Tributação na Pecuária: Planejamento Eficaz
Tributação na Pecuária: Planejamento Eficaz
rural
RESUMO
O presente artigo tem como principal objetivo evidenciar as formas de tributação aplicadas ao
setor rural demonstrando a diferença entre a tributação pessoa física e jurídica, a fim de
demonstrar o regime tributário menos oneroso para o produtor rural, seja ele pessoa física ou
pessoa jurídica. O procedimento metodológico utilizado para elaboração do trabalho foi a
pesquisa bibliográfica, que se deu a partir de livros, sites e artigos científicos publicados e
analisados a fim de responder à pergunta em questão, acerca da tributação na pecuária de modo
a apresentar o regime menos oneroso. O agronegócio é o setor que mais se desenvolveu nos
últimos anos e consequentemente a figura do contador é de extrema importância para
elaboração e apuração dos impostos devidos de acordo com cada tipo de atividade. Com isso
faz-se necessário um estudo aprofundado no assunto para apresentar ao produtor rural os
diversos tipos de tributação. Portanto, conclui-se que a forma de tributação aplicadas ao
produtor rural pessoa jurídica possuem alíquotas elevadas, não sendo favorável para o produtor
rural que busca uma redução dos tributos. Sendo assim, o regime tributário menos oneroso é a
tributação pelo Imposto de Renda Pessoa Física, pois essa busca uma redução nos tributos e
também o controle de suas atividades é feito de maneira simplificada.
1
Discente do 8° período curso de Ciências Contábeis pela Faculdade de Jussara – FAJ. E-mail:
rackelferreira3@[Link].
2
Professora na Faculdade de Jussara – FAJ. Graduação em Zootecnia, Mestre em Produção Animal, Doutoranda
em Produção Animal, especialista em Gestão ambiental e Agropecuária Sustentável. orientadora. E-mail:
gracielecaetano@[Link].
ABSTRACT
The main objective of this article is to highlight the forms of taxation applied to the rural sector,
demonstrating the difference between individual and corporate taxation, in order to demonstrate
the least onerous tax regime for rural producers, whether individuals or legal entities. The
methodological procedure used to prepare the work was bibliographic research, which took
place from books, websites and scientific articles published and analyzed in order to answer the
question in question, about taxation in livestock in order to present the least costly regime.
Agribusiness is the sector that has developed the most in recent years and, consequently, the
figure of the accountant is extremely important for the elaboration and calculation of taxes due
according to each type of activity. Therefore, a thorough study on the subject is necessary to
present the different types of taxation to the rural producer. Therefore, it is concluded that the
form of taxation applied to the rural producer legal entity has high rates, not being favorable
for the rural producer that seeks a reduction of taxes. Therefore, the least onerous tax regime is
taxation by the Individual Income Tax, as this seeks a reduction in taxes and also the control of
its activities is done in a simplified manner.
1 INTRODUÇÃO
2 AGRONEGÓCIO BRASILEIRO
Pena (2020), afirma que, esse setor da economia envolve uma cadeia de atividades que
inclui a produção agrícola (cultivo de culturas como o café, algodão, pecuária, etc.), a demanda
por adubos e fertilizantes, o desenvolvimento de maquinários agrícolas, a industrialização de
produtos do campo (como óleos, cigarros, café solúvel, entre outros) e o desenvolvimento de
tecnologias para dinamizar todas essas atividades.
O autor ainda afirma que o agronegócio não está totalmente relacionado com o campo,
ele se baseia também no meio urbano sendo um dos vetores de promoção da subordinação das
atividades rurais à dinâmica das cidades.
Desse modo, Araújo (2017 p. 13) afirma que:
No início das civilizações, os homens viviam em bandos, nômades de acordo com a
disponibilidade de alimentos que a natureza espontaneamente lhes oferecia.
Dependiam da coleta de alimentos silvestres, da caça e da pesca. Não havia cultivos,
criações domésticas, armazenagem e tampouco trocas de mercadorias entre bandos.
Assim, passavam por períodos de fartura ou de carestia. Em cada local em que o bando
se instalava, a coleta, a caça e a pesca, fáceis no início, ficavam cada vez mais difíceis
e distantes, até um momento em que as dificuldades para a obtenção de alimentos se
tornavam tão grandes que os obrigavam a mudar sempre de lugar, sem fixação de
longo prazo.
2.1 PECUÁRIA
A pecuária é uma atividade econômica voltada para a criação de gado em áreas rurais e
tem como finalidade a produção de alimentos para o consumo humano e outras matérias primas.
A pecuária é considerada umas das atividades mais antigas da humanidade (MUNIZ, 2019).
Assim, de acordo Freitas (2020) a pecuária exerce grande relevância no segmento das
exportações brasileiras, além de abastecer o mercado interno. A pecuária é uma atividade
econômica e é desenvolvida em áreas rurais com objetivo na criação de animais (como gado)
com o intuito de comercializá-los, gerando renda e suprindo as necessidades do produtor.
Gomes (2020, p.3) afirma que “do ponto de vista do manejo e gestão, a pecuária passa
por constante evolução, migrando para uma atividade cada vez mais profissional, alinhada com
preceitos de bem-estar animal e segura do ponto de vista sanitário”.
Gomes (2020, p.4) ainda enfatiza que “no que tange a qualidade da carne, a atividade é
cada vez mais estimulada a se atentar às exigências do mercado consumidor, seja pela própria
frigorífica, seja pela iniciativa governamental”.
Com isso, a produção da pecuária é destinada a criação e reprodução de animais visando
sempre a comercialização para fins econômicos.
A pecuária de corte teve início na época do descobrimento do Brasil com a chegada dos
primeiros bovinos trazidos pelos colonizadores portugueses.
Um dos setores que mais tem crescido economicamente nos últimos anos é o setor
agropecuário. De acordo com dados do Embrapa (2014), a pecuária de corte tem se destacado
nos últimos 15 anos na economia e no comércio internacional.
Segundo Ferreira e Zanine (2007) apud Estanislau e Cançado Junior (2000), a pecuária
de corte brasileira se baseia na exploração extensiva das pastagens com baixos níveis
zootécnicos e de produtividade.
De acordo com dados extraídos do Animal Business Brasil (2018), no Brasil possui mais
de 215 milhões de cabeças de gado e com isso se tornou o maior rebanho comercial do mundo.
Desde o ano de 2004 assumiu posição de destaque no comercio mundial de carne bovina e hoje
é o maior exportador do produto. Gerando receita anual que ultrapassa US$ 5 bilhões de vendas.
O Brasil atualmente exporta carne para mais de 140 diferentes mercados, mesmo destinando
aproximadamente 80% de sua produção para o abastecimento do mercado interno.
Portanto, o sistema da pecuária de corte baseia-se em três fases, sendo elas: cria (desde
a cobertura da vaca até a fase de desmana), recria (entre as fases desmama e terminação) e
terminação (fase de engorda). A utilização do confinamento permite a redução da idade dos
abates dos animais, passando a produzir a carne de maior qualidade, bem como o retorno do
capital investido em curto prazo de tempo e descansando as áreas de pastagens durante a seca
(SENAR, 2018).
Freitas (2020, texto online), afirma que:
Pecuária de corte consiste na criação de animais com o objetivo de fornecer carne. Na
produção extensiva, os animais são criados soltos em grandes áreas, alimentam-se de
pastagens e não recebem maiores cuidados, em contrapartida, na intensiva os animais
são manejos em pequenos recintos com dieta à base de rações balanceadas especificas
para engorda [...].
Desse modo, será detalhado em seguida cada uma dessas duas modalidades.
De acordo com dados extraídos do SENAR (2018), a pecuária representa uma das
atividades econômicas mais importantes do Brasil. Esse setor terá de aumentar gradativamente
devido ao crescimento de demanda no mundo. Portanto, uma das maneiras de poder gerenciar
o aumento dessa demanda é adotando a terminação em animais de confinamento. Visto que a
prática do confinamento permite atender a demanda dos frigoríficos, construída de animais
jovens bem acabados e cabe ao produtor estar atento ao sistema produtivo e econômico,
objetivando o sucesso na atividade.
Muniz (2019, texto online), conceitua pecuária intensiva como:
O valor do imposto devido pela empresa se refere ao cálculo da alíquota efetiva. Para o
cálculo é necessário observar a receita bruta dos últimos 12 meses, a alíquota nominal e o valor
da parcela a deduzir, essa parcela a deduzir tenta amenizar a passagem de uma faixa para outra.
Dessa forma, se a faturamento é tributado pelo anexo I, observa-se a faixa para aplicar o
percentual e gerar o imposto devido.
Na tabela 2 podemos observar o percentual de repartição dos tributos que são compostos
na guia do Das. Essas alíquotas viriam de acordo com o seu faturamento.
Marion (2019, p. 200) define lucro presumido como, “uma modalidade simplificada
para determinação da base de cálculo do imposto de renda das pessoas jurídicas”.
Com base no Portal Tributário (201?), lucro presumido é a sistemática é utilizada para
presumir o lucro da pessoa jurídica a partir de sua receita bruta e outras receitas sujeitas a
tributação. Nessa modalidade o IRPJ e a CSLL são apurados trimestralmente. A legislação
determina que sejam aplicados percentuais de presunção de lucratividade sobre a receita bruta
para determinar a base de cálculo do Lucro Presumido. Após presumir o lucro são aplicados os
percentuais de IRPJ e CSLL.
O lucro presumido é um regime de tributação facilitado por ser devido o cálculo de
tributação ser feita de forma presumida de acordo com sua receita. Esse percentual varia
conforme a atividade desenvolvida, sendo de 1,6% a 32%. As alíquotas incidentes sobre a
receita bruta nesse regime de tributação variam de acordo com cada ramo de atividade
desenvolvida na propriedade. Exemplos: revenda de combustíveis é 1,6%, indústria e comércio
é 8% e as empresas que prestam serviços é de 32%.
Para ser optante pelo Lucro Presumido a empresa deve ter faturamento bruto inferior a
R$ 78.000.000,00 no exercício anterior.
Portanto, após presumir o lucro serão aplicados os percentuais, apurado trimestralmente
e recolhido em uma guia cujo vencimento se dá ao último dia útil ao mês subsequente da
apuração.
Lucro Real é a base de cálculo para a apuração do Imposto de Renda Pessoa Jurídica
(IRPJ) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) da pessoa jurídica.
Conforme Marion (2019, p. 195)
O Lucro Real é definido como o resultado (Lucro ou Prejuízo) do período de
apurações (antes de computar a provisão para o imposto de renda), ajustado pelas
adições, exclusões e compensações autorizadas pela legislação do imposto de renda.
No regime de tributação Lucro Real, os impostos são calculados sobre o lucro líquido
contábil do exercício, devendo considerar os valores de ajustes (positivos e negativos),
conforme permitidos por lei (JORNAL CONTABIL, 2019).
Esse regime possui alíquota fixa de 15% incidente sobre a base de cálculo.
As empresas tributadas pelo Lucro Real podem determinar o lucro contábil com base
em balanço trimestral ou anual. Se a empresa optar pela forma trimestral, os períodos serão
encerrados em, 31 de março, 30 de junho, 30 de setembro e 31 de dezembro, ficando suspenso
do recolhimento do IRPJ e CSLL nos dois primeiros meses de cada apuração (JORNAL
CONTABIL, 2019).
Diversas empresas não fazem um levantamento sobre qual regime tributário escolher e
qual trará mais benefícios para a empresa.
O regime de tributação Lucro Real é o mais burocrático por ser o mais detalhado e rígido
nas exigências do fisco.
3.1.4 Imposto de Renda Pessoa Física
Para esse regime tributário, utiliza-se como base de cálculo para a apuração do Imposto
de Renda, as receitas e despesas do produtor no exercício anterior ao ano da declaração. O
resultado da apuração receita (-) despesas é aplicado a alíquota e encontra-se o valor do imposto
devido.
Nascimento (2020), afirma que, a pessoa jurídica possui uma personalidade jurídica
diferenciada e apesar dessa diferenciação entre empresa e sócios responsáveis, os indivíduos
responsáveis pela entidade podem responder juridicamente em casos de fraudes cometidos pela
pessoa jurídica. Este fenômeno é chamado despersonalização ou desconsideração da pessoa
jurídica.
Como demonstrado no decorrer do trabalho, as alíquotas aplicadas ao produtor rural
pessoa jurídica são bem elevadas e com isso torna-se a opção mais onerosa aplicadas a esse
setor. Haja vista que, a opção mais vantajosa para o produtor rural é a tributação pelo Imposto
de Renda Pessoa Física, pois além de demonstrar uma redução nos tributos e despesas, esse
regime aplica o controle de sua atividade de maneira simplificada.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Sabe-se que desde os primórdios faz-se necessário o uso e plantio da terra como meio
de sobrevivência. Sendo assim, com o avanço acelerado da tecnologia as empresas
agropecuárias e até mesmo o pequeno produtor passaram a ter necessidade de um equipamento
mais adaptado aumentando seu índice de lucratividade.
O espaço rural deixou de ser um lugar atrasado e se tornou um lugar de constante
desenvolvimento. Com isso teve a necessidade de desenvolver um controle mais adaptado e
específico de acordo com o tipo de atividade desenvolvida no âmbito rural, tornando essencial
a figura do contador para elaboração dos impostos e divulgação de relatórios contábeis, a fim
de suprir as necessidades do produtor rural.
Podemos observar que a elaboração do planejamento tributário é de suma importância
para o produtor, devendo ser escolhido com muita atenção a fim de apresentar com clareza os
lucros auferidos na propriedade. Sendo assim, é possível identificar as formas de tributação
aplicadas ao produtor rural pessoa física e jurídica, demonstrando a tributação menos onerosa
ao produtor rural.
Portanto, é possível identificar que as alíquotas aplicadas ao produtor rural pessoa
jurídica possuem um percentual elevado, gerando maior gasto com impostos e com isso torna-
se a forma de tributação mais onerosa ao produtor. Sendo assim, o regime tributário menos
oneroso aplicado ao setor rural é a tributação pelo Imposto de Renda Pessoa Física, pois essa
utiliza de forma simplificada o controle de suas atividades e busca uma redução nos tributos.
REFERÊNCIAS
CASTRO, Fábio Avila de. Imposto de renda da pessoa física: comparações internacionais,
medidas de progressividade e redistribuição. 2014. xvii, 115 f. il. Dissertação (Mestrado em
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CIRILLO, Bruno. Agronegócio cresce, reduz tombo da economia e deve ser motor da
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CREPALDI, Silvio Aparecido. Contabilidade Rural: uma abordagem decisorial. 2. ed. São
Paulo: Atlas, 1998.
CREPALDI, Silvio. Planejamento Tributário: teoria e prática. 3. ed. São Paulo: Saraiva
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FRANK, Ana Cláudia. Planejamento tributário para o produtor rural. Disponível em:
[Link]
Acesso em: 13 set. 2020.
MARION, José Carlos. Contabilidade da pecuária. 10. ed. – São Paulo: Atlas, 2012.
PORTO, Edson Marcos Viana; GONÇALVES, Valdir Dias. Agronegócio. A empresa rural.
Montes Claros-MG, 2011. Disponível em: <[Link]
Acesso em: 15 out. 2020.
RESUMO
ABSTRACT
Accounting history is intertwined with that of humanity itself, and taxes have always had a
prominent place in a nation's social and economic growth. For companies, it is necessary to
3
Aluno do 8° período do Curso de Ciências Contábeis da Faculdade de Jussara – FAJ. E-mail:
igorgomes.m5m44@[Link]
4
Professor Graduado em Ciências Econômicas pela Faculdade Alves Faria (ALFA), Mestrando em Gestão
Empresarial pela universidade de Lusófona (POR), MBA em Finanças Empresarias, MBA de Gestão Empresarial
- GAP Goiânia. Perito e assistente judicial para casos econômicos e financeiros. E-mail:
edson@[Link]
develop, study and choose the best possible form of taxation, so that there is no unnecessary
burden. The purpose of this article is to analyze how tax planning can help companies in
decision making, so that the best choice can actually legally reduce their tax burden. In Brazilian
tax accounting, there are several taxation regimes, among which are Real Profit and Presumed
Profit, being two very common regimes. The technical procedures of bibliographic and
documentary research were used, in particular the research in magazines of great circulation
and published scientific articles. In order to achieve the objectives of the work, the qualitative
and quantitative approaches of the information collected are used together.
1 INTRODUÇÃO
As civilizações antigas já faziam uso da contabilidade, sendo, portanto, uma das ciências
mais antigas da humanidade. Tais civilizações mantinham os registros contábeis, esboçando
técnicas existentes atualmente. Todavia, tais técnicas e registros eram mantidos de forma
sigilosa nos livros contábeis, podendo ser acessadas apenas pelo empreendedor (CREPALDI,
2013, p. 15).
Responsável por dispor de informações e orientações para a tomada de decisões dos
empresários e/ou administradores, a contabilidade deve estar presente em todos os
empreendimentos, para que diante do registro contábil sejam emitidos relatórios periódicos que
demonstrem a realidade da empresa, a sua saúde contábil. A saber, tais registros e relatórios,
devem respeitar as normas próprias aplicáveis ao caso concreto, em especial, às normas do
Conselho Federal de Contabilidade e a legislação brasileira (FABRETTI, 2009, p. 25).
Em suma, a contabilidade deve ser considerada como “a ciência que estuda, registra, e
controla o patrimônio e as mutações que nele operam os atos e fatos administrativos,
demonstrando no final de cada exercício social o resultado obtido e a situação econômica
financeira da entidade” (FABRETTI, 2009, p. 07). A principal finalidade da contabilidade é
controlar as movimentações que ocorrem no patrimônio de uma empresa, entidade, de um
cliente no geral. Tais informações são de interesse de todos os envolvidos, ou seja, dos
administradores, investidores, clientes, fornecedores, bancos, financeiras, dentre outros
(FRANCO, 2009, p. 63).
O governo também possui interesse na vida contábil das organizações e é através da
Legislação Tributária que verifica a regularidade fiscal e as demais informações econômicas
pertinentes (CREPALDI, 2013, p. 23). Dentro da contabilidade existem diversos ramos, os
quais se destacam a contabilidade tributária e fiscal. A primeira “é o ramo contabilidade que
tem por objetivo aplicar na prática conceitos, princípios e normas básicas da contabilidade e da
legislação tributária, de forma simultânea e adequada” (FABRETTI, 2009, p. 05). Já a segunda
“é a obrigação das empresas prestarem informações exigidas pelos órgãos governamentais, ou
seja, a contabilidade fiscal operacionaliza a escrituração dos fatos geradores de obrigações
tributárias” (CAMBRUS, 2017, p. 17).
3 SISTEMA TRIBUTÁRIO NACIONAL – CONCEITOS PERTINENTES
Art. 3º - Tributo como toda prestação pecuniária compulsória, em moeda cujo valor
nela se possa exprimir, que não constitua sansão de ato ilícito, instituída em Lei e
cobrada mediante atividade administrativa plenamente vinculada.
Art. 4º - A natureza jurídica do tributo é determinada pelo fato gerador da respectiva
obrigação, sendo irrelevantes para qualificação: I – a denominação e demais
características formais adotadas pela lei; II – a destinação legal do produto da sua
arrecadação (BRASIL, 1966).
Entende-se por imposto a “obrigação tem por fato gerador uma situação independente
de qualquer atividade estatal específica, relativa ao contribuinte”, conforme dispõe o artigo 16
do Código Tributário Nacional. Os impostos podem ser de competência da União, dos Estados
e dos Municípios.
São impostos federais, destinados ao governo federal: Imposto sobre Operações
Financeiras (IOF); Imposto sobre Importação (II); Imposto sobre Produtos Industrializados
(IPI); Imposto sobre a Renda da Pessoa Física (IRPF); Imposto sobre a Renda da Pessoa
Jurídica (IRPJ); Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS); Programa
de Integração Social (PIS); Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL); Fundo de
Garantia do Tempo de Serviço (FGTS); e, Instituto Nacional do Seguro Nacional (INSS).
Os impostos estaduais os quais se destinam ao governo do estado são: Imposto sobre
Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS); Imposto sobre a Propriedade de Veículos
Automotores (IPVA); e, o Imposto sobre a Transmissão Causa Mortis e Doação (ITCMD). Os
impostos de competência municipal por sua vez, aqueles destinados ao governo municipal, são:
Imposto sobre a Propriedade Predial e Territorial Urbana (IPTU); Imposto de Transmissão de
Bens Imóveis (ITBI); e, Imposto sobre Serviços (ISS).
Em suma os impostos são fontes permanentes de captação de recursos financeiros da
Administração Pública, e todas as pessoas, sejam elas física ou jurídica, são obrigadas ao efetivo
pagamento de impostos, salvo exceções previamente determinadas (FABRETTI, 2008, p. 51).
Além dos impostos, os tributos são formados pela taxa e pela contribuição de melhoria.
Neste sentido, entende-se por taxa o tributo vinculado, em que apenas será devido pelo
contribuinte quando houver prestação de serviço, por parte do ente instituidor da referida taxa,
são os termos do artigo 77 do CTN.
Art. 77 - As taxas cobradas pela União, pelos Estados, pelo Distrito Federal ou pelos
Municípios, no âmbito de suas respectivas atribuições, têm como fato gerador o
exercício regular do poder de polícia, ou a utilização, efetiva ou potencial, de serviço
público específico e divisível, prestado ao contribuinte ou posto à sua disposição
(BRASIL, 1966).
Art. 81. A contribuição de melhoria cobrada pela União, pelos Estados, pelo Distrito
Federal ou pelos Municípios, no âmbito de suas respectivas atribuições, é instituída
para fazer face ao custo de obras públicas de que decorra valorização imobiliária,
tendo como limite total a despesa realizada e como limite individual o acréscimo de
valor que da obra resultar para cada imóvel beneficiado (BRASIL, 1966).
Entende-se por Lucro Real o lucro líquido de um período que é verificado através da
escrituração contábil, demonstrando a real situação da empresa, ajustado pelas devidas
exclusões, adições e compensações autorizadas pela legislação pertinente ao Imposto de Renda.
É, portanto, “aquele que é realmente apurado pela contabilidade, com base na completa
escrituração contábil fiscal, com a estrita e rigorosa observância dos princípios de contabilidade
e demais normas fiscais e comerciais” (OLIVEIRA et al, 2013, p. 189).
Embora possua variação, podendo ser escolhido ou não o Lucro Real como forma de
tributação, algumas empresas são obrigadas a utilizá-lo, nos termos do artigo 59 da Instrução
Normativa RFB nº 1700, de 14 de março de 2017 (INRFB nº 1700/2017):
Art. 59. São obrigadas ao regime de tributação do IRPJ com base no lucro real as
pessoas jurídicas:
I - cuja receita total no ano-calendário anterior tenha excedido o limite de R$
78.000.000,00 (setenta e oito milhões de reais) ou de R$ 6.500.000,00 (seis milhões e
quinhentos mil reais) multiplicado pelo número de meses de atividade no período,
quando inferior a 12 (doze) meses;
II - cujas atividades sejam de bancos comerciais, bancos de investimentos, bancos de
desenvolvimento, agências de fomento, caixas econômicas, sociedades de crédito,
financiamento e investimento, sociedades de crédito imobiliário, sociedades
corretoras de títulos, valores mobiliários e câmbio, distribuidoras de títulos e valores
mobiliários, empresas de arrendamento mercantil, cooperativas de crédito, empresas
de seguros privados e de capitalização e entidades de previdência privada aberta;
III - que tiverem lucros, rendimentos ou ganhos de capital oriundos do exterior;
IV - que, autorizadas pela legislação tributária, usufruem de benefícios fiscais
relativos à isenção ou redução do imposto;
V - que, no decorrer do ano-calendário, tenham efetuado pagamento mensal pelo
regime de estimativa, na forma prevista nos arts. 33 e 34;
VI - que exploram as atividades de prestação cumulativa e contínua de serviços de
assessoria creditícia, mercadológica, gestão de crédito, seleção e riscos, administração
de contas a pagar e a receber, compras de direitos creditórios resultantes de vendas
mercantis a prazo ou de prestação de serviços (factoring); ou
VII - que exploram as atividades de securitização de créditos imobiliários, financeiros
e do agronegócio.
§ 4º São obrigadas ao regime de tributação do IRPJ com base no lucro real as pessoas
jurídicas que exploram atividades de compra de direitos creditórios, ainda que se
destinem à formação de lastro de valores mobiliários.
Art 7º - O lucro real será determinado com base na escrituração que o contribuinte
deve manter, com observância das leis comerciais e fiscais.
§ 4º - Ao fim de cada período-base de incidência do imposto o contribuinte deverá
apurar o lucro líquido do exercício mediante a elaboração, com observância das
disposições da lei comercial, do balanço patrimonial, da demonstração do resultado
do exercício e da demonstração de lucros ou prejuízos acumulados. (BRASIL, 1977)
O Lucro Real Trimestral se refere à tributação do lucro apurado a cada três meses, de
modo que durante um exercício fiscal a empresa encerra quatro períodos. Neste caso o Imposto
de Renda (IRPJ) e a Contribuição Social (CSLL) devem ser recolhidos também quatro vezes,
pois se trata de recolhimento obrigatório ao final de cada trimestre (BALBINOT, 2014, p. 30).
No Lucro Real Anual os impostos são recolhidos com base em estimativas mensais,
reduzindo ou suspendendo-os. Tal opção de tributação possui o período específico de primeiro
de janeiro a trinta e um de dezembro, devendo recolher o imposto mensalmente, determinando
o Lucro Real anualmente e permanecendo na mesma opção tributária por todo o exercício, não
sendo permitida a mudança (OLIVEIRA et al, 2013, p. 190).
Os ajustes legais para apuração do Lucro Real são as adições, exclusões e compensações.
Conforme dispõe o artigo 61 da Instrução Normativa RFB nº 1700, de 14 de março de 2017:
Art. 61. Lucro real é o lucro líquido do período de apuração antes da provisão para o
IRPJ, ajustado pelas adições, exclusões ou compensações prescritas ou autorizadas
pela legislação do IRPJ.
§ 1º Resultado ajustado é o lucro líquido do período de apuração antes da provisão
para a CSLL, ajustado pelas adições, exclusões ou compensações prescritas ou
autorizadas pela legislação da CSLL.
§ 2º A determinação do lucro real e do resultado ajustado será precedida da apuração
do lucro líquido de cada período de apuração com observância das disposições das
leis comerciais. (BRASIL, 2017)
Quanto às adições, dois são os tipos: as despesas contabilizadas e que não foram aceitas
pelo fisco e aquelas receitas obrigatórias pelo fisco, mas que não estão contabilizadas nas
receitas (CAMBRUS, 2017, p. 29). Neste sentido dispõe o artigo 6º do Decreto-Lei nº 1.598,
de 26 de dezembro de 1977:
As exclusões são os valores que não estão na composição da base de cálculo, são as
receitas contabilizadas na apuração e não tributáveis de acordo com o fisco, com o fito de
diminuir a base de cálculo.
Art. 63. Na determinação do lucro real e do resultado ajustado poderão ser excluídos
do lucro líquido do período de apuração:
I - os valores cuja dedução seja autorizada pela legislação do IRPJ ou da CSLL e que
não tenham sido computados na apuração do lucro líquido do período de apuração; e
II - os resultados, os rendimentos, as receitas e quaisquer outros valores incluídos na
apuração do lucro líquido que, de acordo com essa mesma legislação, não sejam
computados no lucro real ou no resultado ajustado.
Por fim, no que se refere aos ajustes legais, tem-se as compensações, as quais devem ser
consideradas como o prejuízo fiscal ocorrido em períodos anteriores, de modo que a
compensação seja limitada a porcentagem legal do lucro líquido regulado pelas adições e
exclusões. Neste sentido dispõe o artigo 64, e seu parágrafo único, da INRFB nº 1700/2017, in
verbis:
Art. 64. O lucro líquido, depois de ajustado pelas adições e exclusões prescritas ou
autorizadas pela legislação do IRPJ, poderá ser reduzido pela compensação de
prejuízos fiscais de períodos de apuração anteriores em até, no máximo, 30% (trinta
por cento) do referido lucro líquido ajustado, observado o disposto nos arts. 203 a 213.
Parágrafo único. O lucro líquido, depois de ajustado pelas adições e exclusões
prescritas ou autorizadas pela legislação da CSLL, poderá ser reduzido pela
compensação de bases de cálculo negativas da CSLL de períodos de apuração
anteriores em até, no máximo, 30% (trinta por cento) do referido lucro líquido
ajustado, observado o disposto nos arts. 203 a 213.
Art. 13. A pessoa jurídica cuja receita bruta total no ano-calendário anterior tenha
sido igual ou inferior a R$ 78.000.000,00 (setenta e oito milhões de reais) ou a
R$ 6.500.000,00 (seis milhões e quinhentos mil reais) multiplicado pelo número de
meses de atividade do ano-calendário anterior, quando inferior a 12 (doze) meses,
poderá optar pelo regime de tributação com base no lucro presumido.
§ 1° A opção pela tributação com base no lucro presumido será definitiva em relação
a todo o ano-calendário.
§ 2° Relativamente aos limites estabelecidos neste artigo, a receita bruta auferida no
ano anterior será considerada segundo o regime de competência ou de caixa,
observado o critério adotado pela pessoa jurídica, caso tenha, naquele ano, optado pela
tributação com base no lucro presumido.
Assim, por óbvio, estão obrigadas à utilização do Lucro Real aquelas pessoas jurídicas
que possuam a receita total no ano-calendário anterior maior que R$78.000.000,00 (setenta e
oito milhões de reais), conforme artigo 14, inciso I, do mesmo dispositivo legal.
A forma de apuração através do Lucro Presumido ocorre trimestral ou mensalmente,
possuindo como base de cálculo a receita bruta. O objetivo é o lucro, portanto, é necessário que
se presuma o lucro obtido ao findar do trimestre. Importante salientar que a referida presunção
se dá por percentuais previamente fixados em lei, que variam em decorrência da atividade da
empresa (CAMBRUS, 2017, p. 34-35).
Neste sentido, importa salientar a forma do cálculo do Imposto de Renda através do
Lucro Presumido, in verbis:
Trata-se de uma forma de facilitar o processo de apuração tributária uma vez que as
alíquotas são fixas, e, por vezes menores que no caso do Lucro Real. O fato de não demandar
obrigações acessórias em demasia, como acontece no Lucro Real, o processo de fiscalização
contábil se torna mais fácil e rápido.
