SILVICULTURA, MANEJO E
PRODUÇÃO FLORESTAL
AULA 1
Prof. Thiago Cardoso Silva
CONVERSA INICIAL
Nesta etapa, daremos início aos assuntos relacionados à caracterização
da produção ligada à obtenção de produtos florestais. As temáticas abordadas
nesta e nas etapas seguintes serão relacionadas às técnicas de silvicultura,
manejo e produção florestal. Desta feita, abordaremos temas sobre a introdução
de conceitos da silvicultura, área das ciências agrárias relacionada ao
desenvolvimento de recursos florestais e engenharia florestal.
O objetivo desta etapa é o estudo da silvicultura, abordando questões
relacionadas à importância das florestas, às práticas silviculturais que podem ser
aplicadas na condução de povoamentos florestais, às práticas que visam à
proteção das florestas e aos manejos que podem ser realizados para otimização
das operações florestais. Tais assuntos são de grande importância para o estudo
da Silvicultura, Manejo e Produção Florestal.
Os temas principais desta etapa serão:
• Importância econômica, social e ecológica das florestas;
• Silvicultura: introdução e conceituação;
• Práticas silviculturais;
• Práticas culturais e de proteção florestal;
• Sistemas de manejo silvicultural de florestas.
Vamos iniciar o estudo, pois temos muitos assuntos importantes a tratar.
Bons estudos!
TEMA 1 – IMPORTÂNCIA ECONÔMICA, SOCIAL E ECOLÓGICA DAS
FLORESTAS
A floresta é um dos principais elementos que constituem os ecossistemas
naturais em todo o planeta, fornecendo diversos benefícios ambientais e
possuindo importância econômica, social e ecológica. A definição do que é uma
floresta é bem complexa, como podemos observar nos seguintes conceitos:
(1) Vegetação cerrada constituída de árvores de grande porte, cobrindo
grande extensão de terreno.
(2) Ecossistemas complexos, nos quais as árvores são a forma vegetal
predominante que protege o solo contra o impacto direto do sol, dos
ventos e das precipitações. A maioria dos autores apresenta matas e
florestas como sinônimos, embora alguns atribuam à floresta maior
extensão do que às matas.
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(3) Vegetação de árvores com altura geralmente maior do que sete
metros, com dossel fechado ou mais ralo, aberto; às vezes (mata)
significa um trecho menos extenso que floresta, e mais luxuriante
(densa ou alta) do que arvoredo.
(4) Associação arbórea de grande extensão e continuidade. O império
da árvore num determinado território dotado de condições climáticas e
ecológicas para o desenvolvimento de plantas superiores. Não há um
limite definido entre uma vegetação arbustiva e uma vegetação
florestal. No Brasil, os cerrados, as matas de cipós e os junduis, que
são as florestas menos altas do país, têm de 7 a 12 metros de altura
média. Em contraste, na Amazônia ocorrem florestas de 25 a 36 metros
de altura com sub-bosques de emergentes que atingem até 40-45
metros (Polígono dos Castanhais).
(5) A floresta pode ser nativa ou natural (com espécies ou essências
características do meio ou ecossistema) ou plantada (com essências
nativas ou espécies exóticas). As florestas plantadas com espécies
exóticas (predominantemente pinus e eucalipto) destinam-se a fins
industriais ou comerciais.
(6) Agrupamento de vegetação em que o elemento dominante é a
árvore; formação arbórea densa; constituem os principais biomas
terrestres e cobrem cerca de 30% da superfície do planeta; as
diferentes características da vegetação que compõe as florestas — e
consequentemente de sua fauna — estão relacionadas principalmente
ao tipo de clima, de relevo e de solo.
(7) Área de terra mais ou menos extensa coberta predominantemente
de vegetação lenhosa de alto porte, formando uma biocenose. (Pires
et al., 2018, p. 44)
Historicamente, os seres humanos possuem relação direta com a floresta
desde os primórdios, pois ela sustenta a vida na Terra. O processo de
fotossíntese é responsável pela redução de gases que provocam o efeito estufa,
e as plantas fazem parte da base da cadeia alimentar por serem produtores
primários de biomassa. Com essa redução de gases, é possível observar um
controle climático ligado à temperatura e aos ciclos da água.
Porém, com o aumento populacional, a conversão de áreas florestais para
outros usos do solo, como agricultura, pastagem, urbanização e áreas
degradadas, resultou em um aumento do desmatamento em níveis superiores à
capacidade de regeneração natural (Carvalho, 2019). Isso ressalta a
necessidade de atentar para questões conservacionistas para a proteção de
áreas florestais naturais.
Observando os diversos benefícios provenientes das florestas, os seres
humanos passaram a tentar imitar os ecossistemas naturais para produzir
florestas plantadas. Cerca de 9,93 milhões de hectares de áreas de florestas
cultivadas foram utilizados para a produção florestal em 2022, com investimentos
de cerca de R$ 60 bilhões (IBÁ, 2022). Essas áreas eram previamente
consideradas degradadas, o que também ressalta a importância ecológica do
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plantio de árvores, que são plantadas, colhidas e replantadas, gerando diversos
produtos que são considerados matéria-prima fundamental para o setor florestal.
Quanto à madeira e seus produtos derivados, esta constitui o principal
foco de produção das florestas. Nesse contexto, destacamos o aumento da
produção a partir de florestas plantadas, reduzindo a pressão sobre as florestas
nativas para obtenção de produtos madeireiros (Figura 1).
Figura 1 – Materiais e produtos de madeira
Créditos: Macrovector/Shutterstock.
Os principais produtos madeireiros (ou lignocelulósicos) são:
• Madeira sólida roliça: baixo grau de processamento, sendo seções do
fuste da árvore com pequenos diâmetros. Os usos mais comuns são
postes, dormentes, estacas e moirões para cercas;
• Madeira serrada: produto resultante do processamento em serrarias,
basicamente fazendo referência ao corte das toras (que possuem seção
circular) para peças menores com seções quadrangulares ou
retangulares. As peças obtidas são vigas e colunas, pranchas, tábuas,
ripas e diversos outros produtos;
• Madeira beneficiada: quando a madeira serrada passa por processos de
acabamento para produzir produtos de maior valor agregado, como
decks, pergolados, assoalhos, forros, rodapés, portas e janelas, móveis e
diversos outros produtos;
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• Painéis de madeira reconstituída: processamento da madeira em fibras,
partículas ou lâminas e formação de peças de grandes dimensões, como
laminados, compensados, aglomerados e chapas de fibras;
• Biomassa para energia: uso da madeira para geração energética, como
lenha, carvão, gases e álcoois, e aproveitamento de resíduos florestais;
• Celulose e papel: processamento químico da madeira para obtenção de
fibras celulósicas para produção de papéis, polpa celulósica, fibras e
tecidos, e outros produtos com nano e microfibras de celulose.
