Introdução
A mecânica da fratura trata-se de um ramo da mecânica onde são estudados os
processos que levam à propagação de fendas em matérias. Para este efeito, métodos
analíticos da mecânica dos sólidos são utilizados para calcular a força que provoca a
fenda e métodos experimentais da mecânica dos sólidos para caracterizar a resistência
dos materiais à fratura. Essencialmente, consiste no estudo da física da tensão e da
extensão, onde é analisada a plasticidade e elasticidade dos materiais. Particularmente
serão analisados os defeitos presentes na estrutura cristalina dos materiais,
correlacionando-os com a falha mecânica dos corpos.
Atualmente a mecânica da fratura é extremamente importante no projeto
mecânico que antecede a utilização de um determinado bem. No entanto, devido às
falhas de projeto e outras provenientes do processo de fabrico, estes bens devem ser
monitorados e, no caso de ruína, uma ampla investigação deve ser conduzida para que
a causa seja identificada e sejam propostas as alterações necessárias ao projeto ou ao
controlo de fabrico destes bens. A ruína de um material manifesta-se por uma
modificação geométrica ou metalúrgica de um determinado material que induzem a
uma alteração das propriedades mecânicas, térmicas, entre outras, de um dado bem
que levam a um comprometimento das suas condições de funcionamento.
Existem diversos modos de falha, sendo que alguns podem até mesmo ocorrer
em simultâneo. Entre os diversos modos de falha, os principais são devido a: corrosão,
desgaste, deformação elástica, deformação plástica, fratura frágil, encurvadura e fadiga.
A falha dada por fadiga normalmente está associada a outros modos de falha. Para
compreender as causas de falha reais e correlacioná-las com os estudos teóricos,
recorre-se frequentemente a uma fratografia, análise da superfície fraturada.
Conceitos:
➢ Materiais capazes de suportar grandes quantidades de deformação plástica são
ditos dúcteis (ductile).
➢ Materiais que fraturam sem suportarem grandes deformações plásticas são
designados por frágeis (brittle).
➢ Tensão de cedência (yield strength), c ou ced ou 0, é a tensão limite a partir
da qual o material apresenta uma deformação plástica.
➢ A tensão mais alta antes da fratura é designada por tensão de rutura (ultimate
tensile strength), u ou r.
➢ f representa a deformação de fratura (Strain of fracture).
➢ Encurvatura (Buckling) é a deformação devido a tensões de compressão que
causam largas modificações no alinhamento das colunas ou placas. Ambas as
deformações plásticas e elásticas ou a combinação de ambas podem dominar
este comportamento.
➢ Materiais que apresentam valores de u e de f elevados, são ditos tenazes
(tough).
➢ Creep–deslocamento, é uma deformação que aumenta com o tempo.
➢ Fluência é uma deformação que acumula com o tempo. Dependendo da
intensidade da carga aplicada e da sua duração, a deformação pode tornar-se tão
grande que o componente deixa de cumprir as suas funções.
Já é relatado de estudos anteriores, que o desenvolvimento de squats e o
crescimento de fissuras são altamente influenciados por uma condição de contacto
húmido. Ou seja, a presença de fluidos, como a água da chuva e de lubrificante, pode
aumentar a tensão nas faces fissuradas através de mecanismos de "aprisionamento de
fluidos" levando à "pressurização hidráulica". Quando ocorre uma fissura, esta leva à
geração de tensão de tração na ponta da fenda, provocando um aumento significativo
da taxa de crescimento da fenda no Modo I, que é o modo de abertura. Além disso, o
atrito nas faces da fenda é reduzido pela "película de fluido de compressão", que
promove o crescimento da fenda no Modo II (cisalhamento). A prova metalúrgica de
que a propagação de fissuras é causada pela presença de fluido no carril foi
apresentada num estudo recente [22]. A conclusão foi tirada com base na observação
de que as regiões sujeitas a gotículas de água localizadas apresentavam danos
significativamente mais graves do que as regiões de contacto seco.