GAAL – Lista de exercı́cios – 4
Vetores e Produto Escalar
SOLUÇÕES
Exercı́cio 1. Determinar os três vértices de um triângulo sabendo que os pontos médios
de seus lados são
M = (5, 0, −2), N = (3, 1, −3) e P = (4, 2, 1).
SOLUÇÃO. A figura a seguir fixa a notação utilizada e também ajuda a entender a
solução.
Sabemos que segmentos orientados paralelos, com o mesmo comprimento e com o mesmo
sentido representam o mesmo vetor. Além disso, como o segmento que une os pontos
médios de dois lados de um triângulo é paralelo e tem a metade do comprimento do
−→ −−→ −→ −−→ −−→ −−→
terceiro lado vemos, por exemplo, que AP = M N , P C = M N e M B = P N . Daı́
−→ −−→
• AP = M N ⇒ P − A = N − M ⇒ A = M − N + P ⇒ A = (6, 1, 2).
−−→ −−→
• M B = P N ⇒ B − M = N − P ⇒ B = M + N − P ⇒ B = (4, −1, −6).
−→ −−→
• P C = M N ⇒ C − P = N − M ⇒ C = −M + N + P ⇒ C = (2, 3, 0).
Portanto os vértices do triângulo são os pontos (6, 1, 2), (4, −1, −6) e (2, 3, 0).
Exercı́cio 2. Sendo A = (2, −5, 3) e B = (7, 3, −1) vértices consecutivos de um
paralelogramo ABCD e M = (4, −3, 3) o ponto de interseção das diagonais, determine
os vértices C e D.
SOLUÇÃO. Observe a figura a seguir.
−−→ −−→
• M C = AM ⇒ C − M = M − A ⇒ C = 2M − A ⇒ C = (6, −1, 3).
−−→ −−→
• M D = BM ⇒ D − M = M − B ⇒ D = 2M − B ⇒ D = (1, −9, 7).
Exercı́cio 3. Em um plano cartesiano considere os pontos A = (4, 6) e B = (6, 5).
Determine um ponto C sobre o eixo x e determine um ponto D no eixo y de modo que
ABCD seja um paralelogramo contido no primeiro quadrante.
SOLUÇÃO. Observe a figura a seguir.
−−→ −→
O ponto C = (x, 0) e o ponto D = (0, y) são tais que DC = AB. Daı́ C − D = B − A
⇒ (x, 0) − (0, y) = (2, −1) ⇒ (x, −y) = (2, −1) ⇒ x = 2 e y = 1. Portanto C = (2, 0)
e D = (0, 1).
Exercı́cio 4. Em um plano cartesiano está desenhado o quadrado ABCD tal que
A = (1, 2) e B = (6, 5). Determine as coordenadas dos vértices C e D.
−→ −−→
SOLUÇÃO. Temos que AB = B − A = (5, 3). Como o vetor AD é obtido por uma
−→
rotação de 90o no sentido anti-horário do vetor AB segue que
−−→ −−→ 0 −1 5 −3
AD = R900 AD = =
1 0 3 5
−−→ −−→
Assim vemos que AD = (−3, 5). Como AD = D − A, segue que
−−→
D = A + AD = (1, 2) + (−3, 5) = (−2, 7)
−→ −→ −−→
Pela regra do paralelogramo, temos que AC = AB + AD. Daı́ segue que C − A =
(B − A) + (D − A) e portanto
C = B + D − A = (6, 5) + (−2, 7) − (1, 2) = (3, 10)
Exercı́cio 5. Determine as coordenadas do ponto P que está no eixo x e que é
equidistante dos pontos A = (3, −1, 4) e B = (1, −2, −3).
SOLUÇÃO. Queremos um ponto P = (x, 0, 0) tal que dist(P, A) = dist(P, B). Como
distância é um número positivo, esta igualdade é equivalente a dist2 (P, A) = dist2 (P, B).
dist(P, A)2 = (x − 3)2 + 1 + 16 dist(P, B)2 = (x − 1)2 + 4 + 9.
Daı́ dist(P, A)2 = dist(P, B)2 implica (x − 3)2 + 1 + 16 = (x − 1)2 + 4 + 9 cuja solução
é x = 3. Portanto P = (3, 0, 0).
Exercı́cio 6.