Quanto aos produtos madeireiros, observamos várias vertentes de uso
econômico. Porém, também deve-se destacar a exploração de produtos
florestais não madeireiros (Figura 2), destacando-se:
• Extrativos: exploração de substâncias que não fazem parte da
composição estrutural da madeira e da árvore, como resinas, óleos,
taninos, látex e corantes;
• Frutos e sementes: produção de alimentos e sementes florestais, sendo
explorados frutos/frutas, polpas e sucos, castanhas e outros produtos
derivados;
• Fibras e cipós: uso de fibras naturais e cipós para artesanato;
• Palmitos, ramos, raízes e bulbos: obtenção de produtos alimentícios ou
estruturas de propagação (flores silvestres, como orquídeas);
• Plantas medicinais.
Figura 2 – Produtos florestais não madeireiros
Créditos: Bishu055; teka12; Gama PhotoVector; prapann; sik life; Nattanan Zia/Shutterstock.
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Além dos produtos da floresta, existem os serviços que as florestas
proporcionam, chamados de serviços ecossistêmicos. Esses serviços podem
incrementar a renda proveniente das florestas, conforme definido pela Lei de
Pagamento por Serviços Ambientais (Brasil, 2021), assunto que abordaremos
mais adiante.
As florestas são ecossistemas naturais essenciais no processo de
regulação ecológica de diversas espécies. Podemos observar aqui os serviços
ecossistêmicos, benefícios relevantes para a sociedade gerados pelos recursos
florestais naturais, que se relacionam com a importância social das florestas. As
florestas fornecem benefícios indiretos à sociedade, como (Brasil, 2021):
I. Serviços de suporte: mantêm a existência da vida na Terra, como
formação do solo, ciclagem de nutrientes, remoção de gases da
atmosfera, liberação de oxigênio e produção primária de biomassa;
II. Serviços de abastecimento ou provisão: fornecem bens ou produtos
utilizados para consumo ou comercialização, como produtos florestais
madeireiros ou não madeireiros, como alimentos, água, energia e matéria-
prima;
III. Serviços de regulação: existem para manutenção dos processos naturais,
como remoção de carbono da atmosfera e sua fixação (sequestro de
carbono), qualidade da água, prevenção e controle de erosão,
manutenção da fertilidade do solo e relação animais/plantas (dispersão de
frutos e sementes e polinização, por exemplo);
IV. Serviços culturais: benefícios imateriais relacionados à estética das
florestas, rituais ligados à espiritualidade, educacionais e recreativos.
Cerca de 6,05 milhões de hectares de áreas de florestas plantadas
visando a conservação desses ecossistemas foram implantados somente em
2022 (IBÁ, 2023). A proteção de áreas naturais que possuem florestas é
essencial para a perpetuação da existência desses ambientes, garantindo
serviços ambientais e produção florestal contínuos, promovendo (Carvalho,
2019):
• Plantio de espécies florestais arbóreas;
• Manejo sustentável de recursos florestais;
• Aplicação de técnicas sustentáveis de construção;
• Educação ambiental voltada para conservação da natureza;
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• Promoção de pesquisas científicas para reunir dados conservacionistas e
determinar os níveis ideais de exploração dos recursos florestais;
• Proteção florestal;
• Criação de legislação ambiental e florestal.
1.1 Definições e conceitos em florestas
Dentre as diversas definições utilizadas para compreender o
funcionamento de uma floresta para geração de produtos, é necessário
compreender alguns conceitos (Ferreira; Silva, 2008; Barcellos, 2019):
I. Povoamento completo: quando o plantio atinge um crescimento e um
desenvolvimento das árvores suficiente para que a copa do povoamento
recubra todo o solo;
II. Povoamento comercial: é todo o plantio florestal conduzido com o objetivo
de geração de um produto visando gerar renda a partir da comercialização
deste produto. Os plantios comerciais mais conhecidos são aqueles que
fornecem madeira em toras como matéria-prima para os diversos setores
da industrialização de produtos madeireiros. Também pode ser chamado
de plantio florestal comercial, floresta comercial ou floresta produtiva;
III. Povoamento equiâneo: é todo o plantio florestal em que as árvores
apresentam idades iguais. Logo, são plantadas em uma mesma época e
colhidas em um mesmo momento;
IV. Maciço de proteção: é todo plantio florestal cujo povoamento está
localizado em áreas de proteção ou preservação ambiental. Nestes casos,
estes povoamentos são responsáveis pela proteção de solos contra
erosão ou para proteção de corpos e cursos d’água. De acordo com o
Código Florestal – Lei n. 12.651 (Brasil, 2012), esses plantios são
responsáveis por formar a vegetação protetora de áreas de preservação
permanente (APP). Também é uma forma florestal conhecida como
floresta de proteção;
V. Maciço florestal de uso múltiplo: quando o povoamento florestal é
destinado a gerar diversos recursos florestais ou serviços ecossistêmicos.
Os mais utilizados são os que são responsáveis por combinar florestas
cujo manejo é destinado à geração de produtos madeireiros ou não
madeireiros, integração lavoura-pecuária-floresta em sistemas
silviculturais, agrofloresta, serviços ecossistêmicos de recreação ou
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ecoturismo e florestas que envolvem a preservação e a conservação
ambiental;
VI. Maciço não comercial: envolve aquelas florestas cujo objetivo não está
focado na produção. Podem envolver as florestas que apresentam baixa
produtividade ou que estão em locais de difícil acesso para haver
exploração. Além disso, podem incluir também as florestas protegidas por
lei ou que não devem ser exploradas, como as unidades de conservação
e demais áreas naturais protegidas;
VII. Mosaico florestal: também é chamado de maciço zebrado ou marchetado.
Envolve as florestas desenvolvidas em sistemas com plantas não
uniformes, formando faixas com diferentes espécies;
VIII. Árvores dominantes: são aquelas que crescem mais na floresta, tanto em
altura quanto em produção de copa (acabam dominando a formação do
dossel da floresta);
IX. Árvores codominantes: são aquelas que competem com as dominantes,
porém crescem menos;
X. Árvores dominadas ou intermediárias: são aquelas que crescem pouco,
menos que as dominantes, e vivem abaixo do dossel da floresta.