Uma forma licita de reduzir a carga fiscal, o que exige alta dose de conhecimento
técnico e bom senso dos responsáveis pelas decisões estratégicas no ambiente
corporativo. Trata-se do estudo prévio á concretização dos fatos administrativos, dos
efeitos jurídicos, fiscais e econômicos de determinada decisão gerencial, com o
objetivo de encontrar a alternativa legal menos onerosa para o contribuinte
(OLIVEIRA 2004, p. 38).
Tal planejamento pode ser feito não apenas por empresas de grande porte, como também
pelas empresas de pequeno e médio porte. A diferença vai existir na forma de execução do
referido planejamento tributário. O desenvolvimento deste mecanismo organizacional possui
três níveis: a) o nível estratégico, em que os diretores da empresa definem o que vai ser feito,
trata-se de metas e decisões em longo prazo; b) o nível tático, onde os gestores esquematizam
a forma de fazer, são metas e decisões em médio prazo; e, c) o nível operacional, onde os
colaboradores de fato executam as ações necessárias para alcançar o objetivo base do
planejamento tributário no dia a dia da empresa (ANDRADE, 2012, p. 12-13).
Neste sentido, o planejamento tributário é uma maneira de analisar diversos meios e
alternativas legais, antes da ocorrência do fato gerador do imposto, que possibilite ao
contribuinte menor incidência tributária.
5 CONSIDERAÇÕES FINAIS
6 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
______. NBR 15287: informação e documentação – projeto de pesquisa. Rio de Janeiro: ABNT,
2011.
______. Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966. Dispõe sobre o Sistema Tributário Nacional e
institui normas gerais de direito tributário aplicáveis à União, Estados e Municípios. Disponível
em:<[Link] Acesso em: 22 ago. 2020.
CREPALDI, Silvio Aparecido. Auditoria Contábil. 9º Ed. São Paulo: Atlas, 2013.
FABRETTI, Laúdio Camargo. Código Tributário Nacional Comentado. 8. Ed., rev, e atual
com a LC nº 118/05- São Paulo: Atlas, 2008.
______. Contabilidade Tributária. 11. Ed.- 2. Reimpr.: São Paulo: Atlas, 2009.
FRANCO, Hilário. Contabilidade geral. 23º. Ed. 12 reimpr., São Paulo: Atlas, 2009.
OLIVEIRA, Luis Martins de. et al. Manual de Contabilidade Tributária. 3. Ed. São Paulo:
Atlas, 2004.
OLIVEIRA, Luis Martins de. et al. Manual de Contabilidade Tributária. 12. Ed., São
Paulo, Atlas, 2013.
Volume 1, Número 04, 2020
Cost accounting: relevance and influence on company management and assistance in business
decision making
Criada com o intuito de avaliar os estoques, a contabilidade de custos sofreu uma grande
evolução ao longo do tempo. Hoje, ganhou espaço e importância, passando a ser utilizada como
ferramenta de controle, redução de custos, análise dos resultados e instrumento de auxílio na
tomada de decisão. A contabilidade de custos é um ramo da ciência contábil, que gera
informações para diversos setores, e se estende em qualquer ramo, visto que se tem
detalhamento e apropriação adequados através dos métodos de custeio. Diante disso, as
empresas precisam aderir ferramentas que forneçam informações para tomada de decisão, e a
contabilidade de custos, através da classificação adequada dos gastos interfere diretamente no
resultado final. Por meio da análise dos custos, as empresas apresentam estratégias mais
definitivas, pois proporciona uma visão geral e exata dos gastos, garante uma visibilidade maior
quanto aos aspectos econômicos e financeiros da empresa, pois através dela é possível prever
os períodos de maiores e menores gastos no futuro, permitindo ajustes e planejamento quanto
ao seu gerenciamento, além de contribuir na formação de preço. Representando um instrumento
de apoio à gestão dos negócios, e atuando como suporte ao planejamento, disponibilizando
dados necessários de forma decisiva para o sucesso da empresa, fornecendo informações
econômicas e financeiras para seus usuários, a contabilidade de custos é a chave para tomada
de decisões nas empresas. Nesse contexto, o estudo teve como objetivo demonstrar como a
contabilidade de custos pode auxiliar na economicidade dos processos e ainda auxiliar na
tomada de decisão, através de uma revisão bibliográfica.
5
Aluna do 8° período do Curso de Ciências Contábeis da Faculdade de Jussara – FAJ. E-mail:
elzavitoria360@[Link]
6
Professor Contador, Bacharel em Ciências Contábeis, Técnico em administração - IF Goiano, Especialista em
Gestão Empresarial: Controladoria e Finanças.- Especialista em Contabilidade, Perícia e Auditoria. E-mail:
clesiomarsilva@[Link]
Volume 1, Número 04, 2020
ABSTRACT
Brought with the objective of evaluating stocks, cost accounting has undergone a great
evolution over time. Today, it has gained space and importance, being used as a control tool,
cost reduction, analysis of results and aid in decision making. Cost accounting is a branch of
accounting science, which generates information for several sectors, and extends in any branch,
since it has adequate details and appropriation through costing methods. Therefore, companies
need to adhere to tools that provide information for decision making, and cost accounting,
through the proper classification of expenses directly interferes with the final result. Through
cost analysis, companies present more definitive strategies, because it provides an overview
and accurate of expenses, ensures greater visibility regarding the economic and financial
aspects of the company, because through it is possible to predict the periods of higher and lower
expenses in the future, allowing adjustments and planning regarding its management, besides
contributing to the price formation. Representing an instrument to support business
management, and acting as planning support, providing data needed decisively for the success
of the company, providing economic and financial information to its users, cost accounting is
the key to decision making in companies. In this context, the study aimed to demonstrate how
cost. accounting can assist in the economics of processes and also assist in decision making,
through a literature review.
1 INTRODUÇÃO
aos tipos de atividades, tem como característica principal “oferecer ao gestor a capacidade de
gerar informações que permitam o planejamento das ações no ambiente operacional e,
consecutivamente, medir os efeitos desse planejamento nos diversos setores da organização”
(PINTO et al., 2018, p. 17).
Por todos esses aspectos, a contabilidade de custos garante uma visibilidade maior
quanto aos aspectos econômicos e financeiros da empresa, pois através dela é possível prever
os períodos de maiores e menores gastos no futuro, permitindo ajustes e planejamento quanto
ao seu gerenciamento.
Seguindo esse conceito, Pinto et al. (2018) definem as terminologias mais usadas na
contabilidade de custos como:
➢ Gasto: Aquisição de um bem ou serviço havendo o reconhecimento contábil da dívida ou
da redução do ativo dado em pagamento. Além disso, representa tanto um custo como uma
despesa. São exemplos; gasto com mão de obra, gasto com aquisição de mercadoria para
Volume 1, Número 04, 2020
revenda, gasto com aquisição de matéria-prima, gasto com energia elétrica, aluguel,
comissão sobre venda.
➢ Desembolso: representa a saída financeira da empresa seja ela à vista ou a prazo, e pode
ocorrer antes, durante ou após a entrada do bem ou serviço comprado. Pagamento de uma
fatura é um exemplo de desembolso, porém, na compra a prazo, o gasto ocorre de imediato,
já o desembolso ocorrerá somente no pagamento.
➢ Investimento: Gastos com bens e serviços em função de um benefício futuro. Considera-
se investimentos sacrifícios devido aquisição de ambos que incluem os ativos da empresa
para baixa ou amortização de sua venda, consumo, desaparecimento ou desvalorização.
São classificados em;
a) Circulantes, estoque de matéria-prima e produtos para revenda.
b) Permanentes, aquisição de máquinas, equipamentos e instalações.
➢ Custo: Impactam no resultado de forma direta e são responsáveis pela geração de receita
representando o custo da mercadoria vendida, custo dos produtos vendidos ou custo dos
serviços prestados. Também é considerado como gasto, mas só é reconhecido como custo
no momento da fabricação de um produto ou execução de um serviço integrando o valor
do produto fabricado, portanto, gastos acumulados para executar uma atividade, adquirir
uma mercadoria e fabricar um produto. São exemplos todos os custos relacionados a
fábrica; salários dos colaboradores, matéria-prima utilizada no processo produtivo,
mercadorias para revenda, combustíveis e lubrificantes usados nas máquinas, aluguéis e
seguros do prédio, depreciação dos equipamentos, gastos com manutenção das máquinas.
➢ Despesa: Não é relacionada ao processo produtivo e tem como finalidade obter receita, ou
seja, são gastos com bens e serviços consumidos direta ou indiretamente, e está relacionada
ou não com a operação dos negócios provocando redução no patrimônio. São exemplos de
despesa; salários e encargos sociais dos colaboradores de vendas, e administrativo, energia
elétrica, conta telefônica aluguel e seguro do administrativo e vendas.
➢ Perda: Gastos não intencionais decorrentes de fatores externos como incêndio, obsoletismo
de estoques, enchente, furto. Atividades produtiva normal da empresa como restos de
matérias que são descartados na fabricação do produto, considerada como perda necessária.
Sendo assim, o custo está presente nas decisões mais simples à mais complexa, tendo
um impacto direto ou indireto. Não há como tomar uma decisão sem analisar os custos
envolvidos, pois o seu comportamento é um fator determinante do resultado final. (COSTA,
2019).
Volume 1, Número 04, 2020
➢ Custos semifixos: ou custo misto possuem uma parcela fixa e outra variável. Quando é
possível medir a parte variável, podemos citar como exemplo a energia elétrica, sendo a
parcela fixa aquela utilizada para iluminação da fábrica e a variável aplicada diretamente na
produção.
➢ Custos semivariáveis: ou custo misto são os custos variáveis que possuem uma parcela fixa,
como por exemplo a mão de obra aplicada diretamente na produção variando conforme a
quantidade produzida e a mão de obra fixa sendo da supervisão da fábrica, pois pode
envolver mais de um setor.
Para Pinto et al. (2018), todas essas classificações são importantes para que a
contabilidade de custos atinja seus objetivos principais: determinar o lucro, o controle das
operações e a tomada de decisão sobre algum objeto de custo.
Segundo Ribeiro (2018, p. 31):
O custo dos produtos vendidos compreende a soma dos gastos com materiais, mão de
obra e gastos gerais de fabricação aplicados ou consumidos na fabricação e vendidos
pela empresa. Após encerrado o processo de fabricação, os produtos acabados são
transferidos da área de produção para o setor responsável pela estocagem de produtos
acabados, permanecendo estocados até que sejam vendidos. Os produtos acabados
recebem como custo toda a carga dos custos diretos e indiretos, incorridos durante
todo o processo de fabricação dos respectivos produtos. Os produtos que tiverem seus
processos de fabricação iniciados em períodos anteriores e encerrados no período
atual, receberão cargas de custos proporcionais ao processo de fabricação, em cada
um dos períodos durante os quais estiverem em fabricação. Essas cargas de custos são
atribuídas no final de cada período, para que os referidos produtos inacabados possam
ser devidamente avaliados, para integrar os estoques finais de produtos em elaboração
no término de cada um desses períodos.
semelhantes, pois poderá manter em estoque os materiais que serão consumidos ou aplicados
na prestação de serviço (RIBEIRO, 2018).
4 MÉTODOS DE CUSTEIO
Com isso, para Bornia (2002, p. 52), “o sistema de custeio deve estar em sintonia e
adaptado ao sistema de gestão da empresa, possibilitando fornecer informações que indicam
decisões corretas, diante do atual ambiente competitivo”. Os métodos de custeio são definidos
em diferentes formas nas quais uma entidade pode agregar os custos ao preço de venda de seu
produto, com o objetivo de fazer a distinção entre custos fixos e variáveis, apurar o custo
unitário e estabelecer o preço de venda de seu produto fabricado (STARK, 2010).
Nesse sentido, Pinto et al. (2018) afirmam que o sistema de contabilidade de custos
geralmente acumula custos com alguma classificação de sistema de acumulação de custo; por
produto ou serviço final, por departamento ou por atividade que transforme os produtos, ou por
contas contábeis. Depois aloca esses custos a algum método.
Nesse tipo de método os custos (ou despesas), sejam eles diretos ou indiretos, fixos ou
Volume 1, Número 04, 2020
variáveis, são utilizados para apuração do custo unitário dos produtos e serviços finais. Se torna
exigido critérios como o de rateio, pois são utilizados gastos indiretos fixos que não são
identificados facilmente, inclusive as denominações de alocação ou apropriação de custos
indiretos aos produtos (PADOVEZE, 2010).
A palavra absorção é utilizada há muito tempo, basicamente em função da ideia de que,
após apurado o custo unitário dos produtos e serviços com os custos diretos e
variáveis, há a necessidade de que os produtos e serviços também absorvam os demais
custos indiretos para que se tenha uma ideia do custo unitário total, ou seja, um valor
do custo unitário com todos os custos apropriados aos produtos e serviços
(PADOVEZE, 2010, p. 285).
Logo, Martins (2018, p. 188) ressalta que, o custeio por absorção “é influenciado pelo
volume de produção; seu montante, aliás, depende diretamente não só das receitas e volume
produzido no período, mas também da quantidade feita no período anterior, já que isso afeta o
custo unitário do estoque que passa a ser baixado no período seguin0te”.
De acordo com Pinto et al. (2018), o custeio variável surgiu em razão do gestor solicitar
informações mais pertinentes ao processo gerencial. Nele os custos são classificados em fixos
e variáveis, mas somente os custos variáveis são alocados aos produtos, e os custos fixos são
relacionados como despesas do período.
Primeiramente, o custeio variável não é reconhecido pelo fisco, contadores, e auditores
independentes, pois, os princípios contábeis atualmente aceitos, não aprovam o uso de
demonstrações de resultados e de balanços avaliados à base desse método. Algumas empresas
consideram esse método mais eficiente, visto que, englobam os custos fixos contabilmente
como despesas. A legislação fiscal não impede a utilização do custeio variável durante o
período, somente é obrigatório a adoção dos métodos definidos nas demonstrações de fim de
cada período. Sendo assim, basta realizar lançamentos de ajustes para que seja formalizado
conforme critérios exigidos (MARTINS, 2018).
Para Pinto et al. (2018, p. 40):
A principal ideia do método variável ou direto é separar os custos variáveis, juntando a
eles as despesas variáveis, indicando com clareza quais os gastos próprios de cada
produto ou serviço, antes da incidência dos custos e das despesas fixas requisitadas
pela organização. Separa-se, portanto, o que realmente pertence a cada produto e varia
conforme sua quantidade (custos variáveis) e o que pertence à capacidade estrutural
da organização e que, portanto, independentemente da quantidade produzida (custos
fixos). Assim, o gestor consegue calcular quanto os produtos e serviços contribuíram
para que a empresa possa cobrir seus gastos fixos e, ainda, remunerar os investidores.
Volume 1, Número 04, 2020
Portando, Martins (2018, p. 186), reafirma que, “só são apropriados aos produtos os
custos variáveis, ficando os fixos separados e considerados como despesas do período, indo
diretamente para o resultado; para os estoques só vão, como consequência, custos variáveis”.
Além disso, proporciona uma análise mais próxima do processo produtivo auxiliando em uma
avaliação de desempenho setorial.
Vendas brutas
(-) Impostos, devoluções, abatimentos
(=) Vendas líquidas
(-) Custos variáveis
(-) Despesas variáveis
(=) Margem de contribuição
(-) Custos fixos
(-) Despesas fixas
(=) Resultado operacional
(+/-) Resultado financeiro
(+/-) Perdas e ganhos não operacionais
(=) Lucro antes do imposto de renda e contribuição social
(-) Imposto de renda e contribuição social
(=) Lucro líquido
Tabela 2: DRE custeio variável
Fonte: PINTO et al. (2018, p. 41)
Do ponto de vista de Crepaldi (2009, p. 224), “uma vez que os custos variáveis são
inevitavelmente necessários, sua dedução da receita identifica a Margem de contribuição do
produto, sem nenhuma interferência de manipulação devido aos critérios de rateio dos custos
fixos”. Com isso, é possível identificar a quantidade de unidades que devem ser vendidas para
que o projeto seja facultado e forneça informações gerenciais para que se tenha um vínculo
entre o lucro e o volume de produção.
Marques (2013, p. 63), define a margem de contribuição (MC), como “a parcela do
preço de venda que ultrapassa os custos e despesas variáveis e que contribui para a absorção
dos custos fixos e, ainda para formar o lucro”.
Assim como, Padoveze (2010, p. 320) afirma que:
Representa o lucro variável. É a diferença entre o preço de venda unitário do produto ou
Volume 1, Número 04, 2020
Seguindo esse conceito, o equilíbrio se torna indispensável para que o negócio tenha
retorno, ou seja, gere lucro. Para Crepaldi (2009, p. 226), “a empresa está no ponto de equilíbrio
quando ela não tem lucro ou prejuízo, nesse ponto, as receitas totais são iguais aos custos totais
ou despesas totais”.
Crepaldi (2009), classifica o ponto de equilíbrio em três ramificações:
➢ Ponto de equilíbrio contábil (PEC): é o ponto de igualdade entre receita total e custo total,
pois são levados em conta todos os custos e despesas articulados ao funcionamento da
empresa. Quando há volume financeiro suficiente para cobrir todos os custos e despesas
fixas, nesse ponto não terá lucro nem prejuízo.
➢ Ponto de equilíbrio econômico (PEE): confronta outras opções de investimento ao mostrar
a rentabilidade real que a empresa traz. O PEE ocorre quando se tem a existência de lucro
na empresa, assim, busca comparar a taxa de atratividade que o mercado financeiro
proporciona ao capital que foi investido através da demonstração do lucro.
➢ Ponto de equilíbrio financeiro (PEF): Considerando que os resultados contábeis e
econômicos não são iguais aos financeiros, os custos considerados no PEF são apenas os
custos desembolsados que podem endividar a empresa. Desta forma, ele é representado pelo
volume de vendas necessárias para que a empresa possa cumprir com suas responsabilidades
financeiras.
O PE pode ser encontrado somando os custos e despesas, em seguida subtraindo pela
MC, afinal a diferença fundamental entre os três pontos são os custos e despesas a serem
considerados. Assim sendo, Crepaldi (2013, p. 230), adiciona que “a análise do ponto de
equilíbrio é fundamental nas obrigações referentes a investimentos, nos planejamentos de
controle do lucro, no lançamento ou corte de produtos e para análise das alterações do preço de
venda, conforme o comportamento do mercado”.
Porém, quando as vendas excederem o PE, deve ser analisada a margem de segurança
(MS) subtraindo a margem de lucro pela margem de contribuição, que segundo Marques (2013,
p. 69), “representa o volume de vendas que supera as vendas calculadas no ponto de equilíbrio,
ou seja, identifica quanto às vendas em unidades ou valor (R$), podem cair sem que a empresa
possa operar com prejuízo”.
Volume 1, Número 04, 2020
Análise Custo/Volume/Lucro
Ademais, relacionada ao custeio variável, pois utiliza o sistema de custo para decisões
de curto prazo, a análise CVL representada por Marques (2013) auxilia no planejamento e
controle, gerenciando as informações de forma eficaz, visto que, “é um modelo que possibilita
prever o impacto no lucro do período, ou no resultado projetado, de alterações ocorridas no
volume vendido, nos preços de vendas vigentes e nos valores de custos e despesas”. Assim,
possibilitando examinar os lucros desejados pelos sócios, verificando a lucratividade a
concorrência e preço mais adequado para que não prejudique a organização.
Para relacionar o índice que demonstra esse aumento no percentual dos lucros com o
aumento no percentual da quantidade vendida em determinado nível de atividade, o grau de
alavancagem operacional, avalia as variações dividindo o percentual de resultados pelo
percentual de vendas. Sendo assim, quando maior for o grau de alavancagem operacional,
maiores os riscos, afinal o resultado ficará vulnerável a qualquer variação na receita bruta
(PINTO et al., 2018, p. 162)”.
Em síntese, Crepaldi (2009 p. 238) salienta que “as decisões devem ser tomadas pelos
administradores baseadas na margem de contribuição fornecida pelo custeio direto e não pelo
lucro fornecido pelo sistema de custeio por absorção”, pois através da margem de contribuição
é possível analisar o potencial de cada produto e o volume coerente da produção propenso a
amortização dos custos fixos e despesas fixas e ainda gerar o lucro almejado.
Sendo assim, o custeio variável presumi que, para uma empresa funcionar, deve-se
comprometer com os custos fixos, já que não serão alterados, caso não haja produção ou o
aumentado e diminuição dela. Estando a estrutura fixa organizada, a decisão expressiva estará
relacionada com os custos variáveis.
formadas pelo rateio arbitrário dos custos indiretos. A crescente complexidade dos sistemas de
produção vem aumentando ao longo do tempo, além dos custos indiretos que fomentam
continuamente, tanto em termos relativos quanto em valores absolutos. Esse método diminui o
grau de iniquidade na alocação de custos, como também pode ser uma ferramenta de gestão de
custos (MARTINS, 2018).
O ABC pode ser aplicado, também, aos custos diretos, principalmente à mão de obra
direta, e é recomendável que o seja; mas não haverá, neste caso, diferenças
significativas em relação aos chamados “sistemas tradicionais”. A diferença
fundamental está no tratamento dado aos custos indiretos. Outro fenômeno importante
a exigir melhor alocação dos custos indiretos é a grande diversidade de produtos e
modelos fabricados na mesma planta que vem ocorrendo nos últimos tempos,
principalmente em alguns setores industriais. Daí a importância de um tratamento
adequado na alocação dos CIP aos produtos e serviços, pois os mesmos graus de
arbitrariedade e de subjetividade eventualmente tolerados no passado podem provocar
hoje enormes distorções. Estas dependerão dos dois fatores citados: proporção de
custos indiretos no total e diversificação das linhas de produto (MARTINS, 2018, p.
77).
Assim como, o custeio ABC aponta um conjunto de custos para cada evento ou
transação, agindo como um direcionador de custos. Conforme Padoveze (2010, p. 307) ressalta,
“não necessariamente se baseia em identificar uma atividade para cada departamento de
serviço. Busca identificar as atividades relevantes que geram os custos necessários para os
produtos”.
Considerando que os direcionadores de custos são a base utilizada para atribuir os custos
das atividades aos produtos, Martins (2018) distingui os dois tipos de direcionadores:
➢ Direcionadores de custos de recursos: Demonstra a relação dos recursos gastos e as
atividades indicando a maneira que as atividades consomem recursos.
➢ Direcionadores de custos de atividades: Demonstra a relação entre atividade e produto,
indicando a maneira que os produtos consomem atividade e servindo para custear produtos.
Segundo Ribeiro (2018), no sistema de custeio ABC, requer uma divisão da empresa
por departamentos ou centros de custos, acumulando os custos nos departamentos de serviços
ou produtos, onde forem gerados, na sequência, esses CIFs são transferidos para as respectivas
atividades que geraram em cada departamento. Após serem cumulados nas atividades, os CIFs
devem ser transferidos para os produtos que consumiram as atividades.
Entre os três métodos citados, o custeio baseado em atividade é um dos mais utilizados,
sendo o mais oportuno a estrutura de custos das empresas, principalmente por possibilitar a
identificação das atividades que consomem maior parcela dos recursos e que perante uma
análise mais rigorosa sobre a agregação de valor ao produto final, é possível identificar com
facilidade se devem ser eliminados ou ter seus recursos consumidos minimizados.
Volume 1, Número 04, 2020
Existem diversos benefícios quanto a implantação do sistema de custos, mas após ser
definido, segundo Pinto et al. (2018), é necessário uma abordagem para a formação de preços,
visto que no mundo de hoje é um dos problemas mais delicados nas organizações, considerando
que uma pequena diferença pode gerar efeitos negativos na lucratividade do bem ou serviço.
Ainda segundo Pinto et al. (2018, p. 108),
Volume 1, Número 04, 2020
O modelo de formação de preço baseado em custos é mais apreciado pelo gestor por uma
série de fatores, principalmente pelo fato de o preço estar sob seu controle, já que ele
definirá um preço que irá gerar lucro para a empresa; ser prático para ser aplicado
imediatamente; simples, por considerar apenas variáveis internas da empresa, e
intangível o suficiente para ser facilmente gerenciável.
7 CONSIDERAÇÕES FINAIS
REFERÊNCIAS
MARTINS, Eliseu. Contabilidade de custos. 11. Ed. São Paulo, Atlas, 2018.
CREPALDI, Silvio aparecido. Curso básico de contabilidade de custos. 4. Ed. São Paulo, Atlas,
2009.
RIBEIRO, Osni Moura. Contabilidade de custos. 10. Ed. São Paulo, Saraiva, 2018.
PADOVEZE, Clóvis Luís. Controladoria básica. 2. Ed. São Paulo, Cengage Learning, 2013.
COSTA, Rodrigo Simão da Costa. Práticas de contabilidade gerencial. São Paulo, Senac, 2019.
MARQUES, Wagner Luiz. Análise de custos; formação de preço de vendas para micro e
pequena empresa, utilizando análise de custo e método de tempos e movimentos. 1. Ed.
Gráfica Vera Cruz, Cianorte – Paraná e Clube de Autores, 2013.
SANTOS, Joel J. Fundamentos de custos para formação de preço de venda e lucro. 5ª Ed. São
Paulo, Atlas, 2005.
PINTO, Alfredo Augusto Gonçalves... [et al.]. Gestão de custos. 4. Ed. Rio de Janeiro, FGV, 2018.
BORNIA, Antônio César. Análise gerencial de custos. Porto Alegre, Bookman, 2002.
STARK, José Antônio. Contabilidade de custos. 1. Ed. São Paulo, Atlas, 2010.
DUTRA, René Gomes. Custos: Uma abordagem prática. 7. Ed. São Paulo, Atlas, 2010.
Volume 1, Número 04, 2020
Pericia contable y la tabla Price: estudio bibliográfico sobre los aspectos utilizados por el
experto asistente en la defensa de acciones de revisión contra instituciones financieras
Accounting expertise and the Price table: a bibliographic study on the aspects used by the
assistant expert in the defense of revision actions against financial institutions
7
Graduando do curso de Ciências Contábeis da FAJ (thiagorocha489@[Link]).
8
Orientador: Professor do Departamento de Ciências Contábeis (brunodebomrey@[Link])
Volume 1, Número 04, 2020
ABSTRACT
Accounting expertise has become an indispensable tool in helping decision-making bodies,
whether judicial or extrajudicial. There are three types of expertise: Judicial Expertise;
Extrajudicial Expertise and Arbitration Expertise. The expert report is capable of elaborating
elements that can be used before the justice, proving the veracity of the facts, and if they really
occurred or not, also verifying if there was any irregularity according to the current law. The
accountant expert is responsible for issuing the expert report, the assistant expert is in charge
of one of the parties to monitor the conduct of the investigation, showing elements that favor
the party that hired him. The Price table is one of the most used methods today in any type of
financing, and like any other amortization system has its advantages and disadvantages as we
will see in the article, and finally, the revision actions that always seek perfection in the effective
way. a financing contract. Therefore, based on the proposed theme, this research has as main
objective to demonstrate the main characteristics of the accounting expertise and price table,
and the importance of the assistant expert in the processes of contractual review and revision
actions in defense of financial institutions.
1 INTRODUÇÃO
financiamento, originadas pelos processos de pericias judiciais movidos por pessoas físicas ou
jurídicas visando discutir se há alguma irregularidade dos contratos de financiamento firmados
entres as partes.
Foram formulados os seguintes objetivos específicos:
a) Analisar os conceitos de perícia contábil e tabela price a fim de buscar o entendimento
e a relação entre elas;
b) Verificar a importância do perito assistente nas ações revisionais;
c) Demonstrar e avaliar as principais vertentes utilizadas pelo perito assistente na defesa
das ações revisionais em face das instituições financeiras.
Destarte, esse estudo tem amparo na relevância, uma vez que pouco se sabe sobre o
tema, não havendo farta pesquisa epistemológica que tenha como o principal objetivo,
fundamentar teoricamente o conceito de Perícia Contábil e tabela price, analisando as vertentes
utilizadas pelo perito assistente nos processos revisionais. Além disso, grande parte do trabalho
do perito assistente está voltado para as ações revisionais dos contratos de financiamento.
Portanto, o estudo agrega conhecimentos para as discussões realizadas, possibilitando um
melhor entendimento sobre o papel do perito assistente na execução das ações revisionais nas
instituições financeiras.
Para o desenvolvimento desse tema foi utilizado, sob o ponto de vista procedimental e
metodológico, a pesquisa bibliográfica que foi a partir de levantamentos de referências teóricas
encontradas, analisadas e publicadas em artigos, livros, sites e monografias. Com o objetivo de
levantar informações e conhecimentos sobre a tal problemática discutida, o qual se procura a
resposta.
Dessa forma, busca esclarecer da melhor forma possível a perícia contábil, suas
principais características, sua atuação e também o trabalho executado pelo perito contador nas
ações judicias e extrajudiciais, com foco nas vertentes utilizadas pelo perito assistente na defesa
das ações revisionais das instituições financeiras.
2 REFERENCIAL TEÓRICO
A perícia contábil nada mais é que um instrumento que visa criar elementos
comprobatórios necessários para as partes envolvidas, de forma judicial ou extrajudicial, de
maneira que venha fornecer provas acerca da ocorrência de fatos atípicos, checando também se
ouve ou não alguma irregularidade perante a legislação vigente. Toda essa averiguação deve
ser conduzida por um responsável denominado perito contábil, profissional que precisa estar
habilitado junto ao Conselho Regional de Contabilidade (CRC) (SAGE, 2019).
Existem três tipos de perícias contábeis, as quais serão especificadas abaixo:
1– A Perícia Extrajudicial
2 – Perícia Arbitral
3 – E a Perícia Judicial.
A perícia extrajudicial é realizada fora da tutela do poder Judiciário, ou seja, sem que
haja o pedido do juiz, ou até mesmo processo jurídico em andamento. Ela é contratada por
Volume 1, Número 04, 2020
necessidade de uma das partes ou ambas as partes envolvidas. A perícia extrajudicial se divide
em demonstrativa, discriminatória e comprobatória (ALBERTO, 2018).
A demonstrativa tem como finalidade demonstrar veracidade ou não dos fatos
detalhados na consulta. A discriminatória tem a finalidade de colaborar, com os interesses de
cada uma das partes envolvidas no assunto duvidoso ou conflituoso. Já a comprobatória tem
por objetivo a comprovação das declarações, por exemplo, fraudes, desvios ou simulações. Essa
maneira de perícia é mais comum na apuração de heranças ou em dissolução de sociedades, nas
explicações de causas que provocam os danos e perdas, ou em outras situações em que a
presença do poder judiciário não é solicitada (ALBERTO, 2018).
