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Tributação na Pecuária: Planejamento Eficaz

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TRIBUTAÇÃO NA PECUÁRIA: a importância do planejamento tributário no âmbito

rural

Taxation in livestock: the importance of tax planning in rural areas


Fiscalidad ganadera: la importancia de la planificación fiscal en las zonas rurales

Rackel Ferreira dos Santos Silva1


Graciele Araújo de Oliveira Caetano2

RESUMO

O presente artigo tem como principal objetivo evidenciar as formas de tributação aplicadas ao
setor rural demonstrando a diferença entre a tributação pessoa física e jurídica, a fim de
demonstrar o regime tributário menos oneroso para o produtor rural, seja ele pessoa física ou
pessoa jurídica. O procedimento metodológico utilizado para elaboração do trabalho foi a
pesquisa bibliográfica, que se deu a partir de livros, sites e artigos científicos publicados e
analisados a fim de responder à pergunta em questão, acerca da tributação na pecuária de modo
a apresentar o regime menos oneroso. O agronegócio é o setor que mais se desenvolveu nos
últimos anos e consequentemente a figura do contador é de extrema importância para
elaboração e apuração dos impostos devidos de acordo com cada tipo de atividade. Com isso
faz-se necessário um estudo aprofundado no assunto para apresentar ao produtor rural os
diversos tipos de tributação. Portanto, conclui-se que a forma de tributação aplicadas ao
produtor rural pessoa jurídica possuem alíquotas elevadas, não sendo favorável para o produtor
rural que busca uma redução dos tributos. Sendo assim, o regime tributário menos oneroso é a
tributação pelo Imposto de Renda Pessoa Física, pois essa busca uma redução nos tributos e
também o controle de suas atividades é feito de maneira simplificada.

PALAVRAS-CHAVE: Agronegócio. Pecuária. Pessoa Física. Pessoa Jurídica. Produtor Rural.


Tributação.

1
Discente do 8° período curso de Ciências Contábeis pela Faculdade de Jussara – FAJ. E-mail:
rackelferreira3@[Link].
2
Professora na Faculdade de Jussara – FAJ. Graduação em Zootecnia, Mestre em Produção Animal, Doutoranda
em Produção Animal, especialista em Gestão ambiental e Agropecuária Sustentável. orientadora. E-mail:
gracielecaetano@[Link].
ABSTRACT

The main objective of this article is to highlight the forms of taxation applied to the rural sector,
demonstrating the difference between individual and corporate taxation, in order to demonstrate
the least onerous tax regime for rural producers, whether individuals or legal entities. The
methodological procedure used to prepare the work was bibliographic research, which took
place from books, websites and scientific articles published and analyzed in order to answer the
question in question, about taxation in livestock in order to present the least costly regime.
Agribusiness is the sector that has developed the most in recent years and, consequently, the
figure of the accountant is extremely important for the elaboration and calculation of taxes due
according to each type of activity. Therefore, a thorough study on the subject is necessary to
present the different types of taxation to the rural producer. Therefore, it is concluded that the
form of taxation applied to the rural producer legal entity has high rates, not being favorable
for the rural producer that seeks a reduction of taxes. Therefore, the least onerous tax regime is
taxation by the Individual Income Tax, as this seeks a reduction in taxes and also the control of
its activities is done in a simplified manner.

KEYWORDS: Agribusiness. Livestock. Physical Person. Legal Person. Rural Producer.


Taxation.

1 INTRODUÇÃO

Sabe-se que o agronegócio tem crescido gradativamente e é atividade de suma


importância para geração de renda econômica no Brasil, podendo ser considerado pilar de
sustentabilidade de muitas famílias brasileiras. Com isso o papel do Contador é de suma
importância para elaboração e apresentação das demonstrações contábeis.
O que antes era dito por muitos que o espaço rural era um espaço atrasado, acabou não
prevalecendo. Deixando de ser visto apenas como meio de sobrevivência, o espaço rural se
tornou um lugar de constante desenvolvimento, aumentando o nível de produções e
comercializações. Portanto, a agricultura e a pecuária passam a conviver lado a lado, ambas se
tornaram dependentes uma da outra.
O agronegócio tem sido reconhecido como um vetor crucial do crescimento econômico
brasileiro. Esse setor funciona como uma roda que gira sem parar e movimenta uma nação.
Existem duas formas de conceituar o produtor rural, sendo elas: produtor rural pessoa
física e produtor rural pessoa jurídica. O produtor rural pessoa física, faz toda a movimentação
da propriedade rural por meio do seu CPF – Cadastro de Pessoas Físicas e adota como regime
de tributação o Imposto de Renda Pessoa Física. Já na modalidade do produtor rural pessoa
jurídica, torna-se necessário a abertura de um CNPJ – Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica,
onde o produtor é visto como empresa rural, podendo observar as formas de planejamento
tributário aplicados a esse setor e analisando qual será mais vantajosa, visando sempre o
aumento nos lucros e redução nos custos e despesas.
Sendo assim, Cirillo (2020) afirma que, mesmo em decorrência da crise gerada pela
Covid-19, o agronegócio foi o único setor que apresentou resultados positivos. Enquanto
diversas industrias e comércios tiveram quedas nos lucros a agropecuária cresceu 1,9% em
comparação com outros meses.
Torna-se necessário um estudo acerca do tema baseando-se na perspectiva de maior
conhecimento acerca da tributação na pecuária e apresentando a diferença entre pessoa física e
jurídica, de forma a complementar os estudos realizados no campo acadêmico. Dessa forma,
essa pesquisa visa responder a seguinte pergunta: Qual o regime tributário menos oneroso para
o produtor rural seja ele pessoa física ou jurídica?
Para desenvolvimento do tema tributação na pecuária: peculiaridades entre pessoa física
e pessoa jurídica, foi utilizado o seguinte procedimento metodológico, a pesquisa bibliográfica,
que se deu a partir de levantamentos de referências bibliográficas encontradas, analisadas e
publicadas em artigos científicos, livros e revistas, a fim de levantar informações e
conhecimentos sobre o problema em questão.
O trabalho se divide em quatro tópicos, incluindo esta introdução. No tópico 01, será
apresentado um resumo sobre a atual situação do agronegócio brasileiro. Em seguida será
abordado os tipos de regimes tributários aplicados ao produtor rural e com isso apresentar o
regime menos oneroso aplicado ao setor rural. Por fim, tem-se as referências bibliográficas
encontradas em livros e artigos científicos para a elaboração da pesquisa.
Portanto, esta pesquisa tem como objetivo evidenciar as formas de tributação aplicadas
ao setor rural demonstrando a diferença entre a tributação pessoa física e jurídica, a fim de
demonstrar o regime tributário menos oneroso para o produtor rural, seja ele pessoa física ou
pessoa jurídica.

2 AGRONEGÓCIO BRASILEIRO

O agronegócio conta com uma participação significativa na economia brasileira. De


acordo com a CNA – Confederação Nacional da Agricultura, o Produto Interno Bruto (PIB) do
agronegócio brasileiro, cresceu 3,81% em 2019 comparado ao ano de 2018. Sendo assim, em
2019, o PIB do agronegócio representou 21,4% do PIB brasileiro total.
Agronegócio é o termo utilizado para fazer referência ao contexto da produção
agropecuária, incluindo todos os serviços e equipamentos relacionados direta ou indiretamente
(PENA, 2020).
Contudo, Porto e Gonçalves (2011, p.19) afirmam que:
Para o setor agropecuário, existem várias conceituações possíveis de empresa rural,
não havendo, porém, uma exclusivamente aceita. A empresa rural, portanto, é a
unidade de produção que possui elevado nível de capital de exploração e alto grau de
comercialização, ou seja, um elevado uso de fatores de produção como a terra, as
máquinas, os defensivos, etc., tendo com objetivos técnicos a sobrevivência, o
crescimento e, sobretudo, a busca de lucro, sendo caracterizada pela exploração da
capacidade produtiva do solo por meio do cultivo da terra, da criação de animais e da
transformação de determinados produtos agropecuários (PORTO; GONÇALVES,
2011, p.19).

Pena (2020), afirma que, esse setor da economia envolve uma cadeia de atividades que
inclui a produção agrícola (cultivo de culturas como o café, algodão, pecuária, etc.), a demanda
por adubos e fertilizantes, o desenvolvimento de maquinários agrícolas, a industrialização de
produtos do campo (como óleos, cigarros, café solúvel, entre outros) e o desenvolvimento de
tecnologias para dinamizar todas essas atividades.
O autor ainda afirma que o agronegócio não está totalmente relacionado com o campo,
ele se baseia também no meio urbano sendo um dos vetores de promoção da subordinação das
atividades rurais à dinâmica das cidades.
Desse modo, Araújo (2017 p. 13) afirma que:
No início das civilizações, os homens viviam em bandos, nômades de acordo com a
disponibilidade de alimentos que a natureza espontaneamente lhes oferecia.
Dependiam da coleta de alimentos silvestres, da caça e da pesca. Não havia cultivos,
criações domésticas, armazenagem e tampouco trocas de mercadorias entre bandos.
Assim, passavam por períodos de fartura ou de carestia. Em cada local em que o bando
se instalava, a coleta, a caça e a pesca, fáceis no início, ficavam cada vez mais difíceis
e distantes, até um momento em que as dificuldades para a obtenção de alimentos se
tornavam tão grandes que os obrigavam a mudar sempre de lugar, sem fixação de
longo prazo.

Savoia (2009, p. 17) preconiza que,


O Brasil tem uma condição singular que favorece um desenvolvimento ainda maior
do agronegócio devido a: (i) clima privilegiado; (ii) solo fértil; (iii) disponibilidade de
água; (iv) biodiversidade; e (v) mão de obra qualificada. Além disso, segundo o Banco
do Brasil, estima-se que existam no país 582 milhões de hectares aptos para
agricultura, dos quais 90 milhões ainda não explorados e com elevado potencial para
a produção de grãos e de outros produtos agrícolas. Estimativas do Mapa indicam que
o Brasil pode aumentar em, no mínimo, três vezes sua atual produção de grãos,
atingindo o patamar próximo de 360 milhões de toneladas de grãos de safra.

Segundo o Ministério da Agricultura (texto online), o agronegócio brasileiro é um dos


mais representativos do mundo, principalmente no que tange as exportações. O Brasil é o maior
exportador mundial de café, açúcar e cana de açúcar e ocupa o segundo lugar nas exportações
de carne bovina.
A junção de fatores naturais que proporcionaram o crescimento do agro, bem como os
avanços tecnológicos e o alto desenvolvimento depositado nesse setor, possibilitou a ascensão
da agropecuária brasileira.

2.1 PECUÁRIA

A pecuária é uma atividade econômica voltada para a criação de gado em áreas rurais e
tem como finalidade a produção de alimentos para o consumo humano e outras matérias primas.
A pecuária é considerada umas das atividades mais antigas da humanidade (MUNIZ, 2019).
Assim, de acordo Freitas (2020) a pecuária exerce grande relevância no segmento das
exportações brasileiras, além de abastecer o mercado interno. A pecuária é uma atividade
econômica e é desenvolvida em áreas rurais com objetivo na criação de animais (como gado)
com o intuito de comercializá-los, gerando renda e suprindo as necessidades do produtor.
Gomes (2020, p.3) afirma que “do ponto de vista do manejo e gestão, a pecuária passa
por constante evolução, migrando para uma atividade cada vez mais profissional, alinhada com
preceitos de bem-estar animal e segura do ponto de vista sanitário”.
Gomes (2020, p.4) ainda enfatiza que “no que tange a qualidade da carne, a atividade é
cada vez mais estimulada a se atentar às exigências do mercado consumidor, seja pela própria
frigorífica, seja pela iniciativa governamental”.
Com isso, a produção da pecuária é destinada a criação e reprodução de animais visando
sempre a comercialização para fins econômicos.

2.1.1 Pecuária de Corte

A pecuária de corte teve início na época do descobrimento do Brasil com a chegada dos
primeiros bovinos trazidos pelos colonizadores portugueses.
Um dos setores que mais tem crescido economicamente nos últimos anos é o setor
agropecuário. De acordo com dados do Embrapa (2014), a pecuária de corte tem se destacado
nos últimos 15 anos na economia e no comércio internacional.
Segundo Ferreira e Zanine (2007) apud Estanislau e Cançado Junior (2000), a pecuária
de corte brasileira se baseia na exploração extensiva das pastagens com baixos níveis
zootécnicos e de produtividade.
De acordo com dados extraídos do Animal Business Brasil (2018), no Brasil possui mais
de 215 milhões de cabeças de gado e com isso se tornou o maior rebanho comercial do mundo.
Desde o ano de 2004 assumiu posição de destaque no comercio mundial de carne bovina e hoje
é o maior exportador do produto. Gerando receita anual que ultrapassa US$ 5 bilhões de vendas.
O Brasil atualmente exporta carne para mais de 140 diferentes mercados, mesmo destinando
aproximadamente 80% de sua produção para o abastecimento do mercado interno.
Portanto, o sistema da pecuária de corte baseia-se em três fases, sendo elas: cria (desde
a cobertura da vaca até a fase de desmana), recria (entre as fases desmama e terminação) e
terminação (fase de engorda). A utilização do confinamento permite a redução da idade dos
abates dos animais, passando a produzir a carne de maior qualidade, bem como o retorno do
capital investido em curto prazo de tempo e descansando as áreas de pastagens durante a seca
(SENAR, 2018).
Freitas (2020, texto online), afirma que:
Pecuária de corte consiste na criação de animais com o objetivo de fornecer carne. Na
produção extensiva, os animais são criados soltos em grandes áreas, alimentam-se de
pastagens e não recebem maiores cuidados, em contrapartida, na intensiva os animais
são manejos em pequenos recintos com dieta à base de rações balanceadas especificas
para engorda [...].

Desse modo, será detalhado em seguida cada uma dessas duas modalidades.

[Link] Pecuária Intensiva

De acordo com dados extraídos do SENAR (2018), a pecuária representa uma das
atividades econômicas mais importantes do Brasil. Esse setor terá de aumentar gradativamente
devido ao crescimento de demanda no mundo. Portanto, uma das maneiras de poder gerenciar
o aumento dessa demanda é adotando a terminação em animais de confinamento. Visto que a
prática do confinamento permite atender a demanda dos frigoríficos, construída de animais
jovens bem acabados e cabe ao produtor estar atento ao sistema produtivo e econômico,
objetivando o sucesso na atividade.
Muniz (2019, texto online), conceitua pecuária intensiva como:

Chamada de pecuária moderna, esse tipo de atividade resulta na maior produtividade,


sendo marcada pela utilização de métodos avançados e recursos tecnológicos. Dessa
maneira, o rebanho, que possui acompanhamento de especialistas, é criado confinado,
pois auxilia no processo de ganho de peso. São alimentados com rações específicas,
diversas aplicações de hormônios, processos de inseminação artificial e clonagem.

Decorrente o avanço da produção, faz-se necessário o uso de maquinários sofisticados


e consequentemente, passa a ser o método mais utilizado na atividade agropecuária. Haja vista
que o produtor rural está interessado na maximização de lucros e na redução de custos e
despesas na atividade agropecuária.

[Link] Pecuária Extensiva

A pecuária extensiva é uma das principais atividades econômicas do Brasil.


Essa modalidade da pecuária apresenta baixo índice de produtividade, pois é pautada na
utilização de métodos com poucos recursos tecnológicos. Assim, o gado é criado solto em
grandes extensões de terra, se alimentam de pastagens e não possuem acompanhamento com
especialistas (MUNIZ, 2019).
Nessa modalidade o produtor faz um baixo investimento inicial, é necessário o manejo
de pastagem, mas não oferece para o animal os recursos avançados.

3 PLANEJAMENTO TRIBUTARIO PARA O PRODUTOR RURAL

É preciso escolher com bastante cautela o regime de tributação no momento da abertura


de uma empresa e no âmbito rural não é diferente. É necessário a escolha daquele que será mais
vantajoso, suprindo as necessidades e que traga uma redução no número de despesas.
Ribeiro e Acuña (2017) afirmam que, o fator que diferencia de uma maneira significante
os resultados econômicos obtidos pelos produtores rurais é a formalização da atividade dos
produtores rurais no Brasil. Pois os que atuam na informalidade não tem acesso ao crédito rural
e não possuem direitos trabalhistas. Portanto, os produtores rurais legalizados possuem
inúmeros benefícios.
Segundo Crepaldi (2019, p.3),
O planejamento tributário é a determinação operacional de uma série de
procedimentos conhecidos como formas de economia de imposto e é necessidade
premente para todos os contribuintes, tanto para pessoas jurídicas como para pessoas
físicas. Seu intuito é permitir a elaboração e o planejamento com bases técnicas de
planos e programas, com o objetivo de avaliar a melhor forma de apurar e recolher os
tributos e as contribuições. Compõe a gestão fiscal e tributária com base nas
oportunidades de redução da carga tributária atendendo à legislação da área no sentido
de evitar riscos ou desembolsos desnecessários.

“O benefício do planejamento tributário para o produtor rural está diretamente ligado a


postergação, não ocorrência ou diminuição do fato gerador. Ao anular ou diminuir o fato
gerador tributário, consequentemente se efetiva a economia tributária” (FRANK, 2017, p. 4).
A elaboração do planejamento tributário é um fator determinante para o produtor rural,
fazendo com que observe com clareza os lucros obtidos pela propriedade rural.
3.1 REGIMES TRIBUTARIOS APLICADOS AO PRODUTOR RURAL

Para elaborar o planejamento tributário, é necessário observar quais os impostos, taxas


e contribuições tem obrigatoriedades a serem recolhidas. Esse recolhimento se dá de forma
legal a fim de suprir as necessidades do produtor rural e evitando que esteja em desacordo com
a legislação (FRANK, 2017).
Diante disso, os enquadramentos para o produtor rural são baseados em duas maneiras,
sendo elas, pessoa física e pessoa jurídica. No caso de pessoa jurídica existem três modalidades
distintas, Simples Nacional, Lucro Presumido, Lucro Real e para as pessoas físicas a tributação
é feita pelo Imposto de Renda.

3.1.1 Simples Nacional

Conforme dados extraídos no Portal do Simples Nacional (201?), essa modalidade de


tributação entrou em vigor em 1° de julho de 2007 de acordo com a Lei Complementar 123 de
14 de dezembro de 2006, que através de um regime especial unificado de arrecadação de
tributos contribui com a diminuição da carga tributária, conforme o tipo de atividade
desenvolvido pela empresa.
O Simples Nacional é um regime de tributação que foi criado com o intuito de
simplificar o sistema de arrecadação e abrange os seguintes tributos: IRPJ, CSLL, PIS/Pasep,
Cofins, IPI, ICMS, ISS e a Contribuição para a Seguridade Social destinada à Previdência
Social a cargo da pessoa jurídica, em uma única guia (DAS). Optantes pelo Simples Nacional,
a receita bruta anual não pode ultrapassar R$ 4,8 milhões e as alíquotas do simples nacional são
incidentes do valor do faturamento bruto.
O produtor rural que optar por esse regime tributário deve estar inscrito no CNPJ –
Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica. Sendo assim, a tabela para cálculo do simples nacional
possui alíquotas que variam de acordo com o seu faturamento, conforme demonstrado na tabela
a seguir:

Tabela 1 - Anexo I – Tabela Simples Nacional – Comércio - 2018


Faixa Receita Bruta 12 meses (em R$) Alíquota Valor a Deduzir
Nominal (em R$)
1ª Até 180.000,00 4,00% -
2ª De 180.000,01 até 360.000,00 7,30% 5.940,00
3ª De 360.000,01 até 720.000,00 9,50% 13.860,00
4ª De 720.000,01 até 1.800.000,00 10,70% 22.500,00
5ª De 1.800.000,01 até 3.600.000,00 14,30% 87.300,00
6ª De 3.600.000,00 até 4.800.000,00 19,00% 378.000,00
Fonte: Contabilizei (2020)

O valor do imposto devido pela empresa se refere ao cálculo da alíquota efetiva. Para o
cálculo é necessário observar a receita bruta dos últimos 12 meses, a alíquota nominal e o valor
da parcela a deduzir, essa parcela a deduzir tenta amenizar a passagem de uma faixa para outra.
Dessa forma, se a faturamento é tributado pelo anexo I, observa-se a faixa para aplicar o
percentual e gerar o imposto devido.

Tabela 2 - Percentual de Repartição dos Tributos


Faixa IRPJ CSLL Cofins Pis/Pasep CPP ICMS (*)
1ª 5.50% 3,50% 12,74% 2,76% 41,50% 34,00%
2ª 5.50% 3,50% 12,74% 2,76% 41,50% 34,00%
3ª 5.50% 3,50% 12,74% 2,76% 42,00% 33,50%
4ª 5.50% 3,50% 12,74% 2,76% 42,00% 33,50%
5ª 5.50% 3,50% 12,74% 2,76% 42,00% 33,50%
6ª 13,50% 10,00% 28,27% 6,13% 42,10% -
Fonte: Contabilizei (2020)

Na tabela 2 podemos observar o percentual de repartição dos tributos que são compostos
na guia do Das. Essas alíquotas viriam de acordo com o seu faturamento.

3.1.2 Lucro Presumido

Marion (2019, p. 200) define lucro presumido como, “uma modalidade simplificada
para determinação da base de cálculo do imposto de renda das pessoas jurídicas”.
Com base no Portal Tributário (201?), lucro presumido é a sistemática é utilizada para
presumir o lucro da pessoa jurídica a partir de sua receita bruta e outras receitas sujeitas a
tributação. Nessa modalidade o IRPJ e a CSLL são apurados trimestralmente. A legislação
determina que sejam aplicados percentuais de presunção de lucratividade sobre a receita bruta
para determinar a base de cálculo do Lucro Presumido. Após presumir o lucro são aplicados os
percentuais de IRPJ e CSLL.
O lucro presumido é um regime de tributação facilitado por ser devido o cálculo de
tributação ser feita de forma presumida de acordo com sua receita. Esse percentual varia
conforme a atividade desenvolvida, sendo de 1,6% a 32%. As alíquotas incidentes sobre a
receita bruta nesse regime de tributação variam de acordo com cada ramo de atividade
desenvolvida na propriedade. Exemplos: revenda de combustíveis é 1,6%, indústria e comércio
é 8% e as empresas que prestam serviços é de 32%.
Para ser optante pelo Lucro Presumido a empresa deve ter faturamento bruto inferior a
R$ 78.000.000,00 no exercício anterior.
Portanto, após presumir o lucro serão aplicados os percentuais, apurado trimestralmente
e recolhido em uma guia cujo vencimento se dá ao último dia útil ao mês subsequente da
apuração.

3.1.3 Lucro Real

Lucro Real é a base de cálculo para a apuração do Imposto de Renda Pessoa Jurídica
(IRPJ) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) da pessoa jurídica.
Conforme Marion (2019, p. 195)
O Lucro Real é definido como o resultado (Lucro ou Prejuízo) do período de
apurações (antes de computar a provisão para o imposto de renda), ajustado pelas
adições, exclusões e compensações autorizadas pela legislação do imposto de renda.

No regime de tributação Lucro Real, os impostos são calculados sobre o lucro líquido
contábil do exercício, devendo considerar os valores de ajustes (positivos e negativos),
conforme permitidos por lei (JORNAL CONTABIL, 2019).
Esse regime possui alíquota fixa de 15% incidente sobre a base de cálculo.
As empresas tributadas pelo Lucro Real podem determinar o lucro contábil com base
em balanço trimestral ou anual. Se a empresa optar pela forma trimestral, os períodos serão
encerrados em, 31 de março, 30 de junho, 30 de setembro e 31 de dezembro, ficando suspenso
do recolhimento do IRPJ e CSLL nos dois primeiros meses de cada apuração (JORNAL
CONTABIL, 2019).
Diversas empresas não fazem um levantamento sobre qual regime tributário escolher e
qual trará mais benefícios para a empresa.
O regime de tributação Lucro Real é o mais burocrático por ser o mais detalhado e rígido
nas exigências do fisco.
3.1.4 Imposto de Renda Pessoa Física

São contribuintes do IRPF todas as pessoas físicas titulares de disponibilidade


econômica ou jurídica de renda ou proventos de qualquer natureza, inclusive rendimentos e
ganhos de capital, bem como aqueles que perceberem rendimentos de bens de que tenham a
posse como se lhes pertencessem (CASTRO, 2014).
Como em todos os outros regimes tributários, a tabela para o cálculo do imposto de
renda possui alíquotas que variam de acordo com seu faturamento, conta também com uma
parcela a deduzir como incentivo para quando ultrapassar de uma faixa para outra.
Tabela Progressiva do IRPF 2020
Base de cálculo R$ Alíquota% Parcela a deduzir do IRPF
(R$)
Até 22.499,13 - -
De 22.499,14 até 33.477,72 7,5 1.687,43
De 33.477,73 até 44.476,74 15 4.198,26
De 44.476,75 até 55.373,55 22,5 7.534,02
Acima de 55.373,55 27,5 10,302,70
Fonte: Receita Federal do Brasil (2020)

Para esse regime tributário, utiliza-se como base de cálculo para a apuração do Imposto
de Renda, as receitas e despesas do produtor no exercício anterior ao ano da declaração. O
resultado da apuração receita (-) despesas é aplicado a alíquota e encontra-se o valor do imposto
devido.

4 CONSIDERAÇÕES SOBRE O REGIME TRIBUTÁRIO MENOS ONEROSO:


PESSOA FÍSICA X PESSOA JURÍDICA

Pessoas físicas e jurídicas possuem registros e efetuam pagamento de diversos impostos


diferentes. Possuem contas separadas em instituições bancárias e recebem tratamentos
diferentes.
Marion (2019, p. 7), afirma que, “pessoa física é a pessoa natural, é todo ser humano, é
todo individuo sem nenhuma exceção). A existência da pessoa física termina com a morte”.
Toda pessoa física é vinculada ao Cadastro de Pessoas Físicas (CPF), mantido pela receita
federal.
Dessa forma, Marion (2019, p. 7) conceitua pessoa jurídica como:
[...] união de indivíduos que, por meio de um trato reconhecido por lei, formam uma
nova pessoa, com personalidade distinta da de seus membros. As pessoas jurídicas
podem ter fins lucrativos (empresas industriais, comerciais etc.) ou não (cooperativas,
associações culturais, religiosas etc.). Normalmente, as pessoas jurídicas denominam-
se empresas.

Nascimento (2020), afirma que, a pessoa jurídica possui uma personalidade jurídica
diferenciada e apesar dessa diferenciação entre empresa e sócios responsáveis, os indivíduos
responsáveis pela entidade podem responder juridicamente em casos de fraudes cometidos pela
pessoa jurídica. Este fenômeno é chamado despersonalização ou desconsideração da pessoa
jurídica.
Como demonstrado no decorrer do trabalho, as alíquotas aplicadas ao produtor rural
pessoa jurídica são bem elevadas e com isso torna-se a opção mais onerosa aplicadas a esse
setor. Haja vista que, a opção mais vantajosa para o produtor rural é a tributação pelo Imposto
de Renda Pessoa Física, pois além de demonstrar uma redução nos tributos e despesas, esse
regime aplica o controle de sua atividade de maneira simplificada.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Sabe-se que desde os primórdios faz-se necessário o uso e plantio da terra como meio
de sobrevivência. Sendo assim, com o avanço acelerado da tecnologia as empresas
agropecuárias e até mesmo o pequeno produtor passaram a ter necessidade de um equipamento
mais adaptado aumentando seu índice de lucratividade.
O espaço rural deixou de ser um lugar atrasado e se tornou um lugar de constante
desenvolvimento. Com isso teve a necessidade de desenvolver um controle mais adaptado e
específico de acordo com o tipo de atividade desenvolvida no âmbito rural, tornando essencial
a figura do contador para elaboração dos impostos e divulgação de relatórios contábeis, a fim
de suprir as necessidades do produtor rural.
Podemos observar que a elaboração do planejamento tributário é de suma importância
para o produtor, devendo ser escolhido com muita atenção a fim de apresentar com clareza os
lucros auferidos na propriedade. Sendo assim, é possível identificar as formas de tributação
aplicadas ao produtor rural pessoa física e jurídica, demonstrando a tributação menos onerosa
ao produtor rural.
Portanto, é possível identificar que as alíquotas aplicadas ao produtor rural pessoa
jurídica possuem um percentual elevado, gerando maior gasto com impostos e com isso torna-
se a forma de tributação mais onerosa ao produtor. Sendo assim, o regime tributário menos
oneroso aplicado ao setor rural é a tributação pelo Imposto de Renda Pessoa Física, pois essa
utiliza de forma simplificada o controle de suas atividades e busca uma redução nos tributos.

REFERÊNCIAS

ARAÚJO, Massilon J. Fundamentos do agronegócio. 2. ed. – 2. reimpr. – São Paulo: Atlas,


2007.

BEZERRA, Juliana. O que é Agronegócio? Toda matéria, 2019. Disponível em:


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PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO: lucro real x lucro presumido

Tax planning: real profit x assumed profit


Planificación tributaria: beneficio real x beneficio supuesto

Igor Gomes de Carvalho3


Edson Júnior Santana4

RESUMO

A história da Contabilidade se confunde com a da própria humanidade, e os impostos sempre


possuíram lugar de destaque no crescimento social e econômico de uma nação. Para as
empresas é necessário desenvolver, estudar e escolher a melhor forma de tributação possível,
para que assim, não haja onerosidade desnecessária. O objetivo do presente artigo é analisar
como o planejamento tributário pode ajudar as empresas nas tomadas de decisões, de modo que
a melhor escolha consiga de fato legalmente diminuir a sua carga tributária. Na contabilidade
tributária brasileira diversos são os regimes de tributação, dentre os quais encontram-se o Lucro
Real e o Lucro Presumido, sendo dois regimes bastante comuns. Foram utilizados os
procedimentos técnicos de pesquisa bibliográfica e documental, de forma especial a pesquisa
em revistas de grande circulação e artigos científicos publicados. Para conseguir alcançar os
objetivos do trabalho são utilizadas de modo conjunto as abordagens qualitativa e quantitativa
das informações coletadas.

PALAVRAS-CHAVE: Contabilidade Tributária. Lucro Presumido. Lucro Real. Planejamento


Tributário.

ABSTRACT

Accounting history is intertwined with that of humanity itself, and taxes have always had a
prominent place in a nation's social and economic growth. For companies, it is necessary to

3
Aluno do 8° período do Curso de Ciências Contábeis da Faculdade de Jussara – FAJ. E-mail:
igorgomes.m5m44@[Link]
4
Professor Graduado em Ciências Econômicas pela Faculdade Alves Faria (ALFA), Mestrando em Gestão
Empresarial pela universidade de Lusófona (POR), MBA em Finanças Empresarias, MBA de Gestão Empresarial
- GAP Goiânia. Perito e assistente judicial para casos econômicos e financeiros. E-mail:
edson@[Link]
develop, study and choose the best possible form of taxation, so that there is no unnecessary
burden. The purpose of this article is to analyze how tax planning can help companies in
decision making, so that the best choice can actually legally reduce their tax burden. In Brazilian
tax accounting, there are several taxation regimes, among which are Real Profit and Presumed
Profit, being two very common regimes. The technical procedures of bibliographic and
documentary research were used, in particular the research in magazines of great circulation
and published scientific articles. In order to achieve the objectives of the work, the qualitative
and quantitative approaches of the information collected are used together.

KEYWORDS: Tax Accounting. Presumed profit. Real profit. Tax Planning.

1 INTRODUÇÃO

Com o intuito de ser utilizada como ferramenta de administração de riquezas das


empresas e das pessoas, a contabilidade surgiu e tornou-se de suma importância para a
sociedade. Ao coletar, sistematizar e registrar os fatos contábeis é possível, com a utilização da
contabilidade, planejar e manter o controle da situação patrimonial, econômica e financeira,
seja particular ou empresarial.
Dentre os diversos ramos da contabilidade pode-se destacar a contabilidade tributária,
responsável pela escrituração de documentos fiscais, a fim de apurar e determinar a quantia
devida referente aos tributos específicos. Não obstante a carga tributária atual ser um motivo
para a dificuldade empresarial brasileira, o desconhecimento da legislação tributária também
deve ser considerada grande dificuldade.
Por não conter o conhecimento necessário sobre as responsabilidades fiscais os
empresários e/ou responsáveis por empresas perdem o controle das saídas e entradas,
desequilibrando, portanto, a contabilidade patrimonial do negócio. Sob esta perspectiva, o
planejamento tributário se faz necessário e de suma importância, pois, a avaliação das formas
de tributação permite a adequação da empresa àquela em que melhor convém à saúde contábil
do negócio.
Neste sentido, pretende-se ao longo do presente estudar a importância do planejamento
tributário visando à diminuição legal dos tributos a serem pagos, em especial, dois dos
principais regimes de tributação brasileiros: o Lucro Real e o Lucro Presumido, determinando
quais as especificações de cada um, seu devido enquadramento, para que haja menor incidência
de impostos, e por consequência, existam melhores resultados econômicos para a empresa. Para
a ideal elaboração do presente foram utilizados os procedimentos técnicos de pesquisa
bibliográfica e documental.
2 ASPECTOS GERAIS RELATIVOS À CONTABILIDADE

As civilizações antigas já faziam uso da contabilidade, sendo, portanto, uma das ciências
mais antigas da humanidade. Tais civilizações mantinham os registros contábeis, esboçando
técnicas existentes atualmente. Todavia, tais técnicas e registros eram mantidos de forma
sigilosa nos livros contábeis, podendo ser acessadas apenas pelo empreendedor (CREPALDI,
2013, p. 15).
Responsável por dispor de informações e orientações para a tomada de decisões dos
empresários e/ou administradores, a contabilidade deve estar presente em todos os
empreendimentos, para que diante do registro contábil sejam emitidos relatórios periódicos que
demonstrem a realidade da empresa, a sua saúde contábil. A saber, tais registros e relatórios,
devem respeitar as normas próprias aplicáveis ao caso concreto, em especial, às normas do
Conselho Federal de Contabilidade e a legislação brasileira (FABRETTI, 2009, p. 25).
Em suma, a contabilidade deve ser considerada como “a ciência que estuda, registra, e
controla o patrimônio e as mutações que nele operam os atos e fatos administrativos,
demonstrando no final de cada exercício social o resultado obtido e a situação econômica
financeira da entidade” (FABRETTI, 2009, p. 07). A principal finalidade da contabilidade é
controlar as movimentações que ocorrem no patrimônio de uma empresa, entidade, de um
cliente no geral. Tais informações são de interesse de todos os envolvidos, ou seja, dos
administradores, investidores, clientes, fornecedores, bancos, financeiras, dentre outros
(FRANCO, 2009, p. 63).
O governo também possui interesse na vida contábil das organizações e é através da
Legislação Tributária que verifica a regularidade fiscal e as demais informações econômicas
pertinentes (CREPALDI, 2013, p. 23). Dentro da contabilidade existem diversos ramos, os
quais se destacam a contabilidade tributária e fiscal. A primeira “é o ramo contabilidade que
tem por objetivo aplicar na prática conceitos, princípios e normas básicas da contabilidade e da
legislação tributária, de forma simultânea e adequada” (FABRETTI, 2009, p. 05). Já a segunda
“é a obrigação das empresas prestarem informações exigidas pelos órgãos governamentais, ou
seja, a contabilidade fiscal operacionaliza a escrituração dos fatos geradores de obrigações
tributárias” (CAMBRUS, 2017, p. 17).
3 SISTEMA TRIBUTÁRIO NACIONAL – CONCEITOS PERTINENTES

A contabilidade tributária e fiscal se relaciona diretamente com o sistema tributário


brasileiro, assim, para que seja possível compreender, posteriormente, as minúcias do Lucro
Real e do Lucro Presumido, se torna necessário entender o que vem a ser tributo e suas espécies.
O sistema tributário nacional é formado por um bloco legislativo, cujo conteúdo possui
leis, tratados, convenções internacionais, além de decretos e normas complementares. Tais itens
possuem o fulcro de instituir e arrecadar tributos que são de competências da União, dos Estados,
do Distrito Federal e dos Municípios (CAMBRUS, 2019, p. 18).
O conceito de tributo está inserido nos artigos 3º e 4º do Código Tributário Nacional
(CTN), conforme se vê:

Art. 3º - Tributo como toda prestação pecuniária compulsória, em moeda cujo valor
nela se possa exprimir, que não constitua sansão de ato ilícito, instituída em Lei e
cobrada mediante atividade administrativa plenamente vinculada.
Art. 4º - A natureza jurídica do tributo é determinada pelo fato gerador da respectiva
obrigação, sendo irrelevantes para qualificação: I – a denominação e demais
características formais adotadas pela lei; II – a destinação legal do produto da sua
arrecadação (BRASIL, 1966).

Importante mencionar que tributo é o gênero, e possui como espécies os impostos, as


taxas e as contribuições de melhoria, nos termos do artigo 5º do dispositivo legal retro. Neste
sentido, menciona o artigo 145 da Constituição Federal de 1988 acerca da instituição dos
tributos:

Art. 145. A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios poderão instituir os


seguintes tributos:
I - impostos;
II - taxas, em razão do exercício do poder de polícia ou pela utilização, efetiva ou
potencial, de serviços públicos específicos e divisíveis, prestados ao contribuinte ou
postos a sua disposição;
III - contribuição de melhoria, decorrente de obras públicas (BRASIL, 1988).

Entende-se por imposto a “obrigação tem por fato gerador uma situação independente
de qualquer atividade estatal específica, relativa ao contribuinte”, conforme dispõe o artigo 16
do Código Tributário Nacional. Os impostos podem ser de competência da União, dos Estados
e dos Municípios.
São impostos federais, destinados ao governo federal: Imposto sobre Operações
Financeiras (IOF); Imposto sobre Importação (II); Imposto sobre Produtos Industrializados
(IPI); Imposto sobre a Renda da Pessoa Física (IRPF); Imposto sobre a Renda da Pessoa
Jurídica (IRPJ); Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS); Programa
de Integração Social (PIS); Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL); Fundo de
Garantia do Tempo de Serviço (FGTS); e, Instituto Nacional do Seguro Nacional (INSS).
Os impostos estaduais os quais se destinam ao governo do estado são: Imposto sobre
Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS); Imposto sobre a Propriedade de Veículos
Automotores (IPVA); e, o Imposto sobre a Transmissão Causa Mortis e Doação (ITCMD). Os
impostos de competência municipal por sua vez, aqueles destinados ao governo municipal, são:
Imposto sobre a Propriedade Predial e Territorial Urbana (IPTU); Imposto de Transmissão de
Bens Imóveis (ITBI); e, Imposto sobre Serviços (ISS).
Em suma os impostos são fontes permanentes de captação de recursos financeiros da
Administração Pública, e todas as pessoas, sejam elas física ou jurídica, são obrigadas ao efetivo
pagamento de impostos, salvo exceções previamente determinadas (FABRETTI, 2008, p. 51).
Além dos impostos, os tributos são formados pela taxa e pela contribuição de melhoria.
Neste sentido, entende-se por taxa o tributo vinculado, em que apenas será devido pelo
contribuinte quando houver prestação de serviço, por parte do ente instituidor da referida taxa,
são os termos do artigo 77 do CTN.

Art. 77 - As taxas cobradas pela União, pelos Estados, pelo Distrito Federal ou pelos
Municípios, no âmbito de suas respectivas atribuições, têm como fato gerador o
exercício regular do poder de polícia, ou a utilização, efetiva ou potencial, de serviço
público específico e divisível, prestado ao contribuinte ou posto à sua disposição
(BRASIL, 1966).

Por fim, compreende-se por contribuição de melhoria, última espécie de tributo em


comento, aquela contribuição cobrada em razão da realização de uma obra pública. Por possuir
competência comum poderá ser cobrada pelo ente federativo que realizar a obra pública
responsável pela valorização imobiliária (FABRETTI, 2008, p. 113).
No mesmo diapasão prevê o artigo 81 do CTN:

Art. 81. A contribuição de melhoria cobrada pela União, pelos Estados, pelo Distrito
Federal ou pelos Municípios, no âmbito de suas respectivas atribuições, é instituída
para fazer face ao custo de obras públicas de que decorra valorização imobiliária,
tendo como limite total a despesa realizada e como limite individual o acréscimo de
valor que da obra resultar para cada imóvel beneficiado (BRASIL, 1966).

Ao compreender o que são os tributos e suas espécies, outros conceitos se demonstram


importantes, tais como: a obrigação tributária, contribuinte, base de cálculo, alíquota,
imunidade tributária e isenção tributária. Questões relevantes em se tratando de planejamento
tributário.

4 PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO: elementos fundamentais do lucro real e do lucro


presumido

O planejamento tributário pode ser dividido em cinco fases, as quais facilitam o


processo, quais sejam: a) a pesquisa do fato objeto do referido planejamento; b) a articulação
das questões fiscais existentes através do fato ora pesquisado; c) o estudo dos aspectos fiscais
e jurídicos; d) a conclusão; e, e) a formalização do planejamento criado em um expediente
técnico-funcional (BORGES, 2002, p. 71). A forma de tributação é variável, pois, diante do
estudo do caso concreto deverá ser determinado o que melhor atende às necessidades da
empresa. Neste sentido, entender as principais formas de tributação se torna de grande valia,
como é o caso do Lucro Real e do Lucro Presumido.

4.1 Lucro Real

Entende-se por Lucro Real o lucro líquido de um período que é verificado através da
escrituração contábil, demonstrando a real situação da empresa, ajustado pelas devidas
exclusões, adições e compensações autorizadas pela legislação pertinente ao Imposto de Renda.
É, portanto, “aquele que é realmente apurado pela contabilidade, com base na completa
escrituração contábil fiscal, com a estrita e rigorosa observância dos princípios de contabilidade
e demais normas fiscais e comerciais” (OLIVEIRA et al, 2013, p. 189).
Embora possua variação, podendo ser escolhido ou não o Lucro Real como forma de
tributação, algumas empresas são obrigadas a utilizá-lo, nos termos do artigo 59 da Instrução
Normativa RFB nº 1700, de 14 de março de 2017 (INRFB nº 1700/2017):

Art. 59. São obrigadas ao regime de tributação do IRPJ com base no lucro real as
pessoas jurídicas:
I - cuja receita total no ano-calendário anterior tenha excedido o limite de R$
78.000.000,00 (setenta e oito milhões de reais) ou de R$ 6.500.000,00 (seis milhões e
quinhentos mil reais) multiplicado pelo número de meses de atividade no período,
quando inferior a 12 (doze) meses;
II - cujas atividades sejam de bancos comerciais, bancos de investimentos, bancos de
desenvolvimento, agências de fomento, caixas econômicas, sociedades de crédito,
financiamento e investimento, sociedades de crédito imobiliário, sociedades
corretoras de títulos, valores mobiliários e câmbio, distribuidoras de títulos e valores
mobiliários, empresas de arrendamento mercantil, cooperativas de crédito, empresas
de seguros privados e de capitalização e entidades de previdência privada aberta;
III - que tiverem lucros, rendimentos ou ganhos de capital oriundos do exterior;
IV - que, autorizadas pela legislação tributária, usufruem de benefícios fiscais
relativos à isenção ou redução do imposto;
V - que, no decorrer do ano-calendário, tenham efetuado pagamento mensal pelo
regime de estimativa, na forma prevista nos arts. 33 e 34;
VI - que exploram as atividades de prestação cumulativa e contínua de serviços de
assessoria creditícia, mercadológica, gestão de crédito, seleção e riscos, administração
de contas a pagar e a receber, compras de direitos creditórios resultantes de vendas
mercantis a prazo ou de prestação de serviços (factoring); ou
VII - que exploram as atividades de securitização de créditos imobiliários, financeiros
e do agronegócio.
§ 4º São obrigadas ao regime de tributação do IRPJ com base no lucro real as pessoas
jurídicas que exploram atividades de compra de direitos creditórios, ainda que se
destinem à formação de lastro de valores mobiliários.

O Lucro Real é definido através da forma de tributação quando do pagamento da


primeira quota, podendo ser o Lucro Real Trimestral e o Lucro Real Anual ou Estimativa. A
partir do pagamento do Documento de Arrecadação de Receitas Federais (DARF) a forma de
enquadramento do lucro não pode ser alterada enquanto perdurar o exercício fiscal (CAMBRUS,
2017, p. 25).

Art 7º - O lucro real será determinado com base na escrituração que o contribuinte
deve manter, com observância das leis comerciais e fiscais.
§ 4º - Ao fim de cada período-base de incidência do imposto o contribuinte deverá
apurar o lucro líquido do exercício mediante a elaboração, com observância das
disposições da lei comercial, do balanço patrimonial, da demonstração do resultado
do exercício e da demonstração de lucros ou prejuízos acumulados. (BRASIL, 1977)

O Lucro Real Trimestral se refere à tributação do lucro apurado a cada três meses, de
modo que durante um exercício fiscal a empresa encerra quatro períodos. Neste caso o Imposto
de Renda (IRPJ) e a Contribuição Social (CSLL) devem ser recolhidos também quatro vezes,
pois se trata de recolhimento obrigatório ao final de cada trimestre (BALBINOT, 2014, p. 30).
No Lucro Real Anual os impostos são recolhidos com base em estimativas mensais,
reduzindo ou suspendendo-os. Tal opção de tributação possui o período específico de primeiro
de janeiro a trinta e um de dezembro, devendo recolher o imposto mensalmente, determinando
o Lucro Real anualmente e permanecendo na mesma opção tributária por todo o exercício, não
sendo permitida a mudança (OLIVEIRA et al, 2013, p. 190).
Os ajustes legais para apuração do Lucro Real são as adições, exclusões e compensações.
Conforme dispõe o artigo 61 da Instrução Normativa RFB nº 1700, de 14 de março de 2017:
Art. 61. Lucro real é o lucro líquido do período de apuração antes da provisão para o
IRPJ, ajustado pelas adições, exclusões ou compensações prescritas ou autorizadas
pela legislação do IRPJ.
§ 1º Resultado ajustado é o lucro líquido do período de apuração antes da provisão
para a CSLL, ajustado pelas adições, exclusões ou compensações prescritas ou
autorizadas pela legislação da CSLL.
§ 2º A determinação do lucro real e do resultado ajustado será precedida da apuração
do lucro líquido de cada período de apuração com observância das disposições das
leis comerciais. (BRASIL, 2017)

Quanto às adições, dois são os tipos: as despesas contabilizadas e que não foram aceitas
pelo fisco e aquelas receitas obrigatórias pelo fisco, mas que não estão contabilizadas nas
receitas (CAMBRUS, 2017, p. 29). Neste sentido dispõe o artigo 6º do Decreto-Lei nº 1.598,
de 26 de dezembro de 1977:

Art. 6º - § 2º - Na determinação do lucro real serão adicionados ao lucro líquido do


exercício:
a) os custos, despesas, encargos, perdas, provisões, participações e quaisquer outros
valores deduzidos na apuração do lucro líquido que, de acordo com a legislação
tributária, não sejam dedutíveis na determinação do lucro real;
b) os resultados, rendimentos, receitas e quaisquer outros valores não incluídos na
apuração do lucro líquido que, de acordo com a legislação tributária, devam ser
computados na determinação do lucro real.

E ainda, o artigo 62 da Instrução Normativa RFB nº 1700, de 14 de março de 2017:

Art. 62. Na determinação do lucro real e do resultado ajustado serão adicionados ao


lucro líquido do período de apuração:
I - os custos, as despesas, os encargos, as perdas, as provisões, as participações e
quaisquer outros valores deduzidos na apuração do lucro líquido que, de acordo com
a legislação do IRPJ ou da CSLL, não sejam dedutíveis na determinação do lucro real
ou do resultado ajustado; e
II - os resultados, os rendimentos, as receitas e quaisquer outros valores não incluídos
na apuração do lucro líquido que, de acordo com essa mesma legislação, devam ser
computados na determinação do lucro real ou do resultado ajustado.
Parágrafo único. O Anexo I apresenta uma lista não exaustiva das adições ao lucro
líquido do período de apuração, para fins de determinação do lucro real e do resultado
ajustado. (BRASIL, 2017)

As exclusões são os valores que não estão na composição da base de cálculo, são as
receitas contabilizadas na apuração e não tributáveis de acordo com o fisco, com o fito de
diminuir a base de cálculo.

§ 3º - Na determinação do lucro real poderão ser excluídos do lucro líquido do


exercício:
a) os valores cuja dedução seja autorizada pela legislação tributária e que não tenham
sido computados na apuração do lucro líquido do exercício;
b) os resultados, rendimentos, receitas e quaisquer outros valores incluídos na
apuração do lucro líquido que, de acordo com a legislação tributária, não sejam
computados no lucro real;
c) os prejuízos de exercícios anteriores, observado o disposto no artigo 64. (BRASIL,
1977)

No mesmo diapasão determina o artigo 63, da Instrução Normativa RFB nº 1700, de 14


de março de 2017:

Art. 63. Na determinação do lucro real e do resultado ajustado poderão ser excluídos
do lucro líquido do período de apuração:
I - os valores cuja dedução seja autorizada pela legislação do IRPJ ou da CSLL e que
não tenham sido computados na apuração do lucro líquido do período de apuração; e
II - os resultados, os rendimentos, as receitas e quaisquer outros valores incluídos na
apuração do lucro líquido que, de acordo com essa mesma legislação, não sejam
computados no lucro real ou no resultado ajustado.

Por fim, no que se refere aos ajustes legais, tem-se as compensações, as quais devem ser
consideradas como o prejuízo fiscal ocorrido em períodos anteriores, de modo que a
compensação seja limitada a porcentagem legal do lucro líquido regulado pelas adições e
exclusões. Neste sentido dispõe o artigo 64, e seu parágrafo único, da INRFB nº 1700/2017, in
verbis:

Art. 64. O lucro líquido, depois de ajustado pelas adições e exclusões prescritas ou
autorizadas pela legislação do IRPJ, poderá ser reduzido pela compensação de
prejuízos fiscais de períodos de apuração anteriores em até, no máximo, 30% (trinta
por cento) do referido lucro líquido ajustado, observado o disposto nos arts. 203 a 213.
Parágrafo único. O lucro líquido, depois de ajustado pelas adições e exclusões
prescritas ou autorizadas pela legislação da CSLL, poderá ser reduzido pela
compensação de bases de cálculo negativas da CSLL de períodos de apuração
anteriores em até, no máximo, 30% (trinta por cento) do referido lucro líquido
ajustado, observado o disposto nos arts. 203 a 213.

4.2 Lucro Presumido

O Lucro Presumido se perfaz numa maneira simplificada de apurar o Imposto de Renda


e a Contribuição Social. Diz respeito ao modo de apuração a ser seguido apenas por aqueles
contribuintes que não se englobam na obrigatoriedade da apuração pelo Lucro Real. Neste tipo
de apuração, que é o Lucro Presumido, a escrituração contábil não necessita ser detalhada como
o Lucro Real exige, é necessária apenas a escrituração do livro caixa, desde que seguidos os
padrões legais exigidos (OLIVEIRA, 2013, p. 199).
No mesmo diapasão:
O Lucro Presumido tem a finalidade de facilitar o pagamento do IR, sem ter
que recorrer à complexa apuração do Lucro Real que pressupõe contabilidade
eficaz, ou seja, capaz de apurar o resultado antes do último dia útil do mês subsequente
ao encerramento do trimestre (FABRETTI, 2009, p. 219).

As pessoas jurídicas aptas a utilizarem o Lucro Presumido são determinadas


principalmente por sua receita, nestes termos, dispõe o artigo 13 da Lei nº 9.718/1998:

Art. 13. A pessoa jurídica cuja receita bruta total no ano-calendário anterior tenha
sido igual ou inferior a R$ 78.000.000,00 (setenta e oito milhões de reais) ou a
R$ 6.500.000,00 (seis milhões e quinhentos mil reais) multiplicado pelo número de
meses de atividade do ano-calendário anterior, quando inferior a 12 (doze) meses,
poderá optar pelo regime de tributação com base no lucro presumido.
§ 1° A opção pela tributação com base no lucro presumido será definitiva em relação
a todo o ano-calendário.
§ 2° Relativamente aos limites estabelecidos neste artigo, a receita bruta auferida no
ano anterior será considerada segundo o regime de competência ou de caixa,
observado o critério adotado pela pessoa jurídica, caso tenha, naquele ano, optado pela
tributação com base no lucro presumido.

Assim, por óbvio, estão obrigadas à utilização do Lucro Real aquelas pessoas jurídicas
que possuam a receita total no ano-calendário anterior maior que R$78.000.000,00 (setenta e
oito milhões de reais), conforme artigo 14, inciso I, do mesmo dispositivo legal.
A forma de apuração através do Lucro Presumido ocorre trimestral ou mensalmente,
possuindo como base de cálculo a receita bruta. O objetivo é o lucro, portanto, é necessário que
se presuma o lucro obtido ao findar do trimestre. Importante salientar que a referida presunção
se dá por percentuais previamente fixados em lei, que variam em decorrência da atividade da
empresa (CAMBRUS, 2017, p. 34-35).
Neste sentido, importa salientar a forma do cálculo do Imposto de Renda através do
Lucro Presumido, in verbis:

Para efetuar o cálculo do Imposto de Renda, deve-se pegar o valor da receita


e multiplicar pelo percentual de presunção, logo em seguida deve-se aplicar a alíquota
de 15% sobre os ganhos de capital, e outras receitas, como a locação de imóvel,
juros recebidos, descontos obtidos entre outras. Caso o faturamento trimestral
ultrapassar o valor de R$60.000,00, estará sujeita á incidência da alíquota
adicional de Imposto de Renda de 10% sobre o valor excedente (OLIVEIRA, 2013,
p. 58).

Neste diapasão, a apuração da Contribuição será a mesma adotada para cálculo do


Imposto de Renda, salvo modificações não-estruturais.

No regime de tributação do Lucro Presumido, a apuração da CSLL será a


mesma adotada para apuração do IRPJ, sendo assim para determinar a base cálculo
da CSLL busca-se o valor das vendas no final do trimestre, aplicando a alíquota
de presunção de 12% ou 32%. O resultado obtido soma-se com o valor das
aplicações financeiras de renda fixa e os ganhos de capital sobre alienação de bens,
pois estes não são parte do objeto da empresa, este resultado sendo ele positivo será
acrescido no Lucro Presumido e tributados diretamente em 9% (BARTH, 2014,
p. 50 e 51).

Trata-se de uma forma de facilitar o processo de apuração tributária uma vez que as
alíquotas são fixas, e, por vezes menores que no caso do Lucro Real. O fato de não demandar
obrigações acessórias em demasia, como acontece no Lucro Real, o processo de fiscalização
contábil se torna mais fácil e rápido.

4.3 Planejamento Tributário

Com o fito de reduzir a carga tributária de uma empresa, o planejamento tributário


possui suma importância quando da decisão de qual processo tributário se inserir. Um
planejamento tributário em consonância com uma contabilidade bem feita é um poderoso
mecanismo para lograr êxito no mercado empresarial (OLIVEIRA, 2004, p. 35). Neste sentido
entende-se por planejamento tributário “o estudo feito preventivamente, ou seja, antes da
realização do fato administrativo, pesquisando-se seus efeitos jurídicos e econômicos e as
alternativas legais menos onerosas” (FABRETTI, 2009, p. 08).
O planejamento tributário é a atividade que analisa os atos e negócios jurídicos que a
empresa deseja e pode realizar (OLIVEIRA, 2013, p. 23). A economia da carga tributária
decorrente do planejamento adequado possui a denominação de Elisão Fiscal, maneira lícita de
escolher uma carga tributária menos onerosa, nos exatos moldes da legislação pertinente. Caso
ocorra a redução da carga tributária após a ocorrência do fato gerador será constituído um crime,
tal prática é denominada de Evasão Fiscal (FABRETTI, 2009, p. 133). Assim o planejamento
tributário é:

Uma forma licita de reduzir a carga fiscal, o que exige alta dose de conhecimento
técnico e bom senso dos responsáveis pelas decisões estratégicas no ambiente
corporativo. Trata-se do estudo prévio á concretização dos fatos administrativos, dos
efeitos jurídicos, fiscais e econômicos de determinada decisão gerencial, com o
objetivo de encontrar a alternativa legal menos onerosa para o contribuinte
(OLIVEIRA 2004, p. 38).

Tal planejamento pode ser feito não apenas por empresas de grande porte, como também
pelas empresas de pequeno e médio porte. A diferença vai existir na forma de execução do
referido planejamento tributário. O desenvolvimento deste mecanismo organizacional possui
três níveis: a) o nível estratégico, em que os diretores da empresa definem o que vai ser feito,
trata-se de metas e decisões em longo prazo; b) o nível tático, onde os gestores esquematizam
a forma de fazer, são metas e decisões em médio prazo; e, c) o nível operacional, onde os
colaboradores de fato executam as ações necessárias para alcançar o objetivo base do
planejamento tributário no dia a dia da empresa (ANDRADE, 2012, p. 12-13).
Neste sentido, o planejamento tributário é uma maneira de analisar diversos meios e
alternativas legais, antes da ocorrência do fato gerador do imposto, que possibilite ao
contribuinte menor incidência tributária.

5 CONSIDERAÇÕES FINAIS

A utilização da contabilidade remonta períodos remotos, sendo, portanto, uma ciência


antiga e tradicional. Principalmente utilizada para coletar informações e orientar os empresários
e administradores no momento de decidir os caminhos contábeis, tributários, dentre outros, a
serem seguidos, de modo a controlar as movimentações patrimoniais existentes.
O governo, neste caso em específico, o brasileiro, também utiliza-se da contabilidade,
seja em proveito interno seja para verificar a regularidade fiscal e econômica de seus
governados. Nesta perspectiva, destaca-se a contabilidade tributária e fiscal cuja função basilar
seja alinhar a prática contábil à legislação vigente e proporcionar a escrituração dos fatos
geradores das obrigações tributárias, respectivamente.
O bloco legislativo, denominado sistema tributário nacional, possui diversos
dispositivos legais nacionais e internacionais que proporcionam direcionamento e mecanismos
de ação em relação à contabilidade tributária e fiscal. Em razão da existência de diversas formas
de tributação é de suma importância que haja um prévio planejamento tributário por parte da
empresa, de modo que a melhor escolha seja de fato selecionada.
Dentre as formas de tributação encontram-se o Lucro Real e o Lucro Presumido. O
primeiro, Lucro Real, consubstancia-se na estrita escrituração contábil, de modo que devem ser
demonstrados o lucro líquido ajustado pelas exclusões, adições e compensações, conforme
determina a legislação pertinente. Ao passo que algumas pessoas jurídicas podem escolher tal
forma de tributação outras por outro lado devem segui-la, como por exemplo, as pessoas
jurídicas cuja atividade seja de bancos de investimento.
O Lucro Presumido por sua vez é a forma simplificada, por diferente do Lucro Real que
possui diversas obrigatoriedades legais, aquele possui uma escrituração contábil menos
detalhada, sendo necessária apenas a realizada no livro caixa. Trata-se de opção com alíquotas
fixas, tornando o processo e fiscalização da contabilidade mais célere e facilitado.
Diante das opções existentes o planejamento tributário elabora o que será seguido de
modo que evite problemas e complicações durante a apuração tributária, pois, o planejamento
servirá primordialmente para estudar, prevenir e escolher o sistema que mais diminua a carga
tributária do contribuinte.

6 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

ANDRADE, Arnaldo Rosa de. Planejamento Estratégico: Formulação, Implantação e


Controle.São Paulo: Athas, 2012.

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 6023: Informação e


Documentação – Referências - Elaboração. Rio de Janeiro: ABNT, 2000.

______.NBR 10520: Informação e documentação – Citações em Documentos – Apresentação.


Rio de Janeiro: ABNT, 2002.

______. NBR 14724: informação e documentação: trabalhos acadêmicos: apresentação. Rio de


Janeiro: ABNT, 2011.

______. NBR 15287: informação e documentação – projeto de pesquisa. Rio de Janeiro: ABNT,
2011.

BARTH, Fabiano Luís. Planejamento Tributário: Um Estudo de Caso sobre a melhor


forma de Tributação entre Lucro Real, Lucro Presumido e Simples Nacional aplicado a uma
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BORGES, Humberto Bonavides. Planejamento Tributário, IPI, ICMS, ISS E IR:


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CAMBRUS, Micheli. Planejamento Tributário: Lucro Real x Lucro Presumido x Simples


Nacional. Tapejara/RS, 2017. Disponível
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CREPALDI, Silvio Aparecido. Auditoria Contábil. 9º Ed. São Paulo: Atlas, 2013.

FABRETTI, Laúdio Camargo. Código Tributário Nacional Comentado. 8. Ed., rev, e atual
com a LC nº 118/05- São Paulo: Atlas, 2008.

______. Contabilidade Tributária. 11. Ed.- 2. Reimpr.: São Paulo: Atlas, 2009.

FACULDADE DE JUSSARA. Manual para elaboração do projeto de pesquisa de artigo


científico do curso de direito/FAJ. Jussara/GO, 2020.

FRANCO, Hilário. Contabilidade geral. 23º. Ed. 12 reimpr., São Paulo: Atlas, 2009.

OLIVEIRA, Luis Martins de. et al. Manual de Contabilidade Tributária. 3. Ed. São Paulo:
Atlas, 2004.

OLIVEIRA, Luis Martins de. et al. Manual de Contabilidade Tributária. 12. Ed., São
Paulo, Atlas, 2013.
Volume 1, Número 04, 2020

CONTABILIDADE DE CUSTOS: relevância e influência na gestão das empresas e


auxílio na tomada de decisão empresarial

Cost accounting: relevance and influence on company management and assistance in business
decision making

Contabilidad de costos: relevancia e influencia en la gestión de la empresa y asistencia en la


toma de decisiones empresariales

Elza Vitória Hemily Vieira Adriano5


Clesiomar Rezende Silva6
RESUMO

Criada com o intuito de avaliar os estoques, a contabilidade de custos sofreu uma grande
evolução ao longo do tempo. Hoje, ganhou espaço e importância, passando a ser utilizada como
ferramenta de controle, redução de custos, análise dos resultados e instrumento de auxílio na
tomada de decisão. A contabilidade de custos é um ramo da ciência contábil, que gera
informações para diversos setores, e se estende em qualquer ramo, visto que se tem
detalhamento e apropriação adequados através dos métodos de custeio. Diante disso, as
empresas precisam aderir ferramentas que forneçam informações para tomada de decisão, e a
contabilidade de custos, através da classificação adequada dos gastos interfere diretamente no
resultado final. Por meio da análise dos custos, as empresas apresentam estratégias mais
definitivas, pois proporciona uma visão geral e exata dos gastos, garante uma visibilidade maior
quanto aos aspectos econômicos e financeiros da empresa, pois através dela é possível prever
os períodos de maiores e menores gastos no futuro, permitindo ajustes e planejamento quanto
ao seu gerenciamento, além de contribuir na formação de preço. Representando um instrumento
de apoio à gestão dos negócios, e atuando como suporte ao planejamento, disponibilizando
dados necessários de forma decisiva para o sucesso da empresa, fornecendo informações
econômicas e financeiras para seus usuários, a contabilidade de custos é a chave para tomada
de decisões nas empresas. Nesse contexto, o estudo teve como objetivo demonstrar como a
contabilidade de custos pode auxiliar na economicidade dos processos e ainda auxiliar na
tomada de decisão, através de uma revisão bibliográfica.

5
Aluna do 8° período do Curso de Ciências Contábeis da Faculdade de Jussara – FAJ. E-mail:
elzavitoria360@[Link]
6
Professor Contador, Bacharel em Ciências Contábeis, Técnico em administração - IF Goiano, Especialista em
Gestão Empresarial: Controladoria e Finanças.- Especialista em Contabilidade, Perícia e Auditoria. E-mail:
clesiomarsilva@[Link]
Volume 1, Número 04, 2020

PALAVRAS-CHAVE: Contabilidade de custos. Métodos de Custeio. Tomada de Decisão.

