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Filosofia Política na Idade Moderna

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ESCOLA SECUNDÁRIA SAMORA MOISÉS MACHEL

FILOSOFIA 12ª CLASSE TURMA "B/A"

Tema:
FILOSOFIA POLÍTICA NA IDADE MODERNA

Discente: Docente:
Abilina Carlos Campos - Nº 1 drª Olga Sorte
Adélia Dinis - Nº 2
Alina Da Jcinta - Nº 3
Amilcar Jaime - Nº 4
Anifa Aurélio - Nº 5
António Bernardo - Nº 6
António Agostinho - Nº 7
Aquímo Adriano - Nº 8
Dércio Fernando - Nº 20
Ivan Manuel - Nº 32

Mocuba, Junho de 2024


Índice
[Link]ção....................................................................................................................... 1

[Link] ................................................................................................................... 1

[Link] ........................................................................................................................ 1

[Link]íficos ............................................................................................................... 1

[Link] .................................................................................................................. 2

[Link] Política na Idade Moderna............................................................................ 3

3.1 Nicolau Maquiavel (1469–1527) ................................................................................ 3

3.2.O Príncipe… ............................................................................................................... 4

[Link] a "O Príncipe" .............................................................................................. 5

[Link] Hobbes ( 1588 - 1679) .................................................................................. 5

[Link] Locke (1632-1704)............................................................................................. 7

[Link] de Montesquieu (1689 – 1755)...................................................................... 8

[Link]-Jacques Rousseau (1712 – 1778) ..................................................................... 10

[Link] Politica na Idade Contemporânea .............................................................. 11

[Link] Rawls…......................................................................................................... 11

[Link] Popper (1902-1994) ....................................................................................... 13

[Link]ão…. ............................................................................................................. 16

V. Referencia Bibliográfica ............................................................................................ 17


I. Introdução

Neste presente trabalho iremos abordar em torno do tema Filosofia Politica em que
iremos buscar os pensamentos dos filósofos. A filosofia política é a área de estudo da
filosofia preocupada com as diversas questões políticas que emergem a partir do
convívio social e da organização desse convívio em meio a uma agrupação humana.

Diferentemente da ciência política, a filosofia política não usa um método específico


para organizar os seus estudos e pressupostos, pois a sua pretensão pende muito mais
para a problematização do que para a formação de conhecimento científico, no entanto,
a filosofia política é um instrumento para a ciência política.

Ao longo da história, vários pensadores, como Platão, Aristóteles, Maquiavel, os


contratualistas, os iluministas e filósofos contemporâneos, desenvolveram as teorias que
embasaram e movimentaram a filosofia política de acordo com as suas épocas. Assim,
a época moderna, em síntese, apresenta três características fundamentais: a libertação do
Homem em relação as explicações teológicas da realidade, através da razão; a libertação
do Homem dos regimes ditatoriais, através da democracia e a libertação do Homem da
dependência da Natureza, através da técnica. Esta tripla emancipação do Homem
permitirá aos filósofos pensar sem que tenham de obedecer a regras previamente
estabelecidas, como acontecia na época precedente.

[Link]

[Link]

 Abordar a cerca da Filosofia Política na Idade Moderna

[Link]íficos

 Caracterizar o pensamento de Maquiavel e Hobbes;


 Identificar as principais obras de Maquiavel e Hobbes;
 Explicar tipo de contrato social, estado de sociedade e estado de natureza.

1
II. Metodologia

Para a realização do trabalho foi a partir da consulta bibliográfica, que consistiu na


leitura e análise das informações de diversas obras, e com auxilio da internet.

2
III. Filosofia Política na Idade Moderna

A Filosofia moderna surge no início do século XVI e termina no fim do século


XVIII, período extremamente rico em acontecimentos políticos (fim do significado
político do império e do papado, afirmação das potencias nacionais, primeiro da
Espanha, depois da França, da Inglaterra, da Holanda, e outros países, contestação do
poder absoluto dos soberanos e introdução dos governos constitucionais, etc.).