Portanto, a perícia arbitral foi criada com a finalidade de sanar conflitos ou problemas
entras as partes, sem que haja a necessidade do envolvimento da justiça, cumprindo, destarte,
com o objetivo mister de sanar, agilizar o acordo entre as duas partes solicitantes.
Já a perícia judicial é aquela realizada dentro das normas do Poder Judiciário, por
determinação, requerimento ou necessidade das partes, e se desenvolve de acordo com as regras
legais específicas. Esse tipo de perícia se subdivide conforme suas finalidades no processo
judicial, prova ou arbitramento. Ela será prova quando o processo tiver que trazer a verdade
real, demonstrável científica ou tecnicamente para ajudar o julgador na sua tomada de decisão,
Volume 1, Número 04, 2020
e será arbitramento quando tiver que avaliar através de critério técnico obrigação de dar em que
aquela se constituir (ALBERTO, 2012).
O planejamento de trabalho da perícia contábil inicia com a indicação do perito
que deverá com os números do processo, da vara e do fórum, ter acesso aos
documentos para conhecimento e assim elaborar o cronograma e propor
os honorários. Então o profissional devolve o processo ao fórum. O juiz irá
determinar que as partes se manifestem sobre os honorários, bem como os
deposite. (ANDRADE, 2028, texto on line).
As diligências também fazem parte do trabalho pericial, é nesse processo que o perito
responsável pode verificar a necessidade de novos documentos para auxiliar na elaboração do
laudo pericial.
Já o valor dos honorários é sempre uma atividade que tem de ser feita com bastante
cuidado e sensibilidade, pois o perito deve levar em consideração a situação financeira e
econômica das pessoas envolvidas. Para a elaboração dos honorários o é levado em
consideração uma série de fatores como: a relevância, o vulto, a complexidade, a quantidade de
horas, o pessoal técnico, o prazo estabelecido, a forma do recebimento e os laudos interpessoais,
entre outros fatores (CARLOS,2017).
No art. 465 do CPC 2015, menciona-se que o juiz nomeará um perito especializado no
objeto da perícia e fixará também o prazo para a entrega do laudo, no prazo de 15 dias contados
a partir da intimação do despacho de nomeação do perito. Nesse sentido, as partes podem:
Volume 1, Número 04, 2020
Assim como qualquer ser humano, o perito contábil está sujeito a erros e falhas. O perito
assistente então passa a ser fundamental para dar mais segurança e eficiência na produção das
provas da perícia, sempre mantendo a comunicação com o perito do juízo. Sua função é
acompanhar o desenrolar da prova pericial, apresentando sugestões, criticar o laudo do perito
nomeado e apresentar hipóteses possíveis, desde que seja técnica e juridicamente sustentável
(CESAR, 2016).
O principal trabalho do perito assistente não é, como acham muitos, apenas elaborar
um laudo independente, um laudo divergente ou uma crítica ao laudo pericial, mas
sim diligenciar durante a realização da perícia no sentido de evidenciar junto ao
perito do juízo os aspectos de interesse ao esclarecimento da matéria fática sob uma
ótica geral e mais especificamente possibilidades junto ao perito do juízo é que
caberá ao perito assistente elaborar o seu parecer técnico. (CESAR, 2016, texto on
line)
O assistente técnico é nomeado pelas partes contratantes sejam elas pessoas físicas ou
jurídicas afim de auxiliar e trazer elementos comprobatórios que favorecem a parte que o
contratou durante a perícia executa, e para que ele exerça com perfeição seu trabalho é
importante que ele acompanhe todas as diligências realizadas pelo perito do juízo antes que
o laudo seja finalizado e se necessário pedir o prazo necessário ao perito para examinar as
peças do processo e ter claras em mente as teses jurídicas da parte que o contratou e da parte
oposta, para que possa melhor assessorar a sua parte. Fato bem considerável é que após
apresentado o laudo com os erros, torna-se mais difícil a sua devida correção.
Cabe ao perito assistente a verificação das diferentes hipóteses da matéria técnica objeto
da perícia, tentando fazer com que o perito nomeado pelo juiz perceba as diferentes
interpretações, como intuito de que seu cliente não seja prejudicado com visões injustas e
distorcidas da realidade. Antes de realizar os trabalhos o perito assistente primeiramente deve
analisar as reais necessidades de apresentação de quesitos para melhor esclarecimentos sobre o
assunto discorrido, cujo quais só podem ser exibidos antes de protocolado o laudo em juízo
(CESAR, 2016).
direcionadas aos juros do imóvel que está sendo comprado. Esses valores precisam
ser cumpridos, então esse sistema trata de garantir que o comprador se livre deles
logo no início. Conforme as parcelas são quitadas, a amortização, ou seja, a dívida
do valor do imóvel começa a ser paga. Enquanto o início foi marcado por um
percentual maior da parcela dedicado aos juros, conforme os valores são pagos, o
repasse para amortização cresce. Ao final, nas últimas parcelas, cerca de 95% do
valor total das prestações já são inteiramente destinados à quitação do imóvel
(ENGENHARIA, 2019, texto on line).
Os juros na tabela price não são definidos de maneira direta, a instituição responsável
pelo financiamento é quem vai decidir o devido percentual aplicado, que são pagos no início
do financiamento. Já a amortização é organizada para que aconteça de forma crescente, no
início o valor de cada parcela é pequeno, que é referente ao saldo devedor do financiamento.
Porém conforme os juros são pagos, o consumidor tem o aumento do percentual dos valores
que são aplicados no financiamento. Já as parcelas, são fixas, independente dos juros e da
amortização, os valores continuarão os mesmos (FINANCIAMENTO, 2019).
O sistema price, assim como qualquer outro sistema de amortização, possui a suas
vantagens e desvantagens. Suas parcelas são bem menores que qualquer outro tipo de sistema
de amortização, o que facilita bastante na hora de controlar o fluxo de caixa. Porém seu saldo
devedor diminui de maneira lenta em comparação com os demais sistemas de amortização, e o
valor de suas prestações não diminuem conforme o passar do tempo como é bem comum nos
outros sistemas de amortização.
Ação revisional é a demanda judicial que busca de maneira eficaz a possível perfeição
de um contrato de financiamento, cuja sua principal função é a anulação ou redução do saldo
devedor, readequação dos juros remuneratórios e afastamento da capitalização de juros quando
não estiver explicita na cédula contratual do financiamento. As ações revisionais mais comuns,
são aquelas que estão relacionadas aos financiamentos de veículo, de imóvel, crédito pessoal,
cartão de crédito e cheque especial. Em uma mesma ação revisional pode ser analisado mais de
um tipo de contrato.
A ação revisional de juros é uma das medidas tomadas por muitas pessoas que têm
procurado o amparo da lei ao se sentirem lesadas pela cobrança de juros abusivos.
A ação revisional de juros demanda cuidados, mas pode ser uma boa opção para quem
não quer prejudicar suas finanças pessoais com juros abusivos (MOSMANN, 2019,
texto on line).
Taxa abusiva de Juros remuneratórios - que é a taxa que o cliente paga durante a
contratação de financiamento, sem atraso. É considerada abusiva a taxa quando ela estiver
acima da taxa de juros média praticada no mercado para os demais contratos da mesma espécie.
Uma observação muito importante é que para um financiamento de veículo não pode ser
utilizado a mestra taxa de juros remuneratórios para um crédito pessoal.
Capitalização/ Anatocismo - estão presentes nos contratos de financiamento bancário
e é considerado um dos temas mais polêmicos se tratando de ação revisional.
O anatocismo consiste na prática de somar os juros ao capital para contagem de novos
juros. Há, no caso, capitalização composta, que é aquela em que a taxa de juros incide
sobre o capital inicial, acrescido dos juros acumulados até o período anterior. Em
resumo, pois, o chamado ‘anatocismo’ é a incorporação dos juros ao valor principal
da dívida, sobre a qual incidem novos encargos (ROBERTO, 2011, p 409).
A capitalização de juros nada mais é que juros compostos, o que é a oposição dos juros
simples. Nos juros compostos a taxa de juros incidirá sobre o montante de juros do período
anterior, pois ela incide sobre o capital total (capital inicial mais os juros que foram
incorporados). E então passa a ser chamar capitalização de juros por que é a ação de tornar juros
em capital.
Até 2000, a não ser em poucas e especiais espécies de contrato, a capitalização dos
juros era absolutamente proibida, no entanto no ano de 2000 foi editada a Medida
Provisória nº 1.963-17/2000, atualmente reeditada sob o nº 2.170-36/2001 a qual
tratava de um tema absolutamente sem maiores importâncias, mas a qual trouxe no
seu artigo 5º a permissão para a ocorrência da capitalização no direito pátrio. Cabe
dizer que existem formas veladas de capitalização como por exemplo a Tabela Price
(muito utilizado em contratos habitacionais), ou sistema francês de amortização, o
qual foi inventando por um inglês e incorpora juros compostos, ou seja juros
capitalizados, anatocismo, juros sobre juros, o que é ilegal. Para verificar se no seu
contrato ocorre ou não a capitalização, verifique se a taxa mensal de juros multiplicada
por 12 é igual a taxa anual de juros, se for menor, os juros são capitalizados (PERSICO,
2017, texto on line).
Art. 39. É vedado ao fornecedor de produtos ou serviços, dentre outras práticas abusivas:
(Redação dada pela Lei nº 8.884, de 11.6.1994)
I – Condicionar o fornecimento de produto ou de serviço ao fornecimento de outro produto ou
serviço, bem como, sem justa causa, a limites quantitativos;
As vendas casadas também podem acontecer de maneira oculta, quando uma pessoa
adquire um produto e um serviço adicional não estando ciente de que foi embutido no valor
pago. Na maioria das vezes na realização de um financiamento os clientes são convencidos a
contratar um seguro, um título de capitalização, o qual nem sabem direito quais são os
benefícios que eles oferecem. Esse ato é ilegal, e cabe ao cliente o direito de devolução dos
valores pagos pelo produto adquirido.
T.A.C (Taxa de Abertura de Crédito) – É de grande costume as instituições
financeiras adotarem o pagamento de taxas no ato da elaboração dos contratos de
financiamentos, famosas taxas de contratação.
TAC (Taxa de Abertura de Credito) como o próprio nome diz, é aplicada na concessão
do crédito do banco. Ou seja, quando ele vai financiar alguma compra sua, o valor é
aplicado nas parcelas pagas pelo cliente. Em tese, a taxa tem a finalidade de ressarcir
o banco pelo fornecimento de crédito, remunerando-o pelo serviço de conceder o
empréstimo. Geralmente, ela vem embutida dentro dos contratos de financiamento e
é cobrada conjuntamente com as parcelas mensais. Seu valor varia dependendo do
banco e do valor do empréstimo. Porém, como a taxa é dividida nas parcelas, o valor
fica pequeno e passa despercebido pelos clientes. Apesar de ser amplamente
conhecido como “taxa”, esse termo é apenas usado para serviços públicos. O nome
correto da TAC é “tarifa”, pois é um valor cobrado por prestação de serviços privados.
Você pode se deparar com ambas nomenclaturas nos contratos bancários (CREDIT,
2019, texto on line).
Em média, a duração de uma liminar concedida pelo juiz de uma ação revisional pode
variar entre 15 e 45 dias, porem o processo pode se estender por bastante tempo uma vez que
não há acordo entre as partes durante a execução da ação. Uma das partes não optando pelo
acordo o processo pode chegar até mesmo mais de quatro anos (PERSICO, 2017).
Foram destacados então os conceitos e as principais vertentes de uma ação revisional,
onde podemos entender melhor a relação e correlação das ações revisionais com os contratos
de financiamento a fim de esclarecer algumas dúvidas existentes, trazendo mais conhecimento
para a temática discutida.
oficial, afim de destacar pontos conflitantes para favorecer seu cliente, evitando que ele seja
prejudicado em conclusões que cabem interpretações.
A principal função do Perito Assistente Técnico é elaborar um laudo que ofereça
respostas conclusivas à análise do Perito Judicial. Seu trabalho consiste em
apresentar pontos contraditórios do laudo pericial, sendo estes a base mais
importante para que o juiz possa julgar determinados processos com total
convicção (PERÍCIAS ONLINE, 2020, texto on line).
CONSIDERAÇÕES FINAIS
A perícia contábil passou a ser insubstituível, é com base justamente nela que o juízo
toma as decisões finais acerca dos fatos ocorridos. A perícia tem como sua principal finalidade
fornecer elementos de prova para esclarecimento do litigio através do laudo pericial contábil,
emitido pelo profissional qualificado no CRC (Conselho Regional de Contabilidade),
auxiliando assim nas decisões tomadas pelo juiz.
A importância da perícia contábil, e do perito assistente nos processos de ações
revisionais das instituições financeiras, nos financiamentos realizados pelo método da tabela
price, foram devidamente expressos nesta investigação, com o objetivo de analisar os conceitos
de perícia contábil e tabela price a fim de buscar o melhor entendimento e a relação entre elas;
Verificando a importância do perito assistente nas ações revisionais; Demonstrando e
avaliando as principais vertentes utilizadas pelo perito assistente na defesa das ações revisionais
em face das instituições financeiras.
Depreende-se, tão logo, que a presente investigação trouxe elementos teóricos robustos
para demonstrar que o perito assistente possui importância essencial na realização dos
processos de revisão contratual e ações revisionais executadas nas instituições financeiras,
levando em consideração os financiamentos feitos pelo método da tabela price, que é um dos
mais conhecidos e realizados atualmente.
O perito assistente sempre busca apresentar os diferentes tipos de interpretação dos
fatos ocorridos ao perito contábil judicial, a fim de favorecer a parte que o contratou nesse nosso
caso as instituições financeiras, como as ações revisionais buscam sempre a perfeição na
confecção dos contratos de financiamentos para ambos os lados (contratado e contratante), cabe
então ao perito assistente contratado pela instituição, auxiliar na hora das revisões contratuais
possibilitando diferentes tipos interpretação das principais vertentes discutidas que são:
capitalização/ anatocismo, comissão de permanência, e as até mesmo as supostas vendas
casadas, alegadas pela parte contraria, defendendo a natureza que foi tratada na negociação, a
fim de favorecer a parte que o contratou no resultado final da perícia executada.
Portanto, o perito assistente é essencial nos processos de revisão contratual dos
financiamentos pela tabela price e ações revisionais das instituições financeiras, auxiliando e
mostrando ao perito judicial as diferentes possibilidades de interpretação do caso com o intuito
de favorecer a parte que o contratou.
Nesse estudo, fomos capazes de discutir, dentro de critérios científicos e conceituais, a
problemática levantada, uma vez que conhecemos características intrínsecas da perícia contábil
Volume 1, Número 04, 2020
e da tabela price, umas das principais tabelas utilizadas pelas instituições financeiras nos
contratos de financiamentos, demonstrando também a importância do perito assistente nos
processos de revisão contratual e ações revisionais e trazendo a baila uma visão teórica sobre
os temas abordados, tão relevantes para a profissão contábil.
Este investigador, no entanto, entende as limitações do referido estudo, que apenas
problematizou o tema proposto do ponto de vista bibliográfico. Em contrapartida,
compreendemos que tal iniciativa tem o escopo de fomentar outras discussões epistemológicas
da mesma natureza, em sede de graduação e demais níveis, embora é inquestionável a
pertinência da perícia contábil para o nosso meio acadêmico e de trabalho.
REFERÊNCIAS
ALBERTO, Valdeir Luiz Polombo. Perícia Contábil. [Link]. São Pulo. Editora Atlas, 2012.
BRASIL, Código de Processo Civil lei 13.105/2015. Senado Federal, Brasília, 2015.
CARLOS, Joao Dias da Costa. Perícia Contábil Aplicação Pratica. São Paulo. Atlas, 2017.
ENGENHARIA, Mrv. O que é tabela price: entenda como funciona, 2019. Disponível em:
[Link] Acesso em:
22 de setembro de 2020
Volume 1, Número 04, 2020
FILQUEIRAS, Isabel. SAC x Tabela Price: qual é o melhor para você? 2019. Disponível
em:[Link]
[Link], Acesso em: 24 de Setembro de 2020.
MOSMANN, Gabriela. Ação revisional de juros: saiba como funciona este recurso. 2019.
Disponível em: [Link] Acesso
em: 28 de setembro de 2020.
PERICIAS ONLINE. Descubra o que faz o perito assistente e qual sua função na
investigação. 2020. Disponível em: [Link]
tecnico/. Acesso em: 26 de outubro de 2020.
ROBERTO, Carlos Goncalves. Direito Civil Brasileiro, 8ª edição. São Paulo. Saraiva, 2011.
SAGE, Blog. O que é perícia contábil? Entenda e aprenda como executar. 2019.
Disponível em: [Link]
contabil/#:~:text=De%20acordo%20com%20a%20Norma,cont%C3%A1bil%2C%20em%20c
onformidade%20com%20as. Acesso em: 26 de agosto de 2020.
Volume 1, Número 04, 2020
Vinícius Andrade9
Djalma Brito10
RESUMO
Por haver uma grande representatividade das microempresas no cenário nacional, surgiu-se a
necessidade de se fazer o referido estudo para entender qual é o grau de importância da
contabilidade para a tomada de decisão. O propósito do artigo é a evidenciação da informação
contábil, a sua qualidade e a sua importância na dimensão dos micro negócios, buscando de
forma clara demonstrar que a contabilidade deve ser usada de modo necessário para quaisquer
decisões no meio empresarial, evidenciando benefícios como o auxílio nos números e o que os
mesmos estão representando e se é viável certas decisões para o negócio. O objetivo do estudo
é ressaltar a importância da contabilidade, trazer dados informativos para a empresa ao
interpretar suas demonstrações. A investigação bibliográfica realizada demonstra relevância de
uma contabilidade que é usada de forma macro, ressaltando-a, quando ela é usada não somente
para os fins fiscais, mas, de forma gerencial para um apoio nos momentos decisórios de uma
microempresa.
ABSTRACT
9
Graduando em Ciências Contábeis pela FAJ-GO e autor do presente estudo
e-mail: vinicius.andrade704@[Link]
10
Professor vinculado a faculdade de Jussara-Faj, graduado em Ciências Contábeis, especialista em Gestão
Empresarial e de negócios, e-mail: daabrito_13@[Link]
Volume 1, Número 04, 2020
importance in the micro business dimension, clearly seeking to demonstrate that accounting
should be used in a necessary way for any decisions in the business environment, evidencing
benefits such as assistance in numbers and what they are representing and whether certain
decisions for the business are feasible. The aim of the study is to highlight the importance of
accounting, to bring informative data to the company when interpreting its statements. The
bibliographic research carried out demonstrates the relevance of an accounting that is used in a
macro way, emphasizing it, when it is used not only for tax purposes, but in a managerial way
for a support in the decision-making moments of a microenterprise.
1 INTRODUÇÃO
O presente artigo tem o fito de dar clareza quanto a contabilidade nas micro
organizações, partindo demonstrar suas influências em um momento decisório importante. A
temática ora em questão demanda pesquisas científicas, pois visa às microempresas como sendo
foco em um cenário de grande relevância para o desenvolvimento nacional.
Com o intuito de oferecer informações importantes, esse artigo busca compreender o
conceito de contabilidade nas microempresas buscando interferir de forma positiva e
significativa, demonstrando o que está no alcance de ser cobrado do contador para um bom
desenvolvimento empresarial, nessa perspectiva, Souza (2002) retrata que o grupo interessado
nas informações contábeis procuram por rentabilidade e também por segurança em seus
investimentos, normalmente os interessados precisam de informações comprimidas que surtam
efeito abrangente, nesse momento o contador precisa não somente gerar às informações, mas
também, interpreta-las à administração, nesse sentido nota-se a contribuição significativa da
figura do contador.
O recorte temático abordado justifica a real importância da informação contábil dentro
das microempresas. Partindo desse pressuposto, analisa-se qual a relevância dessas informações
nos momentos de decisões empresariais, de acordo com Marion (2005, p.25) “contabilidade
pode ser considerada como sistema de informação destinado a prover seus usuários de dados
para ajuda-los a tomar decisão”. Marion traz que a contabilidade tem o propósito de dar auxílio
aos administradores e orienta-los nas tomadas de decisões, visando ele que o momento
decisório é crucial e deve-se optar pela melhor das opções.
Nessa perspectiva, urge a temática de análise de como são as informações contábeis
voltadas para às microempresas.
Volume 1, Número 04, 2020
2 REFERENCIAL TEÓRICO
Para uma melhor compreensão do tema abordado, para o referencial teórico foi
escolhido alguns autores para assim dar embasamento e sustentação às palavras comentadas,
todo o artigo visa trazer clareza para o leitor ao usar palavras mais próximas possíveis do
cotidiano com intuito de trazer compreensão ao leitor.
Segundo o Sebrae (entre 2017 e 2020, texto online), site especializado em estimular o
empreendedorismo no Brasil, tem-se que o melhor conceito para às microempresas seria
“Sociedade empresária, Sociedade simples, Empresa Individual de responsabilidade limitada
ao empresário, devidamente registrada nos órgãos competentes que aufiram em cada ano uma
receita igual ou inferior a R$360.000,00”. Ou seja, para ser um microempresário é de suma
Volume 1, Número 04, 2020
importância atentar-se a esse número, pois caso exceda, a empresa passa a ser uma EPP
(Empresa de Pequeno Porte) segundo o próprio site.
Para se ter uma ampla compreensão de microempresas e ter definido quais são as suas
principais atribuições, Ribeiro (2014, p.22) destaca que:
Também conhecida como sonegação de tributos, a Evasão fiscal visa burlar a lei e seus
decretos a fim de benefício próprio, toda via essa prática é reconhecida como crime devido ferir
o funcionamento do sistema tributário e consequentemente a economia nacional. Essa prática
pode surgir com uma menor ou uma maior intensidade, geralmente essa prática é sobre
consciência e intenção de se beneficiar ou beneficiar a entidade, dessa forma o fisco é
prejudicado.
A venda de mercadoria com um preço inferior na nota fiscal é um exemplo de prática
de evasão, pois dessa maneira sua receita perante o fisco ficará menor ocasionando em uma
tributação inferior ao que realmente deveria ser, esse exemplo é uma prática ilícita que poderá
gerar multas e agravos maiores (LEI N°4.729, 1.965).
Pertencente ao planejamento tributário, a Elisão Fiscal possibilita que seja possível as
empresas diminuírem seus tributos sem auferir pra si práticas ilícitas como na Evasão Fiscal,
exemplo de Elisão é o próprio Simples Nacional uma vez que as empresas que se enquadram e
o adotam tem uma carga tributária inferior, a Elisão é uma prática adotada por lei que beneficia
principalmente as microempresas levando em consideração seu faturamento anual.
Segundo o Sebrae (entre 2018 e 2020, texto online) os pequenos negócios no Brasil
representam cerca de 52% dos empregos de carteira assinada, partindo desse fato é notório
tamanha relevância para o desenvolvimento do país, as informações foram apuradas até o ano
de 2011, o site usa dados do IBGE dando base para sua pesquisa. Como visto às microempresas
possuem uma valia muito grande para o progresso brasileiro, demonstrando sua real
Volume 1, Número 04, 2020
importância no tocante à geração de empregos, como visto mais da metade dos trabalhadores
que possuem carteira assinada trabalham em pequenas organizações.
O controle contábil deve ser visto como uma ferramenta de apoio essencial, pois às
empresas segundo Crepaldi (2011, p.03) “necessitam de controles precisos e de informações
oportunas sobre seu negócio para adequar suas operações às novas situações de mercado”.
Evidentemente esse controle deve ser o mais eficaz possível para garantir que os
administradores possam usufruir do máximo que o controle contábil seja capaz de oferecer.
Para a viabilidade do negócio empresarial continuar atrativo é de grande relevância que
haja um profissional que seja capacitado e que esteja sempre apto a exercer essa função, a fim
de estabelecer, ou ao menos auxiliar qual será o melhor caminho a ser seguido, geralmente esse
cargo de viabilizar as possibilidades nos pequenos negócios ficam em posse do contador que
deve se tornar um braço direito para o microempresário. A figura do contador pode ficar com a
responsabilidade de fazer análises do negócio pelo fato da possibilidade de o microempresário
não ter essas noções, já que para empreender não há obrigatoriedade de um curso preparatório.
É observável que a figura de um contador fica indispensável para o sucesso de uma
empresa. Segundo Souza (2002, p.37), partilhando deste entendimento, afirma que:
Partindo do pretexto usado por Souza (2002), nota-se que a contabilidade é útil em toda
a abrangência da organização, o autor salienta que o objetivo da informação contábil quanto ao
controle é justamente fazer observações quanto às metas que foram estabelecidas pela a própria
Volume 1, Número 04, 2020
organização. Nesse momento a figura do contador pode contribuir com o alcance das metas
observando a situação que a organização se encontra.
Ainda analisando as observações feitas por Souza (2002), é perceptível que as
informações contábeis contemplem até mesmo a respeito da motivação dos colaboradores, o
autor afirma que está na obrigação da entidade manter seus colaboradores motivados, pois dessa
forma irão desempenhar com mais eficiência seus deveres, contribuindo de forma significativa
com o bom desempenho da entidade.
Se por um lado a figura do contador é relevante para o sucesso da organização, do outro
lado na administração, deve sem dúvidas haver um profissional que esteja apto a compreender
pelo menos duas grandes vertentes da administração: Planejamento e Controle.
Segundo PIZZOLATO (2.000), o planejamento pode ser compreendido como ato de
tomar decisões e esperar no futuro suas consequências. Para qualquer organização é
fundamental estabelecer um bom planejamento, o estabelecimento de metas a curto e longo
prazo são essenciais para a organização. Como visto o planejamento consiste na fase de tomar
decisões, essa fase de tomar decisões é uma fase extremamente delicada quando se trata de uma
microempresa, isso pois, uma decisão mal tomada pode custar tão caro que pode chegar ao
ponto de falência.
Na conceituação de controle Pizzolato (2.000, p.03) define:
Como Pizzolato citou, que o controle é uma fase anterior ao planejamento e deve ser
monitorada constantemente, foi visto até aqui que o controle administrativo possui o
procedimento de verificação, essa verificação é muito importante para a organização pois com
ela é notado se há necessidade de se fazer novos ajustes para conseguir efetuar com êxito o
planejamento. Nesse momento, o administrador deverá observar principalmente suas fraquezas
empresariais, pois com as influências externas, talvez haja a necessidade de se fazer mudanças
para não perder a eficiência do controle anteriormente estabelecido.
Marion (2005) retrata o conceito de relatório contábil, são através dos relatórios
contábeis que os usuários são capazes de promover comparações entre exercícios diferentes,
por exemplo:
Tais definições tragas pelo autor refletem sobre a equação contábil que é definida com
essa igualdade entre os três conceitos apresentados.
Em definição às Notas Explicativas a Lei 6.404 (1976) conclui “As demonstrações serão
complementadas por notas explicativas e outros quadros analíticos ou demonstrações contábeis
necessárias para esclarecimento da situação patrimonial e dos resultados do exercício”.
Volume 1, Número 04, 2020
O mundo tem se atualizado dia após dia e no meio empresarial não é diferente, visto
que a qualidade de uma gestão interfere diretamente na competitividade de uma empresa, a
qualidade de gestão está interligada diretamente com a qualidade e tempestividade da
informação contábil, ressaltando que a tempestividade é um elemento que pode definir a
intensidade da qualidade dessa informação.
Em relação ao desenvolvimento Crepaldi (2011, p.15) ressalta que:
•
Determinação dos rumos da organização e dos caminhos para o
atingimento das metas propostas no planejamento.
O momento em que o microempresário necessita tomar uma decisão em relação ao seu
pequeno negócio é tido como um momento de muita importância, todavia a relevância de um
acerto se torna primordial para que seu negócio continue competitivo, é nesse instante que a
figura do contador pode se tornar uma peça primordial para que esse acerto seja mais provável.
Porém, na prática nem sempre é assim, como mencionado em tópicos anteriormente, os
índices mostram que seis em dez empresas fecham nos primeiros cinco anos de existência,
muitas dessas organizações se solidificam devido à má gestão empresarial, ou ainda, por não
usar de forma essencial à contabilidade, não tornando-a como um “braço direito” para um
melhor aproveito dentro da organização. Marion (2005, p.24) retrata exatamente isso ao afirmar
que:
Uma contabilidade usada somente para fins fiscais, é uma contabilidade que não está
sendo proveitosa de modo máximo, todavia essa concepção que a contabilidade é apenas para
atender às exigências fiscais faz com que a organização sofra consequências devastadoras.
Para Crepaldi (2011, p.38) “ o alvo da empresa é o maior lucro possível, conciliável
com seu crescimento a longo prazo e também com o bem-estar da coletividade, mediante o
atendimento das suas necessidades”, a contabilidade possui um papel extremamente importante
no tocante ao crescimento da organização pois ela tem a capacidade de munir a empresa com
informações com a intenção de atender suas necessidades, vale ressaltar que essas necessidades
são constantes daí a clareza de uma boa contabilidade para auxílio no micro negócio.
Um bom contador contribuirá legalmente para que os custos gerais se amenizem ao
máximo possível tornando para o empresário uma espécie de investimento, isso pois o momento
decisório e o corte de gastos de forma legal são fundamentais para o bom progresso empresarial,
o contador que é tido como “uma despesa” pela empresa, as investidas decisórias tendem não
Volume 1, Número 04, 2020
3 CONSIDERAÇÕES FINAIS
pondera que a função do contador foi distorcida apenas para atender o fisco, dessa forma
conclui-se que a contabilidade é uma ferramenta primordial para que uma organização perdure
no tempo, mas com um nível de eficiência não utilizado.
Diante dos estudos ora analisados, observa-se que a contabilidade é uma ferramenta de
grande importância não somente para fins fiscais, mas também, nos momentos decisórios.
Releva-se que a informação contábil é uma chave essencial para a organização, uma vez que
essa a utilize de forma mais proveitosa possível. A organização que opta em usar a
contabilidade para fins gerenciais e utilizar de forma abrangente as suas informações encontra
um forte apoio que, além de identificar os números, também os interpreta, pois é através dessa
funcionalidade do contador que a empresa encontrará auxílio para permanecer competitiva.
O propósito desse trabalho foi alcançado, pois seu objetivo era compreender a
importância da informação contábil dentro das micro organizações, e consequentemente
procurar a relevância que a contabilidade tem quando uma decisão precisa ser tomada. E, no
trabalho investigativo proposto, encontra-se de forma clara que o contador não possui uma
grande participação nesse momento decisório, o que tem ocasionado em uma gestão não tão
eficiente, o que deveria ser diferente, pois as microempresas contribuem de forma significativa
com desenvolvimento do país, e com esse alto índice de solvência, o índice de desemprego
também aumenta, posto que dados anteriormente apontados mostraram que mais da metade dos
trabalhadores desenvolvem suas atividades em microempresas.
