voluntárias de recursos federais, em conformi-


dade com o art. 24 do Decreto nº 8.136, de 2013.

Para fortalecer o SINAPIR, pretende-se executar as seguintes medidas:

• Assessoria a gestores e órgãos públicos para qualificação e acompanhamento das políticas


públicas com vistas à promoção da igualdade racial no âmbito do SINAPIR;

• Censo do SINAPIR; e

• Protocolo de gênero e raça para implementação e avaliação de políticas públicas e de pro-


jetos.

O Governo Federal pretende também criar um Observatório de monitoramento e avaliação do SI-


NAPIR.

7.1.2 Ampliar a cobertura do SINAPIR nos entes subnacionais

Para que mais entes nacionais possam fazer sua adesão ao SINAPIR, o Governo Federal visa entregar
Produtos e equipamentos de infraestruturas para a promoção da igualdade racial e prestar apoio
técnico, por meio de visitas, a iniciativas subnacionais de promoção da igualdade racial no âmbi-
to do Sistema.

Como medidas institucionais, estão previstos chamamentos públicos para fomento a projetos, a pro-
gramas e a órgãos e conselhos de promoção da igualdade racial. O objetivo é que haja geração de
renda e promoção da cultura negra por meio dos projetos propostos. Está prevista ainda a realização
de diálogos para desenvolvimento de planos de iniciativas para combater e reparar ações de racismo
religioso, por meio de protocolo junto aos entes subnacionais no âmbito do SINAPIR para desenvolvi-
mento de ações prioritárias para combate ao racismo religioso.

7.1.3 Criar ferramentas nacionais de recebimento e encaminhamento de denúncias de


racismo

Objetiva-se criar canais de denúncia para o acolhimento, o encaminhamento e o tratamento de casos


de racismo, com profissionais com formação sobre letramento racial para a devida triagem das denún-
cias recebidas. Para a consecução deste objetivo específico, prevê-se a criação de:

• Ferramenta de recebimento e encaminhamento de denúncias de racismo por meio de


software que se comunique e interaja com usuários humanos por meio de mensagens au-
tomatizadas (ChatBot);

129
Série Planejamento Nacional Agenda Transversal Igualdade Racial

• Ferramenta por meio do FalaBr para recebimento e encaminhamento de denúncias de ra-


cismo ocorridas em instituições públicas; e

• Serviço de recebimento e encaminhamento de denúncias de racismo por meio de telefone


– Disque 138.

Para que esses serviços tenham efetividade, visa-se criar protocolo entre o Ministério da Igualdade Ra-
cial e a Defensoria Pública para encaminhamento das denúncias visando responder ao cidadão denun-
ciante. É preciso também atuar para a formação das equipes que atuarão no Disque 138 e nas demais
ferramentas.

7.1.4 Estabelecer programa de combate ao racismo no esporte

Este objetivo específico visa a combater o racismo no ecossistema do esporte por meio de ações de for-
mação antirracista dos profissionais da área, bem como por meio do monitoramento dos casos e seus
devidos encaminhamentos. Para tanto, o Ministério da Igualdade Racial vai trabalhar para a instituição
de normatização que estabeleça a integração com os mecanismos de denúncia integrados ao Disque
138, ao Disque 100 e ao Disque 180, para levantamento das denúncias de racismo no esporte.

Além disso, está prevista a entrega de um Painel Digital de Monitoramento dos Casos de Racismo no
Esporte.

7.1.5 Apoiar a regularização fundiária para população negra em situação de vulnerabilida-


de social, com fins na garantia do bem viver e valorização do território

Este objetivo específico já foi tratado em outra dimensão deste Relatório. Em relação à capacidade
institucional necessária à sua consecução, pretende-se instituir instrumento normativo entre o Minis-
tério da Igualdade Racial, o Ministério do Desenvolvimento Agrário e o Ministério das Cidades que es-
tabeleça a identificação raça/cor das famílias beneficiadas pela regularização fundiária rural e urbana,
com vistas a instituir medida de priorização étnico-racial na emissão de documentos de regularização
fundiária.

7.1.6 Ampliar ações de combate ao racismo e promoção da igualdade racial na comunica-


ção social e na comunicação pública

Este objetivo específico, entre outras coisas, busca o cumprimento do Decreto nº 6.555, de 8 de setem-
bro de 2008, que dispõe sobre as ações de comunicação do Poder Executivo Federal. Este, em seu art.
2º, estabelece as diretrizes para o desenvolvimento e a execução das ações de comunicação do Poder
Executivo Federal e assinala, no inciso IV, a “valorização da diversidade étnica e cultural e respeito à
igualdade e às questões raciais, geracionais, de gênero e de orientação sexual”.