A época moderna, em síntese, apresenta três características fundamentais:


a) a libertação do Homem em relação as explicações teológicas da realidade,
através da razão;
b) a libertação do Homem dos regimes ditatoriais, através da democracia;
c) a libertação do Homem da dependência da Natureza, através da técnica.
Esta tripla emancipação do Homem permitirá aos filósofos pensar sem que
tenham de obedecer a regras previamente estabelecidas, como acontecia na época
precedente, o que resultará numa pluralidade de visões sobre os temas tradicionais da
Filosofia política.

3.1 Nicolau Maquiavel (1469–1527)

Com o fim do império cristão e com o enfraquecimento do poder político do


papado, surgem, fora de Itália, Estados nacionais e, em Itália, as repúblicas e as
senhorias. Eram regimes onde se respirava o ar de liberdade e onde se procurava, acima
de tudo, o bem-estar material dos cidadãos, em detrimento do bem-estar espiritual.

Maquiavel viveu em Florença no tempo dos Médici. Observava com apreensão a


falta de estabilidade da Vida política numa Itália dividida em principados e condados,
onde cada um possuía a sua própria milícia. Esta fragmentação do poder transformava
Itália numa presa fácil de outros povos estrangeiros, principalmente franceses e
espanhóis. Maquiavel, que aspirava ver a Itália unificada, esboça a figura do príncipe
capaz de promover um Estado forte e estável.

Por isso, em O Príncipe, Maquiavel desenha as linhas gerais do comportamento


de um príncipe que pudesse unificar a sua Itália. Para tal, Maquiavel parte do
pressuposto de que os homens, em geral, seguem cegamente as suas paixões,
esquecendo-se mais depressa da morte do pai do que da perda do património.

3
As paixões que se colocam em primeiro lugar são, além da cobiça e do desejo
de prazeres, a preguiça, a vileza, a duplicidade e a insolência. Por isso torna-se
imperioso que o governante da república prepare as leis segundo o pressuposto de que
todos os homens são réus e que procedem sempre com malicia em todas as
oportunidades que tiverem.

O Príncipe deve impor-se mais pelo temor do que pelo amor, para alcançar os
seus objectivos: preservar a sua Vida e a do Estado. Porém, Maquiavel adverte que o
príncipe não deve esquecer a sua reputação.

Maquiavel recomenda ainda que o príncipe, ou seja, o governante deve-se


comportar como um lobo vestido da pele do cordeiro, deve ainda impor-se mais pelo
temor do que pelo amor, para alcançar os seus objectivos, procurando sempre preservar
a sua vida e a do Estado, tendo em conta que em política os fins justificam os meios.

3.2. O Príncipe

A obra ―O Príncipe‖, escrita por Maquiavel em 1513, e publicada postumamente


em 1532, se transformou em sua obra-prima. O livro, um manual sobre a arte de
governar, foi inspirado no estilo político de César Bórgia um dos mais ambiciosos
comandantes italianos, que ficou conhecido por seu poder e atrocidades que cometeu
para conseguir o que queria. Maquiavel viu nele o modelo para os demais governantes
da época.

A obra revela a preocupação de Maquiavel com o momento histórico da Itália,


fragilizada pela falta de unidade nacional e alvo de invasões e intrigas diplomáticas.
Indignado com a decadência política e moral da Itália, o autor dirige conselhos a um
príncipe imaginário, com o único objetivo de unificar a Itália e criar uma nação
moderna e poderosa.

Para Maquiavel, o importante era realizar o desejo projetado, mesmo sob


qualquer forma de governo – monarquia ou república, e por qualquer meio, inclusive a
violência. Considerava os fatores morais, religiosos e econômicos, que operavam na
sociedade, como forças que um governante hábil poderia e deveria utilizar para
construir um estado nacional forte.