(a) Dados dois vetores V e W , sabemos que a soma V + W pode ser obtida pela
regra do paralelogramo. O vetor V + W é um vetor que está na direção da reta
bissetriz do ângulo formado por V e W ? Em outras palavras, a diagonal V + W
do paralelogramo divide os ângulos deste paralelogramo em dois ângulos iguais?
(b) Qual é a condição sobre V e W para que a resposta do item (a) seja afirmativa?
(c) No plano cartesiano considere os vetores V = (3, 4) e W = (12, 5). Determine um
vetor que está na direção da reta bissetriz do ângulo formado por V e W .
SOLUÇÃO.
(a) A figura a seguir mostra que, em geral, o vetor V + W não está na direção da
bissetriz do ângulo formado pelos vetores V e W . Observe que nesta figura α 6= β.
(b) Se V e W tiverem a mesma norma, então o paralelogramo de lados paralelos a
V e a W é, de fato, um losango. Neste caso, as diagonais do losango estão nas
direções das bissetrizes dos ângulos internos do losango.
√ √
(c) Se V = (3, 4) e se W = (12, 5) então k V k= 9 + 16 = 5 e k W k= 144 + 25 =
13. Como estes vetores não possuem a mesma norma, vimos que o vetor V + W
não está na direção da reta bissetriz do ângulo entre V e W . Para determinar esta
bissetriz podemos multiplicar V por um número a e podemos multiplicar W por
um número b de modo que os vetores aV e bW possuem a mesma norma. Daı́,
como vimos no item anterior, o vetor aV + bW está na direção da reta bissetriz.
(veja figura a seguir)
Existem várias escolhas para estes escalares a e b. Existem alunos que preferem
dividir V e W pelas suas normas, para obter vetores unitários. Outra possibilidade,
para evitar frações, é multiplicar cruzado: V pela norma de W e multiplicar W pela
norma de V . Fazendo isso no nosso exemplo, obtemos os vetores 13V = (39, 52)
e 5W = (60, 25). Estes dois vetores possuem norma 5 × 13 = 65 e são tais que a
soma 13V + 5W = (99, 77) é um vetor na direção da reta bissetriz do ângulo entre
V e W.
Observe que qualquer múltiplo deste vetor também é um outro vetor na direção da
reta bissetriz do ângulo entre V e W . Assim, multiplicando este vetor 13V +5W =
1
(99, 77) por encontramos o vetor (9, 7) que também está na direção da reta
11
bissetriz do ângulo entre V e W .
Exercı́cio 7. Em um plano cartesiano, determine a equação da reta bissetriz do menor
ângulo formado pelo eixo x e pela reta de equação y = 2x.
SOLUÇÃO. Vamos utilizar o resultado da questão anterior. Observe que o vetor
V = (1, 0) aponta na direção do eixo x. Por outro lado, o vetor W = (1,√2) aponta
na direção
√ da reta√y = 2x. As normas desses vetores são ||V || = 1 e ||W || = 5. Daı́ os
vetores 5 V = 5 , 0 e 1 W = (1, 2) possuem a mesma norma. Como discutido na
questão anterior, temos que o vetor
√ √
5V + 1W = 1 + 5 ,2
aponta na direção da reta bissetriz desejada. A inclinação dessa reta é
√
∆y 2 −1 + 5
= √ =
∆x 1+ 5 2
A equação da reta bissetriz desejada é
√
−1 + 5
y= x
2
Exercı́cio 8. O vetor V é ortogonal aos vetores U = (1, 2, 0) e W = (2, 0,
√1) e forma
~
ângulo agudo com o vetor j = (0, 1, 0). Determine V sabendo que k V k= 21.
SOLUÇÃO. Estamos procurando um vetor V = (x, y, z) tal que hV, U i = 0 e hV, W i = 0.
Estas duas equações definem o seguinte sistema linear homogêneo
x + 2y = 0
2x + z = 0
x
Considerando x como variável livre, podemos escrever y = − e z = −2x. Daı́, por
2
enquanto, podemos concluir que V tem a forma
x
V = x, − , −2x .
2
r
√ x2 √
Como k V k= 21, obtemos x2 + + 4x2 = 21, cuja solução é x = 2 e x = −2.
