EXCELENTÍSSIMO(A) SENHOR(A) DOUTOR(A) JUÍZ(A) DE DIREITO DA VARA DE
FAMÍLIA E SUCESSÕES CÍVEL DA COMARCA DE MACAPÁ DO ESTADO DE AMAPÁ
PEDRO HERINQUE CARNEIRO ALCOLUMBRE, brasileiro, menor impúbere,
nascida em 20/10/2011, portador do CPF sob o nº 033.045.942-21, representado por sua
genitora ELEN JANE DE SOUSA CARNEIRO,brasileira, solteira, assistente
administrativa, portadora do RG sob o nº 379477-AP, inscrita no CPF sob o nº
000.516.552-09, contato (96) 99170-4773, residente e domiciliada na Av: wilson de
Carvalho, nº 987, Bairro: Universidade, Macapá-Ap, CEP: 68.903-025, por sua advogada,
que a esta subscreve (mandato incluso), vem à presença de Vossa Excelência com fulcro
nos artigos 693 e seguintes do Código de Processo Civil, observando-se o procedimento
especial previsto na Lei no 5.478/68-LA, propor:
AÇÃO DE GUARDA C/C ALIMENTOS E TUTELA DE URGÊNCIA
em face de ROBELINO VIEGAS ALCOLUMBRE, brasileiro, solteiro, policial civil,
portador do RG sob o nº 2955301, inscrito no CPF sob o nº 746.444.082-04, contato (96)
99182-3783, podendo ser encontrado no endreço, situado na Av: Maria Quiteria, nº 312,
bairro: Trem,na cidade de Macapá-Ap, pelos motivos e fatos expostos a seguir.
I – DA GRATUIDADE DE JUSTIÇA
A Requerente, declara, com fundamento no artigo 5º, inciso LXXIV, da
Constituição Federal e na Lei nº 1.060/50, que não possui condição financeira para arcar
com as custas judiciais e demais despesas processuais, sem que isto acarrete sérios
prejuízos a seu sustento de sua família, conforme Certidão de Hipossuficiência anexa,
razão pela qual requer a Vossa Excelência o deferimento da gratuidade judiciária.
II – DOS FATOS
Os genitores do menor mantiveram relacionamento amorroso, do qual nasceu o
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requerente em, 20\10\201,conforme certidão em anexo.
O menor vive com sua genitora, de modo que este recebe todos os cuidados
necessários para o seu desenvolvimento, arca com as despesas acerca da criação do
requerenteo qual está sob cuidados.
Assim, a Autora requer que seja regulamentada a guarda, que na prática já a
exerce de forma unilateral.
Além disso, a Requerente requer que seja estipulado valor referente aos
alimentos para o menor, fixado no importe de 30% sobre a renda bruta do genitor,
descontado em folha salarial.
III – DOS FUNDAMENTOS
A) DA GUARDA UNILATERAL
O caput do artigo 227 da Constituição Federal é claro quando assegura à criança
e ao adolescente, com absoluta prioridade, “o direito à vida, à saúde, à alimentação, à
educação, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e
à convivência familiar e comunitária, além de coloca-los a salvo de toda forma de
negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão”
Verifica-se que o Estatuto da Criança e do Adolescentes, através de seu artigo 7º
e seguintes, abarcou o instituto constitucional acima o transformando em Direito
Fundamental da Criança e do Adolescente, vejamos:
Art. 7º: A criança e o adolescente têm direito a proteção à vida e à saúde,
mediante a efetivação de políticas sociais públicas que permitam o nascimento e o
desenvolvimento sadio e harmonioso, em condições dignas de existência.
Esses dispositivos vêm alicerçados pela primeira parte do artigo 229 da Carta
Magna, ao dispor que “Os pais têm o dever de assistir, criar e educar os filhos menores”.
Adicionalmente, dispõe o artigo 1.634, II, do Código Civil Brasileiro, que ter a
companhia e a guarda dos filhos é complemento do dever de educá-los e criá-los, eis que
a quem incumbe criar, incumbe igualmente guardar; e o direito de guardar é indispensável
para que possa, sobre o mesmo, exercer a necessária vigilância, fornecendo-lhes
condições materiais mínimas de sobrevivência, sob pena de responder pelo delito de
abandono material, moral e intelectual.
Ainda, conforme se verifica do artigo 1583 do Código Civil, § 2º e § 3º, alterado
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pela lei 11.698/2008, a guarda unilateral ou compartilhada será atribuída ao genitor que
revele melhores condições para exercê-la, senão vejamos:
Art. 1583. A guarda será unilateral ou compartilhada.