ABSTRACT

Brought with the objective of evaluating stocks, cost accounting has undergone a great
evolution over time. Today, it has gained space and importance, being used as a control tool,
cost reduction, analysis of results and aid in decision making. Cost accounting is a branch of
accounting science, which generates information for several sectors, and extends in any branch,
since it has adequate details and appropriation through costing methods. Therefore, companies
need to adhere to tools that provide information for decision making, and cost accounting,
through the proper classification of expenses directly interferes with the final result. Through
cost analysis, companies present more definitive strategies, because it provides an overview
and accurate of expenses, ensures greater visibility regarding the economic and financial
aspects of the company, because through it is possible to predict the periods of higher and lower
expenses in the future, allowing adjustments and planning regarding its management, besides
contributing to the price formation. Representing an instrument to support business
management, and acting as planning support, providing data needed decisively for the success
of the company, providing economic and financial information to its users, cost accounting is
the key to decision making in companies. In this context, the study aimed to demonstrate how
cost. accounting can assist in the economics of processes and also assist in decision making,
through a literature review.

KEYWORDS: Cost accounting. Costing Methods. Decision making.

1 INTRODUÇÃO

As mudanças e avanços estão acontecendo numa velocidade constante, com isso, as


empresas necessitam buscar ferramentas capazes de atender essa demanda, auxiliando na gestão
e tornando-a sempre eficaz, para que as empresas consigam encarar esse cenário cada vez mais
ativo e competitivo.
Em épocas passadas, a contabilidade de custos segundo Neto (2011), apenas registrava
e resolvia problemas de mensuração monetária dos estoques. Atualmente, não só avalia
estoques como também se tornou um importante instrumento de controle e gestão, gerando
informações rápidas e precisas aplicável a qualquer setor, passando a ser utilizada em diversos
campos. A contabilidade de custos é um instrumento no processo administrativo, visto que
fornece informações a respeito dos custos que auxiliam os gestores na melhor tomada de
decisão.
Dessa forma, o presente estudo tem como objetivo abordar sobre a contabilidade de
custos como ferramenta de gestão e tomada de decisão, fundamentado por obras de vários
Volume 1, Número 04, 2020

autores. A partir disso, realizar um levantamento bibliográfico sobre a contabilidade de custos,


demonstrar as classificações dos custos para que se tenha um resultado verídico na obtenção de
informações após a escolha do método a ser utilizado, indicar as finalidades e definições dos
métodos de custeio, e propor a contabilidade de custos como o instrumento mais indicado para
controle e gestão empresarial.
Diante do exposto, apresenta-se a questão de pesquisa para o estudo: Como a
contabilidade de custos auxilia na economicidade do processo operacional, influenciando assim
a gestão na tomada de decisão?
Segundo Crepaldi (2009), empresas que aderem a contabilidade de custos como
instrumento de auxílio a gestão empresarial, conseguem estabelecer padrões, formas de
previsão, comparar os gastos ocorridos aos valores anteriores, definir preço de venda, uma
melhor alocação dos recursos e avaliação do desempenho, visto que, a contabilidade de custos
é uma importante arma de planejamento e controle.
O estudo justifica-se pela importância do tema proposto para acadêmicos e gestores,
pois a contabilidade de custos produz informações para vários setores gerenciais nas
organizações, aplicável a qualquer ambiente. Ademais, trará informações essenciais quanto aos
métodos apresentados pela contabilidade de custos, que após a classificação dos custos são a
base da estruturação, proporcionando visibilidade dos recursos e atribuição de valor ao produto
ou serviço. Afinal, há a necessidade de pessoas capacitadas e informadas para o manuseio eficaz
do sistema de custos, permitindo maior qualidade no processo da tomada de decisão, e a
capacidade de avaliar os efeitos futuros nas decisões tomadas hoje, a partir da contabilidade de
custos, garantindo estabilidade em um mercado nem sempre estável.
Em relação aos procedimentos, será realizada uma pesquisa bibliográfica para
desenvolvimento do referencial teórico e fundamentação do tema em questão através de livros.
O artigo está estruturado em seis partes, além desta introdução. A segunda aborda os conceitos
básicos, a terceira é composta pelas terminologias da contabilidade de custos, a quarta parte
compõe os métodos de custeio, seguindo da importância e na sexta parte a aplicabilidade da
contabilidade de custos dentro da empresa para auxílio na tomada de decisão. E por fim, a
sétima parte irá apresentar a conclusão do estudo.

2 CONCEITOS BÁSICOS DA CONTABILIDADE DE CUSTOS

A contabilidade de custos se deu com a chegada da Revolução Industrial, com isso, o


surgimento da indústria, máquinas e o aumento da produção no século XVIII. A tarefa de
Volume 1, Número 04, 2020

avaliar os estoques de produtos se mostrou complicada, então o contador da época passou a se


preocupar com elementos de custos como o preço de aquisição, e não somente, a verificação
do montante pago pela compra do produto para avaliar seu estoque, ou seja, o objetivo daquela
época não era tornar a contabilidade de custos um instrumento gerencial (NETO, 2011).
De acordo com Crepaldi (2009, p. 3), “surgiu da contabilidade geral, justamente pela
necessidade de se ter um controle maior sobre os valores a serem atribuídos aos estoques de
produtos na indústria e, também, pela necessidade de tomar decisões quanto ao que, como e
quando produzir”. Assim, a contabilidade de custos atua nos gastos incorridos na produção de
bens e/ou serviços, podendo ser usada em qualquer empresa que demanda o controle desses
gastos.
Segundo Neto (2011, p. 13):
Os princípios do cálculo do custo na contabilidade mercantil para a apuração do custo, ou
seja, estoques iniciais mais compras menos estoques finais, eram aplicados a então
recém iniciada Contabilidade Industrial. No estoque só figurava, então, o custo da
compra, nenhum outro encargo, tais como salários diretos e fretes eram apropriados.
O valor dos fatores de produção só foi considerado como custos dos produtos mais
tarde. O tratamento dispensado aos outros itens comuns à atividade comercial
continuou a ser o mesmo, ou seja, considerado como despesa do período: despesas
financeiras, de vendas e administrativas. O sistema de custos foi necessário ser
implantado juntamente com a ciência da contabilidade, pois esta identifica ser o
estudo que controla o patrimônio das entidades, e sendo produzido em grande escala
deixando de ser manufatureira, havendo a necessidade de gerar métodos que facilite
a tomada de decisão principalmente favorável aos resultados do exercício das
organizações.

A partir da década de 1990, os fenômenos econômicos e sociais de alcance mundial


reestruturaram o ambiente empresarial, e em 1994, no Brasil, com o Plano Real, houve a baixa
da inflação e a necessidade de conhecimento e controles empresariais. Como consequência,
diversas empresas deixaram de existir por falta de capacitação para administrar as operações.
Logo, a contabilidade de custos voltou a fazer parte dos controles para uma adequada gestão
empresarial (PINTO et al., 2018).
Com o passar do tempo, e as novas formas de se usar a contabilidade de custos, “devido
ao crescimento das empresas, com o consequente aumento da distância entre administrador e
ativos e pessoas administradas, passou a contabilidade de custos a ser encarada como uma
eficiente forma de auxílio no desempenho dessa nova missão” (MARTINS, 2018, p. 5). Nota-
se o surgimento da necessidade de atribuição dos custos aos estoques dos produtos acabados,
enaltecendo o fato de que além do valor que é pago para aquisição de matéria prima existem os
gastos suportados pela empresa durante o processo de fabricação das matérias em produtos
finais (DUTRA, 2010).
Dessa forma, a contabilidade de custos, com toda sua flexibilidade e diversidade quanto
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aos tipos de atividades, tem como característica principal “oferecer ao gestor a capacidade de
gerar informações que permitam o planejamento das ações no ambiente operacional e,
consecutivamente, medir os efeitos desse planejamento nos diversos setores da organização”
(PINTO et al., 2018, p. 17).
Por todos esses aspectos, a contabilidade de custos garante uma visibilidade maior
quanto aos aspectos econômicos e financeiros da empresa, pois através dela é possível prever
os períodos de maiores e menores gastos no futuro, permitindo ajustes e planejamento quanto
ao seu gerenciamento.

3 TERMINOLOGIAS VOLTADAS PARA CONTABILIDADE DE CUSTOS

De fato, o sistema de custo proporciona maiores condições de analisar dados, valores


atualizados, ocorrências durante o processo de fabricação ou prestação de serviços, “ o único
problema intrínseco ao sistema de custos, é que, puramente só, o sistema não funciona, então,
há a necessidade de ter à disposição pessoas totalmente capacitadas para o manuseio dos
programas que trarão suporte ao sistema de custos (MARQUES, 2013. p. 27)”.
Para Martins (2018), o conhecimento desse conceito é de grande relevância, pois a partir
dele pode-se promover o crescimento da empresa, além de proporcionar estabilidade
econômica, permitindo analisar o comportamento da organização. Portanto, as decisões de
produto, preço e redução de custos importantes em qualquer empresa dependem da existência
de um controle de custos que permita analisar o comportamento destes em todas as atividades.
Sendo assim, Marques (2013, p. 28) ressalta que:
A obtenção e a compreensão das informações sobre custos são essenciais para o sucesso
de qualquer negócio, primeiro porque os custos é que determinam o preço de venda,
assim, se os custos forem maiores que os preços de venda, esta por sua vez terá
prejuízos e consequentemente deixará de existir em pouco tempo. O segundo motivo
que deve ser considerado, é que todos os custos devem ser alocados de forma
sistemática a para isto, deve-se existir a informação dos custos, entretanto, se não
existir a informação, não existe a classificação dos mesmos. Um ponto preponderante
é a formação correta dos custos, uma vez que, executados de forma indevida, poderá
gerar lucros exagerados a ponto de prejudicar o comércio ou poderá provocar
prejuízos enormes à empresa.

Seguindo esse conceito, Pinto et al. (2018) definem as terminologias mais usadas na
contabilidade de custos como:
➢ Gasto: Aquisição de um bem ou serviço havendo o reconhecimento contábil da dívida ou
da redução do ativo dado em pagamento. Além disso, representa tanto um custo como uma
despesa. São exemplos; gasto com mão de obra, gasto com aquisição de mercadoria para
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revenda, gasto com aquisição de matéria-prima, gasto com energia elétrica, aluguel,
comissão sobre venda.
➢ Desembolso: representa a saída financeira da empresa seja ela à vista ou a prazo, e pode
ocorrer antes, durante ou após a entrada do bem ou serviço comprado. Pagamento de uma
fatura é um exemplo de desembolso, porém, na compra a prazo, o gasto ocorre de imediato,
já o desembolso ocorrerá somente no pagamento.
➢ Investimento: Gastos com bens e serviços em função de um benefício futuro. Considera-
se investimentos sacrifícios devido aquisição de ambos que incluem os ativos da empresa
para baixa ou amortização de sua venda, consumo, desaparecimento ou desvalorização.
São classificados em;
a) Circulantes, estoque de matéria-prima e produtos para revenda.
b) Permanentes, aquisição de máquinas, equipamentos e instalações.
➢ Custo: Impactam no resultado de forma direta e são responsáveis pela geração de receita
representando o custo da mercadoria vendida, custo dos produtos vendidos ou custo dos
serviços prestados. Também é considerado como gasto, mas só é reconhecido como custo
no momento da fabricação de um produto ou execução de um serviço integrando o valor
do produto fabricado, portanto, gastos acumulados para executar uma atividade, adquirir
uma mercadoria e fabricar um produto. São exemplos todos os custos relacionados a
fábrica; salários dos colaboradores, matéria-prima utilizada no processo produtivo,
mercadorias para revenda, combustíveis e lubrificantes usados nas máquinas, aluguéis e
seguros do prédio, depreciação dos equipamentos, gastos com manutenção das máquinas.
➢ Despesa: Não é relacionada ao processo produtivo e tem como finalidade obter receita, ou
seja, são gastos com bens e serviços consumidos direta ou indiretamente, e está relacionada
ou não com a operação dos negócios provocando redução no patrimônio. São exemplos de
despesa; salários e encargos sociais dos colaboradores de vendas, e administrativo, energia
elétrica, conta telefônica aluguel e seguro do administrativo e vendas.
➢ Perda: Gastos não intencionais decorrentes de fatores externos como incêndio, obsoletismo
de estoques, enchente, furto. Atividades produtiva normal da empresa como restos de
matérias que são descartados na fabricação do produto, considerada como perda necessária.
Sendo assim, o custo está presente nas decisões mais simples à mais complexa, tendo
um impacto direto ou indireto. Não há como tomar uma decisão sem analisar os custos
envolvidos, pois o seu comportamento é um fator determinante do resultado final. (COSTA,
2019).
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A partir disso, Ribeiro (2018) determina os elementos componentes do custo de


fabricação:
➢ Materiais: objetos utilizados no processo de fabricação, podendo ser ou não componente do
produto, e são classificados como matéria-prima, materiais secundários, materiais auxiliares,
materiais de embalagem. O detalhamento irá depender dos interesses da empresa e as
características de seu processo de fabricação.
➢ Mão de obra: atividade manual aplicada na fabricação dos produtos, compreendendo os
gastos com salários, cestas básicas, vale-transporte, refeição, entre outros, além das
obrigações da empresa como a previdência social, FGTS, férias, décimo terceiro salário.
➢ Gastos gerais de fabricação: os demais custos necessários para fabricação dos produtos, e
que não se enquadram nos grupos de materiais e mão de obra. São os gastos com aluguéis,
energia elétrica, serviços de terceiros, manutenção da fábrica, depreciação das máquinas,
seguro contra roubo e incêndio, material de higiene e limpeza, óleos e lubrificantes para as
máquinas, pequenas peças para reposição, telefones e comunicações, etc.
Quanto a natureza dos custos, de acordo com Ribeiro (2018), estes podem ser
classificados como:
➢ Custos diretos: abrange os gatos com materiais, mão de obra e gastos gerais de fabricação
ligados diretamente na fabricação dos produtos, são facilmente identificados e não necessita
de critérios de rateios como matéria-prima, embalagem e mão de obra direta, etc.
➢ Custos indiretos: abrange os gastos como materiais, mão de obra e gastos gerais de
fabricação ligados indiretamente na fabricação dos produtos, ou seja, são gastos que
necessitam de critérios de rateios para aloca-los pois beneficiam a fabricação de diversos
produtos ao mesmo tempo, não sendo possível identificar o consumo referente cada produto
fabricado, são exemplos aluguel da fábrica, energia elétrica, salários e encargos dos chefes
de seção e dos supervisores.
➢ Custos fixos: permanecem inalterados independentemente da quantidade produzida, sendo
necessários ao desenvolvimento do processo industrial em geral, se repetindo todos os meses
do ano, sofrendo apenas reajustes periódicos de cláusulas contratuais, mas são definidos
como fixos por serem classificados em relação ao volume da produção. Exemplos; aluguel
da fábrica, energia elétrica utilizada na iluminação da fábrica, salários e encargos dos
colaboradores que trabalham na manutenção e limpeza da fábrica, seguro do imóvel, etc.
➢ Custos variáveis: são aqueles que variam de acordo com o volume produzido, também
denominados custos diretos. Um exemplo é a matéria-prima, quanto maior for a quantidade
fabricada, maior será seu consumo e consequentemente, maior o seu custo.
Volume 1, Número 04, 2020

➢ Custos semifixos: ou custo misto possuem uma parcela fixa e outra variável. Quando é
possível medir a parte variável, podemos citar como exemplo a energia elétrica, sendo a
parcela fixa aquela utilizada para iluminação da fábrica e a variável aplicada diretamente na
produção.
➢ Custos semivariáveis: ou custo misto são os custos variáveis que possuem uma parcela fixa,
como por exemplo a mão de obra aplicada diretamente na produção variando conforme a
quantidade produzida e a mão de obra fixa sendo da supervisão da fábrica, pois pode
envolver mais de um setor.
Para Pinto et al. (2018), todas essas classificações são importantes para que a
contabilidade de custos atinja seus objetivos principais: determinar o lucro, o controle das
operações e a tomada de decisão sobre algum objeto de custo.
Segundo Ribeiro (2018, p. 31):
O custo dos produtos vendidos compreende a soma dos gastos com materiais, mão de
obra e gastos gerais de fabricação aplicados ou consumidos na fabricação e vendidos
pela empresa. Após encerrado o processo de fabricação, os produtos acabados são
transferidos da área de produção para o setor responsável pela estocagem de produtos
acabados, permanecendo estocados até que sejam vendidos. Os produtos acabados
recebem como custo toda a carga dos custos diretos e indiretos, incorridos durante
todo o processo de fabricação dos respectivos produtos. Os produtos que tiverem seus
processos de fabricação iniciados em períodos anteriores e encerrados no período
atual, receberão cargas de custos proporcionais ao processo de fabricação, em cada
um dos períodos durante os quais estiverem em fabricação. Essas cargas de custos são
atribuídas no final de cada período, para que os referidos produtos inacabados possam
ser devidamente avaliados, para integrar os estoques finais de produtos em elaboração
no término de cada um desses períodos.

Logo, os produtos acabados que tiverem seu processo de fabricação iniciado em


períodos anteriores, ao serem concluídos, recebem parte dos custos incorridos anteriormente e
parte dos custos gerados no atual período. O custo dos produtos vendidos pode ser identificado
somando o estoque inicial dos produtos acabados ao custo da produção acabada no período e
subtraindo pelo estoque final de produtos acabados (RIBEIRO, 2018).
Considerando que empresas industriais de pequeno e médio porte, costumam definir
materiais diretos como matéria-prima aplicada, e todos os demais materiais e gastos gerais de
fabricação como indiretos. Para Ribeiro (2018) o custo de produção do período pode ser
encontrado somando a matéria-prima com a mão de obra direta e os custos indiretos de
fabricação.
Convém salientar também, o custo dos serviços prestados, que podem ser tanto por
pessoas físicas como pedreiros, advogados, engenheiros civis, ou por empresas que operam
nesse ramo de atividade. Em geral, podemos concluir que os critérios para se calcular o custo
dos serviços prestados e os critérios adotados para se apurar o custo de fabricação, são
Volume 1, Número 04, 2020

semelhantes, pois poderá manter em estoque os materiais que serão consumidos ou aplicados
na prestação de serviço (RIBEIRO, 2018).

4 MÉTODOS DE CUSTEIO

O método de custeio permite traçar todos os modelos de decisão, traduzindo as formas


de custeio em modelos de mensuração pois é a base da estruturação. Sendo o primeiro passo a
ser definido pela empresa, tem como finalidade identificar e definir quais os caminhos possíveis
para apuração do custo unitário dos produtos e serviços finais. Após a definição do método, a
empresa pode utilizar uma ou mais formas de custeio, que consiste em identificar e definir quais
as possibilidades de atribuição de valor para os recursos utilizados no processo considerando o
método utilizado (PADOVEZE, 2010).
Além de definir as formas de custeamento, deve ser indicado o sistema de acumulação,
que basicamente é o fundamento contábil de custos, pois mostra os instrumentos e caminhos de
como os dados e as informações obtidas pela forma de custeio, que obedecem a um método de
custeamento, devem ser registradas, guardadas e acumuladas (SANTOS, 2005).
Primeiro, o custo unitário é utilizado para valorar o estoque, um dos itens das
demonstrações contábeis. Segundo o custo de cada unidade vendida é transferido da
conta estoque para a conta custo das mercadorias vendidas, e esta, por sua vez, tem
seu valor deduzido da conta receita, determinando, então, o resultado. Finalmente, a
gestão necessita do custo unitário de um produto para ajudá-la em várias decisões, por
exemplo, calcular o preço de venda. (PINTO et al., 2018, p. 33)

Com isso, para Bornia (2002, p. 52), “o sistema de custeio deve estar em sintonia e
adaptado ao sistema de gestão da empresa, possibilitando fornecer informações que indicam
decisões corretas, diante do atual ambiente competitivo”. Os métodos de custeio são definidos
em diferentes formas nas quais uma entidade pode agregar os custos ao preço de venda de seu
produto, com o objetivo de fazer a distinção entre custos fixos e variáveis, apurar o custo
unitário e estabelecer o preço de venda de seu produto fabricado (STARK, 2010).
Nesse sentido, Pinto et al. (2018) afirmam que o sistema de contabilidade de custos
geralmente acumula custos com alguma classificação de sistema de acumulação de custo; por
produto ou serviço final, por departamento ou por atividade que transforme os produtos, ou por
contas contábeis. Depois aloca esses custos a algum método.

4.1 Custeio por absorção

Nesse tipo de método os custos (ou despesas), sejam eles diretos ou indiretos, fixos ou
Volume 1, Número 04, 2020

variáveis, são utilizados para apuração do custo unitário dos produtos e serviços finais. Se torna
exigido critérios como o de rateio, pois são utilizados gastos indiretos fixos que não são
identificados facilmente, inclusive as denominações de alocação ou apropriação de custos
indiretos aos produtos (PADOVEZE, 2010).
A palavra absorção é utilizada há muito tempo, basicamente em função da ideia de que,
após apurado o custo unitário dos produtos e serviços com os custos diretos e
variáveis, há a necessidade de que os produtos e serviços também absorvam os demais
custos indiretos para que se tenha uma ideia do custo unitário total, ou seja, um valor
do custo unitário com todos os custos apropriados aos produtos e serviços
(PADOVEZE, 2010, p. 285).

O custeio por absorção é uma metodologia decorrente da aplicação dos princípios


contábeis. No Brasil, é adotado pela legislação comercial e fiscal, sendo válido para
apresentações financeiras. Nesse método, os custos de produção podem ser apropriados
diretamente no período como o material direto e mão de obra direta, e indiretamente sendo o
caso dos custos indiretos de fabricação. As despesas, que são os gastos que não pertencem ao
processo produtivo, são excluídos (CREPALDI, 2009).
Nesse sentido, o método de custeio por absorção traz uma melhor valoração dos
estoques, absorvendo os custos fixos e variáveis, permitindo a apuração do custo por centros
de custos. A apuração do custo de produção deve ser feita somente após o rateio dos custos
indiretos e os custos fixos totais independentes de oscilações do volume fabricado, com isso,
todos os custos são inseridos a todos os produtos, apropriando-se ao resultado final da venda
de cada produto (PINTO et al., 2018).
Considerando que os custos são lançados ao resultado dos produtos vendidos e as
despesas no resultado do período, Crepaldi (2009, p. 219) descreve como exemplo uma empresa
composta por três departamentos de produção, e três de serviços:
Os produtos da empresa passam pelos três departamentos de produção e devem carregar
os custos indiretos de cada departamento. Todavia, os três departamentos de serviço
têm custos que também precisam ser lançados aos produtos segundo algum critério.
Os custos dos departamentos de serviços são distribuídos aos departamentos de
produção e posteriormente, rateados a cada produto individualmente.

Logo, Martins (2018, p. 188) ressalta que, o custeio por absorção “é influenciado pelo
volume de produção; seu montante, aliás, depende diretamente não só das receitas e volume
produzido no período, mas também da quantidade feita no período anterior, já que isso afeta o
custo unitário do estoque que passa a ser baixado no período seguin0te”.

(-) Impostos, devoluções, abatimentos


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(=) Vendas líquidas


(-) Custo dos produtos vendidos
(=) Lucro/Prejuízo bruto
(-) Despesa operacionais
(=) Resultado operacional antes do resultado financeiro
(+/-) Perdas e ganhos não operacionais
(=) Lucro antes do imposto de renda e contribuição social
(-) Imposto de renda e contribuição social
(=) Lucro líquido
Tabela 1: DRE custeio por absorção
Fonte: PINTO et al. (2018, p. 36)

A demonstração de resultado de exercício exibida pelo método de custeio por


absorção, é determinada oficialmente pela lei das sociedades anônimas.

4.2 Custeio variável

De acordo com Pinto et al. (2018), o custeio variável surgiu em razão do gestor solicitar
informações mais pertinentes ao processo gerencial. Nele os custos são classificados em fixos
e variáveis, mas somente os custos variáveis são alocados aos produtos, e os custos fixos são
relacionados como despesas do período.
Primeiramente, o custeio variável não é reconhecido pelo fisco, contadores, e auditores
independentes, pois, os princípios contábeis atualmente aceitos, não aprovam o uso de
demonstrações de resultados e de balanços avaliados à base desse método. Algumas empresas
consideram esse método mais eficiente, visto que, englobam os custos fixos contabilmente
como despesas. A legislação fiscal não impede a utilização do custeio variável durante o
período, somente é obrigatório a adoção dos métodos definidos nas demonstrações de fim de
cada período. Sendo assim, basta realizar lançamentos de ajustes para que seja formalizado
conforme critérios exigidos (MARTINS, 2018).
Para Pinto et al. (2018, p. 40):
A principal ideia do método variável ou direto é separar os custos variáveis, juntando a
eles as despesas variáveis, indicando com clareza quais os gastos próprios de cada
produto ou serviço, antes da incidência dos custos e das despesas fixas requisitadas
pela organização. Separa-se, portanto, o que realmente pertence a cada produto e varia
conforme sua quantidade (custos variáveis) e o que pertence à capacidade estrutural
da organização e que, portanto, independentemente da quantidade produzida (custos
fixos). Assim, o gestor consegue calcular quanto os produtos e serviços contribuíram
para que a empresa possa cobrir seus gastos fixos e, ainda, remunerar os investidores.
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Portando, Martins (2018, p. 186), reafirma que, “só são apropriados aos produtos os
custos variáveis, ficando os fixos separados e considerados como despesas do período, indo
diretamente para o resultado; para os estoques só vão, como consequência, custos variáveis”.
Além disso, proporciona uma análise mais próxima do processo produtivo auxiliando em uma
avaliação de desempenho setorial.

Vendas brutas
(-) Impostos, devoluções, abatimentos
(=) Vendas líquidas
(-) Custos variáveis
(-) Despesas variáveis
(=) Margem de contribuição
(-) Custos fixos
(-) Despesas fixas
(=) Resultado operacional
(+/-) Resultado financeiro
(+/-) Perdas e ganhos não operacionais
(=) Lucro antes do imposto de renda e contribuição social
(-) Imposto de renda e contribuição social
(=) Lucro líquido
Tabela 2: DRE custeio variável
Fonte: PINTO et al. (2018, p. 41)

Do ponto de vista de Crepaldi (2009, p. 224), “uma vez que os custos variáveis são
inevitavelmente necessários, sua dedução da receita identifica a Margem de contribuição do
produto, sem nenhuma interferência de manipulação devido aos critérios de rateio dos custos
fixos”. Com isso, é possível identificar a quantidade de unidades que devem ser vendidas para
que o projeto seja facultado e forneça informações gerenciais para que se tenha um vínculo
entre o lucro e o volume de produção.
Marques (2013, p. 63), define a margem de contribuição (MC), como “a parcela do
preço de venda que ultrapassa os custos e despesas variáveis e que contribui para a absorção
dos custos fixos e, ainda para formar o lucro”.
Assim como, Padoveze (2010, p. 320) afirma que:
Representa o lucro variável. É a diferença entre o preço de venda unitário do produto ou
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serviço e os custos e despesas variáveis por unidade de produto ou serviço. Significa


que, em cada unidade vendida, a empresa lucrará determinado valor, multiplicado
pelo total vendido, teremos a margem de contribuição total do produto para a empresa.

Seguindo esse conceito, o equilíbrio se torna indispensável para que o negócio tenha
retorno, ou seja, gere lucro. Para Crepaldi (2009, p. 226), “a empresa está no ponto de equilíbrio
quando ela não tem lucro ou prejuízo, nesse ponto, as receitas totais são iguais aos custos totais
ou despesas totais”.
Crepaldi (2009), classifica o ponto de equilíbrio em três ramificações:
➢ Ponto de equilíbrio contábil (PEC): é o ponto de igualdade entre receita total e custo total,
pois são levados em conta todos os custos e despesas articulados ao funcionamento da
empresa. Quando há volume financeiro suficiente para cobrir todos os custos e despesas
fixas, nesse ponto não terá lucro nem prejuízo.
➢ Ponto de equilíbrio econômico (PEE): confronta outras opções de investimento ao mostrar
a rentabilidade real que a empresa traz. O PEE ocorre quando se tem a existência de lucro
na empresa, assim, busca comparar a taxa de atratividade que o mercado financeiro
proporciona ao capital que foi investido através da demonstração do lucro.
➢ Ponto de equilíbrio financeiro (PEF): Considerando que os resultados contábeis e
econômicos não são iguais aos financeiros, os custos considerados no PEF são apenas os
custos desembolsados que podem endividar a empresa. Desta forma, ele é representado pelo
volume de vendas necessárias para que a empresa possa cumprir com suas responsabilidades
financeiras.
O PE pode ser encontrado somando os custos e despesas, em seguida subtraindo pela
MC, afinal a diferença fundamental entre os três pontos são os custos e despesas a serem
considerados. Assim sendo, Crepaldi (2013, p. 230), adiciona que “a análise do ponto de
equilíbrio é fundamental nas obrigações referentes a investimentos, nos planejamentos de
controle do lucro, no lançamento ou corte de produtos e para análise das alterações do preço de
venda, conforme o comportamento do mercado”.
Porém, quando as vendas excederem o PE, deve ser analisada a margem de segurança
(MS) subtraindo a margem de lucro pela margem de contribuição, que segundo Marques (2013,
p. 69), “representa o volume de vendas que supera as vendas calculadas no ponto de equilíbrio,
ou seja, identifica quanto às vendas em unidades ou valor (R$), podem cair sem que a empresa
possa operar com prejuízo”.
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Análise Custo/Volume/Lucro

Margem de Ponto de equilíbrio Margem de segurança


contribuição (MC) (PE) (MS)
Figura 1: Análise CVL
Fonte: Marques (2013, p. 73)

Ademais, relacionada ao custeio variável, pois utiliza o sistema de custo para decisões
de curto prazo, a análise CVL representada por Marques (2013) auxilia no planejamento e
controle, gerenciando as informações de forma eficaz, visto que, “é um modelo que possibilita
prever o impacto no lucro do período, ou no resultado projetado, de alterações ocorridas no
volume vendido, nos preços de vendas vigentes e nos valores de custos e despesas”. Assim,
possibilitando examinar os lucros desejados pelos sócios, verificando a lucratividade a
concorrência e preço mais adequado para que não prejudique a organização.
Para relacionar o índice que demonstra esse aumento no percentual dos lucros com o
aumento no percentual da quantidade vendida em determinado nível de atividade, o grau de
alavancagem operacional, avalia as variações dividindo o percentual de resultados pelo
percentual de vendas. Sendo assim, quando maior for o grau de alavancagem operacional,
maiores os riscos, afinal o resultado ficará vulnerável a qualquer variação na receita bruta
(PINTO et al., 2018, p. 162)”.
Em síntese, Crepaldi (2009 p. 238) salienta que “as decisões devem ser tomadas pelos
administradores baseadas na margem de contribuição fornecida pelo custeio direto e não pelo
lucro fornecido pelo sistema de custeio por absorção”, pois através da margem de contribuição
é possível analisar o potencial de cada produto e o volume coerente da produção propenso a
amortização dos custos fixos e despesas fixas e ainda gerar o lucro almejado.
Sendo assim, o custeio variável presumi que, para uma empresa funcionar, deve-se
comprometer com os custos fixos, já que não serão alterados, caso não haja produção ou o
aumentado e diminuição dela. Estando a estrutura fixa organizada, a decisão expressiva estará
relacionada com os custos variáveis.

4.3 Custeio ABC

O custeio baseado em atividades, fundamenta-se na necessidade de reduzir as alterações


Volume 1, Número 04, 2020

formadas pelo rateio arbitrário dos custos indiretos. A crescente complexidade dos sistemas de
produção vem aumentando ao longo do tempo, além dos custos indiretos que fomentam
continuamente, tanto em termos relativos quanto em valores absolutos. Esse método diminui o
grau de iniquidade na alocação de custos, como também pode ser uma ferramenta de gestão de
custos (MARTINS, 2018).
O ABC pode ser aplicado, também, aos custos diretos, principalmente à mão de obra
direta, e é recomendável que o seja; mas não haverá, neste caso, diferenças
significativas em relação aos chamados “sistemas tradicionais”. A diferença
fundamental está no tratamento dado aos custos indiretos. Outro fenômeno importante
a exigir melhor alocação dos custos indiretos é a grande diversidade de produtos e
modelos fabricados na mesma planta que vem ocorrendo nos últimos tempos,
principalmente em alguns setores industriais. Daí a importância de um tratamento
adequado na alocação dos CIP aos produtos e serviços, pois os mesmos graus de
arbitrariedade e de subjetividade eventualmente tolerados no passado podem provocar
hoje enormes distorções. Estas dependerão dos dois fatores citados: proporção de
custos indiretos no total e diversificação das linhas de produto (MARTINS, 2018, p.
77).

Assim como, o custeio ABC aponta um conjunto de custos para cada evento ou
transação, agindo como um direcionador de custos. Conforme Padoveze (2010, p. 307) ressalta,
“não necessariamente se baseia em identificar uma atividade para cada departamento de
serviço. Busca identificar as atividades relevantes que geram os custos necessários para os
produtos”.
Considerando que os direcionadores de custos são a base utilizada para atribuir os custos
das atividades aos produtos, Martins (2018) distingui os dois tipos de direcionadores:
➢ Direcionadores de custos de recursos: Demonstra a relação dos recursos gastos e as
atividades indicando a maneira que as atividades consomem recursos.
➢ Direcionadores de custos de atividades: Demonstra a relação entre atividade e produto,
indicando a maneira que os produtos consomem atividade e servindo para custear produtos.
Segundo Ribeiro (2018), no sistema de custeio ABC, requer uma divisão da empresa
por departamentos ou centros de custos, acumulando os custos nos departamentos de serviços
ou produtos, onde forem gerados, na sequência, esses CIFs são transferidos para as respectivas
atividades que geraram em cada departamento. Após serem cumulados nas atividades, os CIFs
devem ser transferidos para os produtos que consumiram as atividades.
Entre os três métodos citados, o custeio baseado em atividade é um dos mais utilizados,
sendo o mais oportuno a estrutura de custos das empresas, principalmente por possibilitar a
identificação das atividades que consomem maior parcela dos recursos e que perante uma
análise mais rigorosa sobre a agregação de valor ao produto final, é possível identificar com
facilidade se devem ser eliminados ou ter seus recursos consumidos minimizados.
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Bem como, a sua principal vantagem fundamenta-se na identificação e cálculo das


atividades, tais que são as responsáveis em gerar valor, afinal as atividades que não geram valor
ao cliente devem ser eliminadas, pois apenas aumentam o custo dos bens e serviços. Portanto,
a uma semelhança quanto ao método de custeio por absorção, sua distinção está em utilizar um
maior número de bases de rateio para obter os custos e serviços de diversas atividades.

5 IMPORTÂNCIA DA CONTABILIDADE DE CUSTOS PARA TOMADA DE DECISÕES


EMPRESARIAIS

No cenário atual, as empresas necessitam estar em constante desenvolvimento para que


consigam enfrentar a concorrência e sobreviver as grandes mudanças no mercado. Com efeito,
a busca por uma boa gestão e formas de gerenciar os recursos diminuindo os custos e
aumentando a produtividade, para melhor satisfazer o cliente, se torna uma opção fundamental,
e a contabilidade de custos proporciona uma visão ampla do ambiente organizacional,
permitindo o controle e uma análise mais eficiente.
Tendo como função reunir e organizar todas as informações referentes ao processo
organizacional, a contabilidade de custos gera resultados, e tem como principal fator o controle
dos custos da empresa, pois os custos são medidos monetariamente a partir dos gastos efetuados
para se atingir um objetivo. Portanto, a coleta desses custos de forma correta é de fundamental
importância para um planejamento e gestão que gere impactos positivos (NETO, 2011).
Efetivamente, após toda implantação do sistema de custos dentro da empresa, será
possível obter informações que poderão ser utilizadas de forma gerencial, ou seja, pela
administração, com intuito de promover o crescimento empresarial. Para Marques (2013, p.
27), “as decisões utilizando informações de custos são fundamentais para obtenção de um nível
adequado de rentabilidade. À ausência de informação de custo ameaça a estabilidade
econômico-financeira e o crescimento da empresa”.
A contabilidade de custos é um importante mecanismo de planejamento, controle e
decisão gerencial. Um de seus papeis consiste na alimentação constante de valores essenciais a
respeito de consequências de curto e longo prazo, sobre medidas de introdução, manutenção ou
corte de produtos, administração de preço de venda, opção de compra ou produção (MARTINS,
2018).
Atualmente, sendo considerada como uma ferramenta de apoio e auxilio ao
gerenciamento da organização, colaborando com a elaboração de orçamentos e comparação
entre orçado e realizado, a contabilidade de custos é indispensável, afinal, por meio dela é
Volume 1, Número 04, 2020

possível escolher as melhores alternativas pensando na continuidade da empresa, além de visar


a lucratividade.

6 APLICABILIDADE DA CONTABILIDADE DE CUSTOS DENTRO DA EMPRESA


PARA AUXÍLIO NA TOMADA DE DECISÃO

As decisões de produtos, serviços, preços e redução de custos importantes em qualquer


empresa dependem da existência da contabilidade de custos para que se tenha um controle que
permita analisar o comportamento de todas as atividades da empresa, demonstrando sua
contribuição através das informações necessárias para a gestão, pois sem essas informações a
empresa não terá bases concretas para a tomada de decisão. Após a definição do tipo de custeio,
a contabilidade de custo se torna uma integração dos conhecimentos úteis para a tomada de
decisões da administração da entidade (NETO, 2011).
Representando um instrumento de apoio à gestão dos negócios, e atuando como suporte
ao planejamento, disponibilizando dados necessários de forma decisiva para o sucesso da
empresa, fornecendo informações econômicas e financeiras para seus usuários, a contabilidade
de custos é a chave para tomada de decisões nas empresas.
Para atingir o ponto principal e alcançar o objetivo organizacional é necessário saber
gerenciar, ser hábil, para que se possa estabelecer o equilíbrio e identificar as necessidades
principais de cada área. Por essa razão a importância de conhecer os diversos tipos de métodos
de custeios e suas aplicações (SANTOS, 2005).
Outro fator relevante é a implantação do sistema de custos com o objetivo de eliminar
gastos e reduzir as despesas. O sistema de custo permite uma análise diária e completa,
possibilitando competir no mercado. Segundo Marques (2013, p. 31),
A escolha do sistema de custo mais adequado é feita de acordo com o profissional que
desenvolve a administração da empresa, ele propõe e analisa qual é favorável para a
implantação e o desenvolvimento do sistema. Definidos os objetivos, torna-se fácil
determinar o tipo de sistema a usar, bem como o seu nível de detalhamento. Verificará
se usará o sistema de estoques pelo inventario permanente PEPS, UEPS, médio
ponderado, sistema de estoque pelo inventário periódico, sistema de custo padrão,
sistema de custeio por absorção, variável, ou ABC.

Existem diversos benefícios quanto a implantação do sistema de custos, mas após ser
definido, segundo Pinto et al. (2018), é necessário uma abordagem para a formação de preços,
visto que no mundo de hoje é um dos problemas mais delicados nas organizações, considerando
que uma pequena diferença pode gerar efeitos negativos na lucratividade do bem ou serviço.
Ainda segundo Pinto et al. (2018, p. 108),
Volume 1, Número 04, 2020

O modelo de formação de preço baseado em custos é mais apreciado pelo gestor por uma
série de fatores, principalmente pelo fato de o preço estar sob seu controle, já que ele
definirá um preço que irá gerar lucro para a empresa; ser prático para ser aplicado
imediatamente; simples, por considerar apenas variáveis internas da empresa, e
intangível o suficiente para ser facilmente gerenciável.

Além do aspecto financeiro, a definição do preço de venda deve levar em conta o


aspecto mercadológico. O preço deverá estar próximo do praticado pelos concorrentes diretos
da mesma categoria de produto e de qualidade. Também devem ser considerados o nível de
conhecimento de marca, o tempo de mercado, o volume de vendas já conquistado e a
agressividade da concorrência. É preciso ter um bom planejamento, com metas claras de
lucratividade e dimensionamento de capacidade de vendas.
Segundo Padoveze (2010) os preços podem ser fixados: com base nos custos, com base
no mercado ou com base numa combinação de ambos. Desse modo, na elaboração da formação
do preço de venda não poderá levar em consideração apenas os fatores internos, mas também
se deve observar os fatores externos que possam interferir no processo de formação do preço
de venda.
A aplicabilidade da contabilidade de custos traz inúmeros benefícios, permitindo
assessorar os administradores nas atividades cruciais, auxiliando os gestores a tomarem
decisões em qualquer aspecto. Contudo, a uma similaridade entre a os métodos de custeio e o
processo decisório, sendo necessário a correta distinção das terminologias da contabilidade de
custo, pois é de suma importância para que se tenha uma análise absoluta na tomada de decisão.

7 CONSIDERAÇÕES FINAIS

Todos os dias, a contabilidade de custo apresenta progressos e evoluções, auxiliando os


gestores e proporcionando melhor visibilidade em relação a situação da empresa, colaborando
com uma análise eficaz, pois serve como instrumento de gestão, fornecendo informações, e
dando suporte a tomada de decisão. As empresas precisam estar atentas às mudanças do
mercado e a contabilidade de custos permite superar os desafios, pois contribui para que a
empresa sempre se mantenha competitiva no mercado.
Esse estudo tem como objetivo apresentar a contabilidade de custos como ferramenta
de gestão, seus conceitos importantes, demonstrar as classificações dos custos e as
terminologias usadas, pois são passos necessários para que se atinja os objetivos propostos.
Outro fator importante é a escolha do método de custeio, critério este que determina os custos,
Volume 1, Número 04, 2020

apura e acumula, definindo as possibilidades de atribuição de valor aos recursos utilizados.


Com base nas informações apresentadas, fica evidente que a contabilidade de custos
pode auxiliar na economicidade dos processos operacionais influenciando na tomada de
decisão. Afinal, a partir de um bom gerenciamento do sistema de custos e o conhecimento de
suas particularidades, proporciona para gestão segurança nos resultados, controle de todos os
recursos da empresa, redução de custos, estabelecer padrões através do enquadramento
adequado do método de custeio, e a formação competitiva do preço de venda.
Logo, a contabilidade de custos influência no desempenho organizacional, visto que,
através dela, a empresa consegue definir estratégias para alcançar resultados melhores;
controlando os custos, identificando a rentabilidade de cada produto e sua contribuição
individual no resultado, controlando desperdícios e horas ociosas de trabalho, definindo o custo
dos serviços prestados, e estabelecendo preços praticados no mercado. Além disso, os métodos
de custeio proporcionam a redução nos processos, pois através de sua adequação na empresa
proporciona o monitoramento dos custos, dispondo-os para tomada de decisão.
Portanto, a contabilidade de custos se mostra eficiente ao estar em constante evolução,
possibilitando identificar o diferencial em cada empresa, contribuindo com a continuidade das
mesmas, pois fornece informações relevantes no momento oportuno, e diversas formas de
comparação.
Nessa senda, urge salientar que, não obstante o estudo ora apresentado tenha trazido
elucidações quanto às indagações que formulou, é importante registrar que ele não se esgota
nas páginas desta investigação. Com a dinâmica e a diversidade do universo contábil, outros
estudos são necessários para problematizar e compreender a complexificação da contabilidade
de custo nas tomadas de decisões.

REFERÊNCIAS

MARTINS, Eliseu. Contabilidade de custos. 11. Ed. São Paulo, Atlas, 2018.

CREPALDI, Silvio aparecido. Curso básico de contabilidade de custos. 4. Ed. São Paulo, Atlas,
2009.

RIBEIRO, Osni Moura. Contabilidade de custos. 10. Ed. São Paulo, Saraiva, 2018.

PADOVEZE, Clóvis Luís. Controladoria básica. 2. Ed. São Paulo, Cengage Learning, 2013.

NETO, felicíssimo Cardoso. Contabilidade de custos; sistemas, técnicas de apropriação e


gestão. Clube de Autores, 2011.
Volume 1, Número 04, 2020

COSTA, Rodrigo Simão da Costa. Práticas de contabilidade gerencial. São Paulo, Senac, 2019.

MARQUES, Wagner Luiz. Análise de custos; formação de preço de vendas para micro e
pequena empresa, utilizando análise de custo e método de tempos e movimentos. 1. Ed.
Gráfica Vera Cruz, Cianorte – Paraná e Clube de Autores, 2013.

SANTOS, Joel J. Fundamentos de custos para formação de preço de venda e lucro. 5ª Ed. São
Paulo, Atlas, 2005.

PINTO, Alfredo Augusto Gonçalves... [et al.]. Gestão de custos. 4. Ed. Rio de Janeiro, FGV, 2018.

BORNIA, Antônio César. Análise gerencial de custos. Porto Alegre, Bookman, 2002.

STARK, José Antônio. Contabilidade de custos. 1. Ed. São Paulo, Atlas, 2010.

DUTRA, René Gomes. Custos: Uma abordagem prática. 7. Ed. São Paulo, Atlas, 2010.
Volume 1, Número 04, 2020

PERÍCIA CONTÁBIL E A TABELA PRICE: um estudo bibliográfico sobre as


vertentes utilizadas pelo perito assistente na defesa de ações revisionais em face das
instituições financeiras

Pericia contable y la tabla Price: estudio bibliográfico sobre los aspectos utilizados por el
experto asistente en la defensa de acciones de revisión contra instituciones financieras

Accounting expertise and the Price table: a bibliographic study on the aspects used by the
assistant expert in the defense of revision actions against financial institutions

Thiago Rocha de Jesus7


Bruno de Ávila Debom Rey8
RESUMO
A perícia contábil se tornou ferramenta indispensável no auxílio das instâncias decisórias, sejam
elas judiciais ou extrajudiciais. Três são os tipos de perícia: A Perícia Judicial; Perícia
Extrajudicial e a Perícia Arbitral. O laudo pericial é capaz de elaborar elementos que podem ser
usados perante a justiça, comprovando a veracidade dos fatos, e se realmente eles ocorreram ou
não, verificando também se houve alguma irregularidade de acordo com lei vigente. O perito
contador é o responsável pela emissão do laudo pericial, o perito assistente o encarregado de
umas das partes para acompanhar o desenrolar da perícia, mostrando elementos que favoreçam
a parte que o contratou. A tabela Price é um dos métodos mais utilizados hoje em qualquer tipo
de financiamento, e como qualquer outro sistema de amortização possui suas vantagens e
desvantagens como veremos no discorrer do artigo, e por fim as ações revisionais que buscam
sempre de maneira eficaz a perfeição na realização de um contrato de financiamento. Portanto,
com base no tema proposto, essa pesquisa tem como objetivo principal demonstrar as principais
características da perícia contábil e tabela price, e a importância do perito assistente nos
processos de revisão contratual e ações revisionais em defesa das instituições financeiras.

PALAVRAS-CHAVE: Ações Revisionais. Instituições Financeiras. Perícia Contábil. Perito


Assistente. Tabela Price.

7
Graduando do curso de Ciências Contábeis da FAJ (thiagorocha489@[Link]).
8
Orientador: Professor do Departamento de Ciências Contábeis (brunodebomrey@[Link])
Volume 1, Número 04, 2020

ABSTRACT
Accounting expertise has become an indispensable tool in helping decision-making bodies,
whether judicial or extrajudicial. There are three types of expertise: Judicial Expertise;
Extrajudicial Expertise and Arbitration Expertise. The expert report is capable of elaborating
elements that can be used before the justice, proving the veracity of the facts, and if they really
occurred or not, also verifying if there was any irregularity according to the current law. The
accountant expert is responsible for issuing the expert report, the assistant expert is in charge
of one of the parties to monitor the conduct of the investigation, showing elements that favor
the party that hired him. The Price table is one of the most used methods today in any type of
financing, and like any other amortization system has its advantages and disadvantages as we
will see in the article, and finally, the revision actions that always seek perfection in the effective
way. a financing contract. Therefore, based on the proposed theme, this research has as main
objective to demonstrate the main characteristics of the accounting expertise and price table,
and the importance of the assistant expert in the processes of contractual review and revision
actions in defense of financial institutions.

KEYWORDS: Revision Actions. Financial Institution. Accounting Expertise. Assistant Expert.


Price table.

1 INTRODUÇÃO

A perícia contábil é a responsável por levar a instância decisória elementos de prova,


capazes de auxiliar na decisão do litigio, mediante laudo pericial contábil, de acordo com as
normas jurídicas, profissionais e a legislação específica. É o principal instrumento que tem
como finalidade a criação de elementos comprobatórios necessários para que as empresas
apresentem para justiça, seja judicial ou extrajudicial, provas que determinado fato tenha
ocorrido ou não, checando se houve alguma irregularidade diante da legislação vigente.
Considera-se a perícia umas das principais provas admitidas pelo Código de Processo
Civil, que trata basicamente de um exame, uma vistoria ou avaliação. Desta forma o perito
contador passa a ser a pessoa especializada em ciências contábeis durante os processos judicias
ou extrajudiciais, atuando no sentido de comprovar ou desvendar supostas fraudes ou erros nos
registros contábeis e financeiros apresentados, gerando informações por meio do laudo pericial.
Diante do contexto da investigação e dos desdobramentos da presente pesquisa em um
contexto acadêmico, o presente trabalho tem como finalidade responder a seguinte questão
problema: Qual a importância do perito assistente nos processos de revisão contratual e ações
revisionais das instituições financeiras, considerando os financiamentos e empréstimos pelo
método da tabela price?
O presente artigo busca demonstrar as características da perícia contábil, e da tabela
price, bem como a importância do perito assistente nas ações revisionais dos contratos de
Volume 1, Número 04, 2020

financiamento, originadas pelos processos de pericias judiciais movidos por pessoas físicas ou
jurídicas visando discutir se há alguma irregularidade dos contratos de financiamento firmados
entres as partes.
Foram formulados os seguintes objetivos específicos:
a) Analisar os conceitos de perícia contábil e tabela price a fim de buscar o entendimento
e a relação entre elas;
b) Verificar a importância do perito assistente nas ações revisionais;
c) Demonstrar e avaliar as principais vertentes utilizadas pelo perito assistente na defesa
das ações revisionais em face das instituições financeiras.
Destarte, esse estudo tem amparo na relevância, uma vez que pouco se sabe sobre o
tema, não havendo farta pesquisa epistemológica que tenha como o principal objetivo,
fundamentar teoricamente o conceito de Perícia Contábil e tabela price, analisando as vertentes
utilizadas pelo perito assistente nos processos revisionais. Além disso, grande parte do trabalho
do perito assistente está voltado para as ações revisionais dos contratos de financiamento.
Portanto, o estudo agrega conhecimentos para as discussões realizadas, possibilitando um
melhor entendimento sobre o papel do perito assistente na execução das ações revisionais nas
instituições financeiras.
Para o desenvolvimento desse tema foi utilizado, sob o ponto de vista procedimental e
metodológico, a pesquisa bibliográfica que foi a partir de levantamentos de referências teóricas
encontradas, analisadas e publicadas em artigos, livros, sites e monografias. Com o objetivo de
levantar informações e conhecimentos sobre a tal problemática discutida, o qual se procura a
resposta.
Dessa forma, busca esclarecer da melhor forma possível a perícia contábil, suas
principais características, sua atuação e também o trabalho executado pelo perito contador nas
ações judicias e extrajudiciais, com foco nas vertentes utilizadas pelo perito assistente na defesa
das ações revisionais das instituições financeiras.

2 REFERENCIAL TEÓRICO

A base teórica para a construção do estudo, esclarecendo as categorias que rodeiam a


questão problema, fundamentando de forma teórica o estudo do trabalho apresentado que é a
Perícia Contábil, a tabela price, as vertentes utilizadas pelo perito assistente e as ações
revisionais.
Volume 1, Número 04, 2020

2.1 Perícia Contábil

Em 1939, no Brasil o CPC já estabelecia as primeiras regras sobre perícia. Em 1946,


com o Decreto Lei n° 9.246/46, criou se o Conselho Federal de Contabilidade e foram definidas
as atribuições ao contador, podendo também afirmar que houve a institucionalização da perícia
contábil no Brasil. Com o Decreto lei 8.579 de 08-01-1946 e também com a Legislação
Falimentar Decreto lei n° 7.661/45, muitas alterações foram introduzidas às normas periciais.
Com as alterações da lei nº 4.983/66 em seus artigos, foram estabelecidas regras para a perícia
contábil, elas passaram a ser mais claras ao definir esta atribuição ao contador. A partir do
segundo Código de Processo Civil – Lei n 5.869/73, com as modificações que lhe foram dadas
pelas leis complementares ao CPC, que as pericias judiciais foram premiadas com a legislação
ampla, clara e aplicável (FAVEIRO et al, 2009).
De acordo com a NBC TP n °1 (R1) de 19 de Março de 2020, define-se perícia
contábil como o conjunto de procedimentos técnicos-científicos destinados a levar à
instância decisória elementos de prova necessários a subsidiar a justa solução do
litígio ou constatação de fato, mediante laudo pericial contábil e/ou parecer pericial
contábil, em conformidade com as normas jurídicas e profissionais e com a legislação
especifica no que for pertinente. Seu principal objetivo é estabelecer diretrizes e
procedimentos técnico científicos a serem observados, na realização da perícia no
âmbito judicial e extrajudicial (CONSELHO FEDERAL DE CONTABILIDADE,
1946, texto on line).

A perícia contábil nada mais é que um instrumento que visa criar elementos
comprobatórios necessários para as partes envolvidas, de forma judicial ou extrajudicial, de
maneira que venha fornecer provas acerca da ocorrência de fatos atípicos, checando também se
ouve ou não alguma irregularidade perante a legislação vigente. Toda essa averiguação deve
ser conduzida por um responsável denominado perito contábil, profissional que precisa estar
habilitado junto ao Conselho Regional de Contabilidade (CRC) (SAGE, 2019).
Existem três tipos de perícias contábeis, as quais serão especificadas abaixo:
1– A Perícia Extrajudicial
2 – Perícia Arbitral
3 – E a Perícia Judicial.

2.1.1 Perícia extrajudicial

A perícia extrajudicial é realizada fora da tutela do poder Judiciário, ou seja, sem que
haja o pedido do juiz, ou até mesmo processo jurídico em andamento. Ela é contratada por
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necessidade de uma das partes ou ambas as partes envolvidas. A perícia extrajudicial se divide
em demonstrativa, discriminatória e comprobatória (ALBERTO, 2018).
A demonstrativa tem como finalidade demonstrar veracidade ou não dos fatos
detalhados na consulta. A discriminatória tem a finalidade de colaborar, com os interesses de
cada uma das partes envolvidas no assunto duvidoso ou conflituoso. Já a comprobatória tem
por objetivo a comprovação das declarações, por exemplo, fraudes, desvios ou simulações. Essa
maneira de perícia é mais comum na apuração de heranças ou em dissolução de sociedades, nas
explicações de causas que provocam os danos e perdas, ou em outras situações em que a
presença do poder judiciário não é solicitada (ALBERTO, 2018).

2.1.2 Perícia arbitral

A arbitragem foi instituída por meio da Lei 9.307, de 23 de setembro de 1996,


instrumento para dirigir litígios relativos a direitos patrimoniais disponíveis, podendo ainda, a
critério das partes, ser de direito ou de igualdade.
Na perícia arbitral, os objetos de análise são definidos por meio da lei de arbitragem.
Isso significa que as partes podem, em comum acordo, definir que uma questão seja
arbitrada e, cabe ao árbitro em questão, determinar a necessidade de uma perícia. Deve
haver concordância entre as partes na escolha de um perito independente. Já a perícia
no âmbito estatal é aquela executada sob o controle dos órgãos do Estado. Isso inclui
as Comissões Parlamentares de Inquérito (CPIs), as perícias criminais e aquelas
conduzidas pelo Ministério Público da União (MPU). Por fim, temos ainda as perícias
voluntárias. Elas são contratadas por uma empresa ou por um conjunto de empresas
interessadas em comum acordo. Nesse caso, não é necessário que haja uma disputa
entre elas. Uma empresa que tenha interesse em adquirir outra, por exemplo, poderá,
em algum momento, solicitar que seja feita uma perícia contábil. (SAGE, 2019, texto
on line)

Portanto, a perícia arbitral foi criada com a finalidade de sanar conflitos ou problemas
entras as partes, sem que haja a necessidade do envolvimento da justiça, cumprindo, destarte,
com o objetivo mister de sanar, agilizar o acordo entre as duas partes solicitantes.

2.1.3 Perícia judicial

Já a perícia judicial é aquela realizada dentro das normas do Poder Judiciário, por
determinação, requerimento ou necessidade das partes, e se desenvolve de acordo com as regras
legais específicas. Esse tipo de perícia se subdivide conforme suas finalidades no processo
judicial, prova ou arbitramento. Ela será prova quando o processo tiver que trazer a verdade
real, demonstrável científica ou tecnicamente para ajudar o julgador na sua tomada de decisão,
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e será arbitramento quando tiver que avaliar através de critério técnico obrigação de dar em que
aquela se constituir (ALBERTO, 2012).
O planejamento de trabalho da perícia contábil inicia com a indicação do perito
que deverá com os números do processo, da vara e do fórum, ter acesso aos
documentos para conhecimento e assim elaborar o cronograma e propor
os honorários. Então o profissional devolve o processo ao fórum. O juiz irá
determinar que as partes se manifestem sobre os honorários, bem como os
deposite. (ANDRADE, 2028, texto on line).

De acordo com a NBC item 33, os objetivos do planejamento da perícia são:


Conhecer o objeto e a finalidade da perícia para permitir a escolha de diretrizes e
procedimentos a serem adotados para a elaboração do trabalho pericial; Desenvolver
plano de trabalho onde são especificadas as diretrizes e procedimentos a serem
adotados na perícia; Estabelecer condições para que o plano de trabalho seja cumprido
no prazo estabelecido; Identificar potenciais problemas e riscos que possam vir a
ocorrer no andamento da perícia; Identificar fatos importantes para a solução da
demanda, de forma que não passem despercebidos ou não recebam a atenção
necessária; Identificar a legislação aplicável ao objeto da perícia; Estabelecer como
ocorrerá a divisão das tarefas entre os membros da equipe de trabalho, sempre que o
perito necessitar de auxiliares (CONSELHO FEDERAL DE CONTABILIDADE,
1946, texto on line).

Já os procedimentos executados na perícia que visam fundamentar as conclusões que


serão levadas ao laudo pericial ou parecer pericial contábil são:
Exame: é a análise de livros, registros de transações e documentos; Vistoria: é a
diligência que objetiva a verificação e a constatação de situação, coisa ou fato, de
forma circunstancial; Indagação: é a busca de informações mediante entrevista com
conhecedores do objeto ou de fato relacionado à perícia; Investigação: é a pesquisa
que busca constatar o que está oculto por quaisquer circunstâncias; Arbitramento: é a
determinação de valores, quantidades ou a solução de controvérsia por critério
técnico-científico; Mensuração: é o ato de qualificação e quantificação física de
coisas, bens, direitos e obrigações; Avaliação: é o ato de estabelecer o valor de coisas,
bens, direitos, obrigações, despesas e receitas; Certificação: é o ato de atestar a
informação obtida na formação da prova pericial; Estabilidade: é a verificação dos
elementos probantes juntados aos autos e o confronto com as premissas estabelecidas
(CONSELHO FEDERAL DE CONTABILIDADE, 1946, texto on line).

As diligências também fazem parte do trabalho pericial, é nesse processo que o perito
responsável pode verificar a necessidade de novos documentos para auxiliar na elaboração do
laudo pericial.
Já o valor dos honorários é sempre uma atividade que tem de ser feita com bastante
cuidado e sensibilidade, pois o perito deve levar em consideração a situação financeira e
econômica das pessoas envolvidas. Para a elaboração dos honorários o é levado em
consideração uma série de fatores como: a relevância, o vulto, a complexidade, a quantidade de
horas, o pessoal técnico, o prazo estabelecido, a forma do recebimento e os laudos interpessoais,
entre outros fatores (CARLOS,2017).
No art. 465 do CPC 2015, menciona-se que o juiz nomeará um perito especializado no
objeto da perícia e fixará também o prazo para a entrega do laudo, no prazo de 15 dias contados
a partir da intimação do despacho de nomeação do perito. Nesse sentido, as partes podem:
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solicitar o impedimento ou suspeição do perito nomeado, desde que apresentem argumentos


que convençam, podendo também indicar um assistente técnico com a finalidade de colaborar
com a parte na elaboração de quesitos (BRASIL, 2015).

2.2 PERITO JUDICIAL

Perito judicial é aquele profissional que possui características particulares e


conhecimentos técnicos necessários sobre determinada ciência, arte ou ofício, que lhe permite
emitir opiniões para a resolução do juízo. Para atuar como perito contábil, além de
conhecimento técnico, é necessário curso superior e estar inscrito no CRC (Conselho Regional
de Contabilidade). O perito pode atuar nas varas da Justiça Federal, Estadual e do Trabalho, ele
entra em ação toda vez que uma perícia judicial é solicitada por umas das partes envolvidas ou
na ciência do juízo (PACIEVITCH, 2006).
De acordo com a NBC 2010 o perito judicial possui alguns impedimentos os quais o
impossibilita de executar seus serviços, que seriam:
O impedimento legal, onde destacamos os principais impedimentos: quando o perito for
da parte do processo, tiver cônjuge ou parente, consanguíneo ou afim, em linha reta ou em linha
colateral até o terceiro grau, postulando no processo; receber quaisquer valores, benefícios,
bens ou coisas sem autorização ou conhecimento do juízo.
E o impedimento técnico, que é aquele cujo o perito contador não possui conhecimentos
necessários sobre o assunto discorrido, não é sua especialidade; constatar que os recursos
humanos e materiais de sua estrutura profissional não permitem assumir o encargo; cumprir os
prazos nos trabalhos em que o perito-contador for nomeado, contratado ou escolhido; ou em
que o perito-contador assistente for indicado.
Já a suspeição após o perito contador ser nomeado, ele pode declarar suspeito, após
verificar situações que podem comprometer o resultado de seu trabalho em relação a tomada
de decisão, como: ser amigo íntimo de qualquer uma das partes, ser inimigo de qualquer uma
das partes, ser empregador de alguma das partes, ser devedor ou credor de qualquer uma das
partes, dos seus cônjuges, de parentes destes em linha reta ou em linha colateral até o terceiro
grau, aconselhar, de alguma forma, parte envolvida no litígio acerca do objeto da discussão;
houver qualquer interesse no julgamento da causa em favor de alguma das partes; declarar-se
suspeito por motivo de foro íntimo, ficando isento, neste caso, de declinar os motivos.
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2.2.1 PERITO ASSISTENTE

Assim como qualquer ser humano, o perito contábil está sujeito a erros e falhas. O perito
assistente então passa a ser fundamental para dar mais segurança e eficiência na produção das
provas da perícia, sempre mantendo a comunicação com o perito do juízo. Sua função é
acompanhar o desenrolar da prova pericial, apresentando sugestões, criticar o laudo do perito
nomeado e apresentar hipóteses possíveis, desde que seja técnica e juridicamente sustentável
(CESAR, 2016).
O principal trabalho do perito assistente não é, como acham muitos, apenas elaborar
um laudo independente, um laudo divergente ou uma crítica ao laudo pericial, mas
sim diligenciar durante a realização da perícia no sentido de evidenciar junto ao
perito do juízo os aspectos de interesse ao esclarecimento da matéria fática sob uma
ótica geral e mais especificamente possibilidades junto ao perito do juízo é que
caberá ao perito assistente elaborar o seu parecer técnico. (CESAR, 2016, texto on
line)

O assistente técnico é nomeado pelas partes contratantes sejam elas pessoas físicas ou
jurídicas afim de auxiliar e trazer elementos comprobatórios que favorecem a parte que o
contratou durante a perícia executa, e para que ele exerça com perfeição seu trabalho é
importante que ele acompanhe todas as diligências realizadas pelo perito do juízo antes que
o laudo seja finalizado e se necessário pedir o prazo necessário ao perito para examinar as
peças do processo e ter claras em mente as teses jurídicas da parte que o contratou e da parte
oposta, para que possa melhor assessorar a sua parte. Fato bem considerável é que após
apresentado o laudo com os erros, torna-se mais difícil a sua devida correção.
Cabe ao perito assistente a verificação das diferentes hipóteses da matéria técnica objeto
da perícia, tentando fazer com que o perito nomeado pelo juiz perceba as diferentes
interpretações, como intuito de que seu cliente não seja prejudicado com visões injustas e
distorcidas da realidade. Antes de realizar os trabalhos o perito assistente primeiramente deve
analisar as reais necessidades de apresentação de quesitos para melhor esclarecimentos sobre o
assunto discorrido, cujo quais só podem ser exibidos antes de protocolado o laudo em juízo
(CESAR, 2016).