4
Agora vamos analisar cada uma destas possibilidades, lembrando que para V formar
ângulo agudo com o vetor ~j = (0, 1, 0) é necessário que o produto escalar hV, ~ji seja
positivo.
• Se x = 2 então V = (2, −1, −4). Neste caso, hV, ~ji = −1 é negativo e, portanto,
x = 2 não nos interessa.
• Se x = −2 então V = (−2, 1, 4). Neste caso, hV, ~ji = 1 é positivo. Portanto
obtemos como única solução deste problema o vetor V = (−2, 1, 4).
Exercı́cio 9. Dados os pontos A = (m, 1, 0), B = (m − 1, 2m, 2) e C = (1, 3, −1),
detemine m de modo que o triângulo ABC seja retângulo em A. Em seguida calcule a
área deste triângulo.
−→
SOLUÇÃO. Para o triângulo ABC ser retângulo em A, os vetores AB = (−1, 2m − 1, 2)
−→ −→ −→
e AC = (1 − m, 2, −1) devem ser ortogonais, ou seja, hAB, ACi = 0. Esta equação é
−(1 − m) + 2(2m − 1) − 2 = 0, cuja solução é m = 1.
−→ −→
Para m = 1, AB = (−1, 1, 2) e AC = (0, 2, −1). A área do triângulo pode ser calculada
pela expressão: metade da base vezes a altura.
−→ −→ √ √ √
k AB k k AC k 6 5 30
área(∆ABC) = = = .
2 2 2
Exercı́cio 10. Em um plano cartesiano, sejam A = (0, 0) e B = (2, 1). Determine o
ponto C deste plano de modo que o triângulo ABC seja retângulo em A e tenha ângulo
de 30o no vértice B.
−→ −→
SOLUÇÃO. Queremos um ponto C = (x, y) tal que os vetores AB = (2, 1) e AC = (x, y)
sejam ortogonais. Isto significa que 2x + y = 0. Logo y = −2x e C tem a forma
C = (x, −2x) para algum número real x.
−−→ −→
Também queremos que o ângulo entre os vetores BC = (x−2, −2x−1) e BA = (−2, −1)
seja igual a 30o . Utilizando a expressão
−−→ −→
o hBC , BAi
cos(30 ) = −−→ −→
k BC k k BA k
obtemos a igualdade
√
−2(x − 2) − (−2x − 1) 3
p √ = .
(x − 2)2 + (−2x − 1)2 5 2
√
2 3
Simplificando e elevando ao quadrado obtemos 3x − 1 = 0, cujas soluções são x =
√ 3
3
ex=− . Portanto obtemos duas soluções para este problema:
3
√ √ ! √ √ !
3 2 3 3 2 3
C= ,− e C= − , .
3 3 3 3
Exercı́cio 11. Em um plano cartesiano, considere A = (2, 1) e B = (−3, 4). Determine
todos os pontos P sobre o eixo x tal que o triângulo ABP é retângulo no vértice P .
SOLUÇÃO. Um ponto P sobre o eixo x pode ser escrito como P = (x, 0) Para o
−→
triângulo ABP ser retângulo no vértice P , os vetores P A = A − P = (2 − x, 1) e
−−→
P B = B − P = (−3 − x, 4) devem ser ortogonais. Isso ocorre somente quando o produto
escalar entre esses vetores é igual a zero. Nesse caso temos
D−→ −−→E
P A, P B = (2 − x)(−3 − x) + 4 = x2 + x − 2
Resolvendo a equação x2 + x − 2 = 0 obtemos x = −2 e x = 1. Portanto obtemos dois
pontos:
P1 = (−2, 0) e P2 = (1, 0)
Observação. Essa questão pode ser interpretada geometricamente do seguinte modo.
Se ABP é um triângulo retângulo no vértice P , então P está sobre a circunferência de
diâmetro AB. Portanto, os dois pontos encontrados na solução dessa questão são os
pontos de interseção do eixo x com essa circunferência.
Exercı́cio 12. Utilize o produto escalar para mostrar que
A = (−1, 1, 2) , B = (−2, 8, 5) e C = (−4, 3, 1)
são vértices de um triângulo retângulo. Em seguida calcule a área desse triângulo.
