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Gênero

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1.

1 Gênero
O termo “gênero” foi gestado dentro do feminismo, após os anos 1968, ano em que
ocorreu o ápice dos movimentos sociais e políticos que acontecia em países como França,
Inglaterra, Estados Unidos e Alemanha: mulheres, negros, homossexuais, estudantes, estavam
insatisfeitos com os espaços que ocupavam na sociedade e com a politica praticada. Esse
termo que engloba tanto homens como mulheres foi fruto de intensos debates no campo do
estudo das mulheres, e passou a ser utilizado, no Brasil, somente nos anos 1980.
Dos vários conceitos que o termo possui, podemos destacar que:

[...] o termo "gênero" também é utilizado para designar as relações sociais


entre os sexos. Seu uso rejeita explicitamente explicações biológicas, como
aquelas que encontram um denominador comum, para diversas formas de
subordinação feminina, nos fatos de que as mulheres têm a capacidade para
dar à luz e de que os homens têm uma força muscular superior [...] (SCOTT,
1995, p.75).

As desigualdades sociais entre homens e mulheres são geradas e/ou estabelecidas


através da “[...] distinção biológica, ou melhor, a distinção sexual, serve para compreender —
e justificar — a desigualdade social [...]” (LOURO, 1997, p.21), ou seja, homens e mulheres
não têm os mesmos direitos por simplesmente terem sexos/genitálias diferentes. O termo
“gênero” ganha força justamente por entender que é necessário estudar tanto homens como
mulheres de forma compartilhada, não apenas separadamente, estabelecendo uma condição
relacional entre ambos os sexos, esse poderia ser um ponto de encontro para a discussão da
construção social do que é ser homem e mulher. Assim:

É necessário demonstrar que não são propriamente as características sexuais,


mas é a forma como essas características são representadas ou valorizadas,
aquilo que se diz ou se pensa sobre elas que vai constituir, efetivamente, o
que é feminino ou masculino em uma dada sociedade e em um dado
momento histórico (LOURO, 1997, p.21).

Gênero, então, prioriza o estudo relacional, trazendo as discussões para o campo


social, já que é no meio social, nas relações sociais que os gêneros se constituem como tais. A
partir daí o estudo passa a entender que “[...] as concepções de gênero diferem não apenas
entre e as sociedades ou os momentos históricos, mas no interior de uma dada sociedade, ao
se considerar os diversos grupos (étnicos, religiosos, raciais, de classe) que a constituem.”
(LOURO, 1995, p.23)
Assim, gênero pode ser tomado como “[...] processo histórico e pratica social
vivenciados tanto nas relações cotidianas carregadas de poder como nas reformulações
identitárias que os sujeitos vivenciam ao longo da vida. [...]” (COUTO; SCHRAIBER, 2013,
p.48) por isso vai além do natural, das genitálias, são construções que podem sofrer
reformulações a todo momento, não é algo permanente ou fixo bem como a noção de
machismo que é tida como uma construção que é fortalecida ou enfraquecida na “[..] história
social de longa duração, entrecruzada com os processos de dominação masculina e com a
atualização que os indivíduos fazem ao longo de suas vidas e dos contextos sociais [...]” (p.
48).

1.2 Masculinidades e seus sentidos


A masculinidade tal qual conhecemos hoje não é natural; ela é fruto de uma construção
social e cultural, onde a sociedade dita os padrões do ‘ser masculino’. A sociedade brasileira
desde os primórdios é considerada patriarcal e machista por possuir costumes que difundem
normas e comportamentos passados de pai para filho que ensinam a ser “homem com ‘H‘
maiúsculo”, como se diz popularmente. Assim, “[...] os homens estão sempre sob observação
de seus pares (e das mulheres obviamente) que os avaliam aprovando ou não seu
desempenho” (SOUSA, 210, p.15). Isso quer dizer que os comportamentos masculinos são
socialmente adquiridos por meio de regras e padrões comportamentais, esses designam modos
de comportar-se como homem, assim desempenham padrões socialmente definidos de
masculinidade.

Logo, se faz necessário, para entender a masculinidade, “analisá-la como um processo


social construído por homens e mulheres que, embora com papéis diferentes, são igualmente
importantes nesta construção” (SOUZA, 2015, p. 24-25). Os estudos sobre masculinidade
surgiram, no Brasil, como um campo consolidado nos anos 1990. Em outros países como nos
Estados Unidos surgiram as discussões sobre a temática após as manifestações feministas e
homossexuais que geraram uma crise do masculino. Teses e dissertações sobre a temática
eclodiram nos campos da Psicologia Social (PUC) e Antropologia (UFSC). É importante ter
em mente que é preciso ter cuidado para não fazer uma história dos homens, mas uma de
masculinidade, relacionando os gêneros para assim gerar uma equidade entre homens e
mulheres.
Quando eu estava prá nascer
De vez em quando eu ouvia
Eu ouvia a mãe dizer:
"Ai meu Deus como eu queria
Que essa cabra fosse home
Cabra macho prá danar
" Ah! Mamãe aqui estou eu
Mamãe aqui estou eu
Sou homem com H
E como sou!
(Antônio Barros, 1980)

1.3 Lazer, sociabilidades e bar

2. O BAR E AS SOCIABILIDADES DE DETERMINADAS MASCULINIDADES

No artigo Os significados da masculinidade em um bar de proximidade no Subúrbio


Carioca de Rolf Malungo de Souza, para compreender as várias formas de ser homens, ou
seja, as várias masculinidades, o autor traz o estudo etnográfico de um grupo de homens com
idade entre 45 a 70 anos, da classe trabalhadora, e negra, em sua maioria, frequentadores do
bar do Pery, situado no Irajá, Subúrbio Carioca. O bar é colocado como um local de intensa
interação e camaradagem, mais que isso, é um local onde se celebra e se afirma a
masculinidade hegemônica local. Apesar desse clima de camaradagem há também as disputas
geradas pelo valor dado pela masculinidade que são acalmadas pela jocosidade. O autor traz
em seu texto que a postura corporal desses homens é agressiva, à primeira vista, no entanto, é
a retórica, a argumentação que é prestigiada, pois este espaço de lazer é trazido como uma
escola de moralidade onde é ensinado um tipo de masculinidade compatível com a localidade,
ou seja, são partilhados valores que dizem respeito àquele grupo, conhecê-los traz prestígio e
demarca posição dentro do grupo, esses valores são passados de pai para filho, inclusive.
Como em uma escola, no bar existem algumas regras a serem seguidas, como a não utilização
de palavrão na frente de mulheres, e há alguns palavrões que são proibidos por serem
considerados pesados, não seguir as normas pode gerar problemas sérios. O autor encerra seu
artigo com a conclusão de que o bar do Pery não é um espaço de alienação, pois os valores da
sociedade estão presentes no lazer destes homens, e os valores hegemônicos de nossa
sociedade são afirmados, porém, os valores são ressignificados por eles. Mesmo que esses
homens sejam vistos no seu dia-a-dia de forma inferior, no bar, eles são senhores, e quem não
se encaixa no perfil de masculinidade ensinada no bar acaba por ficar sem identidade, já que
ela é legitimada por seus pares, naquele espaço.

Trazer trabalhos que tratam do assunto, a revisão de trabalhos que tratam das temáticas

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