[…]
§ 2º. A guarda unilateral será atribuída ao genitor que revele melhores condições
para exercê-la e, objetivamente, mais aptidão para propiciar aos filhos os seguintes
fatores:
I – afeto nas relações com o genitor e com o grupo familiar;
II – saúde e segurança;
III – educação.
§ 3º. A guarda unilateral obriga o pai ou a mãe que não a detenha a supervisionar
os interesses dos filhos.
Assim, para que uma decisão de tal repercussão se dê, é sempre necessário
olhar para o melhor interesse da criança, de forma que no presente caso, considerada a
guarda fática e os estritos laços de afeto única e exclusivamente com a Requerente em
razão do abandono material e afetivo pelo Requerido, é que a guarda dos menores,
devem ser deferida unilateralmente a mãe.
B) DOS ALIMENTOS AO MENOR
O dever alimentar dos pais está expressamente previsto na Constituição Federal,
em seu artigo 229, transcrevemos:
“Art. 229. Os pais têm o dever de assistir, criar e educar os
filhos menores, e os filhos maiores têm o dever de ajudar e
amparar os pais na velhice, carência ou enfermidade.”.
Nessa seara, mencionamos também a inteligência do art. 22 da Lei nº 8.069/90 (
Estatuto da Criança e do Adolescente) que prevê:
“Art. 22. Aos pais incumbe o dever de sustento, guarda e
educação dos filhos menores, cabendo-lhes ainda, no interesse
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destes, a obrigação de cumprir e fazer cumprir as
determinações judiciais.”.
O Código Civil garante aos parentes a pretensão de alimentos
necessários à sua subsistência, devendo estes serem fixados
observando o binômio necessidade-possibilidade (art. 1694, CC).
Além disso, o direito do requerente aos alimentos também encontra
amparo no art. 1.695 do mesmo diploma:
“Art. 1.695. São devidos os alimentos quando quem os pretende
não tem bens suficientes, nem pode prover, pelo seu trabalho, à
própria mantença, e aquele, de quem se reclamam, pode
fornecê-los, sem desfalque no necessário ao seu sustento.”
E, ainda no que tange o Código Civil vigente, por analogia, o art.
1.703, bem como o art. 1.634, I, explicita a participação de ambos
os genitores na manutenção dos filhos.
“Art. 1.703. Para a manutenção dos filhos, os cônjuges separados
judicialmente contribuirão na proporção de seus recursos.”
“Art. 1.634. Compete a ambos os pais, qualquer que seja a sua
situação conjugal, o pleno exercício do poder familiar, que consiste
em, quanto aos filhos:
I – dirigir-lhes a criação e a educação;”
III DOS ALIMENTOS PROVISÓRIOS
Por força da previsão do art. 4º da Lei de Alimentos (Lei
5.478/68), os alimentos provisórios devem ser fixados desde
logo, de forma a prover o sustento do REQUERENTE na
pendência da lide.
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No caso em tela, a necessidade de fixação de tal provisão legal
é indiscutível, uma vez que atualmente a responsabilidade de
todas as despesas do REQUERENTE recai apenas sob sua
genitora.
Requer, desde logo, a fixação de alimentos provisórios em favor da
Requerente, no percentual de 30% sobre o valor da renda do Réu, a
serem convertidos, posteriormente, em alimentos definitivos,
conforme estabelece o art. 4º da Lei 5478/68.
. Nesse sentido, é importante reiterar que é cristalina a necessidade do
REQUERENTE, considerando que sua genitora é incapaz de arcar sozinha com a
integralidade das despesas de sua criação, bem como resta comprovada a possibilidade
financeira do REQUERIDO em participar do custeio.
Assim, entende-se que o sustendo do Requerente deve ser dividido entre ambos
os genitores e arbitrado ao Requerido no montante equivalente a 30% do salário bruto.
Vale destacar, ainda, que mesmo que o genitor estivesse desempregado ou fosse
trabalhador autônomo, a obrigação de pagar alimentos permaneceria devida, como se vê
na jurisprudência do Egrégio Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo:
“Alimentos. Fixação de pensão devida pelo pai aos filhos menores. Genitor
desempregado que alega não auferir qualquer rendimento, o que, porém, não restou
suficientemente demonstrado. Pensão adequadamente fixada em 30% do salário-
mínimo para hipótese de desemprego, montante básico necessário ao atendimento
das necessidades do menor. Sentença mantida. Recurso desprovido.”