Na formulação de quesitos é fundamental a participação do assistente técnico,


profissional que deve ter o preparo necessário para assessorar o advogado de forma
que os quesitos sejam formulados objetivamente, focados na matéria técnica e com
a delimitação clara dos parâmetros a serem seguidos na perícia. É público e notório
que os advogados não dominam a área técnica fora de sua área de formação,
carecendo, portanto, de assessoria do perito assistente na formulação dos quesitos,
evitando-se a formulação de quesitos incorretos, desnecessários, prejudiciais,
impertinentes ou de mérito. Ninguém melhor que o assistente técnico, com
formação específica na área técnica e com bons conhecimentos de Direito, para
Volume 1, Número 04, 2020

saber quais os elementos de prova serão necessários para o esclarecimento do juízo.


A partir dos quesitos elaborados pelo assistente técnico, terá o procurador da parte
a oportunidade de adequá-los ao contorno jurídico apropriado à instrução do
processo. (CESAR, 2016, texto on line)

Por conseguinte, a função do perito assistente é avaliar as questões do laudo pericial,


destacando seu posicionamento atrás do seu parecer técnico para o entendimento e
acompanhamento de uma prova pericial. Seu objetivo é destacar os principais pontos de
conflito da perícia, afim de mostrar as diferentes interpretações cabíveis para o caso, fazendo
com que a parte que o contratou não seja prejudicada nas conclusões finais da perícia.

2.3 TABELA PRICE

No momento de realizar um financiamento o consumidor ou instituição financeira não


deve apenas ficar atento somente aos juros, mais também no valor das parcelas que serão
pagas, nos juros que recaem sobre o saldo devedor. É aí então que entra as modalidades de
amortização, sendo duas delas as mais comuns: Tabela Price e o Sistema de Amortização
Constante (SAC). Amortização é a parte da parcela destinada a reduzir o valor principal, ou
seja, o valor financiado no início. A outra parte da parcela liquida os juros do suposto mês,
que são calculados sobre o valor principal (FILQUEIRAS, 2019)
Na teoria, o interesse do cliente será sempre o de tentar reduzir ao máximo o valor do principal
que deve o quanto antes. Afinal, os juros passam a incidir sobre uma base cada vez menor. A
questão é que, como tudo na vida, nem sempre vivemos num mundo ideal, onde todos os
desejos são realidade. Tanto o SAC como a Tabela Price funcionam da seguinte forma: elas
vão reduzindo o saldo devedor, parcela a parcela, para que ele fique menor e incorra menos
juros sobre ele. A diferença está na forma e rapidez de amortização. E isso afeta tudo, do valor
das parcelas à total de juros pagas por quem pega o empréstimo (FILQUEIRAS, 2019, texto
on line).

Tabela Price é um dos métodos de amortização mais utilizados para financiamentos,


criado a muito tempo, por volta do século XVIII pelo francês Richard Price. Naquela época
tinha como uma de suas principias funções ajudar o governo a pagar as pensões e
aposentadorias da população, porém seu uso foi se estendendo até então chegar ao mercado
das instituições financeiras, fazendo com que sua principal aplicação fosse para os cálculos
dos financiamentos, se tornando uma das mais importantes formas de parcelamento de
compra a prazo. (ENGENHARIA, 2019).
O sistema price se dá pelo entendimento de que ela se estrutura em um modelo
crescente. À medida que as parcelas são pagas, a amortização aumenta, mas
automaticamente os juros de financiamento reduzem de forma proporcionalmente
inversa. Há muitas dúvidas sobre de que maneira isso influencia no valor da
prestação, mas a resposta é direta: nenhuma! Isso acontece porque simplesmente os
valores não são alterados, a única mudança é na composição do valor que é todo
mês de responsabilidade do comprador. No início, a maior parte das parcelas são
Volume 1, Número 04, 2020

direcionadas aos juros do imóvel que está sendo comprado. Esses valores precisam
ser cumpridos, então esse sistema trata de garantir que o comprador se livre deles
logo no início. Conforme as parcelas são quitadas, a amortização, ou seja, a dívida
do valor do imóvel começa a ser paga. Enquanto o início foi marcado por um
percentual maior da parcela dedicado aos juros, conforme os valores são pagos, o
repasse para amortização cresce. Ao final, nas últimas parcelas, cerca de 95% do
valor total das prestações já são inteiramente destinados à quitação do imóvel
(ENGENHARIA, 2019, texto on line).

Os juros na tabela price não são definidos de maneira direta, a instituição responsável
pelo financiamento é quem vai decidir o devido percentual aplicado, que são pagos no início
do financiamento. Já a amortização é organizada para que aconteça de forma crescente, no
início o valor de cada parcela é pequeno, que é referente ao saldo devedor do financiamento.
Porém conforme os juros são pagos, o consumidor tem o aumento do percentual dos valores
que são aplicados no financiamento. Já as parcelas, são fixas, independente dos juros e da
amortização, os valores continuarão os mesmos (FINANCIAMENTO, 2019).
O sistema price, assim como qualquer outro sistema de amortização, possui a suas
vantagens e desvantagens. Suas parcelas são bem menores que qualquer outro tipo de sistema
de amortização, o que facilita bastante na hora de controlar o fluxo de caixa. Porém seu saldo
devedor diminui de maneira lenta em comparação com os demais sistemas de amortização, e o
valor de suas prestações não diminuem conforme o passar do tempo como é bem comum nos
outros sistemas de amortização.

2.4 AÇÕES REVISIONAIS

Ação revisional é a demanda judicial que busca de maneira eficaz a possível perfeição
de um contrato de financiamento, cuja sua principal função é a anulação ou redução do saldo
devedor, readequação dos juros remuneratórios e afastamento da capitalização de juros quando
não estiver explicita na cédula contratual do financiamento. As ações revisionais mais comuns,
são aquelas que estão relacionadas aos financiamentos de veículo, de imóvel, crédito pessoal,
cartão de crédito e cheque especial. Em uma mesma ação revisional pode ser analisado mais de
um tipo de contrato.
A ação revisional de juros é uma das medidas tomadas por muitas pessoas que têm
procurado o amparo da lei ao se sentirem lesadas pela cobrança de juros abusivos.
A ação revisional de juros demanda cuidados, mas pode ser uma boa opção para quem
não quer prejudicar suas finanças pessoais com juros abusivos (MOSMANN, 2019,
texto on line).

Em uma ação revisional destacamos as principais vertentes discutidas que são:


Volume 1, Número 04, 2020

Taxa abusiva de Juros remuneratórios - que é a taxa que o cliente paga durante a
contratação de financiamento, sem atraso. É considerada abusiva a taxa quando ela estiver
acima da taxa de juros média praticada no mercado para os demais contratos da mesma espécie.
Uma observação muito importante é que para um financiamento de veículo não pode ser
utilizado a mestra taxa de juros remuneratórios para um crédito pessoal.
Capitalização/ Anatocismo - estão presentes nos contratos de financiamento bancário
e é considerado um dos temas mais polêmicos se tratando de ação revisional.
O anatocismo consiste na prática de somar os juros ao capital para contagem de novos
juros. Há, no caso, capitalização composta, que é aquela em que a taxa de juros incide
sobre o capital inicial, acrescido dos juros acumulados até o período anterior. Em
resumo, pois, o chamado ‘anatocismo’ é a incorporação dos juros ao valor principal
da dívida, sobre a qual incidem novos encargos (ROBERTO, 2011, p 409).

A capitalização de juros nada mais é que juros compostos, o que é a oposição dos juros
simples. Nos juros compostos a taxa de juros incidirá sobre o montante de juros do período
anterior, pois ela incide sobre o capital total (capital inicial mais os juros que foram
incorporados). E então passa a ser chamar capitalização de juros por que é a ação de tornar juros
em capital.
Até 2000, a não ser em poucas e especiais espécies de contrato, a capitalização dos
juros era absolutamente proibida, no entanto no ano de 2000 foi editada a Medida
Provisória nº 1.963-17/2000, atualmente reeditada sob o nº 2.170-36/2001 a qual
tratava de um tema absolutamente sem maiores importâncias, mas a qual trouxe no
seu artigo 5º a permissão para a ocorrência da capitalização no direito pátrio. Cabe
dizer que existem formas veladas de capitalização como por exemplo a Tabela Price
(muito utilizado em contratos habitacionais), ou sistema francês de amortização, o
qual foi inventando por um inglês e incorpora juros compostos, ou seja juros
capitalizados, anatocismo, juros sobre juros, o que é ilegal. Para verificar se no seu
contrato ocorre ou não a capitalização, verifique se a taxa mensal de juros multiplicada
por 12 é igual a taxa anual de juros, se for menor, os juros são capitalizados (PERSICO,
2017, texto on line).

Comissão de permanência - O Conselho Monetário Nacional (CMN) aprovou, em


sessão realizada em 23 de fevereiro de 2017, a Resolução nº 4.558, que diz a respeito da
cobrança de encargos por parte das instituições financeiras e das sociedades de arrendamento
mercantil nas situações de atraso de pagamentos. Com este normativo as instituições não
poderão cobrar aos devedores a comissão de permanência, que é aplicada após a inadimplência
de acordo com a política de cada instituição financeira, de acordo com as taxas registradas no
contrato original ou nas atuais taxas de mercado no dia da realização do pagamento (PERSICO,
2017).
Venda Casada – A lei que define essa prática como uma infração da ordem econômica
foi aprovada em 1990 e tem como objetivo garantir a liberdade de escolha do consumidor que
é o CDC – Lei nº 8.078 de 11 de setembro de 1990.
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Art. 39. É vedado ao fornecedor de produtos ou serviços, dentre outras práticas abusivas:
(Redação dada pela Lei nº 8.884, de 11.6.1994)
I – Condicionar o fornecimento de produto ou de serviço ao fornecimento de outro produto ou
serviço, bem como, sem justa causa, a limites quantitativos;
As vendas casadas também podem acontecer de maneira oculta, quando uma pessoa
adquire um produto e um serviço adicional não estando ciente de que foi embutido no valor
pago. Na maioria das vezes na realização de um financiamento os clientes são convencidos a
contratar um seguro, um título de capitalização, o qual nem sabem direito quais são os
benefícios que eles oferecem. Esse ato é ilegal, e cabe ao cliente o direito de devolução dos
valores pagos pelo produto adquirido.
T.A.C (Taxa de Abertura de Crédito) – É de grande costume as instituições
financeiras adotarem o pagamento de taxas no ato da elaboração dos contratos de
financiamentos, famosas taxas de contratação.
TAC (Taxa de Abertura de Credito) como o próprio nome diz, é aplicada na concessão
do crédito do banco. Ou seja, quando ele vai financiar alguma compra sua, o valor é
aplicado nas parcelas pagas pelo cliente. Em tese, a taxa tem a finalidade de ressarcir
o banco pelo fornecimento de crédito, remunerando-o pelo serviço de conceder o
empréstimo. Geralmente, ela vem embutida dentro dos contratos de financiamento e
é cobrada conjuntamente com as parcelas mensais. Seu valor varia dependendo do
banco e do valor do empréstimo. Porém, como a taxa é dividida nas parcelas, o valor
fica pequeno e passa despercebido pelos clientes. Apesar de ser amplamente
conhecido como “taxa”, esse termo é apenas usado para serviços públicos. O nome
correto da TAC é “tarifa”, pois é um valor cobrado por prestação de serviços privados.
Você pode se deparar com ambas nomenclaturas nos contratos bancários (CREDIT,
2019, texto on line).

Em média, a duração de uma liminar concedida pelo juiz de uma ação revisional pode
variar entre 15 e 45 dias, porem o processo pode se estender por bastante tempo uma vez que
não há acordo entre as partes durante a execução da ação. Uma das partes não optando pelo
acordo o processo pode chegar até mesmo mais de quatro anos (PERSICO, 2017).
Foram destacados então os conceitos e as principais vertentes de uma ação revisional,
onde podemos entender melhor a relação e correlação das ações revisionais com os contratos
de financiamento a fim de esclarecer algumas dúvidas existentes, trazendo mais conhecimento
para a temática discutida.

2.5 ATUAÇÃO DO PERITO ASSISTENTE NAS AÇÕES REVISIONAIS DAS


INTITUIÇÕES FINANCEIRAS
Volume 1, Número 04, 2020

As instituições financeiras são as grandes responsáveis por captarem recursos e


conceder créditos na sociedade, atuam também na compra e venda de valores mobiliários.
Essas instituições possuem como principal papel captar os recursos dos agentes
superavitários, e então emprestá-los para os agentes deficitários. Esta transferência
contribui para o desenvolvimento da economia nacional. Em troca da concessão do
crédito, esta instituição financeira espera receber os juros da dívida. Quando o projeto
é bem planejado e bem executado, os lucros do empresário são mais que suficientes
para pagar os juros da dívida. Assim, está se torna uma situação favorável para todos
os agentes envolvidos (REIS, 2018, texto on line).

Podemos destacar as instituições financeiras oficiais federais que compõem o Sistema


Financeiro Nacional (SFN), que são instituições que possuem o governo em sua composição
acionaria e acionista controlador. Passam então a ser consideradas empresas estatais, e se
submetem as mesmas legislações das privadas. E ao menos na teoria, elas deveriam
desempenhar papel social, financiar de forma mais significável o desenvolvimento do país.
Temos como exemplos de instituições financeiras oficiais federais: BNDS, Caixa Econômica
Federal, Banco do Brasil (REIS, 2018).
Já as outras instituições financeiras são divididas basicamente, nas que são capazes de
conceder crédito, e as que não possuem permissão para conceder crédito. As que são capazes
de conceder o crédito são as mais conhecidas pela sociedade de maneira geral, e ainda possui
aquelas que não são tão conhecidas assim como os bancos de investimentos.
Em uma perícia Contábil realizada em ações revisionais em defesa das instituições
financeiras, o perito assistente contratado pela instituição terá como principal função auxiliar e
acompanhar o perito contador nomeado pelo juiz com o intuito de fazer com que ele perceba
diferentes interpretações, tentando fazer com que seu cliente, no caso a instituição financeira
que o contratou, não seja prejudicado com a interpretação do perito judicial.
Torna-se comum em muitos empréstimos e financiamentos a discussão relativa a
taxas abusivas de juros, incidência de juros compostos (capitalização composta),
Tabela Price, amortizações negativas, anatocismo, forma de cobrança de comissão
de permanência, juros e multa de mora, correção monetária, seguros, vendas
casadas, Coeficiente de Equiparação Salarial (CES), Plano de Equivalência Salarial
(PES e PES/CP), saldo devedor residual, etc. Nesse sentido, faz-se essencial o
trabalho do perito contábil no exame do contrato e das planilhas de evolução
emitidas pelas instituições financeiras, de modo a identificar tais incidências, apurar
as diferenças devidas com correção monetária e juros legais, bem como a repetição
do indébito, que seria a restituição em dobro dos valores pagos indevidamente a
maior, consoante artigo 42, parágrafo único, da Lei nº 8.078/90 (Código de Defesa
do Consumidor) (LUCAS, 2014, texto on line).

Revisando sempre a capitalização/anatocismo, comissão de permanência, e as até


mesmo as supostas vendas casadas que estão diretamente ligadas na contratação dos contratos
de financiamento, o perito assistente busca sempre contestar o laudo pericial emitido pelo perito
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oficial, afim de destacar pontos conflitantes para favorecer seu cliente, evitando que ele seja
prejudicado em conclusões que cabem interpretações.
A principal função do Perito Assistente Técnico é elaborar um laudo que ofereça
respostas conclusivas à análise do Perito Judicial. Seu trabalho consiste em
apresentar pontos contraditórios do laudo pericial, sendo estes a base mais
importante para que o juiz possa julgar determinados processos com total
convicção (PERÍCIAS ONLINE, 2020, texto on line).

De acordo com estudo realizado no artigo ‘’ Perícia contábil em contratos de


financiamento’’ a perícia contábil realizada em contratos de financiamentos com foco principal
nas perícias em ações revisionais envolvendo contratos de empréstimo e seu valor contratual
sob o aspecto legal, mergulha na parte técnica, relatando os diferentes tipos de sistemas de
amortização de empréstimos e as suas particularidades. Conclui que o método de amortização
de juros simples é de extrema importância quando a decisão judicial ordena a substituição do
sistema de amortização de um contrato a juros capitalizados ou antecipados, por uma forma de
juros simples, por acaso, onerar a parte hipossuficiente (HOOG, 2007).
Já no que se refere a importância do perito assistente para a defesa das instituições
financeiras, para que ele possa desempenhar com perfeição o seu trabalho é importante que
procure acompanhar todas as diligências realizadas pelo perito do juízo, ou na pior das hipóteses,
antes que o laudo seja concluído, pedir prazo necessário ao perito para examinar as peças do
processo e ter claras em mente as teses jurídicas da parte que o contratou (instituições
financeiras) e da parte contrária, para que possa melhor assessorar a parte, através de seu
procurador, na condução da prova técnica. O papel do Assistente Técnico se transparece chave,
ao passo que é necessário um parecer técnico que aponte os devidos descompassos que
eventualmente podem vir a ocorrer pela parte reclamante.
Com base nos estudos realizados, percebemos a real importância do perito assistente,
nos processos de revisões contratuais e ações revisionais das instituições financeiras,
principalmente nos contratos de empréstimos pelo método da tabela price. Como as ações
revisionais buscam sempre a perfeição nos contratos de financiamento, o perito assistente será
o encarregado de apresentar ao perito contador provas de que não houve nenhum tipo de
irregularidade ou ilegalidade na hora da negociação e contratação dos contratos de
financiamento.
Volume 1, Número 04, 2020

CONSIDERAÇÕES FINAIS

A perícia contábil passou a ser insubstituível, é com base justamente nela que o juízo
toma as decisões finais acerca dos fatos ocorridos. A perícia tem como sua principal finalidade
fornecer elementos de prova para esclarecimento do litigio através do laudo pericial contábil,
emitido pelo profissional qualificado no CRC (Conselho Regional de Contabilidade),
auxiliando assim nas decisões tomadas pelo juiz.
A importância da perícia contábil, e do perito assistente nos processos de ações
revisionais das instituições financeiras, nos financiamentos realizados pelo método da tabela
price, foram devidamente expressos nesta investigação, com o objetivo de analisar os conceitos
de perícia contábil e tabela price a fim de buscar o melhor entendimento e a relação entre elas;
Verificando a importância do perito assistente nas ações revisionais; Demonstrando e
avaliando as principais vertentes utilizadas pelo perito assistente na defesa das ações revisionais
em face das instituições financeiras.
Depreende-se, tão logo, que a presente investigação trouxe elementos teóricos robustos
para demonstrar que o perito assistente possui importância essencial na realização dos
processos de revisão contratual e ações revisionais executadas nas instituições financeiras,
levando em consideração os financiamentos feitos pelo método da tabela price, que é um dos
mais conhecidos e realizados atualmente.
O perito assistente sempre busca apresentar os diferentes tipos de interpretação dos
fatos ocorridos ao perito contábil judicial, a fim de favorecer a parte que o contratou nesse nosso
caso as instituições financeiras, como as ações revisionais buscam sempre a perfeição na
confecção dos contratos de financiamentos para ambos os lados (contratado e contratante), cabe
então ao perito assistente contratado pela instituição, auxiliar na hora das revisões contratuais
possibilitando diferentes tipos interpretação das principais vertentes discutidas que são:
capitalização/ anatocismo, comissão de permanência, e as até mesmo as supostas vendas
casadas, alegadas pela parte contraria, defendendo a natureza que foi tratada na negociação, a
fim de favorecer a parte que o contratou no resultado final da perícia executada.
Portanto, o perito assistente é essencial nos processos de revisão contratual dos
financiamentos pela tabela price e ações revisionais das instituições financeiras, auxiliando e
mostrando ao perito judicial as diferentes possibilidades de interpretação do caso com o intuito
de favorecer a parte que o contratou.
Nesse estudo, fomos capazes de discutir, dentro de critérios científicos e conceituais, a
problemática levantada, uma vez que conhecemos características intrínsecas da perícia contábil
Volume 1, Número 04, 2020

e da tabela price, umas das principais tabelas utilizadas pelas instituições financeiras nos
contratos de financiamentos, demonstrando também a importância do perito assistente nos
processos de revisão contratual e ações revisionais e trazendo a baila uma visão teórica sobre
os temas abordados, tão relevantes para a profissão contábil.
Este investigador, no entanto, entende as limitações do referido estudo, que apenas
problematizou o tema proposto do ponto de vista bibliográfico. Em contrapartida,
compreendemos que tal iniciativa tem o escopo de fomentar outras discussões epistemológicas
da mesma natureza, em sede de graduação e demais níveis, embora é inquestionável a
pertinência da perícia contábil para o nosso meio acadêmico e de trabalho.

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Volume 1, Número 04, 2020

A IMPORTÂNCIA DAS INFORMAÇÕES CONTÁBEIS VOLTADAS PARA AS


MICROEMPRESAS

The importance of accounting information for micro enterprises


La importancia de la información contable para las micro empresas

Vinícius Andrade9
Djalma Brito10

RESUMO

Por haver uma grande representatividade das microempresas no cenário nacional, surgiu-se a
necessidade de se fazer o referido estudo para entender qual é o grau de importância da
contabilidade para a tomada de decisão. O propósito do artigo é a evidenciação da informação
contábil, a sua qualidade e a sua importância na dimensão dos micro negócios, buscando de
forma clara demonstrar que a contabilidade deve ser usada de modo necessário para quaisquer
decisões no meio empresarial, evidenciando benefícios como o auxílio nos números e o que os
mesmos estão representando e se é viável certas decisões para o negócio. O objetivo do estudo
é ressaltar a importância da contabilidade, trazer dados informativos para a empresa ao
interpretar suas demonstrações. A investigação bibliográfica realizada demonstra relevância de
uma contabilidade que é usada de forma macro, ressaltando-a, quando ela é usada não somente
para os fins fiscais, mas, de forma gerencial para um apoio nos momentos decisórios de uma
microempresa.

Palavras-chaves: Informação contábil. Auxílio. Microempresa.

ABSTRACT

Because there is a great representativeness of microenterprises in the national scenario, there


was a need to make this study to understand the degree of importance of accounting for decision
making. The purpose of the article is the evidence of accounting information, its quality and its

9
Graduando em Ciências Contábeis pela FAJ-GO e autor do presente estudo
e-mail: vinicius.andrade704@[Link]
10
Professor vinculado a faculdade de Jussara-Faj, graduado em Ciências Contábeis, especialista em Gestão
Empresarial e de negócios, e-mail: daabrito_13@[Link]
Volume 1, Número 04, 2020

importance in the micro business dimension, clearly seeking to demonstrate that accounting
should be used in a necessary way for any decisions in the business environment, evidencing
benefits such as assistance in numbers and what they are representing and whether certain
decisions for the business are feasible. The aim of the study is to highlight the importance of
accounting, to bring informative data to the company when interpreting its statements. The
bibliographic research carried out demonstrates the relevance of an accounting that is used in a
macro way, emphasizing it, when it is used not only for tax purposes, but in a managerial way
for a support in the decision-making moments of a microenterprise.

Keywords: Accounting information. Aid. Microenterprise.

1 INTRODUÇÃO

O presente artigo tem o fito de dar clareza quanto a contabilidade nas micro
organizações, partindo demonstrar suas influências em um momento decisório importante. A
temática ora em questão demanda pesquisas científicas, pois visa às microempresas como sendo
foco em um cenário de grande relevância para o desenvolvimento nacional.
Com o intuito de oferecer informações importantes, esse artigo busca compreender o
conceito de contabilidade nas microempresas buscando interferir de forma positiva e
significativa, demonstrando o que está no alcance de ser cobrado do contador para um bom
desenvolvimento empresarial, nessa perspectiva, Souza (2002) retrata que o grupo interessado
nas informações contábeis procuram por rentabilidade e também por segurança em seus
investimentos, normalmente os interessados precisam de informações comprimidas que surtam
efeito abrangente, nesse momento o contador precisa não somente gerar às informações, mas
também, interpreta-las à administração, nesse sentido nota-se a contribuição significativa da
figura do contador.
O recorte temático abordado justifica a real importância da informação contábil dentro
das microempresas. Partindo desse pressuposto, analisa-se qual a relevância dessas informações
nos momentos de decisões empresariais, de acordo com Marion (2005, p.25) “contabilidade
pode ser considerada como sistema de informação destinado a prover seus usuários de dados
para ajuda-los a tomar decisão”. Marion traz que a contabilidade tem o propósito de dar auxílio
aos administradores e orienta-los nas tomadas de decisões, visando ele que o momento
decisório é crucial e deve-se optar pela melhor das opções.
Nessa perspectiva, urge a temática de análise de como são as informações contábeis
voltadas para às microempresas.
Volume 1, Número 04, 2020

Por haver números estatísticos que comprovam que as microempresas possuem um


quantitativo maior em percentual (SEBRAE, 2018) cerca de 98,5% das empresas privadas são
microempresas e empresas de pequeno porte, notando tal relevância surge a necessidade de
fazer a análise para averiguar quão importante e útil a informação contábil é para a tomada de
decisão nas microempresas, ou seja, até que ponto a informação contábil pode auxiliar o
microempresário?
Dessa forma, o objetivo geral é analisar como devem ser aproveitadas as informações
contábeis para uma gestão de microempresas mais eficiente.
De tal modo, foram definidos como objetivos específicos: -verificar a importância da
documentação contábil dentro das organizações; -investigar importância das microempresas no
desenvolvimento nacional e a -interferência contábil na tomada de decisões.
Com a real intensão de viabilizar a veracidade, o trabalho desenvolvido traz citações de
âmbito empresarial voltado para às micro e pequenas empresas, pesquisas em sites foram
desenvolvidas com o intuito de trazer dados atualizados sempre filtrando os sites para uma
melhor qualidade e veracidade apontada, toda via em busca da qualidade da informação contida
para esse artigo.

2 REFERENCIAL TEÓRICO

Para uma melhor compreensão do tema abordado, para o referencial teórico foi
escolhido alguns autores para assim dar embasamento e sustentação às palavras comentadas,
todo o artigo visa trazer clareza para o leitor ao usar palavras mais próximas possíveis do
cotidiano com intuito de trazer compreensão ao leitor.

2.1 Conceito de microempresas

Segundo o Sebrae (entre 2017 e 2020, texto online), site especializado em estimular o
empreendedorismo no Brasil, tem-se que o melhor conceito para às microempresas seria
“Sociedade empresária, Sociedade simples, Empresa Individual de responsabilidade limitada
ao empresário, devidamente registrada nos órgãos competentes que aufiram em cada ano uma
receita igual ou inferior a R$360.000,00”. Ou seja, para ser um microempresário é de suma
Volume 1, Número 04, 2020

importância atentar-se a esse número, pois caso exceda, a empresa passa a ser uma EPP
(Empresa de Pequeno Porte) segundo o próprio site.
Para se ter uma ampla compreensão de microempresas e ter definido quais são as suas
principais atribuições, Ribeiro (2014, p.22) destaca que:

Microempresas (ME) são as sociedades empresariais, as simples ou


ainda o empresário, devidamente registrados no registro de Empresas
Mercantis ou no Registro Civil de pessoas jurídicas, conforme o caso,
desde que aufiram, em cada ano-calendário, receita bruta igual ou
inferior a R$ 360.000.

Como visto, a classificação de microempresa possui essa particularidade da quantia de


R$360.000,00 de receita anual máxima que é uma de suas principais características.

2.2 Microempresa e sua Importância no Desenvolvimento Nacional

No ano de 2006, o Presidente da República veio a sancionar a Lei Complementar 123,


que trata sobre às microempresas e empresas de pequeno porte, toda via a lei esclarece sobre a
modalidade de tributação o “Simples Nacional” (LEI COMPLEMENTAR 123, 2006). que por
sua vez é destinado a essas empresas como forma de facilitar para a organização na hora de ser
tributada, de tal modo que simplifica em uma única guia, vale ressaltar ainda que a Lei
Complementar 123 possibilita não apenas facilidade na tributação mas em todo o processo de
abertura da empresa até a sua baixa (ESTRATÉGIA, 2019).
A Lei Complementar n° 123 é voltada para um público específico de empresas que estão
“começando a engatinhar” devido ao fato de atender somente empresas que se enquadrem até
R$4.800.000,00 de receita anual, isso segundo o site abracontabil (2020). Esse valor é um valor
expressivo, porém, no âmbito empresarial representa apenas o limite de uma empresa de
pequeno porte.
Como já observado, a Lei Complementar n°123 é destinada para um público específico,
que por condições momentâneas ou até mesmo por incompetências profissionais, forçam a
empresa a entrar em colapso e, em poucos anos, ela não possui condições suficientes para
continuar a exercer a sua função na sociedade, com isso, salienta-se que cerca de 60% entram
em solvência em até 5 anos em decorrência desses fatores. Isso significa que apenas 4 em 10
permanecem em atividade após o quinto ano de sua natalidade (UOL, 2016).
Volume 1, Número 04, 2020

Os números são assustadores e como mencionado a incompetência administrativa pode


levar à falência do negócio. É necessário ter aptidão suficiente para compreender quais são os
pontos fracos e fortes do cenário em que a empresa está infiltrada, visando erradicar suas
fraquezas e alimentar os pontos fortes. A falta de uma boa administração financeira ocasiona
em desastres empresariais, isso pois, a não distinção entre os patrimônios faz com que a empresa
entre em colapso rapidamente. Souza (2002) retrata exatamente isso, afirmando que o
patrimônio da entidade deve ser contabilizado de forma separada do patrimônio de seus
proprietários, dessa forma o afinco de demonstrar os limites, uma vez que os patrimônios não
devem de forma alguma se fundirem em um só.

2.2.1 Preponderância dos Tributos e Impostos

De acordo com a definição da LEI Nº 5.172(1.966, online) “Tributo é toda prestação


pecuniária compulsória, em moeda ou cujo valor nela se possa exprimir, que não constitua
sanção de ato ilícito, instituída em lei e cobrada mediante atividade administrativa plenamente
vinculada”. Na abrangência dos tributos se encontram entre outros, os impostos, que são
gerados independentes de atividades específicas do estado em relação ao contribuinte (LEI Nº
5.172,1.966), ou seja, não há à necessidade de iniciativa por parte do estado para o fato gerador
dos impostos existir.
Os impostos são formados mediante a constituição federal, que estabelece a quem é o
dever de cumprir com a obrigação tributária. O CTN (Código Tributário Nacional) retrata
perfeitamente quais são os impostos devidos a cada tipo de empresa e seus devidos
enquadramentos, mediante a isso, Iudícibus e Marion (2017, p.354) retratam que “os impostos
cobrados sobre as empresas constituídas no Brasil variam de acordo com o enquadramento
tributário, que tem muitas variáveis determinantes”, evidentemente às microempresas têm um
quantitativo a contribuir, no tópico anterior destaca-se o Simples Nacional, que por sua vez traz
o privilégio da unificação dos tributos em uma única guia para às ME’s e EPP’s.

[Link] Simples Nacional e suas Principais Particularidades

O enfoque do regime tributário, Simples Nacional, é o de simplificar em uma única guia


o pagamento de diversos impostos que são eles: IRPJ; CSLL; PIS; IPI; ICMS; ISS; CPP e
Volume 1, Número 04, 2020

COFINS. “O pagamento do imposto simples é devido mensalmente pelas microempresas e


empresas de pequeno porte inscritas no Simples” (IUDÍCIBUS & MARION, 2017, P.376). Sua
alíquota não é um percentual estabelecido, o que vai variar de acordo com o ramo de atividade
que a empresa exerce.

[Link] Evasão Fiscal e Elisão Fiscal

Também conhecida como sonegação de tributos, a Evasão fiscal visa burlar a lei e seus
decretos a fim de benefício próprio, toda via essa prática é reconhecida como crime devido ferir
o funcionamento do sistema tributário e consequentemente a economia nacional. Essa prática
pode surgir com uma menor ou uma maior intensidade, geralmente essa prática é sobre
consciência e intenção de se beneficiar ou beneficiar a entidade, dessa forma o fisco é
prejudicado.
A venda de mercadoria com um preço inferior na nota fiscal é um exemplo de prática
de evasão, pois dessa maneira sua receita perante o fisco ficará menor ocasionando em uma
tributação inferior ao que realmente deveria ser, esse exemplo é uma prática ilícita que poderá
gerar multas e agravos maiores (LEI N°4.729, 1.965).
Pertencente ao planejamento tributário, a Elisão Fiscal possibilita que seja possível as
empresas diminuírem seus tributos sem auferir pra si práticas ilícitas como na Evasão Fiscal,
exemplo de Elisão é o próprio Simples Nacional uma vez que as empresas que se enquadram e
o adotam tem uma carga tributária inferior, a Elisão é uma prática adotada por lei que beneficia
principalmente as microempresas levando em consideração seu faturamento anual.

2.2.2 Contribuição Das Microempresas

Segundo o Sebrae (entre 2018 e 2020, texto online) os pequenos negócios no Brasil
representam cerca de 52% dos empregos de carteira assinada, partindo desse fato é notório
tamanha relevância para o desenvolvimento do país, as informações foram apuradas até o ano
de 2011, o site usa dados do IBGE dando base para sua pesquisa. Como visto às microempresas
possuem uma valia muito grande para o progresso brasileiro, demonstrando sua real
Volume 1, Número 04, 2020

importância no tocante à geração de empregos, como visto mais da metade dos trabalhadores
que possuem carteira assinada trabalham em pequenas organizações.

2.3 Controle contábil e controle administrativo

O controle contábil deve ser visto como uma ferramenta de apoio essencial, pois às
empresas segundo Crepaldi (2011, p.03) “necessitam de controles precisos e de informações
oportunas sobre seu negócio para adequar suas operações às novas situações de mercado”.
Evidentemente esse controle deve ser o mais eficaz possível para garantir que os
administradores possam usufruir do máximo que o controle contábil seja capaz de oferecer.
Para a viabilidade do negócio empresarial continuar atrativo é de grande relevância que
haja um profissional que seja capacitado e que esteja sempre apto a exercer essa função, a fim
de estabelecer, ou ao menos auxiliar qual será o melhor caminho a ser seguido, geralmente esse
cargo de viabilizar as possibilidades nos pequenos negócios ficam em posse do contador que
deve se tornar um braço direito para o microempresário. A figura do contador pode ficar com a
responsabilidade de fazer análises do negócio pelo fato da possibilidade de o microempresário
não ter essas noções, já que para empreender não há obrigatoriedade de um curso preparatório.
É observável que a figura de um contador fica indispensável para o sucesso de uma
empresa. Segundo Souza (2002, p.37), partilhando deste entendimento, afirma que:

Em geral, o objetivo das informações contábeis de uma empresa


comercial é idêntico aos objetivos das informações contábeis de
empresas de qualquer ramo. As informações visam (1) ao controle_
processo pelo qual a alta administração da empresa certifica-se se as
metas traçadas estão sendo alcançadas; (2) à comunicação_ tendo as
demonstrações contábeis grande importância para a informação a
respeito dos planos e ações que a administração irá traçar para a
organização; (3) à motivação_ em que a responsabilidade da
administração consiste em saber se o trabalho está sendo executado
pelos empregados, sendo imprescindível a motivação para que os
“outros” façam o que a administração deseja que faça; (4) à
verificação_ que consiste na necessidade de avaliação do trabalho
executado pelos empregados; e (5) ao planejamento_ que visa mostrar
exatamente qual o ramo que será dado aos negócios da organização.

Partindo do pretexto usado por Souza (2002), nota-se que a contabilidade é útil em toda
a abrangência da organização, o autor salienta que o objetivo da informação contábil quanto ao
controle é justamente fazer observações quanto às metas que foram estabelecidas pela a própria
Volume 1, Número 04, 2020

organização. Nesse momento a figura do contador pode contribuir com o alcance das metas
observando a situação que a organização se encontra.
Ainda analisando as observações feitas por Souza (2002), é perceptível que as
informações contábeis contemplem até mesmo a respeito da motivação dos colaboradores, o
autor afirma que está na obrigação da entidade manter seus colaboradores motivados, pois dessa
forma irão desempenhar com mais eficiência seus deveres, contribuindo de forma significativa
com o bom desempenho da entidade.
Se por um lado a figura do contador é relevante para o sucesso da organização, do outro
lado na administração, deve sem dúvidas haver um profissional que esteja apto a compreender
pelo menos duas grandes vertentes da administração: Planejamento e Controle.
Segundo PIZZOLATO (2.000), o planejamento pode ser compreendido como ato de
tomar decisões e esperar no futuro suas consequências. Para qualquer organização é
fundamental estabelecer um bom planejamento, o estabelecimento de metas a curto e longo
prazo são essenciais para a organização. Como visto o planejamento consiste na fase de tomar
decisões, essa fase de tomar decisões é uma fase extremamente delicada quando se trata de uma
microempresa, isso pois, uma decisão mal tomada pode custar tão caro que pode chegar ao
ponto de falência.
Na conceituação de controle Pizzolato (2.000, p.03) define:

[...] controle é o procedimento pelo qual a gerência verifica se a


organização está agindo de acordo com os planos traçados e alcançando
os padrões de desempenho estabelecidos. Assim, todo controle
pressupõe a elaboração anterior de algum planejamento, o qual deve ser
posteriormente monitorado, de forma que seu desempenho efetivo
possa ser acompanhado, responsabilidades estabelecidas e eventuais
medidas corretivas tomadas a tempo.

Como Pizzolato citou, que o controle é uma fase anterior ao planejamento e deve ser
monitorada constantemente, foi visto até aqui que o controle administrativo possui o
procedimento de verificação, essa verificação é muito importante para a organização pois com
ela é notado se há necessidade de se fazer novos ajustes para conseguir efetuar com êxito o
planejamento. Nesse momento, o administrador deverá observar principalmente suas fraquezas
empresariais, pois com as influências externas, talvez haja a necessidade de se fazer mudanças
para não perder a eficiência do controle anteriormente estabelecido.

2.4 Importância da Documentação Contábil


Volume 1, Número 04, 2020

De acordo com Bazzi (2015), as informações necessárias para a administração estão


disponíveis nos relatórios, onde os mesmos devem conter dados relevantes. O real destaque da
contabilidade sem dúvidas é às informações que são geradas para os seus usuários, informações
essas que postas e organizadas em relatórios, Marion (2005, p.39) conceitua relatório contábil
como:

Relatório contábil é a exposição resumida e ordenada de dados colhidos


pela contabilidade. Objetiva relatar às pessoas que se utilizam da
contabilidade (usuários da contabilidade) os principais fatos registrados
pela contabilidade em determinado período. Os relatórios contábeis são
também conhecidos por informes contábeis. Entre os relatórios
contábeis, os mais importantes são as demonstrações financeiras [...] ou
demonstrações contábeis (terminologia preferida pelos contadores).

Marion (2005) retrata o conceito de relatório contábil, são através dos relatórios
contábeis que os usuários são capazes de promover comparações entre exercícios diferentes,
por exemplo:

2.4.1 Balanço Patrimonial

Marion (2005) destaca que a principal demonstração contábil é o Balanço patrimonial,


define que é uma demonstração que visa refletir por um momento específico como é a situação
da empresa. Para representar de forma fidedigna, os dados colocados assim como em outras
demonstrações devem ser verdadeiros buscando sempre representar a real situação patrimonial
da entidade.
Referindo ao balanço, Souza (2002, p.40) afirma que essa demonstração “fundamenta-
se [...] por um equilíbrio constante” esse equilíbrio citado é justamente retratado entre o Ativo,
Passivo e o Patrimônio Líquido da empresa, em que o ativo deve conter exatamente o mesmo
valor que o passivo e PL (Patrimônio Líquido) somados.
Para uma maior compreensão entre Ativo, Passivo e PL, Pizzolato (2000, p.10) define
tais conceitos como:

De acordo com o princípio da igualdade contábil, o Ativo é igual ao


Passivo mais o Patrimônio Líquido. O ativo [...] registra como a
empresa aplicou seus recursos, os quais costumam ser denominados
conjuntos de bens e direitos. Os bens são itens materialmente tangíveis
como: terrenos, prédios, maquinas, instalações, veículos, matérias-
Volume 1, Número 04, 2020

primas, produtos acabados, entre outros; enquanto direitos são


documentos com força legal como: contas a receber, títulos de
propriedade, direitos de uso, patentes, contratos de serviços, aplicações
financeiras etc.
Já o lado direito da igualdade contábil indica a origem dos recursos da
empresa, que podem ser de dois tipos: o Passivo, ou recursos oriundos
de terceiros, representando obrigações da empresa com pessoas ou
entidades externas a ela, e o Patrimônio Líquido, ou situação líquida,
indicando os recursos da empresa provenientes de seus proprietários.
Frequentemente a palavra Passivo é usada no sentido conjunto de
Passivo mais Patrimônio Líquido.

Tais definições tragas pelo autor refletem sobre a equação contábil que é definida com
essa igualdade entre os três conceitos apresentados.

2.4.2 Demonstração do Resultado do Exercício

Após todos os lançamentos no Livro Razão no término do exercício antes de elaborar o


BP realiza-se a Demonstração do Resultado do Exercício a “DRE” esse demonstrativo se faz
útil devido a possibilidade de análises, pois aqui se apresenta um prévio resumo de todo o
exercício social que se finda. Souza (2002) confirma isso afirmando que a DRE tem a finalidade
de demonstrar o total das receitas da empresa, e de forma dedutiva vai se reduzindo os custos e
as despesas de forma agrupada e por categoria.
A DRE pode ser utilizada para embasamentos de planejamentos, como já visto os
planejamentos são elaborados com a intenção de ter consequências positivas ao longo de
exercícios futuros, a DRE contribui por demonstrar exatamente o confronto das receitas,
despesas, tributos e por fim seu lucro ou prejuízo; a partir dessa contribuição advinda da DRE
planejamentos podem ser traçados, e com o passar dos períodos o microempresário irá
verificando o controle para analisar as possíveis mudanças externas e internas afim de promover
algumas mudanças que serão necessárias para se alcançar êxito em seu planejamento que
outrora definido.

2.4.3 Notas Explicativas

Em definição às Notas Explicativas a Lei 6.404 (1976) conclui “As demonstrações serão
complementadas por notas explicativas e outros quadros analíticos ou demonstrações contábeis
necessárias para esclarecimento da situação patrimonial e dos resultados do exercício”.
Volume 1, Número 04, 2020

Todavia, as demonstrações contábeis são baseadas em números para uma representação


de sua situação em um determinado momento como já foi visto anteriormente, porém em
determinadas circunstâncias apenas números não são suficientes para uma boa interpretação,
há uma necessidade de informações qualitativas para retratar por extenso particularidades que
o Balanço é incapaz de explicar, exemplo disso é justamente a forma que é depreciado o
imobilizado ou o método utilizado nos estoques, PEPS para esse e Método Linear para aquele,
a título de exemplos.

2.5 A Interferência Contábil nas Tomadas de Decisões

O mundo tem se atualizado dia após dia e no meio empresarial não é diferente, visto
que a qualidade de uma gestão interfere diretamente na competitividade de uma empresa, a
qualidade de gestão está interligada diretamente com a qualidade e tempestividade da
informação contábil, ressaltando que a tempestividade é um elemento que pode definir a
intensidade da qualidade dessa informação.
Em relação ao desenvolvimento Crepaldi (2011, p.15) ressalta que:

O momento atual caracteriza-se com uma intensidade de mudanças


significativas como o desenvolvimento tecnológico, o aumento da
competitividade a complexidade do ambiente econômico e a
globalização, colocando as empresas diante de novos desafios.
A administração com pressões competitivas leva as empresas a
obtenção de novas formas de vantagens competitivas, caracterizadas
por intensos e contínuos esforços [...].

A citação cima tem o aproveito de fazer destaque da utilidade da informação contábil


quando ela é aproveitada de forma macro, pois em meio as pressões competitivas o contador
viabiliza as possibilidades trazendo vantagens e minimizando os riscos de ameaças externas e
buscando o aumento de competitividade.
Segundo Bazzi (2015, p.48) essas informações servem como balizamento para algumas
ações do negócio como:
• Orientação para o desenvolvimento de rotinas administrativas e
operacionais;
• Implantação ou modernização dos controles internos;
• Busca da eficiência e eficácia do processo produtivo;
• Melhor relacionamento com os clientes internos e externos;
• Nova visão de suprimento de serviços e materiais necessários;
• Satisfação dos clientes e fornecedores;
Volume 1, Número 04, 2020


Determinação dos rumos da organização e dos caminhos para o
atingimento das metas propostas no planejamento.
O momento em que o microempresário necessita tomar uma decisão em relação ao seu
pequeno negócio é tido como um momento de muita importância, todavia a relevância de um
acerto se torna primordial para que seu negócio continue competitivo, é nesse instante que a
figura do contador pode se tornar uma peça primordial para que esse acerto seja mais provável.
Porém, na prática nem sempre é assim, como mencionado em tópicos anteriormente, os
índices mostram que seis em dez empresas fecham nos primeiros cinco anos de existência,
muitas dessas organizações se solidificam devido à má gestão empresarial, ou ainda, por não
usar de forma essencial à contabilidade, não tornando-a como um “braço direito” para um
melhor aproveito dentro da organização. Marion (2005, p.24) retrata exatamente isso ao afirmar
que:

Observamos com certa frequência que várias empresas, principalmente


as pequenas, têm falido ou enfrentam sérios problemas de
sobrevivência. Ouvimos empresários que criticam a carga tributária, os
encargos sociais, a falta de recursos, os juros altos etc., fatores esses
que, sem dúvida, contribuem para debilitar a empresa. Entretanto,
descendo fundo em nossas investigações, constatamos que, muitas
vezes, a “célula cancerígena” não repousa nessas críticas, mas na má
gerência, nas decisões tomadas sem respaldo, sem dados confiáveis. Por
fim observamos, nesses casos, uma contabilidade irreal, distorcida, em
consequência de ter sido elaborada única e exclusivamente para atender
às exigências fiscais.

Uma contabilidade usada somente para fins fiscais, é uma contabilidade que não está
sendo proveitosa de modo máximo, todavia essa concepção que a contabilidade é apenas para
atender às exigências fiscais faz com que a organização sofra consequências devastadoras.
Para Crepaldi (2011, p.38) “ o alvo da empresa é o maior lucro possível, conciliável
com seu crescimento a longo prazo e também com o bem-estar da coletividade, mediante o
atendimento das suas necessidades”, a contabilidade possui um papel extremamente importante
no tocante ao crescimento da organização pois ela tem a capacidade de munir a empresa com
informações com a intenção de atender suas necessidades, vale ressaltar que essas necessidades
são constantes daí a clareza de uma boa contabilidade para auxílio no micro negócio.
Um bom contador contribuirá legalmente para que os custos gerais se amenizem ao
máximo possível tornando para o empresário uma espécie de investimento, isso pois o momento
decisório e o corte de gastos de forma legal são fundamentais para o bom progresso empresarial,
o contador que é tido como “uma despesa” pela empresa, as investidas decisórias tendem não
Volume 1, Número 04, 2020

possuir participações contábeis, evidentemente os acertos caem drasticamente pois os dados


assertivos da contabilidade não foram usados aumentando a possibilidade de erros.
A contabilidade se torna indispensável para o sucesso decisório da organização, isso
pois busca alertar o microempresário sobre problemas através de análises feitas, ou seja, o
contador consegue contribuir com um olhar mais aprofundado aos números, atentando-se aos
detalhes das análises e, dessa forma, proporciona ao gestor informações como a sua capacidade
de pagamento, sua lucratividade por produto fabricado ou revendido. Segundo Ávila (2012) é
importante destacar que às análises são feitas sempre utilizando dois ou mais exercícios a título
de comparações, para o autor a análise de um único exercício não surte com o efeito desejado.
A organização que optar em utilizar a contabilidade de forma totalmente proveitosa, se
deparará com um documento específico, o relatório de análise, esse material elaborado deve
conter um parecer amplo da empresa em relação a sua situação econômico-financeira. Esse
material deve ser elaborado sempre que for solicitado de acordo com as necessidades de seus
usuários (ÁVILA, 2012). De forma objetiva, o relatório de análise servirá para embasar o
planejamento e o controle.
Através de análises robustas, o contador poderá contribuir em um momento decisório
de uma compra de um imobilizado por exemplo. Através de índices que indicarão se é um
momento apropriado para tal desembolso, ou ainda, se é viável efetuar a compra em duplicatas.
O índice de liquidez corrente pode dar uma ideia em relação a compra do imobilizado,
levando em consideração seu resultado, ÁVILA (2012, p. 202) diz que: “a fórmula é o valor do
ativo circulante dividido pelo valor do passivo circulante”, caso for maior que “1” a empresa
tem uma certa folga em relação as suas obrigações do curto prazo e com isso pode continuar a
averiguar as possibilidades de efetuar a compra, caso for menor que “1” talvez não seja o
momento ideal de comprar pois o resultado do índice está indicando que suas obrigações no
curto prazo já estão superiores que seu ativo circulante, evidentemente talvez não seja o
momento mais propicio para uma aquisição, mas de qualquer modo essa aquisição não deve
levar em consideração somente esse índice.

3 CONSIDERAÇÕES FINAIS

O trabalho destacou através de pesquisas que, boa parte do aglomerado de micro


empresas não se apropriam da contabilidade de forma ampla, usando-a somente para fins
fiscais, chegando a um percentual de solvência de 60% em apenas cinco anos. Marion (2007)
Volume 1, Número 04, 2020

pondera que a função do contador foi distorcida apenas para atender o fisco, dessa forma
conclui-se que a contabilidade é uma ferramenta primordial para que uma organização perdure
no tempo, mas com um nível de eficiência não utilizado.
Diante dos estudos ora analisados, observa-se que a contabilidade é uma ferramenta de
grande importância não somente para fins fiscais, mas também, nos momentos decisórios.
Releva-se que a informação contábil é uma chave essencial para a organização, uma vez que
essa a utilize de forma mais proveitosa possível. A organização que opta em usar a
contabilidade para fins gerenciais e utilizar de forma abrangente as suas informações encontra
um forte apoio que, além de identificar os números, também os interpreta, pois é através dessa
funcionalidade do contador que a empresa encontrará auxílio para permanecer competitiva.
O propósito desse trabalho foi alcançado, pois seu objetivo era compreender a
importância da informação contábil dentro das micro organizações, e consequentemente
procurar a relevância que a contabilidade tem quando uma decisão precisa ser tomada. E, no
trabalho investigativo proposto, encontra-se de forma clara que o contador não possui uma
grande participação nesse momento decisório, o que tem ocasionado em uma gestão não tão
eficiente, o que deveria ser diferente, pois as microempresas contribuem de forma significativa
com desenvolvimento do país, e com esse alto índice de solvência, o índice de desemprego
também aumenta, posto que dados anteriormente apontados mostraram que mais da metade dos
trabalhadores desenvolvem suas atividades em microempresas.
A participação com informações contábeis nas tomadas de decisões foi evidenciada
como não tão presente o que tem ocasionado em desastres nas organizações, como Marion
(2007) afirma que a contabilidade foi distorcida para atender somente o fisco e as leis
trabalhistas, removendo dessa forma a principal utilidade do profissional da contabilidade que
é o auxílio constante. Conclui-se que a contabilidade e suas informações são extremamente
necessárias para o progresso empresarial, mas infelizmente não tem sido ocupada de sua
principal função deixando boa parte de sua capacidade de lado.

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Volume 1, Número 04, 2020

O AUXÍLIO DA CONTABILIDADE PARA A TOMADA DE DECISÕES: Um estudo


teórico

Accounting assistance for decision-making: a theoretical study


Asistencia contable para la toma de decisiones: un estudio teórico

Heloisa Alves Mesquita11


Denise Gomes Barros Cintra12

RESUMO

O presente artigo demonstra o auxílio da contabilidade para a tomada de decisões, torna claro
a contribuição da contabilidade como meio de informações para o processo de tomada de
decisões, mostrando também como a modernidade vem proporcionando melhoras para os
gestores. Evidencia a importância do contador que tem um papel de tamanha importância,
podendo controlar as informações que auxiliam na tomada de decisão. Tornou-se mais
complexo a organização da gestão de uma empresa e com isso surgiu a necessidade de um
sistema mais apropriado para uma administração gerencial eficiente, a controladoria então
juntamente com o profissional da controladoria passou a ocupar essa tarefa dentro das
empresas, tendo o papel de organizar e controlar a gestão administrativa e econômica, trazendo
inúmeras vantagens como, decisões eficientes, estratégias comerciais e a redução de custos.
Toda empresa tem seu propósito, e o administrador que visa o crescimento e lucratividade de
sua empresa necessita da contabilidade. A contabilidade controla todas as despesas e custos,
verificando se a empresa está tendo lucro ou prejuízo, com isso a contabilidade é considerada
uma ferramenta de gestão empresarial. O sistema de informação contábil concentra-se em
fornecer informações para contribuir na tomada de decisões, desta forma o sistema de
informação contábil é utilizado pela instituição para acelerar o processo de tomada de decisões,
oferecendo informações oportunas. A metodologia deste trabalho baseia-se em pesquisas de
livros, artigos científicos e sites, desta forma o estudo demonstra que a contabilidade
proporciona resultados positivos a uma empresa, suas informações são de suma importância
para a gestão, levando a empresa a um crescimento econômico e direcionando-a tomar decisões
importantes.

Palavras-chave: Contabilidade. Tomada de decisões. Controladoria.

11
Discente do curso de Ciências Contábeis da Faculdade de Jussara – FAJ. E-mail: heloisaam08@[Link]
12
Coordenadora do Curso de Ciências Contábeis da FAJ - Jussara. E-mail: denise@[Link]
Volume 1, Número 04, 2020

ABSTRACT
This article demonstrates the aid of accounting for decision making, makes clear the
contribution of accounting as a means of information for the decision making process, also
showing how modernity has been providing improvements for managers. It highlights the
importance of the accountant who plays such an important role, being able to control the
information that helps in decision making. It became more complex the organization of the
management of a company and with this came the need for a more appropriate system for an
efficient management administration, the controller then together with the professional
controller started to occupy this task within the companies, having the role of organizing and
controlling the administrative and economic management, bringing numerous advantages such
as efficient decisions, commercial strategies and cost reduction. Every company has its purpose,
and the administrator who aims at the growth and profitability of your company needs
accounting. Accounting controls all expenses and costs, verifying if the company is having
profit or loss, with that accounting is considered a business management tool. The accounting
information system focuses on providing information to contribute to decision making, thus the
accounting information system is used by the institution to accelerate the decision making
process, offering timely information. The methodology of this work is based on researches of
books, scientific articles and websites, this way the study demonstrates that accounting provides
positive results to a company, its information is of paramount importance for management,
leading the company to an economic growth and directing it to make important decisions.
Keywords: Accounting. Decision making. Controlling.

1 INTRODUÇÃO

Sabe-se que a contabilidade tem um papel essencial para a empresa, contribuindo como
um instrumento de analise, ela fornece informações fundamentais aos gestores, fazendo com
que haja uma ampla visão sobre o ponto de vista empresarial, através dos dados e informações
que são gerados pela contabilidade é possível tomar decisões corretas.
É de grande importância o apoio contábil relacionado ao funcionamento das empresas
em geral, é necessário que as atividades estejam em completa sintonia com seu ciclo
operacional e processo de tomadas decisões, para que assim possa evitar possíveis prejuízos
operacionais e financeiros.
A modernidade propicia uma reflexão cada vez mais profunda sobre o desenvolvimento
da empresa, buscando um aperfeiçoamento constante dos mecanismos a serem usados para
alcançar resultados positivos. A contabilidade então, traz, informações que auxilia cada vez
mais os gestores, contribuindo para que a empresa alcance seus objetivos e aumente o nível de
organização.
A contabilidade traz conhecimentos de grande importância nas Demonstrações Contábeis
como o balanço patrimonial, ele mostra a posição patrimonial e financeira, ou seja, a saúde
Volume 1, Número 04, 2020

financeira da empresa. O desempenho fica a cargo da demonstração do resultado. E as mutações


na posição financeira são fornecidas pela demonstração dos fluxos de caixa.
Vivenciamos uma realidade em que o crescimento de novas tecnologias se tornou
essencial, principalmente para as empresas. Trouxe também uma nova era na contabilidade que
presta informações aos seus usuários de certa forma que propiciam decisões racionais,
proporciona uma busca de novos caminhos para ter vantagens em um ambiente cada vez mais
competitivo.
É possível ver as mudanças em que empresas de todo o mundo estão passando na forma
de gerenciar seus negócios. Existe um cenário de muita concorrência e a grande velocidade em
que ocorrem as mudanças, isso demonstra uma realidade de produtos com ciclo de vida cada
vez menores, constantes inovações e a exigência dos consumidores cada dia maiores.
A investigação ora apontada tem como problemática: Que implicações há por parte do
auxílio da contabilidade no que se refere à tomada de decisões de uma empresa, mormente
quanto a sua estabilidade, crescimento e manutenção?
Desta maneira, o objetivo geral deste estudo é apresentar dados que demonstrem os
benefícios do auxílio da contabilidade para a tomada de decisão, sua importância e as vantagens
que a contabilidade traz para as empresas. Parte-se do pressuposto de que a contabilidade é de
fundamental importância para a tomada de decisão, pois ajuda cada vez mais os gestores diante
de tantas inovações.
No que tange aos aspectos metodológicos, esta é uma pesquisa qualitativa, de cunho
bibliográfico. Segundo Godoy (1995), esta abordagem procedimental de pesquisa faz com que
um fenômeno possa ser investigado em profundidade no contexto em que está inserido,
devendo ser analisado num panorama integrado. Para atingir seus objetivos, o investigador
capta o fenômeno averiguado a partir de uma contextualização dos personagens ali envolvidos,
em que o objetivo é “compreender os fenômenos através da coleta de dados narrativos,
estudando as particularidades e experiências individuais” (DIANA, 2019, texto digital). A
referida investigação faz uma compilação a partir de uma seleção bibliográfica, uma vez que
aborda uma análise epistemológica de estudos e pesquisas realizadas e disponibilizadas em
artigos, teses, monografias, dissertações publicadas em meios físicos ou digitais (MARCONI;
LAKATOS, 2008).
Volume 1, Número 04, 2020

2 REFERENCIAL TEÓRICO

A seguir, veremos algumas considerações teóricas a respeito do cenário da


Contabilidade e a necessidade de tomadas de decisões dentro das empresas, dialogando com
autores acerca da problemática ora apontada.

3 EMPRESA

Uma empresa é formada por pessoas e recursos financeiros, a empresa visa fins
lucrativos por isso ela é constituída para exploração de atividades econômicas, seja agrícola,
industrial, mercantil ou prestação de serviços.
Nas lições do Giuseppe Ferri citado na obra de Rubens Requião (2003, p.49):

A empresa é um organismo econômico, isto é, se assenta sobre uma organização


fundada em princípios técnicos e leis econômicas. Objetivamente considerada,
apresenta-se como uma combinação de elementos pessoais e reais, colocados em
função de um resultado econômico, e realizada em vista de um intento especulativo
de uma pessoa, que se chama empresário. Como criação de atividade organizativa do
empresário e como fruto de sua ideia, a empresa é necessariamente firmada à sua
pessoa, dele recebendo os impulsos para seu eficiente funcionamento.

Mediante o exposto entende-se que a empresa se apresenta como uma junção de vários
elementos pessoais e reais, e feita em vista de um intento que se chama empresário. Ela se
assenta sobre um sistema fundado em princípios técnicos e leis econômicas que são colocados
em função de um resultado econômico.
Para Crepaldi (1998), uma empresa é uma associação de pessoas para a exploração de
um negócio que produz e/ou oferece bens e serviços, com vistas, em geral, à obtenção de lucros.
Seguindo esse mesmo pensamento, Cassarro (1999) coloca que uma empresa é uma entidade
jurídica que tem como obrigação apresentar lucro, e este deve ser suficiente para permitir sua
expansão e o atendimento das necessidades sociais.
Segundo Kinlaw (1998), a empresa é a força contemporânea mais poderosa de que se
dispõe para estabelecer o curso dos eventos da humanidade. Ela transcende as fronteiras e os
limites do nacionalismo, exercendo influência predominante nas decisões políticas e sociais.
Volume 1, Número 04, 2020

De acordo com Franco (1991), empresa é toda entidade constituída sob qualquer forma
jurídica para exploração de uma atividade econômica, seja mercantil, industrial, agrícola ou de
prestação de serviços.
Nessa estrutura a empresa deve ser interpretada como um escritório central que
administra todos os escritórios divisionais, que por sua vez são responsáveis por uma linha de
produtos ou por uma determinada área geográfica, assim, “a estrutura multidivisional foi a
resposta administrativa ao crescimento baseado na maior utilização dos recursos físicos e das
capacidades organizacionais da empresa” (CHANDLER, 1998, p.340).
Em seguimento a definição de empresa, é necessário que se entenda os subsistemas
empresariais que são os elementos ou etapas que compõe um sistema, onde todos os
subsistemas são interdependentes, ou seja, se falhar um o restante ficará prejudicado, deste
modo o sistema não irá funcionar normalmente e a meta almejada não será cumprida.

3.1 Subsistemas empresariais

Os subsistemas fornecem informações das atividades desenvolvidas e dos resultados


obtidos em diversas áreas de uma empresa, existem seis subsistemas que são:
Segundo Guerreiro (1995) “O subsistema institucional, faz uma leitura da empresa
como um investimento de seus fundadores na busca de realizar expectativas e objetivos, tanto
na implantação da entidade no desenvolvimento e desdobramentos. Portanto, esse subsistema
representa o conjunto de crenças e valores que permeiam a organização, formado a partir das
crenças e valores dos proprietários e dos dirigentes da empresa”.
Arantes (1994) afirma que o subsistema social é formado pelas influências decorrentes
do ser individual e coletivo dentro da empresa, ou o conjunto de pessoas da organização, suas
características morais e culturais.
Subsistema organizacional refere-se à estrutura de organização da empresa. Contempla
a forma pela qual a empresa agrupa as suas diversas atividades em departamentos, a definição
da amplitude administrativa, o grau de descentralização desejável, o problema de autoridade e
responsabilidade, entre outros diversos aspectos relacionados (ARANTES,1994, texto digital).
Subsistema de gestão: abrange o funcionamento global do sistema pois define “o
processo administrativo ou processo de planejamento, execução e controle das atividades
empresariais. Diz respeito fundamentalmente ao processo decisório da empresa no sentido de
que ela atinja os seus propósitos” Guerreiro (1995).
Volume 1, Número 04, 2020

De acordo com Guerreiro (1989) “o subsistema de informação, equivaleria à seiva


nutritiva de todo o organismo, ele é o conjunto de elementos que objetiva fundamentalmente
gerar informações para apoio à execução das atividades operacionais, bem como às fases de
planejamento e controle do subsistema de gestão”.
Subsistema físico: constitui a parte materializada do empreendimento, ou seja, o que há
de concreto excetuando-se as pessoas. Mais tecnicamente é constituído pela quase totalidade
do ativo imobilizado da entidade (CATELLI, 1995, texto digital).
Desse modo, observa-se que os subsistemas empresariais agem juntos fazendo com que
a empresa se desenvolva melhor, tendo um funcionamento estruturado para que a empresa
possa atingir seus objetivos. Deste modo, os subsistemas empresariais contribuem também
gerando informações que servem de apoio para o desempenho de atividades operacionais.

3.2 Controladoria

A controladoria é um importante aliada da gestão das empresas. É ela quem irá reunir e
analisar os dados de todos os departamentos da empresa, em especial da contabilidade, e
transformá-los em relatórios que serão usados por gestores nas tomadas de decisões:

O órgão administrativo Controladoria tem por finalidade garantir informações


adequadas ao processo decisório, colaborar com os gestores em seus esforços de
obtenção da eficácia de suas áreas quanto aos aspectos econômicos e assegurar a
eficácia empresarial, também sob aspectos econômicos, através da coordenação dos
esforços dos gestores das áreas (ALVES; FISH; MOSIMANN, 1993, p. 81).