A consecução desse objetivo conta com a entrega Campanhas institucionais protagonizadas por
pessoas negras e de Imersão sobre ‘letramento racial’ destinado aos trabalhadores das agências
que atendem tanto à Secretaria de Comunicação Social (SECOM) quanto aos órgãos do Sistema
Integrado de Comunicação Social da Administração Pública Federal (SICOM).

130
Série Planejamento Nacional Agenda Transversal Igualdade Racial

Além disso, pretende-se criar instrumentos normativos que tratem da adesão de mídias protagoniza-
das por pessoas negras ao Midiacad, que é o sistema de cadastro de veículos de comunicação e divul-
gação e inovadores digitais da Secretaria de Comunicação Social; da promoção da diversidade racial
na contratação de agências e mídias; e da inclusão do Ministério da Igualdade Racial no Comitê de
Monitoramento de Patrocínios do Sistema de Comunicação de Governo do Poder Executivo.

7.1.7 Ampliar o número de municípios com a Política Nacional de Saúde Integral da Popula-
ção Negra – PNSIPN – implantada e implementada

No âmbito deste objetivo específico, tem-se a entrega realização de oficinas nos territórios sobre a
PNSIPN, em articulação com os estados e a medida institucional que prevê a construção de um termo
de adesão, que terá como instrumento um formulário e um plano de trabalho para aferir a implantação
e implementação da Política Nacional de Saúde Integral da População Negra nos municípios e estados,
de modo a serem consideradas como localidades que implantaram a PNSIPN aquelas que estabelece-
ram um processo formativo dos seus agentes de saúde.

7.1.8 Fortalecer a participação do Brasil nos diálogos multilaterais e bilaterais, a partir da


perspectiva da justiça racial

Este objetivo específico visa a inserção do combate ao racismo como uma das centralidades do debate
internacional protagonizado pelo Brasil, em alinhamento com as diretrizes da Política Externa Brasi-
leira sobre a promoção da cooperação SUL-SUL como parte de uma atuação internacional ativa, bem
como forma de reparação pelo Brasil ter sido a última localidade do mundo a abolir a escravatura.

7.2 Juventude Negra Viva - Ministério da Igualdade Racial

7.2.1 Promover a Saúde da Juventude Negra

Para que atingir o objetivo de fortalecer e ampliar a integralidade da saúde da juventude negra de ma-
neira interseccional, preveem-se as seguintes medidas institucionais:

• Instituição de Portaria Interministerial entre MIR, MS e Secretaria Nacional de Juventude


(SNJ) que estabeleça o recorte de juventude negra para todos os dados oficiais do Ministé-
rio da Saúde;

• Criação de Acordo de Cooperação Técnica entre MIR e MS dedicado ao aperfeiçoamento do


monitoramento de dados e indicadores de saúde da juventude negra; e

• Elaboração de Termo de adesão interfederativo para a promoção da saúde da juventude


negra, como forma de mensurar as ações voltadas a esse público, elaborado pelos MIR, MS
e SNJ para ações específicas visando a redução das mortes violentas intencionais (MVI) de
jovens negras e negros nos municípios.

Destaca-se a seguinte entrega relacionada ao fortalecimento da capacidade institucional: Documento


técnico sobre a Saúde da Juventude Negra para subsidiar a formação dos profissionais que atuam
no SUS.

131
Série Planejamento Nacional Agenda Transversal Igualdade Racial

7.2.2 Territorializar a atenção aos Direitos Humanos para a Juventude Negra em territórios
periféricos

Tendo em vista a necessidade de promover a educação em Direitos Humanos com enfoque no enfren-
tamento ao racismo, em territórios vulneráveis, com alta taxa de violência contra a juventude negra,
a fim de capitalizar informações de acesso a direitos e denúncia a violações, prevê-se formação para
estruturar rede de disseminação de informações - Rede de Agentes Multiplicadores(as) Negros(as) dos
Direitos Humanos, e o curso de formação denominado Programa Integrado e Multissetorial de Serviço
de Atenção aos Direitos Humanos da Juventude Negra.

7.2.3 Ampliar os projetos de incentivo ao esporte amador destinado à juventude negra nas
periferias urbanas, periurbanas e em territórios rurais

No âmbito deste objetivo específico, a medida institucional prevista é: Instrução Normativa Intermi-
nisterial entre MIR e Ministério do Esporte que estabeleça priorização nos editais gerais de Programa
Segundo Tempo, Programa Esporte e Lazer da Cidade e Programa Skate por Lazer em áreas de peri-
ferias urbanas, periurbanas e em territórios rurais em municípios cuja soma das mortes causadas por
agressão equivalham a 50% do total de mortes de jovens negros ocorrido no país, segundo os dados
do DataSus (SIM).