Comumente apresentam maior probabilidade de morrerem por essa
competição por espaço.
Diante desses pontos observados, é importante separar os conceitos
relacionados às florestas plantadas e às florestas nativas. No Quadro 1, é
possível observar as relações entre os aspectos de manejo silvicultural em cada
uma dessas formações florestais.
Quadro 1 – Elementos destacados como aspectos de manejo em diferentes
formações florestais: florestas plantadas versus florestas nativas.
Aspecto de Manejo Floresta Plantada Floresta Nativa
Alto – plano e implantação do Baixo – apenas o plano de
Investimento inicial
povoamento manejo seguido de manejo inicial
Não – pode acontecer
Necessidade de Sim – plantio de árvores em
enriquecimento da floresta com
plantio toda a área do empreendimento
sementes e mudas
Maior – pode usar todo o
Produtividade por Menor – usa o sistema em
potencial de sítio (solo, água,
sítio equilíbrio
área etc.)
Alto – facilidade de intervenção Baixo – dificuldade de
Controle da
da floresta para controle de intervenção na floresta pela sua
competição
competição heterogeneidade
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De acordo com as espécies
Limitado ao plano de manejo
Condução da floresta selecionadas, capacidade de
florestal sustentável (PMFS)
sítio e potencial criativo
Baixa – restringe-se ao material Alta – grande diversidade de
Carga genética selecionado, mas pode ser material, porém não se faz a
substituído ao fim da rotação seleção genética
Curta – com retiradas temporais
Rotação (ciclo da Longa – com retiradas temporais
ou totais de madeira de acordo
floresta) de madeira
com o sistema adotado
Fácil – povoamentos formados
Complicada – devido à
Manutenção florestal pensando-se na facilidade da
heterogeneidade do povoamento
execução das operações
Fonte: Ferreira e Silva, 2008.
Esses conhecimentos serão essenciais para definir a forma de trabalhar
a floresta para obtenção de recursos. A técnica responsável por essa finalidade
é a silvicultura.
TEMA 2 – SILVICULTURA: INTRODUÇÃO E CONCEITUAÇÃO
Como pudemos observar, as florestas são muito úteis para proporcionar
diversos benefícios, destacando os serviços ambientais e o fornecimento de
matéria-prima. Naturalmente, esse é um processo que ocorre desde o início da
evolução das plantas para formar os ecossistemas florestais. Com o passar do
tempo, os seres humanos passaram a explorar as florestas naturais, chegando
muitas vezes a interferir o suficiente nesses ecossistemas para que haja uma
redução da produção ou até mesmo o fim da geração de recursos naturais na
floresta.
Com o início dos estudos conceituais sobre florestas, principalmente
favorecidos pelo desenvolvimento de profissões que envolvem as ciências
agrárias, como Agronomia e Engenharia Florestal, foi possível desenvolver
técnicas para gerar áreas de produção de matéria-prima. Tais áreas só
passaram a ser produtivas a partir da conservação e manejo sustentável de
florestas nativas, ou pela formação de novos povoamentos florestais a partir do
plantio de espécies arbóreas em sistemas de monocultivo ou associadas a
outras espécies (vegetais ou animais). Com isso, surge, dentre outros conceitos,
a silvicultura.
Por definição, silvicultura é uma ciência baseada na aplicação de métodos
e técnicas para a formação e/ou regeneração natural de florestas, envolvendo
conceitos do manejo e produção florestal, visando o uso racional dos recursos
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florestais e o manejo sustentável das florestas (Araújo et al., 2015). Comumente,
a silvicultura é associada apenas ao desenvolvimento de novos plantios
florestais para produção de madeira, porém envolve também outros conceitos
das Ciências Florestais, como a conservação de ecossistemas, recuperação de
áreas degradadas, gestão florestal e tecnologia de produtos florestais.
2.1 Importância da silvicultura
Auxiliar o desenvolvimento de florestas, naturais ou plantadas, é um dos
objetivos da silvicultura. Como as florestas são essenciais para promover
melhorias ambientais em diversos locais, pois ajudam na proteção de áreas
naturais, favorecer a produção de árvores acaba sendo regulamentado pela
legislação ambiental e florestal.
O maior destaque da silvicultura é a promoção de reflorestamento (seja
plantios voltados para produção direta ou para recuperação ambiental) e
redução dos processos erosivos, da degradação ambiental e do
empobrecimento dos solos agricultáveis. Portanto, alguns benefícios são obtidos
a partir da aplicação da silvicultura e dentre os principais estão (RPV, 2013):
• Redução da pressão sobre florestas naturais para obtenção de produtos
florestais (madeireiros ou não);
• Dar utilidade às áreas degradadas pela conversão das florestas em outros
sistemas de uso do solo. Muitas vezes o plantio de árvores é a única
técnica possível para tornar novamente produtiva uma área degradada;
• Remoção de gases do efeito estufa da atmosfera, promovendo o
sequestro de carbono e fixação nos produtos madeireiros;
• Redução de riscos de erosão do solo, promovendo proteção do solo e dos
corpos e cursos d’água;
• Alta produtividade, pois as florestas plantadas apresentam ciclos mais
curtos de produção;
• Produção de matéria-prima mais homogênea, sendo ideais para
processamento nos diversos setores produtivos das indústrias florestais.
