Império Carolíngio/Francos
Inicio
A Dinastia Carolíngia surgiu de figuras conhecidas como mordomos do
palácio, um cargo ocupado por uma pessoa que cuidava diretamente da
administração do reino. Nos primeiros séculos do Reino dos Francos, o
trono era ocupado pelos merovíngios, mas, com o passar do tempo,
esses reis entregaram muitas de suas atribuições aos mordomos.
Esses funcionários então acumularam grande poder, tendo acesso aos
nobres e aos cofres reais, por exemplo. Essa cessão do poder aos
mordomos era proposital, porque muitos reis merovíngios não estavam
dispostos a cuidar da administração do reino. Assim, os mordomos
começaram a ganhar influência entre a nobreza franca, ao passo que os
reis foram enfraquecendo-se.
Os últimos reis merovíngios foram insignificantes para o reino e ficaram
conhecidos como reis indolentes. Os mordomos se estabelecessem de
fato como influências reais entre os francos no século VIII. Em 732, os
francos lutaram contra os muçulmanos na Batalha de Poitiers, e esse
foi o momento crucial da história franca, porque eles foram liderados
por Carlos Martel, um mordomo do palácio.
A derrota dos muçulmanos colocou fim na sua expansão pela Europa e
fez de Carlos Martel um homem influente. Ele seguiu como mordomo
pelo resto de sua vida, mas seu filho, Pepino, o Breve, lutou pelo trono
franco. Isso aconteceu porque ele conseguiu apoio do papa Zacarias e
dos nobres para tomar o poder.
Em 751, ele foi coroado rei dos francos, destituindo os merovíngios e
iniciando a Dinastia Carolíngia. O termo “carolíngio” é derivado do nome
Carlos (de Carlos Martel), e o último rei merovíngio foi Quilderico III.
Carlos Magno
Pepino, o Breve ocupou o trono carolíngio até o ano de 768, e após sua
morte, o trono foi sucedido por Carlomano I e Carlos Magno, ambos
seus filhos. Eles foram coroados juntos, sendo que cada um reinava
sobre uma parte do reino. Carlomano I faleceu em 771, e então Carlos
Magno unificou os territórios carolíngios sob seu comando.
No que se refere à expansão territorial, Carlos Magno foi um rei que
promoveu inúmeras guerras para ampliar seu reino. Ao longo de seu
reinado, somente em dois anos (790 e 807) as tropas francas não se
envolveram em nenhum tipo de guerra. Ele seguiu a linha de seu pai de
manter uma forte aliança com a Igreja de Roma, e durante essas
expansões realizou conversões forçadas por onde passava.
A maior conquista de Carlos Magno foi quando venceu os lombardos,
um povo que frequentemente atacava as terras da Igreja Católica na
Península Itálica. Ele também lutou e derrotou outros povos,
como saxões, bretões e ávaros, em diferentes regiões da Europa
Central. Os muçulmanos, na Península Ibérica, também foram seu alvo,
mas seu sucesso contra eles foi bem menos expressivo.
Ele promoveu reformas administrativas e jurídicas e conseguiu expandir
territorialmente o Reino dos Francos. Seu governo também contribuiu
significativamente para a estruturação do feudalismo e o
estabelecimento de práticas clássicas da Idade Média, como
a suserania e vassalagem.
Ele fornecia terras para um nobre e em troca exigia sua fidelidade. Com
isso, caso o rei precisasse de tropas, por exemplo, esses nobres eram
obrigados a fornecê-las como parte do acordo. Dentro dessa relação, o
rei era o suserano e os nobres eram os vassalos. Além disso, Carlos
Magno procurou reforçar sua autoridade por outros meios.
Carlos Magno conseguiu formar o maior reino em termos de território na
Europa, depois da fragmentação do Império Romano do Ocidente. Como
símbolo do seu poder e representação como sucessor dos imperadores
romanos, ele foi nomeado, pelo papa Leão III, imperador do
Ocidente, em 800.
O imperador gostava que suas ordens fossem enviadas em documentos
escritos chamados de capitulares, ele implantou leis com aplicação para
todo o reino, e os territórios entregues aos seus vassalos, chamados
de condados, eram monitorados por “enviados do senhor”
ou missi dominici, que significa enviados do senhor, um grupo de
funcionários reais que monitoravam o trabalho dos condes.
Carlos Magno passou considerável parte de sua vida instalado em um
palácio construído, por ordem dele, em Aachen, atual Alemanha. Ele
também incentivou o desenvolvimento da cultura e do
conhecimento em sua Corte, enchendo-a de homens eruditos e poetas,
por exemplo. Por fim, Carlos Magno incentivou que seus filhos e a
nobreza carolíngia fossem alfabetizados.
Carlos Magno tentou promover uma unificação monetária, estabelecendo
uma moeda chamada denier, mas essa reforma monetária fracassou, e
determinou normas sobre o trabalho do cultivo da terra. Suas medidas
em seu reinado contribuíram para a consolidação da vassalagem e
da servidão dos camponeses e deu força à formação do feudalismo.
Declinio
O reinado de Carlos Magno foi o mais próspero dos carolíngios, e a
sucessão dessa dinastia não teve o mesmo sucesso que ele na
administração do reino. Seu filho, Luís, o Piedoso, sucedeu ao trono em
814, mas, como não tinha a mesma capacidade de administração que o
pai, acabou contribuindo para o enfraquecimento do império.
Depois que Luís faleceu, em 843, seus três herdeiros, então, passam a
disputar o Império, gerando a chamada Guerra Civil Carolíngia. Seus
filhos assinaram o Tratado de Verdun, que dividiu o Império Carolíngio
em três diferentes reinos, dos quais surgiram a França e o Sacro-Império
Romano Germânico nos séculos seguintes.
Carlos, o Calvo ficou com os territórios da Frância Ocidental
(França). Luís II, por sua vez, ficou com a Frância Oriental, também
chamada de Germânia, que mais tarde formaria o Sacro Império Romano
Germânico e, séculos depois, a própria Alemanha.
O território franco foi constantemente atacado por húngaros, a leste,
e vikings ou normandos, ao norte, assim, com o passar do tempo, sua
fragmentação foi inevitável. No final do século X, o que restava do poder
carolíngio foi substituído pela ascensão da Dinastia dos Capetos.
A Dinastia Carolíngia só deixou de existir quando
os Capetos ou Capetíngios alcançaram o poder na França, no século X.