(TJ-SP – AC: 10010551020198260355, Rel. Claudio Godoy, Data de Julgamento:
14/09/2022, 1ª Câmara de Direito Privado, Data de Publicação: 14/09/2022)
“APELAÇÃO. AÇÃO DE FIXAÇÃO DE ALIMENTOS. Sentença de parcial
procedência. Fixação dos alimentos em 30% dos rendimentos líquidos do genitor ou 30%
do salário-mínimo para a hipótese de desemprego, devidos aos dois filhos. Insurgência do
alimentante. […] o apelante, que é trabalhador autônomo, pretende pagar ao filho uma
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pensão alimentícia em valor próximo ao suportado por genitores
desempregados. Princípio da paternidade responsável que não afasta o dever do pai
de envidar esforços para o fornecimento de sustento digno aos
filhos. Proporcionalidade na distribuição das responsabilidades entre os genitores que
importa em uma contraprestação financeira de maior monta por parte do genitor que não
exerce a guarda de fato, cuidando diariamente do menor. […].”
(TJ-SP – AC: 10077079520218260024, Rel. Pastorelo Kfouri, Data de
Julgamento: 15/12/2022, 7ª Câmara de Direito Privado, Data de Publicação: 15/12/2022)
[Link] TUTELA PROVISÓRIA DE URGÊNCIA
O artigo 294 do CPC, prevê que a tutela provisória pode fundamentar-se em
urgência ou evidência, senão vejamos:
Art. 294. A tutela provisória pode fundamentar-se em urgência ou evidência.
Parágrafo único. A tutela provisória de urgência, cautelar ou antecipada, pode ser
concedida em caráter antecedente ou incidental.
Ademais o artigo 300 do CPC preceitua que a tutela de urgência deverá ser
concedida quando houver elementos que evidenciem a probabilidade do direito e o perigo
de dano.
Art. 300. A tutela de urgência será concedida quando houver elementos que
evidenciem a probabilidade do direito e o perigo de danou ou o risco ao resultado útil do
processo.
Assim, requer que seja o Requerido condenado em sede de TUTELA DE
URGÊNCIA, ao pagamento de 30% do salário bruto, referente a alimentos
provisionais.
V – DOS PEDIDOS
Em face do exposto, requer o recebimento e processamento do presente feito,
com a finalidade de que em seu mérito sejam julgados TOTALMENTE PROCEDENTES
os pedidos delineados a seguir:
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a) O deferimento dos benefícios da justiça gratuita;
b) A citação do Requerido, acima descrito, para que compareça em audiência a
ser designada por Vossa Excelência, sob pena de confissão quanto a matéria de fato,
podendo contestar dentro do prazo legal sob pena de sujeitar-se aos efeitos da revelia,
nos moldes do art. 344 do CPC/2015;
c) O arbitramento de alimentos provisórios, em 30% do salário bruto, a ser
depositado na conta da representante legal da alimentada: Banco Banco do Brasil; Ag:
8123; Conta: 000000024882, Titular: ELEN JANE DE SOUSA CARNEIRO, portadora do
RG sob o nº 379477, inscrita no CPF sob o nº 000.516.552-09, até o dia 05 de cada mês;
d) A intervenção do representante do Ministério Público, nos termos do art. 178,
inciso II, do CPC; para oficiar no feito, atuando em prol do principio do melhor
interesse do menor;
e) Que sejam julgados procedentes os pedidos elencados a presente Inicial,
condenando-se o Requerido na prestação de alimentos definitivos, no valor de 30%
do salário bruto, a ser depositado na conta bancária da representante legal da
alimentada;
f) Seja deferida a guarda definitiva e unilateral do menor à genitora, conforme
descrito, nos termos do quanto estabelecido e fundamentado no item: III.A - DA
REGULAMENTAÇÃO DE GUARDA;
g) Solicito que seja enviado expedição de Oficio ao Delagado Geral de Policia
Civil para desconto em folha salarial do valor supra citado.
Protesta provar o alegado por todos os meios de prova admitidos em direito, que
ficam desde já requeridos, ainda que não especificados, inclusive depoimento pessoal da
representante legal da Requerente.
Atribui-se à causa o valor de 30% do salário bruto, para fins de alçada, nos
moldes do art. 292, III do CPC/2015.
Termos em que
P. deferimento.
Macapá-AP, 26 de abril de 2024.
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ANA KAROLINY FREITAS DE OLIVEIRA
OAB/AP nº.2561
ALUNO: YNDRA KARMEN PICANÇO SILVA
Matrícula: 201908289171
ALUNO: NAYANA DE CÀSSIA PINHEIRO PARANHOS
Matrícula: 201904053491
ALUNO: HEBERT DAMIÃO NUNES
Matrícula: 202002176229
ALUNO: GEANE CRISTINA VASCONCELOS DE BRITO
Matrícula: 202003615072
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