Segundo Oliveira (1998, p.19), um setor de controladoria bem organizado é capaz de


melhorar o desempenho dos gestores e da eficácia e eficiência das unidades através de
atividades como o monitoramento dos controles gerenciais e apontamento de possíveis
deficiências em setores específicos. Com as deficiências encontradas fica mais fácil para cada
setor isolar o problema e criar medidas preventivas para sanar o mesmo:

Os modernos conceitos de administração e gerência entendem, por sua vez, que uma
controladoria eficiente e eficaz deve estar capacitada a organizar e reportar dados e
informações relevantes e exercer uma força capaz de influir nas decisões dos gestores
da entidade (OLIVEIRA, 1998, p.19).

Segundo Oliveira (1998, p. 21) “A controladoria faz parte da rotina de empresas de


todos os portes, no entanto, pode haver variação de funções e atividades de empresa para
empresa, e isto depende de diversos fatores como: porte das empresas, diversificação de
Volume 1, Número 04, 2020

atividades, centralização ou descentralização da administração, quantidade de fábricas e filiais


etc”.
De acordo com Figueiredo e Caggiano (1997) apud Schier (2011, p.45), as
responsabilidades e as atividades básicas da controladoria podem ser caracterizadas da seguinte
forma:

1 Planejamento: estabelecer e manter um plano integrado para as operações


consistentes com os objetivos e as metas da companhia, a curto e longo prazo.
2 Controle: desenvolver e revisar constantemente os padrões de avaliação de
desempenho para que sirvam como guias de orientação aos outros gestores no
desempenho de suas funções assegurando que o resultado real das atividades esteja
em conformidade com os padrões estabelecidos.
3 Informação: preparar, analisar e interpretar os resultados financeiros para serem
utilizados pelos gerentes no processo de tomada de decisão.
4 Contabilidade: delinear, estabelecer e manter sistema de contabilidade geral e de
custos em todos os níveis da empresa.
5 outras funções: administrar e supervisionar cada uma das atividades que impactam
o desempenho empresarial.

Desta forma, Borinelli (2006) apud Bruni e Gomes (2010, p.16) define a controladoria
como “Um conjunto de conhecimentos que se constituem em bases teóricas e conceituais de
ordem operacional, econômica, financeira e patrimonial, relativas ao controle dos processos de
gestão organizacional”.
Deste modo a controladoria e de suma importância para a organização, sua principal
missão é permitir aos gestores verificar os fatos e os dados organizacionais para que possa
aprimorar a tomada de decisão, a controladoria age em uma empresa preservando o seu bom
funcionamento, e empenhando no controle financeiro da empresa.

3.3 Controladoria como órgão de gestão empresarial

Villas Boas (2000, p.61) define a controladoria, enquanto órgão administrativo, como
sendo:

Um órgão da empresa que possui uma estrutura funcional formada por conceitos e
técnicas derivadas da Contabilidade, Economia e Administração para desenvolver as
atividades contábeis, fiscais e administrativas e/ou funções relacionadas com o
Planejamento Estratégico, Tático e Operacional, o Orçamento Empresarial e o
Sistema de Custos para avaliação e controle das operações e dos produtos, objetivando
a geração de informações úteis e necessárias aos gestores para as tomadas de decisão
na busca da eficácia empresarial.

Para Catelli (1999, p.345), a controladoria, como unidade administrativa é o “... órgão
aglutinador e direcionador de esforços dos demais gestores que conduzam à otimização do
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resultado global da organização”. Concordando com Catelli, Mosimann & Fisch (1999, p.88)
afirmam que a controladoria:

Tem por finalidade garantir informações adequadas ao processo decisório, colaborar


com os gestores em seus esforços de obtenção da eficácia de suas áreas quanto
aspectos econômicos e assegurar a eficácia empresarial, também sob os aspectos
econômicos, por meio da coordenação dos esforços dos gestores das áreas.

O processo de gestão, segundo Beuren & Moura (2000, p.65) é que viabiliza a
otimização de resultados a fim de garantir a sobrevivência da empresa. A controladoria presta
assistência ao processo de gestão empresarial como responsável pelo sistema de informações.
O processo de gestão empresarial, segundo Mosimann & Fisch (1999, p.114) divide-se em três
fases:

a) planejamento: nessa fase são feitas as projeções de cenários, a definição de


objetivos, a avaliação de ameaças e oportunidades ambientais, a detecção de pontos
fortes e fracos, a formulação e avaliação de planos alternativos e a escolha e
implementação do melhor plano alternativo.
b) execução: é a fase onde as coisas acontecem, de acordo com o anteriormente
planejado e com os recursos disponíveis.
c) controle: essa fase está associada a todas as fases do processo, ocorrendo no
planejamento, no controle e em si própria.

Apesar da semelhança entre a controladoria e a auditoria interna na teoria, no dia a dia


as funções são mais simples de diferenciar. Segundo Oliveira (1998, p.28), “ambas as funções
têm como importantes atribuições o acompanhamento e a avaliação do desempenho das
diversas áreas operacionais visando à otimização do resultado global”. As diferenças podem
ser encontradas na maneira de realizar as tarefas.
No entanto, a controladoria como órgão de gestão tem por finalidade zelar do bom
desempenho da organização, e de certa forma garantir a eficácia empresarial fornecendo
informações sobre o funcionamento da empresa.

3.4 Ramo de conhecimento da controladoria

Analisando a controladoria como ramo de conhecimento, Villas Boas (2000, p.63)


coloca que “a controladoria consiste em um corpo de doutrinas e conhecimentos relativos à
gestão contábil, financeira, econômica e administrativa”. O corpo de doutrinas e conhecimentos
utilizado pela controladoria advêm de diversas áreas do conhecimento, humanas e exatas, mas
principalmente derivada das Ciências Contábeis. Beuren & Moura (2000, p.63) citando
Almeida, Parisi & Pereira, afirmam que:
Volume 1, Número 04, 2020

A Controladoria, enquanto ramo do conhecimento, é responsável pelo


estabelecimento das bases teóricas e conceituais necessárias para a modelagem,
construção e manutenção dos sistemas de informações, no sentido de suprir
adequadamente as necessidades informativas dos gestores e os induzir durante o
processo de gestão, quando requeridos, a tomar decisões ótimas.

Para Mosimann & Fisch (1999, p.99), a controladoria sob o enfoque de ramo do
conhecimento pode ser conceituada como:

O conjunto de princípios, procedimentos e métodos oriundos das ciências da


Administração, Economia, Psicologia, Estatística e, principalmente, da Contabilidade,
que se ocupa da gestão econômica das empresas, com a finalidade de orientá-las para
a eficácia.

O ramo do conhecimento denominado controladoria recebe contribuições de várias


outras ciências. Hermann Jr. apud Mosimann & Fisch (1999, p.101), afirma que as ciências não
existem de forma isolada e que o saber humano é composto por uma série de ramificações que
se entrelaçam e se confundem. Mosimann & Fisch (1999, p. 102) apresentam as contribuições
de algumas ciências para o desenvolvimento da controladoria:

a) Contribuições da Economia O conceito de valor econômico de um bem, que decorre


de sua utilidade no atendimento das necessidades humanas, é um dos alicerces para a
mensuração dos ativos de uma entidade. Outro ponto importante é o resultado de uma
transação, afetando a riqueza de uma empresa e, dessa forma, fazendo parte do estudo
da Controladoria.
b) Contribuições da Administração Sendo o ramo da ciência que estuda a gestão de
recursos econômicos, a Administração contribui com a Controladoria com os
conceitos de eficácia empresarial, visão sistêmica da empresa e processo decisório.
c) Contribuições da Contabilidade A Contabilidade estuda os conceitos de
identificação e acompanhamento do patrimônio das entidades. Em seu escopo
encontra-se o estudo do comportamento dos eventos que interferem na riqueza da
empresa, devido às ações humanas ou à sua ausência.
d) Contribuições da Psicologia Contribui com o estudo dos estímulos causados pelos
relatórios gerenciais aos gestores com a intenção de provocar um comportamento
racional e eficiente do seu destinatário, sempre visando a eficácia empresarial.
e) Contribuições da Sociologia Contribui com a teoria das organizações, incluindo as
relações de autoridade e responsabilidade, centralização e descentralização do
processo decisório e, sobretudo, do processo de comunicação no que diz respeito à
informação de caráter econômico.
f) Contribuições da Matemática e da Estatística Essas ciências fornecem instrumentos
para o aperfeiçoamento da adoção de decisões em condições de risco e de incerteza,
sistemas de avaliação, atribuição de valores numéricos (físicos e monetários) aos
eventos econômicos, constituindo a base do modelo de mensuração do sistema de
informações econômico-financeiro da empresa.

Por tanto a controladoria tem a missão de promover uma organização, para que as
informações fiquem bem explicitas e levar a empresa a tomar decisões corretas. Tal informação
dada pela área de controladoria possibilita os gestores a entender as necessidades da empresa e
ter bons resultados.
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3.5 Profissional da controladoria

O surgimento da profissão controller ocorreu no ano de 1960, o papel da controladoria


focalizava, basicamente, tarefas de acompanhamento dos registros contábeis, controlar e limitar
o sistema de recebimentos, estoques e pagamentos, bem como preparar relatórios para a
administração e demonstrações contábeis afim de publicação (LUNKES;
SCHONORRENBERGER, 2009). Tratando-se do contexto atual da controladoria, há o papel
do controller, que exerce a função de assessoramento aos gestores da empresa, analisando e
formalizando as alternativas economicamente viáveis, assim como remetem, aos mesmos,
informações que possam auxiliar na tomada de decisão (PALAZZO et al., 2007).
Segundo Oliveira, Perez Jr. e Silva (2004, p. 19), “entende-se por controller um dos
principais executivos da empresa, devendo ser o gestor do Sistema de Informações Gerenciais”.
As funções solicitadas para esses profissionais dependem da estrutura organizacional e
do porte da empresa, podendo ser aplicada nas áreas administrativas, financeiras ou contábeis,
variando o nível de responsabilidade e o salário (Oliveira; Perez Jr. e Silva, 2004).
Para Borinelli (2006), o controller desempenha funções contábeis, gerenciais
estratégicas, de custos, tributária, de proteção e controle de ativos, controle interno, controle de
riscos e gestão da informação. Enquanto que para Calijuri, Santos e Santos (2005), este
profissional é o chefe contábil que supervisiona e mantém os registros financeiros formais da
empresa, visto como o executivo que se preocupa com a contabilidade geral, de custo, auditoria,
impostos e, às vezes, com seguros e estatística.
De acordo com Maciel e Lima (2011), além dos conhecimentos técnicos da
controladoria é necessário que este profissional saiba gerenciar pessoas, possua domínio na
comunicação, conhecimento em línguas estrangeiras, tenha espírito de liderança e aptidão para
vender seus projetos.
De acordo com Padoveze (2003), a controladoria possui funções gerenciais na
organização, com a missão de assegurar o resultado da companhia. Portanto, estrutura-se a
controladoria em duas áreas: a área contábil, responsável pelas informações societárias, fiscais
e funções de guarda de ativos, e a área de planejamento e controle, em que é incorporada a
questão orçamentária, projeções e simulações, custos e a contabilidade por responsabilidade.
Sendo assim, é fundamental que o profissional da controladoria tenha bons
conhecimentos dos princípios contábeis e da legislação societária para gerar relatórios
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eficientes para o governo, bem como para demais usuários externos (SIQUEIRA;
SOLTELINHO, 2001).
Deste modo o profissional da controladoria tem toda responsabilidade de desenvolver e
comandar os projetos da gestão econômica, patrimonial e financeira de uma empresa. É
fundamental que o profissional tenha conhecimentos técnicos da controladoria, sendo capaz de
gerenciar pessoas e tendo consigo o espirito de liderança, para que dessa forma venda suas
ideias.
3.6 Sistema de gestão

O sistema de gestão é um ingrediente crucial da capacidade de respostas a mudanças do


ambiente, pois determina o modo pelo qual a administração percebe os desafios, diagnostica
seus impactos, decide o que fazer e propõe em pratica suas decisões (ANSOFF; MCDONNELL,
1993).
Os objetivos básicos do sistema de gestão consistem em aumentar constantemente o
valor percebido pelo cliente nos produtos ou serviços oferecidos, o sucesso no segmento de
mercado ocupado (por meio da melhoria contínua dos resultados operacionais), a satisfação dos
funcionários com a organização e da própria sociedade devido à contribuição social da empresa
e o respeito ao meio ambiente (CHAIB, 2005). A integração dos sistemas de gestão é uma
excelente oportunidade para reduzir custos relacionados, por exemplo, à manutenção de
diferentes estruturas de controle de documentos, auditorias e registros, podendo abranger
diversos temas, tais como qualidade, meio ambiente, segurança e saúde ocupacional e recursos
humanos (CHAIB, 2005).
Entende-se que o sistema de gestão é um fator essencial, pois ele auxilia nas atividades
da empresa, sendo uma ferramenta essencial para os negócios e também estimulando a
organização na administração.

3.6.1 Processo de gestão

A gestão por processos refere-se a um conjunto de funções de planejamento, direção e


avaliação das atividades sequenciais, com a finalidade de minimizar os conflitos interpessoais
e atender as necessidades e expectativas dos clientes externos e internos das empresas (Oliveira,
2011).
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Uma empresa pautada em gestão por processos entende a organização de forma


sistêmica, atendendo às necessidades e expectativas de todas as partes interessadas, mas
principalmente do cliente (Pavani et Scucuglia, 2011).
Para Lopes et Bezerra (2008), a gestão por processos pode ser utilizada como base para
a melhoria contínua dos processos produtivos, ampliando os níveis de eficiência e reduzindo as
perdas e consequentemente maximizando os lucros.
Para desenvolver o gerenciamento por processos, é necessário, primeiramente, realizar
o mapeamento de processos, que, segundo Pavani et Scucuglia (2011), está em conexão com
duas atividades: estudo do trabalho (processo de observação e levantamento de informações
ligadas à cadeia de execução do trabalho realizado) e entendimento do trabalho (a partir das
informações levantadas, buscasse compreender suas particularidades e entender sua existência).
Na atividade de mapeamento de processos, é realizado o levantamento do fluxo de
atividades que permeia a organização, seguindo a sua passagem por diversos departamentos,
áreas e funções, nos quais podem ser identificados gargalos e duplicidade de atividades
(MIYAMOTO, 2009).
Destaca-se algumas vantagens desta técnica de mapeamento: entendimento simples e
objetivo que esta ferramenta proporciona; aplicação em processos simples e complexos; auxilia
na localização de falhas; permite a melhoria contínua; e permite fácil compreensão do processo
(Cury, 2009; Alvarez, 2010; Pavani et Scucuglia, 2011).
Para Schwaab et al. (2013), o interessante do mapeamento é perceber o desenho
sistêmico das atividades e descobrir quais áreas ou funções participam do processo, agregando
ou não valor. Desta forma, faz sentido redesenhar o processo para descobrir os componentes
essenciais e sensíveis em que as melhorias possivelmente farão diferença (Pid, 1998).
O processo de gestão é utilizado para otimizar os resultados de uma organização,
reduzindo custos, aumentando a produtividade e a lucratividade da empresa, contribuindo para
que obtenha resultados desejados e fazendo toda diferença para que a empresa seja mais
competitiva no mercado.

3.6.2 Modelo de decisão

As decisões na empresa são influenciadas por diversas variáveis, entre as quais se


incluem os valores próprios de cada gestor, como afirma Lemes (1996, p. 74).
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Segundo Machado (1997, p.86) " um modelo de gestão é um conjunto de princípios


emanados das crenças e valores da empresa que direcionam as decisões e ações dos gestores,
cujo impacto se verificará diretamente no patrimônio da organização."
Para se definir mais precisamente modelo de decisão, faz-se necessário definir dois
elementos importantes: modelo e decisão.
Modelo, como afirma Guerreiro (1989, p.62) é uma representação simplificada da
realidade com o objetivo de facilitar a compreensão de estruturas e relações complexas, através
da segregação aos aspectos fundamentais relativos ao problema enfocado.
Segundo Santos e Ponte (1998, texto digital):

Define-se decisão como o ato de escolher uma dentre várias opções com o objetivo
de resolver um problema ou responder a alguma oportunidade. Para que uma decisão
ocorra, deve-se ter mais de uma alternativa de ação; a decisão é fruto da necessidade
de se optar por caminhos alternativos.

O modelo de decisão é usado pelos gestores criando uma estrutura simplificada, de certa
forma o modelo decisão permite que os resultados sejam avaliados antes de ser tomada as
decisões, permitindo ao gestor escolher aquela que apresenta os melhores resultados.

3.6.3 Sistema de informação contábil

Ao longo do tempo o sistema de informações contábeis recebeu várias definições; para


Padoveze et al. (2004), o sistema de informação contábil é o grande sistema de informação
dentro da empresa, um veículo formal para o processamento operacional de dados contábeis e
para as atividades de suporte à decisão, que inclui avaliação de desempenho, dados estatísticos
expressos em termos monetários.
Neste contexto pode-se visualizar uma grande responsabilidade caindo sobre os
contadores, que deverão estar preocupados não em fornecer a informação, mas também com
quem irá recebê-las. Para Padoveze et al. (2004), um sistema de informação contábil é uma
entidade ou um componente dentro de uma organização, que processa transações financeiras
para prover informações para operações, controle e tomada de decisão dos usuários.
O termo sistema de informação contábil é definido como um conjunto de recursos
humanos e de capital, dentro de uma organização, responsável pela preparação das informações
financeiras e também das informações obtidas da coleta e processamento e transações
(PADOVEZE et al., 2004).
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As informações contábeis são produzidas com o objetivo de retratar o mais fielmente


possível a situação econômica e financeira de uma determinada entidade e esta informação é
destinada a determinados usuários que as utilizam de diferentes formas. Dentre eles podemos
citar, segundo Martins, Miranda e Diniz (2014):

a) Acionistas: estão interessados se a empresa está dando lucro ou prejuízo;


b) Investidores e participantes do mercado financeiro: analisam informações
contábeis das empresas para garantir que os altos executivos estão gerenciando as
atividades operacionais de forma satisfatória;
c) Instituições financeiras: para concessão ou não de empréstimos ou financiamentos,
medindo a capacidade de retorno do capital emprestado;
d) Administradores: interessados no desenvolvimento das atividades da empresa e
qual o resultado que está advindo das mesmas;
e) Fisco: que também se interessa pelo resultado da pessoa jurídica para fins de
tributação;
f) Clientes: interessados em medir a integridade da entidade e a garantia de que seu
pedido será atendido nas suas especificações e no tempo acordado;
g) Fornecedores: interessados em conhecer a situação da entidade para poder
continuar ou não as transações comerciais com a entidade, além de medir a garantia
de recebimento futuro;
h) Público: de maneira geral pode estar interessado em informações sobre a evolução
do desempenho da entidade na sua cidade, na sua região, os desenvolvimentos
recentes, entre outras coisas.

As informações contábeis fornecem informações estruturadas a empresa, sendo essas


informações de qualidade, permitindo que os gestores tomem decisões gerenciais. Essas
informações são destinadas a determinados usuários que são, os acionistas, investidores,
administradores, instituições financeiras, clientes, fisco, fornecedores e o público.

3.6.4 Orçamento

O orçamento é um instrumento muito importante que avalia as políticas de vendas, de


produção e de operações financeiras de uma empresa.
De acordo com Horngren, Foster e Datar (1997, p. 125) “orçamento é a expressão
quantitativa de um plano de ação futura da administração”, sendo assim estar amparado pelo
conjunto de análises exigidas pelo orçamento assegura um futuro melhor para a empresa.
Conforme Horngren, Foster e Datar (1997, p. 125) “orçamento é mais útil quando
elaborado como parte integrante da análise estratégica de uma organização” então, o orçamento
pode aferir as duas habilidades desejadas num administrador: a capacidade de planejar, e a
capacidade de executar - Ao apresentar os desvios de rota, pode-se aferir se os problemas estão
concentrados no planejamento, ou na execução.
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O orçamento é um elemento de destaque no Sistema de Controle Gerencial (SCG) e por


isso está presente em diversos modelos que discutem o desenho e uso dos SCG na literatura
(Ahrens & Chapman, 2004; Malmi & Brown, 2008; Simons, 1995).
Para Malmi e Brown (2008), o orçamento se caracteriza com foco dentro dos controles
cibernéticos e no conceito de controle. Os estudos normalmente discutem o orçamento como
ferramenta para implementar a estratégia, e não como formador da estratégia (Simons, 1995).
Dessa forma, o orçamento é bastante utilizado no ambiente empresarial criando
estratégias e tendo como objetivo estabelecer valores financeiros, proporcionando uma visão
clara sobre a situação futura.

3.6.5 Custos

Segundo Sá (1963), a contabilidade de custos é a parte da ciência contábil que se dedica


ao estudo racional dos gastos feitos, para se obter um bem de venda ou de consumo, quer seja
um produto, uma mercadoria, um serviço.
No passado, muitas empresas viam a contabilidade de custos como um mal necessário,
que tinha como objetivo apenas o de atender as exigências contábeis fiscais, deixando de ser
explorada como ferramenta gerencial, devido às deficiências, principalmente relacionadas com
agilidade e confiabilidade das informações, que consequentemente, perdiam o seu uso como
ferramenta de gerenciamento e tomada de decisão (BRIMSON,1996).
Na visão de Martins (1996), a contabilidade de custos tem-se tornado tão dinâmica
quanto às transformações do mundo dos negócios, criando utilidades para a apuração dos custos
nas empresas prestadoras de serviços, sendo comum à sua aplicação em escritórios, auditorias,
financeiras, entre outras.
Leone (2000), diz que a contabilidade de custos é o ramo da contabilidade que se destina
a produzir informações para diversos níveis gerenciais de uma entidade, como auxílio às
funções de determinação de desempenho, de planejamento e controle das operações e de
tomadas de decisões.
Portanto, a contabilidade de custos é de grande importância para as empresas, pois traz
uma visão clara e objetiva, neste sentido toda empresa que pretende ter uma gestão melhor e
tingir bons resultados é necessário que utilize a contabilidade de custos.

3.6.6 Contabilidade
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No conceito de Hilário Franco: A Contabilidade é a ciência que estuda os fenômenos


ocorridos no patrimônio das entidades, mediante o registro, a classificação, a demonstração
expositiva, a análise e a interpretação desses fatos, com o fim de oferecer informações e
orientação necessárias à tomada de decisões sobre a composição do patrimônio, suas variações
e o resultado econômico decorrente da gestão da riqueza patrimonial. (FRANCO, 1997, p. 21).
Para Iudícibus (1995, p.21), “o objetivo básico da contabilidade resume-se no
fornecimento de informações econômicas para os vários usuários, de forma que propiciem
decisões racionais”.
Fávero et al. (1997, p. 13) esclarecem que: na Contabilidade, os objetivos são
determinados como informações que deverão ser geradas para que os diversos usuários possam
conhecer a situação da empresa em determinado momento, a fim de tomar decisões pertinentes.
Hendriksen (1999, p. 92), cita que “o primeiro enfoque à definição dos objetivos da
contabilidade concentrou-se no cálculo e na apresentação do lucro líquido resultante de regras
específicas de realização e vinculação num balanço que relacionasse o período corrente a
períodos futuros”.
A contribuição da Contabilidade é evidenciada por Sá (1987, p. 14) quando ele explica
que “O conhecimento contábil científico se organiza de forma sistemática para enunciar
explicações sobre o que ocorre com o patrimônio das empresas e instituições (aziendas)”.
Então, a contabilidade é uma ciência que estuda os fatos ocorridos no patrimônio das
empresas, dessa forma, a contabilidade tem vários objetivos, o principal é fornecer informações
estruturadas a empresa permitindo aos gestores tomarem decisões gerenciais.

4 CONSIDERAÇÕES FINAIS

Tem-se que a contabilidade com toda sua evolução, tornou-se mais eficiente e
participativa na gestão das empresas, fornecendo informações de apoio nas tomadas de decisões.
Toda empresa tem a necessidade de acompanhar suas atividades operacionais, e o sistema
contábil auxilia o gestor, fornecendo informações necessárias e mostrando de maneira
transparente se a empresa está seguindo a direção certa, fazendo com que os gestores tomem
decisões mais vantajosas.
A Ciência contábil, com toda sua técnica para transformação de dados em informações,
auxilia o gestor a tomada de decisões sensatas, pautadas em indicadores qualitativos e
quantitativos mensurados através das demonstrações contábeis.
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Dessa forma, a informação correta é fator crucial para que as empresas possam se manter
competitivas diante das mudanças e a contabilidade proporciona uma visão ampla que projeta
cenários e busca elementos para permitir uma análise mais inteligente, auxiliando na elaboração
de estratégias que garantem o desenvolvimento da empresa.
Em outro viés, temos também a controladoria que é uma ramificação da ciência contábil
e uma importante aliada na gestão de uma empresa, na sua função de otimização do processo
decisório torna o planejamento mais eficiente. É importante destacar que, uma empresa é
formada por pessoas e desempenha atividades econômicas visando fins lucrativos. Sendo assim,
dentro desse meio empresarial existem os subsistemas empresariais que é conhecido por
fornecer informações das atividades desenvolvidas em diversas áreas de uma empresa. Do
mesmo modo há o sistema de gestão, processo de gestão e modelo de decisão, que atuam juntos
fazendo com que a empresa entenda suas necessidades e direcionando a tomar decisões cabíveis.
Dessa forma a referida pesquisa mostra que, a contabilidade como um todo e o
profissional capacitado têm um papel fundamental nas empresas, pois fornecem um suporte que
a empresa necessita não só para o seu desenvolvimento, mas também no processo de tomada
de decisões, fazendo com que a empresa alcance seus objetivos. Vale ressaltar que é de grande
importância a contratação de um profissional qualificado para que a empresa possa permanecer
no mercado de forma hábil. Deste modo a contabilidade causa um impacto consideravelmente
positivo na tomada de decisão, sendo capaz de aprimorar as decisões e a formação de estratégias.

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Volume 1, Número 04, 2020

PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO: uma visão teórica

Tax planning: a theoretical view


Planificación fiscal: una visión teórica

Nataly Pereira Arruda13


Djalma Aparecido Alves de Brito14

RESUMO

Este artigo tem como objetivo abordar de forma simples a importância do planejamento
tributário, apresentado seus métodos para que as empresas obtenham melhores resultados.
Busca-se compreender qual é a melhor forma de tributação correta para as organizações, com
a escolha do regime tributário e seu enquadramento será definido a incidência e a base de
cálculo dos impostos federais, deixando claro que cada empresa pode optar por uma ou três
formas de tributação, especificar aplicabilidade das leis para que seja legal perante o Estado,
fazer uma breve contextualização sobres tributos e suas espécies. O objetivo do planejamento
tributário propõe transmitir os mecanismos por lei, que possam ampliar eventualidades na
minimização de impostos, apresentando algumas medidas lícitas e ilícitas, ressaltando eventos
adequados que apontará os benefícios administrado pela correta tributação de cada empresa.
Por fim, o planejamento tributário é uma forma de prevenir o pagamento de valores exorbitantes
destinados aos tributos, mediante os critérios legais que regem a legislação.

PALAVRAS-CHAVES: Espécies de Tributos. Planejamento Tributário. Regime Tributário

ABSTRACT

This article aims to approach in a simple way the importance of tributary planning, presenting
its methods for companies to obtain better results. Understand which is the best way of correct
taxation for organizations, with the choice of tributary regime and its framework will be defined
the incidence and calculation basis of federal taxes, making clear that each company can choose
one or three forms of taxation, specify applicability of laws to be legal before the State, make
a brief contextualization about taxes and their species. The objective of the tributary planning

13 Graduanda em Ciências Contábeis pela Faculdade de Jussara – FAJ, e-mail: natalypa1997@[Link]


14
Professor universitário, vinculado à Faculdade de Jussara, Graduado em Ciências Contábeis e especialista em
Gestão empresarial e de Negócios. E-mail: daabrito-13@[Link]
Volume 1, Número 04, 2020

proposes to transmit the mechanisms by law, that can extend eventualities in the minimization
of taxes, presenting some licit and illicit measures, pointing out adequate events that will point
out the benefits managed by the correct taxation of each company. Finally, the tributary
planning is a way to prevent the payment of exorbitant values destined to the taxes, through the
legal criteria that govern the legislation.

KEYWORDS: Tributes Species. Tributary Planning. Tributary Regime.

1 INTRODUÇÃO

O planejamento tributário é um procedimento claro e lícito, estuda as maneiras de


reduzir legalmente a carga tributária e planeja os custos tributários de operações a serem
realizadas. Considera-se que os tributos refletem significativamente no aumento de custos das
empresas, assim, é preciso fazer uma correta administração do ônus tributário através do
conceito do Regime Tributário.

Planejamento Tributário exige alta dose de conhecimento técnico e bom-senso dos


responsáveis pelas decisões estratégicas no ambiente corporativo. Trata-se do estudo
prévio à concretização dos fatos administrativos, dos efeitos jurídicos, fiscais e
econômicos de determinada decisão gerencial, com o objetivo de encontrar a
alternativa legal menos onerosa para o contribuinte (OLIVEIRA et al., 2012, p. 22).

Quando se trata de planejamento tributário é importante também entender quais são os


tributos e de que se tratam. Os tributos são os impostos, taxas e contribuições de melhoria, ou
seja, é toda prestação pecuniária compulsória, em moeda ou cuja o valor possa exprimir sem
cometer um ato ilícito. Adequar a empresa ao tipo de regime tributário correto, a saber os
exemplos: simples nacional, lucro presumido, lucro real e lucro arbitrado. É importante que a
empresa se dirija até um contador para estudar os diversos fatores específicos, como análise de
porte do negócio, área de atuação, estudo de mercado e planejamentos de rendimento.
A problemática que motiva essa pesquisa é buscar entender o conceito de Planejamento
Tributário e sua finalidade, o que são tributos e quais são formas de tributação. Desse modo,
ressalta-se o tema e sua aplicabilidade, de acordo com enquadramento nos regimes do simples
nacional, lucro real, lucro presumido e lucro arbitrado, aos tributos incidentes a este
enquadramento e as condições de promoção de um planejamento tributário significativo e mais
exequível para as empresas.
Esta pesquisa tem natureza descritiva, com abordagem quantitativa e se ancora por meio
de revisão bibliográfica sobre Planejamento Tributário. Pretende-se apresentar o conceito de
Planejamento Tributário recolhidos pelas empresas para o erário público.
Volume 1, Número 04, 2020

O principal objetivo é diminuir as despesas tributárias, ou seja, avaliar detalhadamente


a elisão fiscal para reduzir tributação sobre o negócio. Dentro do Planejamento Tributário há
três quesitos de grande importância que ajudam a diferenciar melhor as práticas licitas e ilícitas,
que são: evasão, elisão e elusão tributária. Para além, pretende-se entender o conceito de
Planejamento Tributário, compreender Regime Tributário e definir o que são os tributos: como
impostos, taxas e contribuição de melhoria.

2. REFERENCIAL TEÓRICO

2.1 Conceito de Tributos

Segundo Oliveira (et. al., 2012), o Código Tributário Nacional conceitua tributo como
toda prestação pecuniária compulsória. Tal prestação pode ser feita em moeda ou cujo valor
nela se possa exprimir, desde que não haja constituição da sanção por ato ilícito, instituída em
lei e cobrada mediante atividade administrativa plenamente vinculada. A fim de que haja
exposição de uma melhor definição sobre o tema, os autores expressam:

Prestação pecuniária: significa que o tributo deve ser pago em unidades de moeda
corrente, inexistindo a pagamento in natura ou in labore, ou seja, o que é pago em
bens ou em trabalho ou prestação de serviço; compulsória: obrigação independente da
vontade do contribuinte; em moeda ou cujo valor se possa exprimir: os tributos são
expressos em moeda corrente nacional (reais ) ou por meio de indexadores; que não
constitua sanção de alto ilícito: as penalidades pecuniárias ou multas não se incluem
no conceito de tributos; assim, o pagamento de tributo não decorre de infração de
determinada norma ou descumprimento da lei; instituída em lei: só existe a obrigação
de pagar o tributo se uma norma jurídica com força de lei estabelecer essa obrigação;
cobrada mediante atividade administrativa plenamente vinculada: a autoridade não
possui liberdade para escolher a melhor oportunidade de cobrar o tributo; a lei já
estabelece todos os passos a serem seguidos (OLIVEIRA et. al., 2012, p. 5).

De acordo com Reis, Galho e Pereira (2012), quando o assunto tributo é tratado, a
primeira legislação a ser mencionada, via de regra, é a Constituição Federal. É ela que permite,
por intermédio da autorização e aprovação por meio da Assembleia Constituinte e emendas
constitucionais posteriores, ao Governo Federal, Estadual e Municipal instituir e cobrar tributos
da sociedade.
O CTN define tributo em seus artigos 3° a 5°:

Art. 3° Tributo é toda prestação pecuniária compulsória, em moeda ou cujo valor nela
se possa exprimir, que não constitua sanção por ato ilícito, instituída em lei e cobrada
mediante atividade administrativa plenamente vinculada.
Volume 1, Número 04, 2020

De forma clara Ataliba (2010) define que, quando aparecem os fatos descritos na lei
(os fatos impossíveis), a obrigação tributária surge da vontade da lei. Não surge como uma
obrigação voluntária de todas as partes. Isso não tem nada a ver com a determinação da geração
desse título obrigatório.

2.2 Espécies de Tributos

Os tributos correspondem a um conceito de gênero que é fixado pelo Código Tributário


Nacional no art. 3°. A partir do conceito de Tributo pode-se captar essas espécies de tributos,
que são: impostos, taxas e contribuição de melhoria. Está estruturada pelo Sistema Tributário
Nacional, de forma que permite o Estado a cobrança dessas espécies.

Referente ás espécies tributarias, impostos: que decorrem de situação geradora


independente de qualquer contraprestação do estado em favor do contribuinte; taxas:
que estão vinculadas à utilização efetiva ou potencial por parte do contribuinte, de
serviços públicos específicos e divisíveis; contribuições de melhoria: que são
cobradas quando do benefício trazido aos contribuintes por obras públicas
(OLIVEIRA, et. al., 2012, p. 5).

Ainda para Oliveira (et. al., 2012), melhorar a taxa de contribuição não faz muito sentido
em termos de arrecadação ou impacto sobre os contribuintes. Por sua vez, a tributação
representa, na verdade, um meio de o Estado arrecadar recursos para gerir a administração
pública e permitir o investimento em projetos públicos, bem como para orientar o
comportamento econômico. Na Constituição Federal de 1988, as pessoas propunham doações
sociais para arrecadar recursos para atividades sociais e, embora tenham sido discutidas no
capítulo tributário, elas têm a característica de satisfazer o investimento do governo no setor.
As contribuições sociais instituídas são baseadas nos lucros corporativos, folha de pagamento
dos funcionários e receitas das empresas. Atualmente, estão subdivididos em contribuições para
o PIS / Pasep, Contribuição Social sobre o Lucro Líquido e Contribuição para o Fundo de
Investimento Social (Cofins).
Já Torres (2003), traduz impostos como uma imposição de saldar uma dívida em
dinheiro com o Estado, com o objetivo primário ou secundário de obter receitas para entender
as necessidades públicas ou para atividades protegidas pelo Estado, dependendo da ocorrência
de um fato lícito que é deliberada por lei, assim designada como fato gerador ou hipótese de
Volume 1, Número 04, 2020

incidência tributária, que independe da vontade do sujeito passivo e não constitui sanção para
ato ilícito.

2.2.1- Impostos

Para Fabretti (2003), imposto é aquele que, embasado por lei, é devido,
independentemente de quaisquer atividades estatais em relação ao contribuinte. Desse modo,
não está vinculado a nenhuma prestação especifica do Estado ao sujeito passivo. Trata-se da
espécie denominada “imposto”, que definida no art. 16 do CTN, diz-se: “imposto é o tributo
cuja obrigação tem por fato gerador uma situação independentemente de qualquer atividade
específica, relativa ao contribuinte.”
Segundo Sehn (2009), imposto tem como definição, o tributo que apresenta como fato
gerador um comportamento normal do contribuinte, em relação com atividade estatal exclusiva
referida ao sujeito passivo. É fundamental apenas na competência tributária da pessoa política
(União, Estado, Distrito Federal e Municípios)

2.2.2 Taxas

Em seus estudos, Machado (1996) ressalta que taxa é um tributo que tem como fato
gerador uma atividade estatal designadamente relacionada ao contribuinte, fundado no
exercício do poder de polícia (taxa de polícia) ou na prestação de um serviço público exclusivo
e divisível (taxa de serviço), essencialmente utilizados pelo contribuinte.

Está definida nos artigos 77 e 78 do CTN e tem como fato gerador o exercício regular
do poder de polícia ou utilização efetiva ou potencial de serviço público, específico e
divisível, prestado ou colocado à disposição do contribuinte (art. 77). Poder de polícia
é a atividade da administração pública que limita e disciplina direito, interesse ou
liberdade em razão do interesse público, concernente à segurança, à higiene, à ordem,
aos costumes, à disciplina da produção, do mercado, à tranquilidade pública ou ao
respeito à propriedade e aos direitos individuais ou coletivos (art. 78). (FABRETTI,
2003, p. 116, 117).

Assim, de acordo com Fabretti (2003), embora todo cidadão seja livre para se
estabelecer como uma indústria, não pode, entretanto, instalá-la em um bairro estritamente
residencial. O poder da administração pública para limitar esse direito de criação de uma
indústria é denominado poder de polícia. Polícia, neste caso, refere-se à possibilidade de
fiscalizar e autorizar determinada atividade, limitando-a por interesse público, relacionado à
Volume 1, Número 04, 2020

segurança. Para higiene, ordem, costumes etc., de acordo com o art. 78 do CTN. Pelo serviço
prestado pela administração pública para verificação das condições do local onde se irá instalar
uma indústria e para a sua autorização de funcionamento, é paga uma taxa. No caso da
Prefeitura de São Paulo, a Taxa de Licença de Instalação e Funcionamento (TLIF). A alíquota
não pode ter base de cálculo ou fato gerador idêntico ao do imposto, nem ser calculada em
função do capital das sociedades (parágrafo único do art. 77).

2.2.3 Contribuição de Melhoria

Fabretti (2003) dispõe que só podem ser cobradas as contribuições de melhoria se, em
virtude de obra públicas, decorrer valorização imobiliária para o contribuinte.

Art. 81. A contribuição de melhoria cobrada pela União, pelo Estados, pelo Distrito
Federal ou pelos Municípios, no âmbito de suas respectivas atribuições, é instituída
para fazer face ao custo de obras públicas de que decorra valorização imobiliária,
tendo como limite total a despesa realizada e como limite individual o acréscimo de
valor que da obra resultar para cada imóvel beneficiado. Art. 82. A lei relativa à
contribuição de melhoria observa os seguintes requisitos mínimos: 1- publicação
prévia dos seguintes elementos: memorial descritivo do projeto; orçamento do custo
da obra; determinação da parcela do custo da obra a ser financiada pela contribuição;
delimitação da zona beneficiada; determinação do fator de absorção do benefício da
valorização para toda a zona ou para cada uma das áreas diferenciadas, nela contidas.
2- Fixação de prazo não inferior a 30 (trinta) dias, para impugnação, pelos interessados,
de qualquer dos elementos referidos no inciso anterior; 3- regulamentação do processo
administrativo de instrução e julgamento da impugnação a que se refere o inciso
anterior, sem prejuízo da sua apreciação judicial.

Machado (2011) define contribuição de melhoria como espécie de tributo cujo fator
gerador é a valorização do imóvel do contribuinte, decorrente da obra pública, e tem por
finalidade a justa distribuição dos encargos públicos, fazendo retornar ao tesouro público o
valor despendido com a realização de obras públicas, na medida em que destas decorra
valorização dos imóveis.

2.3 REGIME TRIBUTÁRIO

Para Shen (2009), é importante ressaltar que cada regime tributário possui uma
legislação componente que delibera todas as metodologias a serem adotadas pela entidade, com
o objetivo de determinar um enquadramento mais apropriado.
Volume 1, Número 04, 2020

2.3.1 Simples Nacional

Oliveira (et. al., 2012) conceituam o Supersimples como um regime especial unificado
de arrecadação de impostos e contribuições devidos pelas micro e pequenas empresas, instituído
pela lei complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006, alterada pelas Leis Complementares
nº 128, de 19 de dezembro de 2008 e 139, de 10 de novembro, 2011. O sistema corresponde a
um regime de tributação diferenciado para essas empresas, com o pagamento de seis tributos
federais a uma única alíquota. Para os efeitos da Lei Complementar nº 139/11, consideram-se
microempresas - ME ou pequenas empresas - EPP: a empresa; a sociedade simples; a sociedade
limitada individual; e o empresário que, de acordo com o art. 966 da lei n / 10.406, de 10 de
janeiro de 2002, exerce profissionalmente atividade econômica organizada para a produção ou
circulação de bens de serviço.

Todas essas entidades devem estar registradas no Regime de Empresas Mercantis ou


no Registro Civil de pessoas Jurídicas, conforme o caso e a partir de 1° de janeiro de
2012: 1- As microempresas- ME, em cada ano-calendário devem auferir receita bruta
igual ou inferior a R$ 360.000,00 (trezentos e sessenta mil reais); 2- As empresas
consideradas de pequeno porte- EPP, também em cada ano-calendário devem auferir
receita bruta superior a R$ 360.000,00 (trezentos e sessenta mil reais) e igual ou
inferior a R$ 3.600.000,00 (três milhões e seiscentos mil reais). 3- Os
microempreendedores individuais (MEI) auferir receita bruta máxima anual de R$ 60
mil (OLIVEIRA, et. al., 2012, p. 378).

O ME e o PPE que cumpram os requisitos previstos na lei e se enquadrem nas definições


da Lei Complementar nº 123 podem optar pelo Nacional Simples, desde que não exerçam
qualquer impedimento para participação no regime. Portanto, para optar pelo Simples Nacional,
a empresa não pode exercer nenhuma atividade impeditiva, embora exerça a atividade permitida
ao mesmo tempo. Empresas com atividades que possuam códigos na tabela da Classificação
Nacional de Atividades Econômicas (CNAE) que contemplem tanto atividades impeditivas
quanto permitidas pelo Simples Nacional (CNAE ambígua) podem optar pelo Simples Nacional,
desde que, ao fazer a opção pelo regime, declaram que exercem atividades exclusivamente
permitidas (OLIVEIRA et al., 2012).

2.3.2 Lucro Real

Segundo Neves e Viceconti (2000), o lucro real é o resultado do período de apuração a


provisão para o imposto de renda, ajustado pelas adições, exclusões e compensações prescritas
ou autorizadas pela legislação do imposto sobre a renda.
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Para Oliveira (et. al., 2012), a palavra verdadeira é utilizada pelo Código Tributário
Nacional em oposição aos termos presumidos e arbitrados, com o objetivo principal de
expressar o que realmente existe, ou seja, o que não é presumido ou arbitrado. Verdadeiro no
sentido do que é aceito para todos os fins e propósitos legais. Em termos contábeis, pode-se
concluir que o lucro real é aquele efetivamente apurado pela contabilidade, com base na
completa escrituração contábil tributária, com a redação e estrita observância dos princípios
contábeis e demais normas fiscais e comerciais.
Entende-se que a apuração do lucro tributável envolve maior complexidade na execução
das rotinas contábeis e tributárias, para a completa escrituração das atividades e posterior
apuração do lucro tributável, base de cálculo dos tributos como o imposto de renda e a
contribuição social sobre o Lucro das Empresas que não podem optar pelo lucro presumido. O
lucro real é apurado com base na escrituração comercial das organizações, que inclui a adoção
de um conjunto de procedimentos comuns no ambiente profissional do contador, a saber: estrita
observância dos princípios contábeis; constituição das provisões necessárias; Escrituração
completa de um conjunto de livros fiscais e contábeis, incluindo o Registro de Estoque e Lalur;
preparação das demonstrações financeiras (OLIVEIRA et al., 2012).

2.3.3 Lucro Presumido

A legislação, ao introduzir o lucro presumido, que é uma alternativa tributária


facultativa para algumas pessoas jurídicas, conforme será estudado a seguir, objetivou facilitar
a rotina burocrática e administrativa de algumas organizações, geralmente algumas empresas
de menor porte e menor nível de estrutura o pagamento do imposto presumido satisfaz o tesouro
nacional. É uma forma simplificada de cálculo da base de cálculo dos tributos com imposto de
renda e contribuição social, restrita aos contribuintes que não estão obrigados ao regime de
apuração do imposto com base no lucro real (OLIVEIRA et al., 2012).

Lucro presumido é base de cálculo do imposto de renda que será determinada, de


grosso modo, pela aplicação de um percentual sobre o montante de receita bruta
decorrente da venda de mercadorias e acrescido de outras receitas e ganhos de capital,
apurados na forma da lei (FILHO, 2004, p. 440).

As empresas que optam pela apuração do imposto de renda e da contribuição social na


modalidade lucro presumido não são obrigadas a ter a escrituração detalhada de suas receitas e
Volume 1, Número 04, 2020

despesas, que indique o seu lucro real, basta ter e escrever o livro caixa, que vai mostrar, entre
outras coisas, as receitas efetivamente recebidas. Obviamente, este livro-caixa deve ser mantido
de acordo com os princípios e formalidades previstos na legislação tributária. O contribuinte
deve escolher a forma de tributação que está definida para aquele ano civil, ou seja, não pode
haver alteração na tributação durante o ano civil. Essa opção será feita no pagamento da
primeira parcela do imposto ou cota única, o que ocorrerá no final de abril para os optantes por
este regime tributário (OLIVEIRA et al., 2012).

2.3.4 Lucro arbitrado

Para Oliveira et al. (2012), lucro arbitrado é um recurso utilizado pelo fisco, quase
sempre como última alternativa, que só deve ser aplicado quando houver absoluta falta de
confiança na escrituração do contribuinte, por falta ou insuficiência de elementos concretos que
permitam a identificação ou verificação da base tributária. cálculo utilizado na tributação do
lucro real ou presumido. Também pode ser utilizado pelas autoridades fiscais nos casos em que
o contribuinte se recuse ou torne difícil para a autoridade fiscal o acesso à documentação
comprobatória das atividades.
O lucro arbitrado é, nas palavras de Fabretti (2003), uma prerrogativa do fisco. Este
último poderá arbitrar o lucro, nos termos da lei, caso a escrituração contábil e fiscal do
contribuinte seja desqualificada. Tais premissas são as seguintes: se o contribuinte, vinculado
com base no lucro tributável, não mantém a escrituração na forma da legislação comercial e
tributária, ou deixa de elaborar as demonstrações financeiras exigidas pela legislação tributária
(NR); se a escrituração a que o contribuinte está obrigado apresentar indícios evidentes de
fraude ou contiver vícios, erros ou deficiências que a tornem inutilizável para: 1. Identificar a
efetiva movimentação financeira, inclusive bancária; 2. Determine o lucro real.

2.4 PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO

O Planejamento Tributário é considerado por muitos (ROLIM, 1998; GUERREIRO,


1998) como o instrumento que autoriza a coordenação tributária de uma empresa, reduzindo
seu gasto tributário na organização pessoal de cada um, tendo a liberdade de delinear suas ações,
com base no adiantamento ao fato gerador, em uma forma de obedecer aos fundamentos legais.
O mesmo planejamento tributário desempenha um papel importante na "[...] constatação de
Volume 1, Número 04, 2020

comportamentos, simples ou complexos, cuja consequência seja a relação tributária de menor


impacto possível [...]" (GUERREIRO, 1998, p. 499).

2.4.1 Elisão, Evasão, Elusão

[Link] Elisão tributária

Segundo Fabretti (2003), elisão tributária tem por objetivo obter a maior economia
tributária possível, de forma a reduzir a carga tributária ao valor efetivamente exigido por lei.
Antes de cada operação, devem ser investigadas suas consequências econômicas e jurídicas,
pois, uma vez realizada, considera-se que o fato gerador ocorreu e existem seus efeitos (art. 116
do CTN), surgindo a obrigação tributária.
Para Filho (2004, p. 638), a evasão fiscal corresponde à “busca lícita e identificação de
alternativas que, atendendo ao enquadramento legal, conduzam a uma redução da carga fiscal
[...]”.
Portanto, como menciona Fabretti (2003), deve-se estudar e identificar todas as
alternativas jurídicas aplicáveis ao caso ou existência de lacunas na lei, que possibilitem a
realização dessa operação da forma menos onerosa possível para o contribuinte, sem contrariar
a lei. A economia tributária resultante da adoção da alternativa legal menos onerosa ou de uma
lacuna na lei é chamada de elisão fiscal. Portanto, a evasão fiscal é legítima e lícita, visto que
se dá por meio de uma escolha feita de acordo com o ordenamento jurídico, adotando a
alternativa jurídica menos onerosa ou utilizando brechas da lei.

[Link] Evasão tributária

A evasão fiscal, ao contrário de elisão, consiste em prática contrária à lei. Geralmente


é cometida após a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, objetivando
reduzi-la ou ocultá-la (FABRETTI, 2003, p. 134).

Evasão tributária é a prática definida, segundo Machado (2011), como sendo a


circunstância, que é praticada de maneira fraudulenta, ilícita, proposital, com singular intuito
de lograr o fisco não realizando a liquidação do endividamento tributário.

[Link] Elusão fiscal


Volume 1, Número 04, 2020

Para Alexandre (2010), na elusão fiscal o contribuinte representa certo negócio jurídico
com o intuito de mascarar o fato gerador. Corresponde a um artifício definido principalmente
pelo que se denomina abuso das formas, já que o sujeito passivo ostenta uma natureza jurídica
anormal, de certa forma lícita, com o intuito de poupar capciosamente da tributação.

CONCLUSÃO

Através da pesquisa realizada, percebe-se que o planejamento tributário para as


empresas é de grande importância, pois transmite métodos confiáveis. Dentre as várias opções,
destaca-se o planejamento tributário como uma das melhores opções lícitas que, com o intuito
de gerir a economia tributária, entre outros resultados, pode avaliar o sistema de tributação que
melhor se adaptará às empresas. Neste artigo abordou-se conceitos primordiais de espécies de
tributos, exemplos de regimes tributários como: simples nacional, lucro real, lucro presumido
e lucro arbitrado.
Com o estabelecimento do “simples nacional” como regime de tributação, as micro e
pequenas empresas puderam ver diferentemente essa carga tributária. Mas vale ressaltar para
os outros sistemas, que uma visão como essa, pode implicar utopicamente algumas empresas,
que em diversos casos sofrem um aumento de carga ao deixar de optar por um sistema de
tributação e optar por outro. Apresenta diferentes formas de práticas lícitas e ilícitas, abordando
três quesitos importantes que facilitam um bom entendimento da forma correta de um
planejamento tributário, para que as empresas não utilizem de meios ilegais para deixar de
recolher um tributo que é devido, assim como fraude, a simulação ou dissimulação.
Com a prática do planejamento tributário, é possível minutar as vantagens e
desvantagens de uma opção tributária, oferecendo informações necessárias para tomar decisões
acertadas em relação a tal forma de tributação, salientando que para cada caso, uma situação
diferente pode surgir, já que toda empresa tem suas particularidades. Desta forma, é possível
aderir ao regime que despenda menores custos tributários e maiores lucros, desde que esteja
dentro dos parâmetros legais.
Este artigo científico teve por objetivo contribuir para a demonstração da relevância do
planejamento tributário para as empresas, e como sua utilização é de suma importância, sendo
um método claro e lícito, que através dele, o empresário possa planejar e tomar decisões.

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Manual de Contabilidade Tributária. 11. ed. São Paulo: Atlas, 2012.

REIS, Luciano Gomes dos; GALHO, Mauro Fernando; PEREIRA, Carlos Alberto. Manual de
Contabilização de Tributos e Contribuições Sociais. 2. ed. São Paulo: Atlas, 2012.

SEHN, Solon. Legislação Tributária. 1. ed. Curitiba: IESDE Brasil S. A., 2009.
TORRES, Ricardo Logo. Curso de Direito Financeiro e Tributário. 10. ed. São Paulo:
Renovar, 2003.
Volume 1, Número 04, 2020

UM ESTUDO SOBRE A REDUÇÃO DA CARGA TRIBUTÁRIA PARA MICRO E


PEQUENAS EMPRESAS

A study on the reduction of tax burden for micro and small companies

Estudio de reducción de carga fiscal para micro y pequeñas empresas

Antônio José Rebouças da Rocha15


Djalma Aparecido Alves de Brito16

RESUMO

O objetivo deste estudo é demonstrar a importância da contabilidade e do planejamento


tributário para as Micros e Pequenas Empresas – PMEs, visando a redução do custo tributário
por um meio lícito, a elisão fiscal. Por meio de um estudo descritivo, será mostrada a definição
de empresa, de seus portes, especificamente as PMEs, e os tipos de regimes tributários presentes
no Brasil. Em sede de conclusão, depreendemos que o referido planejamento é de suma
importância para a saúde financeira de nossas empresas.

PALAVRAS-CHAVE: Micro e Pequenas Empresas. PMEs. Regimes Tributários.


Planejamento tributário.

ABSTRACT
The objective of this study is to demonstrate the importance of accounting and tax planning for
Micro and Small Enterprises - SMEs, aiming to reduce the tax cost through a lawful means, tax
avoidance. Through a descriptive study, it will be shown the definition of the company, its size,
specifically the SMEs, and the types of tax regimes present in Brazil. In conclusion, we
understand that said planning is of paramount importance for the financial health of our
companies.
KEYWORDS: Micro and Small Enterprises. SMEs. Tax Regimes. Tax planning.

15
Aluno do 8° período do Curso de Ciências Contábeis da Faculdade de Jussara – FAJ. E-mail:
antoniojose_005@[Link]
16
Contador. Graduado em Ciências Contábeis, especializado em Gestão Empresarial e de Negócios, Latu Sensu
em Docência Universitária, especializando em Contabilidade Publica.
Volume 1, Número 04, 2020

1 INTRODUÇÃO

A contabilidade é uma ciência aplicada, que mede a realidade econômica, através de


estudo do patrimônio de entidades econômicas, empresas públicas ou privadas, com ou sem
fins lucrativos, analisando seus fenômenos e variações em aspectos quantitativos e qualitativos,
registrando os atos de natureza financeira e a dinâmica de suas consequências. As informações
e dados fornecidos pela contabilidade através de relatórios contábeis representam ferramentas
de gestão que darão suporte às tomadas de decisões em todos os setores de uma empresa
(PADOVEZE, 2016).
A partir de uma análise do cenário econômico brasileiro, nota-se que a carga tributária é
demasiadamente alta sobre o faturamento das empresas, gerando, desta forma, infortúnios em
todos os setores da economia. Sob este parâmetro, a análise tributária é de grande importância
na área econômica, pois cada detalhe referente à empresa pode ajudá-la a desenvolver-se
economicamente (OLIVEIRA, 2009).
Segundo o Serviço Brasileiro de Apoio às Micros e Pequenas Empresas – SEBRAE, 2018,
as PMEs - Micro e Pequenas Empresas, no Brasil, representam 99,1% do total de empresas
formalizadas, gerando 25% do Produto Interno Bruto – PIB. Entretanto, um sistema de gestão
ineficiente faz com que sua maioria não ultrapasse os três primeiros anos.
Sendo a empresa uma unidade econômica cuja finalidade é o lucro, torna-se necessário a
utilização de ferramentas que otimizem as chances de sucesso para obter o lucro esperado. Com
a utilização de um planejamento tributário é possível fazer uma prospecção de alternativas para
redução da carga tributária, visando um regime tributário menos oneroso que possibilite maior
reserva de caixa para empresa através da diminuição de impostos (MARION, 2005).
A função da contabilidade é a de fornecer informações que ajudarão os gestores na
administração de uma empresa, normalmente é desconhecida pela maioria dos pequenos
empresários que tomam suas decisões baseados apenas na experiência que acreditam ter.
Muitos desses controles contábeis são relativamente fáceis de serem elaborados, e podem ser
facilmente aplicados na gerencia de PMEs (FABRETTI, 2003).
Diante da necessidade da viabilidade econômica financeira das PMEs, o trabalho em
comento tem como objetivo geral:
- Estudar a possibilidade de redução de impostos e tributos através de um planejamento
tributário, demonstrando, assim a eficácia de uma boa gestão contábil.
E específicos:
Volume 1, Número 04, 2020

- Mostrar a definição de micro e pequena empresa;


- Mostrar a definição dos regimes tributários: simples nacional, lucro real, lucro
presumido;
- Examinar a possível economicidade dos regimes citados para uma Micro Empresa da
atividade de comércio.
Para atender os referidos objetivos, eis as perguntas de pesquisa:
1) Quais as definições dos regimes tributários: Simples Nacional, Lucro Presumido e
Lucro Real?
2) Quais as considerações para a realização de um planejamento tributário?
3) Qual o melhor regime tributário para uma empresa da atividade de revenda de
mercadoria?
Quanto aos aspectos metodológicos, este estudo caracteriza-se por ser uma pesquisa
bibliográfica e de estudo de caso, pois se trata de uma reunião sistemática do material contido
em livros, revistas, publicações avulsas, além de leis, sumulas e projetos de leis recentemente
aprovados pelo Congresso Nacional (LAKATOS; MARCONI, 2003).

2 REFERENCIAL TEÓRICO

Teceremos algumas definições de porte e enquadramento de pessoas jurídicas e de seu


processo histórico brasileiro, de modo a contribuir para organização de um planejamento
tributário eficiente.

2.1 EMPRESA

Em termos conceituais, pode-se descrever como:

Unidade econômica organizada, que combinando capital e trabalho, produz ou faz


circular bens ou presta serviços com finalidade de lucro. Adquire personalidade jurídica
pela inscrição de seus atos constitutivos nos órgãos de registro próprio, adquirindo dessa
forma capacidade jurídica para assumir direitos e obrigações. A empresa deve ter sua
sede, ou seja, deve um domicílio, local onde exercerá seus direitos e responderá por
suas obrigações. (FABRETTI, 2003, p.36).

Nesse aspecto é possível perceber que empresa é uma estrutura organizada cuja
finalidade principal é o lucro. Para tal organização FABRETTI (2003, p.36), continua
afirmando:
A empresa contrata força de trabalho, com ou sem vínculo empregatício, combinando
capital e trabalho e adotando tecnologia e métodos de administração eficientes, organiza
Volume 1, Número 04, 2020

sua atividade econômica, objetivando a produção ou circulação de bens ou a prestação


de serviços, visando obter lucro que lhe permita desenvolver-se e remunerar
adequadamente o capital nela investido.

2.2 CLASSIFICAÇÃO DE PORTE DAS EMPRESAS

No Brasil, a Lei Geral das Micros e Pequenas Empresas classificam-se para fins técnicos
e tributários o porte de cada empresa perante a Receita Federal com base em seu faturamento
anual e a quantidade de seus colaboradores.

2.2.1 MICROEMPRESA

São empresas que possuem faturamento anual de até R$ 360.000,00 (trezentos e


sessenta mil reais). Podem empregar até 19 funcionários quando sua atividade for de indústria,
e até 9 empregados quando serviço ou comércio.

2.2.2 EMPRESA DE PEQUENO PORTE

São empresas que possuem faturamento anual de até R$ 4.800.000,00 (quatro milhões
e oitocentos mil reais). Podem empregar até 99 funcionários quando sua atividade for de
indústria, e até 49 empregados quando comércio ou serviço.

2.2.3 EMPRESA DE MÉDIO PORTE

São empresas que possuem faturamento anual superior a R$ 4.800.000,00 (quatro


milhões e oitocentos mil reais) e inferior a R$ 300.000.000,00 (trezentos milhões de reais).
Podem empregar até 499 funcionários quando sua atividade indústrial, e até 99 empregados
quando comércio ou serviço.

2.2.4 EMPRESA DE GRANDE PORTE

São empresas que possuem faturamento anual superior a R$ 300.000.000,00 (trezentos


milhões de reais).

3. REGIMES TRIBUTÁRIOS
Volume 1, Número 04, 2020

O regime tributário é um conjunto de leis que tem a função de determinar como a


empresa pagará pelos seus tributos obrigatórios. Dentre eles será abordado nesse trabalho:
Simples Nacional, Lucro presumido e Lucro Presumido.

3.1 SIMPLES NACIONAL

O Simples Nacional é um regime especial unificado de arrecadação de tributos e


contribuições devidos pelas PMEs, estabelecido pela Lei Complementar 123/2006, com
objetivo de reduzir burocracia, através da unificação de vários tributos em uma única guia. Em
2018, foi estabelecida a Resolução 140/2018 que estabeleceu novo limite máximo de receita
bruta para optantes entre outras adequações.
Nesse regime tributário são devidos 8 contribuições: IRPJ – Imposto de Renda Pessoa
Jurídica; IPI – Imposto sobre Produtos Industrializados; CSLL - Contribuições Social sobre o
Lucro Líquido; Cofins – Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social; PIS/ Pasep
– Contribuição para PIS/Pasep; CPP: Contribuição Previdenciária Patronal, ICMS – Imposto
sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e Sobre Prestações de Serviços de
Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação e ISS – Imposto sobre Serviços de
Qualquer Natureza.
Pela complexidade do sistema tributário brasileiro o Simples Nacional foi subdividido
em 5 anexos que se diferem pelo tipo de atividade empresarial e alíquotas de impostos.

3.1.1 ANEXO I

O Anexo I trata das atividades comerciais de empresas relacionadas a venda, revenda


de mercadorias, produtos e serviços, comercio varejistas, entre outros. Sua variação de alíquota
está descriminada abaixo:
Receita Bruta em 12 Meses (R$) Alíquota Valor a Deduzir (R$)
Nominal
1ª Faixa Até 180.000,00 4,00% -
2ª Faixa De 180,000,01 a 360.000,00 7,30% 5.940,00
3ª Faixa De 360.000,01 a 720.000,00 9,50% 13.860,00
4ª Faixa De 720.000,01 a 1.800.000,00 10,70% 22.500,00
Volume 1, Número 04, 2020

5ª Faixa De 1.800.000,01 a 14,30% 87.300,00


3.600,000,00
6ª Faixa De 3.600.000,01 a 19,00% 378.000,00
4.800.000,00
Tabela 1 – Faixas do Simples Nacional Anexo I. Fonte: [Link]. Acesso em
19/09/2020.
Faixas Percentual de Repartição dos Tributos
IRPJ CSLL Cofins PIS/PASEP CPP ICMS (*)
1ª 5,50% 3,50% 12,74% 2,76% 41,50% 34,00%
2ª 5,50% 3,50% 12,74% 2,76% 41,50% 34,00%
3ª 5,50% 3,50% 12,74% 2,76% 42,00% 33,50%
4ª 5,50% 3,50% 12,74% 2,76% 42,00% 33,50%
5ª 5,50% 3,50% 12,74% 2,76% 42,00% 33,50%
6ª 13,50% 10,00% 28,27% 6,13% 42,10% -
(*) Com relação ao ICMS, quando o valor do RBT12 for superior ao limite da 5ª faixa, para a parcela
que não ultrapassar o sublimite, o percentual efetivo desse imposto será calculado da seguinte forma:
{[(RBT12 x 14,30%) – R$ 87.300,00]/RBT12} x 33,50%
Tabela 2 – Percentual de Alíquotas do Simples Nacional Anexo I. Fonte: [Link].

Acesso em 19/09/2020.