4
Assim, o príncipe com seu exército nacional que substituísse as precárias forças
mercenárias, deveria ser capaz de estender seu domínio sobre todas as cidades italianas,
acabando com a discórdia.

3.2.1. Critica a "O Príncipe"


Escrito em 1513, O Príncipe popularizou-se e foi alvo de inúmeras
interpretações. Acredita-se que Maquiavel era apologista do absolutismo e do mais
completo imoralismo, pois afirmava que «é necessário que um príncipe, para se manter,
aprenda a ser mau e que se valha ou deixe de se valer disso segundo a necessidade».
Mas, na óptica de Rousseau, trata-se de uma sátira, e a intenção verdadeira de
Maquiavel seria o desmascaramento das práticas despóticas, ensinando (...) o povo a
defender-se dos tiranos.
Alguns hermeneutas de Maquiavel postulam a necessidade de se desfazer o mito
do maquiavelismo para se entender Príncipe. Na linguagem comum, chama-se
pejorativamente maquiavélica a uma pessoa sem escrúpulos, traiçoeira, astuciosa que,
para atingir os seus fins, usa todos os meios possíveis ao seu alcance, incluindo a
mentira e a má-fé. Em síntese, a filosofia política de Maquiavel tem em vista a
unificação da Itália fragmentada.

[Link] Hobbes ( 1588 - 1679)


Inglês, oriundo de uma família pobre, conviveu com a nobreza, da qual recebeu
apoio e condiqöes para estudar, e defendeu fortemente a direito absoluto dos reis,
ameaçado pelas novas tendências liberais. Teve contacto com Descartes, Francis Bacon
e Galileu. Preocupou-se com a problemática do conhecimento e da política. A sua
doutrina política encontra-se patente nas obras De Cive e Leviatã.

Para Hobbes, a origem do Estado é fruto de um «contrato social, decorrendo de


conflitos entre os indivíduos. Na sua óptica, o Homem conheceu dois estados: o
primeiro é natural e o segundo contratual. A situação dos homens deixados entregues a
si próprios é de anarquia, geradora de insegurança, angústia e medo.

Os interesses egoístas predominam e o homem torna-se um lobo para o outro


homem (homo homini lupus). As disputas geram uma guerra de todos contra todos
(bellum omnium contra omnes). A situação de guerra não acomoda o Homem. O medo
e o desejo de paz levaram o homem a fundar um estado social e a autoridade política,

5
abdicando dos seus direitos em favor do soberano, que, por sua vez, terá um poder
absoluto.

A renúncia de poder deve ser total, caso contrário, se se conservar um pouco que
seja da liberdade natural do Homem, instaura-se de novo a guerra. Este poder exerce-se
ainda pela força, pois só a iminência do castigo pode atemorizar os homens. Cabe ao
soberano julgar sobre o bem e o mal, sobre o justo e o injusto; ninguém pode discordar,
pois tudo que o soberano faz é resultado do investimento da autoridade consentida pelo
súbdito.

Na obra Leviatã, explanou os seus pontos de vista sobre a natureza humana e sobre
a necessidade de um governo e de uma sociedade forte. No estado natural, embora
alguns homens possam ser mais fortes ou mais inteligentes do que outros, nenhum se
ergue tão acima dos demais de forma a estar isento do medo de que outro homem lhe
possa fazer mal. Por isso, cada um de nós tem direito a tudo e, uma vez que todas as
coisas são escassas, existe uma constante guerra de todos contra todos (Bellum omnia
omnes). No entanto, os homens têm um desejo, que é também em interesse próprio, de
acabar com a guerra e, por isso, formam sociedades através de um contrato social

De acordo com Hobbes, tal sociedade necessita de uma autoridade à qual todos os
membros devem render o suficiente da sua liberdade natural, de forma que a autoridade
possa assegurar a paz interna e a defesa comum. Este soberano, quer seja um monarca
ou uma assembleia (que pode, até mesmo, ser composta de todos, caso em que seria
uma democracia), deveria ser o Leviatã, uma autoridade inquestionável. A teoria
política do Leviatã mantém, no essencial, as ideias de suas duas obras anteriores, os
elementos da lei e do cidadão (em que tratou a questão das relações entre Igreja e
Estado).