A participação com informações contábeis nas tomadas de decisões foi evidenciada
como não tão presente o que tem ocasionado em desastres nas organizações, como Marion
(2007) afirma que a contabilidade foi distorcida para atender somente o fisco e as leis
trabalhistas, removendo dessa forma a principal utilidade do profissional da contabilidade que
é o auxílio constante. Conclui-se que a contabilidade e suas informações são extremamente
necessárias para o progresso empresarial, mas infelizmente não tem sido ocupada de sua
principal função deixando boa parte de sua capacidade de lado.
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Volume 1, Número 04, 2020
RESUMO
O presente artigo demonstra o auxílio da contabilidade para a tomada de decisões, torna claro
a contribuição da contabilidade como meio de informações para o processo de tomada de
decisões, mostrando também como a modernidade vem proporcionando melhoras para os
gestores. Evidencia a importância do contador que tem um papel de tamanha importância,
podendo controlar as informações que auxiliam na tomada de decisão. Tornou-se mais
complexo a organização da gestão de uma empresa e com isso surgiu a necessidade de um
sistema mais apropriado para uma administração gerencial eficiente, a controladoria então
juntamente com o profissional da controladoria passou a ocupar essa tarefa dentro das
empresas, tendo o papel de organizar e controlar a gestão administrativa e econômica, trazendo
inúmeras vantagens como, decisões eficientes, estratégias comerciais e a redução de custos.
Toda empresa tem seu propósito, e o administrador que visa o crescimento e lucratividade de
sua empresa necessita da contabilidade. A contabilidade controla todas as despesas e custos,
verificando se a empresa está tendo lucro ou prejuízo, com isso a contabilidade é considerada
uma ferramenta de gestão empresarial. O sistema de informação contábil concentra-se em
fornecer informações para contribuir na tomada de decisões, desta forma o sistema de
informação contábil é utilizado pela instituição para acelerar o processo de tomada de decisões,
oferecendo informações oportunas. A metodologia deste trabalho baseia-se em pesquisas de
livros, artigos científicos e sites, desta forma o estudo demonstra que a contabilidade
proporciona resultados positivos a uma empresa, suas informações são de suma importância
para a gestão, levando a empresa a um crescimento econômico e direcionando-a tomar decisões
importantes.
11
Discente do curso de Ciências Contábeis da Faculdade de Jussara – FAJ. E-mail: heloisaam08@[Link]
12
Coordenadora do Curso de Ciências Contábeis da FAJ - Jussara. E-mail: denise@[Link]
Volume 1, Número 04, 2020
ABSTRACT
This article demonstrates the aid of accounting for decision making, makes clear the
contribution of accounting as a means of information for the decision making process, also
showing how modernity has been providing improvements for managers. It highlights the
importance of the accountant who plays such an important role, being able to control the
information that helps in decision making. It became more complex the organization of the
management of a company and with this came the need for a more appropriate system for an
efficient management administration, the controller then together with the professional
controller started to occupy this task within the companies, having the role of organizing and
controlling the administrative and economic management, bringing numerous advantages such
as efficient decisions, commercial strategies and cost reduction. Every company has its purpose,
and the administrator who aims at the growth and profitability of your company needs
accounting. Accounting controls all expenses and costs, verifying if the company is having
profit or loss, with that accounting is considered a business management tool. The accounting
information system focuses on providing information to contribute to decision making, thus the
accounting information system is used by the institution to accelerate the decision making
process, offering timely information. The methodology of this work is based on researches of
books, scientific articles and websites, this way the study demonstrates that accounting provides
positive results to a company, its information is of paramount importance for management,
leading the company to an economic growth and directing it to make important decisions.
Keywords: Accounting. Decision making. Controlling.
1 INTRODUÇÃO
Sabe-se que a contabilidade tem um papel essencial para a empresa, contribuindo como
um instrumento de analise, ela fornece informações fundamentais aos gestores, fazendo com
que haja uma ampla visão sobre o ponto de vista empresarial, através dos dados e informações
que são gerados pela contabilidade é possível tomar decisões corretas.
É de grande importância o apoio contábil relacionado ao funcionamento das empresas
em geral, é necessário que as atividades estejam em completa sintonia com seu ciclo
operacional e processo de tomadas decisões, para que assim possa evitar possíveis prejuízos
operacionais e financeiros.
A modernidade propicia uma reflexão cada vez mais profunda sobre o desenvolvimento
da empresa, buscando um aperfeiçoamento constante dos mecanismos a serem usados para
alcançar resultados positivos. A contabilidade então, traz, informações que auxilia cada vez
mais os gestores, contribuindo para que a empresa alcance seus objetivos e aumente o nível de
organização.
A contabilidade traz conhecimentos de grande importância nas Demonstrações Contábeis
como o balanço patrimonial, ele mostra a posição patrimonial e financeira, ou seja, a saúde
Volume 1, Número 04, 2020
2 REFERENCIAL TEÓRICO
3 EMPRESA
Uma empresa é formada por pessoas e recursos financeiros, a empresa visa fins
lucrativos por isso ela é constituída para exploração de atividades econômicas, seja agrícola,
industrial, mercantil ou prestação de serviços.
Nas lições do Giuseppe Ferri citado na obra de Rubens Requião (2003, p.49):
Mediante o exposto entende-se que a empresa se apresenta como uma junção de vários
elementos pessoais e reais, e feita em vista de um intento que se chama empresário. Ela se
assenta sobre um sistema fundado em princípios técnicos e leis econômicas que são colocados
em função de um resultado econômico.
Para Crepaldi (1998), uma empresa é uma associação de pessoas para a exploração de
um negócio que produz e/ou oferece bens e serviços, com vistas, em geral, à obtenção de lucros.
Seguindo esse mesmo pensamento, Cassarro (1999) coloca que uma empresa é uma entidade
jurídica que tem como obrigação apresentar lucro, e este deve ser suficiente para permitir sua
expansão e o atendimento das necessidades sociais.
Segundo Kinlaw (1998), a empresa é a força contemporânea mais poderosa de que se
dispõe para estabelecer o curso dos eventos da humanidade. Ela transcende as fronteiras e os
limites do nacionalismo, exercendo influência predominante nas decisões políticas e sociais.
Volume 1, Número 04, 2020
De acordo com Franco (1991), empresa é toda entidade constituída sob qualquer forma
jurídica para exploração de uma atividade econômica, seja mercantil, industrial, agrícola ou de
prestação de serviços.
Nessa estrutura a empresa deve ser interpretada como um escritório central que
administra todos os escritórios divisionais, que por sua vez são responsáveis por uma linha de
produtos ou por uma determinada área geográfica, assim, “a estrutura multidivisional foi a
resposta administrativa ao crescimento baseado na maior utilização dos recursos físicos e das
capacidades organizacionais da empresa” (CHANDLER, 1998, p.340).
Em seguimento a definição de empresa, é necessário que se entenda os subsistemas
empresariais que são os elementos ou etapas que compõe um sistema, onde todos os
subsistemas são interdependentes, ou seja, se falhar um o restante ficará prejudicado, deste
modo o sistema não irá funcionar normalmente e a meta almejada não será cumprida.
3.2 Controladoria
A controladoria é um importante aliada da gestão das empresas. É ela quem irá reunir e
analisar os dados de todos os departamentos da empresa, em especial da contabilidade, e
transformá-los em relatórios que serão usados por gestores nas tomadas de decisões:
Os modernos conceitos de administração e gerência entendem, por sua vez, que uma
controladoria eficiente e eficaz deve estar capacitada a organizar e reportar dados e
informações relevantes e exercer uma força capaz de influir nas decisões dos gestores
da entidade (OLIVEIRA, 1998, p.19).
Desta forma, Borinelli (2006) apud Bruni e Gomes (2010, p.16) define a controladoria
como “Um conjunto de conhecimentos que se constituem em bases teóricas e conceituais de
ordem operacional, econômica, financeira e patrimonial, relativas ao controle dos processos de
gestão organizacional”.
Deste modo a controladoria e de suma importância para a organização, sua principal
missão é permitir aos gestores verificar os fatos e os dados organizacionais para que possa
aprimorar a tomada de decisão, a controladoria age em uma empresa preservando o seu bom
funcionamento, e empenhando no controle financeiro da empresa.
Villas Boas (2000, p.61) define a controladoria, enquanto órgão administrativo, como
sendo:
Um órgão da empresa que possui uma estrutura funcional formada por conceitos e
técnicas derivadas da Contabilidade, Economia e Administração para desenvolver as
atividades contábeis, fiscais e administrativas e/ou funções relacionadas com o
Planejamento Estratégico, Tático e Operacional, o Orçamento Empresarial e o
Sistema de Custos para avaliação e controle das operações e dos produtos, objetivando
a geração de informações úteis e necessárias aos gestores para as tomadas de decisão
na busca da eficácia empresarial.
Para Catelli (1999, p.345), a controladoria, como unidade administrativa é o “... órgão
aglutinador e direcionador de esforços dos demais gestores que conduzam à otimização do
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resultado global da organização”. Concordando com Catelli, Mosimann & Fisch (1999, p.88)
afirmam que a controladoria:
O processo de gestão, segundo Beuren & Moura (2000, p.65) é que viabiliza a
otimização de resultados a fim de garantir a sobrevivência da empresa. A controladoria presta
assistência ao processo de gestão empresarial como responsável pelo sistema de informações.
O processo de gestão empresarial, segundo Mosimann & Fisch (1999, p.114) divide-se em três
fases:
Para Mosimann & Fisch (1999, p.99), a controladoria sob o enfoque de ramo do
conhecimento pode ser conceituada como:
Por tanto a controladoria tem a missão de promover uma organização, para que as
informações fiquem bem explicitas e levar a empresa a tomar decisões corretas. Tal informação
dada pela área de controladoria possibilita os gestores a entender as necessidades da empresa e
ter bons resultados.
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eficientes para o governo, bem como para demais usuários externos (SIQUEIRA;
SOLTELINHO, 2001).
Deste modo o profissional da controladoria tem toda responsabilidade de desenvolver e
comandar os projetos da gestão econômica, patrimonial e financeira de uma empresa. É
fundamental que o profissional tenha conhecimentos técnicos da controladoria, sendo capaz de
gerenciar pessoas e tendo consigo o espirito de liderança, para que dessa forma venda suas
ideias.
3.6 Sistema de gestão
Define-se decisão como o ato de escolher uma dentre várias opções com o objetivo
de resolver um problema ou responder a alguma oportunidade. Para que uma decisão
ocorra, deve-se ter mais de uma alternativa de ação; a decisão é fruto da necessidade
de se optar por caminhos alternativos.
O modelo de decisão é usado pelos gestores criando uma estrutura simplificada, de certa
forma o modelo decisão permite que os resultados sejam avaliados antes de ser tomada as
decisões, permitindo ao gestor escolher aquela que apresenta os melhores resultados.
3.6.4 Orçamento
3.6.5 Custos
3.6.6 Contabilidade
Volume 1, Número 04, 2020
4 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Tem-se que a contabilidade com toda sua evolução, tornou-se mais eficiente e
participativa na gestão das empresas, fornecendo informações de apoio nas tomadas de decisões.
Toda empresa tem a necessidade de acompanhar suas atividades operacionais, e o sistema
contábil auxilia o gestor, fornecendo informações necessárias e mostrando de maneira
transparente se a empresa está seguindo a direção certa, fazendo com que os gestores tomem
decisões mais vantajosas.
A Ciência contábil, com toda sua técnica para transformação de dados em informações,
auxilia o gestor a tomada de decisões sensatas, pautadas em indicadores qualitativos e
quantitativos mensurados através das demonstrações contábeis.
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Dessa forma, a informação correta é fator crucial para que as empresas possam se manter
competitivas diante das mudanças e a contabilidade proporciona uma visão ampla que projeta
cenários e busca elementos para permitir uma análise mais inteligente, auxiliando na elaboração
de estratégias que garantem o desenvolvimento da empresa.
Em outro viés, temos também a controladoria que é uma ramificação da ciência contábil
e uma importante aliada na gestão de uma empresa, na sua função de otimização do processo
decisório torna o planejamento mais eficiente. É importante destacar que, uma empresa é
formada por pessoas e desempenha atividades econômicas visando fins lucrativos. Sendo assim,
dentro desse meio empresarial existem os subsistemas empresariais que é conhecido por
fornecer informações das atividades desenvolvidas em diversas áreas de uma empresa. Do
mesmo modo há o sistema de gestão, processo de gestão e modelo de decisão, que atuam juntos
fazendo com que a empresa entenda suas necessidades e direcionando a tomar decisões cabíveis.
Dessa forma a referida pesquisa mostra que, a contabilidade como um todo e o
profissional capacitado têm um papel fundamental nas empresas, pois fornecem um suporte que
a empresa necessita não só para o seu desenvolvimento, mas também no processo de tomada
de decisões, fazendo com que a empresa alcance seus objetivos. Vale ressaltar que é de grande
importância a contratação de um profissional qualificado para que a empresa possa permanecer
no mercado de forma hábil. Deste modo a contabilidade causa um impacto consideravelmente
positivo na tomada de decisão, sendo capaz de aprimorar as decisões e a formação de estratégias.
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RESUMO
Este artigo tem como objetivo abordar de forma simples a importância do planejamento
tributário, apresentado seus métodos para que as empresas obtenham melhores resultados.
Busca-se compreender qual é a melhor forma de tributação correta para as organizações, com
a escolha do regime tributário e seu enquadramento será definido a incidência e a base de
cálculo dos impostos federais, deixando claro que cada empresa pode optar por uma ou três
formas de tributação, especificar aplicabilidade das leis para que seja legal perante o Estado,
fazer uma breve contextualização sobres tributos e suas espécies. O objetivo do planejamento
tributário propõe transmitir os mecanismos por lei, que possam ampliar eventualidades na
minimização de impostos, apresentando algumas medidas lícitas e ilícitas, ressaltando eventos
adequados que apontará os benefícios administrado pela correta tributação de cada empresa.
Por fim, o planejamento tributário é uma forma de prevenir o pagamento de valores exorbitantes
destinados aos tributos, mediante os critérios legais que regem a legislação.
ABSTRACT
This article aims to approach in a simple way the importance of tributary planning, presenting
its methods for companies to obtain better results. Understand which is the best way of correct
taxation for organizations, with the choice of tributary regime and its framework will be defined
the incidence and calculation basis of federal taxes, making clear that each company can choose
one or three forms of taxation, specify applicability of laws to be legal before the State, make
a brief contextualization about taxes and their species. The objective of the tributary planning
proposes to transmit the mechanisms by law, that can extend eventualities in the minimization
of taxes, presenting some licit and illicit measures, pointing out adequate events that will point
out the benefits managed by the correct taxation of each company. Finally, the tributary
planning is a way to prevent the payment of exorbitant values destined to the taxes, through the
legal criteria that govern the legislation.
1 INTRODUÇÃO
2. REFERENCIAL TEÓRICO
Segundo Oliveira (et. al., 2012), o Código Tributário Nacional conceitua tributo como
toda prestação pecuniária compulsória. Tal prestação pode ser feita em moeda ou cujo valor
nela se possa exprimir, desde que não haja constituição da sanção por ato ilícito, instituída em
lei e cobrada mediante atividade administrativa plenamente vinculada. A fim de que haja
exposição de uma melhor definição sobre o tema, os autores expressam:
Prestação pecuniária: significa que o tributo deve ser pago em unidades de moeda
corrente, inexistindo a pagamento in natura ou in labore, ou seja, o que é pago em
bens ou em trabalho ou prestação de serviço; compulsória: obrigação independente da
vontade do contribuinte; em moeda ou cujo valor se possa exprimir: os tributos são
expressos em moeda corrente nacional (reais ) ou por meio de indexadores; que não
constitua sanção de alto ilícito: as penalidades pecuniárias ou multas não se incluem
no conceito de tributos; assim, o pagamento de tributo não decorre de infração de
determinada norma ou descumprimento da lei; instituída em lei: só existe a obrigação
de pagar o tributo se uma norma jurídica com força de lei estabelecer essa obrigação;
cobrada mediante atividade administrativa plenamente vinculada: a autoridade não
possui liberdade para escolher a melhor oportunidade de cobrar o tributo; a lei já
estabelece todos os passos a serem seguidos (OLIVEIRA et. al., 2012, p. 5).
De acordo com Reis, Galho e Pereira (2012), quando o assunto tributo é tratado, a
primeira legislação a ser mencionada, via de regra, é a Constituição Federal. É ela que permite,
por intermédio da autorização e aprovação por meio da Assembleia Constituinte e emendas
constitucionais posteriores, ao Governo Federal, Estadual e Municipal instituir e cobrar tributos
da sociedade.
O CTN define tributo em seus artigos 3° a 5°:
Art. 3° Tributo é toda prestação pecuniária compulsória, em moeda ou cujo valor nela
se possa exprimir, que não constitua sanção por ato ilícito, instituída em lei e cobrada
mediante atividade administrativa plenamente vinculada.
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De forma clara Ataliba (2010) define que, quando aparecem os fatos descritos na lei
(os fatos impossíveis), a obrigação tributária surge da vontade da lei. Não surge como uma
obrigação voluntária de todas as partes. Isso não tem nada a ver com a determinação da geração
desse título obrigatório.
Ainda para Oliveira (et. al., 2012), melhorar a taxa de contribuição não faz muito sentido
em termos de arrecadação ou impacto sobre os contribuintes. Por sua vez, a tributação
representa, na verdade, um meio de o Estado arrecadar recursos para gerir a administração
pública e permitir o investimento em projetos públicos, bem como para orientar o
comportamento econômico. Na Constituição Federal de 1988, as pessoas propunham doações
sociais para arrecadar recursos para atividades sociais e, embora tenham sido discutidas no
capítulo tributário, elas têm a característica de satisfazer o investimento do governo no setor.
As contribuições sociais instituídas são baseadas nos lucros corporativos, folha de pagamento
dos funcionários e receitas das empresas. Atualmente, estão subdivididos em contribuições para
o PIS / Pasep, Contribuição Social sobre o Lucro Líquido e Contribuição para o Fundo de
Investimento Social (Cofins).
Já Torres (2003), traduz impostos como uma imposição de saldar uma dívida em
dinheiro com o Estado, com o objetivo primário ou secundário de obter receitas para entender
as necessidades públicas ou para atividades protegidas pelo Estado, dependendo da ocorrência
de um fato lícito que é deliberada por lei, assim designada como fato gerador ou hipótese de
Volume 1, Número 04, 2020
incidência tributária, que independe da vontade do sujeito passivo e não constitui sanção para
ato ilícito.
2.2.1- Impostos
Para Fabretti (2003), imposto é aquele que, embasado por lei, é devido,
independentemente de quaisquer atividades estatais em relação ao contribuinte. Desse modo,
não está vinculado a nenhuma prestação especifica do Estado ao sujeito passivo. Trata-se da
espécie denominada “imposto”, que definida no art. 16 do CTN, diz-se: “imposto é o tributo
cuja obrigação tem por fato gerador uma situação independentemente de qualquer atividade
específica, relativa ao contribuinte.”
Segundo Sehn (2009), imposto tem como definição, o tributo que apresenta como fato
gerador um comportamento normal do contribuinte, em relação com atividade estatal exclusiva
referida ao sujeito passivo. É fundamental apenas na competência tributária da pessoa política
(União, Estado, Distrito Federal e Municípios)
2.2.2 Taxas
Em seus estudos, Machado (1996) ressalta que taxa é um tributo que tem como fato
gerador uma atividade estatal designadamente relacionada ao contribuinte, fundado no
exercício do poder de polícia (taxa de polícia) ou na prestação de um serviço público exclusivo
e divisível (taxa de serviço), essencialmente utilizados pelo contribuinte.
Está definida nos artigos 77 e 78 do CTN e tem como fato gerador o exercício regular
do poder de polícia ou utilização efetiva ou potencial de serviço público, específico e
divisível, prestado ou colocado à disposição do contribuinte (art. 77). Poder de polícia
é a atividade da administração pública que limita e disciplina direito, interesse ou
liberdade em razão do interesse público, concernente à segurança, à higiene, à ordem,
aos costumes, à disciplina da produção, do mercado, à tranquilidade pública ou ao
respeito à propriedade e aos direitos individuais ou coletivos (art. 78). (FABRETTI,
2003, p. 116, 117).
Assim, de acordo com Fabretti (2003), embora todo cidadão seja livre para se
estabelecer como uma indústria, não pode, entretanto, instalá-la em um bairro estritamente
residencial. O poder da administração pública para limitar esse direito de criação de uma
indústria é denominado poder de polícia. Polícia, neste caso, refere-se à possibilidade de
fiscalizar e autorizar determinada atividade, limitando-a por interesse público, relacionado à
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segurança. Para higiene, ordem, costumes etc., de acordo com o art. 78 do CTN. Pelo serviço
prestado pela administração pública para verificação das condições do local onde se irá instalar
uma indústria e para a sua autorização de funcionamento, é paga uma taxa. No caso da
Prefeitura de São Paulo, a Taxa de Licença de Instalação e Funcionamento (TLIF). A alíquota
não pode ter base de cálculo ou fato gerador idêntico ao do imposto, nem ser calculada em
função do capital das sociedades (parágrafo único do art. 77).
Fabretti (2003) dispõe que só podem ser cobradas as contribuições de melhoria se, em
virtude de obra públicas, decorrer valorização imobiliária para o contribuinte.
Art. 81. A contribuição de melhoria cobrada pela União, pelo Estados, pelo Distrito
Federal ou pelos Municípios, no âmbito de suas respectivas atribuições, é instituída
para fazer face ao custo de obras públicas de que decorra valorização imobiliária,
tendo como limite total a despesa realizada e como limite individual o acréscimo de
valor que da obra resultar para cada imóvel beneficiado. Art. 82. A lei relativa à
contribuição de melhoria observa os seguintes requisitos mínimos: 1- publicação
prévia dos seguintes elementos: memorial descritivo do projeto; orçamento do custo
da obra; determinação da parcela do custo da obra a ser financiada pela contribuição;
delimitação da zona beneficiada; determinação do fator de absorção do benefício da
valorização para toda a zona ou para cada uma das áreas diferenciadas, nela contidas.
2- Fixação de prazo não inferior a 30 (trinta) dias, para impugnação, pelos interessados,
de qualquer dos elementos referidos no inciso anterior; 3- regulamentação do processo
administrativo de instrução e julgamento da impugnação a que se refere o inciso
anterior, sem prejuízo da sua apreciação judicial.
Machado (2011) define contribuição de melhoria como espécie de tributo cujo fator
gerador é a valorização do imóvel do contribuinte, decorrente da obra pública, e tem por
finalidade a justa distribuição dos encargos públicos, fazendo retornar ao tesouro público o
valor despendido com a realização de obras públicas, na medida em que destas decorra
valorização dos imóveis.
Para Shen (2009), é importante ressaltar que cada regime tributário possui uma
legislação componente que delibera todas as metodologias a serem adotadas pela entidade, com
o objetivo de determinar um enquadramento mais apropriado.
Volume 1, Número 04, 2020
Oliveira (et. al., 2012) conceituam o Supersimples como um regime especial unificado
de arrecadação de impostos e contribuições devidos pelas micro e pequenas empresas, instituído
pela lei complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006, alterada pelas Leis Complementares
nº 128, de 19 de dezembro de 2008 e 139, de 10 de novembro, 2011. O sistema corresponde a
um regime de tributação diferenciado para essas empresas, com o pagamento de seis tributos
federais a uma única alíquota. Para os efeitos da Lei Complementar nº 139/11, consideram-se
microempresas - ME ou pequenas empresas - EPP: a empresa; a sociedade simples; a sociedade
limitada individual; e o empresário que, de acordo com o art. 966 da lei n / 10.406, de 10 de
janeiro de 2002, exerce profissionalmente atividade econômica organizada para a produção ou
circulação de bens de serviço.
Para Oliveira (et. al., 2012), a palavra verdadeira é utilizada pelo Código Tributário
Nacional em oposição aos termos presumidos e arbitrados, com o objetivo principal de
expressar o que realmente existe, ou seja, o que não é presumido ou arbitrado. Verdadeiro no
sentido do que é aceito para todos os fins e propósitos legais. Em termos contábeis, pode-se
concluir que o lucro real é aquele efetivamente apurado pela contabilidade, com base na
completa escrituração contábil tributária, com a redação e estrita observância dos princípios
contábeis e demais normas fiscais e comerciais.
Entende-se que a apuração do lucro tributável envolve maior complexidade na execução
das rotinas contábeis e tributárias, para a completa escrituração das atividades e posterior
apuração do lucro tributável, base de cálculo dos tributos como o imposto de renda e a
contribuição social sobre o Lucro das Empresas que não podem optar pelo lucro presumido. O
lucro real é apurado com base na escrituração comercial das organizações, que inclui a adoção
de um conjunto de procedimentos comuns no ambiente profissional do contador, a saber: estrita
observância dos princípios contábeis; constituição das provisões necessárias; Escrituração
completa de um conjunto de livros fiscais e contábeis, incluindo o Registro de Estoque e Lalur;
preparação das demonstrações financeiras (OLIVEIRA et al., 2012).
despesas, que indique o seu lucro real, basta ter e escrever o livro caixa, que vai mostrar, entre
outras coisas, as receitas efetivamente recebidas. Obviamente, este livro-caixa deve ser mantido
de acordo com os princípios e formalidades previstos na legislação tributária. O contribuinte
deve escolher a forma de tributação que está definida para aquele ano civil, ou seja, não pode
haver alteração na tributação durante o ano civil. Essa opção será feita no pagamento da
primeira parcela do imposto ou cota única, o que ocorrerá no final de abril para os optantes por
este regime tributário (OLIVEIRA et al., 2012).
Para Oliveira et al. (2012), lucro arbitrado é um recurso utilizado pelo fisco, quase
sempre como última alternativa, que só deve ser aplicado quando houver absoluta falta de
confiança na escrituração do contribuinte, por falta ou insuficiência de elementos concretos que
permitam a identificação ou verificação da base tributária. cálculo utilizado na tributação do
lucro real ou presumido. Também pode ser utilizado pelas autoridades fiscais nos casos em que
o contribuinte se recuse ou torne difícil para a autoridade fiscal o acesso à documentação
comprobatória das atividades.
O lucro arbitrado é, nas palavras de Fabretti (2003), uma prerrogativa do fisco. Este
último poderá arbitrar o lucro, nos termos da lei, caso a escrituração contábil e fiscal do
contribuinte seja desqualificada. Tais premissas são as seguintes: se o contribuinte, vinculado
com base no lucro tributável, não mantém a escrituração na forma da legislação comercial e
tributária, ou deixa de elaborar as demonstrações financeiras exigidas pela legislação tributária
(NR); se a escrituração a que o contribuinte está obrigado apresentar indícios evidentes de
fraude ou contiver vícios, erros ou deficiências que a tornem inutilizável para: 1. Identificar a
efetiva movimentação financeira, inclusive bancária; 2. Determine o lucro real.
Segundo Fabretti (2003), elisão tributária tem por objetivo obter a maior economia
tributária possível, de forma a reduzir a carga tributária ao valor efetivamente exigido por lei.
Antes de cada operação, devem ser investigadas suas consequências econômicas e jurídicas,
pois, uma vez realizada, considera-se que o fato gerador ocorreu e existem seus efeitos (art. 116
do CTN), surgindo a obrigação tributária.
Para Filho (2004, p. 638), a evasão fiscal corresponde à “busca lícita e identificação de
alternativas que, atendendo ao enquadramento legal, conduzam a uma redução da carga fiscal
[...]”.
Portanto, como menciona Fabretti (2003), deve-se estudar e identificar todas as
alternativas jurídicas aplicáveis ao caso ou existência de lacunas na lei, que possibilitem a
realização dessa operação da forma menos onerosa possível para o contribuinte, sem contrariar
a lei. A economia tributária resultante da adoção da alternativa legal menos onerosa ou de uma
lacuna na lei é chamada de elisão fiscal. Portanto, a evasão fiscal é legítima e lícita, visto que
se dá por meio de uma escolha feita de acordo com o ordenamento jurídico, adotando a
alternativa jurídica menos onerosa ou utilizando brechas da lei.
Para Alexandre (2010), na elusão fiscal o contribuinte representa certo negócio jurídico
com o intuito de mascarar o fato gerador. Corresponde a um artifício definido principalmente
pelo que se denomina abuso das formas, já que o sujeito passivo ostenta uma natureza jurídica
anormal, de certa forma lícita, com o intuito de poupar capciosamente da tributação.
CONCLUSÃO
REFERÊNCIAS
Volume 1, Número 04, 2020
FABRETTI, Láudio Camargo. Contabilidade Tributária. 8. ed. São Paulo: Atlas, 2003.
FILHO, Edmar Oliveira Andrade. Imposto de renda das empresas. São Paulo: Atlas, 2004.
MACHADO, Hugo de Brito. Curso de Direito Tributário. 11. ed. São Paulo: Malheiros, 1996.
___________. Curso de Direito Tributário. 28. ed. São Paulo: Malheiros, 2011.
NEVES, Silvério das; VICECONTI, Paulo E. V. Contabilidade Avançada e Análise das
Demonstrações Financeiras. 9. ed. São Paulo: Frase, 2000.
OLIVEIRA, Luís Martins de; CHIEREGATO, Renato; GOMES, Marliete Bezerra; et al.
Manual de Contabilidade Tributária. 11. ed. São Paulo: Atlas, 2012.
REIS, Luciano Gomes dos; GALHO, Mauro Fernando; PEREIRA, Carlos Alberto. Manual de
Contabilização de Tributos e Contribuições Sociais. 2. ed. São Paulo: Atlas, 2012.
SEHN, Solon. Legislação Tributária. 1. ed. Curitiba: IESDE Brasil S. A., 2009.
TORRES, Ricardo Logo. Curso de Direito Financeiro e Tributário. 10. ed. São Paulo:
Renovar, 2003.
Volume 1, Número 04, 2020
A study on the reduction of tax burden for micro and small companies
RESUMO
ABSTRACT
The objective of this study is to demonstrate the importance of accounting and tax planning for
Micro and Small Enterprises - SMEs, aiming to reduce the tax cost through a lawful means, tax
avoidance. Through a descriptive study, it will be shown the definition of the company, its size,
specifically the SMEs, and the types of tax regimes present in Brazil. In conclusion, we
understand that said planning is of paramount importance for the financial health of our
companies.
KEYWORDS: Micro and Small Enterprises. SMEs. Tax Regimes. Tax planning.