3.1.2 ANEXO II

O Anexo II trata da indústria. Sua variação de alíquota está descriminada abaixo:


Receita Bruta em 12 Meses (R$) Alíquota Valor a Deduzir (R$)
Nominal
1ª Faixa Até 180.000,00 4,50% -
2ª Faixa De 180,000,01 a 360.000,00 7,80% 5.940,00
3ª Faixa De 360.000,01 a 720.000,00 10,00% 13.860,00
4ª Faixa De 720.000,01 a 1.800.000,00 11,20% 22.500,00
5ª Faixa De 1.800.000,01 a 14,70% 85.500,00
3.600,000,00
6ª Faixa De 3.600.000,01 a 30,00% 720.000,00
4.800.000,00
Tabela 3 – Faixas do Simples Nacional Anexo II. Fonte: [Link]. Acesso em
19/09/2020.
Volume 1, Número 04, 2020

Faixas Percentual de Repartição dos Tributos


IRPJ CSLL Cofins PIS/PASEP CPP IPI ICMS
(*)
1ª 5,50% 3,50% 11,51% 2,49% 37,50% 7,50% 32,00%
2ª 5,50% 3,50% 11,51% 2,49% 37,50% 7,50% 32,00%
3ª 5,50% 3,50% 11,51% 2,49% 37,50% 7,50% 32,00%
4ª 5,50% 3,50% 11,51% 2,49% 37,50% 7,50% 32,00%
5ª 5,50% 3,50% 11,51% 2,49% 37,50% 7,50% 32,00%
6ª 8,50% 7,50% 20,96% 4,54% 23,50% 35,00 -
%
Para atividade com incidência simultânea de IPI e ISS: (inciso VII do art. 25). Com relação ao ISS, quando
o percentual efetivo do ISS for superior a 5%, o resultado limitar-se-á a 5%, e a diferença será transferida
para os tributos federais, de forma proporcional aos percentuais abaixo. Os percentuais redistribuídos serão
acrescentados aos percentuais efetivos de cada tributo federal da respectiva faixa.
Quando o valor do RBT12 for superior ao limite da 5ª faixa, para a parcela que não exceder o sublimite, o
percentual efetivo do ISS será calculado conforme segue: {[(RBT12 x 21%) – R$ 125.640,00]/RBT12} x
33,5%. O percentual efetivo resultante também ficará limitado a 5%, e eventual diferença será redistribuída
para os tributos federais na forma acima prevista, de acordo com os seguintes percentuais:
Redistribuição do IRPJ CSLL Cofins PIS/PASEP CPP IPI Total
ISS excedente 8,09% 5,15% 16,93% 3,66% 55,14% 11,03% 100%
Tabela 4 – Percentual de Alíquotas do Simples Nacional Anexo II Fonte: [Link].

Acesso em 19/09/2020.

3.1.3 ANEXO III

O Anexo III trata de atividades de prestação de serviço receitas e locação de bens


móveis descritos no inciso III do § 1º do art. 25, Resolução 140/2018.
Sua variação de alíquota está descriminada abaixo:
Receita Bruta em 12 Meses (R$) Alíquota Valor a Deduzir (R$)
Nominal
1ª Faixa Até 180.000,00 6,00% -
2ª Faixa De 180,000,01 a 360.000,00 11,20% 9.360,00
3ª Faixa De 360.000,01 a 720.000,00 13,50% 17.640,00
4ª Faixa De 720.000,01 a 1.800.000,00 16,00% 35.640,00
5ª Faixa De 1.800.000,01 a 21,00% 125.640,00
3.600,000,00
Volume 1, Número 04, 2020

6ª Faixa De 3.600.000,01 a 33,00% 648.000,00


4.800.000,00
Tabela 5 – Faixas do Simples Nacional Anexo III. Fonte: [Link]. Acesso em
19/09/2020.
Faixas Percentual de Repartição dos Tributos
IRPJ CSLL Cofins PIS/PASEP CPP ISS (*)
1ª 4,00% 3,50% 12,82% 2,78% 43,40% 32,50%
2ª 4,00% 3,50% 14,05% 3,05% 43,40% 32,00%
3ª 4,00% 3,50% 13,64% 2,96% 43,40% 32,50%
4ª 4,00% 3,50% 13,64% 2,96% 43,40% 32,50%
5ª 4,00% 3,50% 12,82% 2,78% 43,40% 33,50%
6ª 35,00% 15,00% 16,03% 3,47% 30,50% -
(*) Quando o percentual efetivo do ISS for superior a 5%, o resultado limitar-se-á a 5%, e a diferença
será transferida para os tributos federais, de forma proporcional aos percentuais abaixo. Os percentuais
redistribuídos serão acrescentados aos percentuais efetivos de cada tributo federal da respectiva faixa.
Quando o valor do RBT12 for superior ao limite da 5ª faixa, para a parcela que não exceder o sublimite,
o percentual efetivo do ISS será calculado conforme segue:
{[(RBT12 x 21%) – R$ 125.640,00]/RBT12} x 33,5%. Esse percentual também ficará limitado a 5%, e
eventual diferença será redistribuída para os tributos federais na forma acima prevista, de acordo com os
seguintes percentuais:
Redistribuição do IRPJ CSLL COFINS PIS/PASEP CPP TOTAL
ISS excedente 6,02% 5,26% 19,28% 4,18% 65,26% 100%
Tabela 6 – Percentual de Alíquotas do Simples Nacional Anexo III. Fonte: [Link]

[Link]. Acesso em 19/09/2020.

3.1.4 ANEXO IV

O Anexo IV trata de atividades de prestação de serviço relacionados no inciso IV do §


1º do art. 25, Resolução 140/2018.
Sua variação de alíquota está descriminada abaixo:
Receita Bruta em 12 Meses (R$) Alíquota Valor a Deduzir (R$)
Nominal
1ª Faixa Até 180.000,00 4,50% -
2ª Faixa De 180,000,01 a 360.000,00 9,00% 8.100,00
3ª Faixa De 360.000,01 a 720.000,00 10,20% 12.420,00
4ª Faixa De 720.000,01 a 1.800.000,00 14,00% 39.780,00
Volume 1, Número 04, 2020

5ª Faixa De 1.800.000,01 a 22,00% 183.780,00


3.600,000,00
6ª Faixa De 3.600.000,01 a 33,00% 828.000,00
4.800.000,00
Tabela 7 – Faixas do Simples Nacional Anexo IV. Fonte: [Link]. Acesso em
19/09/2020.

Faixas Percentual de Repartição dos Tributos


IRPJ CSLL COFINS PIS/PASEP ISS (*)
1ª 18,80% 15,20% 17,67% 3,83% 44,50%
2ª 19,80% 15,20% 20,55% 4,45% 40,00%
3ª 20,80% 15,20% 19,73% 4,27% 40,00%
4ª 17,80% 19,20% 18,90% 4,10% 40,00%
5ª 18,80% 19,20% 18,08% 3,92% 40,00%
6ª 53,50% 21,50% 20,55% 4,45% -
(*) O percentual efetivo máximo devido ao ISS será de 5%, e a diferença será transferida, de forma
proporcional, aos tributos federais da mesma faixa de receita bruta anual. Sendo assim, na 5ª faixa,
quando a alíquota efetiva for superior a 12,5%, a repartição será:
Faixa IRPJ CSLL Cofins PIS/Pasep ISS
5ª Faixa, com (Alíquota (Alíquota (Alíquota (Alíquota Percentual de
alíquota efetiva efetiva – efetiva – 5%) x efetiva – efetiva – 5%) x ISS fixo em
superior a 12,5% 5%) x 32,00% 5%) x 6,54% 5%
31,33% 30,13%
(*) Quando o percentual efetivo do ISS for superior a 5%, o resultado limitar-se-á a 5%, e a diferença
será transferida para os tributos federais, de forma proporcional aos percentuais abaixo. Os percentuais
redistribuídos serão acrescentados aos percentuais efetivos de cada tributo federal da respectiva faixa.
Quando o valor do RBT12 for superior ao limite da 5ª faixa, para a parcela que não exceder o sublimite,
o percentual efetivo do ISS será calculado conforme segue:
{[(RBT12 x 22%) – R$ 183.780,00]/RBT12} x 40%.
Esse percentual também ficará limitado a 5%, e eventual diferença será redistribuída para os tributos
federais na forma acima prevista, de acordo com os seguintes percentuais:
Redistribuição do IRPJ CSLL COFINS PIS/Pasep TOTAL
ISS excedente 31,33% 32% 30,13% 6,54% 100%
Tabela 8 – Percentual de Alíquotas do Simples Nacional Anexo IV. Fonte: [Link].

Acesso em 19/09/2020.

3.1.4 ANEXO V

O Anexo V trata de atividades de prestação de serviço receitas prestação de serviços


relacionados no inciso IV do § 1º do art. 25 quando o fator “r” for inferior a 28%, Resolução
140/2018.
Volume 1, Número 04, 2020

Sua variação de alíquota está descriminada abaixo:


Receita Bruta em 12 Meses (R$) Alíquota Valor a Deduzir (R$)
Nominal
1ª Faixa Até 180.000,00 15,50% -
2ª Faixa De 180,000,01 a 360.000,00 18,00% 4.500,00
3ª Faixa De 360.000,01 a 720.000,00 19,50% 9.900,00
4ª Faixa De 720.000,01 a 1.800.000,00 20,50% 17.100,00
5ª Faixa De 1.800.000,01 a 23,00% 62.100,00
3.600,000,00
6ª Faixa De 3.600.000,01 a 30,50% 540.000,00
4.800.000,00
Tabela 9 – Faixas do Simples Nacional Anexo V. Fonte: [Link]. Acesso em
19/09/2020.
Faixas Percentual de Repartição dos Tributos
IRPJ CSLL Cofins PIS/PASEP CPP ISS (*)
1ª 25,00% 15,00% 14,10% 3,05% 28,85% 14,00%
2ª 23,00% 15,00% 14,10% 3,05% 27,85% 17,00%
3ª 24,00% 15,00% 14,92% 3,23% 23,85% 19,00%
4ª 21,00% 15,00% 15,74% 3,41% 23,85% 21,00%
5ª 23,00% 12,50% 14,10% 3,05% 23,85% 23,50%
6ª 35,00% 15,50% 16,44% 3,56% 29,50% -
(*) Quando o percentual efetivo do ISS for superior a 5%, o resultado limitar-se-á a 5%, e a diferença será
transferida para os tributos federais, de forma proporcional aos percentuais abaixo. Os percentuais
redistribuídos serão acrescentados aos percentuais efetivos de cada tributo federal da respectiva faixa.
Quando o valor do RBT12 for superior ao limite da 5ª faixa, para a parcela que não exceder o sublimite, o
percentual efetivo do ISS será calculado conforme segue: {[(RBT12 x 23%) – R$ 62.100,00]/RBT12} x
23,5%. Esse percentual também ficará limitado a 5%, e eventual diferença será redistribuída para os tributos
federais na forma acima prevista, de acordo com os seguintes percentuais:
Redistribuição do ISS IRPJ CSLL COFINS PIS/Pasep CPP TOTAL
excedente 30,37% 16,34% 18,43% 3,99% 31,17% 100%
Tabela 10 – Percentual de Alíquotas do Simples Nacional Anexo V. Fonte:
[Link]. Acesso em 19/09/2020.
Volume 1, Número 04, 2020

3.2. LUCRO PRESUMIDO

Regime tributário simplificado previsto na Lei 9430/96 para determinação do cálculo


de IRPJ e CSLL, baseado na presunção de lucro da empresa em determinado período. Pessoas
jurídicas com faturamento anual de até R$ 78.000.000,00 (setenta e oito milhões de reais) estão
facultadas a optar por esse regime.
A apuração do Lucro Presumido comumente é feita por trimestre nos períodos
encerrados dias 31 de março, 30 de junho, 30 de setembro e 31 de dezembro de cada ano-
calendário (Lei 9.430/1996, artigos 1 e 25). O pagamento do IRPJ e CSLL deve ser realizado
até o último dia útil do mês subsequente, e poderá ser divido em até 3 cotas quando parcela
superior a R$ 1.000,00 (um mil reais).

3.2.1 APURAÇÃO MENSAL

Além do IRPJ e CSLL, é devido outras contribuições a esse regime que são apuradas
mensalmente, o PIS, COFINS, ICMS e ISS, de acordo com a venda, revenda ou prestação de
serviços realizados pela empresa. O percentual dos mesmos está descrito na tabela abaixo:
COFINS 3%
ICMS 17% (*) (**)
ISS 2,5 a 5% (***)
PIS 0,65%
(*) Alíquota do estado de Goiás,
(**) Variação conforme produto e estado de origem
(***) Variação conforme cidade e serviço prestado.
Tabela 11 – Percentual de Alíquotas Lucro Presumido. Fonte: Receita Federal.

3.2.2 APURAÇÃO TRIMESTRAL

O cálculo do IRPJ e da CSSL será feito trimestralmente sobre a presunção do lucro com
as alíquotas de 15% e 9%, respectivamente, também é determinado o percentual da presunção
do lucro que varia de acordo com a atividade da empresa, que está descrito na tabela abaixo:
Percentuais de Presunção

DO IRPJ DA CSLL

IRPJ % Reduzido para empresa CSSL


com Receita Bruta Anual
Volume 1, Número 04, 2020

até R$ 120.000,00 para


efeito do IRPJ somente
Vendas de mercadorias e produtos 8% Não se aplica 12%
Prestação de Serviços de transporte de cargas 8% Não se aplica 12%
Prestação de serviços hospitalares e de auxílio 8% Não se aplica 12%
diagnóstico e terapia, fisioterapia e terapia
ocupacional, fonoaudiologia, patologia clínica,
imagenologia, radiologia, anatomia patológica e
citopatologia, medicina nuclear e análises e
patologias clínicas, exames por métodos gráficos,
procedimentos endoscópicos, radioterapia,
quimioterapia, diálise e oxigenoterapia hiperbárica,
desde que a prestadora desses serviços seja
organizada sob a forma de sociedade empresária e
atenda às normas da Agência Nacional de Vigilância
Sanitária (Anvisa)
Atividade de construção por empreitada com 8% Não se aplica 12%
emprego de todos os materiais indispensáveis à sua
execução, sendo tais materiais incorporados à obra
Atividades imobiliárias relativas a desmembramento 8% Não se aplica 12%
ou loteamento de terrenos, incorporação imobiliária,
construção de prédios destinados à venda e a venda
de imóveis construídos ou adquiridos para revenda
Prestação dos demais serviços de transporte 16% Não se aplica 12%
Revenda, para consumo, de combustível derivado de 1,6% Não se aplica 12%
petróleo, álcool etílico carburante e gás natural
Prestação de serviços relativos ao exercício de 32% Atividade não 32%
profissão legalmente regulamentada
beneficiada com a
redução do
percentual
Intermediação de negócios 32% 16% 32%
Prestadoras de serviços de representação comercial 32% Vide nota nº 6 abaixo 32%
autônoma
Administração, locação ou cessão de bens imóveis, 32% 16% 32%
móveis e direitos de qualquer natureza
Construção por administração ou por empreitada 32% 16% 32%
unicamente de mão de obra ou com emprego parcial
de materiais
Construção, recuperação, reforma, ampliação ou 32% Não se aplica 32%
melhoramento de infraestrutura, no caso de contratos
de concessão de serviços públicos,
Volume 1, Número 04, 2020

independentemente do emprego parcial ou total de


materiais
Prestação de serviços de coleta e transporte de 32% 16% 32%
resíduos até aterros sanitários ou local de descarte
A receita bruta auferida pela pessoa jurídica 32% Não se aplica 32%
decorrente da prestação de serviços em geral, como
limpeza e locação de mão de obra, ainda que sejam
fornecidos os materiais
Prestação de qualquer outra espécie de serviço não 32% Não se aplica 32%
mencionada anteriormente
Fundamentos legais: art. 15 e 20 da Lei nº 9.249/1995 com as alterações do art. 29 da Lei nº 11.727/2008,
art. 9º da Lei nº 12.973/2014, e arts. 33, 34, e 215 da IN RFB nº 1.700/2017.
Tabela 12 – Percentual de Alíquotas Lucro Presumido. Fonte: [Link]
o/agenda/2006/lucro_p resumido_ irpj_cs ll_03_2017.html. Acesso em 29/09/2020.

3.3. LUCRO REAL

Regime tributário previsto na Lei .8.383/91 para determinação do cálculo de IRPJ e


CSLL, baseado no lucro real (Fórmula: Receitas – Despesas = Lucro Real) da empresa em
determinado período. Sendo favorável para empresas com lucro inferior a 32% no período
apurado. Estão obrigadas a apurar o lucro real, conforme art. 14 da Lei 9.718/98, pessoas
jurídicas:
Cuja receita total no ano-calendário anterior seja superior ao limite de R$ 78.000.000,00
(setenta e oito milhões de reais) ou proporcional ao número de meses do período,
quando inferior a 12 (doze) meses; cujas atividades sejam de bancos comerciais, bancos
de investimentos, bancos de desenvolvimento, caixas econômicas, sociedades de
crédito, financiamento e investimento, sociedades de crédito imobiliário, sociedades
corretoras de títulos, valores mobiliários e câmbio, distribuidoras de títulos e valores
mobiliários, empresas de arrendamento mercantil, cooperativas de crédito, empresas de
seguros privados e de capitalização e entidades de previdência privada aberta; que
tiverem lucros, rendimentos ou ganhos de capital oriundos do exterior; que, autorizadas
pela legislação tributária, usufruam de benefícios fiscais relativos à isenção ou redução
do imposto; que, no decorrer do ano-calendário, tenham efetuado pagamento mensal
pelo regime de estimativa; que explorem as atividades de prestação cumulativa e
contínua de serviços de assessoria creditícia, mercadológica, gestão de crédito, seleção
e riscos, administração de contas a pagar e a receber, compras de direitos creditórios
resultantes de vendas mercantis a prazo ou de prestação de serviços (factoring); que
explorem as atividades de securitização de créditos imobiliários, financeiros e do
agronegócio.

A apuração desse regime, comumente é feita por trimestre nos períodos encerrados dias
31 de março, 30 de junho, 30 de setembro e 31 de dezembro de cada ano-calendário (Lei
8.383/91). O pagamento do IRPJ e CSLL pode ser realizado até o último dia útil do mês
subsequente, e poderá ser divido em até 3 cotas quando parcela superior a R$ 1.000,00 (um mil
reais).
Volume 1, Número 04, 2020

A apuração também pode ser realizada em regime anual, compreendendo o período


entre janeiro e dezembro de cada ano, onde a empresa, mensalmente, deverá pagar ou
demonstrar o IRPJ e a CSLL sobre o lucro real, com base no faturamento, acrescido das demais
receitas ou com base em balancetes de suspensão ou redução do imposto.

3.3.1 MÉTODO DE APURAÇÃO

Os impostos federais são o PIS, a COFINS, o IRPJ e a CSLL, sendo o PIS e a COFINS
apurados mensalmente sobre o faturamento; e, o IRPJ, a CSLL calculados trimestralmente
tendo como base o lucro líquido contábil, ajustado pelas adições, exclusões e compensações
autorizadas pelo Regulamento do Imposto de Renda. Para o cálculo do IRPJ a alíquota é de
15%, quando lucro auferido inferior a R$ 20.000,00 (vinte mil reais), acima desse montante é
incidido o adicional de 10% calculados sobre o valor excedente; a CSLL é 9% em todos os
casos; no lucro real a alíquota do PIS é 1,65%; e a COFINS é 7,6%.
Para apuração trimestral com base no faturamento, os percentuais aplicáveis variam de
acordo com a atividade, segundo o art. 15 da Lei 9.249/95:
8% na venda de mercadores e produtos; 1,6% na revenda, para consumo, de
combustível derivado de petróleo, álcool etílico carburante e gás natural; 16% na
prestação de serviços de transporte, exceto o de cargas que é 8%; 16% para as
Instituições Financeiras e equiparadas; 16% na prestação de serviços em geral pelas
pessoas jurídicas com receita bruta anual até R$ 120.000,00, exceto serviço hospitalares,
de transporte e de profissões regulamentadas; 32% na prestação de serviços.

4. PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO

Entende-se por planejamento tributário como uma forma lícita de reduzir a carga fiscal
da organização, como vistas na economicidade, portanto, trata-se do estudo prévio à
concretização dos fatos administrativos, dos efeitos jurídicos, fiscais e econômicos de
determinada decisão gerencial, com o objetivo de encontrar a alternativa legal menos onerosa
para o contribuinte, para isso é necessário conhecimento técnico e bom-senso dos responsáveis
pelas decisões estratégicas no ambiente corporativo.
Para um planejamento tributário lícito e efetivo é necessário saber diferenciar os termos:
evasão e elisão, o primeiro é um ato ilegítimo, que viola leis e regulamentos fiscais para
diminuir a carga tributária, através de fraudes ou sonegações, outrora a elisão utiliza de
artifícios legais para o mesmo fim:
O conceito corrente na doutrina brasileira de evasão fiscal corresponde ao agente
(contribuinte) que, por meios ilícitos, visa a eliminar, reduzir ou retardar o recolhimento
Volume 1, Número 04, 2020

de um tributo, já devido pela ocorrência do fato gerador. Em momento precedente, na


elisão fiscal, o agente licitamente vida evitar, minimizar ou adiar a ocorrência do próprio
fato gerador, que daria origem à obrigações tributárias. A elisão fiscal pressupõe a
licitude de comportamento do contribuinte que objetive identificar as consequências
fiscais de uma decisão, resultando em 17 uma economia de tributos, haja vista que,
dentro do direito de se auto organizar, está inserida a liberdade do contribuinte organizar
seus negócios do modo mesmo oneroso sob o aspecto fiscal (OLIVEIRA, 2009, p.189).

Sobre o planejamento tributário Latorraca, orienta que:


Costuma-se denominar de Planejamento Tributário a atividade empresarial que,
desenvolvendo-se de forma estritamente preventiva, projeta os atos e fatos
administrativos com o objetivo de informar quais os ônus tributários em cada uma das
opções legais disponíveis. O objeto do planejamento tributário é, em última análise, a
economia tributária. Cotejando as várias opções legais, o administrador obviamente
procura orientar os seus passos de forma a evitar, sempre que possível, o procedimento
mais oneroso do ponto de vista fiscal. (LATORRACA, 2000, p. 37).

Borges, por sua vez, menciona que:


A natureza ou essência do Planejamento Fiscal – ou Tributário – consiste em organizar
os empreendimentos econômico-mercantis da empresa, mediante o emprego de
estruturas e formas jurídicas capazes de bloquear a concretização da hipótese de
incidência tributária ou, então, de fazer com que sua materialidade ocorra na medida ou
no tempo que lhe sejam mais propícios. Trata-se, assim, de um comportamento técnico-
funcional, adotada no universo dos negócios, que visa excluir, reduzir ou adiar os
respectivos encargos tributários. (BORGES, 2000, p.55).

4.1 TRIBUTOS PREVIDÊNCIÁRIOS

A Lei 8.213/91, dispõem sobre o arrecadamento previdenciário em Micro e Pequenas


Empresas, sendo devido, mediante desconto ou retenção para:
Art. 28. I - para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou
mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou
creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer
que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades
e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente
prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos
termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou
sentença normativa; III - para o contribuinte individual: a remuneração auferida em uma
ou mais empresas ou pelo exercício de sua atividade por conta própria, durante o mês,
observado o limite máximo a que se refere o § 5º (BRASIL, 1991, texto digital).

As empresas optantes pelo Simples Nacional inseridas nos Anexos I, II e III, têm um
gasto significativamente menor com a folha de pagamento, em sua guia previdenciária, pois
não é incidido o INSS Patronal, a contribuição é abaixo está sua tabela de contribuição,
atualizada em março de 2020.
Faixa Salarial (R$) Alíquota (%)
0,00 – 1045,00 7,5
1045,01 – 2089,60 9,0
Volume 1, Número 04, 2020

2089,60 – 3134,40 12,0


3134,41 – 6101,06 14,0
Observação: valores de contribuição referentes a categoria 01 da Sefip – Empregados; para categoria 11
(Contribuinte individual - Diretor não empregado e demais empresários sem FGTS) e 13 (Contribuinte
individual – Trabalhador autônomo ou a este equiparado, inclusive o operador de máquina, com
contribuição sobre remuneração; trabalhador associado à cooperativa de produção) a alíquota fixa de
11%.
Tabela 13 – Alíquota de contribuição Previdência Social. Fonte: [Link]
ent/conn/UCMServer/u uid/dDoc Name% 3A2294039. Acesso em 26/10/2020.

Já as empresas enquadradas nos anexos IV e V do Simples, Lucro Real e Lucro


Presumido, é incido o INSS Patronal, sendo assim, acrescido na Guia de Previdência Social:
Art. 4. I - vinte por cento sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas a
qualquer título, durante o mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos que
lhe prestem serviços, destinadas a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma,
inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos
decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo
tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços, nos termos da lei ou do
contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa;
II - para o financiamento do benefício previsto nos arts. 57 e 58, e daqueles concedidos
em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos
ambientais do trabalho, sobre o total das remunerações pagas ou creditadas, no decorrer
do mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos: a) 1% (um por cento) para
as empresas em cuja atividade preponderante o risco de acidentes do trabalho seja
considerado leve; b) 2% (dois por cento) para as empresas em cuja atividade
preponderante esse risco seja considerado médio; c) 3% (três por cento) para as
empresas em cuja atividade preponderante esse risco seja considerado grave (Lei
8.213/91) (BRASIL, 1991, texto digital).

Para exemplificação dos citados acima serão demonstrados os cálculos analíticos de


duas guias previdenciárias, competência 09/2020, da empresa de distribuição de alimentos cujo
o pseudônimo será “XY DISTRIBUIÇÃO EIRELI”, para preservar a identidade e a privacidade
da companhia, cadastrada no CNAE – Código Nacional de Atividades Econômicas – 4639702
(comércio atacadista de produtos alimentícios em geral, com atividade de fracionamento e
acondicionamento associada), com dois trabalhadores (categoria 01/SEFIP), com os salários
auferidos do funcionário “A”: R$ 1045,00; funcionário “B”: R$ 2090,00 e de um contribuinte
individual “C” (categoria 11/SEFIP) no valor de R$ 1045,00.
SIMPLES NACIONAL ANEXO I, II e III
TRABALHADOR/ CONTRIBUINTE INDIVIDUAL INSS*
A R$ 78,37
B R$ 172,42
C R$ 114,95
TOTAL R$ 365,74
*Alíquotas descritas na Tabela 13 do trabalho.
Tabela 14 – Relação analítica Guia da Previdência Social. Fonte: Dados organizados pelo autor; valores de exemplificação.
Volume 1, Número 04, 2020

SIMPLES NACIONAL ANEXO IV e V; LUCRO PRESUMIDO; LUCRO


REAL
TRABALHADOR/CONTRIBUINTE INSS¹ CONTRIBUIÇÃO RAT X FAP OUTRAS
INDIVIDUAL ENTIDADES
PATRONAL² (1 %)²
[115(*)(**)]

A R$ 78,37 R$ 209,00 R$ 10,45 R$ 60,61


B R$ 172,42 R$ 418,00 R$ 20,90 R$ 121,22
C R$ 114,95 R$ 209,00 --- ---
TOTAL R$ 365,74 R$ 836,00 R$ 31,35 R$ 181,83
TOTAL GERAL R$ 1.414,92
*Código do Sistema Empresa de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social – SEFIP – relativo a Salário
Educação, INCRA, SENAC, SESC, SEBRAE.
**Obrigação correspondente ao CNAE.
¹ Alíquotas descritas na Tabela 13 do trabalho
² Alíquotas descritas na segunda citação do tópico 4 (Tributos Previdênciários) presente no trabalho.
Tabela 15 – Relação analítica Guia da Previdência Social. Fonte: Dados organizados pelo autor; valores de exemplificação.

4.1 TRIBUTOS FEDERAIS/ESTADUAIS/MUNICIPAIS

A partir do estudo do tópico número 3 (três) do trabalho – “Regimes Tributários:


Simples Nacional; Lucro Presumido; Lucro Real”; será feito uma análise da competência
09/2020 a fim de demonstrar economicamente a escolha do melhor regime tributário para a
empresa supracitada “XY DISTRIBUIÇÃO EIRELI”, sendo seu faturamento dos últimos 12
(doze) meses R$ 1.356.999,00 (um milhão e trezentos e cinquenta e seis mil novecentos e
noventa e nove reais), suas entradas de mercadoria pra revenda no mês de setembro/2020 no
valor de R$ 85.111,35 (oitenta e cinco mil cento e onze reais e trinta e cinco centavos) e seu
lucro líquido foi de R$ 17.7376,98 (dezessete mil trezentos setenta e seis reais e noventa e oito
centavos).
Descrição Simples Nacional¹ Lucro Presumido² Lucro Real³
Receita Mensal R$ 113.083,25 R$ 113.083,25 R$ 113.083,25
PIS/PASEP R$ 357,79 R$ 735,04 R$ 461,54
COFINS R$ 1.301,58 R$ 3.392,49 R$ 2.125,87
ICMS* R$ 3.415,11 R$ 4.755,23 R$ 4.755,23
IRPJ R$ 562,02 R$ 1.356,99 R$ 2.606,54
CSLL R$ 357,79 R$ 1.221,32 R$ 1.563,93
INSS/CPP R$ 4.293,77 ** **
Total R$ 10.288,06 R$ 11.461,07 R$ 11.513,11
Volume 1, Número 04, 2020

* Base de cálculo para o estado de Goiás 17%.


** Pago na guia da previdência.
¹ Empresa enquadrada no Anexo I, 4ª Faixa, alíquotas descritas nas Tabelas 1 e 2 do trabalho.
² Alíquotas descritas nas Tabelas 11 e 12 do trabalho (Presunção para IPRJ 8%, para CSLL 12%).
³ Alíquotas descritas no tópico 3.3.1 (Lucro Real – Método de Apuração) do trabalho.,
Tabela 16 - Relação analítica Tributos Federais/Estaduais/Municipais. Fonte: Dados organizados pelo autor; valores de
exemplificação.

A partir das informações evidenciadas sobre a empresa “XY DISTRIBUIÇÃO EIRELI”,


e dos estudos sobre regimes tributários descritos no trabalho, é possível afirmar que quando
enquadrada no simples nacional, ela pertence ao Anexo I, pois sua atividade é de comércio
(revenda de mercadoria), na sua 4ª faixa de faturamento, assim sua alíquota nominal será de
10,70%, e sua alíquota efetiva será de 9,041%, conforme cálculo demonstrado a seguir:
R$ 1.356.999,00 X 10,70% = 145.198,89 – 22.500,00 = 122.698,89/1.356.999,00 = 9,041%.
Quando empresa enquadrada no Lucro Presumido, a alíquota do PIS e CONFINS é fixa
e os percentuais de presunção do lucro também, variando de acordo com a atividade, conforme
Tabela 12. No regime de Lucro Real, as alíquotas de PIS e CONFINS, também são fixas,
entretanto é possível apropriar-se dos créditos de PIS e Confins das entradas de mercadorias,
assim como na sistemática do ICMS. Já na apuração do IRPJ e da CSLL o cálculo sobre o lucro
líquido do período.

5 CONSIDERAÇÕES FINAIS

A partir do estudo realizado, pode-se depreender que o planejamento tributário é de


extrema importância para qualquer tipo de empresa, em particular as PMEs que faturam até
R$ 4.800.000,00 (quatro milhões e oitocentos mil reais) por ano. Foi clarificado que vários
fatores devem ser observados, como por exemplo a atividade da empresa, a folha de pagamento,
o lucro líquido ou a presunção dele.
Através do estudo realizado, sobre regimes tributários, em foque Simples Nacional,
Lucro Presumido e Lucro Real, foi apurado que, para a empresa “XY DISTRIBUIÇÃO
EIRELI”, o seu enquadramento no Simples Nacional é assertivo financeiramente. Gerando
economia de R$ 1.049,18 (um mil quarenta e nove reais e dezoito centavos) na Guia da
Previdência Social e R$ 1.173,01 (um mil cento e setenta e três e um centavos); R$ 1.225,05
(um mil duzentos e vinte e cinco reais e cinco centavos) em tributos federais e estaduais em
relação aos regimes de Lucro Presumido e Real, respectivamente, viabilizando, assim o
ingresso da empresa no Simples Nacional.
Volume 1, Número 04, 2020

6 REFERÊNCIAS

BORGES, Humberto Bonavides. Gerência de impostos: IPI, ICMS e ISS. [Link]. São Paulo:
Atlas, 2000.

BRASIL. Lei 8.213/91. Disponível em [Link]


[Link]. Acesso em: 28/10/2020.

BRASIL. Lei 8.383/91. Disponível em: [Link] .htm .


Acesso em: 28/10/2020.

BRASIL. Lei 9.249/95. Disponível em: [Link] .htm.


Acesso em: 28/10/2020.

BRASIL. Lei 9.430/96. Disponível em: [Link] l_03/leis/l9430 .htm.


Acesso em: 28/10/2020.

BRASIL. Lei 9.718/98. Disponível em: [Link]


[Link]. Acesso em: 28/10/2020.

BRASIL. Lei Complementar 123/2006. Disponível em: [Link]


vil_03/leis/[Link]. Acesso em: 28/10/2020.

BRASIL. Resolução 140/2018. Disponível em: [Link]


ijut2consulta/[Link]?idAto=92278. Acesso em 28/10/2020.

FABRETTI, Láudio Camargo. Prática tributária da micro, pequena e média empresa, São
Paulo: Atlas, 2003.

LAKATOS, Eva Maria; MARCONI, Marina de Andrade. Fundamentos de metodologia


científica. 5. Ed. São Paulo: Atlas, 2003.

LATORRACA, Nilton. Direito Tributário: imposto de renda das empresas. [Link]. São
Paulo: Atlas, 2000.

MARION José Carlos., Análise das Demonstrações Contábeis: contabilidade empresarial.


[Link]. São Paulo: Atlas, 2005.

PADOVEZE, Clóvis, Luís. Introdução à administração financeira. São Paulo: Pioneira


Thomson Learning, 2016.

OLIVEIRA. Gustavo Pedro de. Contabilidade Tributaria. 3ª ED. São Paulo: Saraiva, 2009.

OLIVEIRA, Luís Martins de; et al. Manual de Contabilidade Tributária. 3. Ed. São Paulo:
Saraiva, 2009.
Volume 1, Número 04, 2020

A IMPLANTAÇÃO E OS BENEFÍCIOS DOS DOCUMENTOS ELETRÔNICOS PÓS


SPED

The implementation and benefits of post-SPED electronic documents


Implementación y beneficios de los documentos electrónicos post-SPED

João Pedro Aparecido de Oliveira Lima17


Clesiomar Rezende18

RESUMO

O presente estudo analisou as influências do impacto da implantação do SPED (Sistema Público de


Escrituração Digital) e ressalta a evolução da contabilidade na Era Digital. De certa forma esta
pesquisa demonstra quais os desafios e perspectivas dos profissionais contábeis frente a esse projeto
governamental, assim de fato trazendo diversas modificações ao escritório contábil. Com a presença
do SPED no setor contábil, a contabilidade foi fluindo cada vez mais, trazendo um processo ágil e
buscando conceder transparência no atendimento aos clientes. Dessa forma, com a presença desse
projeto na área contábil, os documentos fiscais eletrônicos obtiveram um papel de suma importância,
destacando a NF-e, a NFS-e, CT-e, e a NFC-e, concedendo um processo de segurança através do
certificado digital, em que é possível assinar documentos digitais e garantir com segurança o sigilo
das informações. Com a evolução da contabilidade, os profissionais foram deixando de utilizar os
documentos que eram feitos manualmente, trazendo no cotidiano os documentos fiscais eletrônicos,
em que cedeu ao profissional contábil a otimização do tempo, havendo assim um aumento na
agilidade nos processos em que os contadores precisam acessá-los, e a economia de espaços, pois
dessa forma com os documentos fiscais eletrônicos, a empresa descartou a necessidade de um espaço
físico para a organização de extensos arquivos, e a possibilidade de cruzamento entre os dados
contábeis e os fiscais, e um aperfeiçoamento na sonegação de impostos, entre tantos outros impactos.

17
Discente do curso de Ciências Contábeis da Faculdade de Jussara – FAJ, E-mail:
joaopoliveiralima@[Link]
18
Professor do curso de Ciências Contábeis da Faculdade de Jussara. Especialista em Contabilidade de Custos,
Contabilidade do Agronegócio e Contabilidade Gerencial e Atuariais. E-mail: clesiomarsilva@[Link]
Volume 1, Número 04, 2020

Palavras-chave: Documentos Fiscais Eletrônicos. Evolução. Impactos. Implantação.

ABSTRACT

This study analyzed the influences of the impact of the implementation of SPED (Public System
of Digital Bookkeeping) and highlights the evolution of accounting in the Digital Era. In a way,
this research demonstrates the challenges and perspective of the accounting professionals
facing this government project, thus in fact bringing several modifications to the accounting
office. With the presence of SPED in the accounting sector, accounting has been flowing more
and more, bringing an agile process, and seeking to provide transparency in customer service.
Thus, with the presence of this project in the accounting area, the electronic tax documents
obtained a role of paramount importance, highlighting the NF-e, NFS-e, CT-e, and NFC-e,
granting a security process through the digital certificate, in which it is possible to sign digital
documents and safely ensure the confidentiality of information. With the evolution of
accounting, the professionals stopped using the documents that were made manually, bringing
in the daily life the electronic fiscal documents, in which they gave to the accounting
professional the optimization of time, thus in a certain way there was an increase in agility in
the processes in which the accountants need to access them, and the economy of spaces,
because this way with the electronic fiscal documents, the company discarded the need for a
physical space for the organization of extensive files, and the possibility of crossing between
the accounting and fiscal data, and an improvement in the evasion of taxes, among many other
impacts.

Keywords: Electronic Fiscal Documents. Evolution. Impacts. Implementation.

1. INTRODUÇÃO

Com a implantação da tecnologia no setor contábil, a contabilidade vem passando por


constante mutações, não apenas legais, mas principalmente na prática dos processos utilizados pelos
profissionais dessa área. Essa evolução na contabilidade de trazer um melhoramento no sistema
contábil advém da própria necessidade do mercado contábil em receber informações cada vez mais
detalhadas, confiáveis e hábeis para a tomada de decisões da empresa e conceder um atendimento ao
cliente favorável.
A presença da tecnologia na contabilidade trouxe vários impactos em que os profissionais
contábeis tiveram que aderir e um desses foi a aparição dos documentos fiscais eletrônicos. Com
efeito, a contabilidade foi deixando de elaborar seus processos manualmente, que muitas vezes eram
vagarosos e não tinham confiança compreensível para as entidades e foi engajando aos documentos
digitais, que trouxeram vários resultados benéficos aos seus atendimentos. Com o surgimento dos
Volume 1, Número 04, 2020

documentos fiscais eletrônicos no setor contábil, o governo implantou, através das vias digitais, o
Sistema Público de Escrituração Digital (SPED), assim trouxeram vários privilégios aos contribuintes,
aos fiscos e aos consumidores.
O Sistema Público de Escrituração Digital trouxe as entidades vários projetos que
possibilitaram um melhoramento nos atendimentos contábeis, como por exemplo a Nota Fiscal
Eletrônica (NF-e), a Nota Fiscal de Serviços Eletrônica (NFS-e), o Conhecimento de Transporte
Eletrônico (CT-e) e a Nota Fiscal do Consumidor Eletrônica (NFC-e), entre outros projetos. Outrora,
esses projetos implantados no setor contábil trouxeram vários benefícios as entidades, como um
atendimento ágil em favor dos clientes e transparência nos processos. Ademais, a questão dos papéis
que o profissional tinha que armazenar, pois antes dos documentos fiscais eletrônicos, os escritórios
precisavam ter uma estrutura de espaço físico para armazenar a documentação de cada um dos seus
clientes, uma vez que, organizar e arquivar todos esses documentos manualmente de modo a garantir
praticidade na hora de encontrar alguns documentos não era uma atividade fácil. Portanto, o
armazenamento virtual mudou completamente esse quadro, trazendo uma nova perspectiva aos
profissionais contábeis.
Este estudo tem como objetivo geral discorrer os assuntos ligados aos documentos fiscais
eletrônicos, e transparecer a implantação e os benefícios que esses documentos fiscais eletrônicos pós
projeto SPED trouxeram na Contabilidade.
Os objetivos específicos deste trabalho são demostrar como é a contabilidade e sua evolução
hodiernamente, descrever a importância e os impactos da tecnologia da informação nos sistemas
contábeis, apresentar o Sistema Público de Escrituração Digital (SPED) e um apanhado de todos os
seus projetos, enunciar sobre o Certificado Digital que é um venerável instrumento de grande valia
para os documentos fiscais eletrônicos, demonstrar os documentos fiscais eletrônicos pós SPED bem
como discorrer os benefícios desses documentos na Era Digital.
O trabalho em tese expõe a problemática como o avanço tecnológico e a implantação de um
sistema exclusivo governamental impactou na prestação de informação da Contabilidade para o fisco?
Ademais, a temática possui notória relevância contemporânea, uma vez que demonstra os
impactos que os documentos fiscais eletrônicos causaram na prestação de informações contábeis,
tanto para o fisco, bem como para os contadores. Além disso, o artigo evidencia os benefícios
ocasionados pelas tecnologias na área contábil, demostrando um contexto histórico do antes e depois
dos referidos recursos.
Quanto aos aspectos metodológicos, esse estudo caracteriza-se por ser uma pesquisa
bibliográfica, pois se trata de uma reunião sistemática do material contido em livros, revistas,
Volume 1, Número 04, 2020

pesquisas avulsas, além de leis, súmulas e projetos de leis recentemente aprovados pelo Conselho
Federal de Contabilidade (CFC).

2. A CONTABILIDADE E A SUA EVOLUÇÃO

A contabilidade é conceituada como a ciência que estuda os fatos que ocorrem nos
patrimônios das entidades, mediante o registro e a classificação, analisando e interpretando
esses fatos, com o intuito de oferecer informações e orientações que são necessárias para a
tomada de decisão. De fato, Jacinto (1990, p.26) já ressalta que a contabilidade é a ciência que
estuda o patrimônio, as variações que ocorrem na empresa, pelos efeitos das atividades
empresariais desenvolvidas.
Seguindo tal raciocínio, Barros (2013, texto digital) complementa:

Contabilidade é a ciência social que visa ao registro e ao controle dos atos e fatos econômicos, financeiros
e administrativos das entidades. Trata-se de um sistema de informação e avaliação destinado a prover seus
usuários com demonstrações e análises de natureza econômica, financeira, física e de produtividade, com relação
à entidade objeto de contabilização.

O objeto da contabilidade está vinculado aos patrimônios públicos e aos patrimônios


particulares, onde é classificado como quantitativo e qualitativo, portanto, havendo dois
aspectos: dinâmico e estático. Entretanto, o Conselho Federal de Contabilidade (2000, p.30)
relata que na contabilidade, o objeto de estudo sempre será o patrimônio das entidades, onde
é definido como bens, direitos e obrigações, de modo que pode estar associado a terceiros, como
ocorre a pessoa física, ou a um conjunto de pessoas, que pode ser definido como as sociedades
informais, ou uma sociedade ou instituição de qualquer natureza, portanto, independente se irá
obter lucro ou não.
Outro ponto de relevância que Marques (2004, texto digital) sintetiza é o campo de
atuação da Contabilidade e a sua aplicação no escritório contábil.

A contabilidade, na qualidade de metodologia especialmente concebida para captar,


registrar, acumular, resumir e interpretar os fenômenos que afetam as situações
patrimoniais, financeiras e econômicas de qualquer entidade, tem um campo de
atuação muito amplo. Sua aplicação se dá em entidades com finalidades lucrativas ou
não, que tenham necessidade de exercer atividades econômicas para cumprir com seu
objetivo social.
Volume 1, Número 04, 2020

A contabilidade torna-se uma atividade vital para qualquer tipo de organização. Sua
importância ultrapassa a fronteira dos negócios com fins lucrativos, abarcando, inclusive,
organizações sem fins lucrativos e pessoas físicas. Afinal, a economia percorre qualquer relação de
troca, e o controle efetivo de recursos só pode ser atingido quando se pratica a filosofia contábil que
oferece as ferramentas necessárias para o alcance da efetividade.
Por conseguinte, ressalta-se que os objetivos da contabilidade estão nas informações que
devem ser geradas aos usuários, para que assim eles possam tomar conhecimento da qual se encontra
a situação da organização em um determinado tempo, assim com o objetivo de tomar decisões que
considerem necessárias. Entretanto a contabilidade tem por finalidade orientar os investidores para o
mercado, orientar credores e instituições de crédito, orientar sociais e trabalhistas, e elaborar análises
científicas para modelos de comportamento da riqueza para ensejar decisões administrativas e tantas
outras finalidades.
Segundo Franco (1997), a contabilidade tem por função registrar, classificar, demonstrar,
auditar e analisar todos os fenômenos que ocorrem dentro das entidades, com o intuito de fornecer
informações e interpretações sobre a composição e a variação do patrimônio para a tomada de
decisões de seus administradores.
A cada dia os escritórios contábeis estão se modernizando, aderindo assim constantemente a
era digital. Hoje, a contabilidade se tornou um segmento que não vive sem o auxílio de computadores
ou notebooks, sendo que o mercado de trabalhos moderno possui um grande acervo de novas
tecnologias, com o intuito de trazer agilidade e buscar a cada dia conceder um atendimento eficaz aos
clientes. Outrora, é possível afirmar que os sistemas de software estão desenvolvendo a cada dia,
perante a área contábil, assim de fato, as empresas investem nessas novas tecnologias buscando
solução aos problemas com mais agilidade nos atendimentos.
Na visão de Simas, Alves e Cabral (2011), após incluir no cotidiano contábil o uso da
tecnologia nos processos de informações, o contador começou a ser um analista da contabilidade,
pois com a evolução no setor contábil, o contador começou a dedicar mais tempo na análise da área
contábil e conseguiu efetuar seu trabalho em pouco tempo com mais segurança.

2.2 A importância e os impactos da tecnologia da informação nos sistemas contábeis

A tecnologia das informações na contabilidade vem inserindo uma nova maneira de analisar
os procedimentos, obtendo uma grande importância na gestão contábil. Por isso, o profissional
contábil, através dos mecanismos tecnológicos, está a cada dia fornecendo informações muito mais
rápidas e se adaptando as mudanças que ocorrem constantemente no mercado de trabalho.
Volume 1, Número 04, 2020

Martins (2012, texto digital) ressalta a grande importância e os impactos tecnológicos


incorporado nos sistemas contábeis.

A Tecnologia da informação tem uma vultosa importância aplicada aos sistemas


contábeis, pois facilita a realização dos registros contábeis e o gerenciamento das
atividades empresariais. Os impactos tecnológicos fizeram surgir inúmeras
ferramentas que facilitaram o trabalho do profissional contábil, trazendo mais rapidez
e qualidade na geração de informações e tornando o processo de tomada de decisão
mais ágil. Tais recursos tecnológicos ajudam a maximizar a principal função da
contabilidade que é a produção de informação.

A tecnologia da informação é uma área que usa a computação como um meio para produzir,
transmitir, armazenar, aceder e usar diversas informações. Entretanto a tecnologia da informação veio
ao setor contábil com a função de agilizar e facilitar as rotinas de trabalho, além de ecoar todas as
expectativas no que refere aos resultados. De fato, a grande parte dessas mudanças foram
proporcionados pela tecnologia da informação, que foi por demais relevante principalmente no
sistema contábil, criando de modos sistemas de informações contábeis e os ERP´S (Enterprise
Resourse Planning), que trouxe o aperfeiçoamento nas atividades exercidas pelo contador, já que a
maior parte eram feitas manualmente, e trazendo o essencial que é a agilidade nos processos e no
atendimento.
É preciso insistir que a tecnologia da informação está vinculada ao setor contábil com o
objetivo de buscar uma inovação de forma criativa e de forma que possa levar os dados com mais
agilidade e eficiência através dos mecanismos tecnológicos, assim de forma que esses dados possam
ser interpretados pelo receptor e que aumente admiravelmente as chances de uma decisão ser tomada
corretamente.
Segundo Gil (1999) a tecnologia da informação está mudando a cada dia a estrutura dos
negócios: atendimento ao cliente, que antes era vagaroso, hoje é concedido com agilidade, pois antes
esses tinham um ciclo grande, já atualmente são ágeis as entidades, onde o sistema de informação
contábil tem um grande relacionamento nesses processos.
Segundo Padoveze (2000, p.44) a tecnologia das informações tem uma grande relevância nas
atividades que são desenvolvidas no setor contábil. As tecnologias das informações são tão
abrangentes que têm uma ligação nas mais diversas áreas, que existem diversas definições, mas
nenhuma consegue definí-las por inteiro.
Na esteira de Marion (2005, texto digital):
Volume 1, Número 04, 2020

A profissão contábil passou por alguns impactos tecnológicos no momento de transição,


em que a fase mecânica foi substituída pela técnica e, posteriormente, pela fase da
informação. Desde então, dificilmente o contabilista conseguirá sobreviver no papel do
antigo guarda-livros. Diante dessa nova realidade, o profissional contábil deve estar em
constante evolução e qualificação, sendo assim um agente de mudanças no mercado,
capaz de transmitir informações de qualidade que auxiliem no processo decisório das
empresas.

De certa forma, quando a contabilidade passou por estas mudanças nos processos, através da
tecnologia da informação, essa sofreu vários impactos também por adequar as novas mudanças que
estavam por vir. Todavia, dentre os impactos que a Contabilidade se afligiu pelas as mudanças
tecnológicas, há autores que destacam a importância que a informação trouxe para as atividades
contábeis trazendo vários pontos positivos.
Nem todos os pesquisadores compreendem que esses impactos foram positivos. Pois de fato
há aqueles que atribuem uma neutralidade aos impactos. Para Scott (2009), a tecnologia mudou a face
da contabilidade ao longo dos anos, mas não é fácil identificar se seus impactos foram positivos ou
negativos.
Os autores Alsarayreh et al. (2011, texto online) reiteram que:

A tecnologia impactou principalmente na agilidade e confiabilidade dos sistemas,


utilizados nos escritórios. Isso decorreu do fato das organizações ter a necessidade
básica de disponibilizar e cruzar informações contábeis, a fim de ajudar aos usuários a
tomarem decisões fundamentais por meio de formulação de estratégias de negócios.

O setor contábil sofreu os impactos tecnológicos, pois de fato todo o processo da contabilidade
era manual, mas a tecnologia da informação veio para aderir seus mecanismos tecnológicos no setor
contábil, isso fez com que o contador aderisse por mudanças para conceder aos seus clientes
atendimentos eficazes e ágeis para a satisfação dos clientes. Embora, para que isso acontecesse, o
profissional precisou ser confiável nos sistemas de informação, na certeza que traria resultados
benéficos para o setor contábil.
A área da contabilidade é umas das áreas que mais sofreu impactos das inovações tecnológicas.
Em vista disso a contabilidade teve de manter sua atenção sempre direcionada para manter-se em
plena harmonia com os objetivos estratégicos da organização, uma vez que o contador deve usar os
diversos sistemas de informações de acordo com a necessidade de cada cliente. Para isto, na atual
conjuntura da contabilidade, saber lidar com as novas tecnologias da informação não significa um
diferencial profissional da contabilidade.
Volume 1, Número 04, 2020

Outro ponto não menos importante relacionado a tecnologia da informação, incorporado na


gestão contábil, é o sistema de informação contábil presentemente usado pelos profissionais contábeis,
onde o elemento essencial desse sistema é a informação. Esse sistema tem por objetivo armazenar,
tratar e fornecer informações necessárias para auxiliar todas as funções e processos dentro de uma
organização.
O autor Chaumier (1986) demonstra que o sistema de informação contábil apresenta duas
finalidades: obter conhecimento dos ambientes externos e internos nessa organização e a atuação
nestes ambientes.
Segundo Brien (2004, p.30), o sistema de informação contábil compõe -se de um conjunto de
dados que são interligados e tem por propósito comum a organização e por função mensurar, reportar
e analisar informações sobre os eventos econômicos das organizações. Esse sistema, fornecem aos
usuários informações financeiras que são necessárias para o controle das organizações, mas sim
condições essenciais para o exercício pleno da atividade contábil.

3. SPED (SISTEMA PÚBLICO DE ESCRITURAÇÃO DIGITAL)

Para viabilizar a concreta integração e padronização das informações entre os órgãos


fiscalizadores, o Ministério da Fazenda e a Receita Federal do Brasil, por meio do decreto 6.022 de
janeiro de 2007, instituíram o Sistema Público de Escrituração Digital – SPED, que revolucionou o
Sistema Tributário Nacional, obrigando todas as empresas a se adaptaram ás novas regras de
fiscalização implantadas pelos fiscos.
De acordo com o artigo 2° do decreto nº 6.022, de 22 de janeiro de 2007, o SPED define-se
por:

Instrumento que unifica as atividades de recepção, validação, armazenamento e


autenticação de livros e documentos que integram a escrituração comercial e fiscal dos
empresários e das sociedades empresárias, mediante fluxo único, computadorizado, de
informações.

De fato, o SPED, foi instituído pelo decreto n.6022 em 22 de janeiro de 2007. No início desse
projeto, o governo se uniu as empresas em prol de um objetivo comum: estabelecer mudança na forma
de emissão e o armazenamento de documentos fiscais, onde alterou a escrituração fiscal colocando
todos na era digital (MARIANO, AZEVEDO, 2009).
Volume 1, Número 04, 2020

Na esteira do decreto 6.022, ele ressalta os principais objetivos do SPED:

• Fiscalização eletrônica e eliminação de fraudes;


• Padronização das informações contábeis e unificação das obrigações acessórias;
• Redução do “Custo Brasil”.
• Agilidade na busca das informações;
• Intercambio de informações fiscais e cruzamento de dados.

Por isso, o SPED surgiu para reduzir o índice de fraudes nos processos contábeis, promover a
integração dos fiscos, mediante a padronização e compartilhamento das informações, tornar mais
célere as informações dos ilícitos tributários, assim trazendo melhoria nos processos e rapidez no
acesso de informação.
Segundo o sítio do SPED, o governo elaborou o surgimento do SPED, pois seria um projeto
importante e relevante aos usuários contábeis. Por isso o SPED elevou-se trazendo a importância de
eliminar a concorrência desleal com o aumento da competitividade entre as empresas e promover
compartilhamento de informações mais ágil.
De certa forma, o SPED possui anexados na sua estrutura certas premissas, como de fato:
propiciar melhor ambiente de negócios para as empresas do país; eliminar a concorrência desleal com
o aumento da competitividade entre as empresas; utilizar a certificação digital padrão para ICP Brasil;
promover o compartilhamento de informações; reduzir custos ao contribuinte; e disponibilizar
aplicativos para emissão e transmissão da Escrituração Digital e da NFC-e, para uso opcional pelo
contribuinte e trazer eficiências nos atendimentos aos clientes. Os usuários do SPED estão
contemplados no art. 3º do Decreto nº. 6.022/07:

I – A Secretaria da Receita Federal do Ministério da Fazenda;


II – As administrações tributárias dos Estados, do Distrito Federal e dos
Municípios, mediante convênio celebrado com a Secretaria da Receita
Federal; e
III – os órgãos e as entidades da administração pública federal direta e indireta que tenham
atribuição legal de regulação, normatização, controle e fiscalização dos empresários e das
sociedades empresariais (BRASIL, 2007).

Para a implantação do SPED, foram analisados os possíveis benefícios, dentre eles o destaca-
se como os principais (BRASIL 2014, texto digital):

• Redução de custos com a dispensa de emissão e armazenamento de documentos em papel;


• Eliminação do papel;
• Redução de custos com a racionalização e simplificação das obrigações acessórias;
• Uniformização das informações que o contribuinte presta às diversas unidade.

De certa forma este sistema trouxe resultados benéficos como a contribuição de redução de
custos com o armazenamento de documentos e para minimizar os encargos, assim cumprindo as
Volume 1, Número 04, 2020

obrigações acessórias, além de possibilitar uma maior segurança; gerenciamento eletrônico de


documentos como a geração e armazenamento dos dados digitalmente, o que facilita a consulta desses
documentos, quando almeja eles, quando necessário.
Souza (2013, p.74) ressalta as desvantagens do SPED:

As dificuldades encontradas em torno do SPED se dão quanto os gastos demasiados na


sua implantação com estudos, aperfeiçoamento dos sistemas e adaptação para sua
correta geração, como também, capacitação profissional quanto a legislação para que
as informações sejam transmitidas de maneira corretas.

Porém, deslocou pontos negativos como a implantação do próprio sistema, já que o mesmo
trouxe custos não planejados a empresa; a empresa teve custo com a qualificação das pessoas
envolvidas no processo, como de sistemas terceirizados para a geração de arquivos eletrônicos, a
insegurança por não saber se o que está sendo enviado e o que realmente o fisco almeja, entre outros
pontos.
Segundo Sebold et al. (2012, p. 28):

O SPED é definido como um mecanismo que integra as atividades de recepção,


validação, armazenamento e autenticação de livros e documentos integrantes da
escrituração fiscal e comercial das empresas, mediante fluxo único e computadorizado
de dados, onde seus processos são elaborados através dos projetos do SPED.

Para que haja eficiência na estrutura do Sped, há um mecanismo de grande relevância que é o
sistema de informação, de modo que segundo Padoveze (2004, p.143) obtempera que o sistema de
informação é como um meio que o contador utiliza para efetivar a contabilidade e a informação
contábil dentro da organização, para que a contabilidade seja utilizada em toda a sua plenitude.
Os autores Mascove, Simkin e Bagranoff (2002, p. 23) salientam que “Um sistema de
informações é um conjunto de subsistemas interrelacionados que funcionam em conjunto para coletar,
processar, armazenar, transformar e distribuir informações para fins de planejamento, tomada de
decisão e controle”.
O sistema de informação atualmente na contabilidade é operacionalizado utilizando como
base na tecnologia da informação, assim concedendo aos profissionais contábeis o sucesso das
empresas relacionado a velocidade que as informações são assimiladas e pela rapidez no processo de
tomada de decisão, trazendo agilidade e confiança no atendimento aos usuários.
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4. CERTIFICADO DIGITAL

Com a nova era-digital, a utilização de livros e registros que antes eram impressos e
engavetados, atualmente tornaram-se digitais. Devido a isso, novas rotinas foram criadas no cotidiano
contábil, incluindo as novas exigências do governo para a utilização de tais arquivos, como o
certificado digital.
Conforme Silva et al (2008, p. 26) “O Certificado Digital (também chamado de certificado de
chave pública) é uma ligação entre a chave pública de uma entidade e um ou mais atributos
relacionados a esta entidade, armazenados em um arquivo digital”.
O certificado digital é um documento fiscal eletrônico que identifica o emissor através de uma
criptografia. Nesse certificado, uma terceira parte confiável, denominada autoridade criptográfica,
atesta a autenticidade da chave pública ou privada, garantindo a identidade do emissor.
Segundo Ribeiro (2010, p. 56):

O Certificado Digital tem como objetivos principais, controlar o acesso de aplicativos e


assinaturas de documentos eletrônicos, garantir a autenticidade dos documentos e
mensagens digitais, dar validade jurídica aos documentos assinados e impossibilitar o
repúdio à autoria e conferir sigilo e privacidade, fazendo com que apenas o servidor e
o destinatário tenham acesso ao documentos.

O certificado digital teve seu surgimento, com o objetivo de controlar as assinaturas de


documentos fiscais eletrônicos, pois anteriormente esses processos eram feitos manualmente, de fato
aderia muitas informações empregadas nos papéis, onde o profissional contábil concedia aos usuários
um atendimento vagaroso e cansativo.
Resende (2009, p.111) afirma que “A importância da implantação do certificado digital
nas organizações é que garante a seus usuários melhor agilidade e segurança, possibilitando
que somente as partes envolvidas na transação tenha acesso as informações”.
O certificado foi elaborado pelo governo com o intuito de conceder aos usuários uma
segurança eficaz, onde só os usuários que têm acesso a chave criptográfica teriam acesso às
informações, evitando assim fraudes e tantas outras brechas.
O Instituto Nacional da Tecnologia da informação -ICP (2017), afirma que existem três tipos
de certificados: Certificados tipo A (assinatura digital), Certificados tipo S (sigilo) e o certificados
tipo T (tempo).
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O autor Brocardo (2016), ressalta que o certificado tipo A (assinatura digital) é o tipo de
certificado mais utilizado, todavia serve para realizar assinaturas digitais em todos os tipos de
documentos, transações eletrônicas, entre outras aplicações. Já o certificado tipo S (sigilo) é utilizado
exclusivamente para proporcionar sigilo à transação, ele possibilita criptografar os dados de um
documento, que passa a ser acessível somente com a utilização de um certificado digital autorizado
para abrir o arquivo.
Brocardo (2016, texto digital), afirma que:

O certificado tipo T é o mais conhecido como carimbo de tempo, ou timestamp. O carimbo


de tempo é um documento eletrônico emitido por uma parte confiável, que serve como
evidência de que uma informação digital existia numa determinada data e hora no passado.

Esses certificados são classificados quanto a sua aplicabilidade e requisitos de segurança a


chave privada. De fato, essa chave privada trás segurança aos certificados digitais das empresas,
assim evitando fraudes e trazendo segurança as entidades.

5. DOCUMENTOS FISCAIS ELETRÔNICOS PÓS SPED

Os documentos fiscais eletrônicos obtiveram um papel importantíssimo no sistema contábil,


pois de fato com o uso desses documentos facilitou o cotidiano do profissional contábil, de modo que
trouxe celeridade e eficiência nos atendimentos as entidades.
Filho (2000, p.208), afirma que os documentos fiscais eletrônico, compreende o registro de
fatos que tem como meio físico um suporte eletrônico ou digital, quais sejam, os dispositivos que
armazenam informações.
Os documentos fiscais eletrônicos têm por função de comprovar as transações de vendas de
produtos, prestação de serviços e transportes. De fato, quem não realizar a sua correta emissão ou
cometer algum erro de preenchimento, pode ser enquadrado ao crime de sonegação fiscal, conforme
a Lei n. 4.729/65.
Ao conceituar os documentos fiscais eletrônicos, ressaltando que o documento tem por meio
de material o meio eletrônico, vale salientar que a evolução do suporte material de papel para os
meios eletrônicos trouxe ao cotidiano contábil agilidade, transparência e um eficaz atendimento.
Em conformidade com Pasa (2001, texto online) “Os documentos fiscais eletrônicos com
a devida aposta, traz segurança, confiança, e a melhor admirável no sentido de seu
Volume 1, Número 04, 2020

armazenamento, e recuperação, além de segura, sua comunicação é muito mais rápida, e


eficiente”.
Para obter esse processo ágil no cotidiano contábil é preciso fazer uma assinatura digital,
a fim de obter resultados benéficos. Assim, a assinatura digital é o recurso que traz segurança
a consistência do conteúdo original e a assimilação da procedência ao mesmo tempo, de modo
que com aplicação da assinatura digital no documento fiscal eletrônico é possível trazer uma
garantia em que o conteúdo original não seja adulterado, assim como identificar a procedência
do documento abrangendo a eficiência probatória dos documentos.
O sistema público de escrituração digital (SPED) trouxe, através dos documentos fiscais
eletrônicos, vários pontos benéficos em que podemos destacar: NFC-e (Nota Fiscal do consumidor
eletrônica), NFS-e (Net Promoter Score), CT-e (Conhecimento de transporte eletrônico) e a NF-e
(Nota Fiscal eletrônica), onde todos esses documentos estão presentemente fluidos como eletrônicos,
buscando a cada dia um atendimento eficiente na área contábil.

5.1 Nota Fiscal Eletrônica – NF-e

A Nota Fiscal Eletrônica teve seu surgimento através do Sistema de Escrituração digital
(SPED), onde anteriormente essa era processada manualmente em um processo vagaroso, então
quando houve seu surgimento no sistema contábil a NF-e digital houve diversas transformações na
área contábil, dentre elas um atendimento ágil em que trouxe eficiência nas informações em que
usuários almejava para a tomada de decisão.
A esse respeito, Azevedo e Mariano (2009, p.83) obtemperam a Nota Fiscal Eletrônica como:

Um documento de existência exclusivamente digital, emitido e armazenado


eletronicamente, com o intuito de documentar uma operação de circulação de
mercadorias ou prestação de serviços, cuja validade jurídica é garantida pela assinatura
digital do emitente e a Autorização de Uso fornecida pela administração tributária do
domicílio do contribuinte.