Thomas Hobbes defendia a ideia segundo a qual os homens só podem viver em


paz se concordarem em submeter-se a um poder absoluto e centralizado. O Estado não
pode estar sujeito às leis por ele criadas pois isso seria infringir sua soberania. Para ele,
a Igreja cristã e o Estado cristão formavam um mesmo corpo, encabeçado pelo monarca,
que teria o direito de interpretar as Escrituras, decidir questões religiosas e presidir o
culto.

Neste sentido, critica a livre interpretação da Bíblia na Reforma Protestante por, de


certa forma, enfraquecer o monarca. Sua filosofia política foi analisada pelo cientista

6
político Richard Tuck como uma resposta para os problemas que o método cartesiano
introduziu para a filosofia moral. Hobbes argumenta que só podemos conhecer algo do
mundo exterior a partir das impressões sensoriais que temos dele ("Só existe o que meus
sentidos percebem"). Esta filosofia é vista como uma tentativa de embasar uma teoria
coerente de uma formação social puramente no fato das impressões em si, a partir da
tese de que as impressões sensoriais são suficientes para o homem agir no sentido de
preservar sua própria vida. A partir desse imperativo, Hobbes constrói toda sua filosofia
política.

Segundo Hobbes, o ser humano não nasce livre, pois somente podemos nos
considerar realmente livres quando somos capazes de avaliar as consequências, boas ou
más, das nossas ações.

Hobbes ainda escreveu muitos outros livros falando sobre filosofia política e
outros assuntos, oferecendo uma descrição da natureza humana como cooperação em
interesse próprio. Foi contemporâneo de Descartes e escreveu uma das respostas para a
obra Meditações sobre filosofia primeira, deste último.

[Link] Locke (1632-1704)

Igualmente inglês e contemporâneo de Hobbes, era descendente de uma família


de burgueses comerciantes. Esteve refugiado durante algum tempo na Holanda por se
ter envolvido com pessoas acusadas de atentar contra o rei Carlos II. Interessou-se
também, para além dos problemas gnoseológicos, pelos problemas políticos.

As contribuições políticas de Locke encontram se registadas principalmente na


obra Dois Tratados Sobre o Governo. Tal como Hobbes, Locke distingue dois estados
em que o Homem terá estado: o estado de natureza e o estado contratual. Este difere
do primeiro na concepção do estado de natureza. Para Locke, no estado de natureza, os
homens são livres, iguais e independentes, e não um estado de guerra de todos contra
todos, como concebeu Hobbes. Para Locke, no estado natural cada um é juiz em causa
própria. Pela liberdade natural do Homem, ele não pode ser expulso da sua propriedade
e ser submetido ao poder político de outrem sem dar o seu consentimento. A renúncia à
liberdade natural dei pessoa acontece quando as pessoas concordam em juntar-se e unir-
se em comunidade para viver com segurança, contorto e paz umas com as outras.

7
Os homens unidos em comunidade devem agir baseados no que a maioria da
comunidade consente. O acto da maioria considera-se acto de todos, se o assentimento
da maioria não fosse recebido como o acto de todos, nada a não ser consentimento de
cada um poderia fazer com que qualquer acto fosse de todos. Mas tal consentimento é
utópico, na medida em que as várias obrigações suplementares que os membros devem
cumprir afectam necessariamente muitos membros da assembleia pública.