15
Aluno do 8° período do Curso de Ciências Contábeis da Faculdade de Jussara – FAJ. E-mail:
antoniojose_005@[Link]
16
Contador. Graduado em Ciências Contábeis, especializado em Gestão Empresarial e de Negócios, Latu Sensu
em Docência Universitária, especializando em Contabilidade Publica.
Volume 1, Número 04, 2020
1 INTRODUÇÃO
2 REFERENCIAL TEÓRICO
2.1 EMPRESA
Nesse aspecto é possível perceber que empresa é uma estrutura organizada cuja
finalidade principal é o lucro. Para tal organização FABRETTI (2003, p.36), continua
afirmando:
A empresa contrata força de trabalho, com ou sem vínculo empregatício, combinando
capital e trabalho e adotando tecnologia e métodos de administração eficientes, organiza
Volume 1, Número 04, 2020
No Brasil, a Lei Geral das Micros e Pequenas Empresas classificam-se para fins técnicos
e tributários o porte de cada empresa perante a Receita Federal com base em seu faturamento
anual e a quantidade de seus colaboradores.
2.2.1 MICROEMPRESA
São empresas que possuem faturamento anual de até R$ 4.800.000,00 (quatro milhões
e oitocentos mil reais). Podem empregar até 99 funcionários quando sua atividade for de
indústria, e até 49 empregados quando comércio ou serviço.
3. REGIMES TRIBUTÁRIOS
Volume 1, Número 04, 2020
3.1.1 ANEXO I
Acesso em 19/09/2020.
3.1.2 ANEXO II
Acesso em 19/09/2020.
3.1.4 ANEXO IV
Acesso em 19/09/2020.
3.1.4 ANEXO V
Além do IRPJ e CSLL, é devido outras contribuições a esse regime que são apuradas
mensalmente, o PIS, COFINS, ICMS e ISS, de acordo com a venda, revenda ou prestação de
serviços realizados pela empresa. O percentual dos mesmos está descrito na tabela abaixo:
COFINS 3%
ICMS 17% (*) (**)
ISS 2,5 a 5% (***)
PIS 0,65%
(*) Alíquota do estado de Goiás,
(**) Variação conforme produto e estado de origem
(***) Variação conforme cidade e serviço prestado.
Tabela 11 – Percentual de Alíquotas Lucro Presumido. Fonte: Receita Federal.
O cálculo do IRPJ e da CSSL será feito trimestralmente sobre a presunção do lucro com
as alíquotas de 15% e 9%, respectivamente, também é determinado o percentual da presunção
do lucro que varia de acordo com a atividade da empresa, que está descrito na tabela abaixo:
Percentuais de Presunção
DO IRPJ DA CSLL
A apuração desse regime, comumente é feita por trimestre nos períodos encerrados dias
31 de março, 30 de junho, 30 de setembro e 31 de dezembro de cada ano-calendário (Lei
8.383/91). O pagamento do IRPJ e CSLL pode ser realizado até o último dia útil do mês
subsequente, e poderá ser divido em até 3 cotas quando parcela superior a R$ 1.000,00 (um mil
reais).
Volume 1, Número 04, 2020
Os impostos federais são o PIS, a COFINS, o IRPJ e a CSLL, sendo o PIS e a COFINS
apurados mensalmente sobre o faturamento; e, o IRPJ, a CSLL calculados trimestralmente
tendo como base o lucro líquido contábil, ajustado pelas adições, exclusões e compensações
autorizadas pelo Regulamento do Imposto de Renda. Para o cálculo do IRPJ a alíquota é de
15%, quando lucro auferido inferior a R$ 20.000,00 (vinte mil reais), acima desse montante é
incidido o adicional de 10% calculados sobre o valor excedente; a CSLL é 9% em todos os
casos; no lucro real a alíquota do PIS é 1,65%; e a COFINS é 7,6%.
Para apuração trimestral com base no faturamento, os percentuais aplicáveis variam de
acordo com a atividade, segundo o art. 15 da Lei 9.249/95:
8% na venda de mercadores e produtos; 1,6% na revenda, para consumo, de
combustível derivado de petróleo, álcool etílico carburante e gás natural; 16% na
prestação de serviços de transporte, exceto o de cargas que é 8%; 16% para as
Instituições Financeiras e equiparadas; 16% na prestação de serviços em geral pelas
pessoas jurídicas com receita bruta anual até R$ 120.000,00, exceto serviço hospitalares,
de transporte e de profissões regulamentadas; 32% na prestação de serviços.
4. PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO
Entende-se por planejamento tributário como uma forma lícita de reduzir a carga fiscal
da organização, como vistas na economicidade, portanto, trata-se do estudo prévio à
concretização dos fatos administrativos, dos efeitos jurídicos, fiscais e econômicos de
determinada decisão gerencial, com o objetivo de encontrar a alternativa legal menos onerosa
para o contribuinte, para isso é necessário conhecimento técnico e bom-senso dos responsáveis
pelas decisões estratégicas no ambiente corporativo.
Para um planejamento tributário lícito e efetivo é necessário saber diferenciar os termos:
evasão e elisão, o primeiro é um ato ilegítimo, que viola leis e regulamentos fiscais para
diminuir a carga tributária, através de fraudes ou sonegações, outrora a elisão utiliza de
artifícios legais para o mesmo fim:
O conceito corrente na doutrina brasileira de evasão fiscal corresponde ao agente
(contribuinte) que, por meios ilícitos, visa a eliminar, reduzir ou retardar o recolhimento
Volume 1, Número 04, 2020
As empresas optantes pelo Simples Nacional inseridas nos Anexos I, II e III, têm um
gasto significativamente menor com a folha de pagamento, em sua guia previdenciária, pois
não é incidido o INSS Patronal, a contribuição é abaixo está sua tabela de contribuição,
atualizada em março de 2020.
Faixa Salarial (R$) Alíquota (%)
0,00 – 1045,00 7,5
1045,01 – 2089,60 9,0
Volume 1, Número 04, 2020
5 CONSIDERAÇÕES FINAIS
6 REFERÊNCIAS
BORGES, Humberto Bonavides. Gerência de impostos: IPI, ICMS e ISS. [Link]. São Paulo:
Atlas, 2000.
FABRETTI, Láudio Camargo. Prática tributária da micro, pequena e média empresa, São
Paulo: Atlas, 2003.
LATORRACA, Nilton. Direito Tributário: imposto de renda das empresas. [Link]. São
Paulo: Atlas, 2000.
OLIVEIRA. Gustavo Pedro de. Contabilidade Tributaria. 3ª ED. São Paulo: Saraiva, 2009.
OLIVEIRA, Luís Martins de; et al. Manual de Contabilidade Tributária. 3. Ed. São Paulo:
Saraiva, 2009.
Volume 1, Número 04, 2020
RESUMO
17
Discente do curso de Ciências Contábeis da Faculdade de Jussara – FAJ, E-mail:
joaopoliveiralima@[Link]
18
Professor do curso de Ciências Contábeis da Faculdade de Jussara. Especialista em Contabilidade de Custos,
Contabilidade do Agronegócio e Contabilidade Gerencial e Atuariais. E-mail: clesiomarsilva@[Link]
Volume 1, Número 04, 2020
ABSTRACT
This study analyzed the influences of the impact of the implementation of SPED (Public System
of Digital Bookkeeping) and highlights the evolution of accounting in the Digital Era. In a way,
this research demonstrates the challenges and perspective of the accounting professionals
facing this government project, thus in fact bringing several modifications to the accounting
office. With the presence of SPED in the accounting sector, accounting has been flowing more
and more, bringing an agile process, and seeking to provide transparency in customer service.
Thus, with the presence of this project in the accounting area, the electronic tax documents
obtained a role of paramount importance, highlighting the NF-e, NFS-e, CT-e, and NFC-e,
granting a security process through the digital certificate, in which it is possible to sign digital
documents and safely ensure the confidentiality of information. With the evolution of
accounting, the professionals stopped using the documents that were made manually, bringing
in the daily life the electronic fiscal documents, in which they gave to the accounting
professional the optimization of time, thus in a certain way there was an increase in agility in
the processes in which the accountants need to access them, and the economy of spaces,
because this way with the electronic fiscal documents, the company discarded the need for a
physical space for the organization of extensive files, and the possibility of crossing between
the accounting and fiscal data, and an improvement in the evasion of taxes, among many other
impacts.
1. INTRODUÇÃO
documentos fiscais eletrônicos no setor contábil, o governo implantou, através das vias digitais, o
Sistema Público de Escrituração Digital (SPED), assim trouxeram vários privilégios aos contribuintes,
aos fiscos e aos consumidores.
O Sistema Público de Escrituração Digital trouxe as entidades vários projetos que
possibilitaram um melhoramento nos atendimentos contábeis, como por exemplo a Nota Fiscal
Eletrônica (NF-e), a Nota Fiscal de Serviços Eletrônica (NFS-e), o Conhecimento de Transporte
Eletrônico (CT-e) e a Nota Fiscal do Consumidor Eletrônica (NFC-e), entre outros projetos. Outrora,
esses projetos implantados no setor contábil trouxeram vários benefícios as entidades, como um
atendimento ágil em favor dos clientes e transparência nos processos. Ademais, a questão dos papéis
que o profissional tinha que armazenar, pois antes dos documentos fiscais eletrônicos, os escritórios
precisavam ter uma estrutura de espaço físico para armazenar a documentação de cada um dos seus
clientes, uma vez que, organizar e arquivar todos esses documentos manualmente de modo a garantir
praticidade na hora de encontrar alguns documentos não era uma atividade fácil. Portanto, o
armazenamento virtual mudou completamente esse quadro, trazendo uma nova perspectiva aos
profissionais contábeis.
Este estudo tem como objetivo geral discorrer os assuntos ligados aos documentos fiscais
eletrônicos, e transparecer a implantação e os benefícios que esses documentos fiscais eletrônicos pós
projeto SPED trouxeram na Contabilidade.
Os objetivos específicos deste trabalho são demostrar como é a contabilidade e sua evolução
hodiernamente, descrever a importância e os impactos da tecnologia da informação nos sistemas
contábeis, apresentar o Sistema Público de Escrituração Digital (SPED) e um apanhado de todos os
seus projetos, enunciar sobre o Certificado Digital que é um venerável instrumento de grande valia
para os documentos fiscais eletrônicos, demonstrar os documentos fiscais eletrônicos pós SPED bem
como discorrer os benefícios desses documentos na Era Digital.
O trabalho em tese expõe a problemática como o avanço tecnológico e a implantação de um
sistema exclusivo governamental impactou na prestação de informação da Contabilidade para o fisco?
Ademais, a temática possui notória relevância contemporânea, uma vez que demonstra os
impactos que os documentos fiscais eletrônicos causaram na prestação de informações contábeis,
tanto para o fisco, bem como para os contadores. Além disso, o artigo evidencia os benefícios
ocasionados pelas tecnologias na área contábil, demostrando um contexto histórico do antes e depois
dos referidos recursos.
Quanto aos aspectos metodológicos, esse estudo caracteriza-se por ser uma pesquisa
bibliográfica, pois se trata de uma reunião sistemática do material contido em livros, revistas,
Volume 1, Número 04, 2020
pesquisas avulsas, além de leis, súmulas e projetos de leis recentemente aprovados pelo Conselho
Federal de Contabilidade (CFC).
A contabilidade é conceituada como a ciência que estuda os fatos que ocorrem nos
patrimônios das entidades, mediante o registro e a classificação, analisando e interpretando
esses fatos, com o intuito de oferecer informações e orientações que são necessárias para a
tomada de decisão. De fato, Jacinto (1990, p.26) já ressalta que a contabilidade é a ciência que
estuda o patrimônio, as variações que ocorrem na empresa, pelos efeitos das atividades
empresariais desenvolvidas.
Seguindo tal raciocínio, Barros (2013, texto digital) complementa:
Contabilidade é a ciência social que visa ao registro e ao controle dos atos e fatos econômicos, financeiros
e administrativos das entidades. Trata-se de um sistema de informação e avaliação destinado a prover seus
usuários com demonstrações e análises de natureza econômica, financeira, física e de produtividade, com relação
à entidade objeto de contabilização.
A contabilidade torna-se uma atividade vital para qualquer tipo de organização. Sua
importância ultrapassa a fronteira dos negócios com fins lucrativos, abarcando, inclusive,
organizações sem fins lucrativos e pessoas físicas. Afinal, a economia percorre qualquer relação de
troca, e o controle efetivo de recursos só pode ser atingido quando se pratica a filosofia contábil que
oferece as ferramentas necessárias para o alcance da efetividade.
Por conseguinte, ressalta-se que os objetivos da contabilidade estão nas informações que
devem ser geradas aos usuários, para que assim eles possam tomar conhecimento da qual se encontra
a situação da organização em um determinado tempo, assim com o objetivo de tomar decisões que
considerem necessárias. Entretanto a contabilidade tem por finalidade orientar os investidores para o
mercado, orientar credores e instituições de crédito, orientar sociais e trabalhistas, e elaborar análises
científicas para modelos de comportamento da riqueza para ensejar decisões administrativas e tantas
outras finalidades.
Segundo Franco (1997), a contabilidade tem por função registrar, classificar, demonstrar,
auditar e analisar todos os fenômenos que ocorrem dentro das entidades, com o intuito de fornecer
informações e interpretações sobre a composição e a variação do patrimônio para a tomada de
decisões de seus administradores.
A cada dia os escritórios contábeis estão se modernizando, aderindo assim constantemente a
era digital. Hoje, a contabilidade se tornou um segmento que não vive sem o auxílio de computadores
ou notebooks, sendo que o mercado de trabalhos moderno possui um grande acervo de novas
tecnologias, com o intuito de trazer agilidade e buscar a cada dia conceder um atendimento eficaz aos
clientes. Outrora, é possível afirmar que os sistemas de software estão desenvolvendo a cada dia,
perante a área contábil, assim de fato, as empresas investem nessas novas tecnologias buscando
solução aos problemas com mais agilidade nos atendimentos.
Na visão de Simas, Alves e Cabral (2011), após incluir no cotidiano contábil o uso da
tecnologia nos processos de informações, o contador começou a ser um analista da contabilidade,
pois com a evolução no setor contábil, o contador começou a dedicar mais tempo na análise da área
contábil e conseguiu efetuar seu trabalho em pouco tempo com mais segurança.
A tecnologia das informações na contabilidade vem inserindo uma nova maneira de analisar
os procedimentos, obtendo uma grande importância na gestão contábil. Por isso, o profissional
contábil, através dos mecanismos tecnológicos, está a cada dia fornecendo informações muito mais
rápidas e se adaptando as mudanças que ocorrem constantemente no mercado de trabalho.
Volume 1, Número 04, 2020
A tecnologia da informação é uma área que usa a computação como um meio para produzir,
transmitir, armazenar, aceder e usar diversas informações. Entretanto a tecnologia da informação veio
ao setor contábil com a função de agilizar e facilitar as rotinas de trabalho, além de ecoar todas as
expectativas no que refere aos resultados. De fato, a grande parte dessas mudanças foram
proporcionados pela tecnologia da informação, que foi por demais relevante principalmente no
sistema contábil, criando de modos sistemas de informações contábeis e os ERP´S (Enterprise
Resourse Planning), que trouxe o aperfeiçoamento nas atividades exercidas pelo contador, já que a
maior parte eram feitas manualmente, e trazendo o essencial que é a agilidade nos processos e no
atendimento.
É preciso insistir que a tecnologia da informação está vinculada ao setor contábil com o
objetivo de buscar uma inovação de forma criativa e de forma que possa levar os dados com mais
agilidade e eficiência através dos mecanismos tecnológicos, assim de forma que esses dados possam
ser interpretados pelo receptor e que aumente admiravelmente as chances de uma decisão ser tomada
corretamente.
Segundo Gil (1999) a tecnologia da informação está mudando a cada dia a estrutura dos
negócios: atendimento ao cliente, que antes era vagaroso, hoje é concedido com agilidade, pois antes
esses tinham um ciclo grande, já atualmente são ágeis as entidades, onde o sistema de informação
contábil tem um grande relacionamento nesses processos.
Segundo Padoveze (2000, p.44) a tecnologia das informações tem uma grande relevância nas
atividades que são desenvolvidas no setor contábil. As tecnologias das informações são tão
abrangentes que têm uma ligação nas mais diversas áreas, que existem diversas definições, mas
nenhuma consegue definí-las por inteiro.
Na esteira de Marion (2005, texto digital):
Volume 1, Número 04, 2020
De certa forma, quando a contabilidade passou por estas mudanças nos processos, através da
tecnologia da informação, essa sofreu vários impactos também por adequar as novas mudanças que
estavam por vir. Todavia, dentre os impactos que a Contabilidade se afligiu pelas as mudanças
tecnológicas, há autores que destacam a importância que a informação trouxe para as atividades
contábeis trazendo vários pontos positivos.
Nem todos os pesquisadores compreendem que esses impactos foram positivos. Pois de fato
há aqueles que atribuem uma neutralidade aos impactos. Para Scott (2009), a tecnologia mudou a face
da contabilidade ao longo dos anos, mas não é fácil identificar se seus impactos foram positivos ou
negativos.
Os autores Alsarayreh et al. (2011, texto online) reiteram que:
O setor contábil sofreu os impactos tecnológicos, pois de fato todo o processo da contabilidade
era manual, mas a tecnologia da informação veio para aderir seus mecanismos tecnológicos no setor
contábil, isso fez com que o contador aderisse por mudanças para conceder aos seus clientes
atendimentos eficazes e ágeis para a satisfação dos clientes. Embora, para que isso acontecesse, o
profissional precisou ser confiável nos sistemas de informação, na certeza que traria resultados
benéficos para o setor contábil.
A área da contabilidade é umas das áreas que mais sofreu impactos das inovações tecnológicas.
Em vista disso a contabilidade teve de manter sua atenção sempre direcionada para manter-se em
plena harmonia com os objetivos estratégicos da organização, uma vez que o contador deve usar os
diversos sistemas de informações de acordo com a necessidade de cada cliente. Para isto, na atual
conjuntura da contabilidade, saber lidar com as novas tecnologias da informação não significa um
diferencial profissional da contabilidade.
Volume 1, Número 04, 2020
De fato, o SPED, foi instituído pelo decreto n.6022 em 22 de janeiro de 2007. No início desse
projeto, o governo se uniu as empresas em prol de um objetivo comum: estabelecer mudança na forma
de emissão e o armazenamento de documentos fiscais, onde alterou a escrituração fiscal colocando
todos na era digital (MARIANO, AZEVEDO, 2009).
Volume 1, Número 04, 2020
Por isso, o SPED surgiu para reduzir o índice de fraudes nos processos contábeis, promover a
integração dos fiscos, mediante a padronização e compartilhamento das informações, tornar mais
célere as informações dos ilícitos tributários, assim trazendo melhoria nos processos e rapidez no
acesso de informação.
Segundo o sítio do SPED, o governo elaborou o surgimento do SPED, pois seria um projeto
importante e relevante aos usuários contábeis. Por isso o SPED elevou-se trazendo a importância de
eliminar a concorrência desleal com o aumento da competitividade entre as empresas e promover
compartilhamento de informações mais ágil.
De certa forma, o SPED possui anexados na sua estrutura certas premissas, como de fato:
propiciar melhor ambiente de negócios para as empresas do país; eliminar a concorrência desleal com
o aumento da competitividade entre as empresas; utilizar a certificação digital padrão para ICP Brasil;
promover o compartilhamento de informações; reduzir custos ao contribuinte; e disponibilizar
aplicativos para emissão e transmissão da Escrituração Digital e da NFC-e, para uso opcional pelo
contribuinte e trazer eficiências nos atendimentos aos clientes. Os usuários do SPED estão
contemplados no art. 3º do Decreto nº. 6.022/07:
Para a implantação do SPED, foram analisados os possíveis benefícios, dentre eles o destaca-
se como os principais (BRASIL 2014, texto digital):
De certa forma este sistema trouxe resultados benéficos como a contribuição de redução de
custos com o armazenamento de documentos e para minimizar os encargos, assim cumprindo as
Volume 1, Número 04, 2020
Porém, deslocou pontos negativos como a implantação do próprio sistema, já que o mesmo
trouxe custos não planejados a empresa; a empresa teve custo com a qualificação das pessoas
envolvidas no processo, como de sistemas terceirizados para a geração de arquivos eletrônicos, a
insegurança por não saber se o que está sendo enviado e o que realmente o fisco almeja, entre outros
pontos.
Segundo Sebold et al. (2012, p. 28):
Para que haja eficiência na estrutura do Sped, há um mecanismo de grande relevância que é o
sistema de informação, de modo que segundo Padoveze (2004, p.143) obtempera que o sistema de
informação é como um meio que o contador utiliza para efetivar a contabilidade e a informação
contábil dentro da organização, para que a contabilidade seja utilizada em toda a sua plenitude.
Os autores Mascove, Simkin e Bagranoff (2002, p. 23) salientam que “Um sistema de
informações é um conjunto de subsistemas interrelacionados que funcionam em conjunto para coletar,
processar, armazenar, transformar e distribuir informações para fins de planejamento, tomada de
decisão e controle”.
O sistema de informação atualmente na contabilidade é operacionalizado utilizando como
base na tecnologia da informação, assim concedendo aos profissionais contábeis o sucesso das
empresas relacionado a velocidade que as informações são assimiladas e pela rapidez no processo de
tomada de decisão, trazendo agilidade e confiança no atendimento aos usuários.
Volume 1, Número 04, 2020
4. CERTIFICADO DIGITAL
Com a nova era-digital, a utilização de livros e registros que antes eram impressos e
engavetados, atualmente tornaram-se digitais. Devido a isso, novas rotinas foram criadas no cotidiano
contábil, incluindo as novas exigências do governo para a utilização de tais arquivos, como o
certificado digital.
Conforme Silva et al (2008, p. 26) “O Certificado Digital (também chamado de certificado de
chave pública) é uma ligação entre a chave pública de uma entidade e um ou mais atributos
relacionados a esta entidade, armazenados em um arquivo digital”.
O certificado digital é um documento fiscal eletrônico que identifica o emissor através de uma
criptografia. Nesse certificado, uma terceira parte confiável, denominada autoridade criptográfica,
atesta a autenticidade da chave pública ou privada, garantindo a identidade do emissor.
Segundo Ribeiro (2010, p. 56):
O autor Brocardo (2016), ressalta que o certificado tipo A (assinatura digital) é o tipo de
certificado mais utilizado, todavia serve para realizar assinaturas digitais em todos os tipos de
documentos, transações eletrônicas, entre outras aplicações. Já o certificado tipo S (sigilo) é utilizado
exclusivamente para proporcionar sigilo à transação, ele possibilita criptografar os dados de um
documento, que passa a ser acessível somente com a utilização de um certificado digital autorizado
para abrir o arquivo.
Brocardo (2016, texto digital), afirma que:
A Nota Fiscal Eletrônica teve seu surgimento através do Sistema de Escrituração digital
(SPED), onde anteriormente essa era processada manualmente em um processo vagaroso, então
quando houve seu surgimento no sistema contábil a NF-e digital houve diversas transformações na
área contábil, dentre elas um atendimento ágil em que trouxe eficiência nas informações em que
usuários almejava para a tomada de decisão.
A esse respeito, Azevedo e Mariano (2009, p.83) obtemperam a Nota Fiscal Eletrônica como:
A Nota Fiscal Eletrônica é o documento que tem sua existência digital, emitido e armazenado
eletronicamente e o seu modelo é o 55, onde tem o intuito de documentar a circulação de mercadoria
ou uma prestação de serviço entre as partes, em que sua validação está garantida através da assinatura
digital do remetente e pelo fisco do documento eletrônico, ou seja, antes da ocorrência do fato gerador.
Conforme o SEFAZ (2012), a NF-e foi elaborada pelo governo com o objetivo de uma
implantação de um modelo de documento fiscal eletrônico nacional em que sua validade é jurídica
Volume 1, Número 04, 2020
para todos os fins, em que vem como desígnio de simplificar as obrigações acessórias dos
contribuintes e apadrinhar o controle das operações pelo fisco em tempo real.
De acordo com Muller, Pilar e Kido (2007), a NF-e foi um início de uma grande reforma
tributária, em que iniciou com a modernização do Sistema tributário Nacional. De fato, por meio da
mudança de escrituração em meio físico para a escrituração eletrônica, trouxe pontos benéficos ao
sistema Contábil.
Na esteira do Enat (2005, texto digital) os pontos benéficos da NF-e:
Assim, segundo o sitio do Speed estima que os pontos benéficos que a NF-e trouxe a área
contábil foi a confiabilidade dos usuários em relação a NF-e, melhoria no controle do processo fiscal,
redução de custos no processo de controle de Notas fiscais, diminuição de sonegação e aumento de
arrecadação de impostos, agilidade nos processos fiscais, entre tantos outros pontos benéficos
almejados pelos profissionais contábeis.
Os autores Nascimento e Lima (2008, p.26) relatam como é a consistência da implantação da
NF-e:
informações as diferentes entidades reguladoras, tanto pela administração tributária, como pelos
contribuintes.
As empresas que tem a necessidade da implantação das Notas Eletrônicas, sejam elas as
MEIs e as EPPs, devem solicitar a autorização do presente documento ás Secretárias da Fazenda do
estado em que se localiza, além disso é preciso obter o certificado digital por autoridade certificadora
credenciada pela Infraestrutura de Chaves Públicas Brasileiras (ICP- Brasil), pois o certificado digital
é requisito de validade jurídica da NF-e e sua obtenção nas empresas é uma obrigação acessória
reflexa.
Para que os RPS possam fazer parte de um lote em que é enviado para a geração das NFS-e
correspondente, há uma necessidade que o contribuinte possua uma aplicação que deve ser instaladas
em seus computadores, de modo que elas seja fornecida pela secretária ou seja desenvolvida
particularmente.
A Nota Fiscal de Consumidor Eletrônica (NFC-e), é um documento fiscal eletrônico, que faz
parte do SPED, que foi elaborado pelo governo no intuito de trazer várias vantagens aos contribuintes,
e conceder um processamento mais célere, cujo seu modelo é o 65 e foi instituída pelo Ajuste Sinief
19/2016.
Conforme o Sistema Enotas (2020, texto digital), NFC-e é ressaltado como:
Volume 1, Número 04, 2020
Esse projeto é uma alternativa em que é totalmente eletrônica para os atuais documentos
fiscais eletrônicos que são utilizados no varejo, seja eles o cupom fiscal, ou a nota fiscal modelo 2.
Todavia, esse projeto aventam um padrão de documento fiscal eletrônico para o varejo, que são
baseados nos padrões técnicos de sucesso da Nota Fiscal Eletrônica. (BRASIL, 2012).
A NFC-e substitui a nota fiscal de venda a consumidor, modelo 2, e por fim o cupom fiscal
emitido por ECF, de modo que é utilizada na venda a consumidor fiscal. Possivelmente a NFC-e visa
ceder uma nova alternativa que é totalmente eletrônica para os documentos fiscais em papel no varejo,
a fim de reduzir os custos de obrigações acessórias em relação aos contribuintes, ao mesmo tempo
que possibilita o aprimoramento do controle fiscal pelas Administrações Tributarias.
A NFC-e cede aos contribuintes vários pontos benéficos como de fato possibilita ao
consumidor a conferencia da validade e a autenticidade do documento fiscal recebido, como também
propõem o estabelecimento de um padrão nacional de documento fiscal eletrônico, em que é baseado
nos padrões técnicos de sucesso da Nota Fiscal Eletrônica modelo 55, todavia adequado ás
particularidades do varejo (SPED, 2020).
contribuinte é considerado um sujeito passivo de uma obrigação tributária, quando tenha relação
pessoal e direta com a situação que constitua o respectivo fato gerador.
Na esteira do Sistema da Nota Fiscal Eletrônica (NF-e) (2020, texto digital) os principais
benefícios dos documentos fiscais eletrônicos ao contribuinte são:
Dessa forma, os documentos fiscais eletrônicos vieram com o objetivo de proporcionar vários
benefícios aos contribuintes como a redução de papéis, pois os projetos do SPED sendo digitais,
reduziriam o índice de papéis gastos pelos profissionais, assim também como a redução de custos no
envio de documentos fiscais. De fato, logo após a implantação do SPED, ainda há uma aparição de
papéis no cotidiano contábil, como exemplo o envio de mercadorias guiado pela DANFE (Documento
Auxiliar da Nota Fiscal Eletrônica), impressão de livros fiscais obrigatórios, assim ainda causando
impactos no meio ambiente com o uso de papéis usado pelos profissionais.
Com uso dos documentos fiscais eletrônicos houve várias vantagens em favor do fisco, como
a confiabilidade dos envios das notas fiscais diminuindo a sonegação de impostos, o concedendo um
processo mais autêntico, possibilitando que as informações entre os fiscais sejam transparentes e
diligentes. Ademais, possibilitou a redução de tempo para caminhões que param nos postos fiscais de
fronteiras, pois com a participação do MDF-e os processos de fiscalização realizados nos postos de
fiscalização de mercadorias em trânsito se tornaram simplificados, de forma a reduzir o tempo dos
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veículos de cargas nestas unidades de fiscalização. Isso ocorre porque o MDF-e possibilita a
otimização dos processos de organização, a guarda dos documentos eletrônicos, facilitando assim a
recuperação e o intercambio das informações para trazer um processo ágil e confiável.
Através dos documentos fiscais eletrônicos, foi implantado a NFC-e posteriormente depois da
NF-e que já exerciam seu papel nos processos contábeis, assim após a chegada da NFC-e os
consumidores granjearam várias vantagens, exemplo disso é a transparência no ato da compra pelo
fato de receber o cupom fiscal, assim o consumidor saberá que o imposto que ele está pagando será
repassado pelo governo, isso faz com que traga mais transparência nas relações, concede mais
segurança ao consumidor e minimiza riscos de reformulação e ajustes de impostos, uma vez que, a
sonegação fiscal diminui e a arrecadação para o pagamento de contas públicas sobe. Outra vantagem
relevante é que o consumidor pode receber seu cupom fiscal pelo seu e-mail ou via SMS, facilitando
a organização financeira, de modo que todas as empresas tiveram que aderir a esses documentos
fiscais eletrônicos a fim de trazer confiabilidade aos consumidores e ao governo.
Por fim, os documentos digitais trouxeram vários resultados positivos as entidades,
disponibilizando assim um atendimento eficaz e ágil, fornecendo informações confiáveis para a
tomada de decisão da empresa e conquistando mais clientes dentro dos escritórios contábeis.