2.2 Técnicas da silvicultura
Para que as florestas desenvolvidas a partir da aplicação dos conceitos
da silvicultura atinjam seus objetivos, é necessário compreender como aplicar
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técnicas para a produção de recursos florestais. As principais técnicas da
silvicultura envolvem (Araújo et al., 2015):
• Promoção de programas de melhoramento genético de espécies
arbóreas: é importante destacar que estas técnicas de melhoramento são
responsáveis por promoverem a melhor forma de aumentar a
produtividade de recursos em determinada floresta. Esse aumento de
produtividade envolve a seleção de genes ideais para cada situação e
resistência a estresses ambientais, pragas e doenças;
• Viveiros florestais: aumento tecnológico da produção de mudas e
sementes a partir de viveiros florestais implementados com diversos
recursos de última geração no setor florestal. O aumento de produtividade
associado a essas técnicas está relacionado com a estrutura de irrigação,
melhores substratos e materiais reprodutivos (sementes e outros
propágulos), incentivos ao desenvolvimento de jardins clonais, adubação
e defensivos florestais;
• Manejo e conservação dos solos florestais: aplicação de um correto
programa de nutrição das plantas no povoamento, disponibilizando
nutrientes essenciais nas fases mais críticas de necessidade durante os
ciclos de desenvolvimento do plantio;
• Controle de atributos edafoclimáticos: como as florestas possuem ciclos
longos de crescimento e desenvolvimento, é necessário realizar um
controle eficiente das características meteorológicas, como o regime de
chuvas, a temperatura e a umidade relativa. Esse controle é essencial e
crucial no período de plantio das mudas, visto haver uma grande
necessidade desses atributos para que as mudas se adaptem de uma
melhor forma ao ambiente de plantio;
• Espaçamento entre plantas: as árvores são plantas de grande porte. Por
isso, é necessário disponibilizar um maior espaço para cada árvore. A
definição desses arranjos de espaçamento influencia na produção de
biomassa florestal, interferindo nas dimensões das árvores e, por fim, na
produtividade de madeira por unidade de área;
• Plano de Manejo Florestal Sustentável (PMFS): forma de produção em
florestas naturais. Envolve principalmente os conceitos conservacionistas
da floresta para que seja possível obter matéria-prima sem destruir
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completamente o ecossistema. O PMFS é baseado na recuperação
ambiental da floresta pelas relações ecológicas naturais.
2.3 Espaçamento de plantio
O espaçamento de plantio é representado pelo arranjo das árvores no
povoamento florestal. Esse espaço é essencial para reduzir questões de
competição entre as árvores para que não falte recursos para estas crescerem
no plantio. Um dos principais objetivos de se determinar espaçamentos entre
árvores é adaptá-las ao local de forma que o espaço disponibilizado proporcione
um crescimento desejado.
Na definição de como será construído um plantio florestal, determinar o
espaçamento entre árvores é uma das principais influências no desenvolvimento
da floresta. O principal objetivo dos plantios florestais é a produção de madeiras
para diversas finalidades. No Brasil, os materiais genéticos dos gêneros Pinus e
Eucalyptus são os de maior destaque na produção de madeira. No Quadro 2, é
possível observar alguns espaçamentos entre árvores praticados para produção
de madeira para diversas finalidades.
Quadro 2 – Exemplos de espaçamento entre árvores para cultivo de materiais
genéticos Eucalyptus sp. de acordo com a finalidade da madeira produzida
Número de árvores
Espaçamento Finalidade
por hectare
3,0 m x 1,5 m 2.222
3,0 m x 2,0 m 1.667 Celulose, energia e mourão
3,0 m x 2,5 m 1.333
3,0 m x 3,0 m 1.111 Celulose, energia e madeira serrada
14,0 m x 2,0 m 357 Sistema ILPF – energia e cerca
14,0 m x 4,0 m 179
Sistema ILPF – madeira serrada e laminação
18,0 m x 3,0 m 185
Fonte: Wilcken et al., 2008; Ferreira et al., 2019.
As maiores influências dos espaçamentos entre árvores em plantios
florestais para produção de madeira são (Silva, 2023):
• Influência no crescimento, ciclo florestal, práticas e tratos silviculturais
(que serão estudados nos temas seguintes), gestão florestal e qualidade
da matéria-prima;
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o Quanto maior o espaçamento, menor quantidade de biomassa será
produzida por unidade de área, porém as árvores acabam crescendo
mais, formando madeira de maiores dimensões;
o Quanto menor o espaçamento, menor será o desenvolvimento da
árvore, formando árvores de menores dimensões. Porém, haverá uma
maior quantidade de árvores por unidade de área, fazendo com que
esse número de árvores compense a menor quantidade de biomassa
individual e produza uma maior quantidade de biomassa por unidade
de área (quando comparado com os maiores espaçamentos).
• Busca por uma redução de custos de implantação e manutenção do
plantio;
• Questões como o melhoramento genético das essências florestais são
capazes de reduzir a variabilidade na produtividade de madeira.
TEMA 3 – PRÁTICAS SILVICULTURAIS
As práticas silviculturais, também conhecidas como tratos silviculturais,
são técnicas aplicadas nas florestas para aumentar ao máximo a produtividade
do povoamento e evitar que as plantas diminuam a taxa de crescimento,
aumentando assim o suprimento de produtos da floresta. Quando aplicadas as
práticas silviculturais, é possível obter madeira de melhor qualidade, agregando
valor aos produtos obtidos das florestas.
As práticas silviculturais envolvem as técnicas desde o plantio até a
manutenção da floresta. Porém, na literatura são abordadas como as principais
práticas silviculturais: desbastes e desramas (podas). Estas duas práticas
influenciam diretamente o crescimento das árvores, afetando a qualidade e a
quantidade de madeira produzida pela floresta, sendo então valorizado o produto
final (Cunha Neto et al., 2019).
3.1 Plantio e seus cuidados
A implantação é a principal das práticas silviculturais, pois corresponde às
primeiras etapas de formação das florestas para a produção. As práticas
silviculturais referentes às etapas de plantio de árvores envolvem o seguinte
cronograma operacional (Sturion; Bellote, 2000; Ferreira; Silva, 2008):
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I. Demarcação da área: separação da área em diferentes seções. Estas
seções podem ser chamadas de talhões, que passam a ser as unidades
produtivas da floresta. Esta separação é formada por aceiros e estradas,
ações ligadas à proteção florestal para evitar e controlar incêndios;
II. Limpeza do terreno: retirada das impurezas do terreno, principalmente
eliminando pedras, resíduos e a vegetação previamente existente na
área. É uma etapa que pode ser realizada manualmente ou com uso de
maquinário específico;
III. Controle de formigas: após o plantio das mudas, as formigas passam a
ser inimigos diretos da floresta, pois interferem diretamente no aumento
da mortalidade das plantas. No Tópico 4, será debatido como pode ser
feito o controle de formigas;
IV. Preparo do solo: é a etapa que ajuda no desenvolvimento inicial das
mudas. Espera-se que as árvores de espécies de rápido crescimento se
desenvolvam melhor em solos preparados. O solo da floresta pode ser
preparado por aração ou gradagem, mas também pode ser realizada a
abertura de covas. Esta etapa é ideal para locais com solos compactados;
V. Escolha do espaçamento: relacionado com a forma de arranjo da floresta.
O espaçamento é determinado de acordo com: propósito do plantio,
disponibilidade de condições favoráveis para realizar desbastes e
desramas (características observadas a seguir), material genético a ser
plantada, possibilidade de mecanização das operações e nutrição do solo.