Portanto, quem abandona o estado de natureza e entra na comunidade abandona


todo o poder necessário aos fins que ditaram a reunião em sociedade, à maioria da
comunidade, a menos que concordem expressamente num número maior do que a
maioria. E isto atinge-se através de uma união política. Assim, o que dá início e
constitui qualquer sociedade política é o assentimento de qualquer número de homens
livre: capazes de constituírem uma maioria para se unirem e incorporarem tal sociedade.
É isto que legitima qualquer governo do mundo.

Desta forma, Locke surge como o defensor da propriedade privada e da


democracia na época moderna. Ele estabelece a distinção entre a sociedade política e a
sociedade civil, entre o público e o privado, que devem ser regidos por leis diferentes.
Assim, o poder político não deve ser determinado pelas condições de nascimento, e o
Estado não deve intervir, mas sim garantir e tutelar o livre exercício da propriedade, da
palavra e da iniciativa económica.

[Link] de Montesquieu (1689 – 1755)

Pensador de reconhecido saber enciclopédico e pai do constitucionalismo liberal


moderno, escreveu L'Esprit de Lois, em 1748.

Esta obra compreende 31 livros, dos quais dois são dedicados à problemática
religiosa. Na sua obra, pretende descobrir as leis naturais da Vida social. A lei social
entende-a não como um princípio racional do qual se deve deduzir todo um sistema de
normas abstractas, mas à relação intercorrente dos fenómenos empíricos.

As leis são relações indispensáveis emanadas da natureza das coisas. Por isso,
ser algum pode existir sem leis. Tanto a divindade como o mundo material e as
inteligências superiores ao Homem possuem as suas leis, da mesma forma que este
último também as possui. Existem as seguintes leis:

8
1. Leis da Natureza

1ª Lei — igualdade de todos os seres inferiores;

2ª Lei — procura de alimentação;

3ª Lei — encarto entre seres de sexos diferentes;

4ª Lei — desejo de viver em sociedade (exclusivo ao homem: provém da


conhecimento).

2. Leis Positivas
 Organizados em sociedades, os homens perdem a fraqueza e a igualdade e
instaura-se um estado de guerra entre nações, em virtude de cada uma das
nações sentindo a sua força, daí a necessidade da existência de leis para regular a
convivência entre diferentes povos — é o direito das gentes. Este direito baseia-
se no princípio de que as diversas nações devem fazer umas às outras, na paz. o
maior bem e, na guerra, o menor mal possível, sem prejudicar os seus
verdadeiros interesses.
 Existem igualmente leis que regulam o relacionamento daqueles que governam e
aqueles que são governados — é o direito político.
 O conjunto de normas que regulam as relações entre os cidadãos chama-se
direito civil.

Montesquieu procura determinar os diversos tipos de associação política,


estabelecendo tanto a natureza quanto o espírito dos mesmos. Define como tipos
sociológicos fundamentais do Estado, a democracia, a monarquia e o despotismo e
apresenta as leis constitutivas de cada um nos vários sectores da Vida humana.

O grande mérito de Montesquieu, em política, foi o de ter desenvolvido a


conhecida teoria de separação de poderes, em que advoga a separação dos poderes
legislativo, executivo e judicial, com o fim de estabelecer condições institucionais de
liberdade política através de uma equilibrada divisão de funções entre os órgãos do
Estado (parlamento, governo e tribunais).

Esta divisão impede que algum deles actue despoticamente. O poder legislativo
tem a função de criar as leis. Este papel é desempenhado pelo parlamento. O poder

9
executivo tem a função de implementar as leis e de as fazer cumprir e esse papel é
desempenhado pelo governo, nas suas múltiplas funções. O poder judicial serve para
julgar aqueles que violam a lei, portanto, são os tribunais que se encarregam dessa
tarefa. A condição que Montesquieu considera fundamental é a sua separação efectiva,
pois não basta que estes poderes existam para que o seu funcionamento seja pleno.