A Nota Fiscal Eletrônica é o documento que tem sua existência digital, emitido e armazenado
eletronicamente e o seu modelo é o 55, onde tem o intuito de documentar a circulação de mercadoria
ou uma prestação de serviço entre as partes, em que sua validação está garantida através da assinatura
digital do remetente e pelo fisco do documento eletrônico, ou seja, antes da ocorrência do fato gerador.
Conforme o SEFAZ (2012), a NF-e foi elaborada pelo governo com o objetivo de uma
implantação de um modelo de documento fiscal eletrônico nacional em que sua validade é jurídica
Volume 1, Número 04, 2020

para todos os fins, em que vem como desígnio de simplificar as obrigações acessórias dos
contribuintes e apadrinhar o controle das operações pelo fisco em tempo real.
De acordo com Muller, Pilar e Kido (2007), a NF-e foi um início de uma grande reforma
tributária, em que iniciou com a modernização do Sistema tributário Nacional. De fato, por meio da
mudança de escrituração em meio físico para a escrituração eletrônica, trouxe pontos benéficos ao
sistema Contábil.
Na esteira do Enat (2005, texto digital) os pontos benéficos da NF-e:

Benefício dos consumidores: aumento da competitividade e diminuição dos custos


administrativos das empresas brasileiras pela simplificação das obrigações acessórias
(redução do “custo Brasil”), em especial a dispensa da emissão e arquivamento de
documentos em papel; Benefício das administrações tributárias: padronização e
melhoria na qualidade das informações, simplificação/redução de custos e maior
eficácia da fiscalização.

Assim, segundo o sitio do Speed estima que os pontos benéficos que a NF-e trouxe a área
contábil foi a confiabilidade dos usuários em relação a NF-e, melhoria no controle do processo fiscal,
redução de custos no processo de controle de Notas fiscais, diminuição de sonegação e aumento de
arrecadação de impostos, agilidade nos processos fiscais, entre tantos outros pontos benéficos
almejados pelos profissionais contábeis.
Os autores Nascimento e Lima (2008, p.26) relatam como é a consistência da implantação da
NF-e:

A NF-e consiste na implantação de um modelo nacional de documento fiscal eletrônico


que substitui a sistemática atual de emissão do documento fiscal em papel. A NF-e tem
validade em todos os estados brasileiros e substitui as Notas Fiscais Modelos 1 e 1-A
em todas as hipóteses previstas na legislação em que esses documentos possam ser
utilizados.

Com a implantação da NF-e na área contábil, as empresas deixaram de utilizar o talonário de


Notas Fiscais e começaram a elaborar o registro das operações pelo processamento eletrônico dos
dados. Na concepção de Carvalho et al (2011), onde as empresas começaram a ter seus processos
homologados pelas autoridades fazendárias em um tempo real.
Após essa implantação da NF-e o mercado de trabalho na área contábil sofreu vários impactos
de mudanças, dentre elas, no que tange aos contribuintes, é a desnecessidade de alocação de recursos
financeiros, humanos e materiais para o armazenamento, contabilidade, auditoria e prestação de
Volume 1, Número 04, 2020

informações as diferentes entidades reguladoras, tanto pela administração tributária, como pelos
contribuintes.
As empresas que tem a necessidade da implantação das Notas Eletrônicas, sejam elas as
MEIs e as EPPs, devem solicitar a autorização do presente documento ás Secretárias da Fazenda do
estado em que se localiza, além disso é preciso obter o certificado digital por autoridade certificadora
credenciada pela Infraestrutura de Chaves Públicas Brasileiras (ICP- Brasil), pois o certificado digital
é requisito de validade jurídica da NF-e e sua obtenção nas empresas é uma obrigação acessória
reflexa.

5.2 Nota Fiscal de Serviços Eletrônicos (NFS-e)

A Nota Fiscal de Serviços Eletrônicos (NFS-e), é um documento fiscal eletrônico do projeto


SPED, em que é desenvolvido de forma integrada pela Receita Federal do Brasil (RFB) e a
Associação Brasileira das Secretárias de Finanças de Capitais (Abrasf), em que é elaborado
automaticamente trazendo informações aos contribuintes.
Na esteira do SPED (2020, Texto digital), ressalta que:

A Nota Fiscal de Serviços Eletrônica (NFS-e) é um documento de existência digital, gerado


e armazenado eletronicamente em Ambiente Nacional pela RFB, pela prefeitura ou por outra
entidade conveniada, para documentar as operações de prestação de serviços.

Assim, a Nota fiscal de Serviços Eletrônicos foi elaborada no intuito de armazenar e


documentar as operações de prestação de serviços. De modo seja elas de qualquer natureza como
clínicas médicas, escolas, academias e consultorias em geral.
Os resultados benéficos que a NFS-e trouxe as empresas são a padronização das
administrações tributarias, melhoria nas informações, em que foi racionalizando os custos e gerando
uma eficácia maior, como pode se destacar o aumento da competitividade das empresas brasileiras
pela a racionalização das obrigações acessórias.
A NFS-e é gerada através de serviços informatizados em que é disponível pela respectiva
secretária municipal de finanças. De fato, com o intuito de prover uma solução de contingência
para o contribuinte, foi elaborado o Recibo Provisório de Serviços (RPS).
O Sítio do SPED (2020, texto digital) conceitua o Recibo Provisório de Serviços:

Recibo Provisório de Serviços é um documento de posse e responsabilidade do contribuinte,


que deverá ser gerado manualmente ou por alguma aplicação local, possuindo uma
numeração sequencial crescente e devendo ser convertido em NFS-e no prazo estipulado pela
legislação tributária municipal.
Volume 1, Número 04, 2020

Para que os RPS possam fazer parte de um lote em que é enviado para a geração das NFS-e
correspondente, há uma necessidade que o contribuinte possua uma aplicação que deve ser instaladas
em seus computadores, de modo que elas seja fornecida pela secretária ou seja desenvolvida
particularmente.

5.3 Conhecimento de Transporte Eletrônico (CT-e)

O Conhecimento de Transporte Eletrônico (CT-e), é um modelo de documento fiscal


eletrônico do SPED, em que é instituído pelo AJUSTE SINIEF 09/07, de 25/10/2007.
O sistema do Conhecimento de Transporte Eletrônico, (2020, texto online) ressalta:

Podemos conceituar o Conhecimento de Transporte Eletrônico como sendo um documento


de existência apenas digital, emitido e armazenado eletronicamente, com o intuito de
documentar, para fins fiscais, uma prestação de serviço de transporte de cargas realizada por
qualquer modal.

Podemos conceituar o Conhecimento de Transporte Eletrônico (CT-e), como um documento


de existência exclusivamente digital, em que é emitido e armazenado eletronicamente. Segundo o
Sitio do Sped (2020), foi elaborado pelo governo com o intuito de documentar uma prestação de
serviços de transporte, de modo em que a sua validade jurídica tem uma garantia através da assinatura
digital do emitente e a autorização de uso, que é fornecida através administração tributária do
domicilio do contribuinte.
O CT-e trouxe várias vantagens as empresas, como a redução de custos, a permissão da
impressão do DACTE remotamente na base de clientes via web, redução dos custos de confecção de
formulários, redução nas atuações de extravios de documentos, entre outros pontos benéficos.

5.4 Nota Fiscal de Consumidor Eletrônica (NFC-e)

A Nota Fiscal de Consumidor Eletrônica (NFC-e), é um documento fiscal eletrônico, que faz
parte do SPED, que foi elaborado pelo governo no intuito de trazer várias vantagens aos contribuintes,
e conceder um processamento mais célere, cujo seu modelo é o 65 e foi instituída pelo Ajuste Sinief
19/2016.
Conforme o Sistema Enotas (2020, texto digital), NFC-e é ressaltado como:
Volume 1, Número 04, 2020

A Nota Fiscal de Consumidor Eletrônica (NFCe) é um comprovante obrigatório em muitos


casos gerado para o cliente final e que substitui dois documentos utilizados no varejo: o
cupom fiscal e a Nota Fiscal modelo 2.

Esse projeto é uma alternativa em que é totalmente eletrônica para os atuais documentos
fiscais eletrônicos que são utilizados no varejo, seja eles o cupom fiscal, ou a nota fiscal modelo 2.
Todavia, esse projeto aventam um padrão de documento fiscal eletrônico para o varejo, que são
baseados nos padrões técnicos de sucesso da Nota Fiscal Eletrônica. (BRASIL, 2012).
A NFC-e substitui a nota fiscal de venda a consumidor, modelo 2, e por fim o cupom fiscal
emitido por ECF, de modo que é utilizada na venda a consumidor fiscal. Possivelmente a NFC-e visa
ceder uma nova alternativa que é totalmente eletrônica para os documentos fiscais em papel no varejo,
a fim de reduzir os custos de obrigações acessórias em relação aos contribuintes, ao mesmo tempo
que possibilita o aprimoramento do controle fiscal pelas Administrações Tributarias.
A NFC-e cede aos contribuintes vários pontos benéficos como de fato possibilita ao
consumidor a conferencia da validade e a autenticidade do documento fiscal recebido, como também
propõem o estabelecimento de um padrão nacional de documento fiscal eletrônico, em que é baseado
nos padrões técnicos de sucesso da Nota Fiscal Eletrônica modelo 55, todavia adequado ás
particularidades do varejo (SPED, 2020).

6. OS BENEFÍCIOS DOS DOCUMENTOS FISCAIS ELETRÔNICOS

Com o surgimento do Sistema Público de Escrituração Digital – SPED, esse projeto do


governo foi inaugurado com o objetivo de trazer resultados benéficos aos escritórios contábeis, assim
os documentos contábeis findaram de ser manualmente escrito e passaram a ser eletrônicos, de modo
que os documentos fiscais eletrônicos passaram a fazer parte do cotidiano contábil.
Assim, com a persistência dos documentos fiscais eletrônicos nos escritórios contábeis,
começaram a trazer vários benefícios aos contribuintes seja física ou jurídica. Porém os documentos
fiscais eletrônicos beneficiaram também os fiscos que está intimamente relacionado a mais alta
competência tributária do Brasil e por fim os benefícios aos consumidores.

6.1 Benefícios aos contribuintes

A presença da tecnologia da informação no sistema contábil foi implantada a fim de trazer


várias vantagens aos contribuintes com a utilização dos documentos fiscais eletrônicos. Dessa forma,
Volume 1, Número 04, 2020

contribuinte é considerado um sujeito passivo de uma obrigação tributária, quando tenha relação
pessoal e direta com a situação que constitua o respectivo fato gerador.
Na esteira do Sistema da Nota Fiscal Eletrônica (NF-e) (2020, texto digital) os principais
benefícios dos documentos fiscais eletrônicos ao contribuinte são:

Benefícios aos contribuintes


- Redução de custos de impressão;
- Redução de custos de aquisição de papel;
- Redução de custos de envio do documento fiscal;
- Redução de custos de armazenagem de documentos fiscais;

Dessa forma, os documentos fiscais eletrônicos vieram com o objetivo de proporcionar vários
benefícios aos contribuintes como a redução de papéis, pois os projetos do SPED sendo digitais,
reduziriam o índice de papéis gastos pelos profissionais, assim também como a redução de custos no
envio de documentos fiscais. De fato, logo após a implantação do SPED, ainda há uma aparição de
papéis no cotidiano contábil, como exemplo o envio de mercadorias guiado pela DANFE (Documento
Auxiliar da Nota Fiscal Eletrônica), impressão de livros fiscais obrigatórios, assim ainda causando
impactos no meio ambiente com o uso de papéis usado pelos profissionais.

6.2 Benefícios aos fiscos

A utilização dos documentos fiscais eletrônicos pelos profissionais contábeis cedeu ao


fisco vários privilégios, principalmente nos envios de notas fiscais. Basicamente, fisco é uma
autoridade fazendária do país que controla os pagamentos de impostos em todas as esferas
tributárias do país. Dessa forma o dispositivo ressalta que:

Benefícios para o Fisco:


-Aumento na confiabilidade da Nota Fiscal;
- Melhoria no processo de controle fiscal, possibilitando um melhor intercâmbio e
compartilhamento de informações entre os fiscos;
- Redução de custos no processo de controle das notas fiscais capturadas pela fiscalização
de mercadorias em trânsito;
- Diminuição da sonegação e aumento da arrecadação sem aumento de carga tributária;

Com uso dos documentos fiscais eletrônicos houve várias vantagens em favor do fisco, como
a confiabilidade dos envios das notas fiscais diminuindo a sonegação de impostos, o concedendo um
processo mais autêntico, possibilitando que as informações entre os fiscais sejam transparentes e
diligentes. Ademais, possibilitou a redução de tempo para caminhões que param nos postos fiscais de
fronteiras, pois com a participação do MDF-e os processos de fiscalização realizados nos postos de
fiscalização de mercadorias em trânsito se tornaram simplificados, de forma a reduzir o tempo dos
Volume 1, Número 04, 2020

veículos de cargas nestas unidades de fiscalização. Isso ocorre porque o MDF-e possibilita a
otimização dos processos de organização, a guarda dos documentos eletrônicos, facilitando assim a
recuperação e o intercambio das informações para trazer um processo ágil e confiável.

6.3 Benefícios aos consumidores

A presença dos documentos digitais proporcionou vários resultados positivos aos


consumidores, sobretudo com a implantação da NFC-e. De modo, consumidores é toda pessoa
física ou jurídica que adquire ou utiliza produto ou serviço como destinaria final.

Benefícios aos Consumidores:


- Redução do consumo de papel, com impacto em termos ecológicos;
- Incentivo ao comércio eletrônico e ao uso de novas tecnologias;
- Padronização dos relacionamentos eletrônicos entre empresas;

Através dos documentos fiscais eletrônicos, foi implantado a NFC-e posteriormente depois da
NF-e que já exerciam seu papel nos processos contábeis, assim após a chegada da NFC-e os
consumidores granjearam várias vantagens, exemplo disso é a transparência no ato da compra pelo
fato de receber o cupom fiscal, assim o consumidor saberá que o imposto que ele está pagando será
repassado pelo governo, isso faz com que traga mais transparência nas relações, concede mais
segurança ao consumidor e minimiza riscos de reformulação e ajustes de impostos, uma vez que, a
sonegação fiscal diminui e a arrecadação para o pagamento de contas públicas sobe. Outra vantagem
relevante é que o consumidor pode receber seu cupom fiscal pelo seu e-mail ou via SMS, facilitando
a organização financeira, de modo que todas as empresas tiveram que aderir a esses documentos
fiscais eletrônicos a fim de trazer confiabilidade aos consumidores e ao governo.
Por fim, os documentos digitais trouxeram vários resultados positivos as entidades,
disponibilizando assim um atendimento eficaz e ágil, fornecendo informações confiáveis para a
tomada de decisão da empresa e conquistando mais clientes dentro dos escritórios contábeis.

7. CONSIDERAÇÕES FINAIS

A tecnologia da informação trouxe ao setor contábil, alterações e mudanças no método de


como as rotinas contábeis eram feitas pelos profissionais dessa área. A partir do surgimento da
tecnologia, a contabilidade começou a passar por vários impactos de mudanças, em que os contadores
Volume 1, Número 04, 2020

precisaram aderir a essas modificações, de certa forma que um desses impactos foi a implantação do
Sistema Público de Escrituração Digital (SPED), implantado pelo governo ao setor contábil.
Assim, quando o projeto SPED foi criado pelo governo, ele uniu com as empresas em prol de
um objetivo comum: promover uma mudança na forma e armazenamento dos documentos fiscais
eletrônico, além de trazer uma alteração na escrituração contábil e fiscal, colocando todos
definitivamente na era digital. De certa forma, com a presença da tecnologia da informação na
Contabilidade, os profissionais foram deixando de utilizar os documentos que eram elaborados
manualmente, e começou a utilizar os documentos fiscais eletrônicos, do modo que fluiu resultados
benéficos, como a segurança nas informações, através do certificado digital, a acessibilidade na
gestão dos documentos eletrônicos, redução de custos, entre outros. Outrora, o SPED criou vários
projetos como: NF-e, NFS-e, CT-e, NFC-e. Desta forma foram trazidos a contabilidade a fim de haver
um avanço maior no setor contábil, deste modo ajudando os contadores na tomada de decisão.
Com a criação do SPED, trouxe aos fiscos diversas modificações. Desta forma, com a
elaboração desse projeto, houve diversos resultados positivos aos fiscos, de modo que diminuiu a
sonegação de tributos, e levantou um aumento na arrecadação de impostos.
De certa forma, o Sistema Público de Escrituração Digital impactou na prestação de serviços
em relação ao fisco, como a rapidez no acesso ás informações e a fiscalização mais efetiva das
operações com o cruzamento de dados e com isso identificar com mais agilidade e presteza dos ilícitos
tributários, trouxe uma redução de envolvimento involuntário de práticas fraudulentas, impactou
também em relação a redução do tempo despendido com a presença de auditores fiscais nas
instalações do contribuinte, houve de modo também um fortalecimento do controle e da fiscalização
por meio de intercâmbio entre as administrações tributárias, e um aperfeiçoamento do combate a
sonegações de impostos.
Com base em tudo que foi apresentado sobre o Sistema Público de Escrituração Digital-SPED,
e seus pilares, pode se concluir que a contabilidade através da tecnologia da informação cedeu
diversos pontos benéficos ao fisco, pois agora o fisco tem as informações em tempo real e de forma
especificada para consultar sempre que achar necessário, além do mais a rapidez na identificação de
ilícitos tributários e fraudes cometidos pelos contribuintes.
Portanto, temos que a presente pesquisa ofertou resposta a problemática, uma vez que vale
ressaltar os impactos que o projeto governamental trouxe para a contabilidade, como já observado.
Por fim, não espera que essa pesquisa permaneça vedado, e sim, seja capaz de amparar outras
pesquisas que problematizam os impactos trazidos ao fisco através do projeto SPED.
Volume 1, Número 04, 2020

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A ITG 1000 NAS MICRO E PEQUENAS EMPRESAS: um estudo teórico

ITG 1000 in micro and small companies: a theoretical study

La ITG 1000 en micro y pequeñas empresas: un estudio teórico

José Vinícius Mendes de Morais19


Denise Gomes Barros Cintra²

RESUMO

O presente artigo demonstra de forma clara a contribuição das microempresas e empresas de


pequeno porte para a economia brasileira, destacando e priorizando a mudança ocorrida através
da alteração da lei 6.404/76 que trazia conceitos e obrigações de forma coerente ao local de
vigência, para a lei 11.638/07 que foi promulgada com o intuito de fazer a harmonização dessas
obrigações. Através da pesquisa realizada, nota-se uma grande demanda exigida para as
microempresas e empresas de pequeno porte, já que antes da promulgação da lei as obrigações
agora exigidas eram somente cumpridas pelas empresas de grande porte e S/As. Com isso, para
facilitar a vida dos gestores e dos profissionais contábeis, surgiu a Instrução Técnica Geral, que
veio para simplificar a escrituração dessas empresas e fazer com que todo o processo se
mantenha de forma mais rápida e não perca qualidade. É evidenciada a importância do contador
na rotina dessas empresas, haja vista que grande parte dos gestores não tenham conhecimento
acerca dos relatórios exigidos e necessitam de profissionais contábeis qualificados para que
possam ter uma melhor tomada de decisão.

Palavras-chave: contabilidade, tomada de decisões, mudança.

ABSTRACT

19
Aluno do 8° período do Curso de Ciências Contábeis da FAJ – Jussara. E-mail: jv218778@[Link]
2
Professora e Coordenadora do Curso de Ciências Contábeis da FAJ. E-mail: denise@[Link]
Volume 1, Número 04, 2020

This article clearly demonstrates the contribution of micro and small businesses to the Brazilian
economy, highlighting and prioritizing the change that occurred through the amendment of Law
6.404 / 76 that brought concepts and obligations in a coherent way to the place of validity, for
the Law 11.638 / 07 that was enacted with the aim of harmonizing these obligations. Through
the research carried out, there is a great demand demanded for micro and small companies,
since before the enactment of the law as obligations now required, they were only fulfilled by
large and limited companies. With this, to make life easier for managers and accounting
professionals, the General Technical Instruction was created, which came to simplify the
bookkeeping of these companies and make the whole process keep up quickly and do not lose
quality. The importance of the accountant in the routine of these companies is evident, given
that most managers are not concerned with the knowledge of the required reports and resources
of accounting professionals prepared so that they can have a better decision making.

Keywords: accounting, decision making, change.

1 INTRODUÇÃO

A contabilidade no Brasil e no mundo vem ganhando cada vez mais espaço e


importância quando se leva em conta a tomada de decisões, sua influência garante o
crescimento e evolução das microempresas às empresas de grande porte. O uso de relatórios
para a gestão de pequenos negócios está cada vez mais comum, tendo em vista que era mais
visível apenas nas empresas de grande porte devido ao alto fluxo de informações. As
demonstrações financeiras que antes eram exigidas pela lei 6.404/76 para as empresas de grande
porte, agora passam a fazer parte da rotina das microempresas e empresas de pequeno porte
através da promulgação da lei 11.638/07.
Entretanto, pelo fato das alterações, muitos empreendedores não dão a devida atenção
para a utilidade da contabilidade no auxílio destas novas obrigações, e acabam deixando
algumas obrigações fora do prazo. Deve-se considerar a importância da contabilidade no
empreendedorismo e sua relevância em aspectos gerais relacionados as alterações da lei 11.638.
Os primeiros empreendimentos no Brasil ocorreram com o advento do capitalismo por volta do
século XVII, em que já havia uma certa relação com os trabalhadores que já eram donos do seu
próprio negócio, vendendo o que produziam em casa, e a partir dessa ideia de
empreendedorismo individual, foram surgindo grandes massas industriais existentes na
contemporaneidade.
No Brasil, as micro e pequenas empresas têm uma influência positiva na economia, por
serem responsáveis por um alto índice na geração de receita, e por gerarem muitos pontos de
Volume 1, Número 04, 2020

trabalho, afinal o aumento de admissões impacta diretamente ao aumento na economia


brasileira. Por mais que as grandes empresas tenham uma influência positiva mais forte, as
microempresas e empresas de pequeno porte também tem alta contribuição principalmente por
serem numerosas.
Através deste grande impacto positivo causado pelas microempresas e empresas de
pequeno porte, o Conselho Federal de Contabilidade (CFC) decidiu elaborar um modelo
contábil para facilitar e simplificar a escrituração dessas empresas, e então, surgiu a
Interpretação Técnica Geral (ITG) 1000 que é um modelo contábil utilizado principalmente nas
microempresas e empresas de pequeno porte, tal modelo foi aprovado pelo Conselho Federal
de Contabilidade em 5 de dezembro de 2012, em que foi submetido a uma audiência pública e
presencial, durante um período de aproximadamente quatro meses.
Este modelo foi elaborado como objetivo de proporcionar um método de escrituração
mais adequado para as microempresas e empresas de pequeno porte, tendo como foco principal
simplificar toda a escrituração e a geração de demonstrações contábeis, em que é levado em
consideração tanto o volume de transações e negócios, quanto o porte da entidade. Deve-se
considerar que a ITG 1000 não dá o entendimento de que esse grupo de entidades estejam
desobrigadas à manutenção da escrituração contábil, pois o objetivo principal é a simplificação
da escrituração contábil, e não à isenção da manutenção.
De acordo com estudos realizados pelo SEBRAE, no ano de 2004, havia
aproximadamente, 5.110.285 estabelecimentos no setor privado, dos quais 5.028.318 eram
constituídos por micro e pequenas empresas, ocupando 98% dos estabelecimentos, e o restante
eram considerados de médio e grande porte, totalizando 2% dos estabelecimentos. Ou seja, as
empresas de menor porte têm muito mais influência principalmente na geração de empregos, e
também contribuem muito mais na economia do país (SEBRAE, 2004).
No entanto, a proposta deste estudo é demonstrar e contextualizar as micro e pequenas
empresas no Brasil, suas influências na economia e como essas empresas se adequam a
evolução dos critérios de funcionamento e a implantação da lei 11.638/07, que teve grande
influência no crescimento e expansão dessas empresas. A relação entre essas empresas e as
normas estabelecidas são de grande influência nos resultados por elas obtidos (RIBEIRO, 2008).
Do ponto de vista procedimental, o presente estudo tem como assistência metodológica
um conjunto de estudos realizados com base em levantamentos bibliográficos a respeito da
temática optada. O estudo bibliográfico busca complexificar uma investigação acerca de
referências teóricas divulgadas em artigos, dissertações, teses e livros editoração em mídia
física ou digital (LAKATOS; MARCONI,2012).
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De modo geral, essa pesquisa é de cunho qualitativo, visto que sua essência está na
influência que a lei 11.638/07 insere sobre as micro e pequenas empresas, na importância dessas
instituições com relação ao fornecimento de empregos e principalmente na sua contribuição
para a economia brasileira, fazendo uma breve pesquisa relacionada ao impacto que a lei 11.638
vem trazendo na rotina das organizações, destacando também as vantagens de utilizar a ITG
1000 para o auxílio na simplificação das obrigações exigidas pela referida instrução técnica, e
como foi a adaptação e a produção contábil antes e depois da promulgação. Assim, o estudo
procura averiguar e contextualizar a importância do contador na rotina dessas empresas, no
auxílio e consequentemente na tomada de decisão através da lei citada acima.
Neste diapasão, o objetivo geral da presente investigação é analisar a adaptação dos
profissionais de contabilidade e as micro e pequenas empresas com a implantação da lei
11.638/07. E como objetivos específicos:
- Contextualizar as micro e pequenas empresas no Brasil.
- Descrever o impacto dessas empresas na economia brasileira.
- Averiguar a adaptação dos profissionais de contabilidade através da implantação da
lei 11.638/07, juntamente com a ITG 1000.
Diante dos objetivos ora elencados, eis as perguntas de pesquisa:
- Qual o impacto da lei 11.638 sobre as micro e pequenas empresas?
- Quais as vantagens de aplicar o método de ITG 1000 para a simplificação das
informações prestadas?
- Como era a produção da informação contábil nas microempresas e empresas de
pequeno porte antes da ITG 1000, e como ficou após 13 anos da promulgação da referida
instrução técnica.
A relevância deste estudo baseia-se na importância da contabilidade no âmbito
empresarial, tendo como base a lei 11.638 e seu impacto geral tanto nas organizações quanto
na rotina dos profissionais contábeis. E também considerando a ITG 1000 como um modelo
para que as demonstrações exigidas pela lei 11.638 sejam feitas de forma simplificada sem que
saia das exigências das Normas Internacionais da Contabilidade.
A seguir, discutimos teoricamente alguns aspectos relacionados a utilidade das
demonstrações contábeis nas empresas, a influência da contabilidade no âmbito empresarial, e
como a lei 11.638 está impactando as micro e pequenas empresas juntamente com o profissional
contábil.
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2.1 A função da contabilidade no âmbito empresarial

De acordo com Marion (2008), a contabilidade é considerada um grande instrumento de


auxílio na administração das empresas e no processo de tomada de decisões. E para isso, ela
necessita da coleta de dados, mensurando-os monetariamente, fazendo seus registros e
sumarizando-os através de relatórios que são de grande contribuição nas decisões de gestores.
No entanto, partindo dessa ideia, entende-se que a contabilidade surgiu com o intuito
de demonstrar para as empresas como estava sua saúde financeira, mas foram observadas
diversas outras utilidades em que a contabilidade se aplicava no âmbito empresarial, que acabou
exigindo dos profissionais um compromisso maior com relação ao crescimento e desempenho
dos seus clientes.
Todas as empresas, sejam elas grandes ou pequenas, acabam fazendo o uso das
informações para fins gerenciais, sendo essas informações geradas a partir de relatórios e
demonstrativos contábeis. Cada empresa se adapta a um método próprio para a utilização dos
dados fornecidos através destes relatórios, e algumas delas fazem a transmissão desses dados
para uma análise mais aprofundada, que dão interesse por exemplo, a stakeholders.
No entanto, de acordo com Tasso (2005), a ênfase na transmissão dos dados com
finalidades genéricas está diretamente ligada na presunção de que os usuários numerosos
também necessitem desses dados. Isso ocorre principalmente com os credores, acionistas e
investidores, pois são eles que precisam de relatórios fornecidos pela contabilidade para que
possam dar respostas concretas sobre as dúvidas dos administradores.
Já no que concerne às necessidades individuais dos empresários sobre os respectivos
relatórios, existe uma certa obrigatoriedade que seria o conhecimento por parte dos gestores ao
assunto tratado nos dados apresentados, pois muitas vezes existe uma certa resistência dos
mesmos e acabam por desvalorizar informações importantes que estão constadas nos relatórios
contábeis.
Tasso (2005, texto digital) obtempera que “ A Contabilidade ainda hoje é vista como
um mal necessário dentro da empresa”, isso ocorre pois para muitos administradores, a
contabilidade somente é usada para finalidades e controles fiscais, e além disso, como alguns
relatórios são de difícil entendimento, alguns gerenciadores acabam nem utilizando e os
considerando como um desperdício de tempo e dinheiro para a empresa.
Por fim, chega-se à ideia de que um bom administrador sabendo usufruir de todas as
informações contábeis, poderá tomar decisões de maior precisão, visando uma melhoria
progressiva e contínua dos resultados das unidades de negócio da empresa.
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2.2 Utilidade das demonstrações contábeis nas empresas

De acordo com Matarazzo (2010, texto digital) “As demonstrações contábeis são,
atualmente, um elemento indispensável para a gestão empresarial. Afinal, as informações
geradas pelos relatórios são essenciais para a tomada de decisão e isso pode mudar o rumo de
uma empresa”. Ou seja, se usada de forma adequada, as demonstrações proporcionam uma
grande vantagem para gestores que tenham alguma dúvida no que diz respeito ao gerenciamento
da organização, mostrando de forma clara qual a melhor decisão que o gestor deve tomar.
No entanto, as ferramentas de demonstração contábil são utilizadas de forma geral para
verificar a situação de qualquer instituição. São através dessas evidências que os
administradores podem ter uma maior noção de como está o real cenário de sua empresa antes
de tomar qualquer decisão. Podem ser utilizadas também como um relatório de custos para
saber como está a linha de produção e a formulação de preços, permite também o
monitoramento dos investimentos e resultados, ajuda a obter crédito no mercado, previne
eventuais problemas, prova a confiabilidade do negócio, e melhora consideravelmente a tomada
de decisões.

2.3 O impacto da lei 11.638 sobre as micro e pequenas empresas e o reflexo no trabalho
do profissional contábil

No Brasil, desde a promulgação da lei 11.638/07, ocorreram algumas mudanças


históricas no meio jurídico que é responsável por organizar todas a regras relacionadas as
sociedades empresárias e contábeis. A conversão das regras se deu para que houvesse uma
padronização com as normas internacionais de contabilidade, e com isso, as mudanças
trouxeram diversos conflitos em procedimentos estruturais e de nomenclatura. As alterações
também tiveram impacto bem significante nos quesitos de avaliação e mensuração das
informações financeiras das entidades (RIBEIRO,2008).
A lei 11.638 teve um impacto muito grande na rotina das empresas de modo geral, pois
antes dessa mudança, elas só atendiam a demanda fiscal, gerações dos impostos, que eram
utilizadas para transmitir ao fisco e seguirem dentro das normas exigidas. Essas empresas não
se preocupavam em ter uma contabilidade assertiva que leva em consideração a tomada de
decisão, então a lei 11.638 adaptou toda a estrutura que antes era exigida apenas nas empresas
de grande porte e S/A, para as microempresas e empresas de pequeno porte, para que todas
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tivessem a mesma acessibilidade as informações e mais precisão na tomada de decisões de uma


forma mais padronizada (RIBEIRO, 2008).
Essa mudança exigirá do profissional contábil uma grande necessidade de atualização,
já que antes da alteração, a rotina contábil era mais simples para o grupo de microempresas e
empresas de pequeno porte, exigindo do profissional contador apenas a demanda do fisco. Ou
seja, para conseguir atender as novas demandas ocasionadas através da lei 11.638, o contador
que quiser cumprir os objetivos de seu trabalho, deverá desenvolver, através de seu
conhecimento, a habilidade, a competência e a capacidade intelectual para um trabalho em
constante excelência (MARTINS, SANTOS, 2010, texto digital).
Entende-se então, que as mudanças e a padronização das regras contábeis, por
entendimento lógico, trouxeram também um impacto no comportamento do profissional
contábil, que precisa de adaptar a tais mudanças juntamente com seus clientes. A partir disso,
a revista Exame (2010) realizou um estudo e afirmou que com o aumento da participação das
empresas do Brasil em uma conjuntura mundial, acaba tendo impacto direto no perfil que é
exigido pelos contadores locais. O estudo ainda afirma que essa padronização considera
mudanças que os profissionais devem ter, como uma postura mais estratégica e uma ideia mais
voltada para o mundo de negócios.

2.4 As demonstrações financeiras e seus conceitos

De acordo com Ribeiro (2008, p.37):


Demonstrações Financeiras ou Contábeis são relatórios elaborados com base na
escrituração mercantil mantida pela entidade, com a finalidade de apresentar aos
diversos usuários informações principalmente de natureza econômica e financeira,
relativas à gestão do patrimônio ocorrida durante um exercício social. É importante
ressaltar que as Demonstrações Financeiras são elaboradas conforme as informações
relativas à entidade no período do exercício social, este tem duração de um ano.

Ou seja, é por meio das demonstrações financeiras fornecidas de uma empresa, que
facilitaria a análise da situação geral e real de sua saúde financeira, tendo reflexo direto na
tomada de decisão dos investidores ou sócios. E também são através destes relatórios que
possibilitaria que a organização consiga ter um financiamento aprovado por exemplo, pois eles
demonstrariam com clareza se a instituição conseguiria ou não arcar com as dívidas a longo
prazo.
Existem várias formas de demonstração contábil, sendo elas: Balanço Patrimonial; fluxo
de caixa; valor agregado ou adicionado; demonstrações do Resultado; mutações do Patrimônio
Líquido.
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2.4.1 Balanço Patrimonial

O balanço patrimonial, de forma geral, é a principal peça contábil, pois através dele é
possível enxergar e obter um conhecimento mais amplo de uma instituição. Segundo Sá (2009,
p.32), “o balanço é um quadro que faz conhecer a situação da empresa em um dado momento,
é o mesmo que uma balança, dando ambos os termos a ideia de equilíbrio”. Ou seja, é uma
ferramenta para auxiliar os administradores no controle de custos e despesas relativos a um
determinado período, onde o mesmo tem total controle e ciência dos seus direitos e obrigações,
e também se trata de um método muito eficaz para determinar a evolução da entidade e onde
seria mais viável uma possível revisão ou manutenção.

2.4.2 Fluxo de Caixa

Entende-se como fluxo de caixa tudo aquilo que faz com que o capital da companhia
gire, entre outras palavras, a entrada e saída de recursos financeiros para as compras,
recebimentos e investimentos. Ou seja, deixa claro “as modificações ocorridas nas
disponibilidades da companhia” (FERREIRA,2012,). De acordo com essas modificações, o
gestor administrador saberá identificar melhor qual a melhor decisão a se tomar e onde aplicar
o dinheiro da empresa, aumentando ainda mais o seu capital de giro, e consequentemente,
progredindo seu fluxo de caixa.

2.4.3 Valor agregado ou adicionado

O valor agregado ou Demonstrações de Valores Adicionados consistem nos valores


correspondentes a geração de riqueza formada pela empresa em um determinado período de
tempo e como é feita essa distribuição de resultados, podendo entrar nesse contexto as pessoas
jurídicas ou físicas, associações, o governo e outras entidades. No entanto, a DVA não apenas
se refere, mas como também “afirma que a soma das importâncias agregadas representa, na
verdade, a soma das riquezas criadas” (VICECONTI, 2013). Trata-se, pois, do lucro econômico
obtido levando em consideração o custo de oportunidade do capital investido e se o valor
organizacional foi criado ou perdido após pagar todos os custos que a empresa teve em
determinado período.
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2.4.4 Demonstrações do Resultado

Toda entidade busca visar seu desempenho econômico, buscando sempre o maior
retorno possível e dando foco ao lucro, e para saber se suas receitas superam seus custos e
despesas, a DRE (Demonstração de Resultado) vem para demonstrar da melhor forma possível,
pois sua estrutura consiste em grupos que evidenciarão a composição de resultados que foram
formados em um determinado período de tempo. Ferreira (2012), por assim dizer, pondera que
é o que denominamos resultado, determinado contabilmente conforme o regime de competência.

2.4.5 Mutações do Patrimônio Líquido

Como o próprio nome diz, as Mutações do Patrimônio Líquido têm como finalidade
apresentar todas as alterações que ocorreram com a entidade em um determinado período de
tempo. Existem algumas mudanças que são caracterizadas como principais, como a destinação
dos resultados do período, o aumento ou a diminuição das reservas da empresa, ou a
integralização de capital. Essa demonstração não é exigida por lei, mas é uma demonstração
mais completa e abrangente, por nela estarem contidas todas as contas do patrimônio Líquido.
No entanto, a empresa que escolher utilizar essa opção, não precisará apresentar a demonstração
de lucros ou prejuízos acumulados, pois essas informações já se encontram na DMPL
(SANTOS, 2013, texto digital).
Todas as entidades tinham obrigação e finalidade de apresentar as demonstrações
financeiras, e com isso foram elaborados vários tipos, que sofreram alterações a partir do
surgimento da lei 11.638. As mudanças inclusas no processo de integração da lei foram relativas
as seguintes demonstrações: A Doar (Demonstração das origens e Aplicações de Recursos) que
foi substituída pela DFC (Demonstração do Fluxo de Caixa) e incluem a DVA (Demonstração
do Valor Adicionado) (DIAS, 2008).

2.5 Alterações ocorridas através da lei 11.638 nas demonstrações financeiras

As mudanças ocasionadas pela lei 11.638 refletem sobre um cenário mundial, pois
ressalta a necessidade e priorização das informações padronizadas. Após análises de todas as
alterações ocorridas nas Demonstrações Financeiras observa-se que o objetivo das mesmas é
buscar a maior transparência possível das informações, buscando uma maior segurança no
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fornecimento de dados indicando a predisposição a convergência das práticas contábeis as


normas internacionais (DIAS, 2008).
No entanto, leva-se em conta que todos os profissionais contábeis devam estar em dia e
atento com as mudanças ocorridas no cenário contábil, pois tais transformações são constantes
e exigem uma alta capacidade destes profissionais, principalmente as alterações ocorridas nas
demonstrações financeiras, pois são através delas que as informações são repassadas de forma
correta aos usuários que precisam para uma melhor tomada de decisão.
Segundo a Fundação Instituto de Pesquisas Contábeis, Atuariais e Financeiras
(FIPECAFI), através da lei 11.638, houve mudanças significativas nos relatórios contábeis e
dentre elas se destaca as alterações no balanço patrimonial, como no Ativo, que agora o grupo
de contas passam a ser classificados como Ativo Circulante e Ativo Não Circulante, e antes era
denominado como grupo de Ativo Permanente. Destacando no grupo do Ativo Não Circulante
a integração da nova conta Intangível, que segmenta os Realizáveis a Longo Prazo, juntamente
com a conta de Investimentos e Imobilizados.
A estrutura do balanço patrimonial após a alteração da lei 6.404/76 para a 11.638/07,
teve uma mudança significativa, afirma Braga e Almeida (2008):

Antes Depois
Ativo Circulante Ativo Circulante
Realizável a Longo Prazo Ativo Não Circulante
Ativo Permanente ·Realizável a Longo Prazo
Investimento ·Investimento
Imobilizado ·Imobilizado
Diferido ·Intangível
·Diferido
Passivo Circulante Passivo Circulante
Passivo Exigível a Longo Prazo Passivo Não Circulante
Reserva de Exercícios Futuros ·Exigível a Longo Prazo
Patrimônio Líquido ·Resultado de Exercícios Futuros
·Capital Social Patrimônio Líquido
·Reserva de Capital ·Capital Social
·Reserva de Reavaliação ·Reserva de Capital
·Reserva de Lucros ·Ajuste de Avaliação patrimonial
·Lucros ou Prejuízos Acumulados ·Reservas de Lucros
·Prejuízos Acumulados
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Com isso, o novo grupo Intangível, criado a partir da lei 11.638/07 tem como objetivo
registrar todas as transações de bens incorpóreos, que antes da alteração eram registradas dentro
do Ativo Permanente, como as contas de Marcas e Patentes, Direitos Autorais e não Autorais.
Outra mudança foi com relação as depreciações, que antes eram estimadas nas taxas fiscais,
porém a partir de 2008, as depreciações passaram a ser calculadas a partir da vida útil do bem
adquirido. E no lado do passivo não houve mudanças específicas ocasionadas pela lei, somente
as contas foram reclassificadas como Passivo Circulante e Passivo Não Circulante.

2.6 A Interpretação Técnica Geral (ITG) 1000 no aspecto empresarial e suas obrigações

As microempresas e empresas de pequeno porte podem optar pela adoção da ITG 1000,
pois são as que possuem receita bruta inferior ou igual aos limites definidos pelos incisos I ou
II do artigo 3 da Lei Complementar n. 123/06. Quando foram elaborar os critérios para que uma
empresa fosse adotar o método da ITG 1000, existiam outros fatores como exemplo, que eram
o valor do ativo total, valor anual da receita bruta e a quantidade de empregados (FILHO, 2009).
Com isso, a ITG 1000 tem por objetivo principal estabelecer procedimentos e critérios
contábeis mais simplificados para o registro das informações, transações e operações que
geralmente são analisadas dentro da realidade das microempresas e empresas de pequeno porte.
Existem casos em que as entidades possuam eventos materiais ou transações que não estejam
constantes na ITG 1000, e quando isso acontece, devem ser vigorados também os critérios da
ITG 2000, com o intuito de observar todas os lançamentos e transações realizadas a fim de
garantir que sejam evidenciadas e escrituradas nas Demonstrações contábeis de forma correta
e sem deixar registros de informações pendentes.
Todas as informações constantes nas demonstrações contábeis são fundamentais para
os usuários, e a Norma Brasileira de Contabilidade (NBC, 2010), na Seção 2 afirma dizendo:
O objetivo das demonstrações contábeis de Pequenas e Médias empresas é fornecer
informação sobre a posição financeira (balanço patrimonial), o desempenho
(resultado abrangente) e os fluxos de caixa da entidade, que é útil para a tomada de
decisões por vasta gama de usuários que não está em posição de exigir relatórios feitos
sob medida para atender suas necessidades de informação particulares.

A partir desde contexto, o estudo se torna relevante com relação a utilização das
demonstrações contábeis nas empresas a partir do conceito da ITG 1000, visto que ela obriga a
demonstração destes relatórios com algumas exceções.
A ITG 1000 define regras de escrituração contábil para:
• Mensuração de estoque;
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• Receitas de vendas e de Prestação de Serviços;


• Provisão para Créditos de Liquidação Duvidosa; e,
• Reconhecimento de Ativo Imobilizado.
Para empresas que queiram ter um pacote mais enxuto na obrigação das informações, a
ITG 1000 definiu que as entidades podem elaborar apenas as seguintes demonstrações
contábeis:
• Balanço Patrimonial;
• Demonstração do Resultado do Exercício (DRE); e,
• Notas explicativas.
As opções citadas acima, por mais que as empresas tenham a opção de escolher qual
das demonstrações irão fornecer, elas de forma geral têm a obrigação em optar por essas duas
alternativas, porém, apesar da apresentação das outras demonstrações serem estimuladas, a
entidade não está na obrigação de fornecer os seguintes itens:
• Demonstração do Resultado Abrangente (DRA);
• Demonstração dos Fluxos de Caixa (DFC); e,
• Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido (DMPL).
A ITG 1000 de forma geral procura proporcionar as microempresas e empresas de
pequeno porte alguns procedimentos padronizados, e algumas recomendações que ajudariam
no dia a dia da empresa, e um deles é a realização de lançamentos diários, permitindo também
que esses lançamentos sejam lançados ao fim de cada mês. Portanto, todas as organizações
precisam manter a escrituração correta dos registros e livros auxiliares em equivalência com as
normas e a legislação fiscal vigentes.

3 CONSIDERAÇÕES FINAIS

Mediante os objetivos e as problemáticas ora levantados na presente pesquisa, temos


que o estudo fora capaz de trazer elucidações cognitivas acerca das mudanças ocorridas através
da promulgação da lei 11.638, que antes era normatizada pela Lei 6404/76, onde houve uma
nova integração relacionada ao grupo de microempresas e empresas de pequeno porte, que
agora também podem utilizar e se beneficiarem através de relatórios financeiros fornecidos
pelos profissionais contábeis.
De acordo com o texto, deve se destacar a influência da contabilidade na rotina das
empresas que agora são sujeitas a utilização dos demonstrativos contábeis, pois muitos gestores
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atendiam somente a demanda fiscal, e com a promulgação da Lei 11.638, passaram a ter um
cuidado maior e demandar mais o profissional contábil, que agora tem cada vez mais que se
adequar a rotina dessas empresas para que mantenham um serviço de alta qualidade, e assim
possam ajudar com a melhor tomada de decisão possível.
Por consequência da utilização destes relatórios e o aumento da demanda por parte dos
contadores, surgiu a ITG 1000, com o intuito de simplificar a escrituração dessas empresas e
facilitar a vida do profissional contábil. E por mais que alguns gestores considerem que a
contabilidade não seja de total utilidade para o gerenciamento de seus negócios, é preciso levar
em conta que o uso dos demonstrativos contábeis tem influência direta na “ vida útil” de uma
empresa, por ter dados mais precisos sobre seu fluxo de caixa.
O profissional contábil tem como escopo, estar sempre em constante estudo para se
manter atualizado de acordo com as mudanças advindas através das instruções técnicas, que
exigem grande atenção e cuidados para que possam sempre fornecer um serviço de qualidade
e manter uma linha progressiva em sua rotina contábil.
Por conseguinte, ainda que seja imperioso ressaltar as limitações do presente estudo,
que ocorreu apenas do ponto de vista teórico e conceitual - característica predominante de
investigações bibliográficas - a análise aqui empreendida, a partir das perguntas de pesquisa
formuladas, trouxe esclarecimentos pertinentes em face dos objetivos levantados, uma vez que
não se pode desconsiderar a dificuldade encontrada por muitos gestores quanto as obrigações
exigidas pela lei 11.638/07, como já observado.
Não se espera, todavia, que essa pesquisa permaneça hermética nas páginas deste estudo,
e sim, seja capaz de gerar e incrementar novos estudos sobre a grande influência que o
profissional contábil têm nas microempresas e empresas de pequeno porte após a alteração
ocorrida na lei 6.404/76.

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Volume 1, Número 04, 2020

Impactos e desafios com a nova obrigação acessória EFD – REINF

Impacts and challenges with the new EFD accessory obligation – REINF

Impactos y desafíos con la nueva obligación de accesorios EFD - REINF

Ana Flávia de Jesus20


Clesiomar Rezende Silva21

RESUMO
Este trabalho tem como principal objetivo discorrer sobre impactos e desafios enfrentados por
contadores e contribuintes no cumprimento das obrigações acessórias após a implementação da
EFD-Reinf. O estudo se propõe a evidenciar que a utilização da tecnologia nos sistemas de
gestão tributária propiciou mudanças significativas nas rotinas contábeis, simplificando a
integração entre Fisco e Contribuintes de forma eficiente e segura. O Sistema Público de
Escrituração Digital (SPED) é o instrumento que reúne as diversas escriturações fiscais e
comerciais das empresas em formato totalmente digital, sem a necessidade de utilizar qualquer
documento impresso. A EFD-Reinf é um módulo do sistema SPED que fornece informações a
respeito das retenções em serviços prestados ou tomados mediante cessão de mão de obra, essa
ferramenta permite que as informações prestadas tornem-se transparentes e concede ao
Governo maior controle de fiscalização por meio de cruzamento de dados dos registros
contábeis e fiscais, eliminando a possibilidade de fraudes. Este sistema vigora desde 2017 e
ainda se encontra em fase de implantação, desse modo, ainda não está obrigada a todos os tipos
de empresa. Apesar das dificuldades de adequação dos profissionais à EFD-Reinf, é possível
observar que houve melhora no cumprimento das obrigações acessórias por parte dos
contribuintes, pois a simplificação nos processos permite que as informações cheguem ao
Governo de forma segura, completa e em menos tempo. Tal modernização exige conhecimento
técnico por parte dos profissionais, visto que o uso das ferramentas digitais no segmento
contábil será cada vez mais comum, e para obter êxito em suas funções o profissional deve
saber se adaptar a essa nova realidade.

PALAVRAS -CHAVE: EFD-Reinf. Contabilidade Digital. Gestão Tributária.

20
Graduanda do Curso de Ciências Contábeis na Faculdade de Jussara FAJ e autora do presente artigo. E-mail:
anaflavia827@[Link]
21
Professor especialista orientador. Contador. Possui graduação em Ciências Contábeis. Técnico em
Administração. Pós-Graduado em Gestão empresarial: Controladoria e Finanças. E em Contabilidade, Perícia e
Auditoria clesiomarsilva@[Link]
Volume 1, Número 04, 2020

ABSTRACT
This work has as main objective to discuss impacts and challenges faced by accountants and
taxpayers in fulfilling accessory obligations after the implementation of EFD-Reinf. The study
aims to show that the use of technology in tax management systems led to significant changes
in accounting routines, simplifying the integration between tax authorities and taxpayers in an
efficient and safe way. The Public Digital Bookkeeping System (SPED) is the instrument that
brings together the various tax and commercial deeds of companies in a fully digital format,
without the need to use any printed document. EFD-Reinf is a module of the SPED system that
provides information regarding the retentions in services provided or taken by assigning labor,
this tool allows the information provided to become transparent and gives the Government
greater control of inspection through cross-checking of data from accounting and tax records,
eliminating the possibility of fraud. This system has been in force since 2017 and is still in the
implementation phase, so it is not yet obliged to all types of companies. Despite the difficulties
in adapting professionals to EFD-Reinf, it is possible to observe that there has been an
improvement in the fulfillment of accessory obligations by taxpayers, since the simplification
of processes allows information to reach the Government safely, completely and in less time.
Such modernization requires technical knowledge on the part of professionals, since the use of
digital tools in the accounting segment will be increasingly common, and to be successful in
their functions, the professional must know how to adapt to this new reality.

KEY WORDS: EFD-Reinf. Digital Accounting. Tax Management

INTRODUÇÃO

A Contabilidade é essencial para manter qualquer empresa em funcionamento, sua


responsabilidade é fornecer informações a respeito da saúde financeira da entidade aos gestores
e usuários externos, de modo que sejam tomadas as melhores decisões. Muitas empresas não
conseguem acompanhar as inúmeras as obrigações acessórias exigidas pelo Governo,
resultando na transmissão de informações incompletas, com erros e fora do prazo determinado.
A complexidade da legislação tributária brasileira atrapalha bastante o seu devido
cumprimento, são muitas as obrigatoriedades a serem repassadas ao fisco a respeito das
situações fiscais, contábil e previdenciárias. Para não sofrer nenhuma penalidade, o profissional
contábil necessita de agilidade nos processos e informações precisas e verídicas a respeito da
situação fiscal da empresa.
A tecnologia da informação aliada à Contabilidade propiciou mudanças significativas
nas rotinas contábeis, à medida que os negócios foram se desenvolvendo o uso da tecnologia
tornou-se fundamental para promover a integração entre os sistemas do Governo, pois auxilia
no desempenho das atividades e na redução de custos, todavia, o contador precisa se adaptar as
atualizações exigidas pelo Fisco, visto que gradativamente a tecnologia estará presente nos
Volume 1, Número 04, 2020

processos e os profissionais precisam de conhecimentos básicos para desempenhar seu papel


com eficiência e segurança.
O projeto SPED foi instituído para simplificar o cumprimento das obrigações acessórias
pelas empresas de forma totalmente digital, dispensando a utilização de livros em suas
operações. Inúmeras obrigatoriedades foram unificadas em um único arquivo, dessa forma o
Governo tem mais controle sobre as informações transmitidas e detecta em tempo real a
existência de fraudes. O sistema também possibilita que contador e contribuinte consigam
atender as exigências do Fisco de forma organizada e em tempo ágil.
Em complemento ao sistema SPED, surgiu a Escrituração Fiscal Digital de Retenções
e Outras Informações Fiscais (EFD-Reinf) que disponibiliza informações imediatas a sobre as
retenções de pessoas físicas e jurídicas em atividades de prestação de serviços, beneficiando
empreendedores e contabilistas pois as informações enviadas ao Governo ocorrem por meio de
arquivos eletrônicos assinados utilizando certificação digital, dispensando a apresentação de
qualquer documento de papel.
A EFD-Reinf iniciou sua obrigatoriedade partir de maio de 2018 conforme
especificado na IN RFB nº 1.701/2017, sua incumbência é substituir às informações prestadas
por outras declarações e obrigações, como a declaração substitui a EFD-Contribuições,
responsável pela apuração da Contribuição Previdenciária sobre a Receita Bruta (CPRB), a
Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte (DIRF), a Guia de Recolhimento do Fundo
de Garantia por Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a Relação Anual
de Informações Sociais (RAIS) e o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados, o
CAGED.
O presente estudo tem como objetivo geral discorrer sobre impactos causados pela
implementação da EFD-Reinf, e os desafios enfrentados por contadores e contribuintes no
cumprimento das obrigações acessórias. Por sua vez, os objetivos específicos buscam explicar
a complexidade do atual sistema tributário brasileiro, os impactos e desafios na era digital, e
evidenciar os benefícios trazidos pelo SPED e todos os seus projetos.
Diante do que foi evidenciado neste artigo, surge o seguinte questionamento: Qual a
função da EFD-Reinf atribuída pelo Governo dentro do projeto SPED?
A EFD-Reinf busca agilizar o processamento das informações nos softwares de folha
de pagamento, tributário e contábil, abrangendo informações detalhadas sobre as operações
fiscais e previdenciárias relativas as atividades das empresas. Será de grande valia para os
sistemas de monitoramento da Receita Federal, pois aumenta a transparência sobre os processos
internos e operações contábeis.
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Este trabalho foi desenvolvido através de revisão de literatura utilizando como


fundamento revistas eletrônicas, livros, sites e a legislação responsável por regulamentar o
projeto, possibilitando sua fundamentação teórica. Por meio deste estudo, é possível evidenciar
a importância da implementação da EFD-Reinf para empresários e contadores no desempenho
das suas obrigações, e para o próprio Governo que obtém maior controle sobre sua arrecadação.

2 SISTEMA TRIBUTÁRIO BRASILEIRO

Segundo Crepaldi (2019), o Sistema Tributário Brasileiro é um dos mais complexos


existentes no mundo, na maioria dos casos as empresas praticam sonegação fiscal de forma
involuntária, pois não conseguem acompanhar as mudanças frequentes da legislação. Os
contribuintes devem entender o seu funcionamento e conhecer as leis tributárias para realizar o
cálculo correto dos tributos sem qualquer irregularidade.
Todavia, ainda existem inúmeras empresas no Brasil que não se organizam conforme o
que está disposto na legislação e realiza a transmissão de informações de forma incorreta, com
divergências, ou fora do prazo determinado, podendo gerar penalidades severas para a empresa.
O Estado possui autoridade para realizar a cobrança dos tributos sobre os atos lícitos,
conforme definido no art. 3º do Código Tributário Nacional (CTN), “Tributo é toda prestação
pecuniária compulsória, em moeda ou cujo valor nela se possa exprimir, que não constitua
sanção de ato ilícito, instituída em lei e cobrada mediante atividade administrativa plenamente
vinculada” (BRASIL, 2017, p.11).
A finalidade do recolhimento de tributos é o de arrecadar recursos financeiros para
subsidiar as atividades do Estado e garantir o funcionamento dos serviços prestados à
população, como saúde, educação segurança e investimento em infraestruturas. Mantendo a
organização da sociedade e colocando em prática o desenvolvimento socioeconômico.
Os tributos possuem também funções extrafiscais. Crepaldi (2019) menciona que eles
são utilizados para distribuir renda e eliminar as desigualdades na sociedade. Servem para
impulsionar as atividades produtivas e o desenvolvimento econômico e social, promover a
educação e a cultura, entre muitos outros objetivos.
A empresas são responsáveis por grande parte dos tributos arrecadados para o Governo,
divididos entre União, Estados e Municípios, conforme estabelecido na Constituição Federal.
E cada vez mais precisam ser produtivas e mais competitivas, para permanecer no mercado e
continuar com geração de emprego, renda e receitas para o país.
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3 ERA DIGITAL: IMPACTOS E DESAFIOS

A contabilidade digital surgiu no Brasil em 2015 como grande inovação para os


serviços contábeis, através da internet e softwares online, de modo que a integração entre o
profissional contábil e seus clientes ocorre em tempo real. Essa nova maneira de fazer
contabilidade possibilita fácil acesso aos dados, otimiza a transmissão das informações
contábeis para que cheguem ao fisco de maneira mais organizada e ágil, tornando as ações
fraudulentas e as sonegações quase nulas (OLIVEIRA, et al., 2018).
Para Sales e Pinto (2017, p. 69) a contabilidade atua como ferramenta para a tomada
de decisão por parte dos gestores das empresas, destarte necessita de agilidade, confiabilidade
e segurança, assim, a informação contábil não poderia deixar de ser informatizada, para buscar
cada vez mais formas de atender as necessidades de seus usuários.
A transformação digital provocou mudanças significativas nas rotinas contábeis, a
automatização de tarefas aumenta a produtividade dos escritórios contábeis e permite que as
informações sejam mais ágeis, inteligentes e de maior qualidade, reduzindo a burocracia e
facilitando as decisões dos empresários além de trazer mais segurança para dados sigilosos. À
medida que as inovações vão surgindo o profissional precisa se adaptar a essas tendências
tecnológicas utilizando em todas suas atividades diárias (PRIMAK, 2009).
Conforme Fortes (2009), a era digital no setor contábil está em evolução, aqueles que
não se adaptarem a essa perspectiva terão dificuldade em se manter no mercado,
comprometendo sua atuação profissional.
A profissão contábil, está adaptando aos tempos modernos, com isso a tendência é que
o contabilista se especialize em determinada área com mais profundidade, a exemplo da
necessidades de conhecimentos de planejamento estratégico, tributário, aprofundamento no
conhecimento de tecnologia da informação, formação de preços, orçamentos, contabilidade
gerencial e contabilidade internacional, possibilitando uma assessoria melhor na gestão dessas
empresas.

4 SISTEMA PÚBLICO DE ESCRITURAÇÃO DIGITAL (SPED)

A contabilidade tem evoluído significativamente ao longo dos anos, à medida que os


negócios vão crescendo se torna imprescindível a utilização da tecnologia para modernização
dos processos. Para atender a demanda das empresas seja qual for o ramo de atividade, o
Volume 1, Número 04, 2020

profissional contábil deve ampliar seus conhecimentos para não ficar para trás, uma vez que as
inovações estão ganhando cada vez mais espaço e seu uso será cada vez mais comum.
A transformação digital vem moldando novas técnicas e rotinas, o Sistema Público de
Escrituração Digital, ou SPED, é o “instrumento que simplifica e une diversas atividades,
conferindo validade jurídica à livros e documentos que fazem parte da escrituração fiscal e
comercial das organizações, em formato totalmente digital. Através do SPED é possível que os
contribuintes arquivem dados em um sistema digital, abandonando os papéis que utilizavam no
passado (SILVA; COSTA; SILVA, 2017, p. 30).”
Há tempos as autoridades fiscais já demonstraram certa preocupação na qualidade das
informações passadas pelos contribuintes a respeito de suas atividades. A ideia de padronizar o
cumprimento das mesmas, para atender as três esferas governamentais através da tecnologia da
informação, deu início em dezembro de 2003, com a aprovação da Emenda Constitucional nº
42, onde é inserido inciso XXII ao art. 37 da Constituição Federal, que determina às
Administrações tributárias da União, Estados, Distrito Federal e Municípios, atuarem de forma
integrada compartilhando cadastros e informações fiscais.
O processo de otimização da gestão tributária, foi promovido em 2004, no primeiro
Encontro Nacional de Administradores Tributários, ou I ENAT, buscando soluções para melhor
atender as administrações tributárias.
Mas, somente no ano de 2005 no II Encontro do ENAT, os protocolos de Cooperação
nº 02 e nº 03, que autorizam a implantação e desenvolvimento dos projetos foram assinados,
surgindo assim o Sistema Público de Escrituração Digital e a Nota Fiscal Eletrônica.
A instituição do SPED se deu através do Decreto nº 6.022, de 22 de janeiro de 2007,
sendo pertencente ao Programa de Aceleração do Crescimento, ou PAC, do Governo Federal,
cuja intenção é de estimular setores específicos da economia brasileira, e também modernizar
o cumprimento das obrigações acessórias pelos contribuintes, unificando várias
obrigatoriedades fiscais em um único arquivo, dispensando o uso de documentos físicos nas
operações (BRASIL, 2007).
A modernização na transmissão dos dados possibilita maior controle de fiscalização
uma vez que o fisco consegue fazer o cruzamento de dados dos registros contábeis e fiscais,
dificultando a possibilidade de fraudes.
O SPED atua de forma integrada com as autoridades fiscais no âmbito, federal,
estadual e municipal, por meio da padronização e compartilhamento das informações fiscais e
contábil das empresas. Essa modernização permite que os livros e documentos sejam emitidos
de forma eletrônica, e as informações transmitidas com mais velocidade e precisão, sendo que
Volume 1, Número 04, 2020

seu objetivo inicial é o de combater a sonegação e, simultaneamente, reduzir a burocracia sobre


as empresas, permitindo que realizem suas operações em total legalidade (DUARTE, 2009).
Inicialmente foram implantados três grandes projetos, sendo eles: Escrituração
Contábil Digital, ou simplesmente ECD, Escrituração Fiscal Digital, ou EFD ICMS/IPI, e a
Nota Fiscal eletrônica, conhecida por NF-e. Segundo Origuela (2017), o sistema SPED vem
apresentando um grande êxito para o Governo, mostrando transparência sobre as informações
prestadas pelas empresas, e para as empresas, transformando em automatização e modernizando
do controle interno e dos procedimentos.
Por esse motivo, alguns anos depois foram integrados a ele outros documentos e
escriturações eletrônicas sendo eles, Escrituração Contábil Fiscal (ECF); Escrituração Fiscal
Digital (EFD Contribuições); Nota Fiscal de Consumidor Eletrônica (NFC-e); Nota Fiscal de
Serviços Eletrônica (NFS-e); Conhecimento de Transporte eletrônico (CT-e); Manifesto
Eletrônico de Documentos Fiscais (MDF-e); e-Financeira; eSocial; Escrituração Fiscal Digital
das Retenções e Informações da Contribuição Previdenciária Substituída (EFD-Reinf);
totalizando doze módulos. Dos quais onze estão sob responsabilidade da Receita Federal do
Brasil – RFB, e um módulo (eSocial) é atribuído ao Ministério do Trabalho e do Emprego–
MTE.

4.1 ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL DIGITAL - ECD

A ECD, é integrada ao programa SPED, cuja finalidade é a substituição da escrituração


de livros e documentos contábeis pela escrituração via arquivo, os livros Diário, Razão,
balancetes diários e balanços, e fichas de lançamentos são transmitidos em versão digital (SPED,
2007).
Conforme Borges e Miranda (2011, p. 3), “a partir do seu sistema de contabilidade, a
empresa gera um arquivo digital no formato especificado no anexo único à Instrução Normativa
RFB nº. 787/07, a qual institui Escrituração Contábil Digital (ECD), para fins fiscais e
previdenciários.”

4.2 ESCRITURAÇÃO FISCAL DIGITAL – EFD ICMS/IPI

A EFD ICMS/IPI reúne toda movimentação de documentos fiscais processados pela


empresa em um único arquivo digital. A declaração deve ser entregue mensalmente ao Fisco
por meio do arquivo eletrônico e utilizando certificado digital para sua validação. Seu uso se
Volume 1, Número 04, 2020

torna obrigatório para os contribuintes sujeitos a ICMS e IPI, e substitui a escrituração e a


impressão do Livro de Registro Fiscal, do Livro de Registro de Apuração do ICMS e do Livro
de Registro de Apuração do IPI (SPED, 2017).