No Tópico 2, foi debatido sobre o espaçamento de plantio;
VI. Método de plantio: a escolha de como será realizado o plantio depende
de fatores relacionados com a disponibilização de mão de obra, relevo e
declividade e o tipo de solo da área. As peculiaridades relacionadas aos
métodos de plantio podem ser observadas nas características
apresentadas no Quadro 3.
Quadro 3 – Peculiaridades relacionadas aos métodos de plantios de
povoamentos florestais
Características dos
Observações
métodos de plantio
I. Plantio manual: o plantio é feito em covas previamente abertas.
Métodos de plantio Ocorre em local com alta declividade e com condições que não
permitem a entrada de máquinas. Esse método envolve o
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plantio manual e os cuidados também são manuais, como a
adubação.
II. Plantio semimecanizado: o plantio é feito nos sulcos abertos no
processo de preparo do solo. A adubação é realizada no
momento da abertura dos sulcos. O plantio é feito
manualmente.
III. Plantio mecanizado: a produção dos sulcos e o plantio são
realizados utilizando plantadeira, que prepara o solo, adiciona a
adubação e, por fim, a muda.
• Preferencialmente em dias chuvosos;
Épocas de plantio
• Caso seja em período de estiagem, é necessário proceder com
ideais
irrigação para melhor sobrevivência das mudas.
• Atentar para o tamanho e idade das mudas para cada propósito;
• As mudas devem ser levadas a campo e plantadas no mesmo
Características das dia, para evitar ressecamento e morte;
mudas • Retirar o saco plástico das mudas;
• Manter o torrão no momento do plantio, que não deve ficar
exposto nem ter o caule recoberto.
• Objetivo: manter o número de árvores desejado no povoamento
e reduzir a irregularidade de altura das plantas;
• Avaliação do sucesso de sobrevivência das mudas.
Normalmente utiliza-se o parâmetro de 10% do total de mudas
Replantio
para realizar o replantio;
• As mudas do replantio devem ter mesma idade e tamanhos que
as plantadas anteriormente, para que não haja muita diferença
de tamanho das plantas.
Fontes: Sturion e Bellote, 2000; Ferreira e Silva, 2008.
VII. Adubação: deve ser realizada em conjunto com o plantio. Dessa forma, é
possível obter melhores resultados iniciais do plantio. São utilizados
fertilizantes químicos, porém podem ser adicionados adubos e outros
substratos orgânicos. É necessário realizar uma avaliação prévia do solo
para determinar as necessidades nutricionais da área, bem como saber
quais são as necessidades de cada espécie. A partir daí, é possível saber
qual a melhor forma de realizar a adubação.
VIII. Controle de matocompetição: consiste em uma das principais práticas
culturais de proteção após o plantio das mudas. No Tópico 4, será
debatido como pode ser feito o controle da matocompetição.
3.2 Desbaste
Desbaste é uma forma de tratamento de um plantio florestal que possui a
finalidade de melhorar a produção de madeira em qualidade e quantidade ideais
(Pires et al., 2018). No desbaste, são selecionadas árvores que serão cortadas
por não apresentarem crescimento satisfatório ou estarem mortas, para
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aumentar a produtividade do povoamento, visando reduzir a competição entre
as árvores e aumentar o desenvolvimento das árvores remanescentes.
Apesar de serem altamente aplicados nos plantios florestais, a realização
de desbastes apresenta uma série de implicações. As principais vantagens e
desvantagens dos desbastes estão descritas no Quadro 4.
Quadro 4 – Vantagens e desvantagens de realizar desbastes em plantios
florestais
Vantagens Desvantagens
Proporcionar possíveis danos físicos às
Eliminar árvores defeituosas (malformadas,
árvores remanescentes pela derrubada das
baixo crescimento, doentes e mortas)
árvores desbastadas
Selecionar as árvores com melhores Diminuir a uniformidade da floresta, deixando
características, sendo estas selecionadas as árvores remanescentes susceptíveis a
para programas de melhoramento genético influências ambientais (ventos, por exemplo)
Facilitar o acesso às diversas áreas do Impactar o solo em questão da derrubada e
plantio para a realização das atividades de quantidade de material inflamável no chão
manejo florestal da floresta
Fontes: Ribeiro et al., 2002; Barcellos, 2019.
Em florestas plantadas, as práticas silviculturais de desbaste podem ser
de dois tipos (Sixel, 2008):
I. Desbaste sistemático: quando a retirada das árvores ocorre de forma
ordenada. Exemplos deste tipo de desbaste podem ser observados na
Figura 3: mantém uma linha e retira da próxima, e assim sucessivamente;
retira as linhas pares e mantém as ímpares; ou retira uma a cada duas
linhas de plantio. Outras formas de sistematizar os desbastes podem ser
aplicadas.
Figura 3 – Exemplos de realização de desbastes sistemáticos em povoamentos
florestais: o x representa a linha selecionada para realização do desbaste
Fonte: Silva, 2024.
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As principais características desse tipo de desbaste são:
• Não é necessário realizar uma avaliação prévia no plantio, pois as árvores
serão retiradas independentemente de sua produção;
• É recomendado para povoamentos uniformes, com poucas diferenças
entre as árvores;
• As principais vantagens são: facilidade de execução, redução de custos
de colheita e redução no tempo de execução, pois não há necessidade de
fazer uma avaliação prévia das árvores a serem cortadas;
• A principal desvantagem é a redução da produtividade do povoamento,
pois podem ser selecionadas árvores bem desenvolvidas, resultando em
menores valores no futuro.