[Link]-Jacques Rousseau (1712 – 1778)


Rousseau nasceu em Genebra, na Suíça, e viveu a partir de 1742 em Paris, onde
fervilhavam as ideias liberais que culminaram na Revolução Francesa, em 1789.
Conquistou a amizade de Diderot, filósofo do grupo iluminista, do qual fazia parte
Voltaire, entre outros, e que se tornaram conhecidos como enciclopedistas, pelo facto de
elaborarem uma enciclopédia que divulgava os novos ideais, a saber: tolerância
religiosa, confiança na razão livre, oposição à autoridade excessiva, naturalismo,
entusiasmo pelas técnicas e pelo progresso.

Rousseau inicia a sua reflexão política partindo da hipótese de o homem se ter


encontrado num estado de natureza e num outro estado contratual. O primeiro estado é
minuciosamente descrito em Discurso Sobre a Desigualdade Entre os Homens e o
segundo em O Contrato Social.

Segundo Rousseau, enquanto os homens «só se dedicavam a obras que um único


homem podia criar e às artes que não solicitavam o concurso de várias mãos, viveram
tão livres, sadios, bons e felizes quanto o podiam ser por sua natureza, e continuaram
gomar entre si das doçuras de um comércio independente; mas, desde o instante em que
um homem sentiu necessidade do socorro de outro, desde que constatou ser útil a um só
contar com provisões para dois, desapareceu a igualdade, introduziu-se a propriedade, o
trabalho tornou-se necessário e as vastas florestas transformaram-se em campos
aprazíveis que se impôs regar com o suor dos homens e nos quais logo se viu escravidão
e a miséria germinarem e crescerem com as colheitas».

Portanto, a propriedade introduz a desigualdade entre os homens, a


diferenciação entre o rico e o pobre, o poderoso e o fraco, o senhor e o escravo,
culminando na predominância da lei do mais forte.

10
O homem que surge é um homem corrompido pelo poder e esmagado pela
violência. Trata-se de um falso contrato. Há que considerar a possibilidade de um
contrato verdadeira, legitimo, em que o povo esteja reunido sob uma sé vontade.

O contrato social, para ser legitimo, deve ser fruto do consentimento de todos
os membros da sociedade. Cada associado aliena-se totalmente, isto é, renuncia a todos
os seus direitos a favor da comunidade. Mas como todos abdicam igualmente, na
verdade, cada um nada perde, pois este acto de associação produz, em lugar da pessoa
particular de cada contratante, um corpo moral e colectivo composto por tantos
membros quantos os votos da assembleia, alcançando a sua unidade, o seu eu comum, a
sua Vida e a sua vontade (democracia directa), A democracia rousseauniana critica o
regime da democracia representativa (alguns cidadãos representam D povo nas decisões
dos destinos do pais e na elaboração e aprovação das leis), pois considera que toda a lei
não ratificada pelo povo em pessoa é nula.

Eis a razão pela qual propõe uma democracia participativa ou directa. Só se


mantém a soberania do povo através da reunião das assembleias frequentes de todos os
cidadãos. Porém, reconhece que este sistema é aplicável sobretudo nas pequenas
sociedades.

2.7. Filosofia Politica na Idade Contemporânea

2.7.1. John Rawls


Obra: Uma Teoria de Justiça

Na sua obra, Uma Teoria de Justiça (1971), Rawls fala da necessidade de uma
democracia constitucional e descreve o estabelecimento da relação entre a teoria da
justiça e os valores da sociedade e o bem comum.

Segundo Rawls a justiça é a estrutura de base da sociedade e a primeira virtude


das instituições sociais, mas para o efeito é necessária a efectivação das liberdades
individuais e a não restrição para o benefício de outrem.

Para Rawls, uma sociedade justa, funda-se na igualdade de direitos. E ainda, a


justiça não pode ser deduzida a partir das concepções de bem difundidas na sociedade,
mas sim encarada como a capacidade concedida à pessoa para escolher os seus próprios
fins.