7.3 Políticas para Quilombolas, Comunidades Tradicionais de Matriz Africa-


na, Povos de Terreiros e Povos Ciganos – Ministério da Igualdade Racial
O programa trata de políticas específicas para os públicos citados, conforme apontado em capítulos
anteriores deste relatório. Para que atinja seus propósitos, várias medidas institucionais serão neces-
sárias, especialmente em articulações com outros ministérios, entidades ou organizações, com criação
de normativos legais ou com levantamento de dados. Essas medidas estão listadas a seguir:

• Realizar interlocução com o Ministério da Educação para ampliar o número de matrículas


dos Povos Ciganos na Educação de Jovens e Adultos - EJA;

• Atualizar a base de dados realizada em 2013 (no âmbito do Programa Brasil Cigano) sobre a
distribuição das etnias e subgrupos dos povos ciganos no território brasileiro;

• Indicar os territórios para obras de abertura de vias de acesso e de manutenção das existen-
tes, que levam às comunidades quilombolas e comunidades tradicionais de matriz africana
e aos povos de terreiros e povos ciganos;

• Monitoramento da inclusão de famílias quilombolas, comunidades tradicionais de matriz


africana, povos de terreiros e povos ciganos em situação de vulnerabilidade no CadÚnico e
promover a produção de informações e conhecimentos para políticas sociais;

• Incentivar a participação de lideranças quilombolas, representantes das comunidades tra-


dicionais de matriz africana, povos de terreiros e povos ciganos nas principais instâncias
de controle social;

• Incorporar na Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares do SUS as con-


cepções de saúde e doença e as práticas terapêuticas e de cuidado das Comunidades e
Povos Tradicionais de Matriz Africana e de Terreiros;

132
Série Planejamento Nacional Agenda Transversal Igualdade Racial

• Criar instrumento jurídico-normativo que assegure a regularização/titulação fundiária para


os Povos e Comunidades Tradicionais de Matriz Africana e de Terreiro e Povos Ciganos;

• Articular, monitorar e qualificar políticas públicas intersetoriais, junto ao poder público fe-
deral, estadual e municipal, para os Povos Ciganos (Calon, Rom e Sinti), criando mecanis-
mos para garantir aos sujeitos de direito conhecimento pleno e acesso a tais políticas;

• Realizar cadastro regional dos empreendimentos da economia criativa produzida e consu-


mida pelos quilombolas, povos e comunidades tradicionais de matriz africana, povos de
terreiros e ciganos do Brasil;

• Assegurar a marcação étnico-racial específica para quilombolas, comunidades tradicionais


de matriz africana, povos de terreiros e povos ciganos (Calon, Rom, Sinti) nas fichas de
cadastro em todos os níveis de atenção à saúde, educação, CadÚnico e outros para a cons-
trução de dados quantitativos e qualitativos sobre essas populações; e

• Atualizar a base de dados nacional, realizada em 2018, sobre o número de Povos e Comu-
nidades Tradicionais de Matriz Africana e Povos de Terreiros mapeados nas cinco regiões
do país.

7.3.1 Criar mecanismos de identificação e de enfrentamento à violência e à discriminação


contra quilombolas, povos e comunidades tradicionais de matriz africana, povos de terrei-
ros e ciganos.

Dado que este objetivo específico visa a criação efetiva de mecanismos de identificação e de enfren-
tamento à violência e à discriminação, uma das etapas iniciais prevista é a formação para gestores
servidores públicos acerca dos direitos dos quilombolas, povos e comunidades tradicionais de
matriz africana, povos de terreiro e ciganos nas instituições públicas.

7.4 Inclusão de Famílias em Situação de Vulnerabilidade no Cadastro Único e


Produção de Informações e Conhecimento para políticas sociais – Ministério
do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome
A inclusão de famílias de baixa renda no Cadastro Único é um dos primeiros passos para possibilitar
que elas tenham acesso às políticas sociais. Por outro lado, o Cadastro Único se configura em uma das
principais fontes de dados e de informações para o desenho de políticas públicas para famílias de baixa
renda. Para aprimorar o Cadastro Único, foram propostas as seguintes medidas: a elaboração de novo
formulário e sistema; o estabelecimento de equipe de referência e diretrizes de atendimento; e a publi-
cação da Política de Gestão da Informação.

7.4.1 Prover às políticas públicas dados e informações atualizadas das famílias de baixa ren-
da residentes no Brasil

O Governo Federal trabalha para o aprimoramento do sistema CadÚnico. A meta é ampliar para 86%
o nível de informações atualizadas das famílias de baixa renda no Cadastro Único até 2027. A Taxa de
Atualização Cadastral é um indicador utilizado para medir o desempenho de cada município quanto à
atualização cadastral. Além disso, fornece um diagnóstico sobre o nível de focalização do cadastro no

133
Série Planejamento Nacional Agenda Transversal Igualdade Racial

que se refere ao percentual de cadastros atualizados de famílias com renda per capita inferior a meio
salário-mínimo. A taxa é um dos componentes do Índice de Gestão Descentralizada (IGD)24. O cálculo
do valor dos recursos financeiros que serão repassados aos entes federados é feito com base no IGD.