4.3 NOTA FISCAL ELETRÔNICA – NF-E

A Nota Fiscal Eletrônica, ou NF-e, foi o primeiro projeto do SPED, instituído pelo
Governo Federal a partir do Protocolo ENAT 03/2005. Por meio dela, houve uma revolução na
forma de emitir documentos fiscais relacionados às operações de compra e venda de
mercadorias, para assegurar a validade jurídica dos documentos surgiu a certificação digital.
Sua implantação possibilita maior clareza e segurança para as transações, pois permite consultar
a qualquer momento as informações no site da Receita federal, utilizando a chave de acesso
gerada na emissão da nota (BRASIL, 2005).
De acordo com o manual NF-e (2010), a Nota Fiscal Eletrônica, ou NF-e, consiste na
emissão de um documento fiscal armazenado eletronicamente, cujo objetivo é documentar
todas as operações de venda de bens e serviços, comprovando os valores da transação para fins
de apuração de impostos.
Sua existência é exclusivamente digital, dispensando o uso da nota fiscal impressa de
modelo 1 e 1-A, pois sua validade jurídica é garantida através da assinatura digital do emitente
e autorização de uso é fornecida pela administração fiscal de cada estado.
Com a implantação da NF-e, o Governo possui maior facilidade nos processos de
fiscalização nas operações, uma vez que os dados ocorrem em tempo real e antes mesmo da
mercadoria circular o fisco já está ciente do fato gerador, diminuindo a evasão fiscal. (VIANINI,
et al., 2012).

4.4 ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL FISCAL – ECF

A Escrituração Contábil Fiscal, ou apenas ECF, uma declaração obrigatória para as


empresas enquadradas nos regimes de tributação do lucro real, lucro presumido, lucro arbitrado
inclusive pessoas jurídicas isentas e imunes não optantes pelo Simples Nacional, conforme
estabelecido na IN RFB nº 1422/2013 e alterada pela IN RFB nº 1821/2018.
Volume 1, Número 04, 2020

Tais empresas devem entregar ao SPED Contribuições todas as movimentações fiscais


e contábeis para apuração do Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) e da Contribuição Social
sobre o Lucro Líquido (CSLL). Todas as informações entregues ao Fisco garantem a eficiência
no processo de fiscalização por meio do cruzamento de dados digital.

4.5 ESCRITURAÇÃO FISCAL DIGITAL – EFD Contribuições

A EFD Contribuições é o arquivo digital inserido no SPED, segundo a normativa RFB


nº 1.252, de 2012 arts. 1º e 2º, é utilizado pelas pessoas jurídicas de direito privado para
mensuração de PIS/Pasep e da Cofins, demonstrando o valor da contribuição previdenciária
incidente sobre a receita, que fazem parte dos regimes de apuração não-cumulativo e/ou
cumulativo, baseados no conjunto de documentos e operações representativos das receitas
recebidas, custos, despesas, encargos e aquisições geradores de créditos da não cumulatividade
(SPED, 2017).
Lizote e Mariot (2012) reitera que todos os documentos da escrita fiscal dos
contribuintes referentes a arrecadação de receitas devem ser declarados, independentemente de
a operação ser tributada ou não. Na hipótese das movimentações serem da entrada de
mercadorias ou prestação de serviços, só devem ser declarados na escrituração da EFD-
Contribuições aqueles que forem objeto de apropriação de crédito.

4.6 NOTA FISCAL DE CONSUMIDOR ELETRÔNICA – NFC-E

A Nota Fiscal do Consumidor Eletrônica, a NFC-e, é um documento fiscal eletrônico,


cuja existência é apenas em formato digital. Sua emissão é realizada em substituição ao cupom
fiscal, e a Nota Fiscal de Venda ao Consumidor, modelo 2, nas operações de vendas presencial
ou entrega em domicílio ao consumidor final.
O objetivo da NFC-e é automatizar o processo de emissão dos documentos fiscais
efetuando em tempo real a comunicação com o Fisco para cada venda realizada, de modo que
o contribuinte tem a segurança que seus impostos estão sendo recolhidos devidamente
(SEFAZ/GO, 2016).
Volume 1, Número 04, 2020

O subprojeto é assistido pelo Ajuste Sinief nº 01/2013 NFC-e, e conforme Morais e


Costa (2015), a adesão deste documento favorece todos os integrantes do processo, que são os
contribuintes emitentes, o consumidor final, os administradores tributários e a sociedade em
geral.

4.7 NOTA FISCAL DE SERVIÇOS ELETRÔNICA – NFS-E

Conforme o Site da Receita Federal, a Nota Fiscal de Serviços Eletrônica, ou NFS-e,


é um documento criado pela Receita Federal do Brasil (RFB) e Associação Brasileira das
Secretarias de Finanças das Capitais (Abrasf), com o intuito comprovar a prestação de serviços
entre as partes possibilitando a emissão das notas fiscais unicamente de forma eletrônica, além
de permitir que a administração municipal tenha maior controle na arrecadação dos Impostos
Sobre Serviços, o ISS.
O controle da NFS-e é de competência da prefeitura do município do emitente, sendo
de sua responsabilidade a disponibilização de um ambiente informatizado para emissão das
notas ficais.

4.8 CONHECIMENTO DE TRANSPORTE ELETRÔNICO – CTE

O Conhecimento de Transporte Eletrônico, mais conhecido como CT-e, assim como a


NF-e, não possui existência física, somente na forma digital. É utilizado para documentar as
transações de prestação de serviço de transporte de cargas, de modo que o Fisco tenha controle
das operações e as utilize para conferir a incidência de impostos.
De acordo com Alberti (2016), “a empresa emissora de CT-e deve gerar um arquivo
eletrônico com todos os registros fiscais relacionados a prestação de serviço de transporte,
assinado digitalmente, a fim de garantir a segurança das informações e autoria do emitente.”

4.9 MANIFESTO ELETRÔNICO DE DOCUMENTOS FISCAIS – MDF-E

O MDF-e, ou Manifesto Eletrônico de Documentos Fiscais, é um documento cuja


emissão e armazenamento é somente no formato digital, sendo que sua transmissão é exigida
nas operações de transportes de mercadorias, e atua em substituição ao antigo Manifesto de
Volume 1, Número 04, 2020

Carga, modelo 25. Sua finalidade é agilizar o registro em lote, vinculando os documentos fiscais
como a NF-e (Nota Fiscal Eletrônica) e o CT-e (Conhecimento de Transporte Eletrônico).
O Ajuste SINIEF 21/2010 institui o Manifesto Eletrônico para empresas prestadoras
de serviço e de transporte de carga, ou pelas demais empresas nas operações cujo transporte
seja realizado em veículos próprios, arrendados, ou mediante contratação de transportador
autônomo de cargas, com mais de uma nota fiscal, garantindo sua validade jurídica através do
certificado digital do emitente (SEFAZ/PR).

4.10 E-FINANCEIRA

É uma obrigação acessória instituída pela IN RFB nº 1571/2015, que regulamenta a


obrigatoriedade de prestação de informações relativas ao cadastro, abertura, fechamento e
auxiliares, como também operações financeiras, de interesse da Receita Federal do Brasil.
O fisco pretende utilizar a declaração para combater a evasão fiscal, através das
informações repassadas no Imposto de Renda Pessoa Física e Jurídica, é possível confrontar as
informações prestadas verificando se o patrimônio divulgado pela empresa é realmente
verdadeiro.
Alberti (2016) destaca que as entidades obrigadas a prestar tais informações são, os
bancos, seguradoras, corretoras de valores, distribuidores de títulos e valores mobiliários,
administradores de consórcios e as entidades de previdência complementar, como as
instituições supervisionadas pelo BACEN, pela CVM, pela SUSESP e pela PREVIC. Sendo
que, mensalmente deverão ser informadas as movimentações ou saldos das operações
financeiras, quando for superior a R$ 2 mil, quando se tratar de pessoas físicas, e R$ 6 mil, no
caso de pessoas jurídicas.

4.11 E-SOCIAL

O Sistema de Escrituração Fiscal Digital das Obrigações Fiscais Previdenciárias e


Trabalhistas, chamado de eSocial é projeto do Governo Federal que objetiva unificar o envio
de todas as informações referentes ao vínculo do empregado e empregador. Foi criado através
do decreto 8.373/2014, para atender as necessidades da Secretaria da Receita Federal do Brasil,
Ministério do Trabalho e Emprego, Ministério da Previdência, Instituto Nacional de Seguro
Social, Caixa Econômica Federal e Ministério do Planejamento e combater a evasão fiscal.
Volume 1, Número 04, 2020

A implementação do eSocial simplifica o processo de envio das informações a serem


prestadas pelos empresários, e elimina a duplicidade de cadastros e padroniza diversas
operações, facilitando a fiscalização por parte dos órgãos envolvidos. Para os empregados,
existe maior transparência nas informações trabalhistas e previdenciárias.
Conforme Leite (2015), o eSocial pretende substituir de forma gradual, os Livros de
Registro de Empregados, Folha de Pagamento, GFIP, RAIS, CAGED, DIRF, CAT -
Comunicação Acidente de Trabalho, PPP - Perfil Profissiográfico Previdenciário e os arquivos
digitais entregues à fiscalização, outra alteração do eSocial é a modificação da Guia de
Previdência Social – GPS, que será substituída pelo DARF – Documento de Arrecadação de
Receitas Federais.

5 EFD-REINF – Escrituração Fiscal Digital de Retenções e Outras Informações Fiscais

Instituída pela IN RFB nº1.701/2017, e alterada pela IN RFB nº 1.767/2017, a


Escrituração Fiscal Digital de Retenções e Outras Informações Fiscais, ou EFD-Reinf, é um
módulo integrado ao sistema SPED e uma complementação ao Sistema de Escrituração Digital
das Obrigações Fiscais, Previdenciárias e Trabalhistas, o eSocial (RFB, 2017).
Segundo Luz e Bueno (2017), a escrituração abrange todas as informações relativas as
retenções de pessoas físicas e jurídicas em serviços prestados mediante cessão de mão de obra,
sem qualquer vínculo empregatício, bem como as informações sobre a receita bruta para a
apuração das contribuições previdenciárias substituídas.
A declaração é obrigatória para pessoas jurídicas que possuem retenções de PIS/Pasep,
Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS), Contribuição Social sobre
o Lucro Líquido (CSLL), Contribuição Previdenciária sobre a Receita Bruta (CPRB), e pelas
pessoas físicas e jurídicas que pagam ou creditam bases sobre as quais ocorra retenção de IRRF
entre outras.

Os contribuintes devem fornecer ao fisco informações das retenções que não possuem
relação direta com o trabalho, destacando-se os serviços prestados e tomados, as
retenções na fonte incidentes de pagamentos a pessoas físicas e jurídicas, os recursos
recebidos e repassados para associações desportivas, a comercialização da produção
e a receita bruta para apuração das contribuições previdenciárias substituídas pelas
agroindústrias e produtores rurais, as empresas que se sujeitam a apuração e
apresentação da CPRB e as empresas promotoras eventos que envolva associações
desportivas que mantenham clubes de futebol profissional (LINDOMAR, 2016, texto
online).
Volume 1, Número 04, 2020

A implantação da EFD-Reinf ocorre gradativamente de acordo com o faturamento


anual, regime tributário ou atividade da empresa, conforme definido na IN RFB nº 1.842/2018
e alterado pela IN RFB nº 1.900/2019. A obrigatoriedade de transmissão se inicia a partir de 1º
de maio de 2018 para empresas com faturamento superior a R$ 78 milhões em 2016, e em 10
de janeiro de 2019 para aquelas entidades cujo faturamento em 2016 tenha sido abaixo de R$ 78
milhões. As empresas optantes pelo Simples Nacional, Organizações sem fins lucrativos e
Órgãos Públicos ainda não estão obrigadas a entregar a declaração, a Receita Federal adiou
prazo da obrigatoriedade por meio da IN RFB nº 1.921/2020, e uma nova data será definida e
divulgada posteriormente.
Prazo de
GRUPOS
Entrega
1º de maio de
1º grupo Empresas com faturamento superior a R$ 78 milhões em 2016
2018

Demais empresas, que tiveram faturamento inferior a R$ 78 milhões 10 de janeiro


2º grupo
em 2016 (exceto as optantes pelo Simples Nacional) de 2019
Aguarda
Compreende os não pertencentes ao 1º, 2º e 4º grupos, inclusive as
3º grupo empresas optantes pelo Simples Nacional, Organizações sem fins definição da
lucrativos RFB
Aguarda
4º grupo Órgãos públicos, definição da
RFB
Fonte: IN RFB nº Nº 1921/2020.

De acordo com o Manual de Orientação da EFD-Reinf (2018), a entrega da declaração


deve ocorrer mensalmente até o dia 15 do mês subsequente ao que se refere a escrituração. Com
exceção das entidades promotoras de espetáculos desportivos que deverão transmitir os dados
relacionados ao evento no prazo de até dois dias úteis após a sua realização.
As informações são enviadas para a EFD-Reinf através de arquivos eletrônicos
assinados digitalmente por meio de certificação digital, ao final do processo esse arquivo é
transformado em documento digital, e o contribuinte recebe o protocolo de validação, que
garante a integridade dos dados e a autoria do emitente.
A respeito disso, Nardon Filho (2010) explica que a assinatura digital assegura que o
documento foi emitido pela pessoa cujo código de certificação digital e-CPF ou e-CNPJ nele
está vinculado (contribuinte ou procurador legal), como também certifica a
Volume 1, Número 04, 2020

autenticidade/veracidade do documento que foi emitido, não havendo possibilidade alterar


qualquer informação enviada, sem que se configure fraude.
Conforme disposto na normativa RFB nº 1.701/2017, através da redação dada pela IN
RFB nº 1.767/2017, a partir de maio de 2018 a declaração substituirá a EFD-Contribuições,
responsável pela apuração da Contribuição Previdenciária sobre a Receita Bruta, ou CPRB. A
escrituração também irá substituir a Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte, a DIRF,
a Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e Informações à
Previdência Social, ou GFIP, a Relação Anual de Informações Sociais, a RAIS e o Cadastro
Geral de Empregados e Desempregados, o CAGED.
A simplificação das informações repassadas através da EFD-Reinf, torna processo de
cruzamento de dados mais ágil e eficiente, possibilitando ao Fisco informações mais completas
sobre os serviços prestados e tomados pelos contribuintes. A unificação das informações
também beneficia o empreendedor e o profissional contábil, que conseguem otimizar a gestão
tributária da empresa com a centralização das obrigações acessórias em um único local.

5.1 Tributos incidentes na EFD-Reinf

5.1.1 Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF)

A incidência do Imposto de Renda Retido na Fonte, ou IRRF, ocorre nos rendimentos


do trabalho assalariado de pessoas físicas ou jurídicas, nos rendimentos do trabalho sem vínculo
empregatício de pessoas jurídicas, bem como nos rendimentos de aluguéis e royalties pagos por
pessoa jurídica e os rendimentos pagos por serviços entre pessoas jurídicas, tais como os de
natureza profissional, serviços de corretagem, propaganda e publicidade (RFB, 2015).
O decreto nº 9.580/2018, mais conhecido como RIR, é responsável por regulamentar
a tributação, fiscalização, arrecadação e administração do imposto de renda. De acordo com o
art. 681, os rendimentos do trabalho assalariado pagos pessoas físicas ou jurídicas, como o
salário, são passíveis de retenção de imposto de renda, devendo ser apurado mensalmente e
recolhido por meio de Darf, cujo código é 0561. A cobrança do imposto sobre a renda nos
rendimentos sem vínculo empregatício, está regulamentada no art. 685, nesse caso o pró-labore
é o fato gerador desse tributo. O desconto deve ser calculado conforme as alíquotas disponíveis
na tabela progressiva, e o código do Darf para recolhimento do imposto é 0588.
Volume 1, Número 04, 2020

Em relação a prestação de serviços, algumas atividades não estão sujeitas a retenção


de imposto de renda (texto online). O art. 714 (RIR 9.580/2018), destaca que nos casos em que
ocorre a incidência, a prestação de serviços caracterizadamente de natureza profissional, estão
sujeitas à incidência do imposto na fonte, à alíquota de 1,5% por cento as importâncias pagas
ou creditadas por pessoas jurídicas a outras pessoas jurídicas.
Conforme Carneiro (2015), a retenção de impostos na fonte, é uma antecipação dos
valores recolhidos aos cofres públicos. É caracterizada por atribuir a fonte pagadora a
responsabilidade de calcular o imposto e deduzir o valor do pagamento do beneficiário
conforme a tabela de alíquota do IR, repassando somente o valor liquido para o contribuinte.
Esse método assegura que as empresas irão fazer o devido recolhimento gerando maior controle
do Governo quanto à sua arrecadação.

5.1.2 Contribuições Sociais Retidas na Fonte (CSRF)

Conforme disposto no art. 30 da lei nº 10.833/2003, estão sujeitos à retenção na fonte


de PIS (Programa de Integração Social), COFINS (Contribuição para Financiamento da
Seguridade Social) e CSLL (Contribuição Social sobre o Lucro Líquido), os pagamentos
efetuados pela prestação de serviços profissionais a outras pessoas jurídicas.
Os serviços cabíveis de retenção estão especificados no art. 30 (lei nº 10.833/2003), e
alíquotas das contribuições são 0,65% de PIS, 3,0% de COFINS e 1% de CSLL, totalizando o
percentual de 4,65% sobre as remunerações nos serviços de limpeza, conservação, manutenção,
segurança, vigilância, transporte de valores e locação de mão-de-obra, os serviços de assessoria
creditícia, mercadológica, gestão de crédito, seleção e riscos, administração de contas a pagar
e a receber, como também a remuneração de serviços profissionais.
O fato gerador da retenção do PIS, COFINS e CSLL é o simples pagamento dos
serviços elencados a outra pessoa jurídica, diferentemente do que ocorre com o IRRF que pode
incidir no pagamento ou no simples lançamento contábil do serviço, ou seja o que ocorrer
primeiro (CRC/RJ, 2017, p. 38).

5.1.3 Contribuição Previdenciária sobre a Receita Bruta (CPRB)

A desoneração da folha de pagamento foi instituída pelo Governo através dos art. 7º e
8º da Lei 12.546/2011, e alterada pela IN 1.812/2018, surgiu como alternativa para as empresas
Volume 1, Número 04, 2020

que desejam reduzir a carga tributária incidente sobre os salários, substituindo a contribuição
previdenciária pela contribuição sobre as receitas da empresa (PELLEGRINI;MENDES, 2014).
Grande parte das receitas arrecadadas pelo Governo são oriundas das contribuições
das empresas. A legislação estabelece que o INSS patronal recolhido por elas deve ser utilizado
para financiamento da Saúde, Previdência Social, Educação e Serviços Sociais Autônomos
(SESC, SENAI, SENAC).
De acordo com a Lei nº 8.212, art. 10 “a seguridade social deve ser financiada por toda
a sociedade, de forma direta ou indireta. De forma indireta, vindo de entes federativos; e de
forma direta, por empregadores e trabalhadores.”
Com essa medida, a empresa tem a possibilidade escolher qual opção de recolhimento
é mais vantajosa para o negócio, as empresas da construção civil, obras de infraestrutura,
transporte ferroviário, metroferroviário, rodoviário e de radiodifusão, podem optar pela
contribuição de 20% sobre as remunerações da folha de pagamento, ou pela apuração incidente
sobre a receita bruta, nesse caso a alíquota pode variar de 1% a 4,5% dependendo da atividade
da empresa.

5.2 Impactos e Desafios com o surgimento da EFD-Reinf

Conforme Cruz e Amaral (2019), a carga tributária brasileira representa um dos


principais custos das empresas, a complexidade da legislação tributária sempre dificultou o
relacionamento entre o Governo e os contribuintes. A modernização e padronização das práticas
contábeis permite a identificação de atos fraudulentos em tempo real, a implantação da EFD-
Reinf contribui com o cumprimento das obrigações acessórias e em contrapartida facilita os
processos de fiscalização sobre as operações utilizado cruzamentos de dados e auditoria
eletrônica para minimizar informações geradas pelas entidades.
O surgimento da EFD-Reinf trouxe mudanças significativas para as rotinas das
empresas e escritórios contábeis. Obriga os contabilistas se manterem atualizados e os
contribuintes terem maior controle a respeito das informações contábeis e fiscais da empresa,
de modo que as informações sejam repassadas detalhadamente para o fisco. A declaração exige
que a empresa mantenha uma gestão eficiente em seus processos internos, para cumprir o prazo
de entrega de todos os dados que deverão ser repassados (PRADO, 2019).
As empresas precisam estar preparadas para o cumprimento da obrigatoriedade
buscando capacitar sua equipe técnica e reestruturar seus sistemas de informática para atender
Volume 1, Número 04, 2020

demanda de informações. A utilização do sistema pode parecer desafiadora no início, devido


ao fato que qualquer informação divergente será confrontada no cruzamento de dados, podendo
resultar em multas para os usuários. No entanto, é necessário verificar que os benefícios trazidos
por ele serão de grande valia para fisco, contribuintes e contabilistas.
Estando totalmente adaptada a EFD-Reinf, a entidade cumprirá a legislação de forma
automática, sem se preocupar com as inúmeras obrigações acessórias e prazos de entrega
diferentes, já que serão unificadas em uma só transmissão, reduzindo a possiblidade de fraudes
involuntárias e dados redundantes. Conforme Oliveira e Feltrin (2018), a empresa consegue
organizar suas informações contábeis de maneira integrada, fornecendo melhores formas para
as tomadas de decisões e maior controle sobre a gestão do negócio.
Faria e Finatelli (2010) reitera que a revolução caraterizada pela modernização dos
processos contábeis, na substituição dos relatórios em papel para dados digitais, permite que as
administrações tributárias tenham mais controle e habilidade no processo de fiscalização do
cumprimento das obrigações tributárias e fiscais, pois o processo de autuação não será mais de
forma manual, e sim em tempo real.

6 CONSIDERAÇÕES FINAIS

Como todas as ciências humanas, a contabilidade desde seu surgimento passou por
inúmeras transformações decorrentes das evoluções sociais e tecnológicas. A velocidade com
que as informações precisam ser repassadas aos usuários, obriga a utilização de ferramentas
mecanizadas em todos os processos contábeis, atualmente estes se tornaram totalmente digitais.
Em decorrência disso, criou-se o sistema SPED para modernizar a comunicação entre Fisco e
os contribuintes no processo de fiscalização e entrega das obrigações fiscais.
Com a implantação do SPED, observou-se a necessidade da criação de um sistema que
fosse voltado para a gestão da folha de pagamento em serviços de cessão de mão de obra ou
empreitada, onde o contribuinte deve fornecer informações das retenções de pessoas físicas e
jurídicas sem relação direta com o trabalho.
Com tal constatação, criou-se a EFD-Reinf, sistema este que proporciona maior
robustez e inovação aos sistemas de gestão tributária do Governo. Sua função é simplificar as
inúmeras obrigações acessórias relacionadas às contribuições sociais e previdenciárias em uma
única plataforma, substituindo a EFD-Contribuições, responsável pela apuração da CPRB,
DIRF, GFIP, RAIS e CAGED.
Volume 1, Número 04, 2020

Em face do estabelecimento da EFD-Reinf, o Fisco passou a receber informações acerca


das retenções em serviços prestados ou tomados mediante cessão de mão de obra sem vínculo
empregatício.
Tal realidade ressignifica este instrumento, uma vez que oferta ao Governo maior
controle em torno da fiscalização das informações relacionadas aos impostos e às contribuições
apurados sobre a receita bruta, mediante cruzamento de dados dos registros contábeis e fiscais,
rechaçando, pois possíveis ilicitudes. Impende destacar, além do mais, que aventadas
simplificações no desempenho das práticas contábeis, com a implantação da EFD-Reinf,
possibilitam que todas as informações prestadas tornem-se transparentes, permitindo que o
processo de fiscalização do Governo obedeça o regramento do art. 37 da Constituição da
República (os princípios da Administração Pública) e dificulte quaisquer ações fraudulentas.
Contudo, o sistema que entrou em vigor em 2017 ainda se encontra em fase de
implantação, e sua obrigatoriedade não abrange todos os tipos de empresa. No entanto, mesmo
com as dificuldades dos profissionais para se adequar à EFD-Reinf, é possível constatar que
houve melhoria no cumprimento das obrigações fiscais por parte dos contribuintes, sendo que
o avanço da tecnologia nessa área contribui para que as informações sejam repassadas
corretamente aos usuários da informação contábil, deixando de lado procedimentos manuais
que demandam mais tempo e trabalho resultando em um mercado cada vez mais competitivo,
pois exige capacidade técnica e constantes atualizações por parte dos profissionais, de modo
que possam cumprir corretamente o seu papel. Urge destacar que, nesse momento de
aperfeiçoamento das tecnologias digitais e a contemporaneidade destas ferramentas na vida dos
profissionais contábeis, aqueles que se adaptarem a essa nova realidade vão conseguir se manter
no mercado de trabalho e ter êxito em suas funções.
Convém também obtemperar que, em face das inovações proporcionadas pelos novos
meios tecnológicos que chegam aos escritórios de contabilidade e em fase ainda de
experimentação da EFD-Reinf, os estudos aqui realizados se limitam apenas a uma avaliação
teórico-metodológica do referido módulo do Sistema Público de Escrituração Digital, em sua
fase amostral. Novos estudos são necessários para apresentar, de forma mais robusta, os
impactos desta nova realidade virtual na vida de todos os profissionais contábeis.
Volume 1, Número 04, 2020

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Volume 1, Número 04, 2020

Os impactos legais da Lei 13.146/15 no Código Civil e demais legislações no contexto


brasileiro
The legal impacts of Law 13.146 / 15 on the Civil Code and other legislation in the Brazilian
context
Los impactos legales de la Ley 13.146 / 15 sobre el Código Civil y otras legislaciones en el
contexto brasileño

RESUMO
Através do estudo das transmutações da legislação brasileira em razão da promulgação de um
documento específico que tutela os direitos das pessoas com deficiência, que é o Estatuto Da
Pessoa Com Deficiência (Lei 13.146/15), faz-se necessária uma análise para compreender como
são tutelados esses direitos e de que forma a referida lei impacta nas disposições normativas já
existentes. Os dispositivos legais, que não eram dotados de aplicabilidade efetiva, trazem as
inovações da supracitada lei que mudaram, consideravelmente, concepções importantes da
ordem jurídica, que serão abordadas neste trabalho. Ao longo do estudo da Lei 13.146/15 e seu
reflexo no ordenamento jurídico, a presente pesquisa apresenta os efeitos da referida legislação
no cenário brasileiro, em face de grande parte da população ainda desconhecê-la ou mesmo
conhecendo-a, dela não se conscientizar ou ainda efetivar, o que coloca em dúvida acerca de
qual seria o grande entrave para a aplicabilidade efetiva da Lei: as próprias pessoas ou a falta
de sanções ainda mais rígidas frente às condutas discriminatórias.

PALAVRAS-CHAVE: Estatuto da Pessoa com Deficiência. Pessoa Com Deficiência. Lei


brasileira de inclusão.

ABSTRACT
Through the study of the transmutations of Brazilian law due to the promulgation of a specific
document that protects the rights of people with disabilities, which is the Statute of People with
Disabilities (Law 13.146/15), an analysis is necessary to understand how are these rights
protected and how this law impacts on the existing of normative provisions. The legal
provisions, which was not endowed with effective applicability, brings innovations
aforementioned from the law that have considerably changed important conceptions of the legal
Volume 1, Número 04, 2020

order, which will be addressed in this work. Throughout the study of Law 13.146/ 15 and its
reflection in the legal system, this research presents the effects of the referred legislation in the
Brazilian scenario, in the face of a large part of the population still unaware of it or even
knowing it, not being aware of it or even effective, which puts in doubt about what would be
the major obstacle to the effective applicability of the Law: the people themselves or the lack
of even stricter sanctions against discriminatory conduct.

KEYWORDS: Status of People with Disabilities. Disabled Person. Brazilian inclusion law.

INTRODUÇÃO
A temática em questão, apesar de ser um tema legalizado, conquanto discutida e
refletida em vários âmbitos da sociedade, ainda apresenta muitos entraves para que o seja
realmente vivenciada no cotidiano das pessoas com deficiência.
Em 6 de Julho de 2015 foi instituída a Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa Com
Deficiência. Mas antes de ser promulgada, tramitou no Congresso por quase 15 anos: o senador
Paulo Paim, que à época era deputado federal, foi quem, à frente, despertou acerca da referida
lei, e chegou a afirmar na época, que "...a lei iria mudar não apenas a condição de quem possui
deficiência, mas iria mudar a de todos...” (SENADO FEDERAL, 2015).
O Estatuto da Pessoa com Deficiência, como ficou conhecido, adveio de uma
Convenção internacional, a Convenção de Nova Iorque Sobre os Direitos Das Pessoas Com
Deficiência, que preceitua que os Estados signatários devem adotar qualquer medida que se
fizer necessária a fim de se eliminar toda e qualquer forma de discriminação baseada na
deficiência (FARIAS et al., 2018).
A Convenção foi uma das mais rapidamente ratificadas de todos os tratados de direitos
humanos internacionais: até o presente momento, 160 países já assinaram o documento
(NAÇÕES UNIDAS BRASIL, 2016).
Neste viés, atendendo a esse preceito, a Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com
Deficiência, trata do combate ao preconceito e à discriminação, educação e trabalho,
acessibilidade, dentre outros aspectos, modificando consideravelmente a concepção de
Incapacidade que, até então, pairava sob o estatuto civil (CÂMARA DOS DEPUTADOS,
2018).
Além das alterações no Código Civil, a LBI (Lei Brasileira de Inclusão) mudou leis
como a CLT (Consolidação das Leis do Trabalho), garantindo, por exemplo, um porcentual
de seus cargos a pessoas com deficiência em empresas que contam com mais de 100
Volume 1, Número 04, 2020

funcionários (CÂMARA PAULISTA PARA INCLUSÃO DA PESSOA COM


DEFICIÊNCIA, 2016).
Na esfera de trânsito, instituir-se-á com o advento do Estatuto, multa ao condutor que
estacionar em vaga reservada à pessoa com deficiência, conforme o site do DETRAN/MG
(DETRAN MINAS GERAIS, 2019).
A Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência, de nº 13.146/15, beneficia
cerca de 46 milhões de pessoas com deficiência, o equivalente a 29,6% da população brasileira
(CÂMARA DOS DEPUTADOS, 2018).

2 PANORAMA GERAL DA LEI 13.146/15

2.1 BASE LEGAL – CONVENÇÃO DE NOVA IORQUE SOBRE OS DIREITOS DAS


PESSOAS COM DEFICIÊNCIA

A LBI (Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência, de nº 13.146/15), tem


como base a Convenção de Nova Iorque Sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência e seu
protocolo facultativo, do qual o Brasil é signatário, e a ratificou em 2008 (FARIAS et al., 2018),
passando a integrar o nosso ordenamento jurídico sob o prisma de norma constitucional,
estando alojada, assim, numa posição hierarquicamente superior às normas infraconstitucionais
(TORQUES, 2018).
Em 30 de março de 2007, surgia a Convenção de Nova Iorque Sobre os Direitos das
Pessoas com Deficiência, com o objetivo de “proteger e garantir o total e igual acesso a todos
os direitos humanos e liberdades fundamentais por todas as pessoas com deficiência, e
promover o respeito à sua dignidade...” (NAÇÕES UNIDAS BRASIL, 2016).
Não havia até 2006 um diploma específico no âmbito da ONU sobre o tema, embora
cerca de 10% da população mundial possua algum tipo de deficiência (TORQUES, 2018).
O Brasil, preocupado com a consolidação dos direitos das pessoas com deficiência, foi
um dos primeiros países signatários da convenção (CÂMARA PAULISTA PARA INCLUSÃO
DA PESSOA COM DEFICIÊNCIA, 2017).
Como se depreende das palavras de André de Carvalho Ramos, o cerne da Convenção
é a não discriminação da pessoa baseada na deficiência.
Este princípio de antidiscriminação acarreta a reflexão sobre a necessidade de
políticas públicas para que seja assegurada a igualdade material, consolidando a
responsabilidade do Estado e da sociedade na eliminação das barreiras à efetiva
fruição dos direitos do ser humano. Assim, não se trata mais de exigir da pessoa com
deficiência que esta se adapte, mas sim de exigir, com base na dignidade humana, que
a sociedade trate seus diferentes de modo a assegurar a igualdade material, eliminando
as barreiras à sua plena inclusão (RAMOS, 2014).
Volume 1, Número 04, 2020

Em seu artigo 1°, a Convenção de Nova Iorque Sobre os Direitos das Pessoas com
Deficiência, conceitua o referido termo ‘pessoa com deficiência’ como:
(...) aquela que tem impedimento de longo prazo de natureza física, mental, intelectual
ou sensorial, o qual, em interação com uma ou mais barreiras, pode obstruir sua
participação plena e efetiva na sociedade em igualdade de condições com as demais
pessoas (BRASIL, 2009).

Hoje a deficiência é encarada com o fim de se eliminar a barreira que ainda existe no
meio social e cultivar a conscientização das pessoas, propiciando as pessoas com deficiência o
pleno gozo de seus direitos baseado na não discriminação, mas nem sempre foi assim: antes era
comum que associássemos a deficiência a uma doença (TORQUES, 2018).
Segundo a doutrina de Flávia Piovesan, o escopo de proteção conferido a pessoa com
deficiência se consagrou em 4 fases: uma 1ª em que a intolerância era total, sob a justificativa
de que se tratava de um castigo dos Deuses. Uma 2ª, marcada pela invisibilidade e pelo desprezo
à pessoa com deficiência. Na 3ª fase, a pessoa deficiente passa a ser visto como doente, um
necessitado de tratamento e cura. E a 4ª fase, que marca o reconhecimento da pessoa deficiente
como sujeito de direitos, vindo a criar uma estreita relação entre a sociedade e a pessoa com
deficiência. Para ela, nosso ordenamento jurídico transita da 3ª para a 4ª fase (PIOVESAN,
2013).
Nesta linha, o artigo 4º da Convenção, que trata das Obrigações Gerais, dispõe que se
assegura a qualquer pessoa acometida por alguma deficiência a proteção de toda e qualquer
forma de discriminação, ditando que os Estados Signatários devem modificar, ou mesmo
revogar leis, de cunho discriminatório às pessoas com deficiência, adotando qualquer medida
que se fizer necessária na busca de se eliminar a discriminação baseada na deficiência (FARIAS
et al., 2018).
Nessa perspectiva, ao tratar de Respeito pelo lar e pela Família, a Convenção determina
no artigo 23 a adoção pelos Estados Signatários de medidas efetivas visando à eliminação da
discriminação contra pessoas com deficiência, em todos os aspectos relativos a casamento,
família, paternidade/maternidade e relacionamentos, de modo a assegurar o direito das pessoas
com deficiência a contrair matrimônio e estabelecer família, com base no pleno consentimento
destas. Ainda, determina serem reconhecidas as pessoas com deficiência, o direito de decidir
sobre o número de filhos (BRASIL, 2009).
Destaca-se, da mesma forma, os artigos 7° e 8° da Convenção, que trata das Crianças
com Deficiência, dispondo de maneira geral, políticas de conscientização social em relação às
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pessoas com deficiência, por meios midiáticos, inclusão nas escolas e no mercado de trabalho
(TORQUES, 2018).
Assim, o artigo 24 da Convenção que trata da Educação, prevê que o acesso à educação
sem discriminação é direito das pessoas com deficiência, cabendo aos Estados Signatários à
realização de adaptações ao espaço físico de acordo com as necessidades individuais de cada
pessoa, a fim de que seja assegurada participação efetiva visando ao desenvolvimento social e
as habilidades das pessoas com deficiência (BRASIL, 2009).
Ao tratar de Lazer, Recreação e Esporte, no artigo 30 da Convenção, percebe-se que é
dever dos Estados Signatários propiciar às pessoas com deficiência o acesso a eventos culturais
e serviços turísticos de importância cultural nacional (BRASIL, 2009).
Nesse sentido, o artigo 9° da Convenção que trata da Acessibilidade, adita que os
Estados Signatários devem proporcionar às pessoas com deficiência, em igualdade de
condições com as demais pessoas, o acesso ao transporte, à comunicação e a informação, bem
como a outros serviços e instalações públicas, além de assegurar que também as entidades
privadas possibilitem o acesso das pessoas com deficiência (FARIAS et al., 2018).
O artigo 27 da Convenção ao disciplinar sobre Trabalho e Emprego, dispõe que os
Estados Signatários devem proporcionar às pessoas com deficiência condições justas, seguras
e salubres de trabalho, incluindo oportunidades em condições de igualdade com as demais
pessoas e igual remuneração por trabalho de igual valor (BRASIL, 2009).
Nessa continuidade, o artigo 25 da Convenção ao tratar da Saúde, disciplina que os
Estados Signatários devem ofertar as pessoas com deficiência o mais elevado padrão de saúde,
sem discriminação baseada na deficiência, propiciando ainda, locais de acesso ao serviço de
saúde o mais próximo possível dessas pessoas (TORQUES, 2018).
Ao tratar do Acesso à Informação, a Convenção estabelece no artigo 21 a
obrigatoriedade dos Estados Signatários em fornecer informações acessíveis à pessoa
acometida de qualquer tipo de deficiência quanto à oferta de serviços, inclusive nos provedores
de internet, sem que haja custo adicional (FARIAS et al., 2018).
Ao tratar do Acesso à Justiça, a Convenção determina no artigo 13, que as pessoas
com deficiência deverão ter efetivo acesso à justiça em igualdade de condições com as
demais pessoas, podendo atuar inclusive, como testemunhas em processos. Salienta, ainda que,
para que se tenha assegurado esse direito, os Estados Signatários deverão promover a
capacitação de pessoal, inclusive no âmbito policial e prisional (FARIAS et al., 2018).
Nessa sequência, ao tratar de Participação na Vida Política e Pública, a Convenção
determina no artigo 29 que os Estados Signatários deverão assegurar a participação efetiva das
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pessoas com deficiência na vida política e pública em igualdade de condições com as demais
pessoas, garantindo-lhes o direito a voto secreto nas eleições, e de todo(s) aparato(s) para
votação ser acessível e de fácil compreensão, além de poderem candidatar-se (FARIAS et al.,
2018).
Importante destacar que a Convenção determina, ainda, para que se possa haver o
cumprimento efetivo pelos Estados Signatários destas determinações, a criação de um Comitê
Sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência, que será composto por 18 (dezoito) membros
(BRASIL, 2009).
Os membros do Comitê, a serem eleitos para mandato de 4 anos, deverão apresentar
elevada idoneidade moral e experiência nos diversos assuntos abordados pela Convenção de
Nova Iorque Sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência. É permitida uma única reeleição,
contudo, o mandato de 6 dos membros eleitos na primeira eleição terá o prazo de 2 anos. Dentre
os membros eleitos, deverá haver a participação de peritos com deficiência (TORQUES, 2018).
Cada Estado Signatário deverá elaborar um relatório dispondo sobre as medidas
adotadas a fim de dar cumprimento às determinações da Convenção, a cada quatro anos ou
quando o Comitê assim determinar, é o que dispõe o artigo 35 (BRASIL, 2009).
Em resposta aos relatórios deve o Comitê fazer recomendações gerais aos Estados
Signatários a fim de viabilizar a efetiva implementação da Convenção pelos Estados que dela
fazem parte (TORQUES, 2018).
Quanto ao protocolo facultativo a ser adotado conjuntamente com a Convenção, este
dispõe de forma geral acerca da atuação dos Comitês de cada Estado Signatário frente às
denúncias de violação dos preceitos da Convenção pelo referido Estado, determinando que tais
comunicações sejam inadmissíveis se forem anônimas, contrariarem as disposições da
Convenção ou a matéria arguida já houver sido ou estiver sendo examinada, bem como, se não
houver outro meio de solução e/ou se a denúncia não estiver devidamente fundamentada e, por
fim, se o(s) fato(s) objeto(s) da denúncia ocorreu antes da entrada em vigor do presente
Protocolo, salvo se persistirem após (BRASIL, 2009).
Ao ser comunicado da denúncia pelo Comitê, o Estado tem o prazo de 6 (seis) meses
para declarar por escrito ou verbalmente ao Comitê a conclusão eventualmente adotada para
solução da violação alegada, o que deverá ser incluído no relatório (TORQUES, 2018).
Importa ainda destacar que cada Estado Signatário pode propor emendas ao presente
Protocolo, devendo submeter à apreciação do Secretário-Geral das Nações Unidas em que pelo
menos ⅓ dos Estados se manifestando a favor, convocar-se-á uma Conferência, que será votada
por maioria de ⅔ dos Estados presentes e votantes e após aprovação pela Assembleia-Geral das
Volume 1, Número 04, 2020

Nações Unidas, deve ser aceita por todos os Estados Signatários, sendo obrigatória somente
para os Estados Signatários que a aceitar (BRASIL, 2009).
Nota-se que a Convenção disciplina inúmeros direitos no campo político, social,
econômico e cultural, a fim de conferir dignidade, pleno gozo de direitos e a não discriminação
das pessoas com deficiência (TORQUES, 2018).
Somente com a Convenção é que se conferiu efetiva proteção em âmbito internacional
a pessoa deficiente (TORQUES, 2018).
Segundo a doutrina de Flávia Piovesan, na seara internacional, a pessoa com deficiência
é preponderantemente tratada como em igualdade de condições com os demais (PIOVESAN,
2013).
Atendendo a estes preceitos, em 2015, foi promulgada a LBI (Lei Brasileira de Inclusão
da Pessoa com Deficiência, de nº 13.146/15), também conhecida como Estatuto da Pessoa com
Deficiência (FARIAS et al., 2018).
Mas antes de ser promulgada, tramitou no Congresso por quase 15 anos: o senador Paulo
Paim, que à época era deputado federal, foi quem à frente despertou acerca da referida lei e
segundo ele, a LBI “(...) contribui para a construção de uma sociedade inclusiva e promove uma
revolução na percepção da deficiência (...)” (SENADO FEDERAL, 2015).
Conforme veremos adiante, a instituição do Estatuto da Pessoa Com Deficiência
representa um marco para o ordenamento jurídico brasileiro, vez que baseado em princípios
constitucionais como a dignidade da pessoa humana, a não discriminação, igualdade de
oportunidades e respeito pelas diferenças etc., propiciando-se, assim, um maior respaldo
jurídico e social para com as pessoas com deficiência.

3 TRATAMENTO DADO À CAPACIDADE CIVIL DAS PESSOAS COM


DEFICIÊNCIA ANTES DA LEI 13.146/15

Destaca-se que o Estatuto da Pessoa com Deficiência (Lei 13.146/2015) trouxe


substanciais mudanças ao ordenamento jurídico brasileiro como um todo, mas é importante
saber que a concepção de incapacidade, tanto absoluta quanto relativa, adotada pelo Código
Civil, não foi alterada, ou seja, o termo se refere, ainda, à restrição legal à prática de todos ou
certos atos da vida civil (CERS, 2016).
Incapacidade, nas palavras de Pablo Stolze Gagliano pode ser definida como “a falta
de aptidão para praticar sozinhos os atos da vida civil” (GAGLIANO et al., 2015, p. 139).
Volume 1, Número 04, 2020

Nas palavras de Maria Helena Diniz “a incapacidade será absoluta quando houver
proibição total do exercício do direito pelo incapaz, acarretando, em caso de violação do
preceito, a nulidade do ato” (DINIZ, 2015, p. 172).
A lacuna frente à incapacidade absoluta resolve-se através da representação
(CÂMARA PAULISTA PARA INCLUSÃO DA PESSOA COM DEFICIÊNCIA, 2017).
Antes da referida lei, o estatuto civil, ao tratar Das Incapacidades, reputava em seu
artigo 3º, serem absolutamente incapazes:
I. os menores de 16 (dezesseis) anos;
II. os que por enfermidade ou deficiência mental não tiverem o necessário
discernimento para a prática desses atos;
III. as que mesmo por causa transitória não puderem exprimir sua vontade
(GONÇALVES, 2014, p. 111).

Frisa-se, de outro modo, que o envelhecimento, por si só, não é causa de perda da
capacidade. Às pessoas acometidas de doença, a que se referia o inciso II do mencionado artigo,
eram assim reconhecidas por meio de procedimento de interdição, que era regido pelos artigos
1.177 a 1.186 do Código de Processo Civil de 1973 (GAGLIANO, et al., 2015).
O inciso III do referido artigo, reputava aos que por causa transitória não pudessem
exprimir sua vontade, a exemplo do uso eventual e excessivo de drogas: aqui pouco importa o
lapso temporal para caracterizar a incapacidade absoluta, que deve ser aferida pela
impossibilidade de manifestação da vontade (GAGLIANO, et al., 2015).
De outro modo, ainda em análise ao Código Civil precedentemente à Lei de Inclusão,
entre a incapacidade absoluta e a plena capacidade, existem pessoas que não gozam de total
capacidade de discernimento, assim chamadas de relativamente incapazes (GAGLIANO, et
al., 2015).
A incapacidade relativa supra-se por meio da assistência. Diferentemente dos
absolutamente incapazes, estes praticam o ato em conjunto com o seu assistente (CÂMARA
PAULISTA PARA INCLUSÃO DA PESSOA COM DEFICIÊNCIA, 2017).
Tal qual para Carlos Roberto Gonçalves (2014, p. 120):
(...) a incapacidade relativa permite que o incapaz pratique atos da vida civil, desde
que assistido por seu representante legal, sob pena de anulabilidade. Certos atos,
porém, pode praticar sem a assistência de seu representante legal, como ser
testemunha, aceitar mandato, fazer testamento, exercer empregos públicos para os
quais não for exigida a maioridade, casar, ser eleitor, celebrar contrato de trabalho etc..

Disciplinava o artigo 4º (GONÇALVES, 2014).


Artigo. 4º São incapazes, relativamente, a certos atos ou a maneira de os exercer:
I. os maiores de 16 (dezesseis) e menores de 18 (dezoito) anos;
II. os ébrios habituais, os viciados em tóxico e os que, por deficiência mental, tenham
o discernimento reduzido;
III. os excepcionais, sem desenvolvimento mental completo;
Volume 1, Número 04, 2020

IV. os pródigos.
Parágrafo único. A capacidade dos índios será regulada por legislação especial
(GONÇALVES, 2014, p. 121).

Todavia, a depender da dependência, em se tratando dos viciados em tóxico, por


exemplo, a interdição do dependente poderia ser total; se fosse assim, restava-se como
absolutamente incapaz para a prática de atos na vida civil (GAGLIANO et al., 2015)
Partindo desse mesmo entendimento, em relação às pessoas com deficiência mental
que tenham minimizada a sua capacidade, se a doença mental fosse completa tratava-se de
incapacidade civil absoluta e não de incapacidade relativa (GAGLIANO et al., 2015).
Gagliano (2015, p. 147) trouxe em sua obra, a definição de Clóvis Beviláqua ao termo
‘pródigo’. Segundo ele, “pródigo é aquele que desordenadamente gasta e destrói a sua fazenda,
reduzindo-se a miséria por sua culpa”, em outras palavras, trata-se do indivíduo que dilapida
o seu patrimônio de forma a prejudicar seu seio familiar (GAGLIANO et al., 2015).
Por isso o Código Civil, em seu artigo 1.782, disciplina que a interdição dele recairá
apenas sobre os atos que posam vir a diminuir seu patrimônio (alienar, hipotecar etc.), sendo,
pois, a prática de atos que não envolvam negócios/patrimônio realizados pela própria pessoa
(GAGLIANO et al., 2015).
Em relação aos índios ou silvícolas, ainda que dentre os relativamente incapazes, são
regulados por lei especial (Lei de nº 6.001/73 - Estatuto do Índio) conforme disciplina o artigo
4º, parágrafo único do Código Civil (BRASIL, 2002).
Entendia-se em princípio que a referida lei alocou o indígena a categoria de
absolutamente incapaz (mesmo que assentado entre os relativamente incapazes),
considerando-se nulo qualquer ato por ele praticado, sem que esteja devidamente representado
(GAGLIANO et al., 2015).
Note-se que mesmo a época, a ausência de discernimento e não a deficiência, tão
somente, era a causa da incapacidade (CERS, 2016).
Antes da vigência do Estatuto da Pessoa com Deficiência, não se admitia como
testemunhas aqueles que em razão da enfermidade ou retardamento mental, não tivessem
discernimento para a prática dos atos da vida civil, além dos cegos e surdos, quando à ciência
do fato que se quisesse provar, dependesse do sentido que lhes faltava. Esta era a redação do
artigo 228, incisos II e III trazida pelo Código Civil (BRASIL, 2002):
Artigo 228. Não podem ser admitidos como testemunhas:
II. aqueles que, por enfermidade ou retardamento mental, não tiverem discernimento
para a prática de atos da vida civil;
III. os cegos e surdos, quando a ciência do fato que se quer provar dependa do sentido
que lhes faltam (BRASIL, 2002).
Volume 1, Número 04, 2020

Precedentemente a Lei 13.146/15, o artigo 1.518 do Código Civil, ao tratar da


capacidade para o casamento, admitia que os pais, tutores ou curadores pudessem revogar a
autorização concedida aos menores de 16 anos para casar (CERS, 2016).
O artigo 1.548, inciso I, do Código Civil antes da vigência do Estatuto da Pessoa com
Deficiência, disciplinava ser nulo o casamento contraído pelo enfermo mental sem o
necessário discernimento para a prática dos atos da vida civil (CÂMARA PAULISTA PARA
INCLUSÃO DA PESSOA COM DEFICIÊNCIA, 2017). “Artigo 1.548. É nulo o casamento
contraído: I. pelo enfermo mental sem o necessário discernimento para os atos da vida civil;
II. por infringência de impedimento” (BRASIL, 2002).
O artigo 1.557 do Código Civil, que trata das invalidades do casamento, tinha a
seguinte redação em seus incisos III e IV (CERS, 2016).
Artigo 1557. Considera-se erro essencial sobre a pessoa do outro cônjuge:
III. a ignorância, anterior ao casamento, de defeito físico irremediável, ou de moléstia
grave e transmissível, pelo contágio ou herança, capaz de pôr em risco a saúde de
outro cônjuge ou de sua descendência.
IV. a ignorância, anterior ao casamento, de doença mental grave, que por sua natureza,
torne insuportável a vida em comum ao cônjuge enganado (BRASIL, 2002).

A definição de curatela, antes do advento da Lei 13.146/15, consistia em um encargo


definitivo, por lei, conferido a alguém para administrar os bens de quem não podia fazê-lo por
si mesmo (CERS, 2016).
O capítulo II do Código Civil, ao tratar da curatela, trazia nos incisos I, II, III e IV do
artigo 1.767 a seguinte redação (CÂMARA PAULISTA PARA INCLUSÃO DA PESSOA
COM DEFICIÊNCIA, 2017).
Artigo 1.767. Estão sujeitos a curatela:
I. aqueles que, por enfermidade ou doença mental, não tiverem o necessário
discernimento para os atos da vida civil;
II. aqueles que por outra causa duradoura não puderem exprimir sua vontade;
III. os deficientes mentais, os ébrios habituais e os viciados em tóxicos;
IV. os excepcionais sem completo desenvolvimento mental;
V. os pródigos (BRASIL, 2002).

O artigo 1.777 do Código Civil disciplinava que os interditos referidos nos incisos I,
III e IV do artigo 1.767 recolher-se-iam em estabelecimentos próprios caso não conseguissem
se adaptar ao convívio familiar (CÂMARA PAULISTA PARA INCLUSÃO DA PESSOA
COM DEFICIÊNCIA, 2017).
Ainda acerca da curatela, o artigo 1.776 do Código Civil dispunha que se possível fosse
recuperar o interdito, cabia ao seu curador propiciar-lhe tratamento adequado (CERS, 2016).
A antiga redação do artigo 1.780 do Código Civil era a seguinte (BRASIL, 2002)
“Artigo. 1.780. A requerimento do enfermo ou portador de deficiência física, ou na
Volume 1, Número 04, 2020

impossibilidade de fazê-lo, qualquer das pessoas a que se refere o artigo 1.768 dar-se-lhe-á
curador para cuidar de todos ou alguns de seus negócios ou bens” (BRASIL, 2002).
À face do exposto, no próximo capítulo serão abordadas as principais inovações
trazidas pelo Estatuto da Pessoa Com Deficiência frente ao Código Civil, Código Eleitoral,
Consolidação das Leis do Trabalho, Código de Defesa do Consumidor e para o Código de
Trânsito Brasileiro a fim de apresentar o que regulamenta, como um todo, o Estatuto Das
Pessoas Com Deficiência e as mudanças precípuas que o referido dispositivo trouxe ao nosso
ordenamento jurídico.

4 IMPORTANTES ALTERAÇÕES ADVINDAS DA LEI 13.146/15

4.1 RECONHECIMENTO DA CAPACIDADE CIVIL DAS PESSOAS COM


DEFICIÊNCIA

O Estatuto da Pessoa Com Deficiência trouxe grande repercussão em todo o


ordenamento jurídico brasileiro, principalmente na disciplina do Direito Civil: a Lei 13.146/15
revogou os incisos II e III do artigo 3º do Código Civil alterando consideravelmente a
concepção de incapacidade absoluta (CERS, 2016).
O artigo 3° do Código Civil passa a vigorar com as seguintes alterações:
Artigo 3º. São absolutamente incapazes de exercerem pessoalmente os atos da vida
civil:
I. os menores de 16 (dezesseis) anos;
II. os que por enfermidade ou deficiência mental não tiverem o necessário
discernimento para a prática desses atos; (Revogado pela Lei n. 13.146, de 2015).
III. as que mesmo por causa transitória não puderem exprimir sua vontade. (Revogado
pela Lei n. 13.146, de 2015) (BRASIL, 2002).

A alteração do artigo 3° do Código Civil, através da Lei 13.146/15, implica na não


existência de pessoa absolutamente incapaz que seja maior de idade, pois, hodiernamente só
temos uma hipótese de incapacidade absoluta: o menor de 16 (dezesseis) anos (CÂMARA
PAULISTA PARA INCLUSÃO DA PESSOA COM DEFICIÊNCIA, 2017).
O artigo 4º que trata dos relativamente incapazes também sofreu substancial
modificação, visto que fora revogado parte do inciso II além de alterado o inciso III, que
tinham a seguinte redação (CERS, 2016):
Artigo 4º. São incapazes, relativamente, a certos atos ou a maneira de os exercer:
(Alterado pela Lei n. 13.146, de 2015.)
I. os maiores de 16 (dezesseis) e menores de 18 (dezoito) anos;
II. os ébrios habituais, os viciados em tóxico e os que, por deficiência mental, tenham
o discernimento reduzido; (Alterado pela Lei n. 13.146, de 2015.)
III. os excepcionais, sem desenvolvimento mental completo, por “aqueles que, por
causa transitória ou permanente, não puderem exprimir sua vontade”; (Alterado pela
Lei n. 13.146, de 2015.)
Volume 1, Número 04, 2020

IV. os pródigos.
Parágrafo único. A capacidade dos indígenas será regulada por legislação especial
(Alterado pela Lei n. 13.146 de 2015) (BRASIL, 2002).

No que concerne à capacidade dos indígenas, importante mencionar que a Lei 6.001/73
ressalva, todavia, a hipótese de o índio demonstrar discernimento, pelo qual excepcionalmente,
poderá ser considerado plenamente capaz: o que não reflete a realidade atual brasileira, até
porque sua inserção na sociedade e absorção de nossos valores e hábitos sociais exclui-los do
rol dos relativamente incapazes, sendo a incapacidade medida excepcional. Considera-o então,
se inserido na sociedade, como agente plenamente capaz (GAGLIANO et al., 2015).
O inciso IV foi mantido. Como se vê, o pródigo permanece no inciso IV como
relativamente incapaz (GAGLIANO et al., 2015).
Em suma, com a vigência da nova lei, a pessoa com deficiência equipara-se a uma
pessoa plenamente capaz. Noutro viés, somente as pessoas que não puderem exprimir sua
vontade é que se amoldam ao conceito de incapacidade. Vejamos o que disciplina a esse
respeito, o Estatuto: “Artigo 84. A pessoa com deficiência tem assegurado o exercício ao
direito da sua capacidade legal em igualdade de condições com as demais pessoas” (FARIAS,
et al., 2018, p. 251 ).
Artigo 6º. A deficiência não afeta a plena capacidade civil da pessoa, inclusive para:
I. casar-se e constituir união estável;
II. exercer direitos sexuais e reprodutivos;
III. exercer o direito de decidir sobre o número de filhos e de ter acesso a informações
adequadas sobre reprodução e planejamento familiar;
IV. conservar sua fertilidade, sendo vedada a esterilização compulsória;
V. exercer o direito à família e à convivência familiar e comunitária; e
VI. exercer o direito à guarda, à tutela, à curatela e à adoção, como adotante ou
adotando em igualdade de oportunidade com as demais pessoas (FARIAS, et al., 2018,
p. 43:46).

Nesse sentido, Carlos Roberto Gonçalves, menciona em sua obra um breve comentário do
Professor Pablo Stolze Gagliano acerca da nova lei:
(...) a pessoa com deficiência – aquela que tem impedimento de longo prazo, de
natureza física, mental, intelectual ou sensorial, nos termos do art. 2º - não deve ser
mais tecnicamente considerada civilmente incapaz, na medida em que os artigos 6º e
84, do mesmo diploma, deixam claro que a deficiência não afeta a plena capacidade
civil da pessoa (GAGLIANO, apud GONÇALVES, 2017, p. 269).

Com as mudanças introduzidas pelo Estatuto da Pessoa com Deficiência, foram


revogados pela Lei 13.146/15, os incisos II e III do artigo 228 do Código Civil, que vedava
que cegos e surdos e os doentes mentais fossem admitidos como testemunhas em processos, o
que faz com que as pessoas que em razão de enfermidade ou retardamento mental, mesmo que
não tenham discernimento para a prática de atos da vida civil e os cegos e surdos, ressalta-se,
desde que lhe sejam assegurados à tecnologia assistiva, possam ser admitidas como
Volume 1, Número 04, 2020

testemunhas, conforme o § 2° que foi acrescido ao referido artigo pela Lei de Inclusão (CERS,
2016).
O artigo 1.518 do Código Civil, ao tratar da capacidade para o casamento, sofreu
alteração pela Lei 13.146/15, não trazendo mais o curador como legitimado para revogar a
autorização de casamento concedida aos menores de 18 e maiores de 16 anos (CERS, 2016).
Com a vigência do Estatuto da Pessoa com Deficiência, o inciso I do artigo 1.548 do
Código Civil foi revogado: hoje não mais se decreta a nulidade do casamento das pessoas com
enfermidade mental, sem o necessário discernimento para a prática dos atos da vida civil
(CÂMARA PAULISTA PARA INCLUSÃO DA PESSOA COM DEFICIÊNCIA, 2017).
A atual redação do inciso III do artigo 1.557 do Código Civil, trazida pelo Estatuto da
Pessoa com Deficiência, que trata da invalidade do casamento, passou a conter uma ressalva,
em razão de que é anulável o casamento, por erro no caso de ignorância, anterior ao casamento,
de defeito físico irremediável que não caracterize deficiência ou de moléstia grave e
transmissível, por contágio ou herança, capaz de pôr em risco a saúde do outro cônjuge ou de
sua descendência. Outra consequência foi à revogação do inciso IV do mesmo artigo: o
desconhecimento de doença mental grave acometida a um dos cônjuges, antes do casamento,
não constitui motivo para decretação de anulabilidade de casamento (CERS, 2016).
O artigo 1.780 do Código Civil, que regulava acerca da curatela de pessoa que mesmo
plenamente consciente teria de ser curatelada, foi revogado pela Lei 13.146/15 (CERS, 2016).
Contudo, as pessoas com deficiência que puderem exprimir sua vontade e que, por
ventura, necessitam de algum amparo, podem se assim quiserem, fazer uso do procedimento
da tomada de decisão apoiada, ao qual se nomeará pelo menos dois apoiadores de sua
confiança com o fim de auxiliá-la em seu dia-a-dia. Não se trata de incapacidade, restringindo-
se tão somente a necessidade de apoio à pessoa. Tal instituto está disciplinado no artigo 1.783
do Código Civil, que foi acrescido ao Estatuto Civil por força da Lei de Inclusão (FARIAS, et
al., 2018).
Esse instituto também é chamado pelos doutrinadores de “administração apoiada”,
dada a sua flexibilidade, vez que aqui objetiva-se resguardar a pessoa deficiente, preservando
a sua capacidade para a prática dos atos da vida civil (CÂMARA PAULISTA PARA
INCLUSÃO DA PESSOA COM DEFICIÊNCIA, 2017).
Difere da curatela, vez que por tratar da incapacidade jurídica, que é excepcionalidade,
imprescindível se faz o reconhecimento judicial dessa incapacidade por meio do procedimento
da ação de curatela e não mais de interdição como era antigamente: na curatela, o curador pode
representar o relativamente incapaz para todos os atos da vida civil, se este não tiver condições
Volume 1, Número 04, 2020

de praticá-los em conjunto com aquele, bem como, limitar-se a prática de atos de natureza
patrimonial. Pode também revestir-se como mero auxiliar do curatelado, quando ele tem
condições de praticar, por si só, todo e qualquer ato, desde que devidamente acompanhado
(FARIAS, et al., 2018).
O instituto da curatela disciplinado no artigo 1.767 do Código Civil teve revogado seus
incisos II e IV: não mais sujeitam-se à curatela aqueles que por causa duradoura não puderem
exprimir sua vontade e os excepcionais, sem desenvolvimento mental completo. Além do mais,
seu inciso I sofreu substancial alteração: pela nova redação advinda da Lei de Inclusão, a
pessoa com deficiência mental não mais se sujeita à curatela, isso porque cabível esse instituto
nos casos em que a doença mental impeça a manifestação da vontade, excluindo-se desse rol
as pessoas com deficiência mental e excepcionais sem completo desenvolvimento. Pela atual
redação do referido artigo sujeitam-se à curatela as pessoas tidas como relativamente incapazes,
dispostas no artigo 4° do mesmo diploma legal, que foi também modificado pelo Estatuto
(CÂMARA PAULISTA PARA INCLUSÃO DA PESSOA COM DEFICIÊNCIA, 2017).
A redação do artigo 1.777, trazida pelo Estatuto da Pessoa Com Deficiência, disciplina
que as pessoas que por causa transitória ou permanente não puderem exprimir sua vontade,
receberão todo o apoio necessário a fim de se preservar a convivência familiar e em
comunidade, sendo o não recolhimento em ambiente doméstico uma excepcionalidade (CERS,
2016).
Em razão do princípio constitucional da dignidade da pessoa humana, os atos
visivelmente pessoais, como os relativos ao próprio corpo, à sexualidade, ao casamento (não
há mais nulidade ou anulabilidade de casamento decorrente de deficiência – artigo 1.550, § 2º
do Estatuto Civil – acrescido pela Lei de Inclusão; o curatelado pode, inclusive, escolher o
regime de bens do matrimônio), à privacidade, à educação, à saúde etc., não se condicionam
ao curador (FARIAS, et al., 2018).
Destarte, às pessoas com deficiência têm assegurado o acesso a qualquer documento
público e privado de seu interesse independentemente de estar acompanhado de seu curador,
justamente por se tratar de interesse particular do curatelado (FARIAS, et al., 2018).
O juiz poderá nomear curador provisório a depender da urgência de se praticar
determinados atos. Essa nomeação terá natureza de tutela antecipatória, por estar diretamente
relacionado ao ânimo de preservar os interesses do curatelado para que não venham a se
perecer, conforme disciplina o artigo 749, parágrafo único da Legislação Processual Civil
vigente (FARIAS et al., 2018).
Volume 1, Número 04, 2020

4.2 CRIMINALIZAÇÃO DA DISCRIMINAÇÃO

Discriminar qualquer pessoa em razão de sua deficiência agora é crime. O avanço foi
alcançado a partir da promulgação do Estatuto da Pessoa Com Deficiência, também chamado
de Lei Brasileira de Inclusão (CÂMARA PAULISTA PARA INCLUSÃO DA PESSOA COM
DEFICIÊNCIA, 2016).
Artigo. 88. Praticar, induzir ou incitar a discriminação de pessoa em razão de sua
deficiência:
Pena: reclusão, de 1 (um) a 3 (três) anos e multa.
§ 1° aumenta-se a pena em um ⅓ (um terço) se a vítima encontrar-se sob cuidado e
responsabilidade do agente.
§ 2° Se qualquer dos crimes previstos no caput deste artigo é cometido por intermédio
de meios de comunicação social ou de publicação de qualquer natureza:
Pena: reclusão, de 2 (dois) a 5 (cinco) anos e multa.
§ 3° Na hipótese do § 2° deste artigo, o juiz poderá determinar, ouvido o Ministério
Público, ou a pedido deste, ainda antes do inquérito policial, sob pena de
desobediência:
I. recolhimento ou busca e apreensão dos exemplares do material discriminatório.
II. interdição das respectivas mensagens ou páginas de informação na internet.
§ 4° Na hipótese do § 2° deste artigo, constitui efeito da condenação, após o trânsito
em julgado da decisão, a destruição do material apreendido.
Artigo 89. Apropriar-se de ou desviar bens, proventos, pensão, benefícios ou qualquer
outro rendimento da pessoa com deficiência:
Pena: reclusão, de 1 (um) a 4 (quatro) anos e multa.
Parágrafo único. Aumenta-se a pena em ⅓ (um terço) se o crime é cometido:
I. por tutor, curador, síndico, liquidatário, inventariante, testamenteiro ou depositário
judicial; ou
II. por aquele que se apropriou em razão de ofício ou de profissão.
Artigo 90. Abandonar pessoa com deficiência em hospitais, casas de saúde, entidades
de abrigamento ou congêneres:
Pena: reclusão, de 6 (seis) meses a 3 (três) anos e multa.
Parágrafo único. Na mesma pena incorre quem não prover as necessidades básicas da
pessoa com deficiência, quando obrigado por lei ou mandado.
Artigo 91. Reter ou utilizar cartão magnético, qualquer meio eletrônico ou documento
de pessoa com deficiência destinados ao recebimento de benefícios, proventos,
pensões ou remuneração ou á realização de operações financeiras com o fim de obter
vantagem indevida para si ou para outrem.
Pena: detenção, de 6 (seis) a 2 (dois) anos e multa.
Parágrafo único. Aumenta-se a pena em ⅓ se o crime é cometido por tutor ou curador
(FARIAS, et al., 2018, p. 268:278).