11
Em Rawls, os homens ocupam posições diferentes na sociedade, dando origem a
desigualdades sociais devendo, a justiça, corrigir estas desigualdades. Para o efeito,
propõe um contrato social que definira os princípios da justiça e neste contrato as
pessoas livres e racionais, colocadas numa ―posição inicial de igualdades‖, escolheriam
para formar a sua sociedade sem olhar para a situação pessoal de desigualdade. Portanto
a justiça em Rawls deve ser entendida como equidade.

Rawls defende que a liberdade não se pode limitar senão em nome da própria
liberdade, isto é, limitar a liberdade de alguém para reforçar o sistema total da liberdade
de todos. Há dois casos a referir:

 Uma redução da liberdade deve reforçar o sistema total da liberdade que


todos partilham;
 A desigualdade só é aceitável caso sirva para beneficiar os menos
favorecidos.

Desta forma, surge o princípio da diferença, com a finalidade de limar as


desigualdades. Rawls propõe que o Estado deve dividir-se em quatro departamentos:
 Departamento das atribuições: cuja missão é velar pela manutenção de um
sistema de preços e impedir a formação de posições dominantes excessivas
no mercado;
 Departamento da estabilização: cuja missão é proporcionar emprego aos
cidadãos;
 Departamento das transferências sociais: cuja missão é velar pelas
necessidades sociais e intervir para assegurar o mínimo social (providencia
social);
 Departamento para a repartição: cuja missão é preservar a justiça através da
fiscalização e do ajuste necessário do direito de propriedade.

Crítica a obra Uma Teoria de Justiça

A obra de Rawls foi alvo de críticas, no tocante à teoria de igualdade absoluta e de


justiça, pois, no pensar de Robert Nozick, é contraditória pelo facto de não ser possível
executa-la sem violar o princípio da propriedade privada adquirida de forma legítima.

O liberalismo político de Rawls

12
Pelo facto de reconhecer a inexecutabilidade da sua teoria de justiça, Rawls
recomenda a nova teoria do liberalismo, de forma que estabeleça uma base para que se
possam erguer instituições políticas liberais.

2.7.2. Karl Popper (1902-1994)

Obras: Logica da Descoberta Cientifica, A Sociedade Aberta e os seus


Inimigos, Pobreza do Historicionismo, Conjecturas e Refutações; O Crescimento do
Conhecimento Cientifico.

No seu pensamento político, Popper critica a sociedade fechada, totalitária,


concebida e organizada por normas não modificáveis, defendendo, desta feita a
sociedade aberta, baseada no exercício crítico da razão humana, tolerando e estimulando
a liberdade dos indivíduos e de grupos implementando reformas continuas e solução de
problemas sociais.

As principais ideias de Popper são:


 A humildade não tem um sentido concreto conhecido antecipadamente mas sim
aquele que os homens lhe dão;
 O progresso da humanidade é possível sem que necessite de um critério único de
verdade;
 A razão humana é naturalmente falível;

Formas de sistemas

políticos Sistema político é a maneira como a comunidade politica se estrutura e


exerce o poder politico. A estrutura do poder da comunidade política é feita de duas
maneiras como: regime político e como sistema de governo.

Regime político: refere-se as relações que se estabelecem entre o individuo e a


sociedade politica, com a finalidade de implementar a ideologia no âmbito jurídico.
Existem dois tipos de regime político:

 A Monarquia: governo de um só, ou ainda o poder é herdado;


 A República: governo de uma assembleia, neste regime o poder não é
herdado;

13
Sistema de governo: concerne a titularidade e a estruturação do poder politico,
com a finalidade de determinar os seus titulares e os titulares e os órgãos estabelecidos
para o seu exercício. O pensamento político clássico, opõe a monarquia à república:

 A Monarquia: regime político em que a designação do chefe de Estado se faz


por herança.
 A República: regime em que a designação do chefe de Estado se faz por formas
diversas, por eleição directa dos cidadãos ou pelos seus representantes, pelo
golpe de Estado ou por legislação. Neste regime político a designação do chefe
do Estado não é por herança.