Gráfico 99 – Percentual de famílias de baixa renda no Cadastro Único com


informações atualizadas (Taxa de Atualização Cadastral)

86,50%
86,00%
86,00%

85,50%
85,00%
85,00%
84,50%
84,50%
84,00%
84,00%

83,50%

83,00%
2024 2025 2026 2027
Fonte: SIOP.

Para que o Cadastro Único possa estar atualizado e consequentemente possa servir como provedor às
políticas públicas de dados e de informações atualizadas das famílias de baixa renda, estão previstas
as seguintes entregas:

• Integração do Cadastro Único com o Cadastro Nacional de Informações Sociais (CNIS) fina-
lizada;

• Capacitação de pessoas como instrutoras de formulários e operadoras do sistema do Ca-


dastro Único ofertada; e

• Encontros anuais com gestores estaduais e municipais de regiões metropolitanas sobre o


Cadastro Único.

7.4.2 Produzir estudos, dados, ferramentas informacionais, dentre outros, para o aperfei-
çoamento das políticas de desenvolvimento e assistência social e seus impactos sobre a
sociedade brasileira

Na mesma esteira do objetivo específico anterior, a riqueza das informações provenientes do Cadastro
Único pode contribuir para produção de estudos e de conhecimento em geral, seja para o governo, seja
para a sociedade, seja para a academia. Nesse sentido, busca-se fazer:

24 Mais informações sobre o IGD podem ser encontradas em [Link]


descentralizada-1

134
Série Planejamento Nacional Agenda Transversal Igualdade Racial

Nova versão do VIS Data - Visualizador de Dados Sociais. Esta entrega visa manter dados disponíveis
e atualizados como forma de fomentar o uso de dados por parte dos gestores das políticas públicas e
da sociedade para aprimoramento das políticas públicas. Para tanto, a meta é alcançar 100% dos pro-
gramas estratégicos do MDS com dados atualizados na nova versão do VIS Data.

7.5 Proteção Social pelo Sistema Único de Assistência Social – SUAS - Ministé-
rio do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome
Para a consecução dos objetivos previstos deste programa, já citado no capítulo 2, prevê-se como me-
didas institucionais:

• Publicar nova regulamentação sobre o serviço de proteção do SUAS em situações de cala-


midades públicas e emergências;

• Construção de parâmetros e orientações para a realização de busca ativa no âmbito da


Proteção Social Básica;

• Construção das Políticas Nacionais de Combate às Discriminações e Promoção da Igualda-


de Racial no âmbito do SUAS;

• Reordenar os serviços de acolhimento ofertados pelo SUAS; e

• Produzir e disseminar informações e orientações técnicas com vistas à qualificação da ges-


tão e da execução do Serviço de Convivência e Fortalecimento de Vínculos - SCFV.

7.5.1 Fortalecer e qualificar a gestão do Sistema Único de Assistência Social (SUAS) e os me-
canismos democráticos de participação e controle social

O Sistema Único de Assistência Social está constituído como um sistema descentralizado e participati-
vo, organizado a partir de uma lógica tripartite de gestão compartilhada entre União, estados, Distrito
Federal e municípios, na qual cada ente possui suas competências na garantia de oferta dos serviços,
programas e benefícios socioassistenciais. Além disso, a Constituição de 1988 prevê a implementação
de políticas públicas com ampla participação social. Nesse sentido, fortalecer a gestão do SUAS e seus
mecanismos democráticos de participação e controle social constitui um compromisso com a socieda-
de, que possui o direito de acessar a política de assistência social sempre que dela necessitar e partici-
par de sua implementação, com garantia do exercício do controle social.

Para dar conta deste objetivo específico, estão previstas as seguintes entregas:

• Municípios com preenchimento do Prontuário Eletrônico do SUAS e

135
Série Planejamento Nacional Agenda Transversal Igualdade Racial

Gráfico 100 – Percentual de municípios brasileiros que utilizam o prontuário


eletrônico do SUAS

80%
70%
70%
61%
60%
52%
50%
44%
40%

30%

20%

10%

0
2024 2025 2026 2027
Fonte: SIOP.

• Conselhos municipais de Assistência Social com proporcionalidade entre os segmen-


tos representantes da sociedade civil (trabalhadores, usuários e entidades).

Gráfico 101 – Aumento do número de municípios cujos conselhos de assistência


social contam com representação dos segmentos da sociedade civil
2.500
2.228
2.000
1.764

1.500 1.300

1.000 836

500

0
2024 2025 2026 2027
Fonte: SIOP.

