Universidade Federal do Rio Grande do Norte
Unidade Acadêmica Especializada em Ciências Agrárias
Engenharia Agronômica
ILPF (INTEGRAÇÃO LAVOURA – PECUÁRIA – FLORESTA)
Atividade avaliativa apresentada à
Disciplina de Silvicultura, como
pré-requisito para a obtenção da nota da
segunda unidade.
Prof.: Dr. Juliana Lorensi do Canto
Discente: Gabriela de Araújo Costa
Macaíba, 2022
I. INTRODUÇÃO
Atualmente, a humanidade enfrenta desafios cada vez maiores para produzir
alimentos, fibras, energia, produtos madeireiros e não madeireiros de forma compatível com
a disponibilidade de recursos naturais. Neste sentido, são intensos os apelos para que seja
difundida em todo o mundo a concepção de Agricultura Sustentável (IPNI, 2012).
Segundo o conceito adotado pela FAO e ratificado a partir da Declaração de Den
Bosch, em 1992: "Agricultura Sustentável é o manejo e conservação dos recursos naturais e a
orientação de mudanças tecnológicas e institucionais que assegurem a satisfação das
necessidades humanas para o presente e as futuras gerações''. É uma agricultura que conserva
o solo, a água e os recursos genéticos animais, vegetais e microorganismos, não degrada o
meio ambiente; é tecnicamente apropriada, economicamente viável e socialmente aceitável”
(IPNI, 2012).
Dessa forma, a utilização de sistemas integrados de produção, tais como, os sistemas
silvipastoril, agropastoril e agrossilvipastoril, denominados de integração lavoura, pecuária e
floresta – ILPF tem sido cada vez mais estudadas e implementadas (MULLER et al., 2015).
A ILPF pode contribuir para a recuperação de áreas degradadas, manutenção e
reconstituição da cobertura florestal, promoção e geração de emprego e renda, adoção de
boas práticas agropecuárias (BPA), melhoria das condições sociais, adequação da unidade
produtiva à legislação ambiental e valorização de serviços ambientais oferecidos pelos
agroecossistemas, tais como: (i) conservação dos recursos hídricos e edáficos; (ii) abrigo para
os agentes polinizadores e de controle natural de insetos-pragas e doenças; (iii) fixação de
carbono; (iv) redução da emissão de GEE; (v) reciclagem de nutrientes; e (vi) biorremediação
do solo (BALBINO, 2011).
Assim, a ILPF tem como principal objetivo a mudança do sistema de uso da terra,
fundamentando-se na integração dos componentes do sistema produtivo, visando atingir
patamares cada vez mais elevados de qualidade do produto, qualidade ambiental e
competitividade. Portanto apresenta-se como uma estratégia para maximizar efeitos
desejáveis no ambiente, aliando o aumento da produtividade com a conservação de recursos
naturais no processo de intensificação de uso das áreas já desmatadas no Brasil (BALBINO,
2011).
O Brasil não é o único país que reconhece o potencial dos sistemas de integração. A
Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO - da sua sigla em
inglês - Food and Agriculture Organization of the United Nations) considera os sistemas
ILPF como uma das vias sustentáveis para atingir o objetivo de alimentar nove bilhões de
pessoas no ano de 2050. A FAO reconhece que a estratégia ILPF, associada às boas práticas
agropecuárias, é capaz de incrementar a resiliência ambiental pelo aumento da diversidade
biológica, através de efetiva e eficiente ciclagem e reciclagem de nutrientes (pela melhoria da
qualidade do solo); provimento de serviços ecossistêmicos; e contribuição para adaptação e
mitigação das mudanças climáticas (BEHLING, M. et al, 2013).
II. CONCEITO
A ILPF é uma estratégia de produção que integra sistemas de produção agrícola,
pecuário e florestal, em dimensão espacial e/ou temporal, buscando efeitos sinérgicos entre os
componentes do agroecossistema para a sustentabilidade da unidade de produção (empresa
rural), contemplando a sua adequação ambiental, a valorização do homem e do capital natural
e a viabilidade econômica do sistema de produção (BALBINO et al, 2011).
