Reprodução assistida
Útero de substituição
Felippe Sismotto, Erick Kuga, Felipe Saad
O útero de substituição consiste no processo de uma mulher gerar um bebê em seu
útero para outra pessoa. A prática se tornou cada vez
mais utilizada pela medicina reprodutiva para viabilizar o
sonho de muitas famílias de terem um filho e embora
tenha muitas vezes seu conceito utilizado como sinonimo
para barriga de aluguel, na verdade, se remete a
processos distintos.
No útero de substituição, um bebê é gerado em
um útero “emprestado”, sem envolvimento comercial ou
fins lucrativos. Dessa forma, o indivíduo que cede
temporariamente seu útero não pode cobrar ou receber nenhuma quantia em troca, diferente
de países como a Índia que comercializa o processo e é conhecida mundialmente como a
“fábrica de bebês”, pela grande quantidade de procedimentos realizados.
O processo é comumente utilizado ao redor do mundo em casos de mulheres com
ausência de útero, defeitos congênitos, doenças com alto risco de morte durante a gestação,
casais homoafetivos, homens solteiros, entre outros. Atualmente, mulheres que não
conseguem gerar seus próprios filhos se remetem a esses procedimentos, com o objetivo de
eliminar o sentimento de impotência e frustração.
A mídia nos dias de hoje vem abordando
cada vez mais sobre o assunto, o que influencia as
mulheres que ainda estão indecisas sobre a
adoção do procedimento. Pela facilidade com que
o tema é tratado nas telenovelas de grande
repercussão no país, muitas vezes é criado uma
utopia, que acaba se tornando uma ilusão nas
telespectadoras, uma vez que, na realidade, o
processo não funciona como mostrado na ficção.
O Brasil ainda não possui legislação específica acerca do tema, perdendo para muitos países
que já regulamentarizam todo o procedimento.
A possibilidade de realizar a prática hoje em dia significa a evolução do pensamento
tradicional de diversas maneiras. Devido a
realização destes procedimentos, mulheres
que apresentam problemas médicos que
impedem a fertilidade, ao utilizarem do
útero de substituição, tem a possibilidade
de criar um filho. Além disso, mulheres de
faixa etária superior que possuem
insuficiências férteis, também podem
muitas vezes, realizar seus desejos de
conceber uma criança. A evolução de métodos como esse também pode significar o
levantamento de questionamentos biologicos, uma vez que isso pode contradizer a seleção
natural, e questionamentos éticos e religiosos, visto que a procriação é um tema muito
delicado.
Visto isso é notável que os avanços científicos dos métodos de reprodução assistida,
apesar de ainda não regulamentarizados no país, impactam a sociedade cada vez mais e criam
maior possibilidade de decisão para futuras mães, porém também maiores conflitos éticos
impulsionados pelas diversas perspectivas desse assunto delicado.