7.6 Promoção do Trabalho Decente, Emprego e Renda – Ministério do Traba-


lho e Emprego
As seguintes medidas institucionais do programa destacam a importância da dimensão legal e norma-
tiva no âmbito da Agenda Transversal Igualdade Racial:

• Iniciativa legislativa para instituir selo do Trabalho Decente e Equidade no Trabalho;

136
Série Planejamento Nacional Agenda Transversal Igualdade Racial

• Iniciativas legislativas e normativas para a criação de critérios de classificação relaciona-


dos à inclusão e acessibilidade nas políticas de fomentos, editais e concurso de projetos; e

• Aumentar o valor das multas trabalhistas (art. 634, §2º da CLT) e mudar o índice de atuali-
zação.

7.6.1 Gerar e disseminar informações estratégicas sobre trabalho, emprego, renda e rela-
ções do trabalho

A necessidade de geração e disseminação de informações sobre trabalho, emprego e renda exige co-
nhecimento das principais ações em curso, bem como dos seus resultados de forma rotineira, de modo
a permitir uma maior integração das políticas públicas, assim como dos acessos dessas ações por parte
dos trabalhadores (do setor formal e informal), empregadores e entidades sindicais, colônias de pesca-
dores, centrais sindicais, mediação coletiva, instrumentos coletivos e trabalho temporário.

O acompanhamento do desempenho desse objetivo específico será contabilizado pelo número de usu-
ários que acessam informações estatísticas referentes a trabalho, emprego, renda e relações de tra-
balho. Há expectativa de que 24.300 pessoas conheçam e se tornem usuários dos dados dispostos no
Portal de Disseminação de Estatísticas de Trabalho até o final de 2027.

Gráfico 102 – Ampliação do número de usuários que acessam informações


estatísticas referentes a trabalho, emprego, renda e relações de trabalho

25.000
24.300
24.000
23.150
23.000
22.000
22.000
21.000
21.000

20.000

19.000
2024 2025 2026 2027
Fonte: SIOP.

Há diversas entregas associadas a este objetivo específico voltadas à construção de indicadores que
poderão contribuir na análise das desigualdades sofridas pela população negra. São elas:

i) Divulgação da relação mensal de informações sociais (RAIS mensal), incluindo da-


dos da folha de pagamento;

ii) Classificação Brasileira de Ocupações e Quadro Brasileiro de Qualificações plena-


mente atualizados;

137
Série Planejamento Nacional Agenda Transversal Igualdade Racial

iii) Divulgação de estatísticas públicas para novas categorias de trabalhadores infor-


mados no eSocial;

iv) Ampliação e fortalecimento da rede de Observatórios do Mercado de Trabalho. Es-


pera-se, até o final de 2027, o estabelecimento de 27 observatórios regionais (uni-
dade da federação, município e sub-região) participantes da rede;

v) Construção de cenários e projeções de trabalho, emprego e renda, utilizando meca-


nismos de inteligência artificial;

vi) Novas versões do eSocial;

vii) Criação e atualização de painéis de dados para promoção da igualdade de oportu-


nidades no mercado de trabalho;

viii) Elaboração de materiais sobre relações do trabalho; e

ix) Disponibilização de painéis de dados no Portal de Informações sobre Relações do


Trabalho.

7.7 Programa Nacional de Promoção dos Direitos da População em Situação


de Rua – Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania
Este programa, já citado em outros capítulos desta publicação, tem por objetivo desenvolver ações
voltadas à implementação de políticas públicas e projetos intersetoriais e transversais para a popula-
ção em situação de rua. Um rol de medidas institucionais vinculadas a este programa contribui para
fortalecer a capacidades institucional dos órgãos envolvidos:

• Efetivar a Política Nacional para a População em Situação de Rua a partir da criação dos
CIAMP-Rua estaduais e municipais;

• Produzir e distribuir materiais informativos e de comunicação sobre o Programa Moradia


Primeiro;

• Inserir tema do acolhimento da população em situação de rua nos protocolos de atenção


às urgências e emergenciais da UPA 24h;

• Inserir tema do acolhimento da população em situação de rua nos protocolos de atenção


às urgências e emergências do SAMU 192; e

• Construir protocolo de respeito aos direitos humanos da população em situação de rua


para qualificação das abordagens das forças públicas de segurança e ações de zeladoria
urbana.

138
Série Planejamento Nacional Agenda Transversal Igualdade Racial

7.7.1 Promover a dignidade e a cidadania da população em situação de rua.

Para o alcance deste objetivo específico, está prevista, entre outras, a entrega:

Divulgação de dados atualizados sobre a população em situação de rua a partir da realização de


pesquisa nacional que contemple o contingente, perfis, dados desagregados por raça/cor/etnia,
gênero, idade, renda, deficiência, nacionalidade e o diagnóstico das políticas públicas voltadas a
esse público.

Gráfico 103 – Realização de Pesquisa Nacional sobre a População em Situação


de Rua em municípios acima de 500 mil habitantes

120%
100%
100%

80% 70%
60%
40%
40%
25%
20%

0
2024 2025 2026 2027
Fonte: SIOP.