II. Desbaste seletivo: quando a retirada das árvores ocorre a partir da
observação de determinada característica. Por exemplo: se há uma
grande necessidade de exploração de árvores maiores no plantio
(situação incomum, pois quanto maior a produção, mais tempo se deixará
a árvore em campo), estas serão derrubadas no desbaste seletivo (Figura
4A); ou quando há a necessidade de retirada de árvores que não estão
contribuindo com a produtividade do povoamento, pois estão com
crescimento inferior ao desejado (dominadas ou defeituosas) ou estão
mortas (Figura 4B).
Figura 4 – Exemplos de realização de desbastes seletivos em povoamentos
florestais: o x representa a linha selecionada para realização do desbaste. A –
Seleção de árvores que mais cresceram; B – Seleção de árvores dominadas
(pouco crescimento) ou mortas
Fonte: Silva, 2024.
17
As principais características desse tipo de desbaste são:
• Retirada de árvores que reduzem a produtividade do plantio, mas que
ainda estão em competição com as árvores sadias;
• É necessário realizar uma avaliação prévia do plantio para decidir quais
árvores estão mortas ou com baixo crescimento e precisam ser retiradas
do povoamento;
• As principais vantagens são: são retiradas apenas as árvores que não
estão contribuindo positivamente para a produtividade e liberando espaço
para que as árvores produtivas se desenvolvam mais;
• A principal desvantagem é em relação ao tempo e ao custo de execução,
gastos com a pré-avaliação do plantio para seleção das árvores que serão
desbastadas.
3.3 Desrama
A desrama consiste no processo de eliminação de galhos e ramos.
Nesses casos, há uma retirada de parte da árvore que acaba consumindo
energia para desenvolvimento, concentrando os processos fisiológicos da árvore
no crescimento em altura e diâmetro. A partir daí, passamos a observar a
formação de um “fuste limpo”, cujo tronco está livre de ramificações.
Apesar de ser uma técnica ideal para a produção de madeira, alguns
cuidados devem ser observados para realizar a desrama. A técnica deve ser
realizada visando uma menor produção de nós na madeira. Em geral, os nós são
imperfeições que reduzem a qualidade da madeira e são causados pela junção
dos galhos no fuste, passando por processos de cicatrização após a retirada das
ramificações. Outras vantagens e desvantagens podem ser observadas no
Quadro 5.
Quadro 5 – Vantagens e desvantagens de realizar desrama em plantios florestais
Vantagens Desvantagens
Melhoria do balanço da evapotranspiração das Redução das reservas orgânicas imediatas
árvores, em especial, em sítios em que existe das árvores em função da remoção dos
déficit hídrico. galhos.
Incremento imediato de matéria orgânica no
Diminuição dos reguladores de
solo a partir dos ramos e das folhas
crescimento da árvore.
removidas.
Melhoria da qualidade da madeira (pela efetiva Impacto negativo no crescimento da
redução dos nós). árvore.
18
Aumento da probabilidade de aparecimento
Redução da conicidade do fuste. de doenças e pragas por meio das injúrias
promovidas pela operação da desrama.
Fonte: Barcellos, 2019.
A desrama pode ser de dois tipos (Barcellos, 2019):
I. Desrama natural: quando as árvores perdem naturalmente seus galhos,
seja por questões próprias da espécie ou por sombreamento (que causa
a morte e consequente queda dos galhos inferiores). Espécies de
Eucalyptus sp. costumam ter essa característica, cujos povoamentos com
esses materiais acabam reduzindo a necessidade de realizar desramas
artificiais;
II. Desrama artificial: aplicação de técnicas de poda para redução da
quantidade de galhos, com o objetivo de melhorar a qualidade da madeira
produzida. A desrama artificial pode ainda ser dividida de acordo com
outras características, como:
• Em função da época:
a. Desrama de seca: ocorre no período de menor produção da planta,
quando há menor precipitação e a planta precisa reduzir a atividade
metabólica. Porém, é necessário realizar uma poda leve para não
prejudicar o crescimento da árvore;
b. Desrama de chuva: ocorre no período de maior atividade metabólica
da árvore, quando há uma recuperação mais rápida. No entanto, é
necessário atentar aos cuidados para não deixar as árvores
suscetíveis ao surgimento de pragas e doenças.
• Em função da atividade metabólica dos galhos:
a. Desrama de galhos vivos: retirada de galhos com diâmetro menor
do que 4 cm para facilitar o processo de cicatrização;
b. Desrama de galhos mortos: limpeza do fuste também para
influenciar no processo de cicatrização e evitar a formação de nós
maiores;
• Em função da altura dos galhos:
a. Desrama baixa: aplicada a uma altura máxima de 2,5 m do fuste,
podendo ser realizada manualmente com ferramentas simples
(Figura 5A). Ocorre nos primeiros anos após o plantio;
19
b. Desrama média: aplicada a uma altura entre 2,5 m e 4 m do fuste,
podendo ser realizada utilizando extensões nos equipamentos de
corte (Figura 5B). Ocorre após a desrama baixa, com a árvore um
pouco mais velha;
c. Desrama alta: aplicada a partir dos 4 m, sendo necessário utilizar
equipamentos e técnicas específicas, como escadas e outras
extensões (Figura 5C), para garantir o alcance dos galhos mais altos
e favorecer a segurança do operador.
Figura 5 – Métodos de desrama em função da altura dos galhos. A – Desrama
baixa com ferramentas simples; B – Desrama média com extensão das
ferramentas; C – Desrama alta com uso de escadas
Créditos: Natallia Melnychuk; BearFotos; Ben Romalis/Shutterstock.
TEMA 4 – PRÁTICAS CULTURAIS E DE PROTEÇÃO FLORESTAL
As práticas culturais, também conhecidas como tratos culturais, têm como
objetivo a proteção dos povoamentos florestais, reduzindo a competição com
organismos considerados daninhos e pragas florestais. Segundo Ramos et al.
(2006), as principais práticas culturais e de proteção de povoamentos florestais
envolvem o controle de plantas daninhas, controle de formigas e adubação de
cobertura.