7. CONSIDERAÇÕES FINAIS
precisaram aderir a essas modificações, de certa forma que um desses impactos foi a implantação do
Sistema Público de Escrituração Digital (SPED), implantado pelo governo ao setor contábil.
Assim, quando o projeto SPED foi criado pelo governo, ele uniu com as empresas em prol de
um objetivo comum: promover uma mudança na forma e armazenamento dos documentos fiscais
eletrônico, além de trazer uma alteração na escrituração contábil e fiscal, colocando todos
definitivamente na era digital. De certa forma, com a presença da tecnologia da informação na
Contabilidade, os profissionais foram deixando de utilizar os documentos que eram elaborados
manualmente, e começou a utilizar os documentos fiscais eletrônicos, do modo que fluiu resultados
benéficos, como a segurança nas informações, através do certificado digital, a acessibilidade na
gestão dos documentos eletrônicos, redução de custos, entre outros. Outrora, o SPED criou vários
projetos como: NF-e, NFS-e, CT-e, NFC-e. Desta forma foram trazidos a contabilidade a fim de haver
um avanço maior no setor contábil, deste modo ajudando os contadores na tomada de decisão.
Com a criação do SPED, trouxe aos fiscos diversas modificações. Desta forma, com a
elaboração desse projeto, houve diversos resultados positivos aos fiscos, de modo que diminuiu a
sonegação de tributos, e levantou um aumento na arrecadação de impostos.
De certa forma, o Sistema Público de Escrituração Digital impactou na prestação de serviços
em relação ao fisco, como a rapidez no acesso ás informações e a fiscalização mais efetiva das
operações com o cruzamento de dados e com isso identificar com mais agilidade e presteza dos ilícitos
tributários, trouxe uma redução de envolvimento involuntário de práticas fraudulentas, impactou
também em relação a redução do tempo despendido com a presença de auditores fiscais nas
instalações do contribuinte, houve de modo também um fortalecimento do controle e da fiscalização
por meio de intercâmbio entre as administrações tributárias, e um aperfeiçoamento do combate a
sonegações de impostos.
Com base em tudo que foi apresentado sobre o Sistema Público de Escrituração Digital-SPED,
e seus pilares, pode se concluir que a contabilidade através da tecnologia da informação cedeu
diversos pontos benéficos ao fisco, pois agora o fisco tem as informações em tempo real e de forma
especificada para consultar sempre que achar necessário, além do mais a rapidez na identificação de
ilícitos tributários e fraudes cometidos pelos contribuintes.
Portanto, temos que a presente pesquisa ofertou resposta a problemática, uma vez que vale
ressaltar os impactos que o projeto governamental trouxe para a contabilidade, como já observado.
Por fim, não espera que essa pesquisa permaneça vedado, e sim, seja capaz de amparar outras
pesquisas que problematizam os impactos trazidos ao fisco através do projeto SPED.
Volume 1, Número 04, 2020
REFERÊNCIAS
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Escrituração Digital-SPED. (Monografia) Universidade do Extremo Sul Catarinense, 2013.
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RESUMO
ABSTRACT
19
Aluno do 8° período do Curso de Ciências Contábeis da FAJ – Jussara. E-mail: jv218778@[Link]
2
Professora e Coordenadora do Curso de Ciências Contábeis da FAJ. E-mail: denise@[Link]
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This article clearly demonstrates the contribution of micro and small businesses to the Brazilian
economy, highlighting and prioritizing the change that occurred through the amendment of Law
6.404 / 76 that brought concepts and obligations in a coherent way to the place of validity, for
the Law 11.638 / 07 that was enacted with the aim of harmonizing these obligations. Through
the research carried out, there is a great demand demanded for micro and small companies,
since before the enactment of the law as obligations now required, they were only fulfilled by
large and limited companies. With this, to make life easier for managers and accounting
professionals, the General Technical Instruction was created, which came to simplify the
bookkeeping of these companies and make the whole process keep up quickly and do not lose
quality. The importance of the accountant in the routine of these companies is evident, given
that most managers are not concerned with the knowledge of the required reports and resources
of accounting professionals prepared so that they can have a better decision making.
1 INTRODUÇÃO
De modo geral, essa pesquisa é de cunho qualitativo, visto que sua essência está na
influência que a lei 11.638/07 insere sobre as micro e pequenas empresas, na importância dessas
instituições com relação ao fornecimento de empregos e principalmente na sua contribuição
para a economia brasileira, fazendo uma breve pesquisa relacionada ao impacto que a lei 11.638
vem trazendo na rotina das organizações, destacando também as vantagens de utilizar a ITG
1000 para o auxílio na simplificação das obrigações exigidas pela referida instrução técnica, e
como foi a adaptação e a produção contábil antes e depois da promulgação. Assim, o estudo
procura averiguar e contextualizar a importância do contador na rotina dessas empresas, no
auxílio e consequentemente na tomada de decisão através da lei citada acima.
Neste diapasão, o objetivo geral da presente investigação é analisar a adaptação dos
profissionais de contabilidade e as micro e pequenas empresas com a implantação da lei
11.638/07. E como objetivos específicos:
- Contextualizar as micro e pequenas empresas no Brasil.
- Descrever o impacto dessas empresas na economia brasileira.
- Averiguar a adaptação dos profissionais de contabilidade através da implantação da
lei 11.638/07, juntamente com a ITG 1000.
Diante dos objetivos ora elencados, eis as perguntas de pesquisa:
- Qual o impacto da lei 11.638 sobre as micro e pequenas empresas?
- Quais as vantagens de aplicar o método de ITG 1000 para a simplificação das
informações prestadas?
- Como era a produção da informação contábil nas microempresas e empresas de
pequeno porte antes da ITG 1000, e como ficou após 13 anos da promulgação da referida
instrução técnica.
A relevância deste estudo baseia-se na importância da contabilidade no âmbito
empresarial, tendo como base a lei 11.638 e seu impacto geral tanto nas organizações quanto
na rotina dos profissionais contábeis. E também considerando a ITG 1000 como um modelo
para que as demonstrações exigidas pela lei 11.638 sejam feitas de forma simplificada sem que
saia das exigências das Normas Internacionais da Contabilidade.
A seguir, discutimos teoricamente alguns aspectos relacionados a utilidade das
demonstrações contábeis nas empresas, a influência da contabilidade no âmbito empresarial, e
como a lei 11.638 está impactando as micro e pequenas empresas juntamente com o profissional
contábil.
Volume 1, Número 04, 2020
De acordo com Matarazzo (2010, texto digital) “As demonstrações contábeis são,
atualmente, um elemento indispensável para a gestão empresarial. Afinal, as informações
geradas pelos relatórios são essenciais para a tomada de decisão e isso pode mudar o rumo de
uma empresa”. Ou seja, se usada de forma adequada, as demonstrações proporcionam uma
grande vantagem para gestores que tenham alguma dúvida no que diz respeito ao gerenciamento
da organização, mostrando de forma clara qual a melhor decisão que o gestor deve tomar.
No entanto, as ferramentas de demonstração contábil são utilizadas de forma geral para
verificar a situação de qualquer instituição. São através dessas evidências que os
administradores podem ter uma maior noção de como está o real cenário de sua empresa antes
de tomar qualquer decisão. Podem ser utilizadas também como um relatório de custos para
saber como está a linha de produção e a formulação de preços, permite também o
monitoramento dos investimentos e resultados, ajuda a obter crédito no mercado, previne
eventuais problemas, prova a confiabilidade do negócio, e melhora consideravelmente a tomada
de decisões.
2.3 O impacto da lei 11.638 sobre as micro e pequenas empresas e o reflexo no trabalho
do profissional contábil
Ou seja, é por meio das demonstrações financeiras fornecidas de uma empresa, que
facilitaria a análise da situação geral e real de sua saúde financeira, tendo reflexo direto na
tomada de decisão dos investidores ou sócios. E também são através destes relatórios que
possibilitaria que a organização consiga ter um financiamento aprovado por exemplo, pois eles
demonstrariam com clareza se a instituição conseguiria ou não arcar com as dívidas a longo
prazo.
Existem várias formas de demonstração contábil, sendo elas: Balanço Patrimonial; fluxo
de caixa; valor agregado ou adicionado; demonstrações do Resultado; mutações do Patrimônio
Líquido.
Volume 1, Número 04, 2020
O balanço patrimonial, de forma geral, é a principal peça contábil, pois através dele é
possível enxergar e obter um conhecimento mais amplo de uma instituição. Segundo Sá (2009,
p.32), “o balanço é um quadro que faz conhecer a situação da empresa em um dado momento,
é o mesmo que uma balança, dando ambos os termos a ideia de equilíbrio”. Ou seja, é uma
ferramenta para auxiliar os administradores no controle de custos e despesas relativos a um
determinado período, onde o mesmo tem total controle e ciência dos seus direitos e obrigações,
e também se trata de um método muito eficaz para determinar a evolução da entidade e onde
seria mais viável uma possível revisão ou manutenção.
Entende-se como fluxo de caixa tudo aquilo que faz com que o capital da companhia
gire, entre outras palavras, a entrada e saída de recursos financeiros para as compras,
recebimentos e investimentos. Ou seja, deixa claro “as modificações ocorridas nas
disponibilidades da companhia” (FERREIRA,2012,). De acordo com essas modificações, o
gestor administrador saberá identificar melhor qual a melhor decisão a se tomar e onde aplicar
o dinheiro da empresa, aumentando ainda mais o seu capital de giro, e consequentemente,
progredindo seu fluxo de caixa.
Toda entidade busca visar seu desempenho econômico, buscando sempre o maior
retorno possível e dando foco ao lucro, e para saber se suas receitas superam seus custos e
despesas, a DRE (Demonstração de Resultado) vem para demonstrar da melhor forma possível,
pois sua estrutura consiste em grupos que evidenciarão a composição de resultados que foram
formados em um determinado período de tempo. Ferreira (2012), por assim dizer, pondera que
é o que denominamos resultado, determinado contabilmente conforme o regime de competência.
Como o próprio nome diz, as Mutações do Patrimônio Líquido têm como finalidade
apresentar todas as alterações que ocorreram com a entidade em um determinado período de
tempo. Existem algumas mudanças que são caracterizadas como principais, como a destinação
dos resultados do período, o aumento ou a diminuição das reservas da empresa, ou a
integralização de capital. Essa demonstração não é exigida por lei, mas é uma demonstração
mais completa e abrangente, por nela estarem contidas todas as contas do patrimônio Líquido.
No entanto, a empresa que escolher utilizar essa opção, não precisará apresentar a demonstração
de lucros ou prejuízos acumulados, pois essas informações já se encontram na DMPL
(SANTOS, 2013, texto digital).
Todas as entidades tinham obrigação e finalidade de apresentar as demonstrações
financeiras, e com isso foram elaborados vários tipos, que sofreram alterações a partir do
surgimento da lei 11.638. As mudanças inclusas no processo de integração da lei foram relativas
as seguintes demonstrações: A Doar (Demonstração das origens e Aplicações de Recursos) que
foi substituída pela DFC (Demonstração do Fluxo de Caixa) e incluem a DVA (Demonstração
do Valor Adicionado) (DIAS, 2008).
As mudanças ocasionadas pela lei 11.638 refletem sobre um cenário mundial, pois
ressalta a necessidade e priorização das informações padronizadas. Após análises de todas as
alterações ocorridas nas Demonstrações Financeiras observa-se que o objetivo das mesmas é
buscar a maior transparência possível das informações, buscando uma maior segurança no
Volume 1, Número 04, 2020
Antes Depois
Ativo Circulante Ativo Circulante
Realizável a Longo Prazo Ativo Não Circulante
Ativo Permanente ·Realizável a Longo Prazo
Investimento ·Investimento
Imobilizado ·Imobilizado
Diferido ·Intangível
·Diferido
Passivo Circulante Passivo Circulante
Passivo Exigível a Longo Prazo Passivo Não Circulante
Reserva de Exercícios Futuros ·Exigível a Longo Prazo
Patrimônio Líquido ·Resultado de Exercícios Futuros
·Capital Social Patrimônio Líquido
·Reserva de Capital ·Capital Social
·Reserva de Reavaliação ·Reserva de Capital
·Reserva de Lucros ·Ajuste de Avaliação patrimonial
·Lucros ou Prejuízos Acumulados ·Reservas de Lucros
·Prejuízos Acumulados
Volume 1, Número 04, 2020
Com isso, o novo grupo Intangível, criado a partir da lei 11.638/07 tem como objetivo
registrar todas as transações de bens incorpóreos, que antes da alteração eram registradas dentro
do Ativo Permanente, como as contas de Marcas e Patentes, Direitos Autorais e não Autorais.
Outra mudança foi com relação as depreciações, que antes eram estimadas nas taxas fiscais,
porém a partir de 2008, as depreciações passaram a ser calculadas a partir da vida útil do bem
adquirido. E no lado do passivo não houve mudanças específicas ocasionadas pela lei, somente
as contas foram reclassificadas como Passivo Circulante e Passivo Não Circulante.
2.6 A Interpretação Técnica Geral (ITG) 1000 no aspecto empresarial e suas obrigações
As microempresas e empresas de pequeno porte podem optar pela adoção da ITG 1000,
pois são as que possuem receita bruta inferior ou igual aos limites definidos pelos incisos I ou
II do artigo 3 da Lei Complementar n. 123/06. Quando foram elaborar os critérios para que uma
empresa fosse adotar o método da ITG 1000, existiam outros fatores como exemplo, que eram
o valor do ativo total, valor anual da receita bruta e a quantidade de empregados (FILHO, 2009).
Com isso, a ITG 1000 tem por objetivo principal estabelecer procedimentos e critérios
contábeis mais simplificados para o registro das informações, transações e operações que
geralmente são analisadas dentro da realidade das microempresas e empresas de pequeno porte.
Existem casos em que as entidades possuam eventos materiais ou transações que não estejam
constantes na ITG 1000, e quando isso acontece, devem ser vigorados também os critérios da
ITG 2000, com o intuito de observar todas os lançamentos e transações realizadas a fim de
garantir que sejam evidenciadas e escrituradas nas Demonstrações contábeis de forma correta
e sem deixar registros de informações pendentes.
Todas as informações constantes nas demonstrações contábeis são fundamentais para
os usuários, e a Norma Brasileira de Contabilidade (NBC, 2010), na Seção 2 afirma dizendo:
O objetivo das demonstrações contábeis de Pequenas e Médias empresas é fornecer
informação sobre a posição financeira (balanço patrimonial), o desempenho
(resultado abrangente) e os fluxos de caixa da entidade, que é útil para a tomada de
decisões por vasta gama de usuários que não está em posição de exigir relatórios feitos
sob medida para atender suas necessidades de informação particulares.
A partir desde contexto, o estudo se torna relevante com relação a utilização das
demonstrações contábeis nas empresas a partir do conceito da ITG 1000, visto que ela obriga a
demonstração destes relatórios com algumas exceções.
A ITG 1000 define regras de escrituração contábil para:
• Mensuração de estoque;
Volume 1, Número 04, 2020
3 CONSIDERAÇÕES FINAIS
atendiam somente a demanda fiscal, e com a promulgação da Lei 11.638, passaram a ter um
cuidado maior e demandar mais o profissional contábil, que agora tem cada vez mais que se
adequar a rotina dessas empresas para que mantenham um serviço de alta qualidade, e assim
possam ajudar com a melhor tomada de decisão possível.
Por consequência da utilização destes relatórios e o aumento da demanda por parte dos
contadores, surgiu a ITG 1000, com o intuito de simplificar a escrituração dessas empresas e
facilitar a vida do profissional contábil. E por mais que alguns gestores considerem que a
contabilidade não seja de total utilidade para o gerenciamento de seus negócios, é preciso levar
em conta que o uso dos demonstrativos contábeis tem influência direta na “ vida útil” de uma
empresa, por ter dados mais precisos sobre seu fluxo de caixa.
O profissional contábil tem como escopo, estar sempre em constante estudo para se
manter atualizado de acordo com as mudanças advindas através das instruções técnicas, que
exigem grande atenção e cuidados para que possam sempre fornecer um serviço de qualidade
e manter uma linha progressiva em sua rotina contábil.
Por conseguinte, ainda que seja imperioso ressaltar as limitações do presente estudo,
que ocorreu apenas do ponto de vista teórico e conceitual - característica predominante de
investigações bibliográficas - a análise aqui empreendida, a partir das perguntas de pesquisa
formuladas, trouxe esclarecimentos pertinentes em face dos objetivos levantados, uma vez que
não se pode desconsiderar a dificuldade encontrada por muitos gestores quanto as obrigações
exigidas pela lei 11.638/07, como já observado.
Não se espera, todavia, que essa pesquisa permaneça hermética nas páginas deste estudo,
e sim, seja capaz de gerar e incrementar novos estudos sobre a grande influência que o
profissional contábil têm nas microempresas e empresas de pequeno porte após a alteração
ocorrida na lei 6.404/76.
REFERÊNCIAS
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FERREIRA, Ricardo José. Contabilidade Avançada. 5 ed. Rio de Janeiro: Ferreira, 2012.
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SEBRAE – Serviço Brasileiro de Apoio a Micro e Pequenas Empresas – Site Disponível em:
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Impacts and challenges with the new EFD accessory obligation – REINF
RESUMO
Este trabalho tem como principal objetivo discorrer sobre impactos e desafios enfrentados por
contadores e contribuintes no cumprimento das obrigações acessórias após a implementação da
EFD-Reinf. O estudo se propõe a evidenciar que a utilização da tecnologia nos sistemas de
gestão tributária propiciou mudanças significativas nas rotinas contábeis, simplificando a
integração entre Fisco e Contribuintes de forma eficiente e segura. O Sistema Público de
Escrituração Digital (SPED) é o instrumento que reúne as diversas escriturações fiscais e
comerciais das empresas em formato totalmente digital, sem a necessidade de utilizar qualquer
documento impresso. A EFD-Reinf é um módulo do sistema SPED que fornece informações a
respeito das retenções em serviços prestados ou tomados mediante cessão de mão de obra, essa
ferramenta permite que as informações prestadas tornem-se transparentes e concede ao
Governo maior controle de fiscalização por meio de cruzamento de dados dos registros
contábeis e fiscais, eliminando a possibilidade de fraudes. Este sistema vigora desde 2017 e
ainda se encontra em fase de implantação, desse modo, ainda não está obrigada a todos os tipos
de empresa. Apesar das dificuldades de adequação dos profissionais à EFD-Reinf, é possível
observar que houve melhora no cumprimento das obrigações acessórias por parte dos
contribuintes, pois a simplificação nos processos permite que as informações cheguem ao
Governo de forma segura, completa e em menos tempo. Tal modernização exige conhecimento
técnico por parte dos profissionais, visto que o uso das ferramentas digitais no segmento
contábil será cada vez mais comum, e para obter êxito em suas funções o profissional deve
saber se adaptar a essa nova realidade.
20
Graduanda do Curso de Ciências Contábeis na Faculdade de Jussara FAJ e autora do presente artigo. E-mail:
anaflavia827@[Link]
21
Professor especialista orientador. Contador. Possui graduação em Ciências Contábeis. Técnico em
Administração. Pós-Graduado em Gestão empresarial: Controladoria e Finanças. E em Contabilidade, Perícia e
Auditoria clesiomarsilva@[Link]
Volume 1, Número 04, 2020
ABSTRACT
This work has as main objective to discuss impacts and challenges faced by accountants and
taxpayers in fulfilling accessory obligations after the implementation of EFD-Reinf. The study
aims to show that the use of technology in tax management systems led to significant changes
in accounting routines, simplifying the integration between tax authorities and taxpayers in an
efficient and safe way. The Public Digital Bookkeeping System (SPED) is the instrument that
brings together the various tax and commercial deeds of companies in a fully digital format,
without the need to use any printed document. EFD-Reinf is a module of the SPED system that
provides information regarding the retentions in services provided or taken by assigning labor,
this tool allows the information provided to become transparent and gives the Government
greater control of inspection through cross-checking of data from accounting and tax records,
eliminating the possibility of fraud. This system has been in force since 2017 and is still in the
implementation phase, so it is not yet obliged to all types of companies. Despite the difficulties
in adapting professionals to EFD-Reinf, it is possible to observe that there has been an
improvement in the fulfillment of accessory obligations by taxpayers, since the simplification
of processes allows information to reach the Government safely, completely and in less time.
Such modernization requires technical knowledge on the part of professionals, since the use of
digital tools in the accounting segment will be increasingly common, and to be successful in
their functions, the professional must know how to adapt to this new reality.
INTRODUÇÃO
profissional contábil deve ampliar seus conhecimentos para não ficar para trás, uma vez que as
inovações estão ganhando cada vez mais espaço e seu uso será cada vez mais comum.
A transformação digital vem moldando novas técnicas e rotinas, o Sistema Público de
Escrituração Digital, ou SPED, é o “instrumento que simplifica e une diversas atividades,
conferindo validade jurídica à livros e documentos que fazem parte da escrituração fiscal e
comercial das organizações, em formato totalmente digital. Através do SPED é possível que os
contribuintes arquivem dados em um sistema digital, abandonando os papéis que utilizavam no
passado (SILVA; COSTA; SILVA, 2017, p. 30).”
Há tempos as autoridades fiscais já demonstraram certa preocupação na qualidade das
informações passadas pelos contribuintes a respeito de suas atividades. A ideia de padronizar o
cumprimento das mesmas, para atender as três esferas governamentais através da tecnologia da
informação, deu início em dezembro de 2003, com a aprovação da Emenda Constitucional nº
42, onde é inserido inciso XXII ao art. 37 da Constituição Federal, que determina às
Administrações tributárias da União, Estados, Distrito Federal e Municípios, atuarem de forma
integrada compartilhando cadastros e informações fiscais.
O processo de otimização da gestão tributária, foi promovido em 2004, no primeiro
Encontro Nacional de Administradores Tributários, ou I ENAT, buscando soluções para melhor
atender as administrações tributárias.
Mas, somente no ano de 2005 no II Encontro do ENAT, os protocolos de Cooperação
nº 02 e nº 03, que autorizam a implantação e desenvolvimento dos projetos foram assinados,
surgindo assim o Sistema Público de Escrituração Digital e a Nota Fiscal Eletrônica.
A instituição do SPED se deu através do Decreto nº 6.022, de 22 de janeiro de 2007,
sendo pertencente ao Programa de Aceleração do Crescimento, ou PAC, do Governo Federal,
cuja intenção é de estimular setores específicos da economia brasileira, e também modernizar
o cumprimento das obrigações acessórias pelos contribuintes, unificando várias
obrigatoriedades fiscais em um único arquivo, dispensando o uso de documentos físicos nas
operações (BRASIL, 2007).
A modernização na transmissão dos dados possibilita maior controle de fiscalização
uma vez que o fisco consegue fazer o cruzamento de dados dos registros contábeis e fiscais,
dificultando a possibilidade de fraudes.
O SPED atua de forma integrada com as autoridades fiscais no âmbito, federal,
estadual e municipal, por meio da padronização e compartilhamento das informações fiscais e
contábil das empresas. Essa modernização permite que os livros e documentos sejam emitidos
de forma eletrônica, e as informações transmitidas com mais velocidade e precisão, sendo que
Volume 1, Número 04, 2020
A Nota Fiscal Eletrônica, ou NF-e, foi o primeiro projeto do SPED, instituído pelo
Governo Federal a partir do Protocolo ENAT 03/2005. Por meio dela, houve uma revolução na
forma de emitir documentos fiscais relacionados às operações de compra e venda de
mercadorias, para assegurar a validade jurídica dos documentos surgiu a certificação digital.
Sua implantação possibilita maior clareza e segurança para as transações, pois permite consultar
a qualquer momento as informações no site da Receita federal, utilizando a chave de acesso
gerada na emissão da nota (BRASIL, 2005).
De acordo com o manual NF-e (2010), a Nota Fiscal Eletrônica, ou NF-e, consiste na
emissão de um documento fiscal armazenado eletronicamente, cujo objetivo é documentar
todas as operações de venda de bens e serviços, comprovando os valores da transação para fins
de apuração de impostos.
Sua existência é exclusivamente digital, dispensando o uso da nota fiscal impressa de
modelo 1 e 1-A, pois sua validade jurídica é garantida através da assinatura digital do emitente
e autorização de uso é fornecida pela administração fiscal de cada estado.
Com a implantação da NF-e, o Governo possui maior facilidade nos processos de
fiscalização nas operações, uma vez que os dados ocorrem em tempo real e antes mesmo da
mercadoria circular o fisco já está ciente do fato gerador, diminuindo a evasão fiscal. (VIANINI,
et al., 2012).
Carga, modelo 25. Sua finalidade é agilizar o registro em lote, vinculando os documentos fiscais
como a NF-e (Nota Fiscal Eletrônica) e o CT-e (Conhecimento de Transporte Eletrônico).
O Ajuste SINIEF 21/2010 institui o Manifesto Eletrônico para empresas prestadoras
de serviço e de transporte de carga, ou pelas demais empresas nas operações cujo transporte
seja realizado em veículos próprios, arrendados, ou mediante contratação de transportador
autônomo de cargas, com mais de uma nota fiscal, garantindo sua validade jurídica através do
certificado digital do emitente (SEFAZ/PR).
4.10 E-FINANCEIRA
4.11 E-SOCIAL
Os contribuintes devem fornecer ao fisco informações das retenções que não possuem
relação direta com o trabalho, destacando-se os serviços prestados e tomados, as
retenções na fonte incidentes de pagamentos a pessoas físicas e jurídicas, os recursos
recebidos e repassados para associações desportivas, a comercialização da produção
e a receita bruta para apuração das contribuições previdenciárias substituídas pelas
agroindústrias e produtores rurais, as empresas que se sujeitam a apuração e
apresentação da CPRB e as empresas promotoras eventos que envolva associações
desportivas que mantenham clubes de futebol profissional (LINDOMAR, 2016, texto
online).
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A desoneração da folha de pagamento foi instituída pelo Governo através dos art. 7º e
8º da Lei 12.546/2011, e alterada pela IN 1.812/2018, surgiu como alternativa para as empresas
Volume 1, Número 04, 2020
que desejam reduzir a carga tributária incidente sobre os salários, substituindo a contribuição
previdenciária pela contribuição sobre as receitas da empresa (PELLEGRINI;MENDES, 2014).
Grande parte das receitas arrecadadas pelo Governo são oriundas das contribuições
das empresas. A legislação estabelece que o INSS patronal recolhido por elas deve ser utilizado
para financiamento da Saúde, Previdência Social, Educação e Serviços Sociais Autônomos
(SESC, SENAI, SENAC).
De acordo com a Lei nº 8.212, art. 10 “a seguridade social deve ser financiada por toda
a sociedade, de forma direta ou indireta. De forma indireta, vindo de entes federativos; e de
forma direta, por empregadores e trabalhadores.”
Com essa medida, a empresa tem a possibilidade escolher qual opção de recolhimento
é mais vantajosa para o negócio, as empresas da construção civil, obras de infraestrutura,
transporte ferroviário, metroferroviário, rodoviário e de radiodifusão, podem optar pela
contribuição de 20% sobre as remunerações da folha de pagamento, ou pela apuração incidente
sobre a receita bruta, nesse caso a alíquota pode variar de 1% a 4,5% dependendo da atividade
da empresa.
6 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Como todas as ciências humanas, a contabilidade desde seu surgimento passou por
inúmeras transformações decorrentes das evoluções sociais e tecnológicas. A velocidade com
que as informações precisam ser repassadas aos usuários, obriga a utilização de ferramentas
mecanizadas em todos os processos contábeis, atualmente estes se tornaram totalmente digitais.
Em decorrência disso, criou-se o sistema SPED para modernizar a comunicação entre Fisco e
os contribuintes no processo de fiscalização e entrega das obrigações fiscais.
Com a implantação do SPED, observou-se a necessidade da criação de um sistema que
fosse voltado para a gestão da folha de pagamento em serviços de cessão de mão de obra ou
empreitada, onde o contribuinte deve fornecer informações das retenções de pessoas físicas e
jurídicas sem relação direta com o trabalho.
Com tal constatação, criou-se a EFD-Reinf, sistema este que proporciona maior
robustez e inovação aos sistemas de gestão tributária do Governo. Sua função é simplificar as
inúmeras obrigações acessórias relacionadas às contribuições sociais e previdenciárias em uma
única plataforma, substituindo a EFD-Contribuições, responsável pela apuração da CPRB,
DIRF, GFIP, RAIS e CAGED.
Volume 1, Número 04, 2020
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Volume 1, Número 04, 2020
RESUMO
Através do estudo das transmutações da legislação brasileira em razão da promulgação de um
documento específico que tutela os direitos das pessoas com deficiência, que é o Estatuto Da
Pessoa Com Deficiência (Lei 13.146/15), faz-se necessária uma análise para compreender como
são tutelados esses direitos e de que forma a referida lei impacta nas disposições normativas já
existentes. Os dispositivos legais, que não eram dotados de aplicabilidade efetiva, trazem as
inovações da supracitada lei que mudaram, consideravelmente, concepções importantes da
ordem jurídica, que serão abordadas neste trabalho. Ao longo do estudo da Lei 13.146/15 e seu
reflexo no ordenamento jurídico, a presente pesquisa apresenta os efeitos da referida legislação
no cenário brasileiro, em face de grande parte da população ainda desconhecê-la ou mesmo
conhecendo-a, dela não se conscientizar ou ainda efetivar, o que coloca em dúvida acerca de
qual seria o grande entrave para a aplicabilidade efetiva da Lei: as próprias pessoas ou a falta
de sanções ainda mais rígidas frente às condutas discriminatórias.
ABSTRACT
Through the study of the transmutations of Brazilian law due to the promulgation of a specific
document that protects the rights of people with disabilities, which is the Statute of People with
Disabilities (Law 13.146/15), an analysis is necessary to understand how are these rights
protected and how this law impacts on the existing of normative provisions. The legal
provisions, which was not endowed with effective applicability, brings innovations
aforementioned from the law that have considerably changed important conceptions of the legal
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order, which will be addressed in this work. Throughout the study of Law 13.146/ 15 and its
reflection in the legal system, this research presents the effects of the referred legislation in the
Brazilian scenario, in the face of a large part of the population still unaware of it or even
knowing it, not being aware of it or even effective, which puts in doubt about what would be
the major obstacle to the effective applicability of the Law: the people themselves or the lack
of even stricter sanctions against discriminatory conduct.
KEYWORDS: Status of People with Disabilities. Disabled Person. Brazilian inclusion law.
INTRODUÇÃO
A temática em questão, apesar de ser um tema legalizado, conquanto discutida e
refletida em vários âmbitos da sociedade, ainda apresenta muitos entraves para que o seja
realmente vivenciada no cotidiano das pessoas com deficiência.