7.8 Gestão, Trabalho, Educação e Transformação Digital na Saúde - Ministé-


rio da Saúde

7.8.1 Implantar o Programa Nacional de Equidade de Gênero, Raça e Valorização das Traba-
lhadoras no Sistema Único de Saúde (SUS) para o enfrentamento às iniquidades em saúde

Buscando enfrentar as discriminações e desigualdades de raça ou etnia, de gênero, o Governo Federal


prevê a implantação de estratégias e dispositivos de gestão e/ou de educação e/ou de comunicação,
considerando todas as diversidades – raça e etnia, gerações, classe, orientação sexual e deficiências. As
estratégias e dispositivos serão desenvolvidos a partir de uma chamada pública destinada ao desen-
volvimento das seguintes linhas de ação:

Eixo 1: Formação e qualificação – propostas de formação, qualificação e sensibilização;

Eixo 2: Estratégias de enfrentamento das diversas formas de violências, preconceito e discriminação


no âmbito do trabalho em saúde por meio de comitês e fóruns, estruturas de cuidado e acolhimento
das trabalhadoras do SUS, ações de incentivo à ocupação de mulheres, em especial mulheres negras e
indígenas, em cargos de gestão pública;

Eixo 3: Comunicação em saúde com propostas que contemplem ações de comunicação destinadas a
qualquer veículo, como jornal impresso, rádio, internet, canais televisivos públicos e privados, outdoor,

139
Série Planejamento Nacional Agenda Transversal Igualdade Racial

redes sociais, revistas, matérias, reportagens, podcasts, videocast, documentários, folders, videoaulas,
web palestras, telenovelas, storyboard (ilustrações), campanhas e peças publicitárias, dentre outros
meios e formas de comunicação.

Dentro desse objetivo específico, há quatro entregas previstas:

Estratégias e dispositivos de gestão em saúde para enfrentamento das desigualdades de gênero,


raça, etnia, geração, classe, orientação sexual e deficiências implantados. Trata-se de ação que in-
centivará gestoras e gestores do SUS, nas esferas estaduais, municipais e distrital a realizarem, em seu
território, articulação intersetorial com órgãos da segurança, da educação, da política para mulheres e
da assistência social, para elaboração de estratégias conjuntas de equidade de gênero e enfrentamen-
to à violência contra mulher no ambiente de trabalho. As estratégias e dispositivos de gestão em saúde
contemplam a criação de espaços de acolhimento e enfrentamento às violências, criação de comitês
e fóruns, estruturas de cuidado e acolhimento das mulheres e o incentivo de ocupação das mulheres
nos cargos de gestão. A expectativa é implementar 18 estratégias e dispositivos até o fim da vigência
do PPA 2024 – 2027.

Gráfico 104 – Ampliação do número de estratégias e dispositivos de


gestão em saúde implantados

20
18 18
18
16
14
12 12
12
10
8
6
4
2
0
2024 2025 2026 2027
Fonte: SIOP.

Estratégias e dispositivos de comunicação em saúde para enfrentamento das desigualdades de


gênero, raça, etnia, geração, classe, orientação sexual e deficiências implantados. Trata-se de es-
tratégias e dispositivos que visam a fomentar o uso de comunicação não-violenta e práticas humani-
zadas na relação do trabalho na saúde. A expectativa é implementar 12 estratégias e dispositivos até
2027.

Estratégias e dispositivos de educação em saúde para enfrentamento das desigualdades de gêne-


ro, raça, etnia, geração, classe, orientação sexual e deficiências implantados. Por meio desta entre-
ga, visa-se a transversalizar a temática de gênero, raça e classe nos processos de educação permanente
e de formação do SUS. A expectativa é implementar 12 estratégias e dispositivos até o fim da vigência
do PPA 2024 – 2027.

140
Série Planejamento Nacional Agenda Transversal Igualdade Racial

Mobilizadoras/es de equidade de gênero, raça, etnia e valorização das trabalhadoras do SUS nas
27 UFs formados. Esta entrega se configura em ação destinada a mobilizar as Redes de Atenção Pri-
mária à Saúde (APS) e rede colaborativa de gestão do trabalho e educação na saúde para fomentar e
capilarizar engajamento de gestoras, gestores, trabalhadoras e trabalhadores da saúde ao programa.
Espera-se formar 472 mobilizadoras/es até 2027.

Gráfico 105 – Ampliação do número de mobilizadoras/es formadas/os

600 472

500

400

300 236
236
200

100

0
0
2024 2025 2026 2027
Fonte: SIOP.