4.1 Controle de plantas daninhas
As plantas que não fazem parte do interesse de produção da floresta
podem ser consideradas “daninhas” por reduzirem o suprimento de recursos na
floresta, formando uma matocompetição entre elas e as árvores de interesse.
Essa competição se dá por todos os recursos, principalmente em questão de
espaço, água, luz e nutrientes, e pode provocar interferências a partir de
20
processos ecológicos como a alelopatia (quando as plantas disponibilizam
substâncias no ambiente que interferem no crescimento das outras plantas
próximas).
A matocompetição causa diversas interferências no plantio, sendo as
principais (Schumacher et al., 2017):
• Formação de um estrato denso de sub-bosque, dificultando várias
atividades, como deslocamentos na floresta e localização de elementos
daninhos, como formigueiros;
• Redução da eficiência da adubação de cobertura;
• Interferência no crescimento inicial das mudas plantas, podendo inclusive
causar alto índice de mortalidade;
• Interferência na produtividade da floresta;
• Aumento da necessidade de replantio para substituir as mudas mortas ou
com mau desenvolvimento inicial.
O controle de plantas daninhas nos povoamentos florestais pode ser
realizado por três métodos (Ramos et al., 2006; Schumacher et al., 2017):
I. Trato cultural manual: retirada da matocompetição por meio de roçada ou
capina. Pode-se remover todas as plantas daninhas das linhas e
entrelinhas, mas é mais comum realizar o coroamento das plantas (Figura
6A). Coroamento é uma prática que visa a remoção da vegetação ao redor
das mudas ou plantas, deixando um espaço livre de matocompetição para
que a planta do povoamento se desenvolva bem;
II. Trato cultural mecânico: aplicação do processo de gradeamento para
retirada das plantas (Figura 6B);
III. Trato cultural químico: aplicação de produtos químicos herbicidas (Figura
6C), sendo a forma mais aplicada em plantios já desenvolvidos.
21
Figura 6 – Métodos de controle de matocompetição. A – Manual (coroamento);
B – Mecânico (gradagem); C – Químico (aplicação de herbicida)
Créditos: Garth Helms; Djara/Shutterstock.
Crédito: Maria De Fatima Marques Medeiros Corradini/IA.
4.2 Controle de formigas
Dentre as várias pragas que podem causar danos econômicos à produção
de matéria-prima florestal, as formigas são as de maior interesse de controle. O
controle de formigas é essencial, pois a introdução de novas plantas em uma
área fornece alimento para esses insetos, que prontamente atacam as mudas,
reduzindo a produção de biomassa e, posteriormente, matando as plantas.
Em comparação com o controle de outras pragas, o controle de formigas
é responsável por mais de 3/4 (75%) dos gastos (Schumacher et al., 2017). Essa
etapa deve ser realizada logo após a limpeza do terreno para retirada da
matocompetição, sendo priorizada antes do plantio de novas mudas.
No controle desta praga, podem-se utilizar iscas granuladas […] com
princípio ativo sulfuramida, em razão da sua maior facilidade de
manuseio, do maior rendimento operacional em áreas limpas e da
baixa toxicidade ao ambiente.
Não é recomendado aplicar a isca em períodos chuvosos e deve-se
evitar o contato com as mãos para não alterar as propriedades atrativas
da mesma.
O consumo de 53 iscas depende da infestação dos formigueiros na
área; normalmente, se aplicam 6 a 10 g de isca por m² de terra solta
ou 10 g de isca por formigueiros inferiores a 1 m². (Schumacher et al.,
2017, p. 52-53)
4.3 Adubação de cobertura e de manutenção
A adubação de cobertura é utilizada em plantios que necessitam de
reforço nutricional para o desenvolvimento inicial das plantas. Não é aplicada na
maioria dos pequenos e médios plantios, visto que acaba por aumentar os custos
de implantação da floresta.
22
Essa prática é indicada para realização em um período de cerca de 30 a
60 dias após o plantio das mudas, sendo o adubo adicionado próximo à base da
planta (Bellotte et al., 2008). Ramos et al. (2006) sugerem uma aplicação de
cerca de 100 a 120 g de ureia por planta.
Como a maior parte dos nutrientes principais (N, P e K) é disponibilizada
em outras etapas de adubação e fertilização, faz-se necessário disponibilizar
outros elementos essenciais para as plantas. Essa nova implementação de
nutrientes é realizada pela adubação de manutenção para fornecer
macronutrientes (K, Ca e Mg) e micronutrientes (B, Cu e Zn), com o povoamento
entre dois e três anos após a implantação. Para solos ácidos e com baixa
disponibilidade desses elementos, “recomenda-se aplicar juntamente com o K o
calcário dolomítico, em uma dosagem aproximada de duas toneladas por
hectare, sendo realizada essa aplicação nas entrelinhas de plantio. Atualmente,
a adubação é feita a lanço e na área de projeção da copa” (Schumacher et al.,
2017, p. 53).
TEMA 5 – SISTEMAS DE MANEJO SILVICULTURAL DE FLORESTAS
O manejo florestal é uma técnica voltada para a condução e produção
florestal, com o objetivo de gestão sustentável das florestas para geração de
benefícios ambientais e socioeconômicos. A definição do sistema de manejo
determina as potencialidades da floresta (natural ou plantada) para obtenção de
produtos madeireiros ou não madeireiros, realizando uma rotatividade para
garantir a conservação dos recursos naturais e o desenvolvimento de nova
produção florestal.
Dentre os vários sistemas silviculturais existentes, a escolha deve
considerar a obtenção dos produtos. Os principais sistemas praticados no Brasil
são o sistema de alto fuste ou corte raso, a talhadia e o enriquecimento.
5.1 Sistema de alto fuste ou corte raso
No sistema de alto fuste, também conhecido como corte raso ou
corte/reforma da floresta, a vegetação da área é totalmente substituída por
plantios florestais, com o principal objetivo de obtenção de madeira. Indicado
para locais pouco produtivos em que não é possível manejar os povoamentos
para condução das rebrotas (Ataíde, 2012). Dessa forma, todas as árvores são
exploradas (Figura 7), podendo haver substituição de material genético na
23
condução seguinte. É recomendado para locais pouco produtivos e que
dificultam a realização de desbastes.
Figura 7 – Esquema básico de sistema de corte raso de um povoamento florestal
Créditos: intararit/Shutterstock.