Segundo esses autores, os sistemas de integração podem ser classificados em quatro
modalidades distintas:
• Integração lavoura-Pecuária (ILP);
• Integração Pecuária-Floresta (IPF);
• Integração lavoura-Floresta (ILF);
• Integração lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF);
III. VANTAGENS ECONÔMICAS E SOCIAIS
O uso do ILPF promove os seguintes benefícios:
a) Ecológicos e ambientais:
- Redução do uso de produtos fitossanitários no controle de insetos-praga, doenças e
plantas daninhas;
- Diminuição do risco de erosão e melhoria da qualidade da água;
- Benefício a mitigação dos gases do efeito estufa, resultante da maior capacidade de
sequestro de carbono (TOMAZ e WANDER, 2017);
- Melhoria do aproveitamento da água e dos nutrientes do solo (ASSIS et al., 2015).
b) Econômicos e sociais:
- Aumento da produção anual de alimentos com custo mínimo;
- Geração de emprego e renda no campo;
- Aumento da oferta de alimentos de qualidade;
- Estímulo à qualificação profissional;
- Melhoria da qualidade de vida do produtor e da sua família;
- Aumento da renda dos empreendimentos rurais (TOMAZ e WANDER, 2017).
IV. ARRANJOS REGIONAIS E ESTUDOS DE CASO DE SISTEMAS
INTEGRAÇÃO LAVOURA-PECUÁRIA- FLORESTA
Os sistemas de ILPF devem ser planejados, levando-se em conta os diferentes
aspectos socioeconômicos e ambientais das unidades de produção. evidentemente, a forma e
a intensidade de adoção do conjunto de tecnologias que compõem a ilPF dependerão, entre
outros fatores, dos objetivos e da infraestrutura disponível de cada produtor. O pecuarista, por
exemplo, pode utilizar o consórcio ou a rotação de culturas graníferas com forrageiras para a
implantação de pastagens ou para sua recuperação, no caso de estarem degradadas. Pode-se
também implantar o sistema silvipastoril, visando a exploração de produtos madeireiros e não
madeireiros, além dos produtos da pecuária. O agricultor também pode utilizar o consórcio
ou a rotação de culturas graníferas com forrageiras para produzir cobertura morta de
qualidade e em grande quantidade para o sistema plantio direto (SPD) da safra seguinte. O
produtor que desejar as atividades integradas pode utilizar a ilPF para implantação de um
sistema agrícola sustentável, com uso dos princípios da rotação de culturas e do consórcio
entre graníferas, forrageiras e espécies arbóreas, de forma a produzir, na mesma propriedade,
grãos, carne ou leite e produtos madeireiros e não madeireiros durante todo ano (BAlBINO et
al., 2011).
A adoção de arranjos de ILPF mais complexos, como por exemplo, sistemas
agrossilvipastoris, potencialmente, proporcionam maior rentabilidade pela ampla
diversificação cultural e pelo sinergismo entre as diferentes atividades. A ILPF pode ser
facilitada pela adequada distribuição espacial das árvores no terreno, visando práticas de
conservação do solo e água, favorecimento do trânsito de máquinas e a observância de
aspectos comportamentais dos animais. Para tanto, o arranjo espacial mais simples e eficaz é
o de “aléias” (ou renques), em que as árvores são plantadas em faixas (linhas simples ou
múltiplas), com espaçamentos amplos. Os produtores que desejam privilegiar a produção de
madeira podem utilizar aléias mais estreitas ou maior número de linhas em cada faixa (maior
número de árvores por hectare); enquanto os que preferem a atividade agrícola e/ou pecuária
podem utilizar espaçamentos maiores, ou seja, aléias mais largas (menos linhas em cada
faixa).
V. IMPLANTAÇÃO, ESPÉCIES, CULTURAS UTILIZADAS, PRÁTICAS DE
MANEJO E TRATOS CULTURAIS
V.I Escolha e manejo da cultura agrícola
A cultura agrícola deverá ser escolhida em função da sua importância para a
economia regional, da tradição de cultivo, da sua adaptação à região de cultivo, da
disponibilidade de sementes no mercado e do seu custo. No entanto, as principais culturas
utilizadas na implantação de sistemas de iLPF no Cerrado são: arroz, soja, sorgo e milho,
além de culturas de cobertura. A semeadura, os tratos culturais e a colheita, devem seguir as
recomendações técnicas específicas para cada cultura e, no caso de utilização de culturas por
mais de dois anos, o espaçamento entre as linhas de árvores deve ser aumentado, para
minimizar a competição com o componente florestal, adequando-se a múltiplos do tamanho
do maquinário e implementos a serem utilizados. Para utilização de culturas após o quarto
ano de implantação do componente florestal, em sistema de rotação com o pasto, é necessário
que se faça desbaste prévio, para melhorar a disponibilidade de luz para a cultura; mesmo
assim, a produtividade esperada deve ser inferior à condição de pleno sol. Na implantação de
lavouras em áreas de pastagem com algum grau de degradação, a produtividade da cultura vai
depender do manejo de solo adotado, sendo que se deve dar preferência ao sistema de plantio
direto. Em caso de necessidade de aração e gradagem, estas práticas devem ser planejadas
para o final do período chuvoso, permitindo a implantação de uma cultura de cobertura e
minimizando os impactos ambientais (EZOOMS, 2010).