Em 6 de Julho de 2015 foi instituída a Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa Com
Deficiência. Mas antes de ser promulgada, tramitou no Congresso por quase 15 anos: o senador
Paulo Paim, que à época era deputado federal, foi quem, à frente, despertou acerca da referida
lei, e chegou a afirmar na época, que "...a lei iria mudar não apenas a condição de quem possui
deficiência, mas iria mudar a de todos...” (SENADO FEDERAL, 2015).
O Estatuto da Pessoa com Deficiência, como ficou conhecido, adveio de uma
Convenção internacional, a Convenção de Nova Iorque Sobre os Direitos Das Pessoas Com
Deficiência, que preceitua que os Estados signatários devem adotar qualquer medida que se
fizer necessária a fim de se eliminar toda e qualquer forma de discriminação baseada na
deficiência (FARIAS et al., 2018).
A Convenção foi uma das mais rapidamente ratificadas de todos os tratados de direitos
humanos internacionais: até o presente momento, 160 países já assinaram o documento
(NAÇÕES UNIDAS BRASIL, 2016).
Neste viés, atendendo a esse preceito, a Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com
Deficiência, trata do combate ao preconceito e à discriminação, educação e trabalho,
acessibilidade, dentre outros aspectos, modificando consideravelmente a concepção de
Incapacidade que, até então, pairava sob o estatuto civil (CÂMARA DOS DEPUTADOS,
2018).
Além das alterações no Código Civil, a LBI (Lei Brasileira de Inclusão) mudou leis
como a CLT (Consolidação das Leis do Trabalho), garantindo, por exemplo, um porcentual
de seus cargos a pessoas com deficiência em empresas que contam com mais de 100
Volume 1, Número 04, 2020
Em seu artigo 1°, a Convenção de Nova Iorque Sobre os Direitos das Pessoas com
Deficiência, conceitua o referido termo ‘pessoa com deficiência’ como:
(...) aquela que tem impedimento de longo prazo de natureza física, mental, intelectual
ou sensorial, o qual, em interação com uma ou mais barreiras, pode obstruir sua
participação plena e efetiva na sociedade em igualdade de condições com as demais
pessoas (BRASIL, 2009).
Hoje a deficiência é encarada com o fim de se eliminar a barreira que ainda existe no
meio social e cultivar a conscientização das pessoas, propiciando as pessoas com deficiência o
pleno gozo de seus direitos baseado na não discriminação, mas nem sempre foi assim: antes era
comum que associássemos a deficiência a uma doença (TORQUES, 2018).
Segundo a doutrina de Flávia Piovesan, o escopo de proteção conferido a pessoa com
deficiência se consagrou em 4 fases: uma 1ª em que a intolerância era total, sob a justificativa
de que se tratava de um castigo dos Deuses. Uma 2ª, marcada pela invisibilidade e pelo desprezo
à pessoa com deficiência. Na 3ª fase, a pessoa deficiente passa a ser visto como doente, um
necessitado de tratamento e cura. E a 4ª fase, que marca o reconhecimento da pessoa deficiente
como sujeito de direitos, vindo a criar uma estreita relação entre a sociedade e a pessoa com
deficiência. Para ela, nosso ordenamento jurídico transita da 3ª para a 4ª fase (PIOVESAN,
2013).
Nesta linha, o artigo 4º da Convenção, que trata das Obrigações Gerais, dispõe que se
assegura a qualquer pessoa acometida por alguma deficiência a proteção de toda e qualquer
forma de discriminação, ditando que os Estados Signatários devem modificar, ou mesmo
revogar leis, de cunho discriminatório às pessoas com deficiência, adotando qualquer medida
que se fizer necessária na busca de se eliminar a discriminação baseada na deficiência (FARIAS
et al., 2018).
Nessa perspectiva, ao tratar de Respeito pelo lar e pela Família, a Convenção determina
no artigo 23 a adoção pelos Estados Signatários de medidas efetivas visando à eliminação da
discriminação contra pessoas com deficiência, em todos os aspectos relativos a casamento,
família, paternidade/maternidade e relacionamentos, de modo a assegurar o direito das pessoas
com deficiência a contrair matrimônio e estabelecer família, com base no pleno consentimento
destas. Ainda, determina serem reconhecidas as pessoas com deficiência, o direito de decidir
sobre o número de filhos (BRASIL, 2009).
Destaca-se, da mesma forma, os artigos 7° e 8° da Convenção, que trata das Crianças
com Deficiência, dispondo de maneira geral, políticas de conscientização social em relação às
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pessoas com deficiência, por meios midiáticos, inclusão nas escolas e no mercado de trabalho
(TORQUES, 2018).
Assim, o artigo 24 da Convenção que trata da Educação, prevê que o acesso à educação
sem discriminação é direito das pessoas com deficiência, cabendo aos Estados Signatários à
realização de adaptações ao espaço físico de acordo com as necessidades individuais de cada
pessoa, a fim de que seja assegurada participação efetiva visando ao desenvolvimento social e
as habilidades das pessoas com deficiência (BRASIL, 2009).
Ao tratar de Lazer, Recreação e Esporte, no artigo 30 da Convenção, percebe-se que é
dever dos Estados Signatários propiciar às pessoas com deficiência o acesso a eventos culturais
e serviços turísticos de importância cultural nacional (BRASIL, 2009).
Nesse sentido, o artigo 9° da Convenção que trata da Acessibilidade, adita que os
Estados Signatários devem proporcionar às pessoas com deficiência, em igualdade de
condições com as demais pessoas, o acesso ao transporte, à comunicação e a informação, bem
como a outros serviços e instalações públicas, além de assegurar que também as entidades
privadas possibilitem o acesso das pessoas com deficiência (FARIAS et al., 2018).
O artigo 27 da Convenção ao disciplinar sobre Trabalho e Emprego, dispõe que os
Estados Signatários devem proporcionar às pessoas com deficiência condições justas, seguras
e salubres de trabalho, incluindo oportunidades em condições de igualdade com as demais
pessoas e igual remuneração por trabalho de igual valor (BRASIL, 2009).
Nessa continuidade, o artigo 25 da Convenção ao tratar da Saúde, disciplina que os
Estados Signatários devem ofertar as pessoas com deficiência o mais elevado padrão de saúde,
sem discriminação baseada na deficiência, propiciando ainda, locais de acesso ao serviço de
saúde o mais próximo possível dessas pessoas (TORQUES, 2018).
Ao tratar do Acesso à Informação, a Convenção estabelece no artigo 21 a
obrigatoriedade dos Estados Signatários em fornecer informações acessíveis à pessoa
acometida de qualquer tipo de deficiência quanto à oferta de serviços, inclusive nos provedores
de internet, sem que haja custo adicional (FARIAS et al., 2018).
Ao tratar do Acesso à Justiça, a Convenção determina no artigo 13, que as pessoas
com deficiência deverão ter efetivo acesso à justiça em igualdade de condições com as
demais pessoas, podendo atuar inclusive, como testemunhas em processos. Salienta, ainda que,
para que se tenha assegurado esse direito, os Estados Signatários deverão promover a
capacitação de pessoal, inclusive no âmbito policial e prisional (FARIAS et al., 2018).
Nessa sequência, ao tratar de Participação na Vida Política e Pública, a Convenção
determina no artigo 29 que os Estados Signatários deverão assegurar a participação efetiva das
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pessoas com deficiência na vida política e pública em igualdade de condições com as demais
pessoas, garantindo-lhes o direito a voto secreto nas eleições, e de todo(s) aparato(s) para
votação ser acessível e de fácil compreensão, além de poderem candidatar-se (FARIAS et al.,
2018).
Importante destacar que a Convenção determina, ainda, para que se possa haver o
cumprimento efetivo pelos Estados Signatários destas determinações, a criação de um Comitê
Sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência, que será composto por 18 (dezoito) membros
(BRASIL, 2009).
Os membros do Comitê, a serem eleitos para mandato de 4 anos, deverão apresentar
elevada idoneidade moral e experiência nos diversos assuntos abordados pela Convenção de
Nova Iorque Sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência. É permitida uma única reeleição,
contudo, o mandato de 6 dos membros eleitos na primeira eleição terá o prazo de 2 anos. Dentre
os membros eleitos, deverá haver a participação de peritos com deficiência (TORQUES, 2018).
Cada Estado Signatário deverá elaborar um relatório dispondo sobre as medidas
adotadas a fim de dar cumprimento às determinações da Convenção, a cada quatro anos ou
quando o Comitê assim determinar, é o que dispõe o artigo 35 (BRASIL, 2009).
Em resposta aos relatórios deve o Comitê fazer recomendações gerais aos Estados
Signatários a fim de viabilizar a efetiva implementação da Convenção pelos Estados que dela
fazem parte (TORQUES, 2018).
Quanto ao protocolo facultativo a ser adotado conjuntamente com a Convenção, este
dispõe de forma geral acerca da atuação dos Comitês de cada Estado Signatário frente às
denúncias de violação dos preceitos da Convenção pelo referido Estado, determinando que tais
comunicações sejam inadmissíveis se forem anônimas, contrariarem as disposições da
Convenção ou a matéria arguida já houver sido ou estiver sendo examinada, bem como, se não
houver outro meio de solução e/ou se a denúncia não estiver devidamente fundamentada e, por
fim, se o(s) fato(s) objeto(s) da denúncia ocorreu antes da entrada em vigor do presente
Protocolo, salvo se persistirem após (BRASIL, 2009).
Ao ser comunicado da denúncia pelo Comitê, o Estado tem o prazo de 6 (seis) meses
para declarar por escrito ou verbalmente ao Comitê a conclusão eventualmente adotada para
solução da violação alegada, o que deverá ser incluído no relatório (TORQUES, 2018).
Importa ainda destacar que cada Estado Signatário pode propor emendas ao presente
Protocolo, devendo submeter à apreciação do Secretário-Geral das Nações Unidas em que pelo
menos ⅓ dos Estados se manifestando a favor, convocar-se-á uma Conferência, que será votada
por maioria de ⅔ dos Estados presentes e votantes e após aprovação pela Assembleia-Geral das
Volume 1, Número 04, 2020
Nações Unidas, deve ser aceita por todos os Estados Signatários, sendo obrigatória somente
para os Estados Signatários que a aceitar (BRASIL, 2009).
Nota-se que a Convenção disciplina inúmeros direitos no campo político, social,
econômico e cultural, a fim de conferir dignidade, pleno gozo de direitos e a não discriminação
das pessoas com deficiência (TORQUES, 2018).
Somente com a Convenção é que se conferiu efetiva proteção em âmbito internacional
a pessoa deficiente (TORQUES, 2018).
Segundo a doutrina de Flávia Piovesan, na seara internacional, a pessoa com deficiência
é preponderantemente tratada como em igualdade de condições com os demais (PIOVESAN,
2013).
Atendendo a estes preceitos, em 2015, foi promulgada a LBI (Lei Brasileira de Inclusão
da Pessoa com Deficiência, de nº 13.146/15), também conhecida como Estatuto da Pessoa com
Deficiência (FARIAS et al., 2018).
Mas antes de ser promulgada, tramitou no Congresso por quase 15 anos: o senador Paulo
Paim, que à época era deputado federal, foi quem à frente despertou acerca da referida lei e
segundo ele, a LBI “(...) contribui para a construção de uma sociedade inclusiva e promove uma
revolução na percepção da deficiência (...)” (SENADO FEDERAL, 2015).
Conforme veremos adiante, a instituição do Estatuto da Pessoa Com Deficiência
representa um marco para o ordenamento jurídico brasileiro, vez que baseado em princípios
constitucionais como a dignidade da pessoa humana, a não discriminação, igualdade de
oportunidades e respeito pelas diferenças etc., propiciando-se, assim, um maior respaldo
jurídico e social para com as pessoas com deficiência.
Nas palavras de Maria Helena Diniz “a incapacidade será absoluta quando houver
proibição total do exercício do direito pelo incapaz, acarretando, em caso de violação do
preceito, a nulidade do ato” (DINIZ, 2015, p. 172).
A lacuna frente à incapacidade absoluta resolve-se através da representação
(CÂMARA PAULISTA PARA INCLUSÃO DA PESSOA COM DEFICIÊNCIA, 2017).
Antes da referida lei, o estatuto civil, ao tratar Das Incapacidades, reputava em seu
artigo 3º, serem absolutamente incapazes:
I. os menores de 16 (dezesseis) anos;
II. os que por enfermidade ou deficiência mental não tiverem o necessário
discernimento para a prática desses atos;
III. as que mesmo por causa transitória não puderem exprimir sua vontade
(GONÇALVES, 2014, p. 111).
Frisa-se, de outro modo, que o envelhecimento, por si só, não é causa de perda da
capacidade. Às pessoas acometidas de doença, a que se referia o inciso II do mencionado artigo,
eram assim reconhecidas por meio de procedimento de interdição, que era regido pelos artigos
1.177 a 1.186 do Código de Processo Civil de 1973 (GAGLIANO, et al., 2015).
O inciso III do referido artigo, reputava aos que por causa transitória não pudessem
exprimir sua vontade, a exemplo do uso eventual e excessivo de drogas: aqui pouco importa o
lapso temporal para caracterizar a incapacidade absoluta, que deve ser aferida pela
impossibilidade de manifestação da vontade (GAGLIANO, et al., 2015).
De outro modo, ainda em análise ao Código Civil precedentemente à Lei de Inclusão,
entre a incapacidade absoluta e a plena capacidade, existem pessoas que não gozam de total
capacidade de discernimento, assim chamadas de relativamente incapazes (GAGLIANO, et
al., 2015).
A incapacidade relativa supra-se por meio da assistência. Diferentemente dos
absolutamente incapazes, estes praticam o ato em conjunto com o seu assistente (CÂMARA
PAULISTA PARA INCLUSÃO DA PESSOA COM DEFICIÊNCIA, 2017).
Tal qual para Carlos Roberto Gonçalves (2014, p. 120):
(...) a incapacidade relativa permite que o incapaz pratique atos da vida civil, desde
que assistido por seu representante legal, sob pena de anulabilidade. Certos atos,
porém, pode praticar sem a assistência de seu representante legal, como ser
testemunha, aceitar mandato, fazer testamento, exercer empregos públicos para os
quais não for exigida a maioridade, casar, ser eleitor, celebrar contrato de trabalho etc..
IV. os pródigos.
Parágrafo único. A capacidade dos índios será regulada por legislação especial
(GONÇALVES, 2014, p. 121).
O artigo 1.777 do Código Civil disciplinava que os interditos referidos nos incisos I,
III e IV do artigo 1.767 recolher-se-iam em estabelecimentos próprios caso não conseguissem
se adaptar ao convívio familiar (CÂMARA PAULISTA PARA INCLUSÃO DA PESSOA
COM DEFICIÊNCIA, 2017).
Ainda acerca da curatela, o artigo 1.776 do Código Civil dispunha que se possível fosse
recuperar o interdito, cabia ao seu curador propiciar-lhe tratamento adequado (CERS, 2016).
A antiga redação do artigo 1.780 do Código Civil era a seguinte (BRASIL, 2002)
“Artigo. 1.780. A requerimento do enfermo ou portador de deficiência física, ou na
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impossibilidade de fazê-lo, qualquer das pessoas a que se refere o artigo 1.768 dar-se-lhe-á
curador para cuidar de todos ou alguns de seus negócios ou bens” (BRASIL, 2002).
À face do exposto, no próximo capítulo serão abordadas as principais inovações
trazidas pelo Estatuto da Pessoa Com Deficiência frente ao Código Civil, Código Eleitoral,
Consolidação das Leis do Trabalho, Código de Defesa do Consumidor e para o Código de
Trânsito Brasileiro a fim de apresentar o que regulamenta, como um todo, o Estatuto Das
Pessoas Com Deficiência e as mudanças precípuas que o referido dispositivo trouxe ao nosso
ordenamento jurídico.
IV. os pródigos.
Parágrafo único. A capacidade dos indígenas será regulada por legislação especial
(Alterado pela Lei n. 13.146 de 2015) (BRASIL, 2002).
No que concerne à capacidade dos indígenas, importante mencionar que a Lei 6.001/73
ressalva, todavia, a hipótese de o índio demonstrar discernimento, pelo qual excepcionalmente,
poderá ser considerado plenamente capaz: o que não reflete a realidade atual brasileira, até
porque sua inserção na sociedade e absorção de nossos valores e hábitos sociais exclui-los do
rol dos relativamente incapazes, sendo a incapacidade medida excepcional. Considera-o então,
se inserido na sociedade, como agente plenamente capaz (GAGLIANO et al., 2015).
O inciso IV foi mantido. Como se vê, o pródigo permanece no inciso IV como
relativamente incapaz (GAGLIANO et al., 2015).
Em suma, com a vigência da nova lei, a pessoa com deficiência equipara-se a uma
pessoa plenamente capaz. Noutro viés, somente as pessoas que não puderem exprimir sua
vontade é que se amoldam ao conceito de incapacidade. Vejamos o que disciplina a esse
respeito, o Estatuto: “Artigo 84. A pessoa com deficiência tem assegurado o exercício ao
direito da sua capacidade legal em igualdade de condições com as demais pessoas” (FARIAS,
et al., 2018, p. 251 ).
Artigo 6º. A deficiência não afeta a plena capacidade civil da pessoa, inclusive para:
I. casar-se e constituir união estável;
II. exercer direitos sexuais e reprodutivos;
III. exercer o direito de decidir sobre o número de filhos e de ter acesso a informações
adequadas sobre reprodução e planejamento familiar;
IV. conservar sua fertilidade, sendo vedada a esterilização compulsória;
V. exercer o direito à família e à convivência familiar e comunitária; e
VI. exercer o direito à guarda, à tutela, à curatela e à adoção, como adotante ou
adotando em igualdade de oportunidade com as demais pessoas (FARIAS, et al., 2018,
p. 43:46).
Nesse sentido, Carlos Roberto Gonçalves, menciona em sua obra um breve comentário do
Professor Pablo Stolze Gagliano acerca da nova lei:
(...) a pessoa com deficiência – aquela que tem impedimento de longo prazo, de
natureza física, mental, intelectual ou sensorial, nos termos do art. 2º - não deve ser
mais tecnicamente considerada civilmente incapaz, na medida em que os artigos 6º e
84, do mesmo diploma, deixam claro que a deficiência não afeta a plena capacidade
civil da pessoa (GAGLIANO, apud GONÇALVES, 2017, p. 269).
testemunhas, conforme o § 2° que foi acrescido ao referido artigo pela Lei de Inclusão (CERS,
2016).
O artigo 1.518 do Código Civil, ao tratar da capacidade para o casamento, sofreu
alteração pela Lei 13.146/15, não trazendo mais o curador como legitimado para revogar a
autorização de casamento concedida aos menores de 18 e maiores de 16 anos (CERS, 2016).
Com a vigência do Estatuto da Pessoa com Deficiência, o inciso I do artigo 1.548 do
Código Civil foi revogado: hoje não mais se decreta a nulidade do casamento das pessoas com
enfermidade mental, sem o necessário discernimento para a prática dos atos da vida civil
(CÂMARA PAULISTA PARA INCLUSÃO DA PESSOA COM DEFICIÊNCIA, 2017).
A atual redação do inciso III do artigo 1.557 do Código Civil, trazida pelo Estatuto da
Pessoa com Deficiência, que trata da invalidade do casamento, passou a conter uma ressalva,
em razão de que é anulável o casamento, por erro no caso de ignorância, anterior ao casamento,
de defeito físico irremediável que não caracterize deficiência ou de moléstia grave e
transmissível, por contágio ou herança, capaz de pôr em risco a saúde do outro cônjuge ou de
sua descendência. Outra consequência foi à revogação do inciso IV do mesmo artigo: o
desconhecimento de doença mental grave acometida a um dos cônjuges, antes do casamento,
não constitui motivo para decretação de anulabilidade de casamento (CERS, 2016).
O artigo 1.780 do Código Civil, que regulava acerca da curatela de pessoa que mesmo
plenamente consciente teria de ser curatelada, foi revogado pela Lei 13.146/15 (CERS, 2016).
Contudo, as pessoas com deficiência que puderem exprimir sua vontade e que, por
ventura, necessitam de algum amparo, podem se assim quiserem, fazer uso do procedimento
da tomada de decisão apoiada, ao qual se nomeará pelo menos dois apoiadores de sua
confiança com o fim de auxiliá-la em seu dia-a-dia. Não se trata de incapacidade, restringindo-
se tão somente a necessidade de apoio à pessoa. Tal instituto está disciplinado no artigo 1.783
do Código Civil, que foi acrescido ao Estatuto Civil por força da Lei de Inclusão (FARIAS, et
al., 2018).
Esse instituto também é chamado pelos doutrinadores de “administração apoiada”,
dada a sua flexibilidade, vez que aqui objetiva-se resguardar a pessoa deficiente, preservando
a sua capacidade para a prática dos atos da vida civil (CÂMARA PAULISTA PARA
INCLUSÃO DA PESSOA COM DEFICIÊNCIA, 2017).
Difere da curatela, vez que por tratar da incapacidade jurídica, que é excepcionalidade,
imprescindível se faz o reconhecimento judicial dessa incapacidade por meio do procedimento
da ação de curatela e não mais de interdição como era antigamente: na curatela, o curador pode
representar o relativamente incapaz para todos os atos da vida civil, se este não tiver condições
Volume 1, Número 04, 2020
de praticá-los em conjunto com aquele, bem como, limitar-se a prática de atos de natureza
patrimonial. Pode também revestir-se como mero auxiliar do curatelado, quando ele tem
condições de praticar, por si só, todo e qualquer ato, desde que devidamente acompanhado
(FARIAS, et al., 2018).
O instituto da curatela disciplinado no artigo 1.767 do Código Civil teve revogado seus
incisos II e IV: não mais sujeitam-se à curatela aqueles que por causa duradoura não puderem
exprimir sua vontade e os excepcionais, sem desenvolvimento mental completo. Além do mais,
seu inciso I sofreu substancial alteração: pela nova redação advinda da Lei de Inclusão, a
pessoa com deficiência mental não mais se sujeita à curatela, isso porque cabível esse instituto
nos casos em que a doença mental impeça a manifestação da vontade, excluindo-se desse rol
as pessoas com deficiência mental e excepcionais sem completo desenvolvimento. Pela atual
redação do referido artigo sujeitam-se à curatela as pessoas tidas como relativamente incapazes,
dispostas no artigo 4° do mesmo diploma legal, que foi também modificado pelo Estatuto
(CÂMARA PAULISTA PARA INCLUSÃO DA PESSOA COM DEFICIÊNCIA, 2017).
A redação do artigo 1.777, trazida pelo Estatuto da Pessoa Com Deficiência, disciplina
que as pessoas que por causa transitória ou permanente não puderem exprimir sua vontade,
receberão todo o apoio necessário a fim de se preservar a convivência familiar e em
comunidade, sendo o não recolhimento em ambiente doméstico uma excepcionalidade (CERS,
2016).
Em razão do princípio constitucional da dignidade da pessoa humana, os atos
visivelmente pessoais, como os relativos ao próprio corpo, à sexualidade, ao casamento (não
há mais nulidade ou anulabilidade de casamento decorrente de deficiência – artigo 1.550, § 2º
do Estatuto Civil – acrescido pela Lei de Inclusão; o curatelado pode, inclusive, escolher o
regime de bens do matrimônio), à privacidade, à educação, à saúde etc., não se condicionam
ao curador (FARIAS, et al., 2018).
Destarte, às pessoas com deficiência têm assegurado o acesso a qualquer documento
público e privado de seu interesse independentemente de estar acompanhado de seu curador,
justamente por se tratar de interesse particular do curatelado (FARIAS, et al., 2018).
O juiz poderá nomear curador provisório a depender da urgência de se praticar
determinados atos. Essa nomeação terá natureza de tutela antecipatória, por estar diretamente
relacionado ao ânimo de preservar os interesses do curatelado para que não venham a se
perecer, conforme disciplina o artigo 749, parágrafo único da Legislação Processual Civil
vigente (FARIAS et al., 2018).
Volume 1, Número 04, 2020
Discriminar qualquer pessoa em razão de sua deficiência agora é crime. O avanço foi
alcançado a partir da promulgação do Estatuto da Pessoa Com Deficiência, também chamado
de Lei Brasileira de Inclusão (CÂMARA PAULISTA PARA INCLUSÃO DA PESSOA COM
DEFICIÊNCIA, 2016).
Artigo. 88. Praticar, induzir ou incitar a discriminação de pessoa em razão de sua
deficiência:
Pena: reclusão, de 1 (um) a 3 (três) anos e multa.
§ 1° aumenta-se a pena em um ⅓ (um terço) se a vítima encontrar-se sob cuidado e
responsabilidade do agente.
§ 2° Se qualquer dos crimes previstos no caput deste artigo é cometido por intermédio
de meios de comunicação social ou de publicação de qualquer natureza:
Pena: reclusão, de 2 (dois) a 5 (cinco) anos e multa.
§ 3° Na hipótese do § 2° deste artigo, o juiz poderá determinar, ouvido o Ministério
Público, ou a pedido deste, ainda antes do inquérito policial, sob pena de
desobediência:
I. recolhimento ou busca e apreensão dos exemplares do material discriminatório.
II. interdição das respectivas mensagens ou páginas de informação na internet.
§ 4° Na hipótese do § 2° deste artigo, constitui efeito da condenação, após o trânsito
em julgado da decisão, a destruição do material apreendido.
Artigo 89. Apropriar-se de ou desviar bens, proventos, pensão, benefícios ou qualquer
outro rendimento da pessoa com deficiência:
Pena: reclusão, de 1 (um) a 4 (quatro) anos e multa.
Parágrafo único. Aumenta-se a pena em ⅓ (um terço) se o crime é cometido:
I. por tutor, curador, síndico, liquidatário, inventariante, testamenteiro ou depositário
judicial; ou
II. por aquele que se apropriou em razão de ofício ou de profissão.
Artigo 90. Abandonar pessoa com deficiência em hospitais, casas de saúde, entidades
de abrigamento ou congêneres:
Pena: reclusão, de 6 (seis) meses a 3 (três) anos e multa.
Parágrafo único. Na mesma pena incorre quem não prover as necessidades básicas da
pessoa com deficiência, quando obrigado por lei ou mandado.
Artigo 91. Reter ou utilizar cartão magnético, qualquer meio eletrônico ou documento
de pessoa com deficiência destinados ao recebimento de benefícios, proventos,
pensões ou remuneração ou á realização de operações financeiras com o fim de obter
vantagem indevida para si ou para outrem.
Pena: detenção, de 6 (seis) a 2 (dois) anos e multa.
Parágrafo único. Aumenta-se a pena em ⅓ se o crime é cometido por tutor ou curador
(FARIAS, et al., 2018, p. 268:278).
O Estatuto da Pessoa Com Deficiência trata do direito à educação a partir do artigo 27,
assegurando que é dever do Estado propiciar à pessoa com deficiência acesso a educação de
qualidade (CÂMARA PAULISTA PARA INCLUSÃO DA PESSOA COM DEFICIÊNCIA,
2017).
Disciplina ainda que incumbe ao Estado, além de outras atribuições, a designação de
um profissional de apoio escolar, a depender da necessidade da pessoa com deficiência,
propiciando assim, um atendimento educacional especializado (FARIAS, et al., 2018).
Outrossim, o Estatuto assegura às pessoas com deficiência o direito de serem inseridas
nas escolas privadas de ensino regular, como também, garante que as devidas adaptações
necessárias a fim de propiciar a efetiva inclusão escolar destas terão de ser realizadas sem que
nenhum ônus financeiro seja repassado às mensalidades e matrículas (SENADO FEDERAL,
2016).
Além disso, assegura-se a educação inclusiva em todos os níveis e modalidades de
ensino (SENADO FEDERAL, 2016).
Também o artigo 208 do dispositivo constitucional em vigência, prevê que o Estado
deve garantir à pessoa com deficiência atendimento educacional especializado,
preferencialmente na rede regular de ensino (BRASIL, 1998).
Tratando especificamente do direito à saúde, no artigo 18 e seguintes da LBI, às
pessoas com deficiência são assegurados, dentre outros, os serviços gratuitos de acesso à saúde,
sendo-lhes garantidas a vacinação nos períodos de campanha, atendimento domiciliar e
internação, e nos casos das mulheres grávidas é assegurado o acompanhamento durante todo
o período gestacional e também do parto ao pós-parto, com vistas a garantir uma assistência à
saúde de qualidade (FARIAS et al., 2018).
Assim, os Estados Signatários devem atuar garantindo as pessoas com deficiência o
direito a condições existenciais, como saúde pública de qualidade, proteção e integração social,
Volume 1, Número 04, 2020
conforme dispõe a Constituição Federal. Nessa continuidade, dispõe os artigos 23, inciso II e
24, inciso XIV do referido diploma legal, respectivamente, ser dever do Estado à promoção
de saúde, assistência, proteção e integração social às pessoas com deficiência (CÂMARA
PAULISTA PARA INCLUSÃO DA PESSOA COM DEFICIÊNCIA, 2016).
Ressalta-se que dispositivos já tinham previsão na Constituição Federal, contudo, não
eram amplamente aplicados. Sua aplicabilidade efetiva é o que pretende trazer o Estatuto das
Pessoas com Deficiência para as pessoas com deficiência (TORQUES, 2018).
Questões como acessibilidade e transporte são tratadas pela Lei 13.146/15, a partir do
artigo 42, mas mesmo antes de ser instituído o Estatuto, algumas dessas demandas já eram
regulamentadas pelo ordenamento jurídico brasileiro (FARIAS et al., 2018).
A Constituição Federal, nos termos do artigo 227, § 2° já previa que é dever do Estado
observar as regras de acessibilidade na construção de ruas, edifícios públicos e transportes
acessíveis a fim de garantir o acesso às pessoas com deficiência. Ademais, já era
constitucionalmente previsto a responsabilidade do Estado em propiciar a facilitação de acesso
aos bens e serviços coletivos com a eliminação de obstáculos arquitetônicos e de todas as
formas de discriminação, conforme o artigo 227, § 1°, II do referido diploma legal (CÂMARA
PAULISTA PARA INCLUSÃO DA PESSOA COM DEFICIÊNCIA, 2016).
Com a vigência do Estatuto instituiu-se expressamente em seu artigo 47 e parágrafos,
a reserva de 2% das vagas adequadamente sinalizadas, ás pessoas com mobilidade reduzida,
desde que devidamente identificados mediante credencial, que será fornecida pelos órgãos
municipais de trânsito e terá validade em todo o território nacional (FARIAS et al., 2018).