−→
SOLUÇÃO. O ângulo no vértice A é reto se os vetores AB = B − A = (−1, 7, 3) e
−→
AC = C − A = (−3, 2, −1) são ortogonais. Isso ocorre somente quando o produto
escalar entre esses vetores é igual a zero. Nesse caso temos
D−→ −→E
AB, AC = 3 + 14 − 3 = 14
Como esse número é positivo, o ângulo no vértice A é agudo, menor que 90o .
Agora vamos verificar se o ângulo no vértice B é reto. Esse é o caso se os vetores
−→ −−→
BA = A − B = (1, −7, −3) e BC = C − B = (−2, −5, −4) são ortogonais. Isso ocorre
somente quando o produto escalar entre esses vetores é igual a zero. Nesse caso temos
D−→ −−→E
BA, BC = −2 + 35 + 12 = 45
Como esse número é positivo, o ângulo no vértice B é agudo, menor que 90o .
Agora vamos verificar se o ângulo no vértice C é reto. Esse é o caso se os vetores
−→ −−→
CA = A − C = (3, −2, 1) e CB = B − C = (2, 5, 4) são ortogonais. Isso ocorre somente
quando o produto escalar entre esses vetores é igual a zero. Nesse caso temos
D−→ −−→E
CA, CB = 6 − 10 + 4 = 0
Como esse produto escalar é igual a zero, concluı́mos que o triângulo ABC é retângulo
no vértice C.
Podemos calcular a área de um triângulo pela fórmula ¨base vezes altura dividido por
dois”. No caso de um triângulo retângulo, podemos considerar um cateto como base e o
outro cateto como altura. Daı́, no nosso caso, a área pode ser calculada pela expressão
1 −→ −−→
área(ABC) = · CA · CB
2
Temos que
−→ p √
CA = 32 + (−2)2 + 12 = 14
−−→ √ √
CB = 22 + 52 + 42 = 45
Daı́
√ √
1 √ √ 630 3 70
área(ABC) = · 14 · 45 = =
2 2 2
Exercı́cio 13. Dado um vetor não nulo V e dado um vetor W podemos definir o vetor
projV (W ), projeção ortogonal de W na direção de V .
Observe que o vetor projV (W ) é um múltiplo escalar de V . Isto é, existe um número
real α tal que projV (W ) = αV . Determine este número real α observando que o vetor
W − projV (W ) é ortogonal a V . Demonstre que
hW, V i
projV (W ) = V .
hV, V i
SOLUÇÃO. Para resolver este problema você não precisa já ter estudado o conceito de
projeção ortogonal. Este exercı́cio pede apenas que uma expressão seja demonstrada.
Observe que os passos desta demonstração estão escritos no próprio enunciado.
Pela definição de projeção ortogonal, o vetor projV (W ) é paralelo ao vetor V . Logo
existe um número real α tal que projV (W ) = αV . O vetor diferença W − projV (W )
(linha pontilhada da figura) é ortogonal a V . Logo o produto escalar entre estes dois
vetores é igual a zero.
hW − projV (W ), V i = 0 ⇒ hW − αV, V i = 0 ⇒ hW, V i − αhV, V i = 0 ⇒
hW, V i
αhV, V i = hW, V i ⇒ α = .
hV, V i
Substituindo este valor de α em projV (W ) = αV obtemos
hW, V i
projV (W ) = V .
hV, V i
Exercı́cio 14. Considere o triângulo de vértices A = (1, 0, 1), B = (7, 3, 4) e
C = (3, −1, 4). Seja H o pé da altura do triângulo ABC relativa a base AB, isto
é, seja H o ponto da reta AB de modo que as retas AB e HC são perpendiculares. Use
o exercı́cio anterior para determinar as coordenadas do ponto H.
SOLUÇÃO.
−−→ −→ −→
O vetor AH é a projeção ortogonal do vetor AC sobre o vetor AB. Isto é,
−→ −→
−−→ −→ hAC, ABi −→
AH = proj− → (AC) =
AB −→ −→ AB .
hAB, ABi
−→ −→
Como AB = (6, 3, 3) e AC = (2, −1, 3) obtemos
−−→ 12 − 3 + 9 1
AH = (6, 3, 3) = (6, 3, 3) = (2, 1, 1) .
36 + 9 + 9 3
−−→ −−→
Como AH = H − A, obtemos H = A + AH = (1, 0, 1) + (2, 1, 1) = (3, 1, 2).
Portanto H = (3, 1, 2).
- FIM -