V.II Escolha do componente florestal
Na escolha da espécie arbórea a ser implantada em um sistema de ILPF com ênfase na
pecuária, além de se considerar sua adaptação às condições locais, deve-se optar por aquelas
que apresentam crescimento rápido, de modo que entre um a dois anos do plantio, as árvores
tenham atingido altura tal que posicione suas copas acima do alcance dos animais, com
diâmetro do tronco suficiente para que sejam minimizados possíveis danos mecânicos (Castro
e Paciullo, 2006). Práticas de desrama podem ser utilizadas na condução das árvores, para
minimizar os danos pelo gado; outra estratégia é utilizar animais de categorias menores,
como de recria, na fase inicial de crescimento das árvores. Outros aspectos para escolha da
espécie florestal são: práticas silviculturais conhecidas; disponibilidade de sementes e mudas;
espécies de leguminosas, que fixam nitrogênio atmosférico e que apresentem potencial
forrageiro; e espécies que não sejam tóxicas ao gado. Dentre as espécies florestais mais
utilizadas em pastagens no Brasil, destacam-se: eucaliptos (Eucalyptus spp. e Corymbia
spp.), grevílea (Grevillea robusta), pinus (Pinus spp.), teca (Tectona grandis), paricá
(Schyzolobium amazonicum), mogno africano (Khaya ivorensis), cedro australiano (Toona
ciliata), canafístula (Pelthophorum dubium) e acácia mangium (Acacia mangium). Árvores de
crescimento lento (menos de dois metros de altura por ano), como algumas espécies nativas,
também podem ser utilizadas, quando o produto/serviço escolhido compensar o custo de
proteção contra danos que o gado pode produzir nas árvores. Esta é uma limitação para
sistemas silvipastoris, entretanto, para sistemas agrossilvipastoris (ILPF), pode-se cultivar
lavouras nas entrelinhas das árvores, durante o período necessário para desenvolvimento das
mesmas, antes da implantação do pasto e da entrada dos animais em pastejo. Em sistemas de
ILPF onde a atividade principal é a pecuária, a escolha pelo componente florestal deve
considerar espécies para múltiplo uso, que proporcionem madeira de qualidade para
diferentes segmentos e permitindo a entrada de várias receitas durante seu ciclo produtivo.
Neste caso, destacam-se as espécies e híbridos de eucalipto, por apresentarem boa adaptação
às condições edafoclimáticas do Cerrado, crescimento rápido com fuste alto e copa não muito
densa, e madeira com características desejáveis para os segmentos de celulose e moveleiro.
Práticas de desbaste seletivo ou sistemático podem ser utilizadas na condução das árvores,
para obtenção de receitas a partir dos 4-5 anos da implantação do sistema.
V.III Implantação do componente florestal
Deve-se atentar para o manejo adequado do solo, quanto à descompactação e
adubação na linha de plantio das mudas, a qualidade das mudas e seu manuseio até o plantio,
o controle de formigas e cupins, e o controle de plantas competidoras ao redor das mudas.
Mortalidade de mudas acima de 5% requer replantio, sendo que em sistemas pecuários, pela
dificuldade de mão-de-obra especializada em manejo florestal, as perdas podem chegar a
20%. Em regiões com empreendimentos florestais, como no Mato Grosso do Sul, pode-se
contar com a terceirização do serviço, dependendo da viabilidade econômica.