Destaca-se que o artigo 86-A do Código de Trânsito Brasileiro (CTB), acrescido pela
Lei 13.146/15, adita que além da sinalização, também será preciso à instalação de placas
informando os dados sobre a infração por estacionar em vaga reservada às pessoas com
deficiência, apesar de não haver previsão deste tipo de placa no conjunto de sinais de trânsito
(FARIAS et al., 2018).
Artigo 86-A. As vagas de estacionamento regulamentado de que trata o inciso XVII
do artigo 181 desta Lei deverão ser sinalizadas com as respectivas placas indicativas
de destinação e com placas informando os dados sobre a infração por estacionamento
indevido. (Acrescentado pela Lei n. 13.146, de 2015.) (BRASIL, 1997).
Pode-se dizer que a maior inovação trazida na esfera de trânsito pela lei 13.146/15 foi a do
artigo 181, XVII do CTB. Disciplina o referido artigo que ao condutor de veículo que
Volume 1, Número 04, 2020
descumprir a reserva da vaga, caberá multa e a gravidade da infração que era considerada leve
passa para grave (TORQUES, 2018). Segundo o site do DETRAN, a referida multa é no
importe de R$ 293,47 com perda de 07 pontos na carteira de habilitação (DETRAN MINAS
GERAIS, 2019).
O § 8° do artigo 428 da CLT, acrescido pela Lei, disciplina o seguinte (CÂMARA PAULISTA
PARA A INCLUSÃO DA PESSOA COM DEFICIÊNCIA, 2017).
§ 8° Para o aprendiz com deficiência com 18 (dezoito) anos ou mais, a validade do
contrato de aprendizagem pressupõe anotação na CTPS e matricula e frequência em
programa de aprendizagem desenvolvido sob orientação de entidade qualificada em
formação técnico profissional metódica (Incluído pela Lei n. 13.146, de 2015.)
(BRASIL, 1943).
O artigo 433 da CLT, que trata da extinção do contrato de aprendizagem, que em regra,
se dá ao completar o aprendiz 24 (vinte e quatro) anos de idade, não se aplica ao aprendiz
acometido de alguma deficiência. O inciso I do referido artigo, alterado pela Lei 13.146/15, o
resguarda também da dispensa, nos casos em que não lhe sejam assegurados os recursos de
acessibilidade e de tecnologia assistiva necessária ao desempenho de suas funções (CÂMARA
PAULISTA PARA A INCLUSÃO DA PESSOA COM DEFICIÊNCIA, 2017).
A Lei n°. 8.213/91 prevê em seu artigo 93, que a empresa que contar com cem ou mais
funcionários, deverá reservar de 2% a 5% dos seus cargos a pessoas com deficiência
(TORQUES, 2018).
Nessa sequência, o § 1° do artigo 93 da referida lei, alterado pela Lei 13.146/15, dispõe
que atendida à cota de cargos, a dispensa de pessoa com deficiência só poderá ocorrer se
houver contratação de substituto nas mesmas condições para o mesmo cargo (TORQUES,
2018).
A Constituição Federal, em seu artigo 15, inciso II, disciplina acerca da suspensão dos
direitos políticos ao absolutamente incapaz. Frisa-se que a redação do aludido dispositivo não
foi alterada pelo Estatuto da Pessoa Com Deficiência, então à época, era proibido o voto aos
menores de 16 (dezesseis) anos e aos que por enfermidade ou doença mental, mesmo transitória,
não pudessem exprimir sua vontade; mas como sabemos, com a atual sistemática trazida pela
Lei 13.146/15, apenas os menores de 16 (dezesseis) anos se alocam a categoria da absoluta
incapacidade (CÂMARA PAULISTA PARA INCLUSÃO DA PESSOA COM DEFICIÊNCIA,
2017).
Artigo 15. É vedada a cassação de direitos políticos, cuja perda ou suspensão só se
dará nos casos de:
I. cancelamento da naturalização por sentença transitada em julgado;
II. incapacidade civil absoluta;
III. condenação criminal transitada em julgado, enquanto durarem seus efeitos;
IV. recusa de cumprir obrigação a todos imposta ou prestação alternativa, nos termos
do art. 5°, VII;
V. improbidade administrativa, nos termos do art. 37, § 4° (BRASIL, 1988).
Nesse sentido, a LBI, em seu artigo 76, garante as pessoas com deficiência, o gozo dos
direitos políticos em igualdade de condições com as demais pessoas, o que ensejou na
alteração do artigo 135, § 6°-A do Código Eleitoral, que antes era a seguinte: “§ 6º-A. Os
Tribunais Regionais deverão, a cada eleição, expedir instruções aos Juízes Eleitorais, para
orientá-los na escolha dos locais de votação de mais fácil acesso para o eleitor deficiente físico”
(CÂMARA PAULISTA PARA INCLUSÃO DA PESSOA COM DEFICIÊNCIA, 2017).
Agora, a redação do §°6-A do referido artigo, passou a ser a seguinte:
Volume 1, Número 04, 2020
§ 6º-A. Os Tribunais Regionais deverão, a cada eleição, expedir instruções aos Juízes
Eleitorais, para orientá-los na escolha dos locais de votação, de maneira a garantir
acessibilidade para o eleitor com deficiência ou com mobilidade reduzida, inclusive
em seu entorno e nos sistemas de transporte que lhe dão acesso. (Alterado pela Lei n°
13.146, de 2015.) (BRASIL, 1965).
Além das instalações das seções eleitorais em locais de fácil acesso, determina a Justiça
Eleitoral, ainda, por exemplo, que sejam disponibilizados fones de ouvido a pessoa com
deficiência visual, a fim de que possa exercer o seu direito ao voto. Contudo, os TSE’s vêm
permitindo a pessoa com deficiência, nos casos em que o exercício do voto a seja
demasiadamente oneroso, solicitar a dispensa, que poderá ser feita pelo próprio interessado ou
por seu representante legal. Ressalta-se que a dispensa não tem caráter definitivo, não
impedindo que o possa voltar a exercê-lo a posteriori, se assim o desejar (TRIBUNAL
REGIONAL ELEITORAL – SANTA CATARINA, 2018).
Dessa forma, vislumbra-se que a Lei Brasileira de Inclusão é um dos mais importantes
instrumentos a fim de conferir significativas mudanças, tendo garantidos a inclusão social e o
direito à cidadania, além de propiciar que as pessoas com deficiência figurem como polo ativo
na asseguração e defesa de seus direitos (CÂMARA PAULISTA PARA A INCLUSÃO DA
PESSOA COM DEFICIÊNCIA, 2017).
5 METODOLOGIA
CONCLUSÃO
a capacidade plena, além de revogar vários outros dispositivos que de alguma maneira
descriminavam-nas.
A Lei n. 13.146/15, ainda, passou a criminalizar práticas discriminatórias às pessoas
com deficiência exatamente em razão da deficiência, e pode-se dizer que tornar crime a prática
desses atos, é sem dúvidas um dos principais marcos e desafios a partir da promulgação desta
Lei.
Em verdade, o principal objetivo do Estatuto da Pessoa Com Deficiência vai muito
além da concretização e efetivação de direitos: buscar-se-á principalmente que a sociedade se
adeque às pessoas com deficiência, conscientizando-se de que a deficiência não os faz díspares
do todo, a fim de que, de fato, tal lei tenha eficácia e aplicabilidade e não esteja tão somente no
papel.
À face do exposto conclui-se, portanto, que o Estatuto da Pessoa Com Deficiência
trouxe um saldo positivo ao cenário atual, mas sua aplicabilidade efetiva ainda está longe de
ser alcançada, uma vez que mais que um documento positivado, trata-se da busca à
conscientização, que deve partir da sociedade como um todo e do Estado, através da adoção de
políticas públicas inclusivas, para que então, o tenha aplicabilidade e efetividade plena.
REFERÊNCIAS
CERS. Confira o que muda no Código Civil após o Estatuto da Pessoa com Deficiência.
Disponível em: <[Link]
apos-o-estatuto-da-pessoa-com-deficiencia/>. Acesso em: 09 de mar. 2020.
Volume 1, Número 04, 2020
RESUMO
Este trabalho aborda questões teóricas e práticas da violência contra a mulher tendo como
recorte a abordagem de gênero. Inicialmente contextualiza os diferentes usos do conceito e as
causas determinantes na compreensão do problema. Em seguida comenta alguns dados de
pesquisa e, por fim, discute os dilemas e impasses vividos pelas mulheres agredidas diante da
denúncia e impunidade dos agressores. O resumo deve ser composto de uma sequência de frases
concisas e afirmativas. Inicie com uma frase significativa, explicando o tema e o problema, a
seguir ressalte o objetivo geral, o método, os resultados e a conclusão. Lembre-se que o trabalho
será inicialmente conhecido pelo resumo aqui escrito, portanto, ele deve ser fidedigno ao
trabalho desenvolvido. Perceba que não há abertura de parágrafo. O espaço entre as linhas é
simples (1,0 cm), diferente do espaçamento entre linhas do corpo do texto (1,5 cm). Depois do
término do resumo dê dois espaços e escreva as palavras chave, que devem ser representativas
do conteúdo do documento e extraídas de dentro deste resumo. Escreva de três a seis palavras
chave, com a primeira letra em maiúscula e separada por um ponto-e-vírgula, para que os
leitores tenham noção do que foi a pesquisa.
INTRODUÇÃO
Esse estudo tem como objetivo principal discorrer sobre a o panorama da violência
contra a mulher na situação da pandemia causada pelo novo coronavírus (COVID 19),
abordando estatísticas e ações de coação em relação à violência contra a mulher no Brasil, a
efetividade das leis e as ações do Estado, a partir do desenvolvimento de Políticas Públicas na
proteção à integridade da mulher.
O método de pesquisa será o indutivo, haja vista que se trata de um processo que parte
das teorias e leis, para a ocorrência dos fenômenos particulares, através do estudo de pesquisa
bibliográfica em doutrinas, revistas e jornais, reportagens e pesquisas de dados sobre a violência
doméstica e familiar antes e após a pandemia corrente. A forma de abordagem será qualitativa,
visto que procederá de dados estatísticos e fundamentação teórica que permitirão a percepção
da problemática em questão nesse trabalho.
1. VIOLÊNCIA DE GÊNERO
Cassol (2015) afirma que gênero também pode ser explicado como “um conjunto de
normas modeladoras de homens e mulheres, que estão expressas nas relações destas duas
categorias sociais”, entendendo que pode ocorrer na relação homem-mulher, homem-homem,
mulher-mulher. Para esse trabalho, será considerada a homem-mulher, por ser socialmente mais
utilizada.
Volume 1, Número 04, 2020
Araújo (2008) afirma que no Brasil, o referido termo começou a ser usado no final dos
anos 70 e espalhou-se velozmente devido às mobilizações feministas contra o abuso e
assassinato de mulheres, e posterior impunidade dos agressores, que eram na maioria das vezes
os próprios maridos; esses, eram absolvidos em nome da “defesa da honra”. No início da década
de 80, esses movimentos foram expandidos para a denúncia dos espancamentos e maus tratos
conjugais, contornos também muito comuns de violência contra a mulher, até os dias atuais.
Por esse motivo, o termo passou a ser usado como sinônimo de violência doméstica em função
da maior incidência deste tipo de violência ocorrer no espaço doméstico e/ou familiar (Azevedo,
1985).
O conceito “violência de gênero” abrange não apenas as mulheres adultas, mas também
crianças e adolescentes que tenham sido objeto da violência masculina (RODRIGUES, 2019).
Além disso, também poderá ser empregada nas situações de violência conjugal, já que abrange
distintas formas de violência envolvendo relações de gênero e poder, como a violência
perpetrada pelo homem contra a mulher, a violência praticada pela mulher contra o homem, a
violência entre mulheres e a violência entre homens. Nesse sentido pode-se dizer que a
violência contra a mulher, em suas diversas formas, é uma das principais configurações de
violência de gênero.
A seguir, serão apresentadas as formas e tipos de violência contra a mulher, para que
seja possível, com clareza, debater sobre o tema.
Muitas mulheres passam por momentos de difíceis através de situações pelas quais se
machucam, seja fisicamente ou não, mas suportam e com o tempo se acostumam tanto que
passa a fazer parte da sua rotina. É comum ouvir relatos de indivíduos que presenciam cenas de
violência pois tal situação já está banalizada ao ponto de ser tratada como algo que faz parte da
vida (SILVA, 2017). Teles e Melo (2012, p.09) descrevem este acontecimento como, “[...] um
fenômeno antigo silenciado ao longo da história, e passou a ser desvendado há menos de 20
anos. A mídia busca fatos novos, e quando se fala de violência contra mulher, nada é novo”.
Na verdade, o que vemos é que a mulher durante toda a história sofreu algum tipo de violência
e ainda luta para conquistar direitos iguais.
Casique e Furegato (2006), afirmam que dentre as diferentes formas de violência de gênero,
pode ser apontada a violência intrafamiliar ou violência doméstica e a violência no trabalho,
que se manifestam através de agressões físicas, psicológicas e sociais. Sabe-se que muitas vezes,
é comum que as mulheres sofram mais de um tipo de violência, até mesmo em diferentes
ambientes e situações. O maior desafio é tirar a questão da banalidade da sociedade brasileira
e trazer o conhecimento para todos, em busca de um debate sério.
Quanto ao tipo de violência, nesse trabalho serão discutidos cinco tipos: física, sexual,
moral, psicológica e patrimonial, que seguem nos próximos tópicos.
A violência física é qualificada como qualquer ato que possa ofender a integridade ou
saúde corporal de outra pessoa (BRASIL, 2006), onde o contato físico provoca dor, podendo
ou não causar alguma lesão ou marcas no corpo. É, frequentemente, a forma de violência mais
facilmente identificada (RAPOLD; PEREIRA, 2018), pois muitas vezes deixam marcas
visíveis, salvo os casos que não são aparentes.
Ainda que a agressão não deixe marcas aparentes, o uso de força física que ofenda o
corpo ou a saúde da mulher constitui vis corporalis, expressão que define a violência física
(SILVA, 2017).
Volume 1, Número 04, 2020
A violência física é prevista pelo Código Penal (BRASIL, 2019) como forma de lesão
corporal, regulada pelo seu artigo 129, do qual descreve como “ofensa à integridade corporal
ou a saúde”, e quando praticada contra a mulher, é especialmente prevista pela Lei Maria da
Penha (BRASIL, 2006) e em casos de assassinato ou de tentativa, pela Lei do Feminicídio
(BRASIL, 2015), mais recente no Brasil.
A violência sexual é qualquer atitude que obrigue a mulher a estar presente, manter ou
participar de relação sexual não desejada, através de intimidação, ameaça, coação ou uso da
força, ou, ainda que a induza a utilizar sua sexualidade para fins comerciais contra a sua vontade,
ou a impeça de utilizar métodos contraceptivos, que a force ao casamento, aborto ou à
prostituição (RAPOLD; PEREIRA, 2018), mediante coação, chantagem, suborno ou
manipulação; ou que limite ou anule o exercício de seus direitos sexuais e reprodutivos
(BRASIL, 2006).
Pode ocorrer em qualquer âmbito, desde que a mulher entenda que foi obrigada a
participar do ato (consciente ou não), independente que seja em casamento ou que seja
profissional, como nos casos de prostituição. Nesse mesmo diapasão, entende-se ainda que pode
ser interpretado em casos que o parceiro limite o exercício reprodutiva da mulher, ou seja, não
permita que a mesma, ou seja, quando se fala em violência sexual, entende-se como qualquer
ação que ofenda a liberdade sexual e reprodutiva da mulher.
Atualmente, infelizmente, é comum conhecer alguma mulher que foi vítima de tal fato.
Com o advento das redes sociais e a popularização da internet, tornou-se banal o ataque virtual,
o que tem sido combatido através de ferramentas específicos na seara jurídica.
Volume 1, Número 04, 2020
A Campanha Compromisso e Atitude (2020), aponta que, apesar de não deixar marcas
físicas evidentes, a violência psicológica é também uma grave violação dos direitos humanos
das mulheres, que produz reflexos diretos na sua saúde mental e física. Considerada pela
Organização Mundial de Saúde (OMS) como a forma mais presente de agressão intrafamiliar à
mulher, sua naturalização é apontada ainda como estímulo a uma espiral de violências. Pode
preceder, inclusive, a mais extrema violência, o feminicídio, conforme apontam esses
especialistas.
A violência patrimonial, por sua vez, geralmente se apresenta em conjunto com a moral
e psicológica, visto que utiliza-se de ofensas e humilhações para atingir a vítima, alegando a
sua dependência financeira (RAPOLD; PEREIRA, 2018) ou como qualquer conduta que
configure retenção, subtração, destruição parcial ou total de seus objetos, instrumentos de
trabalho, documentos pessoais, bens, valores e direitos ou recursos econômicos, incluindo os
destinados a satisfazer suas necessidades (BRASIL, 2006) .
Antes da existência da lei específica sobre a violência doméstica contra a mulher, não
era estabelecido e conhecido as formas de violência, como também não existia previsão legal
na proteção tratando das relações de pessoas do mesmo sexo, o que é alcançado hoje
independentemente de orientação sexual (TELES; MELO, 2017). E por esses e outros motivos,
muitas mulheres não denunciavam os agressores, e se não há denúncia não há crime. Aquelas
corajosas, que denunciavam seus companheiros ou maridos, iam atrás de auxílio em delegacias,
em busca de justiça, o que quase sempre era impossível, pois os agressores não eram punidos
pelos delitos.
Previmente à seara jurídica atual, era aplicado a Lei dos Juizados Especiais Criminais –
Lei 9.099/95, para os casos de violência doméstica, que julgavam esses crimes com pena de
menor potencial ofensivo, assim a pena máxima era de até 2 anos, e ainda permitia a aplicação
de penas pecuniárias, como multas e cestas básicas. Assim, Santos e Silva (2019), relata que as
mulheres que sofriam agressão, peregrinavam pelas delegacias e Instituto Médico Legal em
busca do exame de corpo de delito para instrução do processo, e, ao final do processo, seus
agressores eram punidos com o pagamento de cestas básicas à instituições de caridade. E com
isso, suas vidas se transformavam em um inferno pior que outrora, pois brotava em seus
agressores uma raiva intensa por já terem sido denunciados, como forma de vingança.
Doméstica e Familiar contra a Mulher com competência cível e criminal, abrangendo assim,
todas as questões.
Diante dos efeitos da lei de defesa às mulheres, os homens tem refletido melhor antes
de agredirem suas mulheres, visto que apenas a denúncia da ofendida às autoridades policiais
é o suficiente para começar o procedimento de investigação do crime, valendo ressaltar que
mesmo diante do arrependimento da mulher, não cabe retratação da representação depois de
oferecida a denúncia do Ministério Público ao Juiz, o que vem a assegurar uma maior certeza
de o agressor ser punido pelos seu delito na Justiça (PORTO, 2014).
No que se refere ao convívio familiar, observa-se que passou a existir um maior respeito
à figura da mulher em função dessa lei. Tal fenômeno é mais bem fácil de ser observado nos
bairros de classe média e baixa, onde o que antes imperava era o machismo, fruto de anos de
impunidade, quando o homem era quem mandava em casa e à mulher somente cabia obedecer
a suas ordens.
No tocante aos casos de estupro e violência sexual, mais comuns em bairros com
moradores de baixo poder aquisitivo, muitas mulheres e adolescentes são corrompidas,
deixando-as com a dignidade abalada, além do abalo emocional pelo medo de denunciar seus
agressores, em função de imaginarem o que enfrentarão a partir de então, caso resolvessem
promover um processo judicial. Porém, com a Lei Maria da Penha, esse caminho tem se tornado
menos desgastante, e o resultado é quase sempre positivo para a vítima (KRAUSE, 2017).
Medidas protetoras que podem afastar do lar o agressor, traduzem-se em uma vitória
extraordinária para a garantia da efetivação dos direito humanos. Sobre o tema, o professor
Alexandre de Moraes aborda:
De acordo com Pinto (2007) inquietação em coibir e prevenir a violência contra mulher
foi evidenciada apenas a partir do Art. 5º da Constituição Federal de 1988, no qual disciplina e
assegura a igualdade entre homens e mulheres foi, pela primeira vez, estabelecida na lei, mesmo
o país sendo signatário de tratados internacionais. Somente com a Lei Maria da Penha,
apresentada a seguir, iniciou-se um posicionamento mais sério das autoridades em relação à
essa questão.
De acordo com Bertoldi et al (2014), temos a Lei Maria da Penha, que recebeu esse
nome em homenagem à uma mulher que se tornou símbolo da luta contra a violência doméstica,
a biofarmacêutica Maria da Penha Maia Fernandes, e lutou durante 20 anos para ver agressor
condenado, o professor universitário Marco Antonio Herredia, que tentou matá-la duas vezes –
na primeira vez, deu um tiro e ela ficou paraplégica e na segunda, tentou eletrocutá-la no
chuveiro durante o banho, isso ocorreu no ano de 1983.
Depois de quase 20 anos de luta, a justiça brasileira ainda não havia dado um veredicto
acerca do caso de Maria, o que ocorreu somente quando o caso chegou à Comissão
Interamericana dos Direitos Humanos da Organização dos Estados Americanos - OEA, que
pela primeira vez acolheu uma denúncia de violência doméstica e familiar, é que seu agressor
foi preso - em 2002, porém cumpriu somente dois anos de prisão. O Brasil, com isso, foi
condenado por negligência em relação à violência doméstica e foi punido com a recomendação
de que, imediatamente, elaborasse uma lei em defesa dos direitos das mulheres.
contra a mulher, nos termos do artigo 226, §8º da Constituição Federal da República Brasileira,
da Convenção sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação contra as Mulheres e
da Convenção Interamericana para Prevenir, Punir e Irradicar a Violência contra a Mulher;
dispõe ainda sobre a criação de Juizados de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher;
ainda, altera o Código Penal, o de Processo Penal e a Lei de Execução Penal; e dá outras
providências”. Só assim, a violência contra a mulher deixou de ser menosprezada. Contudo,
mesmo após a promulgação da referida lei, muitas mulheres sofrem agressão diariamente e não
tem coragem de denunciar seu companheiro, por medo, e também pelas ameaças sofridas.
Infelizmente, a norma constitucional dos direitos à mulher não foi o suficiente para
coibir, nem mesmo para prevenir de forma efetiva a violência de gênero na esfera doméstica e
familiar. Pesquisas recentes revelam que o alto índice de violência à mulher no país,
principalmente no ambiente doméstico, como mostra a pesquisa realizada pela Campanha
Compromisso e Atitude (2014):
além disso, faz-se importante considerar, que além da agressão física, existe a violência
emocional ou psicológica, através de ofensas ou ameaças.
Através do uso de violência, busca-se impor algo através da força. Na literatura, existem
as mais diversas classificações para o termo, e também formas as quais a violência é castigada
como delito pela lei, porém, cabe ressaltar que o conceito de violência varia muito de acordo
com a cultura de uma região ou com a época estudada.
Diversos autores no trabalho de Pinto (2007), afirmam que a categoria gênero nada mais
é que o meio de evidenciar as desigualdades socioculturais que existem entre a mulher e o
homem, que repercutem tanto na esfera da vida pública e quanto na vida privada, impondo
papéis sociais diferentes que foram construídos historicamente, criando assim os polos de
dominação e submissão, fazendo prevalecer o poder masculino sob os direitos da mulher.
sociedade de uma cultura denominada machista; da violência física, que deixa mais que
cicatrizes nas vítimas, ofendendo sua integridade ou saúde corporal; até violência virtual, mais
recente, tratando-se de uma crescente modalidade de violência contra a mulher com a
divulgação de material pornográfico sem o consentimento, muitas vezes usada como forma de
vingança pelo término de um relacionamento.
Sabe-se ainda que a referida lei aplica-se a casos em que haja qualquer relação íntima
de afeto (independentemente da orientação sexual), na qual o agressor conviva ou tenha
convivido com a pessoa ofendida, independentemente de morarem no mesmo lugar. Observa-
se que pela definição, é possível delinear as diversas possibilidades de aplicação da lei, não
somente quanto ao gênero, e para tal, a reflexão faz-se necessária.
Os efeitos que surgiram após a entrada em vigor da nova lei, a Lei Maria da Penha se
fazem uma realidade em nosso País, pois esta tipifica e define a violência doméstica e familiar
contra a mulher, assim, tem se conhecido uma nova realidade enfrentada pelas mulheres
brasileiras, modificada pelo menos em partes, graças às inovações trazidas pela Lei Maria da
Penha, que hoje tem o condão de proteger a dignidade da pessoa humana da mulher brasileira,
como bem sua integridade física e psicológica, ainda qualquer objeto pertencente à mulher,
assegurando aqui a proteção contra a violência patrimonial.
O artigo dispõe sobre a proteção do bem da vida, o objeto jurídico mais precioso
tutelado pelo direito brasileiro. Em seudispositivo legal, primeiramente tem a classificação de
homicídio simples, nele o que fere é o bem jurídico tutelado, apenas, puramente o matar
alguém, sem maiores peculiaridades. Entre tanto, será qualificado quando essa conduta for
executada de maneira diferente do simples ato de matar alguém, quando o agente além de
praticar o delito, o pratica de forma que desvaloriza ainda mais a vida da vítima (SILVA, 2014).
Volume 1, Número 04, 2020
16o motivo apontado como repugnante. Assim como no inciso II, está prescrito
o motivo fútil. Entendendo por fútil, “nos termos da exposição de motivos do Código
Penal aquele que, pela sua mínima importância, não é causa suficiente para o crime,
ou seja, é o motivo desproporcional ou inadequado” (SILVA apud HUNGRIA, 2014,
p. 85-86). O motivo fútil, presente no inciso II do art 121, é composto por um
meio desprezível de eliminar a vida, sem motivo ou algum motivo mesquinho
e desproporcional ao resultado que causa, poderíamos citar como exemplo um
incidente de transito em que o autor lhe desfere disparos de arma de fogo por
este ter parado onde não deveria (PANDOLFO, 2015, p. 22).Do mesmo modo, o
inciso III do artigo 121 §2º prevê os meios de execução que qualificam o
homicídio, sendo eles o emprego de veneno, explosivos, asfixia, tortura e fogo,
terminando com um texto mais genérico, (meio insidioso, cruel ou de que possa
resultar perigo comum). Já no inciso IV, pela dificuldade ou impossibilidade
de defesa da vítima também se qualifica o crime, (a traição, a emboscada e a
dissimulação). Fundamentando-a em a vítima não conseguir se defender nessas
circunstâncias, bem como a quando o crime é executado para assegurar a
execução, impunibilidade, vantagem ou ocultação de outro crime. Havendo
conexão entre o homicídio e o outro crime. Sendo todos mantida a crueldade
com a vítima. (PANDOLFO, 2015)
às 17:30 horas do dia 8 de abril de 2020 já haviam 1.500.830 casos confirmados e 87.706 óbitos
ao redor do mundo. Nessa mesma data, o Brasil contabilizava 15.927 casos confirmados e 800
mortos pelo novo coronavírus.
Nesse debate, uma questão que vem sendo pouco discutida por pesquisadores, gestores e
demais membros dos comitês de crise para o enfrentamento da pandemia são as repercussões
do distanciamento social no relacionamento interpessoal, especialmente entre parceiros íntimos
e entre pais e filhos. Com base em situações de distanciamento social anteriores e no aumento
súbito do registro de casos de violência no contexto de pandemia, organizações internacionais
9,10,11,12,13, pesquisadores 14,15,16 e mídia leiga 17,18,19,20,21 estão preocupados com os
indícios de aumento da violência doméstica, sendo o lar, muitas vezes, um lugar de medo e
abuso.
Estima-se que um terço das mulheres, no mundo, vivenciarão violência física e/ou
sexual em algum momento da vida. A violência cometida pelo parceiro íntimo é a forma mais
comum. A OMS alerta que a violência contra a mulher vem aumentando desde o início da
pandemia de COVID-19. Em Jingzhou, uma cidade na província de Hubei/China, os casos de
violência doméstica triplicaram em fevereiro de 2020 comparado ao mesmo período no ano
anterior. No Brasil, o aumento da violência contra a mulher, ao longo do primeiro mês da
pandemia, também tem sido noticiado. Ao mesmo tempo, o Fórum Brasileiro de Segurança
Pública reportou diminuição dos registros de boletins de ocorrência por violência doméstica
nos primeiros dias de isolamento.
Porém, os números de feminicídios e homicídios femininos apresentam crescimento,
indicando o aumento da violência doméstica e familiar. A violência familiar envolve uma
complexidade de fatores individuais, relacionais, sociais e culturais. Destacam-se aqui alguns
fatores que se interrelacionam ao aumento do risco de violência contra a mulher durante a
pandemia:
• As mulheres podem passar a ter menos contato com sua rede socioafetiva, afastamento que
pode favorecer a perpetração de violências;
• O homem e/ou a mulher podem ter o sustento da família limitado ou ameaçado, resultando no
aumentando do estresse e no agravamento da convivência conflituosa e/ou violenta;
• Os agressores podem se utilizar das restrições recomendadas para controle da pandemia como
meio para exercer poder e controle sobre as parceiras, reduzindo
ainda mais seu acesso aos serviços e ao apoio psicossocial. Dessa forma, as mulheres podem
enfrentar obstáculos ainda maiores para se defenderem ou acionarem medidas de proteção;
• Durante o isolamento social é possivel que haja aumento no consumo de álcool e outras drogas
no ambiente familiar, podendo elevar a probabilidade de ocorrer violência;
• O acesso aos serviços de atendimento à mulher em situação de violência podem estar limitados
devido aos esforços de enfrentamento à COVID-19, reduzindo o alcance a fontes de ajuda;
• Deve-se considerar que as diferenças sociais como cor da pele, classe social, orientação
sexual, identidade de gênero e idade, deixam algumas mulheres mais suscetíveis à violência.
Além disso, a falta de recursos financeiros e o acesso restrito aos serviços de saúde dificultam
o afastamento do agressor e o rompimento do ciclo da violência.
CONCLUSÃO
de gênero, pois em nossos dias atuais, o que se busca são meios para garantir às mulheres a
igualdade de condições em todos os aspectos de sua vida, tanto social, cultural, política, quanto
trabalhista, de forma a equilibrar e assegurar igualdade de direitos, deveres e oportunidades em
relação ao homem, como lhe são reconhecidos constitucionalmente.
Acredita-se que somente através da adequada educação de nossas crianças, de forma a
eliminar qualquer tipo de discriminação e preconceito, buscando uma sociedade justa em que
homens e mulheres tenham as mesmas oportunidades e convivam melhor.
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