Como se pode vislumbrar, em se tratando de dispositivos penais, a LBI trouxe uma


grande mudança em seu artigo 88 e seguintes, qual seja, a criminalização de práticas
discriminatórias a pessoa com deficiência em razão da sua deficiência (FARIAS, et al., 2018).
Esse dispositivo de natureza penal busca punir condutas que visem a violar direitos das
pessoas com deficiência, com penas de 1 (um) a 3 (três) anos de reclusão, mas que podem
aumentar em ⅓ se o causador da discriminação for o responsável por cuidar da vítima.
Volume 1, Número 04, 2020

Ademais também se estabelece como crime a apropriação ou desvio de bens, pensão,


benefícios ou remuneração da pessoa com deficiência com pena de 1 (um) a 4 (quatro) anos de
reclusão, aumentada em ⅓, se praticado por tutor ou curador (FARIAS, et al., 2018).
Percebe-se que a penalização, agora garantida pela Lei 13.146/15, é um dos principais
marcos trazidos com a referida lei, com o escopo de se diminuir a distância entre as pessoas
com deficiência e a sociedade como um todo.

4.2.1 EDUCAÇÃO E SAÚDE

O Estatuto da Pessoa Com Deficiência trata do direito à educação a partir do artigo 27,
assegurando que é dever do Estado propiciar à pessoa com deficiência acesso a educação de
qualidade (CÂMARA PAULISTA PARA INCLUSÃO DA PESSOA COM DEFICIÊNCIA,
2017).
Disciplina ainda que incumbe ao Estado, além de outras atribuições, a designação de
um profissional de apoio escolar, a depender da necessidade da pessoa com deficiência,
propiciando assim, um atendimento educacional especializado (FARIAS, et al., 2018).
Outrossim, o Estatuto assegura às pessoas com deficiência o direito de serem inseridas
nas escolas privadas de ensino regular, como também, garante que as devidas adaptações
necessárias a fim de propiciar a efetiva inclusão escolar destas terão de ser realizadas sem que
nenhum ônus financeiro seja repassado às mensalidades e matrículas (SENADO FEDERAL,
2016).
Além disso, assegura-se a educação inclusiva em todos os níveis e modalidades de
ensino (SENADO FEDERAL, 2016).
Também o artigo 208 do dispositivo constitucional em vigência, prevê que o Estado
deve garantir à pessoa com deficiência atendimento educacional especializado,
preferencialmente na rede regular de ensino (BRASIL, 1998).
Tratando especificamente do direito à saúde, no artigo 18 e seguintes da LBI, às
pessoas com deficiência são assegurados, dentre outros, os serviços gratuitos de acesso à saúde,
sendo-lhes garantidas a vacinação nos períodos de campanha, atendimento domiciliar e
internação, e nos casos das mulheres grávidas é assegurado o acompanhamento durante todo
o período gestacional e também do parto ao pós-parto, com vistas a garantir uma assistência à
saúde de qualidade (FARIAS et al., 2018).
Assim, os Estados Signatários devem atuar garantindo as pessoas com deficiência o
direito a condições existenciais, como saúde pública de qualidade, proteção e integração social,
Volume 1, Número 04, 2020

conforme dispõe a Constituição Federal. Nessa continuidade, dispõe os artigos 23, inciso II e
24, inciso XIV do referido diploma legal, respectivamente, ser dever do Estado à promoção
de saúde, assistência, proteção e integração social às pessoas com deficiência (CÂMARA
PAULISTA PARA INCLUSÃO DA PESSOA COM DEFICIÊNCIA, 2016).
Ressalta-se que dispositivos já tinham previsão na Constituição Federal, contudo, não
eram amplamente aplicados. Sua aplicabilidade efetiva é o que pretende trazer o Estatuto das
Pessoas com Deficiência para as pessoas com deficiência (TORQUES, 2018).

4.2.2 ACESSIBILIDADE E TRANSPORTE

Questões como acessibilidade e transporte são tratadas pela Lei 13.146/15, a partir do
artigo 42, mas mesmo antes de ser instituído o Estatuto, algumas dessas demandas já eram
regulamentadas pelo ordenamento jurídico brasileiro (FARIAS et al., 2018).
A Constituição Federal, nos termos do artigo 227, § 2° já previa que é dever do Estado
observar as regras de acessibilidade na construção de ruas, edifícios públicos e transportes
acessíveis a fim de garantir o acesso às pessoas com deficiência. Ademais, já era
constitucionalmente previsto a responsabilidade do Estado em propiciar a facilitação de acesso
aos bens e serviços coletivos com a eliminação de obstáculos arquitetônicos e de todas as
formas de discriminação, conforme o artigo 227, § 1°, II do referido diploma legal (CÂMARA
PAULISTA PARA INCLUSÃO DA PESSOA COM DEFICIÊNCIA, 2016).
Com a vigência do Estatuto instituiu-se expressamente em seu artigo 47 e parágrafos,
a reserva de 2% das vagas adequadamente sinalizadas, ás pessoas com mobilidade reduzida,
desde que devidamente identificados mediante credencial, que será fornecida pelos órgãos
municipais de trânsito e terá validade em todo o território nacional (FARIAS et al., 2018).
Destaca-se que o artigo 86-A do Código de Trânsito Brasileiro (CTB), acrescido pela
Lei 13.146/15, adita que além da sinalização, também será preciso à instalação de placas
informando os dados sobre a infração por estacionar em vaga reservada às pessoas com
deficiência, apesar de não haver previsão deste tipo de placa no conjunto de sinais de trânsito
(FARIAS et al., 2018).
Artigo 86-A. As vagas de estacionamento regulamentado de que trata o inciso XVII
do artigo 181 desta Lei deverão ser sinalizadas com as respectivas placas indicativas
de destinação e com placas informando os dados sobre a infração por estacionamento
indevido. (Acrescentado pela Lei n. 13.146, de 2015.) (BRASIL, 1997).

Pode-se dizer que a maior inovação trazida na esfera de trânsito pela lei 13.146/15 foi a do
artigo 181, XVII do CTB. Disciplina o referido artigo que ao condutor de veículo que
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descumprir a reserva da vaga, caberá multa e a gravidade da infração que era considerada leve
passa para grave (TORQUES, 2018). Segundo o site do DETRAN, a referida multa é no
importe de R$ 293,47 com perda de 07 pontos na carteira de habilitação (DETRAN MINAS
GERAIS, 2019).

4.2.3 TRABALHO E EMPREGO

A LBI, em seu artigo 34 e seguintes, disciplina sobre o direito a trabalho e emprego


das pessoas com deficiência, que devem tê-lo assegurado em igualdade de condições com as
demais pessoas, as sendo oportunizadas condições justas, seguras e salubres de trabalho,
idêntica renumeração para trabalho de igual valor, dentre outras orientações (FARIAS et al.,
2018).
O exemplo mais evidente dessa medida protetiva é a previsão contida na Lei 8.213/91,
que tornou obrigatória a contratação de pessoa com deficiência quando a empresa contar com
mais de 100 empregados (CÂMARA PAULISTA PARA INCLUSÃO DA PESSOA COM
DEFICIÊNCIA, 2016).
A Constituição Federal veda expressamente a discriminação ás pessoas com
deficiência no mercado de trabalho. Além disso, dispõe também acerca da obrigatoriedade da
reserva de vagas em concursos e empregos públicos às pessoas com deficiência (BRASIL,
1988).
Nesse sentido, disciplina o referido dispositivo, em seu artigo 7°, XXI que é proibida
a discriminação no que diz respeito ao salário e contratação de pessoa com deficiência
(BRASIL, 1988).
Tais dispositivos já tinham previsão legal, contudo, não eram amplamente aplicados.
Sua aplicabilidade efetiva é o que pretende trazer o Estatuto das Pessoas com Deficiência às
pessoas com deficiência (TORQUES, 2018).
Com esse objetivo o § 6° do artigo 428 e o artigo 433 da Consolidação das Leis do
Trabalho (CLT) foram modificados. E foi inserido ao artigo 428 da CLT, o § 8° (FARIAS, et
al., 2018).
A redação do §° 6 do referido artigo, que disciplinava, tão somente, acerca da
finalidade do trabalho do menor aprendiz com deficiência mental, passou a abranger a pessoa
com qualquer tipo de deficiência (BRASIL, 1943).
Artigo 428. Contrato de aprendizagem é o contrato de trabalho especial, ajustado por
escrito e por prazo determinado, em que ao maior de 14 (quatorze) e menor de 24
(vinte e quatro) anos, inscrito em programa de aprendizagem formação técnico-
Volume 1, Número 04, 2020

profissional metódica, compatível com o seu desenvolvimento físico, moral e


psicológico, e o aprendiz, a executar com zelo e diligência as tarefas necessárias a
essa formação.
§ 6° Para os fins do contrato de aprendizagem a comprovação de escolaridade de
aprendiz com deficiência deve considerar, sobretudo, as habilidades e competências
relacionadas com a profissionalização. (Redação dada pela Lei n. 13.146, de 2015.)
(BRASIL, 1943).

O § 8° do artigo 428 da CLT, acrescido pela Lei, disciplina o seguinte (CÂMARA PAULISTA
PARA A INCLUSÃO DA PESSOA COM DEFICIÊNCIA, 2017).
§ 8° Para o aprendiz com deficiência com 18 (dezoito) anos ou mais, a validade do
contrato de aprendizagem pressupõe anotação na CTPS e matricula e frequência em
programa de aprendizagem desenvolvido sob orientação de entidade qualificada em
formação técnico profissional metódica (Incluído pela Lei n. 13.146, de 2015.)
(BRASIL, 1943).

O artigo 433 da CLT, que trata da extinção do contrato de aprendizagem, que em regra,
se dá ao completar o aprendiz 24 (vinte e quatro) anos de idade, não se aplica ao aprendiz
acometido de alguma deficiência. O inciso I do referido artigo, alterado pela Lei 13.146/15, o
resguarda também da dispensa, nos casos em que não lhe sejam assegurados os recursos de
acessibilidade e de tecnologia assistiva necessária ao desempenho de suas funções (CÂMARA
PAULISTA PARA A INCLUSÃO DA PESSOA COM DEFICIÊNCIA, 2017).
A Lei n°. 8.213/91 prevê em seu artigo 93, que a empresa que contar com cem ou mais
funcionários, deverá reservar de 2% a 5% dos seus cargos a pessoas com deficiência
(TORQUES, 2018).
Nessa sequência, o § 1° do artigo 93 da referida lei, alterado pela Lei 13.146/15, dispõe
que atendida à cota de cargos, a dispensa de pessoa com deficiência só poderá ocorrer se
houver contratação de substituto nas mesmas condições para o mesmo cargo (TORQUES,
2018).

4.2.4 ACESSO Á INFORMAÇÃO NAS RELAÇÕES DE CONSUMO

Em se tratando do acesso à comunicação e à informação, a Lei 13.146/15 disciplina a


partir do artigo 63, que incumbe ao Poder Público a adoção de medidas que garantam o pleno
acesso às pessoas com deficiência, dispondo de informações corretas e claras sobre os produtos
e serviços ofertados, contanto que se observe o disposto nos artigos 30 e seguintes do Código
de Defesa do Consumidor (FARIAS, et al., 2018).
Exemplo disso evidencia-se com a inclusão pela Lei 13.146/15 ao Código de Defesa
do Consumidor, do parágrafo único ao artigo 6° e o § 6° ao artigo 43 (FARIAS, et al., 2018).
Volume 1, Número 04, 2020

O inciso III do artigo 6° do CDC, trata da obrigatoriedade de que os produtos e serviços


expostos à venda ao consumidor precisam conter especificações adequadas quanto à
quantidade, qualidade, riscos etc., e, por conseguinte, o parágrafo único do referido artigo, que
fora acrescido pela Lei de Inclusão, adita que tais informações precisam ser acessíveis à pessoa
com deficiência (CÂMARA PAULISTA PARA A INCLUSÃO DA PESSOA COM
DEFICIÊNCIA, 2017).
O artigo 43 do CDC, que trata da inscrição do devedor nos órgãos de proteção ao
crédito, como SPC e Serasa, disciplina em seu § 6°, acrescentado pela Lei 13.146/15, que as
informações a que dispuserem esses órgãos devem estar em formato de fácil compreensão à
pessoa com deficiência (CÂMARA PAULISTA PARA A INCLUSÃO DA PESSOA COM
DEFICIÊNCIA, 2017).

4.2.5 PARTICIPAÇÃO NA VIDA POLÍTICA

A Constituição Federal, em seu artigo 15, inciso II, disciplina acerca da suspensão dos
direitos políticos ao absolutamente incapaz. Frisa-se que a redação do aludido dispositivo não
foi alterada pelo Estatuto da Pessoa Com Deficiência, então à época, era proibido o voto aos
menores de 16 (dezesseis) anos e aos que por enfermidade ou doença mental, mesmo transitória,
não pudessem exprimir sua vontade; mas como sabemos, com a atual sistemática trazida pela
Lei 13.146/15, apenas os menores de 16 (dezesseis) anos se alocam a categoria da absoluta
incapacidade (CÂMARA PAULISTA PARA INCLUSÃO DA PESSOA COM DEFICIÊNCIA,
2017).
Artigo 15. É vedada a cassação de direitos políticos, cuja perda ou suspensão só se
dará nos casos de:
I. cancelamento da naturalização por sentença transitada em julgado;
II. incapacidade civil absoluta;
III. condenação criminal transitada em julgado, enquanto durarem seus efeitos;
IV. recusa de cumprir obrigação a todos imposta ou prestação alternativa, nos termos
do art. 5°, VII;
V. improbidade administrativa, nos termos do art. 37, § 4° (BRASIL, 1988).

Nesse sentido, a LBI, em seu artigo 76, garante as pessoas com deficiência, o gozo dos
direitos políticos em igualdade de condições com as demais pessoas, o que ensejou na
alteração do artigo 135, § 6°-A do Código Eleitoral, que antes era a seguinte: “§ 6º-A. Os
Tribunais Regionais deverão, a cada eleição, expedir instruções aos Juízes Eleitorais, para
orientá-los na escolha dos locais de votação de mais fácil acesso para o eleitor deficiente físico”
(CÂMARA PAULISTA PARA INCLUSÃO DA PESSOA COM DEFICIÊNCIA, 2017).
Agora, a redação do §°6-A do referido artigo, passou a ser a seguinte:
Volume 1, Número 04, 2020

§ 6º-A. Os Tribunais Regionais deverão, a cada eleição, expedir instruções aos Juízes
Eleitorais, para orientá-los na escolha dos locais de votação, de maneira a garantir
acessibilidade para o eleitor com deficiência ou com mobilidade reduzida, inclusive
em seu entorno e nos sistemas de transporte que lhe dão acesso. (Alterado pela Lei n°
13.146, de 2015.) (BRASIL, 1965).

Além das instalações das seções eleitorais em locais de fácil acesso, determina a Justiça
Eleitoral, ainda, por exemplo, que sejam disponibilizados fones de ouvido a pessoa com
deficiência visual, a fim de que possa exercer o seu direito ao voto. Contudo, os TSE’s vêm
permitindo a pessoa com deficiência, nos casos em que o exercício do voto a seja
demasiadamente oneroso, solicitar a dispensa, que poderá ser feita pelo próprio interessado ou
por seu representante legal. Ressalta-se que a dispensa não tem caráter definitivo, não
impedindo que o possa voltar a exercê-lo a posteriori, se assim o desejar (TRIBUNAL
REGIONAL ELEITORAL – SANTA CATARINA, 2018).
Dessa forma, vislumbra-se que a Lei Brasileira de Inclusão é um dos mais importantes
instrumentos a fim de conferir significativas mudanças, tendo garantidos a inclusão social e o
direito à cidadania, além de propiciar que as pessoas com deficiência figurem como polo ativo
na asseguração e defesa de seus direitos (CÂMARA PAULISTA PARA A INCLUSÃO DA
PESSOA COM DEFICIÊNCIA, 2017).

5 METODOLOGIA

A elaboração da presente pesquisa foi feita através de pesquisas mediante fontes


bibliográficas, tais como livros, artigos e sítios de internet na esfera do tema escolhido, além de
pesquisas sobre as opiniões e pareceres de doutrinadores, jurisprudências, bem como
informações advindas de revistas jurídicas.

CONCLUSÃO

Comumente as pessoas com deficiência são tratadas como doentes e discriminadas


até no seio familiar e, ainda que a Constituição de 1988 e outros dispositivos trouxessem normas
de proteção às pessoas com deficiência, tais não eram efetivamente aplicadas. Foi o Estatuto
Das Pessoas Com Deficiência, responsável por introduzir mudanças nesse cenário antes
marcado pela desproteção e invisibilidade.
O primeiro ponto que merece destaque é em relação à concepção de capacidade
conferida às pessoas com deficiência, visto que a lei modificou o Código Civil, conferindo-lhes
Volume 1, Número 04, 2020

a capacidade plena, além de revogar vários outros dispositivos que de alguma maneira
descriminavam-nas.
A Lei n. 13.146/15, ainda, passou a criminalizar práticas discriminatórias às pessoas
com deficiência exatamente em razão da deficiência, e pode-se dizer que tornar crime a prática
desses atos, é sem dúvidas um dos principais marcos e desafios a partir da promulgação desta
Lei.
Em verdade, o principal objetivo do Estatuto da Pessoa Com Deficiência vai muito
além da concretização e efetivação de direitos: buscar-se-á principalmente que a sociedade se
adeque às pessoas com deficiência, conscientizando-se de que a deficiência não os faz díspares
do todo, a fim de que, de fato, tal lei tenha eficácia e aplicabilidade e não esteja tão somente no
papel.
À face do exposto conclui-se, portanto, que o Estatuto da Pessoa Com Deficiência
trouxe um saldo positivo ao cenário atual, mas sua aplicabilidade efetiva ainda está longe de
ser alcançada, uma vez que mais que um documento positivado, trata-se da busca à
conscientização, que deve partir da sociedade como um todo e do Estado, através da adoção de
políticas públicas inclusivas, para que então, o tenha aplicabilidade e efetividade plena.

REFERÊNCIAS

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Disponível em: <[Link] Acesso
em: 16 mar. 2020

___.___. Decreto - Lei nº 5.452, de 1º de maio de 1943.


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___.___. Decreto nº 6.949, de 25 de agosto de 2009. Disponível


em: <[Link] Acesso
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___.___. Lei nº 4.737, de 15 de julho de 1965. Disponível em:


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___.___. Lei nº 9.503, de 23 de setembro de 1997. Disponível


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CÂMARA PAULISTA PARA INCLUSÃO DA PESSOA COM DEFICIÊNCIA. LBI garante


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___.___. Os reflexos da Lei 13.146/2015 – Estatuto da Pessoa Com Deficiência – no sistema


jurídico brasileiro. Disponívelem:
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CÂMARA DOS DEPUTADOS. Balanço da Lei Brasileira de Inclusão. Disponível em:


<[Link]
INCLUSAO>. Acesso em: 20 ago. 2019.

CERS. Confira o que muda no Código Civil após o Estatuto da Pessoa com Deficiência.
Disponível em: <[Link]
apos-o-estatuto-da-pessoa-com-deficiencia/>. Acesso em: 09 de mar. 2020.
Volume 1, Número 04, 2020

A VIOLÊNCIA CONTRA MULHERES EM TEMPOS DE PANDEMIA PELA


COVID-19: panorama e formas de enfrentamento

VIOLENCE AGAINST WOMEN IN PANDEMIC TIMES BY COVID-19: panorama and


ways of coping

VIOLENCIA CONTRA LAS MUJERES EN TIEMPOS DE PANDEMIA POR COVID-19:


panorama y formas de afrontamiento

RESUMO

Este trabalho aborda questões teóricas e práticas da violência contra a mulher tendo como
recorte a abordagem de gênero. Inicialmente contextualiza os diferentes usos do conceito e as
causas determinantes na compreensão do problema. Em seguida comenta alguns dados de
pesquisa e, por fim, discute os dilemas e impasses vividos pelas mulheres agredidas diante da
denúncia e impunidade dos agressores. O resumo deve ser composto de uma sequência de frases
concisas e afirmativas. Inicie com uma frase significativa, explicando o tema e o problema, a
seguir ressalte o objetivo geral, o método, os resultados e a conclusão. Lembre-se que o trabalho
será inicialmente conhecido pelo resumo aqui escrito, portanto, ele deve ser fidedigno ao
trabalho desenvolvido. Perceba que não há abertura de parágrafo. O espaço entre as linhas é
simples (1,0 cm), diferente do espaçamento entre linhas do corpo do texto (1,5 cm). Depois do
término do resumo dê dois espaços e escreva as palavras chave, que devem ser representativas
do conteúdo do documento e extraídas de dentro deste resumo. Escreva de três a seis palavras
chave, com a primeira letra em maiúscula e separada por um ponto-e-vírgula, para que os
leitores tenham noção do que foi a pesquisa.

PALAVRAS CHAVE: Resumo; Fidedigno; Pesquisa.

INTRODUÇÃO

Quando se consulta o significado o vocábulo violência em dicionários, ele apresenta


como significado ato violento, abuso de força, tirania, opressão, constrangimento exercido
sobre alguma pessoa para obriga-la a fazer um ato qualquer, coação (AURÉLIO, 2008).
Volume 1, Número 04, 2020

A palavra violência deriva do Latim violentia, que significa veemência, impetuosidade;


mas na sua origem etimológica está relacionada com o termo violação (violare) que significa
profanar ou transgredir (MODENA, 2016). Assim, entende-se que violência é qualquer
comportamento ou conjunto de comportamentos que possuem como intenção causar algum
dano a outra pessoa.

Esse estudo tem como objetivo principal discorrer sobre a o panorama da violência
contra a mulher na situação da pandemia causada pelo novo coronavírus (COVID 19),
abordando estatísticas e ações de coação em relação à violência contra a mulher no Brasil, a
efetividade das leis e as ações do Estado, a partir do desenvolvimento de Políticas Públicas na
proteção à integridade da mulher.

O método de pesquisa será o indutivo, haja vista que se trata de um processo que parte
das teorias e leis, para a ocorrência dos fenômenos particulares, através do estudo de pesquisa
bibliográfica em doutrinas, revistas e jornais, reportagens e pesquisas de dados sobre a violência
doméstica e familiar antes e após a pandemia corrente. A forma de abordagem será qualitativa,
visto que procederá de dados estatísticos e fundamentação teórica que permitirão a percepção
da problemática em questão nesse trabalho.

1. VIOLÊNCIA DE GÊNERO

Violência contra a mulher é comumente denominada como sinônimo de violência


doméstica e violência de gênero, mas apesar da sobreposição existente entre esses conceitos,
há especificidades no uso dos mesmos como categorias de análise.

Gênero é o sexo atribuído desde a comprovação de que um recém-nascido é menino ou


menina. Ali sua identidade começa a ser construída sob uma complexa trama de influências que
abrangem desde a linguagem, as atitudes até as expectativas futuras (STROHER, DEIFELT,
MUSSKOPF, 2017).

Cassol (2015) afirma que gênero também pode ser explicado como “um conjunto de
normas modeladoras de homens e mulheres, que estão expressas nas relações destas duas
categorias sociais”, entendendo que pode ocorrer na relação homem-mulher, homem-homem,
mulher-mulher. Para esse trabalho, será considerada a homem-mulher, por ser socialmente mais
utilizada.
Volume 1, Número 04, 2020

Araújo (2008) afirma que no Brasil, o referido termo começou a ser usado no final dos
anos 70 e espalhou-se velozmente devido às mobilizações feministas contra o abuso e
assassinato de mulheres, e posterior impunidade dos agressores, que eram na maioria das vezes
os próprios maridos; esses, eram absolvidos em nome da “defesa da honra”. No início da década
de 80, esses movimentos foram expandidos para a denúncia dos espancamentos e maus tratos
conjugais, contornos também muito comuns de violência contra a mulher, até os dias atuais.
Por esse motivo, o termo passou a ser usado como sinônimo de violência doméstica em função
da maior incidência deste tipo de violência ocorrer no espaço doméstico e/ou familiar (Azevedo,
1985).

Esses movimentos trouxeram importantes avanços, especialmente com a criação dos


SOS Mulher e demais Serviços de Atendimento a Mulheres Vítimas de Violência, em geral
vinculados a organizações não governamentais criadas por militantes feministas envolvidas na
luta por políticas públicas direcionadas à mulher. Desses processos surgiram também o
Conselho Nacional dos Direitos da Mulher, os Conselhos Estaduais e Municipais da Condição
Feminina e as Delegacias de Defesa da Mulher, conquistas importantes no combate à violência
contra a mulher (SOUZA et al, 2014).

O desenvolvimento de estudos de gênero na década de 1990, trouxe a utilização mais


comum do termo por grande parte dos pesquisadores, que passaram a utilizar “violência de
gênero” como um conceito mais amplo que “violência contra a mulher” (SAFFIOTI, 2001).

O conceito “violência de gênero” abrange não apenas as mulheres adultas, mas também
crianças e adolescentes que tenham sido objeto da violência masculina (RODRIGUES, 2019).
Além disso, também poderá ser empregada nas situações de violência conjugal, já que abrange
distintas formas de violência envolvendo relações de gênero e poder, como a violência
perpetrada pelo homem contra a mulher, a violência praticada pela mulher contra o homem, a
violência entre mulheres e a violência entre homens. Nesse sentido pode-se dizer que a
violência contra a mulher, em suas diversas formas, é uma das principais configurações de
violência de gênero.

A seguir, serão apresentadas as formas e tipos de violência contra a mulher, para que
seja possível, com clareza, debater sobre o tema.

1.1 FORMAS E TIPOS DE VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER


Volume 1, Número 04, 2020

Muitas mulheres passam por momentos de difíceis através de situações pelas quais se
machucam, seja fisicamente ou não, mas suportam e com o tempo se acostumam tanto que
passa a fazer parte da sua rotina. É comum ouvir relatos de indivíduos que presenciam cenas de
violência pois tal situação já está banalizada ao ponto de ser tratada como algo que faz parte da
vida (SILVA, 2017). Teles e Melo (2012, p.09) descrevem este acontecimento como, “[...] um
fenômeno antigo silenciado ao longo da história, e passou a ser desvendado há menos de 20
anos. A mídia busca fatos novos, e quando se fala de violência contra mulher, nada é novo”.
Na verdade, o que vemos é que a mulher durante toda a história sofreu algum tipo de violência
e ainda luta para conquistar direitos iguais.

Casique e Furegato (2006), afirmam que dentre as diferentes formas de violência de gênero,
pode ser apontada a violência intrafamiliar ou violência doméstica e a violência no trabalho,
que se manifestam através de agressões físicas, psicológicas e sociais. Sabe-se que muitas vezes,
é comum que as mulheres sofram mais de um tipo de violência, até mesmo em diferentes
ambientes e situações. O maior desafio é tirar a questão da banalidade da sociedade brasileira
e trazer o conhecimento para todos, em busca de um debate sério.

A violência intrafamiliar ou doméstica é aquela que acontece no seio do lar, com o


companheiro ou ainda entre entes da mesma família; já a violência no trabalho, aquela que
ocorre no âmbito laboral, ou seja, no qual a mulher desempenha sua atividade profissional.

Quanto ao tipo de violência, nesse trabalho serão discutidos cinco tipos: física, sexual,
moral, psicológica e patrimonial, que seguem nos próximos tópicos.

1.1.1 Violência física

A violência física é qualificada como qualquer ato que possa ofender a integridade ou
saúde corporal de outra pessoa (BRASIL, 2006), onde o contato físico provoca dor, podendo
ou não causar alguma lesão ou marcas no corpo. É, frequentemente, a forma de violência mais
facilmente identificada (RAPOLD; PEREIRA, 2018), pois muitas vezes deixam marcas
visíveis, salvo os casos que não são aparentes.

Ainda que a agressão não deixe marcas aparentes, o uso de força física que ofenda o
corpo ou a saúde da mulher constitui vis corporalis, expressão que define a violência física
(SILVA, 2017).
Volume 1, Número 04, 2020

A violência física é prevista pelo Código Penal (BRASIL, 2019) como forma de lesão
corporal, regulada pelo seu artigo 129, do qual descreve como “ofensa à integridade corporal
ou a saúde”, e quando praticada contra a mulher, é especialmente prevista pela Lei Maria da
Penha (BRASIL, 2006) e em casos de assassinato ou de tentativa, pela Lei do Feminicídio
(BRASIL, 2015), mais recente no Brasil.

1.1.2 Violência sexual

A violência sexual é qualquer atitude que obrigue a mulher a estar presente, manter ou
participar de relação sexual não desejada, através de intimidação, ameaça, coação ou uso da
força, ou, ainda que a induza a utilizar sua sexualidade para fins comerciais contra a sua vontade,
ou a impeça de utilizar métodos contraceptivos, que a force ao casamento, aborto ou à
prostituição (RAPOLD; PEREIRA, 2018), mediante coação, chantagem, suborno ou
manipulação; ou que limite ou anule o exercício de seus direitos sexuais e reprodutivos
(BRASIL, 2006).

Pode ocorrer em qualquer âmbito, desde que a mulher entenda que foi obrigada a
participar do ato (consciente ou não), independente que seja em casamento ou que seja
profissional, como nos casos de prostituição. Nesse mesmo diapasão, entende-se ainda que pode
ser interpretado em casos que o parceiro limite o exercício reprodutiva da mulher, ou seja, não
permita que a mesma, ou seja, quando se fala em violência sexual, entende-se como qualquer
ação que ofenda a liberdade sexual e reprodutiva da mulher.

1.1.3 Violência moral

Já a violência moral é qualquer conduta que exponha a mulher à calúnia, difamação ou


injúria (BRASIL, 2006), além de espalhar mentiras humilhantes e publicação de fotos eróticas
na internet (RAPOLD; PEREIRA, 2018).

Atualmente, infelizmente, é comum conhecer alguma mulher que foi vítima de tal fato.
Com o advento das redes sociais e a popularização da internet, tornou-se banal o ataque virtual,
o que tem sido combatido através de ferramentas específicos na seara jurídica.
Volume 1, Número 04, 2020

1.1.2 Violência psicológica

A Campanha Compromisso e Atitude (2020), aponta que, apesar de não deixar marcas
físicas evidentes, a violência psicológica é também uma grave violação dos direitos humanos
das mulheres, que produz reflexos diretos na sua saúde mental e física. Considerada pela
Organização Mundial de Saúde (OMS) como a forma mais presente de agressão intrafamiliar à
mulher, sua naturalização é apontada ainda como estímulo a uma espiral de violências. Pode
preceder, inclusive, a mais extrema violência, o feminicídio, conforme apontam esses
especialistas.

Na violência psicológica, predomina-se a subjetividade, pois depende de como é vista


a atitude do suposto ofensor, a forma em que ela se dá é dissimulada, por isso muitas vezes
demora-se para reconhecer a agressão (RAPOLD; PEREIRA, 2018).

Tal violência caracteriza-se principalmente pela manipulação e está, na maioria dos


casos, ligada a outros tipos e formas de violência, como a sexual e a patrimonial, que será
abordada a seguir.

1.1.3 Violência patrimonial

A violência patrimonial, por sua vez, geralmente se apresenta em conjunto com a moral
e psicológica, visto que utiliza-se de ofensas e humilhações para atingir a vítima, alegando a
sua dependência financeira (RAPOLD; PEREIRA, 2018) ou como qualquer conduta que
configure retenção, subtração, destruição parcial ou total de seus objetos, instrumentos de
trabalho, documentos pessoais, bens, valores e direitos ou recursos econômicos, incluindo os
destinados a satisfazer suas necessidades (BRASIL, 2006) .

Nesse contexto, o agressor obtém benefícios financeiros através da manipulação ou


ainda apropriação indevida de bens da vítima. Esse tipo de violência aumentou após a realidade
do protagonismo da mulher no âmbito profissional, mas vale destacar que sempre aconteceu,
com a subtração e usufruto de bens da vítima.

1.1.4 A importância de mensurar e punir os danos da violência


Volume 1, Número 04, 2020

A Campanha Compromisso e Atitude (2014) publicou um estudo com ênfase na


ocorrência da violência psicológica, mas que consegue mostrar um panorama claro estatístico
da ocorrência dos demais tipos de violência no Brasil, relatados ao Canal que recebe ligações
relacionadas à violência contra a mulher, como pode-se ver na figura a seguir.

Figura 01. Campanha compromisso e atitude (2014).

Observa-se que o principal tipo de violência denunciado é a violência física (54,2%),


seguida pela violência psicológica (30,3%). As agressões psicológicas também denunciam uma
desigualdade na relação que pode evoluir para violência física ou sexual ou homicídios. Então,
apesar de mais difícil de ser detectado, ter um diagnóstico precoce é bastante importante para
evitar dano, morte ou outros crimes posteriores.

2. EVOLUÇÃO LEGISLATIVA DA VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER

No presente tópico, serão discutidas brevemente as legislações voltadas para a defesa


da mulher no Brasil. Inicialmente com a Lei Maria da Penha e posteriormente com a Lei do
Feminicídio, as duas grandes vitórias na coação à violência contra a mulher em nosso país.
Volume 1, Número 04, 2020

2.1 BREVE HISTÓRICO DA LEGISLAÇÃO CONTRA A MULHER NO BRASIL

Antes da existência da lei específica sobre a violência doméstica contra a mulher, não
era estabelecido e conhecido as formas de violência, como também não existia previsão legal
na proteção tratando das relações de pessoas do mesmo sexo, o que é alcançado hoje
independentemente de orientação sexual (TELES; MELO, 2017). E por esses e outros motivos,
muitas mulheres não denunciavam os agressores, e se não há denúncia não há crime. Aquelas
corajosas, que denunciavam seus companheiros ou maridos, iam atrás de auxílio em delegacias,
em busca de justiça, o que quase sempre era impossível, pois os agressores não eram punidos
pelos delitos.

Previmente à seara jurídica atual, era aplicado a Lei dos Juizados Especiais Criminais –
Lei 9.099/95, para os casos de violência doméstica, que julgavam esses crimes com pena de
menor potencial ofensivo, assim a pena máxima era de até 2 anos, e ainda permitia a aplicação
de penas pecuniárias, como multas e cestas básicas. Assim, Santos e Silva (2019), relata que as
mulheres que sofriam agressão, peregrinavam pelas delegacias e Instituto Médico Legal em
busca do exame de corpo de delito para instrução do processo, e, ao final do processo, seus
agressores eram punidos com o pagamento de cestas básicas à instituições de caridade. E com
isso, suas vidas se transformavam em um inferno pior que outrora, pois brotava em seus
agressores uma raiva intensa por já terem sido denunciados, como forma de vingança.

Com o advento do pensamento liberal, ideologia de igualdade de gênero, e as novas


legislações, é retirado dos Juizados Especiais Criminais a competência para julgar os crimes de
violência doméstica contra a mulher, vedando ainda a aplicação de penas pecuniárias, e enfim,
tem se observado que as mulheres já não omitem as agressões como antes da nova lei – Lei
Maria da Penha (BRASIL, 2006). Hoje é possível notar um aumento significativo no número
de denúncias de mulheres vítimas de agressões. O que se justifica diante dos clamores de
décadas de lutas dos movimentos feministas, nos dias atuais parecem ecoar e mulheres de todos
os níveis sociais e culturais buscam seus direitos e exigem a punição de seus agressores, e isso
a através da luta de uma mulher, que dá nome à lei, e faz a sociedade brasileira evoluir para
uma esfera de respeito aos direitos humanos, que assegura à mulher a dignidade e igualdade
como pessoa humana, tendo ainda uma lei que lhe garanta total proteção contra qualquer tipo
de violência. A referida lei ainda prevê que serão criados Juizados Especiais de Violência
Volume 1, Número 04, 2020

Doméstica e Familiar contra a Mulher com competência cível e criminal, abrangendo assim,
todas as questões.

Na história da humanidade, a mulher sempre teve seu valor de dona-de-casa, mãe e


objeto de prazer de seu companheiro, discriminada em seu trabalho e recebendo salários
inferiores aos dos homens (KRAUSE, 2017). Aos poucos e lentamente, a mulher foi
percebendo que era tratada de forma desigual e injusta, de forma a sentir e assim começa a
expressar sua insatisfação. O que pode-se inferir é que a vitória conquistada com a Lei Maria
da Penha é apenas o início, um salto para maiores conquistas tanto no campo trabalhista como
no político.

Diante dos efeitos da lei de defesa às mulheres, os homens tem refletido melhor antes
de agredirem suas mulheres, visto que apenas a denúncia da ofendida às autoridades policiais
é o suficiente para começar o procedimento de investigação do crime, valendo ressaltar que
mesmo diante do arrependimento da mulher, não cabe retratação da representação depois de
oferecida a denúncia do Ministério Público ao Juiz, o que vem a assegurar uma maior certeza
de o agressor ser punido pelos seu delito na Justiça (PORTO, 2014).

No que se refere ao convívio familiar, observa-se que passou a existir um maior respeito
à figura da mulher em função dessa lei. Tal fenômeno é mais bem fácil de ser observado nos
bairros de classe média e baixa, onde o que antes imperava era o machismo, fruto de anos de
impunidade, quando o homem era quem mandava em casa e à mulher somente cabia obedecer
a suas ordens.

No tocante aos casos de estupro e violência sexual, mais comuns em bairros com
moradores de baixo poder aquisitivo, muitas mulheres e adolescentes são corrompidas,
deixando-as com a dignidade abalada, além do abalo emocional pelo medo de denunciar seus
agressores, em função de imaginarem o que enfrentarão a partir de então, caso resolvessem
promover um processo judicial. Porém, com a Lei Maria da Penha, esse caminho tem se tornado
menos desgastante, e o resultado é quase sempre positivo para a vítima (KRAUSE, 2017).

A Defensora Pública de 2º grau e Presidente da Comissão da Mulher Advogada da


OAB/CE, aduz:

Apesar de cedo para avaliarmos a eficácia da lei, posso afirmar, sem


sombra de dúvidas que as mulheres estão se sentindo mais confiantes. É
preciso entender que quem deve oferecer a denúncia tem que ser a própria
mulher e você não pode imaginar como isso é difícil. (GOMES, 2012).
Volume 1, Número 04, 2020

A impunidade do agressor devia-se ao fato de que, após o registro da ocorrência, a


pessoa agredida voltava à sua residência, por falta de lugar seguro onde pudesse ficar com seus
dependentes até o trâmite final do processo. Hoje, com a criação de casa abrigo, a mulher se
sente mais segura para efetuar as denúncias (BRITO, 2019).

Medidas protetoras que podem afastar do lar o agressor, traduzem-se em uma vitória
extraordinária para a garantia da efetivação dos direito humanos. Sobre o tema, o professor
Alexandre de Moraes aborda:

A necessidade primordial de proteção e efetividade aos direitos humanos


possibilitou, em nível internacional, o surgimento de uma disciplina
autônoma ao direito internacional público, denominada Direito
Internacional dos Direitos Humanos, cuja finalidade precípua consiste na
concretização da plena eficácia dos direitos humanos fundamentais, por
meios de normas gerais tuteladoras de bens da vida primordiais
(PASINATO, 2008).

A vida e o bom convívio familiar são conjecturas de dignidade humana. O pensamento


de ter mulheres e companheiras como propriedade é, no mínimo, uma prova de irracionalidade;
para isso, faz-se importante a garantia dos direitos humanos através da lei.

Atualmente, através de muitas lutas históricas e do processo de globalização, as


diferenças estão sendo dissolvidas. As mulheres estão ocupando seu espaço na sociedade, nas
empresas e na política, consolidado sua força e capacidade cada vez mais. Porém, ainda é
comum perceber o machismo encrustado na sociedade, e a surpresa por existirem mulheres de
sucesso que ocupam cargos de chefia. Hoje os motivos para justificar a violência doméstica e
familiar são outros, e muitas vezes ocorre pela disputa, ciúme ou insegurança do homem ao ver
a mulher independente.

No decorrer da evolução da humanidade muitas questões mudaram, mas apesar da sua


atualidade, o tema ainda é tratado com indiferença por muitos, devido ao preconceito,
desinteresse e desinformação acerca do assunto. Esse é um fenômeno que ocorre em todas as
classes sociais:

A violência doméstica e familiar é um fenômeno social difuso, atingindo


crianças, mulheres e idosos em todo mundo. Não é privilégio de nenhuma
classe econômica, uma vez que pode ser constatada em todas as classes
sociais e em qualquer seio familiar (PINTO, 2007).
Volume 1, Número 04, 2020

Todo um processo de mobilização social foi desenvolvido no mundo para que


chegássemos até o atual cenário. Os movimentos feministas ocorridos principalmente no Século
XX tiveram importante contribuição para a as vitórias da mulher. No Brasil, dentre as tantas
conquistas, apresentaremos a Constituição Federal de 1988 e posteriormente a Lei Maria Penha.

De acordo com Pinto (2007) inquietação em coibir e prevenir a violência contra mulher
foi evidenciada apenas a partir do Art. 5º da Constituição Federal de 1988, no qual disciplina e
assegura a igualdade entre homens e mulheres foi, pela primeira vez, estabelecida na lei, mesmo
o país sendo signatário de tratados internacionais. Somente com a Lei Maria da Penha,
apresentada a seguir, iniciou-se um posicionamento mais sério das autoridades em relação à
essa questão.

2.2 LEI MARIA DA PENHA

De acordo com Bertoldi et al (2014), temos a Lei Maria da Penha, que recebeu esse
nome em homenagem à uma mulher que se tornou símbolo da luta contra a violência doméstica,
a biofarmacêutica Maria da Penha Maia Fernandes, e lutou durante 20 anos para ver agressor
condenado, o professor universitário Marco Antonio Herredia, que tentou matá-la duas vezes –
na primeira vez, deu um tiro e ela ficou paraplégica e na segunda, tentou eletrocutá-la no
chuveiro durante o banho, isso ocorreu no ano de 1983.

As investigações começaram em junho daquele mesmo ano, porém a denúncia só foi


apresentada ao Ministério público em setembro do ano seguinte, com o primeiro julgamento
ocorrendo somente oito anos mais tarde quando seu agressor foi condenado a oito anos de
prisão, porém, através de recursos jurídicos conseguiu protelar o cumprimento de sua pena.

Depois de quase 20 anos de luta, a justiça brasileira ainda não havia dado um veredicto
acerca do caso de Maria, o que ocorreu somente quando o caso chegou à Comissão
Interamericana dos Direitos Humanos da Organização dos Estados Americanos - OEA, que
pela primeira vez acolheu uma denúncia de violência doméstica e familiar, é que seu agressor
foi preso - em 2002, porém cumpriu somente dois anos de prisão. O Brasil, com isso, foi
condenado por negligência em relação à violência doméstica e foi punido com a recomendação
de que, imediatamente, elaborasse uma lei em defesa dos direitos das mulheres.

Em 7 de setembro de 2006, a Lei 11340/2006 foi sancionada, reconhecida como Lei


Maria da Penha. A referida lei “cria mecanismos para coibir a violência doméstica e familiar
Volume 1, Número 04, 2020

contra a mulher, nos termos do artigo 226, §8º da Constituição Federal da República Brasileira,
da Convenção sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação contra as Mulheres e
da Convenção Interamericana para Prevenir, Punir e Irradicar a Violência contra a Mulher;
dispõe ainda sobre a criação de Juizados de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher;
ainda, altera o Código Penal, o de Processo Penal e a Lei de Execução Penal; e dá outras
providências”. Só assim, a violência contra a mulher deixou de ser menosprezada. Contudo,
mesmo após a promulgação da referida lei, muitas mulheres sofrem agressão diariamente e não
tem coragem de denunciar seu companheiro, por medo, e também pelas ameaças sofridas.

Mesmo com o tardio reconhecimento da necessidade em estabelecer a proteção à


mulher, essa lei é um ponto inicial para que o poder público, através de políticas específicas,
passe a ampliar a proteção dos direitos da mulher em razão da discriminação e violência por
elas sofridas.

Infelizmente, a norma constitucional dos direitos à mulher não foi o suficiente para
coibir, nem mesmo para prevenir de forma efetiva a violência de gênero na esfera doméstica e
familiar. Pesquisas recentes revelam que o alto índice de violência à mulher no país,
principalmente no ambiente doméstico, como mostra a pesquisa realizada pela Campanha
Compromisso e Atitude (2014):

Embora muitos avanços tenham sido alcançados com a Lei Maria da


Penha (Lei nº 11.340/2006), ainda assim, hoje, contabilizamos 4,4
assassinatos a cada 100 mil mulheres, número que coloca o Brasil no 7º
lugar no ranking de países nesse tipo de crime (COMPROMISSO E
ATITUDE, 2014).

Através dos mecanismos legais, buscou-se a conceituação e as formas de manifestação


de violência contra a mulher, que de acordo com o artigo 7º da Lei Maria da Penha, podem ser
a violência de gênero, violência física, a violência psicológica, a violência sexual, a violência
patrimonial, dentre outras como a violência virtual, atualmente tão presente na mídia através da
pornografia de vingança.

A palavra violência origina-se do latim violentia. Essa palavra refere-se à qualidade


daquilo ou daquele que é violento ou a ação ou efeito de violentar alguém ou ainda de violentar-
se. O indivíduo violento é aquele que está fora do seu estado natural; executado com força,
ímpeto ou com brutalidade; fazendo contra o gosto ou a sua própria vontade. Esse é um
comportamento deliberado que pode ser o causador de danos físicos ou psíquicos ao outro, e
Volume 1, Número 04, 2020

além disso, faz-se importante considerar, que além da agressão física, existe a violência
emocional ou psicológica, através de ofensas ou ameaças.

Através do uso de violência, busca-se impor algo através da força. Na literatura, existem
as mais diversas classificações para o termo, e também formas as quais a violência é castigada
como delito pela lei, porém, cabe ressaltar que o conceito de violência varia muito de acordo
com a cultura de uma região ou com a época estudada.

No que se refere à violência de gênero que é caracterizada como a forma mais


abrangente para violência doméstica, de acordo com o doutrinador Sérgio de Souza, apresenta-
se como a forma mais abrangente e geral, sendo que tal expressão é utilizada para designar:

[...] diferentes ações praticados contra as mulheres como forma de


submetê-las a sofrimento físico, sexual e psicológico, aí incluídas as
diversas formas de ameaças, não só no âmbito familiar, mas também
compreendendo sua participação social em geral, com ênfase para as suas
relações de trabalho, caracterizando-se sobretudo, pela imposição ou
pretensão de imposição de uma subordinação e controle do gênero
masculino sobre o feminino. A violência de gênero se apresenta, assim,
como um gênero, do qual as demais são espécies. (SOUZA, 2007, pág.
35).

Ainda discutindo a respeito de gênero, na visão de Teles:

(...) o gênero é construído socialmente conforme o tempo histórico vivido


em cada sociedade, enquanto a expressão “sexo” possui uma
caracterização biológica com destaque para os aspectos físicos do ser
feminino ou do ser masculino. Assim, é a própria estrutura da sociedade
e sua dinâmica que modificam as diferenças sexuais em desigualdades
sociais tendo em vista acatar interesses de determinados grupos. (TELES,
2006, pág. 39).

Diversos autores no trabalho de Pinto (2007), afirmam que a categoria gênero nada mais
é que o meio de evidenciar as desigualdades socioculturais que existem entre a mulher e o
homem, que repercutem tanto na esfera da vida pública e quanto na vida privada, impondo
papéis sociais diferentes que foram construídos historicamente, criando assim os polos de
dominação e submissão, fazendo prevalecer o poder masculino sob os direitos da mulher.

A lei apresenta as espécies de violência doméstica e familiar contra a mulher: violência


física, psicológica sexual,patrimonial e moral. E de acordo com Bianchini (2014), as formas de
violência contra mulher são manifestadas em nossa, desde a violência simbólica, fruto da
Volume 1, Número 04, 2020

sociedade de uma cultura denominada machista; da violência física, que deixa mais que
cicatrizes nas vítimas, ofendendo sua integridade ou saúde corporal; até violência virtual, mais
recente, tratando-se de uma crescente modalidade de violência contra a mulher com a
divulgação de material pornográfico sem o consentimento, muitas vezes usada como forma de
vingança pelo término de um relacionamento.

Sabe-se ainda que a referida lei aplica-se a casos em que haja qualquer relação íntima
de afeto (independentemente da orientação sexual), na qual o agressor conviva ou tenha
convivido com a pessoa ofendida, independentemente de morarem no mesmo lugar. Observa-
se que pela definição, é possível delinear as diversas possibilidades de aplicação da lei, não
somente quanto ao gênero, e para tal, a reflexão faz-se necessária.

Os efeitos que surgiram após a entrada em vigor da nova lei, a Lei Maria da Penha se
fazem uma realidade em nosso País, pois esta tipifica e define a violência doméstica e familiar
contra a mulher, assim, tem se conhecido uma nova realidade enfrentada pelas mulheres
brasileiras, modificada pelo menos em partes, graças às inovações trazidas pela Lei Maria da
Penha, que hoje tem o condão de proteger a dignidade da pessoa humana da mulher brasileira,
como bem sua integridade física e psicológica, ainda qualquer objeto pertencente à mulher,
assegurando aqui a proteção contra a violência patrimonial.

2.3 LEI DO FEMINICÍDIO

Para Pereira (2020), a fim de entender verdadeiramente a dimensão do crime de


feminicídio, deve-se compreender o que caracteriza o homicídio qualificado. Antes de tudo, o
crime de homicídio é constituído pelo Código Penal em seu artigo 121. Tem como premissa
o verbo constitutivo do tipo, “matar alguém”. Prescrevendo que matar alguém não é uma
conduta aceita, logo, está sendo exigido que não mate.

O artigo dispõe sobre a proteção do bem da vida, o objeto jurídico mais precioso
tutelado pelo direito brasileiro. Em seudispositivo legal, primeiramente tem a classificação de
homicídio simples, nele o que fere é o bem jurídico tutelado, apenas, puramente o matar
alguém, sem maiores peculiaridades. Entre tanto, será qualificado quando essa conduta for
executada de maneira diferente do simples ato de matar alguém, quando o agente além de
praticar o delito, o pratica de forma que desvaloriza ainda mais a vida da vítima (SILVA, 2014).
Volume 1, Número 04, 2020

O legislador penal, ao definir o crime de homicídio, na sua forma qualificada, apresentou


peculiaridades que recomendam maior reprovação, razão de cominar pena diversa da
figura simples. O código considerou os motivos determinantes (torpe, fútil) e os meios e
modos de execução (cruel, tortura, tocaia, que cause perigo comum) como formas que
representam maior periculosidade do agente, justificando a exasperação da pena. [...] As
qualificadoras são circunstâncias que o legislador entendeu por bem tipificar fora da figura
básica do tipo penal incriminador, já que extrapolam as circunstâncias normais previstas
para o crime comum, como por exemplo, matar desferindo um disparo de arma de fogo
(SILVA apud HUNGRIA, 2014, p. 84).

O homicídio qualificado, esta diretamente ligadocom o grau de perversidade e a falta de


sensibilidade moral com que o sujeito ativo executa o ato. Disposto no artigo 121, §2º,
inciso I, o Código Penal prevê a caracterização da qualificação, neste, contêm um elevado
grau de insensibilidade do sujeito, pois o homicídio seria executado em troca de quantia em
dinheiro ou qualquer outra vantagem pessoal, (paga ou promessa de recompensa ou outro
motivo torpe), considerado como torpe:

16o motivo apontado como repugnante. Assim como no inciso II, está prescrito
o motivo fútil. Entendendo por fútil, “nos termos da exposição de motivos do Código
Penal aquele que, pela sua mínima importância, não é causa suficiente para o crime,
ou seja, é o motivo desproporcional ou inadequado” (SILVA apud HUNGRIA, 2014,
p. 85-86). O motivo fútil, presente no inciso II do art 121, é composto por um
meio desprezível de eliminar a vida, sem motivo ou algum motivo mesquinho
e desproporcional ao resultado que causa, poderíamos citar como exemplo um
incidente de transito em que o autor lhe desfere disparos de arma de fogo por
este ter parado onde não deveria (PANDOLFO, 2015, p. 22).Do mesmo modo, o
inciso III do artigo 121 §2º prevê os meios de execução que qualificam o
homicídio, sendo eles o emprego de veneno, explosivos, asfixia, tortura e fogo,
terminando com um texto mais genérico, (meio insidioso, cruel ou de que possa
resultar perigo comum). Já no inciso IV, pela dificuldade ou impossibilidade
de defesa da vítima também se qualifica o crime, (a traição, a emboscada e a
dissimulação). Fundamentando-a em a vítima não conseguir se defender nessas
circunstâncias, bem como a quando o crime é executado para assegurar a
execução, impunibilidade, vantagem ou ocultação de outro crime. Havendo
conexão entre o homicídio e o outro crime. Sendo todos mantida a crueldade
com a vítima. (PANDOLFO, 2015)

3. A VIOLÊNCIA CONTRA MULHERES EM TEMPOS DE PANDEMIA PELA


COVID-19

Marques et al (2020) afirmam que a pandemia do novo coronavírus (SARS-CoV-2),


causador da doença COVID-19, tem alterado a rotina de grande parte das pessoas. Desde a
confirmação do 1º caso da COVID-19 na cidade de Wuhan, China, em dezembro de 2019, até
Volume 1, Número 04, 2020

às 17:30 horas do dia 8 de abril de 2020 já haviam 1.500.830 casos confirmados e 87.706 óbitos
ao redor do mundo. Nessa mesma data, o Brasil contabilizava 15.927 casos confirmados e 800
mortos pelo novo coronavírus.

Nesse debate, uma questão que vem sendo pouco discutida por pesquisadores, gestores e
demais membros dos comitês de crise para o enfrentamento da pandemia são as repercussões
do distanciamento social no relacionamento interpessoal, especialmente entre parceiros íntimos
e entre pais e filhos. Com base em situações de distanciamento social anteriores e no aumento
súbito do registro de casos de violência no contexto de pandemia, organizações internacionais
9,10,11,12,13, pesquisadores 14,15,16 e mídia leiga 17,18,19,20,21 estão preocupados com os
indícios de aumento da violência doméstica, sendo o lar, muitas vezes, um lugar de medo e
abuso.

3.1 DADOS SOBRE VIOLÊNCIA DOMÉSTICA NO BRASIL

De acordo com a reportagem do canal de notícias G1 (2020), A delegada Bruna


Fontenele, coordenadora do Departamento de Proteção à Mulher, afirmou que os dados não
significam uma queda da violência no Piauí, mas sim, que menos vítimas estão conseguindo
denunciar no canais formais. "Isso não significa que a violência diminuiu, apenas que com esses
dados que a informação está chegando de forma reduzida. Por isso é sempre importante que a
gente reforce e oriente que nossos canais presenciais e online estão funcionando para atender
às mulheres vítimas de violência doméstica”, informou.

O levantamento foi baseado na quantidade de boletins registrados e teve como fontes o


Sistema de Boletins de Ocorrência (SISBO) e o SINESP PPE, ambos da Polícia Civil. É
importante ressaltar que existem outros grupos vulneráveis durante a pandemia da COVID-19,
além de mulheres, crianças e idosos em situação de violência familiar, em função da violência
estrutural que atravessa o Brasil e que se expressa na desigualdade social, os deixando muito
mais expostos ao adoecimento e à violência. Algumas populações que já acumulam
discriminações e têm acesso dificultado aos serviços de saúde e a outros direitos sociais
constitucionalmente garantidos estão entre as pessoas com baixa renda, vivendo em
assentamentos informais, minorias, indígenas, migrantes e refugiados, pessoas privadas de
liberdade, pessoas com deficiência, LGBTI, população em situação de rua, entre outros
(FIOCRUZ, 2020)
Volume 1, Número 04, 2020

Estima-se que um terço das mulheres, no mundo, vivenciarão violência física e/ou
sexual em algum momento da vida. A violência cometida pelo parceiro íntimo é a forma mais
comum. A OMS alerta que a violência contra a mulher vem aumentando desde o início da
pandemia de COVID-19. Em Jingzhou, uma cidade na província de Hubei/China, os casos de
violência doméstica triplicaram em fevereiro de 2020 comparado ao mesmo período no ano
anterior. No Brasil, o aumento da violência contra a mulher, ao longo do primeiro mês da
pandemia, também tem sido noticiado. Ao mesmo tempo, o Fórum Brasileiro de Segurança
Pública reportou diminuição dos registros de boletins de ocorrência por violência doméstica
nos primeiros dias de isolamento.
Porém, os números de feminicídios e homicídios femininos apresentam crescimento,
indicando o aumento da violência doméstica e familiar. A violência familiar envolve uma
complexidade de fatores individuais, relacionais, sociais e culturais. Destacam-se aqui alguns
fatores que se interrelacionam ao aumento do risco de violência contra a mulher durante a
pandemia:
• As mulheres podem passar a ter menos contato com sua rede socioafetiva, afastamento que
pode favorecer a perpetração de violências;
• O homem e/ou a mulher podem ter o sustento da família limitado ou ameaçado, resultando no
aumentando do estresse e no agravamento da convivência conflituosa e/ou violenta;
• Os agressores podem se utilizar das restrições recomendadas para controle da pandemia como
meio para exercer poder e controle sobre as parceiras, reduzindo
ainda mais seu acesso aos serviços e ao apoio psicossocial. Dessa forma, as mulheres podem
enfrentar obstáculos ainda maiores para se defenderem ou acionarem medidas de proteção;
• Durante o isolamento social é possivel que haja aumento no consumo de álcool e outras drogas
no ambiente familiar, podendo elevar a probabilidade de ocorrer violência;
• O acesso aos serviços de atendimento à mulher em situação de violência podem estar limitados
devido aos esforços de enfrentamento à COVID-19, reduzindo o alcance a fontes de ajuda;
• Deve-se considerar que as diferenças sociais como cor da pele, classe social, orientação
sexual, identidade de gênero e idade, deixam algumas mulheres mais suscetíveis à violência.
Além disso, a falta de recursos financeiros e o acesso restrito aos serviços de saúde dificultam
o afastamento do agressor e o rompimento do ciclo da violência.

ORIENTAÇÕES PARA AS REDES DE PROTEÇÃO E CUIDADO ÀS MULHERES


EM SITUAÇÃO DE VIOLÊNCIA
Volume 1, Número 04, 2020

Considera-se que muitas ações dependem de políticas intersetoriais e da mobilização da


sociedade, por exemplo o ato de denunciar a violência contra a mulher. Sendo assim, gestores
precisam diversificar os canais de denúncia e sua divulgação tanto por meio de estratégias de
comunicação como em locais públicos e de grande circulação como farmácias, supermercados
ou demais serviços autorizados a funcionar durante a pandemia, para que mulheres possam
acessá-los mais facilmente; implementar protocolos de verificação de denúncias por vizinhos e
ou familiares, para que mulheres não sejam colocadas em maior risco; criar campanhas que
encorajem a sociedade a denunciar casos de violência; garantir respostas rápidas das
autoridades para a proteção da mulher, como a retirada do lar do autor de agressão ou a busca
de locais de abrigamento seguro durante período de distanciamento social.
Profissionais que atuam nas políticas públicas devem promover o cuidado psicossocial
e oferecer algumas orientações, como: recomendar que a mulher converse com alguém de sua
confiança sobre as ameaças e/ou agressões que tenha sofrido; e verificar se há locais seguros,
perto da sua casa, onde possa ficar até conseguir ajuda; no caso de ter crianças em casa, definir
um código (por exemplo: uma palavra) informando-as que deverão buscar socorro e/ou sair de
casa.
Em caso de ferimento, auxilie a mulher a identificar quais as unidades de saúde estão
funcionando durante a pandemia e certifique-se de que ela será atendida. Para buscar ajuda,
informação ou denunciar a violência sofrida oriente a mulher a ligar para o Disque 180 ou
procurar a delegacia mais próxima, preferencialmente a Delegacia Especializada em
Atendimento à Mulher (DEAM). O suporte de vizinhos, amigos e familiares pode ser
fundamental durante a pandemia já que, muitas vezes, a mulher não consegue pedir ajuda por
estar sob controle direto do agressor. Em caso de suspeita de violência contra a mulher, qualquer
pessoa pode buscar auxílio na polícia pelo Disque 190. Muitos casos de violência, incluindo a
morte de mulheres – o feminicídio, podem ser evitados.

CONCLUSÃO

A partir da análise do estudo apresentado, faz-se possível concluir que a violência


doméstica e familiar tem se tornado um dos problemas mais graves e polêmicos, de que as
mulheres padecem, dotado de imensa complexidade ,sendo imprescindível enfrentar qualquer
tipo de violência sobre diversos ângulos com o intuito de minimizar o sofrimento, como
também qualquer abalo emocional e psicológico, afim de promover reflexões críticas acerca
da aplicabilidade e eficácia da lei Maria da Penha, como esta vem punir e/ou coibir a violência
Volume 1, Número 04, 2020

de gênero, pois em nossos dias atuais, o que se busca são meios para garantir às mulheres a
igualdade de condições em todos os aspectos de sua vida, tanto social, cultural, política, quanto
trabalhista, de forma a equilibrar e assegurar igualdade de direitos, deveres e oportunidades em
relação ao homem, como lhe são reconhecidos constitucionalmente.
Acredita-se que somente através da adequada educação de nossas crianças, de forma a
eliminar qualquer tipo de discriminação e preconceito, buscando uma sociedade justa em que
homens e mulheres tenham as mesmas oportunidades e convivam melhor.

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qualificadora do crime de homicídio, e o art. 1º da Lei nº 8.072, de 25 de julho de 1990, para
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Volume 1, Número 04, 2020

da Convenção sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação contra as Mulheres e


da Convenção Interamericana para Prevenir, Punir e Erradicar a Violência contra a Mulher;
dispõe sobre a criação dos Juizados de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher; altera
o Código de Processo Penal, o Código Penal e a Lei de Execução Penal; e dá outras providências.
Disponível em: < [Link]
2006/2006/Lei/[Link]>. Acesso em: 12 jun 2020.

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BRITO, Luisa Medeiros. Lei Maria da Penha: uma análise crítico-feminista de sua aplicação
no Município de Caicó/RN. 2019. 127f. Dissertação (Mestrado em Ciências Sociais) - Centro
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