V.IV Desrama, desbaste e colheita das árvores
A desrama ou poda, é uma prática importante, a ser realizada antes dos animais
entrarem no sistema. Serve para retirada dos galhos laterais que podem ser consumidos ou
avariados pelos animais, causando injúria às árvores e comprometendo a produção de
madeira de melhor qualidade. Também serve para aumentar a disponibilidade de luz para o
componente forrageiro que ocupa o estrato inferior. A primeira desrama deve ser realizada
quando o diâmetro do tronco à altura de 1,30 m (diâmetro à altura do peito, DAP) atingir 6
cm, sendo cortados os ramos abaixo desse diâmetro. No caso do eucalipto para produção de
madeira para serraria, com corte aos 12-14 anos, geralmente, as outras desramas são
realizadas aos 2-3 anos e aos 3-4 anos, com o corte dos ramos a cada 2 m em cada desrama,
até chegar aos 6 m, após as três desramas. A desrama deve ser realizada rente ao tronco, com
equipamento adequado (serrote ou tesoura), para evitar tocos que comprometem a qualidade
da madeira. O desbaste consiste na retirada (corte) seletiva de árvores do sistema, com a
finalidade de: fonte de receita, aumento na disponibilidade de luz para o componente
forrageiro e/ou agrícola, melhoria das condições de crescimento das árvores para produção de
madeira de melhor qualidade e valor agregado. Geralmente, os desbastes são orientados para
manter um estande final com 50% das árvores implantadas. Nas regiões de Cerrado, em
sistemas de iLPF, o eucalipto pode sofrer desbastes sucessivos, de acordo com a finalidade da
madeira: aos 4-5 anos, para carvão, lenha e moirões e aos 8-9 anos, para postes, sendo
realizado o corte final das árvores aos 12-14 anos, para serraria e laminação, seguindo-se um
novo ciclo de plantio das árvores. Também pode-se optar por apenas um desbaste,
deixando-se entre 100 a 200 árvores/ha para o corte final, sendo a madeira comercializada
para a serraria. Na colheita das árvores, deve-se seguir procedimentos técnicos para
derrubada da árvore, arraste da tora, traçamento da tora, carregamento de tora(s) e transporte
da madeira, de acordo com o mercado comprador da madeira, da mão-de-obra e maquinário
disponíveis. Dependendo da região, esse serviço pode ser terceirizado.
V.V Orientação e espaçamento das árvores
Na orientação das linhas de plantio das árvores deve-se considerar, primeiramente, a
conservação do solo e da água. Assim, as árvores devem ser dispostas em nível e, no caso da
necessidade de terraceamento, o plantio das árvores deve ser feito no terço inferior do terraço,
para evitar danos às raízes das árvores, favorecer a infiltração de água, a conservação e
manutenção do terraço e o deslocamento dos animais Para terrenos planos, as linhas de
árvores devem ser orientadas no sentido leste-oeste. Espaçamentos mais amplos favorecem o
desenvolvimento da forrageira no sub-bosque e a produção de madeira com maiores
dimensões, além de permitir o consórcio com culturas agrícolas por maior período e com
menores limitações em termos de competição por espaço, luz, água e nutrientes. Do ponto de
vista da pecuária, espaçamentos entre fileiras ou renques de árvores podem variar de 10 a 50
m, sendo que espaçamentos menores limitam a produção forrageira e animal. O espaçamento
entre árvores, na linha, pode variar de 1,5 a 5 m. Quanto aos arranjos das árvores, podem
variar de linhas simples, duplas ou triplas, de acordo com a finalidade da madeira, e podem
ser associados a práticas de desbaste seletivo ou sistemático, para produzir madeira com
maior espessura e maior valor agregado. Em sistemas de iLPF com finalidade na pecuária, a
implantação de linhas simples facilita no manejo das árvores, exigindo menos mão-de-obra.
Arranjos mais complexos exigem mais desbastes e são indicados para sistemas com
finalidade predominantemente florestal.
V.VI Forrageiras tolerantes ao sombreamento
A escolha das forrageiras para uso em sistemas de ILPF deve se pautar na sua
tolerância ao sombreamento, tendo em vista que nessa condição, as forrageiras tendem a
priorizar o crescimento da parte aérea em detrimento do sistema radicular - com menor
acúmulo de carboidratos de reserva, retardar o início do florescimento e diminuir a produção
de biomassa aérea. De modo geral, as gramíneas forrageiras são mais sensíveis ao
sombreamento na fase de estabelecimento do que na fase produtiva, sendo que, para níveis de
sombreamento de 40-70%, as gramíneas: Brachiaria brizantha cvs. Marandu e Xaraés, B.