7.9 Vigilância em Saúde e Ambiente - Ministério da Saúde


Este programa tem por objetivo fortalecer o processo contínuo e sistemático de coleta, a consolidação,
a análise de dados e a disseminação de informações sobre eventos relacionados à saúde, visando ao
planejamento e à implementação de medidas de saúde pública, incluindo a regulação, a intervenção
e a atuação em condicionantes e determinantes da saúde, para a proteção e a promoção da saúde da
população, a prevenção e o controle de riscos, agravos e doenças. Entre as medidas previstas para esse
programa, está a instituição de uma agenda estratégica para garantir a atenção à saúde e a vigilân-
cia e combater as desigualdades regionais.

7.9.1 Disponibilizar informações precisas e oportunas de estatísticas vitais e de morbidade


da população por meio dos sistemas de informação de vigilância em saúde.

Os Sistemas de Informação em Saúde que possuem dados sobre estatísticas vitais (nascimentos: Si-
nasc25 e mortalidade: SIM26) e morbidade (Sinan27) permitem a obtenção de números com recortes por
municípios, faixa etária ou sexo e possibilitam a tomada de decisão baseada em evidências. O Progra-
ma e-SUS Linha da Vida tem o objetivo de disponibilizar uma plataforma on-line de sistemas integrados

25 SINASC – Sistema de Informação sobre Nascidos Vivos.


26 SIM – Sistema de Informação sobre Mortalidade.
27 SINAN – Doenças e Agravos de Notificação.

141
Série Planejamento Nacional Agenda Transversal Igualdade Racial

(Sinasc, Sinan e SIM) desenvolvidos em novas e seguras tecnologias, com infraestrutura de fácil expan-
são e escalabilidade, com alta capacidade de atualização e disponibilização de novas funcionalidades
e facilidade de uso nas multiplataformas. Dessa forma, possibilita-se a obtenção de dados confiáveis e
acessíveis em tempo oportuno, com detecção e redução de fraudes, e integração e interoperabilidade
com outros sistemas. Como indicador deste objetivo específico, estabeleceu-se alcançar, ao menos,
75% de municípios que utilizem as declarações eletrônicas de nascido vivo ou de óbito até 2027.

Gráfico 106 – Municípios utilizando as declarações eletrônicas


de nascido vivo ou de óbito até 2027

80% 75%
70%

60%
50%
50%

40%

30% 25%
20%

10% 5%
0
2024 2025 2026 2027
Fonte: SIOP.

As entregas relacionadas a seguir detalham um pouco mais como o objetivo específico citado acima de
disponibilizar informações será alcançado:

• Aumento percentual dos municípios notificando no formulário online da Declaração


de Nascido Vivo, conforme gráfico 107.

Gráfico 107 – Ampliação do percentual de municípios notificando no formulário


online da Declaração de Nascido Vivo

90%
80%
80%
70%
60%
50%
50%
40%
30% 25%
20%
10% 5%
0%
2024 2025 2026 2027
Fonte: SIOP.

142
Série Planejamento Nacional Agenda Transversal Igualdade Racial

• Aumento do percentual de municípios notificando no formulário online da Declaração


de Óbito, conforme o gráfico 108.

Gráfico 108 – Ampliação do percentual de municípios notificando no formulário


online da Declaração de Óbito
60%

50%
50%

40%
30%
30%

20%
10%
10%
1%
0
2024 2025 2026 2027
Fonte: SIOP.

• Qualificação dos dados sobre causa básica de óbito por causas externas, a ser apurada
com a redução dos registros de causa básica como “evento cuja intenção é indeterminada",
evidenciada no gráfico 109.

Gráfico 109 – Redução do percentual de óbitos com causa básica registrada como
'evento cuja intenção é indeterminada’, no total de óbitos por causas externas

10,00%
9,00% 8,60%
7,90%
8,00% 7,20%
7,00% 6,50%
6,00%
5,00%
4,00%
3,00%
2,00%
1,00%
0,00%
2024 2025 2026 2027

Fonte: SIOP.

143
Série Planejamento Nacional Agenda Transversal Igualdade Racial

• Aumento da cobertura das notificações de violência interpessoal e autoprovocada, nos


percentuais indicados no gráfico 110.

Gráfico 110 – Ampliação da cobertura das notificações de violência


interpessoal e autoprovocada

92%
91%
91%
90%
89%
89%
88%
87%
87%
86%
85%
85%
84%
83%
82%
2024 2025 2026 2027
Fonte: SIOP.

Os dados gerados pelos sistemas de informação são fundamentais para avaliar e monitorar as condi-
ções de saúde de uma população, fornecendo subsídios para fomentar políticas e programas, auxiliar
a gestão na tomada de decisão e para a reorganização das práticas nos serviços de saúde, sendo os
sistemas de informações sobre estatísticas vitais premissa para este processo.