Para o desenvolvimento da floresta a partir do sistema de manejo de alto
fuste, “são necessários apenas tratos culturais à formação da floresta (preparo
do solo, plantio, irrigação, adubação, controle de pragas, doenças e da
matocompetição) e obtém-se normalmente somente um produto com o corte
raso da floresta” (Sixel, 2008). Segundo Scolforo e Maestri (1998), as principais
características desse sistema são:
• Produção de toras de menores diâmetros, com maior produção de
madeira por unidade de área, ideal para os setores de polpa celulósica,
papel, produção de painéis de madeira e energia de biomassa florestal;
• Não é necessária a realização de desbaste ou desrama até o corte final
da floresta, retirando-se todas as árvores de determinada área de
produção, técnica conhecida como corte raso;
• Após a coleta de todas as árvores, promove-se o replantio para gerar um
novo ciclo de produção;
• Atentar para o material deixado na área, muitas vezes é necessário retirar
os tocos que ficam após o corte, portanto, recomenda-se fazer o corte das
árvores o mais próximo possível do solo;
24
• Pode-se fazer o replantio nas entrelinhas para evitar a interferência dos
resíduos das árvores cortadas, que geralmente têm as raízes deixadas na
área, dependendo da capacidade de rebrota dos tocos, pode-se fazer a
condução por talhadia.
5.2 Sistema de talhadia
O principal objetivo do sistema de talhadia é conduzir o crescimento da
rebrota após o corte, iniciando um novo ciclo de produção (Figura 8). Este
sistema é indicado para povoamentos cuja espécie (ou material genético)
possua capacidade de rebrota, como no caso do eucalipto (Eucalyptus sp.)
(Ataíde, 2012).
Figura 8 – Rebrota das árvores a partir de toco cortado para produção de
madeira
Créditos: Peter/Adobe Stock.
Cabe destacar algumas questões deste sistema:
• Redução de custos de plantio, visto que não será necessário o plantio de
novas mudas e demais custos associados;
• Recomendado para locais cujo material genético é adequado para
favorecer a rebrota, porém, as árvores tendem a crescer menos,
produzindo toras de menores diâmetros.
O sistema de talhadia pode ser dividido em três tipos (Ataíde, 2012):
25
I. Talhadia simples: realização de corte raso em cada ciclo de corte,
removendo excesso de brotos. Neste caso, a regeneração da floresta vem
totalmente da rebrota das árvores cortadas (são excluídas novas
regenerações e crescimento de novas plantas fora das cepas), formando
um novo povoamento equiâneo;
II. Talhadia de seleção: quando há uma grande diversidade de árvores na
floresta, possuindo diferentes espécies, idades e dimensões. Neste caso,
há um corte de árvores selecionadas, visando a obtenção dos produtos
sem deixar os solos totalmente descobertos, promovendo uma maior
conservação do solo. Este método é pouco aplicado no Brasil;
III. Talhadia composta: formação de uma floresta mista. As árvores crescem
a partir das rebrotas das cepas e regeneração natural das plantas. Neste
caso, há a formação de uma floresta com no mínimo dois estratos: um de
árvores maiores, que não foram exploradas anteriormente e faziam parte
da regeneração natural da área; e outro menor proveniente das brotações
das cepas.
Como observado, o sistema de talhadia é totalmente dependente da
capacidade de rebrota das árvores. Dessa forma, Ataíde (2012) faz algumas
recomendações sobre o manejo de rebrota da floresta:
• Garantir que a espécie escolhida tenha alta capacidade de rebrota;
• Plantas jovens tendem a apresentar maior capacidade de rebrota, sendo
então o sistema de talhadia recomendado para povoamentos com no
máximo 8 anos;
• A rebrota ocorre com maior eficiência em períodos chuvosos, logo evitar
fazer o corte das árvores em períodos de seca prolongada ou de inverno
rigoroso;
• Fazer o corte das árvores com cuidado, atentando para a altura adequada
para o manejo da rebrota;
• Realizar a desbrota (retirada das brotações que não são de interesse para
o crescimento da floresta) criteriosamente;
• Acrescentar a adubação de manutenção do povoamento e realizar outras
práticas culturais, principalmente retirada de plantas daninhas e controle
de formigas.
26
5.3 Sistema de enriquecimento
Como o próprio nome sugere, o sistema de enriquecimento tem como
objetivo adicionar novas plantas a um povoamento já estabelecido. Dessa forma,
é possível enriquecer com outras espécies, aumentando a riqueza e a
diversidade da floresta. Essas novas espécies podem possuir características
ecológicas de interesse florístico e/ou características produtivas de interesse
comercial.
As principais características do sistema de enriquecimento são (Ataíde,
2012):
• O plantio é realizado em espaços disponíveis na floresta, principalmente
em áreas de clareira (Figura 9A) ou nas bordas (Figura 9B);
Figura 9 – Plantio de mudas visando enriquecimento da floresta. A – Em
clareiras; B – Em áreas próximas à borda
Créditos: Nick Beer; Petra/Adobe Stock.
• Pode ser aplicado em florestas que não possuem características
satisfatórias para se desenvolverem naturalmente por meio dos processos
de regeneração;
• Aumenta a produtividade de florestas que possuem deficiência em
espécies produtivas comercialmente;
• Como o objetivo é adicionar novas espécies na floresta, é o sistema ideal
para ser utilizado em processos de recuperação ambiental de florestas
degradadas ou para adicionar árvores em florestas secundárias no
processo ecológico.
27
FINALIZANDO
Chegamos ao final desta etapa, na qual pudemos conhecer muitos temas
importantes e interessantes. Nesta oportunidade, foi possível discutir
brevemente sobre a importância das florestas e como podemos produzir a partir
desses ecossistemas.
Além disso, foram abordadas temáticas relacionadas à silvicultura, sua
importância e técnicas aplicadas na implantação de povoamentos florestais,
desde o plantio até as práticas culturais de manutenção desses plantios.
Por fim, abordamos sobre sistemas de manejo silviculturais da floresta
visando uma maior geração de produtos de melhor qualidade. Encerramos aqui
esta parte do estudo.
Esperamos que tenham assimilado o assunto discutido nesta etapa.
28
REFERÊNCIAS
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produção de mudas florestais e unidades de conservação ambiental. São Paulo:
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30