Os regimes políticos classificam-se em: regimes ditatoriais e democráticos.

Um regime é ditatorial quando:

 Há uma ideologia exclusiva ou liderante;


 Há um aparelho para impor a ideologia;
 Não há uma efectiva garantia dos direitos pessoais dos cidadãos;
 Não existe livre participação na designação dos governantes;
 Não há controlo do exercício dos governantes.

Um regime é democrático quando:

 Não existe uma ideologia dominante ou liderante;


 Não existe um aparelho para impor a ideologia;
 Existe uma efectiva garantia dos direitos pessoais dos cidadãos;
 Existe livre participação na designação dos governantes;
 Existe controlo do exercício das funções dos governantes.

Os regimes ditatoriais subdividem-se em:

 Regime ditatorial autoritário: quando o poder político exerce um certo


controlo sobre a sociedade civil, sendo, no entanto possível manter um certo
grau de autonomia;
 Regime ditatorial totalitário: quando o controlo do poder subjuga a
sociedade civil.

14
Sistemas de governo

Sistemas de governo tratam da organização do poder na governação. Os sistemas


de governo classificam-se em ditatoriais e democráticos.

Governo ditatorial: quando o poder é detido por uma pessoa ou conjunto de


pessoas que exercem o poder por direito próprio, sem que haja participação da
pluralidade dos governados.

O governo ditatorial subdivide-se em monocrático e autocrático.

 Governo ditatorial monocrático aquele em que o poder é exercido por um


órgão singular;
 Governo ditatorial autocrático aquele em que o poder é exercido por um
órgão colegial, grupo ou partido político.

15
IV. Conclusão

Findado o presente trabalho, pude compreender que, a filosofia é um amplo


movimento intelectual que actua nas bases conceituais do pensamento, sempre
estabelecendo as perguntas ditas radicais: ―O que é?‖, ―Como é?‖, ―Por quê é?‖.

Conclui-se, portanto, que a idade moderna é marcada por diversas


transformações notadas pela segregação de acontecimentos históricos. Com a filosofia
política não é diferente, pois os filósofos desse campo do pensamento sempre buscaram
estabelecer críticas e fomentar novas ideias que dessem movimento ao campo
intelectual que se atreve a pensar e questionar o campo da organização política.

A filosofia política, ao diferenciar-se da ciência política por não haver uma


pretensão metódica e científica, permitiu aos vários pensadores elaborar diferentes
teorias sobre a organização política, mas sempre questionando e dialogando com o
conhecimento anterior e estabelecendo novos conceitos acerca dos problemas políticos.

Assim sendo, em Maquiavel em sua obra "O Príncipe", defendia que os


governantes deveriam ser progmáticos, usandoqualquer meios necessários para maanter
o poder e garantir a estabilidade do Etado, incluindo a utilizção da força e da estúcia
política. Ele acreditava na separação entre molaridade pessoal e política, argumentando
que um governante deve sercapaz de agir de forma cruel, se necessário, para manter a
ordem e a segurança do Estado.

E Hobbes, afirmou que os homens só podem viver em paz se concordarem em


submeter-se a um poder absoluto e centralizado. O Estado não pode estar sujeito às leis
por ele criadas pois isso seria infringir sua soberania.

16
V. Referencia Bibliográfica

1. BIRIATE, Manuel e GEQUE Eduardo, Pré-Universitário – Filosofia 12, Ed.


Longman Moçambique,1.ª Edição, Maputo, 2010.
2. GEQUE, Eduardo; BIRIATE, Manuel. Filosofia 12ª Classe – Pré-universitário. 1ª
Edição. Longman Moçamique, Maputo, 2010.

17

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