decumbens cv. Basilisk, Panicum maximum cvs. Aruana, Mombaça e Tanzânia e Panicum
spp. cv. Massai, são consideradas tolerantes e produzem satisfatoriamente em sistemas de
ILPF. Desse modo, o estabelecimento de gramíneas forrageiras a partir do segundo ano do
plantio das árvores tende a ser mais efetivo do que em sistemas com as árvores mais
desenvolvidas e com maior sombreamento. O manejo dessas forrageiras deve ser mais
cuidadoso, ou seja, deve-se evitar manter a altura de pastejo abaixo do recomendado para a
forrageira em questão, para permitir maior acúmulo de reservas e favorecer a rebrotação.
Quanto às leguminosas, de modo geral, tendem a ser menos tolerantes que as gramíneas, com
baixa persistência em períodos maiores do que dois anos. Dentre as medianamente tolerantes
encontram-se: Calopogonium mucunoides, Centrosema pubescens e Pueraria phaseoloides.
Os estilosantes (Stylosanthes spp.) e o siratro (Macroptilium atropurpureum) são
considerados como de baixa tolerância e o amendoim forrageiro (Arachis pintoi), como
tolerante ao sombreamento. Podem ser utilizadas em fase inicial do sistema, em monocultivo,
visando melhoria na fertilidade do solo, ou em consórcio com gramíneas, visando melhoria
na qualidade da dieta do gado.
V. VII Escolha e manejo dos animais
A escolha dos animais vai depender do sistema pecuário a ser recuperado, que na
maior parte das vezes, mantém o mesmo tipo de criação. Com os benefícios potenciais no
bem-estar animal e na qualidade da forragem, espera-se melhor desempenho relativo com
animais de maior exigência e produtividade, desde que atendidas as demandas por água e
minerais, com adequado manejo sanitário e da pastagem. Na fase de implantação das árvores,
é recomendada a utilização de animais (bovinos) de menor porte, para evitar danos às
mesmas, tendo em vista que ovinos e caprinos tendem a causar maiores danos às árvores
jovens.
VI. CONSIDERAÇÕES FINAIS
O Brasil reconhece a questão em torno da mudança climática como preocupante e que
requer um esforço global urgente. Porém, o combate ao aquecimento global deve ser
compatível com o crescimento econômico sustentável e com o combate à pobreza.
Neste sentido, foi assumido compromisso voluntário, no âmbito internacional, de
redução das próprias emissões de GEE, envolvendo alguns setores da economia nacional.
Dentre estes, a agricultura tem um protagonismo especial, pois existem processos
tecnológicos sustentáveis, como a ILPF, que promovem a mitigação às mudanças climáticas
por meio da redução das emissões de GEE, sequestro e estoque de carbono no solo e em
biomassa. Se, parte da enorme superfície territorial do país hoje utilizada somente com
pastagens, for convertida em iLPF, poderá ser fundamental para melhorar a imagem do
agronegócio brasileiro, ao tempo em que favorecerá a produção animal, a produção de
produtos florestais e agrícolas, bem como a mitigação das emissões de GEE. Desta forma, a
agricultura brasileira, líder no ambiente tropical, dá um exemplo para o mundo e promove
uma nova revolução em direção à sustentabilidade.
VI. REFERÊNCIAS
ALMEIDA, RG de et al. Sistemas agrossilvipastoris: benefícios técnicos, econômicos, ambientais e
sociais. Encontro Sobre Zootecnia De Mato Grosso Do Sul, v. 7, p. 1-10, 2010.
BALBINO, Luiz Carlos et al. Agricultura sustentável por meio da integração
lavoura-pecuária-floresta (iLPF). Embrapa Cerrados-Artigo em periódico indexado
(ALICE), 2012.
BALBINO, Luiz Carlos; CORDEIRO, Luiz Adriano Maia; MARTÍNEZ, Gladys Beatriz. Contribuições
dos sistemas de integração lavoura-pecuária-floresta (iLPF) para uma agricultura de baixa emissão
de carbono. 2011.
BEHLING, M. et al. Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (iLPF). 2013.
MULLER, M. D. et al. Sistema de integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF). 2022.
VIEIRA, Thaíssa Pâmella Pereira. Os benefícios dos sistemas de Integração Lavoura, Pecuária e
Floresta (ILPF). 2021.