Guitarra – vol.
1 Wesley Caesar
Os Modos da Escala Maior
O próximo passo é estudar a Escala Maior no braço da Guitarra. Entretanto, a Escala é
tocada na sua forma fundamental, mas também através de suas inversões, que chamamos de
Modos. Então, antes de prosseguirmos na idéia da visualização da Escala Maior e seus
respectivos Modos (ou Inversões), penso que cabe uma explicação, sobre tais inversões ou
Modos.
Nos textos que narram os diálogos do Filósofo Sócrates com outros Filósofos no livro de
Platão, intitulado “A Republica”, há varias referencias sobre os Modos que hoje chamamos de
Gregos. Através da narrativa se estabelecem relações e adequações, dos tais Modos, à vida
cotidiana. Os Modos tinham nomes relativos aos povoados da época; Dórico, Frigio Lídio,
Mixolidio, etc. Podemos verificar tais referencias ao consultarmos um mapa da Grécia antiga.
Estavam assim, tais Modos organizados segundo o sistema musical Grego.
No Período Eclesiástico na Idade Média (século VI –DC), o Papa Gregório I organizou
a musica Liturgica e os Modos nela empregados, daí o nome; Modos Litúrgicos ou Modos
Eclesiásticos (que cujo modelo é básico para o chamado Canto Gregoriano também
conhecido como Cantochão que é a musica oficial do culto católico). Ele, na verdade, serviu-
se dos tais Modos Gregos. Embora os nomes pudessem ser Gregos as formas ascendente e
descendente dos Modos não eram correspondentes àquelas adotadas, pelos Gregos.
A Musica chamada Liturgica tinha objetivos exclusivamente religiosos em contra partida
à chamada ”Musica Profana ou Mundana”(tal terminologia adotada pela Igreja) que tinha por
fim apenas expressar os sentimentos e outros aspectos da vida humana.
No fim da Idade Média, os compositores da chamada Musica Erudita simplesmente
abandonaram a utilização dos Modos; Dórico, Frigio, Lídio e Mixolídio (que continuaram à
ser usados pela Musica Folclórica de vários Países). Adotou-se então, como principais
Modos, dando o indicativo de tonalidade, apenas o Modo Maior (Jônio) e o Modo Menor
(Eólio), daí porque até hoje estudamos Escala Maior e Escala Menor como relativas tonais e
as armaduras de clave na pauta musical são respectivamente iguais, ou seja, possuem o
mesmo numero de acidentes (ver adiante).
Apesar de praticamente não existirem muitas evidências documentais com relação a
Musica do passado antes da Grécia, podemos perceber ao entrar em contato com a Musica de
outros povos que, o conceito de Escalas e Modos já era adotado pelos Chineses, Hindus,
Persas, Egípcios, etc, pois, obviamente a Musica Oriental é mais antiga que a Ocidental. Já
comentamos que a relação do Circulo de Quintas era familiar aos antigos.
Vamos ver como são os Modos da Escala Maior do ponto de vista dos Intervalos em
Dó maior - [Lembrando que isto ocorre nas 12 Escalas Maiores (Modos Jônicos)
conforme já vimos]:
I ) Jônio - do ré mi fa sol la si = T 2 3 4 5 6 7
II ) Dórico - ré mi fa sol la si do = T 2 b3 4 5 6 b7
III ) Frígio - mi fa sol la si do ré = T b2 b3 4 5 b6 b7
IV ) Lídio - fa sol la si do ré mi = T 2 3 #4 5 6 7
V ) Mixolídio - sol la si do ré mi fa = T 2 3 4 5 6 b7
VI ) Eólio - la si do ré mi fa sol = T 2 b3 4 5 b6 b7
VII ) Lócrio - si do ré mi fa sol la = T b2 b3 4 b5 b6 b7
Guitarra – vol. 1 Wesley Caesar
Vale observar nos Modos (ou nas Inversões do Modo Jônio) que, os Intervalos estão
contidos dentro da própria Escala, apenas estamos mudando a tônica dentro da mesma
Escala que ao tocarmos ou ouvirmos tais inversões, percebemos como são evidentes as
impressões ou sentidos musicais que na pratica se expressam.
Em nosso cotidiano, o que sabemos e constatamos é que, a utilização de certos Modos
praticamente determinam alguns estilos ou gêneros musicais. Por exemplo:
O Modo Frigio é uma das Escalas básicas da Musica Flamenca, talvez por causa da
segunda menor (2b) que parece ser importante neste estilo Musical. Em outros estilos de
Musica, como no Pop, no Rock, o Modo Frigio tambem aparece.
Os Modos; Mixolídio e de certa forma o Dórico parecem ser importantes na Musica
Nordestina do Brasil (Baião, Xote, etc). Estes Modos surgem também no Pop e no Rock.
O Modo Dórico é um dos preferidos de alguns guitarristas Americanos na area do
Fusion (estilo que principalmente são adotados outros Modos derivados de outras Escalas
que estudaremos mais adiante).
O Modo Lídio pode ser observado em certos tipos de composições não muito
“comerciais”, talvez por causa da 4# (quarta aumentada) com 7 (sétima maior). Guitarristas
como o Inglês John Mclaughlin (ver na parte de Escalas Exóticas) já em 1971/72 se servia
deste Modo em suas Musicas, e os Americanos; Joe Satriani e Steve Vai também utilizaram
este Modo em suas composições. No Jazz, por exemplo, ele é usado com 7b (sétima menor)
Modo originário de outra Escala que estudaremos mais adiante.
Os Modos Jônio e Eólio são os mais usados. O Modo Lócrio normalmente não é
relacionado como base melódica de um estilo musical, porém, pude observa-lo em solos do
estilo Classical Rock dos anos 80/90 na linha do guitarrista Yngwie Malmsteen (ver exemplos
na parte de Licks, Riffs e Trechos de Solos)
Portanto, temos que estudar os 7 Modos nas 12 tonalidades. Ocorre que na pratica eles
se encontram dentro de Desenhos que chamamos de Shape ou Fôrma (ver abaixo) bastando
apenas transpô-los para a Tonalidade desejada.
A melhor maneira de se estudar os Modos é primeiramente memorizar a Escala Maior
(Modo Jônio) em Dó maior para se conhecer todas as notas naturais do Braço-Escala inteiro
da casa 0 (corda solta) até casa 12, sabemos que da casa 13 em diante tudo se repete uma
oitava acima ([Link]) (veja os nomes das notas no Braço na “Introdução” - Os Princípios
fundamentais da Musica ou na parte de “Leitura” - Notas na pauta e tablatura)