7.10 Ciência, Tecnologia e Inovação para o Desenvolvimento Social – Ministé-


rio da Ciência, Tecnologia e Inovação
Como parte da Agenda Transversal Igualdade Racial, neste programa do PPA, o intuito é subsidiar a for-
mulação e executar ações indutoras, estratégias e programas junto às populações urbanas, do campo
e comunidades tradicionais com vista à inclusão social que compreendam: a popularização, difusão e
apropriação dos conhecimentos científicos e tecnológicos pela sociedade e a melhoria da educação
científica. Para tanto, tem-se a medida institucional: implementação de programa e criação da rede
nacional de popularização da ciência, como instrumento para o desenvolvimento da cultura científica,
o estímulo do uso da ciência, tecnologia e inovação para a inclusão social e a redução das desigual-
dades sociais.

7.11 Comunicações para Inclusão e Transformação – Ministério das Comuni-


cações
Este programa tem como objetivo assegurar serviços de comunicações e conectividade, pela oferta
inclusiva dos meios de acesso, com o desenvolvimento das habilidades digitais, dando ênfase aos gru-
pos vulnerabilizados. Como parte da Agenda Transversal Igualdade Racial, foi incluída a medida insti-
tucional: adotar medidas para aumento da oferta de rádios comunitárias nos municípios brasileiros,
potencializando a participação de públicos específicos.

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Série Planejamento Nacional Agenda Transversal Igualdade Racial

Esta medida institucional incorpora a proposta “Publicar editais de rádios comunitárias para
comunidades indígenas, quilombolas, tradicionais e assentamentos”, proveniente do Fórum
Interconselhos no âmbito do processo de participação no PPA.

7.12 Planejamento e Orçamento para o Desenvolvimento Sustentável e In-


clusivo – Ministério do Planejamento e Orçamento
Este programa visa a aprimorar e a integrar o planejamento, o orçamento, o monitoramento e a ava-
liação, bem como ampliar investimentos e a produção e a disseminação de informações e de conheci-
mento, com vistas a fortalecer a capacidade do Estado de prover entregas à sociedade com qualidade,
com sustentabilidade e com transversalidade. Uma das medidas previstas nesse programa é promover
ações institucionais para ampliação da equidade, da diversidade, da inclusão e da acessibilidade.

7.12.1 Assessorar o Estado, produzir e disseminar conhecimento de modo acessível, em


apoio às políticas públicas, inclusive àquelas que reduzam as desigualdades, especialmen-
te de gênero e raça

Este objetivo específico contempla as funções de pesquisa, de assessoria e de disseminação de co-


nhecimento em prol do aprimoramento de políticas públicas essenciais para um desenvolvimento
inclusivo, sustentável e democraticamente construído. Para a consecução deste objetivo, prevê-se a
realização de:

• Diagnósticos, estudos e pesquisas sobre a realidade e as políticas públicas brasileiras


para o aprimoramento das políticas públicas, cuja expectativa é fazer 570 publicações ba-
seadas em diagnósticos, estudos e pesquisas durante o período de vigência do PPA;

• Nova versão do Portal Retrato das Desigualdades de Gênero e Raça. O portal é uma
ferramenta que disponibiliza informações de diferentes áreas de políticas públicas sociais
para pesquisadores, estudantes, agentes públicos e cidadãos. O intuito é apresentar esta-
tísticas descritivas que possam compor um retrato atual da situação de brasileiros e brasi-
leiras sob a perspectiva das desigualdades de gênero e raça em nosso país, bem como um
histórico que permita analisar os principais avanços e as continuidades dessas assimetrias
ao longo de quase duas décadas.

7.12.2 Promover a transversalidade das políticas públicas no Plano Plurianual (PPA) 2024-
2027

Este objetivo específico propõe a integração e a harmonização de diferentes políticas públicas no PPA
2024-2027, visando garantir que as ações e as iniciativas em diferentes setores e áreas sejam comple-
mentares e reforcem umas às outras. Esta abordagem transversal facilita o alcance de metas comuns,
fortalece a eficiência do plano e promove um impacto mais amplo e sustentável. Para a consecução
deste objetivo, serão elaborados Relatórios de monitoramento das Agendas Transversais.

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Série Planejamento Nacional Agenda Transversal Igualdade Racial

7.12.3 Aperfeiçoar a gestão das Agendas Transversais e Multissetoriais Selecionadas nos


Orçamentos da União

Este objetivo busca aprimorar a gestão das agendas transversais e multissetoriais selecionadas no
âmbito dos Orçamentos Fiscal e da Seguridade Social. Essas agendas organizam as programações
orçamentárias voltadas ao encaminhamento de problemas complexos, os quais necessitam de uma
abordagem multidimensional e integrada por parte do Estado para serem eficaz e efetivamente enca-
minhados, tais como: as desigualdades de gênero e de raça/etnia e as mudanças climáticas. O objetivo
específico será acompanhado a partir da produção dos Relatórios Anuais das Agendas Transversais
e Multissetoriais Selecionadas.

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